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E se eu te chamasse para fazer uma viagem comigo, em que a gente vai conhecer países novos, culturas novas, novos idiomas, lugares novos, comidas novas; mas o tempo todo você vai estar com os olhos vendados? Olha, o que o currículo fala não serve para nada. Conhecer a história da literatura, se de cada livro que lermos não obtivermos alegria, conforto, força ou paz de espírito? É estranho ver essas palavras associadas com a literatura, né? Ler despreocupada e distraída é como passar numa bela paisagem com os olhos vendados. Nem devemos ler para nos esquecer de nós próprios e da nossa vida cotidiana. Agora presta atenção: mas sim, ao invés, para que nos seja possível retomar em mãos, com maior consciência, firmeza e maturidade, a nossa existência.
Pois é, queridos, esse livro aqui é uma biblioteca da literatura universal. Não sei se tem tradução aqui no Brasil, mas vamos conversar sobre clássicos. Eu quero indicar cinco clássicos fáceis para você ler. A Milena deixou lá numa caixinha o pedido para esse vídeo, e eu pensei: "Nossa, vamos conversar sobre literatura e, principalmente, sobre o crescente medo que eu tenho visto as pessoas tendo com relação ao texto literário, até separando em caixinhas assim: livros que eu vou ler e usar para pensar e refletir; livros só para eu ter lazer, só de entretenimento". Eu até fiz um reel sobre isso, sabe? Esse discurso de que eu posso ler só para entretenimento, eu não preciso ficar fazendo as análises que vocês tanto falam. Eu quero ler só por lazer. Eu entendo que vocês tenham um trauma com relação à literatura, mas é o seguinte: a sua forma de ler hoje, ela é 100% influenciada pela forma como você aprendeu a ler, e foi na escola. Pessoas que não aprenderam a ler na escola não têm a facilidade que vocês mesmos aqui da internet mostram ter para pegar livros diversos – não estou nem falando dos clássicos – e fazer leituras. Então, esse olhar do lazer, ele é seu, aprendido em algum momento. Segunda coisa: quem te falou que você não pode ler por lazer? Eu não entendi isso. Acho que isso acontece porque vocês aprenderam que a leitura produtiva ela é aquela que, no vestibular, a gente responde o que Cecília Meireles falou: letra A, letra B ou letra C. Agora tá uma guerra: as leituras que a gente pensa, as leituras produtivas – a galera intelectual, Machado de Assis – e as nossas leituras aqui, só por lazer. Por quê? Eu vejo vocês fazendo a análise de Taylor Swift, letra por letra. Aí pega o Camões: "Ah, não, não é para mim". Gente, ele está falando a mesma coisa! Ele também levou um pé na bunda, ele também terminou vários relacionamentos. Óbvio que aí a gente está falando de interesses pessoais. Mas por que vocês acham que só sabem fazer um determinado tipo de leitura? Vocês já fazem o outro! Aliás, por que dividir a literatura? "Penso, não penso; penso, não penso", ocupada com esse negócio de: "Esse livro aqui é para eu pensar; esse livro aqui é para eu não pensar". Oi? Logo a gente, aqui na internet, que pensa tanto, que fala tanto sobre direitos, que fala tanto sobre liberdade – principalmente liberdade, emancipação, né? Sobre a vida, sobre enxergar o mundo, falando sobre livros para pensar, livros para não pensar. "Ah, não, eu só leio por lazer". Mas por que no seu lazer não pode ter nenhum tipo de criticidade? Porque, por exemplo, eu ouço música por puro lazer. Eu não sou musicista, estou longe de saber tocar qualquer instrumento que você me diga, e principalmente estou a anos-luz, mas assim, a quilômetros, a muitos quilômetros de distância de saber cantar. Mas a música, para mim, é um lazer. Eu ouço a música, eu absorvo a música. Eu acho lindo! Ela traz para mim repertório de mundo. Vocês sabem que eu sou bem viciada na Marisa Monte, por exemplo. Eu gosto muito do Djavan também. São artistas, músicos que trazem para a gente letras tão lindas, com tanto repertório de vida. Nem por isso eu ignoro... Eu realmente acho perigoso esse discurso que a gente está tendo aqui na internet. E já que a gente está falando de direito, tem um outro reels meus falando sobre o Antônio Cândido, que comprova que a literatura é um direito. Tá, mas você já pensou que a literatura pode ser um direito? Por que é importante levar uma literatura de qualidade às nossas vidas, casas e escolas? Porque a gente se preocupa com livros.
