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a história por trás das estéticas quiet luxury e old money

ju beneduzi48:31

Transcription

O que que a estética Quiet Luxury, Old Money, os Dandes, a era dourada dos Estados Unidos, a Ana Delvei, a série Succession, a Revolução Industrial tem como?

[Música]

Eu sei que parece que eu juntei um monte de temas, conceitos e assuntos aleatórios, mas eu prometo que todos eles estão dentro de um mesmo universo. O desejo de pertencer ou parecer que pertence. No vídeo de hoje, a gente vai falar sobre essa obsessão histórica por status, identidade e poder e aparência também, né? É claro, desde os dandes lá do século XIX, que eu já vou falar quem eles eram, tá? Muita calma nessa hora, até o fenômeno do Quiet Luxury, que eu também vou explicar o que que é essa static. Bora lá.

Então, como sempre, vamos voltar no tempo pra gente entender melhor o contexto histórico. Vai ser uma pincelada rapidão, tá? Revolução Industrial. Iniciou na Inglaterra por volta de 1760 e se espalhou pelo mundo e foi marcada pela transição de um sistema manual artesanal para um sistema mecanizado, com o uso de máquinas a vapor, com avanços tecnológicos, né? foi o começo do mundo, como a gente conhece hoje, né? Logo depois, de 1789 até 1799, tivemos a Revolução Francesa, que foi marcada pelo fim do antigo regime, aristocracia e a nobreza foram derrubadas e da ascensão da burguesia. E a burguesia é muito importante pro assunto de hoje, tá?

Alguns anos depois, lá na Inglaterra, entre 1811 até 1820, tivemos a era da regência, que foi marcada pela nomeação do príncipe de Gales como príncipe regente, porque o rei George Ter ele foi declarado mentalmente incapaz de governar. Então, por isso que o príncipe veio e entrou no lugar dele. E por que que é importante a gente falar sobre esse príncipe regente? porque ele era amigo de um cara muito importante da história da moda, o George Brumel. E quem era esse George Brumel? George era uma figura muito caricata. Eu não sei nem escrever. Quanto mais eu pesquisava sobre ele, mais eu desgostava desse homem. Ele conheceu o príncipe de Gales, que eles eram bons amigos, tá? Eles se conheceram no exército. O George, ele foi tenente do exército e ele basicamente não fazia nada, tá? Ele não fazia nada, ele faltava, ele sumia, ele não fazia mais do que o mínimo, né? Então, quando ele foi promovido a tenente, a galera fica assim, não, não, não faz sentido. Claramente ele só foi promovido porque ele era amiguinho do príncipe. Depois de uns anos, ele acabou saindo do exército. Existem fontes que dizem que ele foi forçado a sair e outras que dizem que ele saiu por vontade própria, por regimento dele ia sair de Londres e ia ser transferido para Manchester. E ele falava que Manchester tinha uma má reputação, que a cidade era indistinta e não tinha cultura nem civilidade. Aí você já começa a ver traços da personalidade dele, tá OK? E eu acho mais provável que ele tenha saído por vontade própria, porque isso é muito a cara dele de se falar, sabe? É bem bem chato. E mesmo depois dele ter saído do exército, ele continuou sendo muito amigo do príncipe.

E aí você me pergunta: "Mas Júlia, ele era de classe alta? Porque assim, beleza, eles conheceram no exército, ficaram próximos do exército, mas o príncipe era um príncipe, né, elite, nobre, com títulos e e ele, o George, andava com essa galera. Por quê?" Apesar de pertencer à classe média, Brumel tornou-se próximo da família real inglesa e usou essa posição para ingressar na alta sociedade. Sua aparência elegante, charme natural e sagacidade afiada o tornaram famoso por ser famosa. Brumelu era conhecido por se preocupar com a aparência e foi um dos primeiros a rejeitar as sedas e meias ornamentadas da aristocracia. Ele percebeu que a cultura estava mudando e desenvolveu um visual novo e mais masculino, com camisas de linho, casacos e calças escuras. Isso rompeu com a moda da época e deu início a uma tendência que levou diretamente aos ternos masculinos que vemos hoje.

Então o que que acontece? Ele era sim amigo do príncipe. Isso foi literalmente o que fez com que ele conseguisse ingressar nessa alta sociedade. Mas as pessoas respeitavam ele, não só o príncipe, os amigos do príncipe, aquela galera da alta sociedade que era tipo um clubinho, né? E também mais do que isso, né? Ele criou uma tendência, então as pessoas ficavam inspiradas por ele, né? Queriam fazer igual. Ele foi basicamente o primeiro influencer. Ele era um sociale. Ele era uma mistura de Ana Delvei e Alexa Chang. E quem eram essas duas pessoas? A An Delvei tem até documentário na Netflix sobre ela, tá? Ela foi uma golpista, né? Alpinista social. Ela fingia ser rica, fingia ser uma pessoa influente, ela ia nos melhores hotéis, ela andava com as pessoas mais influentes, ela frequentava os melhores restaurantes e as pessoas ficaram encantadas por ela, porque ela justamente tinha esse charme, essa sagacidade, entendeu? Igualzinho George Brumel. Já a Alexa Chung, ela foi a it girl dos millennials. Uma it girl é tipo uma garota que tudo que ela faz as pessoas querem copiar. Tudo que ela faz vira tendência. Ela usa uma roupa específica, todo mundo vai querer usar igual. Ela vai num certo restaurante, todo mundo quer ir no restaurante que ela foi. Então ela criava tendências igual o George Brumel. Ele era a mistura dessas duas personalidades e ele era muito desconectado da realidade. Ele era um homem de classe média, só que ele andava com a galera da classe alta. Então ele ia nesses restaurantes, ness nesses eventos, né? Jogava jogos de azares, bebia das melhores bebidas, usava as melhores roupas. Com que dinheiro? era igual a Ana Delve. Ele conseguiu segurar isso por um tempo, só que foi quando ele chamou a príncipe de gordo que as coisas começaram a desandar. A partir desse comentário, o príncipe cortou relações com ele e ele teve que fugir para a França porque ele ia ser preso. Lá na França, ele conseguiu eh fazer uma renda mínima ali, mas também começou a criar dívidas lá na França e acabou que ele foi preso. Ficou preso por um tempo, depois um amigo dele conseguiu tirar ele da prisão antes, mas logo depois ele foi parar num asilo. Ele pegou sífiles e ele morreu com 60 anos, se eu não me engano, sozinho e doente. Esse é o final de George Brumel.

