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Seja bem-vindo ao podcast da Terceira Igreja Presbiteriana de Cotia, uma igreja que glorifica a Deus por meio de pregações expositivas e vida em santidade. A mensagem que você ouvirá a seguir faz parte de uma série de estudos do livro "Os Atributos de Deus" de A.W. Pink.
Estes estudos são realizados em nossas reuniões de doutrina, que acontecem toda quinta-feira às 20 horas. Para mais conteúdo, siga-nos também no YouTube e no Instagram.
Semana passada, nós estudamos a introdução do livro. Não é? Na semana passada, nós vimos, eh, que quando nós estudamos os atributos de Deus, nós precisamos ter a compreensão de que o que nós estamos, eh, pensando não é apenas uma característica que Deus tem. Não se trata apenas de, de, de aspectos pontuais aqui e ali, mas os atributos de Deus são aquelas perfeições divinas que o definem. E é isso que nós temos estudado aqui. E a gente vai tentar estudar esse livro para que eu agregue, eh, algo aquilo que você já tem na mão, que é o, o livro, não é, o texto do, do A.W. Pink na mão. E vou tentar fazer com que ele fique o mais prático possível para as nossas vidas.
Então, ao invés de nós estudarmos, eh, apenas do ponto de vista teológico e sistemático, a gente vai tentar entrar um pouco pela teologia prática, que nada mais é do que responder: como essa doutrina impacta a minha vida? Como eu uso essa doutrina, esse conhecimento que agora eu tenho de Deus? Como é que isso pode impactar a minha vida? E como eu posso ser um cristão mais semelhante a Jesus Cristo à medida que eu conheço esse atributo de Deus?
Hoje, a gente começa, né, estudando o primeiro atributo que o A.W. Pink traz no seu livro, que é a solidão de Deus. Na semana passada, a gente falou um pouco sobre ele, vocês se lembram, né? Que na semana passada nós trabalhamos um pouco dessa ideia. Quando nós começamos a pensar sobre isso, e dissemos, em primeiro lugar, né, da simplicidade de Deus, né? Eu disse para vocês: por que Deus é simples? Alguém se lembra?
Cinco de cada vez que eu consigo entender, pode perguntar aí. Cinco de cada vez. Por que que nós dizemos que Deus é simples?
Pode falar. Exatamente. Deus não pode ser dividido. Eu não posso separar Deus. Eu não posso dividir Deus para estudá-lo. Deus é, ele é puro, simples, sem mistura, não é? E essa ideia traz para nós muitos ensinamentos práticos, como a gente viu na semana passada. E dentro da simplicidade que é Deus, nós falamos também da ideia de eternidade. Quando eu disse para vocês que Deus, ele não existe, mas que Deus é. Eu lembrei a vocês que existir é diferente de ser. Então, Deus, quando a gente fala que Deus não existe, né, a gente, de certa medida, a gente pode concordar com isso. É, é verdade, Deus não existe, porque existir tem a ver com a ideia de que passa a existir em um dado momento. E Deus é eterno. Ele sempre foi. Deus não houve um, um, um tempo antes ou depois da eternidade que Deus deixou de ser Deus. E veja que a gente usa aqui linguagem: antes ou depois da eternidade. Isso já é um absurdo, não é? Dizer antes ou depois da eternidade já é algo que não tem muito sentido. Mas quando nós falamos de Deus, nós temos que expandir a nossa mente para entender que o tempo, como nós conhecemos, que essa sucessão de instantes, uma coisa acontecendo depois da outra, não existia. É Deus quem cria o tempo quando ele cria todas as coisas, não é? Então, Deus está fora desse, desse, dessa ideia de tempo. Então, Deus, ele é eterno. E a gente não consegue ir para trás ou para frente da eternidade. É Deus eterno. E ele está ali em todos os, os aspectos do ser de Deus. Presente em toda a, a completude da eternidade. Veja que eu tô sendo redundante aqui para trazer esse sentido de que Deus, né, Ele é. Não é?
