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POWER - O PODER POR TRÁS DA ENERGIA.

Flanker Brasil1:23:45

Transcription

O princípio de tudo: a energia. A história do ser humano sempre esteve ligada diretamente a ela, desde a luz solar como elemento fundamental para a criação da vida em nosso planeta até a invenção da bomba atômica. O ser humano aprendeu a explorar a energia, mas nunca imaginou que sua própria avareza o levaria a uma situação insustentável e sumamente perigosa. Uma situação onde uns poucos controlam os recursos de muitos, ou seja, os de todos. Há muito dinheiro em jogo e, portanto, muitos interesses. A cobiça teria impedido o maior desenvolvimento tecnológico e energético.

Há muitos interesses de grandes grupos econômicos frustrados no poder. Pode uma sombra obscura ter ameaçado o destino de homens valentes que tentaram mudar o mundo em que vivíamos? Quem está movimentando os fios de nosso presente? Poderíamos estar vivendo em um mundo muito melhor. Quem tem nosso futuro em suas mãos? [Música] Tentaram enclausurar nosso conhecimento, um conhecimento ao nosso alcance, mas oculto a olhos nus por um inimigo que supostamente se estende e permeia a indústria, os governos e os meios de comunicação. Fomos enganados. Se fizeram isso, por que não percebemos? Para obter as respostas adequadas, precisamos fazer as perguntas corretas. Por que dependemos de um recurso escasso que gera terríveis consequências? O planeta está em crise. O que houve com as pessoas que tentaram nos mostrar uma visão diferente do mundo? Vários homens lutaram e continuam lutando contra a incompreensão, a inveja, as ameaças e a sua privação de liberdade.

Existem os que acreditam que houve uma conspiração contra seus projetos. Não resta dúvida de que foram atacados deliberadamente em suas vidas. Pode estar a chave do que aconteceu com eles e do que está acontecendo conosco: mentiras, traições, sabotagem e morte. Esta é a história dos sonhos e invenções de pessoas que enfrentaram os maiores obstáculos e de pessoas que, como nós, talvez vivam enganadas sem saber; mas, sobretudo, é a história do principal suspeito na sombra: o poder por trás da energia. [Música] Power. A energia sempre foi poder. Os sacerdotes das civilizações antigas obtinham uma autoridade pela crença de seu povo em seu controle sobre a fonte mais visível de energia e vida: o sol. A energia é solar, direta ou indiretamente. Nosso Gênesis energético está no sol.

Os sacerdotes não foram os únicos a se dar conta do poder resultante do controle da energia. As culturas que primeiro conseguiram aproveitar a energia de uma maneira domesticada, com o desenvolvimento das primeiras técnicas agrícolas, ao entender os ciclos solares e com os avanços no armamento bélico resultando da manipulação do fogo, foram as primeiras que conquistaram o poder na antiguidade. No mundo moderno, tudo mudou com o aparecimento de uma nova e voraz demanda de energia: a industrial havia começado. Ironicamente, a energia não só se transformou em um recurso primário desse mundo industrial, como também passou a ser uma indústria em si mesma; e com isso, os empresários passaram a ser os distribuidores e concentradores energéticos do planeta. Essa riqueza em biodiversidade e água não pode estar subordinada a interesses empresariais de grupos poderosos, multinacionais e nacionais, de curto prazo. Sempre será uma guerra de interesses e, na guerra, sempre haverá vítimas.

Grandes cientistas e inventores se opuseram a interesses econômicos implacáveis, planejando fórmulas novas para desenvolver alternativas ao petróleo. É o caso de Nicola Tesla, Rudolf Diesel, Eugene Mallove, Stanley Meyer e Paul Pantony, entre outros tantos. Todos eles têm uma visão à frente de sua época e com o desejo de fazer avançar a sociedade em direção a um futuro mais limpo e mais justo. Desde a transmissão sem fio de energia até o uso de combustíveis alternativos, esses homens dedicaram suas vidas a buscar as soluções para os problemas que enfrentamos como sociedade. Na verdade, se pudéssemos identificar uma coisa para baixar o preço, para reduzir a pobreza, certamente nós escolheríamos a energia. A revolução do carvão alimentou a Revolução Industrial e, com isso, as civilizações realmente avançadas são baseadas nos grandes avanços da energia. O tema da energia em nível mundial está ganhando uma importância cada vez maior no século XXI. O que está em jogo é nem mais nem menos que a sobrevivência da humanidade. Estamos simplesmente sendo os cúmplices desse capitalismo global e das empresas transnacionais que estão provocando um problema de iniquidade gigantesco no mundo todo. E que, se isso continuar, as tensões podem ser crescentes e chegar a um momento crítico que acho que ninguém quer. A escala de valores está totalmente de cabeça para baixo: tudo que importa é o dinheiro. Em um tempo muito recente, Iraque.

No entanto, existia uma pessoa que estava convencida de que manipular a energia não era uma arma de controle, mas a promessa de um mundo melhor: Nicola Tesla. Quando chegou aos Estados Unidos, o mundo estava a ponto de mudar para sempre, como se fosse um presságio seu nascimento. Foi durante uma tormenta elétrica. Desde muito pequeno, ele tinha visões, era meio místico e se imaginava no futuro, controlando a água e controlando a eletricidade. Seu pai era sacerdote e queria que Nicolas seguisse seus passos. Ele entrou em crise, esteve a ponto de morrer. Não permitiam que ele sonhasse. Intransigente com a vocação do filho, seu pai fez então um juramento: se seu filho sobrevivesse, permitiria que ele estudasse engenharia. Tesla ouviu que, se ele se recuperasse, poderia fazer o que ele, o que ele desejasse. Então, tomou a decisão de estudar engenharia. Seus professores o viam como alguém com uma mente poderosa, a vislumbrar o futuro. Tesla desenhava um diagrama de seus sonhos na areia. Logo nasceria a corrente alternada que usamos todos os dias no mundo para transmitir a eletricidade. [Música]

Por volta da mesma época de Tesla, em Berlim, um engenheiro alemão estava para projetar o que seria o primeiro motor capaz de funcionar à base de óleo vegetal: seu nome, Rudolf Diesel. Foi um homem muito dedicado a entender a termodinâmica dos motores de combustão. Uma de suas primeiras experiências resultou na explosão do motor em que trabalhava. Diesel ficou meses no hospital, recuperando-se de ferimentos dolorosos. O acidente o deixou em ponto de ter que tirar uma viagem necessária para se afastar de seu trabalho e se recuperar em sua casa. A invenção que revolucionaria o conceito de consumo energético. Aos 38 anos de idade, Rudolf Diesel já havia feito uma fortuna com seus projetos e patentes. Em uma feira em Paris, finalmente apresentaria ao mundo o motor que levaria o seu nome. Ele queria que o motor de combustão tivesse um aproveitamento muito maior e eficiência, que fosse mais barato, mais útil, com menos desperdício e menos poluição. Lamentavelmente para Diesel, seus interesses chocaram com dois poderosos adversários: a indústria incipiente dos combustíveis fósseis e o governo alemão, que temia que os projetos do pesquisador pudessem cair nas mãos da Inglaterra.

