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Estudo da Carta aos Efésios - Romeu Bornelli - Parte 05

Palavra Guardada1:18:21

Transcription

Irmãos, vamos então ao capítulo 3 de Efésios. Como já compartilhamos em sessão anterior, os versos 8 a 11 que fala sobre o eterno propósito de Deus em Cristo Jesus. Verso 11 que diz que pela igreja essa multiforme de sabedoria de Deus se torne conhecida. Verso 10. Verso 8, a pregação do evangelho que então manifesta o mistério. Nós explicamos isso também, versos 8 e 9.

Então, vamos a essa primeira parte. Depois seguimos com a segunda oração de Paulo por esses irmãos, descrita no verso 14 até o verso 21. Então, ele vai dizer assim, no verso primeiro: "Por esta causa eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vós, gentios."

Então, até aqui, nós vimos que essa causa foi descrita em cinco metáforas, né? Todas muito preciosas para que Ele nos ajude a ver qual era a causa, então, pela qual Ele viveu e morreu, causa para a qual Ele foi chamado. E então, depois de usar essa expressão, ele faz essa digressão, como também já explicamos. Aí ele vai dizer: "Eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vós, gentios, se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros. Pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco resumidamente."

Então, por isso dissemos que ele usa aquelas cinco metáforas para descrever a revelação que lhe foi dada. Mesmo que ele disse aqui que escreveu resumidamente, imagine isso, né? Se o que nós lemos é um escrito resumido de Paulo sobre esse mistério, então, realmente, esse vaso tinha uma clareza muito grande disso que ele chama de "O Mistério de Cristo". Verso 4: "pelo qual, quando lerdes, podeis compreender o meu discernimento no mistério de Cristo, o qual em outras gerações não foi dado conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas no espírito, a saber, que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho."

Então, esse verso, se ele vai descrever o mistério de Cristo agora com essas palavras, é o mesmo mistério que nós já, eh, compartilhamos no capítulo um, da maneira como ele enuncia lá, né? Aqui ele descreve com essas, com esses termos, porque ele quer enfatizar que esse mistério de Cristo inclui não apenas judeus, mas inclui gentios como coerdeiros, como coparticipantes, como herdeiros da mesma promessa, eh, feita no mesmo evangelho. Que o evangelho, então, não foi designado apenas para judeus, mas para todo aquele que cresse e recebesse.

Então, assim ele faz no versículo 6. E aí ele segue: "do qual, do qual mistério, certo? Ele foi constituído ministro, conforme o dom da graça de Deus a mim concedida, segundo a força operante do seu poder."

Acho que para trazermos um pouco mais de clareza sobre o que ele disse aqui, nós poderíamos ir à carta que é chamada de carta gêmea, a epístola aos Colossenses. Vamos ver como ele descreve esse mesmo mistério de Cristo lá aos Colossenses, e vamos ser ainda mais ajudados. É no capítulo 1, a partir do verso 24. Colossenses 1:24: "Que lindas palavras, meus irmãos. Veja como esse vaso, Paulo, é apresentado aqui nas próprias palavras dele. Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós e preencho o que resta das aflições de Cristo na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja."

Olha como é impressionante esse versículo. Olha o peso dele. Paulo está dizendo que se regozija nos sofrimentos dele por eles, pelos Colossenses, que ele nem conhecia. Não foi ele que pregou o evangelho para os Colossenses, foi Epafras, um cooperador dele. Ele não os viu face a face, mas ele diz que se regozijava nos sofrimentos dele por eles. Ele estava preso naquela prisão domiciliar de Roma. E no capítulo 2, ele disse que mantinha grande luta: "Quero, pois, que saibais que grande luta eu venho mantendo por vós, que nem falamos, conhecia os irmãos face a face, por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face." Capítulo 2, verso 1. E que luta era essa que essa que Paulo tinha por eles? Verso 2: "para que os vossos corações sejam confortados e vinculados juntamente em amor e tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento para compreenderem."

Olha aí, compreensão que nós falamos hoje pela manhã. Revelação, meditação, compreensão, medita essas coisas e nelas ser diligente. O Senhor te dará compreensão em todas essas coisas. Para então que tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento para compreenderem plenamente o mistério de Deus, vírgula, Cristo. Também podíamos traduzir do original assim: "pudessem compreender plenamente o mistério do Deus-Cristo", ou seja, do Deus que se manifestou em Cristo, verbo encarnado. Ele vai dizer então que "nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento."

Voltando lá ao verso 24, aí de Colossenses 1, onde estávamos, então ele diz: "regozijo os meus sofrimentos por vós, preencho o que falta das aflições de Cristo na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja." Meus irmãos, em várias ocasiões tivemos a oportunidade de considerar esse versículo juntos. Calmamente, vamos fazê-lo aqui de novo. Então, por favor, aguce aí os seus ouvidos. Olha o que Paulo está dizendo. Vamos devagar.

"Eu me alegro nos meus sofrimentos por vós", por causa dessa causa que nós já vimos lá em Efésios, a causa pela qual ele, para a qual ele foi chamado, pela qual viveu e pela qual morreu. Ele tá dizendo que exercendo, então, esse ministério da pregação do evangelho e da manifestação do mistério de Deus, ele preenchia. Então, vamos devagar agora com essa palavra. Ela é muito forte. Tá dizendo que ele suplementa, acrescentava algo. "Suplemento" é isso, certo? "Preencho", "suplemento". O que resta? Resta é uma palavra até mais leve, porque no original é "déficit", é o que tá faltando mesmo. Então, nós já ficamos aí até aqui de orelha em pé nesse versículo, né? Que que Paulo tá dizendo que ele sofre com regozijo pelos Colossenses, porque ele entende que exercendo esse serviço, ele suplementa o que está faltando do quê? Das aflições de Cristo.

Agora, então, precisamos de muito cuidado com respeito à obra de Cristo na cruz do Calvário. Não está faltando absolutamente nada. Ele disse: "Tudo está consumado." Então, em que sentido Paulo suplementa um déficit das aflições? Ele não diz as aflições minhas ou de qualquer outra pessoa, mas "as aflições de Cristo". E mais, já vamos entender: "aflições de Cristo na carne dele, Paulo". Tá vendo aí? "Na minha carne". E essas aflições na minha carne são "a favor do seu corpo, que é a igreja."

Então, talvez, irmão, meditando, buscando meditar exaustivamente nesse versículo e nas palavras dele na língua original, como já citei várias aqui para os irmãos, que é importante, então, sabermos que que é exatamente que ele disse. Parece claro para mim o seguinte: os sofrimentos do nosso Senhor Jesus Cristo para redimir, para a redenção da igreja, estão completos. Não tem déficit, não falta nada, tudo foi consumado. Ok. Agora, os sofrimentos ou as aflições de Cristo para que essa igreja, pela qual ele morreu, seus redimidos, eles sejam aperfeiçoados, ataviados como noiva, preparados para as bodas do Cordeiro. Essas aflições de Cristo, que ele as tem no seu trono, porque o alvo, o propósito dos seus sofrimentos, nesse sentido, ainda não foi cumprido, certo? Você concorda? Será cumprido quando? Quando a sua igreja estiver diante dele para todo sempre, a ceia das bodas do Cordeiro, cuja esposa se mesma já se ataviou. Inclusive, é através dela que o eterno propósito de Deus será cumprido, que já vimos na carta aos Efésios: o novo homem da nova criação, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecido.

Então, neste sentido, Cristo, nosso Senhor, exaltado, vitorioso, assentado no trono da Majestade, ele ainda tem aflições, porque a sua noiva não está ainda adornada adequadamente para o encontro com ele e para responder à plenitude do propósito dele, que é revelar a todas as hostes inteligentes a multiforme sabedoria de Deus pela igreja. Isso está claríssimo, não é?

