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Emoções e Comportamento Humano | Inteligência Emocional (Aula 1 de 2)

Fernando Rainho 2:37:21

Transcription

Muito bem, pessoal, sejam todos bem-vindos! Bem-vindos! Eu sou Fernando Rainha, psicólogo. E hoje nós vamos iniciar aqui uma aula sobre emoções.

Antes de iniciarmos a aula, vou trazer a ideia deste canal, que eu estou recomeçando. Ele tem a ver com facilitar o acesso e o ensino para o pessoal que está estudando Psicologia, ou para o público leigo que quer conhecer um pouco mais sobre a psique humana, sobre seu próprio funcionamento. Afinal, quanto mais informação a gente tem. Daqui a pouco, sobre fim, por exemplo. Essa aula, essa aula vai ser sobre emoções, né? E sobre emoções, nós vamos ver os propósitos, os tipos, a função das emoções, como obter uma certa inteligência emocional, que prepara por regulação emocional, etc. Tudo isso é bom para quem está estudando psicologia, vai trabalhar com seu paciente, quanto também para o público leigo que vai conseguir colocar isso em prática. Tá? Então, a ideia desse canal é eu disponibilizar aulas e materiais que normalmente são conteúdos pagos para universidades, pós-graduações, especializações. Eu vou colocar tudo aqui de uma forma livre, de graça, para que todo mundo possa ter o acesso. Então, se você gostou da ideia, compartilhe com um colega, se inscreva no canal. Sobre essa aula, qualquer dúvida, deixe seu comentário aqui embaixo e eu vou respondendo, certo? Dúvidas, sugestões de leituras, enfim. Tá? Aula hoje sobre emoções, então sejam todos bem-vindos e bem-vindas. Sentem confortavelmente aí nas suas cadeiras e vamos lá. Eu vou compartilhar o material que tá, gente, para a gente iniciar. Tudo bem? Vou iniciar o compartilhamento. Legal, vamos nessa.

Ok, aqui uma breve apresentação. Como eu já falei, né, sou Fernando Rainha, psicólogo clínico, atendo online para todo o Brasil, dou aulas em pós-graduações. Aqui um pouco da minha formação, caso vocês tenham interesse, de uma olhadinha depois com calma. Não vou ficar aqui me auto divulgando com muitos detalhes. Ali também o contato, né, do Instagram e o contato do WhatsApp para eventuais marcações de consultas, supervisões ou qualquer coisa que vocês tenham interesse. Tá bom? Entrar em contato para tocar uma ideia, de repente, só sobre leituras, filosofia, dicas de qualquer coisa relacionada ao tema da psicoterapia, psicologia, filosofia. Fique à vontade.

Que que nós vamos ver na aula? Primeira parte: introdução às emoções. De onde tudo vem? Nós vamos explicar a origem das emoções, né? Por que que nós sentimos o que nós sentimos. Depois, nós vamos falar sobre o propósito do que que nós sentimos, né? O propósito das emoções. Nós vamos dizer que as emoções são espécie de mensageiro do nosso corpo para nossa consciência, informando coisas e questões que nós precisamos olhar. Tá? Nós vamos falar sobre isso. Quais são os tipos de emoções? As funções de cada emoção das que nós temos, né? Alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa, desprezo. Qual que é a função de cada uma dessas emoções? Para finalmente chegar à cereja do bolo, que é inteligência emocional. Para ter inteligência emocional, para saber regular as minhas emoções, para saber como lidar com as minhas emoções, como escutar as emoções, nós temos que passar primeiro por essas quatro partes: entender de onde vem, qual que é o propósito, quais são os tipos e qual a sua função. E aí sim, nós estamos aptos a entrar no tema da inteligência emocional e da regulação emocional. Tá bom?

Bem, vamos à primeira parte, então. De onde tudo vem? De onde vêm as emoções, certo? Primeiramente, é importante nós entendermos que nós não somos, na natureza, os animais mais fortes, nem os mais altos, nem os mais rápidos, nem os mais ágeis. Vocês peguem aí na natureza, um tigre corre mais rápido que a gente, um leão é mais forte que a gente, certo? Um peixe é mais ágil que a gente, certo? Um gato é mais ágil que a gente. Então, como que nós chegamos até aqui no sentido de conseguirmos ter uma certa vantagem evolutiva e até domesticar os outros animais, ou estar de alguma forma sobrevivendo? Não só sobrevivendo em relação a uma questão evolutiva de os outros animais não nos terem comido ao longo do caminho, mas também numa situação de um certo domínio em relação a estas outras espécies? E como que nós fizemos isso? Não foi sendo mais forte, mais alto, mais rápido, menos mais ágil. Nós não temos garras na mão, nós não temos dentes fortes, músculos significativos. Embora você faça CrossFit, você queira ter, outros animais vão ser mais fortes que você, né? Então, como que nós chegamos até aqui? Uma das vantagens evolutivas do ser humano sempre foi viver em grupo. Nós somos animais de grupo, e isso fez com que nós conseguíssemos prosperar ao longo do tempo. A uma pequena comunidade, 8, 12, 13, 20 pessoas, onde essas pessoas se protegem, onde essas pessoas, daqui a pouco, montam armadilhas juntas, onde essas pessoas conseguem alguns caçar, outros coletar, outros cuidar da tribo, fazer com que a coisa rode. Então, um protege o outro, um ajuda o outro, e assim nós prosperamos, certo? Esse é um processo de seleção natural que aconteceu. Que nós vamos ver que tem muito a ver com as emoções. Que nós não somos feitos para viver sozinhos. Isso nos gera o sentimento de tristeza, muitas vezes. A tristeza, ela é uma emoção que nós vamos ver que tem a ver com essa cola social, fazer com que a gente fique em grupo ou conjunto. E as emoções, elas foram, imagine uma época onde nós não tínhamos linguagem, né, pessoal? Assim como eu estou falando, vocês estão escutando os sons que saem da minha boca, certo? Nem sempre nós tínhamos uma linguagem aprimorada. No caso aqui, o português, poderia ser outra língua. E as emoções, elas eram espécies de guia que faziam com que a gente chegasse próximo, daqui a pouco, a uma situação, nos afastassemos de outra. Ela era o nosso GPS. Isso nós vamos ver também ao longo da nossa disciplina aqui, tá bom?

Entrando mais nessa parte das emoções como guia, como GPS, nós vamos ver que as emoções elas têm um propósito, tá? Então, um propósito, por exemplo, a tristeza. Você pode reparar que quando você se separa de um amigo no aeroporto que vai viajar, termina o seu relacionamento com namorado ou namorada, um casamento, é alguém, daqui a pouco, infelizmente, morre. Alguma coisa assim. O sentimento que vai ter do rompimento desse vínculo é um sentimento de tristeza, tá? Porque que essa tristeza vem? Ela vem como quem comunica dizendo, batendo aqui na nossa cabeça, no nosso corpo, dizendo para nossa cabeça, nosso inconsciente dizendo para o nosso consciente, dizendo: "Puxa, cara, tenta não romper vínculos, não se separa das pessoas." É como se fosse uma espécie de, entre aspas, punição para a gente ter feito esse movimento de rompante dos outros, né? Então, a tristeza, ela, entre outras funções que nós vamos ver, ela mantém as pessoas próximas, a relação humana próxima. Ela faz também, quando a gente se sente triste, que o outro nos acolha. E tudo isso tem a ver com um elo social, né? Dentre outras funções da tristeza que nós vamos ver. O medo faz com que nós nos protejamos ou sejamos, como é que é a palavra? Nós sejamos prudentes em relação a em lugares ameaçadores. Então, daqui a pouco, eu sou lá um cara vivendo no Paleolítico, e eu sei que em determinado lugar que eu fui, a moita lá se mexeu e pode ter um predador perigoso. O medo faz com que eu não vá lá, enfie a mão na moita e seja mordido por uma cobra. E com isso, daqui a pouco, eu falei ou qualquer coisa, os genes e os meus genes não passam adiante. Então, quem tem medo, quem é precavido, teve mais chances de sobreviver lá atrás. A tristeza, que eu falei antes, tem a ver com o ficar em grupo e ter mais chances de sobreviver em grupo. O medo, em relação a ser precavido e mais chances de sobreviver. O nojo faz com que eu não coma alimentos dúbios, estragados ou até venenosos. Mais chances de sobreviver. Então, nós vamos ver que as emoções, elas fazem, elas foram como se fosse uma espécie de guia para o nosso eu no passado, aumentando as chances de sobrevivência, certo? É importante falar também sobre a evolução, isso, essa questão das emoções e as suas funções. Nós vamos ver bem devagarinho aqui na aula, tá, pessoal? Vai ter uma parte só sobre isso. O importante agora é vocês entenderem que as emoções, elas são uma espécie de GPS interno que nos guia. Para ela convida, nós temos um determinado comportamento, e ela sempre visa, de certa forma, o nosso bem-estar, a nossa sobrevivência, né? Ou, como diria Schopenhauer, os dois drives mais importantes que temos é de sobrevivência e visando a reprodução. E complementar a isso, embora nós não estejamos mais lá na savana, certo? A gente desenvolveu linguagem, você pode plantar. Tá? Mas para que que isso é importante agora, se a gente consegue se comunicar? É importante justamente porque eu vou explicar aqui que o nosso cérebro evoluiu. Nós podemos chamar o cérebro em três partes, em três partes. A primeira reptiliana, a segunda de um mamífero, e a terceira camada, que seria esta azul, de um ser humano. Nós temos os três cérebros ainda. Nós ainda somos aqueles animais que nós éramos lá atrás. Então, nós vamos sentir emoções. Essas emoções vão vir como um guia, como um GPS. E mesmo que nós tenhamos razão, a primazia, o predomínio vai ser das emoções. A gente não escolhe não sentir coisas. A gente vai sentir o que a gente gosta ou não. E como que a gente conversa nesse cérebro humano, que eu vou explicar, com as nossas emoções é o que vai fazer toda a diferença. Nós temos que aprender a escutar as nossas emoções. Escutar as nossas emoções não lutando contra essas emoções, não que o desfecho comportamental nós tenhamos que ser refém dessas emoções, fazer o que elas pedem, mas nós temos que escutar e ver o que que elas estão nos comunicando. Porque muitas vezes elas estão nos comunicando sinais importantes de coisas que a gente precisa olhar.

Então, a evolução do cérebro humano, como que ela se dá, ou como ela se deu, na verdade, ao longo, né, dos tempos. Primeiro, pessoal, nós tínhamos esse cérebro que é, vocês podem ver laranja ali, aquela laranja, né, que é um cérebro reptiliano. O cérebro reptiliano, localizado nessa parte mais de trás da nossa, da nossa cabeça, ele é responsável por funções inconscientes, por exemplo, equilíbrio, controlar a respiração, fluxo sanguíneo, coisas que vocês não têm acesso, certo? O nosso cérebro, desta parte, controla as funções viscerais e vitais do nosso organismo, mantendo-se vivo, mesmo a gente não tendo consciência de que isso está acontecendo. Se vocês pegarem uma cobra, um réptil, ele vai funcionar desta forma. O cérebro dele é para manter a sobrevivência, é uma forma bem básica, ok? Ao passo da linha evolutiva, os mamíferos, e nós somos seres mamíferos, nós, seres humanos, né, seu cachorro é mamífero, uma vaca é um ser mamífero, eles ganharam, como se fosse, uma segunda camada evolutiva do cérebro, ligada ao que se chama cérebro emocional. Então, o primeiro cérebro da cobra, ali dos répteis, é um cérebro instintivo, ele visa sobrevivência, né? Se afastar e se aproximar de coisas ali, sem muito saber o porquê, visando sempre um instinto. E aqui nós temos um cérebro emocional. Então, o que que isso vai acarretar? Os animais, a gente não consegue ainda entender muito bem como que isso se processa, mas todos os animais mamíferos, eles vão sentir algum grau de emoção, e eles vão ter afeto, eles vão ter vínculo, tá? Coisas que os répteis não têm. Podem reparar no cachorrinho de vocês, quando daqui a pouco você sai, fica um tempo fora e volta, no gato, ele sente a sua falta, ele vai querer estar próximo de você quando você chegar lá, fazer festa. Os répteis não. Então, eles, os mamíferos, eles têm afeto, e a gente vai ver que isso é muito importante para o ser humano, a questão do afeto. Aí, dentro dessa questão do cérebro do mamífero, o que que é importante trazer? Que a estratégia evolutiva dos répteis para os mamíferos, no sentido, se altera. Partindo da lógica que o animal ele prima a reprodução da espécie, no sentido da arminiana. Nós vamos ver que os répteis, a estratégia de reprodução de passar seus genes adiante, ela é bem diferente da dos mamíferos. A dos répteis é colocar vários ovos, milhares de ovos. Então, os peixes colocam um monte de ovos, as tartarugas colocam um monte de ovos, e alguns prosperam e outros não. Mas é uma questão de quantidade. Muitos não vão dar certo, põe lá sem ovos, 80 não vão dar certo, 90 não vão dar certo, mas 10 vão. Mas a fêmea que coloca esses ovos, ela não vai ficar ali cuidando desses ovos, que isso desprende muito energia, isso desprende muito a vida para o animal, né? Um gasto muito alto. Então, a estratégia dela é ficar colocando ovos por aí, sai fora. Vocês podem ver esse ponto ilustrado quando a gente enxerga aquelas tartaruguinhas nascendo, saindo da casca na beira da praia e indo em direção ao mar. É uma cena bonita, mas ao mesmo tempo desafiadora, quase trágica, porque a esmagadora a maioria delas não vai sobreviver. Algumas vão chegar no mar, mas que chegarem no mar, vão conseguir passar as ondas, e poucas não conseguem chegar em oceano profundo, que é o seu objetivo. Mas como tem muitos, de certa forma, fica garantida a passagem do gênero, a gente, né? Alguns vão sobreviver. Nos mamíferos, a estratégia é bem distinta. Os mamíferos, eles não conseguem, porque um cérebro maior e mais complexo, eles não conseguem parir tanto assim. E os mamíferos já cuidam da sua prole e já ficam próximos da sua prole. Como eles não conseguem colocar tantos ovos assim, eles colocam menos. Então, eles têm que cuidar desses poucos bichinhos que eles parem. Elas não colocam ovos, evidentemente, eles vão parir. Então, um cachorrinho vai parir lá dois, três, quatro filhotinhos e coisas assim. E aí, eles não vão deixar soltos na natureza. É tudo bem, eu, eu parei quatro aqui, vamos ver se alguém sobrevive, sorte deles. A tartaruga pariu, sei lá, 200 tartaruguinhas, né, ovos. Algum tem mais chance do que quatro. Então, o ministro, ele vai cuidar da sua prole. E esse cérebro emocional vai fazer com que isso ocorra, porque é um gasto energético muito grande para um animal. Quem tem filhos sabe, né? Tem que acordar de cada três horas, tem que mamar, tem que buscar alimento, tem que ensinar, tem que proteger, tem que é um investimento bastante grande, cuidado da prole. E o que que vai fazer com que o animal cuide de outro ser, mesmo que tenha saído de, o afeto, o vínculo, as emoções que são geradas, que faz com que o cuidador queira cuidar do seu filhote, e o filhote esteja ali protegido? Por isso que os animaizinhos na natureza, quando nascem, eles são tão bonitinhos, os olhos grandes, uma boquinha pequena, certa forma fofinhos, né? Eles dá vontade de proteger. E nos humanos, o hormônio da ocitocina vai fazer com que essa cola aconteça, né? A mãe quando para e libera muita ocitocina, e isso colabora, por exemplo, para esse vínculo, esse afeto, esse amor quase incondicional que há para com o seu cuidador, a vontade de se doar para o outro. Isso acontece nos mamíferos. O que a gente vai ver é que a espécie humana, o filhote da espécie humana, demora muito mais tempo para chegar a uma certa do texto do que os outros filhotes. Os filhotes semanas, um mês, já estão caçando, andando e até aptos até autonomia da sua prole. O ser humano não, vai demorar 18, 20 anos para isso acontecer. Mas o ponto quente aqui é entender que nos mamíferos começa a surgir emoções, começa a surgir afeto, começa a surgir essa palavrinha vínculo, que nós vamos ver que vai ser muito importante quando a gente for falar das necessidades emocionais dos seres humanos e das emoções. Ok? Guardem isso para daqui a pouco.

