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CURE SE DE VOCE MESMO E PARE DE SABOTAR SUA VIDA | Rossandro Klinjey

Motivadores do Impacto24:38

Transcription

A mudança real de um ser humano, seja parado procrastinar ou ou todas as coisas que vão fazer com que você adie aquilo que você deseja, é você entender sua geografia interna primeiro. Se você não tem capacidade de suportar o processo, não adianta você fazer curso de desenvolvimento intelectual se você não tiver resiliência para suportar processos. Se eu não resolvo questões essenciais da vida, eu continuo sabotando e procrastinando, porque há uma cota imensa de dor em mim que vai fazer com que eu não consiga operacionalizar a existência.

Por que que a gente procrastina, né? É uma preguiça? Hum. É uma falta de propósito? É uma falta de objetivo? É porque a gente tá entediado com as coisas que a gente tá fazendo, que ele tá fazendo outras. Existe tédio. É, existe uma falta de coragem, né? Porque às vezes a gente, e eu eu percebo que às vezes algumas pessoas procrastinam alguns projetos porque, na verdade, ela tem medo de fracassar, entendeu?

Onde se origina isso? Você já viu alguém procrastinar uma coisa boa? Não. Não. Ah, vamos ver uma série. Ninguém procrastina. É legal. Eh, você não tem esforço. No fundo, no fundo, tudo que gera qualquer tipo de esforço gera uma tendência a você querer não fazer, porque qualquer tipo de evolução, seja no corpo, seja na mente, seja espiritual, exige um esforço. E a zona de conforto, ela deixa você aqui no sofá, tá ótimo, para que que eu vou agir?

Então tem isso, só que muitas vezes a gente desconsidera que, e aí eu gostei muito quando o Lucas fala que não é, não é um problema, não é preguiça, porque é também não é uma falha de caráter, porque parece até que as pessoas colocam o procrastinador como uma pessoa, isso é um mau caráter, tá ferrando a própria vida e irresponsável. E e você tá aqui diante de dois procrastinadores que têm muitos resultados na vida. Exatamente. Né? Por quê? Porque a gente aprendeu que a procrastinação faz parte da característica humana de um modo geral, mas ela não é uma condenação.

Uhum. Acolher não é estacionar, né? Por exemplo, eu acolher a tristeza, acabou o namoro, você tá ferrado. Se você não acolher a tristeza e aceitar o convite dos amigos para uma balada, você vai arrumar uma pessoa pior do que a anterior, porque você tá carente. Então, como você não se curou da sua dor, do seu do seu luto, do fim do relacionamento, ah, não, o amor se curou com o outro, não. Você tá ferrado, fica lá, se cuida. Mas eu também não posso ficar na dor o tempo todo.

E se, por exemplo, o que tá me fazendo procrastinar é ressentimento? Porque muita gente nunca nunca coloca nessa computação da gente que a nossa vida emocional toda, desde a nossa formatação, desde casa, vai criando certos padrões de modelo de intimidade emocional, funcionais ou disfuncionais que vão reverberar no adulto que eu vou ser. Por exemplo, eh, vamos imaginar aquela cena clássica que todo mundo vai se identificar. Quem aqui de vocês, quando eram crianças, quando os pais colocavam refrigerante, colocava o copo do lado do irmão para ver se estava a mesma quantidade de Coca-Cola?

Ah, isso aí é isso aí é básico, né? Então, e por que que a gente faz isso? Por que que a gente quer justiça? E se você identificou que tem mais Coca-Cola no copo do seu irmão? Ah, não. Aí não, pera aí. Você fica com raiva que é bater no seu irmão. Se você, se o seu irmão não é oculpado, você começa a ficar com raiva do seu pai, porque você sente que há uma discriminação, que tem um olhar mais sobre ele ou sobre a sua irmã. Isso vai gerando em você um conjunto de problemas que você vai achando que, ah, é coisa besta, é pequeno. Só que aquilo vai, geralmente quando as pessoas pensam em mágoa, Lucas, elas pensam num trauma grande, num abuso. Não, mas sabe aquele bullying de família, aquela piadinha, olha o palhacinho e aí te bota o carimbo. Eu sou o palhacinho, meu irmão é um inteligente. Aquele vai colocando um carimbo e você vai absolvendo aquilo. Na hora que você quer produzir, você pensa assim: "Não, mas eu não posso fazer o artigo porque eu sou o palhacinho. O meu irmão que é um inteligente."

