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capadometropol.com, como eu já tinha tinha anunciado. Agora a gente vai conversar com a própria colunista, que tem todas as informações dessa história do Banco Itaú, admitindo ao assinar um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, que cobrou dos seus clientes por serviços não contratados ao longo dos últimos 14 anos. A apuração é da coluna Dinheiro e Negócios aqui do Metrópolis. E é por isso que eu vou chamar aqui para conversar comigo a nossa colunista Gabriela Furquim. Gabriela, muito bom dia. É um prazer te ter aqui.
>> Bom dia, Natália. Bom dia a todo mundo que tá nos assistindo. Pois é, essa história história assustadora, né? Ah, tudo começou com a matéria da Manuela Alcântara, que saiu na segunda-feira. Ela revelou que o Itaú tinha fechado um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais e que nesse acordo o Itaú reconhecia que fez cobranças indevidas e colocava ali condições pros clientes conseguirem ressarcir esse dinheiro. Condições absurdas assim. E aí a gente foi tentar descobrir de onde veio esse acordo, porque foi um acordo que encerrou o processo judicial. E aí nós encontramos, a gente encontrou a ação inicial, a petição inicial que deu origem a todo o processo, que é de 2016, foram mais de 10 anos ou quase 10 anos, que é de junho de 2016, 10 anos tramitando. E essa ação descreve todo o problema que o Ministério Público viu, né, aquela época e e toda a reunião de provas que deu origem a esse processo. E assim, Natália, a gente, eles descrevem muito bem, trazem vários casos e é algo muito menor e ao mesmo tempo maior do que a gente podia imaginar. são de acordo com a com os documentos, né, com os relatos dos promotores e das ações que eles reuniram na mesma no mesmo na mesma petição, são cobranças baixinhas de R$ 10, R$ 20 que o Itaú começa a fazer do nada por serviços que não são contratados, não são solicitados pelos clientes. Esses serviços aparecem ali na fatura do cartão com termos genéricos, como seguro, proteção, coisas que também dificultam o cliente. Às vezes ele vai, a gente vai olhar a fatura, né, tem ali listado o que que os nossos gastos e aí de repente aparece um gasto com proteção veicular ou seguro, alguma coisa. E aí muito, além de ser genérico, é difícil de identificar, nossa, mas eu contratei e se eu contratei, quem eu procuro?
>> Sabe? E aí a partir daí quem identifica, muita gente nem identifica, né, porque e o e o os promotores falam isso também, que existe toda uma pressão do Itaú para você pagar a fatura completa, >> porque se você não paga toda a fatura doão de crédito, você vai receber multa e tudo mais. Então, às vezes ele é o identificável, um valor você não sabe de onde veio, acaba pagando. Muita, em muitos casos, as pessoas não percebem que estão pagando. Eh, eles descrevem na ação casos de pessoas que não usavam cartão de crédito, que era um cartão de crédito adicional que era descontado na na conta eh corrente. E aí durante anos foi descontado o dinheiro desse seguro num cartão que nunca foi usado e o cliente só percebeu anos depois, 3 anos depois que ele todos os meses era cobrado 20 e poucos reais. E aí o a ação dá essa dimensão da do tamanho do do da ação da da prática do Itaú e do quanto de dinheiro, que é incalculável, o Itaú pode ter arrecadado com essa prática que é legal, porque são serviços que o Itaú cobra sem que o cliente solicite, sem que haja um contrato, sem que a pessoa seja sequer informada que contratou um serviço e tá sendo cobrado por ele, né?
>> E muitas vezes, ô Gab, desculpa te cortar, mas muitas vezes também vem com esses serviços que você vai falar: "Ah, gente, mas por que que não, né? É seguro disso, seguro daquilo, o mundo tá desse jeito, cheio de golpe, eu vou continuar pagando isso aqui." Mas você nem reflete, não foi apresentado o serviço para você. Eh, enfim, às vezes você pode até perceber ali, mas difícil também de questionar porque vão incluindo um montão de coisa ali, né, com nome de seguro, a pessoa fica confusa mesmo, né? É, é absurda a história.
>> Exatamente. E assim, às vezes você pensa: "Ah, tá no pacote de cobrança do banco, porque tem isso também, né? O banco, quando você quando você solicita um cartão, quando você aceita um cartão no banco, vem ali todo o pacote de tarifas, de serviços do banco. E muitas vezes você acha: "Ah, esse dinheiro tá lá, não vi no contrato, né? Não li ali os detalhes, esse essa cobrança tá dentro do pacote de tarifas". Mas não tá, é uma cobrança adicional. Uhum.
