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A árvore da vida prova a ancestralidade comum entre as espécies?

Ciência e Filosofia - Dr. Rômulo16:46

Transcription

Oi, bom dia, pessoas. Primeiramente, queria me desculpar pelo período de ausência. Aí, não que vocês estivessem desesperados pela minha presença, mas final de ano, muita, muita coisa acontecendo.

Segunda coisa que eu queria falar, mais uma vez, se você assistir os vídeos e gosta, se inscreva no canal, porque eu olho nas estatísticas e mais de cinquenta por cento das pessoas que assistem não se inscrevem.

Ao que eu queria discutir hoje, e eu vou discutir brevemente, são três conceitos importantes na Biologia evolutiva: que é o conceito de ecologia, o conceito de descendência em comum, aí o conceito de árvore filogenética. Razão que eu quero discutir esses assuntos é porque eu vejo em vários locais, inclusive na própria universidade, pessoas argumentando que a árvore da vida, né, a árvore filogenética, ela provaria a descendência em comum, que ela seria uma ferramenta usada pelos evolucionistas para demonstrar que toda a vida tem uma, uma descendência comum. Isso, e aí eu sinto que está completamente incorreto, tá? E a razão por isso é porque, eu respondo, vocês vão ver, esses três conceitos, eles são, eles dependem um do outro, então eles são circulares.

Então, para começar, vamos curtir, então, que seremos a homologia. A homologia, que eu vou mostrar uma imagem aqui embaixo, ela já havia sido observada desde o tempo de Aristóteles e foi discutida muito antes de Darwin. Seriam essas similaridades entre os seres que aparentemente são bastante diferentes. Então, você olha os membros anteriores de uma, de uma gazela, de um golfinho, de um cachorro, de um ano. Eles têm mais ou menos o mesmo número de ossos, apesar dos comprimentos serem diferentes, as posições, etc. Então, assim, esse tipo de similaridade havia sido observada, mas as explicações dadas para aquela similaridade, né, podia dizer que um criador utiliza do mesmo, a conceito, mesmo blueprint para fazer diferentes seres, poderia argumentar que há uma necessidade mecânica que, né, para se fazer um membro, ele tem que ter aquelas proporções com aquele tipo de uma, uma explicação funcional, dentre muitos outros. Inclusive, um dos pais da homologia seria Cuvier, que veio, mas Darwin era um criacionista. E então, não é um conceito que surgiu com o evolucionismo. O que se tornou parte do evolucionismo é a explicação para esse, para essa homologia, baseada na descendência em comum.

Então, para o evolucionista, o fato de que existem essas criaturas que aparentemente são distintas, mas que tem essa, que compartilham essa similaridades gritantes, seria uma evidência de que elas herdaram essa similaridade de um ancestral em comum. Ou seja, todos esses exemplos que eu dei, a baleia, desce para o antílope, o que quer que seja, todos eles são mamíferos, eles têm um ancestral mamífero que possuía aquele tipo de osso nos membros anteriores com aquela, aquela distribuição, aquele número de ossos, etc.

Então, veja aqui, a, a, a descendência comum, ela não é provada pela homologia. Pelo contrário, a homologia parte do pressuposto. O conceito de homologia moderno, o evolucionismo, ele parte do pressuposto que existe uma descendência em comum entre todos os seres, e ele explica homologia partindo disso. E árvores filogenéticas, que são aquelas árvores que a gente vê conectando todos os seres, que eu vou explicar mais à frente, ela é construída baseado nessas homologias, partindo-se da premissa de que seres que descendem de um mesmo ancestral mais próximo vão ter mais similaridades, o que indivíduos a parentesco mais distante.

Então, o que você vai perceber, e é basicamente isso aqui, né? A homologia pressupõe a descendência em comum. A homologia é utilizada para fazer árvore filogenética. Mas algumas pessoas vão dizer que a árvore filogenética prova descendência de comum. Ele vai te mostrar aquela árvore lá conectando todos os seres, dizendo: "Olha, tá vendo? Esse aqui é uma ferramenta que você falou assim, esses usam para mostrar a descendência comum." Não, você tem um problema circular. Esse é um problema filosófico. As pessoas estão perdidas, porque o conceito de descendência comum, ele é pressuposto na homologia, e homologia é utilizada para fazer a filogenética. Logo, a filogenética, ela não pode explicar a descendência comum. Pelo contrário, se você voltar, ela parece o poema de silêncio comum. Se você destrói isso tudo aqui, tanto o conceito de homologia moderno quanto a filogenética, eles caem por terra.