As mentes brilhantes sofreram perseguições, sofreram boicotes. Seriam esses inimigos capazes de detê-lo? Durante séculos, aquelas mentes que ultrapassaram os parâmetros da ciência conhecida foram atacadas pelos então instaurados no poder. Inclusive Galileu, que é considerado pai da ciência moderna, que morreu em prisão domiciliar, cego e julgado pela Igreja por sua convicção de que a Terra girava ao redor do Sol. Quantos foram os cientistas censurados? Que essas coisas estejam fora de hora são realizadas através de agentes humanos e, às vezes, com práticas argumentativamente controvertidas e que, às vezes, levam a essas tragédias. Muitos homens perderam a vida pelo simples fato de estarem a serviço do conhecimento da humanidade. Parece que desconhecemos bastante sobre as tecnologias que nos rodeiam e seus criadores. Os que estão no convém que sejamos informados são os mesmos que impedem o desenvolvimento de certas invenções. Os casos a seguir, se estiverem certos, mostrariam uma realidade arrepiante. As teorias de Mallove, Meyer e Pantony não são mencionadas em quase nenhuma das faculdades de engenharia do mundo e, por esse motivo, seus trabalhos são praticamente desconhecidos. Em outra faculdade, na Universidade de Utah, Estados Unidos, em fins dos anos 80, uma dupla de cientistas, Martin Fleischmann e Stanley Pons, afirmavam que haviam conseguido produzir energia de qualidade a partir da fusão a frio. [Música] Um professor egresso do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Eugene Mallove, não só apoiava a teoria, mas também assegurava que as notícias ridículas que suas experiências sofreram da mídia eram devido a interesses mais poderosos do que o bem-estar da humanidade na ciência. Existem os que a desqualificam, que é impossível obter resultado; e principalmente os que a desqualificam são os físicos nucleares, os que têm milhões e milhões de dólares em investimentos públicos do Estado, das Universidades, para construir reatores nucleares. Mallove era professor de jornalismo científico da Universidade de Boston e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Quase toda sua carreira foi dedicada à pesquisa de fontes alternativas às tradicionais que usamos hoje. Seus avanços eram vistos como a solução energética do mundo. Mallove iria se transformar em vítima das notícias ridículas por parte da comunidade científica, apenas por divulgar a fusão a frio. Querem nos tratar como crianças e nos fazer crer que avanços como a fusão a frio são coisas que só existem na ficção científica.

Contemporâneo de Mallove, há quase três décadas, em Ohio, um inventor surpreenderia o mundo com um simples vídeo amador. Este é o desenvolvimento de células de combustível de água que podem ser usados em carros experimentais. Stanley dizia ter inventado uma máquina que só precisava de água para conseguir o hidrogênio usado como combustível. Suas pesquisas surgiram da preocupação que causou o embargo do petróleo dos Estados Unidos e seus aliados. O que eu vejo é que a maioria das pessoas é muito egoísta. Havia literalmente filas de pessoas tentando abastecer seu veículo com gasolina. Os brasileiros foram testemunhos de como isso afetou seu país na década de 70, a ponto de ser o estopim para que o Brasil buscasse uma solução nos biocombustíveis. [Música] O Brasil dependia exclusivamente de importações de petróleo para manter seu sistema de transporte e indústria funcionando. A crise do embargo propiciou, no caso de Meyer, um patriótico desejo de buscar uma alternativa consistente aos combustíveis fósseis, dos quais já se sabia que não poderíamos depender por muito mais tempo. [Música] Nesse caso, depois de muitos anos de ser renegado com seu desenvolvimento, conseguiu legalizar patentes. Uma vida de luta e ele seria reconhecido como inventor do ano pela prestigiosa edição do "Ris Go In America". Stanley Meyer podia rodar até 150 km com um galão de hidrogênio sem poluir. Seu veículo impulsionado por água, na verdade, parecia uma espécie de Volkswagen, era como um, como um carro velho, mas basicamente ele descobriu a forma de produzir combustível, era hidrogênio, mas combustível a partir da água. Segundo Meyer, ele havia conseguido separar o hidrogênio do oxigênio na molécula de água, para posteriormente queimar o hidrogênio e fazer funcionar seu motor com um impacto quase imperceptível ao meio ambiente. [Risadas] Em algumas escolas do México, está sendo experimentado outro tipo de motores que funcionam também graças à água, por meio da informação obtida em planos disponíveis pela internet. Foi possível recriar o motor Pantony, também conhecido como J.I.T. [Música] Paul Pantony, assim como Stanley Meyer, após a crise do petróleo, começou a se preocupar com o preço dos hidrocarbonetos. Coisa em 1979, ele começou a construir um sonho, o sonho de um combustível que permitisse que os motores não produzissem poluição. No início dos anos 80, ele terminou seu primeiro protótipo funcional do J.I.T. O Global Environmental Energy Technology está funcionando. O negócio por trás da energia poderia ser afetado por essas mentes brilhantes que tentaram mudar o mundo. Sabotagens, conspirações, torturas psicológicas. Quando o poder se sente ameaçado, apela para qualquer recurso, desde que mantenha seu domínio, inclusive a morte. A avareza dos poderosos fez com que a exploração da energia entrasse em crise. Ameaças, traições e atentados impediram que os projetos em prol de um mundo melhor fossem realizados. Estaremos a tempo de reverter esse rumo trágico?