Mas Júlia, por que que você está contando a história desse cara maluco? Porque ele foi o Dand mais famoso da história. E o que que é um Dand? Vamos falar sobre eles agora. O Brumel, como ele foi criador dessa tendência de moda, né, dos ternos, do linho, dos casacos e calças escuras, ele criou um estilo novo, o dandismo. E o que que é o dandismo exatamente? São só homens que se vestem de forma elegante, minimalista? Não. Os dandes, eles eram figuras muito complexas. Tanto que quando eu tava pesquisando sobre eles, eu demorei muito para entender como que funcionava a cabeça dessas criaturas. O dandismo, ele se refere a um movimento cultural e estético que se caracteriza pela busca de elegância e sofisticação na vestimenta e postura como afirmação de identidade e resistência. O termo que surgiu no século XIX era inicialmente associado a homens que se vestiam de forma extremamente elegante e refinada, muitas vezes com trage sob medida para se destacar e desafiar normas sociais, especialmente no contexto da Inglaterra. O dandismo, ele eventually se expandiu pra França também, tá? Só para deixar pontuado aqui.

Eu acho que o mais interessante dessa dessa frase é quando ele fala desafiar normas sociais. Que que isso quer dizer? O primeiro ponto é que eles rejeitam justamente essa produtividade da era da industrialização. Aquela valorização do trabalho que estava crescendo muito naquela época era algo que os dandes não queriam saber. Eles viviam pelo estilo e pelo lazer, basicamente. E por conta dessa oposição à produtividade, eles não gostavam nem um pouco da burguesia, tá? Isso é muito importante pros dandes. Outro ponto, a própria moda. Naquela época, a moda era algo muito uniformizado e padronizado. E eles irem contra isso e criarem a própria tendência é de uma certa forma desafiar normas sociais. Vai muito fácil você achar tirinhas daquela época em que os dandes eram desenhados como caricaturas extremamente exageradas e toscas, esquisitas. Então eles eram motivo de chacota. Então por conta disso eles também iam contra normas sociais. E o último ponto é justamente a filosofia deles de que para ser um Dante não precisa ser um aristocrata. A aristocracia tá no espírito, tá na mente. Você não precisa vir de uma família aristocrata, nobre, com títulos, herdeira, enfim, para você ser uma pessoa com gosto, inteligência estética, vaidade, né? Não precisa ter nenhum tipo de linhagem, você é o seu próprio aristocrata, digamos assim. Então, basicamente, esses são os pontos e as normas que eles desafiavam.

No século XIX europeu havia uma figura pública e artística dissonante que baseava seu vestir, seu andar e seu falar em seu singular ideal estético. Para o Dand, novo arbítrio das elegâncias, sua existência deveria constituir-se como obra de arte, como agente de uma existência artificial e hiperestilizada, se não estranha a muitos de seus contemporâneos. Longe da figura exemplar dessa classe de suas preocupações políticas e sociais, o Dand oito centista configurava a antítese da figura do intelectual engajado que nasce no mesmo período.

Então vamos destrinchar essa frase aqui. Os dandes, eles eram vistos como criaturas bem peculiares pelas outras pessoas, tá? E o que era engraçado é que eles têm toda essa filosofia de superioridade aristocrática da mente, mas os caras não estão nem aí com política e questões sociais. Por isso que ele fala que ele que os dandes eram literalmente o oposto de um homem intelectual que se importa com essas questões, né? Lembrando que nesse período muitas coisas estão acontecendo, tá? Na era da regência, principalmente na Inglaterra, né? que foi onde os dandes surgiram por conta do Brumelu. A desigualdade social tava crescendo. A alta sociedade elite Master Blaster ostentava muito. Eles viviam num glamur excessivo. Eles priorizavam prazer. Então era uma época bem conturbada, tá? Em todas essas questões. Mas os dandes não estavam preocupados com isso. Eles estavam mais preocupados em serem chiques e elegantes. Ok?