Bom, a terceira parte do cérebro, que é esta mais de fora, onde nós temos aqui a nossa razão, nossa lógica, o nosso pensamento, ela foi desenvolvida mais a partir do processo evolutivo dos macacos, gorilas, bonobos para o ser humano, nesta troca, nessa espécie. Então, nós, seres humanos, nós conseguimos raciocinar, nós conseguimos nos projetar ao futuro, nós conseguimos voltar ao passado. Isso nos dá uma certa vantagem evolutiva em relação às coisas, né? Nós conseguimos ver melhor, estudar melhor o cenário, nos antever a perigos, tentar voltar ao passado e corrigir erros para não repetirmos no futuro. Embora nós olharmos a política, a história, ele sempre se repetem, né? Então, isso nos dá muitas vantagens evolutivas cognitivas, de análise e de pensamento, certo? Como também seus efeitos colaterais. Nós trouxemos os únicos animais conscientes desse mesmo, conscientes de que nós vamos, daqui a pouco, morrer. Dos animais não tem essa visão. Nós sofremos, nós sofremos por ansiedade. É sempre que a gente sai do presente, se projeta no futuro, esse gap chama-se ansiedade. Nós vamos ver isso mais adiante. Então, tem seus efeitos colaterais que não são muito bons, mas também tem vantagens evolutivas. E aqui, do ponto de vista da natureza, biologicamente falando, as espécies, a natureza, ela não está interessada em nosso bem-estar. Ela está interessada em nossa sobrevivência e nossa reprodução. Esses dois drives apanhados lá desde Pícaro, que Schopenhauer também trouxe: sobrevivência e reprodução. O que sobrevive são os nossos genes. Nossos genes são passados adiante. Nosso corpo, para a natureza, é uma espécie de casca, invólucro, é um saquinho que protege os nossos genes. E esses são sempre passados adiante, geração a geração, ele sobrevivem, né? Eles se embaralham com outros lá, né, mas ele sempre são os mesmos. Então, é isso que a natureza prima no sentido frio, biológico, interminável. E ok, nós temos que ter certa modéstia, certa aceitar isso também. Então, importante entender: nós temos três cérebros em um só, certo? E vejam, nós não vamos, nosso cérebro racional, aqui da parte do córtex pré-frontal, que raciocina, é infinitamente mais fraco do que esse cérebro emocional. Este cérebro emocional, junto com o cérebro instintivo, manda na parada, tá? Bem, lembram da ideia das emoções como guia, como um GPS? Como que funciona este cérebro reptiliano? Ele nos mantém vivo: fluxo sanguíneo, coração batendo, pressão, equilíbrio, né? A gente consegue caminhar por causa disso. Este cérebro aqui emocional sente coisas: medo, que nos afasta do inimigo; raiva, que nos protege, daqui a pouco, faz com que a gente proteja o que é nosso, não deixa o outro invadir nosso território, faz com que a gente se imponha agressivamente defendendo algo. Veja, defendendo assim por raiva, dá vontade de atacar o outro ou me proteger. A emoção, ela convida para um comportamento. Então, quando nós não tínhamos essa terceira camada que é racional, nós ainda prosperamos, nós sobrevivíamos com o cérebro reptiliano e este cérebro aqui emocional mamífero fazia nós ir e vir, nos controlava como os pés de marionetes. Isso ao longo de muitos e muitos e muitos anos. Só recentemente a gente foi desenvolver um cérebro mais racional, evoluído, que não tem autonomia em relação a esse cérebro emocional. É falsa premissa de que nós somos seres racionais e que nós dominamos as emoções. Um dos propósitos dessa aula, que eu quero que a gente entenda se bem sucedida a aula, é que nós não somos seres tão autônomos assim. Não existe uma primazia da razão sobre a emoção. A emoção manda. Nite já diria que os nossos pensamentos são a sombra das nossas emoções. E todo filósofo vai trazer, Schopenhauer vai trazer a ideia da vontade. Existem instintos, impulsos, certos ímpetos que nós temos que vêm desse cérebro emocional, e que nós tentamos, com o cérebro racional, frear, controlar, analisar. Mas no equilíbrio entre essas duas coisas é o que nós vamos chamar de inteligência emocional. Puxando lá para Kant, a ideia de que nós temos que, com o cérebro da razão, tentar colocar, fazer as pazes ou equilibrar com esse cérebro emocional. Porque eu tenho vontades a todo tempo, vontades, vontades, vontades, emoções, emoções, emoções, emoções. Mas eu não posso sair fazendo tudo que eu quero no mundo. Então, eu tenho que, com o cérebro racional, sabe, postergar uma recompensa, porque é algo que vai me trazer frutos no futuro. Por exemplo, vocês assistindo essa aula aqui, poderia ter milhares de coisas melhores para fazer. Um dia de sol, vocês na rua, no parque, vocês irem para a praia, vocês verem um filme na Netflix, comerem algo, sei lá, qualquer coisa, dormir, qualquer coisa. Acredito que seja melhor que tá me escutando, me vendo aqui a aula. Mas o que que faz vocês estarem aqui? É um bem, daqui a pouco, essas vontades aqui, "puxa, saco, acordei cedo para ver a aula, podia ter ficado dormindo". É a vontade do cérebro, mas desse cérebro emocional, né? Mas o cérebro racional de vocês diz: "Olha, eu vou postergar essa recompensa, dormir depois, vou acordar mais cedo, ou eu vou não vou ir no parque, vou assistir essa aula, porque essa aula vai fazer bem para minha formação, vai fazer bem para o paciente que eu vou atender, vai fazer bem para eu entender um pouco as emoções que eu sinto." Então, vocês estão trabalhando, de certa forma, sempre num campo de batalha aqui entre o racional e o emocional. Tá? Mas o importante que eu quero dizer é: este racional aqui não tem primazia, não tem controle absoluto sobre esse emocional. Se eu fosse dizer, seria o contrário. O emocional meio que manipula o racional. Se você tem dúvida disso, lembre-se quando você se apaixonou por alguém e pergunte se vocês tinham controle sobre as suas ações, né? Que não muito bem.

Então, explicamos um pouco aqui na parte 1 de onde tudo vem. Resumindo: as emoções, elas vêm como uma espécie de GPS, uma espécie de guia evolutivo, certo? Que fez a gente sobreviver e prosperar até aqui. Falamos um pouco da construção do nosso cérebro até o estado atual, ok? Onde nós temos três cérebros em um: reptiliano, mamífero e o cérebro humano, o cérebro racional. O importante é que é salientar que o cérebro emocional é a peça mais poderosa que tem. Ela emana, ela solta, como se fosse uma fonte, vontade que nos levam a ter determinados comportamentos. E o cérebro racional, ele tenta que modelar, modelar melhor dizendo, é esses desejos, essas vontades, esses impulsos, ok? Nós vamos ver também nessa aula que o cérebro racional, muitas vezes as pessoas trazem que nós temos que ser frios, ignorar as emoções. Isso vai trazer patologias e doenças, porque essas emoções aqui, a emoção, a descarga energética que nós temos no nosso corpo, certo? Elas ignoradas, primeiro, elas podem estar. As emoções são mensageiros. Então, se eu estou triste com alguma coisa, ignoro isso, eu estou ignorando o motivo pelo qual eu fiquei triste. E eu ignoro também o comportamento que poderia me suprir, mudar o ambiente, fazer com que aquilo pare de acontecer aquilo que está me gerando a tristeza. Então, se eu não escuto essa tristeza, é uma forma de negligência, onde a tristeza não vai embora enquanto aquela necessidade não for satisfeita ou aquele ambiente não for alterado, certo? E isso para as outras emoções também. Elas são mensageiros de alguma coisa que precisa ser olhada. Se eu não escuto a mensagem, essa coisa fica desamparada e não cessa. As emoções só vão cessar quando eu escuto elas, entendo qual a mensagem que elas querem passar. Mesmo que eu não consiga dar aquilo que eu preciso no momento, só de escutar a emoção, dizer: "Ah, ok, eu estou triste porque, sei lá, eu me afastei do fulano e tal, era um vínculo importante para mim, mas eu entendo que eu me afastei porque ele era uma pessoa, no fim, tóxica, que não era bacana para mim, etc." Mas mesmo assim, eu entendo que me separar dele me fez sentir triste. Ok? Só de escutar isso, a tristeza já vai se apaziguar de certa forma, tá? Então, a ideia é que as emoções são mensageiros, nós temos que escutá-las, não que nós temos que ser escravo das emoções, se escravo das paixões e dos desejos, fazer tudo que elas pedem, mas nós temos que nos conectar com elas, certo? Equilíbrio entre esses dois cérebros, escutar as suas emoções e saber o que que a mensagem que elas estão passando. E este é o propósito da aula que nós vamos ver no geral. Eu só tô dando um spoiler da ideia a partir de como o cérebro funciona, ok?

Vamos lá. Propósito das emoções. Segunda parte. Aqui vai ficar um pouco mais claro o que eu falei no início. Nós somos animais com necessidades. As mais fáceis de entender são as necessidades fisiológicas, ou as mais fáceis de entender não, as que nós mais respeitamos, porque talvez não tenhamos muita escolha, são as necessidades fisiológicas. Então, você tem necessidade de comer, beber água, dormir, fazer sexo, certo? Tem que ficar sem beber água e ver o que acontece. Tem que ficar sem comer, vê se você consegue identificar. Sem dormir uma hora, o corpo de vocês vai apagar e dormir, queira vocês queiram ou não. Ele vai dizer: "Tá, cara, chega, eu vou fechar os olhos e dormir aqui, porque eu preciso." Você desmaia de sono. Tem que ficar sem comer, a necessidade fisiológica vai vir, a barriga vai roncar, e você só vai pensar em comida. Seu comportamento vai sair atrás de comida. Nem você tem que matar alguém na rua para conseguir um prato de comida. Então, quando a necessidade bate, a nossa razão, ela não tem tanto controle assim. Se nós negligenciarmos essas necessidades fisiológicas, correto? Querem ver um exemplo interessante de como nós não temos controle do nosso corpo? Tentem trancar a respiração agora e tentem dizer assim: "Nossa, eu vou trancar a respiração e vou me matar trancando a respiração." Segurando lá uma hora. Vocês vão fazer assim e vocês vão respirar. Vocês vão soltar o ar. Não que vocês precisam fazer isso de verdade, tá? Só tô dando um exemplo. Vocês não controlam se vocês vão respirar ou não vão respirar. Podem segurar o máximo que vocês conseguirem, mas uma hora esse ar vai sair, porque o nosso cérebro, lá reptiliano, vai dizer: "Solta, libera." E aí você vai liberar. Nós não temos controle sobre o nosso corpo, né, completamente? Muito longe disso. Então, o ponto é: nós temos necessidades fisiológicas: comer, beber água, dormir, fazer sexo, entre outras. Assim como nós temos necessidades fisiológicas, nós temos necessidades emocionais. Veja essas duas imagens: conexão, autonomia. São as duas principais necessidades emocionais que nós temos. Nós nascemos com o drive de conexão. Precisamos ser amados, porque o amor significa proteção e segurança, significa o leite materno. Nos mamíferos, então o bebê, ele já nasce com instinto de precisar ser cuidada e amada. E via de regra, a cuidadora já tem esse drive para cuidar e amar e proteger e doar sua vida, se necessário, em relação à sua prole. Nós, mamíferos, essa imagem é bem ilustrativa, certo? Conexão. Então, a necessidade emocional. E isso tem a ver com sobrevivência. E ao passo que nós temos uma base segura de conexão, e esse pequeno mamífero vai se desenvolvendo, nós temos a necessidade de autonomia, de aprender a caçar, de aprender a nos virar por nós mesmos, a ser ao ser autônomos. Mesmo porque um dia esse cuidador não vai estar mais lá, e nós temos que sobreviver sem esse curador. Então, autonomia também está conectada à sobrevivência e também vai estar conectada, daqui a pouco, à reprodução, mas adiante, certo? Então, esses dois drives, eles são tão necessários quanto comer, dormir e fazer sexo, por exemplo. Há cinco anos, temos necessidades fisiológicas. E essas necessidades fisiológicas, quando não são escutadas, geram dor. Tem que ficar sem comer alguns dias. No início, vai dar uma fome, depois vai, você vai ter dor, sua barriga vai doer, porque você não está comendo literalmente. Você vai sentir dor. Necessidades emocionais não atendidas também geram dor. E a dor, ela vai ser um sinal, ela vai ser um aviso de que necessidades não estão sendo atendidas, seja fisiológica, seja emocional. Então, a dor, ela vai não só informar que alguma coisa não está sendo suprida, mas ela também vai convidar a gente até um comportamento. Perceba, se sua barriga está roncando, você pensa, né? Vem o pensamento: "Ó, acho que vou ir na geladeira pegar um prato de comida e almoçar." De onde que veio essa vontade? Como Schopenhauer diz, a vontade veio da emoção, da necessidade não suprida. A necessidade não suprida do alimento fez você sentir algum grau de fome, e esse grau de fome fez você, que é uma vontade, fez você ir até a geladeira, pegar comida, um comportamento. Você não, de onde que veio esse pensamento? "Ah, eu acho que agora vou comer, porque você estava com um grau com fome ou alguma coisa assim." Perceba, então, a emoção, a vontade, ela convida a um comportamento, convida a uma ação. Da mesma forma, a dor emocional, se corretamente escutada, a gente vai conseguir entender o que que não está sendo suprido ali, e normalmente vai ter a ver com conexão ou autonomia. E a conexão, ela engloba ali aceitação, pertencimento. É outra necessidade que nós poderíamos colocar aqui, talvez seja, que não está no slide, segurança. Necessidade de segurança, que tem a ver com conexão, né? Que quando a gente está conectado com o nosso, quando a gente tem um vínculo no nosso cuidador primário, a gente está seguro, né? Então, mas a gente poderia colocar como uma necessidade autônoma. E Pícaro, colocar segurança. A gente se sentir ali no nosso lar, protegido, não invadido, com frio, fome, é outro predador vai nos comer, a nossa doma, né? Segurança, autonomia e conexão. Se não estão atendidos, nós vamos sentir dor emocional. E o trabalho dessa aula aqui, você entender que escutando a dor emocional, você consegue entender qual a necessidade não está atendida e tentar suprir essa necessidade. No momento que suprir essa necessidade, seja parcialmente, a dor vai diminuir, o sintoma vai diminuir. Então, a dor é um mensageiro que precisa ser escutado, ok, pessoal? Isso é importante. Nós vivemos hoje numa sociedade New Chumbão, filósofo sul-coreano, traz, né, uma sociedade paliativa, uma sociedade que não quer sentir dor. Gente que tem aversão à dor, que fica tomando remédios a torto e a direito. Não à toa, teve crise dos opioides nos Estados Unidos. E o pior é medicação dada para pacientes paliativos. Ou seja, nós, nós não queremos sentir dor. O problema de não querer sentir dor, não que a gente tenha que pregar um certo masoquismo aqui e querer a dor, mas nós temos que, quando a dor vier, entender que ela é um marcador de alguma coisa que não está sendo escutada. Ela está jogando a nosso favor. Se nós anestesiarmos a dor e não escutarmos a sua mensagem, essa dor não vai embora. Então, nós temos que tomar remédio o resto da vida para não ficar sentindo a dor, né? Porque a gente não quer, não quer coragem de sentir a dor, escutar qual a sua mensagem. Tá bem? Então, a dor, de certa forma, é um aliado. A dor é um marcador de verdade. Ela vem dizer o que que está faltando no nosso corpo. Nós não conseguimos saber que isso é um processo inconsciente. O que nós conseguimos da fronteira do inconsciente com o consciente sentir é a dor. Se nós tirarmos, anestesiarmos isso, ralou-se. Nosso corpo vai estar passando por privações e nós não vamos escutar. Resumo: quando a gente não tem as necessidades supridas de conexão, autonomia ou segurança, de alguma forma, nós vamos sentir dor, nós vamos sentir emoções. E nós temos que escutar essas emoções e tentar entender qual necessidade que não está sendo suprida. Da mesma forma, se nós não comermos, a nossa barriga vai roncar também. Nós não vamos ignorar isso. Ah, toma um remédio para barriga não roncar. Não, você vai atrás de comida. Você sabe qual é a origem da sua barriga roncando, hein, pessoal? Nós vamos ver, vou bater bastante nessa tecla ao longo da aula, porque esse é o de regra no trabalho de um psicoterapeuta, de um bom psicoterapeuta, é fazer com que o paciente consiga se conectar com aquilo que lhe falta, mesmo que aquilo que lhe falta não possa ser dado no momento. [Música] A dupla psicoterapeuta e paciente ter um plano de como que ele pode ter isso no futuro, de como ele pode acalmar essa dor, sabendo qual a necessidade que ele não pode ter de momento, mas que ele visa ter algum momento próximo ao futuro. Sei lá, a pessoa mora com pais abusivos e a dor, a gente vê que tem a ver com isso, não tem conexão, não tem segurança, mas a pessoa é dependente desses pais. Bom, ok, mas aí nós conseguimos validar essa dor, validar um tempo psicológico. Nós conseguimos dizer: "Ok, dor, eu entendo que tu esteja aí, porque tu gostaria de estar num ambiente seguro onde tu não está." Só de perceber isso, a dor já diz: "Ok, já, já fui, já fui escutada a mensagem, né?" Então, nós conseguimos acalmar a dor dizendo: "Tudo bem, vamos ver o que que a gente pode fazer." Se a gente vai para casa da tia, de um vô, ou se a gente vai tentar começar a estudar para ter um emprego, fazer um curso técnico para ter um emprego, ou ver se consegue ganhar uma grana, talvez consegue morar na casa de um amigo, qualquer coisa, desde que tenha um plano, faz com que não precisa ser na hora suprida a necessidade emocional não atendida, mas desde que tenha a vista de: "Ok, estou te olhando, necessidade, e eu vou dar, eu tô indo em direção a ti, eu estou indo em direção a ti." Essa dor, ela vai diminuindo, tá bem?

