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Pensando sobre os dons do Espírito Santo, há um bom material teológico de um autor chamado Wayne Grudem que tem algumas boas reflexões, e a definição que ele apresenta sobre dom é bastante valiosa, na nossa opinião. Ele diz o seguinte: Dom espiritual é qualquer talento potencializado pelo Espírito Santo e usado no ministério da Igreja.
E aí você vê alguns textos do Novo Testamento que têm a ver com os chamados dons do Espírito Santo e, portanto, a compreensão de que esse talento, que essa capacidade, qualidade que temos na nossa vida, que tem a ver com aquilo que nascemos e desenvolvemos, quando a pessoa entra na relação de sintonia com Deus, depois de receber aí a nova vida, nova natureza em Cristo Jesus, agora isso é direcionado e potencializado pelo Espírito para ser usado para servir no corpo de Cristo. Então, a importância desse entendimento é ver que o dom não é uma coisa dissociada daquilo que somos e nem da nossa história. Um dom espiritual, por definição, não é uma coisa que milagrosamente cai sobre o indivíduo como se não tivesse qualquer relação com a sua personalidade, a sua capacidade e a sua trajetória. A relação entre Teologia da criação e de Redenção aqui é importante, e pensando sobre essa questão, vamos aí entender um pouco mais do assunto.
Olha lá: os dons espirituais, no entendimento bíblico, eles são concedidos para um determinado propósito: o crescimento espiritual, a edificação, usando uma palavra bíblica, daquele que é discípulo de Jesus, e também com o objetivo final da expansão do Evangelho. A missão da Igreja é anunciar as boas novas a todo mundo, a todas as nações. Então, os dons fazem parte desse conjunto de elementos que concorrem para o benefício da missão da Igreja. E algumas coisas são importantes: o Novo Testamento, especialmente o apóstolo Paulo, em Primeira Coríntios, vai enfatizar que ninguém recebe todos os dons e que é muito importante a compreensão de que existem vários dons, há uma diversidade, e o objetivo dessa diversidade de dons é gerar o que é chamado de cooperação mútua na realidade da Igreja.
Então, pensando nisso, a finalidade dessas capacidades dirigidas por Deus na vida daqueles que são discípulos de Jesus nos leva a uma proposta de serviço. Esse serviço, essa capacidade de servir à semelhança de Jesus, se direcionam para onde? Para a ideia clara de que nós estamos servindo ao Senhor; afinal de contas, nós somos literalmente seus servos. Servimos a outros, nossos irmãos, outros cristãos, outras pessoas que são da mesma fé, e também servimos as pessoas descrentes, como nós vemos em Mateus 5:13. Essa ideia importante: que aquilo que a gente faz abençoa a vida das pessoas lá fora. E pensando sobre isso, vamos começar lendo, vendo um texto do Novo Testamento, ah, em Primeira Coríntios 12, já que nós temos alguns textos que tratam do assunto, e um texto que nos dá assim a diretriz sobre como pensar sobre dons aparece no início de Primeira Coríntios 12. Lembra da carta de Paulo aos cristãos em Corinto que estavam enfrentando uma confusão, uma dificuldade na sua caminhada, aí confusa adiante do desafio ministerial, que que a gente vê? Paulo diz: Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes. Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos.
Então, observe claramente a ênfase de que nós temos a proposta de uma unidade da Igreja que tem o mesmo Espírito, mesmo Senhor e o mesmo Deus que efetua tudo, que age em todos, e que deve ser compreendido que há diversidade de dons e ministérios. Prosseguindo, a gente vai observar que Paulo, na continuação da discussão do tema ligado a esses pneumáticos, esses dons espirituais, ele vai dizer que a Igreja, que não é vista como um local de reunião, não é visto como uma mera instituição, e não é vista como uma espécie de encontro de amigos para objetivos outros, ela é o corpo de Cristo. Esse corpo tem diferentes membros que devem estar trabalhando harmoniosamente e que têm um objetivo comum. Isso é importante porque, às vezes, a Igreja pode ser desvirtuada para outro propósito e não tem a relação de caminhada que o texto bíblico apresenta. E assim, os membros da Igreja, com esses diversos dons, devem trabalhar em harmonia para o benefício de todos. Os dons, portanto, são eh como que ferramentas à disposição dos diversos ministérios da Igreja.
