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[Música] Oi, gente. Deus abençoe. Deus os guarde. Estou começando esta aula aqui e hoje vamos falar sobre um casamento sem sacrifício. E um casamento sem sacrifício certamente dará errado. É matemática. É tipo 1 mais 1, que dá 2. Um casamento sem sacrifício é certo, fadado ao erro, vai fracassar, não é? Então, estou gravando esta aula aqui hoje, como vocês sabem, sexta-feira, dia 11 de julho, a minha paróquia está em festa, então estou gravando esta aula aqui para que vocês continuem com a aula, né, não falhem, mas não é ao vivo. Então, fiquem sabendo que esta aula de hoje é gravada.
Mas eu queria dizer para vocês que vivemos numa cultura que idolatra o conforto, a rapidez e os sentimentos passageiros. Hoje é tudo assim, ó. Menos esforço, não quero trabalho, não vou me esforçar. Tudo é pronto, a comida é pronta, eh, as comodidades do dia a dia, o fast food, é tudo, tudo, tudo, tudo, tudo nos faz ter essa cultura do conforto, da rapidez, do descartável, do passageiro. E essa mentalidade, infelizmente, contaminou muitos casamentos.
E aí, o que tem acontecido? Quando o sacrifício desaparece da vida conjugal, o amor começa a morrer silenciosamente. Quando começo a me economizar, quando começo a me guardar, quando começo a não me oferecer ao outro, o amor vai morrendo como uma planta que não é regada. Entende? O amor verdadeiro começa quando nada se espera em troca. Sabe de quem é essa frase? Não é do padre Julinho, é linda. É de São João Paulo II. O amor verdadeiro começa quando nada se espera em troca.
Muitos casamentos estão falhando porque estão sendo vividos com a mentalidade de contrato e não como aliança sacramental. O que é mentalidade de contrato? Não deu certo, a gente separa. Você vai para o seu canto, eu vou para o meu. Só que matrimônio, casamento, é aliança. E uma aliança feita entre um homem e uma mulher que tem de Deus a bênção. Então, um casamento não é um contrato. Vamos abrir uma empresa, se não der certo, a gente decreta falência e cada um vai para um canto. E é isso que tem acontecido com muitos casais.
A Igreja nos ensina que o matrimônio cristão é uma vocação ao amor sacrificial. Parece que é maluquice o que estou dizendo aqui. Vocação ao amor sacrificial. Mas, padre, eu tenho que me sacrificar? Amar é sempre dar de si, é sempre se oferecer. Amar nunca é receber. O amor verdadeiro é gratuito. Já falamos isso aqui em uma das aulas desta semana. O amor verdadeiro é gratuito. Ele não espera nada em troca. Então, o matrimônio cristão é uma vocação ao amor sacrificial, aquele que se oferece.
E olha que bonito, já falei isso em monte de pregações e vou deixar salvo aqui também nesta aula. Sacrifício é tornar sagrado, sacralizar. Então, um amor sacrificial é um amor que torna o outro sagrado. Nossa, padre, que lindo! Parece poesia. É, mas tem que ser no dia a dia, na hora do, como o povo diz aí, do tiro, porrada e bomba. É nessa hora que o amor sacrificial tem que entrar. E aí fica tão difícil.
O amor conjugal exige dos esposos uma fidelidade inviolável. Isso decorre do dom de si oferecido ao outro. Quantas vezes a gente percebe que o casamento não passa de um contrato? Faz a tua parte que eu faço a minha. Tu não faz a tua, eu não faço a minha. Então a gente separa e cada um vai para o seu canto.
Então, queridos, precisamos entender que o modelo de amor no casamento cristão é o crucificado, não é o prazer. O modelo do amor cristão é Jesus crucificado. Não é o romântico idealizado, mas o que se oferece até o fim, mesmo sem retorno imediato. O problema, e já falamos aqui em algumas aulas, é que a gente ama já querendo ser amado. Aí eu não sou amado, eu paro de amar. Aí aquela aula que a gente teve, quando ele mudar eu mudo. E aí os dois, nenhum dos dois vai mudar. E o que vai acontecer? Vocês vão se separar. Infelizmente muitos casais têm vivido dessa forma.