Então, ele vai dizer que ele preenche no seu ministério, na sua carne, no que ele é, na sua vida. Por isso ele diz: "Tudo que aprendeste, tudo que ouviste de mim, tudo que viste, isso praticai, e o Deus da paz será convosco." É uma outra maneira de dizer assim: vocês vão ser adornados. Vocês ouviram isso, então pratiquem. Vocês viram isso em mim, façam da mesma maneira. Seja meus imitadores, como eu também sou de Cristo. Permita que o caráter de Cristo seja formado em vocês, que o Espírito Santo adorne a noiva.

Então, até lá, ele vai dizer: "Eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós e suplemento o déficit das aflições de Cristo na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja." Sofrimentos redentores estão cumpridos, mas os sofrimentos, as aflições de Cristo para edificação da igreja, ainda não estão plenamente cumpridos. Eles estão sendo cumpridos na vida de vasos que têm recebido em si os encargos do Senhor com relação à sua igreja. Tá claro isso, meus amados irmãos?

Você vê que na casa de Deus, no corpo de Cristo, não tem espectador. Você vê, você vê que na casa de Deus, no corpo de Cristo, não tem assistente. Percebeu? Cada um de nós foi chamado para suplementar o déficit, o que resta das aflições de Cristo em nossa carne, a favor do seu corpo, que é a igreja. Sofrimentos para redenção estão cumpridos. Os sofrimentos para edificação continuam em curso. A pergunta do Senhor é: você vai entregar sua vida a quê? Qual é a sua causa? Você também quer cumprir, completar, suplementar na sua carne as aflições de Cristo a favor da igreja, que é o seu corpo, para que ela seja edificada?

Agora, deixa-me dizer uma coisa aqui, meus amados irmãos. Sejamos plenamente realistas. Isso nos faz bem. Realidade nos faz bem. Diante da palavra de Deus, nada daquilo que aplicamos o nosso coração passará além do juízo de Cristo, a não ser aquilo que realmente é dele, que toca ele diretamente. Por mais interessante que possa ser profissão, trabalho, bens, relacionamentos, se eles não subsistirão. Apenas subsistirá aquilo que foi edificado em Cristo. Tudo mais é efêmero. "Não atentando nós nas coisas que se veem, porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas."

Moisés considerou o opróbrio de Cristo. Interessante demais dizer isso, porque Moisés viveu muito antes da encarnação do Verbo de Deus, muito antes da revelação de Cristo, não é? Mil anos, 1500 anos antes. Então, é dito que ele considerou o opróbrio de Cristo por maiores tesouros do que as riquezas do Egito, porque ele contemplava o galardão. Ou seja, ele entregou o seu coração a esta causa que foi claramente revelada a ele. Meus irmãos, nós devemos compartilhar isso no final de semana, junto com a assembleia toda, a carta às sete igrejas e o que o Senhor demandou de cada uma delas. Nada que não passe, que não seja coerente, compatível com a estatura de Cristo, passará para a realidade do mundo vindouro ou do reino vindouro, quando da vinda do nosso Senhor Jesus.

Porque Jesus Cristo é o varão medida de Deus. Quando Paulo prega lá no Areópago, em Atenas, para aqueles filósofos epicureus, estoicos, etc., Atos 17, versos 30 e 31, ele diz assim: "Deus não levou em conta os tempos de vossa ignorância." Falando para esses filósofos epicureus, históricos, que no lugar onde foi erigido o altar ao Deus desconhecido, Deus não levou em conta os tempos de vossa ignorância, porém notifica agora a todos os homens que se arrependam, porquanto, escute isso, ele, Deus, já determinou um dia em que ele julgará vivos e mortos. Julgará vivos e mortos em um varão. Tino e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos, ele julgará vivos e mortos em um varão. Porque o nosso Senhor Jesus é o varão medida de Deus.

Para que que serve um metro? Para nós aferirmos tudo, né? Se tá no padrão, se tá de acordo. Nós queremos que essa caixa tenha 1 metro. Então, como é que nós vamos saber? Traz 1 metro e vamos aferir essa caixa. Se não tiver, não serve. Nós queremos uma caixa de 1 metro. Senhor Jesus é o varão medida de Deus. Todas as coisas desse universo serão aferidas de acordo com a estatura desse varão medida. Conclusão: tudo que houver em nós que signifique que é resultado do trabalho da cruz em nós e de então Cristo formado em nós, isso subsistirá. Tudo que há em nós que não seja compatível com esse Cristo formado em nós, será queimado. Por isso Paulo, quando escreve Coríntios 3, ele chama atenção para isso: "Se edificar sobre o fundamento, se alguém edifica madeira, feno e palha, manifesta se tornará a obra de cada um, porque o dia aprovará. Se alguém edifica ouro, prata, pedras preciosas, então esses elementos suportam o fogo." É a mesma ideia.

Senhor Jesus é o varão medida de Deus. Então, qual deve ser a nossa oração? Por que que em Apocalipse, capítulo 1, ele se apresenta como aquele que tem pés como bronze polido? Pés é o que toca a terra, meus irmãos. E diante desse varão descrito por João no capítulo 1, que tem os pés como bronze polido, como que refinado numa fornalha, então lá está o varão medida de Deus. Capítulo 1 de Apocalipse. E no 23 de Apocalipse, nós temos sete igrejas. Podemos dizer assim, elas estão enfileiradas, desde Éfeso até Laodicéia, primeira e a última. Elas estão enfileiradas diante do varão medida, e ele está medindo cada uma delas, medindo com a medida mais justa que existe, porque ele é o justo.

Então, para Éfeso, ele diz assim, em outras palavras: "Eu conheço as tuas obras. Eu vos louvo porque tendes labor, perseverança, provaste os falsos apóstolos, os achos mentirosos. Mas tem algo que não passa nesse varão medido de Deus. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor." Proton, o melhor amor, a primazia do amor, porque Cristo Jesus é aquele que tem a primazia do amor para com Deus. Então, se ele não encontra a primazia desse amor na sua igreja, a sua igreja está em déficit. Então, ele é o varão medida de Deus, meus irmãos. Que importante é isso. Todas as coisas serão medidas por esse varão.

Então, como estávamos dizendo, o nosso serviço de cada um de nós é termos o privilégio de experimentarmos em nossa carne as aflições de Cristo a favor do seu corpo, que é a igreja, para que ela seja adornada. Então, pergunta: se nós estivermos orando assim: "Senhor, queremos que a assembleia na qual reunimos seja realmente para a tua glória, nos nossos relacionamentos, na nossa vida, no nosso serviço, no culto, na adoração, na palavra. Queremos que seja, por favor, Senhor, restaura em nós essa glória." Aí o Senhor vem a nós com uma pergunta. Respondendo à nossa oração, só que você sabe que o Senhor dá muitas respostas fazendo perguntas, né? Você já viu isso? "Quer ser curado?", ele pergunta para o homem que estava doente há muito tempo. Então, ele vem a nós e pergunta assim: "É isso que vocês querem? Essa glória, essa beleza, essa vitalidade, esse vigor de testemunho?"

Então, tenho uma pergunta: "Quantos de vocês vão morrer? Morrer por seus interesses, morrer para as suas coisinhas, morrer para os seus alvos, morrer para as suas ambições, morrer para os seus projetos?" Isso significa o quê? Significa simplesmente jogar isso de lado e viver uma vida reclusa como um monge? Não, não, graças a Deus, não. Mas significa que elas não terão permissão para ocupar os nossos corações. Não terão. Elas ficarão no lugar que é devido a elas. Porque, afinal de contas, nós estamos nesse mundo, temos que comprar, temos que vender, temos que viver nesse mundo, temos que criar filhos, né? Mas essas coisas vão ficar no seu lugar, não irão ocupar o foco do nosso coração. E mais do que isso, qualquer uma delas que esteja de alguma forma trazendo obstáculos para que nós possamos servir, ir ao Senhor no sentido de completar suas aflições para a edificação da igreja, nós daremos prioridade para completar as suas aflições para a edificação da igreja. Essas coisas ficarão de lado, ficarão em segundo plano, serão secundárias, e algumas serão cortadas de nossas vidas, porque são lícitas, mas não convém. São lícitas, mas não edificam. São lícitas, mas de alguma forma estão nos dominando. Por isso Paulo diz: "Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas."