Há dois lados: os que quiseram impulsionar seu desenvolvimento até limites inimagináveis e os que viram nisso um negócio. Tesla pensava que seria possível obter uma fonte de energia inesgotável, mas quando seu futuro parecia ficar mais promissor, seus verdadeiros inimigos apareceram nos Estados Unidos. Ele só tinha quatro centavos no bolso, alguns poemas e uma carta de recomendação dirigida a uma pessoa muito especial: Thomas Alva Edison. Na carta escrita por Charles Batchelor, um funcionário da empresa de Edison na Europa, era possível ler: "Senhor Edison, conheço dois grandes homens. O primeiro é o Senhor; o outro é o jovem que leva esta carta". Tesla estava entre um grande inventor, um grande cientista e um louco que planejava coisas que as pessoas não entendiam; e isso, é claro, criou também muitas dificuldades. Dizem que, ao ler a carta, Edison o contratou imediatamente. [Música] Mas, ao descobrir que seu empregador era Edison, seu sonho se transformaria em um pesadelo. Edison jamais cumpriria suas promessas. Foi muito conturbada sua relação infeliz com Edison, que o manteve sempre ameaçado, subjugado. Edison foi considerado herói nos Estados Unidos, mas para Tesla foi o grande inimigo. Ao negar um pagamento a Tesla, Edison se escusou dizendo que seu funcionário não entendia o humor americano; segundo o empresário, tudo havia sido uma brincadeira. Tesla estava tão mal que decidiu demitir-se e acabou montando sua própria companhia elétrica. Nicola Tesla imaginou um mundo onde a energia fosse um recurso infinito, uma coisa com a qual começaria a sonhar muitos anos depois. Nós o vemos nas caricaturas como Júpiter. Toda essa imaginação coletiva que tínhamos do futuro, da imponderabilidade de que a energia era vasta. Para ele, a energia podia ser retirada das tormentas, das massas de água, do sol, inclusive dos raios cósmicos. Essa energia poderia ser transmitida de maneira sem fio a qualquer dispositivo receptor: nossos carros, casas e eletrodomésticos seriam alimentados sem a necessidade de baterias, cabos ou qualquer combustível. Tesla entendeu a energia como um elemento ao nosso redor que podia ser transmitida e recebida através do espaço, não necessitando inclusive de condutores como cobre. Seu sonho era poder aproveitar uma energia livre, sem barreiras, inesgotável. [Música] A Torre Wardenclyffe, o projeto inacabado de Tesla, capaz de transferir eletricidade mediante ondas eletromagnéticas, caberia agora na palma da mão. Os telefones celulares que utilizamos hoje em dia talvez tivessem aparecido décadas antes, assim como os primeiros computadores. Nunca poderemos saber o que teria sido do mundo com Tesla se ele não tivesse sido menosprezado, mas podemos imaginar. Necessitaríamos da fibra ótica para internet. Como teria sido o desenvolvimento da rede se seu nascimento tivesse sido sem cabos? Na atualidade, na China, uma tecnologia conhecida como Wi-Fi possibilitou a transmissão de dados da internet à distância através da luz. Com essa tecnologia, não vamos precisar de cabos e somente com o interruptor poderemos usar tranquilamente a internet. O legado de Tesla nos ajuda.

Há casos similares ao de Tesla na América Latina, como o do psicanalista brasileiro Norberto Keppe. Esse pesquisador, assim como Tesla, acredita que a energia é algo que nos rodeia: é a energia dos planetas, o corpo humano, a matéria. Não se sustentam no universo por causa de forças intrínsecas à própria matéria, mas seriam sustentadas por uma energia que envolve a matéria. Dois engenheiros, César Souza e Roberto Frascari, decidiram pôr a revolucionária teoria do Dr. Keppe em prática, fabricando um motor muito versátil que utiliza a energia que se encontra no ar e na matéria para o seu funcionamento. O motor Cap pode substituir qualquer tipo de motor: os que funcionam com velocidade, os que funcionam lentamente, os que têm maior torque, os que têm baixo torque, e sempre com eficiência superior. Um motor que vai economizar de 70 a 90% da energia de que o Brasil precisa. O que é que impede ou evita que o motor Cap seja conhecido e receba maior apoio? [Música] Agora nós fazemos isso com nossos próprios recursos e é muito difícil a gente conseguir sócios ou investidores. Nesse sentido, porque há muitos interesses envolvidos. Imaginem quantos interesses, quantas empresas, quantas multinacionais estariam envolvidas. As dificuldades encontradas por esses pesquisadores são sempre as mesmas: suas descobertas são vistas mais como ameaças do que como avanços. Temos uma fonte de energia que é inesgotável, que não é poluente. Na América Latina, uma descoberta pode estar à altura ou inclusive superar em sua revelação as anteriores. Arturo Solis, um médico mexicano, conseguiu patentear uma bateria que funciona graças a um processo natural. Descobriu uma reação química que era desconhecida no ser humano, mas que é uma fonte de energia que é praticamente infinita, porque a melanina, na presença da luz e da água, produz eletricidade durante centenas e centenas e centenas de anos. Considerada comumente como um pigmento, a melanina pode conter a chave do futuro. A ideia de acender um LED com baterias de melanina foi em 2006 e esse LED continua aceso dia e noite, e está aceso e continuará, já que a melanina é a substância mais estável que se conhece. Como isso poderia chegar a afetar nosso mundo? O que precisa de energia podemos corrigir com a energia da fotossíntese. Na realidade, todas as fontes de energia são úteis, mas esta vai nos permitir ver isso de outra forma. Então, não foram feitas mais pesquisas neste campo. O que está acontecendo na atualidade e o que podemos fazer quanto ao futuro? A fotossíntese representa uma ameaça para os interesses de alguns grupos. Para patentear suas invenções, o primeiro país que me concedeu a patente foi a Rússia e foram quatro anos. O advogado de patentes dos Estados Unidos uma vez me explicou que os Estados Unidos haviam demorado tanto porque estavam revisando a patente secretamente do departamento de energia da agência. O investimento que eu tive de fazer foi todo do meu bolso, do meu trabalho diário. Assim como esses pesquisadores latino-americanos, Tesla acreditava que a meta final devia ser o bem; ele agia sem pensar no custo ou no lucro que podiam ter essas invenções. Ele dizia: a energia existe, basta apenas utilizá-la.

