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Inteligência Artificial: Para Quem Ela É Boa? | Mario Sergio Cortella

Canal do Cortella18:15

Transcription

É curioso porque hoje eu via alguns desses agora filmes que são produzidos. Antes era o ator, né? O ator eh jovem e ele agora idoso, vivo ou morto. Toda hora tem. Tá começando a cansar. Há um certo fastio nisso pelo exeto de plasticidade, né? Muito artificial.

Mas hoje eu vi uma coisa que me, né? Era um personagem de desenhos animados. Vocês chegaram a ver já. Eles agora já bem velhinhos. Então o Tom aguardando o J chegar na casa dele e já chega aí com bengalinha, etc. Mais ou menos como eu, né? Ou o que mais me emocionou, né? O, eh o papaléguas >> e o coiote. E o Papaléguas anda em direção ao coyote que tá todo enrugado, mas anda bem devagarinho. Produz uma emoção naquele momento, mas eu não quero ver de novo, não quero ver outros assim. Já passou. É divertido. Para quem é bom? para mim, mas é pouquinho. Nesse sentido, eu não quero só essa maravilha no, né, no aspecto da produção que nos deixa perplexos, estupefatos. Eu quero algo que sirva a vida de cada pessoa e de todas as pessoas.

>> Olá, tudo bem? Desculpe interromper a reflexão do professor Cortela, já ele volta. Mas eu preciso antes te dizer que essa aula que ele tá dando aí faz parte na íntegra da formação em gestão de inteligência artificial, que é o curso que eu ministro na SPM. Ele é um curso síncrono que você pode escolher entre acompanhar presencialmente em São Paulo ou online. E eu tô aqui para te dizer que as inscrições da segunda turma já estão abertas. Essa reflexão, ela faz parte de uma formação em que você vai aprender as ferramentas, como conduzir as diferentes inteligências artificiais, as diferentes plataformas que podem te auxiliar na sua produtividade. Lembrando que o futuro ele é humano. Portanto, o gestor de A, ele tem que ter uma formação ética, ele tem que fazer perguntas como essa que o professor Cortela levanta nesse vídeo. Inteligência artificial é boa para quem? Se você tem interesse, o link para se inscrever na segunda turma que começa em abril de 2026 está na descrição desse vídeo. Eu te espero lá.

