📱

Get Our Mobile App

Take your business learning on the go!

Download on the App StoreGet it on Google Play

Tipos de comunicadores

Bárbara Torres17:26

Transcription

Quando a gente fala de comunicação, muita gente pensa logo sobre fórmulas prontas, aquela ideia de que se você seguir o mesmo roteiro, usar a mesma estratégia, a mesma música ou repetir o que aquela pessoa faz, seja a tela dividida, seja a forma com que fala, que simplesmente também vai dar certo para você. Mas a verdade é que não funciona dessa forma.

Se você já cria conteúdo, você sabe que isso não funciona, porque você já deve ter tentado isso. E talvez o motivo de você se sentir mais travado ou desanimada ao produzir conteúdo é exatamente esse. Você não tá se comunicando de um jeito que reflete quem você verdadeiramente é.

Por isso, nesse encontro aqui, eu quero te mostrar uma chave que mudou completamente a minha forma de olhar para a comunicação. Só para vocês terem uma ideia, no começo desse ano eu tinha 7.000 seguidores e quando eu comecei a tirar essas travas da minha cabeça, pensar mais, simplesmente pensar mesmo, tudo clareou muito mais para mim, porque eu sempre tentava replicar, sempre pensava só comigo que o negócio não vai dar certo. E aí eu parei para olhar para dentro, para me conhecer um pouco mais.

Então, isso aqui também é um processo de autoconhecimento. Sim, é importante para que a gente pare de sempre olhar pro lado e olhar para dentro. Então, essa chave que virou foi exatamente essa, entender qual tipo de comunicadora eu sou. E esse exercício de autoconhecimento, ele vai muito além de persona, de público alvo.

Eu trabalhei com publicidade muitos anos da minha vida. Eu sempre fiquei muito incomodada com essa história. Eu fazia as apresentações, eu fazia todo o perfil comportamental dos meus dos clientes, das marcas que eu trabalhava e ficava pensando: "Meu Deus, mas será que é isso? Será que isso aqui realmente funciona? Será que vai chegar a algum lugar?" A persona, nada mais é sobre como você desenha quem vai consumir o seu conteúdo de uma forma muito específica, o público alvo é o grupo para quem você vai direcionar as suas mensagens.

Falando aqui bem por cima, sempre achei muito esquisito ficar falando: "Ah, a minha persona é a fulana que tem 30 anos, que mora no sul, que mora". Gente, isso daqui não funciona na prática porque a gente precisa entender muito mais sobre o leque de possibilidades que nós temos através das redes sociais. Então, isso aqui é muito mais sobre como você transmite o que sabe de um jeito mais natural, mais coerente. Então, são etapas na construção de um comunicador que eu não abro mão.

E para te ajudar nisso tudo, eu busquei inspiração em um modelo muito antigo, mas que colocando ele em prática, não só comigo, mas também com os meus clientes, eu vi que fazia muito sentido. Então, eu gosto muito de trabalhar dessa forma dentro da comunicação. Houve poucas pessoas, senão nenhuma falando sobre essa outra ciência, essa outra forma de pensar, que é através dos temperamentos.

Uma breve introdução aqui para vocês sobre os temperamentos, que são os quatro, né, temperamentos de Hipócrates. Hipócrates, ele foi um médico grego considerado o pai da medicina. Até hoje ele acreditava que tanto a saúde quanto o comportamento eles eram influenciados pelo equilíbrio e pelo desequilíbrio de quatro fluidos do nosso corpo, que é o sangue, a fleuma, a bilis amarela e a bilis negra. Essa teoria toda, ela deu origem aos famosos quatro temperamentos, que são o sanguíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico. E cada um deles trazia características mais emocionais e comportamentais que quando adaptadas para esse meio digital, vocês vão ver o quanto que clareia as ideias, que ajudam a gente a entender qual tipo de comunicadores nós somos.

Então, agora eu quero te apresentar cada um desses temperamentos em um contexto dentro da comunicação.