E aí, quando a gente pensa na solidão de Deus, eu tenho que pensar com base nessas duas informações anteriores. A.W. Pink começa o livro dele dizendo assim: "Olha, o tema a solidão de Deus, talvez não fique muito claro para vocês, porque solidão parece que é uma coisa ruim, não é? Aí tem livros que falam assim: a solidão da alma, não é? E a solidão nos nossos dias traz a ideia de alguém que só e sofrendo. A gente não tem a ideia de solidão como uma coisa boa. A gente tem o nosso sentimento de que solidão é uma coisa ruim. Mas Deus, na sua simplicidade, Pai, Filho, Espírito Santo, três pessoas em um Deus, a Trindade Santa, ele era, ele estava só na eternidade e plenamente satisfeito e plenamente resolvido. Deus não tinha necessidade alguma de criar nenhum de nós. Deus não precisava, eh, trazer a existência todas as coisas que ele fez. Nós falamos um pouco sobre isso na semana passada, né? Eh, nós vimos que nós, os seres humanos, quisemos assumir o centro de todas as coisas e nós achamos que tudo acontece ao nosso redor por nossa causa. Então, e é tão verdade isso, pensando um pouco praticamente aqui, que a gente pensou assim: não é? Se eu passei e de alguma forma não falei com o Pedro, o Pedro vai pensar: por que que ele não quis falar comigo? Ele não gosta de mim? Ele tem algum problema com a minha pessoa? E por quê? Porque o Pedro tá refletindo, tendo ele como centro daquela situação. E nós fazemos isso com uma certa frequência. Dificilmente a gente pensa assim: "Não, Pedro deve estar com algum problema muito grande, porque, porque senão o comportamento dele, ele não falou comigo hoje, ele sempre fala". Porque a gente quer sempre que as coisas orbitem ao nosso redor, girem ao nosso redor. E quando a gente olha Deus dizendo assim: "Eu criei todas as coisas a partir do nada". Isso é o que diz Gênesis 1: "No princípio, criou Deus os céus e a terra". E ele não dá explicação do porquê fez. Ele simplesmente disse: "No princípio, criou Deus céu e terra". E na solidão de Deus, ele tinha na relação Pai, Espírito, Pai, Filho e Espírito Santo, plena alegria, plena satisfação, plena liberdade, plena beleza, plena santidade, plena eternidade. Tudo em Deus estava ali de maneira que, quando eu olho para isso e vejo essa alegria que Deus vivia, isso vai colocar cada um de nós no seu devido lugar.
Por exemplo, Sandra, se eu chegar de manhã e mandar uma cesta de café da manhã lá para a sua empresa, para você e para as suas amigas, e se eu fizer isso por um, um bom espaço de tempo, né, frequentemente, você e as suas amigas de trabalho vão se sentir como? Vão gostar, não é? Pensa que se eu fizer isso com frequência, não é? Se a gente fizer isso com frequência, a gente que tá recebendo, a Sandra que tá recebendo, no caso, com as amigas dela, vão aprender isso também. E, no certo sentido, elas podem também passar a ser generosas e agir da mesma forma com outras pessoas também. E o ambiente de trabalho delas pode ficar mais feliz por causa disso, não pode? Agora, com relação a Deus, isso não é verdade. Eu posso todo dia, e todos os homens da terra louvarem e glorificarem a Deus, que Deus não vai ficar mais feliz por causa disso, porque Deus é perfeito. A alegria dele é perfeita. E aquilo que é perfeito não pode melhorar. Então, todo o nosso louvor que entregamos a Deus não pode acrescentar nada aquilo que Deus é. Então, todo o nosso esforço em viver corretamente, em louvá-lo, em engrandecer, em bendizer, em prestar culto todo domingo para Deus, não pode ser feito com o intuito de deixar de ser melhor do que o que ele é, ou de tornar Deus mais glorioso do que o que ele é, ou de tornar Deus mais satisfeito do que o que ele é.
