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Maurício Tolmasquim, Diretor de Transição Energética da Petrobras | eixos na CERAWeek 2025

agência eixos20:16

Transcription

A transição energética justa já faz parte da sua vida: nesse passeio movido a gasolina, carbono neutro no gás mais limpo do seu fogão e no diesel mais sustentável que chega para cada vez mais gente, com produtos que geram menos emissões. A Petrobras é líder na transição energética justa, e isso é bom para todo mundo. Petrobras. O Brasil é a nossa energia.

Olá pessoal, sejam todos e todas bem-vindos de volta ao Estúdio Eixos, direto da C&K 2025. Nosso bate-papo agora é com Maurício Tomasquin, diretor de sustentabilidade e transição energética da Petrobras.

Tomasquin, obrigado pela gentileza de estar com a gente mais uma vez, eh, nesse bate-papo aqui. O diretor Houston queria começar essa conversa falando um pouquinho sobre as mensagens que a Petrobras trouxe para o evento esse ano. Quais são os principais, eh, eh, insights que a empresa traz para o setor de energia aqui, que é o grande termômetro, né, do, do que vai ser, de quais serão as discussões do ano para o, para o setor?

Então, a Petrobras, como a gente tem dito, é uma empresa que pretende continuar investindo em petróleo durante muito tempo, né? Essa é a principal fonte de renda da empresa, e a gente, para continuar produzindo, tem que ir descobrindo novas áreas. Porque existe um decaimento, então a gente tá procurando aumentar a, a, a, a produção, encontrar novas áreas; e, ao mesmo tempo, a gente tem consciência também que a gente tem que diversificar o nosso portfólio de produtos, que a gente tem que investir na transição energética. Então a gente tá andando nesses dois pés, né? Os recursos da renda petrolífera, parte deles, é claro, para ser reinvestido para se conseguir mais petróleo, parte distribuído e parte vai também para financiar justamente novos produtos, produtos de baixo carbono que são importantes para o futuro da empresa.

A gente vive um momento agora que eu vou dizer diferente. Na tradição, a gente teve um momento ali antes da guerra da Ucrânia, onde tinha muitos investimentos das empresas, todas as, as petrolíferas europeias. Depois a gente tem agora um, um freio, uma arrumação, vamos dizer assim. Como é que você classifica ou, ou entende, Tomas, esse momento que a gente vive hoje para esses investimentos na transição energética?

A gente tá vivendo um momento de arrumação, é isso. Depende um pouco, muito do perfil da empresa, né? As empresas de petróleo, nem todas foram na mesma velocidade em termos de transição energética. Tem algumas que aceleraram muito, né, investiram muito e acabaram, talvez em alguns setores, acabaram não dando o retorno que esperava. Então essas estão se reposicionando; elas continuam ainda bastante forte no planejamento, mas vão reposicionando seu portfólio. E agora nós estamos indo no nosso, nosso passo, né? É um passo que olha o longo prazo, né? Então a gente, eh, tem que ter retorno. O investimento energético do presente, os investimentos passam pelo mesmo nível de governança que qualquer outro investimento, que uma refinaria, um stream, tem que trazer retorno para a empresa e, portanto, a gente é muito cuidadoso nisso, né? E a gente, então, considera que a gente tá indo numa trajetória prudente, né, uma trajetória de crescimento, né? Nós, no último plano de negócio para esse, nós aumentamos 42% o capex absoluto voltado à transição e a baixo carbono, né, que é significativa. Nós tínhamos antes o total do capex em torno de 11%, 11 a 20% destinado a baixo carbono; agora tá atingindo 15%. Então a gente tá ali num nível adequado, que é, vamos dizer, inferior a várias empresas europeias que dedicam um valor maior, mas é um, é um, um, um valor que já nos coloca ali acima ou igual a algumas equipes americanas. Então a gente tá ali na, já na média, uma situação confortável. Então a gente tá indo com prudência.

