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[Música] Muito boa noite. Está começando mais um Conversa Paralelo, seu podcast semanal aqui na Brasil Paralelo. E ao meu lado, Lara, como que você está esta noite, meu querido? Você está elegante desse jeito não à toa, né? Hoje vamos tratar um assunto que tem a ver com esse sex appeal aí, né? Que por...?
Então quer dizer que essa roupa...? É sua roupa de sex appeal? Não sei, não. Se me deixou desconfortável, lá pras minhas amigas. Hoje a gente vai falar sobre o quê? Nós vamos falar sobre relacionamentos. Sobre relacionamentos. Estamos com uma personalidade aqui que é uma autoridade no assunto: o ilustríssimo Lucas Scudeler.
Exato, acertei aqui na pronúncia. Que é filósofo, teólogo, marido da Luciana e pai da Maria. Muito boa noite, Lucas. É um prazer e uma honra estar aqui. Eu acompanho vocês há um tempo já no Instagram e também sou fã da Brasil Paralelo, assinante vitalício.
Olha que legal! Então é uma honra estar aqui conversando com vocês e contribuindo um pouquinho de conteúdo.
Nossa, finalmente, né, Artur? A gente tá tentando trazer o Scudeler já tem um tempão. Já falamos dele várias vezes, né? E agora temos um programa aqui. Temos o programa. Isso eu acho que a gente para partir também da mesma página, né? E o pessoal que te conhece fala muito os termos de matriarca ou patriarca. O que que é isso? Por que desses termos? E por que que isso é importante, né?
Eh, vocês sabem a importância que existe uma construção de uma narrativa e de um storytelling atraente, né? A gente sabe, quando a gente estuda um pouquinho mais da vida intelectual e do processo de formação da intelectualidade, eh, a simbólica, o imaginário é extremamente importante, né? Então, se eu trouxesse esses ensinamentos da forma técnica como eles foram revelados ou descobertos pelos pelos autores principais ou pelos grandes pensadores que vieram por trás – o principal deles é o Carl Jung, Gustav Jung, né, psicanalista, psiquiatra, depois psicanalista e depois um grande terapeuta e e professor espiritual – muita informação se perderia, porque fica uma linguagem um tecnicismo impossível de você decifrar e e sem apelo nenhum para a pessoa que está ali ouvindo, que é o leigo que está querendo mudar ou que despertou uma consciência. Então, esse processo de você construir um léxico com vocabulário eh aderente com o nível de consciência do da da sua audiência é extremamente importante como comunicador e como orador. Então, o que você tem como matriarca e patriarca nada mais é do que uma mulher muito madura e sofisticada na sua feminilidade – a matriarca – e o patriarca é um homem muito maduro e sofisticado na sua masculinidade, que é o patriarca, que exerce os seus papéis, né? Exercem claramente os seus papéis, tem muita clareza do que é a energia psíquica masculina e o que que é energia psíquica feminina. E uma característica eh muito importante da matriarca, do patriarca, que outros níveis de maturidade não possuem, é que o patriarca tem um alto domínio da feminilidade também, conhecimento, um conhecimento e domínio; ele tem uma capacidade de uso da sensibilidade que os outros homens não têm. E a matriarca tem um autoconhecimento e domínio da masculinidade, que é fúria, tá? Então, os termos técnicos, por exemplo, para masculinidade é Logos na psicanálise junguiana e Eros para feminilidade, que é sensibilidade na psicanálise junguiana também. Então, quando a gente fala de matriarca e patriarca, fúria e sensibilidade é o vetor direcional de amadurecimento do homem e da mulher, hum, basicamente. E quando você fala dessa feminilidade sofisticada e dessa masculinidade sofisticada, ela é sofisticada porque ela tem muitas nuances. O que que seria essa sofisticação propriamente? Sofisticação é essencialmente autoconsciência, hum. É a mulher que autoconsciente utiliza da sua feminilidade; ela não usa de maneira eh como uma pulsão, como um impulso ou como uma reatividade, mas ela usa sim, consciente da ferramenta feminina que ela está utilizando. E qual é o fim e o processo e o meio também, tá? Por exemplo, algumas ferramentas matriarcais e femininas usuais: graciosidade, elegância e delicadeza.
Uhum. Tem muitas pessoas que acham que a feminilidade no mundo moderno e pós-moderno, que o feminino é fraco, e não só não só homens, mas principalmente mulheres que acham que a feminilidade é fraca, e isso é a coisa mais longe da verdade que existe. A feminilidade é extremamente poderosa, tão poderosa quanto a masculinidade. E é exatamente um dos propósitos do trabalho regenerar e revitalizar: homens se conectando com a sua mas masculinidade, mulheres se conectando com a sua feminilidade. Então esses são três exemplos de ferramentas femininas sofisticadas: graciosidade, elegância e delicadeza. Trazendo para um para uma para um lar – tô pensando num lar de um casal em que haja um matriarca, uma matriarca e um patriarca e os filhos ali do casal, né, uma família tradicional bem desenvolvida nesse sentido – sim, que ações práticas haveria ali dentro que fizesse com que nós reconhecêssemos a matriarca e a figura do patriarca? Tipo: acordamos, café da manhã, e aí ó... A primeira coisa é o contexto, tá? Para que um patriarca e uma matriarca exerçam a sua masculinidade e feminilidade, você precisa estar aderente aos princípios relacionais que eu chamo: são quatro – verdade, respeito, diálogo e reciprocidade afetiva. O contexto de verdade, respeito, diálogo e reciprocidade afetiva, só quem é adulto consegue manter. Pessoas que não atingiram o estado psíquico da maioridade não conseguem manter verdade, respeito e diálogo e reciprocidade afetiva; eles pecam em algum desses. Ou eles ferem o princípio da verdade com mentiras, com simpatia, com querer agradar ou com traição, deslealdade, mesmo infidelidade. O respeito é quebrado através da violência: violência moral, violência intelectual, violência afetiva ou violência física, verbal, afetiva. Então a gente tem o princípio do diálogo sendo quebrado como eh o orgulho, a vaidade de querer estar certo, de querer impor a sua vontade em cima do outro e não estar aberto, flexível a construir uma solução em conjunto, em consenso. E o quarto, que é usualmente o mais eh menosprezado e as pessoas quebram com muita facilidade: a reciprocidade afetiva. E aqui a gente tem uma armadilha muito grande em relacionamentos que as pessoas demoram para aprender. E casais maduros, quando eles ouvem, eles falam: Nossa, isso é exatamente isso! A verdade que é a reciprocidade afetiva, por quê? Porque existe um certo consenso na maioria da população imatura de que afeto é uma coisa boa. Afeto não é necessariamente uma coisa boa, principalmente quando você dá afeto de maneira desmedida e não requisitada. Quando você dá afeto para uma pessoa que não requisitou esse afeto, é violência, na verdade. O que que seria uma demonstração assim prática desse afeto?
Uhum. Uma melosidade, você ficar em cima da pessoa, você dá, por exemplo, você querer ser carinhoso com o seu marido ou com a sua esposa quando você quer e não quando o outro está disposto a receber.
Hum, entendi. Então, por exemplo, você está trabalhando, você está no seu escritório lá, você está fazendo um roteiro de um livro, de um podcast, que seja. E o seu marido está num momento de carência afetiva e ele interrompe o seu processo intelectual, que você está ali naquele ambiente seguro, seu, de trabalho, e ele quer ter uma interação afetiva com você naquele momento que ele necessita daquilo. Ele não perguntou se você quer, ele não viu se você está disponível. Ele simplesmente ignorou a sua linguagem corporal e facial e ele foi lá interagir, te dando afeto. Essa é uma interação clássica de violência afetiva.
Entendi. E aí muitas vezes você fala assim: Meu amor, agora não, depois a gente fala. E a pessoa insiste, porque ela acha que afeto é uma coisa sempre boa. Afeto não é incondicionalmente positivo. Ainda critica e fala: Ah, mas eu estou te dando amor e carinho, você vem com com essa violência... Que é o outro que está agindo com violência, né? Sai com vitimismo da situação, colocando o outro como errado, sendo que ela quebrou o princípio do diálogo e quebrou o princípio do respeito. Esse é um esse são tipos de princípios que ficam ocultos na maioria das pessoas, é por isso que a maioria das pessoas não tem sucesso relacional, porque na hora que ela percebe que o cônjuge não quer interagir afetivamente naquele momento, o que que eu faço como um cônjuge que ama? Eu dou espaço pro meu cônjuge, seja meu marido, seja minha esposa. Mesma coisa com filho. Se você chegar numa criança pequenininha e você você começar a ficar meloso, apertando... Que que a criança faz? Sai daqui, pai!
Uhum. Tipo, a própria criança tem esse instinto de que afeto demais e não requisitado, ela não quer isso. É natural do ser humano. Isso significa que a pessoa, quando ela projeta carência afetiva dela em outros seres humanos, ela está atendendo ao fracasso em relacionamento.
Uhum. E isso é algo que eu particularmente nunca ouvi ninguém ensinar, e é foi um dos motivos que eu comecei a ensinar relacionamentos, é que coisas que são óbvias para quem é maduro,
Uhum. as pessoas que são imaturas, elas erram continuamente, diariamente, rotineiramente nesses pontos principais aí, elas chegam sempre nos mesmos resultados, seja divórcio, seja traição, seja abandono, e elas saem com sentimento, principalmente quem dá afeto de: Eu sou a pessoa mais maravilhosa do planeta, eu sempre dou afeto, eu sempre faço tudo, eu me sacrifico pelo relacionamento, e meus relacionamentos nunca dão certo. As pessoas falam muito isso para mim, Lucas: Eu tô fazendo tudo certo, e meus relacionamentos sempre dão errado. Falei: Então você não está fazendo tudo certo. O primeiro processo: a verdade é você admitir com humildade de que talvez você não saiba como fazer no relacionamento funcionar.
Aham. Isso passa também muito pelo que a gente fala dos papéis, né, tanto do homem quanto da mulher. Eu queria, a gente vai entrar nessa seara dos relacionamentos que fracassam, das relações líquidas de hoje, né, do balmo, aquela coisa toda, né? Mas eu quero puxar um pouco a conversa para esse lance dos papéis para a gente entender melhor. Então, existem papéis que são inerentemente masculinos e femininos. Qual que é a importância desses papéis? E qual que é o problema de, de repente, numa família haverem papéis distintos, assim, sei lá, o homem está fazendo um papel que é mais feminino e a mulher fazendo um papel mais masculino? É um problema dessa troca de papéis? Existe potencialmente um problema, tá? Então, e onde que a gente tem grandes equívocos acontecendo na sociedade moderna e que eu vejo poucas pessoas explicarem, né? E quando você tem um processo de formação do ser humano, homo sapiens, de praticamente 1 milhão de anos de evolução biológica e automaticamente a evolução da psique em sinergia, em conjunto com a evolução biológica, só que se a gente parar para pensar um pouquinho que o homo sapiens veio antes no homo erectus, no homo neanderthalensis, em todos os outros australopitecos, todos os outros homo sapiens, hominídeos que precederam a gente, e existe um processo de ancestralidade genômica onde existe também um processo de formação psíquica, a gente está falando que essas tradições, esses papéis morais masculinos e femininos, eles têm sim uma ancoragem fortíssima biológica, só que eles foram, ao longo do tempo, lapidados para alcançar performance e aumentar a chance de sobrevivência, tá? Na sociedade moderna existe uma ativação da maioria das de intelectuais, principalmente, querendo passar a ideia de que tudo é convencionado, tudo é é cultura e que as coisas são simplesmente adotadas por identificação e eu posso simplesmente ignorar toda a minha âncora biológica ou genômica e que vai ficar tudo bem. Não vai ficar tudo bem.
Uhum. Tá? Existe um processo todo onde eu preciso respeitar a minha parte biológica, eu preciso entender quais são as minhas tendências psíquicas e o o Jung, ele explicou muito claramente isso, que quando você não respeita esse processo, você inicia um processo de psicopatologia. Existe um processo de neurose de negação, que é o processo de negação do princípio da verdade, aonde eu nego aquela pulsão masculina ou aquela pulsão feminina natural, eu coloco ela embaixo do tapete, ela começa a fermentar e ela começa a apodrecer. Aí eu crio identidades de personalidade para enjaular aquele complexo psíquico doentio. E o que acontece é que na fachada lacrada parece que está tudo bem, só que lá no porão está tudo podre. É o que a gente vê dessas milhares de de gêneros surgindo, porque estão negando também as a própria questão biológica ali da pessoa. A pessoa não se identifica com tal coisa, ela acha que está tudo errado. É uma questão da psique ali, né? É uma questão de falta de saúde, falta de harmonia na psique da pessoa, do consciente com o inconsciente, que isso, na verdade, é uma foi uma revelação que a gente já sabe há milênios através da própria filosofia, eh dos próprios ensinamentos de Jesus Cristo. Mas isso foi revelado de uma maneira um pouco mais científica dentro da psicanálise, começando com Freud, culminando a maestria com Jung, onde a gente sabe que tem um inconsciente que é muito maior do que o consciente, tá? E o que a gente vê, na verdade, é essas pessoas que ignoram e criam uma narrativa mental para cumprir um papel social que ela acha que é o o que ela pode fazer, porque ela pode ser qualquer coisa. Se ela quiser ser uma girafa, ela pode; se ela quiser ser um cachorro, ela pode; se ela quiser ser uma planta, ela pode. E ela acha que ideologia de gênero é isso: é eu acredito que eu sou algo, então eu vou ser se algo. Ela está ignorando todas as pulsões inconscientes que ela possui, que foi foi foi lapidado ao longo de milhões de anos. Basicamente, a gente pode extrapolar muito mais a dezenas de milhões de anos, porque a gente herda muita coisa dos mamíferos. Tem muito comportamento nosso que a neurociência hoje comprova claramente que é herdado dos mamíferos. O próprio comportamento do macho mamífero no ser humano é igual dos outros machos mamíferos; da fêmea mamífera também é são comportamentos herdados. E a gente tem aí uma constatação, uma prova. Quando você tem uma pessoa que ela tem autoconsciência, ela é madura, ela vai tender a um estado de serenidade, tanto afetiva quanto intelectual. A pessoa que é hipersensível, ela é uma pessoa infantil, juvenil. Isso foi foi discorrido e e aprofundado em inúmeras obras pelo Freud e pelo Jung, que é a pessoa que tende a histeria. Aí você observa o comportamento de personalidade: a pessoa, ela atende à histeria ou à imperturbabilidade, à ataraxia ou à equanimidade. Ela atende à histeria. Se ela atende à histeria, isso é um indicativo claríssimo, óbvio, de imaturidade afetiva, porque ela não tem regulação emocional. A pessoa que tem equanimidade, imperturbabilidade ou ataraxia frente aos desconfortos da vida, como que ficam os estados emocionais dela? Bom, aparece medo, aparece raiva, aparece culpa, mas ela sabe como gerenciar esses estados. Ou isso é um indicativo muito forte de maturidade, porque a gente não está falando aqui só de espiritualidade. Esse é um outro equívoco também que muitas pessoas acham que assim: Ah, eu tenho que desenvolver a minha espiritualidade. Não, você tem que desenvolver a sua maturidade. Dentro da equação da maturidade, você tem quatro paradigmas: materialidade, afetividade, intelectualidade e espiritualidade. É a sinergia desses quatro tripés que a gente caracteriza como maturidade, e é possível que eles estejam em desequilíbrio. Por exemplo, a pessoa é eu consigo pensar que em várias pessoas que eu conheço que são extremamente maduras no trabalho, imperturbabilidade no trabalho, fazem brilhantemente trabalho, executam, chegam em casa, é um rolo, sim, uma bagunça. Então é possível que isso esteja em desequilíbrio também, entende? Porque ela tem um nível de consciência, ela tem um nível de de atenção, porque o que precede a imperturbabilidade mental é a concentração. São estados de estabilidade mental que permite que o seu estado de vigília aumente. É exatamente isso que Jesus quis dizer com: Vigiai e orai. Falou assim: A gente não está entendendo nada do que você está falando, Jesus. Dá para você simplificar em uma frase simples do seu ensinamento? Tá: Vigiai e orai.