Vamos abrir a Bíblia, alguns textos para a gente pensar sobre isso. Efésios 1, versículo 5. Efésios 1:5. Vamos lá ver o que aqui que Efésios nos diz. Vamos lá. Ó, em amor, Deus nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito da sua vontade, para louvor da glória da sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado. Então, veja, Efésios 1:5 está dizendo para nós que Deus nos predestinou de acordo com a sua vontade. Ou seja, não houve nada da nossa parte que Deus olhou e disse assim: "Não, um dia a Ilma vai ser uma, vai se arrepender, ela vai ser uma boa cristã, então eu vou, vou predestinar ela agora". Não tá dizendo isso o texto. Tá dizendo que um dia Deus, por sua livre vontade, sem receber pressão de ninguém, porque ele era sozinho na eternidade, não havia terra, nada criado, ele simplesmente disse: "Vou eleger alguns". E isso ele faz com o propósito da sua própria glória, porque é isso que ele tá dizendo no versículo 6: "para louvor da glória de sua graça". Entende? Então, Deus criou todas as coisas para que ele fosse louvado e glorificado com essas coisas. Mas, de maneira alguma, nenhuma dessas criaturas de Deus podem acrescentar qualquer tipo de, eh, mudança, ainda que positiva, na pessoa de Deus. Porque se o nosso louvor fosse, e, eh, suficiente para deixar Deus essencialmente mais alegre, nossos pecados tornariam essencialmente mais triste, percebe? E Deus, ele não é, não deixa de ser Deus e não muda. Ele não, não, não melhora nem piora, porque aquilo que é perfeito não sofre variação. Percebem?
Então, praticamente, que mudem minha vida? Isso, essa é o nosso propósito, né? Primeiro, eu sou colocado no meu devido lugar. Eu começo a perceber que o meu louvor diante de Deus não é a coisa mais importante do universo, embora, or, ele exija de mim esse louvor, porque não há nada que mereça a minha adoração a não ser ele. Mas quando eu tenho o sentimento de que se eu não louvar a Deus, Deus vai ficar triste, e às vezes a gente trata Deus assim, não é? Às vezes a gente trata Deus dessa maneira, como se ele dependesse. Eu já vi vocês, já devem ter ouvido também pregações, né, de pessoas que dizem assim: "Deus agora está triste, Jesus está chorando, angustiado, porque você não vem até ele. Então, agora você tem a, a salvação em suas mãos. Então, venha para Jesus para que ele, de braços abertos, possa se alegrar. Dê uma chance". Isso aí, Pedro. É isso mesmo. Dê uma chance para Jesus. Percebe? Mas olha só, há um sentido, e a gente vê lá em, em, nos Evangelhos, quando Jesus, Jesus vai chegando em Jerusalém, ele olha para Jerusalém e, eita, deu embolada aqui, né? E diz assim: "Jerusalém, Jerusalém!" E ele chora, e ele fica comovido, e ele fala assim: "Quantas vezes eu quis arrebanhar você como a galinha faz com seus pintinhos, mas você não quis". E Jesus chora. E Jesus, quando vê Lázaro morto, e ele vai ressuscitar Lázaro, ele também chora. Mas percebam, o fato de Jesus ter chorado e de ter expressado essa, essa realidade do homem frente ao pecado, Jesus não alterou a pessoa de Deus. Jesus continuava plenamente satisfeito e feliz com o Pai. Mesmo quando Jesus vai para a cruz, e ele, naqueles momentos de agonia, ele é separado do Pai, a Bíblia diz que mesmo Jesus sendo a expressão exata do ser de Deus, ele não alterou a pessoa de Deus. Porque se Jesus alterasse de alguma forma a pessoa de Deus, significa que Deus mudou. E a gente tá cansado de saber que Deus não muda de forma alguma. Não existe mudança na pessoa de Deus. É, é assim, a gente fala isso assim, né? Jesus é 100% homem, 100% Deus, para tentar explicar isso. Não é uma boa analogia a ideia de percentual, né? Mas a gente pode pensar assim: Jesus era plenamente homem e plenamente Deus. Porém, essas coisas, eh, em Jesus, não há um momento que "agora Jesus é homem" e "agora Jesus é Deus". Não existe isso. Jesus é em todo tempo esse ser com essa natureza que é plenamente humana e divina. E nessa natureza de Jesus, plenamente humana e plenamente divina, ele chora como esse ser plenamente humano e