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Como organizar os pensamentos antes de falar

ÓHQUEMFALA! Comunicação e Oratória18:47

Transcription

E quando seus pensamentos embaralham, o que fazer? Essa é a dúvida da Iliete Bolonha, inscrita aqui neste canal e certamente é a sua dúvida também. São as ideias surgindo, as preocupações, as informações, tudo ao mesmo tempo, sem uma linha de raciocínio clara e ainda na era do déficit de atenção.

Então, no vídeo de hoje eu vou te ajudar com esse problema. Vou te mostrar como organizar o seu pensamento antes dele sair pela sua boca. Então, fica comigo. Roda a vinheta.

Oi, gente, tudo bem? Eu sou a Bianca Celoto, treinadora da Quem Fala. Tô aqui para te ajudar a elevar o seu poder de comunicação e expressão. O nosso assunto de hoje é a organização do pensamento antes de falar. Aquela etapa que a maioria das pessoas pula. Tá? E que faz toda a diferença no resultado da sua mensagem, da sua comunicação, porque antes de qualquer técnica, antes de qualquer recurso, existe um processo que precisa acontecer dentro da sua cabecinha. E é exatamente esse processo que a gente vai trabalhar neste vídeo hoje.

Onde que a gente usa isso, tá? Em qualquer situação em que você precise concatenar, tá? falar, ser bem compreendido numa reunião com a diretoria, numa apresentação de resultados, numa proposta para um cliente, num feedback pro seu time, numa conversa informal que seja, em que você quer se explicar para alguém, quer dar os seus motivos, quer fazer essa pessoa te entender de alguma forma.

E o que os estudiosos em comunicação identificaram, e a gente prova isso diariamente na nossa experiência prática dentro da sala de aula. dentro dos trabalhos que a gente faz na condução e na habilitação da comunicação de milhares de pessoas, é que a clareza da fala nasce da clareza do pensamento. Então, quando você se perde na fala, não tá acontecendo um erro superficial. Isso é a manifestação de um processo mental que está disperso, sobrecarregado ou tentando avançar sem um mapa claro. E atualmente isso tem sido um grande problema, principalmente pelo nosso déficit de atenção, nossa dificuldade em ter concentração e foco, a nossa ansiedade, tá tudo acontecendo de forma muito veloz nas nossas cabeças. Então, entender porque isso acontece exige um olhar para o que passa dentro da nossa mente antes da gente começar a falar.

O primeiro fator, então, enquanto você fala, a sua mente está fazendo várias coisas ao mesmo tempo. É importante a gente compreender como isso funciona, tá? Pensando no que tá dizendo, no que vai dizer a seguir, em como a pessoa tá reagindo, se está entendendo, se tá convencida. Fica escutando o som da voz, assimilando esse som, compreendendo esse som. Tudo isso acontecendo ali, ó, ao mesmo tempo. Então, quando você não pensa em uma ordem clara antecipadamente, você começa essa fala já sem direção, viu? Quem dá direção somos nós, porque a mente está tentando resolver tudo de uma vez e ela vai usar os métodos que [música] ela tem.

Eu escuto muito isso dos nossos treinandos, mentorados, dos alunos, eh, de todo o ecossistema. Ó, quem fala, a minha mente é muito agitada, parece que eu penso mais rápido do que eu falo. E é verdade. Muitas vezes isso acontece com muita frequência, dependendo, né, de como é a sua linha de raciocínio. Tem gente que é mais agitada, que tem de fato uma mente mais sobrecarregada, mais acelerada. Isso acontece literalmente. A sua cabeça está processando muito mais coisa do que a sua linguagem dá conta de traduzir.

Então, o segundo fator, a mente [música] está aqui, ó, rodando, rodando, ela tá rápida. E aí o que acontece? A cabeça vai nessa velocidade, a fala vai na outra. Então, surgem esses buracos, desvios, a pessoa começa uma ideia, já pula paraa outra e quem tá ouvindo consegue acompanhar.