Então é muito significativo, importante entender sobre isso, sabe por quê? Porque na fé a gente não é alguém que só estuda e entende realidades doutrinárias e teológicas; a gente não é uma pessoa que simplesmente tem o coração e as emoções assim atingidas, e nós somos internamente abençoados pelo que o Evangelho nos apresenta, mas nós também temos a nossa vida dedicada ao serviço para beneficiar tudo aquilo que envolve aqueles que devem ser aí atingidos pelo crescimento do Reino de Deus. Então é a comunidade do serviço à Igreja, e algumas coisas muito importantes merecem destaque. Como é que a gente compreende isso? Vamos lá. O que é, de fato, um dom espiritual e qual é o seu objetivo? Vamos ver algumas coisas, vamos ver que não podem ser esquecidas de jeito nenhum. Como a gente mencionou, recordando para não ser esquecida, é a capacidade especial concedida pelo Espírito Santo de realizar algum ministério, fundamentada naquilo que envolve o nosso talento. Os dons só são concedidos, segundo o Novo Testamento, a pessoas convertidas. O dom espiritual não é uma coisa que é uma capacidade que todo mundo tem, porque se ele não é direcionado e potencializado pelo Espírito Santo, ele é visto como um talento, mas não é dom porque não tem a mesma referência de serviço em sintonia com a proposta de Jesus. Qual é o objetivo do dom? É atender à necessidade da Igreja na pregação do Evangelho, na expansão da fé, e também gerar crescimento, maturidade espiritual naqueles que fazem parte desse contexto da Igreja de Cristo. Diferentes dons são importantes por quê? Porque atendem a diferentes necessidades. Isso é muito valioso porque uma Igreja sem saúde espiritual pode correr o risco de ter só alguns tipos de dons; ela pode até ter um congestionamento de um tipo de dom e ausência de outros. É como alguém que se alimenta de maneira deficiente: tem muito de um nutriente, falta o outro. Então é muito importante essa diversidade, e nós não temos poder e domínio sobre isso. Ninguém pode ter o dom que deseja. Quando essa pessoa não tem esse dom… eu pego o meu caso: eu nunca fui bom de desenhar nada; eu só desenho um círculo se eu cair de joelhos na praia, né? Eu também não sei cantar direito; no meu caso, quem canta, os outros espantam. Então é melhor mudar o assunto e focar a atenção no seu dom. E o Espírito distribui como quer; nós não temos o poder, o domínio. Isso é importante porque às vezes a gente acha que a gente tem que ter aquele dom que a outra pessoa tem, porque a gente entende que esse dom é mais importante que os outros. Não é assim. Os dons não têm objetivo de gerar disputas nessa nossa sociedade, né, tão voltada para essa questão das pessoas terem a primazia e ganharem o holofote; a gente pode perder o caminho. A ideia é gerar mútua cooperação, e segundo os ensinos de Paulo, em uma Igreja, nenhum dos dons ou nenhuma pessoa é mais importante do que a outra. Isso quer dizer que cada dom tem o seu papel, a sua necessidade, o seu valor, e ninguém deve se achar superior a ninguém outro, nem outra pessoa, e ninguém pode também se desprezar porque tem um dom que, por acaso, a pessoa acha menos importante. Paulo vai nos informar que esses dons visam um fim proveitoso; quer dizer, esse dom não cai num vazio, não é uma coisa que existe para a pessoa achar legal porque ele eh se emocionou ou porque ele achou e que fica bonito, ou de alguma maneira isso dá algum prestígio. Não tem um objetivo de trazer proveito dentro do Reino, e nós precisamos valorizar essa diversidade de dons porque nós precisamos de pessoas diferentes que façam coisas diferentes dentro do Reino de Deus para que a bênção seja completa e Deus seja celebrado na diversidade de capacidades humanas dedicadas à sua honra e à sua glória. E todo mundo precisa estar ligado a Cristo e à Igreja com o objetivo comum de pregar o Evangelho e servir a Deus e ao próximo.