Hum. Sim. Entendeu? Eu e e você não sabe que está operando de modo inconsciente. Eu não posso, eu não. Tanto que um dos casos clínicos de Freud muito conhecido é o o homem arruinado pelo próprio sucesso. Pega aí o ming house, chega no dia da carreira, morre. Quantas pessoas chegam no ápice, mas como elas foram programadas por vários discursos familiares inconscientes de que elas não iriam vencer, quando elas vencem, entram numa uma dissociação cognitiva. Eu não posso vencer. Eu sou o que escutei a vida inteira.

Muito bom. Você não vai dar para nada. Uhum. Você pensa que você é quem? Isso é muito para você. Eu não vejo futuro para você. E existe uma força sua dizendo assim: "Eu vou mostrar que não é assim". E tem outro tá dizendo assim: "Mas papai tá certo". Entende? Então, quando você tenta fazer o que tá o que tá fazendo você adiar é: "E se eu der certo? Se eu der certo, eu vou contra toda a previsão familiar de que eu sou fracassado, então eu procrastino." Então, tem tantas camadas que a gente, obviamente, aqui tá pensando, só pra gente começar a.

Cara, eu eu adoro conversar com o psicólogo porque traz luz a umas coisas que eu já pensei sobre. Eu passei assim, o primeiro metade da sua fala, eu falei: "Nossa, é verdade". Aí você falou uma coisa e aí conectou com uma coisa que eu lembrei aqui, que eu chamo isso de é a procrastinação existencial ou a procrastinação por identidade, que é tipo assim, você procrastina uma coisa porque ela não está conforme a sua identidade.

Uhum. Então, que nem você falou, né? Você cresceu ouvindo que você é o palhacinho, que você é o é o rebelde. E aí quando você entra num estado consciente de não quero saber, eu quero ser disciplinado, não quero ser rebelde mais, e aí aparece uma oportunidade de você expressar isso no mundo. Você tá desafiando toda aquela bagagem que você criou de ser o rebelde. E essa bagagem é difícil da gente desafiar porque ela ela colocou a gente no mundo, né? A gente gosta de se destacar. Eu acho que todo mundo gosta de ter status e se destacar, mas acho que mais do que se destacar, as pessoas gostam de pertencer. Elas gostam de ser vistas, elas gostam de ser identificadas. Fundamental na forma.

É fundamental. Exatamente. É mais fundamental que o status, talvez, dependendo de algumas hierarquias que se você olhar, mas quando você é o primeiro a desafiar aquela atitude, cara, vai ser muito difícil de quebrar esse padrão lá dentro. Então, uma coisa mais besta assim, talvez a pessoa que sempre foi considerada, ah, cara, você é muito de boa, né? Você é sempre muito tranquilo, você nunca se estressa com nada, você sempre eh come o que você quiser, você vai na balada quando você quiser e tal, e todo mundo meio que reforça isso em você.

É, você é visto daquela forma. Pode ser bom, pode ser zoando, mas pelo menos você tem uma identidade. Isso é importante no grupo, na comunidade. Quando você se depara que você tem um um processo de introspecção, de autoconhecimento, você fala assim: "Pô, na verdade, todas essas coisas estão me atrasando na vida, não estão me levando onde eu quero ir. Preciso ir contra". Agora, você precisa ir contra toda uma bagagem, você precisa ir contra toda uma identidade que você criou para si mesmo, que é muito difícil.

Então, cri um vazio existencial, sabia? E as pessoas não acham que é preguiça, acha porque tem uma coisa errada comigo, que eu nunca consigo ser disciplinado, mas não chegou nesse nível de profundidade.

