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Adriana Stamato: Como a Reforma Tributária afeta a Gestão de Compras? - Compras EPIKAS - EP #016

GoEPIK49:48

Transcription

Olá, pessoal. Sejam muito bem-vindos ao podcast da GoEpic. Eu sou Wellingon Moscon, cofundador da Goepic, uma plataforma all-in-one que facilita o dia a dia do setor de compras. Se a nossa plataforma parece interessante para você, acesse www.goepic.com.br.

[Música]

Bem-vindos todos. Obrigado por estarem conosco nessa nova, novo episódio de Compras Épicas. Eu sou Marcelo Bib e hoje eu vou receber a Adriana Estamato. Adriana que é sócia de tributos indiretos da Trench, Hossanab e é uma referência quando assunto a estratégia tributária voltada a negócios. Com muitos anos aqui, não vou dizer nem quantos para a gente não ficar aqui sujeito ao etarismo, mas Adriana já teve tanto na esfera consultiva quanto na contenciosa, ajudando organizações a mitigar riscos legais e tomar decisões mais seguras e rentáveis para as suas empresas, tá bom?

Eh, abordagem pragmática orientada sempre ao negócio, torna uma das vozes importantes quando o tema é como transformar a complexidade tributária brasileira e não é pequena, tá certo? Em vantagem competitiva, especialmente agora com a reforma tributária batendo à porta das áreas de compras.

Então, primeiro de tudo, bem-vinda, Adriana. Ah, você quiser falar mais alguma coisa que eu não citei, senão a gente em seguida parte aí para começar com as perguntas.

>> Não, primeiro obrigada Marcelo pelo convite. É um prazer estar aqui falando de reforma tributária para uma área tão diversa, né? Normalmente tô acostumada a falar mais para advogados e para pessoas assim que já tem uma certa familiaridade, mas vai ser um prazer. Obrigada pelo convite. Obrigada a todos e todas que estão aqui assistindo e participando.

>> Legal. Então vamos lá. Primeiro para a gente começar e esquentar um pouquinho o clima aqui, me conta um pouco nessa reforma tributária, o que que muda para as empresas e especialmente o que que toca a turminha de compras.

>> Legal. Bom, ótima pergunta pra gente começar aqui esquentar os motores. Marcelo, você falou já logo no começo que o Brasil é conhecido pela complexidade tributária, né? Isso é inegável. É um país difícil de operar. a gente tá acostumado, então a gente já tá mais calejado, mas a reforma tributária o objetivo realmente é fazer uma completa transformação do nosso sistema tributário. Então eu acho que é é um objetivo bastante arrojado, eh vai ter uma mudança muito grande. E pra área de compras, óbvio que aqui ao longo do podcast a gente vai entrar um pouco mais em detalhes, mas eu acho que a primeira coisa que a gente tem que ter em mente é que esquece PIS, COFINS, ICMS, ISS, IPI, esquece as questões de créditos, o que dá crédito, o que não dá crédito. Essa é uma premissa assim eh muito básica do novo sistema tributário. Então, as questões de não cumulatividade que a gente tem hoje em dia, que fazem inclusive com que a empresa entenda que ela é o contribuinte do imposto, a gente tem muito essa visão, né? A empresa paga muito imposto, o empresário paga muito imposto. A reforma tributária, ela quer mudar esse mindset. Quem paga imposto é o consumidor. A empresa ela é só um coletor desses tributos. para a área de compras. Eh, eu acho que a primeira coisa que as empresas têm que ter em mente é um pouco mais de conhecimento, de bagagem, de letramento mesmo. Eh, acho que hoje um comprador que não se familiarizou eh o mínimo com os novos tributos, ele já tá bem atrasado, porque a reforma tributária, a gente tá hoje eh começo de agosto, né, gravando esse podcast, nós temos aí menos de 5 meses para a entrada em vigor do novo regime. Então tem que dar uma acelerada para conseguir alcançar aí porque já tem muita gente na frente.

>> E você acha, Adriana, que esta, e você citou bastante coisa de retirar, não tem mais ISS, INSS e PIS, COFINS, etc. Enfim, eh a complexidade no Brasil a gente sabe que é muito grande. Você acha que fica menos complexo? Você acha que vai ser mais fácil para os compradores executarem as suas funções ou vai complicar e vão ter que aprender tudo de novo?

>> Então, Marcelo, a gente tem até para dar assim um passo para trás aí, falar um pouquinho de como é que vai ser essa mudança, tá? Eh, hoje em dia, uma das razões da gente ter uma complexidade muito grande no nosso sistema tributário é que a gente tem tributos em três níveis. A gente tem alguns impostos que vão pro governo federal, outros que vão pro governo estadual e outro pro municipal. Originalmente, a proposta mais arrojada da reforma tributária era a gente ter um único tributo sobre consumo, a exemplo do que existe em vários outros países, que é o chamado imposto sobre valor agregado. por razões políticas, obviamente isso não conseguiu, essa proposta original não se sagrou aí a vencedora, mas em linhas gerais a gente vai ter um IVA, só que ele é um IVA dual e eu costumo brincar que ele é um irmão gêmeo seis, porque eh são dois tributos que têm que andar exatamente iguais, com as mesmas regras, com as mesmas bases de cálculo. Então tudo em termos de regras gerais absolutamente idêntico. A diferença é que uma parte vai para o governo federal e uma parte vai para o chamado comitê gestor, que vai ser formado, que vai dividir esse bolo entre os estados e os municípios. Então essa é uma mudança assim muito grande perto do que a gente tem hoje. Inegavelmente é uma é uma simplificação. Eh, no longo prazo, eu não tenho dúvidas de que a gente vai ter um sistema muito mais simples e muito mais racional, porque as regras vão ser uniformes. Então, esquece saber a como é que é o ICMS no Ceará, quanto é que eu tenho que pagar, como que funciona o de falender na Paraíba, eh, como é que é o ISS em São Paulo versus o ISS no Rio. Então, essa multiplicidade de regimes que hoje honera muito o empresário, né, em termos de compliance, de conhecer as regras, eh de ter todo um trabalho de eh de cumprimento de obrigação acessória, tudo isso vai simplificar muito, mas é no longo prazo. a gente vai ter aí 6, 7 anos de regime de transição que vão exigir um cuidado redobrado, né, das empresas, porque você vai continuar convivendo com o regime atual, que ele vai morrendo aos poucos, né, eh, uma migração para o regime novo, que então, né, você vai ter duas regras eh prevalecendo durante um período bastante longo. Então, eu eu acho que no começo vai ser muito difícil, a gente vai ter alguns momentos, né, na reforma tributária a partir do ano que vem. a gente já começa a ter os novos tributos, mas ainda não é para valer, né? Você vai não vai precisar arrecadar os novos tributos, você só vai ter que informar para o fisco como se eles fossem devidos. 2027 acaba o PIS COFINS e entra no lugar dele a CBS. 27 e 28 continua igual. 29 a gente começa a ter a substituição do ICMS e do ISS pelo IBS. A cada ano os tributos atuais vão diminuindo e os novos vão crescendo. E aí 2033 é a virada de chave final. Então, ao longo desses anos, a gente vai ter momentos de mudança. Eh, então certamente a complexidade durante esse período vai ser muito grande, mas eu acho que para o futuro a gente tem uma proposta aí que se tudo der certo vai ser bem mais simples e bem mais racional eh de administrar. E como tudo, né, tem uma dor até chegar lá, né? Está me dizendo que aí são vários anos convivendo com dois, certamente demonstrando os dois, no primeiro não recolhendo, depois passando lentamente ao novo tributo. Mas não vai ser uma coisa fácil, né? No final você enxerga então que nós vamos diminuir a guerra, a guerra de tarifa, essa guerra tributária que diz: "Não, vamos importar por aqui ou vamos importar por lá porque tem benefício aqui ou lá". Você acha que isso >> certeza desaparece?