Então vem comigo: se você nunca pensou em misturar as cores primárias, você não sabe que existem os infinitos tons. Mas quando te mostram que é possível fazer essas misturas, a nossa mente explode! Os livros são como os amigos com quem a gente se identifica, e a gente percebe que a nossa história pode ser contada por eles. Eles guardam nossos caminhos, eles expandem as nossas possibilidades. Antônio Cândido: a gente não deveria ler, a gente tem o direito de ler, pensando na nossa sociedade desigual. O que aconteceria se a literatura caísse na mão de todos nós? Então, literatura como direito, não dever. Deu para perceber, mas basicamente, como o cérebro faz as representações mentais daquilo que nós lemos? E aí eu tive que acabar entrando em outros assuntos, foi até por uma outra área, não ser da intermidialidade nem da semiótica. Mas o que importa aqui para o vídeo é que eu descobri – descobri não, todo mundo já sabe, mas eu não sabia – que o cérebro lê por uma área na nossa cabecinha que é a área responsável pela afetividade. E eu achei isso tão poético, gente! Aí tocou assim, eu olhei e falei: "Ah, mas que coisa linda! Faz muito sentido para mim!". Eu vou fazer um vídeo aqui no canal certinho falando sobre a leitura, o que ela acessa no nosso cérebro. Vou trazer convidados também para explicar certinho para a gente como que dá essa questão na neurociência, né? Na, na, na questão biológica da coisa, para vocês verem que realmente as capacidades cognitivas que a leitura alcança no nosso cérebro são totalmente diferentes de tudo que a humanidade já fez, até porque o nosso cérebro não é feito para a leitura. Essa é uma das nossas maiores façanhas como seres humanos, inclusive.
Tá, mas agora vamos para os cinco clássicos que são fáceis de ler para você perder esse medo que você tem com relação aos clássicos. Não precisa mais ficar dividindo as suas leituras: "Ah, eu só leio X tipo de livro, porque clássicos não são para mim". Eu recebi lá no Instagram o pessoal falando assim: "Ai, mas é que clássico tem que parar para anotar, tem que parar para isso, tem que parar para pesquisar, tem que parar...". Leia como você lê os seus livros normalmente! Leia! Ó, sou professora, estou te liberando dessas amarras que colocaram nos teus pulsos! Leia os seus livros! Acho que já deu desse papo, dessa elitização cultural. O Brasil é um país de pessoas não-leitoras, a gente precisa ler mais, e vocês precisam confiar em mim que, obviamente, vai chegar um momento que você vai falar: "Nossa, tem alguns tipos de leitura que são, que estão mais alinhados com a minha vida e outros não". Eu vou dar um exemplo: eu pego sempre com os alunos as letras da Taylor Swift, coloco e do lado coloco uns sonetos. Eles sempre vão vendo, eles sempre vão rindo: "Nossa, muito igual! Nossa, e Fulano também levou um pé na bunda, Ciclano também terminou o relacionamento! Meu Deus, como eles sofrem por, por relacionamentos de uma forma geral!". Eu falo: "Então vocês estavam lendo Taylor Swift e mais alguém? Quem vocês acham que é?". E eles assim, chutam nas alturas, diversos autores até, mas eles nunca chegam em Camões. É impressionante! Mas sim, eu dou aula com Taylor Swift e Camões lado a lado, porque são temáticas muito parecidas. Mas aí a gente entra na questão de mudar a linguagem, e é isso que eu mostro para eles, é isso que eu quero que você veja. Eu preciso que você veja que você não precisa ter medo da linguagem dos livros clássicos ou de autores antigos, como vocês falam aqui na internet, porque eles também estão falando sobre dilemas humanos.