Aí que sabe o que acontece é que quando você vai que esse dê pertencimento, é o seguinte, tem um tem uma tese da psicologia que é o seguinte: todo crescimento gera perda de pertencimento. Se todos seus amigos são ferrados financeiramente, você começa a dar certo, você vira o estranho do grupo. Se todo mundo bebe e você começa a ficar sóbrio, você vira o estranho do grupo. Se todo mundo é obeso e você começa a cuidar do seu corpo, você vira o estranho do grupo. Se todo mundo na sua família se separou e você tem um casamento saudável, você é estranho do grupo. As pessoas pensam no estranho do grupo só como algo negativo, mas eu posso ser estranho do grupo por algo positivo e vai gerar perda de pertencimento, porque os meus amigos vão olhar a troncha assim para mim, como assim agora o Caiik tá se achando, não sei o quê, sabe? E aí cai que assim, mas eu quero continuar amigo dos meus amigos, eu quero que meus irmãos me vejam como alguém legal. E aí, como é que eu vou, como é que eu vou continuar crescendo se esse meu crescimento pode implicar numa perda de pertencimento, que é algo visceral para a minha identidade? Então, eu tenho que suportar esse vazio que separa quem eu tava sendo e eu não quero mais, e quem eu desejo ser e que não é compatível com aquele personagem.

Hum. E suportar que as pessoas vão me achar indiferentes a elas e que eu vou ter que criar um novo lugar na minha vida. Não é necessariamente que eu vou romper com a minha família, com meus amigos, mas vou ter que suportar um certo estranhamento. Porque quando você começa a vencer financeiramente, emocionalmente, intelectualmente, tem forças que operam contra você que vão sabotar e fazer você talvez aceitar o discurso da procrastinação. Uma delas é surpreendente para vocês. Quer ver? Vou dizer, ó, existe uma força amorosa que sabota seu processo de crescimento. Mas como assim, Rando? Não é força amorosa. Imagina, você tá crescendo aí, o Lucas, ah, quero ir escalador, quero abrir uma empresa, não sei o quê. Aí chega um pai, filho, para que tudo isso? Já tá bom, fica lá no mercado financeiro. Para que? E se dá errado? Veja, a pessoa não torce contra você, ela te ama.

Uhum. Ela tem medo que dê errado, ela acha que isso já tá bom para você. Para que tudo isso? Ela também foi treinada naquele, naquela visão de que é muita ambição. E aí você, pois minha mãe que tá falando isso, mas a minha mãe me ama. Ela não tá dizendo porque ela quer me diminuir ou quer que eu baixe, é porque ela tem medo. Aí eu tenho que comunicar a minha mãe nãoamente diretamente, mas eu não posso comprar o teu medo. Você me fez para ser grande. Então, quando eu venço, eu provo pra minha família que é possível. É uma força me puxando para baixo de todo modo, né? Aí tem a força dos seus amigos da região ali que você nasceu, que você é o passo da galera. Qu tá achando que é o que agora? Caik, pô, como assim, Lucas? Tá se achando? Fi daqui. E tem a galera que tá onde você quer ir. Aquele pote encantado lá em cima. Nem todo mundo que tá lá onde você quer ir apoia. Muita gente diz assim: "Cara, nem vem aqui, já tá cheio, não cabe não. Tem muito fdp aqui em cima, tá?"

É. E aí você fica, você não é apoiado nem pelo, pelos amigos de baixo, nem pelos caras lá de cima, família aqui. Aí você fica no meio, pô, onde é que eu vou? Aí é fácil procrastinar, porque é tanta força que eu tenho que vencer, é o amor que me puxa para baixo. Tá tudo bom aqui, fica aqui filhão que eu dou conta. É. Ei, quem que tu acha que tu é? E o pessoal aqui não cabe mais não. Nem vem para São Paulo, cara. Fica aí no teu canto que aqui é jogo duro, tu não vai aguentar. Aí você faz, pera aí, a quem eu vou escutar? Aí vem uma questão muito importante. Eu preciso amadurecer como pessoa. E aí vem uma notícia que não é muito boa para muita gente.