Tipos de Emoções. Vamos ver então os tipos de emoções, pessoal. Chegando na alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa e desprezo. Alguns não colocam desprezo, alguns colocam. Tanto faz, são seis ou sete emoções. Desprezo é uma espécie de nojo social, tá bem? Alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa, desprezo. Vamos ver os tipos de emoções e vamos ver nesta aula, das emoções, aqui dos tipos de emoções, a parte 3, o que que cada emoção, a mensagem que cada emoção passa. Lembrando, as emoções são mensageiros. Nós vamos ver qual que é a mensagem que cada emoção passa, para que isso, para facilitar quando você tiver trabalhando com seu paciente, ou se você está escutando essa aula como quem quer entender mais sobre você mesmo, você vai saber com qual emoção sentir: "Ah, o que que deve estar sendo, em termos de necessidade, não suprido ali atrás?" Então, cada emoção, ela vai dar uma pista daquilo que falta, tá bem? Em relação também à sua função, mas que nós vamos ver aqui. Está as seis emoções. Não tem a cara de desprezo, mas poderia botar essa cara. Parece o Jim Carrey, eu acho parecido, não sei se vocês acham. É muito bem, vamos lá. Alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa e desprezo. Vamos começar pela alegria. Uma emoção, entre aspas, positiva, positiva, porque é bom sentir alegria, certo? As outras emoções, talvez não sejam tão boas assim de serem sentidas. Alegria. Este é o rosto da alegria. Talvez não tão alegre. Tem rostos mais alegres, mas é qual que é o ponto do rosto da alegria? Olhos estreitados, algumas rugas ao redor dos olhos, né? Então, quando a gente sorri, a gente faz um arco no olho, bochechas são levantadas para cima, e os lábios, eles são puxados para trás, e a gente põe o rosto num sorriso. Essa expressão facial das emoções que nós estamos vendo agora da alegria, e depois as outras, elas são universais. Em qualquer lugar do mundo que você for, alegria vai ter a ver com esse rosto. Em qualquer lugar do mundo que você for, seja uma tribo na Nova Guiné, seja no Japão, seja no Brasil, seja nos Estados Unidos, seja na Europa, seja na África, Oceania, as expressões são universais. Esse é um barato que foi visto nos estudos de Darwin, depois. A expressão, ela é universal para todos, todas, todo mundo da espécie humana manifesta da mesma forma essas emoções. Claro, alguns mais refutivamente, outros menos, mas a expressão é a mesma. Porque daí é uma padronização de linguagem, onde todos conseguem entender que se o rapaz está fazendo esse rosto, ele está alegre. E qual que é a função da alegria? Dizer para o outro: "Eu não represento ameaça." Imaginem que nós somos uma tribo, e aí nós estamos caminhando lá, né, na nossa savana, e daqui a pouco encontramos uma outra tribo. E essa primeira tribo expressa alegria, ela está sinalizando para o outro que não é uma ameaça, que o outro não precisa se preocupar, que eles são bem-vindos. Grossoiramente falando, é como se fosse o rabinho do cachorro balançando. É isso, o rabinho do cachorro balançando quando o cachorro está caminhando no parque, encontra outro cachorro. Se ele não gosta, ele faz alguma outra cara que nós vamos ver de raiva, de medo. Quando ele gosta, o rabinho balançando, dizendo: "Eu não represento ameaça." E esse outro animal lê esse sinal, se aproxima. Tá? Então, a função da alegria é a emoção mais desejada sentir por motivos óbvios, né? Ela é prazerosa, ela é gostosa. E a função social, ela sinaliza amizade. Não somos uma ameaça. E ela nos aproxima de vínculos. Que as pessoas se aproximem, gostem, queiram estar próximos de alguém alegre, de alguém feliz, de alguém leve. Então, porque uma coisa que também é importante salientar, quando a pessoa sente uma emoção, o outro que está na minha frente também vai sentir essa emoção que eu estou sentindo. Nós temos dentro de nós, chama neurônios espelho, para conseguir codificar a mensagem do que que o outro está sentindo, eu tenho que sentir em mim. Então, esses neurônios, eles espelham a emoção que a pessoa está sentindo, e eu começo a sentir ela para saber se é perigo, se não é, o que quer. Então, também sinto aquela emoção que o outro está sentindo, tá? Se vocês convivem, daqui a pouco, muito tempo com uma pessoa ansiosa, daqui a pouco vocês podem começar a ficar ansiosa. Se vocês convivem com uma pessoa triste, deprimida, vocês também vão começar, não que vocês vão deprimir, mas vocês vão começar a ficar meio também. Uma pessoa raivosa, raiva contagiosa para caramba. A pessoa chata, reclama de tudo, daqui a pouco vocês estão assim também, tá? Então, escolham bem seus companheiros aí. Agora, nós vamos querer nos aproximar de pessoas que manifestam alegria, porque nós queremos sentir. É positivo, sentir é gostoso de sentir. Então, pessoas alegres aproximam, constroem vínculos também, de certa forma, né? Faz a gente se sentir essa emoção agradável. Essa é a função da alegria: não representa ameaça, rabinho do cachorro balançando. O que que nos faz felizes? Senso de conexão, é autonomia, necessidades supridas. Se nós temos uma conexão, uma base segura, um pai e mãe que nos dá afeto, um cônjuge que nos dá afeto, um amigo que nos dá afeto, nós vamos nos sentir conectados. Isso nós adultos. E sentimos que temos autonomia, ganhamos nosso próprio dinheiro, temos nossa própria profissão, temos uma liberdade de ir e vir na sociedade, não estamos presos. Você vai sentir certa forma alegria e felicidade. Ou melhor, se você for tolhido desta autonomia, de colocar em uma prisão, aí sim você vai dizer: "Puxa, eu era alegre e não sabia." Não é verdade. Aí é uma outra discussão de uma aula que eu vou gravar só sobre Schopenhauer, da ideia de como é cruel esse nosso mundo do ponto de vista que a gente não consegue muito perceber as alegrias e felicidades. Por muito tempo, elas se tornam nosso novo platô, e a gente só sente as dores e as tristezas. Tem a ver com o pêndulo de Schopenhauer, tem a ver com... Eu vou trazer uma aula exclusivamente sobre ele, porque é um autor que eu gosto muito, eu acho que contribui muito e é necessária para quem vai atender.

Em psicoterapia, Lexa Openhauer, que vem de Kant, então vou fazer essa parte. Errar o limite que eu acho necessário para entender a ontologia, a constituição do ser humano em sua raiz. Então, o que nos faz feliz? Conexão, autonomia, as necessidades básicas supridas. O que que essa noção sinaliza? Somos pacíficos? Somos amigáveis? Quais são os gatilhos comuns que geram alegria? Negativo é o que que gera alegria? A gente testemunhar ou participar de atos de bondade e compaixão de humanos. Se você vê um programa lá do Luciano Huck dando um carro para alguém, embora seja moralmente questionável essas ações, mas ok, né? Acaba explorando esse tipo de coisa, mas tudo bem, você se sente alegre, né? Testemunha é um ato de compaixão, alguém ajudando alguém, ou você ajudar alguém. Isso é um bom ponto que também vou falar lá em uma das saídas deste mundo que ele considera cruel é a compaixão. Quando você tem compaixão e quando você ajuda os outros, você é recompensado. É um ato, na verdade, egoísta, por mais esquisito que seja. Todas as ações são convidadas para nós mesmos, mesmo a compaixão. Quando a gente ajuda o outro, na verdade, a gente quer se sentir bem. Mas ok, a gente está ajudando o outro, não tem problema. Então, a compaixão ela gera alegria. É um dos atos mais nobres que o ser humano pode fazer, aliviar o sofrimento em você ou nos outros gera alegria.

Voltando para Schopenhauer, é positiva. Nós sentimos a dor, alegria, o prazer. Na verdade, é o alívio. Quando você goza, você está aliviando um estado tensional. Quando você come, você está aliviando uma tensão. Ou seja, você está conseguindo dar um pouco a necessidade que faltava. Faltava, você sente dor e você dá, gera um alívio. Então, aliviar o sofrimento gera um estado de alegria, né? Experimentar, testemunhar algo engraçado, divertido, vá lá, alguma realização pessoal, né? Você foi promovido, você foi bem na prova do colégio, qualquer coisa do tipo. Testemunhar as conquistas de um ente querido. Nada traz mais alegria daqui a pouco para um pai e mamãe do que ver o filho prosperando ou conquistando uma coisa, sendo feliz com alguma coisa, casando, sei lá, qualquer coisa do tipo, né? Testemunhar conquistas de um ente querido gera alegria. Sentir-se conectado, seja consigo mesmo, com outras pessoas, lugares, natureza, uma causa, religião, qualquer uma dessas coisas. Elas têm, eu disse, elas têm um senso de trazer conexão, propósito para o ser humano. E lembra, nós somos animais sociais. Quando nós saímos da sociedade, nos isolamos, o efeito colateral disso é tristeza. Que eu já falei brevemente. Nós vamos ver com bastante calma, porque é uma emoção central na psicoterapia, a tristeza. Então, nós vamos investigar com bastante calma. E para você que está assistindo, que não é, sempre faça esse display, mano, para você que não é psicoterapeuta ou não está estudando psicologia, porque se importa com isso, tranquilo. O ponto é, você provavelmente já se sentiu triste, vai se sentir. Vai ser uma emoção central que você tem que aprender a escutar, a validar e entender o seu propósito.

Então, passo que quando a gente se afasta de vínculos sociais, a gente sente um pouco de tristeza. Quando a gente se sente pertencendo a um grupo, nós sentimos o contrário, a alegria. De certa forma, ok? Isso pode ser na religião, eu conectado com Deus, eu conectado com o grupo da igreja, eu conectado com uma causa maior, eu conectada a natureza, eu conectado a lugares que me trazem sentimentos bons, pessoas, principalmente, ok? Sensação que alegria traz: leveza, elevação, certo? Calor no peito. As pessoas dizem: "Eu sinto leve, não sinto elevado". Isso é um calor, um quentinho no peito. Sinto uma paz, uma tranquilidade. A postura da alegria, ela é reta. A pessoa fica reta e elevada, confiante, dominante, ou também relaxada, segura, tranquila. Lembra aquela foto dos macaquinhos ali, um abraçando o outro? Ali, de certa forma, eles estão relaxados, protegidos, seguros, tranquilos. O sistema simpático de luta ou fuga do corpo, nós temos uma espécie de botão que a gente aperta. Eu acho que nós vamos ver nessa que mobiliza o corpo para ação, perigo, muito a ver com a raiva e tal. Ele não é ativado quando nós estamos seguros, confiantes, plenos, confortáveis. Tá? Então, também é uma postura da alegria estar relaxado e seguro, direto, confiante. Alguém feliz contando casos, né, de peitos abertos. Também pode ser alguém de bem com a vida.

Tristeza, uma das emoções aí que eu falei mais centrais a serem trabalhadas. Bom, o rosto de estudo, percebam, olhem esse rosto, vê se vocês não se conectam com isso dos neurônios espelho. Não que vocês vão começar a chorar, é claro, vocês não conhecem essa pessoa, vocês não têm vínculo com ela. Mas se fosse a mãe de vocês ali, se fosse uma irmã, se fosse uma namorada, um namorado triste, chorando, talvez também você ficassem tristes. Mas só de olhar esse rosto, você não, não toca algo dentro de vocês. Bem devagarinho, seja um pouquinho, nem que seja um pouquinho diferente dessa daqui da alegria. Olha, alegria me dá um impacto, né, de ficar olhando para esse rosto e dar uma sensação, ok, me dá uma sensação boa, engraçada assim, nos meus pés, assim, aqui no meu peito. Quando eu olho essa daqui, eu me mito o rosto e meu pensamento vem uma coisa: "Puxa, o que tem de errado?". Mas que veio para mim, não sei o que veio para vocês. Faça esse exercício. Interessante o rosto da tristeza: tanto interno, das sobrancelhas puxado para cima e juntos, então a gente arqueia o nosso sobrancelha, as pálpebras superiores, ó, caídas e os olhos para baixo, e o canto puxado para baixo da boca. Triste, peçam para uma criança desenhar um boneco triste, vai fazer aquela boca assim, né, desenhar em arco. Esse é o rosto da tristeza, de novo, universal em qualquer lugar do mundo. Esse é o rosto da tristeza.

