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DEBATE: KIM KATAGUIRI X JONES MANOEL - Inteligência Ltda. Podcast #1327

Inteligência Ltda3:11:10

Transcription

[Música] Olá teros, como é que vocês estão? Sou Rogério Vilela, tá começando mais um Inteligência Limitada, o programa onde a limitação da inteligência acontece somente por parte do anfitrião que vos fala, porque sempre trago pessoas mais inteligentes, mais interessantes e com a vida muito mais politizada do que a mim, do que a sua. Léo, muito mais do que a minha. Hoje vamos debater política, vamos dir para ter planos para tirar o Brasil de onde ele está. Cara, se é o lado, se é uma uma versão comunista, uma versão, Ixe, aqui ó, os caras não desliga o celular aqui ó. Ah, tá vendo, tá vendo, já começou errado. Então, hoje vamos ver se é o projeto, o projeto de esquerda, o projeto de direita. Estamos aqui, Jones Manuel, Quim Kataguiri, dois caras que eu admiro muito porque são muito argumentativos, são inteligentes e eu acho que o debate vai ser de alto nível. Muita gente esperando exatamente isso. Que ia dizer, muita gente esperando desde ontem nas redes sociais, do sempre foram bem aqui, foram pedidas essa, essa, esse debate foi pedido há muito tempo e finalmente conseguimos reunir os dois. Fale aí, Léo, é contigo.

Olha, uma excelente audiência logo de cara, então vocês que estão aí no chat, vocês vão deixar o like e muita gente que tá aqui não é inscrito, por favor, se inscreva para ajudar a gente já no engajamento. Mas muito importante, eh, eu estou monitorando aqui o chat e você vai mandar perguntas pelo super chat, já fala para quem a pergunta, manda pergunta exato, bem objetivo, porque senão, eh, comentar aqui no chat vai subindo muito rápido, então vamos ter um bloco é específico para a pergunta de vocês. Mande o super chat, eu vou separar de acordo com o tema que tá sendo debatido, a gente vai jogar na mesa para seguir o debate. Fechou? Antes de eu falar de como vai ser a estrutura do debate, quero agradecer nossa parceirona de longa data, Insider, que tá sempre aqui com a gente e proporciona debates, programas especiais como esse, não é, Léo? Exatamente. Link na descrição, QR Code na tela, não é isso? Para desbloquear a sua promoção. Desbloqueei sua promoção. Acordado aqui entre os dois, as duas, os dois convidados, a gente vai ter uma abertura aqui que cada um vai se apresentar com 5 minutos para cada um. Depois a gente tem o primeiro bloco, tema livre, 3 minutos para formular a pergunta, 5 para resposta e 3 minutos para réplica. Três perguntas para cada debatedor com alternância de perguntas. Aqui pode variar de três a quatro, vamos ver, vamos controlando o tempo aqui. Segundo bloco, seis perguntas sobre São Paulo, Brasil, feitas por mim e pelo chat, 5 minutos para resposta de cada debatedor com alternância sobre quem responde primeiro e ter corrigela. As seis perguntas são sobre São Paulo, que foi que a gente acordou. É, tá bom. Sobre São Paulo. Terceiro bloco, novamente com temas livres e confronto direto no mesmo modelo do primeiro bloco e conclusão. Depois cada um vai ter 5 minutos para fazer um encerramento. Então, já já sorteamos aqui. Abertura é com Kim. Kim, se apresente pro pessoal, dê suas credenciais para aquela câmera lá.

Muito bom. Vocês sabem, sou Kim Kataguiri, deputado federal em segundo mandato. E o objetivo aqui nesse debate, basicamente, é mostrar que passei os últimos dois anos estudando, me aprofundando, viajando, me reunindo com especialistas, com formuladores de políticas públicas ao redor do mundo para trazer o melhor projeto para a cidade de São Paulo, que foi o debate, eh, pro qual o Jones me desafiou quando eu era pré-candidato a prefeito. E justamente por isso, eh, me aprofundei, né, para apresentar o melhor plano de governo. Fui o primeiro pré-candidato a apresentar e um plano de governo com soluções concretas para a cidade de São Paulo. Quero demonstrar aqui que o Jones não tem a capacidade de debater políticas públicas concretas para solucionar problemas da vida do dia a dia do cidadão da cidade de São Paulo e também problemas estruturais do Brasil. Mostrar para vocês o que a gente trouxe de melhor da Dinamarca, de Singapura, de Israel, dos Estados Unidos, de diversos países que são referência nas mais diversas áreas e trouxemos para o nosso programa de governo e trouxemos para o nosso programa de educação, de segurança pública, enfim. Espero fazer aqui um debate de alto nível. Espero que não tenha cadeirada, espero que não tenha soco, mesmo porque se vier, eu vou ser desmontado. Olha o tamanho do Jones Manuel, olha o meu tamanho, eu estou só a capa da gaita aqui. Então, pretendo fazer um debate de ideias, um debate de políticas públicas, mostrar, né, todas as contradições e todas as hipocrisias que a gente já está acostumado a ver da da esquerda, especialmente da extrema esquerda, que está aqui representada, eh, pelo Jones Manuel. E colocar também problemas estruturais do Brasil pelos quais vários governos de esquerda já passaram e aqui, muito provavelmente, o Jones vai colocar que governos de esquerda, como do PT, foram governos neoliberais, foram governos liberais, foram governos que aderiram à política do mercado, que para mim, evidentemente, de uma perspectiva de direita, isso é uma piada. Vai tentar também colocar veículos como a Rede Globo como parte de uma grande mídia burguesa que faz parte do mesmo sistema econômico e que não tem comentaristas e que não tem militantes e que não tem pessoas que sistematicamente fazem propaganda pro ideário de esquerda como boa parte da classe jornalística brasileira da nossa imprensa tradicional. Colocar as políticas públicas, os debates, as evidências, tudo aquilo que eu aprendi nos últimos dois anos, a experiência como deputado federal de processo legislativo, de articulação política, de implementação de política pública na prática. E é para isso que eu vim debater aqui. Então, quero cumprimentar todos, o Vilela e o Jones Manuel.

Então você gastou 2 minutos e 20, ainda tem, se quer depois completar, tem mais para completar 5 minutos. Você vai pode gastar 5 minutos direto ou fazer em etapas. Minha câmera é essa, aquela lá. Vai lá, Jones. Você apresenta pro povo.

Gente, boa tarde para todo mundo que está acompanhando a gente. É um prazer estar aqui, Vilela, agradeço muito a oportunidade. É sempre um prazer voltar e estar aqui contigo. Quero agradecer a todo mundo que está acompanhando esse debate. Mandar um abraço para minha mãe, que está acompanhando o debate junto com meus dois sobrinhos. Qual o nome da sua mãe? O nome da minha mãe é... Tem dois sobrinhos, Cris e Bran, um de 5 e outro de 6 anos, que estão acompanhando. Mandar um abraço também. Um beijo grande para minha esposa, que está acompanhando o debate. Um beijo, meu amor. Para quem não me conhece, meu nome é Jones Manuel. Eu sou natural de Recife, sou historiador e professor de história de formação. Atualmente, faço um doutorado em Serviço Social na UFAL, Universidade Federal de Alagoas. Sou também comunicador, educador popular, escritor, tenho vários livros lançados e militante comunista há mais ou menos 13 anos, né? Eu venho de uma família pobre, trabalhadora. Minha mãe trabalhou a vida toda como empregada doméstica, cozinheira. Meu pai era pedreiro. Comecei a trabalhar com 13 anos de idade. Fui, sou o primeiro da minha família a entrar numa universidade, a fazer curso superior. Minha militância política começou a partir da minha própria realidade, né? Eu não sou um playboy de classe média que decidiu entrar na política para ganhar dinheiro, para aparecer. Só alguém que conheceu desde perto violência policial, enchentes em momentos de chuva, a fome, o custo de vida muito alto da conta de luz, da conta de água, do gás de cozinha, o problema do desemprego, a precariedade dos serviços públicos de saúde, de educação. Comecei a me politizar a partir do rap, fundamentalmente. Então, Racionais MCs, Gog, Facção Central e por aí vai. Aos 18 anos, eu descubro o Marxismo. E aí junto essa consciência política que vem do rap, da cultura periférica, do hip hop, que está nas favelas e comunidades do Brasil inteiro. Isso é combinado com o estudo marxista. A partir daí, eu passo a me organizar e lutar pela revolução brasileira. Hoje, sou militante, dirigente nacional do PCBR, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, que é uma organização política que inclusive lançou recentemente seu jornal, O Futuro, que é um jornal político para todo o Brasil, que já é o melhor veículo de imprensa popular e revolucionária do Brasil. Tá subindo agora para minhas redes sociais, nos stories, página lá do Futuro, todo mundo acompanha, siga. Então, a gente faz uma militância política em defesa da classe trabalhadora. Por Vilela, eu acho que num episódio que eu tive aqui contigo, eu já fiz essa brincadeira, né? Tem um famoso livro do Álvaro Vieira Pinto, O que são as greves, que ele pergunta: "Por que os ricos não fazem greve? Porque eles não trabalham." Quem produz toda a riqueza é a classe trabalhadora. Tudo é feito pela classe trabalhadora. E você, trabalhador, trabalhadora, de qualquer setor, de qualquer categoria, você produz toda a riqueza, mas não desfruta dela, né? O Brasil tem vários problemas estruturais de saúde, de educação, de mobilidade urbana, de violência, de empregos precários com baixos salários, de ausência de capacidade de produção de ciência e tecnologia, de concentração fundiária, de fome, de degradação ambiental, né? A gente está vendo mais de 150.000 focos de incêndios pelo Brasil inteiro, 80% do território brasileiro coberto por uma fumaça tóxica, ilhas de calor insuportável, inclusive o calor em São Paulo está insuportável, e é um recifense falando isso. E a gente tem vários problemas para resolver. E está muito claro que o capitalismo, Vilela e Kim, não tem soluções para esses problemas, né? A gente vive mais de 120 anos de capitalismo e todos os problemas da classe trabalhadora estão aí, estão agravados. Por isso que a gente tem uma proposta radical, sim, não é extrema esquerda, da esquerda radical, esquerda revolucionária, para de fato, realmente, transformar o Brasil. E é isso que a gente vai mostrar hoje no debate. Por fim, eu quero fazer duas referências muito importantes. Primeiro, deixar meus sentimentos de solidariedade e de pesar a toda a comunidade libanesa do Brasil e, particularmente, de São Paulo, nesse momento. O Líbano está sendo vítima de mais um massacre operado por Israel, inclusive com brasileiros mortos no Líbano. Então, deixar meus sentimentos para toda a comunidade libanesa, que é gigantesca aqui em São Paulo. Dizer que nós estamos juntos nessa luta contra a barbárie sionista, Israel, que está praticando genocídio em Gaza e agora o massacre no Líbano. E como não poderia deixar de ser, deixar também minha solidariedade ao Deputado Glauber Braga, deputado federal, que é o melhor do Brasil, está sofrendo perseguição do Arthur Lira, que ameaça caçar o seu mandato, numa articulação feita também em parceria com o MBL, né, uma articulação criminosa. E o Arthur Lira, que é um bandido, né, que é uma pessoa que está se apropriando do orçamento público, responsável pelo orçamento secreto e está caçando, tentando caçar um parlamentar honesto, combativo e contra corrupção, como é o Glauber.

Você ainda tem, você completou 5 minutos e você tem mais 2 minutos e 20 aí para para completar a sua abertura antes da primeira pergunta do Jones. Só quero só quero colocar aqui, né, que primeiro o Jones já começa fazendo ataques levianos e insinuação de que não sou um playboy de classe média que entrou na política para aparecer. Primeiro, a minha trajetória, a trajetória da minha família, né? Tenho um avô que nasceu e morreu catador de latinha, outro avô caminhoneiro, também morto num latrocínio, uma das principais razões pelas quais eu tenho uma militância tão forte e em relação à segurança pública no nosso país, né? Um pai que trabalhou durante 30 anos como metalúrgico, depois foi empreender. Uma mãe trabalhou a vida inteira como garçonete, como faxineira, como massoterapeuta, como dona de casa. Então, não tive toda essa infância e essa vida privilegiada que o Jones Manuel sempre quer colocar. Primeiro, é engraçado como, infelizmente, as esquerdas brasileiras adoram essa falácia de colocar que apenas os esquerdistas sofrem, vêm de origem pobre e todos aqueles de direita são ricos, têm origem rica, têm berço de ouro e por isso estão defendendo seus interesses próprios. Muito pelo contrário, né? Eu tive a oportunidade de estudar que meus pais, que meus avós nunca tiveram, né, graças ao trabalho, ao suor, ao esforço de cada um deles. Não há nada de playboy entrando pra política para aparecer. E no outro ponto, falar que Glauber Braga é o melhor deputado do Brasil é uma piada. Eu até questionaria, você conhece os números de Glauber Braga em relação a relatorias de projeto de lei, em relação a projetos aprovados, em relação a projetos barrados? Os números dele são absolutamente nulos. E mesmo dentro da própria esquerda, quando você compara nos rankings de esquerda, né, como o Congresso em Foco, por exemplo, sempre premia a bancada do PSOL, Glauber Braga sempre fica na lanterninha com a produtividade absolutamente nula, né, em relação a isso. E no outro ponto também colocar, temos capitalismo há 120 anos, né, ignorando completamente diferentes modelos que você tem de capitalismo em diferentes países, em diferentes modelos institucionais e ignorando também o fato de que mesmo com modelos diferentes, né, o capitalismo nos últimos 120 anos foi capaz, e aí você pode pesquisar ou mesmo alguém colocar nas redes sociais agora, vê que em 120 anos você aumentou a riqueza geral, diminuiu o piso de pobreza, as oportunidades, inclusive a mobilidade social em países da OCDE aumentou nesse período. Pronto.

Agora vamos para o primeiro bloco, então, de três perguntas para cada debatedor. Foi sorteado, Jones faz a primeira pergunta de três aí para Kim.

Perfeito. Primeiro, dizer assim, que eu não disse que o deputado é playboy. Ele, o movimento dele, o MBL, é basicamente um movimento de playboy. Esses movimentos que surgiram no contexto ali do impeachment contra a presidente Dilma são fundamentalmente movimentos de classe média. Isso está provado. E assim, nenhum problema em si a pessoa ser de classe média. Tem muita gente que é de classe média que é comunista, que defende a luta da classe trabalhadora, porque pessoas de classe média também são assalariadas. Mas o deputado, ele defendeu Arthur Lira, né? Porque o ataque a Glauber é fundamentalmente isso, é defender o Arthur Lira, que é ele que está perseguindo o Glauber. Por falar em atuação parlamentar, minha primeira pergunta é bem objetiva. Veja, a Vale do Rio Doce, que era a empresa mais importante de mineração do Brasil e da América Latina, foi privatizada numa operação criminosa durante o governo FHC, uma privatização que foi ilegal e que a Vale do Rio Doce foi vendida para iniciativa privada por apenas 25% do seu valor total, né? O STF, infelizmente, sancionou essa privatização ilegal. Em seguida, a Vale do Rio Doce teve participação direta, e o próprio ramo da mineração, em várias tragédias no Brasil, né? A tragédia de Mariana em 2015 e a maior de todas, a tragédia de Brumadinho. Os números registram à época que só em Brumadinho morreram 276 pessoas. Esse número é só as vítimas diretas, né? Não pega as pessoas que morreram depois por doença, por depressão, que ficaram com sequelas múltiplas. Em 2019, Vilela, como resultado direto da tragédia de Brumadinho, foi apresentado um projeto de lei que criminalizava o rompimento de barragens por negligência. Ou seja, o controlador da empresa não cumpriu as normas de segurança, a barragem rompeu e causou desastre ambiental e humano. Ele vai ser criminalizado, aumenta as penas ambientais, multas ambientais para a empresa, é a pena para o controlador, né? Foi um caso raro no Congresso em que 367 deputados votaram a favor disso, só 67 deputados votaram contra. Aliás, desculpa, 62 deputados. Kim Kataguiri votou contra o PL 2788 de 2019, que criminalizava o rompimento de barragens por negligência. Veja, Brumadinho, cidade destruída, 272 pessoas morreram no imediato, prejuízos bilionários para as pessoas, para as pequenas e médias empresas e tal. A imensa maioria do Congresso votou a favor desse projeto, entendendo a importância frente àquela tragédia. Mas só 62 deputados votaram contra. Kim Kataguiri foi um deles. E aí, deputado, você diz que é contra a impunidade, você diz que é contra a criminalidade, porque você foi um dos poucos deputados que votou a favor de não punir empresário mafioso que destrói a vida de milhares de pessoas. Lembrando que é até 3 minutos para a pergunta e 5 minutos para a resposta. Vamos lá, Kim.

Vamos lá. Primeiro, uma falácia de dizer que atacar o Glauber Braga é defender o Arthur Lira. Uma coisa tem absolutamente nada a ver com a outra, né? Atuação parlamentar do Glauber Braga, ele agrediu uma pessoa dentro do próprio parlamento. Não tem absolutamente nada a ver com eu fazer nenhuma defesa de nenhuma prática e de nenhum esquema de Arthur Lira. Então, assim, uma falácia pura e simples e aberta, escancarada para todo mundo que quiser ver. O outro ponto também em relação a, olha, é sempre esse velho discurso de que a empresa estatal foi vendida a preço de banana, foi vendida a 25% do seu valor total. Ora, engraçado que nenhuma dessas pessoas que falam isso compraram as ações a preço de banana naquela época para ficar rico. Porque se você sabe que a empresa está sendo vendida por um valor muito abaixo daquele valor de mercado, é muito simples você ir lá e adquirir as ações e você participar daquela empresa e você ganhar e ter lucros com isso. Nunca ninguém faz isso, porque sabe exatamente que não se calcula o valor total da empresa sem você considerar todos os passivos que ela responde, sem considerar todas as dívidas às quais ela responde. Em relação ao PL 2788, é uma explicação muito simples, muito técnica, na realidade. Você precisa separar, e esse projeto não separava, o que é uma barragem de rejeitos, o que é uma barragem de mineração, para uma barragem de infraestrutura de hidrelétrica. Eu fui relator do projeto de lei do licenciamento ambiental. Esse projeto sim, institui a pena muito dura para qualquer desastre ambiental causado por negligência, por omissão, por imperícia, em caso de barragens de rejeitos, porque a barragem de rejeitos é um passivo, é um prejuízo que aquela empresa precisa arcar e que precisa ter uma atuação do Estado para fiscalizar e garantir a manutenção daquela barragem. Diferente de uma barragem de hidrelétrica, que é um passivo, o próprio negócio da hidrelétrica depende daquela barragem. Se aquela barragem não funcionar, aquele negócio vai dar prejuízo. Então, são tratamentos distintos para situações distintas. E aí eu perguntaria para você, se você acha razoável, depois de você fazer o EIA, de você fazer o RIMA, de um estudo de licenciamento ambiental, você destinar 10% de compensação ambiental e parte de 10% dessa compensação ambiental ser utilizada com a justificativa de você, eh, proteger o meio ambiente para construir estádio de futebol e para reformar Câmara de Vereadores? É óbvio que este instrumento, que é um dos principais instrumentos de defesa do meio ambiente da legislação brasileira, está sendo utilizado para achacar empresários por interesses políticos e isso não se reverte em proteção ambiental. Então, eu quero fazer perguntas também objetivas para você: o que que você acha de, depois de fazer o EIA, fazer o RIMA, você ter a conversão de 10% em compensação ambiental e mais de 80% desse dinheiro não ser destinado efetivamente para compensar os danos e os impactos ambientais causados por esta obra de infraestrutura?

3 minutos para a réplica, Jones.

Vocês viram que o deputado não respondeu à pergunta. Veja, o deputado votou contra criminalizar rompimento de barragens por negligência, ou seja, não cuidar de todos os aspectos de segurança, né, que tem que haver para a barragem não romper, aumentava as multas ambientais para as empresas e a pena para os controladores das empresas. Tá subindo agora para as minhas redes sociais, matérias mostrando que o rompimento em Brumadinho e Mariana foi devido à negligência, a falta de investimento em prevenção, insegurança na atividade profissional. Se o deputado discorda do projeto, ele poderia, por exemplo, apresentar uma emenda, ele poderia debater com sua bancada ou com seus pares para fazer mudanças no projeto e torná-lo melhor, mais eficiente. Todo deputado pode ir lá fazer uma proposta de emenda, recolhe as assinaturas e tal. O deputado, ele votou para proteger os empresários. Tanto é assim que ele acabou de falar que os empresários são achacadores, são vítimas. 270 pessoas, mais de 200, 270 pessoas foram mortas em Brumadinho, e o deputado está com pena de empresário. Ele acabou de falar, ele está com pena de empresário. Deputado, fale para o pessoal, para a população de Minas Gerais, a vítima é o empresário ou são as pessoas que perderam tudo nessas duas tragédias? Pode ir aí. É outra pergunta porque seria per...

Per minute. Tá, tá no banco do tempo. Eu fiquei com 1 minuto e meio. Então, manda bala. Não, mas aí nos agora, SOS. 2 minutos de réplica. Vocês colocaram aqui só réplica, não colocaram tréplica. Então, eu não sei. Jones, ele vai poder, não esgota o tempo, tá bom? Ele tem 2 minutos e 20, né? Isso. E eu tenho 1 minuto e meio. Então, vamos lá. Vamos lá. Mais uma vez, ele está sendo falacioso. Primeiro, eu não disse que a culpa é, é, é da vítima. Eu não disse que os empresários são coitados no caso de Mariana e de Brumadinho. Eu disse que institucionalmente, nós temos uma legislação que na compensação ambiental, em vez de nós compensarmos o meio ambiente com reflorestamento, em vez de gente compensar o meio ambiente, né, em você fazer, por exemplo, corredores para evitar atropelamento de animais, você colocar fiscalização da Polícia Ambiental para evitar escoamento de madeira ilegal, nós utilizamos esse dinheiro hoje para atender a interesses políticos escusos do licenciamento ambiental. Nós gastamos muito mais, né, do que outros países desenvolvidos proporcionalmente nas obras, principalmente nas obras de infraestrutura ligadas a rodovias, a ferrovias, a hidrelétricas, a e mesmo em mineração. Isso que eu coloquei em que a, o achaque nos empresários, em nenhum momento eu disse que era sobre Mariana e sobre Brumadinho. E você, você que não respondeu a minha pergunta, se você acha razoável no EIA, depois do estudo, você gastar dos 10%, você gasta compensação ambiental, né, 80% desse dinheiro não vai pro meio ambiente. Eu queria até perguntar se você sabe o que que é um EIA, se você sabe o que que é um processo de licenciamento ambiental, você sabe o que que é um EIA, você sabe o que que é um processo de licenciamento ambiental, você sabe o que que significa você relatar um projeto maior na Câmara dos Deputados que depois vai superar a legislação que foi aprovada anteriormente, porque o posterior prevalece sobre o anterior. Eu queria saber se você entende essas premissas básicas para saber se a gente consegue debater, porque se você não sabe o que que é um EIA, como é que eu vou debater com você o que é um EIA?

Jones Manuel. Gente, como vocês percebem, o deputado ele está fugindo do assunto. Ele está puxando um debate sobre licenciamento ambiental, que tem uma pergunta para fazer para você sobre isso, sobre uma votação sua que é pró desmatamento. Mas a pergunta que eu fiz foi muito objetiva: frente à tragédia de Mariana e Brumadinho, houve um consenso na Câmara dos Deputados de endurecer as regras para tentar evitar novos desastres futuros. Se apresentou um projeto de lei de criminalizar o rompimento de barragens por negligência, perfeito. Então, isso tangencia o tema do licenciamento ambiental e das regras ambientais, mas temos aqui um tema específico. Esse projeto foi aprovado, a imensa maioria da Câmara dos Deputados votou a favor, gente de direita, centro, fascista, liberal, gente nova do PSL da época do Bolsonaro, e só 62 deputados votaram contra para proteger os empresários da mineração. E no caso específico, a Vale. Deputado Kim Kataguiri foi um dos que votou contra para endurecer a regulação penal, endurecer as penas para empresários que de maneira negligente provocam um rompimento de barragens. Ele não explicou até agora porque ele votou contra esse projeto, até a maioria dos parceiros dele, deputados, votaram a favor. Então, quem está fugindo do debate é você, e você precisa explicar, deputado, porque frente à maior tragédia da mineração da história brasileira, você foi, foi um dos poucos deputados do país inteiro que votou contra e para defender os empresários da mineração. E o EIA, nada. Acabou meu tempo.

