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[Música] Olá, sejam todos bem-vindos. Eu sou Ranoli e no Alesp em Pauta de hoje, nós vamos falar sobre empreendedorismo social. A gente te lembra que esse empreendedorismo é um conceito que possibilita a construção de negócios cujo maior impacto são melhorias na sociedade. A gente recebe aqui no nosso estúdio Maurício Turra, mentor de startups e conselheiro do Instituto de Cidadania Empresarial, e também a Paula Machado, que é empreendedora social. Eu já quero agradecer a presença de vocês. É sempre muito importante a gente discutir sobre esse assunto, fomentar sobre o empreendedorismo aqui no nosso país. Vou queria saber de tudo, viu? A história de como que começou, qual que é essa relação. Paula, obrigado.
Eu quem agradeço. Agradeço a TV Alesp pelo convite, pela oportunidade em poder falar um pouquinho mais sobre esse assunto maravilhoso que é o empreendedorismo social, a sustentabilidade, as ODS e tudo aquilo que traz uma empresa de fato ser sustentável. Algo que o Maurício já conhece há bastante tempo, hein? Maurício, dando aula, colocando isso em prática, falando sobre isso no nosso país. Isso, muita coisa para falar um pouquinho. Obrigado pelo convite, Raner. É um prazer estar aqui. Paula, prazer em conhecê-lo.
Obrigada. E vai ser muito bom a gente conversar um pouquinho, né? O campo do empreendedorismo social, ele tem mudado rapidamente, né, nos últimos anos. Eh, vai ser muito bom a gente conversar um pouquinho, trazer alguns exemplos, discutir os casos. Legal, que legal. Paula, primeiro, quero saber da tua história, né? Já vi que tem uma outra formação aí por trás. Como é que começou aí a Paula empreendedora, né? Esse espírito de empreendedorismo na tua vida?
Eu sou dentista de formação, tenho 32 anos de odontologia, eh, especializações, mestrado na área, professora de pós-graduação. Já abri outros negócios ligados à odontologia. Mas a pandemia foi alguma coisa que me fez uma pergunta, e uma pergunta muito séria: como eu vou atender os meus clientes se eles precisam tirar as suas máscaras? Eu vou colocar, eh, em risco não só a mim, mas as pessoas que trabalham comigo, os meus funcionários, os meus pares, colegas, as suas famílias e a minha família, sem falar, eh, no nosso cliente, né? Nós não sabíamos ainda o tempo que esse vírus ficava ativo no ar. Foi algo que mudou a vida de todo mundo, né? E que a gente imaginava tanta coisa ali naquela pandemia. E quando veio esse pós aí, que a gente teve mais certeza ainda que ficou diferente, que tudo mudou.
E naquela situação, como que, que um negócio sobrevive sabendo que na qualidade do ar interno pode ter um vírus que, naquele momento, podia ser mortal? Então, me uni a dois, eh, sócios, mais uma dentista que foi minha colega de mestrado e também o outro sócio, que é um engenheiro. E buscamos soluções que já eram utilizadas fora do país para a qualidade do ar interno contra microrganismos, que é a luz ultravioleta C. Já existem inclusive associações internacionais que falam da desinfecção do ar por luz ultravioleta. Aí foi o segundo passo. A gente importa, a gente fabrica? Como que a gente faz? Bom, eu preciso garantir o resultado no local. Então, vai ser uma indústria. A gente vai fabricar aparelhos com luz ultravioleta. Vem a outra questão. Somos três acadêmicos, três, né? Mestres nas suas áreas. Como é que a gente traz o negócio?
Desafios aí na frente, né? Muitos, muitos. Como é que a gente traz para corrigir aquele pensamento de, do, do acadêmico? Tem que estar tudo redondinho, tudo certinho, tudo bonitinho, bem fundamentado para que a gente também não cause problemas para as pessoas. Foi um marco incrível na minha vida, onde, eh, eu passei por algumas aceleradoras, alguns mentores como o Maurício, e que me fizeram ver que a solução que nós tínhamos na mão era muito mais do que um aparelho que desinfeta ou que purifica o ar. Depois a gente pode falar sobre isso, mas era algo que impactava pessoas. Claro, impactava negócios.
Então, aí no momento, ainda muito particular, né? F porque porque a solução naquele momento era muito, a gente não tinha solução visível, né? Exatamente. E foi onde eu comecei a entender também, Maurício e Ranieri, o que era sustentabilidade, o que era uma solução verde, o que era uma tecnologia verde. Hã? O que eram as ODS? Que era um mundo completamente muito distante do meu mundo. E é claro, a gente se apaixona por algumas, algumas situações. Eu brinco que eu sou extremamente, eh, grata não à pandemia, né? Porque a pandemia foi algo que aconteceu, que, que, infelizmente. Mas a consequência do que trouxe ao mundo nessa visão de sermos mais humanos, de cuidarmos mais das pessoas, de cuidarmos mais do que bom que ela te despertou dessa forma, né? Nem, nem, nem sempre aconteceu isso.
E como que isso, né, na fala de empreendedorismo, a gente fala desse impacto, né? Quando a gente fala de sustentabilidade, a gente fala desses desafios, principalmente aqui no Brasil. E como é que você chegou a tudo isso, né, nessa sustentabilidade? Como publicitário?