Qual que é a função dessa emoção? Tem várias. Deixa outras vezes principais aquilo que interessa. Função da emoção: eu estou sofrendo, alguém venha me confortar. Nós estamos num grupo. Melhor, há um tempo atrás, quando eu estava caminhando no parque, fazendo exercício, eu vi uma senhora sentada no banco, triste, chorando, emanando tristeza. Me deu uma vontade muito grande de sentar do lado dela e dar um abraço. Vou te perguntar: "Tá tudo bem?". Quando vocês veem uma criança chorando no supermercado, não dá vontade de se aproximar e dizer: "Tá tudo bem? Você se perdeu?". O outro, por sentir a tristeza que a pessoa tá emanando através do nosso neurônios espelho, faz com que a gente queira solucionar aquilo. De novo, nit, né? Para um gesto egoísta, para eu parar de sentir aquilo. Então, muitas vezes as pessoas só até eu sair de perto daqui, mas partindo do pressuposto para eu não me deparar com essa tristeza e não sentir ela. Por isso que tem gente que diz: "Ah, eu não gosto de assistir filme de drama. De drama, basta a vida. Não gosto de ver gente sofrendo". Porque você sofre junto quando você vê o filme. Tem gente que gosta, aí é outros motivos. Mas as pessoas que gostam, na minha hipótese, gostam de ver filme de terror, levar susto, sentir medo, ver drama, sentir tristeza. Tem a ver com elas estarem muito desconectadas dessa emoção no dia a dia. E aí elas querem se conectar um pouco com isso, de uma forma de permitir conectar com isso através dos filmes. São parentes. Agora, tem pessoas quando você está, não dá vontade de ter pessoas tristes ao redor. Mas ao mesmo tempo, quando tem, a gente quer consolar para tirar a pessoa daquele estado. Nitcha, porque eu não quero sentir o que essa pessoa está sentindo, mas eu sinto porque eu sou um ser empático. Então, eu quero consolar, eu quero ajudar, eu quero proteger aquela pessoa que eu gosto dela. É um pedido de ajuda. Ser confortável é a missão. É um sinal também para nós mesmos diminuirmos as nossas atividades. A gente dá um tempo para se reorganizar. Então, socialmente, é um pedido de ajuda. Eu senti triste faz com que os outros venham me acolher. Comigo mesmo, o comportamento faz com que eu me recolha. Eu tiro meu time de campo. Meu time tá tomando uma goleada, eu tiro de campo no intervalo e converso ali com aqueles jogadores, comigo mesmo, fico um pouco mais recluso, recuperando as energias, remoendo alguma coisa que aconteceu para tentar entender porque que aconteceu, para digerir aquilo e não fazer novamente. É uma pausa estratégica comportamentalmente. Então, socialmente é para os outros virem me consolar. Comportamentalmente é para o meu reorganizar. E no interno, a tristeza, o mensageiro não está aqui, mas eu vou dizer, não sei, está no outro slide. Faz tempo que eu dei essa aula, então eu tenho que ficar adivinhando os slides aqui. Mas enfim, se eu falar algo que aparecer depois, a gente só pula depois. Eu acho que é propício falar agora. A tristeza, eu comigo mesmo, tem a ver principalmente esse marcador com alguma necessidade não está sendo atendida, ou conexão, ou autonomia, ou segurança. Uma dessas coisas não está sendo atendida. E aí eu me sinto triste. A tristeza vem comunicar uma necessidade que não está sendo escutada. Nós temos que perguntar para tristeza: "Ok, tristeza, eu te escuto. Por que que eu estou triste? O que que está passando na minha cabeça que está me deixando triste? Qual a mensagem que tu vem trazer para mim do meu corpo para minha consciência? O que que aqui dentro está faltando?". E aí nós vamos escutar isso e tentar ver como que a gente acomoda isso, acolhe isso ou resolvemos. Não tem como resolver validando e fazendo um plano a mais a longo prazo para ter essa necessidade atendida, ok? Isso eu comigo mesmo, em relação à tristeza. E a tristeza nos tende a manter vinculados e não individualizados. Que foi que eu falei lá no início? Pode ser suado, confuso. Que lá eu estava falando meio solto, aqui agora a gente está entendendo melhor. Faz com que a gente mantenha a cola social, faz com que eu evite romper vínculos e vive em grupo, comunidade e tenda a sobreviver. Aqui é importante a gente entender o seguinte, tá? Nós estamos falando da função da emoção no sentido evolutivo. Lá atrás, a gente vive em grupo e se alguém se desprende do grupo, provavelmente essa comida lá para um tigre, tá exagerando. Então, a gente não rompia o vínculo e é para cada um para o seu canto, porque a tristeza doer fazia a gente se reaproximar. Eu não estou dizendo isso e que aqui hoje a gente não tem que terminar um relacionamento ruim, não tenha que daqui a pouco dar um basta numa amizade que não serve mais, não tenha que se despedir de pessoas para ir viajar, porque a gente que vai fazer um novo emprego em algum lugar bacana. Não, eu tô dizendo o que mesmo. Aí entra o cante, lá no equilibrar o racional com o emocional. Eu sei que eu preciso fazer isso e para um novo emprego lá em Sydney, e eu vou ter que deixar aqui um amigo que eu gosto muito. Eu sei que vai ser bom para mim, eventualmente a gente vai se ver, vai se falar por WhatsApp, etc. Mas isso não vai deixar de fazer com que meu corpo sinta a tristeza.

Três cérebros em um. Lembram? Nós ficamos dois milhões de anos vivendo conforme um período paleolítico com aqueles dois cérebros e nos últimos 10, 20, 30 mil anos, a gente criou um cérebro ali racional. Nós somos um bebê racional. Nós não vamos não sentir essas emoções. Então, quando eu romper com alguém, seja alguém tóxico, seja alguém bom, seja alguém ruim, eu vou sentir tristeza. Eu vou sentir a falta daquela pessoa. Isso não significa que eu tenho que voltar com aquela pessoa. Isso só significa que eu tenho que entender porque que eu tô sentindo tristeza e dizer: "Ah, ok, eu estou sentindo tristeza porque eu fiz um rompimento social". Ah, ok, entendi. Essa é a mensagem que a tristeza passa. O que que eu vou fazer com isso? Aí o racional de vocês pode saber se é deixar de viajar, reatar o relacionamento ou não. Mas entender porque que a emoção tá ali é importante, até para a gente ter um pouco mais de liberdade na nossa escolha, não ficar refém dessa emoção. Quando a gente ignora essas emoções, muitas vezes a gente só age com base nessas emoções, a gente fica refém delas. Então, tristeza é uma espécie de luto dentro de nós, algo não bem resolvido, relacionamento, propósito de vida, saúde do corpo. Percebam. Bom, já falei aqui sobre a questão da dor física, não é longa. Então, é algo não bem resolvido. A gente tem que escutar a mensagem da tristeza e tentar entender o que que esse algo que não tá bem resolvido, geralmente associado a alguma necessidade não escutada, autonomia e segurança. O que que nos faz tristes? Perder alguém, perder algo, né, ou alguém importante. O que que essa emoção sinaliza para os outros? Necessidade de receber conforto, de ser ajudado. O que que é sinaliza do nosso inconsciente para nós mesmos, nosso consciente? De alguma coisa precisa ser olhada, de que alguma necessidade não está sendo escutada, de que algo não vai bem nas nossas vidas. Isso quando a gente sente uma tristeza crônica, né? Todo dia uma tristeza, tristeza, tristeza, tristeza, tristeza. Significa que uma coisa não tá legal na nossa rotina.

O que que é a depressão? A depressão é eu não conseguir lidar com a minha tristeza. Eu sinto triste, alguma coisa não vai bem na minha vida e por algum motivo eu tendo a ignorar isso, ou eu tendo a não buscar saídas em relação a isso. E aí a gente resigna. O nosso corpo desliga, diz assim: "Poxa, nem adianta ficar me sentindo triste toda hora aqui, porque esse cara não está escutando a minha mensagem". E a gente para de escutar. E embora ela esteja ali, a gente é anestesia. Ela está ali, a gente se anestesia. E aí a gente deprime. Isso é depressão. É resignação em relação a uma tristeza. A gente não escutar o que está nos fazendo mal e ir atrás de um plano ou uma solução. Tudo bem, é não saber lidar com a emoção tristeza, certo? A depressão é um sintoma de alguma coisa que não vai bem na nossa vida, algum luto não resolvido. Gatilhos comuns para tristeza: rejeição de um amigo, términos, despedidas, doença, morte de alguém, perda de algum aspecto da identidade. Então, daqui a pouco eu me mudo de casa, trabalho, estágios de vida. Tudo que envolve perda, seja de um objeto, pessoa ou situação, a gente vai se sentir triste. Quais são as sensações fisiológicas da tristeza? Normalmente um aperto no peito, membros do corpo pesados, um aperto na garganta, os olhos marejados. É assim que fisiologicamente a tristeza se manifesta no nosso corpo. Também postura da tristeza. Lembra que a gente estava falando sobre alegria e alegria era uma vibe diferente, né? Uma postura ereta ou relaxada. A postura da tristeza é perda de tônus muscular, é a pessoa murcha, postura abaixada, curvada, mulher perdido para baixo. Essa é a voz muda, não tão longe. Quem tá triste é diferente de quem tá alegre contando o caso de legal de vitória que teve. É mais para baixo. Essa é a postura da tristeza.

Tristeza em psicoterapia. Que eu acho que eu já devo ter falado, mas vamos ver. Normalmente, a gente tenta se livrar dessa emoção, que ela é desagradável. E nós temos que exercitar o contrário, a coragem de escutar essa emoção. A tristeza é fundamental na psicoterapia. Gente, é como colocar a mão numa panela quente e sentir o reflexo da dor e tirar a mão. Nós queremos que isso aconteça. Se você passa uma certa pomada na mão que anestesia, você não sente nada. Daqui a pouco você está tocando em algo muito quente, se queimando e nem percebendo. Daqui a pouco você está em carne viva ali, a sua mão. Então, a tristeza, ela é um mensageiro que vem falar sobre alguma necessidade não está sendo escutada. Escutar essa mensagem traz resolução e mudança. Pessoas que passam por período de luto, quando perdem alguém, vão se sentir tristes. O luto, ele tem fases. Eu não vou gravar uma aula de luto depois para botar aqui também, tá? Que eu acho bacana, porque é uma coisa que todo mundo passa, né? O luto de perda de pessoas ou término de relacionamento. Vou gravar mal, mas o luto, ele tem estágio: choque, negação, raiva, choque, negação, tristeza e aceitação. Choque, negação, raiva, barganha, tristeza, aceitação. O ponto é, nós só saímos de um luto quando nós nos permitirmos sentir a tristeza que nós temos que sentir. Se a gente nega isso, a gente fica mais tempo no luto, torna-se um luto complicado, luto não resolvido. A tristeza, ela faz com que os sentimentos consigam ser digeridos, o que nosso cérebro consiga acomodar o que aconteceu em relação ao adulto. Então, percebam, essa é uma emoção poderosíssima. Eu acho que a tristeza, é raiva, é tudo de bom que tem com ela. Se faz tudo, se a gente escutar essas duas mensagens, a pessoa tá bem resolvida. Tá? Vamos lá. Vamos falar agora então do medo. Cara de medo, né? Não preciso nem dar para ver. Ele sobrancelhas levantadas e puxadas juntas, superiores levantadas, né? A gente arregala os olhos, inferiores tensionadas, queixo caído, né? E os lábios esticados horizontalmente para trás. A gente faz aquela cara. Passam aí, sejam ridículos que nem eu aqui para não passar vergonha sozinho, mas não dá vontade de fazer junto. Já é nossos neurônios espelho aqui, né? É uma loucura isso.

Mensagem do medo: algo perigoso está se aproximando. Algo perigoso está se aproximando. Ou não, lá, perigo, perigo, perigo. Mas é uma palavra. Qual que é a função do medo? Nos manter seguros, protegidos. O medo nos mobiliza para enfrentar ou fugir de um perigo potencial. Deixa eu ver se tem. Eu acho, ok. Então, a função do medo nos manter seguros e ele desperta no nosso corpo uma mobilização fisiológica para a gente enfrentar ou fugir de um perigo potencial. Eu vou explicar isso. Nós temos no nosso cérebro uma estrutura chamada amígdala. Toda informação senso-perceptiva do nosso cérebro que a gente vê, ouve, escuta, entra pelo talo, no que é uma espécie de porteiro do cérebro e passa pelo filtro dessa estrutura que se chama amígdala. Não é que você tem aqui, é aqui. A medula, ela como se fosse um guardião. Imagine um cara com taco de beisebol na mão, tá? E fica vindo as bolas, que são as informações. Toda informação, a mesma microssegundos, lê: "Isso é perigoso? Não é perigoso? Isso é perigoso? Não é perigoso?". Essa função dela: perigo, não perigo, perigo, não perigo. Quando ela lê uma situação que acontece algo que a gente viu, por exemplo, tá caminhando na rua e ver, sei lá, homens estranhos ou suspeitos vindo em nossa direção, a amígdala rebate a bola de perigo. No momento que ela rebate essa bola, é como se apertasse um botão. Uma cascata no nosso corpo começa a acontecer. Ela ativa o que eu falei anteriormente, que é o sistema simpático, sistema nervoso simpático, que é o sistema de luta ou fuga no nosso corpo. Ela prepara nosso corpo para ou lutar contra aquele perigo, ou fugir daquele perigo. Então, imagine que eu estou na Savana da África e eu vejo lá um tigre longe. Em questões de microsegundos, nosso corpo vai estar preparado através dessa ativação do sistema simpático, porque a amígdala apertou o botão, para correr, correr ou lutar contra o animal, se eu me julgar competente para isso, tiver habilidades para tal. Que que é esse sistema de luta ou fuga? Meu coração começa a bater mais rápido, a circulação aumenta, eu aumento a energia daqui a pouco nas partes inferiores das pernas, a respiração se torna mais ofegante para dar mais oxigenação para correr. Nossa pupila dilata para aumentar o campo de visão. Percebam, bem animalesco mesmo. A gente é como se fosse um, a gente morfa lá, né, dos Power Rangers, viram, viram ser pronto para ação. E isso quem faz é a leitura de medo através da amígdala. Então, ela lê se algo está perigoso no ambiente e ativa o nosso corpo para lutar ou fugir de uma situação perigosa.