O sanguíneo, ele é aquele comunicador mais carismático, ele é expansivo, ele é espontâneo, ele se conecta com muita facilidade com as pessoas. Então, é aquele comunicador que prende pela energia, pelas histórias pessoais, pela sensação de proximidade. Já é um tom de voz aí, tom mais próximo. Um exemplo muito famoso é o Luciano Huck. Ele usa narrativas leves, inspiradoras, para conseguir de fato criar essa conexão. Uma frase típica seria assim: "Deixa eu te contar algo que vai te inspirar agora". Sabe quando vem esse ar de curiosidade? Esse comunicador ele é ótimo para engajar, mas precisa tomar cuidado para não se perder no excesso de improviso.

É importante frisar os pontos negativos de cada temperamento para que você comece a prestar mais atenção e vá se moderando ali na sua comunicação digital. O sanguíneo ele tende a ser muito expansivo a ponto de soar muito raso, porque ele não pensa muito, ele vai fazendo, vai falando e de repente ele pode impactar negativamente, trazendo menos confiança, menos aquela seriedade e profissionalismo. E muitas vezes é tomado muito mais pela emoção do que pelo conteúdo em si, pelo aquele cuidado do que precisa falar. Então, são pontos ali de atenção que precisam ter, tá?

Agora, o fleumático. Fleumático é aquele comunicador tranquilo, é calmo, é paciente, ele consegue transmitir segurança ali. É aquele cara da galera que não se incomoda com nada, é o amigo de todo mundo, é aquele que fala com muita clareza, consistência e consegue conquistar a confiança ali rapidamente. Então, por exemplo, a gente pode pensar na Fernanda Montenegro. Então, cada palavra vem carregada de serenidade, de credibilidade. Uma frase típica de um fleumático poderia ser assim: "Respira, vai dar certo e eu vou te mostrar como". É um estilo que funciona muito bem para conteúdos densos. Tem que tomar cuidado porque a comunicação pode se tornar um pouco rígida, monótona e muitas vezes demonstrando uma falta de entusiasmo. Corre muito risco de ser lento demais. E hoje na era digital, se você não fala com ritmo bom, as pessoas não prestam atenção em você, infelizmente, porque a gente precisa ter calma para conseguir absorver as informações, para falar, para pensar, mas hoje em dia o negócio tá acelerado.

E um dos principais pontos que o fleumático precisa prestar atenção é a questão da neutralidade. A gente vai trabalhar bastante aqui sobre posicionamento e a gente em algum momento vai desagradar certos grupos com a nossa forma de enxergar o mundo, de enxergar a vida. E é necessário que isso aconteça, porque a gente vai desagradar mesmo tentando agradar. Não tem aquelas pessoas que a gente olha, ah, é boazinha demais, é legal demais, isso enche o saco, não é? Então, a gente precisa ter ali, emitir as nossas opiniões, porque o fleumático muitas vezes tem medo de desagradar, mas ele desagrada sendo neutro. Então, são alguns pontos de atenção aqui, tá?

O colérico, eu me identifico um pouquinho com eles, que é o comunicador direto. Ele é objetivo, ele é intenso, ele é cheio de energia e eles são muito comuns em cargos mais de liderança. É aquele que vai ao ponto que consegue transmitir tudo com muita urgência, com movimento. Um exemplo é o Bernardinho, o técnico de vôlei. Ele fala muito para motivar com frases de impacto, aquela força muito grande. Uma frase de colérico seria algo como: "Se você aplicar isso agora, vai mudar completamente o seu estado, ou seja, muita energia, muito fogo." Esse comunicador ele é ótimo para converter, mas ele precisa tomar cuidado para não se tornar muito agressivo.

E a gente já entra nesses pontos negativos, porque o colérico, ele pode soar um pouco autoritário, dono da razão, muito enérgico, toma muito o ambiente e muitas vezes o colérico ele pode intimidar demais, afastando as pessoas que ele deveria estar ali tentando conquistar a confiança delas. E no meio digital é muito sobre isso, sobre conquistar as pessoas. Então, tem que tomar cuidado porque muitas vezes você só é muito enérgico e pode ir para um lado mais do charlatanismo.