É bom, eu, eu milito nessa área já fazem mais de 20 anos, né? Então, era um momento que a gente estava começando a discutir alguns conceitos que, na realidade, não eram muito compreendidos. Isso estamos falando 2000, 1999. Eh, então, a questão do, a gente nem falava sobre a questão de sustentabilidade, a gente dava o nome de responsabilidade social empresarial ou corporativa. E foi aquele boom, onde todas as empresas queriam ter o selo da responsabilidade social, porque era lindo, né, na teoria. Imagina, né? Fazem. Então, exatamente. Elas faziam isso, prestavam algum tipo de conta ou informação através do Balanço Social, né? Esse campo do, da sustentabilidade, da responsabilidade social, foi evoluindo. E acho que uma compreensão crescente da sociedade, né? As próprias empresas, elas foram começando a entender que, eh, elas precisavam desenvolver impactos positivos na sociedade. Então, elas começaram a olhar as questões que eram as questões ambientais, no primeiro momento. Eh, começaram a mudar vários aspectos, né? Mudando, tornando os seus produtos mais sustentáveis, com menor impacto social, mudando formulação de produtos, tendo um processo de mudança de embalagem, mudando a logística para tornar com que esses produtos, com que seus negócios se tornassem mais sustentáveis. Eh, e num segundo momento, a gente teve uma incorporação crescente das questões dos aspectos ligados à área social, né? Tentando criar premissas para que houvesse um processo de inclusão social de grupos que eram grupos mais vulneráveis, um respeito maior às questões de trabalho, trabalho decente. Então, teve uma mudança bastante significativa. Embora o empreendedorismo social fosse até essa questão, essa discussão, né, por meio através das organizações sociais, mas começou a haver uma preocupação com todos os tipos de organização social ou com foco no desenvolvimento do negócio sobre os aspectos da incorporação destas premissas dentro do seu negócio. Então, hoje é quase impossível, né, um negócio não ser criado, eh, pensando nas questões ou nos impactos sociais e ambientais que eles geram, né? Acho que o exemplo da Paula é justamente isso. A gente consegue em compreender, eh, uma oportunidade de mercado, né, que que existe sobre um problema social que existe. E toda a preocupação que passa pela, pela empresa em desenvolver, eh, crescente melhoria no desenvolvimento do produto, ações que são ações inclusive sociais ligadas a isso. E é isso, é bastante positivo, né?
Naquele momento, Paula, você elencou aqui alguns desafios, mas assim, como empreendedor, o que mais te pegou ali? Qual que foi o principal desafio quando você queria já ver, por exemplo, teu projeto em prática?
O maior desafio é a inovação. É quando, de fato, as pessoas, as empresas não entendem o que você está propondo. Ninguém nunca falou de qualidade do ar interno como a gente começou a até a trazer alguma consciência, né, pras pessoas. E eu brincava muito assim: você come comida estragada, você ingere água contaminada. Então, por que que tem que respirar um ar interno contaminado? Quando a gente fala ainda de qualidade do ar no Brasil, a gente pensa muito no ar particulado, no ar externo, a gente pensa em CO2, por exemplo. Quando a gente vê aqueles reloginhos, né, nas avenidas, é qualidade do ar, tá assim, tá assado. Mas quando a gente fala do ar interno, o mais importante são os microrganismos que ele está, né? O nosso ambiente onde nós estamos, né? A gente joga para fora, para externa, para fora. Não é culpa nossa. Exatamente. Não. Mas o nosso ar que a gente respira aqui dentro, é nós todos deveríamos estar pensando nele. É, existe um processo contínuo. Exatamente. Exatamente. Se tem uma pessoa gripada, possivelmente, quando formos para casa, alguém aqui pode ficar gripado também. Tá conduzindo vírus, é um vírus, né? Então, a gente pensa sem vírus, bactérias, fungos e ácaros. Mas não é tão fácil. O grande desafio é levar a tecnologia como algo que é, é benéfico, né? Que traz benefícios para as pessoas. E sempre pensando no tripé da sustentabilidade, que é algo que eu incorporei e agora eu não deixo mais. Esse tripé em saúde. Eu penso na saúde das pessoas, das pessoas que estão convivendo no ambiente fechado. Eu penso na saúde desses negócios, porque se eu penso em cidades inteligentes, se eu penso em economia circular, se eu penso mesmo no hospital, por exemplo, em ocupação de leitos, diminuição de, de uso de produto químico, e eu estou também levando saúde para os negócios, que é uma economia. E eu penso também na saúde do meio ambiente. A luz ultravioleta C, que é como a gente trabalha, ela é uma tecnologia, é uma reação física, ela não deixa resíduo nenhum no ambiente, desde que seja muito bem, eh, oferecida em seus aparelhos. Não tem.
Inclusive, pra gente entender o que a Paula tá falando, a gente tem uma arte aqui em vídeo, né? Vou pedir pra produção colocar aqui pra gente. A Paula pode comentar, se fica à vontade em falar da empresa, não tem problema, mas pode colocar aqui pra gente poder, pra gente entender. Pode participar também.
Claro, claro. Já que ele foi um mentor também, né? Já, a gente pode comentar em cima do vídeo. O que que a gente tá vendo aí?
Isso aí, nós estamos mostrando que no começo da pandemia, nós tivemos aí algumas situações onde nós não podíamos estar em ambientes fechados de uma forma livre, sem uma máscara, sem pensar no que poderia acontecer conosco, onde as pessoas começaram então a se distanciar umas das outras e não sociabilizar com medo de se infectar. As doenças que são causadas então pelo ar, ela, eh, se propaga principalmente em ambientes fechados. E isso pode trazer consequências em toda a saúde, na saúde sistêmica. Da mesma forma que a gente toma uma água pura, a gente deveria estar, eh, respirando um ar mais puro. O ar puro que a gente respira fora dos ambientes fechados, também deveria estar nesses ambientes internos.
Que legal, né? Se todo mundo tivesse esse olhar amplo sobre tudo isso, né? Imagina. Paula, uma cirurgiã dentista, ali naquele momento, pensando não só nela, mas no todo. Que que bom, né? Que seria se fosse assim. Mas nem sempre é.