Então, ó, vou dar para vocês agora algumas razões porque está tudo dando errado sem o sacrifício. Primeira razão, você está aí anotando? Eu sempre falo aqui da caneta, sempre falo aqui de você pegar um papel e caneta para você anotar. Primeira razão porque está dando tudo errado num amor sem sacrifício: Egoísmo disfarçado de direito à felicidade. Já falei isso aqui. Frases como "eu mereço ser feliz" ou "não vou me anular por ninguém" têm substituído o "eu estou aqui para te amar". Vou repetir essa. Frases como "eu mereço ser feliz" ou "não vou me anular por ninguém" têm substituído o "eu estou aqui para te amar". É claro que não nos anulamos. Casar não é anular-se, mas casar é se oferecer em sacrifício pelo outro. Então, queridos, lembrem disso. O egoísmo que é disfarçado de direito à felicidade. Aí vem aquela, aquela coisa bonitinha que o mundo está assim, ó, salpicando no seu coração e você está aceitando: amor próprio. Eu tenho amor próprio. Não, você é só egoísta e imaturo.
B. Anota aí: falta de compreensão do valor redentor do sofrimento. Quando entendo que o meu sofrimento tem um valor de redenção, posso oferecer a minha dor pela santificação da minha esposa, do meu esposo, vou até o fim. Agora, quando acho que o sofrimento é só sofrimento, ninguém está aqui para sofrer, nem você e nem eu. Eu também não quero sofrer. Agora, quando o meu sofrimento pode santificar, eu faço questão.
C. Anota aí: Idealização afetiva. Quando passa a paixão, não há estrutura, uma idealização afetiva. Você idealizou aquela pessoa, ele é maravilhoso, ela é maravilhosa, ele é perfeito, ela é perfeita. Quando passa aquele fogo da paixão, aí você fala: "Meu Deus, ele tem chulé. E agora? Meu Deus, ela ronca. E agora?". E aí você abandona. Claro que dei aqui exemplos ridículos, né? Mas às vezes o que faz um casal separar é aquela coisinha ridícula de cada dia que vai crescendo.
Então, queridos, muitos entram no matrimônio buscando um prazer emocional constante e ter encontrado a pessoa perfeita. E o que acontece? Entram em crise sem sacrifício. O casal foge da rotina dos filhos, das crises e não amadurece. Se você não entende que precisa fazer aquilo por amor, você vai fugir, entende? Porque muitas vezes você nem quer voltar para casa, muitas vezes você não quer conversar, muitas vezes você cansou de procurar e aí você deixa para trás. Você ainda não entendeu o valor sacrificial do seu amor pelo seu esposo, do seu amor pela sua esposa.
Outra coisa: mentalidade de consumo. Infelizmente estamos vivendo uma mentalidade de consumo. E qual é a mentalidade de consumo? Se algo não me serve mais, eu troco. Entendeu? Antigamente, eu sempre falo isso, estou ficando de cabelo branco, estou repetindo as coisas. A gente tinha um chinelo e quando ele arrebentava, a gente botava um prego nele e voltava a funcionar. Hoje a gente tem um par de chinelos para isso, um par daquilo. É mais fácil, a gente vai trocando de chinelos, a gente nem espera arrebentar. Pode perceber que você não espera mais o seu chinelo arrebentar para comprar outro. Ah, padre, eu não faço isso. Antigamente, quando nosso chinelo rebentava, a gente botava um prego, ressuscitava ele. Hoje a gente nem espera o chinelo arrebentar. A gente olha, fala: "Ih, está velho, vou trocar". Isso é mentalidade de consumo. Se é para o chinelo, não tem problema nenhum. Problema é quando a gente age assim com outras pessoas. Quando o outro não me satisfaz, eu procuro outra pessoa para me satisfazer. Mentalidade de consumo. O casamento é tratado como produto, não como pacto eterno. Se eu entendo o meu matrimônio como aliança, é uma aliança entre homem e mulher com Cristo. Agora, se o meu casamento é somente um produto, eu troco, não tenho mais prazer.