E tem um terceiro fator, a emoção. Ela importa, importa muito. Como eu já disse, quem tá muito ansioso, tá com pressão, urgência, quer colocar tudo na fala de uma vez só, cada informação vai parecer sempre essencial. Não posso tirar, não posso cortar. Isso é importante. Tudo parece, todo detalhe é indispensável. E aí o resultado disso é uma mensagem sobrecarregada, assim como a sua cabeça. Então a pessoa que tá ali do outro lado, o público, a audiência não vai conseguir absorver. Se, né, se queçar entender, às vezes não consegue nem compreender o fio da meada, não consegue nem compreender a linha de raciocínio. Não tem umas conversas que às vezes você sai, fala: "Meu Deus, que conversa de doido? Que que será que essa pessoa tava tentando? me falar direto, isso acontece. Então, a fala se torna um labirinto em que a própria pessoa vai se perdendo. E aí quando você vê, você tá assim, eh, ai, nossa, que que eu tava falando mesmo? Tá? Isso aí é você sendo vítima do labirinto da sua mente quando você não pensou antes, não deu direção para os seus pensamentos para que eles sejam traduzidos em linguagem e virem fala, virem comunicação.

Então, como a gente resolve isso? É aqui que entra o processo de organizar esse pensamento antes, tá? Primeiro passo, vai anotando aí, é ter uma clareza desse tema, não apenas o assunto. Tem assunto que é macro. Mas por que você decidiu falar sobre isso? Para quem é importante e o que você quer gerar no outro depois [música] que isso terminar?

Esses dias eu recebi uma abordagem de uma profissional liberal, uma fisioterapeuta que é empresária também e ela me abordou e falou: "Benca, quero fazer uma mentoria com você porque eu tô elaborando um evento e eu quero que você me prepare para esse evento." Então assim, eu tô muito ansiosa porque a minha fala vai ser longa, eu vou subir nesse palco e o que que eu faço? Então eu já pensei em falar isso, falei e eu falei: "Calma, calma, calma, calma, vamos voltar, vamos voltar, tá? Qual é o objetivo do seu evento? Quem vai est lá? O que é que você quer que esse público eh eh entenda? O que é que você quer que esse público faça a partir desse evento? Qual que é o teu alvo? O que que você quer criar de impacto? Qual é o teu, a tua [música] ali o teu tema, o teu foco nesse assunto que você tem? E quando eu fiz essas perguntas, ela falou: "Não sei, nossa, não tenho essas respostas". Então existiam muitos insites, ideias soltas, ideias que não tinham conexão, mas não tinham uma direção. Então a gente vê muitos exemplos acontecendo como esses no nosso dia a dia. Tenho aqui, ó, um gerente que vai apresentar os resultados, por exemplo, ali no trimestre paraa diretoria e precisa saber exatamente, né, o que que é isso antes de conseguir transmitir. Então, qual é o ponto central? o que ele quer que a diretoria faça ou decida depois dessa apresentação. Exatamente as mesmas perguntas que eu fiz ali paraa fisioterapeuta, paraa empresária que tá organizando um evento e que vai ser porta-voz.

Então, o segundo passo é entender a sua intenção. Ó, grifa aqui, intenção, porque cada intenção constrói uma mensagem diferente e isso vai puxar uma emoção diferente. Então, se você quer informar a sua comunicação, precisa de mais dados, mais exemplos, organização lógica. Eu costumo usar a metáfora da informação é prateleira. Então vamos lá. Quando você vai ao supermercado, você vai fazer compras em algum estabelecimento de algum produto, você é atraído pela prateleira. Existe uma lógica, existe um negócio chamado trade marketing, que vai lá e pensa naquela prateleira para ela ficar atrativa, para você olhar aquele produto e sentir vontade de comprar. Então, quando você vai informar alguém, você precisa organizar as coisas, separar por cor. por tipos, tá? Então é aí que entra a organização lógica do seu pensamento.