Então, meus irmãos, precisamos sim ter coragem para encarar isso diante do Senhor, porque é um imenso privilégio que nós temos. É o maior privilégio da vida. Então, pedimos ao Senhor: "Lance luz sobre minha história e minha jornada com o Senhor. Eu não quero obstáculos ao meu chamamento central como servo, nesse caso, não é como filho, né? Cooperar com o Senhor para a edificação do teu corpo, que é a igreja. Preencher na minha carne com gozo. Me regozijo nos meus sofrimentos." Olha aí, verso 24: "me regozijo nos meus sofrimentos por vós." Ele não tá lamentando seus sofrimentos, ele tá se regozijando pelos seus sofrimentos. E eu estou preenchendo, suplementando na minha carne o que falta das aflições de Cristo, a favor da igreja, que é o seu corpo. E é claro que é a favor da igreja, não para redimi-la. A igreja é redimida. É a favor da igreja para edificá-la. Meus irmãos, que coisa mais importante.

Como nós precisamos obter essa resposta do Senhor? "Senhor, há algo na minha vida? Há algo na minha jornada? Há algo no meu trabalho? Há algo nos meus relacionamentos? Há algo nos meus planos que está sendo um obstáculo para que eu me entregue, a que eu me entregue para participar, partilhar com o Senhor das tuas aflições para que o Senhor tenha a tua noiva ataviada?" Se há, Senhor, então eu estou colocando coisas em minha vida que são maiores do que o ataviar da tua noiva. Em outras palavras, ainda: eu estou colocando coisas na minha vida que são maiores do que edificar a tua noiva para o encontro com o Senhor. E não há nada maior do que edificar a tua noiva para o encontro com o Senhor.

Quando Paulo olha para isso, ele diz assim: "Tudo que eu tinha, eu considerei esterco." A ideia é lixo, inútil, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, o meu Senhor. "Por amor do qual perdi, perdi!" Ô, palavra que dói no ouvido, né? Quem quer perder em qualquer nível? "Eu perdi todas as coisas e as considero como refugo para ganhar a Cristo e ser achado nele." Filipenses 3. As mesmas palavras valem pro aspecto da edificação da igreja. Ali ele aplicou para sua vida pessoal. Tudo que eu vejo que perdi, para mim não tem significado nenhum por causa da sublimidade do que eu ganhei.

Martin Lloyd-Jones era um médico jovem, 29 anos apenas de idade. Com 2 anos, ele já tinha um consultório na Avenida Central de Londres, seria nossa Avenida Paulista em São Paulo. Ali ele tinha sua clínica. Anos médico cardiologista. Não só isso, ele era médico particular da Rainha da Inglaterra. E um dia, já era um cristão, claro. E um dia ele compreendeu Colossenses 1:24, o significado de Colossenses 1:24: "preencho na minha carne o que resta das aflições de Cristo, a favor, a favor de edificar o seu corpo, que é a igreja." Sabe o que ele fez? No caso dele, ele deixou tudo. Os seus colegas médicos diziam assim: "Você está louco? Está louco? Todos os teus colegas desejam alcançar o que você alcançou." Ele não procurava explicar. Visão não se explica, né? Visão espiritual não se explica. Mas ele dava uma resposta em uma frase. E a resposta era: "Eu não perdi nada, eu recebi tudo."

"Preencho o que resta as aflições de Cristo na minha carne, a favor da igreja, que é o seu corpo." Se Martin Lloyd-Jones seguisse a sua carreira contrariamente ao chamado do Senhor, aí sim, aí houve um chamado particular. Mas no geral, cada um de nós continua exercendo suas funções. Mas no caso dele, houve um chamado. Se ele negligenciasse o chamado, o máximo que ele conseguiria é continuar sendo médico da equipe da Rainha da Inglaterra. Uma linda posição, natural, não é? Ia terminar lá no túmulo. Aqui já as marones, o médico da Rainha da Inglaterra. Certo? Nós podíamos dizer que nesse túmulo hoje, irmãos, embora não esteja lá, não é? Na verdade, mas nesse túmulo hoje há uma inscrição. Mas a inscrição está diante do Senhor. Inscrição: "Este servo deixou tudo para aplicar o seu coração ao a a suplementar as aflições de Cristo para a edificação da igreja, que é o seu corpo." Não há nenhum serviço mais elevado nessa terra, porque toca interesses eternos que subsistirão quando todas essas coisas menores, naquele dia, passarem, porque vão passar. Carreira, reputação, posição, influência, tudo vai ficar aí, porque faz parte daqui. Aquilo que teve a ver com os interesses de Cristo na edificação da igreja, permanecerão eternamente.

Por que que você acha que quando a Nova Jerusalém é descrita, ela tem 12 fundamentos com o nome dos 12 apóstolos? Seu nome não está lá, nem o meu, não é? Porque eles tiveram um privilégio muito especial, para o qual eles entregaram suas vidas. Então, eles são chamados de 12 colunas sobre as quais a Nova Jerusalém está edificada e permanecerão assim. Claro que isso é figurado, não é? Claro que isso é figurado. Permanecerão aí nessa posição de glória por toda a eternidade. E assim nós os encontraremos: a coluna João, a coluna Tiago, a coluna Mateus, a coluna Pedro. Privilégio. O maior privilégio da vida, sermos do Senhor. Isso todos somos. E servirmos ao Senhor, he, com tudo que temos e tudo que somos. Isso é Colossenses 1:24.

E aí ele segue assim: "Estamos vendo esse texto para entender melhor o mistério, né, lá de Efésios 3. Então, no 25, ele continua: "da qual eu me tornei Ministro." Olha que bonita a frase. "Dela", no feminino. Dela quem? Igreja. Paulo se designa de duas maneiras: "Sou servo de Cristo", "Sou servo da igreja". Que lindo, meus irmãos. Falar "servo de Cristo" parece que traz para nós um status, né? Mas e dizer "sou servo da igreja"? Traz o quê para nós? Hum. Ser servo da igreja significa tirar a vestimenta de cima, tomar uma toalha e cingir-se com ela, tomar uma bacia, encher de água e passar a lavar os pés dos nossos irmãos. Isso é ser servo da igreja. Servo de Cristo e servo da igreja, né?

Então, ele diz: "da qual igreja eu me tornei Ministro, servo, de acordo com a dispensação da parte de Deus que me foi confiada a vós, a vosso favor." Tá repetindo que ele já falou no verso 24, né? "A favor do seu corpo." Aqui ele diz: "a vós, a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus, sofrendo na sua carne, suplementando as aflições de Cristo para edificação da igreja, pro ataviar da igreja, para receber o Senhor, para o encontro com o Senhor." E aí ele vai dizer que fazendo isso, ele está dando pleno cumprimento à palavra de Deus. É outra maneira de dizer: "A palavra de Deus, o que ela requer é isso." Para que eu possa dar pleno cumprimento à palavra de Deus, então, por isso eu regozijo nos meus sofrimentos e me entrego a esse serviço para a igreja, que é o seu corpo.