Maturidade não vim com tempo. Cara, vocês conhecem pessoas de 60 anos que parece um adolescente? Conheço. Que tá com tatu tribal namorando com a menina de 20 anos, se achando na academia, andando de moto, andando de moto sem capacete. Tá se descobrindo ainda. Se descobrindo. Então, tá. Você conhece pessoas de 25 anos que você sente tem um papo assim que parece uma forma uma velha? Total. Não, total. Total. Então, entendeu que não é tempo, é escolha.

Escolha. Quando o Lucas, por exemplo, sentiu as questões, a gente tava conversando, né? as questões dela, eu não quero isso aqui para mim, eu me desafiei, mas isso não é o que eu quero. Ele fez escolha consciente. Então significa dizer o seguinte: para eu parar para eu parar de procrastinar, entendendo procrastinar como adiar minha meta, seja me tornar um investidor no mercado financeiro, seja me tornar uma pessoa que vai ter uma alimentação mais saudável ou alguém que quer trabalhar a minha mente. Entre a minha meta e eu, existe um chamado segundo dia, tá? O primeiro dia é o dia em que eu sonho. Eu quero ser, sei lá, o novo digital influência do mundo, o nome da psicologia, o nome da palestra, da escrita, da do mercado. Eu quero esse lugar. Beleza? Todo mundo sabe sonhar. Todo mundo aqui diz para você o que vai fazer se ganhar mega cena. E todo mundo sabe o que vai fazer quando conseguir. Ah, eu vou comprar uma casa pra minha mãe, eu vou conhecer o mundo, eu vou eu vou escalar com loucas, sabe? As pessoas vão criar. O que ninguém suporta, aliás, o que pouca gente suporta é que o primeiro dia aqui a ponta da mesa, tá? O sonho, o segundo dia a meta onde tá Caik. Aí o terceiro dia, o segundo dia é imenso, silencioso, sem testemunha, dias difíceis, chora, faz, dá errado, falência, tédio, ócio, procrastinação, medo, dúvida, não vai dar para nada, desiste. Quem você pensa que é, os outros lacrando na internet e você se comparando, palco com bastidor, se sentindo ferrado. E você tem que suportar esse deserto de não, você nunca chega lá e vai ficar sempre aqui vendo os outros sonhando sem realizar. Aí vai para um lugar terrível, a inveja. Aí eu vou dizer o seguinte: "Não, Lucas é bemsucedido é porque tem alguma coisa errada aí. Nunca é porque ele é uma pessoa que fez um esforço. Quando é comigo é esforço, quando é com você, Lucas, aqui o outro Lucas aí é porque tem alguma coisa errada."

É sorte. É sorte. Foi na, entendeu? Então assim, é o meu ego dizendo para mim, prefere achar que é uma falta de virtude neles do que uma incompetência sua pro ego é mais confortável. Aí eu procrastino. A mudança real de um ser humano, seja parado de procrastinar ou ou todas as coisas que vão fazer com que você adie aquilo que você deseja, é você entender sua geografia interna primeiro.

Então, vamos supor que eu ligasse para você, Lucas, assim, Lucas, eu tô chegando aí no grupo primo, como é que eu faço? Você ia me fazer uma pergunta, não é? Qual seria?

Como é que eu faço o quê?

Para chegar aqui. Você me fazer uma pergunta, né? Como é que eu faço? Onde você tá? Onde você tá?

Então você ia perguntar, você tá vindo de Santos e Campinas, como você veio? Você tá posou em Congonha? Você tá aqui já em São Paulo, tá tá perto da Marginal? Você me perguntar o mínimo é, ou seja, para eu te dizer para onde você vai, eu tenho que saber onde você tá. A pergunta que a gente pode se fazer aqui, quem tá em casa querendo se tornar um grande investidor, faz os cursos e não consegue resultados, é, você sabe onde você tá emocionalmente? Você sabe o quanto você se conhece e que estímulo a sociedade tem para que a gente se conheça? Se no fundo é o scroll infinito, a próxima série, o próximo episódio, a próxima balada, a próxima cachaça, a próxima fuga. Então, eu tenho eu tenho que encarar uma cota de dor, de estranhamento para saber quem eu sou, saber o mínimo de mim, onde é que eu estou, para poder a partir desse lugar eu ir para algum canto.