Ah, entendi. Não deu tempo de responder a primeira pergunta aqui. Beleza. Vamos lá. Eu quero perguntar aqui, Jones, já que agora você, até onde eu entendi, é um dirigente partidário, né? Agora você ocupa uma posição formal dentro de um partido político. Pois eu quero perguntar sobre, eh, a articulação política, não é? Vamos supor, então, que você, com o seu projeto, com o seu plano de governo, você dispute a Prefeitura de São Paulo. Você ganhou a Prefeitura de São Paulo. Como você pretende implementar, uma vez ganhando a Prefeitura de São Paulo, o seu projeto comunista revolucionário? Como você vai articular os seus projetos dentro da Câmara dos Vereadores? Qual que seria a primeira medida que você tomaria juridicamente? Qual que é o decreto? Qual que era o certame? A licitação que você abriria? Qual que seria a liberação do orçamento que você pediria para a Câmara dos Vereadores, implementando um projeto comunista revolucionário? E eu quero aproveitar e perguntar para você, dentro do âmbito de articulação política e projeto comunista revolucionário, você já chegou a afirmar, Hã, que os liberais, né, poderiam aí, deveriam, né, Hã, sofrer pena de trabalho forçado? Seus adversários políticos poderiam? Você tá negando? Eu tô aqui com o print, posso mostrar que o seu, seus adversários liberais poderiam, seria uma boa ideia os liberais ficarem em campos de trabalho forçado? E que também, numa revolução, né, mortes são naturais, são uma contingência comum, acontecem, né? E dentro do seu projeto revolucionário, mortes poderiam acontecer normalmente. Eu perguntaria para você, dentro desse projeto revolucionário, você vem sendo uma Prefeitura de São Paulo, você, por exemplo, eu como um liberal e para você, né, um instrumento da burguesia, etc., você me mataria para fazer revolução? Seria uma coisa OK assim para você?

Pode. Deputado, veja, eu defendo, por exemplo, penas muito duras para empresários que, em nome do lucro, negligenciam a segurança e afundam cidades como Brumadinho. Você votou contra para proteger os empresários. Eu, por exemplo, defendo penas muito duras e quem mata é justamente a ganância capitalista, né? Em Brumadinho, mais de 270 pessoas morreram. E você não explicou porque votou contra. Dito isso, vamos diretamente à pergunta. Veja, gente, a pergunta ela tem uma tira, né? Não se implementa um projeto comunista num âmbito municipal, nem numa eleição. Está em jogo se vai ser o modo de produção, o regime, se vai ser socialista ou comunista. Isso não está em jogo numa eleição, especialmente numa eleição municipal. O deputado deve saber muito bem que o município no Brasil, a estrutura de municipalidade, ela concentra bem pouco de capacidade arrecadatória, decisória, que tem uma hiperconcentração de poder no âmbito da União, né? A União é responsável pelo maior número de impostos arrecadados e os marcos regulatórios dos próprios serviços municipais dependem muito de competências da União. Eu espero que o deputado saiba disso. O que que está em jogo, por exemplo, numa eleição municipal? Está em jogo, basicamente, o modelo de governança e o conflito redistributivo. O que que é o conflito redistributivo? É para onde vai prioritariamente o orçamento, de quem se cobra e para onde vai o orçamento. Eu fui candidato ao governo do estado de Pernambuco em 2022. O que que a gente estava colocando ali como debate? Tem três questões fundamentais. Primeira questão: é preciso fazer da campanha uma espécie de plebiscito programático, você deixar muito claro o que vai fazer, como vai fazer, de onde vai sair o dinheiro, qual é que vai ser a perspectiva, como você vai apresentar os projetos para saúde, educação, cultura, lazer, infraestrutura, meio ambiente e por aí vai, deixando claro o projeto que você está defendendo, envolvendo toda a classe trabalhadora, envolvendo os movimentos sociais, envolvendo a academia, ganhando a eleição desde já. Se propõe uma governança com participação ativa, né? Não uma governança a frio, uma governança a quente. Então, mecanismos de orçamento participativo, mecanismos de participação direta e indireta nas secretarias, junto com os movimentos sociais, os setores da sociedade interessados em determinadas áreas específicas. Então, por exemplo, vai ter uma Secretaria de Saúde, os trabalhadores e trabalhadoras da Saúde, os usuários, têm que ter vários mecanismos de consulta, de participação direta, direta para fiscalizar o trabalho da secretaria, para definir as prioridades orçamentárias e definir os marcos de regulação da política no setor de saúde. Então, uma governança direta, ativa e um processo de definição de prioridades orçamentárias. Então, vamos pegar algumas coisas básicas no exemplo de São Paulo, já que o deputado quer tanto debater São Paulo. Em 2015, foi aprovada uma legislação na Câmara Municipal de São Paulo que diz que 100% do alimento servido para as crianças na merenda tem que ser à base de orgânicos, né? Até 2026. Isso é importante, muito por isso preserva o meio ambiente, que a gente está falando de uma produção de alimentos sem agrotóxico, sem destruição ambiental. Isso é bom para a saúde das crianças, isso é bom para a agricultura familiar, para gerar emprego no campo. A gente está em 2024, só 4% da alimentação das crianças, 1 milhão de refeições são servidas pela prefeitura de São Paulo, são de alimentos orgânicos. Então, as crianças estão comendo comida com agrotóxico. E em vez da prefeitura comprar diretamente nas creches conveniadas e nas creches que são PPPs, prefeitura está dando dinheiro e se compra como quer e não cumpre a lei de orgânicos. Então, por exemplo, uma das prioridades seria garantir uma alimentação digna, de qualidade, à base de orgânicos, porque conecta a política de educação, que é fundamental, a criança bem alimentada para aprender, conecta a política de defesa do meio ambiente, conecta a política de saúde, menos agrotóxico, menos doença, menos câncer, menos problemas na área da oncologia. E você vai remodelando o orçamento público para garantir o interesse fundamental da classe trabalhadora. Isso no âmbito de uma prefeitura, no âmbito da presidência, as possibilidades e potencialidades são muito maiores, porque tem mais instrumentos. A Erundina, aqui por exemplo em São Paulo, fez a melhor prefeitura da história de São Paulo, não foi reeleita porque naquela época não tinha reeleição, né? A Erundina, por exemplo, fez um programa revolucionário de moradia popular, baseado fundamentalmente de garantir como prioridade orçamentária, fazer os mutirões, mobilizar as comunidades e conseguiu dar respostas sobre moradia popular, regularização fundiária, melhora das casas das pessoas. E até hoje, nas periferias de São Paulo, a Erundina é muito lembrada. Então, é uma governança com participação popular direta, com prioridade de destinar o recurso público para os interesses da classe trabalhadora e combatendo todas as roubalheiras do Ricardo Nunes, que o Kim Kataguiri é cúmplice, já que apoia ele.

3 minutos para a réplica, vamos lá.

Eu já respondi, mas vou responder de novo, porque eu votei contra o projeto de lei porque ele não separa uma coisa que é técnica aí, que o Jones não entende, porque não tem conhecimento, porque ele não sabe nem o que que é um estudo de impacto ambiental com relatório de impacto ambiental, que é peça fundamental em preservação de meio ambiente. Quem se diz preocupar com o meio ambiente deveria saber uma coisa elementar dessas. Mas vou repetir, porque não separava a barragem feita de mineração com a barragem feita para hidrelétricas. E reforço: Ah, você é contra punição para empresário? De quem? Quem foi o relator do licenciamento ambiental que aumentou a punição para os empresários? Meu! Eu que aprovei dentro da Câmara dos Deputados, né? Não sei se foi falta de conhecimento seu, mas a minha lei muito mais estruturada e com uma punição, com punições administrativas maiores, incluindo também as repercussões criminais do projeto de lei que você citou. Então, isso não sei se você não sabe ou se você preferiu e ignorar. E você não respondeu como você articularia, como você construiria a maioria para governar? Você ia aceitar as indicações políticas? Quais partidos que iam fazer essas indicações políticas? Como é que um comunista revolucionário faz articulação política dentro da política institucional? Agora que você é um dirigente partidário que quer disputar o poder, um dia pode ser que você ganha a eleição, né? Até agora não aconteceu, mas você ganha eleição um dia, você vai articular como e você vai aprovar como esses instrumentos, por exemplo, orçamento participativo precisa mandar um projeto de lei para a Câmara de Vereadores. Como você articula e como você constrói a maioria para isso? E você também não respondeu em relação à própria revolução, se na revolução mortes, né, são contingências comuns, aí como você coloca, se a minha morte também estaria OK, se você me matar numa revolução, estaria tudo bem para você? Eu quero entender da sua mentalidade, até onde vai, né, o uso da violência, o uso do massacre para você implementar a ideia e que você acredita. Outro ponto, e em relação a, ao elogio ao programa da, ao governo da Erundina, que Erundina é muito lembrada na periferia até hoje, claramente você não anda na periferia de São Paulo, porque olha, eu vou para Parelheiros, vou para Parque Taipas, eu vou para várias comunidades daqui, inclusive onde o MBL possui ONGs de trabalho de assistência social, e não tem ninguém falando bem, ninguém lembrando de Erundina. Pelo contrário, os planos diretores, eh, aprovados, formulados e levados a cabo pelos governos da Erundina jogaram os mais pobres ainda mais para periferia, com menos saneamento básico, com menos acesso à energia elétrica, com menos acesso a esgoto, com linhas de ônibus piores, aumentando o tempo que eles passam, né, dentro do transporte público e piorando a sua condição de vida de maneira geral. E o outro ponto, orgânicos preserva o meio ambiente, diminui desmatamento. A produtividade do orgânico é muito menor do que a produtividade do alimento comum. Você desmatar muito mais, você destruiria muito mais o meio ambiente se você implementasse alimentos orgânicos 100% para todo mundo, seja em escola, seja em repartições públicas, seja na iniciativa privada. No mundo inteiro, o desmatamento aumentaria justamente porque você não teria o controle de pragas que você tem hoje com os pesticidas, que inclusive em doses legais hoje, nunca houve nenhum caso de prejuízo à saúde pelo uso de pesticida em doses legais permitidas pela legislação. O que há são, eh, problemas de saúde causados pelo excesso, fora da lei.

Segunda pergunta, se quiser. Não, eu tenho três minutos da réplica. Não, a réplica é dele. A pergunta foi dele a você responder. A réplica dele, você pode incluir na sua pergunta de 3 minutos. Eu te falei que essa regra é falha. Eu preferia um, um tempo. Aproveita nesses três minutos e faz algum comentário e já faz a pergunta. Então, perfeito. Vamos lá. Primeiro, Deputado Kim Kataguiri acabou de desmentir Maxwell. Vai subir para as minhas redes sociais agora, tá lá no story do Instagram. O Kim Kataguiri ele votou a favor da PL 3729 de 2021, que dispensa o licenciamento ambiental para vários empreendimentos, em que todos os ministros do meio ambiente, ex-ministros do meio ambiente do governo Collor, do governo FHC, governo Lula, governo Dilma, governo Temer, todos foram contra. Então, o deputado Kim Kataguiri votou a favor do PL 3729 de 21, que dispensa o licenciamento ambiental para vários e vários empreendimentos. E ele também não respondeu. Reparem bem, o PL que criminalizava o rompimento de barragens por negligência, se ele tinha discordâncias, ele apresentava tentativa de mudança e melhorar o projeto. Ele só votou contra e nunca mais apresentou nenhum projeto de lei. Eu aprovei. Pera aí, tá bom, cara. Nunca mais apresentou nenhum projeto de lei para tentar dar conta da questão. Isso por um lado. O que ele falou sobre o governo Erundina é mentira, mas me dispenso de comentar agora. Deputado, eu tô muito interessado em saber uma coisa. Você votou a favor do PL do veneno, né? Que é o projeto de lei número 6299 de 2022, que segundo dados da Fiocruz, uma das instituições públicas mais importantes e respeitadas do Brasil, o PL do veneno libera o uso de agrotóxicos comprovadamente que causa câncer, com substâncias cancerígenas. E não existe nenhum estudo que garanta um nível de consumo seguro dessas substâncias. Novamente, o Brasil é um dos países que mais consome agrotóxicos no mundo inteiro. Vários agrotóxicos que estão proibidos na União Europeia, proibidos nos Estados Unidos, proibidos na China, são consumidos no Brasil. A bancada ruralista, né, a ideia deles de "passar a boiada", apresentou esse projeto de lei, ampliou o uso de agrotóxicos. Ministério do Meio Ambiente, Fiocruz, várias instituições renomadas falando: "Ó, isso aqui é irresponsável, não há testes clínicos que comprovem que há nível seguro de consumo dessas substâncias." O deputado Kim Kataguiri foi e votou a favor, junto com a bancada ruralista. E mente sobre a produção de orgânicos, e mente, porque o grau de produtividade depende basicamente da escala de produção, do acesso a crédito e das técnicas produtivas que estão colocadas. A partir do momento que você estimula a demanda, que você apoia com crédito, com mecanização, né, colocar, aumentar a composição orgânica do capital, você consegue aumentar a produtividade. Agora, Kim Kataguiri, quem está certo é você ou é a Fiocruz? Porque a Fiocruz disse que o projeto que você votou a favor traz consumo de substâncias cancerígenas, que não há testes clínicos provando nível de consumo seguro, e você votou a favor. A gente vai confiar em quem? Na Fiocruz ou você? Tá subindo para minhas redes sociais agora a notícia falando disso, de mais um voto criminoso, irresponsável com a saúde do povo brasileiro.

Deputado Kim Kataguiri, 5 minutos para resposta.

Isso aí, eu nem precisaria de 5 minutos, porque primeiro, ele simplesmente utilizou um argumento de autoridade que é uma falácia, né? "Ó, quem é que está certo? A Fiocruz ou Kim Kataguiri?" O Kim Kataguiri, né? Primeiro, porque o projeto de lei, primeiro, porque o Kim Kataguiri, diversas instituições que respaldaram e que inclusive, é uma mentira quando você coloca que o projeto de lei libera agrotóxico. O projeto de lei não libera nada. O projeto de lei ele traça um procedimento, né, de uma fase só, que é o mesmo procedimento utilizado pela União Europeia, que você tanto coloca. Nós estamos unificando o nosso procedimento com o procedimento da União Europeia para ele não ter que passar em três fases distintas e passar por um único canal, mas sendo escrutinado pelas mesmas instituições que escrutinam hoje os defensivos agrícolas. Então, eu não estou excluindo nenhuma análise, né, de periculosidade, não estou excluindo nenhuma análise de prejuízo à saúde. Todas as instituições que antes faziam o escrutínio dos defensivos agrícolas continuam fazendo com a aprovação do PL dos defensivos agrícolas. Eu desafio você dizer uma instituição que deixa de dar parecer em relação aos defensivos agrícolas no PL que nós aprovamos. Nós simplesmente simplificamos o procedimento administrativo. Não há nenhuma nova leniência, nenhuma nova permissão, nenhuma nova facilidade para você aprovar substâncias perigosas. E veja só a contradição que você entra, porque você coloca: "Olha, aqui no Brasil tem substâncias que são que são proibidas, né, na União Europeia, que são proibidas nos Estados Unidos", justamente porque o procedimento deles de aprovação de novos defensivos agrícolas, que são cada vez menos agressivos e cada vez mais produtivos, é mais célere. A gente demora mais para aprovar o uso de novas moléculas aqui no Brasil e justamente por isso que a gente tem proibições, né, e que a gente utiliza produtos atrasados e muitas vezes, né, o produtor recorre a contrabando para utilizar os produtos mais modernos que possuem no mercado. Então, há uma contradição entre o que você coloca da nossa demora, da nossa burocracia, dos procedimentos administrativos pelos quais o produtor precisa passar hoje e em relação ao procedimento que nós estamos igualando com o procedimento da União Europeia. E veja, e um dos países, né, mais longevos do mundo, com os alimentos mais saudáveis do mundo, com os hábitos mais saudáveis do mundo, com as melhores expectativas de vida, que é o Japão, usa N vezes mais agrotóxicos nas suas produções do que o Brasil usa. Muito, mas nem se compara, tipo assim, coisa de pelo menos, se não me...