Uhum. A vigília, ela ela tende a níveis infinitos. O estado de santidade é um estado de altíssima qualidade de vigília e imperturbabilidade. Tudo que a gente vê que não possui esses pré-requisitos, essas premissas de imperturbabilidade, de controle e regulação emocional, de serenidade intelectual, de de de conexão com a materialidade, não evasão da materialidade, a gente vai ter como imaturidade. Então você pode ter aquela pessoa que é o mestre de yoga hindu, só que ele não paga aluguel, hum, é o pai dele que paga. Opa, tem alguma coisa desregulada aqui, não? Mas é porque eu sou espiritual.
Uhum. Né? Então a pessoa, ela usa um personagem como um processo neurótico evasivo das responsabilidades da materialidade. E ela diz na cabeça dela, na narrativa dela, que ela é madura porque ela espiritualmente ela tem alguns conhecimentos acumulados na biblioteca mental dela, só que a maturidade dela é baixíssima, assim como a pessoa que não consegue prestar um serviço e fazer uma cobrança monetária justa com relação à aquele serviço regulado pelo mercado para pagar suas contas, para sustentar sua família. Ah, mas eu vou na missa todo domingo. Tá, mas isso não tem nada a ver com o seu aluguel. O dono do do imóvel não está nem aí se você vai na missa ou não. Ótimo que você vai na missa, para você, se você não pagar o aluguel, você vai ser despejado.
Uhum. Então maturidade é a capacidade de alta vigília em todas as áreas e todos os paradigmas. A gente vai ter os quatro paradigmas: material, afetivo, intelectual, espiritual. Aí você vai ter um destrinchamento de muitas outras áreas, como carreira, profissão, eh capacidade de absorção intelectual, entre muita saúde, nutrição, sono. É uma junção sinérgica de todas as áreas da vida que vai definir o que é uma pessoa madura do que uma pessoa imatura.
Muito legal, faz sentido demais. Ô Lucas, uma vez eu vi, uma vez perguntaram, eu eu sou fã do professor Olavo de Carvalho, é brilhante. E uma vez perguntaram para ele como que a pessoa curaria a timidez. Falou: Como como que eu saio da timidez? Ele fala assim – ele para, pensa, fala umas coisas inicialmente. Aí depois ele encaminha para uma resposta que eu acho brilhante, que acho que tem a ver com o que você falou. Ele fala assim, ó: O problema do tímido é que ele acha que ele é o único eu do mundo. Ele não entende que ele só é eu para ele e que o outro é o eu do outro e que o outro é... Então eu sou só uma fração da realidade sua.
Perfeito. E você é só uma fração da minha realidade. Então, para que você saia da timidez, você precisa tentar entender que os outros são eus de si próprios e que você é só uma fração; você não é tão importante assim.
Di... Você não é tão importante assim. Mas por que que eu estou falando isso? Ninguém se importa muito com você, entendeu? Não precisa ser tímido, ninguém está nem aí para você. Mas por que que eu estou falando isso? Me parece que para atingir esse grau de maturidade você precisa, inclusive nos relacionamentos, dentro de casa e tudo mais, por exemplo, essa questão da afetividade. Você precisa olhar para o eu do outro e tipo assim: Essa pessoa não quer o meu afeto neste momento. Mas eu preciso olhar para ela primeiro. As pessoas estão com dificuldade... Isso é isso sempre foi assim, não? Que as pessoas estão com dificuldade é um fato, mas isso sempre foi assim ou agora mais...? Sempre foi assim. Na verdade, a gente vem se se a gente analisar a história humana em em ciclos temporais mais longos, porque a gente tem de analisar a realidade como ciclo de dias, porque a gente vive do nosso dia e a gente está olhando a semana, a semana, os nossos filhos crescerem, o nosso mês fechando, se eu estou pagando as contas, se eu não estou. Só que para a humanidade, a nossa o nosso ciclo diário, ele não ele é bem irrelevante. De zero a um, importante assim é você... Não é nada importante. O professor Olavo era um foi era um gênio, né? Então assim, eu gosto muito também de de muitos conceitos que ele trouxe. Ele simplificou muitos... A capacidade que o gênio tem... O que caracteriza um gênio de uma pessoa que não é gênio? Ela tem uma capacidade de de trazer coisas altamente complexas para a simplicidade. O Einstein disse: Síntese é inteligência. Capacidade de síntese é capacidade de inteligência, né? Então o gênio, ele tem isso com uma maestria de conseguir juntar uma constelação de variáveis, unificar elas e explicar de maneira simples. Exato, dar um nome para aquilo, tipo matriarca e patriarca, né? Um nome, são conceitos simplificadores que dá acesso para pessoas que não teriam acesso se não fosse comunicado daquela maneira. Então o maior exemplo para mim de genialidade foi Jesus Cristo. Sim. Então é que as pessoas, elas não têm essa capacidade, porque muitas pessoas, às vezes, quando elas estão em contato com o gênio, por elas não terem a genialidade desenvolvida, elas não têm a capacidade de identificar fora o que elas não têm dentro, né? A gente só vê no outro o que nós temos dentro de nós.
Uhum. Então o próprio processo e de desconstruir a vaidade, por exemplo, da timidez, porque a timidez é uma vaidade: é eu me achar tão centro do universo que eu acho que eu não posso errar. E por não não achar que eu posso errar, então eu não devo nem falar.
Uhum. Porque daí a única maneira de eu garantir que eu não vou errar é eu não me manifestar. Isso é de uma soberba, né? É uma soberba absurda. Então assim, você tem que parar e e pensar exatamente como o professor Olavo falou assim: Cara, ninguém se importa muito com você.
Uhum. Tá? Essa opinião que você acha que as pessoas estão tendo sobre você, elas não vão ter ao longo de uma hora que você está falando, talvez em um momento elas pensem assim: Nossa, às vezes ela não é tão boa assim, essa tua opinião aí...
Exatamente. Às vezes a pessoa chega e fala assim: É o Lucas, sei lá, ele meio pedante, não sei o que lá... Mas o processo 99,99% do tempo ela está pensando em quão relevante aquele conteúdo é para a vida dela.
Sim, sim. As pessoas, elas são egocêntricas. É da natureza humana ser egocêntrica. Exatamente, que foi um diferencial de sobrevivência. O que fez o ser humano se tornar a espécie animal superior a todas as outras é a nossa capacidade do egoísmo. Nenhum outro animal tem a capacidade de egoísmo que a gente tem. Foi por isso que a gente se tornou soberano no planeta. Então assim, assim, essa herança é um paradigma: é a materialidade. A gente tem um aparato material e psíquico extremamente refinado para o egoísmo.
Uhum. Só que para que eu consiga despertar o potencial máximo eh que a gente tem, eu preciso entender que eu sou egoísta, eu preciso entender que todo mundo é egoísta e que eu não sou nada especial frente a todo mundo. E quando eu ganho essa eu viro essa chavinha de perceber que todos nós somos iguais e que o nosso sofrimento é universal, compartilhado por todos, esse momento nasce a maturidade. Esse egoísmo não é não é necessariamente ruim, né? Até a Ayn Rand comenta, ela tem um livro da virtude do egoísmo. Né? A questão da ami da individualidade ali, né, do individualismo também, né, frente a esse coletivismo, né? Então o próprio egoísmo, ele é é o que faz as espécies se perpetuarem, né? Porque você tem os seus eh motivos próprios, as suas motivações individuais. O problema é quando ele se torna o mestre da orquestra sinfônica da sua vida, tá? Porque o egoísmo como um servo, ele é um servo extremamente eficiente. É aquele aquele workaholic que quer entregar resultado todo mês e quer que que você, como dono da empresa, tenha lucro mês após mês após mês. Só que na hora que ele entra como como líder ali da sua vida, ele destrói a sua vida, porque daí na hora que você quer o tempo todo estar certo, o tempo todo ganhar, o tempo todo extrair vantagem, você não tem um terreno fértil para a conção das virtudes. E a motivação principal da vida humana, quando a gente está falando de um paradigma, uma ótica de eh busca da maturidade, né, não da espiritualidade, como eu expliquei, da maturidade, é desenvolver virtudes. Porque o que diferencia uma pessoa imatura de uma pessoa madura é que a pessoa imatura, ela está presa, escrava das suas pulsões. A pessoa madura, ela tem consciência das pulsões, e é por isso que ela desenvolveu as virtudes para não ser mais escrava delas.
Uhum. Então a a eudamonia é o equilíbrio entre você é ser o tímido, introvertido, louco e o extrovertido que o tempo todo precisa est querendo falar.
Uhum. Tagarela, tagarela o tempo todo, que precisa preencher o espaço com qualquer ideia que você acha que é relevante porque passou na tua cabeça. Momento de falar, tem momento de ficar quieto. E a gente pode... Aristóteles explicou isso excelentemente bem, ética a nicômaco: o equilíbrio entre ausência e excesso é a justa medida para você ter a virtude. A virtude, ela não é criada por esforço. Isso é um outro equívoco de muitas pessoas: Como é que eu crio virtudes? Ah, você precisa treinar muito, treinar muito. Mas você tem que treinar um estado de equilíbrio, porque na hora que você equilibra o estado de ausência com o estado de excesso, a virtude nasce espontaneamente. E a maturidade é essa constelação de virtudes espontaneamente gerada de onde? Da fonte primária.
Nossa! Que é Deus. Deus manifesta-se através de nós quando nós aprendemos a equilibrar entre ausência e e e excesso. Esse é o estado... Uma das virtudes mais elevadas: a ataraxia, a eudamonia ou imperturbabilidade. Mas tem um monte de outras que precisam ser desenvolvidas ao longo do caminho para que a gente consiga chegar nesse estado de imperturbabilidade, que é o que a maioria das pessoas não tem em relacionamento. O tempo todo a pessoa está seguindo instinto. Esse é o maior erro que existe em relacionamento. A pessoa acha que ela vai se relacionar e ter sucesso.
Vai casar? Vai constituir uma família seguindo instinto, porque achou o homem bonito ou achou a mulher bonita? Hum, fala para nós um pouquinho dessas virtudes aí, não é? Porque a verdade é que a gente nunca foi ensinado como ser um bom marido, uma boa esposa, né? Um bom… sobre virtude, virtude. Acho que parece, pra maioria dos ouvidos, uma palavra assim, meio de um monastério da idade média, sabe? Virtu de parece uma coisa tão assim… nem sei bem a palavra, né? É daquela… da… da… da… da mulher… essa eu acho que essa, para mim, não… para mim, eu estou escutando isso aí convalida tudo. Mas porque eu tive uma cabeça que foi treinada com o passar do tempo, mas não era assim antes. Eu, eu me lembro da sensação de ouvir uma palavra como virtude, como delicadeza, por exemplo, como castidade, e de pensar assim: “Que vocês estão falando? Vocês estão doidos? Para que isso?” Um pouquinho para nós desse, para que isso, para que isso tudo? Afinal de contas, trabalheira, Lucas. Então, por que esse estado de maturidade? Que é esse estado onde eu estou refém das minhas pulsões? É um estado de instabilidade mental, tá? Esse estado que é muito característico da mente moderna, de instabilidade o tempo todo, o tempo todo. A mente tá pulando de galho em galho, como se fosse um macaco em frenesi. E eu fico vivendo essa frenesia emocional, até que na hora que eu paro e fico no silêncio, me dá pânico. Uma roda viva de emoções, uma roda de emoções, é uma loucura, é uma roleta russa. Pessoa, na hora que ela, ela se depara com o silêncio, às vezes, da casa dela, ela fica doente, porque ela não consegue lidar com o silêncio, que é uma das coisas mais simples que existe, né? Isso é um indicativo também de maturidade: quanto que você consegue tolerar e se sentir confortável com o silêncio e consigo mesmo, né? Tipo, com a sua solitude. Pô, se você não se aguenta, quem que vai te aguentar?
