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Come Together EP 37 | Artur Grynbaum - VP do Conselho do Grupo Boticário

HiPartners49:09

Transcription

Olá, tá começando mais um Come Together, um talk que traz empreendedores, investidores e varegistas para uma boa conversa. Oportunidade da gente conhecer histórias e motivações de pessoas inspiradoras.

E hoje eu tô com ele, que é uma pessoa super admirada aí no varejo nacional. Ele é natural de Curitiba, é formado em administração e começou a sua trajetória no Boticário lá em 1986, ainda como um assistente financeiro. Ele durante décadas ficou à frente de uma das maiores histórias de sucesso do país, liderando a transformação do Boticário num grupo multimarcas e multicanal. Uma cultura empresarial reconhecida pela sua inovação, pelo propósito e, claro, pelos seus resultados.

Hoje o nosso come together é com o Artur Grbell, ele que é o vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário e ele segue aí inspirando uma nova geração com a sua visão humana e estratégica sobre negócios. Eu quero dizer que eu tô muito feliz e aqui a gente começa com high five porque a gente é assim, ó. Eu tô muito, muito feliz porque você é um cara assim que obviamente todo mundo te admira pelo que você aparece daqui para lá, mas eu e a minha família a gente te admira também do que você é daqui para dentro. Então, bem-vindo a Turguindo. Eu tô muito feliz de ter você aqui.

>> Obrigado, Flavinha. É um prazer enorme estar aqui. É, demorou pra gente conseguir acertar a agenda, mas funcionou.

>> E eu também tô muito feliz aqui porque me sinto muito em casa, né? falou que tem uma parte profissional que a gente se conhece e a gente se conhece do outro lado. Cantamos juntos algumas vezes também, né? Então

>> depois a gente coloca uns três upgrade para mim.

>> Muito bom. Eu quero começar com uma pergunta que não quer calar. Quem é Arthur Grimbo pelas suas próprias palavras?

Eu, Arturo Grimbo é o pai do marido, Digo, duas feras que estão vindo por aí, marido da Karina, né, uma grande ortopedista, né, especializada em membros superiores no Brasil. É um cara que é apaixonado por realizar e fazer coisas diferentes. Me minha profissão é vendedor, eu considero se eu tivesse que ter alguma coisinha no meu cartão, era vendedor, né? Muito, muito orgulho de da on saí para fazer isso daí. E é uma pessoa, uma pessoa que tem obsessão por fazer as coisas bem feitas, né? Eu sou obsecado por fazer direito as coisas. O que eu me proponho a fazer, eu tenho que fazer direito, senão eu piro.

>> Muito bom. E faz, né? E isso que é bom, faz.

Eh, eu comentei que você é formada em administração, mas quando você escolheu o que que você pensava ser assim, quando você falou: "Ah, vou fazer administração porque eu quero ser o quê?"

Olha, a história é um pouco mais longa aí. Meus pais tinham comércio, lojas em Curitiba. Então, negócio familiar, aquela brincadeira, né, que eu faço uma realidade que você discute o estoque no almoço de domingo e o boletim na terça-feira à tarde na loja ou no escritório, né, tudo misturado.

>> Então os filhos, eu e minhas irmãs, minhas duas irmãs, a gente ia pra loja com frequência, passava as tardes, ajudava nas datas e para mim era aquele negócio que eu convivia e acabei gostando dessa história. Mas eu queria fugir disso daqui, porque eu sempre fui muito curioso. Eu queria ver outras coisas, aprender coisas diferentes. Então, por um por um momento, eu achei que eu ia ser ortopedista. Olha como é minha vida.

>> Nossa,

>> eu jogava futebol de salão e tem muito muito atrito, né? E eu pote me alascava, quebrava os dedinhos lá, tal. E eu já conhecia todos a planta do pé, tal. Eu falei: "Ah, vocêou médico, vou ser ortopedista, tal, tal". Durou uma tarde, porque eu uma vez tin uma condução mais séria no joelho e eu fui pro tive que ir pro hospital botar um gesso. E nisso o médico que tava me atendendo falou: "Ve pode esperar um minutinho que tinha chegando uma um garotinho de 2 3 anos. Eu tinha 16 anos, né? 15 16 anos. E e chegou um garotinho de 3 anos. Daí ele falou: "Você se importa de esperar um pouquinho que eu preciso atender esse menino?" Eu falei: "Não, eu tava lá pronto só passei a sala". Aí ele foi lá, ele teve que o menino tinha prendido doo na porta. amassado e ele tinha de abrir a mão do menino para tirar a radiografia. Quando ele começou a abrir, o menino começou a berrar, eu entendi que não queria nada com aquilo. Minha carreira de médico morreu aí, né? Ela morreu aí.

>> Que bom.

>> Aí, mas eu fui atrás de outras coisas. Eu queria pensar e eu e a o que eu optei por fazer de faculdade e na primeira negócio era processamento de dados, né? Que eu achava que ia ser bacana e tudo mais. Só que quando eu fiz, eu passei em processo em dados, eu passei acho que em 13º, vai ser uma baita colocação numa época que era bem concorrido, era mais que medicina, inclusive que tinha era curso novo, né? Saind novo. Uhum. Só que ele começava no segundo semestre na federal, então só tinha a partir de de de agosto as aulas. E eu tinha um primeiro semestre, eu eu fiz também administração de empresas na FAI, que é a empresa, a faculdade que eu acabei me formando.

>> Então, porque eu ia para ia fazer de manhã uma faculdade e ia fazer a outra à noite. Então eu comecei com as duas e eu comecei a fazer administração, mas como eu já vinha com um conhecimento de trabalhar nas lojas do varejo, tipo, né, que que ter noção que é, e eu comecei e eu tinha começado também no Boticário,

>> então a administração, eu comecei a curtir fazer administração e a parte de processamento de dados eu tava fazendo, mas tava chato porque era muito antigo e aí era negócio de perfurar cartão. Quem tá ouvindo essa história vai ter que procurar ainda lá no negócio, perfurar cartão, tal. não era friendly a questão do aprendizado tanto. E eu aprendi naquela eu descobri, na verdade, eu aprendi que eu sabia muito bem que eu queria encomendar, mas eu não era a pessoa mais mais eh correta para fazer a programação disso. Aí eu fiz durante um ano, eu queria largar na metade, meu pai falou: "Já que faz, faz direito, fecha o ano pelo menos, né? Você tranca a matrícula". E eu tranquei e eu fiquei só com administração. Nunca mais voltei procimento. Voltei agora, né? Quer dizer, por tecnologia, por tudo mais, que todo mundo tem que tá embarcado, mas coma com abraçar carreira não deu. Fiquei com administração.