O ponto, eu não sei se eu vou falar de novo. Faz tempo que eu não passo esses slides. Eu vou falar aqui. Se aparecer de novo, a gente lá na frente também aparece muito em terapia, assim como a depressão, que é a dificuldade de lidar com a tristeza, a ansiedade, que é a dificuldade de lidar com o medo. [Música] A pessoa ansiosa é uma pessoa que está sempre se projetando no futuro e nesse futuro, ela fica lendo coisas, ela fica colocando ameaças nesse futuro. Ela fica colocando na cabeça dela esses tigres que não existem na realidade, mas na cabeça dela, ela fica criando. Por exemplo, assim: "Nossa, eu vou ter um câncer. Nossa, eu não vou passar na prova. Nossa, algo ruim vai acontecer. Nossa, o que que vai acontecer com os meus pais? Morrerem?". Eu fico criando tigres imaginários aqui e minha mente vai ficar ligando, ligando, ligando, ligando, ligando. E eu fico no corpo, faz a sua função, ativa para eu fugir desse, desse perigo, mas não tem um perigo na minha frente. E eu fico o tempo inteiro, que a gente chama ansioso. Isso parece também bastante em psicoterapia, né? Não saber lidar com emoção medo já era ansiedade. Não saber lidar com tristeza gera depressão. Muito bem. Vou colocar vídeos também sobre ansiedade, que é algo bem comum e explicando melhor ansiedade em psicoterapia, tá? Mas para frente, quando eu tiver tempo, eu vou colocar essas vídeo aulas. Gosto bastante sobre essa temática. Então, é isso. A função do medo é mobilizar para enfrentar ou fugir de um perigo potencial. Nenhuma emoção é desadaptativa no sentido assim. Tirem da cabeça a ideia de "eu não quero sentir emoções". Isso é patológico. Vocês têm que sentir emoções na dose moderada. A emoção, ela é como se fosse uma onda. Ela vem e ela vai. Ela vem, ela tem seu pico, ela vai. Emoção dura 10, 20, 30 segundos e ela vai embora. 16 segundos? Alguns estudos trazem. Nossa, Fernando, tão pouco assim? Sim. Mas por que que eu fico sentindo o tempo inteiro? Porque você coçou a mente humana joga essa onda de novo, um loop, né? Então, nós sentimos. Pegue um animal, um cachorrinho, e veja. Ele sente medo quando tem ameaça. Ele fica todo tenso, ativa o sistema simpático dele. Quando tira aquela ameaça, ele relaxa e acabou. Aquela onda passa e está tudo bem. Nós não. Nós ficamos: "Nossa, isso aconteceu de novo. Nossa, mas e tal outra coisa? Nossa, e aquilo? E aquele outro leão? E aquele outro leão? E aquela outra coisa? Aquela outra situação?". A gente fica criando. A gente fica reverberando essas ondas e elas ficam voltando. Tá? Mas senti emoções, espero que já dê para entender. Não é patológico, é saudável, é esperado. Nós temos que escutar as emoções e não ter medo das emoções. Tá? Numa dose ok. A falta de emoções é muito patológico. O excesso, da gente ficar noiado, ignorando elas ou jogando elas em looping, também vai nos paralisar. Tá? Também é patológico. Por exemplo, este, eu sempre esqueço o nome desse cara. Tem que gravar para as outras. Mas é um escalador famoso que tem um documentário até que ganha o Oscar nos dois, três anos atrás, que ele escalou esta montanha aqui sem nenhum tipo de equipamento de segurança, tá? E eu trago esse caso porque o seguinte, esse cara claramente tem um distúrbio, um problema em relação ao seu corpo ler medo, perigo. Então, ele não sente essa emoção. Você sente? Sente de uma maneira muito branda que não faz evitar determinadas situações onde a sua vida fica em risco. Escalar uma montanha dessa sem equipamento significa dizer que eventualmente você vai cometer um erro. Como eu cometo erros às vezes dando aula. Quando você comete erros às vezes numa tabela de Excel do seu trabalho, esse cara vai cometer um erro na escalada. Só que em vez de dar um Ctrl+Z no computador, ele vai morrer. É uma questão de tempo. Espero que isso não aconteça, mas tudo indica. Então, é não sentir medo é patológico, faz vocês colocar em risco. Não sentir as emoções faz inclusive. Tem, tem estudos que mostram que pessoas que nascem com [Música] eu acho que era o próprio filme As Gate, que era um cara que ele levou uma barra de ferro na cabeça e ele acabou alterando a senso-percepção das emoções dele e não sentia mais emoções. Ele não conseguia mais escolher coisas do tipo: "Você quer arroz ou você quer massa? Você quer a sessão do dentista para segunda ou terça?". Ele não conseguia escolher esses eventos, porque lembra do cérebro tripartite? As emoções fazem com que a gente tome escolhas. Não é nosso cérebro racional que escolhe. As escolhas são baseadas no nosso eu emocional. No momento que eu tiro as emoções, a gente vira um robô meio burro assim, sem, sem muito saber o que que está acontecendo. Tá? Então, esse cara, o Pneus Gay, que era um cara normal, trabalhava numa fábrica, com uma barra entrando na cabeça dele, ele teve alterações nas emoções e outras coisas, mas ele não conseguia tomar escolha. Fazer escolhas. Vejam o que que não é emoção faz com uma pessoa. Ou ainda, se você daqui a pouco tem dificuldade de se conectar com as emoções, provavelmente você vai ter dificuldade de ter vínculos, não ter vínculos, se conectar com as pessoas. A gente fica menos empático, a gente torna antissocial. Esse cara, não tendo a percepção do medo bem trabalhada, se coloca em risco de vida. Então, a falta das emoções não é desejada. Temos que tirar essa máxima vindo da era Iluminista da ideia de que a razão sobrepõe emoção e que emoção é algo ruim de sentir. Emoção é vida. A gente, a vida tem graça, o colorido da vida se dá por causa das emoções e não por causa da razão.

Agora, o medo em excesso, assim como a falta, desse slide, o excesso nos paralisa. Então, daqui a pouco eu não consigo fazer uma prova, que eu fico tão nervoso que me dá um branco. Ou eu não consigo, daqui a pouco, performar no encontro, não deixe que eu fico tão nervoso que eu não sei falar, eu gaguejo, ou não vou no encontro, evito encontro. Então, medo em excesso paralisa. A falta dele nos coloca em risco. Então, nós temos que, quando for fazer uma prova, ter um pouquinho de medo, ansiedade, que vai fazer com que a gente diga: "Pai, eu vou estudar para essa prova". Nos convida uma ação. Nossa, eu tô com friozinho na barriga de encontrar aquela pessoa que eu gosto. Pô, que legal, eu vou. Isso nos mobiliza. Os excessos nos paralisam. Fatores que influenciam na intensidade do medo. Deixa eu ler esse slide, porque faz tempo que é isso. Ah, ok. É nosso cérebro racional. Como eu falei, o medo vem como uma onda. A amígdala lê aquela situação como perigosa, dispara o sistema simpático do nosso corpo, que nos mobiliza para. E se o nosso cérebro pega essa informação que a gente recebe e diz: "Nossa, isso é gravíssimo", a gente aumenta o nosso medo. Então, como a gente interpreta o que acabou de acontecer, faz com que a gente lance novas ondas de medo ou consiga acalmar elas, né? Se algo imediato ou iminente, eu consigo enfrentar essa situação. Tudo isso tem a ver com ao nosso senso de julgamento racional, que vai aumentar ou diminuir o medo que a gente sente. No psicoterapia, esse trabalha muito isso com pessoas ansiosas, que é como que elas lidam com medo delas. Como que eu racional, na terapia do esquema, que a gente chama adulto saudável, consegue acalmar essa criança assustada dentro da gente? Esse lado que sente medo, protegendo esse lado, dando o que falta, né? Provavelmente proteção, um senso de dizer: "Ok, vai ficar tudo bem. Nós vamos agir assim, tal coisa assim, assado. Como que a gente pode, né? Aconteceu isso, a gente vai fazer assim, a gente vai fazer, a gente vai por aqui, a gente vai por ali". Acolher esse medo e tentar acalmar ele e não dizer: "Meu Deus do céu, não tem razão, o que que eu faço agora? Ai, não sei o que fazer". Isso só vai aumentar o medo. Tá? Tem, deixa eu ver se tem mais para frente aqui. Ah, tem ansiedade em psicoterapia. Tá, eu vou deixar para lá para a próxima parte. Então, esses são todos fatores que influenciam a intensidade do medo, né? Como que a gente lê a situação.

O que nos faz medrosos? Ameaça, perigo, né? Ameaça, o dano real ou imaginário. Real que está acontecendo, imaginário da nossa cabeça. O que que essa emoção sinaliza? Sinal de alerta para o perigo real ou imaginado. Os gatilhos: escuro. Gatilho muito forte por medo, por isso criança tem medo de dormir no escuro, porque o nosso principal senso de, do ser humano, dos sentidos, o tato, paladar, visão e tátil, é a visão, né? O nosso tato não é tão aguçado. Quando daqui a pouco um cachorro, nosso paladar não é tão aguçado, a língua não tem tantas propriedades, por exemplo, como uma cobra que fica ali o tempo inteiro lendo o ambiente através da sua linguinha ali. Tal é a visão. Se eu me privo de visão, fica tudo escuro, eu me sinto vulnerável, estou ameaçado, eu não consigo ver onde é que está o predador e coisas do tipo. A altura, o voar também está associado ao medo. Interações sociais e rejeições. A gente tem medo de ser rejeitado, por quê? Porque as interações sociais são tão, tão, tão importantes para nos manter, né, naquele sentido evolutivo em grupo, sobrevivemos como espécie. E agora, como a gente tem um cérebro racional que consegue projetar um encontro futuro, a gente tem, na verdade, medo de ser rejeitado, porque a gente tem medo de, ao ser rejeitado, sentir tristeza. Faz sentido? Cobras, aranhas e animais rastejantes também geram medo na maioria das pessoas, um medo instintivo, porque eram os animais que tinham lá na Savana que nos comiam. Então, se eles répteis rastejantes, a gente tem já ficar aversivo, tá? E o medo da morte também é um medo que só nós experienciamos, porque a gente consegue saber que vai morrer a partir desse cérebro racional. Esse é o medo complicadíssimo de lidar. E Freud já diria que todos nós temos que recalcar, porque, enfim, [Música] a nossa própria morte é um grande mistério e seria tão difícil a gente ponderar sobre ela que, em partes, a gente tem que fingir que não está nem aí, ou recalcar isso até a hora que isso aconteça. De certa forma, recalcar, deixar escondido isso de alguma forma, não entrar muito em contato. Tem várias teorias que, por exemplo, filmes de herói, as pessoas gostam de ver, porque é uma forma que o herói consegue se livrar da morte, ele consegue vencer a morte, e isso faz com que a gente se sinta bem de alguma forma. Enfim, a filosofia muito da filosofia trabalha em cima da ideia de como nós podemos lidar com a morte. Os estoicos, no sentido de "memento mori", lembre-se que você é mortal, de conseguir trabalhar bem a morte. A ideia de que você só consegue viver bem com intensidade se você conseguir aceitar bem a sua morte, dentro do que é possível aceitar. Não tem também, é uma questão histórica. Tem um ensaio maravilhoso de filosofia sobre a morte, se chama "Filosofar e Aprender a Morrer". "Filosofar e Aprender a Morrer". Esse ensaio é maravilhoso, vocês podem procurar na internet, tá? Enfim, temos medo da morte, né? Ela está aí, é um grande mistério para todos nós.

Sensações do medo. Às vezes a pessoa sente frio, encurtamento da respiração ou falta de ar, sudorese, tremores, um aperto da musculatura nos braços e nas pernas. Por que que eu trago essas sensações aqui? Pessoal, vocês podem pensar: "Ah, nada a ver, isso está falando as sensações de cada emoção". Porque para a gente reconhecer as emoções, escutar elas, a gente tem que saber como ela se manifesta no nosso corpo. Tem pessoas que mais facilidade conseguem discernir, né? "Tô sentindo, eu tô me sentindo triste. Eu tô com medo". Mas tem pessoas que não conseguem reconhecer tão bem. Então, elas podem tentar buscar as pistas nas sensações. Assim: "Puxa, meu peito está pesado. Que que é peito pesado? Ah, eu tô triste". "Puxa, eu tô todo contraído aqui, eu tô assim, ó. Ai, tô com medo". Então, o nosso corpo fala, não só na expressão facial, mas também corporal, a partir daquela emoção lançada. Então, isso aqui facilita vocês terem a compreensão da emoção que está ali presente. Qual que é a postura do medo? Ligado que a gente estava falando, né? Mobiliza para ação. A gente fica pronto para uma ação, fica pilhado mesmo, né? Claro, o coração a mil. A gente ali meio, mas a gente age. Tem muitas pessoas que relatam isso, vocês já devem ter passado, que é assim, uma situação, uma situação grave aconteceu, um acidente de carro, a ambulância foi chamada, vocês estão ali. Tem gente que paralisa e tem gente que daqui a pouco vai resolve, pega, coloca o outro nas costas, pega, vai para lá, vai para cá, não sei o quê, um monte de coisa. Vai no hospital, passa a madrugada inteira. Depois que termina, ela aí ela sente toda aquela descarga. Mas durante a ação, ela, ela consegue agir, porque liga o luta ou fuga, né? Outra postura do medo, sua contraditória, mas acontece, é a paralisia. A pessoa congela. É tão constrangedor aquilo, é tão em excesso esse luta ou fuga que a pessoa congela e paralisa e não sabe o que fazer, não sabe como agir. Aquele exemplo que eu dei da pessoa que fica um branco na hora da prova, não consegue fazer a prova, paralisa.

Ansiedade em psicoterapia. Em terapia, a gente analisa o que que está nos gerando medo. Então, a gente consegue tentar trabalhar o paciente, entrar em contato, escutar essa emoção, identificar essa emoção, né? Identificar essa emoção, como que ela se manifesta, quando que ela se manifesta, qual a mensagem que ela está trazendo. Isso a gente faz através de um trabalho de análise de pensamento na terapia mais cognitivo-comportamental clássica, com análise de pensamento. Tem uma situação, eu senti medo. Tem uma situação, sente medo. O que que passou na tua cabeça daquela situação que fez seus sentimentos? Qual foi a interpretação que tu teve daquela situação? Como diria Bíblica, do filósofo histórico, não são os fatos em si, mas a maneira como a gente interpreta os fatos que nos gera emoções ou sensações. Então, em terapia, a gente tenta ver como é que está sendo a interpretação daqueles eventos que está gerando emoção medo. A gente vai trabalhar em cima dessa interpretação, dentre outras coisas. E também em terapia, a gente trabalha técnicas comportamentais de alteração dessa emoção, porque a emoção, ela pode ser regulada tanto através de pensamentos alternativos, quanto também de mudanças comportamentais diretas, como técnicas de respiração, relaxamento, extração. Então, enfim, tem aqui um pouquinho de como se trabalha isso em psicoterapia, mas o principal é a pessoa reconhecer a emoção e saber acolher aquela emoção, sabendo qual a necessidade por detrás daquela emoção que não está sendo atendida. Vou martelar isso a aula inteira, azar de vocês, vocês vão saber de cor. Isso aí, as áreas na cara, lá vem ele de novo. É, então o medo, ele vai estar mais relacionado à necessidade de autonomia e desempenho prejudicados, tá? A pessoa, no fundo, ela não se sente muito apta, não foi bem desenvolvida isso na sua infância, certo? Ela não foi aquela criança que a mãe e o pai disse: "Não, vai lá e tenta". A criança tentou, se machucou, caiu, ralou o joelho, voltou chorando, o pai e a mãe acolheram, passaram lá um Merthiolate no joelho, ela tenta de novo, e a criança foi criando a partir daí um senso de competência, né? No fundo, eu vou ler aqui para não ficar soltando. No fundo, tem a ver com senso de competência, autonomia prejudicados, a visão de si como é insuficiente, ou pais que protegeram demais e a criança internaliza a ideia: "Preciso de alguém que proteja, porque senão não vou conseguir fazer sozinha". Os pais que não incentivaram a criança a dizer: "E ela, e a criança sentir que errou, que tudo bem errar, levanta e tenta de novo, e está tudo bem, que nada terrível vai acontecer se a criança errar". Isso se dá o que a gente chama de esquema de vulnerabilidade. Algo de ouvir a criança internaliza a ideia da infância que ela teve de hipertensão dos seus cuidadores, muitas vezes, que algo de horrível vai acontecer. O mundo é um lugar perigoso. Normalmente, pais também ansiosos que passam essa mensagem, né? Então, está lá a criança brincando na piscina e o pai diz: "Meu Deus, não corre na beira da piscina que você vai escorregar, bater a cabeça e ficar tetraplégica. Tem que parar no hospital, numa UTI, meu Deus". Aí você vai morrer, você vai ter um câncer. Calma, pai. Você pode orientar de uma maneira mais a não passar a ideia, a visão para a criança de que o mundo é um lugar perigosíssimo, horroroso, e qualquer hora vai continuar tragédia, e que se acontecer, a pessoa não vai conseguir lidar. Então, algo horrível vai acontecer. A mensagem que a criança entrou, gente, se acontecer, eu não vou saber suportar. E com base nisso, a criança tenta, o adulto, na verdade, né, ele que se desenvolveu, mas que ainda tem essa criança medrosa dentro dele, tenta controlar o ambiente ou evitar situações o máximo que consegue para que essas tragédias não aconteçam. Mas a questão é que a gente não consegue controlar a maioria das coisas que acontece na vida. E tragédias acontecem, que a gente queira, que a gente não queira. Então, essa pessoa está sempre ansiosa, prevendo, saindo do presente, indo para o futuro, todas as possibilidades para que algo horrível não aconteça. E aí fica uma espécie de masturbação mental que a pessoa vai do nada para o lugar algum e fica ali se ativando, né, no sistema simpático, jogando aquelas ondas e sentindo medo, mas de uma maneira totalmente improdutiva. Dentro das técnicas também, em psicoterapia, a gente modifica um pouco esse aspecto infantil, aqui falando já mais terapia do esquema, onde a gente tenta, na relação terapêutica, através de algumas técnicas de imagem e exercícios mais mental, dar para essa criança ou para esse paciente o conforto que ela precisava. E também estimular essa, essa necessidade de autonomia, de "vai lá, tenta, vamos junto, a gente pega junto na mão do paciente, eles vão fazer, nós dois, mas tu vai te experimentando isso, machucar o joelho, a gente passa Merthiolate, vai". A pessoa precisa de uma nova base segura para ensaiar essa experimentação de autonomia. E aqui são os medos que nós temos em psicoterapia. Eu vou gravar uma aula específica sobre isso também. Um medo generalizado, sobretudo de sua tenta ter o controle. Então, esses ficam na cabeça da pessoa: "Ai, meu Deus, e se a prova de amanhã, não conseguir passar? E se meu namorado não quiser isso? E o carro estragar para a viagem? E se cometa cair na Terra? E se chover? Isso é aquele cachorro do vizinho sair da coleira e comer meu, minhas plantas? E se daqui a pouco, né?". Ficam generalizados. Uma ansiedade específica no objeto. Então, eu tenho fobia específica de aranha, de cobra, de alguma coisa assim. Uma ansiedade social, onde esse medo, ele fica restrito a como os outros me veem, como os outros me julgam, como os outros estão achando. "Ah, que aquele cara está achando que eu estou fazendo? Ai, será que eu tô? Será que eu tô caminhando bem?". De pessoas têm dificuldade de comer em público, porque ai, que que os outros estão achando? Tem dificuldade de falar em público, né? Apresentar aquele trabalho no colégio, na faculdade, de "Ai, meu Deus, o que que os outros vão pensar?". E sim, né, olhares sociais.