>> Certeza. Com certeza, com certeza, Marcelo, porque hoje o nosso sistema ele é muito calcado no regime tributário eh da tributação na origem. Então, eh de onde você compra, por onde você importa. Então, essa essa mudança de cultura vai afetar muito as empresas, né? As empresas que oferecem, né, o que cuja vantagem competitiva é o benefício fiscal. E vai afetar também a área de compras. Eh, a área de compras, ela, eu acredito, né, que tem até uma historinha curiosa. Uma vez eu tava num cliente e e ele tinha uma vantagem tributária por conta de uma decisão judicial e acabou, né, a a decisão foi revogada e tudo e aí ele precisou se sacudir para ir atrás de novas opções, né? Como é que ele vai fazer para conseguir o mesmo ganho tributário que ele tinha a partir daquela decisão que não existia mais? E é muito isso que vai acontecer, Marcelo. Muita gente hoje em dia tem parte do retorno da empresa eh vem do benefício fiscal, o que vai deixar de existir. Então, certamente a empresa vai ter que buscar novas fontes aí de novas estratégias. Mas enfim, eh, esse essa empresa contratou uma consultoria estratégica caríssima dessas assim internacionais de renome. Fizeram lá todo um estudo e no final das contas o resultado era o seguinte: você tem que comprar melhor, comprar por menos ou vender por mais.

>> Sim. É, eu acho que a gente passa, Adriana, a ter menos pelo menos a gente que eu digo na área de compras, passa a ter menos foco no tributário e volta a ter um pouco mais de foco no supply chain, na logística, >> né, nesta cadeia inteira que já é muito próxima a compras, né? Então acho que muda um pouquinho o jogo, né?

>> É, é na gestão, né? eh escolher melhor os fornecedores, o fornecedor >> que tenha um lead time menor ou que tenha um produto de maior qualidade ou que seja mais parceiro. Eh, tem muitas mudanças aí pela frente, Marcelo. Com certeza.

>> Legal. Bom, ou seja, eu vejo aqui, se eu não tiver enganado, compras fica mais estratégico, tá certo? um pouco menos sobrecarregado no longo prazo, ao longo desses anos iniciais, talvez até um pouco mais sobrecarregado, porque, sem dúvida nenhuma eu vejo controladoria, né, cobrando da gente as duas avaliações, avaliação com um tipo de tributo, com outro tipo de tributo para saber o que é mais vantajoso. Então, mas acho que ao longo do tempo vamos ter mais opções estratégicas, né? Com certeza. Neste caminho todo, como é que você acha que um gestor de compras deve prever riscos, se preparar para esse novo momento fiscal? Tem um checklist, alguma coisa que você recomendaria pra gente, Adriana?

>> Ah, eu acho que tem sim. A primeira coisa é estudar, eh, estudar o novo sistema, eh, estudar quais vão ser os impactos, eh, para os seus fornecedores, né? fazer um depara, né, o cenário ISS pro cenário to be, vê quais são os seus principais fornecedores e como é que eles vão ser impactados. Eh, se você importa eh produtos porque tem um benefício fiscal, eh, obviamente isso é uma coisa que tem que tá aí no no topo da lista, né, de prioridades. Eh, vê se você tem, por exemplo, muitos fornecedores que estão no Simples. Eh, para mim, o Simples não deveria ser fornecedor de empresa, né? Mas no Brasil acabou se tornando, né, muito B2B. Muitas empresas do Simples são tão no no B2B, no meio da cadeia e vão ser impactadas, né? Porque o Simples vai poder optar por gerar créditos, que é uma coisa nova que eles vão ter que estudar para ver se vale a pena eh fazer todo um screening. E eu acho que uma coisa, Marcelo, que eu não tenho visto muita muita gente falar, mas muito provavelmente a reforma tributária, ela vai estrangular o fluxo de caixa de várias empresas. Eh, uma das principais mudanças aí que a gente vai ter é o chamado split payment, que basicamente consiste no seguinte: o governo vai criar um mecanismo aonde o recolhimento do tributo é feito na boca do caixa, digamos assim. Quando você for pagar o seu fornecedor, hoje em dia o brasileiro tá muito acostumado a rodar com o dinheiro do tributo, vamos dizer dessa forma. Então você pode postergar o pagamento do tributo, você pode, enfim, fazer algum tipo de parcelamento. Eh, então esse dinheiro que na verdade é tributo, vai pro caixa do fornecedor e ali depois ele vê como é que ele vai fazer para pagar o tributo, quando que ele vai pagar o tributo. Então, a lógica do nosso sistema hoje é calcada nisso. Você compra a mercadoria, você compra a matéria-prima, você tem direito a crédito.