divino. Mas Jesus não chora como quem não sabe o que vai acontecer. Ou Jesus não chora de desespero pelo que está acontecendo. Porque quando Jesus, e vai ressuscitar Lázaro, ele, se você ler a história inteira, Jesus primeiro vai para longe de onde está Lázaro. Quando ele está longe, ele avisa os apóstolos que estavam com ele: "Ó, Lázaro não está bem". Aí chega uma visita lá para ele, não é, para Jesus, e diz assim: "Olha, Maria mandou dizer que Lázaro está doente. Volta e vai lá ajudar ele". Jesus: "Daqui a pouco eu volto". Aí Lázaro morre. Aí Jesus fala para os apóstolos: "Olha, Lázaro morreu. Vamos voltar". Ninguém viu avisar Jesus que ele tinha morrido. Ele: "Ó, Lázaro morreu. Vamos voltar". Eles voltam. E aí, quando Jesus chega para ressuscitar Lázaro, Maria está desesperada, Marta está desesperada. E Jesus diz a elas: "Olha, você não, eu não disse a você que se você crer, você verá coisas grandiosas?". Maria disse: "Não, eu sei que ele vai ressuscitar no último dia". Jesus: "Vamos lá ver onde é que está Lázaro". E ele vai caminhar com, com elas. Chega de frente ao sepulcro e ele ora. Na oração de Jesus, ele diz assim: "Pai, eu sei que tu sempre me ouves". Mas eu tô orando assim para que eles saibam que o Senhor me enviou. Só que antes dele, e mandar Lázaro sair para fora, Jesus chora. Texto diz isso. Jesus chorou. Mas ele não sabia que ia ressuscitar Lázaro. Ele sabia. Ele tinha dito antes: "Ele morreu, mas é para a glória de Deus. Fica tranquilo, tá tudo em casa". Mas mesmo assim, Jesus chora. Então, como a gente pode entender isso? Uma das maneiras de entender isso, que eu penso, se a mais acertada, é que Jesus está chorando, expressando a maneira humana, o sentimento que ele tem diante dos efeitos do pecado na criação. Porque eu já falei para vocês aqui em outros momentos, quando nós falamos com Deus nas nossas orações, por exemplo, não interessa se a sua oração é eloquente, né? "Eterno Deus, Pai de infinita bondade, Deus todo poderoso, criador do céu e da terra". E a gente faz aquela oração eloquente, né? Tal. Não importa se a sua oração é assim, ou se simplesmente você fala: "Pai, me ajuda". Não interessa. Essa oração eloquente e essa oração simples, ela só é ouvida por Deus porque o Espírito Santo é quem leva ela até Deus e corrige a nossa oração e entrega para Deus. Porque a nossa oração diante de um Deus todo poderoso como é o nosso Deus é como a criança falando com um adulto. E quando uma criança fala com um adulto, o adulto muda a sua linguagem, muda a sua voz, se esforça para entender o que a criança está dizendo, que nem sempre é inteligível para quem está de fora. Meu filho, quando ele era pequenininho, a chupeta, né? A gente, ele botou o nome de "pitita". E a gente não sabe por que foi "Petita". Mas ele chamava de "Petita". E aí, pequeno, ele, em algum lugar, ele perdia, né? Aí ele perguntava para os outros: "Eu quero minha Petita". Ninguém sabia o que era "Petita". Só eu e Kenia sabíamos o que era. Então, as pessoas faziam o esforço para entender o que aquela criança está dizendo. Então, eu quero que o senhor use essa ilustração com Deus. É claro que ela, ela tem suas ressalvas, né, suas proporções, mas é isso que Deus faz quando ouve e fala conosco por meio das orações. Ele, ele se coloca numa posição para dialogar conosco, porque senão nós não conseguiríamos dialogar com ele. E Jesus faz exatamente isso. Quando assume a forma humana, ele se coloca. Por isso que a gente, Jesus assumia a forma humana é uma espécie de humilhação de Cristo. Você tem um ser infinito, supremo, fora do tempo, e exposto, que não tem um corpo finito, que não sente dor, que não sente nada, e que de repente assume uma forma finita, rompe a história e entra no tempo para sentir as sensações de um mortal como nós. Percebe como Jesus está se humilhando? Isso é o que Filipenses fala, que Jesus Cristo, não tendo por usurpação ser igual a Deus, ou ser como Deus, ou ser Deus, veio, assumiu a forma de servo, se humilhou até a morte e morte de cruz. Percebe que agora Jesus, ao