Exato. Isso é outra insanidade. Muitas pessoas não se aguentam, mas querem que o outro aguente elas. Para relacionamento dar certo, não. “Mas eu sou sim, você tem que me aceitar do jeito que eu sou”, mas você não se aceita do jeito que você é. Essa instabilidade mental toda que você tem é porque você não desenvolveu certas virtudes, por exemplo, como coragem para não fugir da covardia, como fortitude, como fortaleza, né? Como temperança. Todas essas qualidades, virtudes basais, cardeais, é o necessário básico para você se transformar num adulto saudável. Senão, você não tem estabilidade para desenvolver razão. Se você não tem temperança, se você não tem fortaleza, se você… você não tem prudência, você não tem estabilidade psicoafetiva para desenvolver razão. Isso significa que você vai habitar num paradigma irracional; você vai ser um ser irracional, basicamente. Você é guiado pelas suas emoções; você faz o que dá na telha. E isso é uma coisa que as pessoas, elas romantizam, por exemplo. Elas falam assim, em relacionamento: “Ah, eu sou intenso, eu sou intensa”. Mes… falar isso agora… eu ia falar isso agora… nossa, eu sou tão intenso! Intenso tem… é cara… isso… isso é impressionante. Tem… tem o… o Pedro Augusto que já esteve aqui com a gente, né? Teve uma vez que uma moça mandou na caixinha pergunta para ele assim: “Ah, porque eu falo mesmo, eu falo o que der na telha, porque eu sou muito sincero, eu sou muito verdadeira”. Não, minha filha, você só é chata mesmo, porque ninguém perguntou a sua opinião. Tipo assim: você não precisa falar o tempo todo que você não gostou e apontar o dedo na cara, como se: “Ah, não, não gostei de um negócio. Ah, então eu vou mostrar que isso tá errado”. Porque, cara, você não pode ficar de boa às vezes, entendeu? Tipo, você… você é a dona da verdade agora. Acontece isso nos relacionamentos, totalmente. Então, isso… esse exemplo com Artur, tá dando… é a falta de temperança, que é a incapacidade de você se frustrar. Eu vejo isso na minha filha de dois anos, só que dentro do processo psicoafetivo de maturidade de um ser humano, é da idade dela não ter temperança ainda. Você espera de um bebê de dois anos não ter temperança. É exatamente isso. Como o pai que eu vou ensinar, filha: as coisas não vão acontecer do jeito que você quer sempre, não adianta você gritar. Uh-hum. Só que a gente vê gente teoricamente adulta, 30 anos, 25, 40, 50 anos, a pessoa quer resolver um negócio gritando. Uh-hum. Quantos movimentos sociais a gente vê em muitos lugares do mundo desenvolvido hoje, países de primeiro mundo, que as pessoas estão lá gritando só aos berros, achando que aquilo vai resolver alguma coisa? Isso, para uma matriarca ou para um patriarca, é como uma buzina de trânsito; é tão importante quanto uma buzina de trânsito: é ruído, você só ignora.
Então o que eu falo para muitos alunos meus e pessoas que me seguem e tudo mais, eu falo assim: não dê atenção para esse tipo de grito desesperado do envaidecido. É… não vai ter palma para maluco dançar, né? Exato, porque senão você vai dar ritmo pro maluco, e o maluco vai encontrar um ritmo na loucura sua ali, da sua palma, e ele vai dançar, ele vai fazer o espetáculo dele, que é o que ele quer, entendeu? Isso é exatamente o que você faz, por ex., na criação de filhos. Hora que minha filha tá dando chilique… essa noite minha filha tava… deu um chilique gigantesco, que ela queria sair do berço, como eu tava falando para vocês fora do ar. O que que minha esposa fez? Fica no berço, você vai dormir. E ela gritou por 25 minutos absurdamente, tipo, imagina um serzinho que tem muita vitalidade, indo no nível máximo que o pulmão dela aguentava. E você, com todo o amor do mundo ali, né? Que você fica: “Meu Deus”. Às vezes você até tenta se sensibilizar, sente compaixão, só que assim, é duas da manhã. Sim, você tá… você… você brincou o dia inteiro, você tem que dormir. Amanhã você vai acordar normalmente, às vezes é dia de escola. Sim, você quer ir pra sala, para ver desenho, para brincar. Você não vai… você não vai ter o que você quer, aceite que você tá na sua cama, protegida, dentro da sua casa, com a sua mãe ou com o seu pai te olhando, e pare de gritar. E minha esposa ficou falando: “Você não vai sair, filha. Para de… de gritar”. Ela ficou falando isso tipo 10, 20, 30 vezes. Quando deu 25 minutos, eu fiquei vendo pela câmera, ela fez assim: ela sente… capotou, porque ela esgotou a energia vital dela. Tem uma… eu gosto muito do Jordan Peterson, né? E ele foi um alvo, durante muitos anos, de pessoas indo em palestra dele. Ele faz palestras nas Ivy Leagues canadenses, americanas, inglesas, e as pessoas iam lá, os histéricos vão lá protestar, cortar o microfone. Mas você vê como a razão é um… é… é uma potência absurda, né? É um ato de uma potência absurda. Ele chegou e falou assim, numa entrevista: “Você sabe como que eu resolvi o problema de protestos de dessas pessoas que não gostam do que eu falo nas universidades?” Aí o entrevistador falou assim: “Como que você fez?” “Eu coloquei as minhas palestras às 7 da manhã”. Não, eu nunca tinha visto… “Co… muito bom, hein? Genial!”. Go… ele não se esforçou em nada, ele só parou, vigiou e falou: “O que que eu faço para desconstruir esse comportamento? Porque é algo que eles não têm potência para fazer. Eles não conseguem transformar em ato”. Vou trazer para mais cedo, porque eles provavelmente não acordam cedo. Tire e queda na primeira: não tinha ninguém. Fucking genius! Jordan Peterson é maravilhoso. Tá aí um grande estudioso de… de… de Jung também, gente. Já… ele… ele fala… ele ainda fala hoje em dia: “Eu continuo estudando Jung, porque é um enigma. Você pega as obras do Jung: paradoxo atrás de paradoxo. Eu tenho tempo inteiro paradoxo. Você tem que aprender a lidar com paradoxo”. Isso é uma limitação também da capacidade da razão: é o nível de razão que você tem. Você… você não consegue lidar com paradoxos ainda, então você acredita muito em causa e efeito. Ou você já consegue lidar com incongruências, inconsistências e paradoxos, porque essa é uma razão superior, superior. Chesterton! Adoro Chesterton. Os paradoxos ali também fazem que a gente reflita tanto, né?
Exatamente. Ô Lucas, falando em imperturbabilidade, eu tive a curiosidade de olhar os comentários de uns dos seus posts, e a quantidade de pedrada que você recebe… não tá escrito em gibi nenhum, diário… tanto que te perturba, Lucas, diário. Ó, de verdade, isso não me perturba mais. Porque quando eu me propus a fazer isso, antes de eu iniciar, era um ponto de sensibilidade, de verdade. E eu, como filósofo, como teólogo, eu falo assim a muitos alunos e alunas meus: “Pediam, Lucas: ‘Ensina de relacionamento’. Se mudou minha vida, eu casei, eu tô com uma família, é super feliz. Eu acho que você vai ser muito mais… eh… abrangente, você vai tocar muito mais vidas se você fizer isso”. Durante uns dois anos, eu… eu relutei por causa disso. Mas você falava do que antes? Você falava… eu tinha curso de Filosofia, eu tinha cursos de teologia, de espiritualidade, de autoconhecimento, só que ele era em geral. Eu falava sobre todas as áreas da vida, e para você gerar esse equilíbrio, né? E uma grande parte dos meus alunos vieram pedir para falar de relacionamento. E durante um bom tempo, por ainda ter esse ponto de sensibilidade não tratada, eu não quis, porque eu não queria receber detratores ou haters falando de coisas que eu tava ensinando por uma fragilidade minha. Até que, dentro de um certo contexto, eu percebi que aquilo era algo que Deus estava me chamando a fazer, porque aquelas pessoas que estavam me pedindo para fazer aquilo, elas não tinham benefício nenhum, elas não tinham vantagem nenhuma. E Deus fala com a gente através desses… desses pequenos sinais do cotidiano. As pessoas querem ver o Arcanjo Miguel aparecendo para elas falando assim: “Ó, Fulano, faz isso”. É num sonho… [Música] revelatrice. Músico, compositor, tinha vários projetos artísticos, e nunca consegui, só fracassei, nunca consegui atingir pessoas com a música da maneira como eu tenho atingido agora. E aí o que aconteceu nesse final dessa etapa? Eu me reconciliei com um estilo de vida anônimo. Eu falei assim: “Cara, o anonimato é uma benção”. Uh-hum. O que que eu… eu desisti de ser músico no dia que eu tive um processo revelatório do que aquelas… que eu tava ouvindo naquele momento. E quando eu ouvi o primeiro single pronto… há mais de 15 anos atrás, eu ouvi, eu falei assim: “Cara, isso aqui vai estourar”. E tinham várias pessoas no meio artístico, pessoas muito relevantes, com muito nome e autoridade, falando… muito impressionadas com a música, com a banda. E aí, na primeira audição, eu senti que aquilo ia viralizar de uma certa maneira, e eu voltei para casa perturbado. E durante alguns dias, eu fiquei extremamente perturbado. Até que, em um certo momento, eu me rendi. Foi um processo de rendição, e eu percebi que se eu deixasse o projeto continuar daquela maneira, eu ia ser escravizado. Hum. E aquela agonia que eu tava sentindo era Deus me falando assim: “Ó, é isso que você quer? Porque se você quer isso, eu vou deixar”. Que tem todo o lance do ambiente da música, das gravadoras, toda aquela história corrompida dos simbolismos ali, das… da maldade, né? Eu nunca encontrei virtude no meio artístico. Os 10 anos que eu convivi, eu nunca vi ninguém com grandes virtudes assim que você se inspira. E eu sempre tive esse drive da busca da verdade desde criança. Então, as minhas letras eram letras… eh… de… de certa maneira, de louvor, de… de passar uma mensagem edificante. Então era meio que um Frankenstein; era extremamente difícil de fazer aquilo funcionar. E quando parece que o quebra-cabeça se fechou para funcionar, e eu ouvi a música pela primeira vez na audição, eu senti o peso de ser escravizado. É muito difícil de explicar, mas é subjetivo. Eu falei assim: “Se eu passar desse ponto, eu vou ser escravizado”. E eu… o projeto de 10 anos em uma semana.
Justo quando você vislumbrou a possibilidade de ser famoso. Quando eu vi que aquilo… eu ia ter o que eu queria… Deus falou: “Ó, você lutou, eu tentei te impedir, porque esse não é o caminho que eu queria para você. Eu botei vários obstáculos, e você persistiu. Você é teimoso, cara. Agora tá… todas as coisas estão alinhadas do jeito que você queria, você vai ter o que você quer. É isso que você… você quer? Você vai perder mais ainda o acesso a mim”. E eu vi isso com muita clareza nessa semana, e foi um processo redentório, catártico, porque eu tipo… acordava em agonia, dormia em agonia, acordava em agonia, dormia em agonia. Fal… tem uma coisa muito errada. E aí, na hora que eu tomei a decisão… E esse processo psíquico foi muito dolorido. Você era convertido assim? Você tinha alguma… alguma questão de fé assim forte você nessa época? Cara, eu era agnóstico. Tá, mas eu fui… e tive criação católica minha vida toda, uma família muito fervorosa, né? Eh… foi muitos também exemplos negativos na… sacerdotais que me afastaram da igreja. Eu acabei pulando no abismo do ateísmo. Depois, estudando filosofia… histó… Platão, Aristóteles, Sócrates… eu me reconciliei com a verdade e virei um agnóstico. Tem alguma coisa ali… é… tem… tem… tem uma verdade por trás, tem… tem alguns padrões pré-determinados, não dá para negar isso, entendeu, né? Como é que esse cara consegue descrever minha vida com tanta precisão? Eu li a Sêneca… eu ficava em choque. Você lê cartas do Sêneca lá sobre a fama… ah, quando eu li a carta da fama, parece que ele tirou um… um… uma pedrinha do meu castelo de cartas, e o castelo começou a cair. E o poder de síntese de que a gente falava, né? E ele faz… ele falava sobre amizade, duas páginas… é um negócio impressionante… é uma coisa assim fora de série. Quem não leu ainda, cartas de Sêneca, um, três, é essencial que leia. E esse processo todo foi um processo redentor, revelatório, já… coisa boa. E aí eu comecei a estudar teologia e filosofia com muito mais profundidade, né? Eh… durante muitos anos agnóstico, e estudei basicamente todas as grandes tradições filosóficas, inclusive as… as tradições filosóficas teológicas. E quando eu me aprofundei no budismo, eu me tornei budista durante um tempo… eh… eu senti que… eh… aquilo que eu tava ensinando, que eu tava aprendendo com… com o budismo e com o Buda, ele tava me dizendo… me reconciliando com Cristo. Então a minha reconciliação com Cristo foi mérito do Buda, na minha visão. Quem me reconciliou com Cristo foi o Buda. E é exatamente por isso que até hoje eu falo que Buda e Cristo são amigos, porque um aponta pro outro, um aponta pro outro. Porque se não fossem, ele não me reconciliar com Cristo. Uh-hum. O mérito da reconciliação que eu tive com Jesus Cristo foi do Buda. Foi a lógica cristã… a capacidade de razão perfeita, genialidade que me fez ver que o que o Cristo estava ensinando era totalmente correto, e aquilo que eu vi de corrupção era o homem na igreja, não era o Cristo. E aí eu consegui ver a diferença, discernir… aí sabedoria, discernimento… eu consegui ver a diferença entre Cristo, a verdade, e a igreja, né? E Cristo, a perfeição, e a igreja em busca da perfeição. E esse é um caminho infinito que nunca termina, né? Aí eu já tive esse primeiro grande paradoxo resolvido com uma rendição. Eu aprendi essa ferramenta: como que você resolve paradoxos na sua vida? Você precisa se render. Porque o que está fazendo o paradoxo se manter em atrito é a sua vontade de querer prevalecer ou um lado ou outro. No momento que você se rende, o paradoxo resolve. Enquanto você luta, o paradoxo persiste; existe sofrimento com a persistência da resistência. Não existe sofrimento quando você se rende. Enquanto você luta, enquanto você vai de encontro, existe um processo atrit… tuoso, que é o que gera o sofrimento. Sofrimento nasce, então, da expectativa… uh-hum… de resolução. A expectativa de que eu vou controlar o resultado num futuro breve ou longo… uh-hum. Isso é uma ilusão. Eu posso dar o meu melhor agora, eu controlei o resultado? Não tenho a menor ideia. O que eu posso fazer? Eu posso vigiar o meu comportamento agora, e eu nem tenho controle sobre meu comportamento, tenho influência. Isso significa que controle é uma… é algo muito superestimado. As pessoas acham que têm controle sobre coisas que não têm. Então eu tenho certa influência sobre o meu comportamento, de acordo com o nível de consciência que eu estou naquele momento. Quando eu tenho um alto nível de consciência em determinada área, eu tenho um alto nível de influência naquela área. Quando o meu nível de consciência é baixo naquela área, eu estou refém das pulsões. Quanto mais eu estou refém das pulsões, as pulsões… elas têm vetores direcionais únicos delas. Eu tô criando expectativa, por exemplo. A luxúria, a glutonaria, a ira, a vaidade são todos vetores afetivos… psíquicos que buscam um certo fim independente do meio. Os fins justificam os meios. Uh-hum. É isso que esses vetores ideo… afetivos são. A luxúria, a ganância, a vaidade, a ira são vetores ideo… afetivos onde o fim justifica o trilhar. Isso é falso. Isso é o que Maquiavel tentou explicar como funcionamento do político… pro político, fim justifica o meio. Só que, pro ser humano que busca santidade, o começo é o meio e o meio é o fim. Você não vai chegar no fim que você quer se você corromper a jornada no começo. Não tem como. Ou você adere a princípios imutáveis desde o começo. Isso é uma visão absolutista da… da vida, que são princípios que você não pode corromper. Se você relativizar, você se perde no começo, o fim nunca vai acontecer. Uh-hum.