>> Hum.

>> Crédito dos tributos, né? ICMS, PIS e COFINS. No no novo sistema, Marcelo, o crédito só entra para a sua conta do fornecedor quando tiver tido o pagamento do tributo. Então,

>> o governo só vai deixar você deduzir aquele crédito se ele tiver a confirmação de que o tributo foi recolhido. Isso muda muito a lógica de negociação, muda muito o fluxo de caixa das empresas, seja do fornecedor, seja eh do do do comprador, né, do adquirente. Eh, e eu acredito que quem tá acostumado a ter a não ser muito compliant na parte tributária, quem tá acostumado a rodar, né, com o fluxo de caixa com base nesses tributos, né, que a carga tributária é alta de fato, talvez tenha problemas. Então, esse essa conversa com os fornecedores ou esse conhecimento um pouco mais aprofundado dos impactos para o fluxo de caixa do fornecedor no longo prazo, né, no curto, no curto, médio e longo prazo, né, na verdade, eh, eu acho que é essencial para vocês, né, pros compradores saberem, será que esse fornecedor vai aguentar o tranco da reforma tributária?

>> Uhum.

>> A gente no Brasil, e aí, né, os anos de bagagem e de experiência nos dão um pouco mais de de noção, né? A gente já viu muita empresa quebrar na época dos planos econômicos, né? Já faz o último plano econômico que a gente teve foi o Plano Real, né? em 94, já tem aí 31 anos, mas quem viveu a época de plano Collor, plano Verão, plano Cruzado, plano não sei o quê, dizem os economistas, né, que o impacto da reforma tributária será semelhante ao de um plano econômico. Então, acho que a gente tem que ficar muito alerta, eh, saber se os nossos fornecedores realmente vão eh ter condições, né, de se eles estão se preparando para a reforma tributária e se eles vão ter a condição de de sobreviver as mudanças que vem pela frente.

>> Então, se >> acho que esse é um ponto bem bem importante.

>> Se eu te entendi bem, Adriana, eu compro do fornecedor A e eu não tomo crédito imediato. depende do que o fornecedor A recolha os seus tributos para que eu tome o crédito.

>> Neste caso, como é que eu vou saber quando eu vou vai ter algum feedback para mim? Vai ter, >> vai, tem sim. É, o, na verdade, o o sistema que a a Receita Federal tá criando, Marcelo, é um sistema assim bastante sofisticado. Eh, assim, é inegável que a nossa a nossa área tributária, né, a administração pública no Brasil, ela é muito bem suprida de informações. Você tem o portal gov.br, BR, que acho que é um, se não, se não for o maior, é um dos maiores portais de administração pública do mundo. Então, assim, a tecnologia que tá por trás da reforma tributária é algo também bastante importante. E uma das da dos objetivos, uma da das propostas é você ter uma apuração assistida mais ou menos semelhante com o que a gente tem no nosso imposto de renda pessoa física, que acho que começou faz mais ou menos uns 5 se anos e gradualmente a gente percebe como ele vem melhorando, né? Acho que a primeira vez que eu tentei fazer tinha muitos buracos. Essa última vez desse ano já tava muito melhor. Eram muito poucas, muito poucas eh muito poucos ajustes, né, que a gente precisava fazer. Então, o que a Receita Federal está eh eh desenvolvendo é esse sistema de apuração assistida, onde praticamente vai vir pronta a conta. Mas respondendo a sua pergunta, eh, é uma premissa que esse sistema me avise a hora que o imposto foi recolhido. E aí a gente tem algumas possibilidades, né, do meu fornecedor recolher o tributo. Pode ser eh igual o efeito hoje em dia, né, ele apura e depois faz um pagamento, né, do tributo. Ou pode ser esse split payment, que a hora que eu vou pagar o meu fornecedor no banco, o banco verifica se aquele tributo já foi recolhido pelo fornecedor ou não. E caso ele não tenha sido, o banco recolhe em nome do fornecedor pro fisco. E aí o sistema vai me avisar: "Olha, pode registrar o crédito, o tributo já foi pago." Então você imagina, você pegou bem o ponto, hoje eu tomo o crédito independentemente do que tiver acontecido.

>> Agora não. Agora eu só vou ter o crédito quando eu tiver tido a validação do pagamento. Então, por isso eu preciso saber se meu fornecedor ele cumpre com as obrigações normalmente. Hoje talvez não seja uma preocupação tão grande para as empresas, né? Deveria ser, mas na prática não é. Na prática, ela só é a hora que aparece um fiscal falando: "Olha, esse crédito não existe, esse imposto nunca foi pago, esse fornecedor inclusive não existe." Mas hoje em dia, né, a partir da reforma tributária, a gente tem que ter um um nível de escrutínio muito maior.

>> Marcelo, >> e você acha que isso vai também pegar eh eu me lembro de vários casos, especialmente onde você tem serviços no meio, né? o caso devedor solidário que acaba entrando e acaba sendo chamado. Você acha que isso pode inclusive reduzir este tipo de ações no futuro, ou seja, implicações jurídicas para as companhias podem eh pode melhorar esse cenário pra gente no futuro?

>> Então essa é uma ótima pergunta, porque em tese deveria no que tange ao tributo que foi recolhido. Agora, se o teu fornecedor, por exemplo, eh fez uma uma redução indevida da base de cálculo, né, subfaturamento, >> Uhum. >> Você vai ser responsável, sim. você po, o comprador pode ser responsável, então vai diminuir a questão de, ah, ele não pagou o tributo, não, ele pagou, mas se ele pagou a menor, pode sobrar pro pro comprador, sim, pode sobrar pra empresa, né, pro cliente adquirente. Sim, isso tá até previsto na legislação tributária, mas é um ótimo ponto. Então, por isso que eu acho que vai ser cada vez mais importante conhecer o teu fornecedor, saber a idoneidade dele, saber se ele tá preparado, porque tem uma outra coisa, Marcelo, será que esse fornecedor vai estar preparado para cumprir as obrigações acessórias?