A história da humanidade progrediu a partir da descoberta de novos sistemas energéticos para melhorar sua qualidade de vida e começar a evoluir. Diesel, não fosse um revolucionário tão global quanto Tesla, também vislumbrou um mundo mais humano do que o que conhecemos hoje por causa de seu motor que funcionava com qualquer óleo. O petróleo poderia ter ficado relegado a um segundo plano, teríamos uma concorrência muito mais prematura que a atual com os biocombustíveis. As energias fósseis são consideradas energias sujas, entre aspas: a exploração, a pesquisa, impactos ambientais adversos muito importantes e para a saúde também. Existem incertezas sobre a gravidade de tais efeitos, mas serão extremamente graves. O problema principal é que, assim como a AIDS, cometemos o erro agora, mas pagaremos muito mais tarde. Antes de morrer, Diesel prognosticou o seguinte: o uso de óleos vegetais como combustíveis pode parecer insignificante hoje, mas esses óleos podem se transformar com o tempo em combustíveis tão importantes quanto o petróleo ou o carvão o são em nossos dias. O próprio Diesel chegou a fazer alguns ensaios, alguns testes com o óleo de amendoim. O mundo de Diesel teria sido similar ao Brasil atual, com uma matriz energética diversificada e balanceada entre os hidrocarbonetos e os biocombustíveis. Nós temos a produção de combustíveis líquidos como etanol, como biodiesel, que são produzidos dessa forma sustentável. Indubitavelmente, se Diesel tivesse recebido o apoio de que precisava, teria transformado o uso da energia porque teria utilizado óleos vegetais em vez de petróleo. A atividade agrícola teria sido impulsionada seguramente pela natureza do combustível. Estaríamos utilizando carvão do presente e não o carvão do passado e, além disso, teríamos um nível de poluição muito menor.

Para entender o presente e poder planejar o futuro, primeiro devemos conhecer o passado. O nosso passado é obscuro. A energia significa poder fazer as coisas e todo mundo precisa dela, a quer e a deseja. O historiador e político inglês Lord Acton disse certa vez: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". Ninguém encarnaria melhor o conceito de poder absoluto que J. Rockfeller e seu monopólio energético, a Standard Oil Company, uma corporação que nunca mais foi vista capaz de dominar todo o mercado sozinha: o mercado do petróleo. O ouro já não era dourado, mas negro. Rockefeller teve a visão de criar a Standard Oil que, finalmente, depois de alguns anos, se transforma em um monopólio. Esse monopólio entrou em conflito com as leis dos Estados Unidos e foi dividida em várias empresas. Essas empresas posteriormente mudaram de nomes: Chevron, posteriormente foi acrescentada Shell. Embora nem todas tenham a mesma origem, elas passaram a ser chamadas genericamente as "Sete Irmãs", porque eram realmente as empresas que moviam o mundo do petróleo. Pouco tempo depois do surgimento da indústria petrolífera, nasceria outra indústria energética: a elétrica; e dois homens se apropriariam dela: Thomas Alva Edison e J.P. Morgan. Edison fundou a Edison Electric Light Company, que logo se chamaria General Electric, com a ajuda de alguns dos homens mais poderosos dos Estados Unidos. A General Electric é a única empresa das 12 originais do Dow Jones que aparece na atualidade. [Música] Maior empresa do mundo. Além de inventor, Edison foi um homem com uma marcante visão empresarial e as ideias de Tesla bateriam de frente contra ele e, sobretudo, contra a ideologia de Morgan. Ele se importava apenas com o dinheiro e o poder, tirava do caminho todo aquele que o atrapalhasse. Uma guerra estava a ponto de começar: a guerra das correntes. Edison e Morgan estavam dispostos a tudo para acabar com Tesla. Diesel também se deparou com um poder que poderia ter custado sua própria vida. Quando uma invenção vai contra seus interesses, a máquina que domina a energia age. As invenções de Tesla e Diesel, quase revolucionárias para melhorar o mundo, colocaram em risco suas carreiras e suas próprias vidas. A história nos tem mostrado como foram formados grupos de interesses ao redor de tudo aquilo que é um recurso, como o petróleo e a eletricidade. Há muitos motivos pelos quais é muito difícil progredir no que se chama pesquisa e desenvolvimento. Os desentendimentos entre Edison e Tesla constituíram um claro exemplo das dificuldades que os inventores podem chegar a sofrer. A relação entre eles se torna muito difícil quando Tesla cria o sistema de corrente alternada. A princípio, Edison não lhe dava muita atenção; sua soberba o impediria de prever o que estava a ponto de acontecer. A história diz que ele estava trabalhando, fazendo furos em Nova York para estender os cabos de máquinas de corrente direta de Edison. Tesla não suportou nem o caráter, nem as tarefas, nem o trabalho para o qual haviam designado; então, ele se demitiu. Tesla obteve ajuda de um engenheiro e empresário que acreditou nas vantagens de seu invento: George Westinghouse. As vantagens que oferecia a corrente alternada em comparação com a direta eram enormes e Thomas Alva Edison começou a sentir que perdia terreno diante de Tesla. [Música] [Aplausos] Então, começou a criar publicidade negativa sobre o invento de seu rival, executando animais em público para difamar a corrente alternada. O que Edison fazia era terrivelmente diabólico: eletrocutava animais ao vivo em público, assim como uma espécie de circo. Apesar de tudo, Tesla e seu aliado Westinghouse ganhariam finalmente a guerra quando obtiveram o contrato para pôr os geradores nas Cataratas do Niágara, recebendo tanta publicidade que Edison foi incapaz de sabotá-lo. Conta-se que até 1910-1912, o comitê do Prêmio Nobel de Física havia postulado Edison e Tesla para o prêmio de física. O que se diz é que nenhum dos dois quis dividir o prêmio Nobel e não foi, então, para nenhum dos dois.

Tesla teria que enfrentar seu inimigo mais poderoso: J.P. Morgan. Rudolf Diesel também chocaria com os interesses de duas indústrias gigantescas: a petrolífera e a militar. Havia nascido na França, havia passado a infância na França, foi mandado aos 12-14 anos para a Alemanha; então ele não estava casado com uma nação. Ele poderia aceitar a proposta da Inglaterra ou da França que lhe ofereciam implementar seus motores em submarinos e os alemães queriam adiantar-se a isso. O motor de Diesel não só era muito mais eficiente energeticamente que o resto dos motores de sua época, tinha a característica que podia funcionar com um combustível que podia ser obtido de vegetais. Isso dava ao motor Diesel uma grande vantagem, mas ao mesmo tempo atrapalhava o crescimento econômico que as petroleiras poderiam projetar a partir da venda maciça das naftas. [Música] A Primeira Guerra estava a ponto de ser sagrada e os interesses pela produção de motores eficazes para caminhões, tanques e barcos eram prioritários. Quando passaram a utilizar o motor Diesel tanto para caminhões quanto para tanques de guerra, os veículos não paravam de funcionar mesmo que todo o motor ficasse submerso na água; bastava que a admissão e o escapamento ficassem fora. Os motores Diesel, devido às suas características, eram usados nos temidos submarinos alemães, a arma mais, mais poderosa naquele momento. [Música] O inventor ignorava os perigos a que estava a ponto de se expor. O caso Diesel é interessante porque mostra de que maneira, apesar das conspirações, finalmente a tecnologia pode terminar por se impor.