Qual é essa palavra de Deus? Depois desse termo, você tem dois pontos. Ele vai explicar qual é essa palavra de Deus. No verso 26: "é o mistério que esteve oculto dos séculos e das gerações, e agora todavia se manifestou aos seus santos, aos quais santos Deus quis dar a conhecer nas palavras de Efésios 1, desvendando o mistério da sua vontade." Então, Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, agora ele vai focar tudo numa frase: "Cristo formado em vós, Cristo em vós, a esperança da glória." Em outras palavras, a única forma de Deus ser glorificado, de Deus manifestar a sua glória hoje. Um irmão lembrou um texto lindo de Isaías, que é uma promessa do Senhor: "que como as águas cobrem o mar, toda a terra, terra há de se encher do conhecimento da glória de Deus."

Então, Paulo tá dizendo: "Cristo formado em vós, a esperança da glória." O qual Cristo, vamos terminar esse texto, "nós anunciamos." Olha como esse homem era incansável, meus irmãos. Olha como a carga do Senhor, os encargos do Senhor enchiam esse vaso. "O qual Cristo, nós anunciamos." Primeiro, advertindo. Que bonita a vida desse apóstolo, meus irmãos. Realmente, ele não era um homem de entretenimento, mas também podemos dizer, ele não era um homem de forma nenhuma carrancudo, antissocial. Pelo contrário, quando ele escreve suas epístolas, que são 13, ele cita mais de 70 irmãos pelo nome, um a um. Paulo era um homem vinculado, Paulo era um homem relacional. Por mais que, até onde podemos entender sobre seu temperamento, quando lemos suas epístolas, ele era introspectivo, ele não era extrovertido, mas ainda assim, um homem extremamente relacional.

Então, ele vai dizer que ele advertia todo homem. "Advertir", aí é uma palavra enfática. Significa você tomar alguém pelos ombros, alguém que tá lá meio sonolento, meio distraído, meio confuso, você tomá-lo pelos ombros e sacudi-lo assim, olhando pro rosto dele e dizer: "Preste atenção! O curso de vida que você está seguindo, se você continuar assim, você vai ser inútil para o Senhor. Por favor, reveja suas prioridades aos pés do Senhor." Isso é advertir, chamar atenção solenemente.

"Advertindo a todo homem." Precisa, precisamos de muito mais disso na igreja de Deus, irmãos. Nós temos muito do que nós chamamos de respeito humano. Nós temos muito daquela coisa: "Não vamos mexer, não, que se mexer, piora." Essas frases tão feias que nós costumamos usar. Nós precisamos confiar no Senhor que ele é o Senhor da sua casa e que se ele tem depositado em nós cargas pela sua igreja, essa é a grande questão. Se não tem, então nós não temos o que fazer. Mas se ele tem, então nós temos responsabilidade de nos advertirmos uns aos outros. "Irmão, preste atenção. Irmão, sirva mais. Irmão, se desembarace mais." Para irmãos que são mais avançados em idade, por exemplo. Quero tomar a liberdade de dizer aqui algo. Não, não preciso citar nome. Há um irmão aqui entre vocês que deixou uma vida de serviço aí. E não quero falar que não é necessidade de ficar gravado, mas vocês sabem quem é. Deixou uma vida de serviço aí, muito ocupado numa empresa, uma empresa difícil de administrar, não é? E que agora vendeu sua empresa e se livrou de um fardo enorme. Bendito seja o Senhor por isso. Esse irmão já viveu mais de dois, mais de três, quatro da sua vida, né? Como eu também já vivi mais de três, quatro da minha vida. Estou no último quarto, se eu chegar até 80, ou se o Senhor não vier, não é? Último quarto. O que nós faremos? Será que vamos estar aí com cabelo branco já, com ruga no rosto, e pensando em ganhar mais, em ter mais, em mais investimento, em mais oportunidade, mais coisas e mais coisas? E o Senhor está às portas, e a sua noiva carente de atavios? E nós fomos chamados por ele para sermos servos, e ele quer vasos para depositar os seus encargos e não encontra, porque os vasos estão entretidos, os vasos estão distraídos, os vasos estão ocupados, os vasos estão impermeáveis. Consegue compreender tudo sobre as coisas naturais, mas nada sobre as coisas espirituais. Não é, meus irmãos? Que necessidade nós temos, amados irmãos, que o Senhor encontre vasos.

Irmão Atkin Sparks, há um texto tão lindo dele sobre isso que tô procurando expressar aqui. Eu me lembro algumas palavras do que ele registra, embora não me lembre do texto todo. O texto é mais longo, mas ele fala assim: "Deus age soberanamente, soberanamente, quando o desvio e a tragédia são evidentes." Não é isso que vemos na história? Porque ele ama sua igreja. "Deus age soberanamente com a sua mão quando o desvio e a tragédia são evidentes." Mas ele não seguirá em frente até que ele encontre um vaso com quem ele possa compartilhar os seus encargos." Ouviu bem, irmão? Por causa da fidelidade dele ao nome dele, ele sempre vai agir quando o desvio e a tragédia são evidentes. Ele vai pôr a mão dele mesmo e agir diretamente. Graças a Deus, muito bom. Mas não basta isso. Tá bem, ele interveio na tragédia e no desvio evidente. Mas e daí? O que será na sequência? Basta a intervenção do Senhor? Não basta a intervenção maravilhosa, mas o que ele precisa? Então, o irmão vai dizer: "Mas ele não seguirá em frente até que ele encontre um vaso com quem ele possa compartilhar as suas cargas." Sabe o que mais ele diz nesse texto? São palavras dele que vou me recordando aqui: "Ele diz assim, que quando o Senhor compartilha as cargas dele com um vaso, essas cargas primeiro purificam o próprio vaso de ambições pessoais, interesses pessoais, e aquele desejo de ser e de fazer algo para o Senhor, que muitas vezes tá permeado com motivações que não são puras, não são adequadas." Então, ele vai dizer: "Essas cargas purificam primeiro o próprio vaso."

Então, meus irmãos, sem dúvida, essas são palavras muito importantes para os nossos dias. Se perguntarmos assim: "O que Deus está buscando hoje na sua obra?" A resposta tá aí. Ele está buscando vasos que sejam desimpedidos no coração. Eu não estou falando de abandonar tudo, viu? Reforçando. Mas abandonar no coração. Vasos com quem ele possa compartilhar as suas cargas, seus interesses, e que então nós possamos experimentar as aflições de Cristo na nossa carne, a favor do seu corpo, para que ele seja ataviado. Como já explicamos, seu corpo que é a igreja, da qual me tornei um servo.

Sabe, meus irmãos, queria dizer isso mais uma vez. Todos os vasos que responderem a isso terão o maior privilégio do céu na vinda do Senhor. Sabe qual é? Ele ouvir aquelas palavras do Senhor que nós já repetimos aqui ontem: "Muito bem, ó, que muito bem!" Esse irmão, tudo que nós temos recebemos dele. Tudo que de Cristo é formado em nós é pelo trabalho do Espírito Santo. Claro que houve algo aí da nossa resposta a ele, mas ainda assim, nós temos que dizer: "Não é que só houve uma reação, porque houve uma ação." Não é assim? E ainda assim, isso não parece para você inimaginável? Ainda assim, ele dirá: "Muito bem, servo bom e fiel." E aquela outra frase na sequência: "Foste fiel no pouquinho." Porque, meus irmãos, nenhum de nós é um gigante espiritual. E nem que fôssemos, mesmo os gigantes espirituais, a porção deles era pequena, era pouco. Por isso o Senhor levantou muitos, muitos, muitos servos e servas. Porque, por mais que tenhamos, ainda é pouco diante das riquezas insondáveis de Cristo, não é? Então, "foste fiel no pouco. O teu pouco, o pouco que eu te dei, suficiente para você. Você nem ia suportar. Foste fiel no pouco, sobre o muito eu te colocarei." E a última frase, tão linda, irmãos: "Porque até lá, como é que Paulo descreve a jornada? Meus sofrimentos por vós." Não é assim? "Aflições de Cristo." Mas naquele dia, a frase é: "Entra para o gozo do teu Senhor." Então, esse é o sentido do termo "advertir a todo homem, ensinando a todo homem em toda sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem adulto, perfeito." Verso 28, por favor. Não perca aí essa palavra.