Então você já tinha, por exemplo, todos esses valores ali, você tinha uma busca pela… pela verdade, você tinha esse… esse processo de descobrimento seu que já vem de muito… lado de trás, talvez por influência também da sua família, né? Das pessoas ao seu redor. Eu queria que você concluísse também. Então, desde que você saiu dessa parte da música… e aí você começou então na área aí de Filosofia, de teologia, e foi combinando os relacionamentos que é hoje o que você é reconhecido, né? Então você hoje se tornou famoso também, mas por falando de relações e tal. E eu queria te perguntar, cara, qual que é a importância, então, desses valores de você se relacionar com pessoas que partilham dos mesmos valores que você? A estabilidade mental é correlacionada diretamente com qualidade de vida. As pessoas falam muito sobre esse tema, né? Qualidade de vida, mas o que que é qualidade de vida verdadeiramente? É você ter estabilidade mental. E estabilidade mental é um fruto de domínio sensorial: a capacidade que eu tenho de não me perturbar pelo que eu vejo, pelo que eu sinto através do tato, pelo gosto das coisas, pelo que eu ouço, né? Durante muito tempo eu estava… eu meditava, por exemplo, treinando essa… essa econimia… essa imperturbabilidade, por exemplo, com a audição. Porque durante muito tempo eu fui músico. Então eu tinha um ouvido extremamente sensível. Eu meditava… eh… quando tava tendo uma obra com britadeira do lado da minha casa. Então assim, ó: “Tem que… vou fazer a meditação”. Tá, mas o que os caras estão fazendo? Tão quebrando brita na pedra do lado da minha casa. Que que eu vou fazer? Eu não vou mudar nada. A rotina é meditar, então eu vou sentar para meditar com o barulho. Isso não importa. Isso vai criando um estado de virtude, de imperturbabilidade, que você… naquele momento, principalmente… essa época que eu era budista… onde eu vou praticar aquela rotina independente, incondicionalmente do que aconteça ao redor. Não importa qual é o contexto, eu vou praticar esse estado de observação e de vigília. As virtudes todas compartilham isso, elas são incondicionais. Coragem: se você vê verdadeiramente tem domínio da coragem, você sempre vai usar da coragem frente ao momento que o medo aparece. Não dá para você falar assim: “Ah, eu sou corajoso às vezes”. Ou você é corajoso e você sabe o que a coragem é, que é agir apesar do medo, ou você é covarde, que você não tem domínio ainda da… da coragem. Então esse processo de desenvolvimento de virtudes foi algo que esteve em todos os momentos de nomenclaturas mentais. Então as nomenclaturas mentais mudavam o que eu estava fazendo, mas a prática vivente continuava. E isso é uma coisa que eu me especializei, como teólogo, que é… eu chamo de teologia ecumênica, onde eu tenho alunos de praticamente todas as religiões, né? E aí as pessoas falam assim: “Mas então você vai me tentar me converter para ser ecumênico também?” Falo: “Não. Eu, como professor, sou ecumênico. E ser ecumênico significa que eu reforço a fé que você escolheu para você. Se você escolheu ser católico, eu quero que você seja um católico melhor. Se você é protestante, eu quero que você seja um protestante melhor. Se você é um budista, eu quero que você seja um budista melhor. Não me cabe evangelizar ou dizer para você o que você tem que fazer, mas você precisa descobrir dentro da sua jornada de desenvolvimento de virtudes o que faz sentido para você”. E o segundo pilar é você desenvolver virtudes, porque o que conta não é o rótulo mental. É: “Eu estou me tornando imperturbável um pouquinho mais hoje do que eu fui ontem. Eu tô desenvolvendo mais domínio sensorial; a minha mente tá um pouquinho mais estável”. Porque se ela tiver… eu tenho qualidade de vida. E dessa qualidade de vida, desse… qualidade do vigiar que Jesus ensinou, nasce o discernir. Discernir é saber… isso significa que a porta da sabedoria é discernimento e estabilidade mental, que é domínio sensorial. Então essas são as três etapas da jornada de maturidade de todos os indivíduos no planeta Terra. Eu preciso primeiro dominar os sentidos; isso é moralidade. Todas as religiões ensinam moralidade. Por que que eles ensinam moralidade? Para você ter controle sobre os cinco sentidos externos que interagem com o mundo. Para quê? Para você partir para uma próxima etapa, que é o sexto sentido estável, que é a capacidade de razão. Porque enquanto você não desenvolver o domínio sobre os seus instintos, você é um animal, você é um bicho, você tá num estado de consciência bestial, se… animalesco. Uh-hum. A pessoa que trai, a pessoa que pratica glutonaria, a pessoa que pratica preguiça, a pessoa que pratica ira, ela tá no estado bestial, ela não tá sendo humana. Quando ela desenvolve razão, que é estabilidade mental, percebe que razão… usar de razão é suspender a emocionalidade. Eu só consigo ver algo com razão, e razão vem da matemática, de ver o denominador comum. Eu só consigo ver o denominador comum entre as situações quando eu não tenho a turbulência da emocionalidade. Para eu não ter a turbulência da emocionalidade, eu tenho que ter um autodomínio sensorial. Quanto mais eu pratico a racionalidade, que é essa capacidade de suspensão afetiva da minha vida, mas eu aprendo a discernir as situações e ver a verdade que está oculta por trás da percepção.
Faz sentido isso? Eu tô aqui pensando se… se seria uma total suspensão ou se seria uma… uma coexistência, porque eu tenho a impressão de que existem determinados momentos… me corrija se tiver falando bobeira… em que a gente apreende as coisas pelo sentido muito mais do que a nossa capacidade de racionalizar a respeito daquilo. E muitas vezes nós estamos certos, inclusive. Sabe aquele negócio de você encontra alguém, e aí aquele… se sente… aquele negócio… fala assim: “Tem alguma coisa ali que eu captei inconscientemente pelos meus sentidos, né? Pela visão, pelo tato… aquela mão… aquele aperto de mão… não gostei desse aperto de mão… alguma coisa estranha… o famoso ‘santo não bateu’”. Que não tá no nível racional, mas que muito provavelmente, no momento posterior, eu vou vir a corroborar, falar assim: “Ah, então os meus sentidos estavam certos sim”. Porque eu tô falando isso… eu não sei se seria uma suspensão dos sentidos ou talvez assim uma… não… não deixar que esses sentidos se sobreponham à minha própria humanidade, entendeu? Quer dizer, é que assim… as palavras elas são muito limitantes para explicar esse subjetivo que a gente tá tentando explicar. Eficiente de adequação, né? Quando eu falo suspensão emocional, afetiva… essa emocionalidade que pulsa em nós em certas situações… isso que você tá descrevendo tem muito mais a ver com uma capacidade de encontrar uma incongruência contextual. É como se você batesse o olho, e por causa da sua maturidade já desenvolvida… material afetivo, intelectual, espiritual… você sente o cheiro de peixe podre no ar. Se eu entro aqui… meio que intuir, sabe? Eu sinto que tem cheiro de peixe podre no ar. Eu não vi o peixe, eu não sei onde ele tá, mas eu sei que tem alguma coisa errada. Isso não é uma afetividade, uma emocionalidade; na verdade, isso é uma análise de discernimento, de incongruência de contexto. Isso, na verdade, é um fruto da maturidade. Porque se você pegar, por exemplo, eh… um criminoso, ele tem intuição também, só que a intuição dele tá totalmente direcionada para a performance do ato criminoso… uh-hum… pro mal… pro mal. Porque a aderência e a aliança dele é com outro sistema de valores, ou a ausência de sistema. É o cara fala assim, ó: “A polícia tá chegando, vamos embora”. “Não, mas ninguém escutou nada”. “Tá chegando”. “Tem certeza?” “É Homem-Aranha”, sabe? Então é… essa intuição, ela não é necessariamente uma coisa elevada, é só uma capacidade da nossa mente de perceber pedaços de elementos faltantes. A intuição é… é como se você percebesse que: “Ah, tem uma roda toda, e aí tem uma partezinha que tá faltante aqui… tem uma coisa errada… por que que não tá essa parte faltante?” Tipo, quando você tá… todos…
Nós temos crianças em casa, tá muito silêncio. Tem uma coisa errada, é isso. Quando tá muito silêncio, tem uma coisa errada. Tipo, não teve nenhum estímulo sensorial que gerou um afeto que te diz que tem algo errado. Você não ouviu seu filho gritar, você não ouviu um barulho ensurdecedor; você ouviu silêncio. E por você tá treinado com o contexto de criança dentro de casa, que o tempo todo quando eles estão fazendo algo, eles estão sinalizando, na hora que você fala: “opa, o sinal cessou”, busca. Porque tem uma coisa errada. Me lembrou muito, pô, agora vou esculhambar no, no, no argumento, entendeu? Mas você tava falando do, do bandido e tal, ele falou do C, me lembrou do Tropa de Elite 1, quando o baiano entendeu, chega no morro lá e fala: “Morro tá muito tranquilo, vai dar uma ronda aí para ver alguma coisa”. Aí tá muito tranquilo, tá muito esquisito, aí os sentidos dele…
Ô Lucas, deixa me permitir pedir licença para mudar o assunto bruscamente. Mas é porque eu queria abordar isso que eu acho que é a dor de muita gente que está aqui. A gente falou no começo do nosso papo a respeito dos, dos papéis femininos, dos papéis masculinos e de como essa inversão é deletéria pros relacionamentos e pras próprias pessoas também, né? Porque a gente se sente fragmentado de certa forma. Eu tive uma conversa difícil hoje, até falei assim: “Vou comentar isso com o Lucas, que eu acho que ele vai dar uma, uma, uma sacada boa a respeito disso”, com duas amigas, duas Julianas aqui na BP. E eu tenho uma filhinha de 4 meses. Para que eu esteja aqui neste momento, eu não estou com ela, e ela é muito novinha. Então, algo me diz que eu deveria estar com ela nesse momento, porque ela é muito pequena e eu estou trabalhando nesse momento. Então é aquele negócio, é, é antinatural, porque eu preciso ficar tirando leite, por exemplo, que é um leitinho que é para ela, é um negócio que sou antinatural. Só que, ao mesmo tempo, por mais que eu esteja numa busca franca e honesta – eu tô falando de mim, mas eu sei que eu tô falando das nossas ouvintes também, por isso que eu quero trazer, não quero transformar numa sessão de terapia particular – não, por mais que eu esteja numa busca honesta, honesta por essa energia feminina, por essa conexão com a feminilidade de fato, eu percebo que o mundo mudou tanto e mudou tão rápido e de uma maneira tão incisiva que, como hoje eu já estou no mercado de trabalho, se eu simplesmente falasse há muitos anos, se eu simplesmente falasse assim: “Vou tocar o terror aqui, não tô nem aí, entendeu? Vou lá cuidar da minha filha e o mundo que se ferre, e meu marido que sustente a casa”, coisa que eu acho que ele faria de bom grado se a gente tivesse uma conversa, mas eu acho que eu me sentiria também feliz. Então parece que é uma tensão – a gente falava dos paradoxos, né? – parece que é um paradoxo do: eu não estou 100% satisfeita de não estar do lado da minha filha, mas eu também não sei se eu ficaria 100% de não estar. E eu não sei se isso é culpa de quem queimou o sutiã, entendeu? Eu, inclusive, né, uma conversa paralela só sobre donas de casa, né? Exato. Donas do lar e maravilhosas, né? A Taís, Taísa, Renatinha e a Vitória Maciel, foi uma conversa maravilhosa. Então não sei se eu tenho quem culpar de falar assim: “É culpa delas que queimaram o sutiã”, ou se isso é um, um conflito inerente à existência humana, entendeu? Se não fosse esse drama, seria outro. O que que você acha?