>> Uhum.

>> Né? Ele tá pronto para emitir? Vou te dar um exemplo. Vou te dar um exemplo bem bem banal aí. Eh, hoje em dia a gente tem nota fiscal de serviços e nota fiscal de mercadorias. E várias empresas que não são nem fornecedores de serviço e nem de mercadorias emitem nota de crédito, emitem recibo. Elas vão ter que entrar no jogo porque vai ser obrigado a emitir um documento fiscal. Será que teu fornecedor já colocou isso no tio do dele? Ele já tá correndo atrás para ver qual que vai ser o documento fiscal que ele vai emitir, porque se ele não se ele emitir um documento que não é válido, como que você vai tomar o crédito do imposto?

>> Uhum.

>> Mas eu >> então tem muitas questões, tem muita lição de casa, >> mas a gente vai ficar sabendo, a gente como comprador vai ficar sabendo se o documento dele é bom ou não.

>> Então, mas você tem que saber hoje, né, para saber se ele tá apto a emitir um documento bom a partir do ano que vem.

>> Entendi. Então, você acha que toda esta mudança, seja ela do IVA ou do outro que você citou, CBS, é isso? Esse é o nome?

>> É, é que o IVA eh o IVA dual vai são vão ser dois, né, tributos. É a CBS, >> que é contribuição sobre bens e serviços, e o IBS. E o IBS, que é imposto sobre bens e serviços.

>> OK?

>> Então, IVA dual, vamos dizer, é o nome genérico, né?

>> Tá bom. OK.

>> Es, CBS.

>> E o que que você acha que isso traz de desafio na negociação? Quer dizer, é entender o que você acabou de falar, é entender se esse fornecedor está apto ou não com essas atribuições, né, acessórias ou você acha que tem mais alguma coisa que a gente vai ter que aprender?

>> Tem mais, tem mais. Eh, esses novos tributos eles são calculados por fora, Marcelo, é em cima do preço líquido.

>> OK.

>> Eh, hoje em dia muito muitas negociações são em cima do preço bruto, né? Já com tributo.

>> Já com tributo por dentro.

>> Então, exato, com tributo por dentro. Então, a primeira coisa a saber é qual que é o preço líquido do meu fornecedor, porque eu conheço o preço bruto, mas eu sei quanto é que ele paga de PIS e COFINS. PIS e COFINS, a gente tem 500 milhões de regimes diferentes de PIS e COFINS. >> A gente a gente sabe se no ICMS, se ele destaca 18, se ele realmente paga 18 para mim ou ele tem um crédito presumido e ele só paga três, por exemplo. Então é essa a a nova lógica da negociação como parte do preço líquido, eu tenho que saber qual que é o preço líquido do meu fornecedor e muitas vezes eu não sei.

>> Uhum.

>> E eu não sei se ele vai querer me falar. E eu não sei se ele vai querer fazer os novos tributos em cima do preço líquido ou se ele vai aumentar o preço líquido, vai aproveitar a oportunidade para aumentar o preço líquido.

>> Então é a lógica do tributo ser por fora. E por que que o tributo é por fora? Porque eu vou ter 100% de crédito. Então, tanto faz quanto que é o preço bruto. Porque eu se ele me cobra R$ 100 mais 30% >> de IBS, CBS, eu vou gastar 130, >> mas o meu custo vai ser 100, porque R$ 30 é crédito.

>> Uhum.

>> Hoje em dia eu pago R$ 130, mas eu posso, de repente ter 18 de crédito, 25 de crédito, 22, depende, né? Ou seja, você também tá me dizendo, Adriana, que a gente vai passar a ter um sistema muito mais transparente, tá certo? Eu vou começar a enxergar muito mais, porque hoje você compra uma mercadoria e vou até derivar isso para para a vida pessoal da gente. Você entra em algum lugar, compra alguma coisa, você não sabe quanto você tá pagando de impostos, tá certo? pelo que você tá me dizendo, neste novo regime, eh, apesar de que no na vida pessoal ainda tem lá, ah, com tem tanto disso, tanto daquilo, vem na nota fiscal uma discriminação, mas agora vai ser muito mais transparente. Eu vou saber que eu comprei um produto de 100 e que eu tô pagando 30, pegando o teu exemplo ou qualquer outro número. Procede essa essa minha >> procede com certeza, Marcelo. É exatamente isso. Um dos objetivos da reforma tributária também é trazer maior transparência e empoderamento no final das contas para o consumidor final.

>> Uhum.

>> Porque de novo, ó, se o tributo tudo vai dar crédito, todo mundo que tá no meio da cadeia vai passando o imposto pra frente. >> Eu tomo o crédito de 30, vou vender depois por 200 com mais 30%, né? vira 260, mas o próximo vai poder tomar crédito de 60 e assim por diante. Até que chega no consumidor final, ele tá comprando um produto, sei lá, por R$ 500 com 30 de IVA, vai pagar R$ 650. >> Então ele que acabou com o 150, as, né, todos os que estão aí no meio da cadeia, né, o fabricante, o distribuidor, o varegista, eles estão só o quê? repassando uma parte do tributo pro fisco. Uhum. >> E eu, consumidor, vou saber, estou pagando R$ 150 de imposto nesse produto. Assim, eh, a ideia um pouco é até empoderar o cidadão para poder cobrar, né, cobrar um pouco mais aí da >> da dos dos nossos governos, é, para onde que tá indo tanto dinheiro, né?

>> Isso, >> mas é justamente isso, a simplicidade, transparência, neutralidade é um outro princípio importante da reforma tributária, porque um pouco é isso, não interessa de onde eu comprar. O tributo sempre vai ser o mesmo, porque o tributo depende de onde eu estiver. Eu que tô comprando é onde eu estou. O imposto vai ser recolhido com base aonde eu estou, não com base onde meu fornecedor está.

