📱

Get Our Mobile App

Take your business learning on the go!

Download on the App StoreGet it on Google Play

Teologia Pastoral - Unidade 3

Universidade LaSalle EaD13:02

Transcription

Como se deu o processo de organização e planejamento da Igreja no Brasil? O que é a Pastoral Social e como ela desempenha sua ação sociotransformadora? Quais são as características e as fontes da espiritualidade do discípulo missionário de Jesus Cristo? Isso tudo veremos agora, na nossa terceira videoaula de Teologia Pastoral. Vamos lá?

Música

Na videoaula de hoje, trataremos sobre a ação orgânica da Igreja e a espiritualidade do evangelizador. Vamos lá porque eu já estou ansiosa! É com você, professor.

Então vamos lá. Ao longo do tempo, acompanhamos uma série de mudanças na sociedade, que acontecem, queiramos ou não. Da mesma forma, a Igreja também se vê diante desse dilema: como responder a um mundo que está em constante renovação? A Boa Nova que a Igreja anuncia é Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre. Por isso, ela deve sempre partir dele. Naturalmente, anunciando-o de forma contextualizada, inculturada, atualizada.

A propósito, João XXIII, na abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, em 11 de setembro de 1962, indicava como seu grande objetivo a retomada da doutrina da Igreja, recebida de Cristo, e expô-la numa linguagem nova, mais inteligível aos homens de hoje, mais de acordo com as exigências atuais. Ou seja, dar roupagem nova a uma doutrina antiga. Isso parece muito importante. É difícil seguir divulgando as mesmas coisas das mesmas formas sendo que o mundo está em constante mudança. Se não se renova o meio, parece que a mensagem envelhece.

O teólogo pastoralista Agenor Brighenti costuma dizer que não podemos responder perguntas novas com respostas antigas. Quando a Igreja não olha a si própria e sua relação com o mundo, tentando discernir os sinais dos Tempos, ela corre o risco de voltar para o passado atrás de segurança. Para realizar uma evangelização sempre mais genuína, respondendo aos desafios das mudanças rápidas e profundas, a Igreja no Brasil estabelece Diretrizes Gerais de sua Ação Evangelizadora a cada 4 anos, na Assembleia dos bispos do Brasil.

Mas, professor, como acontece e como funciona esse planejamento? Imagino que haja uma forma de organizar toda a Igreja do país.

Bom Nathalia, esse longo processo de planejamento pastoral se dá por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, desde o Plano de Emergência, proposto em 1962, elaborando planos e diretrizes para criar condições da ação do Espírito Santo numa realidade em mudança constante, à luz do Concílio Ecumênico Vaticano II. Assim, a partir de 1975, em média a cada quatro anos, a CNBB propõe Diretrizes Gerais com objetivo de auxiliar o planejamento pastoral das Igrejas Particulares, as dioceses, visando a recepção criativa.

Já é a segunda vez que abordamos essas diretrizes gerais. Qual é exatamente a função delas, professor?

As Diretrizes Gerais de sua Ação Evangelizadora dão indicação da direção a ser tomada, dos grandes objetivos a serem perseguidos, dos impulsos pastorais a serem animados e cultivados. Ao mesmo tempo, definem um quadro de referência de ação que torna possível a compreensão e execução de uma pastoral orgânica ou de conjunto. Em 1966, é lançado o Plano de Pastoral de Conjunto, que de forma mais sistemática, ofereceu à Igreja diretrizes de ação e ao mesmo tempo um plano de ação.

Então foi esse plano, junto ao Plano de Emergência, que deu um impulso para o processo de organização das pastorais sociais no Brasil, como concebemos hoje?

Isso. E, para que esta presença junto à dimensão social fosse possível, a CNBB criou, ao longo dos anos posteriores, diversos setores de Pastoral como: Pastoral Social, Pastoral da Juventude, da Família, entre outros. Estes setores têm a missão de animar as diversas pastorais de sua área bem como evitar paralelismos, dando coesão à ação.

As atuais novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, em vigor de 2019 a 2023, foram aprovadas na 57ª Assembleia Geral, em Aparecida, no estado de São Paulo. A centralidade das Diretrizes é um chamado de retorno às fontes para olhar a experiência das comunidades primitivas e inspirar-se a formar, no hoje da história e na realidade urbana, comunidades eclesiais missionárias.

Eu sei que essas comunidades são concebidas como a “casa dos cristãos”, mas imagino que não seja exatamente no sentido de estrutura física.

Sim. Elas são uma “casa” sustentada por quatro pilares, que refletem as quatro dimensões das primeiras comunidades cristãs retratadas nos Atos dos Apóstolos. São a Casa da Palavra, a casa do pão, a casa da caridade e a casa de portas abertas para a entrada e saída, a missão. São quatro pilares essenciais, que se não forem priorizados um a um podem colocar a perder o conjunto da construção. Essa imagem busca fazer com que as comunidades eclesiais missionárias tenham jeito de casa e de acolhida, não no sentido de estrutura física, mas como um espaço de ternura e misericórdia.