fazer isso, ele está descendo no nosso nível para dialogar com a gente, para assumir o nosso lugar e morrer no nosso lugar naquela cruz. Quando a gente vai falar com criança, às vezes a gente não ajoelha para ficar na altura dela para poder falar com ela. As pedagogas que dizem que eu tenho que fazer isso, né, para poder falar com a criança, para que ela me escute, para que ela me atenda, para que, para que ela entenda ali a autoridade, eu preciso baixar para olhar para ela, para falar com ela. É isso que, que está acontecendo, irmãos. Isso mostra o quê? Além de eu assumir essa, além de eu assumir o meu lugar no universo, a minha insignificância, como é que a gente fala? "Minha recolher a minha insignificância", né? Isso também me mostra outra coisa. Isso me mostra o tamanho do amor de Deus para comigo, entende? Isso mostra o tamanho do amor que Deus tem para comigo, para com vocês, para com seus filhos, para com a criação. Porque notem, às vezes você está, vou lá, vou pegar um exemplo aqui, né, mais, mais, eh, popular. Você vai no restaurante e você sai um dia de domingo, de vez em quando, quando a gente faz isso, né? Você vai lá comer no restaurante. Aí você come no restaurante. Você está lá, pleno, satisfeito, sem nenhum problema, certo? Está tudo bem ali no restaurante. Aí, de repente, você olha pela janela e vê alguém que está sem ter o que comer, esperando que alguém faça a caridade por ele. Você, dentro daquele restaurante, poderia ficar lá dentro, né, continuar sua refeição, pode não se importar com a situação e continuar tranquilo. Mas quando você olha para aquela pessoa lá fora e percebe que você pode ajudá-la, no nosso caso humano, que até uma obrigação de fazermos isso, então você vai lá, paga uma refeição para aquela pessoa, para que ela se alimente também, não é? E agora, quando nós fazemos isso, nós temos então uma atitude de bondade para com aquela pessoa, de amor para com aquela pessoa. Se humanamente fazendo, nós entendemos que isso é um ato de amor, nós que fomos obrigados por Cristo a fazer isso, não é? Agora, imagine Deus, que é perfeito, que estava perfeitamente feliz lá na eternidade, Pai, Filho, Espírito Santo, vivendo em paz e harmonia, decidiu um dia amar pobres pecadores como nós. Percebem como isso demonstra o tamanho do amor de Deus por nós, né? A coroa da criação, mas também seus filhos. Ou melhor, toda a criação. Porque, ainda que Deus demonstre mais amor, o amor salvífico aos seus filhos, Deus ama toda a criação. Por isso que ele diz: "Deus amou o mundo". Não é? E a gente vai ver em vários textos bíblicos o ensinamento de que a graça de Deus é, há um aspecto dessa graça que é comum a todos os homens. O sol que nos aquece, aquece a todos os homens. O vento que refresca a, a, o nosso corpo nos dias de calor, refresca todos os homens, não é? A ciência, a tecnologia que Deus permite que seja criada, ela beneficia todos os homens. Então, Deus, na sua graça, e ele decide expressar esse amor dele por meio daquilo que ele criou. É isso que Romanos 1 vai nos dizer a partir do versículo 18, não é? Que Deus está irado, exatamente porque os homens olham para a criação dele, percebe a bondade e o poder de Deus e decide não glorificá-lo. Mas isso não muda o fato de que Deus está lá demonstrando graça e amor para conosco. Até aqui, tudo, todo mundo na mesma página, né? Vamos lá. Ó, outro texto para a gente meditar. Vamos abrir agora aí em Romanos 11, Romanos 11, lá no finalzinho do capítulo, a partir do versículo 33. Esse é um cântico muito antigo da igreja. Eu vou ensinar ele domingo que vem, só porque a gente está falando dele aqui agora, né? Eu já falei desse, desse cântico aqui várias vezes, não é? Mas é um cântico bastante conhecido da igreja. Diz assim o texto: "Profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos e quão insondáveis são os seus caminhos! Pois quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu alguma coisa a Deus, para que isso lhe seja restituído? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém."