>> Por isso que também essa neutralidade vai aumentar a competitividade, quer dizer, vai aumentar a concorrência. né? Não a competitividade, porque eu vou eu vou poder optar eventualmente por outros fornecedores. Vou ampliar o leque, né? Eu não preciso comprar desse cara porque ele tá neste lugar e tem um benefício fiscal. Posso procurar um fornecedor num outro lugar?

>> É, muda completamente a cadeia, né? Porque hoje você vê muitas empresas >> eh se posicionando em um lugar ou outro por conta dos benefícios fiscais, né? Então, a empresa vai lá abrir uma fábrica, por exemplo, num estado X ou Y, porque concederam a ele um benefício fiscal, um benefício, digamos, de ICMS, uma redução de IPTU para instalar a fábrica, enfim. Então você também enxerga que tudo isso traz a competitividade para onde ela deveria estar, que é na produção, na capacidade técnica, enfim, na própria. Mas aí você aí você percebe como que isso assim é um é uma mudança de mindset importante, Marcelo, porque muitas empresas do ponto de vista do fornecedor se tirar o benefício fiscal ele ainda é competitivo em termos de preço >> do ponto de vista do comprador, já que primeiro, será que esse fornecedor se sem o benefício fiscal ele sobrevive, ele vai conseguir continuar trabalhando ou ele tá ele tá girando em cima do do benefício fiscal? se tirar o benefício, será que esse cara consegue? Segundo, se eu não preciso mais comprar dele, porque ele não tem mais benefício fiscal, eu posso procurar qualquer outro fornecedor.

>> Claro, claro.

>> Então, eh, o desafio tá dos dois lados, né?

>> E como é que você vê isto? Eh, e aí de fato eu não tenho esse conhecimento ainda, entre produtos nacionais e importados, o importado vai estar sujeito também à mesma regra? Como é que fica? Que a gente não citou até agora.

>> É exatamente assim, do ponto de vista desses novos tributos, CBS e IBS, é a mesma carga tributária, seja pro seja pro produto nacional, seja pro produto importado. O produto importado que é trazido com algum benefício fiscal também vai ter que, enfim, achar uma saída, né, para ver se continua valendo a pena em função do benefício não existir mais. O IPI é uma pedra no sapato na reforma tributária, Marcelo, eles tiveram que eh a regra do IPI, ela ficou assim um pouco esquisita. O IPI continua existindo, porém reduzido alíquota a zero se o produto tiver produção na zona franca. Então, eu tenho esse headphone aqui. Se alguém fabricar esse headphone na zona franca e eu tenho uma fábrica em São Paulo ou em Minas, eu continuo tendo que pagar IPI para manter a competitividade da zona franca. Então, veja que essa regra é assim, foi uma regra bastante engenhosa.

>> Uma regra bicaba.

>> É, é, é. a gente continuou tendo aí algumas mazelas e aí vai continuar tendo IPI também para produto importado.

>> Então, eh, o IPI, infelizmente não conseguimos nos livrar dele. Eh, e vai demorar, né? Porque a zona franca acaba só em 2073, então temos aí mais 48 anos, né? Não é isso? 48 anos >> visto se não for prorrogado.

>> É exato. Mas a gente acho que a gente não vai estar mais aqui para saber, né?

>> Não, K está ainda.

>> É. Mas vamos lá. Então, você acha que com a reforma eh a gente encontra se atuar com um pouquinho mais inteligência, etc., vai conseguir trazer ganho financeiro eh para as nossas empresas? Como é que você enxerga? Eu preciso estudar mais. Não tenho, é, não tenho dúvida, Marcelo, que acho que compras vai ter um papel bem estratégico, mas tem que pensar de uma forma mais ampla e abrangente, né? Não dá. esse eu vou trocar esse fornecedor, tenho que procurar um outro fornecedor que vai me vender a matéria-prima. Não, vamos pensar um outro jeito de trazer essa matéria-prima. Será que não é melhor talvez eu trazer já a uma matéria-prima assim um pouco mais processada, >> semiacabada? Eh, porque talvez o benefício era de matéria-prima, agora não tem mais benefício para matéria-prima, mas eu tenho benefício, tenho benefício, não, né? o benefício de matéria-prima deixa de existir, então eu já posso comprar o produto um pouco mais processado. Vou te dar um outro exemplo. Eu acho que vai crescer muito eh os fornecimentos as a service no Brasil.

>> Para para mim isso eh assim é é uma coisa, acho que a gente vai ver muitas muitos fornecimentos, ao invés de ser uma venda, de eu fazer uma assinatura. Hoje em dia é um pouco menos comum. Primeiro porque a gente tem questões tributárias, né? Eu tô eu tô vendendo ou eu tô prestando um serviço, eu tô te alugando ou eu tô vendendo para você. Então, a gente tem uma uma diferença tributária no tratamento que acaba gerando ali uma zona cinzenta eh com alguma eh controvérsias aí com algum eh sujeito ao questionamento. Mas por que que eu preciso comprar eh material de móvel de escritório? Hoje em dia eu compro porque senão não tenho crédito de PIS COFINS, por exemplo.

>> Uhum.