Agora, o meu temperamento melancólico é aquele comunicador mais profundo, é muito detalhista, analítico, gosta de ficar refletindo sobre as questões da vida, é aquele que fala com bastante profundidade, com muita emoção e sempre tá convidando o público a pensar de forma mais crítica. Um exemplo é Clarice Lispector, porque ela conseguia transformar sentimentos em palavras. Acho que melancólico é muito assim. Uma frase típica seria algo como: "O que eu vou te mostrar hoje pode transformar a forma como você enxerga o mundo". Esse comunicador, ele consegue gerar muita autoridade e principalmente identificação, mas precisa evitar os pontos de excesso de complexidade, sabe? No meio digital. O melancólico é complicado porque ele gosta de ser denso, ele gosta de dar voltas e mais voltas para encontrar os diferentes caminhos, abraçar todas as possibilidades e aí perde a sua audiência por conta disso. A gente tá numa era tão rápida que isso acaba prejudicando.

Outros pontos também do melancólico é que busca uma perfeição. E não é aquela ah, eu sou perfeccionista. É muito mais uma questão de nunca tá bom, esteticamente nunca tá bom, sempre precisa mais, mais, mais e de repente um vídeo se torna um filme que nem teria necessidade. Então, simplificar precisa estar mais internalizado do melancólico, tá?

Então, sobre tudo isso que eu falei, eu quero que você perceba o seguinte, você não precisa ser apenas um desses tipos. Eu me identifico com dois aqui, mas você pode ter traços de mais um e isso acaba sendo mais natural. Mas quando a gente consegue identificar quais são os que nos predominam, você vai ter muito mais clareza sobre quem você quer comunicar e também de uma forma mais natural.

Então, eu eu acho sempre importante se perguntar com quais temperamentos eu mais me identifiquei. No ChatGPT, um exercício que eu gosto muito nesse início é que você faça um roteiro básico ali, um texto que seja e peça depois pro ChatGPT adaptar para cada um dos temperamentos que você se identificou. Ou, por exemplo, também pegue uma ideia de vídeo seu e reescreva nas quatro versões, nos quatro temperamentos. Uma de sanguíneo, uma de fleumático, uma de colérico ou de melancólico. Se você tiver um tempinho aí, é legal que você grave e vá testando e veja qual que você sentiu mais à vontade de falar. Esse exercício é muito bom, é muito poderoso. Faça num domingo que você tá mais de boa, porque quando você se comunica no estilo que realmente combina com você, você vai ver o quanto que a disciplina começa a vir com mais naturalidade. Você não precisa ficar forçando uma persona que não é sua. Não há nenhum problema na sua personalidade. É a forma como você coloca ela para fora, comunicando ela de uma forma muito mais estratégica.

Então, aproveito e deixo uma lição mais prática aqui, que é o seguinte: aproveite ao máximo agora que sua base de repente não é tão grande ou ela não tem essa consciência de mudança que você quer fazer no seu perfil para testar formatos, porque quanto mais cedo a gente erra, mais rápido a gente conserta. Então, esse ajuste rápido na rota vai fazer com que você encontre o que funciona de fato para você. O público quer saber como você pensa e se conecta totalmente fora da caixa.

Outro ponto importante aqui que eu preciso frisar é sobre você ter mais clareza sobre quem você quer atrair e se conectar. Por exemplo, você pode decidir que quer falar mais com homens ou mais com mulheres que valorizam o estudo, que têm uma certa independência, que têm poder de compra e que estão dispostos a consumir conteúdos mais profundos. Isso basta. Isso eu fiz para mim e para todos os meus clientes. E eu posso te garantir, isso vai te ajudar a direcionar sua comunicação sem perder a sua autenticidade.

Quando eu realmente fui me aprofundar mais na produção de conteúdo, eu pensava o seguinte: "Meu Deus, mas todas as vezes que eu começo a traçar o meu nicho, a minha persona, o meu público alvo, parece que eu acabo me fechando demais para diferentes pessoas." Qual que foi sempre o meu intuito? Eu quero atrair pessoas que têm para mais os seus 30 anos, que têm o poder de compra, mas que buscam uma vida através do pensamento mais crítico e a partir disso elas enxerguem o meu valor e comprem o que for pertinente para elas, sem precisar fazer malabarismo, ficar deixando de ser o tipo de comunicadora que eu me senti à vontade.