Apesar de gozar de um gênio excepcional, Tesla, o inventor do século XX, como passou a ser chamado, terminou seus dias ignorado e esquecido. Sua queda começou quando o financiamento de suas pesquisas ficou nas mãos de J.P. Morgan, o sócio de Edison. Morgan percebeu o potencial que tinha a transmissão de ondas de rádio e decidiu financiar Tesla em seu projeto de construção da Torre Wardenclyffe. Mas Tesla não só queria transmitir ondas de rádio, mas também eletricidade sem fio, capaz de ser usada por qualquer um, onde quisesse. Isso chocava diretamente com os interesses de Morgan, como isso interferiria em seu negócio. Morgan tinha um monopólio sobre o cobre com que eram fabricados os cabos. De nenhuma maneira iria permitir que a pesquisa de Tesla progredisse. Sabendo das intenções de Tesla, J.P. Morgan detém imediatamente o financiamento e logo a torre é demolida, prejudicando a reputação de Tesla para sempre. Além disso, seu laboratório foi saqueado e seus planos desapareceram. [Música] Tesla passou seus últimos anos da vida alimentando pombos. O inventor acabou se refugiando na suíte 3327 do Hotel New Yorker. Aos 86 anos de idade, morreu na suíte do hotel, completamente sozinho, em tal condição. Faleceu um dos mais brilhantes cientistas contemporâneos. O certo é que para o mundo, naquela época, era como se Tesla tivesse morrido há muito tempo. [Música] Sempre prejudicado por Edison e sua máquina de relações públicas, nunca teve seu merecido reconhecimento. Poucos dias depois, uma camareira o encontra morto no hotel de Nova York onde vivia e liga para o FBI. Naquela época, Hoover era o diretor do FBI e ele ordena que todos os pertences de Tesla sejam recolhidos imediatamente. E desde aquele momento, tudo relacionado a Tesla passa a ser Top Secret nos Estados Unidos, inclusive seu nome. Isso nos ocultou o verdadeiro alcance de seu legado. Tesla ficou totalmente ignorado, ele saiu dos âmbitos universitários, os teóricos, filosóficos não apareciam até que, outra vez, estendendo sua pesquisa e a importância de tais pesquisas, é que outra vez voltou a nascer um mito e a história desse gênio da humanidade. Na era da informação é cada vez mais fácil ter acesso ao conhecimento. Talvez hoje o encobrimento não seria tão simples quanto antes. Já não se pode enganar as pessoas o tempo todo. Bem, também não se pode adiar e frustrar uma contribuição valiosa para sempre. Antes de morrer, Tesla disse enigmática e profeticamente: "O presente é deles, mas o futuro pelo qual realmente trabalhei é meu". A quem se referia Tesla quando disse "eles"? Nunca saberemos se eles tiveram algo a ver com os misteriosos eventos que ocorreriam com Diesel.

Rudolf Diesel subiu a bordo do vapor Dresden com a intenção de reunir-se com empresários que fabricavam seu motor em Londres. Naquela noite, jantou no restaurante do barco e retirou-se ao seu camarote por volta das 10 da noite, pedindo que o chamassem às 6:15 da manhã do dia seguinte. Pela manhã, Diesel não respondeu. Ninguém da tripulação tinha notícias dele. Dias depois, outra embarcação, de origem holandesa, encontrou o corpo sem vida de Rudolf Diesel flutuando na embocadura do rio Escalda. Em seguida, disseram que havia sido suicídio, pois se dizia que o cientista tinha problemas financeiros. A morte que Diesel sofreu pode ter sido tramada por interesses do petróleo ou talvez por serviços de inteligência alemães ou ingleses. É possível; o motivo de alguns alemães malvados que o queriam morto com certeza. As circunstâncias de sua morte não foram as mais normais. As pessoas costumam morrer na cama. Rudolf Diesel começa seu projeto em 18... em 1913 amanhece flutuando em um rio. Então, não há muito que pensar, dos, dos grandes interesses que existem no petróleo. O certo é que ele desapareceu, mas sua vida não foi em vão. Qualquer que seja o motivo, Rudolf Diesel não viveu para ver o desenvolvimento de seu engenhoso invento e nós jamais poderemos saber qual de suas teorias é certa. Antes de morrer, Diesel deixou por escrito sua visão de um futuro em que o petróleo não seria a indústria dominante. Ele viu um futuro com combustíveis alternativos, uma visão que é amplamente compartilhada por especialistas na América Latina. A América Latina tem a matriz energética mais limpa do mundo. Mas o motor Diesel, em princípio, funcionava com uma ampla variedade de combustíveis. Após sua morte, os motores Diesel se desenvolveram para funcionar exclusivamente com derivados do petróleo. Casualidade, conspiração ou oportunismo? Um multimilionário se suicida, cai no rio. Isso tudo pelo dano que o dinheiro ia lhe causar? Não, eu acho que a teoria da conspiração é muito bonita, muito romântica e muito atraente e que deve ser explorada, mas não temos nenhuma prova, não tivemos nunca nenhuma confissão de um alemão, não tivemos nunca nenhum, nenhum testemunho de, de nenhum fato criminal. Alguém o empurrou pela borda ou talvez ele tenha saltado? Não sabemos. Talvez nunca saibamos a verdade do que aconteceu a Diesel, mas sabemos que ele não foi o único que sofreu um destino misterioso e trágico.