Maurício, mas acho que tá mudando essa realidade. Tá, tá mudando. A gente percebe, eh, o envolvimento das empresas na resolução de problemas que são problemas sociais e ambientais, né? Então, a sociedade, ela tá mais madura e ela cobra das empresas esse tipo de atuação. Então, o que há 15, 20 anos atrás, a gente às vezes até desconfiava da ação que a empresa tinha. Hoje, ela tem uma política muito concentrada, né, na, no desenvolvimento de ações que minimizem os impactos sociais e ambientais. E até criando políticas que são políticas inclusivas, contratando fornecedores, às vezes, que são públicos mais vulneráveis, às vezes tomando ações específicas de desenvolvimento de produtos voltado para um público que às vezes não teria acesso àquele tipo de produto, oferecendo inclusive, eh, a possibilidade da aquisição desse tipo de produto. Então, assim, houve uma sofisticação sobre a forma de gestão das empresas. Então, isso é fato. Que talvez a gente tenha só de de permear como diferença, né, que quando a gente fala sobre a questão de empreendedorismo, a gente tá pegando normalmente, né, o termo, ele tá usado, ele é usado por uma determinada, um determinado momento, né, de uma empresa, né? Então, o que que é o empreendedor? O empreendedora é a pessoa que empreende, obviamente, né? Então, ela toma iniciativa de desenvolvimento do seu negócio. Mas quando que esse negócio deixa de ser o, deixa de ter o empreendedor para se tornar a empresa? A partir, normalmente, de quatro anos, a gente começa a mudar a forma como que a gente denomina esse tipo de organização. Então, ele deixa de estar dentro do campo do empreendedorismo para ser dentro do campo da, da gestão, propriamente dito. Então, essas empresas que são as empresas mais maduras. Só depois de muito tempo, anteriormente, que elas começavam a se preocupar em ter modelos de gestão que impactassem menos a sociedade, né, da forma como eles produziam. O que a gente percebe, esse é o exemplo significativo da Paula, é que o negócio, ele pode já, eh, iniciar pensando em desenvolver mecanismos que impactem positivamente a empresa e a sociedade. E isso é muito importante. Então, essa, essa nova perspectiva, esse novo grupo de empreendedores que nascem, né, com esse tipo de perspectiva, é super importante, independentemente se o foco dele é um foco social ou empreendedorismo de negócio, propriamente, propriamente dito, como é o caso da Paula.
E quando a gente fala dessas políticas, inclusive, tem aqui na casa o Projeto de Lei 134 de 2021, que fica autorizado o Poder Executivo a criar um programa de incentivo e estímulo ao empreendedorismo social e aos negócios de impacto social, visando criar negócios sustentáveis e de valor para a sociedade, que não se exclui a obtenção de lucro, né? Falta cada vez mais esse tipo de incentivo.
O negócio social, a gente, dentro desse espectro, no que a gente chama de empreendedorismo social, a gente tá falando desde organizações sociais, ONGs, organizações da sociedade civil, que foram desenvolvidas, que elas não almejam o lucro, mas elas têm propósitos efetivos em relação à melhoria do desenvolvimento da sociedade. E a gente tem, num outro campo, o que a gente chama de negócios sociais ou negócios de impacto, onde a perspectiva de quem tá buscando empreender nessa área é a resolução de problemas sociais. Então, a empresa, ela já nasce com esse tipo de perspectiva e de orientação. A motivação específica é uma motivação de impactar positivamente a sociedade. A diferença é que, enquanto nas organizações sociais, organizações da sociedade civil, você não almeja o lucro, nos negócios sociais ou negócios de impacto, o lucro, ele é aceito e é estimulado. Então, existe uma convergência entre mecanismos sociais e mecanismos empresariais.
Como foi para você ver ali o filho tão sonhado saindo do papel e já começando ali na prática, ali tudo? Como é que foi para você?
Nós já conseguimos no nosso MVP, né, o nosso piloto, atingir o que associações internacionais de luz ultravioleta, eh, falavam, né? Olha, precisa de tanto. E a gente conseguiu, de fato, provar. E devido a isso, a gente conseguiu a validação para poder trabalhar com a tecnologia. Legal, que era algo que não existia no país. Nós somos os pioneiros, os primeiros que que batemos no peito e falar: "Eu acredito no que eu tô fazendo". E a gente vai, vai atrás para conseguir.
Tirar uma foto com você depois. Eu tô aprendendo muito com o Maurício também. Legal, né? Mas é legal a gente falar sobre isso, gente, né? Inovação, coisa pioneira. Então, quando a gente acredita naquilo que a gente tá fazendo, é o nosso propósito. O meu propósito sempre foi cuidar de pessoas. Então, de alguma forma, cuidando do ar que você respira, eu continuo cuidando de pessoas. E como a empresa já nasceu pelos três sócios pensando na sustentabilidade e no social, a gente busca soluções para que a gente consiga desenvolver ainda mais. É, é claro que somos ainda muito pequenos para conseguir colocar tudo que a gente gostaria. Outro dia me fizeram uma pergunta assim: "Mas Paula, os aparelhos de vocês estão em aço? É tudo em metal?" Eu falei: "É melhor que o plástico, né? 100% a gente não consegue, mas o plástico hoje, ele causa muito mais prejuízos do que um aço". E a tecnologia, ela precisa ser segura. Eu preciso colocar dentro de, de alguma coisa em que a pessoa não consiga abrir, não consiga colocar um olho, não consiga colocar a mão. E hoje a gente usa o aço. Eh, então, são situações que, que nós estamos preocupados, sim, que nós buscamos pauta de reunião dentro da empresa e como estar sempre fazendo essas melhorias. Nós buscamos também, eh, por exemplo, para um dos nossos aparelhos, que é um portátil, é o único portátil que a gente tem aí pro público final, nós desenvolvemos uma ecobag. Essa ecobag, e nós utilizamos comunidades de praias cariocas, de costureiras que utilizam aquele porta-porta-sol, esqueci o nome, guarda-sol, para poder, eh, fazer essas eco, essas ecobags. É claro, desses produtos descartáveis. Isso, isso, isso é, é, é uma economia circular, porque pega o guarda-sol e transforma em ecobag. É claro, nós remuneramos, né, essa empresa. Na nossa ecobag tem um, um QR code que a pessoa consegue colocar lá e consegue entrar dentro da comunidade de costureiras para poder entender quem é que está fazendo, quem é que está trabalhando, quem está por trás dessas, dessas ecobags. Então, a gente tenta fazer ações e fazemos, estamos conseguindo fazer algumas ações onde a gente consegue impactar algumas comunidades, ainda de uma forma muito tímida, mas espero eu que a gente vá.