>> E para mim foi muito importante porque quando eu fui fazer, quando eu pensei em fazer administração até um amigo meu tava vindo para São Paulo e ele falou que ia fazer GV. Eu falei: "Nossa, bacana". Daí eu fui falar pro meu pai: "Ah, eu queria me passar morar em São Paulo fazer GV". Sabe aquela história que ele olha para você que nem ouviu e continua conversando, tipo, esquece moleque, né? Falei, beleza, entendi. Mas para mim foi bom porque eu pude fazer o curso com aplicação prática, porque eu já trabalhava, tinha muita sé de coisa, então eu conseguia discernir sobre o que vinha de relevante do outro lado, que tinha aplicação e e mais do que isso ao vi, eu fazia muita troca com os professores. Então, foi muito bom. Eu apliquei na prática o curso ao mesmo tempo.

>> Ao mesmo tempo. Sensacional, sabe? que a minha mãe fez processamento de dados também lá na Fatec, não sei lá quantos anos atrás, mas era um curso realmente muito assim eh concorrido e que hoje você me falou, era comércio do quê que os seus pais tinham?

>> De roupas, a gente a gente tinha algumas lojas de confecção, eh, lojas mais populares no centro da cidade.

>> Nossa. E como é que o Boticário você falou aí? O Boticário entrou e aí como é que o Boticário entrou? Aliás, eu sempre tive essa vontade de perguntar isso para você,

>> porque eu sei que tem um umas coisas meio, eu eu queria entender essa história, porque para mim também não era muito claro assim como é que tudo aconteceu.

Bom, acho que tem que começar do do esclarecendo um negócio que é importante. Eu e eu faço uma brincadeira que eu digo que o hoje o grupo Butticar deve ser um bom negócio, né? Porque ele nasce já desafiando a primeira lei da física,

>> que é uma sociedade de dois cunhados, né?

>> Eu sabia que tinha uma uma parentada aí no meio. Ou seja, e eu sou na eu sou nós somos em três irmãos em casa. Eu sou temporão, eu sou menino e temporão. Tenho duas irmãs mais velhas, sou temporão. A a minha irmã mais velha, a Cecília, começou a a namorar o Miguel, né? E ele ele abriu ele abriu em 77 a farmácia, em 139 ele abriu a loja no aeroporto Afonso Pena.

>> Uhum.

>> Em 82 a fábrica, né? Um pouco da sequência. E ele elas começaram a namorar e se se apaixonaram também. E eu e eu me dava muito bem com Miguel. A gente tinha uma relação muito boa, a gente tem uma diferença boa de idade, mas a gente sempre se deu muito bem,

>> né? E tanto que eu matei bastante aula do colégio para ir no laboratório fazer produto, brincar lá, fazer negócio, fazer, ele me dá umas amostras que eu misturava e eu vendia esse perfume pras amigas da minha outra irmã lá, né, fazer um band já.

>> E dentro disso, às vezes que eu me e eu trabalhava já trabalhava na loja do meu pai, né? come trabalhar, eu eu fiz, eu falo, tive uma carreira rápida na na lojas lá, eu fui guardador de banca, aquele negócio que ficou olhando saldo ali, ficava aprend daí meu pai falava para escar de bravo para ninguém roubar e ia lá. Aí eu fui ser porteiro, tinha uma loja infantil que tinha de ficar no final do ano controlando entrada e saída de pessoas ali para o fluxo. E aí com 12 eu fui ser office boy porque eu queria uma endemizada e aí eu não gostei, nunca gostei de pedir nada. Então falei na troca eu venho te ajudar aqui

>> e você meio que ment meu pai topou na hora. E nisso eu passei a muito mais com ambiente de parede, com a lógica de tal e comecei a ficar muito interessado, me apaixonar essa questão. Só que às vezes você se desentendia, entendia com o meu pai, com o meu tio que era sócio. Aí eu ia bater na porta do Miguel lá, ah, quero trabalhar com você. Aí ele dizia: "Não, pelo amor de Deus, volta lá que eu não quero problema com o sogro". E isso foi até 86. tinha 17 anos, foi 86, porque daí teve mais um plano econômico no Brasil, né? Acho que acho que quem vai estão nos ouvindo aí vai ter que pesquisar, mas a gente tinha o cenário de inflação de 80% ao mês, uma série de coisas. Mais um plano era o plano cruzado de funcionário era o presidente, era o ministro da fazenda, perdão, dentro disso, presidente Sarnei e aí ele precisava fazer uma mexida importante lá, então precisava arrumar algumas coisas que não estavam no ano certo. Aí trouxe uma pessoa bastante experiente para trabalhar com ele, que foi se Bernardo Fedalto, que ia ser o diretor financeiro e a pessoa que ia organizar tudo e ele precisava de uma pessoa para acompanhar o Fedal nas coisas. E aí ele foi falar direto com o meu pai, ele foi lá, meu pai falou pro seu Artur emprestado. E meu pai falou: "Leva levar."

>> Foi assim que foi assim que entrei lá em 86 como assistente financeiro.

>> Aí foi muito legal porque para mim era uma oportunidade muito boa de aprender. Eu sempre falo que eu quero morrer curioso, né? Eu sempre aí eu tinha vindo uma experiência boa de varejo. Vou brincar raiz.

>> Uhum.

>> Né? Porque não tinha essa história de filho do dona, você vai ficar no estoque, você vai carregar mala, você vai atender pacote, caixa, MBA full, enchão, enchão de loja, né, fazer e disso aí quando eu fui pro Boticário, para mim era uma experiência nova, porque ia ter um negócio chamado Fábrica, que eu nem tinha nem ideia como fazia.

>> Uhum. Era um, tava começando o desenho do franchiseurado, uma então era uma marca nova num canal que supostamente ser construído ainda, então era um grande para aprender aprender. Então fui feliz da vida para lá

>> dentro disso.

>> E na época era perfume, o que que era o produto já tinha?

Não, eu nasci numa farmácia de manipulação, né? Mas só que já era uma farmácia diferenciada na época, porque o Miguel já teve a sacada pela experiência dele de varejo com o pai também, que porque como que era 77 pegava uma receita do dermatologista, você ia na farmácia e ficava esperando fazer a fóruma para você

>> na hora.

>> Na hora. E ele com isso daqui ele já fez um negócio que era tipo uma boutiquezinha. Então tinha lugar para sentar, tinha ar condicionado, música, mine, cafezinho, era agradável a espera, não era aquela espera no sol lá, era próximo, não era no centrão, era próxima do centro, não era uma rua de grande fluxo.

>> Então ele montou lá e as pessoas estavam lá. E aí nisso ele vendo as pessoas lá, ele resolveu oferecer três produtos. Ele fez, ele fez um perfume chamado Boticário, uma embalagem branca com o maguinho desenhado.

>> Uhum.