Que que esse texto está mostrando para nós? Que lá na solidão de Deus, na alegria que ele tinha da Trindade, não havia ninguém que pudesse aconselhá-lo ou dizer para ele que fizesse isso ou aquilo. Então, se ele fez, foi por mera graça, liberalidade. E ele disse, como o texto que a gente leu lá em Efésios, que ele fez isso para a sua própria glória. Então, se eu existo, é para a glória de Deus. E isso, em terceiro lugar, vai me levar a um, um outro aspecto da teologia prática de como isso muda a minha vida: de deixar de exigir coisas de Deus. Porque hoje a teologia moderna começa a exigir as coisas de Deus: exigir prosperidade, exigir bênçãos, curas, cura física, até cura espiritual. Eu determino isso, eu determino aquilo. E esse texto de Paulo aqui vai me lembrar que como eu posso exigir alguma coisa? Como Deus pode ser cobrado de alguma coisa? Entende? Você já imaginou a, a, pensa assim, ó. A Ilma disse que fez um mocotó hoje e só para mim, para fazer pirraça, disse que não trouxe para a igreja. Viu? Disse que fez e deixou em casa. Eu falei: "Tá certo, Deus te pague". Deus te pague. Mas vê só, pensa lá. A Ilma fez um mocotó. Aí fez com pimenta ou sem pimenta? Pimenta. Ó, aí tá vendo. Botou aí, ó. Só para, só para fazer. Ô, meu pai do céu. Mocotó, coisa boa de Deus. A ela fez o mocotó, né? E aí, depois de pronto o mocotó, ela experimentou e disse que delícia, não é? Estava mamb demais, né? Agora, já imagina o mocotó olhando para ela e diz assim: "Ilma, eu tô ruim. Me faça melhor do que que você me fez. Ilma, você não botou a pimenta malagueta, você botou pimenta calabresa. Era para você ter feito com pimenta malagueta". Você já imaginou uma conversa dessa da comida com o cozinheiro dizendo? Mas às vezes é isso que a gente quer ser com Deus. A gente quer dizer: "Deus, me fez errado. Eu, eu nasci preto, eu queria ser branco. Me faça branco". Porque eu sou, eu queria ser preto. Ou então, "eu nasci branco, eu queria ser preto. Me faça preto". Não é? E aí você começa: "Eu queria ter o cabelo assim, eu queria ter o cabelo liso, eu queria ter cabelo crespo, queria ter, ou então, eu queria ter cabelo". Não é? E a gente começa a reclamar com Deus, como se Deus tivesse alguma obrigação de me fazer do jeito que eu acho que eu deveria ter sido feito, né? Aí a gente pega a chapinha, né, e põe no cabelo lá para deixar o cabelo assim. E aí, veja como, meus irmãos, veja como isso tem uma aplicação muito grande. Porque se você entender que na eternidade Deus decidiu fazer você assim, você não pode ter uma receita melhor do que é de Deus para você mesmo. Ele não precisava ter feito você. E eu sei que tem gente que é tão ruim que vai dizer assim: "Então é melhor não ter me feito". Ou, diante do sofrimento, você vai fazer como Jó? "Era melhor não ter nascido". "Era melhor ter sido como um aborto que não viu a luz do dia para eu passar por tudo isso aqui. Eu não queria ter vivido". Mas veja que o próprio Jó, no final, disse: "Eu ponho a mão na boca, porque eu falei besteira". Porque ele confessa: "Antes eu te conhecia de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem". Ou seja, Deus sabia exatamente onde ele queria levar Jó, embora Jó não sonhasse qual era o tamanho da bênção que Deus estava preparando para ele. Mas percebam, em todo tempo, a Bíblia diz que Jó não pecou contra Deus. Ainda que ele, na angústia dele, tenha questionado essas coisas e tenha falado sobre isso, mas Jó não peca, porque ele continua delegando a autoridade a Deus, não é? E na nossa vida, quando eu lembro, Deus estava lá sozinho, pleno e resolvido, não precisava me fazer. E ele me fez. E aí, agora, eu vou