Legal. E Basquin, eh, aqui nos Estados Unidos a discussão de transição envolve muito gás, eh, como substituto de, de, sobretudo do carvão, né? Eh, no Brasil a gente não tem tanto essa demanda, mas o gás pode, eh, funcionar, eh, como um elemento de decarbonização para a indústria, para o transporte. Que vocês estão vendo hoje esse movimento, eh, para o gás no Brasil hoje? Eu sei que vocês têm um olhar para o gás.

É fundamental para a transição energética, inclusive no Brasil, porque o que que acontece? Nós temos uma quantidade grande de fontes renováveis, é importante, né? Mas para essas fontes renováveis, né, não são intermitentes ou são variadas, porque não é uma hidroelétrica. A gente tem algumas reservatórios, mas tem que foram feitos a fio d'água, e, portanto, você, também dependendo da chuva, você, você não tem ela disponível o tempo todo. Então a termelétrica, ela é parte da transição energética no momento que ela permite dar segurança ao sistema, ela permite complementar a, eh, fonte renovável, né? Então isso é importante. Além disso, como você bem falou, ela na indústria ela pode substituir, por exemplo, combustível que é mais, né? Pode substituir na siderurgia o carvão. Então ela é também no setor industrial uma fonte de transição energética. Então é importante, né? É, é uma fonte que permite a gente viabilizar alguns setores do país, né? Mas, além disso, traz segurança para o setor elétrico.

Falando um pouquinho então do setor elétrico, eh, e que poucas pessoas no Brasil conhecem tão bem quanto você, você desenvolveu esse modelo e que tá aí hoje, eh, a gente, a gente tem aí um leilão para o meio do ano de reserva de capacidade, eh, que a Petrobras tem, se eu não me engano, e se eu tiver errado, ser corrigido, nove térmicas que estão descontratando, eh, e que obviamente a gente imagina que a Petrobras vai levar para esse leilão, eh, e mais projetos de energia nova, as usinas ali em Itaboraí, né? Aventura, Boa Ventura, eh, como é que é a expectativa da Petrobras para esse leilão e tem alguma, a, o, o tá pronto ou ainda alguma dúvida para, para essa concorrência?

Então, eh, esse leilão é muito importante para o país, né? Como eu disse, quer dizer, eh, hoje nós temos uma, uma, um excedente de energia no país, então o tero de energia tá bem, mas nós temos uma questão que é a questão da demanda, né, que é uma questão que vai perdurar durante algum tempo, por quê? Porque cada vez tem mais gente com ar condicionado, né? E tem a questão dos verões mais quentes, a economia cada vez mais eletrificada, né? A economia tá cada vez mais eletrificada, você tem a questão que a, a, a, a solar que cresceu muito, a partir de certa hora do dia ela deixa de gerar. Então você vai sempre precisar de uma fonte que atenda esse momento, a questão da, da ponta da capacidade do sistema. Então esse leilão é fundamental, é fundamental por duas questões: primeiro porque tem todas as coisas que você falou, estão descontratando, não apenas da Petrobras, que é fundamental para a segurança do sistema; e para você manter essas térmicas funcionando, você tem que ter uma receita para elas, né? Uma, claro, podem vender no mercado spot, podem ser, pode, mas isso não garante, é muito aplicado, porque você precisa fazer investimentos de manutenção, tem que pagar gasoduto, você tem que ter uma receita, eh, ali fica. Então esse leilão é fundamental para você poder viabilizar a permanência dessa espécie. Além disso, você vai precisar de novas térmicas no futuro, então você tem que desde agora contratar elas para poder justamente atender essa demanda futura. Esse leilão é muito importante. Vocês enxergam algum desafio ainda no desenvolvimento desse leilão? Vocês têm o, o, a, a vantagem de ter gás, né, que é uma vantagem competitiva na frente aos outros concorrentes, mas, ener, eu acho que é importante que, quer dizer, a demanda seja uma demanda, eh, razoável, porque é, é importante, eh, eh, exceder térmicas grandes que tem que ser contratado, a gente tem que contratar para os futuros, né? Então acho que tem que ter uma demanda que, que dê, eh, conta disso e dividir bem os produtos, entre usinas assistentes e a expansão disso daí. E eu tenho certeza que o governo tá nisso, e a gente vai ter aí, quanto tem hoje desatando de energia nova, chega a três vias. Então a gente tá descontratando, é descontratando 2.9, e tem mais duas plantas que a gente tá botando no leilão de 400 MW cada uma, né? Então que não necessariamente vão entrar juntas, mas a gente tá ali criando a possibilidade delas de participar.