Falha a memória, mas eu vou pedir também para colocar nas minhas sedes pelo menos sete vezes mais do que a gente utiliza aqui no Brasil. Então, é uma falácia você colocar. Ah, e outra coisa que assim, é risível você falar que na produção de alimentos orgânicos só não é tão produtivo, só não produz tanto num território tão pequeno em comparação com os alimentos comuns, porque não tem acesso a crédito e porque não tem o incentivo público, porque não tem escala de produção e porque não tem acesso a crédito. Não tem absolutamente nada a ver uma questão de tecnologia. É uma questão de você produzir muito mais em um território muito menor. Hoje, a gente conseguiria dobrar a nossa produção agrícola sem derrubar uma única árvore sequer, muito por causa da tecnologia, já na semente transgênicos, defensivos agrícolas, tudo isso que vocês colocam contra, demonizam, né? Tentam, né? Colocar como se fosse a pior coisa do mundo. Se nós plantássemos orgânico no Brasil inteiro, nós desmataríamos o Brasil e ainda assim não seria o suficiente para alimentar toda a população. E não tem acesso a crédito que aumente magicamente a produtividade, que você magicamente, num território menor, vai conseguir produzir mais alimento porque o crédito está mais fácil ou porque você aumentou a sua escala de produção. Você só vai desmatar mais, você só vai gastar mais, eh, eh, território para você produzir uma quantidade menor de alimento do que se produz hoje. Então, assim, é um desconhecimento em relação à legislação de modernização de procedimentos administrativos para defensivos agrícolas. É um desconhecimento em relação à escala de produção que se pode dar e a produtividade em relação, eh, a alimentos orgânicos e todo o procedimento e todas as agências que, mais uma vez, eu te desafio para reforçar, porque às vezes eu falei no início da fala, você esqueceu. Colocar uma única instituição que deixou de fazer avaliação sobre defensivos agrícolas a partir da aprovação desse PL. Três minutos para réplica. Vamos lá. Não sei se vocês repararam, quando eu citei a Fiocruz, não é argumento de autoridade, né? Nem eu sou agrônomo, nem você é agrônomo. Então, a gente tem que trazer pessoas que estudam, que têm acúmulo, que têm pesquisas científicas sobre o tema. Veja, eu citei que todos os ex-ministros do meio ambiente foram contra o PL do veneno. Todos os ministros estão errados. Eu citei que a Fiocruz afirmou que não há testes clínicos para o consumo seguro dessas substâncias cancerígenas. O deputado Kim falou: "Ah, não, mas tem várias instituições que atestam o contrário." Ele não falou o nome de nenhuma. Ele não falou o nome de nenhuma. Então, não é argumento de autoridade, é uma questão técnica. Veja, o consumo desmedido de agrotóxicos está ligado ao desenvolvimento de várias doenças, inclusive na área da oncologia, né? Casos de câncer. E que o consumo de agrotóxicos deve ser inibido e trabalhar para ter cada vez menos, dado os prejuízos à saúde da população, os prejuízos à fauna, à flora, contaminação de lençóis freáticos, inclusive. Então, a questão é bem simples, Kim. Você não tem uma tréplica, mas você que faz a próxima pergunta. Vamos lá. Qual foi a instituição que disse que a o PL do veneno não representava risco à saúde do povo brasileiro? Porque eu acabei de citar esse momento, já está nas minhas redes sociais, que a Fiocruz afirmou que não existe nível de consumo seguro comprovado com testes clínicos para essas substâncias cancerígenas que causam câncer. Isso é bem objetivo e bem simples, e você não respondeu. Aliado a isso, você faz uma confusão, porque veja, a questão da União Europeia, dos Estados Unidos sobre consumo de agrotóxicos, não é questão de burocracia de procedimento. A questão central é que a cada três, quatro, cinco meses, tem algum projeto de lei na Câmara dos Deputados que está no projeto de lei a liberação da substância. Está no projeto de lei. E aí, evidentemente, que eu não vou lembrar o nome das substâncias cancerígenas e por aí vai, que têm nomes ultra complexos de química. Mas assim, o Congresso Brasileiro de tempos em tempos aprova a liberação de substâncias que a União Europeia, por exemplo, não usa. Isso é fato. É só dar uma pesquisada. Vou estar subindo aí para minhas redes sociais matérias sobre o tema. E o deputado faz uma demagogia que é por fora de estudos, por fora da experiência internacional. Vamos fazer o seguinte: Deputado, apresente um projeto de lei dizendo assim: "No Brasil, só se usa os agrotóxicos que são liberados na União Europeia." A bancada ruralista, que você vota junto, não vai aprovar. Sabe por quê? Ela não vai aprovar porque aqui tem um nível de liberação geral causando doenças no povo, destruição ambiental com contaminação de lençóis freáticos, que você traz um pseudo debate técnico para fugir do mérito político, que é o agronegócio empurrando agrotóxicos por cima de tudo, contaminando o povo brasileiro. Pode aproveitar para responder e já fazer a a segunda pergunta pro pro Jones em 3 minutos. Vamos lá. O PL não lista nenhuma substância. O PL do tal do PL do veneno que você está colocando não lista nenhuma substância. Então, é impossível, inclusive, a própria Fiocruz falar: "Olha, esse PL está liberando substâncias que seriam proibidas e que fariam mal à saúde para outros países." Impossível, porque o PL não lista substância. O PL fala sobre procedimentos. Então, não sei se você não leu o projeto e que você está falando sobre ele aqui sem ler, né? Não sei de onde você também tirou que a Fiocruz falou isso sobre este projeto, porque este projeto não lista substância. E muito me assusta um comunista querer sujeitar a nossa legislação à legislação da União Europeia. Então, quer dizer, a gente abre mão completamente da nossa soberania nacional, das nossas instituições, do nosso Congresso Nacional e fala: "Olha, o que está liberado na União Europeia, está liberado aqui." Olha, está meio esquisito esse seu comunismo aí, né? Mas vamos partir então para a próxima pergunta que eu quero fazer, que é sobre regime fiscal, PEC do teto de gastos. Jones, um tema que você conhece profundamente, eu não tenho a menor dúvida, e que você vai adorar debater política fiscal comigo. Vamos lá. Ah, com a aprovação da PEC do teto de gastos, vamos pros dados objetivos, né? O que que é a PEC do teto de gasto? A PEC do teto, ela colocava ali um limite que é o gasto do ano anterior somado, corrigido pela inflação, individualizado para cada poder: Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário. Quais foram os efeitos da PEC do teto? Efeito da PEC do teto foi que o juro saiu de 14,25% para 6,55%. A inflação saiu de 9,32 para 2,76%. O PIB saiu de -7% (a pior crise da história do Brasil, pior até do que a pandemia, sem que a gente tivesse uma) que foi no governo Dilma, para um crescimento de 3%. Então, acho que nem vou precisar utilizar todo o tempo da pergunta. Só quero te questionar se você é contra o teto de gastos, né? Qual que é a política fiscal que você defende? Você defende um liberação geral? Você defende que não haja limite de gasto? Você defende que não haja limite de endividamento? Você defende que não haja nenhuma trava e nem nenhum gatilho fiscal? E que o que o presidente da, sair da cabeça do Presidente da República, do Congresso Nacional decidir gastar naquele ano, ou inclusive comprometendo futuras gerações, possa se gastar sem limite nenhum? E a gente passa essa conta principalmente pro bolso do mais pobre, que proporcionalmente é quem mais paga imposto no nosso país. Cinco minutos para a resposta. Jones, vamos lá. Vocês viram como o deputado aqui, Kim Kataguiri, tenta fugir das questões? Ele citou de maneira errônea, mentindo, a União Europeia. E eu fiz uma proposta para ele para ele defender que os mesmos agrotóxicos que são permitidos na União Europeia sejam permitidos no Brasil e, subsequentemente, os que são banidos lá, sejam banidos aqui. O que que isso significaria? Isso significaria que, em média, 30% dos agrotóxicos usados no Brasil seriam banidos. Aí ele foge com a proposta com um negócio retórico: "Ei, comunista, tá querendo imitar a União Europeia" para não responder a pergunta. Você vê que o deputado defende o uso de venenos que a população europeia não consome. Então, não pode usar na França, não pode usar na Itália, não pode usar na Alemanha, não pode usar na Bélgica, mas pode usar no Brasil. Causa câncer, doença, envenenamento do meio ambiente, do solo. Veja, ele fugiu da pergunta sobre a questão do teto de gastos. Vamos lá. Primeiro, a crise provocada no governo Dilma-Lula foi uma crise provocada por uma política de ajuste fiscal. A deputada, a deputada, a presidenta Dilma trouxe o banqueiro do Banco Bradesco, Joaquim Levy, para ser Ministro da Fazenda, que aplicou uma política de ajuste fiscal que cortou quase 20% do investimento público em 2015, combinado com os efeitos da Lava Jato, derrubou a economia. E aí sim, causou a maior queda do PIB da história brasileira, mas foi uma política de corte de gastos. Você tinha uma economia desacelerando, a taxa de emprego estava alta ainda, o endividamento da família estava relativamente baixo, 1/3 das famílias estavam endividadas, mas eram dívidas pagáveis. Só que aí, quando vem o ajuste fiscal, a economia vai pro buraco, a taxa de desemprego dobra em 10 meses. Desemprego em 2015 dobrou em 10 meses por causa da política do ajuste fiscal. E aí acontece tudo que a gente sabe. Então, a grande desgraça do governo Dilma não foi, não foi gastar demais, foi uma política de ajuste fiscal antipopular tocada por um banqueiro. Quando vem o novo, o teto de gastos do Temer, e aí a questão é o seguinte, Vilela, ó, o que só tem no Brasil e não é jabuticaba. Tem alguma coisa errada? Veja, nenhum país do mundo coloca uma PEC que congela o investimento real em saúde e educação e cultura e lazer, infraestrutura e meio ambiente na Constituição, com status constitucional. Eu desafio o deputado Kim Kataguiri a me mostrar outro país que tem uma regra fiscal igual ou no mínimo semelhante nos seus marcos principais. O teto de gastos do Temer, consequência do teto de gasto do Temer, Deputado, está falando que baixou a inflação. Isso é um absurdo, porque ele está fazendo uma correlação que não tem base. Por exemplo, 1/3 da inflação no Brasil são preços administrados. O que é isso? É preço de conta de luz, de conta de água, de combustível e por aí vai. Qual é o efeito do nível de gasto público ou da taxa de juros nisso? Absolutamente nenhum. Outro 1/3 da inflação são basicamente elementos da economia sensível a câmbio, porque o Brasil passa por um brutal processo de desindustrialização e a gente cada vez mais importa coisas de fora. Então, por exemplo, o déficit comercial na saúde é de 20 bilhões de dólares. Ano passado, 2023, quando a gente precisa comprar de fora, toda vez que tem uma variação no dólar, por exemplo, isso impacta na saúde. O Brasil não é autossuficiente na produção de trigo. E aí, como diria o Ciro Gomes, né, a gente não compra dólar, mas compra pão. Pão é trigo, trigo é dólar. A gente não compra dólar, mas compra remédio. Remédio é dólar. Então, mais 1/3 da inflação é basicamente preço ofensivo a câmbio. Não tem nada a ver, nada a ver, absolutamente com o que ele falou. Agora, concretamente, para eu guardar tempo, sabe qual foi a consequência do do novo, aliás, do teto de gastos? A consequência foi o seguinte: o setor da educação perdeu R$ 30 bilhões da aprovação do teto de gastos do Temer até 2022. Educação perdeu R$ 30 bilhões. E saúde perdeu R$ 40 bilhões. Essa foi a consequência do teto de gastos do Temer, que não tenha dúvida, matou gente durante a pandemia. Réplica. Vamos lá, começando pelo final. Não matou gente durante a pandemia, porque durante a pandemia não tinha teto de gastos, né? A gente aprovou o Orçamento de Guerra. Então, essas regras fiscais simplesmente não se aplicavam, né? Então, já começa por aí o desconhecimento. O outro desconhecimento que você tem em relação ao teto de gastos é dizer que ele limita o investimento real em qualquer área. Isso é mentira, né? Ele impede o aumento do gasto acima da inflação, individualizado por poder. Se eu cortar, por exemplo, super salários do Ministério Público, se eu cortar super salários do Judiciário e utilizar esse dinheiro para investir mais em educação, eu posso. Não há nenhum impedimento em relação a isso. E isso estou falando de aumento real, não estou falando de aumento nominal corrigido pela inflação mais um extra. E estou falando de investimento e não de gasto corrente. A mesma coisa eu posso fazer com a saúde, a mesma coisa eu posso fazer com a infraestrutura. Não havia impedimento de aumento de investimento real em nenhuma das pastas ministeriais. Você só precisava cortar de outro lugar para você colocar aquele investimento novo naquele, porque a gente estava num nível de endividamento absurdo. Continuamos numa escala de endividamento muito grande para o nível de país subdesenvolvido em desenvolvimento. E justamente por isso que não há nenhum tipo de impedimento para investimento real em aumento de qualquer pasta, né? Tanto que houve, com a vigência do teto de gastos, houve, né, aumento real em pastas durante o governo Bolsonaro. Ah, um outro ponto que você colocou, eh, em relação a, olha, a crise causada pelo governo Dilma. Vamos lá. A gente teve 12 anos de governo do PT, 4 anos dela com Tombini no Banco Central, com Mantega, com a nova matriz macroeconômica, né? E nada disso é responsável pela crise. O que é responsável pela crise é colocar durante sei lá, 6 meses, o Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, que sei lá, eu desafio você a colocar três projetos do Levy que foram aprovados no Congresso Nacional durante esse período, durante a gestão do governo Dilma, né? Então, olha o malabarismo que ele faz para tentar justificar o desastre econômico do governo Dilma. Teve 12 anos de aumento de gastos obrigatórios, de aumento de gastos, eh, eh, de despesas correntes, né? De um sufocamento da capacidade de investimento do Estado com o aumento de gastos. Você teve aumentos salariais para a elite do funcionalismo público recorrentemente durante os governos petistas, prejudicando os funcionários públicos mais pobres, que são aqueles municipais, que chegam a ganhar menos até do que se recebe na iniciativa privada. E toda a culpa da crise foram seis meses de Joaquim Levy, que inclusive nem tinha maioria para aprovar na Câmara dos Deputados, primeiro porque o presidente da Câmara eleito não foi o presidente candidato do governo, segundo porque os próprios deputados do PT não votavam junto com Joaquim Levy. Então, você fez todo um malabarismo aí para tentar justificar a crise e que não se sustenta, né? E outro ponto, como é que a gente pode falar incapacidade de investimento público no nosso país se 94% das nossas despesas são obrigatórias? E diferente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos, a gente não tem no Brasil spending review. A gente não tem a capacidade de remanejar o nosso orçamento, de analisar: "Olha, quanto a gente gastou em saúde? Quanto a gente gastou em educação? Qual foi a qualidade? Qual foi o resultado desse gasto?" O Brasil é proibido de fazer isso pela própria Constituição. Como com orçamento tão engessado como esse? Aliás, um orçamento muito mais... Acabou. Acabou. Ele passou 30 segundos. Você passou 30 segundos. Não, eu guardei um minuto. Eu guardei um minuto. Então, tem um minuto ainda. Vamos lá. O deputado ou ele mentiu, se fez de cínico, ou ele não entendeu. O teto de gastos do Temer matou sim. Sabe por quê? Matou porque entre a aprovação do teto de gastos do Temer e o começo da pandemia, o SUS perdeu R$ 20 bilhões. Esse dinheiro fez falta quando veio a pandemia. Fez falta em número de leitos, fez falta em equipamento, fez falta em profissionais. Então, sim, o teto de gastos do Temer matou. E quem apoiou isso é corresponsável por essas mortes. Sim. O Joaquim Levy não passou só seis meses, ele passou um ano. E o maior gasto corrente da União, o maior gasto corrente da União é com juros da dívida pública, que ano passado correspondeu a mais de R$ 600 bilhões, que é algo que o deputado nunca falou. O deputado finge que é bravo contra a elite do funcionalismo público, que na próxima pergunta eu vou desmontar, mas ele nunca está falando contra o dinheiro que vai para o banqueiro todo ano, que é o maior gasto corrente da União. Já emenda a terceira pergunta do primeiro bloco. Então, Jones, perfeito. Veja, o deputado Kim Kataguiri é um mentiroso. Por quê? Ele faz um discurso de demagogia dizendo que é contra a elite do funcionalismo público, dizendo que vai para cima de juiz, de desembargador e por aí vai, porque ele está preocupado com os trabalhadores e trabalhadoras da base, né? Os funcionários públicos municipais, estaduais. Durante a pandemia no Brasil, com um governo genocida, um governo negacionista, o Brasil teve um dos maiores números de mortes do mundo inteiro de trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Nesse contexto, teve um movimento muito forte para defender valorização salarial desses trabalhadores e trabalhadoras. Foi onde foi aprovado o piso da enfermagem, que depois o STF atacou, né, defendendo o interesse dos empresários. E foi onde foi proposto, Vilela, sabe o quê? A PEC 22 para agentes comunitárias de saúde e de combate à endemia. Presta atenção. Passassem a ganhar dois salários mínimos. É uma categoria, uma das mais precarizadas do Brasil inteiro. Então, no contexto do pós-pandemia, a proposta foi o seguinte: "Ó, vamos apresentar aqui um projeto de lei para as agentes comunitárias e de combate à endemia passar a ganhar dois salários mínimos." Só isso, R$ 2.000 e tantos reais, dois salários mínimos. Só de novo. Houve um consenso na Câmara dos Deputados naquele contexto, né, do imediato, da imediata saída da pandemia. Foi aprovado e pouquíssimos deputados votaram contra. Um dos deputados que votou contra foi esse rapaz aqui, Kim Kataguiri. E aí, Kim, eu tenho uma dúvida muito grande: você tem todo o discurso, a retórica, não combater privilégio da elite do funcionalismo e pi-pi-pi-pó-pó-pó. Aí quando vem uma categoria precarizada, a maioria mulheres trabalhadoras, chefes de família, que ganham um salário terrível, e aí vem uma proposta para garantir um piso de dois salários mínimos, que ainda está baixo, você vai e vota contra. Por que você votou contra as agentes comunitárias de saúde do Brasil inteiro? Cinco minutos para a resposta. Kim. Primeiro, porque não se coloca piso salarial na Constituição. Até peço para você ver um paralelo aí de pisos salariais constitucionais em outros países. O Brasil possui uma Constituição tecnicamente prolixa e super rígida, né? E justamente por isso a gente tem tantos problemas institucionais e justamente por isso todo governo que passa, a gente muda a nossa Constituição. Então, primeiro ponto é: não se coloca piso salarial em Constituição. Segundo ponto, é muito fácil lá em Brasília o governo federal e os deputados federais aprovarem salário, um salário baixo, ainda na minha avaliação, de dois salários mínimos para os agentes comunitários de saúde, quando quem paga a conta são os municípios, que são saqueados pela União, que ficam com a menor parte dos recursos. Então, como é que você vai fazer, né? Você aprova lá muito bonitão, sai muito popular, como você colocou, a grande manada, 460 deputados votaram a favor. Era muito fácil eu votar a favor, surfar na onda e pagar de bonitão, como a maior parte dos demagogos e populistas de esquerda e de direita fazem e fizeram no Congresso Nacional. Agora, como é que eu chego lá pro prefeito de Meridiano e de uma cidade de 5.000 habitantes no interior de São Paulo, né, e falo para ele: "Olha, nós aprovamos aqui na Constituição, eh, piso para professor, para enfermeiro, para agente comunitário de saúde, e nós não vamos te dar um centavo para você financiar isso no seu município." Você quebra os municípios. Não é à toa que os municípios conseguem ano após ano decisões judiciais para descumprir os pisos nacionais, porque o piso nacional não funciona. Os municípios possuem realidades muito diferentes uma das outras. Uns têm capacidade de pagar, outros não têm capacidade de pagar. A descentralização, que é o contrário daquilo que você prega, que é o contrário daquilo que você defende da administração, você deixar para a administração municipal, você deixar para a administração estadual, que conhece melhor a realidade do seu município, que conhece melhor a realidade do seu estado, fazer com que ela, ela sim, defenda a sua política, né, de financiamento de salários, etc., que era inclusive uma coisa que eu defendo, né? Aqui para a cidade de São Paulo, a valorização do agente comunitário de saúde. A cidade de São Paulo tem condição de pagar, tem condição de aumentar. Agora, eu não posso obrigar todos os municípios sem conhecer a realidade de mais de 5.000 municípios no país. E é muito fácil aprovar um monte de gasto lá em cima em Brasília, sendo que Brasília fica com a maior parte dos recursos. Estamos falando do Estado de São Paulo, estamos falando da cidade de São Paulo, em que eu mando R$ 1, em que eu mando R$ 15 para Brasília, volta R$ 2 para o Estado de São Paulo. Aí é muito fácil Brasília aprovar os gastos, manda o resto pra gente pagar aqui na base. E enquanto isso, os funcionários públicos federais ganham 70% a mais do que os funcionários públicos municipais. E os federais que estão no topo, justo, não são todos que ganham bem, mas boa parte. E aqueles que estão no topo, em regra, são federais. Os 70% de aumento financiado com o dinheiro dos mais pobres, inclusive do agente comunitário de saúde, que mesmo com o piso aprovado na Constituição, não vai, vai ter o piso implementado, porque o município vai mostrar que não consegue pagar, consegue a decisão judicial e pronto. Deputados pagaram de bonitões. Parabéns. Tem dois minutos ainda. E não, eu tenho três minutos. E eu guardei um minuto da pergunta. E aí você tá mudando as regras. Não, não, a pergunta é, pergunta se a gente vai. Eu, eu falei de banco de tempo. Se vocês querem pegar tempo da pergunta, eu não tô pegando. Gela, eu fiz a pergunta. Ele respondeu. Não, tudo bem. Se vocês toparem, tudo bem. Não, não é topar. Vilela, eu, na pergunta, eu guardei um minuto. Eu só fiz a pergunta. Minuto. Sim, sim, mas, mas eu falei no começo, a gente vai ter banco de tempo. Já está fazendo banco de tempo. Mas banco de tempo na resposta e na tréplica. É isso que eu estou fazendo. Na pergunta não. Se você, se você parar, Vilela, é, eu não estou dando tempo para isso. Estou fazendo desde o início. Estou fazendo desde o início. Mas se quiser, eu acrescento da da pergunta. Vamos fazer assim: acrescenta agora e no próximo a gente joga com a regra que é da da réplica e tréplica. Pode ser? Então, você tem três minutos e você ainda tem dois da sua resposta. Vamos para a tréplica. Então, vamos lá. Primeiro, repara a incoerência do deputado Kim Kataguiri. Eu perguntei a ele: "Qual país do mundo tem um, um teto de gastos semelhante ao do Temer com status constitucional?" Ele não respondeu. E aí, em seguida, ele diz assim: "Ah, mas não pode aprovar o piso dos, dos agentes comunitários, porque é PEC." Ué, um argumento vale para um e não vale para outro? E veja, deputado, para aprovar o piso da, da enfermagem, se criou um fundo para ter uma despesa. E aí vai ter um fundo da União no valor de R$ 7 bilhões, que inclusive, de maneira criminosa, o governo Lula colocou dentro do novo teto de gastos, que é coisa que você apoia esse tipo de barbaridade. Dava muito bem para criar um piso para as agentes comunitárias também. Sabe qual é o valor que esses dois salários mínimos só daria? R$ 2 bilhões. Vilela, cá entre nós, R$ 2 bilhões para o orçamento da União é um troco. O deputado Kim Kataguiri, ele joga com as pessoas que não conhece o trabalho legislativo. Então, por exemplo, ele discorda do projeto porque vai onerar os municípios que têm pequena receita. Perfeito. O Brasil tem mais de, de, de 1.000 municípios com 50.000 habitantes, 40.000 habitantes, que têm realmente dificuldade de gerar receita para cumprir suas obrigações. Então, propõe a criação de um fundo federal para garantir o pagamento do piso das agentes comunitárias de saúde de combate à endemia, que ia custar só R$ 2 bilhões. Toda semana no Congresso se faz graça com o orçamento público, privilegiando setores empresariais. Acabaram de aprovar uma desoneração para 17 setores empresariais, dando R$ 18 bilhões. Sabe o orçamento secreto do do Arthur Lira, que que depois mudou de nome, mas continua lá do mesmo jeito, está manejando bilhões, sabe, sem nenhum planejamento, sem nenhuma. Aí o deputado, ele poderia, por exemplo, levantar um debate, ele poderia propor uma emenda ao projeto, ele poderia mobilizar a base daqueles tabacudos do MBL para fazer um debate público em defesa das agentes comunitárias de saúde, para criar uma compensação para, por exemplo, aumentar a tributação sobre setores que são isentos de tributo no Brasil, que é o caso de bilionários, de grandes empresas, por exemplo, não se paga lucros e dividendos, porque o deputado, por exemplo, não propôs revogar a contra-reforma tributária de FHC que isentou grandes empresários de pagar lucros e dividendos para financiar, por exemplo, o piso das agentes comunitárias de saúde. Aí aqui faz discurso dizendo: "Ah, eu defendo o funcionalismo público da base, eu sou contra a elite", mas quando tem um projeto de lei importantíssimo, ele não se mexe, ele não faz nada, ele vota contra. Ele fica calado e só está falando disso agora porque foi perguntado, porque eu pesquisei nas redes sociais dele, ele nunca falou do tema. Então, assim, não dá para pesquisar no Twitter porque está para lá do ar, né? Aí, enfim, mas assim, percebe a demagogia? Percebe a mentira? As agentes comunitárias de saúde comeram o pão que o diabo amassou durante a pandemia, recebem um salário mínimo com toda a dificuldade do mundo, vem uma proposta para dois salários mínimos, o deputado faz demagogia, o deputado vota contra e não propõe alternativa. Que tu trabalha? Tem mais tempo? Você quer falar ainda, Jones? Está, tem um minuto. E aí, continuando. Um deputado que não trabalha. As agentes comunitárias de saúde trabalham. Inclusive, eu digo mais, veja, o SUS foi profundamente prejudicado com o teto de gastos do Temer e com essa política de precarização. Já já a gente vai entrar num debate sobre complexo econômico industrial da saúde. O SUS é uma das coisas mais belas e importantes do Brasil, que tem potencial de gerar mais de 25 milhões de empregos. Vilela, já já eu vou te explicar como. E aí a gente precisa defender o SUS, defender os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, melhorar as condições de trabalho e criar tecnologia nacional. Mas vem um deputado desse e: "Ah, não sou contra porque é populismo, porque estou preocupado com os municípios", mas não apresentou alternativas. Eu desafio alguma agente comunitária de saúde que está assistindo a gente, já foi procurada pelo deputado? Já conversou com ele? Já foi recebida para falar sobre suas condições de trabalho? É óbvio que não, porque só conversa com os empresários, só responde a interesse do empresário, sabe? E aqui, ah, não, mas populismo. Não, deputado, por que você não fez nada em defesa das agentes comunitárias de saúde? Três minutos. E depois mais três para para uma pergunta. Você quer responder ou já quer fazer a pergunta? Não, já respondo uns dois minutos aí depois faz as três perguntas. Primeiro, ah, por que não propôs nenhuma emenda do agente comunitário de saúde? Porque não está em fase de emenda. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. Não tem comissão especial. Então, mais uma vez, no desconhecimento sobre o processo legislativo. Porque não fez? Porque não trabalhou? É porque você não sabe como é que funciona o trabalho lá. Então, você não sabe porque não foi criada uma comissão especial. A gente não está discutindo mérito, a gente está discutindo constitucionalidade. Então, esse é o primeiro ponto, né? O segundo ponto, a gente cita um lugar que tenha isso na Constituição. Não tem. Sabe por quê? Mais uma vez, eu repito uma coisa que você não sabe: a nossa Constituição é tecnicamente prolixa e super rígida. O que que significa prolixa? Porque ela trata de diversos assuntos, inclusive de política fiscal, coisa que não acontece em países desenvolvidos. Na maior parte dos países desenvolvidos, a Constituição não trata sobre política fiscal. E o Brasil trata sobre trabalho, sobre política fiscal, sobre o Colégio Dom Pedro II. Isso significa tecnicamente uma, uma Constituição ser prolixa e ser super rígida, significa que você tem um quórum qualificado para você aprovar modificações na Constituição e que nem com quórum qualificado algumas modificações você pode promover. E é por isso que não há outros países com essa mesma Constituição, com essa mesma configuração constitucional, que você não vai encontrar no texto constitucional esse teto de gastos. Agora, o modelo de teto de gastos você tem há 40 anos na Holanda, na Suécia, na Finlândia e no Japão, né? Então, basta pesquisar. Ninguém precisa acreditar na minha palavra, é só ver o que está sendo colocado aí. Ah, porque o deputado não faz, porque o deputado não trabalha. Pois eu desafio você a encontrar um deputado de esquerda ou até comunista, coitado, se eu for limitar para comunista aqui, você está lascado, porque sequer consegue eleger gente direito, né? Mas vamos lá. Oito projetos de lei aprovados, 70 relatórios de projetos de lei aprovados, sem falar em mais de uma centena de projetos barrados. Projetos ruins: PL da censura, aumento de imposto, a taxação que queriam levar para 92% de compra online, que a gente conseguiu reduzir para pouco mais de 60%, que ainda é uma desgraça, ainda é um desastre. Você falou: "Ó, só atende empresário, só beneficia empresário." Os privilégios tributários aprovados para os 17 setores, eu fui absolutamente contrário. Todos os que a gente tem, sei lá, 400, 500, 600 bilhões de privilégios tributários para grandes empresários, todos esses eu sempre votei contra. Você não conhece minha trajetória, você não conhece meu trabalho. E agora, pergunta. A gente está terminando o primeiro bloco aqui. Jones, fez três perguntas, que em duas é a última pergunta. Então, depois a gente vai pro chat. Vamos lá. Eu quero fazer uma pergunta agora pro Jones sobre a segurança pública, especialmente a segurança pública aqui na cidade de São Paulo, né? A gente sabe que a gente já sofreu, vou puxar os números aqui, eh, dos crimes que a gente já teve cerca de 300.000, né? Eh, furtos e roubos. Vão corrigir. 380.000 furtos e roubos, 630.000 total de ocorrências registradas só aqui na cidade de São Paulo, né? Como resultado, você diz que eu não trabalho, mas como resultado do meu trabalho, né, há dois projetos muito importantes. Um projeto que foi relatado recentemente pelo nosso Secretário de Segurança Pública, que é o fim da saidinha dos presídios, né? Que o sujeito cometia crime, saía, às vezes voltava, mas quando voltava era até pior, porque trazia informação, droga e arma pro chefe de facção que está dentro do presídio. Outro projeto que nós aprovamos importante também, aumento de pena para furto, roubo e receptação, que repito, Guilherme Boulos e Tábata Amaral não votaram nesse projeto, né? A Tábata está vive mentindo por aí. Já mentiu aqui, já mentiu no Flow, já mentiu no Felipe Moura Brasil, dizendo cada vez ela inventa uma versão. Primeiro, ela diz que ela votou a favor. Depois, ela diz que ela estava presente, mas perdeu a votação. Depois, ela disse que ela não estava, não votou e mentiu, né? E ainda arranjou uma desculpa para mentir. E a gente conseguiu aumentar, e é importante, principalmente para a receptação, que é o elo econômico do crime. Sem a receptação, você desestimula, né, os roubos, você desestimula os furtos. E com a pena de hoje, você converte a privativa de liberdade em restritiva de direito, ou seja, o sujeito não vai parar na cadeia, né? Em relação à própria, eh, situação da segurança na cidade, tenho como proposições, já falo isso há muito tempo, já está sendo até copiado agora pelos candidatos da prefeitura da cidade de São Paulo: você utilizar câmeras como no CSI de São José dos Campos, com reconhecimento facial, inteligência artificial, para você prender imediatamente quem tiver com mandado de prisão expedido, para você pegar pessoas que estão sendo procuradas pela Interpol. Então, você conecta com o Ctex do Ministério da Justiça, você conecta com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Sujeito que acabou de ser assaltado, você dá as características da pessoa, inteligência artificial já identifica naquela região todas as pessoas com aquela característica. E com isso, você conseguiu reduzir no número de crimes na cidade de São José em 70%. Fora um programa também de iluminação pública 100% em LED, baseado no que foi feito em Nova York, também em Bogotá, em Nova York a diminuição foi de 30% e em Bogotá a redução foi de 50%. Então, eu quero saber e do Jones, quais são as suas proposições, eh, para segurança pública na cidade de São Paulo, que a gente vive uma epidemia de crime. Antes disso, e desculpa. Opa, antes disso, o deputado Kim Kataguiri mentiu mais uma vez. Preste atenção que isso é muito importante. O piso da enfermagem foi aprovado e depois se aprovou um fundo para garantir ajuda aos estados e municípios para cumprir o piso da enfermagem. Com o piso dos agentes comunitários de combate a e agente comunitário de saúde de combate a endemia, poderia ter feito o mesmo. O deputado Kim Kataguiri não se mexeu, não propôs, não movimentou a bancada dele, nem o partido dele. Ele só votou contra. E e agora quis dar uma lacrada: "Você não entende processo legislativo." O piso da enfermagem, aprovou-se o piso, houve contendas, batalhas judiciais, empresariado, Associação Brasileira de Municípios e por aí vai. Foi lá, se aprovou um fundo para garantir o pagamento do piso da enfermagem. Poderia ter feito a mesma coisa com agentes comunitárias de saúde, que lembrando, um piso de dois salários mínimos só. E o deputado nada fez. Dito isso, veja, deputado, você faz muito populismo penal, né? Aumento de pena para isso, aumento de pena para aquilo e por aí vai. Como eu já mostrei, quando foi na hora de aumentar responsabilidade penal para ricos, como no caso de rompimento de barragens por omissão, você votou contra. E aí você já vai pegando o perfil, né? Aí vai aumentar a pena para crimes de roubos e furtos. A questão é: você que está ouvindo a gente, que sai de casa, que tem seu celular roubado, você tem todo o direito de ficar puto, de ficar indignado, de achar que isso é inaceitável, porque ninguém gosta disso, ninguém acha normal você trabalhar, você ter o seu corre para conseguir comprar seu celular e seu celular ser assaltado. Mas vamos lá, aumentar a pena reduz o crime? Porque para além da raiva, vamos para a racionalidade. Você quer que reduza o número de furtos em São Paulo? Um a cada três paulistanos já teve o celular roubado. E esse número é mais ou menos o mesmo em várias capitais do Brasil. O que é que reduz o crime de celular? E aí vou dar um exemplo para vocês: o Piauí ele adotou uma política bem básica. Todo celular tem um IMEI, que é chamado de chassi do celular. E aí, cada vez que o celular é roubado, você informa o IMEI do celular roubado para a polícia. A polícia faz uma espécie de blitz. E aí, para o cidadão, e aí você digita lá: asterisco, jogo da velha, 06, jogo da velha, aí aparece o IMEI na tela do celular. A polícia escaneia, descobre na hora se o celular é roubado ou não. E com os dados fornecidos pelas operadoras de todos os IMEIs de celulares roubados, a polícia começou a fazer envio em massa para as pessoas que estão com celulares roubados. Às vezes a pessoa até não sabe. Aí diz assim: "Olha, se você está com celular roubado de boa fé e tal, não sei o quê, venha devolver o celular." Medida bem simples. Vale dizer, Vilela, que no Piauí foi preciso decisão judicial, porque as empresas não queriam entregar o IMEI dos celulares roubados. Já a gente vai explicar porquê. Resultado prático disso: nos primeiros meses da operação, a polícia conseguiu recuperar mais de 6.000 celulares e devolver para as pessoas. O número de roubos e furtos de celular caiu de maneira descomunal. E a melhor coisa, a melhor coisa: o número de latrocínios ano passado caiu 20%. Latrocínio é roubo seguido de morte. E esse ano já caiu 50%. Então, veja, não mudou a lei, não mudou o número de penas. Foi uma medida inteligente que quebrou a cadeia do crime de roubo de celular no Piauí, sabe? E reduziu o número de latrocínio, ou seja, salvou vidas. E aí poderia isso ser estendido para o Brasil inteiro, mas as operadoras elas não querem entregar o IMEI. Foi preciso, repito, decisão judicial. E aí, sabe por quê, Vilela? O roubo de celulares no Brasil cresceu 15% ano passado. Vamos lá. Cada vez que o celular é roubado e que você não tem perspectiva de recuperar, isso é o quê? Mercado consumidor para um celular novo. É muito simples. Todas as operadoras de telefonia têm contato direto com a Anatel, agência reguladora. Criar um protocolo. Cada vez que um celular for roubado, você comunica a operadora, a operadora comunica diretamente a Anatel, que distribui esses dados pela polícia do Brasil inteiro. E você faz um esquema de operação como essa no Piauí, em Teresina, para ser mais preciso, mais de 60 lojas de receptação de celular roubado foram fechadas. Uma loja só tinha R$ 1,4 milhão em mercadoria roubada. E a polícia vai lá junto com a Receita Federal. Esse modelo, por exemplo, é muito mais eficiente para reduzir o roubo de celular e a criminalidade de forte roubo do que fazer populismo zinho penal: "Aumentei a pena". E aí o bandido sabe, o bandido está lendo o Código Penal, ele sabe: "Eita, agora aumentou 4 anos a pena. Eu ia roubar, mas agora que aumentou a pena, não vou roubar mais não." Porque ele está lendo o Código Penal. Isso é demagogia zinha de que não tem proposta. Réplica de três minutos. Quim. Vamos lá. Primeiro, olha, você claramente nunca visitou um presídio, nunca conversou com um presidiário. Se tem uma pessoa que conhece bem o Código Penal e o Código de Processo Penal, que inclusive redige habeas corpus do próprio presídio, é o criminoso. Eles entendem bastante direito, eles acompanham bastante a legislação penal, eles muitas vezes discutem inclusive com os advogados de defesa. Mas aí um dado da realidade que você ignora. Vamos lá. Eu não acho ruim não que foi feito no Piauí. Inclusive acho que a gente poderia implementar também no Estado de São Paulo. Porém, não teve o mesmo resultado, um resultado tão efetivo de redução de 70% do número de crimes como você teve as câmeras com inteligência artificial e reconhecimento facial, né? Não é populismo penal você pegar o que funciona. E mais do que isso, né? De que adianta você pegar o receptador se o receptador, no final das contas, nunca vai para a cadeia, porque como a pena é baixa de 4 anos, o juiz vai converter aquilo em pena restritiva de direito, em vez de pena privativa de liberdade. O que a gente está falando é justamente prender esse sujeito para acabar ele não abrir um negócio em um novo lugar, né? Então, ah, não, não refutou em absolutamente nenhum ponto, eh, o que eu coloquei aqui. E só para reforçar, eh, no no caso do piso da enfermagem, o piso depois foi criado por decisão do Supremo Tribunal Federal, né? Não foi nem, nem do processo legislativo. Alguém na comissão especial foi lá e fez isso e apresentou uma emenda e criou isso. Zero esse trabalho que você está colocando. Nenhum dos 513 fez. Outro ponto que você está repetindo e você está continua mentindo em relação a rompimento de barragem. Ah, você votou contra.