Nós não estamos servindo ao Senhor com outro objetivo que não seja que nós sejamos amadurecidos, que deixemos de ser meninos ocupados com tanto chocalhinho aí da vida, luzes que brilham para lá, que brilham para cá, bolhas de sabão, não é? Quando nós tocamos a mão, nada. Não é assim? Mensagem do livro de Eclesiastes: "debaixo do céu, tudo é vaidade, tudo é bolha de sabão." Então, ele vai dizer: "ensinando todo homem, toda sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem adulto, maduro em Cristo." Nas palavras de Efésios: "para que não mais sejamos como meninos, agitados e levados de um lado para outro ao redor D por todo vento de doutrina." Olha aí a história nossa, irmãos, no nosso dia. Olha aí quanto vento de doutrina. Olha aí quantos meninos correndo atrás dessas vozes estranhas, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Efésios 4, não é essa hora que nós estamos vivendo? E se é, então o Senhor não está mesmo procurando vasos que ele deposite encargos e que esses vasos respondam aos seus encargos e sofram por isso? Que seja incompreensão, que seja ser taxado de isso ou daquilo, que seja aquele que não é o popularzinho de todas as rodas, não é? Compreende o que eu quero dizer? Que não está em toda a churrascada que é marcada. Mas vasos que tenham peso espiritual, através dos quais o Senhor possa falar. Porque a maior necessidade do mundo e da igreja é da boca de Deus, não é? Onde está? Onde estão as bocas de Deus? Adulto, perfeito, maduro em Cristo.

Aí vamos completar com 29: "Para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me." Ô, que palavra boa, irmão. Que importante, irmão, porque toca a nossa responsabilidade. Nós não vamos seguir respondendo aos as cargas do Senhor em nós de um modo fácil. Não será assim, nunca foi assim. "Esforçando-me o mais possível." Sabe como que ele se esforçava? "Lutando em oração." Tá aí no começo do capítulo 2. "Gostaria, pois, que saibais que grande luta vem mantendo por vós." Olha aí como começa o 2. "Pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face." E ele mostra mais uma vez. Escreve a oração dele para que os vossos corações sejam confortados, vinculados juntamente ao amor, tenha toda a riqueza da forte convicção do entendimento para compreender o mistério de Deus, Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria do conhecimento. "Isso eu vos digo para que ninguém vos engane com argumentos atraentes, raciocínios falazes." Você vai ter aí no verso 4 de Colossenses 2. Tá vendo a carga, irmão?

Então, ele diz: "esforçando-me o mais possível." Agora, que lindo complemento no resto desse versículo. Porque você podia olhar esse homem e dizer: "Ô, como esse homem luta! Ô, como esse homem sua! Ou como esse homem sofre! Como ele labuta!" Não é? Sim, tudo isso é verdade. Mas ele vai dizer assim: "É verdade isso em mim, por causa da sua eficácia que opera eficientemente em mim." Muito maravilhoso, não é? Paulo tá dizendo: "Eu sei o que é aquela energia." Como nós explicamos, né? Ou "energeia", energia. "Eu sei o que significa ser habilitado pelo poder do Espírito Santo." Primeira Coríntios 2, ele disse assim: "Quando, quando eu estive entre vocês, eu estava em fraqueza, eu estava em temor, eu estava em grande tremor, para que então a minha pregação não se apoiasse numa linguagem convincente, persuasiva de sabedoria humana, mas em uma demonstração do espírito e de poder, para que então a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, mas sim no poder de Deus." Então, era um homem que conhecia tanto sobre isso, irmãos.

Me lembro de uma frase dura também de Tozer, esse irmão do século passado, nos seus dias. Sabe o que ele disse? "Nossos púlpitos modernos carecem de mais profetas e menos palhaços, menos entretenimento e mais verdade." Então, assim ele termina aí esse texto do capítulo 1. Agora, vamos usar os minutinhos que ainda temos, estudar um pouco essa oração de Paulo. Se não for possível, não concluímos hoje, concluímos amanhã. Mas vamos começar, pelo menos, Efésios 3. Vamos voltar lá, verso 14, de novo: "Por esta causa." Então, você vê que Paulo tem um ministério duplo, vamos colocar assim. Quero chamar a atenção de vocês por isso, porque eu vi algo aqui nas conversas com vocês que me chamou atenção. Não quero relatar o que é, mas vou tentar relatar o remédio.

Quando os apóstolos foram orientados em Atos 6, para que eles separassem sete homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo, para que servissem as mesas, foi dito que isso deveria ser feito, já que a necessidade era muito grande de dessas mesas serem servidas, porque eles, os apóstolos, se dedicariam a duas coisas. Quais são elas? Oração e o ministério da palavra. Meus irmãos, isso é uma necessidade em cada assembleia local. Se nós não tivermos nas assembleias do Senhor vasos que se dediquem à oração e que se dediquem ao ministério da palavra, Romanos 12, "aquele que ensina, esmere-se no fazê-lo." Se nós não encontrarmos vasos assim nas assembleias do Senhor, elas podem continuar, de alguma maneira, digamos, avançando. Só que o que elas poderiam avançar em um ano, elas levarão 10 anos, porque não há vasos dedicados à oração e ao ministério da palavra.

Quando nós lemos a epístola aos Efésios, olha aqui a ilustração. Na primeira parte, Paulo é um homem dedicado ao ministério da palavra, digamos assim. No final dessa primeira parte, aí mesmo, ele é um homem dedicado à oração, porque essas duas coisas nunca abandonaram Paulo. Aliás, gemendo por assembleias que nem foi ele que estabeleceu. Já citamos o exemplo dos Colossenses, e eles nunca ouviram face a face, e ele fala: "Eu mantenho uma grande luta por vós." E também pelos Laodicenses, que também não viram Paulo. Ele vai dizer: "e por quantos mais que não me viram face a face." Luta em intercessão, em oração, e luta no ministério da palavra.

Então, meus irmãos, sim, está totalmente correto, não só correto, necessário, urgente, que haja irmãos jovens e irmãos de mais idade que possam então compreender o chamado do Senhor e ir regulando, administrando suas vidas para que eles possam se entregar cada vez mais a isso que o Senhor os tem chamado: a oração, serviço da palavra. Quando vejo os irmãos jovens aqui, como esses ol, e como tenho encontrado muitos outros pela graça do Senhor em outros lugares, que é nítido na vida, nos olhos, inclusive, que eles amam o Senhor e amam a palavra. O que que nós deveríamos fazer como irmãos que já estão aí avançados em idade? Nós deveríamos investir tudo nesses jovens, tudo, para que eles tivessem tempo, para que eles tivessem bons materiais, livros espirituais sólidos de irmãos do passado, tantos deles que nos têm alimentado, que eles pudessem gastar mais tempo com isso. Tempo com a palavra, tempo com esses livros, tempo com oração. Será que preocupamos com esse tipo de investimento? Nós olhamos para os jovens e dizemos assim: "Ô, você tá aí, né? Começando tua carreira. É assim mesmo. Ó, é a hora da correria. Corre mesmo, corre atrás para depois você poder ter alguma coisa e descansar." Mentalidade do mundo na igreja. Sabe, irmãos, pela graça do Senhor, ele tem nos convencido disso.