Uma cidade relacionada ao seu desempenho, ansiedade interna que se chama Pânico. Então, o que que acontece? Digamos que eu subo um lance de escada correndo para ir lá para uma reunião. Meu coração começa a bater mais rápido. Normal que aconteça uma ativaçãozinha do sistema simpático. Aí, não por causa de medo, mas porque o sistema simpático ele precisou ser mobilizado para eu subir o lance de escadas, né? Lembro que o sistema simpático ele tem a ver com preparar o corpo para fugir ou lutar contra um animal, mas também subir um lance de escada exige empenho, exige liberação ali de substâncias no corpo. Sistema simpático foi ativado. E aí, minha cabeça lê aquilo. Olha, nossa, manda a cabeça lê mandando uma mensagem de perigo para o corpo, né? Dizendo assim: "Nossa, tem algo de errado. Meu coração tá batendo rápido. Eu acho que vou ter infarto." Quanto manda essa mensagem, a mente lê como perigo, tigre, aumenta o coração batendo mais rápido e sudorese e tudo mais, né? E aí eu penso: "Nossa, meu coração tá subindo. Viu mesmo? Agora sim, eu vou ter um infarto. Meu coração tá subindo. Vai, é um infarto garantido." Essa mensagem aumenta a ativação simpática. Perceba o corpo de você está funcionando como tem que funcionar. Sistema simpático tá em dia. O que tá errado são as mensagens em looping que você fica mandando. E aí você vai escalonando a ansiedade entre ativação simpática e pensamento catastrófico. Ativação simpática, pensamento catastrófico, até ter um ataque de pânico, a crise de pânico, que a pessoa acha que vai morrer, vai desmaiar, vai vomitar, que vai ficar louca. Tem um pico de ansiedade, vai até o máximo e depois devagarinho vai descendo. Agorafobia, que é a ansiedade de locais fechados, abertos, por exemplo, entrar em elevador, etc. Tudo isso são manifestações não digeridas do medo que a gente não consegue lidar bem com medo, certo? Isso tudo é trabalhar em psicoterapia, né? Mas para vocês verem que eu estava falando, né, como é complicado ter um cérebro que pensa e consegue se projetar no futuro, porque dá margem junto que daqui a pouco, com necessidades emocionais não supridas, é uma autonomia não desenvolvida lá na infância, para a gente ter todos esses quadros aqui. Então, isso é muito um efeito colateral do nosso modelo evolutivo. A natureza não tá se importando com o nosso bem-estar, ela tá se importando se a gente vai passar os nossos genes adiante. E bom, a estratégia humana parece ter dado certo, né? Tem aí quantos bilhões? 7 bilhões, bilhões de seres humanos. Uma praga, né? Então deu certo. Hoje todo mundo tem filho, os filhos relativamente nascem seguros. Aí a taxa de mortalidade antigamente era maior de 50%. Hoje é bem pequena. Claro, regiões mais pobres é maior, mas assim funciona para os nossos genes serem passados adiante. Pato lá no início da aula, mas para a gente ter dúvida se é prazeroso, né? Às vezes é meio caótico. Então, bom, nós vamos alongar aqui porque eu acho que isso é mais de psicoterapia. Mas ansiedade social, por exemplo, a pessoa fica julgando que que o outro vai pensar, né? "Todos estão me olhando. Ai meu Deus, vou passar vergonha. Que que o outro vai achar?" etc. Agora, eu não lembro, faz muito tempo que eu botei essa essa foto, não tenho nem ideia do que que ela representa. Eu acho que é a questão de comer em público, né? O tipo da exposição. Enfim, vou me dizer o que vem na minha cabeça. Então, a pessoa com ansiedade social, ela fica ali projetando no futuro o seu medo, né, do que que os outros vão achar, que não vão achar, etc., etc. Vejam, esse que que vão achar, que não vão achar, tem a ver com a pessoa não querer ser rejeitada, tem a ver com a necessidade de conexão. Ela quer ser aceita, mas como ela tem a capacidade de se projetar no futuro, ela se projeta e fica pensando coisas que não podem dar certo. E isso ativa o sistema simpático e ativa o medo dela. E isso faz com que ela tenha menores chances de que dê certo se ativado em excesso. Então, [Música] analisar os medos. Eu não lembro o que que eu quis dizer com isso aqui, tá, gente? Mas enfim, a mensagem do passado. Vamos falar agora da emoção nojo. Muito bem, vamos falar então sobre o nojo. Aqui tá a cara do nojo. [Música] Vamos ver as características parciais referentes detalhes: sobrancelhas rebaixadas, rugas nas laterais e na ponta do nariz, né? Fazer essas ruguinhas aqui assim, na ponta, nas laterais e na ponta do nariz. Lábio superior levantado em formato de um invertido. Então, a gente faz esse biquinho. E o lábio inferior levantado, ligeiramente saliente. Esse é o rosto universal do medo, do nojo, melhor dizendo. Qual que é a mensagem que o nojo passa? E que o nojo dizendo para o nosso corpo, dizendo para a nossa, né, nosso comportamento: "Fique longe. Isso está contaminado." Ou seja, não coma esse alimento, não coma esse, não chegue perto disso, não toque nisso, não fique longe. Essa é a função do nojo: afastar-se, bloquear ou eliminar algo tóxico, contaminante. O que que nos faz enjoados? Algo potencialmente estragado ou contaminado, contaminante, enfim, venenoso. Então, cheiros e gostos estão muito ligados ao nojo. Visual também. Então, imaginem daqui a pouco, sei lá, uma carne que vai ser servida na mesa de vocês e tem um cheiro azedo. Ou uma massa que daqui a pouco, sei lá, tá verde. Ou vocês põem na boca e tem um gosto estranho, podre. Tudo isso embrulha o estômago e a vontade de regurgitar a comida. Ou seja, não colocar aquele alimento para dentro, porque isso pode estar contaminado. Quando eu digo contaminado, é micro-organismos que querem nos destruir. A natureza, isso, né? É uma luta. Coronavírus estava aí há algum tempo atrás, né? São do ponto de vista do vírus, um ser vivo que quer prosperar num corpo hospedeiro, né? E a vida é assim, o embate ali de vontades e de um animal contra o outro, de certa forma. Então, a gente é como se fosse um, assim como medo, uma proteção de sobrevivência também. Parece a guerra mais silenciosa que são dos micro-organismos, porque eles querem nos consumir. E a gente, a partir do nojo, consegue repeli-los. É por isso que também mulheres grávidas, em você não me falha a memória, início de gestação, elas têm nojo, muitas vezes, de alimentos, etc., ou ficam enjoadas, não têm energia, alimentos, ficam enjoadas bastante e tal, como um reflexo protetivo daquela fase de desenvolvimento fetal, de mais sensível, do que alimento, tentando proteger alimentos daqui a pouco estragados, alguma coisa gera uma hipersensibilidade de enjoo e vômito, por exemplo. É um sentido protetivo. O que que essa emoção sinaliza? Algo podre pode prejudicar o podre. Algo pode e podre pode prejudicar nossa saúde. Gatilhos comuns: produtos corporais expulsos, então fezes, vômito, vísceras, né? Urina. Espero que essa parte da aula você não esteja vendo enquanto está se alimentando. Espero do fundo do meu coração. Se você tiver, faça uma pausa aí no alimento, come depois, vem ver essa aula, ver outra coisa, põe um Casimiro aí no YouTube, alguma coisa mais alegre, depois vem para cá, porque só de falar nisso já gera um pouco de nojo, né? Então, fezes, certos alimentos, geralmente de culturas diferentes da nossa, né? Então, quando a gente vê as pessoas comendo lá, sei lá, grilo, escorpião, cachorro, sei lá. Eu que cachorro, dá pena, né? Porque a gente tem afeto pelos pelo pelo animal. Mas morcego, geralmente, lesmas, as coisas dão nojo, embora sejam proteínas ali, tá? Então, como não tá na nossa cultura, soa daqui a pouco ameaçador, perigoso, nesse sentido, contaminante. Algo apodrecido, doente ou morrendo, dá nojo, certo? Fazer com que a gente, como animal, lá na Savana, ao longo dos dois milhões de anos evolutivos, não visse uma carcaça de boi lá cheia de mosca, por exemplo, que ele botou larva, fedendo, e fosse lá e comer. A gente não faz isso porque a gente sente nojo. Ou os seres humanos que fizeram isso não estão aqui para contar história, não passaram seus genes adiante. E selecionar geneticamente foi selecionado a partir do ponto de vista da Darwiniana as pessoas que têm nojo para esse tipo de coisa. Lesões, cirurgia, qualquer coisa de exposição ao interior do corpo, gerar também nojo, principalmente corpo do outro. Sensações no nojo. Então, a função na boca, garganta, no estômago é uma náusea ou repulsão física, ou seja, vômito. Postura do nojo: virar fisicamente a cabeça, o corpo para longe da fonte da repulsa. Então, a gente faz assim, né? Até põe a mão. Eu sei que eu tô num quadrinho pequeno, mas olhem para mim agora. Sozinho, põe a mão e vira para o lado assim. Quando com náusea, a gente cobre o nariz, a boca, ou encurta-se, de certa forma. Então, a gente cobre o nariz, se cura para não sentir o cheiro, ou protetivo para não comer o alimento. Interessante. Esse é o nojo. Nojo. Opa. O nojo, ele não é muito assim questão de psicoterapia, o que vocês tenham que super decifrar essa emoção, porque ela não causa grandes danos assim colaterais, até porque ela socialmente aceita, né? Tirando nojo social, que é o desprezo. O nojo, nojo, esse por vírus e coisas, ele é socialmente aceito. A gente, a gente não socialmente, a gente não reprime, o recalca isso, né? A raiva, tristeza são vistas como emoções, entre aspas, feias, que não podem ser manifestas, né? Que fez sentir raiva da sua mãe? Não chore. Não, não fique triste. Coisas que a gente diz para tentar, sei lá, acalmar o outro, mas que são invalidantes quanto a escutar a emoção que tá ali, né? A gente tá negligenciando a emoção. O nojo, ele é neutro nesse sentido, embora muito ruim sentir. Ninguém diz assim: "Poxa, não fica com nojo." Ah, ninguém tenta recalcar ou reprimir essa emoção, né? Ninguém pune essa emoção. Então, ele tá aí. E veja, quando a minha emoção tá aí, ela sem ser julgada, ela simplesmente existe, né? O que acontece com toda a natureza, menos o ser humano, que se julga para caramba, que se reprime para caramba, tem autocrítica para caramba em relação às outras emoções. Isso também acontece. Raiva. Essa é uma emoção poderosíssima também, uma das minhas favoritas, favoritas até de trabalhar em psicoterapia, porque ela é um motor, motor propulsor para a melhora do paciente. Então, a raiva. Essa, essa cara que é a cara de raiva, né? Às vezes até mostrando os dentes assim, mas essa raiva dá para ver ali a expressão do rapaz, né, de raiva, que é sobrancelhas puxada para baixo, juntas, né? A gente puxa para baixo, olha os apertados. Então, percebam como a gente aperta os olhos, né? Esse é o principal sinal da raiva, eu acho assim, o olho apertado, né? Olhando fixamente e os lábios pressionados juntos. Ou, né, se você tem uma veia mais animalesca de mostrar os dentes assim. Os animais, eles mostram os dentes. Um cachorro assim para dizer assim: "Ah, olha aqui o tamanho da minha presa, né? No meu canino, sou perigoso." A gente não faz isso porque nossos dentes são tudo, né, dóceis, né? Os dentinhos de leite. Então, a gente mais prende ali o olho fixamente, né? E o olhar direto no outro, não um olhar desviado do outro. É um olhar direto no outro, meio de ameaça, dizendo: "Não chega aqui, não chega aqui que eu vou explodir. Não chega aqui que eu vou dar na tua cara." Uma coisa assim. Então, a mensagem da raiva: "Sai do meu caminho. Me respeita. Me respeita." Então, a função da raiva é defender o território. Porque por isso que eu acho essa emoção importantíssima, porque quando a gente está sentindo raiva, normalmente a gente está sendo abusado. Alguém está violando o nosso território. Não físico, não digo que sexual, corporal, agredindo sexualmente, pode até ser. Eu digo emocionalmente. Alguém tem impondo muito a sua vontade em relação a nós. E aí a gente sente raiva, né? Uma vontade de defender nosso território. De alguém pulou nessa cerquinha, a gente quer empurrar de volta a cerquinha, né? Defender o território. Proteção. Perceba um animalzinho que está lá comendo sua ração, um cachorro comendo sua ração. Tenta enxergar perto, se vocês são desconhecidos, enfiar a mão na comida do cachorro, ver o que acontece. Ele morde você. Ele sente raiva. "Isso aqui é meu. Ninguém mexe. Defendo isso aqui. Defendo eu e os outros." A minha esposa, por exemplo, quando ela está no chão, sentada no chão assim, que às vezes ela senta no tapete, sei lá, alguma coisa assim para brincar com o nosso cachorrinho, e eu chego perto dela quando ela está sentada no chão, é para dar um beijo, dar um abraço. A cachorrinha se põe. Ela avança. Que quando ela está no meio, quando a minha esposa está no mesmo plano que aquela cachorrinha, a cachorrinha sente que ela precisa proteger a minha esposa. Então, é engraçado quando me aproxima de uma forma muito, ela vem, avança protetivamente. Essa é a função da raiva, né? A raiva, ela nos convida a uma ação, uma ação enérgica de proteção. A raiva sentida, ela sinaliza que limites precisam ser colocados. E a gente está sofrendo algum tipo de injustiça, ou a gente ou vendo isso acontecer com outro. O que que nos faz raivosos? Uma sensação de violação ou de injustiça. O que que essa emoção sinaliza? Alguém está passando dos limites com a gente. Alguém está nos prejudicando. Quando nós nos sentimos, uma linguagem técnica agora, privados emocionalmente por muito tempo, a gente sente raiva. E é bom que a gente sinta raiva, porque a raiva, ela convida um comportamento de despressurização. Ou seja, a gente conseguir empurrar a cerquinha de volta. Uma coisa amassou, empurrou. Sabe aqueles bonecos de plástico que a massa vai para dentro? A gente empurra de volta, ele sai para fora. Assim, é uma forma da gente mobilizar os recursos que a gente precisa para atender essa nossa privação. Então, quando uma necessidade emocional, conexão, autonomia ou segurança não está atendida, nós vamos sentir daqui a pouco uma tristeza, um desamparo. A raiva, ela vai ser uma emoção secundária a essa tristeza, que vai dizer: "Ei, presta atenção nisso aqui. Olha, tá vendo isso aqui? Nós precisamos disso aqui. Presta atenção nisso aqui." A raiva, ela vai como sinalizar muitas vezes o que está por debaixo, que é uma tristeza da privação não atendida. Olha que bacana isso. Então, a raiva, ela é um sinalizador de necessidades não atendidas e ela é impulsionador, direção a gente buscar o que precisa e colocar limites quando os outros nos invadem, quando os outros pisam em cima da gente, de uma certa forma, tá? E vale o nosso território, o espaço emocional. Os gatilhos mais comuns: interferências, injustiças, alguém tentando nos machucar ou machucar algum ente querido. A raiva manifesta em outra pessoa, pelo que eu falei de neurônios espelho, gera na gente também um sentimento de raiva. Brabeza, estou sentindo tribal em grupo, né, de proteção. Traições, abandonos e rejeições geram raiva, porque a gente fica puto com o outro, de dizer: "Desgraçado, ele está me tirando algo, ele está me fazendo sofrer." A gente fica com raiva do outro porque o outro nos deixou triste, muitas vezes, né? Observar alguém violar a lei, os limites estabelecidos, também gera raiva, porque é uma injustiça. E a gente se sente injustiçado, daqui a pouco, está pagando imposto e o botão não está pagando. Uma coisa assim, qualquer coisa assim, sabe? A gente está na fila esperando um monte de duas horas ali, alguém fura fila, a gente sente raiva. Qual que é a sensação dessa emoção no corpo? Para vocês aprenderem a identificar: calor, sudorese, tensão muscular, aperto na mandíbula, na mandíbula, né? Isso, punhos. Então, a gente tem já morder, bruxelas, uma coisa do tipo. A gente se contrai na musculatura, inclina-se para frente com a cabeça e com queixo. Então, uma postura convidativa a um embate. Muitas vezes, muitas vezes isso pode ser um problema. Quando eu digo que a raiva das emoções favoritas, junto com a tristeza, é no sentido da mensagem que ela passa, de como que a gente pode trabalhar para escutar ela, né? Uma mola propulsora para ter a necessidade atendida, mas não agir cegamente perante ela, porque o comportamento que a raiva que vem da raiva, muitas vezes, é um comportamento impulsivo e agressivo que pode piorar a nossa sensação, pode nos deixar mais longe do objetivo que a gente queria, né, ter a necessidade satisfeita. Então, veja a postura da raiva: ela é uma postura de embate, inclina-se para frente, projeta-se, estufamento do peito, vai ficar maior para ficar assim agressivo. Vamos para porrada mesmo. Uma estratégia que os animais têm quando eles vão lutar um com o outro, eles tentam crescer de tamanho para intimidar o outro. "Eu sou mais forte que você." A raiva em psicoterapia, então, é primeiro que é um espaço de poder expressar essa emoção de forma segura, de ventilar essa emoção presa, onde na nossa sociedade, com os nossos cuidadores ou cônjuges, essa emoção sempre soa ruim, sempre soa negativa, né? Tem esse peso em cima da raiva. E a gente poder expressar ela de uma forma segura em terapia, vomitando mesmo essa matéria de esquema, a gente chama nessa criança raivosa, tudo que tem ali, tudo que está preso. A pessoa poder expressar. No momento que ela expressa, em ventila, a gente também escuta a mensagem. Como eu vou bater na tecla aqui novamente? Que que essa raiva vem comunicar? O que que aconteceu de injustiça, ou que tu interpretou injusto, ou que violaram algum espaço emocional teu do outro para consigo? O que que está acontecendo aí que veio essa raiva? E analisar junto que outras emoções emergem. Normalmente, havia uma tristeza por debaixo da raiva, uma tristeza de uma necessidade não suprida. É como se tivesse a necessidade não suprida, vem a tristeza, né? Logo em sequência, comunicar essa necessidade não suprida. E numa segunda camada, vem a raiva, querendo fazer: "Vamos agir, vamos agir, vamos tentar ter o que a gente precisa, né?" Uma segunda camada. Então, quando a gente fura essa primeira camada da raiva, normalmente uma segunda camada, a primeira camada embaixo é a tristeza. E a raiva, como eu falei, é um poderoso combustível para mudança. Ela impulsiona a gente atrás daquilo que a gente precisa. A gente só tem que regular em terapia como fazer isso de uma maneira assertiva e não agressiva. Mas a raiva é maravilhosa. A raiva, ela passa mensagem de: "Eu tenho direito de ter as minhas necessidades supridas ou em busca delas." Já empoderamento. Eu tenho direito de ter conexão, autonomia e segurança. Eu vou ir atrás disso. Eu não vou deixar o outro me tolir. A gente tem que validar essa função da raiva. A raiva quando dirigida ao externo, não a um outro no sentido de agressão, mas é um outro no sentido do mal que eles nos fez, é poderosa, é saudável. Isso a gente tem que validar. Não é feio sentir raiva de alguém que nos machucou. É feio querer, daqui a pouco, feio no sentido social, né? Querer vingança ou querer agredir essa pessoa de volta, porque daí a gente vai estar se colocando numa situação ruim, vai sobrar para gente. Mas é OK sentir raiva do outro. É OK sentir raiva das coisas, né? OK sentir raiva da injustiça do mundo. Tá? Quando a gente está colocando para o externo, a gente gera empoderamento. A gente não está colocando por interno. A