Na minha opinião, eles eram muito fúteis e hipócritas, tá? Por quê? Eles eram contra a ascensão da burguesia. Tanto que o que eu mais vi dos dandes, que eles eram muito contra, era o conformismo da burguesia. Só que ao mesmo tempo eles também não apoiavam a aristocracia, já que muitos deles, muitos, a maioria deles não vinha de famílias nobres. E se não fosse por essa revolução que tava acontecendo naquela época, eles não poderiam ter essa vida de ociosidade, de lazer, que eles tanto valorizavam, porque era isso que eles faziam. Nada. Eles não faziam nada. Eles só queriam curtir a vida, viver de aparências mesmo. Então, por isso que eu acho eles hipócritas. Eles não poderiam ter a vida que eles tanto amam se não fosse por essas questões políticas e sociais que eles tanto desprezavam.

Vamos ler um trechinho que explora mais um pouco essa discussão. Os dandes eram figuras de exclusão que se encontram paradoxalmente à margem e dentro de uma aristocracia ou alta burguesia e exigem seu direito à futilidade e ao artifício. Eles se postam contra a massificação da sociedade industrial e burguesa. São figuras que jamais fariam uma revolução coletiva, mas servem de contrapontam ao coletivo. teatralizam a decadência das sociedades e o direito à individualidade e a diferença.

É claro que esse texto tá com uma linguagem super acadêmica, tá? Alguns textos que eu coloquei aqui tão, então me perdoem, mas eu queria colocar o texto original para vocês eh lerem. Mas o que importa é o contexto geral, galera. Aqui não é aula de história. Tudo bem se você não entendeu cada linha? Nem eu entendi, mas assim, o geral a gente entendeu, entendemos. Tem pontos aqui importantes. Eles exigem o direito à futilidade, por isso que eu acho que eles são fúteis. Eles são contra essa sociedade industrial e burguesa, então eles não gostam dessa revolução que tá rolando, tá? Mas eles também não vão mexer um dedo para tentar mudar isso. Eles estão mais a fim de ser serem melancólicos e tirarem, não é tirar sarro, né? Mas como eles falam aqui, teatralizar, né, essa sociedade que para eles está em decadência, mas uma coisa que eles têm de bom é que eles valorizavam muito a individualidade, né, que nem fala aqui no texto, porque justamente nessa sociedade que estava prosperando em produção em massa, para eles essa autenticidade não poderia ser perdida, mas com esse sistema de sociedade ela seria. Eles pregavam muito essa autenticidade, essa individualidade, o que eu acho muito legal.

Outra coisa importante deles, o Dand seria conhecido por seu desprezo ao mundo e aos valores sociais e burgueses. Já entendemos. Nele se caracterizaria o tédio e o cansaço, ilusória completude que resultou em um esgotamento do sujeito e em um esvaziamento de ideias e esperanças. Preste atenção nessa próxima parte. Não podendo escrever nada, tudo já foi escrito. E não podendo conquistar nada, tudo já foi conquistado. Tudo já foi pensado, discado e catalogado. Restou a tal homem a visão ácida e ironicamente realista da incapacidade humana em ultrapassar o seu momento histórico.

O que que eu peguei desse trecho? Como é parecido com o sentimento atual? Em que sentido? Sobre esse esgotamento que ele fala. Tudo já foi escrito, não dá para escrever nada. Tudo já foi feito, não dá para criar nada novo. Tá rolando um momento histórico muito importante hoje em dia com a IA principalmente, que naquela época era produção mecanizada e hoje é inteligente artificial. Então eu sinto que esse paralelo com hoje em dia é muito similar. Falei até desse esgotamento no vídeo sobre originalidade, criança interior. Eu falo justamente que como é difícil a gente ter uma ideia original, ser autêntico num momento em que tudo pode ser criado, não só por humanos, mas por inteligência artificial também, sabe? Então essa visão ácida do mundo igual os dandes, a gente compartilha, né? Não tô falando todos, eu tô falando de um grupo de pessoas que tá preocupado, que tá bravo até, sabe, uma certa revolta com tudo que tá acontecendo. E a gente acaba tendo esse esgotamento, esse esvaziamento de ideias, esvaziamento de esperança, igual os dandes.

E tem outra frase que também tem muito a ver com o que a gente tá vivendo hoje. Na década de 1880, aceitou-se a ideia de decadência como válida e pertinente num período em que o desenvolvimento tecnológico mesclava-se a desilusão social e religiosa. Desenvolvimento tecnológico e a desilusão social, não preciso nem falar, né? E religiosa também, tá? Eh, essas igrejas cool que tão bastante famosas de um tempo para cá, já diz muito. Aliás, se você não nunca viu esse fenômeno das igrejas a estatic, eu recomendo ver. é um fenômeno bem interessante. Pode-se afirmar que o notável naqueles anos, nas palavras de orna master Levin, é a reação pessimista que se resumiria na solidão e nas neuroses. Uma resposta à tristeza na qual o artista revela sua vontade de escapar da realidade. Escapar da realidade, gente. Celular, rede social, tanã. Vocês estão entendendo? Vocês estão entendendo? E é isso. Solidão. Quanto vídeo que eu não vejo de solteiro falando que tá impossível namorar, achar alguém legal. As pessoas estão sozinhas. Mesmo no mundo tão conectado e globalizado, a história se repete.