Porque, por exemplo, o que que faz muito investidor perder dinheiro? Nisso que Lucas estava falando aqui, por exemplo, agora é que, por exemplo, dói muito perder dinheiro e você não sente a mesma intensidade quando você ganha. É por isso que a gente quando tá perdendo, continua perdendo porque não quer, tá, a ação tá baixando, você continua lá porque você não quer ter a dor de perder. No entanto, quando tá subindo, você vende logo, não espera subir mais um pouquinho, porque a dor de perder é muito maior do que a satisfação de ganhar.

Então, no fundo, no fundo, nós precisamos entender que muitas pessoas conseguem fazer altos investimentos em consciente intelectual de investir de qualquer coisa e poucas conseguem resultados. Porque elas não investem no desenvolvimento dos skills emocionais. E elas fez assim: "Pô, comprei um monte de curso, fiz um monte de curso, ler um monte de livro, porque que eu não consigo o resultado?" Porque ela esqueceu que é uma asa que faz você pensar e uma asa que faz você sentir. Um pássaro não voa com as sozinha. Então, as pessoas ficam fazendo sobreinvestimentos em desenvolvimento intelectual e desinvestem ou quando nunca investem no desenvolvimento emocional. Aí é coisa de psicólogo falando, é coisa de mulherzinha ou é fraqueza, sabe? E continua se sabotando porque não entende que essa dinâmica de não se conhecer, de não saber onde eu estou para saber para onde é que eu vou, de não suportar o segundo dia, de não entender os processos, de não suportar a frustração, ter paciência.

Por exemplo, uma criança chega para ela aqui, Lucas, fala: "Você quer uma caixa de chocolate agora ou você quer 10 caixas de chocolate daqui a mês?" O que que ela vai fazer?

Agora?

Agora? Por que que ela perdeu nove caixas de chocolate? Por que ela perdeu ansiedade? Porque aquele denominador ali embaixo tava muito muito grande no impulsividade. Aí você pensa, pô, mas não sou criança, será? Você quer? Ah, tô trabalhando, tô assistindo aí o podcast de vocês, eu trabalho para caramba. Eu sou um Uber, não sei o que lá. Eu ou eu tô trabalhando aqui no comércio da 25 de março, sei lá, em qualquer canto do país, mas eu quero mudar de vida, eu quero empreender. OK, beleza. Aí, só que de dia você tem que pagar boleto, tem que pagar a conta, sobreviver, tem filho, não dá. De noite, o que que você faz quando você chega que botou o menino para dormir? Você vai ver série dorama e ficar no scroll infinito ou você entende? Cara, eu vou ter que estudar aqui, velho. Eu vou ter que suportar porque eu vou começar a estudar aqui agora. Não vai dar resultado hoje, não vai dar resultado amanhã, nem depois de amanhã, mas vai começar a ter uma soma. Você vai pra academia, você só sente dor no começo, não tem resultado nenhum. Aí você começa a ver, o corpo vai mudando, a disposição vai mudando. Se você não tem capacidade de suportar o processo, não adianta você fazer curso de desenvolvimento intelectual se você não tiver resiliência para suportar processos. E tudo é processo, para perdoar é processo, amar é um processo, entendeu? Se desenvolver como pessoa é um processo, entender você esquemas de sabotagem e de procrastinação, fazer essa conta, dizer: "Então é aqui a equação, eu tenho que dar uma certa emergência para poder eu não tá sabotando a minha influência no inglês. Eu tenho que dizer para mim, é importante, nem que seja, porque eu tenho vergonha quando eu tô conversando com a com o pessoal aqui no grupo, alguém fala uma piada de inglês, eu fico só sem entender nenhuma. É vergonhoso, então vou colocar a vergonha como motivador para mim. Essa equação tem que estar sempre manejando, porque senão você fica na vida no piloto automático, você só sonha e não realiza e vai aumentando o nível de frustração e chega um ponto na vida que aí entra uma crise essencial profunda. É, não adianta, não é para mim. Aí você escutou aquela voz do passado que diz: "Você não vai dar para nada, você pensa quem você é, quem".