Mas assim, mesmo todo o começo da empresa é dessa forma. O que eu acho que é interessante pegar esse exemplo, né? Porque a gente fala assim: "Ah, a empresa, ela tem capacidade". Essa preocupação que é a preocupação de buscar uma embalagem que fosse apropriada ao produto. A gente podia utilizar qualquer embalagem, né? Mas a preocupação que a empresa teve, né, no caso da, da empresa da Paula, em buscar, eh, e proporcionar o impacto positivo, ou seja, ela foi obter uma matéria-prima que é uma matéria-prima que ela é reciclável. Uhum. Que ela, possivelmente, ela talvez ela tenha sido descartada de uma forma equivocada pelas pessoas. Ela tá utilizando uma mão de obra que é uma mão de obra vulnerável, que possivelmente não tem acesso ao desenvolvimento disso. Então, ela tá gerando renda para esse público. Então, olha só, uma ação da empresa, o impacto que ela consegue gerar. Então, assim, eh, eh, as empresas, né? O que é uma empresa sustentável? A empresa que é capaz de analisar o impacto social e ambiental que ela gera e minimizar esses impactos quando eles forem negativos e potencializar quando esses impactos podem ser positivos. É isso que torna uma empresa realmente sustentável. E é o caso da Paula. Não precisa ser uma multinacional com 50.000, obrigada, pessoas. Daqui a pouco vai ser, viu? Tô vendo. Sim, mas vai ser. Claro. E nasceu com uma orientação com esse tipo de foco. Isso que é importante, né? Então, o empreendedor, ele ter perspectiva que ele precisa desenvolver esse produto e minimizar os impactos que ele gera e potencializar os outros.
Eu fico imaginando tudo isso com muito incentivo. Já pensou? Uau! Nossa, era tudo o que eu queria. E aí eu entro nisso, porque esse projeto de lei, inclusive, justamente. Mas é interessante, né, Maurício, quando a gente traz pro nosso povo, pro Brasil, a gente sempre brinca e não é uma brincadeira, é óbvio que a gente tem um povo muito criativo, né? O brasileiro pulsa ali empreendedorismo, pessoas com com ideias maravilhosas. Se a gente for percorrer aí todas as regiões do nosso país, a gente encontra projetos lindos, maravilhosos, que fariam sim, ali, fariam sim a diferença no Brasil inteiro, se tivesse incentivo. Como que a gente incentiva essas pessoas a não desistir, Maurício?
Então, eu acho que tem uma questão de educação que ela é fundamental. E a gente tem de proporcionar e estímulos que são estímulos financeiros para um, para esse tipo de negócio que nasce com uma perspectiva que é uma perspectiva sobre o atendimento a questões sociais. Então, isso é fundamental. Eh, assim, a, a fase do empreendedorismo, de uma forma geral, né? Você precisa de muito incentivo pro desenvolvimento dos, dos negócios. E falta esse tipo de incentivo no Brasil. A gente tem um custo que é o custo financeiro, nosso é muito alto. A gente não tem obtido de gerar produtos que são facilmente incorporados, levados ao mercado numa velocidade que permita com que a empresa seja remunerada e tenha lucro. Então, acho que existem alguns mecanismos que a gente poderia estar explorando de forma, eh, melhor do que a gente tem. Acho que a, a própria compreensão da sociedade, a valorização, eh, dos consumidores para a busca, né, de produtos que são produtos sustentáveis ou produtos que geram esse tipo de impacto, também é super importante. Então, a, a distinção, né? Então, a gente tem alguns selos que apresentam quanto um produto é sustentável ou não, mas a gente não tem nenhum tipo de selo que mostre o comportamento ético das empresas, ou quanto a orientação do desenvolvimento de negócio social ou negócios de impacto, eh, são potencializados.
Eu tenho, eh, para completar um pouquinho o Maurício, e eu concordo, o incentivo financeiro é o que mais demanda. A gente agora, no caso da nossa empresa, por exemplo, 90% de tudo que, de todos os insumos que a gente usa nos aparelhos, vem de indústrias brasileiras. Isso foi, foi outra coisa, foi uma preocupação nossa de incentivar a indústria local, de incentivar a indústria brasileira. Nem sempre é o mais barato, mas ainda assim, nós vamos, vamos tentar incentivar a indústria nacional, assim como nós somos uma indústria nacional. Esse é o que eu queria colocar também, não só da sustentabilidade, mas essa questão do ser nacional. Então, acho que isso é bastante importante. A gente, obviamente, gerar inclusive, eh, trabalho, renda, né, pra população, que a população no Brasil. Sem dúvida nenhuma, é um estímulo muito grande, né?