Já viu gente falando: "Eu quero ser feliz, eu preciso ser feliz, eu tenho direito a ser feliz". É, anota aí: perda da dimensão da aliança diante de Deus. Quando o casal se afasta dos sacramentos, esquece que o matrimônio é um caminho para o céu. Voltem nas aulas aí. Hoje, sexta-feira, voltem nas aulas de segunda, terça, quarta, quinta. O que falei em todas as aulas? Rezem juntos. Se vocês não rezam juntos, vocês vão perder a dimensão da aliança com Deus. Mas antes de rezar junto, vocês têm que rezar separados. Tem isso também. Então, padre, meu marido não quer rezar comigo, rezo eu. Padre, minha esposa não quer rezar comigo, rezo eu. Se vocês não rezarem juntos, ou melhor, se você não começar rezando separado, você nunca vai começar a rezar junto. Então, rezem separados e juntos.
O matrimônio é uma longa via de martírio branco. Sabe quem disse essa frase? O Papa Francisco. E o que é o martírio branco? É o testemunho, é o sacrifício. Todos os dias martírio branco, no sentido de não ser sangrento. Não é que você vai sangrar. Então é um dia, outro dia, outro dia, outro dia. O matrimônio é um chamado ao sacrifício conjugal, à santidade dia a dia. E o que significa? Toma nota aí: Viver o sacrifício no casamento. Você sabe o que significa, padre? Quer dizer que eu tenho que ser triste, quer dizer que eu tenho que não ser feliz ou não me realizar? Não, não, não, não. Sabe o que significa viver o sacrifício no casamento? Renunciar a si mesmo por amor ao outro. Isso é viver o sacrifício. Não é anular-se. Ninguém se anula. É renunciar a si por amor ao outro. Sabe o que é viver o sacrifício no casamento? É perdoar antes de ser perdoado. Sabe o que é viver o sacrifício no casamento? Silenciar para evitar um conflito desnecessário. Sabe o que é viver o sacrifício no casamento? Servir mesmo quando estiver cansado, cansada. Sabe o que é viver o sacrifício no casamento? É recomeçar mil vezes. É acordar e dizer: "Hoje vou amar mais uma vez o meu esposo. Não merece, mas vou amar. Hoje vou amar a minha esposa. Não está merecendo, mas hoje vou amar". Sabe o que é viver o sacrifício no casamento? É buscar a cura do outro com paciência. Deus tem paciência com a gente. Quantas vezes você vai se confessar o mesmo pecado e Deus te perdoa todas as vezes que você busca a confissão. Glória a Deus por isso. Então, viver o sacrifício no casamento é buscar a cura do outro com paciência. E, ó, joelho no chão, rezar, porque se você não botar o joelho no chão, você não vai aguentar.
O sacrifício cristão não é um sofrimento estéril, mas um sim constante ao amor, mesmo quando ele exige renúncia. Vou repetir. Toma nota. O sacrifício cristão não é um sofrimento estéril, mas um sim constante ao amor, mesmo quando ele exige renúncia. Ai, padre, é tão difícil. Seja bem-vindo, seja bem-vindo. A realidade, querido, é assim: amar dói. Então, ame até doer. Se não estiver doendo, é porque você ainda não está amando direito. Falei essa frase de Santa Teresa de Calcutá dia desses. Está aqui nas minhas anotações, depois leio para vocês.
Agora vou dar para vocês medidas práticas para superar a falta de sacrifício. Toma nota aí. Medidas práticas para superar a falta de sacrifício. Número um: reencontre o paraquê do casamento. O que isso significa, padre? Retome a vocação. Estou aqui para santificar e amar o meu esposo. Estou aqui para santificar e amar a minha esposa. Então, número um, retome o paraquê do casamento. Para que você casou? Você não casou para ser feliz. Ai, padre, não. Não. Se alguém te falou isso, mentiu para você. Você casou para fazer feliz o outro. E fazer feliz, em última instância, é alcançar o bem. E o bem aqui com B maiúsculo, porque o bem com B maiúsculo é o próprio Deus. Entendeu? Porque você casou?