Defensor da fusão a frio e da energia livre, Eugene Mallove também teve um final tão dramático quanto suspeito. Por que certos inventos progridem e outros não? O que há por trás das mortes de alguns pesquisadores? A história da energia está marcada por traições, sabotagens, vítimas fatais e uma grande dúvida: quem controla realmente nosso destino? O poder que as grandes indústrias energéticas têm, conta com uma capacidade econômica descomunal. Seríamos capazes de reagir contra uma máquina assim? Pode alguém demonstrar sua existência? Eu acho que é uma conspiração contra o interesse do público em geral. São essas empresas que consideram que há uma conspiração que vem de fora e de que tentam realmente mudar as coisas ou buscar fontes renováveis de energia. A indústria de hidrocarbonetos tem uma grande vantagem hoje em dia. O campo não está bem nivelado: favorece uma indústria que já existe há muito tempo e está trabalhando para manter esse poder. O que pode fazer um único indivíduo contra uma máquina assim tão grande e eficaz? É provável que esse indivíduo não consiga mais do que acabar na falência, desacreditado. Mallove tentou reverter a forma com que concebemos a produção energética. O futuro era, segundo ele, a fusão a frio, uma reação nuclear ambiental onde dois núcleos atômicos se fundem para formar um maior, liberando uma grande quantidade de energia. Isso supõe uma fonte de energia inesgotável, econômica, limpa e ao alcance de todos. Mallove defendia a fusão a frio conseguida por Stanley Pons e Martin Fleischmann no ambiente universitário, etc. Foi uma grande comoção. Em condições diluídas e com um sistema muito doméstico, eles conseguiram demonstrar e publicar que se gerava uma energia com um fenômeno de fusão de hidrogênio e hidrogênio aéreo, mas que ocorria em forma diluída com os hidrogênios que estavam na água. O mundo, asseguravam, seria um lugar completamente diferente. Uma dona de casa seria capaz de produzir em seu lar uma enorme quantidade de energia de forma segura, barata e limpa. Seria como ter um reator nuclear do tamanho de uma caixa de sapatos abastecendo todas as necessidades de uma família média. [Música] No entanto, o mundo acadêmico duvida da capacidade de reproduzir o fenômeno da fusão a frio, assim como também questiona a velocidade dos inventos de Stanley Meyer e Paul Pantony. Pantony tinha um interesse além de qualquer crise econômica para desenvolver seu invento muito tempo antes de transformar-se em um tema tão popular como em nossos dias. Pantony já pensava em conseguir um processo de combustão que reduzisse a poluição. Queria criar um motor que cuidasse do ambiente. Assim, ele visualizou o J.I.T. Um homem que simplesmente queria deixar uma impressão melhor quando partisse do que a que encontrou ao chegar. Esse é um sentimento que com certeza eu apoio. Segundo Pantony, neste preciso momento poderíamos modificar qualquer motor para que, em vez de gasolina, funcionasse em sua maioria com qualquer líquido; só utilizaria uma pequena porcentagem de combustível convencional para partida. Seu segredo: o plasma criado a vácuo. O que realmente ele desenvolve é o que chamam os engenheiros químicos, um reformador de plasma. O plasma, muitos o identificam como o quarto estado de agregação da matéria, parte da base de que o combustível pode ser mais bem condicionado para fazer a combustão. O agregado de água em alguns motores de combustão interna pode chegar a produzir diminuição na poluição. Nós temos que atender a uma nova restrição e essa restrição tem a ver com a emissão de dióxido de carbono e isso é uma coisa que com certeza tem que chegar a zero. Poderiam os motores de Pantony mudar o panorama de cidades como México e Santiago do Chile, chorando a vida de milhões de pessoas? Está fazendo algo e não sabemos.

Luís Carlos Quiroz é um inventor mexicano que começou a sonhar com isso há alguns anos. Quando menino e via um carro funcionar, quando passava um carro levando pessoas, eu me admirava em pensar quem poderia imaginar como um carro funciona. Depois de estudar administração e trabalhar arduamente, o empreendedor mexicano por fim contava com os recursos para levar a cabo sua visão. Bom, chegou o momento, no ano 2000, em que ele disse: "Bem, eu quero realizar o meu sonho". A primeira coisa que queríamos fazer era um transporte público onde se levasse as pessoas, mudando o famoso bicitaxi por um veículo elétrico, já que o trabalho dos bicitaxis é um trabalho totalmente desumano. São oito, dez horas naquele pedacinho sentado e além disso levando 200 kg. Pelo menos é desumano. O carro que finalmente estava pronto; seu projeto era simples e prático. Então, as autoridades não deram maior impulso a esse invento que parece resolver uma problemática tão evidente. Os diferentes governos no México não demonstravam o interesse em desenvolver energias sustentáveis. Falam de ecologia, mas a realidade é que, quando nos aproximamos desses, não é melhor procurar outro empreendedor que invista por não haver leis para veículos elétricos. Logicamente, eles não podem circular antes que saiam as leis. O que é ridículo. O que impede que governos levem a cabo políticas para favorecer o meio ambiente de forma sistemática e mais eficiente? São setores inicialmente conservadores e que precisam fazer políticas de incentivo para que se decidam a fazer os investimentos para que aquela tecnologia mais eficiente de fato aconteça com os benefícios para a sociedade. Deve haver governos que estejam gerando normativas e benefícios para que as empresas invistam e também para dar lugar aos empreendedores. O tempo do governante é de quatro, cinco, oito anos, no máximo. Nesse tempo ele necessita de renda rápida; não lhe importa que dentro de 15, 20, 100, 1000 anos

De seu orçamento, e o resto importa muito pouco. E é aí que estamos realmente envolvidos na América Latina, e que claramente há grupos que estão no poder que preferem o lucro rápido, sem levar em devida consideração os custos ambientais e sociais que muitos desses projetos podem ter.

O que aconteceria se os pesquisadores recebessem grandes somas de dinheiro para desenvolver os inventos? Se houver algum lucro, as coisas se fazem sem nenhum problema. A candidatura brasileira à Copa do Mundo resultou em que, em Brasília, fosse construído o primeiro estádio de futebol totalmente autônomo em termos energéticos e com zero de emissões. Este projeto tem uma característica única; eu creio que, no atual momento, talvez seja o mais importante estádio até então construído.

A nossa preocupação envolver uma arquitetura que reduzisse todos os custos para a manutenção do estádio, e isso, isso ao longo de todo o tempo. O estádio se abastece de energia solar. Além disso, uma membrana no teto se encarrega de filtrar a poluição que é produzida no lugar. Suas zonas verdes se abastecerão de água recolhida da chuva, e todos os seus espaços estarão habilitados de maneira que entre grande quantidade de luz natural. [Música] Por isso é que eu afirmo que, realmente, esse projeto é hoje, sem sombra de dúvida, o mais moderno, o mais tecnologicamente falando, o mais completo. Talvez, nas próximas Copas do Mundo, e bom, Olimpíadas etc, isso possa ser incorporado nos novos estádios.