É um problema muito sério que hoje em dia, talvez seja mais significativo no nosso ambiente do chamado mundo livre ocidental, quando as pessoas se sentem numa condição de não precisarem de ninguém e elas abrem mão de um relacionamento com outros cristãos. É muita gente que ah, um dia está aqui, outro dia tá lá, e ele não tem qualquer relação de pertinência nem de compromisso. É uma mensagem terrível para as pessoas que precisam conhecer o Evangelho porque há um descompromisso com a continuação do que significa Cristo, que é o corpo de Cristo, a comunidade da fé. Nós somos chamados para essa mútua tolerância, somos chamados a trabalhar em conjunto. A gente é chamado para estar ligado a Cristo e ao corpo de Cristo e à Igreja, e isso é por demais importante.
Prosseguindo, a gente vai observar mais algumas coisas significativas que o Novo Testamento nos ensina a respeito dos dons do Espírito Santo. O Espírito é visto lá em Atos 2 como o dom por excelência: “Vocês receberão o dom do Espírito Santo”; quer dizer que a grande dádiva para a Igreja, que deve executar a missão, é o próprio Espírito, e por meio do Espírito, com o Espírito que os demais dons, chamados do Espírito, vão ser concedidos à Igreja. E o Novo Testamento apresenta algumas listas, e eu convido você depois a olhar, a ler com atenção você que tá acompanhando o nosso estudo e quer ver, dá uma olhada lá: os textos que você deve ler estão ali: Romanos 12, verso 6 a 8, onde tem uma lista de dons; Primeira Coríntios 7:7 tem uma referência a um tipo de dom específico; Primeira Coríntios 12:8 a 10, até 10, e depois o verso 28; Efésios 4:11 aparece uma lista de cinco dons; lá em Primeira Pedro 4:11 nós temos essas listas que respondem principalmente a perguntas específicas dessas igrejas neotestamentárias, e é importante também a gente observar que esses dons que nós vemos são divididos e devem ser em categorias distintas que vai servir de base para o nosso estudo. Então vamos continuar entendendo um pouco mais desse assunto tão importante. Vamos ver aí o que a gente pode chamar de distinção entre dons. Há várias maneiras que para a gente poder dividir os dons. Podemos falar, por exemplo, que tem dons de palavra, tem dons que envolvem elementos que têm a ver com a mente ou com a visão, tem dons que envolve a ação, o agir prático. Mas eu gostaria de estabelecer uma distinção entre dois grupos por causa daquilo que funde a nossa cabeça, porque você lê na lista dos dons, por exemplo, em Primeira Coríntios 12, lá no verso 28, fala de dons de administração; aí, daqui a pouco você tá lendo em Primeira Coríntios 12 ainda, mesmo no mesmo capítulo, fala de dom de profetizar, de falar em línguas, e você fala: “Puxa, administração parece uma coisa, falar em línguas parece outra, dons de cura que são dons milagrosos aparece junto com dons de governo, de socorro. Como é que funciona isso?” Então, tudo indica que nós temos o que a gente pode chamar de dons ministeriais. Que dons seriam esses ministeriais? Que são dons ligados aos nossos talentos naturais. Isso significa que o Espírito de Deus age em nossa vida e trabalha em cima de um talento que nós podemos chamar de natural; por exemplo, uma pessoa tem uma facilidade para ensinar; essa pessoa convertida, sob a ação e orientação do Espírito, vai desenvolver isso. Vai ver na vida do apóstolo Paulo, por exemplo, como é que certas capacidades têm a ver com a sua própria trajetória, sua história. Quando você pensa em dom de administração