>> Mas no futuro, como tudo vai dar direito a crédito, talvez eu consiga alugar, talvez eu consiga, ao invés de fazer a fabricação dentro eh dentro da minha empresa, por que que eu não busco um fornecedor que terceiriza uma parte, faz uma industrialização por encomenda? Eh, se eu tenho, sei lá, um, tô precisando de espaço para ampliar, ao invés de eu fazer uma nova fábrica, eu contrato um serviço, né, uma nova fábrica, um novo armazém, eu contrato um serviço de armazenagem que o cara, inclusive, vai poder fazer a reembalagem para mim. Hoje tem um problema de IPI, mas se, digamos, por hipótese, né, que eu não esteja nessas exceções, como o IPI vai ser alíquota zero, eu também posso terceirizar mais uma parte da minha da minha produção. Então, acho que a gente tem assim inúmeras possibilidades, mas tem que abrir um pouco a cabeça, Marcelo. Tem que pensar de uma forma mais abrangente. Eh, enfim, esses termos que eu não gosto muito, né? pensar fora da caixa, pensar holisticamente, que até já ficou meio, né, muito chavão, mas é isso mesmo, é instigar a pensar uma de uma forma um pouco mais estratégica, sair um pouco daquele arroz com feijão, porque eu acho que novos modelos de negócio vão surgir. Eh, isso sem falar em todas as outras mudanças que a gente tá tendo de inteligência artificial, mas nem vem ao caso. Olhando só especificamente o impacto da reforma tributária, acho que a gente vai ter muitos novos negócios surgindo, possibilidades de parcerias que a gente não tem hoje em dia. Hoje em dia você tem, sei lá, sociedade em conta de participação, você tem consórcio, você tem poucos arranjos, mas de repente eu posso fazer um tipo de parceria com o meu fornecedor, ao invés de comprar, vamos fazer uma parceria, vamos pensar uma outra forma da gente trabalhar juntos. Então eu eu tô bem assim entusiasmada. Eu acho que a gente vai ter quem quem tiver criatividade, curiosidade, iniciativa, um pouco de coragem e ousadia, né, que a gente precisa. Eu costumo brincar, Marcelo. Eu sempre falo que o pessoa que resolve eh se tornar empresário no Brasil é louco, né? É um pouco louco e o que sobrevive é um herói. Então tem que ter um pouco de coragem e ousadia eh para enfrentar aí todas essas para enfrentar e trazer, né, novas ideias. Eu eu acho que a gente vai

>> queria te colocar então uma coisa em cima do que você me comentou, Adriana, aquela discussão que sempre existiu em compras, né, com o financeiro do tipo, OK, mas vai ser Capex ou vai ser OPEX?

>> Exato.

>> Isso vai mudar radicalmente, pelo que você me falou de, né, de virar como um serviço, etc. muda radicalmente. A apuração também de resultados vai mudar da mesma maneira com esses novos produtos.

>> Eu acho que pode mudar assim a forma de você ver aquela compra que você tá fazendo, né? Justamente esse ponto. É, é capex ou é ou é opx. Você pode optar hoje em dia, talvez a gente tenha menos eh condições de optar, né? Eh, e possivelmente com a reforma tributária você não vai ter mais tantas restrições. Eh, e a apuração de resultado também muda bastante, né? Hoje em dia, por exemplo, Marcelo, a gente tem muita empresa que fica sentada em cima de um monte de crédito tributário, que é um ativo que eu não consigo monetizar. Esse é uma outra situação. Ah, eu compro, vamos supor, eu compro com 18% de ICMS e eu vendo a quatro, então eu não consigo realizar aquele meu crédito, né? Isso é um problema. Exatamente. É um problema muito comum aí nas empresas. Então eu tenho um ativo, mas é um ativo que ele não vale nada porque eu não consigo gastar.

>> A partir do momento em que na reforma tributária, se eu tiver essa perda, não é para ter, né? Assim, teoricamente a gente não deve mais ter porque não vai ter essa diferença de 18 para quatro que a gente tem hoje, essas maluquícias. Então, primeiro que a gente não vai ter mais essa essa diferença tão grande, mas mesmo que eu tenha, a promessa do governo é que eu vou receber rapidamente esse dinheiro. Óbvio que, né, a gente eh gato escaldado tem medo de água. A gente não não a gente acredita duvidando, acredita a gente, ou melhor, a gente duvida com otimismo, né? A gente duvida, mas de otimismo. Nesse país a gente não vive, né? É, então a gente duvida com certo otimismo, mas eh até a forma de apuração de resultado das empresas, o valuation das empresas, Marcelo, a gente também tem falado bastante sobre isso, né, nas transações de M&A, inclusive de repente comprar um fornecedor, porque não, eu falei de fazer parceria, mas comprar um fornecedor.

>> Exato.

>> Pode ser que verticalizar possa fazer sentido ou não, ou o contrário, né? A gente tem situações em que talvez eh você eh hoje em dia você consolida por uma uma questão tributária, por exemplo, você tem muito crédito acumulado, então você compra, você traz um outro negócio dentro da sua empresa que não tem nada a ver com o que você faz, mas para gastar os créditos tributários, talvez você não precise mais fazer isso.

>> Então olha a quantidade, mas tem que abrir a cabeça. Por isso que recado, eu mesmo. É >> por isso que um recado, um recado importante que a gente tem insistido nessa tecla é a reforma tributária não é da área tributária, gente, pelo amor de Deus. Quem tiver com essa visão ainda, ah, eu vou pedir depois pro pro pessoal de TI fazer um ajuste e o o meu meu time de fiscal já estudou a reforma, não?

>> Uhum.

>> É um mindset completamente diferente pra companhia. E neste cenário, Adriana, você acredita ainda que é fundamental compras estar mais próximo do tributário para aprender ou para trabalhar juntos ou compras precisa totalmente eh ser parte de como é que você enxerga?

>> Olha, acho que se for parte é melhor ainda conversar no mínimo, né? E tributário, gente, no E tributário, por favor, vamos deixar de ter medo de tributário, né? Até outro dia uma amiga minha falou que ela falou assim: "Idri, tributário é igual matemática na escola. Assim, a gente fugia, quem não gosta de número trava, tem assim, tem trauma de matemática, né? Ia mal na prova, não gostava de estudar. E na faculdade de direito isso era uma amiga advogada. Tributário também era a matéria que o pessoal fugia, né? Imagina nas empresas, né? Tributário. Ai, tributário é muito difícil, eu não entendo o que vocês falam. Não, gente, por favor, não vão com essa com esse espírito. Tem que ter um pouco de paciência, né? Porque realmente é difícil. Eh, mas se puder estar junto com o time de tax melhor, mas no mínimo conversar e e e se educar, né, Marcelo? Acho que isso é uma outra coisa também eh que a gente tem que sempre buscar, né? buscar mais conhecimento, buscar talvez um curso focado, né, na área para compras, para ter uma linguagem mais acessível, uma linguagem bem prática, né? Às vezes também a gente sabe que o pessoal vira um pouco eh não gosta muito de advogado porque ai eu não entendo o que que eles falam, é muito jurídico, é muito mandado de segurança. Não, vamos assim no básico mesmo, sentar explicar como é que faz a conta, mostrar essa questão. Uma outra questão importante, eh, também ainda nessa nessa linha da, né, da da questão do mindset, hoje em dia, várias coisas que você compra e que são 100% custo, eh, vão vão passar a gerar crédito para a empresa. Então, de novo, essa questão do preço líquido versus o preço bruto, eh talvez o preço final aumente, né? Então, porque você pega, por exemplo, fornecedor de serviço, fornecedor de serviço, hoje a carga tributária é muito baixa, né? A gente tem aí de 2 a 5% de ISS, muitas empresas no lucro presumido com 3,65 de PIS e COFINS. Então vamos arredondar aí para para cima, né? 5 + 3,65 dá 9%.