E tem um outro movimento que a Petrobras tem tá fazendo na área de transição. Recentemente vocês lançaram um edital para a compra, aquisição do biometano a partir do próximo ano. Eh, entender um pouquinho esses movimentos de vocês, e vocês já estão recebendo propostas, já tão… Uma expectativa?

Então, é essa questão do biometano, é interessante que foi aprovada uma lei, né? A partir do ano que vem já tem que ter equivalente a 1% da oferta de gás natural em biometano, né? E, eh, isso vai crescer ao longo do tempo. Então a gente não podia ficar parado. A gente falou: a gente tem que começar porque a gente não sabe tem oferta, não tem? Qual é o preço? São ofertas que tão, eh, a molécula pode chegar ao gasoduto ou é o certificado que vai ser comprado. Então ele falou: olha, tá na hora de começar a mapear isso. Então tá pedindo propostas para poder um pouco mapear o mercado, e a partir daí a gente aí vai começar a negociação, e, ah, a gente ainda tá só escutando. Aparentemente o interesse é forte. O que a gente tem é que essa chamada movimentou o mercado, movimentou o mercado. Não vai ter o problema de faltar biometano. Parece que essa é uma… Eu acho… Ainda não dá para saber, porque a gente só depois que tiver as propostas, ver o quanto que realmente é firme, quanto que tem ali o, lá seu projeto, mas aparentemente existe aí um, uma movimentação dos investidores, um interesse bastante grande. A gente só posso dar essa resposta com certeza lá quando a gente olhar, e, o que vem, né? Com certeza, e olhar a qualidade do que tá vindo, se tem realmente aonde tá. Então a gente vai, em breve eu vou poder dar essa resposta, mas meu sentimento é que sim, que a gente vai ter tanta aí. Sentimento, a gente vai olhar isso. Legal.

Falando então um pouquinho de molécula, mais de gás, eh, eu lembro que no ano passado aqui na C&K que a gente conversou também e você, eh, falou pela primeira vez da gente, da Petrobras, olhando para o mercado da Argentina, da Bolívia, olhando integradamente. Como é que evoluiu isso em um ano? Vocês continuam olhando para a oferta argentina?

Vocês continuamos olhando. Acho que não apenas nós, eu tô, que tem outros investidores que também estão olhando para a Argentina. Ela é um país que tem uma grande reserva de gás não convencional. Nós já temos uma infraestrutura, né, que liga a Argentina à Bolívia, em termos de gasoduto, que liga a Bolívia ao Brasil. Claro que tem alguns investimentos que ser feitos ali, e alguns estão sendo feitos, né? E eu acho que não é, não tem por a gente não, isso não dá certo, né? Tem uma demanda, demanda no Brasil que, a demanda, uma oferta potencial argentina. É claro que tem várias questões ali, chegar num preço que fecha o negócio, né? Quer dizer, não adianta você ter a oferta, a demanda, ter a oferta, a demanda, tem a questão do preço, que eu acho que é a questão atual do momento, a gente chegar, conseguir achar um preço que feche essa equação. Mas eu sou otimista. Eu acho que a gente vai acabar chegando. Eu só acredito então que a gente pode no médio curto prazo ter uma oferta de gás argentino. Eu acho que, que sim. Acho que a gente tem condição para isso, né? Essas coisas a gente só sabe quando a gente consegue fechar o negócio, né? Aqui negócio, enquanto tá fechado, enquanto não, não vai, a gente não pode dizer, mas é, se trabalha para isso. Vamos ver. Tem que, é claro que para o negócio as duas partes tem que tá de acordo e fechar. Então ainda não existe esse, esse negócio fechado, mas existe, acho que intenção dos lados de tentarem chegar numa coisa. Legal.