>> O, é como se, e o escrevem isso também, porque é um tipo de serviço que deveria ter no mínimo um contrato, uma assinatura do cliente, um consentimento, como a gente consente quando pega um cartão, quando começa a usar um cartão, a gente dá ali uma um eu aceito. Nem isso, nada é informado. E isso vai passando para centenas de milhares de clientes que não percebem, vão pagando. Então é é muito difícil, né, mensurar o quanto que isso dá no final de um mês, no final de um ano, para um banco do tamanho que é o Itaú, né, que é o maior banco privado do país, com maior número de clientes, é muita, muita gente que usa o serviço do Itaú. E além disso, não são só clientes do Itaú que usam o Itaú Card. Tem o Itaú, ele é o maior parceiro de lojas varejistas. Por exemplo, quando a gente vai numa loja comprar uma geladeira, alguma coisa, é muito comum que o vendedor ofereça pra gente o cartão da loja. E o Itaú é o maior parceiro para operar esses cartões. Isso, Magazine Luía, supermercados, loja de departamento. E aí o também foi identificado que o IT fazia a mesma coisa com esses cartões de loja. Então ali você fez um cartão para pagar uma geladeira parcelada e aí de repente eles cobram R$ 10 R$ 20 um serviço que você não pediu e você acaba pagando. E no acordo, nesse acordo que foi assinado agora, 10 anos depois de processo judicial, o Itaú reconhece, ele admite que adotou todas as práticas que são apontadas e aí faz exigências. Mas olha só, é, chega a ser revoltante assim, porque para você conseguir o ressarcimento, você tem que ter identificado esse essa cobrança aí devida, ter procurado órgãos de oficiais, por exemplo, o Procom, eles consideram também o Reclame aqui, o Banco Central ter registrado nesses nesses lugares a sua queixa até dezembro do ano passado. Então, quem tá assistindo agora, vai olhar a fatura, vê lá um seguro que não solicitou, não entra no acordo, não consegue o ressarcimento, não, não pelo acordo. E além disso, o correntista tem que provar que não pediu serviço. Então assim, vai ser muito o o Itaú reconhece que cobrou indevidamente das pessoas por um serviço que elas não pediram, mas para devolver o dinheiro a pessoa tem que provar que ela não pediu serviço. Então assim, praticamente inviável, né? Inviabiliza aí que esse acordo seja cumprido, que essas pessoas sejam ressarcidas.
Que caos, eh, Gabi. E, e, e ninguém tem mais tempo, né, para ficar indo a banco, para ficar checando o básico. Eh, ainda mais agora para provar uma coisa que o próprio banco já assume, que fez. É muito louco.
>> E é e é cruel assim porque a gente, né, quem tem mais facilidade com com internet, com celular, até checa, né, confere ali o o a fatura do cartão, chega uma notificação, na hora de pagar, ver o que foi descontado ou não, mas muitas das vítimas são pessoas que não acessam, >> que são pessoas da terceira idade, pessoas que não têm, não tem esse, não tem o costume, né, de olhar fatura. Hoje em dia pouca gente recebe a fatura, a fatura pelo correio para poder conferir. Então é muito cruel porque funciona no desconhecimento, na E ação aponta muito isso também que funciona no assim de como eles mesmos dizem na mafé, porque eles colocam lá e aí depende da pessoa identificar, procurar, provar que não pediu por um serviço que ela tá sendo cobrada. E a gente pensa, poxa, R$ 10, R$ 20, mas há casos de, por exemplo, de aposentados que recebiam ali um salário mínimo, que foram aplicados vários desses seguros, várias dessas taxas e aí diminuiu consideravelmente o que a pessoa recebia, que já era muito pouco. Pessoas que não tinham acesso ao extrato, que tinham para ir para uma agência bancária, era o deslocamento era difícil. Então, muito do é muito dinheiro que vem desses lugares, que é isso. As pessoas que têm mais acesso, que tem acompanham, conseguem identificar e reconhecer, mas existe essa dificuldade gigante, né, no país das pessoas não conseguirem mesmo, não terem acesso, não terem e acabam pagando durante anos. E agora para conseguir esse dinheiro de volta vai ser extremamente difícil, apesar do Itaú ter reconhecido que fez isso e fez isso durante 14 anos, porque a ação ela foi aberta, né? Ela foi movida pelo Ministério Público de Minas em 2016, trazendo casos de 4 anos. Ela reuniu casos de 4 anos antes de vários estados do país e aí foram mais 10 anos de disputa judicial em que a prática continuou acontecendo até chegar ao acordo. Então são 14 anos da mesma prática e que o Itaú reconheceu. Agora tem a esse acordo, mas que vai ser muito difícil que isso seja vire, né, assim, que os clientes não é nem que consigam dinheiro, consigam reaver o dinheiro, porque foi dinheiro que foi tirado, que foi tomado dessas pessoas, sem a consciência, sem o consentimento, sem que elas concordassem que esses descontos fosse ser feitos.
Perfeito. Gabriela Furquim, colunista de dinheiro e negócios, trazendo esse essa matéria aqui, os detalhes dessa descoberta aqui dela que Itaú assume e mesmo assim todo o trabalho para ver reaver o dinheiro vai ser do cliente que foi totalmente prejudicado. Obrigada, viu, Gabi?
>> Eu que agradeço. Obrigada. Bom, a gente