ou num dom como exortação, que equivale a aconselhamento, você consegue estabelecer uma ponte entre o talento natural; por isso que existem hoje o que a gente chama de teste de dons, para a pessoa ver se a sua personalidade se encaixa mais, por exemplo, com administração ou com ensino ou com expressão de generosidade ou com aconselhamento. Isso é compreensível, mas existem outros dons de operação de milagres. Com que tipo de elemento natural nós podemos contar para a operação de milagres? Dificilmente dá para a gente eh relacionar isso com aquilo que tem a ver com os nossos talentos; por isso, esses dons que são milagrosos, ou como preferem alguns, miraculosos, é adequado chamá-los de dons de manifestação, por quê? Porque Primeira Coríntios 12:7, quando tá descrevendo dons desse perfil, fala que a manifestação do Espírito é dada a cada um. E aí nós vamos perceber que esses dons têm um perfil um pouco diferente dos dons ministeriais; por exemplo, quem administra, conselho e ensina parece ter à disposição a possibilidade de fazer isso o tempo todo, de modo permanente, mas quem opera milagres ou cura ou que fala uma língua pelo poder do Espírito nem sempre vai poder fazer isso por sua decisão, porque isso é uma manifestação do poder do Espírito. Entendendo isso, nós vamos então descobrir que temos esses diversos dons ministeriais, e entendendo bem esses dons, estão fundamentados em nossas capacidades, devemos compreender que o dom espiritual é o redirecionamento do Espírito, a capacidade dada por Deus, alguém tem esse dom, esse talento, digamos assim, e agora usado pelo Espírito na nova vida; isso tem um redirecionamento vetorial para que esse dom sirva à comunidade, a Deus, de maneira diferenciada, e portanto, como mencionamos, vale muito a pena fazer um teste de dons. Mesmo que um teste revele… se você for fazer isso, eu aconselhamos que você faça, você vai ver que vão surgir dons variáveis; quase todo mundo que eu conheço que fez um teste de dons se encaixa em pelo menos, na média, três dons diferentes. E a pergunta que a gente faz é: qual é o dom que eu vou escolher, já que eu fiz o teste numa lista grande e me deu ali a possibilidade maior de dois ou três dons, porque você se encaixou numa categoria mais específica? Há pessoas que são mais relacionais, têm esse perfil mais pessoal; tem gente que é mais, vamos dizer, racional, mais crítico. Uma pessoa que tem dom de discernimento, por exemplo, não é a mesma que tem o dom de aconselhamento, né? Ah, mas quando você prestar atenção nos dons que você eh pode perceber na sua pessoa, sempre vai haver um dom principal, que a gente chama, com a boa literatura que aborda o assunto de dom motivacional, quer dizer, aquilo que você tem a maior satisfação de fazer, aquilo que você faz e você realmente percebe que Deus tá usando a sua vida pro benefício dos outros, e você encontra aí esse ponto de bênção pros outros e o seu coração em plenitude de sintonia com o serviço, o que é o melhor dos mundos. Às vezes você tem até um dom que você executa, mas não é, digamos assim, a paixão do seu coração no serviço. Eu conheço pessoas que executam certas coisas e eles fazem porque precisa, porque é uma necessidade, mas é aquele negócio que, usando uma linguagem bem popular, dificilmente a pessoa veste a camisa, né? Eu conheço gente que tem dom de evangelizar impressionante; eles evangelizam naturalmente, sem esforço nenhum, estão sempre dividindo a palavra e falam com uma espontaneidade total.