Quando a gente fala desse empreendedorismo social, é nessa pegada aí também, oferecer emprego direto e indireto, né? Valorizar o nosso país. Quando a gente, a gente fala do, né, dessa questão de trabalho, é, é isso mesmo. Quando a gente fala do empreendedorismo, o empreendedorismo social, ele nasce quando o empreendedor, ele olha um problema social e fala: "Bom, eu quero resolver esse problema". Então, fala assim: "Eu tenho um problema de habitação, né? Um déficit habitacional muito grande". Então, eu, eu nasço, vou compreender, vou, vou montar um empreendimento a partir dessa motivação para resolver um problema social que eu acabei identificando. A solução, ela normalmente acontece depois. Então, você pode desenvolver vários negócios para tentar, por exemplo, nessa área habitacional, tentar resolver esse problema. Então, você pode tentar pensar em casas que são casas ou métodos construtivos mais baratos. Você pode falar sobre a questão de incentivo fiscal para doação de terrenos. Você tem N possibilidades de atuação. Mas a motivação que é motivação do empreendedor é a resolução de um problema social. O que distingue se essa organização vai ser uma organização da sociedade civil, né, ou uma ONG, né, ou um negócio, é o que você vai fazer com o lucro gerado. Então, numa organização social, esse lucro, ele precisa ser reinvestido. Num negócio social, o negócio de impacto, uma parte desse lucro vem pro empreendedor que está desenvolvendo, como uma forma de incentivar e dar continuidade para o seu desenvolvimento. Nada mais que justo. Mas a motivação é a mesma, né? Então, a perspectiva, a orientação. Você é uma organização do terceiro setor ou do primeiro setor, que ele é diferente?
Bom, a gente vai para intervalo. Peço licença. Nosso papo tá maravilhoso. Quero saber mais coisas. Vamos falar sobre educação, que é tão importante também, em meio a tudo isso daqui. Daqui a pouquinho a gente volta com muito mais.
[Música] O Alesp em Pauta está de volta. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. Eu quero te lembrar que nós também estamos em multiplataformas. Você pode acessar as redes sociais da Assembleia Legislativa aqui do Estado de São Paulo e acompanhar toda a nossa programação. Muito obrigado pelo seu carinho. Estamos falando aqui hoje sobre empreendedorismo social. Recebo a Paula Machado, Maurício Turra. Esse bate-papo tá maravilhoso.
Ranoli, quando a gente vai pesquisar, né, dando uma olhada ali na, na internet, nas redes sociais, o que, o que se fala aí sobre empreendedorismo social? Eu vejo muitos especialistas no assunto falando que para muita coisa mudar no nosso país, a gente precisa investir mais na educação, colocar o empreendedorismo como disciplina nas escolas, na educação básica. E o Brasil tá muito longe do que países na Europa já fazem. Quando a gente fala desse empreendedorismo, ainda falta muito pra gente avançar.
Eh, acho que a gente tem, em relação à questão da quantidade, número de empreendedores, o percentual, ele é bastante significativo. O Brasil é um dos países onde a gente tem maior, o maior percentual de empreendedorismo. A diferença é que o empreendedorismo no Brasil, ele é principalmente um empreendedorismo, eh, por necessidade. Ou seja, a pessoa às vezes acaba não conseguindo, eh, um emprego formal e ela vai fazer algum tipo de atividade empreendedora, né? Então, e aí, acho que a educação, ela é fundamental, né? Você precisa ter mecanismos, compreensão de fazer com que esse negócio, ele tenha uma, uma forma dele perdurar por um tempo maior, né? Acho que o novo momento também que a gente percebe, muita gente fazendo transição de carreira, saindo do corporativo, né? E aí eu quero empreender, quero ser dono do meu próprio negócio, não quero mais trabalhar para ninguém. E aí são esses novos empreendedores, né?
Sim. Eu, ah, e acho que uma outra coisa é em relação ao tipo de tecnologia ou ao tipo de, de produto que você vai estar desenvolvendo. E acho que isso está muito ligado à educação. Eh, o que a gente tem no Brasil é um, são produtos onde você tem um, um incremental pouco significativo em relação ao que está sendo feito em qualquer outro lugar. Ou seja, são produtos que têm uma base competitiva muito pouco diferenciada. É, é raro o caso, por exemplo, da Paula, onde ela foi identificar e conseguiu identificar uma possibilidade de desenvolver um produto com algum grau de diferenciação. Então, isso é uma coisa importante, né? O empreendedorismo, ele, ele precisa ser desenvolvido, ou seja, o comportamento, eh, empreendedor, mas também você precisa ter, eh, capacidade de compreender como que você diferencia esse produto. E aí a questão que é questão educacional tem um peso fundamental. Quando a gente leva isso para as crianças, né? A gente sabe que as crianças são multiplicadoras. Chega em casa toda ansiosa: "Mamãe, papai, aprendi lá na escola sobre empreendedorismo". Acho que é legal incentivar, mesmo em todos os sentidos, o empreendedorismo social.
Agora, fiquei curioso, viu? Fiquei curioso. Quero saber se é um purificador, que produto é esse que revoluciona aí o ar que a gente tá respirando? Paula, explica melhor pra gente.
É o que nós fazemos. Que a empresa é a Master Safe. São esterilizadores com luz ultravioleta C, que é uma luz germicida para a desinfecção do ar contra vírus, bactérias, fungos e leveduras. Então, diferentemente de um purificador que tem o filtro, os nossos aparelhos, os menores, não têm filtro. Ele, o que que acontece? O bichinho, ele entra por um lado, tem a tecnologia, ele sai pelo outro. Ele sai, não tem filtro, não vai ficar nada retido, mas ele sai sem a capacidade de infecção, porque ele não tem reprodução. Então, isso é a microbiologia. Como ele não vai infectar, ele não vai reproduzir, ele morre. É dessa forma. Os nossos aparelhos conseguem chegar até 99,999%, que é um Log 5. Isso depende de projeto. Naqueles ambientes que a gente precise de um log de uma potência mais alta, a gente faz um Log 5. Mas os aparelhos portáteis, o aparelho que pode ser carregado de um lado pro outro na sua casa, nas suas férias, né, na casa da mãe, da sogra.