Achei linda demais essa analogia da Igreja enquanto casa. E os quatro pilares são de fato o que sustenta a Igreja ainda hoje. Existe algum pilar mais preocupante hoje, professor?

A Igreja-casa precisa cuidar com solicitude de seu terceiro pilar: a caridade. Historicamente, ao longo de todas as diretrizes promulgadas, sempre foi uma constante a preocupação com dimensão sociotransformadora da fé. A Igreja no Brasil opta pelos pobres, é voltada zelosamente aos mais necessitados, consolidando na Pastoral de Conjunto uma ação social. Assim se constituiu a Pastoral Social de uma forma global, no singular, que significa a solicitude, o cuidado, a preocupação de toda a Igreja para com as questões sociais. Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada diocese, nas paróquias, comunidades, em cada setor e pastoral.

Perfeito! Mas existem pastorais específicas, como vimos antes. Eu mesma participei de grupos de jovens com pessoas da Pastoral da Juventude. Como isso se organiza?

Nesse rastro, surgiram muitas pastorais sociais, no plural, que são serviços específicos a categorias de pessoas e ou situações também específicas da realidade social. Constituem ações articuladas e voltadas para diferentes grupos ou diferentes facetas da exclusão social. A fim de que a pastoral de conjunto seja uma realidade e prioridade, a Igreja precisa de discípulos missionários em estado permanente de missão. Precisam anunciar e levar a salvação de Deus ao mundo. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida nova do Evangelho.

Cada pastoral segue alguns passos. Tomemos por exemplo a pastoral carcerária, que atua nos presídios. O primeiro passo é tomar consciência da realidade local, através de visitas, pesquisas e levantamentos. O segundo passo é criar ou fortalecer uma equipe que acompanhe de perto essa situação específica. Visitar e marcar presença. O terceiro passo é desenvolver atividades para conscientizar, organizar e mobilizar. A liturgia e a catequese são alguns dos espaços que podem estar a serviço. Num quarto passo, as diversas equipes de base devem promover encontros para trocar experiências, traçar metas comuns e planejar atividades gerais. O quinto passo diz respeito à integração entre as pastorais. Neste caso, é necessário escolher lideranças e agentes que possam encontrar-se nos diversos níveis, desde a comunidade até o regional, para coordenar as ações conjuntas.

Todos esses passos devem ser fortalecidos pela espiritualidade, além de contar com agentes e lideranças capacitados, seja do ponto de vista social, cultural e político, seja do ponto de vista bíblico e teológico, seja no aprofundamento da doutrina social da igreja.

Muito bem. Mas quais os lugares, pessoas ou dons que, sob a ação do Espírito, nos colocam em comunhão com Deus e que nos permitem ser discípulos e missionários seus? Ou, quais são as fontes em que alimentamos e formamos nossa espiritualidade?

Segundo o Documento de Aparecida, são a fé recebida e vivida na Igreja; O Encontro com Jesus nas Sagradas Escrituras; a Eucaristia; O Sacramento da Reconciliação; a oração pessoal e comunitária, que é a liturgia; a comunidade de fé, reunida no amor fraterno; o encontro com jesus especialmente nos pobres, aflitos e enfermos; a piedade popular; e Maria, Mãe de Jesus e seus santos. Todos esses lugares e fontes alimentam os discípulos de Cristo e os tornam pessoas na qual Jesus Cristo é o centro de sua vida; de espírito de oração; Amantes da Palavra; de confissão frequente; de Participação na Eucaristia; de inserção na comunidade eclesial e social; e de solidariedade no amor e de fervor missionário.

Perfeito. Isso tudo é muito bonito. Acho que podemos dar aquela revisada no que aprendemos hoje, já que vimos muito conteúdo.

Vamos lá, Nathalia. Vimos hoje que a Igreja no Brasil construiu um longo processo de planejamento pastoral de modo que elabora planos e diretrizes buscando criar melhores condições para a ação do Espírito Santo, numa realidade em constante mudança. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil em vigor é apresentada com a imagem da “casa” como “construção de Deus”. A Igreja é convocada para um estado permanente de Missão, e para isso precisa de discípulos missionários de espiritualidade profundamente cultivada, para encarnar o Evangelho em diversas realidades que carecem da presença dos cristãos.

Finalizamos por aqui. Bons estudos e até a próxima unidade.

Nossa, vimos muita coisa hoje! Na próxima unidade, abordaremos a temática da Metodologia Pastoral, com diferentes modelos de pastoral e de planejamento. Te espero lá. Tchau.

Música