E sabe outra coisa que os dandes também influenciaram muito? O Quiet Luxury, que para quem não sabe é uma estética que traduzindo significa luxo silencioso, que são essas roupas minimalistas, tons neutros, modelagem de afaiataria, muito bem modeladas. É basicamente essa estética e é muito luxuosa, mesmo sendo minimalista, porque o foco tá na qualidade do tecido, tá na qualidade da confecção, da modelagem. da durabilidade. E esses eram aspectos, características, valores muito importantes pros dandes. Pensem que antes do do dandismo a moda era extremamente maximalista. Os homens usavam perucas, eles usavam tecidos brilhantes, roupas coloridas, bordados, babados. Então essa mudança do maximalismo pro minimalismo foi uma mudança muito drástica na moda, né? E era uma moda muito luxuosa. Eram roupas que custavam, como a gente viu, 800 libras. Por isso que é um luxo silencioso, porque a olho nu você pode até achar que é uma roupa simples, porque o visual é simples, mas o tecido é nobre, a modelagem é feita sob medida. Então, é esse o luxo silencioso. Por isso que esse quiet luxury que a gente vê, né, essa estética que a gente vê hoje, foi diretamente influenciada pelos dandes, que naquela época era outro tipo de vestimenta, mas com a evolução dos modos e da moda, esse legado se manteve durante todos esses anos.

E de onde surgiu essa estética Quiet Luxury que a gente conhece hoje em dia, né? Ela é muito influenciada pelo old money. Que que é o old money? significa dinheiro antigo. São pessoas herdeiras, basicamente. É aquela família que é rica desde do século passado. Essas pessoas têm um estilo de vida muito diferente do que a gente conhece e elas valorizam muito justamente essa qualidade, durabilidade e e minimalismo dos dandes, que é o que a gente vê no Pinterest quando você pesquisa quite luxury ou old money. As estéticas são muito parecidas, mas o old money ele envolve muito mais o estilo de vida das pessoas que usam aquela estética, aquelas roupas, aquele estilo. E esse estilo de vida consiste em jogar tênis, jogar golf, ter uma casa no campo, viajar, ser uma pessoa estudada. é uma estética que tem muitas camadas e ela é muito baseada, claro, na Europa também muito, mas eu diria que principalmente nos Estados Unidos. E a gente vai agora falar sobre a era dourada dos Estados Unidos, porque foi nessa época que o conceito de Old foi criado.

[Música]

Então, vamos sair da Europa e vamos para United States of America. OK. Antes de qualquer coisa, eu queria fazer uma correção, tá? da tradução em inglês, a era dourada é Guilder Age. Guilded não tem uma tradução direta pro português, tanto que a gente fala dourado, só que tem uma diferença, tá? Guilded significa algo que por fora é brilhante, reluzente, mas que por dentro é podre. Eu achei muito importante eh explicar essa diferença de tradução, porque o brilho desse Guilded era representado por 1% da população, principalmente de Nova York, tá? A gente vai focar na história de Nova York, que foi basicamente o estado mais importante para esse conceito de old money, tá? Então era 1% que era dourado, brilhante, reluzente. E a gente vai focar justamente nesse 1%, que era o 1% que detinha o dinheiro, o status e o poder. Pensa num povo fofoqueiro. E se você se interessa por séries de época que tem muita fofoca, eu recomendo 100% a série A era Dourada, que tá no Max e é baseada em fatos reais, tá? Então é muito legal. Tanto que eu terminei essa série em tipo uma semana e tem duas temporadas. Por que que eu tô mencionando ela aqui? porque ela trata justamente desse 1% da alta sociedade de Nova York, que é o que a gente vai falar aqui. E a trama principal dessa série é a disputa dos novos ricos com os ricos de berço, os herdeiros.

Mas o que que era essa disputa entre os novos ricos e os ricos de berço? Eu vou falar velhos ricos, tá? Só para ficar mais fácil e mais tipo direto ao ponto, tá? Por que que os ricos estavam brigando entre si? Os novos ricos eram os burgueses, justamente as pessoas que os dandes odiavam, tá? Lá nos Estados Unidos, esses novos ricos tinham uma fortuna inimaginável, tá? Eu tô falando inimaginável mesmo. Na época eles eram milionários. Naquela época que 50 se equivalia a 3.500. Imagina milhões. Só para vocês terem uma ideia, eles geralmente os os novos ricos que eram realmente potências na economia da época, eles eram donos de ferrovias e indústrias siderúrgicas, que basicamente elas transformavam minério de ferro em aço bruto, que depois era transformado em fios, tubos, chapas, enfim. Basicamente o que era usado para fazer essas ferrovias. Como a gente tava na era industrialização, da produção em massa, o que que era importante? Ter algum meio de transporte que levasse essas essas mercadorias para diferentes cidades, para diferentes estados, né? Assim, movimentando a economia, capitalismo, uhu, lucro. Então, os novos ricos que tiveram essa sacada de perceber que as ferrovias seriam o grande investimento da época, eles já saíram na frente. É tipo na época em que a gente falava sobre criptomoeda e todo mundo ficava tipo: "Nossa, quem é o imbecil que vai comprar criptomoeda?" Tipo, nada a ver. E aí a galera agora é milionária? É isso. Na época era esse o tipo de visionário que eles eram, só que tinha um porém. Essas pessoas não vinham de famílias geracionalmente ricas. Eles tinham feito toda essa fortuna, toda essa riqueza em uma geração só.