>> Um shampoo de algas marinhas e um creme de abacate e mel. né? Ou era calma mal, acho que era acho que calma mal, acho, né? E fez e começou a oferecer para as pessoas, elas passaram a a gostar dos produtos. Então, nasce com isso, quando vai pro aeroporto, aí vai com o portfólio um pouco mais amplo, mas era mais perfumes e tinha dois ou três shampoos, mas o grosso era perfume, mas tinha shampoos, tinha a as loções hidratantes, né? E aí começa a construir o portfólio.

>> Nossa, gente. E tem algumas coisas que são assim muito tipo, tá? assim, esses perfumes, essas coisas que marcam muito a bote assim, né, o botinho. Eu lembro assim das minhas coisas muito de quando eu era criança assim de usar o Boticário. Muito muito muito muito estileto.

>> O estileto foi junto com o Tach, lançado em 1985.

>> Gente, eu lembro assim, não lembro do lançamento que eu não era nascida no caso, mas logo depois eu nasci logo depois. Mas eu lembro assim, lembro da embalagem, sabe? Lembro do cheiro. A gente tem muito essa memória, né? A a memória alfativa é uma das mais fortes que você tem para não dizer a mais forte.

>> Nossa. Nossa. O Júnior fala que eu sou um perdigueiro porque eu chego. Hum. Isso está cheirando isso e a minha menor Nina ela é igualzinha. Ela nossa mamou que tá cheirando a Ilha Bela. Eu não faço ideia do que cheira Ilha Bela, mas para ela tem, entendeu? Alguma coisa que

>> E aí você me falou que já tava começando essa coisa do franchising, mas era uma coisa nova, né? E aí você foi esse grande responsável por dar essa essa virada.

Não, acho que um trabalho de time, né, conjunto lá que já tava fazendo. Acho que eh a gente tinha tava entrei numa fase de estruturação do franchise em 6, né? Já tinha a primeira franquia já existia, foi em 1980.

>> Uma uma senhora que é ainda na nossa franqueada, a Laura de Eug de Taguatinga, ali na região de Brasília. Nossa, de Itaguatinga, eu conheço.

>> Ela ela era trabalhava na embaixada da França e ela vendia muitos produtos nossos dentro da embaixada da França, que para nós era um excelente atestado de qualidade.

>> Curioso, né,

>> né? Porque o pessoal com a facilidade diplomática de comprar produtos sem impostos, mas sem imposto de importação, comprava, ela vendia muito bem. Tanto que ela resolveu ousar, ela pediu demissão de lá para montar uma loja igual que ela viu no aeroporto Afonso Pen em Curitiba. Ela montou a primeira loja. Então, mas aí era só produto e o design da loja. E aí depois ele foi evoluindo na questão de prestação de serviço, que que era f construindo. E eu pude participar dessa questão do da construção do que era franchise. A gente tinha master franqueados tal. Acho que Oni começa a ter um pouco mais de de presença. Acho que foi num projeto que a gente fez chamado redesenho, foi em 1996.

>> Uhum. 10 anos depois lá, porque a gente sempre olhava pra questão e entendiendo o que acontecia no Brasil, a grande pergunta que eu me fazia era o que acontecer quando eu acabasse a siranda financeira, porque muitos dos negócios estavam distorcidos na época,

>> né? Ou seja, a questão era ganhar dinheiro no mercado financeiro com a alta taxa de juro. Eh, por exemplo, um como fazia um supermercado? Ele comprava um produto por 100, pedia 120 dias para pagar.

>> Uhum.

>> Pegava esse produto que ele comprou por 100, ele vendia por 90. no supermercado, ou seja, não tem mais valia, não tem imposto.

>> Sim.

>> E ele e ele pegava, vendia por 90 à vista,

>> né? Então vamos dizer que em três 220 dias ele ele usasse lá 15 dias, 20 dias para para vender tudo aquilo lá a 90 e pegava esse dinheiro que ele arrecadava e aplicava então a 50 60% ao mês até o pagamento de 120 dias. Então ele pegava esses 90, fazia a continha lá. tanto e aí depois ele pagava você. Então esse era o ganho. E a gente, óbvio, a gente sempre, eu era financeiro na época, né? A a gente sempre aproveitou bem essa questão de como fazer, mas no fundo a a equação era nós somos uma empresa de operação. Sim.

>> A gente a gente a gente concebe produtos, a gente fabrica, a gente vende, comercializa, tudo mais. Então a pergunta que que aconteceria e aconteceu, né? Veio o plano real para Henrique MP4 dessa inflação e dessa a taxa de juro. E aí a as as eficiências começam a ser questionadas do que lado.

>> Sim.

>> Dentro disso. Então o que você você ganhava dinheiro com quê? Com giro financeiro ou com a tua operação? Inisso a gente fez um projeto chamado redesenho que a gente pegou e virou a empresa de ponta cabeça e virou por uma não virou porque tava mal, já era super bem, a gente faturava na época mais de R 100 milhões deais. A gente era marca notória que se falou em perfumaria, falava em Boticário, né? Os franqueados a gente já tinha 1000 lojas, mil e tantas lojas, né? os franqueados satisfeitos, tá tudo, só que a gente achava que dava para fazer melhor, dava fazer diferente, dá para fazer mais próximo, a gente resolve virar tudo espanto a cabeça e eu tive a oportunidade de liderar esse projeto de redes fazer. E aí então obviamente com todo mundo junto, Miguel junto, Fedalto junto, mas tinha oportunidade de liderar todos os processos e a gente fez uma transformação muito grande na organização. E aí eu falo que isso daqui que a gente fez em 96, que foi o desenho foi a sementinha do grupo que é onde fez então essa que você comentou, né? a questão de multimarca e multicanal que aí sim também daí tava mais já eu já tava um pouco mais comigo

>> a boleia.

>> Uau! E é que coragem, né? Porque assim, às vezes as pessoas ficam realmente sentadas naquilo que ah não tá dando certo, vamos assim e querer mudar um negócio e tomar um risco também, porque toma um risco,

>> tom risco, mas é uma característica nossa, sabe? Acho que a a gente tem uma questão de não não se sentir cômodo

>> o tempo inteiro. Você tá sempre buscando alguma coisa, como fazer melhor, como fazer diferente, fazer porque eu acredito que dá para fazer melhor, né? Então acho que tem isso, tem a questão do desse incômodo em em não esperar que as coisas fiquem. É um incômodo positivo, né? Porque muita gente espera a coisa desandar para poder mexer.

>> Eu prefiro ir mexendo enquanto ela tá na alta. Com certeza. E para isso eu tenho que explicar muito, que as pessoas não entendem muito esse conceito, né? Falar, mas para que você vai mexer, tá funcionando, para que me xingar, não sei o que era nome, né? Imagina louco e tal, tal. Mas é isso, porque você tem que ir fazendo as mexidas, não precisa esperar o negócio apontar para baixo. A gente tem que ter a visão do on e a partir daí fazer as curvas. E a gente mexeu, a gente mexeu nessa vez a gente mexeu de fora importante, depois tive outra em 2013, fiz uma 2015, fiz uma recente agora que a gente inverteu toda forma de gerir o negócio, destruir todas as unidades para fazer por jornada. por crença que dá para fazer diferente, dá para fazer melhor, né? E de volta, porque a gente fala, no nosso caso, a gente mexe em time que tá ganhando para continuar ganhando. Eu olho estratégico e tudo mais, mas quem não tá acostumado tem uma certa dificuldade em entender isso daí.