Segundo se fala sobre Pop Antony, quando ele criou seu processador multicarburantes Jits, se viu rapidamente angustiado por uma série de manobras legais para acabar com seus avanços. Seu pai foi o primeiro a adverti-lo sobre o risco que ele corria. Panton chegou à casa de sua família com um carro cujo motor havia sido modificado por ele. Quanto faltava para que Panton ouvisse o conselho de seu pai? Não o matam no início; isso seria muito fácil. Primeiro, fazem da sua vida um inferno. Pouco depois de conceder uma entrevista a um diário local, publicava-se notícia de seu invento. De acordo com o relato, um ano mais tarde, ele receberia chamada de um representante de uma empresa petrolífera do exterior que exigia a venda dos direitos de seu sistema. A recusa de Panton transformaria sua vida em um inferno. [Música] [Música] O dinheiro da conta dele desapareceu misteriosamente durante os anos seguintes; várias propriedades de seu negócio imobiliário foram [Música] vandalizadas. Conta que, posteriormente, receberia um novo telefonema aterrador. Implicam em seu crime, mas ainda não sabia que o pior estava para acontecer. A história diz que seus sócios acabaram engolindo a empresa em desenvolvimentos não muito santos. [Aplausos] [Música] Seria o estado de Utah o lugar ideal para iniciar um processo legal contra Panton? E assim levá-lo a [Música] miséria imediatamente. O privaram de seus direitos [Música] civis. Tesla, Panton, Diesel... mal valeu a pena o esforço desses homens em enfrentar as adversidades ou os inimigos que se opuseram aos inventos revolucionários. Foi um fardo na história do homem. No entanto, tecnologias que melhoram seu uso, às vezes são menosprezadas pelos que as poderiam usar.

Vivemos em um engano monumental. Apesar de um revolucionário motor ecológico, conhecia na própria carne o perigo de ameaçar o poder por trás da energia. [Música] O mundo geralmente celebra tudo aquilo que represente um avanço para a humanidade; os inventores mais criativos, no entanto, muitas vezes são dificultados no desenvolvimento de suas obras. O primeiro problema que têm os sonhadores, eu diria, é como acreditamos tanto no que vamos fazer, pensamos que as outras pessoas também vão vê-lo positivamente. Meu primeiro equívoco foi, foi acreditar que, ao conseguir o carro e fazê-los funcionar, todos iam querer ajudar e todo mundo ficaria feliz. Na verdade, o que necessitamos é de um grande salto; o que necessitamos são milagres energéticos. E quando uso a palavra milagre, eu não quero dizer que seja impossível; o que eu estou falando é que nós precisamos desse grande salto imediatamente.

No México, José Antônio Urbano Castelã trabalha no campo da energia solar para alcançar esse nobre objetivo. Gosto de um reator nuclear que se encontra a 150 milhões de quilômetros e que nós chamamos de [Música] Sol. Por ser no México, temos tanto sol; não exploramos como tal. Sim, temos muito petróleo; é verdade que extraí-lo nos custa, e podemos vendê-lo a 90, mas é um recurso finito e que contamina. Pensemos que, por exemplo, uma única hora de energia solar tem a energia necessária para abastecer o mundo todo por um ano. É verdade que não temos nem o conhecimento nem a tecnologia para aproveitar essa energia; por isso a palavra chave é inovar. As estufas solares de Urbano Castelã são uma alternativa única para aproveitar a energia térmica do Sol. Como funciona? A estufa urbana tem 60 espelhos; são espelhos planos, estão posicionados de tal forma que todos incidem em um ponto. Ali temos uma serpentina pela qual estamos fazendo circular o ar reciclado de detritos; nós o aquecemos a 300 graus. E então podemos dispor desse calor latente captado com o sol para cozinhar nossos alimentos; o alimento básico na zona rural não eletrificada. Urbana, das grandes cidades, que exige um alto consumo energético, podemos retirá-lo do Sol, com uma vantagem: zero emissão de CO2 na atmosfera. A energia solar é muito variada, porque me permite aquecer a água, permite produzir eletricidade e me permite gerar calor de processo. Com as estufas que desenvolvemos, para dar o que é necessário para o cimento...

A crise climática é cada dia mais evidente. O que falta para que se faça uma advertência definitiva sobre o perigo que isso representa para o homem? Temos um panorama de água contaminada; temos um panorama de solos contaminados. E se permitirmos que contaminem a água e o solo, permitimos que se contamine o alimento. Não é uma, não é uma especulação; já existem muitos dados técnicos. O cenário otimista seria que a sociedade em geral tomasse consciência e dissesse: embora eu tenha hidrocarbonetos, não posso continuar queimando-o e vou passar para as transições energéticas nobres, porque cada vez somos mais, cada vez consumimos mais energia e cada vez estamos extraindo mais recursos não renováveis. Por que achamos que temos o direito de retirar tudo hoje? E por que achamos que temos o direito também de contaminar a água e o solo de todos os seres humanos que vêm daqui por diante, nessas zonas mineiras? Quem nos deu esse direito? Esses são os elementos de reflexão de que necessitamos. Devemos insistir que, contra a mineração, os efeitos da contaminação em escala humana são para sempre. O petróleo, o carvão, o gás natural foram uma revolução na época da Revolução Industrial; não são mais. Esse é o momento de gerar uma nova revolução; temos que gerar a revolução do século XXI, que é a revolução da sustentabilidade. E quando falo disso, falo da sustentabilidade econômica, social e naturalmente de um novo sistema energético que esteja baseado no uso das energias alternativas.

Pop Anton também imaginou um planeta diferente, onde os carros funcionassem com o DIT, o seu sistema. Este adaptador seria capaz de fazer funcionar qualquer veículo com 80% de água como combustível. Mas o sonho de Panton se transformou em pesadelo. Isso de poupar 80% de combustível, quando eu, petroleiro, fiz meus grandes investimentos e estou fazendo perfurações, acaba com meus índices de recuperação de investimento; então começo a subjulgar Panton como um louco, para que sua ideia comece a afundar. Os testemunhos próximos a ele contam uma experiência arrepiante, talvez a maior de todas: a forma pela qual foram tratados, a forma com que Panton foi tratado, para mim é uma abominação. Seu destino foi o pior lugar em que um homem pode terminar: um hospital psiquiátrico. Os médicos determinaram que deveriam medicar Panton durante 36 meses; ele deveria receber fortes psicotrópicos com a desculpa de voltar a deixá-lo competente, segundo eles. Na luta para libertá-lo, foram apresentadas duas provas psiquiátricas que confirmavam sua estabilidade. Soube que não consideraram as provas e nem ao menos teve uma legítima defesa. Panton estava definitivamente condenado. [Música] Ele sofreu muitas pressões e várias torturas psicológicas, e terminaram fazendo com que ele merecesse o lugar onde estava, embora resistisse e não tomasse seus medicamentos por temer ver afetadas suas faculdades mentais. O futuro de Panton se desenhava negro; toda esperança parecia perdida. Finalmente, seu filho, David, conseguiu chamar a atenção de um senador. Verificou-se a decisão médica e, após que Panton entrou em contato com o congresso, entrou imediatamente em ação. Novo México, setembro de 2013. Isso vai na minha mesa, no lado direito. Panton foi libertado no dia 25 de maio de 2009, com a condição de abandonar o estado de Utah. Traído. Contratei um advogado após outro; passei por 12 ou 13 advogados; todos levavam o meu dinheiro, diziam que me representariam, mas depois voltavam e me diziam: a única forma de representá-lo é você me dar sua patente. E isso não ia acontecer.