Basicamente, o que eu percebi nessa coisa da procrastinação de um modo geral é que tem duas forças que eu chamo de sistema operacional da alma. Pensa no teu smartphone e os aplicativos dele. Vamos, você tá um Apple aqui, você tá um iPhone, você tem um monte de aplicativo, eles rodam em cima de quê? Do iOS. Que adianta você ter um aplicativo bancário massa, mas se o iOS tá travando? Então, o que é o iOS da alma? Qual é o sistema operacional da alma? que eu faço curso para enricar, mas eu não enrico. Eu faço curso para investir bolsa, mas eu perco dinheiro. Eu tenho skill, mas tá me sabotando. Eu tô procrastinando. Qual é o sistema operacional da alma? É o autoamor. Entende? Porque assim, o indivíduo que ele não se ama, ele escuta essa frase: "Você não vai dar para nada". E acredita. O indivíduo que não se perdoa, que é um outro sistema profissional da alma, ele fica preso na mágoa. Se você tá preso na mágoa, você tem que todo dia quando você acorda para ir pra academia, para ir aprender a investir e tal, você primeiro tem que vencer tanta cota de dor que você gasta tanta energia para administrar o seu caos emocional que sobra muito pouco para você realizar sonhos. O pouco de cote de energia que sobra é só para pagar as tuas contas. É como se esse 100 kW hora para funcionar por dia, tá? Que que eu vejo na humanidade? Metade das pessoas estão gastando 50 kW para administrar o caos do passado. Raiva, ódio, ressentimento, traumas, angústias ou saudade. Poucas pessoas. Outra metade da humanidade tá presa no futuro com ansiedade que algo mágica que aconteça. Pouca gente está aqui e agora maduro e consciente do que tem que fazer.

Nossa, eu diria ninguém. Não tem gente. Essas pessoas estão fazendo roda girar. Entendi. Essas pessoas vencem, fazem o mundo acontecer. Elas são vistas, são invejadas. Elas querem, elas são vistas como alguém inspiradoras para uns, invejadas para outros, que é uma pessoa que, na verdade, o inveja é uma pessoa que admira de forma eh inversa, mas é uma tipo de admiração. Você não inveja ninguém que não tem algo a acrescentar.

E aí essas pessoas elas realizam. Por que que elas realizam? Porque elas entenderam que tem uma cota de dor e que elas têm que resolver isso. É comigo. Eu não posso pegar minha dor, usar cumificativa para impedir o meu presente e ferrar o meu futuro. Nem eu posso usar a minha dor para te ferrar aqui no trabalho. Eu tenho meus traumas, chegar aqui e te sapeco coisa e crio óido, torno o ambiente tóxico, porque eu tô sangrando do lá e tô sangrando em vocês ou no meu namoro. Vou ferrando uma relação a cada uma atrás da outra. Então minha vida toda tá caótica. Aí eu pare penso, ok, então tenho que equacionar. Primeiro, não adianta ficar esperando que o futuro magicamente me dê alguma coisa como uma varinha de Harry Potter. Eu ganho na mega cena, cria nova startup, viro novo a e crio novo unicórnio ou cria nova forma de lançamento, qualquer coisa que eu valha. Posso ficar me alimentando de ir para todos os encontros de mentoria e nada acontece na minha vida.