>> É porque geralmente acho que todo mundo pegou, faz exatamente essa frase virar uma máxima que é não mexe em time que tá que tá ganhando. Agora tem uma coisa no Boticário que é surreal. que é cultura assim, é uma coisa que olha quantos anos tem o grupo, então

>> 48

>> 48 anos e sempre com essa cultura e sempre com vocês ali e sempre com se você perguntar para alguém que trabalha no Boticário e a gente conhece muitas pessoas assim, eh, é um negócio que você fala, cara, eu amo essa empresa, eu amo e as pessoas vestem uma camisa de uma maneira também eh muito clara. E aí eu queria saber eh quais são essas iniciativas, porque tem que equilibrar tradição e tem que equilibrar inovação. E você vai mexer com várias pessoas novas. Você vem, eu não sei como é que são, as tem pessoas que estão lá também há muitos e muitos anos, né?

>> E aí eu queria saber assim, com tantos anos de história, como é que isso se construiu e como é que isso se mantém?

Para você ter uma ideia, a gente tem pessoa, nós temos 48 anos, então eu tenho Franko, que tem 43 anos de convivência conosco. Isso é uma parte pra gente falar depois, mas dentro de casa tem gente que tem 40 anos, tem gente que tem 30, tem que tem 25, tem que tem 10. Eh, e é um pouco, parece um pouco contracenso das pessoas, né? Falam assim: "Ah, mas vocês ficam tanto tempo na mesma empresa?" Aí a resposta tá na ponta da língua, porque nunca é a mesma empresa.

>> A empresa tá sempre se transformando, tá sempre mudando. E isso mantém por que que uma pessoa quer, né? Uma pessoa quer trabalhar, acho que é tem para mim é um pilar, um um perdão, três pilares, né?

>> Você quer desafio, poder construir, poder fazer, você quer um bom ambiente de trabalho,

>> né? Que seja gostoso, que que quando toca a musiquinha lá do fantástico domingo você não começa a tremer, né?

>> E obviamente você quer ser recompensado pelo que você entrega, tá tudo certo e a gente cumpre muito bem isso e dá liberdade para empreender. Soma tudo isso que a gente embarca, que dá liberdade para empreender. Eu quero gente empreendedora comigo. Uhum.

>> N. Então não tem a verdade absoluta, né? E aí se fala quais são que que como faz para conviver com isso. Acho que você começa pelas coisas que você não quer mudar. O que ainda não quer mudar? Nosso propósito.

>> Uhum.

>> Aí não quer mudar nos seus valores. A gente não quer mudar o jeito que a gente faz as coisas, que são jeitos bons. Tipo, eu não, porque se se a gente abre mão disso, eu eu viro uma empresa igual a outras e cada um tem que ter seu pozinho, seu pilim pimpim. E esse é o nosso o jeito que a gente constrói as coisas, né? A gente constrói em time,

>> não tem dono da verdade, a nossa visão é mais de longo prazo, né? Não tem problema em em, "Ah, não vou vou fazer lá o que é melhor." A gente sempre privilegia fazer o melhor. Sim.

>> Eu não tô atrás de ser o maior, eu tô atrás de ser o melhor a vida inteira, né? Isso daqui é resultado é fundamental pro negócio, mas ele é termômetro de você, você faz bem feito, não faz as coisas. A régua é alta, sim, mas é régua alta com abraço.

>> Uhum. Eu gosto disso. A régua alta com abraço. Abraço. Então tem uma série de características que perpetu que que fazem que a ancore o que a é, mas também nos possibilita sonhar e fazer coisas diferentes, trazer inovação em todos os aspectos, porque as pessoas vêm, ah, inovação, eles fazem produto. Não, produto é uma das frentes que a gente faz inovação. A gente faz em produto, em comunicação, em experiência da loja, em desenho de loja, em modelo de gerir o negócio. A gente é arrojado três vezes, a gente mexe transformações que não são assim, é, e ele volta. é sem ter obrigação de fazer porque tá indo mal, tá indo bem, se quer adicionar acima disso ainda. E a gente tem acho o que a gente chama nossas essências, né, que a gente respeita muito, que é um pouco do nosso jeito de ser, que a gente fala nosso jeito de ser e fazer, que é o fodo do mas as essências. Então a gente sabe que a gente tem inquieto, então a gente tá o tempo inteiro buscando, né, melhorar e fazer isso. A gente é apaixonado por execução, não adianta só ter ideia, a gente quer ver ela realizada na frente lá.

>> A gente inútil as relações, a gente tem uma empresa de relações. Sim. Então durante um bom durante um tempo isso daí melhorou o brinco, melhorou pro divan, porque todo mundo dizia que era errado, que você não devia ser ter, as empresas não deveriam se relacionar, se tinha sido mais duro. E eu falar, mas a gente é relacional porque as pessoas diam isso é errado falei: "Por que é errado? Você tem que saber fazer as coisas. Não é porque eu me relaciono com você que eu não vou cobrar resultado, né? Porque também eu francado vai se relacionar comigo que ele não vai. Acho que eu eu sempre falava com a rede falava tá aqui é todo não fala a família. Falei, é a família, só que a família legal, porque para você sair de férias tem que trazer um boletim bom, senão você não vai sair de férias. Assim, não era assim na sua casa, aqui também funciona assim. Então, muito claro quais as obrigações. A gente tem uma uma excelente em relação com todos os nossos fornecedores, porque precisa ser no quebra-apa. Dá para ter uma relação boa. Quer dizer que eu vou abrir mão de pedir desconto, quer dizer que eu vou abrir mão de brigar para meu preso. Não, mas a gente faz de um jeito diferente. Então a gente tem duas relações. Acho que a gente tem um lado também que é que é meio importante pra gente, que a gente fala do sucesso responsável. Então a gente sabe o que a gente tá construindo o impacto que tem e que a gente pode fazer melhor. Então a gente tá preocupado sim com o nosso negócio, mas estão preocupado com a cidade em que a gente vive também. Que que a gente deve acelerar, do que a gente faz, que que a gente deve mudar o jeito de fazer, né? A questão do do nosso impacto também. né? Então, eh, sucesso, eu falei quatro, falta um, hein, porque meu, mas é o jeito que a gente estrutura. Então, quando a gente tá baseado nisso, a gente é livre para fazer todas as outras coisas,

>> né? E aí todo mundo tem capacidade de construir, todo mundo tem capacidade de empreender. Eh, a gente fala que a cult, a gente fala de cultura, a gente tirar proveito porque cultura tem braço, perna, fala, tá lá. Cultura não é um negócio só que fica preso na parede lá. A gente procura executar no dia a dia, porque é muito

>> e eu acredito muito na questão do exemplo.