E depois não apresentou nada. Eu não só apresentei, eu relatei e aprovei. Tá no Senado, já foi aprovado na Câmara dos Deputados, dentro do projeto de lei geral de licenciamento ambiental. Tá? Foi aprovado. Para não precisava, você já repetiu três vezes. Não precisa mentir uma quarta vez de que eu não apresentei nada. E não aumentou a pena. Depois, eh, o outro ponto também, retomar, ah, ah, e vamos lá. Lembrando de política de segurança pública aqui no Estado de São Paulo, com o fortalecimento, eh, da Rota e com a operação organizada contra o PCC, que agora tem um racha histórico, que o nosso secretário de Segurança Pública tá aproveitando muito bem, né, de um racha dentro do PCC para desarticular o refino da droga no litoral e também impedir, né, que essa droga chegue, eh, na cidade de São Paulo. A gente tá hoje com o PCC enfraquecido no Estado de São Paulo. E mais do que isso, eh, a gente tá com um número redutíssimo de homicídios. Salvo engano, é o menor número, é o estado com menor número de homicídios no país inteiro, com uma política de segurança pública dura, que você chama de populismo penal. E justamente isso, uma das propostas aqui que eu tenho pra cidade de São Paulo, que é você recriar as rondas ostensivas municipais, a ROMU, coisa que foi extinta no governo Marta, e que fez com que o crime organizado se fortalecesse, o crime desorganizado se fortalecesse também.

Outro ponto importante, segurança pública, que sempre que eu vou para alguma favela, a reclamação sobre os pancadões ilegais, sobre o aliciamento de menores, sobre o tráfico de drogas. Quero trazer para a cidade de São Paulo o caminhão tempestade, que é o caminhão que utiliza líquidos químicos que destroem de vez os equipamentos de som que são caríssimos, que o tráfico utiliza para aliciar essas pessoas, para trazer essas pessoas pros pancadões e para garantir, eh, um sono de qualidade, eh, pro trabalhador na cidade de São Paulo.

O outro ponto importante é em relação ao orçamento, né? Só 1% do orçamento da prefeitura da cidade de São Paulo vai para a Secretaria de Segurança Pública. E muitas vezes a Guarda Municipal, Guarda Civil Metropolitana, que deveria ser polícia municipal, tô concluindo, deveria ser polícia municipal, não utiliza o recurso. Tá? Eh, terminamos esse primeiro bloco aqui. Eh, já tivemos abertura do primeiro bloco. Vamos pro segundo bloco com perguntas do chat e depois a gente volta pra pergunta entre eles. Tem alguma preferência de quem quer responder primeiro? Se for pela ordem aqui, o Kim fez abertura primeiro, você fez a primeira pergunta. Primeira pergunta pro Kim, pode ser? Pode ser. Então, primeira pergunta do chat pro Kim, depois pro Jones. Vamos lá. Vamos lá. William Silveira pergunta aqui, ó: "Pode nos explicar sobre a teoria comunista de que o estado não precisa de impostos para se financiar, pois é emissor da moeda e quer emitir moeda e que emitir moeda não causa inflação?" Obrigado pelo seu trabalho. Tá? 5 minutos e três para para comentários do do Jones.

Olha, na verdade, eu acho que isso nem é necessariamente comunista. Tem gente que pensa que você saia imprimindo dinheiro, que essa impressão de dinheiro não vai gerar inflação. É uma questão de oferta e demanda muito simples, né? A partir do momento que você imprime mais dinheiro, que tem mais dinheiro circulando no mercado, quanto mais tem uma mercadoria no mercado, quanto maior é a oferta dessa mercadoria, menos esse bem vai valer, né? Na realidade, a gente costuma chamar e a imprensa costuma chamar e a gente convencionou de chamar inflação, aumento de preços. Mas inflação, na realidade, na origem do conceito, é expansão da oferta monetária, é você ter mais dinheiro circulando. E aí, por que que, eh, os ataques que são feitos, por exemplo, ao Lula do PT contra o Banco Central e a alta taxa de juros são absolutamente injustos? Porque a taxa de juros não é uma coisa definida pela cabeça dos diretores do Banco Central. Aliás, o próprio indicado, né, pro Banco, pra presidência do Banco Central do Lula, que é o Galípolo, votou para manter e aumentar a taxa de juros no Banco Central. E todos os quatro diretores indicados pelo PT votaram da mesma maneira. Então, essa teoria deles de que isso tá sabotando o Brasil e que o grande responsável por a gente ter uma taxa de juros alta, e aí diminui a produtividade, porque o crédito tá caro, aí com o crédito caro você não tem investimento, sem investimento você não tem geração de emprego, geração de renda, você não tem coleta de impostos, é absolutamente falacioso. Por que que a gente tá no cenário fiscal de hoje? Justamente por causa dessa crença, né, que ficou tão cristalizada durante os governos petistas, principalmente na gestão do Tombini no Banco Central, que foi o mais absoluto desastre, de tentar baixar a taxa de juros na canetada, justamente porque não é o governo que vai definir o preço do dinheiro, que é o juro. O juro não é nada mais do que o preço do dinheiro. O que vai definir, o que vai definir a taxa de juros não é a cabeça do banqueiro central, não são os diretores do Banco Central, mas sim qual que é a situação de saúde fiscal do país. E a gente vê hoje que o Brasil, como eu coloquei, tem 94% de gasto obrigatório. Ou seja, mesmo que a gente tenha um presidente da República, mesmo que a gente tenha um Congresso Nacional com 308 deputados para mudar a Constituição, para cortar o gasto, ainda assim a gente não conseguiria, eh, rever 94% dos gastos que são feitos. E se a gente não fala em relação a volume de gastos, se a gente não faz uma análise em relação a volume de gasto, qualidade do gasto, pior ainda. O Brasil gasta muito e gasta mal. Em regra, não há uma análise ano a ano como acontece nos Estados Unidos, como acontece na Europa, como acontece no Japão, como acontece em Israel. Não há uma revisão anual de qual foi a qualidade do gasto. Tudo bem, a gente gastou X em educação. Quais foram os indicadores? Um grande exemplo disso, eh, foi a gestão do Haddad no Ministério da Educação. Os gastos com educação quadruplicaram e ele entregou um país em que 92% da população não é capaz de interpretar um texto com qualidade. Entregou um país, né, com os piores rankings internacionais e mesmo rankings nacionais de avaliação de educação básica, de desempenho em ciência, de desempenho em leitura, de desempenho em matemática. Ou seja, não adianta só repetir e reforçar o discurso de que é só gastar, é só colocar mais dinheiro, é só, só, só gastar. O exemplo que eu coloquei aqui do licenciamento ambiental, que o Jones aprendeu hoje o que é um EIMA, eh, a compensação ambiental. Não adianta você, eh, gastar 10% do valor do empreendimento com compensação ambiental se o dinheiro da compensação não tá indo pro meio ambiente, tá indo para você construir Câmara de Vereador para político, tá indo para você construir estádio de futebol, tá indo para você fazer o recapeamento de uma cidade, tá indo para você, eh, ordenar gastos e fazer investimentos que são de responsabilidade da prefeitura, do governo do estado e do governo federal. No final das contas, a conta de luz fica mais cara, no final das contas o transporte fica mais caro, tudo fica mais burocrático, tudo fica mais caro, porque a gente gasta muito mais para atender os interesses políticos do que para proteger o meio ambiente. O que que eu coloquei e aprovei no meu relatório do projeto de lei de licenciamento ambiental? Que sempre que existe uma coisa chamada hierarquia de mitigação, né? Primeiro você evita o impacto ambiental, depois você mitiga o impacto ambiental, depois você compensa o impacto ambiental, se não tem jeito. Ah, para fazer essa ferrovia, eu vou ter que desmatar. Então a única maneira é compensar. Não tem como evitar, não tem como eu mitigar esse impacto ambiental, então eu vou compensar fazendo o quê? Fazendo um reflorestamento e não construindo o estádio de futebol. Eu coloquei no meu relatório justamente que tem que haver nexo causal entre o impacto ambiental e a compensação ambiental. É o lógico, é o nacional, é o que se faz de política pública em toda a OCDE, praticamente todo mundo desenvolvido, e que eu busco trazer pro Brasil. E aí o Jones coloca: "Não, isso é defesa de empresário, falar que o empresário tá sendo achacado por político, por governador, por prefeito, é defender empresário, né?" E como se eu defendesse que empresário é santo, quando na realidade, todas as vezes que os lobistas de grandes corporações foram ao Congresso Nacional para pedir privilégios, todas as vezes eu votei contrariamente, me posicionei contrariamente e discursei contrariamente. Quer comentar, Jones? Ou vai pra pergunta? É, três minutos. Isso, por favor. Vamos lá.

Não, eu preciso voltar pra pergunta anterior, porque eu trouxe o exemplo do Piauí na ideia de criticar um projeto de lei do Kim Kataguiri, só que ele não lembrou que apresentou esse projeto de lei semelhante à política do Piauí. Só que qual era o projeto de lei do Kim Kataguiri, que aí, me desculpe, que eu não vou lembrar o número de cabeça do PL, mas qual era o projeto de lei dele? Era que as pessoas informassem para Anatel o e-mail do celular roubado, ao invés de informar para a operadora, e a operadora informar para a agência reguladora. Porque no Piauí teve que ter ordem judicial. As operadoras têm uma estrutura, poderiam repassar tudo isso para a agência reguladora, em contato direto com os órgãos de polícia. Só que as operadoras não querem isso, porque se continua roubando o celular, é muito bom para elas, porque cada vez que o celular é roubado e não é recuperado, você vai lá e compra de novo. O Kim Kataguiri apresentou um projeto de lei que, ao invés das operadoras assumirem a sua responsabilidade, toda responsabilidade ficava com a agência reguladora do governo federal. Eu imagino que você esqueceu do projeto de lei que você apresentou. Ele também usou o argumento: "Ah, você não conhece presídio". Que eu já trabalhei com menores que cumprem medidas socioeducativas e já trabalhei com pessoas encarceradas também. Inclusive, meu projeto de mestrado foi na área de criminologia crítica. Conheço o presídio, conheço ex-presidiário. Eu desafio você a me mostrar um estudo dizendo que a mudança na dosimetria da pena, porque é basicamente disso que a gente tá falando, vai impactar no nível de roubos e furtos. Isso não existe em canto nenhum do mundo. Toda criminologia crítica, todo debate consolidado, mostra que não há nexo causal entre o aumento de pena e a redução daquele delito. Se tivesse alguma relação, Vilela, por exemplo, homicídio no Brasil teria caído muito, por exemplo, depois dos crimes ADONIS, o assassinato da Dani Perez, que em seguida aquilo ali veio crimes ADONIS, aumentou as penas e tal, dificultou progressão de regime. Caiu homicídio no Brasil? Essa medida do Piauí é uma medida de inteligência eficaz. Combate o roubo, desmonta as cadeias criminosas. Ah, o que fala, mas o receptador não fica preso muito tempo, mas o negócio dele fechou, ele perdeu o capital que ele tinha, ele perdeu os contatos que ele tinha. Então aquele receptador, por mais que ele saia dois, três anos da cadeia, ele não vai sair, não vai ser mais receptador, porque a loja dele foi fechada. Sabe? Então, isso sim é populismo penal, sabe por quê? Porque traz uma medida mediática que não tem nenhum estudo, não tem nenhuma comprovação, não tem nenhuma que mostre que aumentar quatro anos a pena para roubo de celular vai reduzir o roubo de celular. Ele não tá preocupado com você não ter o celular roubado, ele tá preocupado com fazer graça. "A esquerda defende bandido". Não, pô, ninguém defende bandido aqui não. A gente quer medidas eficazes que realmente combatam as formas de violência, assalto, feminicídio, latrocínio, agressão, violência sexual. Vamos debater objetivamente, quais medidas são eficazes? Aumentar pena é eficaz? Isso no Brasil é feito há 40 anos. A violência no Brasil tá diminuindo? Não.

Pergunta para Jones. Eh, Léo, vamos manter na mesma linha, depois a gente já passa para São Paulo aqui. Ó, Jones, o Pablo Queiroz pergunta: "Como você diz que a inflação brasileira não é impactada pelo teto de gastos, se a confiabilidade do mesmo fez com que os juros caíssem e juros afetam os efeitos secundários da inflação e apreciam o câmbio?" O macro, então, isso não é verdade, isso está incorreto. Vamos lá. O FHC criou um negócio chamado Boletim Focus. O que que é o Boletim Focus? Você pega 130 figuras que são basicamente investidores, banqueiros, gente do mercado financeiro. Escuta essas figuras antes da reunião do COPOM, do Comitê de Política Monetária, e pergunta a eles assim: "Já, já, Vilela, tu tá ganhando muito dinheiro com esses debates? Já, já tu entra para esse rol?" Vão chegar para tu, eu vou perguntar: "Vilela, como é que tu acha que vai ser o crescimento do PIB? Como é que tu acha que vai ser a inflação? Como é que tu acha que deve ser a taxa Selic, né, que é a taxa básica de juros da economia? Como é que tu acha que vai ser o crescimento econômico?" E por aí vai. A partir dessas respostas, isso é incorporado ao modelo decisório do Banco Central. Então, as expectativas dos especuladores financeiros entram como uma variável fundamental para determinar a taxa de juros, o que acaba virando uma profecia autorrealizável. Então, a maioria dos ouvidos no COPOM diz que a taxa de juros vai subir, a taxa de juros vai e sobe, porque essa é uma variável importante. Tem várias pesquisas. A Universidade Federal do Ceará, por exemplo, rodou o modelo que o Banco Central usa para definir a taxa de juros e viu que a taxa de juros deveria ser no mínimo dois pontos abaixo com o mesmo modelo. Então, tem até um problema do modelo usado, que nem eles estão seguindo as regras que eles colocam nesse COPOM. Não tem sindicalista, tem, graças a Deus, não tem acadêmico, não tem estudante, não tem usuário de ônibus, sabe? Não tem Zé e Dona Maria que trabalha. Então, só se pergunta para os especuladores do mercado financeiro. O Kim diz: "Graças a Deus que não tem sindicalistas". Eu acho engraçado, Kim, porque no caso, você tá defendendo um modelo de decisão de política econômica que só escuta um único setor da sociedade. E depois dizem que o Marxismo é que é autoritário, que o comunismo é autoritário. Como é que a taxa básica de juros, que define muita coisa na economia, só um setor da sociedade é ouvido na hora de definir as expectativas? Isso não faz sentido nenhum. Isso, por um lado, essas expectativas dos investidores, dos agentes do mercado financeiro, sobe, desce a bolsa e por aí vai. Claro que, evidentemente, contam na hora de, para, por exemplo, precificar alguns títulos, alguns títulos públicos. Mas basicamente, a taxa Selic remunera os principais títulos da dívida pública, que servem, e aí é um termo muito técnico, servem para garantir a liquidez no mercado interbancário e colocar a taxa de juros mais ou menos onde o Banco Central quer. Não há uma relação de expectativas no sentido de que "ah, a expectativa do investidor é essa, então a inflação vai ser X e a taxa de juros vai ser Y". O Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, o Kim vai dizer que é argumento de autoridade, né? Pode citar o Arthur Doval. O Paul Krugman, que é Prêmio Nobel de Economia, ele chama até de "da Fada da Confiança", porque de novo, não existe nenhuma prova, nenhum nexo causal que a expectativa dos agentes do mercado define a taxa de juros na ponta. A própria relação entre a taxa Selic e a taxa de juros na ponta não é a relação direta. Não é assim, a taxa Selic aumenta, aumenta na ponta, a taxa de Selic cai, cai na ponta. Não é assim que funciona, porque a gente tá falando de níveis de mercado bancário diferente. Qual é a questão central aqui? Questão central que é a cada aumento de 0,5 na taxa Selic, na taxa básica de juros, o Estado paga mais em juros da dívida pública. R$ 55 bilhões. Veja, você não pode dizer que taxa de juros tu vai pagar no empréstimo do Banco Itaú. Quem não pode dizer? Quem queria privatizar o Banco do Brasil, a gente fala disso. Você não pode dizer que taxa de juros tu vai pagar no empréstimo do Bradesco. Mas o Estado diz que taxa de juros ele vai pagar nos títulos da dívida pública. Cada vez que ele aumenta a taxa de juros, são R$ 55 bilhões. Quem tá falando do gasto obrigatório do Estado? Presta atenção. Quando ele fala desse gasto obrigatório, ele tá falando de aposentadoria, ele tá falando de salário de professor, ele tá falando de salário de médico, ele tá falando de Bolsa Família, ele tá falando de assistência social e tal, né? Tem os gastos da elite, tem, estamos juntos, vamos combater exército, judiciário e tal. Mas não é disso que você tá enfrentando, não é isso que seu partido e seu grupinho enfrenta. Então, qual é o x da questão? O maior gasto corrente da União é com juros da dívida pública. Os juros brasileiros é o maior do mundo, consistentemente há mais de 30 anos. Ano passado foram R$ 600 bilhões de juros da dívida pública. Alguém fala assim: "Ah, não, mas pegou emprestado, tem que pagar". Não é assim. Não é o Estado pegando dinheiro para se financiar, isso não existe. Tem uma explicação aqui muito complexa que dialoga com a dinâmica dos debates da MMT, da Teoria Monetária Moderna, mas fundamentalmente, o Brasil pratica uma taxa de juros criminosa que serve para garantir lucros rentistas para diversos setores do capital. O que fazer? Acabar com a privatização do Banco Central. Isso foi uma tragédia para o Brasil. Baixar consistentemente a taxa de juros para reduzir os ganhos rentistas da economia, dentro de uma política planejada de reduzir a dependência tecnológica e comercial.

3 minutos para comentar. Vamos lá. Primeiro, a grande baboseira de falar que a taxa de juros você pode diminuir gradativamente de acordo com a sua vontade e que tá tudo bem. Não, não tá tudo bem, né? Você vai ver um disparo da inflação, você vai ver a completa fuga de investimentos no Brasil, porque o país que tem credibilidade. Vamos lá. O modelo de independência do Banco Central é um modelo que funcionou em todo lugar que foi implementado. É um modelo que trouxe equilíbrio fiscal, modelo que trouxe desenvolvimento social, é modelo que trouxe fortalecimento de moeda. Então, todo país que implementou a independência do Banco Central, os dados que nós temos da maioria dos países é justamente, né, a melhoria da inflação, a melhoria da taxa de juros. E aí, vamos lá. Por que que a taxa de juros está tão alto? Porque o governo não para de gastar, né? O preço do dinheiro é o risco que você tem de emprestar. Se o risco que eu tenho para emprestar pro Brasil é muito grande, porque o Brasil continua aumentando seus gastos ano após ano, e boa parte desses gastos, gastos obrigatórios. E você, você colocou: "Ah, Bolsa Família como gasto obrigatório". Bolsa Família não é gasto obrigatório. Não, só para você entender melhor a dinâmica do orçamento. Eh, e outro ponto, né, muito importante. Tem mais aí, eu não lembro. Eu coloquei R$ 400 a R$ 600 bilhões de reais de privilégios tributários que em regra vão para a elite empresarial, para a elite privada, que eu combato dentro do Congresso Nacional. Não, como, não, você não conhece o meu trabalho, Jones. Você vem aqui falar, né, sem você ter um mínimo de noção da do enfrentamento que eu faço dentro do Congresso Nacional, né? Veja em qual votação que eu votei a favor de privilégio tributário para qualquer setor empresarial. Você falou da do caso da desoneração. Desoneração para 17 setores. Então, por que que a Rede Globo tem que pagar menos sobre a sua folha de pagamento do que a dona do salão de beleza? Só absolutamente o contrário. Só favor da isonomia. As boas práticas mundiais, né, mostram que você não dá privilégios setoriais ali para a folha de pagamento de determinadas empresas. Que você faz isso para todo mundo. Tem que desonerar a folha de todo mundo, tem que facilitar a contratação, tem que facilitar a emissão de todo mundo para você dinamizar o mercado de trabalho, para você aumentar, eh, a produtividade. E do outro ponto que você colocou, o aumento de pena é sempre casado com uma medida para você aumentar a resolução dos crimes. Como eu coloquei para você, diminuir 70% na cidade de São José dos Campos a criminalidade com as medidas que eu coloquei. Isso não é populismo, isso é resultado na prática, isso é resultado na ponta. Mais do que isso, isso você quer, teria tempo de falar, mas uma coisa fundamental para a segurança pública, ciclo completo de polícia, que eu não sei se você conhece, mas justamente a modernização da nossa estrutura policial para que o investigador possa tocar a investigação de ponta a ponta, sem necessitar de uma estrutura cartorial que hoje tá chefiada por delegados e que burocratiza muito a investigação e que faz com que o nosso índice de resolução de crime seja pífio. Então, não é só aumentar pena, é você aumentar a probabilidade do sujeito de ser pego quando ele comete aquele crime. E isso é consenso científico de que diminui sim a criminalidade.