reclamar da maneira como eu fui feito? Então, pensa assim, para ajudar a gente, né? Poxa, sei lá, eu queria ter pelo menos uns 10 cm a mais, né? Ter olho verde, ser fortão, como é? Começa a ser um negão bonitão, né? Não, ó, a minha cor, nasci e agora tô ficando desbotado, né? Tô virando café com leite, e tal. Mas vejam, quando você pensar assim, pensa assim: "E se agora fossem tirar tua vida? Bom, já que você não quer viver dessa cor, vamos morrer?". Não, pera aí, não adoro minha cor. Minha cor tá boa, essa aqui não. Não precisa mudar, não. Essa aqui tá, tá legal. Ah, não, não quero esse cabelo não. Então, tá, vamos ficar careca? Não, não, deixa ele como tá aqui mesmo, né? Deixa melhor ele deixar ele assim. Como se a gente pensar dessa forma e extrapolar isso e pensar na pessoa de Deus, dizer assim: "Olha, foi Deus que me fez assim. Deus quis que eu fosse dessa maneira. Ele tem um propósito". E se Deus é perfeito, eu fui perfeitamente feito de acordo com a vontade dele. Ainda que eu tenha a cara do Luan, né? Não que eu não seja bonitão assim, que, né? Tá. Mas eu fui feito dentro da perfeita vontade de Deus, que é perfeito e soberano. E se ele me fez como eu sou, quer eu me sinta ou me ache bonito ou não, eu sei que Deus é perfeito e eu fui perfeitamente feito de acordo com a vontade dele. E mais importante, ele não precisava ter me feito. E isso deve me impulsionar agora de uma resposta para com Deus. Eu já sei que eu tenho que me colocar no meu devido lugar. Eu já sei que eu não posso querer exigir as coisas de Deus. Eu já sei que eu não posso querer questionar aquilo que Deus faz. Mas eu, se de uma coisa que eu posso fazer, o que que eu posso fazer? Quando eu lembro que existe um Deus que estava pleno e resolvido na sua solidão, feliz da vida, e ele se Deus resolve me fazer e demonstrar todo seu amor e bondade para comigo, qual deve ser a minha resposta para esse Deus?
Pode falar. Cinco de cada vez que eu escuto. Adoração, louvor, gratidão, não é? Essa é a resposta adequada. Essa realidade, quando eu olho para esse atributo de Deus, que ele estava plenamente satisfeito, ele decidiu me amar e me criar, e além de tudo, me dar salvação diante de todos os meus pecados, eu não posso responder a ele de nenhuma outra forma que não seja com amor e gratidão.
Mas, mas, mas assim, ó, a gente tem uma ideia assim. Vê só, pensa comigo. Existe o aspecto coletivo, existe o aspecto individual. Eu preciso ser grato a Deus pelas coisas que ele faz por mim individualmente. Deus me permitiu chegar aqui essa noite. Eu sou grato a ele por isso. Deus me permitiu conhecer vocês, e a gente está num projeto de plantação aqui em Cotia, e permitiu que, aos pouquinhos, o nosso grupo vai crescendo. E eu devo agradecer a Deus por isso, porque ele tem abençoado o meu ministério. Isso é pessoal. Mas, ao mesmo tempo, eu agradeço a Deus porque, na, no amor que ele dispensa por mim, ele também faz por muitas outras pessoas. Então, sim, eu devo ser grato a Deus. Acordei. Deus, obrigado. Acordei. Tô com os meus cinco dedos na mão, porque tem uns aí que não tá, né? Então, eu tenho que agradecer a Deus por isso. Deus, muito obrigado, porque o Senhor me preserva com saúde, me preserva, né, e, eh, com, com a minha sanidade mental normal. Eu não tô andando estressado, não tenho andado em prisão, não tenho. Percebe como muitas coisas a gente pode agradecer a Deus? Porém, e Marinalva, a gente pode avançar um pouco mais. Quando a gente acordar e começar a agradecer a Deus pelas coisas que Deus é. Percebe? Só o que Deus faz, mas o que Deus é. Então, esse Deus que estava solitário na eternidade, que está em comunhão comigo, e