Você concluiu muito bem, que é assim: o sofrimento é inerente à existência humana. Jesus não veio aqui para falar pra gente que nós não vamos sofrer; ele veio aqui para ensinar como que a gente lida com o sofrer. Tá, o que tá acontecendo dentro da, da, do seu processo psíquico afetivo é que você tem um arquétipo maternal extremamente energizado, que todas as mulheres têm. Quando você ativa isso, sendo mãe, gestando uma vida e pegando seu bebê no colo, ele fica num nível energizado máximo, e você sente o que é ser mãe, tá? Quando você tem outros arquétipos energizados também, por exemplo, como empresária, como profissional, como apresentadora, como jornalista, qualquer atuação sua, essa concorrência típica entre – é a função maternal e a função performance profissional – a tendência… Esse arquétipo é muito menos energizado historicamente, não na vida da Lara, mas historicamente como sociedade humana, como ser humano nos genes, como é, como processo civilizatório humano, desde que a gente estava em caverna nômade até a idade contemporânea. Essa concorrência dentro da psique feminina, porque você tem uma âncora biológica feminina, você nasceu com corpo de mulher, ela é, é uma disputa. Como se você tivesse uma luta com Davi e Golias, mesmo. Uhum. Tá sendo que o arquétipo maternal é Golias. Uhum. Sempre venceu, e sempre… Aí o que você tá tentando fazer assim, tipo: “Isso aqui é muito importante para mim, e eu vou dar uma de Davi”. Aham. Vou dar de louca, só que você vai ter que acertar a pedra na testa, entendeu? Aqui desse arquétipo. E eu também não sei se eu quero, né? Entendeu? Então é, é uma, é uma briga que parece que você perde em todas as situações. Exato. Tá, então o, a resolução dessa situação é você pensar no seguinte: “O que que eu posso fazer para garantir o máximo de bem-estar e de acolhimento para minha filha quando eu não estou com ela, né?” Eh, e aí entra várias coisas, por exemplo, você conversar com o seu marido para ele atuar como provedor, para você poder trabalhar, mas não ter que trabalhar. Isso é uma coisa que eu ensino para todos os meus alunos: homens, trabalhem a ponto de você, você poder dar a opção de liberdade da sua esposa, não ter que trabalhar. Porque a mulher, ela performa muito bem quando ela tá trabalhando feliz, só que no momento que ela passa 1, 2, 3 anos trabalhando porque ela tem que… Ela envelhece muito mais rápido. Verdade. Parênteses: já foi do jeito errado, do jeito ruim, e hoje é assim o trabalho, porque eu escolhi, é outra, outro rendimento, é outra vida. Fecha parênteses. Teorias comprovam. Exato, exato. Por a, porque o estado de estresse que uma mulher que tem que trabalhar entra não é compatível com a natureza do corpo feminino. A natureza do corpo feminino é para trabalhar em níveis de estresse baixo diariamente, em momentos agudos, estresse alto, por exemplo, parto. Parto foi normal, ainda por cima, altíssimo. Meu filho fez uma cagada e tá correndo risco de, de morte, e eu tenho que fazer um negócio tipo heróico e tirar ele da situação de perigo. Isso é clássico de mãe. Tá, exatamente. Por, por isso que tem hierarquia: o marido protege a esposa, a esposa protege os filhos, e quem protege o marido, Deus. Uhum. Tá, então o que acontece aí dentro dessa situação é: tá, eu vou falar com meu marido para ter esse acordo, eu vou pensar em ela ter uma rotina ou ter uma babá que é muito amorosa, que é muito cuidadosa. E o mais importante: quando você tá com a sua filha, você tá de verdade com ela. Porque tempo de qualidade ganha de quantidade de tempo. A qualidade do tempo ganha da quantidade de tempo. Isso significa que, mesmo que você seja uma mulher de negócio, que você trabalhe, que você tem uma carreira, quando você tá com a sua filha, você verdadeiramente tá com ela. Ela sente essa disponibilidade sua para sempre, e ela leva isso, porque a qualidade do seu amor é transmitida para ela, ela sabe o quanto você a ama, mesmo que você visse ela tipo um dia na semana, porque a intensidade do seu amar quando você tá com ela é plena. Aí não sei se eu concordo tanto com isso, mas também eu não sei explicar, entendeu? Essa coisa que você só sente assim, parece que… Eu acho que eu tenho que ficar muito com ela, é minha filha. Arquétipo, arquétipo maternal. E aí o arquétipo maternal é: eu vou, vou ficar com meu filho o máximo de tempo possível até ele sair de casa. Um problema oposto a isso: mulheres que têm a oportunidade de cuidar dos seus filhos desde do nascimento até a idade madura, eu, eu falo, e aí às vezes tem maridos que são muito lenientes ou não têm a postura masculina certa… É da, é da natureza da mãe não querer que os filhos se tornem adultos. Uhum. É da natureza do arquétipo maternal, tipo assim: “Meu bebezinho de 40 anos”. 40 anos, e o filho adota aquilo porque é o normal dele. Ele tá 40 anos ouvindo que ele é o bebezinho da mamãe, continua sendo o bebezinho da mamãe. E a mãe… Os 40 anos da infância de um homem são os mais difíceis. Mas, mas só para trazer agora para, pensando no nosso ouvinte masculino nesse momento… Essa é a atenção existencial, eu acredito, da maior parte da nossa audiência. Qual é a maior tensão feminina? Qual seria hoje a maior tensão existencial masculina? Eu acho que, como muitas mulheres estão ocupando espaços masculinos também, o, o dilema existencial do homem hoje é descobrir para que que eu sirvo. Os homens, eles estão lidando com uma situação de: “Porque que eu sirvo?” E as próprias narrativas progressistas, que seja elas, falam: “Homem não serve para nada, é homem precisa nem pagar a conta”. Mas preciso nem pagar a conta. Eu pago a minha, a minha conta, entendeu? A mulher que tá embrutecida e faz questão de exercer esse papel de provedora, ela, ela quer inutilizar o homem de certa maneira, tá? Só que nós fomos construídos ao longo das eras, milhões de anos de homo sapiens e de hominídeos, onde a gente tem uma psique extremamente complementar. Tá, tá. Então é uma coisa… Ah, eu consigo não precisar de homem? Sim, você não consegue, só que o problema é que você quer, né? E cara, eu já derrubei argumento de feminista chegando para mim e falar assim: “Mas eu não preciso de macho”. Eu sei que você não precisa, só que o problema é que você quer, cara. Isso é muito incrível. Tem uma, uma conhecida minha, cara, ela é muito bem-sucedida, mora sozinha e tal, não sei quantas vezes quando a gente conversa e ela chega para mim e fala: “Pô, Artur, eu trocaria essa porcaria toda, trocaria esse… entendeu? Cara, um marido, quero cuidar dos meus filhos, quero aquele que trabalha, não quero mais ficar em rede social, entendeu? Quero cuidar dos meus filhos, pro meio do mato, criar umas galinhas”, entendeu? E tipo assim, cara, ela tem tudo, assim, uma pessoa incrível, inteligentíssima, assim… Ela falou: “Cara, não quero nada dessa”, entendeu? “Eu quero tipo… D, minha dul, de criança, umas galinhas, vou pro meio do mato”, entendeu? Olha isso aqui, o arquétipo falando a verdade. Arquétipo vai falar a verdade, e é muito louco porque poucas pessoas vão ter a oportunidade de alcançar um nível de sucesso para sentir que o sucesso não trouxe serenidade, tá? Porque mesmo o homem que enriquece, ele enriquece por um propósito. O cara que enriquece, por exemplo, solteiro, ele, ele se, ele tende a se desvirtuar porque ele fala assim: “Tá, mas eu tenho tudo essa grana para quê?” Aham. E aí ele, ele, ele começa a gastar impulsões bestiais que ele ainda tem, ele vai se degenerando, e tem uma hora que ele torra todo o dinheiro dele. É o cara lá que ganhou na loteria no, na Inglaterra, 9 milhões de libras esterlinas, ele gastou tudo com, com álcool, drogas, prostituição e festa e viagem em seis anos. Ele voltou a ser lenhador e trabalha 12 horas por dia. Isso tava nas manchetes essa semana. Que loucura, não vi isso não. E aí ele fala: “Não me arrependo de nada, faria tudo de novo”. Isso é a mentalidade de um cara solteiro que não amadureceu. Aham. O cara ganhou 9 milhões de libras esterlinas ou dezenas de milhões de reais, e o, o cara torrou tudo com festa, e ele não se arrepende e faria de novo. É totalmente despropositado. Exatamente por isso, eu vejo, ele tem que trabalhar 12 horas agora, 12 horas para se sustentar. É uma loucura. Então o que a gente vê é: qual é o propósito, né? Normalmente o propósito da mulher, do feminino, está em ter um lar de qualidade. A energia feminina está vinculada com o lar. A energia que manda no lar é a energia feminina. A energia do mundo é energia masculina. Não importa qual a luta que a, que grupos identitários façam, nunca vai mudar o fato de que a energia do mundo é masculina, uma energia de combate. Porque no momento, vamos dizer que eles consigam implantar um regime igualitário, matriarcal, derrubaram o patriarcado e agora é um matriarcado, né? E aí o que acontece no momento que eles estabeleceram esse matriarcado de não violência, todo mundo eh, respeita os sentimentos de todo mundo, é como se fosse uma grande família. Aquele país do lado vizinho que é militar, ainda patriarcado, invade e conquista isso. Uhum. U, a gente tá vendo o mundo árabe, tá acontecendo exatamente isso com o, o presidente hoje. O presidente tá perdendo espaço. Ex, ex. Por isso que eu falo a metáfora: a matriarca, ela é um jardim, ela tem que emanar beleza, mas ela precisa do patriarca, que é um muro em volta. Sem o jardim, esse muro é devastado, e o muro sem jardim não tem propósito, que é o caso do cara que ganha na, na loteria e simplesmente torra tudo, porque ele não tem por que guardar, ele não tem porque viver por aquele dinheiro ou, ou gerenciar esse patrimônio, né? Essa cooperação é a, é a importância do muro para ninguém invadir e a importância do jardim, porque senão o muro não serve para nada. É o muro protege o quê? Algo de valor, não é um deserto que tá lá dentro. Então o muro não serve para nada. O jardim sem o muro vai ser destruído, porque a beleza atrai a destruição. Outro paradoxo. Por que a gente vê tantos atos criminosos, por exemplo, em vandalismo de arte? Porque o belo atrai a destruição. Porque que a gente vê esses casos, por exemplo, de, como ficou esse última pedofilia… É muito difícil a gente que não estuda a mente humana entender como é que funciona, por exemplo, a cabeça de um psicopata ou, por exemplo, num pedófilo. O que ele quer é que… Na hora que você tem o belo, você tem que ter camadas de proteção ao redor do belo. A função da matriarca, do feminino no planeta, é proteger e gestar o belo e gerir o belo, que é pegar algo menor e transformar em algo maior. Por exemplo, o marido traz o salário para casa, ela transforma num lar, ela transforma a educação dos filhos, ela transforma em momentos de prazer e de lazer e de cultura, educação. A função do marido é proteger aquela unidade familiar para que nada gere uma instabilidade externa. Essa parceria de cooperação é arquetípica, a parceria de maior sucesso da história humana. Então, mesmo que temporariamente ataquem isso, a homeostase da nossa civilização vai tender a voltar ao pêndulo de novo para aquilo que funciona. Se a gente tá vendo um movimento de renascimento, a própria BP é um, é, é algo assim, a gente tá tendo um renascimento moderno. Era só olhar para as famílias antigas, né? O próprio Rafa Nelli também comenta bastante sobre isso, a gente trouxe ele aqui. Cara, famílias que se perpetuaram ao redor do, ao longo do tempo, entendeu? Se antes, cara, os meus avós fizeram bodas de ouro, pô, 50 anos de casados, hoje em dia você não vê mais isso. Exatamente, entendeu? Morreram juntos, uns dois assim, sabe? Era muito mais a regra do que a exceção. Nessa época você via muito mais casais, como regra, como padrão, ficarem juntos a vida inteira, independente das turbulências, do que o que a gente tem hoje como uma modernidade. Tinham seus problemas, tiveram seus filhos, criaram seus filhos, tiveram um monte de problema também, mas é, mas estavam juntos, tava junto, lutando contra as adversidades para fazer aquela, aquela parceria funcionar, né? Só que o que a gente tem hoje é essa relativização: a pessoa separa porque ela não se sente bem mais. Uhum. Ela, ela decide se divorciar ou se separar para uma decisão afetiva. É o império dos sentidos, é o império dos sentidos, é o império dos estéricos. Hoje o que a gente tem no, no mundo é um, um decréscimo da racionalidade, da razão, e um, um aumento da emocionalidade. U, o que a gente tem nessas ideologias nefastas é uma idolatria ao emocionalismo. Hum. E falando em emocionalismo, a gente percebe também… Bom, a maioria das mulheres no mundo moderno hoje foram vendidas… Foi vendido aquele discurso feminista de: “Ah, você pode ser o que você quiser, e amor livre e relações abertas e tudo isso”. Aí a pessoa não constrói uma família, ali chega na casa dos 30 e poucos anos, relógio biológico, capital, janela de fertilidade ali, urgência, aí fica na loucura para arrumar o marido para ter um filho, para, para correr, e aí estrambelhados… [Música] E você tem os grandes financiadores dessas ideologias, né, de, de progresso e de fluidez na sociedade, porque isso é um moderno e tudo mais. Só que esse modernismo não entra na família deles. Sim, a família deles é extremamente tradicional e estruturada. Cada um sabe o seu papel. Uhum. E ai de você se você tentar sair do seu papel. Só que na minha família ninguém mexe. Mas a gente mexe na família dos outros. Uhum. Porque daí o que você faz, você garante uma hegemonia de, de, de familiar. Aham. É esses herdeiros, essas famílias… É destruir para conquistar, né? Exatamente. Junto, su…