Pergunta para Kim. Eh, Léo, vamos lá. Pergunta aqui de São Paulo para São Paulo, né? Eh, Bruno Cabral pergunta aqui: "Kim, deputado, sabemos que em atuais gestões na Cidade de São Paulo, de direita, por sinal, têm como medidas para solucionar a questão de pessoas em situação de rua, incluem jogar água e arrancar cobertores. Qual a sua proposta para acolher essas pessoas?" Vamos lá. A gente tem uma proposta bastante robusta para assistência social, que eu construí junto com a professora Laura Miller, que é uma das maiores especialistas em combate e enfrentamento à pobreza, eh, do nosso país, né? O primeiro ponto é a gente fazer um diagnóstico, né? Hoje a gente tem 758 mil famílias em situação de pobreza. A gente precisa primeiro fazer um mutirão, né, de busca ativa para a gente atualizar o Cadastro Único, porque hoje tem muita gente que não precisa receber, ah, os programas assistenciais e que recebe, e gente que precisa receber e não recebe, porque não há uma força tarefa feita na Secretaria de Assistência Social para você atualizar, eh, o Cadastro Único, né? Temos cerca aí de, eu vou utilizar o número maior que é de 52 mil, o número de moradores de rua, enquanto a gente tem apenas 3 mil centros de acolhimento. Primeiro, eu defendo que a gente tenha centros de acolhimento para todo mundo. Segundo, e, e orçamento na cidade de São Paulo para isso, cerca de 20, 30 bilhões de investimento, dependendo da estimativa de receita, eh, que a gente tem essas casas de acolhimento. E por que que hoje, quando você vai conversar com vários moradores de rua, os moradores de rua não querem ir pro abrigo? Uma das razões que eu mais escuto: "Eu não consigo levar o meu cachorro". Ou quando eu levo o meu cachorro, ele fica separado de mim. Bom, eu me coloco no lugar dessa pessoa. Se eu tô na rua e o meu melhor amigo, meu companheiro é um cachorro, e eu vivo com ele, ele é meu amigo, enfim, ele é até uma questão, e, e emocional que eu tenho ali com ele, e eu tenho que escolher entre ter um teto, ir para um abrigo, ou abandonar o meu amigo, ou ficar com o meu amigo. Vou ficar com o meu amigo. Vou preferir ficar com o cachorro. Então, o que eu defendo é, nos abrigos que já têm estrutura para receber animais de estimação, que ele possa ficar junto do morador de rua. E nos que não têm estrutura, que ele possa ter essa estrutura. Outro ponto, outra reclamação central, né, dos moradores de rua: "Não posso entrar com os meus pertences, não tenho lugar para eu deixar minhas coisas seguras lá enquanto eu tô naquele abrigo". Isso também é outra coisa fundamental. Todo mundo tem o direito de propriedade privada, todo mundo tem o direito de ter as suas coisas, né? E o morador de rua tem todo o direito de levar suas coisas e ter um lugar decente para, eh, deixar suas coisas no centro, eh, eh, temporário de acolhimento. Um outro ponto também de muita reclamação é o horário com que nós trabalhamos, né? Ah, a gente vai lá, acorda 7 horas, ah, vai dormir 23, meia-noite. Aí tem compromisso, tem horário, tem agenda. É muito diferente da dinâmica de quem vive na rua. As regras sociais, o horário, a etiqueta, tudo é absolutamente diferente para quem tá no ambiente de rua. E isso se agrava quanto mais tempo essa pessoa está na rua. Então, a rigidez nos horários nos centros temporários de acolhimento também é uma coisa central a ser enfrentada. E eu defendo que fiquem abertos 24 horas, justamente para a gente poder acolher o maior número de pessoas possível e ninguém ficar na rua por causa da rigidez de horário. E outra coisa, falando em reintegração de moradores de rua na sociedade, existe um programa que começou agora com o governo do estado e que a gente pretende, eh, e que a gente pode implementar, eh, na cidade de São Paulo, que são as casas modulares, né? Ou seja, primeiro o conceito de "housing first". O primeiro objetivo é tirar o sujeito da situação da rua, né? O primeiro objetivo é, quanto menos tempo ele passa na rua, mais fácil a sua reintegração com a sociedade, voltar a sua capacidade produtiva, seus vínculos familiares. Então, primeiro ponto, primeira casa, primeira fase é para você isolar, né, eh, eh, o sujeito do ambiente da rua e deixar ele num ambiente de convivência, né, com uma casa, com um teto, eh, com um lugar decente para ele viver. Na segunda casa, né, ele se gradua, por assim dizer, tem até uma cerimônia, coloca um tapete vermelho para trabalhar o sistema de recompensa do cérebro e tal, ele passa por uma segunda casa para aprender regras de convívio social, então, a altura da voz que eu falo, a distância que eu falo das pessoas, os horários, tomar banho, o autocuidado, escovar os dentes, né, limpar as partes íntimas e por aí vai, as noções que se perde, eh, muitas vezes quando você tá morando na rua. E a terceira e última casa e modular, né, que seria a casa de graduação, é justamente para você, eh, eh, fazer com que essa pessoa, ou já, já seja encaminhada para uma moradia. E a gente pode fazer a parceria público-privada com mais de 500 mil imóveis que a gente tem abandonados e que podem ser desapropriados para serem transformados em moradia popular. E do outro ponto, ah, se, se não houver ainda uma moradia pronta para essa pessoa, a gente tem que fazer um reajuste no aluguel social, que hoje é uma piada, R$ 400, não serve para absolutamente nada. Fazer um reajuste disso, justamente para que essa pessoa possa ter essa casa equipada. Isso foi feito em Salvador, que o prefeito Bruno Reis. Eu trouxe um programa da cidade de Salvador para cá, em que a casa dele tem sofá, tem geladeira, tem fogão, tem cama, tem televisão, tá equipada para, e ele ficar nesse local enquanto se faz a moradia definitiva. Então, do nosso sistema de assistência social, eh, basicamente superficialmente assim, do que a gente tem, é isso. E agradeço muito a professora, eh, Laura Miller, pela construção junto comigo desse projeto.

Comentários, por favor. Veja, primeiro, pegando rapidamente uma questão anterior, o que não entende absolutamente nada de economia, né? Vamos lá. A China, que é o país que mais cresce no mundo, maior desenvolvimento, maior fenômeno de desenvolvimento socioeconômico no mundo há 40 anos, faz 20 anos que tem déficit. Isso não é um problema. É um tema aqui muito complexo que tem muitas tecnicalidades, mas eu recomendo muito o livro "A Volta do Estado Planejador", organizado pelo Professor Gilberto Maringoni, lançado pela Contracorrente. Tá subindo nas minhas redes. Esse negócio que o Kim falou, tudo besteira. Entender absolutamente nada de política fiscal, né? E ele não respondeu o debate sobre é ou não o maior gasto corrente da União com juros da dívida pública, porque falei risco de título. Veja, não existe risco. Pergunte você que tem investimento. Pergunte para qualquer agência, para qualquer banco: "Vem cá, investir na dívida pública é seguro ou não é?" Todo mundo vai dizer que é seguro, porque o Estado vai sempre pagar. Não existe risco nenhum. Não existe relação entre risco e aumento de gasto público e risco de título da dívida pública. O Estado não fica sem dinheiro para pagar os títulos dele. Isso, por um lado, entrando diretamente na questão, veja, no fundamento, a resposta do Kim não foi nem ruim, mas tem uma contradição aqui. O Kim defende cortar permanentemente investimentos sociais. Ele falou que o Bolsa Família não é gasto obrigatório. Tá confundindo o quê com gasto em folha? Claro que o Bolsa Família é gasto obrigatório. Só pode deixar de pagar o Bolsa Família se aprovar um projeto de lei acabando com o programa. Enquanto isso, é obrigatório, todo mês tem que pagar. Isso o Bolsa Família. Você entendeu o sentido que eu quis falar? Você quer confundir gasto obrigatório com, com gasto em folha, é com gasto de aposentadoria, enfim. Veja, o que defende corte permanente, o que defende austeridade, o que defende teto de gastos. Então, por exemplo, o SUAS, o Sistema Único de Assistência Social, precisa ser fortalecido. Desde o governo Temer para cá, é uma retração de orçamento, há um número reprimido de necessidade de concurso para, por exemplo, assistentes sociais que não está sendo cumprido. Então, é muito bom dizer que defende acolhimento, dizer que defende acompanhamento, dizer que defende busca ativa. Como é que se faz busca ativa, acompanhamento, garantia de direitos sem aparelhos públicos e sem funcionalismo público? Vai fazer o quê? Vai entregar tudo na mão de OS? Já vamos falar dos roubos e corrupções do Ricardo Nunes, né? Vai entregar na mão de OS? Vai contratar o quê? ONG privada do MBL para desviar dinheiro? Qual vai ser a estratégia? Então, quem defende corte permanente de investimento público, quem defende teto de gastos, quem defende austeridade, vai soltar um bocado de proposta, mas vocês reparem que ele nunca diz de onde vai vir o dinheiro, de onde vai vir investimento, de onde vai vir um orçamento. Sabe? Então, é um discurso até bom, mas é como a gente fala na periferia, "chavismo", conversa blá blá blá que não sustenta na prática. Porque quem defende austeridade, e aí Kim, vê só, tu e o Haddad defendem a mesma coisa. Vocês defendem austeridade, vocês defendem corte de investimento público, corte na máquina pública, redução do gasto em saúde, educação, cultura, lazer, infraestrutura e meio ambiente. Então, você e o Haddad estão desse lado, e eu tô do lado de cá, defendendo objetivamente fortalecer o funcionalismo público para dar resposta às necessidades da classe trabalhadora.

Próxima pergunta é para Jones. Eh, Léo, vamos lá. Pergunta aqui de Suzana de Oliveira Nunes: "Qual a opinião do senhor sobre as greves do funcionalismo público federal em 2024 e a reação do governo Lula frente a elas?" Perfeito. Ele já tá rindo que eu vou falar mal do governo Lula. Ele tá feliz. Vamos lá. Gente, vamos lá. Jones, 2023 foi aprovado o novo teto de gastos, né? O novo arcabouço fiscal. Ele tem fundamentalmente o mesmo modelo do teto de gastos do Temer. O que que significa? O gasto financeiro do Estado fica livre. Então, não existe nenhuma restrição ao gasto financeiro do Estado, que ano passado foi mais de R$ 600 bilhões. E o gasto primário do Estado fica reprimido, reprimido a quê? Ele tem um piso, tem que crescer no mínimo 0,6% e um teto de 2,5%, além de que ainda tem mais outra, outra restrição, que é pode gastar até 70% no máximo do arrecadado do aumento de arrecadação do ano anterior. E se não cumprir as metas fiscais, tem punição: proibição de concurso público e por aí vai. Isso gera uma consequência. Por cada vez que você dá um aumento, por exemplo, para um funcionário público, isso vira um gasto permanente. Você deu o aumento, está no ano que vem, tá no outro ano, isso é incorporado também em previdência. Então, o governo Lula, a partir do momento que aprovou o novo teto de gastos, que o Kim votou contra, eu sei que você votou contra, viu, Kim? Já tô adiantando. Mas ele votou contra pelos motivos errados. Que o Kim votou contra, o governo contratou, num dizer do Paulo Guedes, uma granada no bolso do servidor público, porque agora, na prática, o governo tem algumas escolhas. Escolha número um: ou ele corta violentamente de outras áreas e não vai cortar, por exemplo, do da elite militar, ele não vai fazer isso, da elite do judiciário, etc. Os benefícios, por exemplo, o Kim é tão a favor do livre mercado, o Kim, por que tu não propõe acabar com o Plano Safra, que destina R$ 400 bilhões de dinheiro público pro agronegócio? Privilégio maior é esse. No Safra, R$ 400 bilhões. Plano Safra é R$ 400 bilhões. Plano Safra ano passado foi o recorde do Plano Safra. Enfim. Então, veja, a partir disso, o governo contratou uma briga com o funcionalismo público e tá, na prática, fazendo uma contrareforma administrativa já a partir de portarias e normativas internas do Ministério da Gestão, da ex-Terra, do Ministério da Gestão. E a gente teve greve nas universidades federais, em que inclusive os técnicos administrativos da educação federal são da carreira federal, uma das carreiras mais baixas, com menor salário, que o Kim não fez nada. Ele diz que defende o funcionário público, menores. Não fez absolutamente nada para ajudar os técnicos. A gente teve greve no Ibama e no ICMBio, que a postura do governo foi autoritária, foi horrível. E agora a gente tá vendo a necessidade, né, do serviço público, da proteção federal, frente aos mais de 150 mil focos de incêndio. A gente tá tendo greve no INSS, que é um verdadeiro absurdo. O governo não quer reconhecer como carreira típica de Estado, o governo não quer garantir coisas básicas como, por exemplo, tá trabalhando home office. Vai ter uma ajuda de custo para energia, internet e a máquina, né? Tu vai pagar do teu bolso. Sabe? Imagina tu trabalhar numa empresa, a empresa não vai trabalhar home office, mas a energia é do teu bolso, a internet é do teu bolso e o computador é do teu bolso. Sabe? E o governo tá sendo repressivo, inclusive chegou a cortar o ponto dos grevistas. Então, de maneira bem clara e objetiva, para você que eventualmente não me conhece, não sou petista. Quem concorda com o programa econômico do PT é o Kim, que defende teto de gastos, que defende austeridade, que defende PPP, parceria público-privada, né, em saúde, em educação, em presídio, em meio ambiente e tal. Nós somos, nós do PCB, somos oposição à esquerda ao governo Lula, por quê? Porque esse governo não tá lutando para reverter nenhuma das contrarreformas do Temer e do Bolsonaro, como, por exemplo, a contrarreforma trabalhista, que aumentou a precarização do trabalho, e a privatização das refinarias, por exemplo, a Refinaria Landulfo Alves da Bahia, que aumentou o valor do combustível do gás natural na Bahia, ou a Isaac Sabbá no Amazonas. Hoje, o Amazonas tem um dos combustíveis mais caros do Brasil inteiro. Então, o governo Lula mantém todas as privatizações e tá avançando na agenda do Temer, "A Ponte para o Futuro". A ponto para o futuro. O governo Lula 3 é a continuidade da agenda do Temer, da Ponte para o Futuro, da PPP, da austeridade e da precarização dos serviços públicos. Então, para nós é fundamental que todo o funcionalismo público federal e toda a classe trabalhadora se coloque frontalmente contra o novo teto de gastos, lutando pela sua revogação, pra gente ter um novo marco de política fiscal no Brasil que permita dar atendimento concreto às necessidades da classe trabalhadora. Porque parece que às vezes a gente só sente, só percebe a necessidade na emergência. Então, quando tem mais de 150 mil focos de incêndio, a gente se pergunta: "Eita, cadê o Ibama? Cadê o ICMBio?" Mas, pois é, gente, tem déficit de funcionários, tem déficit de equipamentos, tem déficit de estrutura. Ah, não, Anvisa demora para fazer o licenciamento. Anvisa pediu em agosto um concurso para 90 novos funcionários. O governo respondeu até agora. Percebe? Sem falar universidades federais, sem falar no INSS, por aí vai. Então, somos contra o novo teto de gastos.

Comentários. Kim, vai. Kim defende o governo. Isso aí. Esquerdistas odeiam o governo Lula. Na linha do Jones Manuel, nos ajudem a fazer oposição a Haddad e ao PT. Gente, eu acho assim, meigo ver o Jones falando: "Pouquim defende a mesma política do PT, defende a mesma política do Haddad". Vocês entendem como é difícil ter um debate com uma opinião assim, que nunca vai ser levada a sério, com uma opinião que nunca vai ser majoritária, com uma opinião que nunca vai ter relevância, com uma opinião que assim, no embate público, é uma coisa que chega a ser caricata, né? O cara falar que eu tenho um posicionamento igual a do Haddad do PT. Sei lá, eu sinto que eu tô vendo uma criança comendo areia no parquinho, falando desse tipo de absurdo. Enquanto, e a gente tá defendendo, de fato, corte de gastos e de privilégios para uma elite, tanto privada corrupta como pública corrupta, que é justamente a nossa defesa e é justamente minha luta. E se você acompanhasse os meus votos e de fato o meu trabalho no Congresso Nacional, você saberia disso. O sujeito tá lá falando que o Haddad é neoliberal demais. Mas vamos lá. E primeiro, rebateu negócio que ele falou sobre: "Olha, todo mundo sabe que te pergunta para qualquer empresário, qualquer investidor, risco de dívida pública, não tem risco". O risco é justamente o governo pedir dinheiro no mercado e ninguém querer emprestar por causa do baixo juro, falta de risco. Você tá rindo por quê? Banco Central, Banco Central pode rir. O Banco Central recentemente, sabe o que aconteceu? Pediu, foi pedir empréstimo, né, eh, eh, publicamente, e só 15% do crédito foi cedido. 85% do crédito, ah, o Banco Central não conseguiu, né? E aí você tá rindo numa realidade que você desconhece. Não, não é mentira. Não, vai lá na ata do Banco Central e pesquisa. Sabe? É uma coisa básica assim. Ah, não, taxa de juros é uma coisa que a gente mexe como a gente bem entender. O Tombini fez isso e foi a desgraça da pior crise econômica da história do nosso país. Política está defendendo política do governo Dilma, política de baixar juro numa marretada, é a crise que nos gerou. Ah, eh, não tem nenhum problema ter déficit. Não, eu não falei que o problema é ter, não tô falando que a gente tem que ter, eh, 100% não pode ter dívida, né? Não, o Brasil não vai se endividar 0% de dívida. Não, o que tô falando o seguinte: primeiro, você pegou emprestado, você precisa pagar, né? A gente gastou muito, a gente gastou mal. Agora tem uma dívida gigantesca. E aí você tá jogando a culpa: "Ah, que os culpados são os banqueiros que emprestaram dinheiro". Fala, se não emprestasse dinheiro, o governo não ia funcionar, o governo não ia rodar, né? Muito fácil você vir aqui e depois falar: "Não, é só baixar a taxa de juros, é só dar calote, é só fazer revisão da dívida pública que a gente vai solucionar os problemas". A gente vai fundar, vai quebrar o país. Isso já aconteceu com a Argentina, isso já aconteceu com a Grécia, isso já aconteceu, eh, com a Venezuela, nas tentativas, eh, eh, heterodoxas de você dar calote na dívida e dar soluções pro Banco Central, né? E outro ponto, né, que eu quero colocar, é, ah, o que não diz de...

Onde vai sair o dinheiro? Primeiro que a gente tem 20 bilhões em caixa na prefeitura. E esse dinheiro é mais do que suficiente para fazer 10%, assim, 11% daquilo que eu coloquei em relação à assistência social. Mas um outro ponto também tem o plano concreto de cortar 5.000 cargos dentro da prefeitura da cidade de São Paulo, que geraria uma economia de 250 milhões de reais.

Você sim, eu não vi apresentar nenhuma fonte de financiamento para nenhuma proposta sua. Você sim, eu não vi. Vamos então, a gente agora tem opção, senhores, de mais uma pergunta do chat ou já partir pro terceiro bloco de pergunta? Bota mais uma do chat, então. Mais uma pro chat, pro pro Kim agora. Pro Kim, exatamente. Vamos lá.

Luiz Araújo pergunta aqui, ó: "Kim, se o capitalismo é melhor, por que não conseguimos resolver problemas estruturais como o desemprego e a fome, mesmo com a maioria dos eleitos sendo de direita há mais de 100 anos?"

Aí você parte da falsa premissa de que a maior parte das pessoas eleitas são de direita há mais de 100 anos, né? De onde você tirou esse dado? De onde você tirou essa informação? Então, quer dizer que o regime de a ditadura de Getúlio Vargas foi uma ditadura de direita? Você quer dizer que o governo Lula foi um governo de direita? Pro Jones foi, né? Você quer dizer que o governo Dilma um governo de direita? Pro Jones foi. Mas assim, é assim, pro cara que é extremamente radical, a gente entra na, a gente entra naquela teoria da da ferradura, né? Em que a extrema esquerda encontra a extrema direita. Então, de onde que você tirou que a maior parte do parlamento, que a maior parte dos governos foram governos de direita? Não, pelo contrário.

Os governos é absolutamente eh patrimonialistas, de sequestro do orçamento público para privilégios privados, sequestro do orçamento público eh para privilégios públicos de uma elite do funcionalismo público, que as esquerdas brasileiras têm medo de enfrentar porque têm medo do Ministério Público, porque têm medo do Poder Judiciário, porque têm rabo preso e não podem falar abertamente em relação a essas instituições. Eh, de uma elite do setor privado que, mais uma vez, as esquerdas brasileiras, aqui as esquerdas brasileiras, não tô nem falando de você, tô falando de quem efetivamente tem mandato, tem poder, toma alguma decisão. Eh, as esquerdas brasileiras não fazem o enfrentamento para as elites privadas que financiam as suas campanhas, que lucram com seus governos, né?

Vamos lá, vamos lembrar, né? Fala tanto de banco, banco, iniciativa privada. Nunca houve governo que deu tanto privilégio tributário pra grande empresa do que o governo Dilma. O governo Dilma foi o maior promotor, aliás, a desoneração da folha pros setores começou no governo Dilma, né? E não, não há governo que mais concedeu, né, esse tipo de privilégio tributário do que os governos petistas. Não houve governo que os bancos lucraram tanto também do que quanto os governos petistas. E basta ver as doações, pessoal, do Itaú, eh, setubal, tudo, Rubens Ometo, todas essas doações milionárias que se fazem para governos e para partidos de esquerda. Hoje, o hegemônico, o dominante é o PT. São sócios do poder, né? Então, não há que se dizer que, nossa, nós estamos com esse sistema há 100 anos, esse sistema não funcionou. Pelo amor de Deus, vamos pegar mais uma vez, repito, as melhores práticas que nós temos, os estudos que nós temos da OCDE, que nós temos do Banco Mundial, que nós temos do Fundo Monetário Internacional, das boas práticas do que funcionou, do que efetivamente deu o resultado pra educação, pra saúde, pra assistência social, né? A mobilidade social. Para vocês terem uma noção, nos países da OCDE, quem nasce no 20% mais pobre nos países da OCDE tem 70% de chance de sair dessa faixa social. Essa chance aqui no Brasil é mínima, é quase que nula. O sujeito no Brasil nasce pobre, para sair da pobreza, segundo esse estudo, ele vai demorar nove gerações. Salvou, não sei se eram nove ou se eram sete gerações para sair da pobreza.

Justamente porque, por causa que a gente tem, primeiro, uma tributação que pesa mais sobre os mais pobres, que é a tributação sobre o consumo, tributação sobre folha de pagamento, que mais uma vez também penaliza os mais pobres, dificulta a geração de emprego e renda, diminui a nossa produtividade. A gente também tem um problema de complexidade tributária, né? Por que que há tão pouco investimento eh privado no Brasil em ciência e tecnologia? Você pega Ambev, por exemplo, o número de advogados tributaristas que eles têm, o número de contadores que eles têm, o setor que eles têm só para cuidar de tributos é maior do que de pesquisa e desenvolvimento. Isso não acontece em nenhum país desenvolvido e outro dizer, mesmo em países em desenvolvimento. No ano passado, eu tive em Singapura, no Congresso dos países do Sudeste Asiático, e a gente toma pau assim de países eh em desenvolvimento, a Indonésia, o Vietnã, H, própria Singapura, países que eh hoje, né, estão com políticas públicas muito mais eficientes do que eh o Brasil e com e com revisão de gasto público. Pra gente saber a qualidade do gasto, coisa que eu repito, não se faz aqui no Brasil. Então, dizer que a gente tá 100 anos governado pela direita é uma piada, assim, é de um conhecimento político absolutamente superficial, raso, que não corresponde à realidade. Na na na verdade, desde a redemocratização, nós tivemos mais governos de esquerda do que governos de direita. E as políticas implementadas, sociais, né, eh, de uma elite privada corrupta, de uma elite pública corrupta, que mantém os seus privilégios às custas eh dos mais pobres. Então, assim, dizer que é que é que a própria premissa da pergunta, o próprio pressuposto da pergunta eh é absurdo de você dizer que a direita e o capitalismo governou o Brasil durante 100 anos. Vamos ver propostas eh eh eh e e políticas públicas de países que tiveram superávit de equilíbrio fiscal, investimento sério em ciência e tecnologia, investimento sério, né, no desenvolvimento da sua indústria, uma política industrial que não privilegiou os amigos do rei, mas que de fato promoveu a competitividade da indústria para para participar da cadeia global de produção. Isso sim, a gente tem que olhar e nos espelhar, que é o que funcionou e que a gente não precisa reinventar a roda.