Eu lembro de um paciente que eu atendi, Lucas, que era assim, ele chegava e ele ensinava todo mundo a passar no concurso de juíço federal e ele não passava e todo mundo dizia: "Mas como é que você não passa?" Casa de Ferreiro. E aí quando ele foi para mim, ele tava naquela de, ah, aquele discurso que o paciente chegar a fazer assim, você é o 10mo terapeuta, ao mesmo tempo, ele tá chamando todos os seus colegas de incompetente dizendo: "Você tem um, você tem que entender que você não pode ser o 11º". Ele fica querendo botar em você a responsabilidade de resolver problema vida dele. Eu, OK, vamos lá, vamos começar do começo aí. Beleza. Aí, e eu era bem muito objetivo na terapia, né? muito, muito, muito. Aí eu 30 segundos, 30 minutos de terapia. Já tá, entendi. Como assim? Eu já tive um cara que eu passei dois anos, o cara não entendeu. É porque ele talvez não tenha querido te dizer logo não, mas vou te dizer o que é. Eh, enquanto você tiver esse recentimento aí com o seu pai, cara, não flui. O que que isso tem a ver? É, cara, porque veja só, você sua mãe ficou grávida, você nasceu, seu pai picou a mula, tem essa dor, esse cara não tava lá para te ensinar a ser homem, para te ensinar a como beijar uma menina, para te ensinar como resolver uma briga no colégio. Ele não tava lá. E você toda vez que passava por isso, você tinha ódio dele, né? Sua mãe passando na cidade, você tinha ódio dele. Sua mãe na máquina de costura, você tinha ódio dele. Então, me diz uma coisa, quando tu senta para fazer a prova, o que é que você pensa? Não é assim, eu vou mostrar para esse filho da que você é um juiz. Não é isso que vem? Ele disse: "É, pronto, acabou tua memória de estudo. Nessa hora é uma criança ferida querendo provar pro pai alguma coisa. E aí o que você ensinou pros outros tá se vindo para você não, porque você não consegue trazer o conhecimento porque você tá lutando contra a tua dor. Então, se eu não resolvo questões essenciais da vida, eu continuo sabotando e procrastinando, porque há uma cota imensa de dor em mim que vai fazer com que eu não consiga operacionalizar a existência.

E aí você chega, ok, então, mas a mágoa não é dos outros, é de mim. Pel as escolhas que eu fiz, eu devia ter feito outro curso, não devia ter casado com essa pessoa, você pode estar com água de você ou porque eu tenho defeitos, porque eu tenho alguma coisa. Tem um pensador que é um psicólogo americano chamado Carl Rogers, ele criou uma das forças da psicologia chamada psicologia centrada no cliente que ele diz uma coisa muito interessante sobre a autoaceitação, que eu chamo de autoaceitação radical, que é o seguinte: somente quando o indivíduo se aceita, ele muda, porque enquanto eu não me aceito, eu fico me culpando e me martirizando, me detonando e eu não tenho energia para a mudança. Quando eu me aceito, aí eu mudo.

É aquela coisa do onde você tá. É.

Eu vou resumir aqui.

Ah, quero ir lá. Mas onde você tá?

Eu vou resumir aqui uma coisa que Bruno Perin adora, que é o estoicismo.

Sim.

Que é #aceita que dói menos.

É assim que funciona.

É assim que é assim, essa foi a família que você teve, foi o passado que você teve, foi a história que você teve, OK? Ou você fica lutando contra isso, que é uma questão que Sartre faz no existencialismo, é não se pergunta o que fizeram com você. Você não tem controle sobre isso. Se você teve um pai que te abandonou, você passou por abusos, você foi ignorado na infância, passou por dificuldades, não é? Não é a pergunta, a pergunta que mais, que mais procrastina e sabota sabe o que é, Lucas?

Por quê?

Por quê? Aconteceu isso comigo? Por que a minha namada me traiu? Por que meu marido me traiu? Por que meu pai me abandonou? Cara, às vezes nem a pessoa que te sacaneou sabe. Ela também tá num automatismo psíquico de sabotagem, entendeu? De gerações. A pergunta é: Velho? É a realidade. Como é que eu faço com que eu tenho aqui? como é que eu manejo com que sobrou dos cacos de mim mesmo? Então, esse é um movimento que é intencional, é maduro, é parar de ficar no discurso da vítima que tem a tem a hora, tá doendo, mas não pode ficar lá estacionado na dor e ser responsável por sua vida. Não importa se eu tive ou não recursos, eu tenho que desenvolver. É, a pergunta é: eu vou repetir a dor dos meus pais em mim, nos meus filhos, ou eu vou dizer para mim, em mim encerra tudo isso?