>> Então você passa de 9% para 30. Então, se o cara, vamos supor que hoje ele me cobre R$ 100 mais os 9% por dentro, vamos supor que dá 112, né? Eu, o meu preço é 112 e o meu custo é 112. Se ele passar a cobrar o IVA, o CBS e a IBS por fora em cima do 100, ele vai me cobrar 130.

>> Uhum.

>> Eu vou gastar 130, mas o meu custo é 100, porque os 30 viram crédito.

>> Então eu preciso entender essa dinâmica. Agora veja que interessante, eu hoje preciso só de 112 de caixa para comprar esse serviço. Eu vou precisar de 130.

>> Demanda de caixa. Claro.

>> Então tesouraria também tem que estar ali junto com o pessoal de compras. Qual que vai ser o impacto pro meu fluxo de caixa?

>> Uhum.

>> Não, fundamental, sem dúvida nenhuma. Mas eh de novo, passa tudo a ter crédito, porque, por exemplo, hoje em dia, eu olho, vamos dar um exemplo simplista, material do escritório não me gera crédito, ele é simplesmente um custo, gerar, >> vai gerar. Então, qualquer coisa dentro do meu custo passa a ser um gerador de crédito ou ainda tem exceções.

>> É, Marcelo, assim de novo, eh, vamos ser eh duvidando com otimismo. O que está na lei, o que está na lei, praticamente tudo dá direito a crédito.

>> Pode ser que eles criem restrições, pode ser, mas não é uma premissa da reforma tributária. A premissa é que tudo gere crédito, até porque tudo vai ser tributado. Então, vou te dar um outro exemplo. Aluguel. Aluguel hoje em dia não é tributado porque não é serviço e não é mercadoria, você só paga PIS e COFINS. O aluguel vai passar a ser tributado pelo IBS e pela CBS. Então, eh, na conta do governo, ele vai ter um rol maior de, né, de fatos geradores.

>> Uhum.

>> Então, é justo ou faz sentido que tudo dê direito a crédito, tá? Então, um pouco essa é a cabeça na lei complementar, né? E aí também já dando complementando na lei complementar, complementando, né? O que a gente tem hoje em termos de reforma tributária, a gente tem uma emenda constitucional eh que precisou ser feita porque muita da muito do nosso sistema tributário está na Constituição, então precisou ajustar a Constituição Federal. Depois saiu uma lei complementar que

É do começo desse ano, né? A Lei Complementar 214, mas outras leis serão editadas. Essas outras leis, elas têm que estar em linha com a lei complementar e com a Constituição.

Mas a gente já viu esse filme antes de extrapolar, de ter tod justamente essas restrições na lei complementar do ICMS, você tem direito a muitos mais créditos do que de fato a gente tem na realidade. Então, de novo, a gente fica, tem que ter um pouco o pé, o pé atrás, porque eh já passamos, já vimos esse filme antes.

Mas o que está na Lei Complementar 214 é um direito a crédito muito mais amplo do que a gente tem hoje. Tem algumas restrições que são chamados bens de uso e consumo pessoal, que é para evitar que a empresa compre uma coisa, sei lá, pro diretor. Eh, mas também tem algumas restrições na parte de frange benefits.

Inclusive o RH também tem que estudar a reforma tributária, porque algum, sei lá, por exemplo, plano de saúde, eh, vale transporte, eh eh ônibus fretado, tudo isso vai ter impacto na reforma tributária e a gente precisa saber se vai poder tomar crédito ou não.

>> E de novo, mais caixa sendo consumido.

>> É, exatamente. Mas em linhas gerais, tudo que for produtivo e tudo o que for da empresa, inclusive material de escritório, eh, vai dar direito a crédito. Sim. A gente não acredita que haja restrições, mas temos que manter aí o o colocar isso no radar, certamente, para que a gente não tenha nenhuma surpresa.

>> Então você tá me dizendo que não dá para esperar nem mais um minuto para começar a estudar, para trazer isso pra mesa. Enfim, é fundamental tá discutindo isso já com todas as áreas, correto?

>> É, eh, eu acho que as empresas, eh, a gente passou por várias mudanças grandes aí na área tributária nos últimos quatro ou 5 anos, Marcelo, tá todo mundo bem assoberbado. Então, certamente, eu acho que nas empresas a área tributária já tá estudando, já tá um pouco mais envolvido, mas precisa ter mais capilaridade.

>> Sim. É,

>> eu acho que é isso. Precisa, eh, precisa levar isso um pouco mais paraas outras áreas para tá todo mundo engajado, entendendo e trazendo contribuições, trazendo esse tipo de dúvida, de questionamento que você tá, que você já trouxe, né? Ah, que a PEX ou Apex, esse fornecedor aqui, que que você acha que eu faço? Como é que eu abordo? Como é que eu pergunto para ele? Eu tenho, eu tenho condições de negociar um preço melhor com ele? Como é que tá a parte de contratos? Que que fala no meu contrato com esse fornecedor? fala que qualquer mudança tributária automaticamente será repassado no preço ou não tem nada no meu contrato falando sobre isso.

>> Uhum.

>> Então, eh, esse conhecimento tem que ser um pouco mais espalhado dentro da das empresas e e não obstante, as pessoas da área de compras também podem buscar. Tem, gente, tem tanta coisa de graça hoje em dia na internet, tanto webinar no no YouTube, tanto material que você consegue estudar, eh, consegue se aprofundar um pouco mais, né? E aí você já senta para conversar com o pessoal da área fiscal já um pouco mais preparado. Eh, acho que essa seria uma boa dica aí também.