Comentários? Acho que o Jones não concorda. Vamos lá. Não, veja, não tem como concordar com essa piada, assim. Primeiro, assim, Deputado, você passou uma vergonha aqui, né? Você comparou a dívida pública brasileira com a da Argentina e a da Grécia. A dívida pública argentina, o grande problema é que é uma dívida externa em dólar. Argentina não emite dólar, tem um perfil totalmente diferente. A dívida pública brasileira, a Grécia não tem moeda, é a zona do euro, é um país sem soberania monetária. Então, é uma dívida também externa, porque a Grécia não tem um ente monetário soberano. Isso, assim, é o básico, o básico do básico. O Brasil tem um ente monetário soberano, ele emite a sua própria moeda. E hoje, nesse momento, a dívida externa é baixíssima. A dívida brasileira é basicamente um perfil de dívida interna em moeda própria que o Brasil emite. Então, assim, festival de ignorância econômica. Dito isso, o deputado fez assim: "Não, como assim, a gente tem 100 anos de capitalismo de direita?" Primeiro, capitalismo é modo de produção. A propriedade privada é ou não é o elemento dominante? E a economia de mercado? E a economia brasileira é. Pronto, então é capitalismo. Mas não tem a maioria do governo de esquerda, de direita, não tem. Não, Deputado. Aí 15 anos Getúlio Vargas, é o quê? República Velha, era o quê? De esquerda? Washington Luís, era o quê? Comunista? Era. Aí depois vem o governo Eurico Gaspar Dutra. E aí, pouco tempo depois, vem o golpe empresarial militar, 21 anos de ditadura. Era o quê? De esquerda? Comunista? É comunista. Aí vem o governo Sarney, governo FHC. O que? De esquerda? Privatizando tudo, entregando tudo pro mercado privado, pras multinacionais, destruindo emprego, destruindo serviço público. Aí um interregno ali do governo Lula, Dilma, que é um governo social liberal. Governo Temer, governo Bolsonaro. Pera aí, pô. Respeita a pergunta do rapaz. Respeita a história brasileira. Sim, a maioria da, a gente só teve governo de esquerda no Brasil basicamente uma vez. Foi o governo João Goulart. Foi o único governo da esquerda mesmo, enquanto presidente, que a gente teve na história brasileira. O resto, os governos Lula e Dilma, governo a liberais de centro-direita, né? E o resto do governo de direita, uns de direita neoliberal como FHC, outros de extrema direita, outros de extrema direita meio fascista, meio maluco, mas que mantinha ainda uma respeitabilidade como o governo Temer. E o deputado achou a pergunta engraçada. A gente vive ou não uma economia de mercado? A gente vive ou não uma economia baseada na propriedade privada? O deputado vai citar o Vietnã. Bora fazer governo. Não, Deputado, começa a nacionalizar todas as terras. Assim. Aí ele cita Singapura, que tem 5 milhões de habitantes. Antes pega duas zonas de São Paulo do tamanho de Singapura. Tá de brincadeira, Deputado? Aí cita a OCDE. Vamos trazer o padrão, por exemplo, de presença estatal, de regulação do trabalho, de proteção trabalhista, de modelo tributário da OCDE pro Brasil. Eu vou achar ótimo. Seu partido vai votar contra, seus amigos vão votar contra. Sabe por quê? Você fala que enfrenta. Ah, eu enfrento a elite empresarial. Não enfrenta, porque você nunca abriu a boca contra as privatizações malcheirosas para entregar patrimônio público de graça para iniciativa privada. E vai começar o próximo bloco. Eu vou citar vários exemplos. Você faz demagogia, faz graça ao governo Dilma, que eu sou contra também, desoneração da folha, mas eu quero ver você falar alguma coisa sobre as privatizações que a gente vai entrar no assunto no próximo bloco.

Última pergunta para Jones do chat. Do chat. Alta linguagem aqui pergunta: "Por que os comunistas agem como se não houvesse uma extensa bibliografia anticomunista filosófica e econômica, não apenas história de regime, com a qual eles devessem lidar? Nomes como K. S. K., Ron Aron, Arthur Kestler e Milovan Djilas. E também ele pergunta: "O comunismo virou um nicho de mercado para se ganhar dinheiro?"

Minutos. Perfeito. Vamos lá. Primeiro, dos nomes que ele citou, o Ron Aron é um bom autor conservador e tal, mas é um autor qualificado que vale a pena ser lido. Eu não acho que marxista tem que só ler marxista, não. Tem que ver se o conservador ou liberal é um bom autor, né? Eh, sei lá, Foucault, Olavo de Carvalho. É melhor não ler, é melhor ignorar. O Geller gostava, deixou de gostar, mas o Raimundo Aron é um autor respeitado, um autor conceituado que tem contribuições importantes, inclusive no âmbito das ciências sociais. Dito isso, veja, eu acho que o o movimento comunista, ele parte de uma bagagem de mais de 150 anos de experiência, com muita bibliografia crítica acumulada e muita experiência histórica acumulada também. No Brasil, por exemplo, o movimento comunista foi protagonista na criação do SUS, teve um papel fundamental, foi protagonista na criação da Petrobras, na campanha "O petróleo é nosso", foi protagonista na luta pela democratização da terra a partir da reforma agrária, foi protagonista na criação da escola pública. Sabia que não existia escola pública no Brasil? Era basicamente escola católica. Teve uma luta gigantesca em defesa de uma escola pública de perspectiva nacional. Lá que a gente teve um protagonismo também muito importante nisso. Então, eu acho que a gente tem uma bagagem, tem um recall muito importante. Eu inclusive lancei recentemente um livro novo, "Batalha pela Memória: Reflexões sobre o Socialismo e a Revolução no Século XX", livro que tá subindo agora pras minhas redes, publicado pela Baioneta e pela Ruptura, em que eu busco fazer esse balanço, né? Eu refuto falar que o Kim vai falar é totalitarismo, e aí matou mais que o nazismo, e não sei o quê, por aí vai. Eu peço a você, olhando diretamente a você, cara do Kim, tá atrapalhando, baixa aí. Olhando diretamente para você, se você já ouviu essas histórias: "Ah, o comunismo matou 100 milhões, o comunismo é autoritário, o comunismo não sei o quê". Abre um pouquinho a mente, se permita a dúvida. Pegue meu livro, "A Batalha pela Memória: Reflexões sobre o Socialismo e a Revolução do Século XX", e dê uma lida, que você vai ver que isso está totalmente refutado, que a gente faz um debate crítico com ampla bibliografia, documentação, mostrando que isso está equivocado. O que acontece, Vilela, é que há uma demonização do movimento comunista por parte do empresariado nacional e estrangeiro, que evidentemente não quer a classe trabalhadora próximo de uma proposta radical, porque a radicalidade que a gente defende, inclusive, foi incorporada, por exemplo, no Brasil. Jornada de trabalho, quem começou a defender regulamentação de jornada de trabalho para 8 horas semanais, para 8 horas diárias, desculpa, quem começou a defender foram os comunistas, né? Era o quando foi criado o Partido Comunista no Brasil em 22, era uma das principais bandeiras. Até então, não existia. Então, nas fábricas aqui em São Paulo, pessoas trabalhavam 14, 16 horas por dia. A gente que surgiu com essa radicalidade, explicando que é exploração, explicando que é mais-valia, e dizendo assim, ó: "Tem que regulamentar para 8 horas diárias". Veja, isso todo mundo hoje, a gente tá acostumado, mas foi uma conquista do movimento comunista. Férias, conquista do movimento comunista, licença maternidade, conquista do movimento comunista. A maioria das bandeiras que hoje a gente coloca como civilizatória foram bandeiras que a gente defendia. Voto para analfabeto no Brasil, até 88, analfabeto não votava. Os comunistas, por exemplo, pautavam um direito de voto universal e a universalização da educação. O golpe empresarial militar impediu isso, como as campanhas de alfabetização de Paulo Freire e o movimento de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira para universalizar uma escola e uma educação superior de qualidade no Brasil. Então, acho que a história do movimento comunista é uma história bonita, é uma história que a gente foi derrotado no confronto central no século XX, mas o saldo para a humanidade é positivo, porque é muito difícil você imaginar algum direito trabalhista, algum direito econômico, algum direito social, algum direito político. Vou te dar uma ideia, nos Estados Unidos, até os anos 60, tinha um regime de segregação racial, né? O regime Jim Crow, que impedia, por exemplo, negros e negras terem direitos civis. Quando a Suprema Corte foi julgar nos anos 50, se a segregação era constitucional ou não, sabe o que foi que o Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou uma cartinha para a Suprema Corte? "É preciso derrubar a segregação racial, porque os comunistas estão avançando muito na comunidade negra e estão usando isso para ampliar sua influência." O movimento comunista teve um papel fundamental para combater, por exemplo, a segregação racial nos Estados Unidos, que existia um crescimento real do movimento comunista, sabe? Então, acho que é isso. Inclusive, dizer que hoje nós, comunistas do PCdoB, nós defendemos a redução da jornada de trabalho, né, para 30 horas semanais e o fim da escala. Por quê? Porque desde 1988 que não há redução da jornada de trabalho no Brasil. E em São Paulo, quando teve a Revolução de 30, foi instituída a jornada de trabalho de 8 horas. Em 1931. Faz quase 100 anos que a jornada de trabalho é a mesma e precisa ser reduzida. Deputado, você é igual Marcos Feliciano, que quer que o trabalhador trabalhe até exaustão e morra? Trabalhar ou defende a redução da jornada de trabalho?

3 minutos. Para comentários. Vamos lá. Falava da falsa dicotomia, né? Só existe essas duas alternativas: ou você defende a redução da escala de trabalho, ou você defende o trabalhador trabalha até morrer, né? Vamos lá. Primeiro, que essa regulamentação na prática não teria efeito, porque hoje a gente tem 40 milhões de informais, né? Então, essas leis trabalhistas não vão se aplicar para ninguém que hoje tá eh informalizado. O empresário paga muito, muito, e o empregado recebe pouco, justamente por causa dos encargos trabalhistas e da quantidade de dinheiro que fica com o governo do pagamento da folha eh eh de pagamento. E vamos lá, outro ponto. Eu comparei a saúde fiscal dos países. Eu não disse que o perfil da dívida era igual. Mais uma vez, você estava utilizando a falácia do espantalho para atacar uma coisa que eu nunca disse, né? O que eu coloquei é justamente a saúde fiscal desses países levou um período de deteriorização econômica que também levou à crise de dívida. E para mais do que isso, você ainda quer chamar todos os governos, né, de direita, de governos capitalistas, de governos liberais de governos, não, né? Há franjas, né, do capitalismo, do liberalismo, do conservadorismo. Não dá para você falar que a ditadura militar foi um regime fiscalista, foi um regime que manteve equilíbrio fiscal, foi um regime que adotou políticas liberais. Não, justamente pelo contrário. A gente saiu do período da ditadura militar com hiperinflação, precisando fazer o Plano Real e com vários problemas em obras de infraestrutura que foram financiadas, né, de maneira com esquemas de corrupção que sequer poderiam ser descobertos na época por causa do sufocamento das estruturas de fiscalização e controle. Então, você coloca como se toda essa estrutura, né, ah, todos esses presidentes são de direita, todos esses presidentes de direita são esse esse amálgama que o MBL defende, que o Kim defende, né? Então, precisa separar, né, o que de fato é capitalismo, ismo, do que é corporativismo, do que você é ter uma estrutura estatal, né, que vai utilizar o seu orçamento sequestrado para privilegiar uma elite corrupta, os amigos do rei, coisa que historicamente a esquerda brasileira faz, perpetuando o nosso patrimonialismo. Mas eu quero colocar um negócio aqui que o Jones disse e que ele não me respondeu na minha primeira pergunta, e ele reforçou aqui agora. Não, porque e os liberais? O Kim quer colocar que comunismo é autoritarismo, é totalitarismo, né? E que quero impor coisas em cima de vocês. Eu quero só reforçar duas coisas que eu já coloquei para ele e que ele não teve a coragem de responder. Primeiro, a fala dele em relação de que, olha, matar pessoas numa revolução é uma contingência que acontece, né? Essa abordagem personalista em relação ao Stalin, é ceder ao liberalismo. Então, mais uma vez, eu pergunto: então, estaria tudo bem fazer uma revolução, você me matar, né? Você, isso seria OK? Seria uma contingência aceitável, um resultado da revolução para a gente implementar um novo regime? E um outro ponto, eu defendo, palavras do Jones Manuel, eu defendo responsabilizar criminalmente os neoliberais e liberais desse país por todas as misérias que estão fazendo no país nos últimos 30 anos. Quebrar pedra na Paraíba seria uma boa? Você defende, então, campo de concentração? Você defende que eu vá para um campo de concentração porque eu sou um liberal, porque eu divirjo da sua ideia? Aqui temos um problema. Estamos ainda no segundo bloco ou já quer que isso já valha para a primeira pergunta do terceiro bloco? Porque isso aqui era a resposta do do chat e a gente ia pro terceiro bloco. Para as perguntas. Você quer que já valha como a primeira pergunta do terceiro bloco? Não, porque aí eu vou ficar com 3 minutos a menos. É, pô, aí tu vai curar, então. Então, aí não, não tem, mas, mas eu respondo na próxima. Responde ou? Ah, então beleza. Direito dele. Ele fez a pergunta, aí, então, então beleza. A gente agora pode ter mais duas perguntas do chat ou já ir para a pergunta entre vocês? E você pode utilizar o tempo da pergunta para responder. Pode ser? Vamos entre nós, pô. Então, entre vocês. Agradecer o chat aí, continue mandando aí, e eh perguntas a gente vai ler no final, algumas que não são serão respondidas, mas comentários e tal. Então, Jones, primeira pergunta para Kim é contigo. Vamos lá. São 3 minutos, né? Isso. Vamos lá. Deputado, eu vou responder na réplica essa sua provocaçãozinha, mas vamos debater o que interessa, né? No Brasil, é muito comum os liberais falarem que o problema do preço das coisas é imposto. E aí, de fato, o Brasil tem uma estrutura tributária injusta, em que a classe trabalhadora e a classe média é basicamente quem paga os impostos no consumo, e a burguesia, os ricos, os bilionários não pagam nada. Só que esse negócio de dizer que reduzir imposto resolve o problema é uma falácia. Vamos pegar, por exemplo, o exemplo da saúde. Em 2023, o déficit comercial da saúde foi de 20 bilhões de dólares. Desse valor, só em fármacos foram 9.8 bilhões de de dólares. O que que significa isso? A gente comprando de fora porque não está produzindo internamente, né? O Brasil já chegou a produzir 50% dos IFAs, ingrediente farmacêutico ativo, que é o que faz o remédio funcionar. Que consome hoje em dia, só produz 5%. E aí você percebe que, por exemplo, alguns medicamentos, o Lenacavir, que é um medicamento muito importante no tratamento do HIV/AIDS, ele custa, com lucro de 30%, 40%, só que a empresa quer vender aqui pro Brasil, pro SUS, por 42.000 dólares. Ele custa 0 com a taxa de lucro de 30%, que é acima da média mundial da taxa de lucro do capitalismo. Aí você pega outro medicamento muito importante pro tratamento do HIV/AIDS, que é o Dolutegravir, que o valor dele, a MS compra por 0,21 e quer vender para o Brasil por R$ 4,40. Ou o Sofosbuvir, que é um medicamento para Hepatite C. O Brasil tem 300.000 pessoas com Hepatite C e que depois que teve um processo judicial para o Brasil solicitar produção de genéricos, o remédio aumentou 10.000%. Né? Então, a gente deixa de gerar emprego dentro do Brasil, a gente encarece o preço dos medicamentos. Para vocês terem uma ideia, 50, 40% do mercado de fármacos é demanda do SUS. Compra do SUS. 95% é compra do SUS do mercado de vacinas e 50% do mercado de equipamentos. Então, o SUS é o grande consumidor de remédios, de equipamentos, de meios de diagnóstico e de vacinas. A gente poderia fazer um processo de substituição de importação, garantir a produção interna disso e realmente baratear o preço dos medicamentos. Porque na mão de monopólios estrangeiros não tem como baratear. O professor Carlos Gadelha, que é o grande especialista em economia política da saúde, ele fala que hoje o setor da saúde gera 9 milhões de empregos, poderia gerar 25 milhões de empregos com a política de fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde. Isso é fundamental, né? Deputado Kim Kataguiri, qual é a sua proposta para o Brasil superar a dependência científico-técnica no setor de fármacos e, por exemplo, a gente aumentar a produção de IFAs no Brasil?

Minha proposta é o seguinte: a gente começa com a reestruturação do orçamento. Não existe como a gente fazer investimento público se a gente não cortar gasto, né? Começa por aí, né? Se a gente não cortar os gastos obrigatórios que a gente tem, se a gente não enxugar a nossa máquina pública, não sobra recurso para investimento. Não tem nada de engraçado nisso. Os gastos obrigatórios sufocam a a margem que o governo tem para investimento. Já coloquei para você, 94% dos gastos são obrigatórios, e esses gastos nem consideram gastos que são materialmente obrigatórios, como pagamento de conta de luz, pagamento de conta de água e etc. Então, nem sobra os outros 6%. Então, como que a gente faz uma política de investimento público pesada, como os países desenvolvidos fazem, sem que a gente tenha uma revisão periódica de gastos, sem que a gente corte os gastos para sobrar dinheiro para investimento, né? Investimento é aquilo que dá, para quem nos assiste entender, investimento é aquilo que dá o retorno no longo prazo, né? Você investir num parque industrial, você investir num complexo tecnológico, você investir em ciência e tecnologia, naquilo que dá retorno. Gasto é aquilo que você gasta e não volta mais, né? Tá lá a folha de pagamento, tá lá a previdência, tá lá gastos da folha com saúde, com educação e por aí vai. E há gastos que são possíveis de cortar, como eu coloquei para você, né? A gente tem mais de 400 bilhões de reais de privilégios tributários que, se a gente não cortar, não vai sobrar dinheiro para fazer investimento eh em saúde pública no Brasil. E digo mais, é um governo de direita que deu, diminuiu o déficit da tabela SUS no Brasil inteiro com tabela paulista, aqui no estado de São Paulo, com o governador Tarcísio, o que o governo federal com 16 anos de governo de esquerda não fez, que é a piada que se paga hoje da tabela do SUS. Você vai no hospital público, a consulta SUS paga R$ 17. Aquela consulta custa R$ 2. Você tem um déficit gigantesco. Muito desse déficit é suprido, sabe pelo quê? Pelo atendimento privado de instituições que atendem SUS, ou seja, instituições como o Hospital de Base, São José do Rio Preto, que são instituições privadas, mas que têm rendimento majoritário SUS. Eles atendem no convênio. E sabe o que que os capitalistas da iniciativa privada malvados fazem com esse lucro? Utilizam esse lucro para suprir o déficit que eles têm do SUS, que o governo não paga. Então, para além da gente ter dos modelos de hospitais que mais funcionam no nosso país, aqueles que têm um atendimento privado e que utilizam o lucro do atendimento privado para elevar o padrão do atendimento SUS e para financiar o déficit da tabela SUS, a gente tem também a tabela paulista, que foi aquela que mais eh suprir o déficit na saúde que a gente tem no nosso país. E um outro ponto fundamental, se investe muito pouco e se fala muito pouco em prevenção no Brasil, né? Um dos países que tem o menos investimento em prevenção. E aí entra o trabalho de você ter o acompanhamento de doenças que nunca precisariam chegar no hospital, como o caso na cidade de São Paulo, das mais comuns, você ter diabetes, você ter colesterol, você ter problemas cardiovasculares, você ter bronquite, coisas que nunca precisariam chegar no atendimento de média, alta complexidade, que poderiam ficar na na na primeira atenção básica. Só que como a gente não tem um acompanhamento de saúde de família para fazer orientação dessas famílias e tá lá toda semana o sujeito, Dona Maria, parou de colocar tanto sal na batata, e aí tá comendo tanto açúcar, né? Hábitos que sequer precisariam chegar num médico, num enfermeiro para antes de chegar numa situação gravíssima, poderiam ser feitos, poderiam ser investidos. E é uma coisa que não acontece no Brasil. Eu pessoalmente, né, no meu mandato, das minhas emendas parlamentares, eu mandei dezenas de milhões de reais para investimento em ciência e tecnologia na área da saúde. Um dos maiores exemplos disso, R$ 15 milhões de reais para a Universidade Federal de Minas Gerais, que desenvolve um excelente trabalho na vacina contra o crack e contra cocaína, e que me o o professor coordenador da pesquisa me colocou que, com 15 milhões, cerca de R$ 15 milhões de reais, a gente conseguiria construir um parque aqui no Brasil para não precisar mandar as vacinas para fora para depois voltar para cá, para a gente produzir, para a gente ter as vacinas aqui. Então, de fato, não há plano estruturado de investimento em nenhuma área enquanto a gente não cortar gasto, porque a gente gasta muito e gasta mal. Eu repito, e mais uma vez, a diversos lugares falei dos privilégios tributários que a gente tem para iniciativa privada. Dá para a gente colocar também da elite do funcionalismo público, só de juízes, de promotores, em super salários de mais de R$ 44.000 por mês, gente que chega a receber R$ 10, R$ 100.000, R$ 200.000. Hoje, a gente tem o último levantamento, levantamento já desatualizado, mais de 8.000 juízes que recebem mais de R$ 100.000 por mês do dinheiro do mais pobre, do dinheiro do trabalhador. A Justiça Trabalhista, que é tão defendida, né, pelas esquerdas, ela custa o dobro daquilo que paga para o trabalhador. Ou seja, era é mais fácil a gente pagar o dobro do que cada trabalhador pediu na justiça sem ter Justiça Trabalhista do que a gente manter a estrutura na baboseira que a gente mantém hoje de juízes recebendo super salários. Então, sem uma reforma estrutural do nosso orçamento público, a gente não vai conseguir investir em nada.

Segundos. Ainda isso pode gastar. Depois tem 20 segundos. Você tem três. PR PR réplica. Veja, o deputado, ele não respondeu concretamente como ele faria para reduzir essa dependência tecnológica e a gente deixar de ter um déficit de 20 bilhões na saúde como teve em 2023. Mais uma vez, o deputado não lembra dos projetos de lei que ele apresenta. Ele apresentou um projeto de lei que é até bom sobre a lei de patentes para fazer a modificação na lei de patentes de 96 do governo FHC, e na justificativa do projeto está dito que o principal problema do valor alto do preço dos remédios no Brasil é a legislação de patentes atuais que privilegiam os grandes laboratórios estrangeiros que saem estendendo de maneira e e eh sem limites as patentes, impedindo, por exemplo, que se transforme em medicamento genérico. O deputado esqueceu do projeto de lei, ele não lembra, provavelmente a equipe dele apresentou e ele nem leu. Então, Deputado, eu vou dar algumas sugestões para você. Primeiro, a gente precisa mudar a lei de patente do governo FHC, proibindo, por exemplo, o patenteamento de microrganismos, proibindo a a prática de evergreen, que na verdade eh patentes perenes, você faz alguma pequena modificação, o medicamento é o mesmo, o composto é o mesmo, mas você estende a patente por mais de 20 anos. Hoje, no Brasil, 85% das patentes registradas no INPI são de estrangeiros, né? Então, a desnacionalização completa da produção de patentes no Brasil. Isso passa também por reverter a abertura comercial iniciada no governo Collor, continuada no governo FHC. A Fiocruz lançou uma publicação, "Saúde é Desenvolvimento", Maxwell, tá subindo agora para as minhas redes, que mostra que o Brasil foi o país que mais abriu a sua indústria farmacêutica, ali o seu mercado farmacêutico no mundo nos últimos 20 anos. A tendência global é proteger a indústria local e garantir o crescimento dessa indústria a partir da demanda interna. O Brasil tá na contramão do mundo, abrindo esse mercado. A partir disso, o investimento permanente e constante e acesso a crédito para potencializar as as possibilidades que a gente já tem. Então, por exemplo, se o SUS compra 40% dos fármacos no Brasil, tudo que for patente vencida, vamos produzir internamente e comprar pelo SUS e garantir também que a gente faça o licenciamento compulsório, que é o que se chama popularmente de quebra de patentes. Então, por exemplo, para Hepatite C, o Egito tinha 10% da população com Hepatite C, ele fez o licenciamento compulsório do Sofosbuvir, conseguiu acabar com a Hepatite C no país e ainda distribuiu 1 milhão de medicamentos para países da África. A Colômbia tá fazendo o licenciamento compulsório do Dolutegravir para pessoas com HIV, que no Brasil 40.000 pessoas precisando desse medicamento. A gente não fez ainda o licenciamento compulsório. Se percebe que o deputado não entende sobre o tema, porque fala abstratamente em investir, mas não fala de marco de legislação de patentes, não fala de usar capacidade instalada de consumo que já tá colocada no SUS, não fala que mudança se pressa na lei de patente. Você sabe, Deputado, porque é importante não patentear microrganismos? Você sabe, por exemplo, porque a Índia e a China acabou o tempo.