O Lucas, já que a gente tá falando de relacionamento dos avós, do, do, do Artur e tudo mais, se alguém chegasse para você hoje assim, caído de paraquedas, não te acompanha, não, não tá nessa sua vibe, nessa sua energia de arquétipos e tudo mais, fala assim: “Lucas, para que casar? Que que eu vou casar hoje? Qual que é o sentido de casar hoje se eu posso ter quem eu quiser, a hora que eu quiser, do jeito que eu quiser?” Negociar de casar, construir família, é pr caramba, né? É, é. E casar, e mesmo que você goste de alguém, por que não só juntar? Por que que já não pega a escova de dente e junta a gente? Eu tenho que devolver com uma pergunta pra pessoa, pra gente definir o contexto, que é o seguinte: você quer viver uma vida eh, buscando prazer, ou você quer ser uma pessoa melhor no seu último dia de vida? E você olhar para trás, você não tem arrependimentos, porque você está morrendo uma pessoa melhor do que você foi em todos os outros momentos anteriores, né? Porque se você… Se a pessoa chegar e falar assim: “Eu quero viver por prazer, eu quero viver numa ideologia…”, eu ia falar assim: “Cara, ah, sai, se joga no mundão e se afunda”. Só que eu te garanto uma coisa: o, o, a, o último quilômetro dessa estrada é um abismo existencial, depressivo, suicida. Uhum. Tá, isso já foi provado por inúmeros, até grandes intelectuais, por exemplo, como Nietzsche, onde a gente vê o processo todo de questionamento do, do, da crença de Deus. Da, da, da constatação e afirmação que ali nasce a idade moderna, que Deus morreu, né? Quando ele é o, o antropocentrismo se formalizou foi na constatação do, do, do super-homem do Nietzsche, falando assim: “Deus tá morto, Deus morreu, Deus não existe mais na cabeça dos humanos do planeta hoje”. E ele nem tava falando aquilo como uma propaganda eh, para ser, para, para ser viralizada, ele tava fazendo uma constatação filosófica de qual era o retrato da sociedade naquele momento, no começo do século XX, final do século XIX, começo do século XX. Deus está tá morto. Só que o problema é o que nós vamos colocar no lugar. Uhum. E o que a gente tá vendo na história do século XX, agora século XXI, é que todas as tentativas de colocação de coisas no lugar de Deus são extremamente fracassadas. Então o tempo todo o que a gente vê eh, nessas ideologias nefastas é que é como se fosse uma hidra: você corta a cabeça, nasce outras duas. Você corta a cabeça, nasce outras duas. Na verdade, a cabeça uma come a outra, porque se você colocar esses, esses grupos ideários para, para debaterem, se bobear, eles próprios se matam. Com certeza. Não, o próprio movimento feminista com o movimento LGBT, eles parecem que estão do mesmo lado, mas eles se odeiam profundamente. Negro, aí os outros, os negros que… Aí quem é mais negro, quem acumula mais minorias, né? Que loucura. Desculpa, te interrompi. Mas e aí as, a hidra, esse processo todo é, é como se a, a, a mítica na Odisseia, hidra, onde você corta a cabeça e nasce outras duas, né, né? E aí qual que é o processo de você lidar também como na passagem da Medusa, que você não olha pro inimigo, você deixa o próprio reflexo do inimigo petrificar ele mesmo. O, o, o processo na Medusa é o mal olhando para o próprio mal e se paralisa e se petrifica pela, por ver o que é. Então a gente tem dentro desse processo todo da Odisseia, narrativas mitopoéticas que o professor Olavo gostava muito e fala assim: “Qual que é a narrativa mitopoética que vai prevalecer?” A que prevalece há 2000 anos é a narrativa mitopoética do Cristo ressuscitado. Essa narrativa é mais forte, não, não tem nenhuma alternativa nem próxima do nível de poder que tem essa narrativa. Por quê? Porque todos nós, lá no fundo, nós ansiamos por ser heróis. A gente tem dentro de nós praticar um ato heróico, e o ato heróico é o ato de sacrifício máximo. Isso é o ato heroico. Isso tá dentro de nós, é como se fosse um, um programa base, né? Isso é exatamente por causa desse ato heroico, dessa predisposição ao ato heroico, ao arquétipo do transcendente, como o Jung chamou, que nós estamos dispostos a morrer pelos nossos filhos sem nem pensar. No momento que eu vejo algo, se tiver que escolher entre a vida do meu filho e a minha vida, eu dou a minha vida sem pensar. Isso é, é um exemplo de sacrifício máximo dentro do ato heroico no paradigma físico, afetivo, talvez intelectual, só que no nível espiritual. Qual que é o grande ato heroico que a gente pode empreender? A busca pela santidade. E dentro desse grande ato heróico arquetípico da busca pela santidade, o casamento é uma das ferramentas mais poderosas que existe. Porque eu não caso para ser feliz, eu caso para alcançar a santidade. Hum. E é exatamente por isso que a gente deve casar, não é porque a minha esposa vai me fazer feliz todos os dias da minha vida ou porque o meu marido vai me fazer feliz todos os dias da minha vida. Eu vou casar porque vai ser difícil, porque uma mentalidade masculina é o oposto e complementar da mentalidade feminina. Tipo, vai ter treta, entende? Que vai ter treta até o último dia. Uhum. E a gente vai fazer de tudo para minimizar esses atritos, e a gente vai encontrar uma solução dentro desse, desse aparente, porque eu vejo de um jeito, você vê de outro, mas aquele, aquele, aquele meme daquele desenho, tem desenhado tipo um, um, um, um símbolo no chão que é um seis, e aí tem um de um lado falando assim: “Isso aqui é um seis”. Aí tem um outro do outro lado falando: “Isso aqui é um nove”. Quem é que tá certo? Os dois. Só que eles não conseguem ver por causa da, da ilusão de não ver o eu, de não ver o eu do outro, entender? Não, ele tá falando que é nove porque ele tá vendo de uma outra perspectiva, que é exatamente a mesma que a minha, só que ele tá vendo numa outra ótica. Então o casamento é isso: quem é que tá certo, marido ou a esposa? Os dois. Só que ele está certo dentro desse contexto, com essa ótica, e ela está certo dentro desse, esse contexto, dessa ótica. Quando você junta os dois e cria sinergia, aí você não tem mais casamento, você tem matrimônio, que aí você, você tem a frutificação da família, dos filhos, da prosperidade patrimonial, porque a gente tem… Matrimônio é uma instituição construída para proteger a matriarca. Matrimônio vem de matriarca. Uhum. E o patrimônio vem de patriarca. Essas instituições são extensões da matriarca e do patriarca. Aham. É por isso que o casamento é tão desejado na… Que é feminina. São, são metonímias, né? Pula, pula de uma coisa para outra. Sensacional, isso, maravilhoso. Ex, muito interessante. Nossa, eu tava com uma pergunta, só que eu viajei nessa. Agora ela foi muito boa, mas eu tava com… Pergunta… Se vocês deixarem eu falar vai ter essas viagens. Não, pera aí, calma, deixar… Ah, lembrei, lembrei. Era… Eu tava… Você tá falando desse negócio de a santidade acabar te levando para Deus inexoravelmente, né, sem que isso tenha escapatória. E eu terminei de ler agora As Confissões de Tolstoi, eu tô muito impressionada. Sabe, quando toda hora que eu tenho um minuto vago, aquilo vem à minha cabeça, porque ele, ele… E eu nem li toda a obra de Tolstoi, nada disso, mas assim… Conhecer aquele homem naqueles últimos minutos, ele falando assim, que… E tem tudo a ver com o que você falou, que ele, primeiro ele acreditava piamente no autoaperfeiçoamento, essa era a doutrina dele, a doutrina das virtudes, do autoaperfeiçoamento, só que ele passou por um, um processo muito eficaz de demolir a imagem de Deus na cabeça dele, a ideia do Übermensch. E aí cedeu à, à ideologia de, de colocar um homem no centro, aí começou a viver pelo prazer, viveu anos e anos no prazer, no prazer…
No prazer desse jeito. Quando ele deu por si, ele já tinha quase uns 50 anos. Ele se casou, teve filhos, apaixonou pela ideia da família, apaixonou pela ideia do sacrifício, voltou à ideia do do do aperfeiçoamento. Só que ele já era ateu, então era assim o grande Dilema do fim da vida de Tsoi: foi “eu estou me aperfeiçoando para quê? Sim, tá, eu tô sendo melhor para quê? Perfeito, mas eu quero ser melhor, eu quero as virual ali, né, de reconhecer algo que você não consegue conceber assim na sua inteireza, você só consegue aceitar. É é é aqui a Essência com o paradoxo, né, da qual você falava aqui anteriormente”.
E aí, por fim, ele se rende, ele se rende à ideia: tipo, “é, acho que essa minha essa minha ânsia por ser heroico, por ser melhor, tá me apontando para um lugar. Não tem jeito, exatamente a imagem, semelhança de Deus. Esse ato heroico, né, a a a a potência e o Ato da criação, eh, tá inerente dentro de nós também. Nós, na nossa grandeza, a gente quer criar como se a gente fosse filho de Deus. Então existe inerentemente essa sede, talvez até uma Car Nisso, porque você viu na hora que ele teve a experiência redenta de experienciar a família, ele se converteu automaticamente. Não teve um processo de convencimento de que a família é uma coisa melhor, frutos assim, não precisa, não foi nada teórico; ele sentiu o fruto da família, falou: “eu quero isso, eu quero isso”, e a plenitude de viver por Deus é isso. Quando você sente, mesmo que seja um um um um pequeno relance da experiência de Deus na sua vida, é como se você falar: “ass, eu preciso voltar para esse espaço urgentemente”.
Uhum. E uma coisa que eu tenho falado bastante em várias entrevistas é que a gente fala do ateu, eh, e a gente não fala muito do agnóstico. E tem tecnicamente uma diferença muito evidente entre o ateu e o agnóstico. Muitas pessoas se dizem ateus, mas elas não são ateus, elas são agnósticas. Por quê? Porque o ateu verdadeiro ele não tem freio moral, porque ele é um materialista pleno. Isso significa que não vai ter vida após isso. Isso significa que eu tenho justificativa total para buscar a maximização da minha experiência de vida agora, provavelmente a maximização do meu prazer e a fuga da dor, tá. Então, nada tem sentido. Então, se nada tem sentido, então eu vou buscar o que eu quero. É tipo a gente em sonho, em sonho é meio assim, sabe? Quando você tá sonhando e descobre que tá sonhando: “gente, tô sonhando, posso fazer o que eu quiser”, aí você pula de um prédio e voa, sabe? É tipo isso, que lá, pelo menos você tem o resultado da sua ação fantasiosa, você tem total controle ali da da da da ilusão que você tá criando para você. Mas o o ateu, ele cria essa esse estado ilusório de: “não tem consequência sobre os meus atos. Então posso agir como eu quiser, eu não preciso ter freios morais”. O ateu, tecnicamente, não tem respaldo intelectual e lógico para ter freios morais. Só que você vê muitas pessoas falam: “Ah, eu sou ateu”. Tá, mas como é que você trata as pessoas da sua família? “Não, eu trato elas bem, eu sou gentil, eu cumpro meu horário no trabalho, eu busco ser verdadeiro”. Você fala assim: “Mas qual que é a fundamentação lógica, já que você é um ateu, só tem a vida, e você tá tratando os outros bem, por quê? Porque seria muito melhor você passar por cima do outro e pegar o que você quer”. Você fala assim: “Não, porque não é o certo”. Aí você vai ver que muitos ateus, eles agem de maneira correta por uma certa convenção ou por uma certa compreensão também da lei de ouro, do Evangelho de Lucas, onde eu trato o outro como eu quero ser tratado. E isso é a diferença entre um ateu e um agnóstico: a pessoa que tem freios morais, mesmo que sejam convencionados, ele é um agnóstico, mesmo que ele fala: “ah, eu não acredito nessa ideia de Deus, esse Deus que tá sentado num trono de barba branca com um cajado na mão e um raio na outra, e que se você acerta ele te dá palminhas e um vento favorável, e se você r solta um raio. Isso não é Deus, isso é Zeus, né? Esse essa pessoa que tem freios morais, ela é um agnóstico, porque ela tem parâmetros pelo que ela vive a vida dela, ela só não gosta da experiência intelectual de falar desses símbolos que foram classicamente atribuídos a Deus.
E aí, quando a gente percebe que na verdade isso é uma vaidade também: “ah, eu não consigo reconhecer que para isso ter acontecido… tipo matemáticos, físicos quânticos falando a probabilidade disso ter acontecido como aconteceu é zero. Só que aconteceu”. Uhum. “E como é que a gente explica isso?” Nós estamos falando de cientistas falando assim: “a gente não tem uma explicação, porque precisa explicar? Talvez nem precise. É porque eles não querem entrar no onde explica, então eles vão até a beirada, eles falam assim: ‘a gente não tem explicação’, né?” E aí: “Ah, tudo bem, então você é um cientista respeitado. Agora, se você chega e falar assim: ‘é óbvio que é Deus’… quantos cientistas cristãos… exato, antes era mais, inclusive, é até… a gente tem século XVI, século X, século X era muito mais comum pessoas que devotavam a vida delas pra razão, elas falaram assim: ‘ó, a razão vai até aqui, depois desse limite, o inexplicável, o inefável, o não manifesto, é óbvio que é Deus. Existe uma inteligência muito superior, porque isso aqui não tem como encaixar do jeito que encaixa, é impossível’”. Estamos falando de pessoas extremamente intelectuais, extremamente estudadas, extremamente fundamentadas em todas as ciências humanas. Aí a gente tem hoje um monte de gente que acabou de sair do colegial querendo dizer como é que o mundo funciona. É se o professor Olavo como como e aquele livro: “Como é que Emil juvenil aquele antigo? É isso, é como não parecer um idiota”. Não lembro do… ah, eh… “O que você precisa saber para não ser um idiota”. Isso exatamente, as pessoas… ele falava, ele falava muito isso: “você precisa viver algumas boas décadas, o mínimo, o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, não ser um idiota, você precisa viver algumas boas décadas sem saber, só observando a vida e vivendo a vida para você começar a ter algumas opiniões sobre certas situações”. E o que a gente vê hoje na sociedade moderna é o contrário: a pessoa mora ainda na casa dos pais, ela não se sustenta, ela não… ela quer ser o Felipe Neto, ter opinião sobre tudo, e ela tem respostas que não é nem opinião para ela, mas são as respostas absolutas para qualquer tipo de problema. “Como é que resolve a guerra da Rússia com a Ucrânia? Não tem que fazer isso”. Ela leu tudo a respeito? Onde você leu? Conflito… isso… você sabe o que que me deixa mais estarrecida é que você pega quem é tido como intelectual, véi, hoje tava vendo entrevista de Shon esse tempo atrás, que é tido como uns grandes intelectuais, ele perguntaram para ele assim: “qual que você acha que é a resposta do mundo meio que isso a pergunta?”, ele falou assim: “a resposta está nos jovens, tipo assim, Greta Thunberg, etc”. Falei: “mano, essa é sua resposta? Sua resposta está nos jovens, porque eles sabem o que que tem que fazer. Escutem os jovens, o que a Greta disser, façam”. Que é isso aí mesmo? Meu Deus! Às vezes eu agradeço o Chorão naquela música lá: “é o jovem no Brasil não é levado a sério”. Eu falei: “ainda bem”.