Perguntar se eu, se eu, CPF ali, pessoa física, vou poder ter esse produto?
Nós temos um único aparelho, dentro dos 11 que nós já fabricamos, nós temos duas patentes, que é esse pro público final, que é o Bitc, né? Esse aparelho, ele é menorzinho, 40 e poucos centímetros, mais ou menos, muito leve. E ele atinge principalmente as alergias respiratórias, uma vez que é dentro de casa, combatendo fungos e ácaros.
E para um ambiente de quantos metros, mais ou menos?
Mais ou menos 20 m². Quarto é, é um quarto. É o menor aparelho que a gente tem. Nós temos um outro que é o Max, por exemplo, ele atinge ambientes acima de 240 m².
De tecnologia que existe fora do país, já? A luz ultravioleta, ela já é conhecida desde o final do século XIX. Por isso que a empresa chama Master, que é mestre em alemão. Foi um alemão que verificou a luz ultravioleta. E depois, em 1900, se eu não me engano, 9, ganhou um prêmio Nobel, que foi um outro alemão que ganhou esse prêmio Nobel, separando a UVA, da UVB, da UVC, do ozônio. Então, é uma tecnologia que já é utilizada em outros países. E no Brasil, na década de 80, começou a ser utilizada, principalmente no tratamento de condutos de ar condicionados centrais. Sim. A inovação que nós trouxemos foi o tratamento do ar no ambiente que você está, com a automação e IoT.
Ah, consigo também com automação?
Sim. Ah, que bacana. Você consegue, residencial, por exemplo, você consegue ligar e desligar por aplicativo, pelo Alexa, por botão, enfim, você consegue programar quando liga, quando desliga. Nos, nos projetos maiores, industriais, aí a gente tem outros processos para poder fazer isso.
É um orgulho, hein, professor? Ô, tô vendo ele aqui, todo bobo, olhando ali. Que coisa legal.
É uma oportunidade maravilhosa falar sobre isso. É o caso, é o caso que a gente estava falando sobre a questão da inovação, né? Então, eh, ela conseguiu identificar uma, uma oportunidade de mercado. E ela, a solução que ela traz é uma solução que já tem um diferencial competitivo, incorporando inclusive a tendência, né, de você utilizar por meio de sistemas de IoT, né? Então, isso é super importante. Então, quando a gente fala sobre essa possibilidade, né, do empreendedorismo, né? Empreendedorismo é isso, é a capacidade que você tem de identificar uma oportunidade de mercado e conseguir reproduzir alguma coisa para atender a isso, né? Se é um, um empreendedorismo social, a gente tá falando que existem aspectos também sociais ou sobre o impacto que eles precisam ser considerados. Mas a inovação é fundamental para que você consiga chegar a ter perenidade da empresa, um diferencial competitivo, desenvolver um produto que seja cada vez mais adequado pro, pro mercado, né?
Não, e a gente tá trazendo aqui o exemplo da Paula, que lá na pandemia, uma cirurgiã dentista, viu nisso daí, né? Em todo aquele problema que a gente viveu, trazer isso pra gente, né? Eu sei que é difícil, né? A gente falou aqui dos desafios, não é fácil, né? Mas aí já tá pensando em uma outra coisa, em outros projetos? Já deu um, um gás aí?
Isso, isso te alimentou. Uma outra Paula. E muito. Eu falo que com toda empresa nasce o empresário. Não tem como. E isso para mim é vida. Quando eu converso com umas, com qualquer outra empresa que vem as parcerias, nós temos parcerias com outras empresas em desenvolvimento. Eu falo: "Uau, a gente precisa se apaixonar pelo que a gente faz". Não necessariamente pelo produto que a gente entrega. Que você perguntou sobre o filho, lembra? Se a gente se apaixona demais pelo filho, a gente não deixa ele cair, se machucar, não deixa crescer. Exatamente. Então, é, é preciso entender que toda essa tecnologia, ela é muito dinâmica e precisa estar em constante evolução. Então, nós já, já estamos até trazendo outras coisas, outros diferenciais em parceria com outras empresas que nasceram. Eu, eu fico, de fato, encantada com o ser humano, quando a gente começa a pensar num todo. Como eu posso melhorar esse aspecto? Como eu posso trazer mais segurança para as pessoas nesse aspecto? Como eu posso desenvolver a economia? E, eh, por exemplo, as nossas soluções, elas, elas equivalem ao uso de uma lâmpada de 60 W. Uhum. É muito pouco.
Eu ia te perguntar, porque eu acho que nesse, nesse contexto todo, não é só colocar o produto ali, é acessibilizar ele também, ou seja, aquela pessoa que mais precisa, por exemplo, do produto, ela vai ter acesso a esse produto? Ele vai conseguir chegar onde vocês querem?
Exatamente. O consumo de energia elétrica para uma empresa, quando é projeto, ele pode ser diminuído em até 15%. Então, isso tudo são fatores que nos preocupam para a gente poder entregar uma melhor solução. Tem muito a melhorar, né? Mas a gente já, já, já consegue pensar nessas situações.
Vou, vou dar uma cutucada na Paula para já começar a pensar em outras coisas lá lá. Mas assim, eh, uma, quando a gente fala sobre a questão do acesso, né? Talvez eu não sei o preço do produto, mas às vezes, talvez inviabilize com que as pessoas mais pobres, elas tenham acesso. Então, uma das coisas que a gente precisa às vezes incorporar ou começar a planejar no desenvolvimento é como que a gente consegue chegar com que esse produto chegue na, na população mais carente, mais pobre, que também tem a mesma necessidade, né? Então, às vezes mudando um pouco a questão da tecnologia, às vezes tendo uma precificação diferente, às vezes mudando o canal de distribuição para que esse produto chegue de forma direta, sem, sem tantos custos, de forma efetiva. Então, talvez seja uma oportunidade que você tem, né, de vender não só para um público consumidor de uma renda maior, com uma educação maior, mas que também sofre do mesmo problema em que a gente precisa, a gente falar de empreendedorismo social, se esse produto não chega, se não chega lá.