Quando eu estava em Olavo, rapaz, 20 segundos. Ou vamos para a pergunta? Não, ele, ele não tinha 20 segundos. Acabou o tempo. Não, não acabou não. Opa, tinha 20 20 segundinhos. Então, tá, vai, pô. Fala aí, pô. Vamos lá. Eu quero só agradecer o Jones porque ele já trouxe dois projetos meus aqui que ele considera bons, e eu não sou capaz de ver nenhum projeto dele que seja bom. Então, quero agradecer aí por esse levantamento que ele fez aí para mim. E esse projeto de patente, sim, eu li. Eu fiz inspirado na missão oficial que eu fiz na Dinamarca do ano passado, conheci a Novo Nordisk, conheci a que é referência de saúde no mundo inteiro, conheci a comissão de indústria deles e apresentei com base nisso. Mas obrigado pelo elogio. Já pergunta pro pro pro Jones, já aproveita. Vou fazer uma pergunta para o Jones em relação a planejamento urbano e plano diretor na cidade de São Paulo. Lá, ah, São Paulo é uma das metrópoles, Jones, menos densas do mundo. Cinco, menos cinco vezes menos densa do que Tóquio, quatro vezes menos densa que Paris, três vezes menos densa do que Madrid. Os ricos se isolam geograficamente dos pobres, os pobres têm um tempo de deslocamento do trabalho ou mesmo para se divertir muito maior do que os mais ricos. Um gasto em média aí, 2 horas e 43 minutos, enquanto alguém que mora na periferia, em Parelheiros, por exemplo, enquanto uma pessoa que mora em Pinheiros, por exemplo, que o Boulos diz que é do Campo Belo, mas a gente sabe que ele sim é um playboy de Pinheiros, Campo Limpo, eh, né, no Campo Limpo, mas diz que, muito obrigado pela correção, Campo Belo, ele não sabe de São Paulo. É, tá bom, meu Deus do céu. Confundi o Campo Limpo com o Campo Belo agora. Eu não sei mais nada de São Paulo. Realmente, você mascarou, Jones. Me desculpe, eu realmente devo me submeter à sua supremacia. Eh, vamos lá. Eh, diz que mora do Campo Limpo, mas é ele, de fato, é um playboy de Pinheiros, que só entrou na política, ele sim, para aparecer. E no no bairro dele. Falei de Pinheiros porque gasta cerca de 19 minutos no transporte público em comparação com a população mais pobre. Então, queria perguntar para você, e essa, aliás, uma política muito conduzida durante o governo na da Erundina pelo vereador Nabil Bonduki, na época, que foi um dos responsáveis pelo plano diretor e um dos motes, né, de um dos planos diretores do são de São Paulo, era justamente São Paulo não pode crescer, o que fez com que a gente tivesse essa periferia tão espalhada, que a gente tivesse essa dificuldade tão grande de você fazer a distribuição de saneamento básico, por exemplo, no Parque Taipa, onde eu coloquei. E aliás, eu queria só reforçar um ponto que você colocou: "Ah, eles querem que organize uma ONG, talvez alguma ONG do MBL para ter corrupção". Se quiser fazer alguma acusação em relação à ONG do MBL ter corrupção, por favor, faça taxativamente, para depois eu te processar e pagar um churrasco, tá? Não faça assim: "Ah, talvez tem alguma ONG da MBL que vai desviar dinheiro para corrupção". Seja homem, tenha coragem de fazer uma acusação aqui na minha cara, né? Eh, mas vamos lá. Eh, justamente degradação completa que a gente tem hoje do centro de São Paulo, a destruição eh eh do centro, que tá absolutamente tomado pelo crime organizado, pelo crime desorganizado, né? A gente sabe da perda também eh dos diversos prédios históricos que também têm sido invadidos, depredados, destruídos. E também as restrições que você tem hoje de estabelecimentos comerciais em corredores de trânsito. Queria saber sua opinião sobre isso, que é um dos temas municipais mais importantes que se tem para qualquer cidade.

Vamos lá. Jones, 5 minutos. Vamos lá. Primeiro, Deputado, seu projeto sobre a lei de patentes, na justificativa, era até bom que você diagnosticava as patentes de empresas estrangeiras como o principal motivo dos remédios caros no Brasil e a proibição de colocá-los para genéricos. Desde que a lei de genéricos foi aprovado em 1999, o SUS economizou 300 bilhões de reais comprando medicamentos genéricos ao invés dos medicamentos normais. Mas seu projeto tem vários limites. Você nem lembra, nem estudou, nem leu. Por exemplo, não proibia patentes de microrganismos, era muito leniente em relação a tríplice, quádrupla patentes no mesmo, no mesmo pedido, no mesmo medicamento, no mesmo tipo, e não colocava proteções nacionais. Repetindo, 85% das patentes registradas no Brasil são de estrangeiros. Tem, por exemplo, a Copaíba, é um negócio brasileiro que só nasce na Amazônia brasileira, e ela tem propriedades medicinais. Quando você vai olhar as patentes da Copaíba, quem tem mais patentes da Copaíba é a China, é o Japão, é os Estados Unidos e é a União Europeia. O Brasil é o que tem menos patente. No debate que teve entre o Deputado e o Orlando Silva, você perguntou sobre as patentes, o que não respondeu, deu uma resposta genérica falando de burocracia. Ah, tem que diminuir a burocracia. O modelo da China, o modelo da Índia e o modelo de Bangladesh, que vem se tornando uma potência farmacêutica, é justamente ao contrário. Você ampliar o tempo de análise de patentes para você garantir que o interesse nacional não seja lesado, porque isso a gente tá falando de milhões, bilhões. Então, essa fala genéricazinha de liberar, tem que reduzir burocracia, tem que fazer não sei o quê, isso é mentira. A gente precisa, inclusive, é fazer com que o licenciamento de patente tenha um controle muito maior para pedir a sobreposição de pedidos de patente e para impedir essa prática de evergreen, que é a patente tá vencendo, aí se faz, por exemplo, uma modificação na embalagem, se pede a extensão da patente, e a partir disso vai milhões, bilhões, a depender do medicamento, dos cofres públicos e do bolso do povo trabalhador. Repare que o Kim não falou nada sobre as empresas estrangeiras que estão ganhando. O Dolutegravir é 0,21 centavos de reais, ele custa pro SUS. Querem vender no Brasil a R$ 4,40. Pode, pode deixar que tá. Querem vender no Brasil a R$ 4,40. E a empresa que é proprietária do Dolutegravir, uma delas é a Pfizer, entrou na justiça para impedir que a Lafepe, lá de Pernambuco, em parceria com a empresa de capital nacional, produza o Dolutegravir e faça o licenciamento compulsório. O deputado fugiu da pergunta, não soube responder, não soube explicar. Uma vergonha. Dito isso, veja, o deputado tem uma proposta que é uma tragédia, meu Deus do céu, que ele fala assim: "Não, São Paulo tem que aumentar o adensamento urbano". Como é que ele quer aumentar o adensamento urbano? Metendo prédio. E aí, vamos lá, você que é trabalhador e que é trabalhadora, imagina, você conseguiria comprar um apartamento de R$ 700.000, de R$ 800.000, de R$ 900.000? Sabe? Ele quer meter mais prédio onde já tem uma porrada de prédio. Resultado prático em São Paulo: 20% dos imóveis do centro estão abandonados. São o quê? São casas, boa parte são prédios, sabe? 60.000 imóveis abandonados. E manter a lógica de, ao invés de redesenhar o modelo urbano, tentando aproximar emprego e moradia, não só descentralizando os empregos do centro, porque, por exemplo, você pega os dados, você vai ver, pera aí, para eu não tá errado, na Barra Funda você tem 700 empregos para cada 100 moradores. Na Cidade Tiradentes, você tem três empregos para cada 100 moradores. Então, o que que a gente precisa? A gente precisa construir moradia popular no centro. A gente precisa fazer com que o centro não seja só um lugar de pessoas ricas. E as construtoras, as empresas privadas não querem construir moradia popular. Isso é um problema gigantesco. E a gente precisa garantir uma política de urbanização de favelas e construção de moradia popular também nas regiões periféricas e atração de emprego, mudando a lógica, porque todo dia sai 2 milhões de pessoas, né, da Zona Leste para trabalhar no centro expandido. Esse fluxo diário, 2 milhões de pessoas para lá, 2 milhões de pessoas para cá, é inviável. Então, a proposta do deputado é o quê? Ah, não, vamos construir prédio, meter prédio, prédio, prédio, prédio. Isso não vai mudar absolutamente nada na lógica de deslocamento urbano na cidade. As pessoas pobres vão continuar morando na periferia, vão no máximo sair da periferia para trabalhar como porteiro, para trabalhar como empregada doméstica nos prédios para classe média alta, prédios inclusive que cada vez mais estão mais caros, com menos espaço. Esse tal do modelo.

Estúdio, né? Que isso é um crime contra a saúde das pessoas, né? Um negócio desse tamanhinho custando 800.000, custando 1 milhão e por aí vai. Vou aguardar 20 segundos, fechou. Réplica, réplica. Vamos lá. Eh, primeiro que, mais uma vez, tá tacando um espantalho. Não é só colocar prédio. E ele falou: "Olha, tem tantos lugares abandonados". Isso só mostra a necessidade de você revitalizar o nosso Centro Histórico. E para isso, tem uma proposta justamente de, eh, fazer um porto digital, como foi feito em Recife, no centro de São Paulo, e você relativizar o tombamento que foi feito em prédios históricos para você preservar a fachada e poder mudar o uso interno, o que levou diversas empresas de tecnologia a revitalizar o centro histórico da cidade de Recife há décadas, e que a gente pode gerar emprego, renda e investir em ciência e tecnologia, e numa demanda gigantesca que a gente tem, que é na formação de programadores, de técnicos e, eh, de TI. Existe hoje mais de centenas de milhares de empregos, de vagas abertas em empresas, inclusive empresas brasileiras, as mesmas empresas internacionais que querem contratar no Brasil e que precisam desse tipo de mão de obra, né?

Um outro ponto fundamental, ah, o, o pobre não vai, eh, ter que pagar 500, 6, 600, R$ 700.000 para poder comprar um prédio no centro. A revitalização do centro histórico com adensamento do centro que diminui emissão de CO2, que facilita você levar saneamento básico, porque é muito mais fácil você levar para um prédio do que você levar para um bairro inteiro. Facilita você levar energia elétrica, facilita você levar internet, que é o que funcionou tanto no mundo desenvolvido como no mundo em desenvolvimento. A gente não precisa ir muito longe. Buenos Aires é um dos exemplos disso, muito mais denso do que São Paulo, com calçadas muito mais agradáveis para andar e com uso misto de imóvel, né? Ou seja, você coloca o comércio embaixo, você coloca o comércio no térreo com as moradias em, em cima, fazendo com que seja muito mais agradável você frequentar um restaurante, você ir para uma loja de roupa, você, eh, tornar aquela cidade, né, mais ativa e as ruas mais vivas, que inclusive tem um impacto direto na segurança pública. E você ainda pode utilizar, né, a outorga que as empresas pagariam para construir prédios mais altos. A gente abate isso com a condição de que elas façam enterramento de fios para a gente acabar com esses problemas de queda de luz que a gente tem na cidade de São Paulo. Em vez delas pagarem a outorga para a prefeitura, elas se comprometem a fazer o enterramento de fios e a gente tem uma cidade, primeiro, visualmente muito mais agradável. A gente também tem, é, uma cidade com uma infraestrutura muito mais concentrada e mais a construção de habitações populares, financiada pelo poder público. Ah, de onde vai sair o dinheiro? Que mais uma vez você não disse nenhuma proposta sua de onde sair o dinheiro. Mas das minhas, já repito para você, que a gente tem caixa mais do que suficiente, R$ 20 bilhões de reais, muito por causa da aprovação de uma reforma previdenciária que, imagino que você tenha sido o contrário, mas sem isso a gente não teria capacidade de investimento e não teria capacidade de investir em moradia popular para o mais pobre poder morar mais próximo do seu trabalho.