>> Uhum. E a gente gosta de liderar pelo exemplo, né? Ou falar para você e agir de outro maneira. Você vai olhar para mim, vai ver como eu acho e tem que ser igual ao que eu falo para você fazer que tá colocado lá para ter consistência.

>> Sim. Essa coisa do liderar, por exemplo, e você é o cara que eu eu falo, gente, assim, tem alguém que gosta de visitar loja, que vai lá pro Piauí, que vai lá para não sei aonde, assim, é o Artur que tá lá, né? E que e que é o que faz também muita diferença, né, Artur? Porque essa esse esse acesso que o que o franqueado também tem de alguma maneira ele tá envolvido.

Eh, eu nem tinha me planejado aqui para perguntar sobre isso, mas vocês têm até uma questão de sucessão, por exemplo, de Frank. Acho isso incrível, porque não é assim, você vai pegar uma loja do Boticário e não, até fala um pouco disso, porque eu acho isso tão interessante, porque os franquados isso viram viram um legado de família e é uma coisa preciosa que é passada pra frente.

Não é de qualquer jeito, não. Isso aí é muito engraçado porque você a gente vai revisitando a história, né? Então você fala de qualquer jeito, vai lá, pega uma loja, a gente foi uma das, não sei se foi a primeira, mas com certeza uma das duas primeiras a fazerem chandising no Brasil novela, né? E a gente foi fazer um o primeiro mexer que a gente foi fazer foi, 1980, era a uma novela chamada E a gata comeu

>> com a Débora. E a Débora Evelyn era franqueada.

>> Ah, era frada,

>> era franqueada. E aí ela foi fazer a cena lá e ela tipo dizia assim: "Ah, eu não sei o que eu vou fazer da vida, não sei se vou estudar, tipo, não sei que, ai já sei, vai ver uma franquia do Boticai". Ele botou isso no ar, as franquadas que ieriam comer nosso fígado. Eu não sou essa daqui que não sabe o que é. Eu sei muito bem que eu quero tal, tal, tal, para você ver como que era, né?

>> E e acho que é muito muito disso, né? Da da dação da do que a gente quer, do que a gente propõe, que a gente consegue atrair pro nosso para fazer e a forma que a gente se relaciona, né? Dentro disso. Então, quando eu falo para você que a gente tem franqueado que tem 43 anos com 94, idade média deve ser 32, 34 anos de relação, você imagina que já deu, a vida já rodou várias vezes aí, então deu, deu para paquerar, namorar, flertar. eh, beijar, noivar, casar, achar que se esperar e decidir que é bom ficar junto. Tipo, já fizemos ciclo inteiro isso daqui. E é muito do jeito que a gente toca essa relação, do jeito que a gente faz as coisas, né? Ou seja, tem que ser bom pro sistema, eh, é bom para todo mundo. Claro que sempre vai existir. Ah, eu queria mais prazo, eu queria mais, mas tá tudo certo quando isso não existir. Mas o propósito é muito maior. A gente quer que a gente cria relações que na verdade são primeiro, a gente não quer, a gente fala, muitas muitas franquadoras criam e o foco na figura de um operador da franquia, o que é ótimo. Só que ainda saiu de um passo lá atrás que eu queria criar empresários de franchising, porque nosso desde nosso modelo desde o começo ele já ele já é propenso para ele ter mais de imunidade. Então grande parte das das cidades do país, a 99% das cidades do país, tem um operador na cidade que foi sendo escolhido, lapidado e fica para operar o negócio

>> para ele poder focar, para ele poder e poder trazer trazer a família

>> também, né? Porque eu brinco sempre, né? Uma loja sustenta uma família, uma loja pode sustentar duas famílias, uma loja não sustenta três famílias. Então, se você quer que tu afim da ter, tem que crescer o negócio, tem que ser bom, tem que fazer. Então, e a gente fez essa troca, né, ao longo da da construção da relação com eles. Eu brinco, quando eu cheguei lá com diretor comercial lá, tinha o cara dentista, vou dar o exemplo, dentista, tinha a loja de confecção, a pastelaria e a loja do Boticário. Eu falei: "Beleza, amigo, tá tudo certo, mas eu preciso abrir mais loja aqui. Você tá fim de comigo? Preciso de tempo, dedicação, tudo mais." Então, mas eu vou abrir mão vai porque eu vou ter dar outras coisas. Então ele foi crescendo núticar e foi abrir mão outras coisas ou passou para alguém da família fazer tudo certo. Então você cria, foi criando essa visão do cara ser um empresário do setor. Tanto que nossos franqueados são quando alguém quer oferecer algum negócio, eles são os primeiros porque sabem da qualificação, do treinamento, de de quão bom empresário são, da seriedade e tudo mais para fazer. E é um pouco de como a gente maneja a relação, né? Aí você fala assim, visita a loja, visito, visito muito porque primeiro que acho que a tem a música do Mino Nascimento, né, que fala que o artista tem que ir aondde está, o varigista tem que ironde o cliente está.

>> Então nos canais tem que ir lá e tem que ir lá, tem que ouvir, tem que dar e tá tá vendo o que acontece. E para mim é, eu eu me energizo e me inspiro muito das visitas que eu faço na nas lojas, nas IESC, vendas revendedores, tudo mais, clientes multimarcas, porque a troca é boa, você tá vendo o que acontece, você vê como o cliente pega no produto.

>> Eu, a gente fez isso a vida inteira. os últimos anos para mim, talvez eu fiz menos do que eu gostaria, porque obviamente tinha uma série de outras atividades, mas na mexida que eu fiz agora, eu ganhei tempo para fazer isso. Então é muito bom estar presente, fora tá com o franqueado, com a equipe dele, reconhecer, ver o trabalho que é bem feito, né? Ou seja, aí não leva só a marca quando a gente vai para uma cidade lá. Se for visitar hoje, eu morro de orgulho, porque a gente vê o negócio girando bem.

>> Uhum. a gente vê uma baita de uma estrutura empresarial, planejamento, tal, tal, feito lá, tudo mais e a questão de governança, mas está falando, não tô falando aqui em São Paulo, tô falando numa cidade desse tamanho, lá na Bahia, negócio, o modelo é esse. Então, a gente leva empreendedorismo, a gente leva um modelo de negócio e leva estruturação, pensamento, né, de de perpetuidade da educação. É lindo de ver isso daqui, né? muito.

>> E aí você traz a questão do do franqueado junto aí do programa deão, porque você tem que pensar nisso, né? Acho que nós latinos temos um problema com duas palavras, uma é sucessão, outra é testamento. Você fala em testamento, você parece tá condenando alguém a morrer. Você fala sucessão, tá condenando alguém a vestir o pijama. E eu troco essas duas por planejamento.