Então, aqui é até um incentivo para você que existe sim uma prova viva e outras santas que não precisou ser um personagem ou se fechar em apenas um público específico, sendo que a gente pode ampliar, a gente não tem tantas possibilidades, possibilidades muito maiores nas redes sociais de alcançar milhares de pessoas que nós não temos no dia a dia, no nosso trabalho. Então, sim, abre o seu leque também para encontrar pessoas que sejam inteligentes, que se interessem por assuntos que você goste e que você consiga ser estratégico a partir disso. Pode ter certeza que isso vale muito mais do que você se fechar em uma persona em específico.

Quero deixar aqui três exercícios bem basiquinhos, até leves de serem feitos, que é o seguinte: primeiro, identifique criadores de conteúdo que representem cada temperamento desses que a gente frisou aqui e analise como eles se comunicam. Pegue um mesmo roteiro e adapte para esses quatro estilos, como eu falei anteriormente, e observe em qual momento do seu dia sua mente está mais leve para criar. Talvez num sábado de manhã, numa sexta no fim do dia, aproveita esse momento e use isso a seu favor para gravar com muita tranquilidade.

Não tem muito tempo que eu saí de um trabalho convencional e eu percebia que quando eu precisava gravar durante a semana, eu me sentia muito mal. Assim, ó, eu comecei a pegar até um certo asco de gravação, porque eu ficava pensando o seguinte: "Meu Deus, eu tenho tanta coisa para fazer, eu tenho que ligar para fornecedor, eu tenho que conversar com o meu chefe e eu não não tô com saco para ficar gravando." E quando eu gravava era muito na correria, era muito no desespero. E aí eu consegui desenvolver um planejamento básico ali que eu ficava mais tranquila, que aquilo se tornou quase que uma extensão da minha rotina, porque eu entendi o valor que tinha gravar conteúdo pro meu trabalho, pro meu pessoal mesmo, do meu crescimento como pessoa.

Depois a gente vai ter um um encontro sobre planejamento, mas eu gosto de adiantar alguns pontos aqui para facilitar. Então, na semana eu separo os temas até hoje. Isso tá no sábado eu escrevo três roteiros, três apenas. E no domingo eu gravo esses três sem problema nenhum. Por que apenas três? Se o recomendado é postar todos os dias e eu posto todos os dias porque sempre surge algo interessante na semana eu vou entendendo o termômetro ali das minhas postagens. Aí sim eu tenho um espaço para dois vídeos na semana e dois vídeos que têm um potencial ali de crescimento maior da minha base, entendeu? Então, sempre separem um momento mais oportuno, mais tranquilo, caso você precise regravar, você não se sinta mal, porque muitas vezes a gente fica naquela correria maluca e não consegue se adaptar, né? Então, separa esse tempinho. Pode ter certeza que vale muito a pena tirar essa essa parte do final de semana que a gente separa para descansar, para se dedicar a algo que pode mudar completamente o nosso profissional, o nosso pessoal, a nossa mensagem como pessoas, tá?

E não, não tem problema nenhum você gravar com a mesma roupa. Eu gravo. Ninguém tá reparando nisso. Se você vestiu a mesma roupa em dois, três vídeos, o público está prestando atenção na sua mensagem e na clareza das suas ideias. E claro, a gente vai trabalhar bastante na entrega do valor que você faz ao seu público, tá bom?

Então, reflete aí bastante qual tipo de comunicador, de temperamento você mais se identificou. Ah, tem uma coisa muito curiosa, sabia? Porque eu tive mentorados que eles falavam o seguinte: "Bárbara, na minha vida eu me considero no trabalho mais colérica, mas nas redes sociais eu gosto de ser mais melancólica, não tem problema nenhum. O importante é que você se identifique e veja qual fica mais natural. As pessoas se atraem por naturalidade, principalmente seguidores, alunos, compradores mais qualificados para você, tá bom?"

Então, espero muito que você tenha gostado. A gente pode aprofundar ainda mais essa conversa nos próximos encontros e caso tenha ficado qualquer dúvida, conte com as monitoras, conte comigo também pra gente ir alinhando, tá bom? Então, até a próxima. Ciao. Ciao.