Exatamente. E aí vem o maior desafio, né? Que foi colocado aqui, o financeiro, para que a gente consiga produzir mais, para que a gente consiga diminuir o custo dessa produção. Eu preciso produzir numa escala maior. Se eu consigo produzir numa escala maior, eu consigo trabalhar nos meus preços, no meu preço final. Nós temos, sim, um poder de produção, mas ainda é pequeno, se comparado às empresas multinacionais, se comparado às empresas que já estão no mercado há mais tempo. Então, fica o pedido, fica à vontade aí, fica, aproveita para que a gente consiga e, eh, aumentar esse poder de produção para que a gente consiga, de fato, levar uma solução que funciona para todos. Eu sou da saúde, de novo. O que é saúde, né? A ODS 3 fala: "Saúde para todos, em todas as idades, em todos os lugares". É isso.
Maurício, mais uma vez, eu volto ali pra educação. A gente tá vivendo um novo momento, vamos dizer assim, né? Uma geração que não é a nossa geração. A gente tá falando de uma geração que tá ali com o telefone na palma da mão. A gente fala muito mais sobre tecnologia, né? Curso superior, né? As Fatecs, as Etecs, discutindo tecnologia. O jovem, até aqueles, né? A gente tem um índice aí de, de muitos jovens, os nem, nem estudam, não trabalham e nem querem saber disso. São quase 5 milhões aqui no nosso país. Nas tuas salas, nas tuas mentorias, nas tuas experiências, nas tuas andanças, você acredita que o jovem, ele, ele se importa? Ele quer saber mais sobre a tecnologia, sobre o empreendedorismo? E isso chama a atenção do jovem brasileiro? E o Brasil deixa a desejar quando a gente fala de tecnologia e de oportunizar isso a esses jovens?
Então, eh, a, a gente tem um público que é um público, independente da faixa etária, um público bastante significativo que considera o empreendedorismo como a sua primeira opção. Então, isso é, é muito importante. Claro que a segurança que às vezes um trabalho formal permite, a pessoa, eh, é uma coisa que o empreendedor não tem, né? Fala assim: "Puxa, receber o, o salário no final do mês, tendo aquela, todas as garantias, independente do teu problema, os boletos não param, né? Os boletos não param". Claro que isso é um grande atrativo. Mas assim, a, a população jovem, os mais jovens, você tem uma quantidade muito grande de, de empreendedores que nascem com esse perfil e que buscam, eh, desenvolver algum tipo de negócio. Aí, acho que talvez tenha um pouco de diferença o, quando a gente pega, por exemplo, o empreendedor sênior, empreendedor mais velho, inclusive, que a gente tem um foco de atuação nesse tipo de público, eh, ele tem uma visão de mundo e de oportunidade diferente, pela experiência e pelo conhecimento que ele passou. Praticamente, ele já se preparou para aquilo, é. Então, assim, ele trabalhou durante 30 anos dentro de uma empresa, ou 20 anos dentro de uma empresa. Ele tá identificando problemas que aquela empresa teve, né? Ele consegue chegar, a partir da identificação desses problemas, criar, eh, verificar a oportunidade de mercado e desenvolver isso. Então, assim, por que a Paula, há 20 anos atrás, você tem 30 anos na de, nem parece, ela começou ontem, hein, professor? Começou ontem. Mas ela tá há 20 anos atuando. Por que que naquela época, talvez, ela não tenha desenvolvido, embora ela que tenha já tido a oportunidade de desenvolver novos negócios? Porque a experiência e o conhecimento, às vezes, ele, ele vem de uma forma acumulada e você consegue chegar e identificar uma oportunidade de negócio e desenvolver esse negócio de uma forma bastante.
E a gente percebe que esses profissionais, ali, que tiveram uma carreira brilhante, que fizeram as coisas acontecerem, eles chegam ali num determinado momento e aí vem aquela transição de carreira e fala assim: "Não, já sou, já fui realizado. Agora eu quero fazer pelo prazer, pelo propósito". Porque daí vem o propósito, né? "Eu não sinto mais o amor de antes na minha profissão. Agora quero fazer uma coisa diferente para mudar a sociedade, a realidade do meu país". Foi basicamente isso que aconteceu com você?
É, também. E ouvindo o Maurício aqui, eu me lembrei. A maturidade, ela é muito importante. A maturidade de negócio, a maturidade de quem você é dentro daquele negócio. Eu quebrei três negócios. Só que eu não consegui identificar onde eu quebrei o primeiro. Por que que não deu certo? Não sei. Quebrei o segundo. Falei: "Bom, por que que não deu certo?". Meu pai ainda veio conversar comigo e falou assim: "Paula, tô achando que para já deu. Volta pro consultório". Não tá bom, não tá bom essa história aí. Quebrei o terceiro. Aí foi onde eu parei. Fiquei 10 anos sem fazer nada. Falei: "Bom, acho que não é mesmo para eu, para funcionar". Mas isso é uma coisa bastante interessante, porque assim, eh, existe uma questão do apoio familiar, a rede de apoio que a gente tem, fala, né? Rede de apoio. Existe uma questão, inclusive, eh, cultural. Sim. Existem alguns, alguns países, né? Eh, por exemplo, o Japão, que o empreendedor, ele não é, o ao contrário do americano, onde o empreendedor americano, ele é valorizado dentro da sociedade. O público, o empreendedor japonês, ele não é tão valorizado, né? Eh, porque culturalmente, eh, o trabalho dentro de grandes organizações, você manter uma carreira longínqua, ele é mais significativo e mais valorizado. Eh, isso é um ponto. Então, existe um aspecto cultural, né, que precisa ser ser considerado. Existe a questão que é a questão familiar. Grande parte dos empreendedores, eles precisam ter apoio em casa. Ele precisa ver o pai fazendo isso e vendo com sucesso, porque o inverso também ocorre. Se você é filho de um empreendedor e o empreendedor, ele tá vendo dificuldade, que é aquele negócio de desenvolver aquilo, né? Pagar boleto, não conseguir, não ter direito a férias, o pai perdendo.