Bom, então, já vemos aí um sério erro de raciocínio, não é? O sujeito, então, para defender o conceito de homologia moderno, ele tem necessariamente que provar por outras formas que a descendência comum é algo plausível e sustentável.

Então, como são construídas essas árvores filogenéticas? Como se pode perceber isso aqui? Não é próprio para isso daqui, e deixou uma mancha, mas vamos lá, a gente continua assim mesmo. Bom, a ideia aqui, então, da filogenética é baseado no conceito de especiação, não é que as espécies se dividem, se transformam em outras e pro assim por diante. A especiação mais comum que você vai ver nos livros didáticos são a especiação alopátrica, que descreve a separação de duas espécies a partir de uma espécie ancestral, através da separação de uma população em duas, seja ela por um evento geográfico, um erro, um, um, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, uma, 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Então você teria uma população ancestral que se separaria por qualquer razão, se separariam e dariam origem a duas, duas espécies distintas.

O processo de acúmulo de mutação, que nós já discutimos na última aula, não estou discutindo se isso aqui ocorre ou não, mas é a seria a explicação clássica. Agora, o que impede de que uma população, ao invés de partir em duas, se parta em cinco ou três ou quatro? Bom, nada. Mas para construir relações de parentesco, usuários utilizam desse modelo, que é um modelo utilizando o princípio filosófico, é o princípio da economia. Então, veja que não é algo necessário na natureza. Uma população, não há nada, a princípio, que interesse à população de se separarem várias. Mas por questão a filosófica e metodológica, se assume que sempre há uma partição de duas.

Então, veja aí, mais uma vez, a filosofia entrar nas explicações, ainda que os cientistas hoje em dia rejeitem a filosofia bastante, né? Então, esse tipo de evento, ele é representado lá em filogenética por esse gráfico, esse cladograma. Você tem o ramo principal, que é o ramo da população ancestral, que se parte em dois ramos, e seriam as populações vigentes. Você poderia ter esse evento ocorrendo mais uma vez, mais uma vez, e por assim vai.

Bom, então, esse seria um ancestral de todo esse grupo, que deu origem a esses dois grupos. Você tem um ancestral aqui, que é o nodo desses dois seres, e assim por diante. Então, esse é o famoso ancestral em comum. Você vai descendo, só que seria tempo. E aí, quanto mais baixo você vai, você vai chegando no ancestral mais antigo daquele grupo.

Agora, como que você define quais são os membros dessa aí cladograma? Então, você vai ter diversos caracteres que serão descritos para cada uma das espécies que você está tentando classificar. Por exemplo, você poderia ter um caractere que é sangue quente e sangue frio. Você pode ter quadrúpede ou bípede, ou tem garra, unha. E você coloca essa lista de caracteres ali, e você vai ter um algoritmo, um algoritmo que vai tentar se organizar essa árvore baseado nessa similaridades, de forma a minimizar o número de transmissões.

Vamos supor que você tenha seres aqui de sangue quente e seres de sangue frio. E você pode organizar essa árvore usando todos os caracteres de forma que aqui vai ter, eu vou colocar aqui para quente e frio, para essa, para frio. Então, você tem que quente, a quente, frio, quente e frio. Se a sua organização terminar assim, que significa que isso você tinha baseado na parcimônia, que também é um conceito filosófico que nós já discutimos, baseado na posição da do menor número de passos possíveis, você vai calcular, é baseado nesses caracteres, qual é a boa probabilidade do ancestral ter detecção de quente ou sangue-frio, baseado no número de mudanças que teriam que ser necessários para explicar esses lados finais aqui.

Por exemplo, nesse caso, você pode argumentar que um ancestral tinha sangue quente, e que o sangue, todos esses caras têm sangue quente, as espécies, ou seja, essas três herdaram o sangue quente do ancestral, e o sangue frio teve que evoluir duas vezes separadamente, que os evolucionistas chamaram de convergência evolutiva. Outra possibilidade seria que, na verdade, um ancestral tinha sangue frio, porém, nesse caso, você teria que dizer que o sangue quente evoluiu, e na verdade, parece duas vezes também, porque pode ter evoluído aqui nessa ancestral, esses dois herdaram sangue quente em uma vez, aqui você tem novamente uma convergência. Nesse caso, então, como tanto um ancestral com sangue quente, o sangue frio dão árvores igualmente prováveis, número de mudanças que são duas, você não consegue distinguir qual seria o estado ancestral. É por isso que você tem que ter vários caracteres. Você vai acrescentar um outro aqui, talvez bípede. Aí você vai fazer essa mesma, essa mesma análise, e o sabor estão calcular entre todos os caracteres, ele vai agrupar a árvore de forma a minimizar o número de eventos de convergência.