gente não está tendo raiva da gente mesmo. Gera empoderamento ir em busca daquilo que eu tenho direito. A raiva não ventilada, ela torna-se autodirigida. Imaginem que é como se a gente fosse uma metáfora agora, uma analogia, mas a gente fosse uma espécie de navio de guerra. Navio de guerra tem que eles canhões, né? Para tirar para fora nas laterais dele. Normalmente, não dá para ver muito bem, mas normalmente aqui tem os canhões assim, né, na parte lateral. E esses canhões, eles são feitos para tirar para fora. A raiva é uma descarga muito forte, energética, que impede esse tiro para fora, né? Não um tiro agressivo, mas um tiro de poder, ventilar a emoção, poder se quiser gritar no banho, gritar no banho, se quiser bater no travesseiro, batendo travesseiro, se quiser sair correndo na rua para descarregar energia, né? Tipo correr de exercício, sai correndo, botar para fora mesmo. O que que acontece quando a gente tapa esse canhão? Se a gente está tapa esse canhão, essa bala, ela, eu tiro, vai acontecer, mas ele é feito para isso. Ela vai bater e vai voltar. Ela vai estourar dentro da gente. No momento que a gente suprime raiva, a gente começa a ter problemas. Essa descarga elétrica, ela tem que ir para algum lugar. Ela vai para o nosso estômago, dá dor de barriga. Ela vai para nossa cabeça, vira enxaqueca. Ela vai para nossa pele, vira problema de pele. Começa a ter transtornos e doenças psicossomáticas. Psicossomatismo, ele tem a ver com emoções não manifestas. Não só a raiva, todas as emoções são feitas para serem colocadas para fora e elas convidam um comportamento. No momento que o tapa esses canhões e digo: "Não, isso é feio, isso não pode aparecer", que fez sentir raiva da sua mãe? Não chore. Não fique assim. Explode dentro do meu corpo. Então, [Música] queria passar isso que é importante. Pega comer bastante paciência nas clínicas com problemas psicossomáticos. Bruxismo relacionado à ansiedade, cefaleia relacionada a estresse crônico, problemas estomacais, de pele, relacionadas à tristeza e raiva suprimidas e não bem trabalhadas, as necessidades não atendidas, né? Nosso corpo paga o preço. Ok. Então, a raiva, ela é um canhão feito para estourar para fora. No momento que eu coloco a raiva em seu devido objeto e no externo, eu não estou me dirigindo a mim mesmo. Não só no sentido fisiológico de monosupressão e patologias do tipo que eu falei, né, físicas, mas também emocionais. Quando eu começo a me autocriticar, dizendo: "Que merda que eu sou? Que lixo que eu sou? Como é que eu não consegui fazer isso? Eu sou um bosta." Tudo isso é raiva autodirigida. Eu estou dando vazão para ela atacando a mim mesmo, já que eu não consigo atacar os outros. E a raiva também é uma emoção que foi tolida na infância, muitas vezes, assim como a tristeza. São emoções, talvez por isso que elas dão mais problemas e precisam ter mais cuidados para serem trabalhadas na vida adulta, porque elas são as principais tolidas ali. São vistas como emoções negativas pela sociedade, etc., pelos nossos próprios cuidadores, né? Que quando a gente é criança, tem uma certa, lembra da conexão? Eu quero ser aceito pelos meus cuidadores. Então, começa a me modelar conforme que os cuidadores querem que eu faça. Então, eu tenho que abrir mão de uma certa autenticidade de quem eu sou, de expressar essas emoções, em ordem de ser aceito pelos cuidadores. E aí, eu tenho que deixar de ser autêntico, introjetar, estourar essas balas em mim mesmo, lá no meu próprio canhão interno, para conseguir ser aceito pelos cuidadores. E não grau maior também pela sociedade. No momento que nós temos o contrato social, no momento que nós vamos falar isso mais adiante, no momento que nós vivemos em sociedade, nós não podemos ser 100% animais, sente raiva lá e morde o outro. Então, nós temos que conseguir, para viver em sociedade, abrir mão de uma certa liberdade de quem a gente é pela segurança do todo. Tudo isso tem alguns efeitos colaterais. Trouxe grandes avanços, grandes melhorias, mas também traz efeitos colaterais para o indivíduo, no sentido de que o ser humano é o único ser que não consegue ser quem ele é 100%, como os outros animais, né? A gente foi domesticado por a gente mesmo e pela nossa sociedade. Então, essa cara de espanto, né? Sobrancelhas levantadas, mas não afundadas, então juntas, a gente dá arqueada na sobrancelha, pálpebras superiores levantadas nos olhos, né? E o queixo caído, muitas vezes, né? Queixo caído. Pensando a surpresa, nada mais é do que, na verdade, ela ser uma espécie de alerta para a gente ter nossa atenção para aquilo, entende? É como se fosse um: "Presta atenção nisso aqui, ó. Presta atenção no que está acontecendo." Então, eu estou falando aqui, daqui a pouco dá um barulho muito forte aqui, sei lá, na minha sala. Eu estou gravando de casa. Eu montei com consultóriozinho em casa, né? Eu atendo online e gravo aulas online aqui. Então, trabalho de casa. Bom, deu um barulho, imediatamente minha atenção vai para lá. Então, a função da surpresa é chamar atenção do meu consciente, do meu corpo, para algo que aconteceu. E aí, eu analisando esse algo que aconteceu, eu vejo se é perigoso, se não é. Da medula já está ligada. Eu vejo se eu vou sentir raiva, não vou, tristeza, não vou. Depende do que for acontecer na sequência. Mas a surpresa é esse primeiro: "Ei, presta atenção em algo. Alerta. Algo aconteceu. Te liga." Também não é uma emoção muito problemática, porque ela não é invalidada na sociedade. Ou que se sentir surpreso, as pessoas vão lá, fazem festa surpresa, todas essas coisas. Não é problema ficar surpreso, tá? Então, a surpresa, ela focaliza a nossa atenção para que a gente possa determinar o que que está acontecendo. E a partir disso, estamos em perigo ou não. Imagine se a gente não tivesse essa emoção. Começa a ter alguém invadindo a minha casa, fazendo barulho, dando marteladas na porta, e eu não me surpreendesse. Ia ficar assim. Entendi. Me colocar em risco também. Então, a surpresa, ela: "Ei, que que aconteceu? Que barulho é esse?" Vou lá investigar, vou olhar com cuidado. Aí vêm outras emoções, né? Então, ela é o primeiro canalizador ali de algo muito abrupto que acontece, nos chama atenção. Então, o que que nos faz surpresos? Ocorrências repentinas, inesperadas. O que que essa emoção sinaliza? A percepção sobre algo inesperado, mesmo, alguma coisa impactante, relevante, aconteceu, relevante aconteceu. Gatilhos como sons altos, manifestações, movimentações inesperadas, né? Tudo isso gera uma surpresa. A sensação: a ideia, como eu falei, é foco e atenção. A sensação da surpresa que mistura com certo susto no nosso corpo, talvez no peito, uma sensação de pulo, sobressalto, e vira o foco e atenção naquilo que aconteceu. O que que decorre da surpresa? Após alguns segundos, a surpresa diminui quando a gente percebe que está acontecendo. Tipo, tem um barulho, surpresa. Aí eu vi, sei lá, o livro que estava em cima da estante caiu no chão e fez o barulho. Então, quando a gente percebe que está acontecendo, a surpresa vai diminuindo. Já fez a sua função de me colocar alerta para aquele barulho, porque poderia ser perigoso. E aí vão vir outras emoções, dependendo do que acontecer, né? Digamos que esse livro cai e ele amassa, e era um livro que eu gostava, sei lá, cair no jeito esquisito. Aí eu vou ficar com raiva, dizendo: "Quem é que amassou? É um livro." Vou ficar triste, que azar, né? Então, abre espaço para outras emoções, certo? Postura da surpresa: mover a cabeça e levantar as mover a cabeça, levantar as mãos, rosto, né? Então, vocês podem ver, se uma festa surpresa, a pessoa fica daquele suspiro e a mão ao rosto assim, de choque, né? E a pessoa dá uma recuada. Isso é legal também em vídeos de festa surpresa, tem na internet vários, ou você já deve ter passado por alguma. A pessoa recua, porque com algo é surpreendente, nosso corpo não sabe se ainda que ele é perigoso ou não é, e tem um potencial de ser. A gente olha, mas olha com certa precaução. Então, a pessoa dá uns passos para trás. Isso é interessante também, como nosso corpo controla as coisas, né? Como ele tem vida própria. Isso eu acho fantástico. E o desprezo, que é a última emoção que nós vamos ver aqui. O desprezo é um nojo social. É quando alguém faz alguma coisa e a gente fica idiota, sabe? É um nojo da atitude social do outro, tá? Então, lábios apertados e levantados em um lado do rosto. Às vezes, já o desprezo é a única emoção que é expressa de forma unilateral. Não vai dos dois lados do rosto. Uma curiosidade. Pode ocorrer com ou sem uma expressão do sorriso, mas normalmente esse apertinho de lábio de um dos lados, certo? Nojo social. Uma reprovação. A função do desprezo é um certo: "Eu sou o melhor do que você." De desprezar a atitude de alguém, somada a uma certa punição social de rejeição para com outro, como quem o outro olhando essa cara, se alguém faz essa cara para gente, a gente diz: "Puxa, que que eu fiz de errado?" Então, é um pouco um controle social do outro não pular as normas sem consequências. E aqui, eu digo consequências da tribo, né? Não da justiça, porque daí é rejeitado aquela ação, é rejeitada pelo próprio grupo. O outro, o outro sente nojo do parceiro que burla as normas ou que trai a comunidade, daqui a pouco, entendeu? Então, como aquela pessoa que traiu, em via de regra, ela não quer perder o vínculo social, por necessidade de conexão, ela tende a respeitar as regras. Então, o desprezo também tem essa função de uma certa punição social. Sinaliza um sentimento de superioridade também. Sentido: "Eu sou melhor que você." Afirma poder, status. Está relacionado ao como o desprezo foi evoluindo, tá? E o desprezo, ele foi evoluindo mesmo. Sua função principal inicial sendo proteção do grupo, ali na questão de ninguém desviada norma por ser rejeitado, ele foi evoluindo com efeito colateral de do seguinte: ao passo da evolução, começou a ter propriedade privada, começou daqui a pouco algumas pessoas, por mais habilidades ou por se empenharem mais, ou qualquer coisa do tipo, começaram a ter mais controle sobre outras pessoas, terras maiores que outras pessoas, começaram a se apropriar de outras pessoas em termos de seu trabalho e serviço, etc., etc., etc. E aqui, não entrando no mérito, é bom ou ruim, dizendo assim, não foi as pessoas que daqui a pouco começam a se criar movimentos de pequenos vários grupos dentro de uma comunidade. Antes, quando a gente vivia caçadores e coletores, 8, 12, 20 pessoas, todos conheciam todos, todos tinham empatia por todos e todos trocavam. Inclusive, uma outra aula que eu vou gravar, algo interessante é o seguinte: [Música] quando alguém tinha filho, todos eram pai e mãe desses filhos, porque requer uma tribo para criar uma criança e não só um pai e mãe. Por isso que hoje pai e mãe têm que se desdobrar e não conseguem dar conta, tá? Cada vez mais e falham mais nas necessidades de conexão e autonomia e de segurança, porque o pai e mãe têm que trabalhar, pai e mãe têm que estar na rua, pai, casa, cuidando da criança, tem tempo de qualidade, um monte de coisa. Isso era feito por uma tribo inteira. Então, todo mundo tinha compaixão e empatia por todo mundo, tinha mais vínculo. Hoje, a gente não sabe nem quem é o nosso vizinho de porta, né? Hoje, a gente não vive em tribo. Antigamente, a gente novamente, não entrou no mérito, isso é bom ou ruim, embora para muitas das nossas necessidades seja ruim, né? As coisas como elas estão hoje, é o ser cada vez mais individualizado, a margem, eu comigo mesmo, e cada um consigo, né? O sofrimento nem é mais compartilhado, ele é visto como algo vergonhoso, tem que ser consertado. Então, sempre sofro sozinho, cada vez mais. Isso gera menos conexão, enfim, e etc. É a gente tinha empatia pelo grupo. No momento que esse grupo é colocado à margem e outras pessoas vêm e têm propriedades melhores, têm habilidades maiores, ou qualquer coisa assim, começam a me explorar, eu não vou ter empatia por essas pessoas. E essas pessoas vão viver como inferiores e não vão ter empatia por mim. A gente só tem empatia por quem está próximo da gente, pelo nosso micronúcleo. O efeito colateral é que eu passo a ter, não empatia, um certo desprezo, porque não é do meu grupo. Olha que loucura esse efeito colateral na empatia. Eu gosto que estão próximos de mim e os que não estão, eu sou indiferente. Eu tenho até um certo desprezo. Alguém próximo ao bando, eu considero e aceito, certo? O resto, eu tendo a ler até não tão protetivo, egoico, que são pessoas inferiores, distintas, não importa muito, né? Então, por exemplo, se tem uma criança na África passando fome, você vai dizer: "Tudo bem, é a vida." Agora, se seu irmão está passando fome, sua mãe está passando fome, é diferente, porque você tem empatia aquilo, está próximo do seu núcleo, tá? O resto é distinto, o rechaço, de certa forma. Então, o desprezo também tem a ver com isso. Eu desprezar o outro grupo. Bom, época política, isso é muito comum. As pessoas viram como se fossem animais, brigam um. [Música] O cara que gosta do candidato A, chega a matar pessoas que gostam do candidato B, vice-versa. A falta de empatia total, porque eu só me conecto com quem entra no meu grupo, quem pensa igual a mim. Então, esse é um perfeito perverso também da verdade, ampliado no nosso campo de sociedade para algo grande, porque a gente é feito para viver em pequenos grupos e pequenas tribos, como todos os animais. O rebanho de ovelhas não tem 50 mil ovelhas ou 5 milhões de ovelhas vivendo juntos, tem 20, 30, pequenos vários rebanhos, enfim. Esse é um ponto também do desprezo. Como olhar para o outro e dizer: "Eu sou melhor que você. O meu grupo tem ideias melhores que as suas." Nunca de verdadeiramente tenha, mas a pessoa pensa assim para se proteger. Afinal, ela está naquele grupo, ela tem que acreditar que onde ela está é o melhor que ela está. E isso por uma defesa até egoica, em relação a ela acreditar nos seus valores, onde ela está, o que ela está fazendo, tem que ser bom, tem que ser o melhor do outro que é que não presta, né? Se o outro pensa diferente, tem requer uma certa maturidade de escutar o outro e ponderar as suas próprias ideias, porque isso significa se colocar vulnerável e talvez não seja tão bom assim. As pessoas se fecham. Eles não, o outro é um idiota, eu que estou certo. Isso também aconteceu. Isso também pode ser chamado de desprezo, tá? Então, é isso reforçado quando começamos a morar em grupos fixos em que todas dependem de um líder forte, que eu falei da separações brutais, etc. O desprezo pelos outros e um senso de superioridade são reforçados quando chega assim uma posição de poder. Isso também é algo muito interessante na nossa sociedade, onde existe muita competição, né? No sistema capitalista. E o capitalismo, novo, sem colocar, tem coisas positivas, tem coisas negativas, não estou colocando juízo de valor nenhum aqui, né? É, mas é ele é um campo de batalha aberto, a lei da sobrevivência do mais forte. Se você não se, se você não sobrevive, azar o seu, né? Deveria ter criado habilidades para tal. Os principais líderes políticos, por exemplo, ou até de grandes empresas, claro que tem muitas exceções, mas em sua maioria são narcisistas ou antissociais, porque requer sede de poder, requer desprezo para com os outros, de dizer assim: "Eu vou pagar o menos que eu posso para esse funcionário, porque eu quero lucrar para mim." Ou seja, falta de empatia, né? Requer que eu passe por cima do outro, que eu queira que o outro se dê mal para eu me dar bem numa competição empresarial. E você vai dizer: "Ah, isso, mas isso é normal." É normal dentro da nossa sociedade. Normal, mas requer estômago para ser um líder político e sacanear o outro e etc. E nas empresas, da mesma forma. Então, os quando se chega num cargo de poder, primeiro que você já tem dentro de você uma necessidade compensatória de querer ser mais que os outros, de querer não viver uma vida normal. Eu quero ser admirado. Tem alguma coisa no meu ego que quer sobressair, né? Eu quero compensar, eu preciso vencer na vida de uma maneira analiticamente compensatória, normalmente para mostrar o troféu e a medalha para mãe e para o pai, a sua infância. Agora, quanto a isso, tudo bem. Mas quando a pessoa chega ao poder, então, a maioria dos líderes e os líderes da sociedade têm essa pegada antissocial, narcísica, e isso vai se repetindo daí de cima para baixo. Todo mundo começa a dizer: "Ninguém está pensando em mim, então também não vou mais pensar nos outros. Dane-se, eu vou fazer o meu aqui, o outro que se dane. Cada um por si, Deus contra todos." Começa a criar esse ciclo vicioso, né, de ver a sociedade como egoísta, como cada um por si. Quando, na verdade, não. Reparem quando vocês, supondo que vocês estão caminhando na rua e vocês veem um idoso caminhando, ele cai, tropeça no chão. Em dois segundos, vem um monte de gente ali solista querendo ajudar. Um, chamar ambulância, um pergunta se machucou, como diz que é médico, já pega a pessoa. Um, não sei o que, um já leva. Percebam as pessoas na sua natureza primária são seres bons e de amparo, porque essa nossa evolução grupal. Mas ao passo que a gente fosse dividido em tantos vários grupos, eu criei empatia pelo meu grupo e não pelos outros, até no sentido protetivo. E quando os líderes têm essa camada antissocial, narcísica, que só pensam em si, e na nossa sociedade, refere-se uma competição ferrenha, eu tenho que proteger de alguma forma. Eu digo tudo isso porque eu não vejo o ser humano como ser ruim na sua natureza. Eu vejo um ser que tem que se adaptar ao seu meio, nesse sentido, tá? E quando a pessoa chega a um cargo de poder, como através do poder, eu consigo comprar, entre aspas, sexo, afeto, relações, as pessoas ficam ali babando o meu ovo, querendo ficar próxima de mim, porque eu tenho poder e elas vão lucrar com isso. Eu não preciso mais dessas ferramentas sociais de ter que ser uma boa pessoa para o outro gostar de mim. Eu começo a me tornar cada vez mais egoísta, cada vez mais isolado. Eu posso, eu posso me dar o luxo de ser 60% egoísta, que o outro ainda vai estar orbitando por necessidade. Então, quando a gente está numa situação de poder, o poder corrompe, de fato, corrompe. Quando a gente chega ao poder, a gente se torna menos solicito e mais egoísta, tem menos empatia para com os demais. Enfim, efeitos colaterais que estão aí. Não que seja bom, não que seja ruim, é o que é. E a gente aprende a como lidar e navegar nesse mundo de hoje, né? Deixa eu ver o que que é essa charge. Eu barco é ótimo, que eu vejo os slides junto com vocês, né? Então, questão de perspectiva, né? O desprezo, ele cria um senso. Pensa no político, no lado político azul versus vermelho. Cresceu um senso de: "Eu estou certo, você está errado." Aqui é ilustra isso, né? Barco, terra, cada um com seu ponto de vista. Cada um com seu ponto de vista. Essa foto eu coloquei que é um exemplo que na época eu fui dar essa aula, aconteceu de ter essas. Esse é um parque que tem em Porto Alegre. Eu morava ali perto do lado ruim de Vento. E aí colocar.