Na assembleia na qual nós nos reunimos, há vários jovens que têm se dedicado assim. Um deles me permite citar esse exemplo. Ele tem desejado fazer medicina, e medicina é um curso complicado em diversos aspectos, exigente quanto à questão profissional. Então, esse jovem, por causa dessa sensibilidade, ele tem buscado meu filho, que é médico, e trocado algumas ideias com ele sobre o fazer ou não fazer esse curso. É a aspiração dele desde que era um menininho, mas ele tem considerado esse caminho diante do Senhor. Meu filho é médico, e um dia ele chegou para mim e disse assim: "Meu pai, quero te dizer uma coisa. Sinceramente, espero que não te decepcione." Eu disse: "Diga, meu filho." Ele disse: "Eu não vou me casar com a medicina." Louvado seja o Senhor, porque o Senhor tem usado a vida dele no seu serviço, no serviço ao Senhor, no serviço da palavra, no serviço de recolher os santos, no serviço de dar suporte para casais mais novos. Meus irmãos, a obra do Senhor e as necessidades da igreja não podem esperar. São urgentes. Então, que o Senhor ajude a assembleia aqui em Santo Antônio do Monte.

A distinguir isso, os irmãos têm sido abençoados aqui, de modo geral, com muitas, muitas coisas. Há irmãos aqui que são muito prósperos. Será que esses irmãos não deveriam considerar esse assunto que está sendo colocado aqui como auxiliar, irmãos, para que possa se dedicar mais e não precisem, quem sabe, trabalhar tanto, dedicar todo o tempo, sofrer tanto nessa esfera de obter o seu sustento? Sendo que são irmãos que têm sido chamados, irmãos que têm tido cargas do Senhor depositada neles. Não significa que eles precisem deixar os seus trabalhos. Um passo de cada vez, um passo de cada vez, pode, pode chegar lá, né?

No meu caso pessoal, toma a liberdade de dizer: demorou 22 anos. Trabalhei 22 anos na minha profissão até que o Senhor deu um basta. E deu um basta de uma maneira bastante drástica para mim, que eu não queria encarar, até, mas ele o fez. Porque sim, havia cargas que ele estava depositando, eu não sabia como lidar com elas junto com a profissão. Então o Senhor tem seus meios estranhos, muitas vezes, mas ele tem seus meios. Então ele intervém e estabelece o que está no coração dele, no tempo dele, no modo dele.

Mas nós, irmãos mais velhos, a nossa maior responsabilidade é, em todos os sentidos, colocarmos esses ombros aqui, olha, debaixo desses irmãos e não em cima desses irmãos. Debaixo desses irmãos, para que eles sejam suportados espiritualmente, emocionalmente, materialmente, para que eles possam avançar nas cargas que reconhecermos, se reconhecermos que o Senhor está depositando na vida deles. Senão, nós vamos perder pérolas, pérolas que o Senhor tem dado para nós, nós temos jogado aos porcos. O Senhor nos ajude, meus irmãos.

A necessidade da igreja é tão grande. Nosso Senhor está às portas. A urgência está no coração do Senhor. Que o Senhor nos ajude a responder a elas como assembleia, como irmãos mais velhos. Que seja assim conosco.

Então, vamos lá, seguir um pouquinho mais por essa causa. Eu me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra. Que que Paulo quer dizer com isso? Família dos santos anjos que não caíram, que adoram diante do Trono de Deus, e família dos santos na Terra. Isso é a família que toma o nome dele. Repetindo: a família dos santos, dos anjos que o adoram e o servem, e a família dos santos na terra. É essas famílias, cada uma no seu nível de relação com anjos. Têm um nível de relação que é um nível de serviço, e os redimidos têm outro nível de relação que é também um nível de serviço, mas é um serviço em filiação, que os anjos não têm, não compartilham da natureza de Deus, né? Não são habitados pelo Espírito Santo. Então, essa família que ele se refere aqui, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu, ou essa família do céu que já citamos, como sobre a terra, os redimidos. Para quê? Aí está o para quê.

Porque Paulo geme, sofre, ora para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior. Então, aqui, acho que nem carece de explicação, tá claríssimo, né? Mas o verso seguinte carece de explicação. Então, vamos lá.

E assim habite Cristo nos vossos corações. Aí precisamos dar uma paradinha, porque Cristo já não habita no coração de todos os santos. Habita o Espírito Santo, não é? Espírito de habitação, sim. Então, em que sentido Paulo está dizendo que ele ora para que Cristo habite nos vossos corações? Aí a chave está em consultar o sentido dessa palavra "habite". Porque ele não está falando daquela habitação inicial do Espírito Santo vir fazer morada em nós. A palavra no grego é uma combinação de duas: "cata", já vou explicar o que significa, e a outra é "oiko", que vem de "oikos", que significa casa. "Oikonomia", leis da casa, ou economia. Você vê quantas palavras vêm do grego? Português, né? Economia vem de "oikonomia" do grego, que é a norma da casa, a lei da casa. Economia. E aqui nós temos "cata oiku". Então, "oiku" vem de "oikos", casa, e "cata" não é, não são duas palavras separadas, é junto. "Cato queu". "Cata" é um prefixo de reforço na língua grega que significa o seguinte: para dentro, ou para baixo, para o fundo. Um prefixo de reforço. Então, o sentido desse versículo é o seguinte: sendo fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior, Cristo, esse Cristo que já mora em vocês pelo Espírito, ele lhes ocupará totalmente o ser. Que maravilhoso, não é? Paulo está orando, em outras palavras, para que Cristo não seja um visitante no coração deles, mas para que Cristo ocupe totalmente o coração deles. "Catoi", literalmente, se fosse traduzir essa palavra da língua original, significa assim: habitar para dentro, habitar para baixo, habitar pro fundo. Tá entendendo? Não é só ficar aqui, ó, o Cristo da superfície, mas habitar pro fundo, habitar para dentro, habitar para baixo. Cristo lhes ocupe totalmente o ser. Por isso ele orava: "Habite Cristo nos vossos corações pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor".

A fim de poderdes compreender. Aqui na versão que eu tô lendo, que é a Revista Atualizada de Almeida, falta uma palavrinha que consta na língua original, que é o "juntamente". Novamente, algumas versões trazem. Acho que a Revista Corrigida traz: "a fim de poderdes compreender juntamente com todos os santos". E aí, vou falar um pouquinho dessa palavra e conclui essa oração para encerrarmos aqui. Então, me suporte aí mais 10 minutos, às 8 horas nós terminamos.

Então, vamos lá. Primeiro, a palavra "juntamente" em Efésios é notável, é muito importante. Deixa eu mostrar para os irmãos. Volte aí um pouquinho, vá me acompanhando. Capítulo 2, verso 5: "estando nós mortos os nossos delitos e pecados, ele nos deu vida como juntamente com Cristo". A verso 6: "e juntamente com ele". Mais uma vez, nos ressuscitou. E aqui, de novo, está faltando a palavra. Novamente, vá lá consultar o texto original para você ver. Aqui tem mais uma vez a palavra. E "juntamente nos fez assentar com ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus". Juntamente com ele nos deu vida, juntamente com ele nos ressuscitou, juntamente com ele nos fez assentar nos lugares celestiais. Tudo juntamente com ele.

Agora, verso 22 do capítulo 2. Ele tá falando sobre o edifício, santuário de Deus, que já compartilhamos. Ele diz: "no qual edifício, no qual santuário, também vós juntamente estais sendo edificados". Irmãos, isso aqui é um golpe na exclusividade, coloquemos assim, da vida cristã, ou na vida cristã individualista, seria uma colocação melhor. Não existe vida cristã individualista, porque nós cristãos somos chamados para viver a vida de Cristo no corpo de Cristo. Somos totalmente dependentes uns dos outros. Romanos 12, ele vai dizer assim: "Vós sois corpo de Cristo". Primeira Coríntios 12: "e individualmente membros desse corpo". Que que nós somos? Individualmente membros desse corpo, né? Então, graças ao Senhor por isso. Ele vai dizer que se um membro sofre, todos sofrem com ele. Se um é honrado, todos se regozijam. Porque a vida que nos une, a vida de Cristo, é uma, é orgânica. A igreja cresce como? Tão individual cresce? Houve, devia crescer. A assembleia do Senhor deve crescer organicamente. Não um santo maduro aqui, outro santo maduro lá, e um terceiro santo maduro lá, e uma igreja infantil. Isso é completamente inadequado. Quando nós olhamos para a igreja como corpo de Cristo, porque se há um santo maduro aqui, outro aqui, e outro lá, então eles deveriam labutar, esforçando-se com tudo que têm, com tudo que são, para apresentar todo homem adulto em Cristo. Porque o coro, o corpo de Cristo cresce organicamente. Uma assembleia do Senhor crescerá organicamente. Não é uma questão do crescimento individual de cada santo, é que nós devemos operar para o crescimento orgânico de nossas assembleias. Isso, irmão, não dá tempo de falar sobre esse assunto, não. Isso é um tema, viu? Porque envolve muita coisa: a pregação da palavra, o aconselhamento, o pastoreamento, o cuidado uns com os outros, em tudo que isso significa para que a igreja cresça, a assembleia cresça organicamente. Mais vida, mais visão, mais realidade espiritual, refletindo isso na adoração do povo de Deus, no serviço uns dos outros.

Nós somos, irmão, o irmão Andrew Murray, ele diz algo tão interessante que até mesmo no ministério da palavra, não é questão de um homem falar e uma audiência ouvir. Porque nós estamos, não estamos fazendo uma palestra. Isso não é um seminário, isso não é um discurso. Aquele que fala, se fala pelo Espírito, ele tem uma dependência imensa daqueles que ouvem. Porque aqueles que ouvem, eles têm que ouvir no mesmo espírito. E se há ambiente espiritual, aí entra essa grande palavrinha ou frasezinha: ambiente espiritual. Nós precisamos orar e nos gastar para que o Senhor obtenha ambiente espiritual nas nossas reuniões. Ambiente espiritual na assembleia do Senhor, ambiente espiritual no partir do pão, ambiente espiritual no ministério da palavra. E que então outras coisas sejam postas de lado, irmão. Ilustrações demais, gracejo, seja o que for. Nós não somos animadores de plateia. Que o Senhor nos conceda ambientes espirituais para que a palavra de Deus possa ser então semeada e o Senhor obtenha os seus frutos. Muito necessário.

Então, Andrew Murray diz que para que haja um real operar do Espírito Santo na palavra que está sendo ministrada, então é necessário um ambiente espiritual, e que o mesmo Espírito esteja operando naqueles que ouvem. Porque há, como que nas palavras dele, uma retroalimentação: aquele que fala, aqueles que ouvem, o Espírito aqui, o Espírito ali, e então ele está fluindo assim, e o Senhor está falando, e o Senhor está presente. É o que Paulo quis dizer em Efésios 4. Acho que estudaremos amanhã, quando ele diz assim: "Não foi assim que aprendestes Cristo, se é que de fato o ouviste?". Irmão, são os Efésios. Eles nunca viram Cristo. Ninguém lá viu Cristo. Ninguém conheceu Cristo segundo a carne, segundo a carne, enquanto ele vivia a vida humana. E Paulo tá dizendo: "Se é que o tendes ouvido, como é que os Efésios ouviram Cristo através de Paulo? Se é que o tendes ouvido e nele fostes instruídos". Compreendeu o peso dessa expressão? Uma assembleia só pode ser instruída realmente, verdadeiramente, espiritualmente, se ela se reunir nele. Muitas vezes, irmãos, nós não nos reunimos nele. Nós nos reunimos em nós, nossas conselheiras, nossas coisas, nosso "acho", não "acho", nossas ideias, preconceitos, liturgia. Não nos reunimos nele. Então, Paulo vai dizer: "É nele que fostes instruídos". Tão importante. Irmãos, vamos orar por ambientes nas nossas congregações para que o Senhor obtenha tudo o que ele tem desejado no meio de nós.

Mas a pergunta vai continuar: quantos vão morrer para isso? Quantos vão se dedicar à oração e ao ministério da palavra? Quantos serão vasos de boca aberta para receber os encargos do Senhor? Quantos ou seremos vasilhas tapadas? Ainda vasilhas, mas vasilhas tapadas. Não é? Vamos terminar, então.

"A fim de poder podes compreender juntamente". Presta atenção, então, verso 18: "juntamente com todos os santos". Esse prefixozinho no grego é o prefixo "sin", "s", transliterado seria "s y n", de onde temos sintonia, sincronia, sinfonia. Todas essas palavras são gregas na sua origem. Então, esse "sin" é traduzido no verso, deixa eu achar aqui, 3 de Efésios 4, como "vínculo". "Sim", vínculo, "junto", "preservando a unidade do Espírito no vínculo da paz". E esse mesmo prefixo "sin" aparece mais duas vezes no verso 16 do capítulo 4, na língua original, claro. Você vai ver de quem: "em todo o corpo bem ajustado". Essa palavra aí na língua grega também começa com o "sin". A ideia seria assim, ó: "posso juntos", "colocados juntos", "ajustados juntos". O "sin" está aí também. Ou "junto com". E a outra também que está à frente, a palavra para "consolidado", também começa com o prefixo "sin". Então, é "posto junto", "junto com". Tá falando de juntas mesmo, né? Por isso ele usa o termo aí, eh, "por toda junta". No verso, mais verso 16 mesmo, "e segundo a justa cooperação de cada parte". Então, ele tá falando dessa, essa líquido que está dentro das articulações no nosso corpo físico, como que chama? Líquido o quê? Sinovial. O "sin" tá aí de novo. É o que faz a conjunção entre um osso com osso dentro da junta. Sinovial. Então, o corpo de Cristo só pode crescer assim, "pelo auxílio de toda junta e pela justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor". Isso é o verso 16 aí de Efésios 4.

Então, "junto com todos os santos, nós possamos compreender". Estamos aí com a palavra "compreender", chamando a atenção dos irmãos que já falamos essa, eh, largura e comprimento, verso 18, altura e profundidade. Não se refere ao amor de Cristo, embora o amor de Cristo seja imensurável, sim, ele é. Mas essas medidas aí se referem ao eterno propósito de Deus em Cristo. Então, Paulo, como já falamos na primeira oração, é uma oração por revelação. A segunda oração é uma oração por compreensão, lembra o que falamos? Ou para assimilação. E o que está entre os dois é a meditação, que já explicamos. Então, quando ele ora por compreensão, ele disse: "Vocês vão crescer em compreensão com o auxílio de todos os santos, junto com todos os santos". Por isso, irmão, ouça também isso aqui: não se acomode com reuniões virtuais, não se acomode com mensagens, seja quem for, de internet. O reunir do corpo de Cristo é indispensável. A medida que o Senhor tem de sua revelação, de sua palavra, e até mesmo de seu Espírito, no reunir do povo de Deus, ele não concede em nenhum outro tipo de reunir. Entre aspas, na verdade, não é reunir nenhum, né? Reunir por Zoom não é reunião nenhuma, é um encontro. Não é o reunir do povo de Deus. É indispensável, porque o Senhor tem uma medida ali. Primeiro, ele tem uma presença ali. E se você acha que o Senhor tem uma presença coletiva no Zoom, acho que você está bem enganado, porque a presença do Senhor não entra pelos caminhos do mundo virtual. Não. Presença do Senhor não é uma presença virtual, é uma presença espiritual. Então, quando nós somos postos juntos, isso é uma santa convocação. E você lembra como era no Velho Testamento, né? Na figura da Tenda da Congregação, é o Senhor se reunindo com o seu povo. No Novo Testamento, diz é claríssimo. Hebreus 2 diz assim: "Eis aqui estou e os filhos que Deus me deu". "Meus irmãos, eu declararei o teu nome, cantarei louvores no meio da congregação". Irmão, essa realidade só pode ser experimentada unidos. Então, a medida da palavra, a medida da graça, a medida da revelação, a medida do Espírito Santo, ela é dada no reunir da assembleia do Senhor. Não deixemos de congregar, como é costume de alguns. Então, que o Senhor chame a nossa atenção para isso. Assembleias ainda sofrem hoje por causa da ênfase que foi dada durante a pandemia a respeito de reuniões virtuais. Alguns acomodaram a chegar em casa depois de ter trabalhado até se esgotar o dia inteiro, tomar o seu banho, pôr pijama, deita, tá na cama e liga a reunião. É assim que fala, né? Liga a reunião e tá lá deitado na cama, quem sabe, tomar um lanchinho relaxado, e tá lá ligado na reunião. Que o Senhor deixe claro para nós o que significa "juntamente com todos os santos podeis compreender".

E finalmente, então, tempo já acabou. E "conhecer o amor de Cristo" é mais um item, além de compreender essa profundidade, essa amplitude do propósito eterno de Deus em Cristo, é também conhecer o amor de Cristo. Um dos motivos pelo qual Paulo orava para que eles juntamente conhecessem. Conhecer algo que excede o entendimento. Que paradoxo, hein? Conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento. Porque a ideia de Paulo de conhecer é experimentar. Acho que talvez todos nós estamos aqui. Nós assistimos um programa aí, que seja qualquer de televisão, podemos nos deleitar nele. Vamos pensar assim, mas não sabemos nada de como é que funciona esse aparelho misterioso aí chamado TV, não é? Seu circuito, suas coisas, seus mecanismos. Não sabemos nada. Mas sabemos sentar na frente dela e desfrutar e nos alegrar e assistir um bom programa, não é assim? O amor de Cristo, nunca iremos explicá-lo, seus circuitos, suas nuances, seus contornos. Amor de Cristo. Mas nós podemos conhecê-lo, porque nós o experimentamos. "Conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus". Versos 20 e 21.

Amanhã, então, graças ao Senhor, nós só podemos entrar na segunda parte da carta, no capítulo 4, a sessão da vocação. Riquíssima e prática, aplicada. E como vamos terminar a primeira sessão? Olha, a última palavra do verso 21 é o "Amém". Ou seja, Paulo terminou a primeira sessão, sessão da visão, né? E ele está aqui terminando com uma adoração ou uma doxologia. Aí ele diz assim: "Ora, ele acabou sua oração, na verdade, no 19. E aí ele conclui adorando o Senhor assim: 'Ora, aquele que é poderoso para fazer tudo que nós lemos aí, meus irmãos'". Que bênção! Ele é suficiente, ele é capaz, ele é poderoso. O que ele busca são vasos para que possa depositar suas cargas, porque ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou até mesmo pensamos. Às vezes pensamos coisas que dizemos: "Não, isso eu não creio que o Senhor possa fazer essa obra". Naquela vida, naquela pessoa, naquele casamento. E isso aí é caso perdido. Esse aí tá na beira do arraial, faz 10 anos, não tem conserto. Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. Ele é capaz de colocar, soprar vida em ossos sequíssimos, como Ezequiel escreveu. Não só secos. Ezequiel fala: "Olhei para o vale e vi os ossos estavam sequíssimos". Aí ele recebe uma pergunta do Senhor: "A vida de profeta é difícil". A pergunta é: "Podem reviver esses ossos?". Que que Ezequiel vai responder? Por um lado, ele crê no Deus todo poderoso, não é? Por outro lado, a cena é desoladora. Então, ele volta a pergunta pro Senhor, né? Na verdade, não é nem uma pergunta, ele diz: "Tu sabes. Tu sabes se esses ossos sequíssimos podem reviver". Jogou pro Senhor. "Tu és o todo poderoso, então tu sabes". Sabe o que o Senhor faz? Joga pro profeta de novo e diz: "Profetiza aí esses ossos para que eles vivam". Não tá claro, irmãos? Deus busca vasos para depositar suas cargas para ele. Deus profetizar, muito fácil. Ele podia pôr até um trombone no céu profetizando aí pro mundo inteiro. Qual que é a dificuldade para ele? Ele pôs o sol no céu, a lua no céu, podia pôr um alto-falante também, né? E pregar o evangelho para toda criatura. Por que que ele não fez? Tem dificuldade, não? Nenhuma. É porque ele não determinou assim. Ele não planejou assim. E determinou usar vasos humanos terrenos que possam ser boca dele. Então, diz: "Não, Ezequiel, profetiza". E você vai ver o resultado. Aí eu imagino o Ezequiel profetizando, como que foi. Mas ele profetizou de qualquer maneira. E quando ele profetizou, ele diz assim: "Eu comecei a ouvir barulho dos ossos". Que cena, hein? Imagine isso. Osso batendo em osso, e depois tendão, e depois carne e pele. Mas eles estavam lá inertes, né? Antes era osso seco, agora já é uma pessoa, mas tá lá deitado, inerte, como um cadáver, um morto. Aí Deus diz: "Profetiza de novo". E aí ele profetizou de novo. Então, diz: "O espírito entrou neles e eles se tornaram um exército". E a lição do Senhor é a seguinte: "Eu abrirei as vossas sepulturas, ó povo meu, eu vos farei sair delas". Meus irmãos, de formas diferentes, nós temos sepulturas para serem abertas em nossa história com o Senhor. E elas precisam ser abertas. E se a sepultura tá muito clara que fala, né? Tá lá no canto, ninguém quer nem olhar para ela por fora. Pode estar até bonitinha, caiada, branquinha, mas por dentro, ossos de rapina e perversidade. Então, se o Senhor não encontrar lugar em nós para fazer isso, como ele terá um corpo vigoroso? Não é? Aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós. Poder que opera em nós. Graças a Deus. A ele seja a glória.

Primeiro, na igreja, porque o que ele tem a dizer aqui é o seguinte: "A ele, Deus, seja a glória na igreja, assim como ela é em Cristo Jesus". Ele tá dizendo que a igreja tenha. Por isso eu sofro, por isso eu oro, ele vai dizer, dizer para que a igreja tenha a mesma glória que Cristo tem. Então, "a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, assim será, meus irmãos, para todo o sempre. Assim será". Então, ele diz: "Amém". Graças a Deus.

Meus irmãos, que amanhã, então, nós possamos a seguir com esse capítulo 4. A nossa vocação. Se toda a, a, a beleza e a amplitude disso que falamos é verdade, então como que isso se reflete em nossa vida, em nossa jornada, em nosso testemunho, em nossa vida relacional? Então, isso nós vamos ver a partir de amanhã. Seria bom que os irmãos gastassem um tempo nesse capítulo 4, pelo menos. Então, até amanhã.

Vamos orar. Senhor, confiados mais uma vez no interesse santo do Senhor por nós. Amém. O Deus que não desiste de nós, o Deus que não se escandaliza conosco, o Deus que espera por nós. Nós queremos entregar a ti as tuas palavras, pedindo, Senhor, que realmente ela abra sepulturas em nossa vida e nossa história com o Senhor. Que não haja nada em nosso coração que seja restrito do Senhor, guardado do Senhor, excluído do Senhor. Penetra, Senhor, com tua espada, tua adaga viva e eficaz, penetrante, e divide alma, espírito, juntas e medulas, e exponha pensamentos e propósitos do coração. Porque te pedimos, Senhor, queremos ser vasos destapados. Queremos receber, temos o privilégio de receber as cargas do teu coração em nosso coração e nos esforçar o mais possível, segundo a sua eficácia, para que a tua igreja seja adornada. Igreja pela qual o Senhor ainda se aflige, porque o Senhor ainda não tem a tua noiva adornada. Por isso, Senhor, nos faz servos mais úteis, mais preparados, mais plenos, mais dispostos, mais capacitados, mais adequados. Te pedimos assim, no teu precioso nome. Amém.