A primeira vez que a gente falou com a rede foi numa de sucessão, foi em 1995. Na convenção de 25 anos em Faz do Iguaçu, eu quase apanhei, nascer do palco que as eu não quero sair. Quem falou? Tô falando ninguém precisa sair. É para pensar na vida. Por quê? Porque eu sabia que precisava desenvolver o negócio. Uma rede, uma marca, ela ela é feita das pessoas que atuam, né? Ou seja, quem é à frente da marca não é o Artur, não é o Miguel, não é o Fernando. Aí tá, é institucional. tal. Mas quem é? É a consultora da loja que tá lá atendendo a pessoa lá em Teresina, que você falou no Piauí, ela faz, ela e o franqueada faz isso daqui. Então, se essa turma não tiver vibrante com energia, tudo mais, uma rede de franquias, o ar que a franqueadora respira, entra pelo nariz dos franquatos.

>> Uhum.

>> Tem que ter essa clareza dessa relação, né? E o e a franqueadora é a mão que alimenta, né? dentro disso. Então, você e aí para poder crescer, para poder fazer, eu precisava de gente. Eu tinha gente já tenho vários franqueados que já tinham um certo número de dos decorridos e muitas vezes eu vi uma história, fal: "Ai, meu filho, eu não quero, né, meu filho, meu filho, eu não quero abrir mais loja porque eu já tô satisfeito. Eu já tenho minha casa, tenho a casa da praia, tenho a chacrinha, né?" Falei: "Beleza, nós temos um problema aqui, porque eu preciso abrir mais loja na sua região, na sua". Então, tem três oportes aqui. Ou o senhor abre que é melhor, ou o senhor vende. E se vocês não quiserem nenhum outro, eu vou botar um outro operador ali, porque aos poucos vai comer porque vai querer, vai ter mais apetite para fazer. Daí muita conversa, daí ele trazia a gente. E aí o que acontecia? Muitas vezes o o pro o franqueado vinha e falava para mim: "Ah, eu tenho dois filhos, duas filhas, tal, tal, me ajuda a escolher quem vai me ajudar aqui". Eu falar: "Eu

>> eu não quero ficar nessa situação lá em casa, vai dar ruim para mim demontar esse negócio porque é uma responsabilidade, porque tem eu não conheço não conhecia profundamente, conhecia e já já vi como falar, tal".

>> Aí eu dava um hospitaco ajudei isso daqui, mas no fundo falei: "Vamos criar um programa estruturado desse negócio." A gente criou um programa que se chama assim: "O futuro em nossas mãos". tem muito tempo. Hoje é o primeiro programa deção de franquia no mundo. Então começa com um papo da família. Eles têm que escolher porque tem gente que vai ser operador, tem gente que não vai ser operador, que vai ser só vai ser sócio só ou acionista negócio. Aí ele faça por uma entrevista, aí vai ter o perfil dele, faça por dois anos de de de um MBA conosco lá para fazer para poder receber o título de operador para ser homologado para fazer. Tem gente que passa, tem que passa. Então é um processo muito legal, mas que para nós foi fundamental. Por quê? Porque quando a gente foi fazer a expansão, seja da da das atividades da marca Boticário, que cresceu muito, né, antes

>> fora a questão dos outros canais, das outras marcas, você precisava de gente e aí tinha os sucessores que estavam vindo, que aí tinham já um espaço que não precisavam brigar pela cabeça, já podiam tocar o negócio que tava vindo novo. Então foi muito bom que dê uma deslanchada, maravilhoso,

>> deu uma deslanchada sensacional dentro da equação. Eu acho assim, eu admiro demais porque é um programa que é isso, você prepara o cara, primeiro você vai ver também se ele funciona, porque não adianta se preparar, mas quando você vai testar, hum, esse cara, porque é isso é perpetuidade, como é que esse negócio vai pra frente, né?

>> Agora você, gente, vai lá pro Piauí, vai lá pra Bahia, vai lá para o Porto Alegre. E aí, o Artur, como é que fica nessa história assim? Você tem alguma coisa que você faça que seja um hobby, alguma coisa que você consegue dar uma oxigenada, que até te ajuda a

Performar melhor? Acho que todo mundo tem seus pontos de escape, né? Acho que tem as coisas que são extremamente prazerosas, que é ficar brincar com meus filhos lá, ficar com eles lá, que é muito bom, né? Aqueles momentos que se abraça e fala: "Quer que o mundo pare?" Acho que duas coisas que para mim me ajudam muito, né? É, duas, uma me ajuda muito com certeza, que é o exercício físico. Lá atrás eu corria, né? Eu fazia, cheguei a fazer minha maratona e tudo mais lá, né? E e tinha uma atividade bastante intensa e daí parei de correr porque comecei a achar chato, mas eu não abro mão, então eu faço musculação, tento fazer aula de tente, eu brinco que tô é difícil aprender, põe mais velho.

Eu não vou nem falar que eu tô com as pernas ralada porque eu caí hoje de manhã na quadra, eu tive que arrumar um look para cobrir minhas. Eh, faço pilates. Então eu tenho bastante e e procuro fazer na parte da manhã, logo cedo, 6 e pouco da manhã, porque para isso me energiza, me dá uma energia pro dia e me desaluvia a cabeça também. Eu entro equilibrado, vamos dizer, no negócio todo e adoro assistir filme, futebol. Então pode a Karina fala: "Pô, mas você tá assistindo série?" Assista porque o seu jogo tá bom, qual o problema? Não interessa, eu vou virando lá e os dois ficam comigo assistindo lá todo momento que eu digo. Então, para mim é bom porque a hora que se dá uma limpada na cabeça e cinema também. Adoro cinema. Filme foi bom demais. Ajuda e um vinhozinho que ninguém nem ferra. Pois é. É uma combinação boa assim. Não é nada sofisticado, mas é bom para poder energizar e fazer as coisas do dia a dia.