Essas placas aqui que não alimente os animais porque a pessoa vinha jogar um monte de pipoca e pão para os animais e os animais adoravam evidentemente, mas começava a ter um desequilíbrio de fauna e flora ali, né? Enfim, começou daqui a pouco tem muito pombo ali. Daqui a pouco os pombos, sei lá se o cocô deles é, faz com que contamine a água ou eles têm muitas bactérias ou eles comem as minhocas, que não sei o quê. Enfim, uma coisa vai levando a outra que daqui a pouco não tem mais parte. E é sensível assim a questão, aí ou desequilibra tudo e temos um novo parque de um jeito bem esquisito. Eles queriam manter desse jeito. Nós colocamos assim: não alimente os animais. Pior que o sistema ali já está construído, não precisa vir alimento humano de fora.

E aí, uma vez, não, essa, não essa senhora. Isso aqui é uma foto que eu tirei da internet. Tinha uma senhora mais ou menos parada aqui, alimentando os animais, mas em cima da placa. Na época, eu lembro que eu corria ali para fazer exercício, me deu muito desprezo. Eu estava montando essa aula, falei: "Vou usar como exemplo". Eu fiz aquela boquinha para o lado, falei: "Ah, mas que coisa horrorosa". Deu vontade de chegar perto, não viu a placa aqui? Mas eu não fiz, né? Então deu vontade de repreender socialmente, dizer: "Olá, vamos respeitar as regras e coisas do tipo". Talvez por ela não ser da minha comunidade e não ter empatia por mim, ela ia me mandar à merda e a gente ia brigar, né? Ia virar um embate. Então eu preferi nem... Enfim, um exemplo. O que que nos faz sentir desprezo? Alguém faz algo fora das normas sociais vigentes ou que a gente julgue reprovável. Eu não acredito que tu voltou no Fulano. Eu não acredito que você votou no Ciclano. O que é essa emoção? Sinaliza superioridade. Eu estou certo. Poder lá atrás, ainda em sua origem no pequeno grupo, isso ainda funciona no pequeno grupo. A ideia é não gerar nojo no coleguinha, no amigo, fazendo algo reprovável. Eu não vou trair ele, eu não vou fazer alguma coisa, não vou ficar com a namorada dele, eu não vou, porque vai ser reprovado pelo grupo. Essa era a função originária do desprezo, que ainda funciona numa microcomunidade. Mas como a gente vive em microvalhas comunidades plurais dentro de uma coisa gigante, a coisa foi evoluindo aí para um outro olhar, né? Que o que a gente estava falando agora, sensação do desprezo. Sensações similares à raiva, então tensão, calor. Ou nessa questão de prazer, uma certa elevação de viver um idiota, ele não sabe o que que ele faz. Eu pego muitas vezes pacientes que gostam de jogar água no chopp dos outros, né? Água no chopp. Mas precisamos assim, estragar tudo que os outros fazem. Ah, não, isso aí é um idiota, é um babaca. Ah, não, isso aí... Coitado, ele precisa disso. Eu não preciso. Percebam, joga no chopp na água de todo mundo com uma forma de defender seu ego, de dizer: "O que eu faço é bom". Ah, ele fez isso e eu não fiz. Ah, mas ele fez porque ele precisa. Eu não preciso. Olha só que bom que eu não preciso. Quando no fundo você queria fazer aquilo, você queria atenção que ele tá tendo, né? Sei lá, o cara fez algo que fez sucesso, você diz: "Eu não preciso de sucesso". Olha só que maravilha, não precisa. Ele é um pobre coitado. Eu tô defendendo meu ego, né? Uma questão de elevação. Certo prazer perverso. Um desconforto e vergonha quando é com alguém que você tem empatia ou quando é com você que acontece, né? Quando é com você que acontece, a gente sente vergonha, que é uma emoção que também vem associada. Na verdade, é um sentimento de interpretação. A vergonha associada a "fiz algo de errado, o que que os outros vão pensar?". Que tá a ver com aquela função originária do desprezo que nós falamos. Postura do desprezo: inflar o peito, manter uma postura ereta, né? Lembram aqueles filmes de época do lord ou uma condessa, uma princesa passando diante dos reles mortais, né? Com aquele nariz empinado. Essa postura, revirar os olhos, muito clássico desprezo. E dá uma revirada nos olhos, né? Esse olhar empinado da condessa, da princesa. Muito bem.

É, na próxima vídeo aula, nós vamos parar aqui. Na próxima vídeo aula que eu for postar, nós vamos ver a função das emoções. Então, olha que interessante, pessoal, só para deixar o spoiler aqui, tá? Nós vamos ver o caso do Phineas Gage. Nós vamos ver porque que as emoções influenciam nossos julgamentos. Vou fazer alguns testes com vocês para vocês verem como que vocês são influenciados pelas emoções. Aí nós vamos ver porque que elas são importantes no sentido de viver socialmente, é que elas dão colorido da vida. E aí nós vamos falar um pouco sobre Freud. Nós vamos falar sobre o aspecto do choque do homem com a civilização, de como a gente não consegue colocar o nosso id, nosso, nossas pulsões, nossas vontades no mundo, porque tem essa sociedade que tolhe. E aí nós vamos entrar na Inteligência Emocional, que é esse equilíbrio entre o cérebro racional e emocional. Nós vamos falar de alguns experimentos onde foi testado isso na psicologia. E nós vamos... Olha que legal, cadê o slidezinho bacana? Nós vamos ver o passo a passo do que que nós precisamos fazer para ter essa inteligência emocional, que é perceber o que tá sentindo, compreender, gerenciar. Aqui, ó, eu sinto uma emoção. Emoção convidada. A gente tem que escutar a mensagem que tá ali. Tem a ver com uma necessidade não suprida. Isso a gente viu na aula de hoje, né? De uma situação atual ou situação passada da nossa infância. Entendendo essa necessidade não suprida, ou escutando ela através do mensageiro da emoção, né? Emoção passar uma mensagem, necessidade não suprida. A gente sabendo qual é a necessidade, a gente entende o que que tá acontecendo e busca maneiras assertivas de lidar com isso. E aí convida uma ação, mais uma ação que é compromissada em direção aos meus valores, objetivos. Então, a gente vai ver devagarinho, passo a passo, para gerenciar nosso cérebro emocional, tá?

Deixa eu voltar lá para o slide que nós paramos. Entrar na parte quente da aula agora, o que realmente interessa. Ali foi tudo uma entrada bacana, tá? Então, fiquem sintonizados aí. Sininho ligado, inscrevam-se no canal, compartilhem com um colega que quer entender essas coisas também, para o amigo. Quem entender essas coisas também, tá? Em breve, eu vou postar essa segunda parte da aula, que é o quente, é como a gente entende, entendendo todas essas emoções, como que a gente processa tudo isso numa questão de inteligência emocional e leva a uma vida aí mais satisfatória, ao menos sofrida, tá bom, gente? Se cuidem, hein? E até a próxima.