>> Há um termo que se usa no mundo corporativo, que não tem tradução no nosso idioma, que é compliia-se. A gente não tem uma tradução, a gente usa. Eu achei uma tradução, mas feita ao modo caipira. Eu que sou caipira de Londrina, né? Eu digo que compai significa nos conforme. Na conformidade é aquilo que tá em conformidade com o que é certo. Aí você diz assim: "Bom, o que é certo?" Essa é uma discussão que a ética entende como sendo resultante de um acordo coletivo. Por que que eu tô dizendo isso? Não existe ética universal. Não existe ética que tenha validade para todas as pessoas em todos os tempos, de todos os modos. A ética ela é transformável com a vida. Há 10 anos não se falava em assédio moral. Há 10 anos, o assédio sexual era um termo quase inexistente no nosso cotidiano. Se você recua quase 3.000 anos e vai até o decálogo hebraico, os 10 mandamentos obtidos por Moisés na crença judaica, cristã, islâmica, um dos mandamentos diz hoje: "Não cobiçar a mulher do próximo." Mas isso é hoje, porque o mandamento no original em hebraico tá escrito: "Não cobiçar o boi, a terra e a mulher do próximo." Porque o mandamento se refere à propriedade e não à fidelidade. Claro que agora ficaria estranho não cobiçar o boi, a terra e a mulher do próximo, exceto para algumas pessoas no Brasil. Mas ainda assim, por uma boa parte não. Ele tem que ser atualizado. Então a ética sofre atualizações. Eu como docente, eu sou professor há 52 anos, como docente há mais ou menos 30 anos, se hoje fosse um dia de prova, eu faria e por isso levantei, Pedro, você nem notou, né? Eu faria algo que é entrar em sala de aula aqui na SPM e dizer assim: "Guardem todo o material". Prova surpresa. Para quê? Prova surpresa. Isso fazia parte da seriedade da docência. E aí enquanto você fazia a prova, eu ficava andando pela sala e aí para te estimular, de vez em quando parava, olhava, falava assim e saía. Você diria isso aí é, isso é estímulo? Claro que não é pânico numa empresa seguinte, tô de olho em você, tá? Vai almoçar tranquilo, depois a gente conversa. Seguinte, tô observando algumas coisas. Aproveita o fim de semana, segunda-feira a gente bate papo, mas presta atenção, hein? Eu não digo que é isso, é terrorismo. Até algum tempo era entendido até como modelo de gestão, isto é, mantenha os teus funcionários, colaboradores ou o nome que se dê em estado de atenção e de tensão. O mesmo vale em relação a essa questão de nós imaginarmos que a ética ela é aquilo que tem que tá nos conforme, isto é, em que a gente tem que se fazer o tempo todo a pergunta: "Para quem é bom? Se é para poucos é privilégio. Se é para um pouco mais de poucos ainda continua restritiva. Inteligência artificial genial. nem prometeu na mitologia grega clássica imaginar que a gente chegaria a esse polo. É bom para quem é bom. Eu citei Marx para lembrar que na sua obra mais falada o capital capital tem três volumes. Três são três chamados de livros, grandes volumes. O único que o Mark de fato publicou em vida foi o um. no três, que não foi publicado por ele, mas pelo Engels, não Hegel, mas Engels com quem ele teve parceria a vida toda. Max faz algo e é aqui que eu queria amarrando um pouco, ele faz algo que é uma distinção entre o reino da necessidade e o reino da liberdade. Agora eu vou usar aquilo que eu entendo que deva ser do ponto de vista ético, o bom para todos ou todas da inteligência artificial. O que é o reino da necessidade? Aquilo que você tem de fazer para permanecer vivo. Afinal, a primeira intenção de todo ser vivo é permanecer vivo. O reino da necessidade é o que você não pode não fazer. O reino da liberdade é aquilo que você escolhe o que fazer, que você já resolveu as questões da necessidade. E agora dou exemplo concreto. Há uma diferença entre ser livre de e livre para uma coisa é ser livre da fome, livre do desemprego, livre da ausência de moradia, livre da desescolarização, livre da saúde sem recurso. Isso é livre de A quase totalidade das pessoas no planeta luta no reino da necessidade para ficar livre da fome, livre da falta de escola, livre da falta de emprego, livre da falta de comida. Quem consegue deixar o reino da necessidade vai pro reino da liberdade. Quem é livre de é livre para Eu, Cortela, que sou livre da urgência de buscar o alimento, a moradia, a saúde cuidada, o afeto, a escolaridade. Sou livre para fazer curso na SPM. com o Pedro. Sou livre para ler, sou livre para escrever, sou livre para viajar. Por exemplo, o Brasil tem, ainda bem, e outros países também, a liberdade constitucional de ir e vir. Cada um, cada uma de nós vai para onde quiser, desde que você consiga, né? Claro, ninguém vai te impedir, se você não tem censura, ninguém vai te impedir de ler o livro que você quiser, desde que você tenha. Primeiro, letramento e alfabetização. Segundo, tempo para isso. O mundo digital, ele fez algo magnífico. Nunca eu tive, o Pedro sabe disso, porque ele é um dos responsáveis, aliás, o responsável mais direto. Nunca eu tive tantas pessoas que não passando pela escolarização formal tem acesso a conteúdos. Cláudia, com que eu sou casado e eu moramos em São Paulo e no Rio. É muito comum quando a gente tá na praia e no Rio, lá tem o Rio tem uma coisa São Paulo quase não tem, que é venda de mate, >> né? Quem vende de mate para lá e para cá, etc. É muito comum o vendedor de mate dizer: "Eu assisti uma aula do senhor na internet ou eu vi outro dia no meu celular ou o meu amigo me mostrou e agora eu tô lendo um pouco de filosofia." Outro dia, Pedro, um grupo se juntou. Por isso que eu te falei isso e um deles veio falar comigo e dizia assim: "Olha, nós estamos conversando entre nós aqui do mat. A gente acha que o senhor tem que ir pra Academia Brasileira de Letras, né, que não é um desejo meu, não é algo que eu coloque lateralmente, mas não é um, para mim não é uma vontade. Mas eu falei: "Por quê? Ah, porque o senhor ajuda tanto a gente nas coisas, etc. Sem a tecnologia, isso não seria possível. No máximo estaria, como fiquei na PUC São Paulo, 35 anos. na graduação e na pós. Desse modo, isto é, houve uma amplificação da presença. Eu posso ter aí a ampliação dos saberes se eu tiver uma tecnologia na qual a noção clara é bom para quem é bom. No reino da necessidade, ela será boa e, portanto, benéfica à medida em que a inteligência artificial diminuir o nosso esforço no reino da necessidade de maneira a nos liberar, tal como Marx colocava no século XIX, aliás, Marx tem uma coisa maravilhosa, independentemente da questão ideológica, porque não dá para fazer a leitura do Mike só pela ideologia, você pode ser um marxiano sem ser marxista, pode ser um estudioso do Marx. Você verá que ele propõe algo que era o sonho, que aliás foi prometido pelo mundo tecnológico de 50 anos para cá. Ele escreveu: "Haverá um dia em que as máquinas farão tanto o nosso trabalho de esforço, isso século XIX, que nós vamos trabalhar só 4 horas por dia e as outras 20 nós vamos passear, ficar com os filhos. Nós vamos dançar. E aí uma das coisas que eu mais gostei que ele tinha escrito: "E a gente vai pescar". Você diz assim: "Mas isso aí é romântico". Ótimo. Do que que ele tá falando? De uma tecnologia que avançava, que era a máquina que deixando de ser a vapor passa a ser mais adiante ele não chegou a ver, né? a máquina por eletricidade e depois tudo que nós temos hoje e dizer: "Olha, tudo isso vai liberar o nosso tempo de trabalho e esforço que é difícil, suplical, complexo e nós vamos ficar com mais tempo para viver o no reino da liberdade, livre para conversar, livre para dançar. Eu tava observando no carnaval agora no Rio de Janeiro e tava comentando com o Cláudia onde a gente vive passam blocos de carnaval e um dos blocos tinha 100.000 pessoas. 100.000 pessoas. 100.000 pessoas andando por avenidas em sequência na orla. E elas estavam atrás de quê? de diversão. Não tinha quase ninguém ali que queria matar o outro, derrubar o outro, queria que ele se ferrasse para não usar o termo latino. As pessoas queriam dançar. Claro que tinha outro malandro mais perto daquela multidão. Só era possível fazer isso. Isto é juntar para dançar se tem escolé, se tem óscio. Diz, mas dá para viver só de ósseo? É óbvio que não. O reino da necessidade ele continua existindo. Só que o mundo da tecnologia e aí vou fechando, a inteligência artificial, ela permite que a gente faça o reino da liberdade ser fruído de modo coletivo. Essa é uma questão ética. Agora, a penúltima coisa nesses 2 minutos finais, depois a gente abre. Pedro coordena, se desejar. Melhor definição de ética que eu já vi é de um pensador francês do século XX chamado Paul Ricker. Paul Ricker. A gente escreve R I C O U E R. Por que que eu disse isso agora? Porque nenhum de nós é obrigado a saber como se escreve os nomes em outros idiomas, né? Você diz assim: "Ué, mas e aí eu vou procurar, né?" Sim, mas se eu posso dizer agora, eu já digo, poupo teu esforço. Se eu poupo teu esforço, sobra tempo para você fazer coisas inúteis.