Número dois, anota aí: Inclua o sacrifício na rotina conjugal. Anota aí. Inclua o sacrifício na rotina conjugal. O que isso significa, padre? Vou dar alguns exemplos. Acorde antes para preparar o café com carinho. Renuncie a pequenas vontades para favorecer o outro. Ah, meu marido adora ver futebol. Senta do lado dele. Ah, mas eu não suporto. Você está ali por ele. Você não está ali pelo futebol. Ah, minha esposa quer ver. Igual o diácono falou na live de quarta, né? O diácono falou na live de quarta que a esposa dele chamou ele para ver dorama. Eu, particularmente, não sei o que é isso. Acho que é seriado coreano, eu acho. Mas ele falou, não suportava. Depois ele gostou, mas ele sentou do lado dela. Para quê? Para estar com ela. Ele disse: "Padre". E foi muito bom. Então, renuncia a pequenas vontades para favorecer o outro. Outra coisa: faça favores sem cobrar retorno. Problema de muitos casais que vocês têm se frustrado. Sabe por quê? Vocês já fazem algo esperando que o outro revide ou retribua melhor no momento seguinte e talvez não vai acontecer. Então vocês precisam entender isso de uma vez por todas. Faça favores sem cobrar retorno.
Número três. Anota aí: Viva o perdão como um ato de amor, não como uma obrigação. Perdoar é carregar a dor do outro, como Cristo carregou a nossa. Às vezes você não consegue perdoar. E o que isso faz? Te envenena. Você vai ficando envenenada, envenenado.
Número quatro. Anota aí: Ofereça seus sacrifícios pelos pecados e fraquezas do cônjuge. Ah, padre, isso aí é muito, muito, muito, muito longe da minha realidade. Está na hora de você começar a crescer espiritualmente. Faça disso uma oração silenciosa. Olha só: Senhor, eu uno essa dor à tua cruz pela conversão do meu esposo. Você reza assim? Jesus, meu marido mais uma vez chegou bêbado, fez ignorância. Vou unir essa dor, Jesus, à sua cruz pela santificação dele.
Número cinco: Retome, retorne aos sacramentos juntos. Se vocês são casados na Igreja, precisam se confessar com frequência e ir à missa todo domingo. Ah, padre, mas a gente fica muito cansado. Vida sacramental faz toda a diferença na vida do casal.
Número seis. Já falei um bilhão de vezes, mas vou dizer de novo para que fique registrado aqui: Rezem juntos diariamente. Diariamente. Rezem juntos. Nem que seja um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. Vamos rezar pela nossa família. Vamos. Um Pai-Nosso. A. Rezem juntos.
Número sete: Procure grupos de casais e formações espirituais. Na sua paróquia deve ter pastoral familiar, na sua paróquia deve ter Aliança de Casais. Na sua paróquia deve ter Encontro de Casais, na sua paróquia pode ter outras manifestações de grupos de casais que vocês podem estar próximos. Então não fiquem sozinhos.
E queridos, para concluir, quando o amor dói, ele está começando a ser autêntico. Toma nota dessa frase? Vou falar de novo. Quando o amor dói, ele está começando a ser autêntico. Não existe amor verdadeiro sem cruz. Olha o que fala São João Paulo II. Não existe amor verdadeiro sem cruz. E não existe cruz que levada com Cristo não conduza à ressurreição. Então, casamentos não fracassam por falta de amor, mas por falta de decisão diária de amar. Até porque se você casou, você ama o seu esposo. Mas a decisão é diária. A decisão é diária.
Então, queridos, deixo aqui para vocês no fim desta aula este exercício. Peço a Deus esta graça: Senhor, que eu possa amar a minha esposa mesmo quando ela não fizer por onde, Senhor, que eu possa amar o meu esposo mesmo quando ele não estiver merecendo. Porque é aí, Jesus, nessa hora, que estou amando de verdade. Lembrem-se: matrimônio, casamento sem sacrifício [Música] vai falhar. Não tenham dúvida disso. Então, que vocês tenham a coragem. Se tomou nota, se anotou, vocês vão saber como fazer, está bom? Deus abençoe vocês. Segunda-feira encontro vocês às 21h para mais uma aula. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.