Muito bom, ô ô Lucas, com relação às redes sociais, né? Você hoje usa as suas redes sociais e faz muito bem pras pessoas, você orienta as pessoas, e e as pessoas sorvem daquilo muito bem. Me dói o coração, eu fico muito feliz quando eu olho, penso assim: “caraca, ele tem mais de 2 milhões de seguidores”. Aí depois eu olho, sei lá, uma Anitta da vida que tem 300 zilhões de seguidores, eu falo: “é, a gente ainda tem muito que caminhar”, sabe? Então as esferas de interesse e ainda pendem aquele lado dentro das redes sociais hoje. Você acha que esse essa ultra exposição das pessoas que acaba alimentando a vaidade, né, evidentemente, quando não é feita de maneira refreada, como você disse anteriormente, essa ultra exposição, essa atenção fragmentada nos prejudica demais? Você que além da experiência teórica tem a prática também, porque você mesmo está ali, você acha que piora muito ou não? Ou a gente pode usar isso comedidamente? O que que você sugeriria para quem tá tá nos ouvindo, tá nessa hoje? Eh, a mente, ela ela muda de de estabilidade baseado nos exemplos que ela sorve. É como se fosse um processo osmótico, onde ela absorve aquilo que tá mais próximo dela, que tem uma densidade de luz maior. O que que eu tô querendo dizer com isso: que uma elite altamente consciente tem o potencial de mudar multidões, tá? Então isso aqui não é só uma uma interpretação lógica, teológica ou filosófica, mas tem muitos estudos científicos, por exemplo, em 1999, na cidade de Washington, você teve um grupo de 4.000 meditadores que meditaram durante, acho que 90 dias, se eu não me engano, e o índice de criminalidade em Washington caiu 28%, tá? Esse experimento foi feito em vários outros locais de meditação com números variados, e a gente eh percebeu que a população de meditadores era 0,7 da população de Washington na época, se eu não me engano, era 500 e e 50.000 pessoas morando em Washington, você tinha 4.000 pessoas meditando com intenções espirituais, devocionais a Deus. E essas pessoas, nada mais foi feito, nenhuma política pública, não teve nenhuma mudança nesse período, o índice de criminalidade caiu 28%. Como é que você consegue explicar esse tipo de situação? Porque aquela concentração, aquela egrégora, aquele mastermind ou aquela mente mestra que foi unificada por aqueles praticantes altamente conscientes, e como que a arrasta as pessoas por gravidade para comportamentos menos reativos e bestiais. Isso significa que um líder altamente maduro influencia multidões. Então o que conta pra gente não é o que a maioria está fazendo, mas o que os expoentes estão fazendo. Porque toda a mudança social aconteceu por causa de movimentos de poucos indivíduos, tanto pro bom quanto pro ruim. Uhum. Tá, a gente vive uma sociedade influenciada pelo exemplo de um ser humano que foi Jesus Cristo. Hum. Uhum. E aí mais 12 apóstolos, sendo que um traiu, então teve os outros 11 que estavam trabalhando, outros se converteram depois, como Saulo e virou São Paulo, né? Mas a gente tem um processo onde você pode falar que o mundo foi forjado em cima de 12, 13 pessoas, uhum, do que essas pessoas compreendiam como verdade, e esse processo todo ao longo de dois milênios aconteceu por quê? Por causa da densidade de luz daquele evento catártico coletivo, o que Cristo trouxe, que nunca tinha tido antes e nunca aconteceu na mente humana, foi uma como se fosse uma explosão de luz, é um caminho que estava fechado antes de Cristo, e Cristo abriu esse caminho após a sua vinda dentro do da sua narrativa arquetípica, mitopoética de se sacrificar, sendo mais inocente dos seres humanos, ao mesmo tempo mais poderoso dos seres humanos, e dentro desse processo de sacrifício do mais inocente de todos, muitos erros e muitos pecados foram pagos, e é como se a gente tivesse uma filtragem do esgoto da humanidade, que é o inconsciente coletivo, o nosso esgoto ficou um pouquinho menos podre depois de Jesus Cristo, e a gente consegue alcançar altitudes e alturas mais altas por causa desse advento, por causa desse exemplo que a gente não conseguia antes também, né? E cada vez que você tem um santo nascendo ou se manifestando, na verdade, porque é uma manifestação de Deus através de uma pessoa, é Deus se manifestando através desse santo, é o que caracteriza a santidade, ele influencia multidões de maneira anônima. Então não me importa quanto uma influenciadora tente seguidores, porque tem uma equivalência de santos aparecendo anonimamente, neutralizando esses efeitos todos daqueles que estão prontos para serem neutralizados.
Faz sentido? Sim. A pessoa, ela ela ela se deixa seduzir por aquele estímulo explícito de vulgaridade, e ela toma uma decisão no no começo, só que ela essa é uma das últimas decisões que ela toma, porque na hora que ela abriu mão da liberdade dela para servir aquela aquele estímulo vulgar, ela se torna escrava. E aí é muito difícil o processo de redenção, de de retorno dela, porque ela abriu mão da liberdade dela. É por isso mesmo que fala que eh Lucifer tá recrutando pessoas o tempo inteiro e e roubando as almas delas. Por isso que falam também da a pessoa vendeu sua alma, gravadora, tem toda aquela o aquela simbólica também, né? Porque o cara começa… tu vê um monte de artistas aí… exato, que pô, o cara começou, ele parecia um cantor gospel no início, e aí do nada o cara tá com um chif, vestido de demônio, de não sei o quê, e virou não binário e não sei das quanto e mudou de gên… isso é extremamente comum. Tem um processo doutrinário pra pessoa se escravizar no momento que ela consegue certa influência e certa fama para para tentar contrabalancear os exemplos sentí salvíficos dos Santos anônimos. Porque assim, apesar de todas esses esforços do mal para tentar comandar as pessoas no planeta, você tem o tempo todo renascimentos acontecendo, né? E aí a gente vê que principalmente os valores cristãos, eles mais prosperaram nos momentos onde eles foram atacados. O mal não compreende isso, que quando você ataca os valores cristãos, Cristo cresce. Essa narrativa mitopoética que não foi entendida dentro da da experiência de Cristo é assim, ó: fizeram tudo que podiam para derrubar ele, o que aconteceu? E ressuscitou. Tipo assim: “faz o seu pior, porque se você fizer o seu pior, o que vai acontecer é um florescimento, um renascimento dos valores cristãos na sociedade”. O problema é quando as coisas estão andando de lado e estão mornas, que é o que tava acontecendo, por exemplo, algumas décadas atrás no Brasil, onde você não tinha nenhum lado pendendo, nenhum outro aparecendo. E aí o que você conhece é que você começa a ter uma uma uma corrupção dos conservadores, no fariseu, que aquela pessoa, o famoso caga regga, com perdão da palavra, mas aquela pessoa que mostra uma face de personalidade na sociedade como algo ilibado, mas na verdade dentro dela é totalmente maliciosa. E você tem o degenerado, como sempre teve, vivendo de uma maneira edonista. Só que quando a gente tem uma tendência coletiva a um lado, o outro lado começa a se energizar fortemente, porque a psique humana precisa se manter em equilíbrio. E é exatamente por isso, um dos grandes motivos que o Brasil paralelo cresceu tanto, uhum, é uma resposta, né? Aqui: “quanto mais bate, mais cresce”. Aqui segue bem esse esse princípio apostólico seu canal também, né? Mais bate, mais cresce. Tem v me tem todo mês tem um um um grande influenciador, né, fazendo de deboche os maiores do Brasil, dezenas de milhões de seguidores, eh, tentando fazer uma uma detração ou uma difamação ou qualquer coisa assim, e nesses dias é quando eu tenho maior ganho de seguidores, aumenta o número de alunos, mais pessoas comentam, o engajamento aumenta. E o interessante é o seguinte: os algoritmos das redes sociais hoje, eles são geridos por inteligência artificial na primeira camada. Hora que ele entende que aquele canal está gerando um grande engajamento, ele entrega mais. É porque o Instagram, no final das contas, o YouTube é uma ferramenta de mercado, sei. Na hora que as pessoas começam a atacar o canal ali, o que que o o Instagram entende? “Opa, tem esse assunto tá em alta”, dispara para mais pessoas. E o que acontece? Que pessoas que estão prontas para receber aquele conteúdo recebem aquele conteúdo por causa do ataque. Então a pessoa não consegue ver que tem um bem acontecendo por causa do mal que ela tá fazendo aqui. E esse mal que é feito na frente, ele já… o Deus já deu a sua potência para você resistir, você não recebe um ataque que você não consegue sustentar. Uhum. E é muito do efeito streisand, né, que é tipo: “cara, você tá… e todo mundo tá falando de você, eu nunca ouvir falar do Lucas aqui, mas pô, que esse… o que que tá todo mundo batendo nele? Ah, olha só… por concordo com da Valanda aqui… entendeu… entendeu… é o o o a própria ascensão do Bolsonaro no Brasil foi isso assim no início, porque pô, ninguém sabia que era o cara, ele ia na na no programa de TV, começaram a bater tanto nele, pô, um monte de gente falou: ‘pô, mas eu concordo com ele, tá falando aqui que é só o cara não matar, não estuprar, que não vai preso. Pô, eu concordo com isso’”. Aí entendeu? E aí a galera foi… não só ele, né, como vários, como muitos, né? Então esse esse é um princípio espiritual que Jesus explicou na na metáfora da semente da mostarda, que já era a maior árvore eh conhecida por todas aquela audiência de Jesus naquele tempo. É o seguinte: se a gente olhar pré-eleição do do antigo Presidente Bolsonaro, você ia ter… se a gente tivesse a visão de ciência política que a gente tem hoje, a gente falar assim: “o Brasil tá perdido”. O próprio documentário de vocês, “O Teatro das Tesouras”, é a comprovação evidente científica de como era tudo um um cenário, era algo construído. E era uma alternância de poder falsa, da esquerda o contra esquerda era bolchevique, trocava para menchevique, menchevique trocava para bolchevique, e isso ficava tipo fingindo que tava trocando de mesmo poder. Aí você tinha um deputado, uhum, que era contra tudo aquilo e tava há 28 anos falando pras moscas lá, ninguém ouvia aquele cara, que era um lunático. E aí o cara vira presidente do Brasil. E a gente tá falando só de fatos aqui, então falando de opinião… sim, sim. E aí o que a gente tá vendo é isso que exatamente o que eu tô explicando também dentro do processo de santidade de influência das pessoas vulgares é que a regeneração ela vem dos locais mais inesperados, uhum, tá? Então, na hora que você tá vendo um mal aparecendo muito no palco aqui, pode ter certeza que tem um bem equivalente fazendo a limpeza do do mal que aquele aquele mal gerou nos bastidores, nos bastidores. Só que o bem, ele age de maneira anônima, porque o bem não quer chamar atenção, uhum. Existem alguns expoentes da virtude que Deus fala assim: “ó, você vai aparecer, mas eu não quero, não, mas você vai ter que aparecer. Tudo bem, mas então me me dá potência para aguentar, porque esse fardo é pesado demais”. E aí Deus vai dar lá e dar a potência para aquele bem se manifestar, e aquele bem vira meio que o alvo, como o abp é, né? E aí você centraliza um monte de ataque do mal, é que você não tá vendo o bem anônimo que tá sendo feito por todos os que não estão sendo atacados, uhum. Faz sentido. Frutos inclusive também do teu bem, do bem que você tá fazendo ali, do bem que você tá fazendo. É como se você fosse um tanque de guerra ali na frente do batalhão, atraindo ataque porque você chama atenção demais, e não pode esse tanque de guerra entrar, então todo mundo atira nesse tanque, só que toda a infantaria que tá em volta passa batido. Uhum. Então o bem, ele atua de maneira anônima, de maneira estratégica e de maneira oculta. Na hora que você vê, viu, o processo já se regenerou, uhum, só que o que dá audiência é o explícito mal, sim. Então a gente não tem que se preocupar muito com essas audiências astronômicas que essas pessoas têm, porque é tudo muito evanescente, né? A pessoa foi lá e fez uma tatuagem num lugar íntimo dela e postou nos Stories, só que amanhã já não é notícia, é entendeu? Na hora que você faz um documentário, uma entrevista edificante… eu fiz uma aula há 7 anos atrás, eu tenho… cada mês que passa cresce mais as visualizações, porque a gente tá compartilhando algo que é atemporal, uhum, não é evanescente como a tatuagem na região íntima do da celebridade XYZ. Uhum. É algo que se a pessoa vê hoje, vê amanhã ou ver daqui a 50, 70 anos… faz sentido, hein? Vai fazer sentido. O Cék é bestseller até hoje. Isso foi escrito há 2.500 anos atrás, uhum. Marco Aurélio… como é que você explica um negócio desse? Mas queria muito que você falasse, ô ô Lucas, sobre a questão do imaginário, porque o que acontece: existe uma certa crença que é assim: as pessoas trabalham muito, de maneira geral, e aí elas chegam em casa, o que que elas fazem? “Eu mereço, né?” Aí pega a rede social: “não quero ver um negócio que me dê muito trabalho para pensar, eu vejo o Lucas Celer falando lá um negócio que me faz pensar demais, tô meio cansado, não quero isso, não”. Técnico, né? É muito técnica, o cara vai lá… exato… muito esforço. A pessoa vê meme: “porque que que tem? Eu mereço. Trabalho, eu sou uma pessoa