Eh, então acho que uma outra, uma outra vertente que a Petrobras tem olhado para a transição é o mercado de etanol. A presidente Magda chegou a afirmar recentemente que a Petrobras vai voltar para o mercado de etanol, e que era um mercado que a Petrobras nunca deveria ter saído, segundo a afirmação recente dela. Eh, já tem algum, algum movimento concreto nesse sentido?

Sim, bom, a gente já… O nosso plano de negócio já tem 2,2 bilhões de dólares para essa atividade. Então já tá ali, foi que já foi aprovado pelo conselho, etc. Então tem, agora é claro que isso é um investimento de longo ponto, então a gente tá conversando com vários atores, né? E de uma forma bastante agnóstica, sem, eh, eh, fixar que tem que ser uma matéria-prima, outra, que tem que ser uma tecnologia, outra. A gente tá discutindo, né? As coisas estão evoluindo, esses debates, essas, essas, essas discussões, essas negociações. E aí no momento adequado, dando a gente, a coisa fechando, a gente vai… Por enquanto ainda estamos em conversações com os agentes, é um processo natural. Mas eu vejo muita perspectiva, e, e é, é natural a gente imaginar que esse movimento vem a partir de uma posição ou não, necessariamente será uma parceria com uma empresa que já tenha uma, uma quantidade de usinas funcionando. Então vai ser uma parceria, essa parceria vai criar, se lá uma nova sociedade aí, a, o desenho pode variar, e a Petrobras passa a ser sócio dessa sociedade ali, tem esses ativos e a expansão também de novas usinas vão ser feitas por essa nova empresa com a participação da Petrobras, participação do parceiro privado, né? Eh, a vai ser minoritária, né? Não vai ser majoritária, até para dar, não uma empresa de empresa estatal, se uma empresa, eh, privada, e, e, e então virar assim. Quando fechar, a gente terá na Petrobras, no nosso portfólio, uma quantidade de, de, de usinas, né, que vão passar a integrar nossos ativos, né? Então isso vai dar um crescimento ali na participação, então, de renováveis no momento que isso, e, eh, que isso entrar, né? E, e é uma atividade muito interessante, né? Uma atividade muito rentável, eh, eh, ela não deixa nada a desejar ao petróleo, não sabe? Então, eh, é do ponto de vista de margem de negócio, é, é um bom negócio, é um bom negócio.

E por fim, Tomasquin, a gente algumas vezes conversou sobre a eólica offshore também, que é um olhar que a Petrobras tem, que é de mais longo prazo, né? Eh, mas que ainda continua dentro do planejamento e dentro do olhar do que vocês estão fazendo. É, vocês ainda têm expectativa daquele leilão de áreas? Como é que tá isso? Se mudou, não?

Então, a gente acabou dando uma, quer dizer, uma velocidade mais lenta nesse, nesse tempo por duas razões: primeiro porque a lei demorou muito a ser aprovada no Congresso, e ainda agora que foi aprovado, tem questão de regulamentação, etc; e depois porque realmente a gente tem aqui um potencial de onshore de solar muito grande, e, e realmente acaba, ainda, vamos dizer, olhando curto prazo, ser mais interessante olhar para o onshore. Mas a gente tem que ficar, a gente não parou de estudar, a gente tá ali, tá com os projetos abertos, analisando o que… A gente tem que tá preparado no momento adequado, né? Aí a gente vai decidir se vai entrar ou não, né? A gente, como eu tenho já dito no passado, a gente é uma empresa que atua no mar, sabe atuar no mar, só então é uma atividade que a gente tem condição de fazer, mas não basta ter condição de fazer, você tem que ter as condições e de rentabilidade, etc, adequadas para a gente entrar, porque senão a gente não vai entrar.

Legal. Agradeço mais uma vez a sua gentileza de abrir um espaço na… Obrigado. Obrigado pela oportunidade. Obrigado a você que tá acompanhando a cobertura da Agência Eixos, direto da C&K 2025. Fique com a gente.