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Como é que eu vou te explicar que o moleque que há 4 anos atrás entregava panfleto na rua? É titular e peça chave da maior seleção do planeta.
Há alguns anos atrás vocês iam me chamar de maluco igual alguns fizeram. Mas não fui eu que te provei que você tava errado. Foi ele, o improvável Ryan.
Nascido e criado na barreira do Vasco, ele nasce de um amor entre dois vascaínos que trabalhavam dentro do clube. E dentro do próprio Vasco, o Rayan cresceu, estudou e se tornou quem é hoje. Mas as coisas não seriam tão fácis.
O Vasco estava fundado em crise. O garoto tinha pouca oportunidade e uma cobrança absurda na escola. Nem o mais otimista conseguiria ver o lado positivo disso até a chegada de Fernando Ding.
O treinador trabalhou a confiança do garoto, exigiu mais atitude, jogou a responsabilidade do mundo nas costas dele várias e várias vezes, porque sabia que estava forjando um craque. Explosão técnica, um físico de invejar, polivalente, criativo. Todas essas características são importantes para um jogador extra classe, mas ele tinha mais.
Uma mentalidade inabalável, talvez por saber da onde veio e para onde quer ir. Uma maturidade invejável que só quem viveu momentos difíceis consegue construir. E uma versatilidade tática que você não vai ver em nenhum outro jogador brasileiro hoje.
Não à toa Anchelote confiou no moleque para assumir a titularidade, tendo jogadores muito mais rodados do que ele. E os números não mentem. São 21 jogos que Ryan disputou no ano. Quantas derrotas? Nenhuma.
O garoto não perdeu até agora pela seleção brasileira e pelo Burnman. E que você continue sendo o nosso amuleto, garoto. Sinta-se abraçado não só mais por milhões de vascaínos, mas pelo Brasil inteiro.
Eu te faço uma pergunta. Olhando pro céu agora, eu consigo ver cinco estrelas. Você consegue ver mais? Talvez nessa noite estrelada uma pergunta ecoe na nossa cabeça e deixe uma dúvida que costuma se responder sozinho. Boa noite. Será que vai ter gol do Ran hoje?