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Olá queridos irmãos. Esse é o nosso quinto vídeo e nós vamos falar agora um pouquinho sobre duas práticas muito comuns em qualquer terreiro de Umbanda que você vá, que é a ligação que a gente estabelece com o nosso anjo da guarda e os banhos de ervas.
Muito bem. Eh, todo umbandista firma vela de Anjo da Guarda, né? Todo umbandista toma banho de erva. Onde quer que você vá, você vai ver isso. Pode ser que seja feito de formas diferentes, né? Porque depende da linha teológica e da linha doutrinária que a casa tem, mas sempre vai ter, tá?
Então, o Anjo da Guarda para nós umbandistas, diferente do que na doutrina espírita eh se ensina lá, eles entendem que o anjo da guarda é um amigo desvelado que acompanha a cada um de nós o tempo inteiro, que pode ser um parente desencarnado, ok? Essa é a visão da doutrina espírita. Para nós, esta figura pode ser até um guia de frente, aquele que tá ali o tempo todo conosco. Mas para nós umbandistas, o anjo da guarda é um mistério divino do Pai Olorum amoroso, né? Que nos coloca aqui na terra, mas que nos possibilita uma ligação direta com ele através do nosso anjo guardião.
Então, o nosso anjo guardião, ele é o nosso, ele é a nossa primeira proteção. Nós devemos sempre firmar o nosso anjo da guarda, pedindo a ele realmente que seja formado um halo de luz e de proteção ao nosso redor, capaz de, né, anular, de repelir qualquer influência maléfica e nos fortalecer o íntimo, nos dando intuições, nos mostrando o melhor caminho que devemos seguir nas encruzilhadas da nossa vida. Esse é o papel do nosso anjo guardião.
Agora vamos falar um pouquinho do banho de ervas. Então, olha, desde que a gente se lembra, né? A gente vê até em filmes, contados pelos nossos avós, a gente tem a erva como uma terapêutica popular. Muito bem. A Umbanda, ela herda muitas raízes, né, de culturas e uma delas é é a medicina natural. Então, a gente usa banho de erva porque nós temos, como humanos, estando nesse corpo que 70% é água, nós temos uma grande afinidade pela água. Então, quando nós conseguimos fazer uma formulação, colocar num banho e conhecendo as propriedades das ervas, conhecendo a necessidade que que temos naquele momento, né? Conhecemos a ativação daquele campo áurico do vegetal, nós fazemos tudo isso e nos beneficiamos com esse banho ou beneficiamos a outras pessoas. Então, faz parte do preparo de um médium de Umbanda a firmeza do anjo da guarda e o banho de ervas.
Agora, eh, nós mesmos preparamos o nosso banho de ervas, mas nós temos conhecimento, né? Nós estudamos as ervas, sabemos quais são as ervas que nós podemos usar, em que momento usar cada uma delas, né? Assim como os nossos antepassados, lá as benzedeiras, né, que se utilizavam das ervas, fazia preparações e bate-folhas e defumações. As ervas nos acompanham, é sabedoria ancestral e nós não vamos abrir mão disso nunca, não é mesmo?
Agora, é importante que cada um saiba aonde está pisando. Há regras, né? Então, nós precisamos ter bom senso, né? Então, se você segue alguma região que tem por preceito, que tem por iniciação restrições com relação a uma erva ou outra, você precisa seguir o seu sacerdote. Eu aqui estou falando do que nós fazemos no TUSCO, na nossa casa, que nós somos Umbanda, né? Então, para nós, é suficiente que a gente saiba, ah, os verbos de ativação de de cada erva, porque nós temos ervas que são ditas ervas descarregadoras, nós temos ervas que são equilibradoras, nós temos ervas que são específicas para determinados tratamentos. E eu estou falando de banhos, não tô falando de beberagem, eu tô falando de preparo de médium para poder estar bem para o trabalho. Então, cada médium pode estar fazendo o seu banho porque ele tem conhecimento. Se você não tem conhecimento da, do, da atuação das ervas, você precisa de um sacerdote, você precisa de um aconselhamento, tá bom? Não sai olhando na internet qualquer coisa e jogando em cima de você.
Nós usamos banho de ervas da cabeça aos pés, por quê? Porque nós entendemos que os nossos chakras principais, a mediunidade, são os chakras que estão na nossa cabeça, né? É o coronal, o frontal e o laringo, os principais. Então, como nós não vamos banhar esses chakras? Eu sempre banhei esses chakras, mas isso é da minha cultura, é assim que eu aprendi com vovó, então é assim que faço. Agora, cada casa tem a sua forma, a sua relação. Algumas casas, eh, só usam banho de acordo com a coroa do filho. Nós, no TUSCO, temos a a compreensão que somos filhos de todos os Orixás, então a gente usa o banho que precisamos naquele momento, né? Ou seja, para nosso cuidado pessoal, nossa necessidade pessoal, seja para o preparo da sessão. Então, há ervas específicas para cada sessão. A sessão de Caboclo é um tipo de erva, de Preto Velho é outro tipo de erva, mas sempre consagradas.
O que significa isso? Significa que nós estamos entrando numa coisa que a gente chama de magia natural. Então, a gente não pode simplesmente entrar na mata ou no nosso jardim e arrancar de qualquer maneira a folha e jogar ela de qualquer maneira em infusão ou jogar ir batendo papo olhando pro alto, nunca, né? Entender que aquilo ali é um ser vivo que tá te emprestando as suas folhas, né? E que você vai usar com bom senso, com consciência, com sabedoria, respeitando o mistério natural. Entendendo que nós temos um Orixá chamado Ossaim, né? Que é o grande conhecedor das folhas. Então, a gente pede permissão a Pai Ossaim para recolher essas folhas, a gente pede permissão a Mãe Jurema e a todos os mistérios vegetais que nós conhecemos, o que nós não conhecemos. E aí sim, a gente recolhe as folhas.
Ah, mas e Margarete, se eu comprei a folha na feira? E aí você não é responsável, né, pela pela ação do outro. E nos dias que nós vemos que precisamos, né, lançar mão das ervas, às vezes até das ervas secas nas caixinhas, nós não temos como controlar isso. Mas nós podemos, a partir do momento que a erva esteja na nossa mão, a gente pode se conectar com a Mãe Natureza, com Pai Celestial, com Pai Ossaim, né? Fazer a nossa oração e pedir que mantenha ali naquele preparado a força das ervas. E assim nós vamos estar nos beneficiando dessa magia natural.
Então, também é só uma degustação essa conversa. Espero que você tenha gostado.