Então vamos para cinco livros clássicos e que eu acho que são bem tranquilos para você começar essa jornada. O primeiro deles é *A Morte de Ivan Ilitch*. Vou falar desse livro porque foi meu primeiro *to story*, e foi meu primeiro russo, e foi com dois pés no peito, mas eu fiquei alucinada! Eu não imaginava que um livro poderia ser tão gostoso. Na verdade, uma novela, é bem fininho assim. Eu acho que tem o quê? 50 páginas, deve ter por aí. A narrativa começa no velório do Ivan Ilitch. Por aí eu já parava, né? Mas vou continuar. Ele vai, então, através de algumas memórias – a gente, na verdade, vai através de algumas memórias – relembrar a vida dele, como foi a vida dele até ele passar por uma doença. Essa doença vai fazer com que o protagonista comece a questionar coisas que eu e você questionamos na vida, meu amor. Então assim, eu posso resumir o livro em uma pergunta. Então acho que seria: "Qual vida você quer viver?". É basicamente essa pergunta. Eu não vou falar mais nada porque é muito curtinho, vocês vão pegar spoiler. Os nomes em russo... Olha, eu vou falar para vocês: tem que dar uma ignorada, que nem a gente lendo aqui *Crime e Castigo*, né? Raskolnikov. A gente só decora o nome do protagonista, gente! Dê galera em volta, um beijo, queridos, até a próxima! Vou pôr meus óculos. Você é leitor, você provavelmente usa óculos, né? Eu estou com uns óculos agora maravilhosos que eu descobri aqui na internet e que tem lentes muito boas para a gente ler, inclusive lentes muito boas para a gente fugir das telas. E esses óculos estão no precinho lá na Isabela Dias. Eu vou... Ah, esses são os meus dois favoritos. Eu já adianto: esses dois aqui têm a lente Blue Light, que protege os nossos olhos aqui das telas. Vocês estão vendo que a luz está meio azul no meu óculos? Então é por isso. São lá da Isabela Dias. Eu tenho já uma pequena coleção porque eles são maravilhosos e eu uso no dia a dia. Um make para cada coisa! Vocês já repararam aqui no canal, né? Tem um que eu vou para o treino, tem um que eu vou de... Eu tenho um para cada coisa. Eles chegam assim na sua casa já com o seu grau. Esse aqui, por exemplo, ele é aqueles de clique, é um óculos de sol e ao mesmo tempo um óculos de grau. É dois em um, meu amor! É isso que a gente tem. Tem até opção para você experimentar o óculos de maneira virtual lá no site, no "Experimente aqui" e tudo mais. A gente não precisa ficar na dúvida se o óculos vai servir ou não na gente pessoalmente, porque já dá para testar. Tá, mas eu me empolguei.
Segundo livro: *Orgulho e Preconceito*, da Austen. Ah, eu acho que funciona, é tranquilo, é gostoso, é romance. E veja bem, é um romance romântico. A galera tem muito problema com isso: gêneros textuais – carta, conto, crônica, romance; gênero romance, narrativas. Mas dentro dos romances existem os romances de terror, o romance romântico. Aqui no caso é um romance romântico. Jane vai apresentar para a gente, além da sociedade inglesa da época, o romance entre Elizabeth Bennet e Sr. Darcy. O clássico dos clássicos que funciona, todo mundo sai apaixonado, dá vontade de viver aquele romance, assim, delícia para uma tarde de cafezinho e você com a sua própria companhia. Que delícia! O terceiro vai precisar ser um livro nacional, e no caso é o meu livro nacional favorito, e foi um dos meus primeiros livros nacionais, e foi ali que eu comecei a parar de ter medo: *Triste Fim de Policarpo Quaresma*. Vocês já sabem, né? O problema do Lima Barreto foi, de fato, ter nascido junto com Machado de Assis. E aí não dá para, não dá, né? Machado, qualquer outro escritor do planeta... Machado, qualquer outro escritor do planeta. Mas aí o que que acontece? O *Triste Fim de Policarpo Quaresma* vai narrar a história de Policarpo, que era um homem extremamente nacionalista, inclusive ele só lia livros nacionalistas. E por mais que seja um livro que você vai ficar assim: "Meu Deus, porque esse homem é desse jeito?", principalmente o jeito que ele fala da nossa cultura, da nossa gente, das nossas riquezas, do nosso... Eu assim, acho que para além de tudo, Lima Barreto consegue captar a nossa essência. Você vai ver o espelho daquilo em alguém que realmente tenha uma vida própria, alguém que não vai pelos pensamentos dos outros, e até se passa nessas questões do nacionalismo. Mas eu acho que é um livro lindo e bom, nem preciso falar, né? O *Triste Fim de Policarpo Quaresma* já está no próprio título o que vai acontecer. Mas gente, eu sou doida nesse livro, eu sou doida no Lima Barreto, esse livro... Esse livro me inaugurou na literatura nacional, posso dizer isso, falando de essência.