Lá nos Estados Unidos, esses velhos ricos muitas vezes eram descendentes de holandeses, britânicos e alemães, que se fizeram muitas vezes no próprio Estados Unidos, mas também tinham imigrantes que vinham da própria Europa já ricos. Esses velhos ricos, eles tinham influência, tradição, fortuna, imóveis, todos erdados de gerações atrás. Então, qual que é a questão? Eles não gostavam nem um pouco de ver essas pessoas que vieram do nada tendo mais dinheiro do que eles. Como assim? Não, só que os novos ricos, eles não podiam simplesmente desconsiderar a velha guarda, porque era justamente a velha guarda que era responsável por aceitar esses novos ricos na alta sociedade. Se eles não fossem aceitos, não importa quanto de dinheiro você ostentasse, você não entraria. Então, era uma dinâmica bem complicada e delicada entre eles.

Subir os degraus da alta sociedade novaiorquina era um trabalho perigoso para qualquer recém-chegado, mesmo que morasse um endereço prestigiado na Quinta Avenida. As famílias elegantes da cidade, em sua maioria descendentes dos primeiros colonizadores holandeses, eram desconfiadas de alpinistas sociais. E as próprias casas dessas famílias refletiam essa mentalidade, valorizavam bons modos e modéstia acima de ambição e ostentação. Isso fica muito evidente na série da era dourada, que mostra a diferença das casas entre os velhos ricos e os novos ricos. A casa dos Russels, que são os novos ricos, é uma mansão bizarra de ostentativa. Sei lá quantos quartos, sei lá quantos empregados. Sei lá quantos lustres e louças e salão de festa para fazer os bailes e não sei o quê. Olha, é uma coisa surreal. Já a casa dos ven as velhas ricas, é uma casa escura, não tem luz, dá para ver que as coisas foram herdadas do tatô, entendeu? tem uma certa modéstia, porque, óbvio, eles são muito ricos, eles têm empregados e vivem esse luxo, mas é uma coisa muito mais contida, sabe?

Durante a maior parte da história, o consenso geral era de que os ultra ricos gostavam de ostentar seu status de forma visível e orgulhosa. Mas tudo mudou quando a revolução industrial permitiu que uma classe burguesa emergente acumulasse ainda mais dinheiro do que a antiga nobreza. Viram porque que era importante a gente falar da revolução industrial? Uhum. Foi então que entrou em cena o economista Thorstin Weblin que cunhou o termo consumo conspico em 1899 para ilustrar o que estava acontecendo. Weblin acreditava que os novos ricos exibiam gastos extravagantes para se igualar ao status da elite tradicional, um processo que ele definiu como emulação pecuniária. Portanto, a única maneira que os velhos ricos tinham de se diferenciar dos recém-chegados era demonstrando o melhor gosto nas coisas que consumiam. Assim, em vez de comprar tudo e qualquer coisa, eles precisavam cultivar níveis mais elevados de capital cultural e intelectual.

Uma curiosidade que é legal de se pontuar aqui é que a personagem Berta Russell, que é a matriarca da família Russell, né, os novos ricos da série, é inspirada na Alva Vanerbilt, que é uma personagem muito importante na história americana, como uma Socialite, que era uma nova rica e conseguiu entrar na alta sociedade novaorquina. E a Alva também ela era cunhada do Cornélius Vanerbilt, que é um dos capitalistas mais conhecidos dos Estados Unidos, que ele também foi um dos caras que investiu em em ferrovia e se deu muito bem. Essa obsessão entrar na alta sociedade é praticamente a a realidade que todos os novos ricos tinham que enfrentar. Mas essa disputa era praticamente exclusiva pr as mulheres. Como os Estados Unidos não tm uma aristocracia pré-existente, são essas mulheres que, de certa forma, precisam inventar isso no improviso. E elas se tornam as pessoas criativas e improvisadoras que definem quem serão as novas elites e quão merecedoras elas são.

Este é o mundo dos novos ricos. Eles eram o quem costumava ser chamado de aristocracia de segunda linha, chip chop aristocracy. Eles não tinham linhagem nem genealogia e precisavam reivindicar algo para estabelecer sua legitimidade cultural. Uma forma de fazer isso era viver de maneira esplêndida, ser um espetáculo e impressionar as pessoas. Nomes como Rockfeller, Verbuty, Carnegy. Esses foram um dos homens mais influentes da época, ou seja, os mais ricos, né? o Rockfeller Center, que é um marco turístico de Nova York, Carnegy Hall, que é um centro de eventos também super famoso e muito mais. Todos esses homens são novos ricos. Eles eram capitalistas muito bem-sucedidos que vieram do nada e transformaram a nação. Eles eram a prova viva de que o sonho americano poderia se tornar realidade. E esse sonho americano é muito famoso, né? a gente escuta muito ai o American Dream, não sei o quê, que é basicamente eh um ideal central nos Estados Unidos que representa a crença de que qualquer pessoa, independentemente da sua origem, pode alcançar o sucesso e a prosperidade através do trabalho duro, determinação e iniciativa. Basicamente a definição de meritocracia. Os novos ricos, mesmo que eles tenham revolucionado os Estados Unidos, literalmente, eles foram basicamente os responsáveis por criarem os Estados Unidos que a gente conhece hoje, né? Essa potência que a gente conhece hoje. Eles eram muito mal vistos pela alto sociociedade.