Entendendo isso, vamos adiante e agora prestando atenção ao ensinamento que aparece em Romanos, capítulo 12. Dá uma olhadinha no texto aí: Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; esse é o culto racional de vocês. Paulo diz: “Olha, vocês conhecem o sistema de sacrifício do antigo? Pois é, agora Deus quer vocês no altar sendo plenamente oferecidos. Esse é o culto verdadeiro, genuíno, que é o sentido da palavra racional aqui. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transforme-se pela renovação da sua mente”. Quer dizer: não sigam o caminho do mundo sem Deus; moldem a cabeça na na direção certa para que sejam capazes, né, que isso envolve a transformação da renovação, né, pela renovação da mente, né, para você ser capaz de experimentar e comprovar aquilo que a gente sabe, só precisa experimentar, que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. No serviço a Deus nós entendemos e descobrimos isso na prática, por isso, pela graça que me foi dada, digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter, ou seja, para servir a Deus ninguém pode estar de salto alto, né, de maneira a se sentir acima dos outros e entender-se de uma maneira indevida. Pelo contrário, deve ter um conceito equilibrado de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu, ou seja, com equilíbrio, tendo uma visão correta de si mesmo para analisar-se e para servir no Reino e de acordo com o que a fé define para a nossa caminhada. E aí ele continua e diz assim: Como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo e cada membro está ligado a todos os outros. Temos diferentes dons de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom… aí começa a lista… primeiro profetizar, use-o na proporção da sua fé; se o dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, consolar, aconselhar, exortar, que assim faça; se a contribuir, que contribua generosamente; se exercer liderança, que a exerça com zelo; se a mostrar misericórdia, que o faça com alegria.
Dá uma olhada para a gente observar como Romanos nos dá uma lista de alguns dons que têm a ver com esse trabalho ministerial que você vê; são dons que estão relacionados com aquele aspecto de ministérios, coisas permanentes que fazem parte da realidade da fé. A gente ainda vai voltar para falar sobre eles com mais detalhes. Enquanto isso, em Primeira Coríntios 12, você já está acompanhando, você tem aí uma lista que aparece na primeira parte do capítulo onde aparecem dons que são milagrosos; nesse caso, todos eles estão ligados a essa manifestação do Espírito que é mencionada no verso sete. Quais dons são? Palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, que parece ser direção específica do Espírito para orientar uma pessoa numa situação em que a gente não tem condição de saber como caminhar; fé, que não é a fé no sentido genérico, é específico; dom de curar, milagres; milagres ultrapassam a cura, né, é uma realidade como andar sobre as águas, como fazer coisas que não não é simplesmente o restabelecimento da saúde; profecia, discernimento de espíritos, línguas e interpretação de línguas. Ao mesmo tempo, no verso 28, nós temos uma menção de outros dons, e aqui nós temos uma mistura porque tá falando da importância deles; então tem: apóstolo, profeta, mestre, milagres, variedades de curas, socorros, administração e línguas na lista de Primeira Coríntios, conforme pudemos observar. Então, veja que esses dons, na sua maioria, de Primeira Coríntios 12 são dons usados pelo Espírito poderosa e milagrosamente para algum propósito, e que tudo indica devem ser vistos como manifestações do Espírito para o benefício da comunidade da fé, do anúncio do Evangelho, e que a pessoa não tem controle sobre eles, como nós vamos falar na sequência. Como nós vemos, ah, os dons apresentados no Novo Testamento apresentam essa diversidade que nós podemos observar aí com a realidade dos dons de manifestação. Ah, e aqui vale a pena nós olharmos ah alguns dos dons variados que aparecem nas diversas listas. Então eu vou mencionar inicialmente… veja que Primeira Pedro 4:11, muito simples, ele diz: “Olha, pessoal, todo aquele que fala é aquele que serve, né?”, ou