É. E eu vi um sertaneja, né? Ah, mas aí só aí só com a intérprete preferida que eu não posso nem contar quem que é aqui. Eu não aguento um Artur. É muito engraçado, né? Todo mundo assim, ah, vai cantar aqui um, uma sei lá, uma lixa quiseta prank. Não, já manda aí um suitch 14 que nós vamos já vamos pé na porta fazer o pessoal brincar, né? E aí o povo gosta do quê? É disso, entendeu? Fica todo mundo lá contemplando. Depois quando toca essas coisas é é isso. Ele bota o negócio para ferver. Uma coisa, eu acho vai ser meio difícil essa pergunta, mas assim que são talvez muitas pessoas, mas quem te inspira? Hum, quem me inspira? Boa pergunta. Acho que tem e são algumas pessoas, né? Acho que meu cunhado me inspira muito, né? O jeito que ele toca as coisas que ele, o jeito dele de pensar tranquilo é o meu equilíbrio. Eu sou mais agitado. Ele é ele é ele é mais uma pessoa que não, vamos ver o negócio tal, mas ele me inspira pela simplicidade também. Nós somos simples assim de de jeito de fazer, mas ele pela estatura que tem, tal, pela simplicidade que ele toca, pela paciência, pelas boas palavras, ele me inspira muito pro dia a dia. Acho que é uma é uma lição todos os dias. Hum. Meus pais, meu pai, na verdade me inspirou muito, né? Porque ele foi sobrevivente, ele passou pela Segunda Guerra, né? Ele foi, ele, ele muito jovem, a família era da Polônia, via numa cidadezinha e estourou a guerra. Ele muito, eles tiveram que se esconder durante 3, 4 anos no mato para sobreviver, né? E ele foi partisão, com 13, 14 anos, né? Ele lutava que e conseguiu tirar a família inteira. E ele veio de lá, ele teve, ele foi pra Bolívia, da Bolívia ele veio pro Brasil, ele então ele reconstruiu a vida várias vezes e ele nunca perdeu os valores, nunca perdeu, sabe que tem pessoas que falam: "Ah, aconteceu isso aqui, não quero mais saber disso". Uma palavra continuar fazendo as coisas, negócio claro, com seus traumas vindos do período, tal, mas sempre com um jeito bom de uma palavra boa para as pessoas, querendo reconstruir, reconstruiu a vida várias vezes, deu valores não só pros filhos, mas pra família inteira.

Uhum. É equilíbrio duro de de ter, então resiliência na veia. E ele é vivo ainda? Não, faleceu em 2004. 2004. Então, ele viu você também, essa sua trajetória, né? Sim. Ele chegou a a Ele chegou a ver, mas ele não Mas ele não conseguiam ter a dimensão, sabe? É porque realmente difícil, né? Porque a gente estava dentro tocando aquele negócio. Quando eu fui fazer o redesenho lá, ele olhava para você, você e teu cunhado são dois loucos. Que que vocês estão fazendo? Porque ele entendia que a gente está fazendo muita coisa. Era um período que eu chegava em casa meia-noite, todo dia e saía de casa às 7 horas da manhã, né? E rodava final de semana, tinha que fazer os projetos lá. E ele fala: "Não tô entendendo o que que que você vai mexer no negócio que tá funcionando". Ele falar: "Man, para explicar". Fala: "Putz, dá para explicar, né? O negócio e fazer". Então, acho que ele viu esse negócio tudo, mas eles não conseguiram ter a dimensão do que a gente construiu.

É. A sua mãe também faleceu. Minha mãe faleceu em 2009. 2009. Também essa curtiu um pouquinho mais, vi, eu cheguei a levar ela em convenção, tudo tanto mais. É, aí dá para entender, né? E assim, imagina olhar para você e acho que por tudo que ele passou e enfim, né? E também ver a tua irmã toda a família, acho porque isso envolveu a família como um todo, né? E e ter muito orgulho, imagina, né? Do que tudo que ele viveu e do que você levou como como legado. Se você pudesse olhar pro Artur lá de trás, não sei de quando, se era o jogador de futebol de salão ou se já começava lá no no financeiro ou se lá o menino que guardava a banca e disse: "Ó, se você roubar, eu vou pegar você na saída". Eh, que dica você teria alguma coisa para dizer assim para esse para esse Artur lá de trás? O que que você diria hoje? Ah, se cobre menos. É, é difícil, né? É difícil. Mas isso é uma briga todo dia, Artur. A gente se cobra. A gente se cobra. A gente não consegue rodar todos os pratos. É difícil. Como eu fico pensando você na sua vida e tudo. Eh, meu Deus, é um império no no varejo e é uma um orgulho para nós, sabe? A gente tem, a gente fala na High Partners, a gente fala com tantos players e quando a gente fala assim, não, mas a gente no Brasil tem o Boticário, assim, é um case, né? Sim, sim, sim. E e o que eu falo que você falou do seu Miguel e eu vou falar de você, que é o que eu mais admiro em vocês, é essa coisa de estamos fazendo aquilo que nós devemos fazer e nada além disso. E somos o que somos e nada muda também a nossa essência. E assim, nada ostensivo, tudo muito simples. E é muito complexo o que vocês fazem, mas parece tão simples porque é de uma maneira tão respeitosa, tão é genuína, né? Acho que é o que a gente quer construir de forma genuína eh de fazer e e é pelo prazer de fazer, porque as pessoas falavam assim, mas quando a gente criou o grupo, né? Mas que que vocês vão fazer? Para que você vai fazer isso? Porque é bom, é vou ter a chance de empreender zero de volta, né? Fez três novos negócios em três anos de uma folha em branco de papel produto na mão do consumidor. Mas você vai arriscar? Arriscar o quê? Não, tu reputação, você já fez, já funcionou. Falei ainda aí, deixa fazer o, deixa fazer o novo e se não der certo, não deu, tudo bem, vou fazer a próxima, sabe? Então, a gente tem essa e e é gostoso, é pelo prazer de fazer. É, acho que tem duas coisas que acho que tem o prazer de fazer, né? Tem a questão de desse desejo de empreender, né? Porque tinha muita coisa que a gente faz na época a gente pensava, mas não cabia debaixo da proposta de valor do Boticário. Sim. Então, a gente botar uma gavetinha, deixar a ideia lá que era muito boa, mas tem que ser direito, né? Não cabe nessa aqui. E aí chegou a hora que a gente tirou tudo a gavetinha, falou: "Agora pode ser um momento de de você botar". E a outra acho que complementa isso daqui que é uma questão de criar oportunidades, né? Fala que o nosso propósito é criar oportunidades para através da beleza melhorar a vida de cada um e o mundo ao seu redor e a gente conseguiu uma fazer uma coisa muito potente que a gente conseguiu alinhar o nosso propósito de vida, que é a criação de oportunidades com o com o negócio, né? E isso dá uma potência muito grande. E aí você conseguiu gerar com tudo que a gente queria do grupo e tal, mas a gente gerou muito mais oportunidade. Hoje eu tenho 23.000 pessoas trabalham com a gente, a gente coloca a rede de franquias, vai lá perto de 50.000 colaboradores. Aí tem as revendedoras que é casa de milhão, que são muitas vezes não são exclusivas de uma marca única, mas, né, o nosso contribui bastante. Então, isso dá um impacto muito grande. É muita gente envolvida e é muita gente querendo prosperar. Então, isso é muito legal. Então, isso isso é é o que traz o sabor. Ah, você fazer, ah, dinheiro, claro que é importante. Tu não quer, quer ter uma boa qualidade de vida, eu quero que as pessoas estão conosco e tudo mais, porque Brasil você precisa ter um, né, chance de pagar um bom plano de saúde hospital, se tem coisa para, tá tudo certo, mas isso é para mim é consequência do que a gente faz. É isso.