Vindo pros dias de hoje, tem muitas pessoas que, mesmo elas não estando inseridas nem no mundo dos herdeiros, nem no mundo dos novos ricos, elas têm opiniões muito fortes em relação a esses dois universos. Algumas pessoas acham esses novos ricos muito cafonas por usarem logos de grife dos pés da cabeça, os tentarem, enfim. E geralmente essas mesmas pessoas acham a estética quite luxury que a gente falou, né? esse luxo silencioso muito inspiradoras, bonitas, elegantes, chiques, que é justamente uma estética que gira em torno do mundo old money.

[Música]

Eu vi um vídeo da minha lei que fala justamente sobre essa estética old money e eu tava lendo os comentários e eu vi dois comentários que eu achei muito interessantes. Eu me pergunto se a aspiração da geração Z pela estética do dinheiro antigo decorre do sentimento de esgotamento pela cultura da correria. Houve um fluxo tão grande de influenciadores e empreendedores em meados da década de 2010 buscando contratos com marcas, trabalhando para ganhar seguidores, criando negócios, vendendo produtos, etc., que a geração Z cresceu pensando que precisava trabalhar em um trabalho paralelo e criar sua marca para alcançar sucesso e realização. A estética do dinheiro antigo parece quase um suspiro de alívio escapista, uma pausa da correria porque você tem a riqueza geracional a qual se apoiar. Eu achei bem interessante o ponto que esse primeiro comentário fez, mas eu acho que eu concordo mais com esse aqui. Talvez sintamos mais desdém pelo dinheiro novo por causa da natureza ostentiva e pretenciosa do estilo de vida. ou porque ele está constantemente na nossa cara, nos nossos feeds. Mas talvez haja até um fator sobre como no fundo sentimos uma certa inveja das pessoas com dinheiro novo por terem adquirido muito dinheiro com facilidade e rapidez, apesar de terem começado de um lugar semelhante ao nosso. Elas estão de certa forma no nosso círculo competitivo, na nossa sociedade, poderia, deveria ser eu, enquanto o dinheiro antigo parece tão fora de alcance que nem sequer o consideramos uma possibilidade. E, portanto, não precisamos sentir que fazem parte da sociedade normal e causam danos à sociedade ou são objetos de inveja. Elas estão num reino além da realidade, em níveis de contos de fadas mágicos e misteriosos. E eu acho que faz total sentido essa argumentação. Assim, é óbvio que você pode, por exemplo, jogar tênis, usar as roupas quite luxury, viajar muito, você pode fazer as melhores faculdades, mas a real é que você nunca vai estar inserido nesse universo de Old Money, porque não é só o modo de viver e as roupas que eles usam, é todo um legado, um histórico. É uma realidade que a gente nunca vai entender o que que é, sabe? é completamente diferente.

Nessa citação, a Mina Lê faz um ponto muito importante. Ela fala: "Então, o Quiet Luxury, mesmo tendo essa reputação de não ostentar riqueza, na verdade está sim ostentando, só que de um jeito diferente. Está fazendo isso por meio de códigos e significados, mas ainda está fazendo." É justamente o que a gente falou aqui sobre os modos, essa elegância, esse esse jeito de se portar é algo herdado. E é justamente por isso que esse universo que tantas pessoas aspiram é só estético, porque mesmo que você ganhe na mega cena, vire milionário da noite pro dia, você não vai fazer parte desse universo porque você compraria móveis novos, imóveis novos, roupas novas, mas você não teria aquele objeto herdado do seu tataravô, porque é impossível se comprar um legado. E, aliás, isso de herdar tem muito a ver com uma frase que eu vi no vídeo da Mina Lê também. Ela fala assim: Helen afirma que existe um certo grau de despreocupação e indiferença entre os verdadeiros prepis, pessoas de elite, geralmente ligadas a escolas preparatórias tradicionais, que faltavam nos aspirantes a preps. Da mesma forma, o jornalista V Packard escreveu em 1959 que o aristocrata da Nova Inglaterra se apega aos seus sapatos rachados, mesmo após muitos reparos e ao seu velho chapéu. Vestir-se de forma muito arrumada é sinal de insegurança quanto a sua posição social e riqueza. Lerice me fez lembrar da Ana Delvei e do seu visual da Supreme com seu moletom de capuz. E como para um olhar despreparado, ela pode simplesmente parecer integiante ou sem nenhum senso de moda. Talvez tudo fizesse parte da farça dela. Talvez ela estivesse tentando emular essa despreocupação típica dos verdadeiramente ricos de berço.

Eu vi um vídeo muito legal no YouTube, que eu também vou colocar na descrição, que é basicamente uma mulher, uma jornalista que passa um final de semana com a família Ark Wright. Esse Ark Wright, ele foi o pai da revolução industrial. O nome dele era Richard Arkwright. Ele desenvolveu e patenteou a máquina de FIA em 1769, que permitia a produção em massa de fios de algodão de forma mais eficiente. Então assim, o cara era o cara e é justamente na casa do Johnny Arkwright que essa jornalista passa o final de semana. É muito interessante ver que, claro, é uma casa muito grande, mas a decoração da casa em si é muito normal, assim, chega até a ser aconchegante. E dá para ver que são móveis usados, que com certeza são herdados e tem quadros na parede de parentes dele que foram pintados. Então, é uma mistura muito engraçada, cômica, eu não sei, equilibrada, nem sei como definir, do herdado e do conquistado, porque ele fala na entrevista que ele herdou a casa caindo aos pedaços, tava muito mal cuidada e ele teve que trabalhar muito para ter o dinheiro para reformar a casa e trazer ela de volta à glória, digamos assim.