Enquanto a crise climática cresce, o poder por trás da energia usa todos os seus recursos para manter seu domínio. Qual é o caminho para sair dessa encruzilhada? Quem são os novos pesquisadores e o que estão fazendo para mudar o mundo? Eles sabem que arriscam tudo, inclusive suas próprias vidas. A história da energia esconde sabotagens, traições e mortes duvidosas. Certos inventos são consagrados, enquanto que outros caem no esquecimento. Quem são os pesquisadores que, apesar de tudo, lutam contra o poder, embora suas vidas estejam em risco? Panton, Mal Dies e Tesla parecem ter vivido na própria carne a presença do poder. Nunca poderemos ter a certeza: seremos nós também vítimas sem saber? O que nós podemos fazer se o poder por trás da energia é tão grande, ou só nos fizeram acreditar nisso? Temos menosprezado nossa capacidade de conseguir mudanças, e o papel dos cidadãos é fundamental. Nós precisamos entender que as pessoas têm o poder; o povo é quem tem a última palavra. Temos que conseguir maiores fundos para a pesquisa; necessitamos dos incentivos do mercado; necessitamos difundir a mensagem. Um avanço energético com toda a certeza é o mais importante; nunca antes foi mais fácil conseguir isso graças às tecnologias digitais. O fluxo de informação é tal que a censura é praticamente impossível. Mas, entre tanta informação, onde procurar, por onde [Música] começar?

A 17 km de Abu Dhabi está sendo construída, na atualidade, uma cidade cujo abastecimento energético provém unicamente de energias renováveis, somando-se a altas tecnologias para que não haja quase poluição. Exemplos como o da cidade de Masdar seriam muito interessantes se pudessem ser reproduzidos em todo o mundo. Estima-se que 90% da eletricidade que se use será solar, e o resto será gerado por meio de incineração de dejetos. Os carros tradicionais são substituídos por carros elétricos. Cidades que estão distribuídas em diferentes países do mundo dificilmente poderiam, rapidamente, ser transformadas em cidades não contaminantes e autênticas, como seria desejável. Investimentos como o da cidade de Masdar, em Abu Dhabi, e o Estádio Nacional de Brasília nos demonstram que, quando existe o interesse econômico, é possível solucionar nossas necessidades. Mas acho que o que está acontecendo é que agora as pessoas começam a tomar consciência de que as energias alternativas não somente são boas para o planeta, mas além disso podem ser rentáveis, e pode haver um negócio. E precisamos que isso [Aplausos] aconteça. Estamos às portas de poder conquistar essa, essa massa crítica. Nós mesmos também temos que mudar nossa maneira de ver o mundo, para viver uma nova humanidade, para viver as energias limpas, para viver novas economias, e aproveitando as energias que efetivamente são infinitas, que o universo nos oferece, mas aproveitando de uma maneira mais amorosa e coletiva. Aplicar isso de forma maciça vai levar tempo; vai ser um tempo muito bem empregado e, além disso, muito interessante, porque estamos abrindo um novo panorama completamente diferente. Temos novos desafios para resolver para os próximos anos. Na verdade, nós somos o problema; somos nós que geramos a crise ambiental, e é importante tomar consciência disso. Não há como jogar a culpa nem nas empresas nem nos governos; somos nós. O importante é assumir essa responsabilidade, porque os carros fabricados por essas empresas, por exemplo, quem os usa somos nós. Então nós somos o problema, mas também somos a solução. Há pessoas, pelo que sei, que baixam planos da internet e os aplicam, e funcionam. Na verdade, com muitas inovações também acontece isso; assim não é nada melhor do que democratizar os conhecimentos dessa maneira. [Música] Todos esses inventos, muitos dos quais podemos baixar hoje através da web, não mostram outra coisa além da capacidade criativa do espírito humano, de um ideal de vida. Isso se faz a partir de ideias alucinadas, das quais parte seguro e se transformam em verdadeiras realizações tecnológicas. [Música] Felizmente, o futuro que Tesla, Mal Dies e Panton vislumbraram poderia estar cada vez mais perto de ser realizado. Tesla Motors produz, na atualidade, veículos elétricos de alta gama, e dessa empresa, em homenagem ao homem que mais ousou para a energia de todos, é chegar ao mercado maciço com um automóvel de preço acessível. Poderíamos estar diante da fagulha que dispara a revolução que Nicola Tesla sonhou mais de um século atrás.

Eu costumava participar de um jogo com meu filho menor, David. Eu lhe dizia: preciso que você me diga qualquer invento que você imagine, qualquer coisa que você lembre. Diga-me uma coisa muito original a partir da sua imaginação. Eu fiz isso até ele completar 11 anos e meio. Ele não só me deu 21 inventos em 10 dias, mas também me contou como seriam os comerciais para lançar cada um. Meu Deus, que criatividade, eu perguntava a mim mesmo. Será possível fazer com que uma criança de 11 anos lance ideias sem mais nem menos? Por que não estamos animando as crianças a serem inventores, em lugar de dizer-lhes que só podem fazer o que diz o livro? Talvez, como anunciam, o futuro será muito diferente do que a humanidade sonha. Os transportes serão outros, as economias e os governos sofrerão mudanças, e as energias limpas ganharão terreno. O importante é saber que, no universo, a energia reina em tudo, inclusive no homem, o único capaz de modificar sua própria realidade. Poderemos algum dia encontrar uma fonte de energia que substitua o petróleo? Que destino terão os que dedicam sua vida a pesquisar teorias que vão contra os interesses mais poderosos? As dúvidas crescem, mas o tempo está acabando. Power. [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos]