Transcription
Hoje eu separei três séries [música] que expandem a sua mente porque elas vão aumentar a sua percepção da realidade. A primeira, Andon.
Imagina só se o Sa Goodman, ao invés de ter estudado direito, tivesse se tornado um grande físico e que, dado ao [música] seu peculiar estilo profissional, ao invés então de procurar brechas na lei, procurasse brechas na própria estrutura da realidade. Andon, [música] o Bob Odenkirk interpreta um cientista que acredita ter descoberto que o tecido espaço temporal é uma estrutura que pode ser navegada por novas ramificações. [música] O enredo acompanha a filha do Bob, uma personagem com a qual eu me identifiquei e você provavelmente também vai. [música] Ela é o tipo de pessoa que percebe as estranhezas do dia a dia, que percebe que a vida social é uma espécie de prisão voluntária e que o mundo poderia ser algo muito maior do que aquilo que nos ensinaram a aceitar. Só que depois de sofrer um acidente de carro, ela começa [música] a ter quadros esquizofrênicos. A série então coloca uma questão delicada. E se aquilo que chamamos de alucinação nem sempre for apenas um erro da mente? E se os estados alterados de consciência forem uma habilidade que nós [música] estamos desperdiçando? Porque a nossa sociedade insiste em rotulá-los [música] como sintoma de doença. Andan é isso. Pai e filha trabalhando juntos enquanto ciência e esoterismo se misturam na exploração das brechas da [música] realidade. Você pode assisti-la na Amazon Prime.
E se você gostou dessa série, a segunda é ainda melhor. Contos do Loop. Essa série te ganha na primeira cena, nos primeiros 30 segundos. Ela começa com um dos personagens [música] contando que eles vivem numa sociedade onde tem uma instalação subterrânea para investigações científicas chamada Loop. [música] E o que eles fazem lá, diz esse personagem, é nada a menos do que tentar desvendar os mistérios do [música] universo. Então, olha que bacana, uma sociedade organizada em prol de explorar a existência. E essa [música] instalação subterrânea chamada LUP é uma espécie de cerne ficcional. E como você sabe, o CERNE existe de verdade. É um gigantesco centro de pesquisa de partículas subatômicas, de partículas quânticas. Na série, [música] essa instalação guarda um tipo de matéria diferente, um material exótico que eles chamam de eclipse, o qual parece não interagir com a gravidade. Agora pensa nisso. Espaço e [música] tempo formam o tecido da nossa realidade e estão totalmente [música] correlacionados à força gravitacional. Então imagina as possibilidades que um material capaz de desafiar as regras gravitacionais poderia oferecer em termos espaçotemporais. A série explora [música] algumas possibilidades muito interessantes, realizações fisicamente possíveis que, quem sabe algum dia nós possamos alcançar, como, por exemplo, escapar das limitações impostas pelo tempo, pelo corpo e pela morte. Mas ela é mais do que uma ficção científica. Ela é uma série sobre a condição humana diante da crueza existencial. Ela expõe [música] desde os nossos desejos mais íntimos aos nossos maiores medos. Ela nos faz questionar: "Mas afinal de contas, [música] o que realmente queremos? Pois talvez mesmo que tivéssemos tudo essa pergunta [música] permanecesse. Das três séries de hoje, essa é a minha preferida e ela também tá disponível na Amazon Prime.
[música] E por fim, de OA. Essa série é sobre EQMs, experiências de quase morte. Como você sabe, a medicina tem enfrentado [música] uma anomalia. Durante episódios de morte clínica, o cérebro praticamente se desliga, mas a experiência continua. E a questão aqui é que se a consciência fosse mesmo produzida pelo cérebro, nós esperaríamos o contrário. Esperaríamos [música] que quanto menor fosse a atividade cerebral, menor também deveria ser a [música] experiência. No entanto, em episódios de morte clínica, algumas pessoas relatam experiências mais intensas, vívidas e complexas [música] do que a consciência comum. Então, a pergunta que fica é: seria possível se o cérebro fosse o gerador da consciência? Afinal, quanto [música] mais rica a experiência, maior também deveria ser a atividade cerebral. Mas nas equemmes não é isso o que acontece. The OA explora essa possibilidade. [música] O enredo acompanha a Pradyy, uma jovem cega que desapareceu durante 7 anos e que um belo dia retorna para casa e com a visão recuperada. Porém, ela se recusa a explicar diretamente [música] o que aconteceu. Em vez disso, ela reúne um grupo de pessoas as quais ela acredita que serão capazes de compreender aquilo que ela tem a contar. uma [música] história sobremes, sobre outras dimensões, sobre a possibilidade de [música] atravessar os limites da existência comum. E o interessante é que a série nunca permite que saibamos [música] completamente se estamos diante de uma revelação metafísica ou de uma narrativa construída para sobreviver ao trauma ou ainda assim das duas [música] coisas ao mesmo tempo. E é justamente nessa ambiguidade que tá a força [música] do enredo, porque ele nos faz questionar se aquilo que chamamos de impossível não seria apenas [música] aquilo para o qual ainda não encontramos uma linguagem. Portanto, a questão que fica é esta: Assim como Copérnico nos mostrou que a Terra não é o centro do sistema solar, mas sim o Sol, talvez venhamos a descobrir [música] que a vida também não seja o centro da existência, mas sim a morte. Nesse podcast eu falo mais [música] sobre isso. Te vejo lá.