A mina le, ela resume todo esse raciocínio nessa frase. Eu perguntei a ela, Ryan Finn, o que ela achava que realmente era o Quiet Luxury. E o que a gente acabou percebendo é que se trata mais de uma sensibilidade do que da aparência em si. Eu sinto que existem certos códigos sociais que muitas pessoas de Old seguem, como a forma de falar e certos comportamentos que vão muito além da maneira de se vestir. E tudo isso é reflexo de terem frequentado as escolas privadas específicas, preparatórios e de terem crescido nesse tipo de comunidade. São coisas que não podem ser replicadas com o suéter da Brunel Cutinelli. No fim das contas, a ideia de um uniforme de pessoa rica é uma mitologia criada por quem aspira a ser rico. E eu entendo porque as pessoas fazem isso. faz com que quem quer fazer parte desse grupo e desse estilo de vida sinta que se conseguir desvendar o código secreto, se comprar só um suéter de cachimir lindamente tricotado, então talvez consiga se infiltrar nos altos escalões da sociedade e quem sabe se elevar e pertencer. No fim tudo volta ao sonho americano. Vocês viram como tudo se conectou nesse momento? Lindo.

Vocês sabiam que a série Succession é uma ótima modernização da série Aerodourada? E para quem não sabe sobre o que que se trata Succession, é uma série sobre uma família muito rica que o pai é dono de uma emissora de TV de direita. E aí a trama principal da série é justamente a família do Logan Roy, que é o dono eh da empresa, e a briga pelo império que o pai criou, porque o pai já tá velho. E aí, quem que vai herdar tudo isso aí? Quem que vai ser o diretor? E o que que essa série tem a ver com a era dourada, né, nessa disputa entre novos ricos e velhos ricos? justamente porque os Roys são novos ricos e os pierces são velhos ricos. Os pierces são donos de outra emissora. É uma emissora de esquerda. E é muito legal ver a dinâmica entre essas duas famílias. O Roy é literalmente uma alusão ao Carnegy, que é um dos capitalistas que a gente falou lá atrás. E o Carneg, ele é um escocês que emigrou para os Estados Unidos e lá conseguiu realizar o sonho americano. E o próprio Logan Roy é escocês e emigrou para os Estados Unidos e conseguiu realizar o sonho americano. Então tem também essa esse paralelo entre os dois. Já os pierces eles são herdeiros. O fato de que os pierces, na verdade, não trabalham na PGM, que é a emissora deles, mas sim possuem participações controladoras e são membros do conselho, é uma indicação clara de sua riqueza e status privados e discretos. Eles representam um tipo de riqueza e poder herdados. É precisamente por isso que o Logan Roy despreza o velho grupo europeu, pois eles representam um tipo de aristocracia tradicional que é antiética ao sonho americano de sucesso construído por mérito próprio e que provavelmente foi mostrado a ele repetidas vezes enquanto crescia em um conjunto habitacional na Escócia. Assim, o confronto entre os Royce e os Pierces é uma ilustração vívida da divisão de classes entre dinheiro antigo e dinheiro novo na América.

No jantar, os pierces zombam da suposta falta de sofisticação dos Royce, enquanto Shive, que é uma dos Royce, faz uma piada sobre o cara, um dos pierces, estar fazendo o seu terceiro diploma. E Roman, irmão dela, nem consegue citar um livro. Então, a gente vê claramente as mesmas palavras repetidas mais uma vez, né? sofisticação, elegância, intelectualidade. E a real é que os Roy eles têm o mesmo estilo dos pierces, que é o famoso quiet luxury. Ou seja, eles se vestem igual a Elite Old Money. Eles emulam os mesmos gostos. A casa deles tem quadros antigos, uma decoração mais tradicional, digamos assim, né? Mas a gente cai na mesma coisa de antes. Não importa eles copiarem os gostos, roupas, decorações, casas, viagens, né? Não importa eles tentarem copiar isso, porque eles nunca vão ter a tradição e o legado dos pierces. E eu acho que no caso dos Roys, o que mais grita na oposição entre os pierces e os Roys é a descrição. Os Roy não são nada discretos. Cada filho tem uma questão e geralmente todas essas questões tão na boca do povo, já saiu na mídia publicamente. Isso é algo que os herdeiros nunca fazem. E não é porque, por exemplo, os Royce fazem, eles fazem muita merda na série. Não quer dizer que os pierces não fazem, porque com certeza eles fazem. Só que a diferença é que eles fazem tudo na surdina. E essa é a diferença entre os novos ricos e os velhos ricos. É justamente essa descrição. E qual que é a conclusão disso tudo? Os Royce eles podiam copiar a estética idêntica, ter as mesmas roupas, os mesmos móveis, tudo igual, mas eles não têm o mesmo estilo de vida. E estilo de vida não foi herdado. Isso é o mais importante.

Então, bora entrelaçar os assuntos.

[Música]

Na real, antes da conclusão, eu só queria mostrar a minha roupa de hoje, porque obviamente ela tá seguindo o tema. é um cara jogando golf, tá? OK. OK. E importante dizer que eu comprei esse suéter no Injway e eu descobri que essa marca desse suéter foi fundada em 1860 nos Estados Unidos. OK? Então eu achei perfeito esse suéter porque eu literalmente estou old money, tá? Isso aqui é old money, a roupa usada, ó. Tá, tá manchado aqui na manga. Aqui atrás também tá com uma mancha. É isso aí. Porque foi usada por alguém e foi passada de geração em geração até chegar em mim.