Agora, você quer persuadir? Não, eu não quero só informar, eu não quero só educar, eu não quero só esclarecer, eu não quero só aumentar o repertório daquela pessoa. Então, ah, ela não sabia isso, agora ela sabe, tá? Eu quero convencê-la a tomar uma atitude. Eu quero que a partir disso ela mova uma ação. Ela precisa fazer um movimento a partir da minha comunicação, da minha mensagem. Aí eu quero persuadir, tá? Eu quero convencer ela a fazer esse movimento. Então eu vou precisar tocar a emoção. Eu tenho que usar a lógica. Tenho que usar a lógica. Ela vai continuar me alicerçando lá. Só que não são só os argumentos que gerem concordância que vão me ajudar. Eu vou precisar de algo que faça essa pessoa sentir. Então, eu vou ter que tocar na emoção dela. Não é só no racional, não é só entender, não é só compreender, é sentir essa compreensão. E isso tem uma profundidade muito maior. Quando a gente vai ensinar oratória, por exemplo, a gente imputa lá os gatilhos de persuasão como mecanismo psicossocial, em que leva a pessoa a uma linha de raciocínio que ajude ela a sentir coisas. E quando ela sente, ela toma decisões, tá? Ela concorda ou ela discorda, ela se movimenta de alguma forma.

Agora tudo bem, não quero informar, não quero convencer, quero entreter, quero manter a pessoa distraída. Aí você precisa se sintonizar com as experiências de quem tá te ouvindo, com aquilo que ela gosta, com aquilo que mantém ela traída de alguma forma, tá? Então, o entretenimento ele também está tocando a emoção, mas a emoção particular. É por isso que o entretenimento ele puxa muito nicho, ele puxa muito tribos, né? Então, por exemplo, os influenciadores digitais [música] que produzem conteúdos de entretenimento, aqui mesmo no YouTube, eles vão atrair um determinado público. Quem é que está aqui neste canal atraído por este conteúdo? Quem quer aprender, não quem quer se distrair, ficar só se entretendo, passando tempo. É por isso que vocês são muito mais inteligentes do que a média, né, gente? É, aplausos para esta audiência.

E o nosso terceiro passo é conhecer o seu público, porque a fala que não considera quem tá do outro lado vai falar para si mesma, você vai falar pro teu espelho, tá? Então, observa o teu público para você se moldar. para você usar o código que ele compreenda.

E o quarto passo é construir a sua ideia central, tá? É o alicerce, espinha dorsal dessa linha de raciocínio. Essa linha que vai sustentar [música] tudo o que você vai dizer. Isso precisa ter um peso, porque quando essa linha existe, a fala tem direção. Eu vou para esse rumo aqui. Quando não existe, a mente vai fazer o quê? vai carregar tudo, vai tentar trazer tudo ao mesmo tempo de uma vez, né? E aí o labirinto vai te enfiar nesse processo perdido, você vai se perder nele e quem tá te ouvindo, quem tá te assistindo, quem tá te acompanhando, vai se perder também.

Tudo o que eu acabei de te mostrar, tema, intenção, público, ideia central, só vai funcionar quando você literalmente colocar ou digitar no [música] papel antes de falar, tá? Antes de falar, se você fizer a construção da linha de raciocínio, não é o chat EPT, não é a IA que você usa, tá? Por quê? Porque a IA está acompanhando, ela está construindo a linha de raciocínio dela. [música] Quando você vai eh usar a linha de raciocínio dela, você está usando a sua memória. E se a sua memória está falha, não vai não vai registrar no teu banco de dados. Então você vai ter lacunas do mesmo jeito. Agora quando você linha de raciocínio, com essa direção que eu tô te dando aqui, você vai acessar, você vai ativar outros campos neurais do seu cérebro [música] que apoiam a sua memória. Então tem mais consistência essa memória. Você consegue sim memorizar com mais eficiência. [música]