Oi, e aí você tem uma árvore. É isso. Então, quando você vê lá aquelas árvores filogenéticas com outros mamíferos, lá desse, de réptil, ave, saímos de dinossauro, etc., é baseado nessas características. Está provando alguma coisa? Não, isso está organizando é uma árvore, um programa, utilizando de uma metodologia, metodologia que já parte do pressuposto que descendente comum existe. Se você não estaria fazendo a arma, e que e a caracteres homólogos, eles recapitulam essa história evolutiva. Só que, como nós já discutimos, homologia é um conceito que pressupõe a descendência comum. Ou seja, isso aqui é uma hipótese das relações entre os seres, baseados em primeiros princípios, em axiomas. Você está mostrando alguma coisa que prova que a vida evoluiu? Não, isso já pressupõe evolução antes de fazer isso. Isso aqui pressupõe que essa relação de parentesco está correta? Não, porque porque pode-se cobrir mais espécies, mais caracteres, e isso a árvore vai ter que ser reorganizada. Então, é sempre uma hipótese, pendente, que não pode ser provada, porque você não pode ir no passado e filmar e descobrir quais eram as relações reais entre os seres, se aquelas existiram. Isso presumindo que tem ocorrido. A árvore não é falsificável, porque você vai para comprar aqui com que os modelos geralmente geram várias árvores que são igualmente parcimoniosas, ou seja, que minimizam o mesmo número de mudanças. Você vai ter às vezes 50, 40, 200 árvores. Como é que você vai selecionar qual delas? Mais uma vez, você vai enfiar com uma outra para exposição e vai pegar entre aquelas 40, vai fazer uma merge lá, você vê qual dos quadros que mais se repete entre elas.

Então, veja que isso aqui é meramente uma hipótese de uma de relações de parentescos, baseado em conceitos circulares, em homologia e descendência comum, o que não pode ser nunca falsificado. Não tem como, porque se eu achar um forte aqui completamente diz prova essa relação de sangue quente, sangue frio, ele simplesmente vai entrar aqui em algum lugar dessa árvore, e o surgimento do seu lado sangue quente vai mudar para cá, e você sempre pode remendar essa árvore de acordo com as coisas novas, fósseis, novas caracteres, novas relações. Muitos biólogos vão dizer que isso é uma algo bom, que algo forte. Bom, eu não acho, porque se o seu método, e vocês em capaz de dizer qual a árvore mais reflete as relações do passado, tão seu método, ele é imune a refutação, e ele não acrescenta nada. Ele é uma, é um, é um processo circular, irrefutável, que meramente classificatório, mas baseado em premissas diferentes. Eu poderia classificar os seres de acordo com o seu modo de vida, poderia classificar animais aquáticos, animais, etc. O biólogo evolucionista me dizendo que a água filogenética é melhor demonstra as relações entre os seres, mas para dizer isso aí, ó, ele já parte do pressuposto de que a relação é isso entre os seres. Ou seja, o paradigma aqui é que as espécies eram umas às outras, né? Então, isso, esse, esse, essas ferramentas jamais poderiam provar a evolução, tá? Então, que isso fique claro para vocês.

A gente pode discutir a descendência comum existe, há evidências que não sejam essa daqui para descendência em comum, né? Aí é outra, outro problema. Mas se você vê o indivíduo usando isso para te mostrar como que a evolução é verdadeira, ele está, infelizmente, equivocado.

Então, beleza. Espero que tenha ficado claro. Óbvio, simplifiquei bastante. Tem outras formas de a fazer árvores filogenéticas, não precisa necessariamente ser caracteres morfológicos como sangue quente, número de patas. Se você tem as homologias entre genes, usando a biologia molecular, você tem métodos bayesianos, que não são métodos tipo a Simone que eu escrevi aqui, mas o princípio é sempre o mesmo: que similaridade entre genes refletem o disco, e que quando eles são similares, mas não reflete parentesco, como esse caso aqui, é convergência.

Então, em outro vídeo, a gente pode discutir tanto a descendência comum, mas também a questão da convergência evolutiva. Será que o que que significa esse negócio de dizer que algo evoluiu quatro vezes, cinco vezes, duas, três vezes? Então, fica aí. Deus abençoe a todos. Tenha um bom.