E outra coisa que ele colocou, né, em relação a, olha, o texto do seu projeto não tem X, não tem Y, não tem Z. A ideia é boa, mas falta isso. É justamente por isso que existe o processo legislativo. É para isso que tem comissão temática na Câmara dos Deputados. É por isso que, além do autor, tem um relator. Nenhum projeto é aprovado com seu texto original. Relator da redação final, justamente ouvindo contribuições e trazendo isso pro seu relatório final, e assim que funciona o processo legislativo. E por fim, mentira de que tem burocracia para sair patente no Brasil. Não sei o quê. Tinha uma fila de milhares de processos no INPI. Eu mesmo conheço o Dr. Zacarias na Câmara dos Deputados. Demorou 11 anos para poder tirar um remédio. 20 segundinhos aí, manda bala. Como eu esperava. Eu deixo esses 20 segundinhos para comentar isso. Ele fugiu do assunto concreto das patentes, veio trazer o negócio sobre processo legislativo, não respondeu às perguntas, não respondeu às propostas, não respondeu se o que eu defendi, por exemplo, é bom ou ruim. Eu garanto para vocês que é bom. Tá subindo material nas minhas redes sociais agora sobre o debate patente, um debate que ficou claro que o deputado não entende nenhuma. Aproveita que tá com a palavra, vamos para a última rodada de perguntas. Jones, pergunte para quem é a última. Ele tem mais uma. Eu tenho mais uma. É isso. Tá bom. Tá. Vamos lá. Vamos lá. Se vocês quiserem, tem mais duas. É que a gente já tá com 2 horas e 37, 37. Aí vocês que sabem. Mais uma rodada ou duas? Tem um encerramento, 5 minutos cada um também. Eu, se, se tiver mais duas rodadas, eu só preciso ir ao banheiro. Então, vá, vá ao banheiro. E a gente vai. Pior que eu também. Mas não junto do Jones. Então, vai o Jones primeiro. A gente vai passando por comentários e perguntas que, e não serão respondidas, porque já foi esse bloco. Mas vamos, enquanto isso, passar pelas perguntas aí. Vamos lá. Aproveitar. Vamos lá. O que que o pessoal perguntou aí? Eh, muitos comentários, né? É comentários falando o quê? Eh, sobre as respostas que cada um deu aqui, né? Mas não, mas eu nem vou ler, porque não, não dá, não dá para ler muita coisa. Mas tem algumas perguntas aqui, então, direcionadas pro Kim. Eh, não, mas eu não posso responder. Não, não, não, não. É só, só, não é só, é só para, só para sinalizar, só registrar. Registrar para dar tempo de vocês virem ao banheiro e tal. Não, não, porque seria, não, porque seria injusto eu estar respondendo uma coisa sem o Jones aqui, né? Não, o, ô, ô Kim, você não vai responder. Pode inclusive ir ao banheiro. Tem dois banheiros. Ah, tá. Beleza. E é só que, gente, aqui, vamos lá. Pó. Aí, aí eu posso comentar, então. Então, vamos lá. O que que o pessoal tá comentando? O que a galera tá mandando aqui? Inclusive, agradecer muito super chats e assim, não dá, não dá pra gente registrar aqui, né? Então, aqui, ó, eh, Jailson, o Jones, eh, não, não dá para ler, não dá para ler. E vai chegando aqui, a gente fica com medo, né? Né? É, é, as coisas antigas mesmo. Não é que tá subindo, eu não tô conseguindo pausar aqui. Ah, vamos lá. Júpiter, para quem chegou agora, um resumão. Tá, o, o Johnny está amassando o Kim, que acabou e por se descobrir um fã de carteirinha do Haddad, né? Foi um dos comentários. Esse tipo de comentário que a gente tá recebendo aqui, ó. Coitado do Kim, sentiu muito, tá? Coitado. O Ti comenta aqui, eh, Reinaldo Inácio, quem tá com o olho vermelho, ele está bem? É uma pergunta honesta. Eles colocam aqui, eh, Mateus Almeida, patentes nem deveriam existir. Novamente, não dá para colocar na conta de quem quer o livre mercado. Esse tipo de coisa, a briga não deve ser por nomes. Teve uma aqui que eu achei interessante, que ele colocou pros dois. O Maurício, hoje a maior parte do transporte é feito via modal rodoviário. Pelo que eu vejo, que ambos entendem que o transporte hidroviário e ferroviário está em alta velocidade. É possível achar um consenso nesse tema e trabalhar os dois juntos? Então, depois a gente traz. Tiver aqui, você só zoou o Kim, tem que zoar o Jones também. Você só zoou o Kim. Agora tem que zoar o Jones. Mas não, tem, galera falando que eu sou, galera falando que eu sou forte. Fala nisso, se você colocar no Google o seu nome, o que completa na busca é assim, ó: Jones sem camisa. Infelizmente, além de ser comunista, eu sou bonito, porque a galera de direita é feia. Mas tem aqui, ó, o Mateus Luz comenta: "É incrível como todo comunista ama proibir". Tá pronto. Pronto. Então, vamos agradecer também, enquanto o Kim está no banheiro, a Insider, que tá sempre aqui com a gente. Link é na descrição, que é Record na tela. Vai lendo mais algumas coisas aí. Então, vocês só precisam definir aí, viu, Jones? Se é mais uma pergunta de cada um ou duas de cada um. Mais uma de cada um para não cansar muito. Ach, essa era a ideia. Mais uma de cada um e depois encerramento. Fala, Léo. Mais um comentário do Vor Barbosa aqui, ó. Jones Manuel, o contador de história. Pronto. Duas para cada um, então. Vamos lá. É sua vez agora, Jones. Mais uma rodada de perguntas. Você para Kim e depois Kim para você. Perfeito. Vamos falar de corrupção, né? O deputado federal Kim Kataguiri, ele, quando era pré-candidato, ele acusou Ricardo Nunes de ter entregado a cidade para o crime organizado, de ter relações escusas com o PCC, falou que o aumento descomunal de obras e emergenciais sem licitação e por aí vai, era indícios claros de corrupção. Na entrevista para o My News, a sabatina do My News, ele falou isso abertamente. Vocês terem uma ideia, pega aqui até os dados para citar certinho. Ricardo Nunes gasta mais com obras sem licitações do que todos os últimos quatro prefeitos de São Paulo juntos, mais de 300% de aumento de obras sem licitação. Isso comparado com os quatro últimos prefeitos. Se você comparar só com Bruno Covas, é mais de 8.000% de aumento de obras sem licitação. O Tribunal de Contas do Município afirmou que tem fartos indícios de corrupção, inclusive fatiando obras para deixá-las mais caras, né, e contratar os amigos, que são basicamente 12, 14 empresas que fazem essas obras sem licitação. E das dos 80 milhões gastos com algumas obras emergenciais que o TCM fez a vistoria, se percebeu que no mínimo metade, 40 milhões, são de obras inúteis. Aliada a isso, o Ricardo Nunes não gastou o mínimo constitucional da educação. Toda a prefeitura é obrigada a gastar 25%, né, da sua receita com educação. Ricardo Nunes está com a representação que foi feita por vereadores de oposição, em que ele deixou de gastar 1.7 bilhão em educação. E em 2021 e 2022, o Ricardo Nunes, para tentar cumprir o mínimo constitucional da saúde, ele gastou 30% do orçamento, aliás, disse que gastou, né, fez o empenho, mas não liquidou 30% do orçamento em dezembro para tentar fazer uma maquiagem contábil. Então, a gente tá falando de um prefeito, candidato a prefeito, que é recordista em obras sem licitação, que tem envolvimento com empresas que ali com o PCC, né, da Transwolf, da Upbus, que é recorde de obras e malcheiros de mau uso do dinheiro público, que não cumpre o piso constitucional da educação e que deixa para fazer o empenho de 30% do orçamento no último mês do ano para tentar fugir do Tribunal de Contas. Kim Kataguiri, por você estar lambuzado, melado na corrupção, fiquei com 30 segundos ali. Vamos lá. E eu mantenho absolutamente tudo o que já falei sobre Ricardo Nunes. Mantenho aquilo que falei em relação às obras superfaturadas, com os os planejados que foram denunciados pelo Tribunal de Contas da União. Mantenho inclusive os meus processos contra o prefeito e contra a prefeitura em razão de todos esses casos que eu estive pessoalmente, fiscalizei e denunciei. Mantenho a minha proposta de seguro anticorrupção para garantir que as obras sejam entregues no prazo, na qualidade, no preço que foi combinado por contrato, sob pena da seguradora ter que pagar por aquela obra e você não ter prejuízo aos cofres públicos. Mantenho a minha proposta de acabar com o oligopólio, com a máfia dos transportes na cidade de São Paulo, separando aquilo que é licitação de capital, ou seja, aquele que vai investir na garagem, aquele que vai investir na compra do ônibus, da licitação da operação, que é aquele que vai, vai ter o cobrador, vai ter o motorista, para a gente quebrar esse oligopólio histórico que tem na cidade de São Paulo e que se mantém na gestão de Ricardo Nunes. Quebrar inclusive os contratos com as empresas de transporte ligadas ao PCC, cujos contratos foram assinados pelo Barreirinhas quando era secretário do Haddad. O próprio prefeito Haddad se mantiveram na gestão do Ricardo Nunes. Eu mantenho absolutamente todas as minhas críticas e meu posicionamento, e eu tenho toda a independência para falar isso. Não morro de amores pelo Ricardo Nunes, não tô subindo no palanque dele, não tô com praguinha dele, não tô fazendo campanha para ele. O material dos meus dois vereadores aqui na cidade de São Paulo, que é Amanda Vetorazzo 44333, Renato Batista 44999, não tem a cara do Ricardo Nunes. Agora, vou fazer voto útil nele sim, contra Guilherme Boulos, que é invasor de propriedade, um líder de organização criminosa, com sujeito que tem o apoio do PT, que organizou o maior escândalo de corrupção da história do país, né, que saqueou os cofres públicos, que destruiu o nosso país, que foi o Petrolão, que foi o Mensalão, né, que foi condenado em três instâncias, né, o sujeito que foi detido, que inclusive só não foi preso pelo cometimento de crimes porque fugiu da justiça e os crimes prescreveram. Então, a minha crítica me mantém, se mantém absolutamente a mesma. Tenho completa independência para fazer assim como tenho independência para fazer com o PT. E isso sim, de fato, é a demonstração da independência do MBL. Agora, se você achar um, estou envolvido e cheio no lamaçal de corrupção, me cita um caso de corrupção, um caso de desvio, um caso de sequer de indiciamento, vai. Não vou, não vou nem falar denúncia, nem falar condenação, fala um indiciamento contra mim ou contra qualquer membro do Movimento Brasil Livre, que você não vai encontrar nenhum. E se um dia houver, eu vou fazer questão de expulsar e eu mesmo cortar politicamente a cabeça do sujeito que fizesse escândalo da NBL. Réplica. Vamos lá. Perceba a incoerência do deputado. Ele fala assim: "Ah, eu não vou estar fazendo um voto útil porque do outro lado tá Boulos, tem invasor de propriedade e tem o PT que fez o maior escândalo de corrupção". Os dados mostram que o governo Ricardo Nunes, inclusive você falou isso na sabatina do My News, que tudo indica que o governo Ricardo Nunes é o mais corrupto da história de São Paulo. Fala sua. Então, qual é a coerência? Porque assim, é isso, você quer derrotar o Guilherme Boulos, apoia outra candidatura. Mas você está apoiando o candidato que você não só fez as denúncias, como você dizia que era o mais corrupto da história de São Paulo. Você acabou de justificar se lambuzar em corrupção. Você acabou de justificar tá apoiando o candidato que cresceu quase 300% as obras sem licitação, que o Tribunal de Contas do Município indica que tem faturamento, que obras desnecessárias, eh, benefício de amigos do prefeito. Tava o tempo todo criticando o PT porque na política de campeões nacionais ou na desoneração de folhas beneficiou os amigos do presidente Lula da Dilma, não é isso? Fez muito isso com Orlando Silva. E tá apoiando um candidato que faz a mesma coisa. Ah, mas eu não subo no palanque, mas na praguinha dos meus vereadores não tem a foto dele. Você tá apoiando ele no primeiro turno? No segundo turno tem um debate ainda. Que segundo turno você vota no menos pior. Segundo turno é redução de danos. Mas no primeiro turno é redução de é afirmação de projeto. Você vota em alguém que você tem concordância, sabe? E aí tu tá votando no candidato que é o mais corrupto da história de São Paulo, que é o sujeito que inclusive baixou o IDH de São Paulo, que tá abaixo do IDH nacional, é o sujeito que, como eu disse, não cumpre o piso constitucional da educação, é o sujeito que tá falando de qualidade do gasto público. Nosso debate inteiro, Ricardo Nunes de 2021 e 2022, deixou para empenhar 30% do orçamento na educação em dezembro, não liquidou o orçamento para tentar fugir do Tribunal de Contas. É a pior manejo do gasto público da história recente na educação de São Paulo. E você tá apoiando. Eu concordo plenamente com você. Você tem 2 minutos e 20. Ele tem um ainda. Eu concordo plenamente com você que no primeiro turno é um debate de ideia para votar no projeto que você acredita. E o projeto que eu acreditava é o meu, é o meu plano de governo, é justamente a minha candidatura. E a minha candidatura foi sabotada, foi retirada pelo partido, justamente por todo o sistema que eu combato, né? Outro sistema que eu combato articulou a retirada da minha candidatura. Você tá rindo do quê? Não, eu sou o cara da burguesia, eu sou o cara da imprensa burguesa, eu sou o cara dos grandes bancos, sou P, sou tão que chega na hora do partido me dar legenda, não consigo. Ó que maravilha, hein? Que grande defesa da burguesia, que grande defesa dos grandes bancos, que grande defesa dos grandes oligopólios, que grande defesa dos interesses do sistema que eu tô fazendo. Você que é o antissistema, né? Você que é o cara, pô, que realmente tá revolucionando, juntando a galera para pegar em arma, se nega a até agora ainda não respondeu em relação aos seus dois tweets de campo de concentração e de matar adversários políticos. E é você que tá lá incomodando o sistema, fazendo vídeo no YouTube e vivendo de, de doação do Apoia. Isso aí, pelo amor de Deus, né, Jones Manuel? É, você precisa ter um pouco de coerência. Jones, vocês viram que ele partiu pro ad hominem, né? Partiu pra, tá fazendo vídeo no YouTube, ah, não sei o quê, não sei o quê. Veja, se você fosse realmente coerente, se você tivesse realmente compromisso com combate à corrupção, ou você não apoiava ninguém à prefeitura, ou você apoiava outro candidato, ou você saía do partido. Você acabou de justificar apoiar o prefeito mais corrupto da história de São Paulo. Você acabou de justificar votar num cara que destrói o gasto público em educação. Eu acabei de citar os dados. Você acabou de justificar apoiar o cara que fez o maior número de obras de sanitização da história de São Paulo, mais que o Haddad, mais que o Dória, mais que o Bruno Covas, mais que o Pitta, mais que a Marta, mais que a Erundina. Qual é a moral que tu vai dizer é contra corrupção? O MBL defende a eficiência do gasto público. Tá achando ruim o partido? Sai do partido, parceiro, vai para outro. É contra teus princípios? Faz alguma coisa. Agora tá pagando de coitadinho, tá pagando de vítima para justificar o MBL está no colo do prefeito mais corrupto da história de São Paulo. E quem votar no MBL tá ajudando esse projeto corrupto a se manter. Agora, vamos para a última pergunta. Kim, bora. Vamos lá. Primeiro, vou começar a pergunta dizendo: não, o Kim tá votando no MBL não tá apoiando o projeto do Ricardo Nunes, mesmo porque os nossos, os vereadores vão ter toda a independência, como eu mantive todos os meus processos contra o Ricardo Nunes e todos os desmandos da prefeitura. Os vereadores vão manter exatamente a mesma postura, porque a gente tem independência, diferente do projeto das esquerdas da destruição completa que o pessoal tá fazendo em Belém, que quer trazer pra cidade de São Paulo, junto mais uma vez em consórcio com o partido mais corrupto da história do país, né? Aí sim, esse projeto, no segundo turno, né, que é o único candidato que consegue vencer Guilherme Boulos no segundo turno é o Ricardo Nunes. Vamos fazer voto útil nele, e não há problema nenhum em se fazer voto útil. Não vou subir em palanque. Depois de eleitos, os nossos vereadores vão fiscalizar a prefeitura, e você pode cobrar. Você pode vir aqui, pode fazer vídeo e falar: "Ah, foram pra base, estão puxando saco do prefeito". Vamos cobrar e vamos fiscalizar, como nós fizemos com todos os governos, inclusive nos governos em quais nós votamos. Agora, eu quero, vamos lá, a última oportunidade que você tem de responder. Eu vou colocar três pontos aqui que você não respondeu. Você tem última oportunidade de responder agora. Jones Manuel, né? O primeiro ponto é em relação a você se diz muito preocupado com os incêndios, com as queimadas, com o meio ambiente. Disso ser uma das suas principais pautas. Então, eu quero perguntar para você, Jones Manuel, que que é um e rima? Você defende aproveitamento de e rima no mesmo território para empreendimentos diferentes? Você defende que se faça o licenciamento por adesão e compromisso nos territórios que você conhece e com as condicionantes ambientais dos empreendimentos que você conhece? Você defende que se faça o licenciamento bifásico para o transporte e obras lineares de, por exemplo, ferrovias ou de rodovia, vias para você melhorar a proteção ao meio ambiente ao mesmo tempo que desburocratiza o desenvolvimento de infraestrutura? Outro ponto em relação ao plano diretor. Você não falou absolutamente nada, né? Você não levantou proposta nenhuma, né? Você simplesmente atacou um espantalho, que é levantar um monte de prédio, que não é a minha proposta. E não disse absolutamente nada. E para finalizar, Jones Manuel, repito a pergunta, assim, acho que já é terceira ou quarta vez que eu tô perguntando sobre o que você escreveu. Você me mataria para fazer a sua revolução comunista? Você me mandaria para um campo de concentração? Você faria isso? Um trabalho? Você me mandaria para um trabalho, né, para um campo de, de trabalho forçado para eu quebrar pedra por pelos últimos 30 anos ter defendido o liberalismo e destruído o nosso país? Vamos lá, gente. Como vocês percebem, o deputado ele tá desesperado. Ele entrou num, ele percebeu que esse bloco sobre Ricardo Nunes foi muito ruim para ele. Ele percebeu que ele saiu muito mal. Ele percebeu que não colou, porque assim, ah, o PT corrupto, ele tá repetindo isso para ver se cola. Mas repito, foi o próprio Kim Kataguiri que falou no debate do My News que o Ricardo Nunes, ao que tudo indica, é o prefeito mais corrupto da história de São Paulo. Palavras dele que eu estou repetindo aqui, e eu já trouxe os dados. Então, ele tá vendo que pegou mal e ele tá querendo ver se sai alguma coisa, se consegue tirar um cortezinho, se consegue tirar uma lacrada. Veja, eu me recuso a comentar tweet assim, esses essas montagens que tu tá fazendo, esses negócios. Não, deputado, não quero te matar. Não, tanto que eu tô aqui debatendo com você para mostrar sua incapacidade de apresentar propostas concretas para transformar as condições de vida da classe trabalhadora e do povo brasileiro de maneira geral, e sua incapacidade de manter a coerência, porque você não conseguiu explicar como você tá apoiando o candidato mais corrupto da história de São Paulo, o prefeito mais corrupto da história de São Paulo. Aí você tá jogando pro PT, mas tá beleza. Eu sempre critiquei corrupção do PT, então eu tenho moral para criticar corrupção do PT e do Ricardo Nunes. Tu tá numa lógica meio que, ah, eles roubaram, meu lado pode roubar também. Essa é sua lógica. E aí, veja, deputado, eu acho uma tristeza isso, essa vulgarização, baixar o nível, meio que um desespero, a tentativa de pegar um corte e tal. A gente poderia debater coisas mais importantes. Por exemplo, o Brasil é um país que ainda tem milhares, milhões de pessoas passando fome, né? Quando você vai olhar a estrutura de produção fundiária no Brasil, você percebe o seguinte: estabelecimentos de até 500 hectares, que a gente classifica ali como pequena para média propriedade, foram os que mais produziram arroz, feijão, T, macaxeira, com 33.7, 47.7, 43.9 e 91% do total, respectivamente, né? Já o milho e a soja tiveram cerca de 40% do total produzido entre estabelecimentos de mais de 2.500 hectares. Então, é o debate clássico que a gente faz. A pequena e a média propriedade produzem fundamentalmente para o mercado interno, né? Já a grande propriedade basicamente estão produzindo para exportação, soja, milho e a grande pecuária. Quando você vai olhar, porém, a distribuição do crédito agrícola, você vê que o crédito agrícola fica hiperconcentrado nas grandes propriedades, inclusive nas grandes propriedades que tem mais de 100, aliás, mais de 1.000 hectares. Cerca de 78% do crédito agrícola fica em propriedades mais de 1.000 hectares para cima. Você vê que o Brasil não tem nenhuma política de mecanização da agricultura e de aumento da produtividade. 4% do campo da agricultura familiar do Nor Nordeste é mecanizada. Só a mecanização que existe é comprando máquina de fora, portanto, aumentando o déficit comercial do Brasil, comprando máquina dos Estados Unidos, máquina da União Europeia. Você vê que na produção de sementes, a gente é cada vez mais dependente. E aí um debate dos movimentos sociais, do MST, da necessidade de sementes crioulas e de biotecnologia nacional, e os agrotóxicos que o Kim tanto gosta, quer empurrar agrotóxico na mesa de todo brasileiro, boa parte deles são também de empresas estrangeiras, causando um déficit comercial de 10 bilhões de dólares por ano. Então, agricultura brasileira, aqui fume, produção, estrutura agrária, reforma agrária. Vamos trazer um debate. Se tu quer falar de tweet, o tweet tá fora do ar. O Xandão já resolveu. Reforma agrária, Kim. O que é que você defende para desconcentrar o crédito agrícola, para garantir que a pequena e média propriedade tenha mais acesso a crédito, tenha mais acesso a compras governamentais, uma demanda planejada e permanente, consiga se mecanizar com nacional e com tecnologia nacional, acabando com a dependência de sementes, por exemplo, da Monsanto? Tem um minuto ainda. Jones, 3 minutos para réplica do do. Vamos lá. Lembrando que a pergunta é minha, né, Jones? Nesse bloco não é você que faz pergunta. E você se negou a responder as três perguntas que eu fiz, né? Mais uma vez, você não sabe o que quer discutir política ambiental, quer discutir até política agrícola. Não sabe o que que é um e rima, não tem opinião sobre licenciamento por adesão e compromisso, que é uma das coisas importantes, inclusive pro pequeno produtor rural, uma das coisas mais importantes que tem, você fazer a adesão a licenciamento por adesão e compromisso e facilitar a vida dele, inclusive acesso a crédito, inclusive que você tá falando, o acesso e mecanização, eh, do campo. Eh, não tem opinião em relação a licenciamento bifásico. Ou seja, você não simplesmente não responde, né? Não sabe, não assume que não sabe e não quer falar sobre o assunto. Aí quando a gente vai falar sobre o seu seu radicalismo, que tá na essência do seu ser, você vive dizendo: "Defende revolução, que você é radical, que você defende uma, uma mudança profunda". E aí quando a gente vai falar sobre os meios para promover essa mudança profunda, você se nega. Ah, não vou discutir tweet, porque o Xandão já resolveu. Sério que essa é sua resposta? É tipo, essa é sua maneira de se esquivar, de se livrar daquilo que você escreveu, que você defende, que não é só o tweet, é o que você defende de fato, né? Você defende que haja uma revolução armada, que pessoas inocentes morram, né? E que seus adversários políticos podem morrer nessa revolução, que não tem problema nenhum? E você acha isso completamente normal? Você acha que isso tem espaço no debate público? É uma coisa tranquila? É uma coisa que faz parte você falar em mandar, eh, liberais para campos de trabalho forçado, né? A você também, ah, não tem problema, ah, no Twitter caiu, já não, não ligo mais para essa opinião, já não tem mais problema nenhum. Ou seja, defender morte de adversário, você já defendeu, eh, eh, arrastar ministro do Supremo Tribunal Federal pelo cabelo também, difundindo ódio num evento, sindicato de trabalhadores de Fortaleza, salvo engano. Então, aí não, não me recordo, não sei. O Xandão tirou agora, é isso? Agora é essa cara, essa cara de blazer, de que não sabe defender a própria ideologia, não sabe defender o próprio método. E isso tá no, no âmago, isso tá na essência do nosso debate político, porque diferente de você, eu sou conservador. Eu defendo a saída, a solução dos conflitos pelas instituições, pelas mudanças graduais, respeitando o que a gente herdou dos nossos antepassados, acreditando que a gente tem um pacto com o passado, com aqueles que já viveram, com aqueles que estão vivendo e com aqueles que ainda estão por viver. Você não, você tem uma mentalidade revolucionária. E aí o, o principal ponto, que é o meio, que é como você vai chegar lá, como você vai fazer o que você vai fazer, quais são os métodos que você vai utilizar, você se nega a responder e diz que o Xandão resolveu, eh, porque tirou o Twitter. Então, assim, eu queria saber a sua resposta sobre isso. E mais uma vez, plano diretor, absolutamente zero conhecimento, tô completo despreparo para ver aqui discutir uma política pública, que é a principal política pública municipal que tem a ser discutida, porque é a principal função do Legislativo Municipal. 10 segundos. Você tem um minuto. Veja, não me nego a discutir, não. Eu me nego a discutir tweet, né? Eu me nego a discutir esse Sprint aí, essas coisas que ninguém sabe se é verdade ou não. Quem quiser um debate sobre estratégia política revolucionária, sobre violência revolucionária, eu recomendo muito o meu livro Batalha pela Memória: Reflexões sobre o Socialismo e a Revolução no Século XX, em que tá debatido a temática. Tá subindo agora pros Stories do meu Instagram. Recomendo também meu outro livro Raça, Classe e Revolução: A Luta pelo Poder Popular nos Estados Unidos, em que eu debato os movimentos de luta antirracistas nos Estados Unidos. O Kim foi contra a gente assinar, né, a convenção interamericana de combate ao racismo, ele acha que não, não é um problema. Mas tá lá um livro meu sobre os Panteras Negras. Inclusive, eu faço um debate sobre isso. E tem outro livro meu, Pátria Socialista ou Morte. Ó, o morte no nome, Kim. Que medo, hein? O Marxismo Latino-Americano e Carioca, em que a gente faz um debate sobre a estratégia das esquerdas na América Latina, inclusive da esquerda brasileira, pegando até os momentos da luta armada. Tá lá nos livros, só conferir, dá uma lida, lê e faz uma crítica. 10 segundos. Nos 10 segundos, eu só quero mostrar que ele falou: "Não sei se o tweet é verdadeiro ou não". Tô com os dois tweets aqui. Então, os tweets são verdadeiros, sim. Se quiser depois a gente pega credenciado ali, se quiser autenticar em cartório, são seus dois tweets, são verdadeiros. E você se nega a responder porque aparece que tem vergonha do seu ímpeto revolucionário. Eh, vamos aproveitar então agora a conclusão. Cada um tem 5 minutos. Eh, Jones e um par. O ímpar aqui para todo mundo ver aqui, porque não sei quem vai querer começar. Não, mas aí eu comecei. Eu acho que eu acho que Kim. Então, mas é que foram quatro blocos. Como esse é o quinto, eu não faço questão. Você quer que eu comece? Quer que eu comece? V. Começar, então. Então, vamos lá. Jones, é aquele esqueminha de banco de tempo. Você tem 5 minutos. Fiquem à vontade. Ah, vai ter banco de tempo também na conclusão? Perfeito. Pera aí, só um momento. Segura. Relaxa, relaxa. Não, mas entendi que banco de tempo, né? 5 minutos para cada um. Isso. Mas ele pode fazer três. Você pode, pode fazer dois e fazer um. Então, não é conclusão, então é mais um bloco de empate. É não, conclusão. Não tem bloco de ou conclui ou não conclui. Não, conclusão. Não tem bloco. Estranho, estranho. Nesse vai fazer sorteio para ver quem começa, então. Vai. Não quer começar, né? Par ou ímpar aqui. Vai. Bora, bora, bora. Câmera de cima. Par ou quê? Ou ímpar? Ímpar, ímpar. Não, os dois pedindo ímpar. Par, par. Ímpar. Vai. Começa. Vamos lá, gente. Opa, lá. Cronômetro. Vamos lá, gente. Foi um prazer estar aqui debatendo com vocês hoje. Quero agradecer a todo mundo que acompanhou a gente. Quero agradecer a Vilela, que propiciou essa oportunidade. Agradecer a todo mundo da equipe do Vilela que tá aqui trabalhando. Pedir desculpas à Fabi pelo trabalho que eu dei a ela para organizar esse debate. Sabe, Fabi, teve um trabalho gigantesco. Dizer que foi um prazer estar aqui dialogando com vocês, mostrando a incapacidade do deputado Kim Kataguiri de ter uma política coerente, de assumir um projeto para o Brasil. Foi até difícil debater vários temas, porque o Kim é tweet, é stalinismo, e você vai me matar. Eu tô com medo, você vai me matar. Sabe, trazer uns negócios patético, ridículo. Ele, por exemplo, acabou de não responder a pergunta que eu fiz sobre crédito agrícola, sobre mecanização do campo, sobre autonomia, né, em biotecnologia na produção de sementes, assim como não respondeu a pergunta sobre patentes e sobre a autonomia tecnológica e produtiva na área da saúde, sobre como usar o SUS para turbinar o emprego público e privado na área da saúde. A gente poderia gerar 25 milhões de empregos a partir de uma política de fortalecimento de um complexo econômico industrial da saúde. Várias coisas importantes, infelizmente, não foram debatidas, porque o deputado ele gosta de lacrar, ele gosta de fazer factoide. Eu achei até estranho que ele não trouxe debate sobre a União Soviética, que ele não trouxe debate sobre ela, sobre Coreia do Norte. Acho que ele ficou com medo de levar uma invertida. Quis fazer um debate sobre violência revolucionária, o que eu acho engraçado, porque o deputado ficava postando foto armado com os irmãos do Bolsonaro, ficava postando foto armado dizendo que estava esperando MST, ficava fazendo gracinha quando a Marielle foi assassinada e por aí vai. Então, deputado, se criou fazendo graça, fazendo troça, ele e aquele tarado de Kiev, por exemplo, tem foto armado junto com o Eduardo Bolsonaro. Tava postando foto armado por quê? Então, é um sujeito que já defendeu tudo que não presta que você imaginar, que ficava andando com a família Bolsonaro, postando fotinho armado. Tu nunca vi foto armada minha, não? Nunca vi eu andando com arma por aí, postando foto dizendo que vou atirar nos outros. Percebe? Não, essa não é minha praia. Eu sou um militante político que faço o debate, que estou organizado no PCB R, um partido, uma organização política que se propõe organizar a classe trabalhadora e a juventude para suas lutas fundamentais em defesa, sim, deputada, de uma revolução brasileira que vai ser radical. Ela vai ser radical porque ela vai garantir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6 por 1. Ela vai ser radical porque vai garantir a soberania tecnológica e produtiva do Brasil. Ela vai ser radical porque vai fazer finalmente a reforma agrária e vai erradicar para sempre a fome nesse país. Ela vai ser radical porque vai fazer a reforma urbana e vai garantir o direito à moradia para todos os brasileiros e brasileiras. Vai ser radical porque vai combater a fome, vai combater o endividamento das famílias, 70 mil, 70 milhões de de pessoas no Brasil com nome sujo, endividada. Ela vai ser radical porque vai reduzir o custo de vida, porque vai acabar com isso do brasileiro pagar uma das maiores tarifas do mundo no cartão de crédito, uma das maiores tarifas do mundo na gasolina, que infelizmente não deu pra gente falar sobre Petrobras, uma das maiores tarifas do mundo na conta de água. O Brasil é um país de capitalismo independente, dominado por uma classe dominante interna que fica jogando jogo político eleitoral, aí uma hora tá com sujeito mais à direita, outra hora tá com sujeito mais à esquerda, mas pode reparar sua vida no fundamental, nada muda. Por quê? Porque os chamados políticos, esses partidos, eles não têm princípio, eles não têm ideia, eles não têm projeto. A gente viu aqui que o deputado Kim Kataguiri tá lambuzado na corrupção, tá no colo do Ricardo Nunes e justificou estar junto com o prefeito mais corrupto da história de São Paulo, que faz um dos piores usos do recurso público do Brasil e da história de São Paulo, e ele justifica com a maior cara de pau. Então, acho que ficou muito claro a incapacidade do deputado de realmente sustentar um projeto, de enfrentar alguém do seu tamanho. Ele, ele agora tá triste porque ele achou que seria o debate igual do Álvaro Borba e o Mamãe Falei, mas ele tá saindo aqui triste, meio decepcionado, porque a base do MBL já tá rachando, tá voltando no Pablo Marçal, que eles não estão conseguindo segurar, ainda não ganhou no debate. Então, deputado, é um dia realmente muito triste para você. Mas agradecer Vilela, dizer que estou à disposição, dizer que gostaria agora, já que eu já massacrei que Kim Kataguiri, gostaria agora de fazer isso com Nicolas Ferreira. Organiza o próximo debate. De resto, dizer para vocês que sigam as redes sociais do PCB R e sigam o jornal O Futuro, que é o nosso jornal político para todo o Brasil, o principal meio de comunicação do partido. E sigam minhas redes sociais, tá lá Jones Manuel, tudo YouTube, Twitter, Twitter mais não, ó, Facebook, Instagram e por aí vai. É isso. Mandar um beijo para todo mundo que acompanhou, para toda a militância do PCB R que acompanhou. Um beijo para a minha mãe e um beijo para os meus sobrinhos e a minha esposa. Amo vocês. Encerramento. Kim CCO minutinhos. Muito bem. Acho que a gente viu aqui, né, como o sujeito tá absolutamente descolado da realidade e tem uma grande autoestima, né? Eu queria ter essa autoestima do Jones Manuel. Vim aqui, destruir, arrasei, coitado. Depois ele vai sair dessa porta e vai ver a realidade. Eh, mas, mas o fato é que me aprofundei, né, nos temas que me dispus a me aprofundar na PC do Ted de gastos, em que ele mentiu dizendo que você não tinha essa estrutura em outros países e coloquei todos os países em que essa estrutura é adotada. Absolutamente incapaz de debater orçamento público, em que eu coloco as despesas obrigatórias, em que eu coloco a necessidade de corte estrutural de gastos, e ele sequer consegue falar uma vírgula em relação a isso. Também mente falando que, ah, postou foto com arma dizendo que ia atirar nos outros. Nunca falei que ia tirar nos outros, senão posto foto com arma já atirando em alvo de papel. Ó, meu Deus, que perigoso. Como isso me assemelha a uma mentalidade revolucionária, impressionante. Mesmo disse que vai ter um projeto radical porque vai erradicar a fome, né? Realmente vai erradicar como Cuba, Venezuela, Coreia do Norte. Diz que vai resolver o o endividamento das famílias, né? Tanto a esquerda que foi contra a educação financeira nas escolas, que a direita sempre defendeu, que a gente tá 40 anos atrasados e não precisaria estar vivendo essa tragédia se não fosse isso. Ele mesmo trouxe o debate aqui sobre meio ambiente, né? Disse que votei com a favor dos empresários. Tá na realidade, é o meu relatório que instituiu penas mais duras e que ele não viu, né? Em relação a isso, trouxe o tema do meio ambiente, mas não sabia debater o principal instrumento para proteger o meio ambiente, que é o licenciamento ambiental. Até agora, vamos lá, sem resposta sobre licenciamento por adesão e compromisso, sobre e rima, sobre licenciamento bifásico para obras de infraestruturas lineares, porque ele não entende absolutamente nada disso. E quer dizer que eu só falei daqui aqui sobre o tweet dele, resumindo o debate como se fosse só em relação ao tweet dele. Ele até colocou, né, obrigado por ter trazido aí, diz que eu sou um deputado que não trabalha, mas trouxe dois projetos muito bons, elogiados por ele próprio, eh, aqui pro debate. Muito obrigado pela deferência, né? Tem mais 70 relatórios aprovados e de outros projetos de lei, diferente do deputado Glauber, que é um vagabundo que você veio aqui defender, eh, em relação a plano diretor. Coitado, ele não sabe nem a página, né? Sai da página dois, foi absolutamente incapaz de debater qualquer.

Tipo de política urbana de uso misto de imóvel de adensamento de revisão de lei de zoneamento de você de construir habitações populares eh justamente na região central onde você concentra os empregos formais foi absolutamente né incapaz de debater em relação a tudo isso se negou a defender a sua mentalidade e revolucionária se negou a defender todos os princípios de mandar gente para campo de concentração de trabalho forçado de querer de dizer que na revolução tá tudo bem matar e essa é uma diferença fundamental entre o conservador e o revolucionário né o conservador acredita que não adianta você utilizar meios tão eh violentos e disruptivos e jogar o passado e as tradições como se fosse tudo um lixo e querer renovar tudo do zero porque você vai incorrer nos mesmos erros e você vai incorrer nos mesmos fracassos do passado não à toa o conservadorismo nasce com a crítica de Edmund Burke a as revoluções a Revolução Francesa né justamente em que ele coloca olha foram lá cortaram a cabeça de todo mundo era igualdade né era liberdade e no final das contas a gente teve a ditadura de Napoleão não adiantou absolutamente nada cortar um monte de cabeça matar um monte de gente inocente até Robespierre perdeu a cabeça e é justamente por isso a diferença fundamental entre o conservador e revolucionário é você acreditar que você deve honrar o legado das gerações passadas de que os costumes as instituições né que nós temos hoje não existem à toa passaram pelo teste da história não são perfeitas mas merecem ser aperfeiçoadas pelos meios institucionais e não fazendo revolução que graças a Deus eu sei que nunca vai acontecer eh por parte do Joanes Manuel ainda que ele tenha essa iniciativa aí de agora ser um dirigente partidário é um partido que não vai formar chapa é um partido que não vai eleger ninguém é o partido que não tem representatividade e graças a Deus que não tem representatividade porque imagina a gente eleger uma pessoa que não conhece nada do processo legislativo que não conhece nada do orçamento público que não conhece nada de questões estruturais que eu coloquei aqui até o próprio debate sobre saúde o subfinanciamento da tabela SUS financiado pelo atendimento privado dos hospitais que também foi absolutamente ignorado pelo Joanes Manuel porque é um absurdo né pensar que um hospital privado pode utilizar o seu lucro para financiar a tabela SUS e ajudar a a no tratamento dos mais pobres então enfim debate feito com o sujeito que acha que eu e o Haddad temos os mesmos pensamentos econômicos o que é uma piada o que é risível uma pessoa que defende revolução armada com morte de pessoas inocentes e que aqui demonstrou não tem a menor capacidade de debater política pública na profundidade conceitos básicos sobre temas que ele mesmo trouxe ele não foi capaz de definir obrigado demais senhores obrigado vocês estiveram aqui temos uma plateia aqui também obrigado Léo é contigo Léo muito obrigado a todos que participaram aqui do chat é muito super chats foi bem interessante e então tem aí o link na descrição e o QR code na tela do nosso parceiro Insider e a galera precisa provar que chegou até aqui porque passou muita gente e aí o que que o pessoal escreve nos comentários para provar que assistiu esse debate comente subindo n minhas redes subindo neve aqui hoje subindo n minhas redes valeu gente Copim método do exatamente tô todo mundo subindo n minhas redes fiquem com Deus beijo no cotovelo tchau que bom que vocês vieram valeu