seja, dividiu todo mundo em dois: aquele que tá servindo de alguma maneira, falando, pregando, ensinando, e aquele que executa alguma coisa. Veja que o texto bíblico tem um outro foco que a gente às vezes não tá entendendo. Primeira Coríntios 7 tem uma discussão específica do momento que eles estão enfrentando, quer dizer, quem é que serve mais a Deus, quem tá sem vínculo matrimonial, como o apóstolo Paulo, ou uma pessoa que tá cuidando da família? Os dois são importantes; por isso, ele vai apresentar o celibato como um dom que não é apresentado como obrigatório e necessário para todo mundo, e ao mesmo tempo também apresenta o casamento nessa dimensão de tá ligado a um tipo de ministério. Estão agora as listas mais detalhadas que, vamos dizer assim, apresentam um eixo mais geral do assunto, aparecem em Efésios e em Romanos, e aqui essas listas precisam de uma atenção maior porque aqui nós temos dons ministeriais, e ainda que o texto, atenção, atenção, não tem a intenção de apresentar para nós uma lista exaustiva, ele está respondendo a questões circunstanciais no contato com a Igreja local. Esses são dons importantes destacados no contexto neotestamentário. Então veja que Efésios fala de apóstolos; existe um sentido de apóstolo que pertence somente ao grupo dos chamados por Jesus para serem testemunhas da sua ressurreição, e esse dom apostólico, digamos assim, está encerrado no conteúdo dos escritos dos Apóstolos; nós não temos mais apóstolos nesse sentido; nós temos a doutrina apostólica que ficou revelada naquilo que Deus nos deixou, mas há um outro sentido que aparece, por exemplo, em Atos 14:14, quando Barnabé, que não faz parte desse grupo, é mencionado e chamado de apóstolo; isso é um missionário pioneiro que vai dar início a uma obra. Esse é um tipo de dom. O profeta é aquele que proclama, que fala a palavra divina, e é interessante porque profecia nem sempre tá relacionado como a coisa sobrenatural; nós vamos ver ainda hoje… não será possível na próxima aula porque o assunto é longo… aqui nós vamos falar sobre os dois tipos de dom profético que são derivados dessa realidade da profecia neotestamentária. Nós temos o evangelista, né, que anuncia a mensagem do Evangelho, e interessante: pastor, mestre. A gente tem a tendência de enxergar o pastor como uma pessoa que ajuda a gente na hora que tá difícil; no Novo Testamento, a ideia principal de pastor tá ligada ao ensino da palavra de Deus; ele conduz, mas não conduz somente ajudando na hora que machuca; conduz no sentido de dizer para onde a ovelha deve ir; aliás, essas ovelhas se machucam exatamente porque não escutam a orientação do pastor. Hoje em dia tem muita ovelha que é mais bode do que ovelha, e aí fica difícil caminhar; por isso, o pastor, ele é também mestre, ou seja, não tinha uma pessoa que era pastor e outro mestre, como hoje o pessoal costuma fazer, de separar a teologia da condução de liderança e de cuidado; isso deve estar interrelacionado; portanto, como não tem a figura do mestre isolado, existe o dom do pastor-mestre. Em Romanos 12, a outra lista aparece: profecia, que nós já mencionamos que tem que ser em conformidade com a fé; serviço, que deve se desdobrar nos diversos elementos ligados à diaconia, que tinha a ver com essa disposição de abençoar o outro por aquilo que eu faço; o ensino, que tá ligado ao procedimento do pastor-mestre, e mas não só exclusivamente dele; tem pessoas que podem caminhar ajudando o ensino; encorajamento, que é a mesma palavra que envolve aquilo que a gente chama de admoestação, que a gente chama de capacidade eh de aconselhar ou de exortação, quer dizer, é o direcionamento, essa capacidade de aconselhar, às vezes consolando, às vezes dando daquela encorajada necessária; contribuição, esse desprendimento especial para o crescimento da obra de Deus, tão importante; liderança, que essa capacidade de mobilização, né; e finalmente, uma das coisas mais especiais diante das pessoas que sofrem dificuldade, a manifestação do ministério de misericórdia. Fique ligado. Por enquanto é isso que nós vamos ver; esses dons são permanentes e necessários, e você estude, preste atenção, veja cada um desses textos.