>> Por Rquer disse: "Ética é vida boa para todas e todos instituições justas". Atenção, ética é vida boa para todas as pessoas e instituições justas. Agora eu vou dividir nesse minuto final. Que que é vida boa? Todo mundo sabe. Vida boa não é vida com desperdício, com luxo inútil, com descarte. Vida boa é vida com suficiência. Vida boa é aquilo que permite que você tenha possibilidade de se alimentar de modo adequado, de ter proteção de saúde, de ter abrigo, de ter afeto, de ter trabalho digno. Isso é vida boa. A frase na sequência é clássica. Ética é vida boa para todas e todos. O que são todos e todos? Todas e todos. Isto é, ninguém de fora, ninguém dentro da casa de fora. Nas regras da casa, ninguém pode ficar de fora no relento. Como é que é regras da casa aí grego? Economia. Oicos ou nomos. Economia são as regras da casa. Isto é, como é que a gente organiza a casa para todo mundo ter trabalho, ter comida, ter convivência. Agora a última parte que é mais complexa, mas aí é com vocês. Eu sou da área de filosofia, eu só observo, às vezes me beneficio em alguns momentos e enfrento, em outros falam: "E aí, Pedro, como é que é isso?" Ética é vida boa para todas as pessoas e instituições justas. Você sabe o que é vida boa, eu também. Você sabe o que são todas as pessoas, o que são instituições justas são aquelas que garantem vida boa para todas e todos. Ou seja, a economia justa, a empresa justa, a tecnologia justa, a escola justa, o hospital justo, a família justa, é aquela que garante vida boa para todos e todos. Isto é quiibono a quem interessa. Para quem é bom? Se for bom só para um grupo, então é privilégio, não é qualidade. Minha grande questão é, e aí eu concluo que a inteligência artificial, que é absolutamente necessária em várias das coisas da nossa vida, que ela seja benéfica, produzindo uma percepção de vida em que a gente tem autonomia, em que a gente não fique alienado ou alienado naquilo que vive e faz. E que as empresas, por exemplo, entendam que a regra básica na ética é não fazemos qualquer negócio. Não fazemos qualquer negócio. E nesse sentido, há um negócio grande a ser feito nesse momento. pegar uma das capacidades humanas mais expressivas, que é a inteligência artificial, com os caminhos que tem que tomar e colocá-la sob não o domínio, mas sob o princípio de uma ética que favoreça o conjunto da vida no lugar de ser restritiva, de ser destrutiva. Pode ser, pode, será? depende de nós.