>> Legal. Não, vamos aventar, sem dúvida nenhuma. Tô vendo que eu mesmo tenho que estudar um pouquinho mais, tenho que dar um pouquinho mais inclusive porque pessoa física, pessoa física também vai ser impactado.

>> Eh, quem tem apartamento alugado, quem tem apartamento no Airbnb alugado, você tem uma casa de praia que você aluga eventualmente pelo, eu falei Airbnb, mas pode ser qualquer outra plataforma, né? Plataforma. Eh, você pode ser impactado também. Será que você já viu isso? Você já pensou nisso, né?

>> Eh, enfim, até na pessoa física, né?

>> Com certeza. É, não vamos lição de casa para hoje à tarde no escritório, a gente já vai acelerar o pessoal lá e e dar uma eh buscar um pouquinho mais de conhecimento, ver como é que a gente como é que a gente distribui mais esse conhecimento. Se você tivesse no meu lugar, Adriana, você é uma diretora de compras, né? E que que eu que que eu levo para pro meu time nas próximas três semanas? Que que eu tenho que falar, cara? saiam fazendo isso ou saiam fazendo aquilo, corram atrás.

>> É, olha, eh, eu acho que a primeira coisa eu faria um treinamento sobre o que é a reforma tributária, o de para, né, o o básico, todo mundo tem que tá sabendo.

>> Depois eu sentaria e pegaria a minha lista dos fornecedores, né, os, sei lá, curva ABC aí dos fornecedores para sentar e e ver que que eu tenho de contrato com esse cara, o que que tá previsto no contrato dele, né? ele vai poder repassar aumento de carga tributária, ele a gente tem um preço líquido negociado. Então vê a parte de contratos, depois vê se esses fornecedores estão preparados, como eu te falei, para emitir o documento fiscal a partir do ano que vem, porque senão, independentemente de não ter cobrança dos tributos ano que vem, né, porque a gente só vai continuar com o regime atual, né, segue por mais um ano, talvez eu tenha impactos para o meu sistema atual, justamente. Ah, não tá valendo nada da reforma tributária, ele nem foi atrás disso. Não, ele precisa ir atrás disso porque eu vou continuar tendo que pagá-lo, vou continuar tomando o crédito dos outros tributos. Então, tenho que saber se ele tá apto a a emitir documento fiscal. Terceira coisa, esse meu fornecedor é ponta firme, é um cara idôneo, é uma empresa que eu acho que tá se preparando paraa reforma tributária, tá indo atrás também, é uma empresa que tem benefício fiscal, ele já tá, já tá se mexendo, já tá indo atrás eh de novas possibilidades. E aí, por fim, eh, manter em vista as outras possibilidades, já começar a pensar eh com um pouco mais de visão de médio prazo, né? Porque no curto prazo, como eu te falei, a gente pelo menos até 2028, né, 2029, a maior parte dos benefícios fiscais são de CMS, mas tem muitos benefícios que são de PIS e Cofins.

>> Uhum.

>> Mas assim, vamos considerar que PIS e Cofins é um universo menor aí de empresas que são impactadas. Então eu tenho aí pelo menos uns 2, 3 anos para eu estudar bastante e pensar em novos modelos de negócios, novos fornecedores, novos parceiros comerciais. Eh, e agora você tem que dar conta de tudo, né? É um olho, é um olho no molho e um olho no peixe, né? porque se a durante todo esse período de transição continua vida normal em relação aos tributos que a gente já tem hoje. Então é um desafio assim, tem que assubiar e chupar cana ao mesmo tempo.

>> Com certeza. É

>> que é que é que é um pouco o perfil, né, Marcelo? Hoje em dia, assim, você tem que ser multitask, você tem que ter, enfim, múltiplas eh eh habilidades e um conhecimento que não fica limitado àilo que você faz. Se você acha, ai não, o meu, o meu, a minha função é tirar pedido. Não, pelo amor de Deus, gente, essa função não é colocar pedido, né?

>> Com certeza. Com certeza não. Adriana, puxa, eh, queria te agradecer muito porque acho que foi uma lição, mais do que um webinar, do que uma conversa, foi uma lição. A gente, eu pelo menos aprendi muito aqui. Então, queria te agradecer bastante por estar com a gente aqui nas conversas épicas. Estamos iniciando uma nova temporada. Eh, muito obrigado e queria te deixar a palavra, se você quiser dizer mais alguma coisa, alguma coisa que faltou, alguma coisa importante que você acha que a gente não abordou. Fique à vontade.

>> Não, obrigada você mais uma vez aí da oportunidade. Eh, espero que quem esteja ouvindo ou venha ouvir, né, não fique traumatizado, gente. Acho que não fujam. A reforma tributária vai assim, outra coisa, Marcelo, muita gente, ah, você acha que vai ter prorrogação, né? brasileiro adora uma prorrogação, adora uma postergação. Será que é para valer mesmo? E você também mencionou aí no começo, né, da da experiência que a gente tem, quando eu comecei a a trabalhar na área tributária, eu sempre fui para indiretos. E aí na época um amigo meu falou: "Dri, você acha que a gente não era melhor a gente mudar de área?" Porque todo mundo fala que vai ter reforma tributária, né? Isso, isso, né? 20 tantos anos atrás. Então, demorou, mas a reforma veio e eu acho que a gente não vai ter postergação. Eu acho que é uma realidade, como sempre, Marcelo, a realidade se impõe. Então, não adianta a gente negar, não adianta a gente fingir que não é com a gente, não adianta a gente fugir do problema. o problema e quanto o problema está aí, o bode está na sala e quanto antes e mais cedo e melhor a gente se preparar, eu acho que menos difícil vai ser eh atravessar esse período. E enfim, boa sorte aí para todos nós, né?

>> Para todos nós. Obrigado, Adriana.

>> Mais uma vez.

>> Até mais, gente.

>> Até mais. Obrigada.

>> Quero agradecer a todos que estão nos ouvindo e deixar um convite aqui para você. Gostou da nossa conversa? Sim, né? Então acesse já www.goepic.com.br e descubra como estamos simplificando e modernizando o dia a dia do setor de compras. Muito obrigado. [Música]