O quarto livro seria *O Jardim Secreto*. A gente vai acompanhar a vida da Mary. Ela perdeu os pais, ela foi para Yorkshire, e lá na casa de um tio ela acaba se desenvolvendo de uma maneira muito... Ah, primeiro que é muito triste, mas depois a gente vai ver o desenvolver da personagem junto com a natureza. Então, né? *O Jardim Secreto*, porque a natureza e o humano se conectam ali de uma forma linda. É aquele clássico livro para você ler e passar a tua infância inteira na cabeça, as tuas relações, a forma como você enxerga o mundo, você começa a se questionar sobre a vida. É um livro para acordar assim, de uma sacudida, e é lindo, lindo, lindo, parece poesia. E o quinto, eu acabei de ler, eu coloquei aqui: *A Casa dos Espíritos*, da Isabel Allende. Não é um livro de terror, calma! Inclusive, no vlog que eu soltei não tem spoilers, né? Que claro, né? Chegar a uma medida do vlog que eu vou comentando com vocês algumas coisas, alguns detalhes, mas eu não comento tudo. O ponto é: a gente vai acompanhar a família Trueba, e a minha personagem favorita, acho que de todos os livros de grandes romances assim que eu já li, a Clara, depois a Alba, mas a Clara em específico. A gente vai acompanhar ali as gerações dessa família e como essa família... Enriquece, esquece... Como essa família cai, e principalmente ele tem um pano de fundo na guerra do Chile. Aí você vai falar: "Ai, mas para que que eu vou ficar lendo essas coisas tristes? Socorro!". Não! Aquilo ali é lindo! Aquilo ali é lindo! É um negócio assim sobre humanidade, sobre pensamento crítico, sobre reflexões... No vlog, vocês já viram o tanto que eu chorei, o tanto que... Mas não era um choro de tristeza, era um choro de alívio, era um choro que só a literatura pode te dar, sabe? Paralelo a isso, eu já falo para vocês: tem um personagem lá que chama Poeta, né? Que vai ser uma homenagem para o nosso Pablo Neruda. Aí é perfeito! Esse livro é muito triste, mas é um livro muito, muito, muito enriquecedor e vale muito a pena, gente! Isabel Allende é maravilhosa! Se eu soubesse que esse livro era de fato assim, eu teria começado por ele, porque eu já li várias vezes a Isabel Allende, mas eu nunca tinha lido o maior clássico dela, né? O consagrado... Esse livro consagrou a autora, e eu demorei um tempo para ler, nem sei porquê. Eu fui lendo outros dela. Meu primeiro da autora foi *Eva Luna*, e hoje em dia assim, não me arrependo, amo todos os livros dela que eu já li, eu amo, sou apaixonada, mas eu teria começado por *A Casa dos Espíritos*, que aí eu já teria entendido assim: "OK, eu preciso ler tudo que essa mulher publica!". Gente, ler é ser rico daquilo que o dinheiro não compra. Na verdade, compra, né? Porque dinheiro compra livros, e livros nos deixam felizes.
Então é isso. E se você quer aprofundar os seus estudos com relação à literatura, além desses cinco livros que eu indiquei, você pode inclusive ler nessa mesma ordem que eu indiquei aqui no vídeo, porque eu acho que vai até fazer sentido para você entrar mesmo assim num, num funil de conhecimento, numa construção de repertório de mundo. Eu vou deixar aqui na descrição para você as aulas de introdução aos estudos literários, se você nunca estudou literatura a fundo ou se você quer uma base assim: "Nossa, eu preciso de um solo porque eu preciso partir, eu preciso entender o que é esse universo literário". Primeira coisa: o que é o cânon e os clássicos? Eu preciso entender ali as escolas literárias, os principais movimentos, principais artistas. Eu preciso de fato construir a minha vida ali dentro desse universo da literatura, passar pela literatura portuguesa, brasileira, africana, enfim, tem vários módulos. Vocês até podem escolher os módulos que vocês querem fazer, certinho? Ter certificado reconhecido, etc. Eu vou deixar aqui o link para o curso "Introdução aos Estudos Literários". Lá você vai ter todo esse repertório e tudo que você precisa: literatura do zero mesmo, assim, zero! Gêneros narrativos, tudo certinho, o que você precisar tem lá dentro. E aí, só para esse vídeo aqui, só para você que ficou até o final, eu vou deixar um cupom de desconto. Nem vou colocar na descrição, tá? O cupom é "5livros". Vou deixar escrito aqui. Então, só para quem assistiu até o final.
Então é isso, pessoal! Espero que as cinco indicações te ajudem, te guiem agora por um norte. Leia mais, separe mais o seu tempo para ler mais. Ler mais não é quantidade de livros e não é competição com relação a livros, não é sobre o quanto Fulano e Ciclano já leu, o quanto eu já li. É sobre o que você começou a ler, é sobre você, sua história. Quando eu entrei na faculdade de Letras, eu tinha uma, uma crença horrível na cabeça, porque eu achava que eu não podia fazer Letras porque todo mundo à minha volta já tinha lido muito mais do que eu, e essas coisas que a gente acaba pensando e se comparando inevitavelmente. E eu acho que, na verdade, eu perdi muito tempo olhando para isso, porque não era sobre o quanto as pessoas já tinham lido, era sobre o quanto eu já li, do que eu não tinha lido ao longo da vida. Então comece, faça a sua leitura. Leia um livro, depois leia dois livros, depois leia três livros, e assim você vai aos pouquinhos construindo esse universo. Até o próximo vídeo! E Milena, muito obrigada pela sugestão!