Se eu fizer bem feito, ele vem. Não é obsecado por isso. Uhum. Né? É claro que tem meta, tem tudo certo, mas a obsessão é por fazer bem feito. Se se isso que a desenhou, se desenhou, fizer, a gente executar direitinho, tipo leu o cenário direito, escolheu a boa estratégia, fez uma bate execução, vem, vem. Então o foco é nisso daí. Então é por isso que é leve, por isso é a questão da leveza de poder fazer, ter o prazer de circular, de ver lógico. Acho que é esse esse é o gosto. Fora que a vantagem que a gente tem é de ser apaixonado pelo que a gente faz. E aí, daí fica mais leve ainda a equação de fazer. E essa coisa da gente eh se cobrar é porque parece que nunca vai tá bom. Isso de alguma maneira é bom porque a gente é forçado a régua alta, né? A régua é alta, mas tem que ter um limite, porque a gente tem que saber olhar para pr pro presente e pro passado, principalmente, e se elogiar e se e se e se colocar nesse lugar de dizer: "Poxa, até aqui foi muito bom". Pode ser melhor, pode, mas até aqui foi muito bom, né? Sim. É, até acabou se emocionando na história, né? Mas na verdade tem, eu falo porque isso porque você tem toda uma questão, né? Se é muito fácil a gente sentar hoje e olhar para trás, mas eu acho que para fazer as análises corretas do dos períodos, a gente tem que voltar no tempo e entender qual era o cenário daquela época, não é hoje. Hoje é fácil se Não, não. Eu sempre que eu conto as nossas coisas, eu faço questão na Vamos voltar, vamos entender que era o cenário, quais eram as opções, quais eram os riscos, porque a gente tomou essa decisão, porque senão parece fácil, né? E aí tem esse negócio claro, tem a tipo eh, se você se vai juntando as questões, né? Eu sou eh, eu brinco, né? Ou seja, bem o mal quando entrei ser sócio, entrei entrei para dar uma mão, ficou, mas era cunhado. Eh, pá, quando entra parente na história ali para você lá, eu tinha de ralar três vezes mais para para acharem que eu tinha direito ao que um faria no manual, porque porque era era negócio separ, né, de de fazer. Eu era jovem e tinha 17 anos. Então, eh, o pessoal brinca com etarismo. Falei, eu sofri ao contrário, né? Era um negócio de muito, muito jovem para fazer. Por isso que a gente tem a cabeça tão aberta que a não tem esse negócio de detarismo pra gente ter, porque se tiver, não me interessa quanto você tem, se pode ter 18, se pode ter 65, se tiver vontade de fazer sangue no olho no bom sentido para lá competência, vem que você vai trabalhar com a gente, não tem esse negócio. Então era era muita coisa e aí tinha tá tudo perfeitinho, né? Porque não, como que eu ia errar? Não posso errar porque se errar vou vou abrir o flanco aqui no negócio. Então era aquela revisão, a revisão da revisão, o que eu propunha tinha de ser a prova de bala.

É, e hoje dá para ser mais leve, né? Se b que dá, podia ser mais leve um pouquinho. Então podia ter, podia ter feito mais de festa no passado que eu fiz. Ach, olha, pra gente terminar, a gente faz um high buy, que é tudo estilizado, que é um high buy, que são perguntas de ping-pong, né, pra gente ter, pra gente finalizar. Você vai falando assim, tem tanta coisa na minha cabeça vai virando um negócio que eu fico pensando em tantas coisas sobre a minha vida, essa a meu respeito, né? Então, quero te ouvir um livro. Um livro, eu gosto muito de um livro que é Estratégia do Oceano Azul, né, que é feito pelo Enciado lá, que quando eu li me ajudou muito em ter discernimento de estratégia. Sim, esse livro é é super antigo e ele é muito muito maravilhoso. Uma pessoa. Hum. Pessoas tem várias, né? Mas eu tô meu tô tô com a Margareta Tát na cabeça. Tá com quem? Margaret Tati. Margaret. Nossa, ela como ela conseguiu fazer as transformações todas lá independente, né, questão de gênero e a cabeça que ela fez e como ela teve a mão para execução disso daí. Sim. Maravilhosa. Uma frase. Uma frase, tem uma que é muito boa. Não me deixaram botar. Eu quero botar essa frase no meu escritório, mas não me deixaram botar. Que medo. É tipo, é assim, se você acha que o mundo gira ao seu redor, vá correr no médico que você está com labirintite. Nossa. Nossa, acho que eu vou escrever na minha casa essa frase aí. É que a pessoa vem procurar, dá vontade de fazer assim, só lá um monedor. Vai lá. É bom bom recado. É um bom recado para deixar na parede. Maravilhoso. Maravilhoso. Um sonho. Sonho. Ã, acho se eu pudesse, um sonho grande seria reduzir a intolerância do mundo, acabar com esse negócio de polarização, negóci tudo, voltar pro mundo normal, que as pessoas possam conviver normalmente de novo e buscar as melhores coisas, né? Não só porradaria. Mas tem muito a ver com a frase que você falou. As pessoas não conseguem porque elas conseguem ver só aquilo que tá exato. Ao redor. Então não conseguem enxergar ao redor, né? Ai Arthur Gringo, eu vou te contar, viu? Foi melhor do que eu imaginava. Foi muito bom. Ai que delícia. Obrigada mais uma vez. Eu quero te agradecer, te agradecer por estar aqui, por falar muito mais pelo que você faz, pelo que você eh impõe assim, empenha a sua força, a sua dedicação. Eh, digo mais uma vez, eu tenho muito orgulho de você, muito orgulho da sua família. A Karina também, eu vou falar, eu falei para ele, né, quando ele chegou, nossa, a Karina vem toda semana, ele falou: "Ué, eu também vem. Essa família é uma família, gente, que faz a diferença. Então vocês nos inspiram muito, os seus filhos e tenho te agradecer. Não sei se você quer deixar um recado. Ah, eu que te agradeço. Obrigada pela oportunidade. Assim, mata saudade de você também. Faz tanto tempo que eu não não tinha não tinha para conversar, né, com qualidade assim. Mas muito legal. Acho que o o jeito que você conduz acho que traz um monte de ensinamentos, na verdade não ensinamentos e reflexões para as pessoas de forma importante para poderem melhorar o que elas fazem no seu campo, seja pessoal, profissional e tudo mais, né? Acho que é bem diverso. Então, parabéns aí. Sair daqui pensando, poxa, isso daí pro meu negócio ou então para mim, que tudo começa primeiro na gente, não tem jeito, né? Amei, ó. E para você que ficou aí, que foi maravilhoso, não foi? Dá aí um curtir e tudo. Ajuda a gente também a propagar, porque esse conteúdo é muito bom. E eu te encontro então no próximo Come together. F over