honesta, eu não tô roubando ninguém, não tô falando de ninguém assim, tô falando de pessoas bem intencionadas, sabe? Que não são moralmente degeneradas”. Ela vai pedir uma comida meio porcaria, porque ela merece, e ela vai se dando esses auto mimos que são muito deletérios para ela própria, sabe? Eu queria muito que você comentasse conosco para essa, porque eu estou pensando que eu já fiz muito isso, né, em priscas eras, graças a Deus, mas eu lia muita porcaria. Então eu li coisa ruim demais. E aí rolou uma espécie de uma corrupção do imaginário, de maneira que até eu colocar tudo nos no lugar deu trabalho, e é difícil, entendeu? Teria sido muito mais fácil se eu tivesse pulado essa etapa. Então, qual que é o poder de enriquecer o imaginário, sabendo que isso requer da pessoa certo sacrifício, porque ela vai ter que fazer isso nas horas vagas, né? Na hora que ela não tá no trabalho dela. Então assim, em vez de descansar vendo porcaria, ela vai ter que ver isso. Vale a pena? Qual que é o poder disso? Ó, o o bem, ele só é verdadeiramente valorizado quando você paga ele com sacrifício, tá? Então, se você não passa por um ato heroico, uma narrativa metopa heroica dentro da sua subjetividade como indivíduo, você pode ter tudo do bom e do melhor, todos os talentos que Deus te abençoou, se você não foi colocado à provação, você não vai valorizar tudo aquilo que você recebeu. A gente consegue ver numa escala menor, por exemplo, o comportamento usual de herdeiros, pessoas que nunca tiveram que trabalhar, nunca tiveram que se preocupar com dinheiro ou com sobrevivência, elas vão tender a ser e pessoas supérfluas. Não é unanimidade, mas tende a ser um comportamento de maioria, onde a pessoa não consegue entender como gerar valor para outra sociedade. O que que é dinheiro? Dinheiro é você gerar valor para uma quantidade de pessoas que usam uma unidade de denominador como monetária para te recompensar por um valor que você gerou na vida dela. Isso é dinheiro, né? O herdeiro, ele não sabe o que é isso. E para você conseguir gerar valor verdadeiro para uma outra pessoa, você tem que se sacrificar, você tem que colocar um talento que você tem à disposição para resolver um problema que você não tem, mas que o outro tem. Isso significa que você pega o problema dos outros para você. Isso é trabalho, e isso é serviço, porque você pode ler 1 milhão de livros, se você ficar dentro da sua casa, você não comunicar para ninguém isso, esse conhecimento morre com você no dia da sua morte. Então, na hora que você se dispõe a falar assim: “cara, o tempo todo que eu tô estudando, eu já tô pensando na entrevista que eu vou fazer, o próximo convidado que eu vou trazer para cá, porque isso vai gerar essa narrativa e esse dilema”, você já tá pensando na tua audiência, porque o que gera a audiência é a prestação de valor, é a prestação de um serviço. Então, dentro desse processo todo de eh prestação de serviço e prestação de valor, o imaginário, ele só vai ser impactado positivamente se eu tiver que construí-lo. Eu não posso herdá-lo, eu tenho que construir esse imaginário. Isso significa que teve um propósito essa fase sua sombria de consumir coisa supérflua ou lixo, porque se você não tivesse passado por essa fase, você não valorizaria tão o seu imaginário como você valoriza hoje, porque você teve a oportunidade de não entrar nesse padrão, e você entrou mesmo assim. Você tinha assim: “você pode ficar com o seu imaginário em colum, ou você pode consumir fofoca, sei lá”. Aí você fala assim: “bom, dentro dessas duas opções, vou consumir fofoca”. Uhum. Então, perceba que antes da gente ter o discernimento, na hora que as duas as opções são mostradas pra gente: “se você quer o bem ou você quer o mal”, “eu quero o mal, porque o mal é conveniente, sempre é mais conveniente, porque ele gera um bem-estar agora, ele gera um prazer momentâneo, só que eu não tô vendo o preço oculto que eu tô pagando lá na frente. Eu tô destruindo o meu imaginário por causa de um prazer agora, porque eu tô entediada ou porque tá acontecendo alguma coisa que eu não gosto, né?” Então esse processo de não conseguir discernir essa decisão, e a gente pode trocar para qualquer experiência humana, é adquirir maturidade, onde eu falo assim: “não, eu vou praticar o bem, eu vou escolher o difícil, eu vou escolher o desconforto frente à conveniência do confortável, do prazeroso, do hedonista”. Quando eu faço essa escolha, eu acostumo a fazer essa escolha, escolher o desconfortável, aí eu consigo construir um imaginário consciente, não herdado.
E aí, sim, eu vou valorizar o sacrifício. Senão, eu não consigo nem valorizar, por exemplo, o que Jesus fez pela gente.
Uhum. É por isso que tantas pessoas perdem a fé. A minha fé foi perdida exatamente por causa disso, porque eu tava lá na frente, eu tava na missa, tava vendo lá na frente um padre falando coisas e depois, no bastidor, fazendo outra coisa.
Hum. E aí, por conveniência emocional afetiva a minha, porque eu me sentia mal ouvindo uma pessoa que eu sabia que era um hipócrita falar, eu saí da, da, da, da religião. Sim, percebi só que o problema não é o padre. O problema não é a, a, a fé em si, né? O problema era a figura ali, do, a pessoa que não pratica o que ela fala. Fi, no hipócrita. Eu tinha que entender e discernir que, que é o hipócrita que ganha o ensinamento exato, só que por conveniência emocional afetiva a minha – isso é imaturidade – eu decidi me afastar da religião e da espiritualidade. Isso fez com que eu colhesse frutos muito mais amargos do que o desconforto temporário que eu tinha ouvindo um hipócrita falar.
Uhum. Momentos de crise existencial, de sentimento de abandono, de carência profunda, de me sentir desconectado de: por que eu tô vivendo? Qual que é o propósito da minha vida? Isso tudo veio porque eu escolhi conveniência afetiva aos domingos.
Uhum. Entende? Então esse processo de desenvolvimento de virtude, eu só consigo hoje valorizar a disciplina, as virtudes que são emanações de Deus dentro de nós, porque eu sei o que tem do outro lado. Eu sei quão escuro é o lado escuro. Se eu não ver quão escuro é o lado escuro, eu não consigo valorizar a luz. É como se a luz fosse algo sinequanone, algo básico, algo dado e algo incondicional que sempre vai estar presente, não se você não merecer a luz, se você renegar a luz, você perde a luz, que é o que a maioria das pessoas hoje em dia fazem. E a Brasil Paralelo faz um trabalho muito bom de neutralização e antídoto disso, e as pessoas vivem na sociedade moderna como se as coisas fossem já dadas e premissas. Tipo: o asfalto é óbvio que tem que ter asfalto; internet tem que ter internet desde o começo dos tempos; iFood tem que ter iFood. É tipo tempo; os fortes criam pessoas fracas, né?
Exato. Porque você já tem tudo. Você já tem internet, você já tem, você tem esgoto encanado, você tem, pô, um teto na sua cabeça. Você pensar que, sei lá, 300 anos atrás, né, tipo, as pessoas literalmente defecavam no chão, assim, tipo, não tinha privada, não tinha tipo… você vive muito melhor do que o, sei lá, o mais rico monarca viveu há 300 anos atrás.
Exatamente. Você tem iFood chegando na tua porta, cara. Churrasco chega, comida…
Uhum. Quando que na história humana esse tinha essa assimetria de esforço e recompensa? Nunca. E se demorar, você reclama, reclama e dá uma estrela e fala assim: “Que tipo de restaurante é esse que demora para entregar? Tava escrito 20 minutos, chegou em 27”. Ah, falta de temperança é uma coisa que permeia a nossa vida como um todo. Então as pessoas, principalmente os jovens, eles estão tão acostumados com as conveniências da sociedade moderna que eles acham que a vida humana sempre foi assim e sempre vai ser. Não, se vocês não lutarem para manter esses estados através de grandes sacrifícios, que é o que os empreendedores fazem. Os empreendedores, eles correm grandiosos riscos para estruturar um sistema que gera muito valor para a sociedade. Aí você tem uma camada da população que não se esforça em nada, falando assim: “Eu sou contra esse negócio de bilionários”. É que você não entende o mecanismo da troca de capital, porque ele só é um bilionário porque ele afetou a vida de dezenas de milhões de pessoas, inclusive a sua.
Inclusive a sua, porque na hora que ele… você reclama do bilionário na rede social que ele criou…
Exatamente. Você compra no, no, no aplicativo que o bilionário criou. Só que ele não percebe que o bilionário, antes de criar isso que mudou a sua vida, que fez você economizar, ele não era bilionário. Ele se tornou porque ele prestou um serviço através de autossacrifício, colocando os talentos dele à disposição de multidões – no caso de bilionários – e é por isso que ele é um bilionário. É porque alguém chegou e passou uma varinha mágica e falou assim: “Ó, tá aqui os seus bilhões, por quê? Porque você é mais bonito que os outros? Então agora você vai ser bilionário e os outros vão ser a classe oprimida”. Essa falta de lógica dessas pessoas é tanta…
Exatamente. Por isso que a ideologia é emocional, auto… com um relativista ateu. O relativista ateu é destruído e ele sai falando assim: “Bom, essa é sua opinião”.
Uhum. É porque o emocional pega muito, né? Então as pessoas se deixam… É igual no processo de compra, por exemplo. As pessoas compram pela emoção, não pela razão, assim, né?
Exato. E elas racionalizam depois para justificar. Por que ela… aquela coisa… Ah, mas é só um… eu tô precisando… Ah, é porque você quer me dar… isso eu mereço.
Exatamente. Lucas, foi um excelente papo. Eu queria, antes da gente se despedir, que você pudesse deixar uma mensagem final para o pessoal de casa que tá te acompanhando aqui e nos assistindo e nas redes sociais também. Como as pessoas podem te achar para você continuar espalhando o bem, né, já que tem tanto mal aí no mundo, a gente consiga espalhar mais, mais o bem. As pessoas possam… já aproveita, dica para nós: um livro e um filme.
Ah, legal. Antes ou depois de fazer a mensagem? Então faz você que manda. Eu acho que a mensagem principal é: se permitam ser usados por Deus. Porque a gente acha que a gente tem todas as respostas na nossa vida e a gente não tem. Quando a gente se permite, se coloca à disposição de Deus, Deus coloca a gente em lugares extremamente vantajosos psicoafetiva e materialmente. Então se coloque à disposição de Deus, porque Deus vai revelar para você o seu propósito de vida. Não fica buscando seu propósito de vida; busca Deus, e o propósito de vida se revela, tá? E com relação a livro, eu, eu acho que eu recomendaria aí, principalmente para as pessoas que me acompanham e para vocês também, eu acho que é uma… se vocês não têm o hábito de ler parte de psicologia ou de psicanálise, “O Homem e Seus Símbolos”, do Gustav Jung, que é um, um livro que muda a maneira como a gente entende a constituição do ser humano, né? E fala muito do imaginário, porque o Jung estudou os símbolos, a semiótica… esse é dos arquétipos ou não, ele vai… é, é esse é um compilado, é como se fosse uma síntese. É o livro… a gente não pode falar que tem um livro fácil do Jung, mas é o menos denso de todos, tá? Porque é… é possível entender, é possível entender quando você tá iniciando uma jornada aí com ele. Com relação a filmes, eu não vejo filmes. Então, mesmo o que eu vejo hoje de televisão e de série é Galinha Pintadinha, Mundo Bita – é bom também – e Little Angel. Então são… isso é que fica rodando na minha televisão em constante replay. Mas eu acho que, assim, e eu gosto muito quando às vezes eu paro para ver alguma coisa, eu gosto de ver clássicos, né? Então na própria Brasil Paralelo tem muitos clássicos e curadoria. Então, se fizer sentido para vocês, vejam os, os… o que você tem de de cinema dentro da plataforma da Brasil Paralelo que vocês vão ser muito bem servidos. E aperte o play sem medo, tá? Vendo apenas R$ 19,90. Você tem um… aí na tela tem um link na descrição, é só assinar, porque inclusive, assinando, se tornando membro, né, temos mais de 600.000 membros, a gente consegue rodar esse programa e todos os nossos, os outros programas da grade que vocês assistem, né, no YouTube aí todos os dias, né? Lucas levantou a bola, você… então, muito bem, veramente. Tem que aproveitar aqui. Eu sou cara do merch aí, depois fica a galera do chat aí não cala a boca, fica só vendendo. Tem que falar para você assistir isso aqui, entendeu? É porque… exato, não é de graça. Quantas famílias tem por trás do programa para o programa tá rodando e você tá agora vendo na sua casa, na conveniência do seu sofá…
Exato, no seu tablet, no seu celular. Você tá vendo toda essa conversa. Tem dezenas de pessoas trabalhando aqui que são famílias que precisam se sustentar. Isso é prestação de serviço, é prestação de valor, tá vendo? É isso. Então, e as redes sociais: claro, Lucas Scudeler, no Instagram, no YouTube e no Instagram Scudeler luucas. Beleza de bola, Lucas. Ótimo papo, muito obrigada. Gratidão, Lara. Gratidão, Artur. Foi um, um grande prazer, querido. Boa noite para você. Boa noite, Lara. Sempre bom, né, um papo edificante. Até a semana que vem. Até a semana que vem. Beijo, meu povo. Até a semana… v… pessoal. [Música]