Gente, eu acho que com o passar do vídeo eh todos aqueles conceitos que eu falei lá na introdução, a primeira frase que eu falei, começaram a fazer sentido, porque tem um fio condutor que costura todos esses assuntos. A vontade de pertencer ou parecer que pertence. Você quer usar a roupa Quite Luxury que você tem salva no seu Pinterest ou você quer usar essa roupa nesse cenário desalumbrante, privilegiado? Os novos ricos de Nova York, eles poderiam fazer a mesma coisa, emular e copiar as roupas e o glamur dos velhos ricos, mas eles nunca seriam um deles porque eles não têm um legado. Você pode no Pinterest copiar o look que você viu com as suas peças da Shen ou da Zara até. E você pode até acabar ficando idêntico a um old money autêntico, mas para um olho distreinado. Existem códigos, modos, detalhes, segredos que a gente nunca vai saber. E a verdade é que esses códigos eles existem justamente para excluir. E no fim talvez a gente nem queira pertencer a esse clubinho. Pelo contrário, a gente só queira passar uma imagem específica para as pessoas, seja elegância, sofisticação, credibilidade, poder. Isso não tem problema algum, pelo contrário, a coisa mais normal e inteligente de se fazer. Mas o mais importante, na minha opinião, é a gente se manter autêntico aos nossos gostos, nossas peculiaridades, nossas singularidades, nosso toque único. Eu acho muito legal, por exemplo, usar uma roupa que seja quiet luxury e que seja alfaiataria, tons neutros, mas colocar, por exemplo, acessórios maximalistas ou colocar um sapato diferentão ou sei lá, usar um acessório que quebre um pouco essa seriedade, sabe? algo que esteja alinhado com o seu gosto pessoal mesmo. Eu acho muito legal a gente ver quão profunda uma estética pode ser, um simples estilo, um visual, porque olha quantas camadas a gente descobriu que uma estética pode ter, quanta história, quanta disputa e muitos paralelos, né? Porque como a gente viu, a história sempre se repete. É isso, um beijo e até o próximo vídeo.

Gente, eu queria falar um pouco. Ah, eu vou até deixar o microfone de lado, que para quem não sabe, o microfone é falso. É de mentira. Só para ficar legal, porque o meu microfone tá aqui escondido. Eh, só para falar porque eu sumi esse tempo e não postei. Eh, eu tava fazendo um cronograma de postar de três em três semanas aos domingos, mas acabou que em maio eu fiquei meio doente, aí eu não consegui fazer o roteiro, mas depois eu melhorei, mas aí depois eu piorei de novo, mas foi mais por questão de ansiedade, tá? Eh, eu tive, fiquei bloqueada completamente, não conseguia fazer o roteiro, eu não conseguia pesquisar, eu não conseguia, tipo, eu ficava na frente do do computador e eu ficava assim travada, tipo, não saía nada. E eu tô falando tudo isso, não é para tipo me justificar também um pouco, porque eu falei que eu ia postar o vídeo numa semana, mas eu acabei não postando também. Então, meio que iludia, eu enganei as pessoas, mas mais para eh eu não sei, porque eu sei que tem muitas pessoas que tm esse mesmo problema de de perfeccionismo, de medo de falhar, medo de decepcionar as pessoas, autossabotagem. Olha o que ser procrastinação. Meu Deus do céu. Quem é procrastinador sabe o quão ruim é ser assim, de verdade. É horrível. E eu tenho muito esse problema, sempre tive. E hoje, tipo, esses últimos tempos, eu senti muito eh essa procrastinação, tipo, me corroendo assim de verdade, porque eu queria muito fazer esse vídeo logo. Eu pesquisei muito para fazer esse vídeo, eu me interessei muito pelo assunto, mas mesmo assim eu ficava adiando, adiando, adiando, adiando. Nunca achava que tava bom o suficiente. E a real é que nunca vai est, nunca vai tá. Tipo, hoje eu demorei 4 horas pr gravar esse vídeo. Foi o vídeo que eu mais demorei para gravar, só que nunca vai ficar perfeito, sabe? E eu só quis falar isso para as pessoas que também tm essa mesma questão ou que só tem ansiedade também e ficam tipo: "Nossa, realmente é horrível". Porque é horrível e é tipo uma fera que você tem que domar e é muito difícil, tá? Então, talvez eu mude um pouco a frequência de postagem. Eu vou, eu quero postar mais frequentemente, tá? Mas eu primeiro preciso entender é o que que eu posso fazer para deixar todo esse processo menos desesperador para mim, tá? E também porque eu quero trazer o melhor conteúdo para vocês, beleza? É, espero que vocês entendam e espero que vocês tenham curtido esse vídeo, porque deu muito trabalho para fazer. Chega de falar, já me expliquei aqui, já fiz uma sessão de desabafo e caso você é tenha se identificado comigo, pode mandar mensagem na DM, a gente conversa sobre, a gente faz uma sessão de desabafo, tá? Tem várias pessoas que me mandam mensagem, eu amo quando vocês mandam mensagem e a gente consegue bater um papo. É muito legal. Então é isso. Agora eu vou descansar porque o meu cérebro tá frito, simplesmente.