Pega qualquer apresentação que você tem pela frente, pode ser reunião, pode ser proposta, pode ser feedback e coloca no papel, [música] tá? Qual é o meu tema? Qual é a minha intenção? Para quem eu tô falando? Qual é a minha ideia central? E isso eu vejo muita diferença, muita diferença. Quando eu vou, por exemplo, dar palestras em eventos e a gente é contratado, eu sou contratada pelo quem fala para dar palestras, [música] principalmente no meio corporativo, existem algumas temáticas de palestras técnicas que a gente dá aqui, que a gente já tem essas palestras basicamente quase prontas ali. São palestras que seguem uma linha de raciocínio pronta. E aí eu faço uma ou outra alteração. Que que eu percebo? Que as palestras que eu já pego com mais ou menos pronta e que eu faço poucas alterações, eu passo menos tempo trabalhando nela. E aí quando eu vou performar, quando eu vou apresentar essa palestra, eu percebo que a minha performance é pior, muito pior. Inclusive eu faço muito essa autocrítica do que quando eu sento e eu elaboro a linha de raciocínio da palestra do zero, tá? Uso sim a inteligência artificial para complementar, para trazer outros insightes, para trazer um pouco mais de eh de eh ilustrações, coisas mais criativas e tal, algumas ideias que eu não consegui conectar, mas a linha de raciocínio ali, ó, o apoio central é criado por mim, pela minha memória. É muito diferente, assim, é [música] indescritível a diferença de performance entre um movimento e outro quando eu subo aos palcos, por exemplo, para palestrar usando esse mesmo mecanismo, direcionando o meu próprio cérebro sobre a mensagem que ele vai transmitir.

Não precisa ficar bonito, não precisa ficar organizadinho, não precisa usar o template de palestrante, é só um despejo do que tá na tua cabeça, porque depois você relê e começa a separar. Isso é essencial? Isso serve pro meu argumento principal, isso é acessório. É por isso que tem que entender a tua intenção. É por isso que tem que entender o teu público. Porque se você não entende, você depois não consegue editar. Você acha que tudo é importante. Por quê? Porque você não mediu, você não direcionou. Então, quando tudo fica na nossa cabeça, nossa, meu Deus, é tudo gigantesco, tá? Quando você coloca para fora, aquilo encolhe e você consegue ver com clareza o que precisa entrar de fato nessa fala e o que pode ficar de fora. Isso aqui, ó, isso aqui não precisa.

Então vamos fazer a checklist do que a gente viu aqui hoje, esse passo a passo para você conseguir elaborar o seu pensamento antes de construir uma apresentação, uma fala, qualquer mensagem comunicacional que você queira que dê impacto positivo. Reforço aqui. Antes de se preocupar com as palavras vão sair da sua boca, se preocupe com as ideias estão sendo organizadas na sua cabeça. O primeiro passo é ter clareza do seu tema. O segundo é entender a sua intenção. O terceiro é conhecer o público. E o quarto é construir a sua ideia central. Bota no papel, separa o essencial do que é acessório, do que pode ser descartado. [música]

Então você começa a falar e aí se você consegue treinar antes, então [música] não tem erro. Aí sim, aí você consegue ter uma performance muito melhor. Quanto mais você pratica, mais natural esse processo vai ficando, mais você vai perceber que a hora que você chega para fazer para valer, aquilo saiu muito mais fluido, mais livre, a sua fala vai se tornar.

E para continuar desenvolvendo a sua comunicação de forma estruturada, sim, assistida, pensada, aqui embaixo, na descrição tem o link para você conhecer os nossos programas de treinamento. Se você quer se aprofundar nisso, é por lá que você começa. Se esse vídeo fez sentido para você, compartilha com alguém, bota aí nas suas redes sociais para alguém aí, ó, organizar o pensamento antes de falar, manda para aquele prolixo que você conhece, pro teu líder que fala demais e não fala nada, tá bom? E não se esquece de se inscrever aqui no nosso canal, deixar sua curtida, ativar o sininho, porque é super importante você manifestar a sua audiência para que mais vídeos como esse cheguem até você. A gente se vê numa próxima direção, a gente se vê num próximo roteiro, numa próxima aula técnica para te ajudar a se comunicar melhor. Até lá.