Cabelo e todos os problemas que existem. Que que ele vai fazer? Ele vai tentar seguir uma outra carreira que seja completamente diferente. Eh, então isso também tem, tem um apoio significativo. O apoio familiar, ele é muito importante pro desenvolvimento do empreender. E, e é muito interessante que o apoio familiar, eu sempre tive, mas eu sou a ovelha negra, porque meu pai, meu pai já falecido, é engenheiro e foi engenheiro de carreira, né? Uhum. A minha mãe também carreira. Eh, ninguém ali foi um empreendedor de, de falar, vou abrir uma empresa, vou. Mas eu sempre tive esse respaldo por trás. Você quer? Ok, vai, né? Vamos que vamos.
Mas nos últimos 10 anos, eu precisei parar, porque você deixa de acreditar em si. Isso é um problema. Quando as pessoas começam, poxa, mas por que que não deu certo? Eu falei, bom, deixa eu dar uma paradinha, ver o que acontece. Que também é uma coisa que o, o, os estudos apontam que o empreendedor é muito difícil você ter o empreendedor, eh, de sucesso no primeiro negócio. Normalmente, ele ocorre depois de três ou quatro insucessos. Que, e a gente sempre vê esse, esse, essas histórias que inspiram, né? De, de grandes multinacionais que por detrás a gente tem pessoas aí que falharam, falharam inúmeras vezes, né? Muitas vezes, né?
Uma, uma outra situação que agora eu quero falar pras minhas parceiras mulheres. Façam, porque chega num momento da vida também que, claro, esses 10 anos coincidiram que você tem criança pequena em casa, que tem uma situação familiar, eh, onde você, hum, naturalmente acaba ficando mais em casa. Não tem ninguém que te incentive, fala, não, vai, vai à luta e faça as coisas. Então, esse ainda, essa ainda é uma grande questão que precisa ser conversada no empreendedorismo. O empreendedorismo para mulheres, ou as mulheres começam muito cedo, por volta dos 20 anos e continuam, ou não, ou param. Ou elas vão começar depois de uma, de uma certa idade, né? No meu caso, que 50 mais, então é onde a gente começa de novo a dar vazão aos nossos sonhos.
E você contou que, além de embarcar nesse projeto, nesse sonho, nesse propósito, você teve ajuda de outras pessoas, né? Foi importante colocar ali do teu lado pessoas também que pensavam como você. Foi muito importante eu ter mentores e ainda tenho, como, como Maurício, porque é uma visão de negócio que eu não tinha. Eh, é importante para quem está do meu lado, como eu, ter humildade o suficiente para escutar. Então, fica aqui um, um outro conselho para quem está começando: escute quem tem mais experiência que você. Entenda, a gente não sabe tudo e, e também não é para saber tudo. E essas pessoas, por todas as acelerações, nós passamos por algumas. Em todas, eu fiz amigos que são meus mentores até hoje. Quando o que acontece alguma coisa, aí, como é que eu faço? O que que acontece? São de suma importância. Entra na rede de apoio que você disse. A rede de apoio não é só a família. A rede de apoio acaba sendo uma grande família que você fez em alguns ecossistemas que trabalham da forma como você trabalha.
Bom, a gente ficaria horas falando. A gente teve aqui uma aula de empreendedorismo, né, social com vocês, né? Uma história de inspiração que fica aí, não só para as mulheres, né, mas para todo mundo que tem uma ideia legal, uma ideia inovadora. Eu acho que fica aqui esse sentimento da gente não desistir quando a gente quer fazer a diferença, não só no nosso país, mas no mundo inteiro. Queria que você deixasse uma mensagem, né, especial aí para quem está vendo e ouvindo a gente nesse momento. Quer começar? Paula, vontade. Bom, empreenda. A gente, eh, acredita que a gente precisa realizar os nossos sonhos e empreender. Eh, claro, a gente precisa ter, estruturar um, um projeto, ir atrás, buscar as fontes, às vezes, financiamento, tal. Mas empreenda. Não desista dos seus sonhos. Busque, vá até o fim. Apenas completando, porque eu acredito muito da gente ir atrás dos nossos sonhos. Eh, existem duas palavrinhas que trazem uma confusão. Uma chama apoderamento e a outra chama empoderamento. O apoderamento é aquilo que você tem dentro de você. Então, se apodere de quem você é, se ere dos seus sonhos e corra atrás. O empoderamento é o reconhecimento ou a percepção do outro sobre você. Primeiro o apoderamento, depois o empoderamento. Gente, muito sucesso para vocês. Parabéns, Paula. Professor, né? Sempre vai ser professor, né? Eu acho que é lindo isso, a gente saber que tem uma pessoa tão interessada nesse assunto que faz a diferença para as Paulas da vida, né? Para as empresas. Eu vou querer comprar esse produto aí, viu? Oba! Tô esperando ele chegar aí pra gente. Muito obrigado. Sucesso, gente. Obri. Obg. Bom, a gente fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia e também pela sua audiência. Até um próximo encontro.
[Música]
K.
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