essa bondade dele precisa ser reconhecida. E eu preciso agradecer a ele. Deus, muito obrigado, porque o Senhor é bom. Muito obrigado, porque o Senhor é fiel. Muito obrigado, porque o Senhor não muda. Muito obrigado, porque eu sei que hoje, ainda que eu peque, eu sei que a minha salvação está garantida em Cristo Jesus, porque o Senhor prometeu. E como Deus fiel que é, não volta atrás da sua palavra, porque o Senhor disse que se eu fosse fiel, o Senhor permaneceria fiel, porque o Senhor não pode negar a si mesmo. Percebe? Isso não tem a ver com exigência de coisas de Deus. Isso, você tenha reconhecimento daquilo que Deus é. E todo mundo que reconhece quem Deus é, deixa de querer impor as coisas a Deus. Porque aí você vai falar assim: "Quem você pensa que é, Davi? Quem você pensa que é, Karen, para querer exigir alguma coisa de Deus? Quem se coloca no seu lugar?". Pedro, né? Como é que a gente brinca? "Recolha-se à sua insignificância". Agora você vai querer dar ordem para Deus e dizer como é que tem que ser isso, tem que ser aquilo? Se nós andarmos, né, dessa forma, irmãos, se nós olharmos para os atributos de Deus dessa maneira, então nós vamos crescer em espiritualidade, né? Vamos crescer em santidade, vamos, sem conhecimento, e a nossa vida, com certeza, vai ficar cada vez mais parecida com aquilo que Cristo espera de nós, né? Nós vamos cada vez mais nos parecendo com ele, com Cristo Jesus.
Perguntas? Vamos lá, porque senão vou ficar falando sozinho. Vai lá, Luan. Fala alto, porque senão não vai sair na gravação. Não, velho. Podcast aqui. Graça a mim. Certo. A pessoa, Pedro, que necessita de mais graça, ela está. Veja só. Eh, aí a gente está falando de dois aspectos diferentes da graça. Quando a gente fala de graça imerecida, e essa, esse conceito, ele é, ele é forjado dentro da ideia do plano da salvação. Você não merece ser salvo por Deus, e mesmo assim ele te salva. Uma vez salvo por Deus, e você pede mais graça, você não está pedindo a ele mais essa graça salvadora, porque você já teve ela. Ele já te salvou. O que você está pedindo a Deus é que ele continue te tratando com graça e não com justiça. E aí, é, mais ou menos assim: Deus não nos dá aquilo que ele não quer dar. Se Deus não quiser te dar alguma coisa, ele não vai te dar. Você pode orar o tanto que você quiser. Deus só vai te dar aquilo que ele quer te dar, ok? E Deus quer te dar graça. Ele quer continuar tratando você com graça. Ele não vai tratar você, eh, com base na justiça, porque a justiça foi jogada em Cristo Jesus. Jesus Cristo foi tratado com justiça, e a justiça dele agora é imputada a nós por sermos unidos a Cristo Jesus. Então, Deus não me trata mais impondo a justiça, eh, eh, condenatória dele sobre mim. Ele condenou Cristo Jesus, ok? Então, nesse aspecto de graça, de favor imerecido, isso aconteceu comigo uma vez só e não vai acontecer de novo, certo? Quando estou falando da salvação, eu fui declarado justo por graça diante de Deus, pela graça ele me salvou em Cristo Jesus, ok? Pode orar pedindo mais graça, desde que você entenda que aqui graça não é essa graça salvadora para que você seja salvo de novo, porque uma vez que nós somos alcançados pela graça de Cristo Jesus, ele não vai mais, eh, eh, Deus não vai mais cobrar de mim os meus pecados, porque Cristo já pagou. E isso no aspecto da salvação. Porém, Paulo ensina lá em Romanos que "onde abundou o pecado, superabundou a graça". Ele diz assim: "Então, eu vou viver pecando para ter mais graça?". Ele diz: "Não". Mas o que ele está dizendo é o quê? Que quanto mais, e quanto maior for o reconhecimento do pecado, o perdão de Deus vai representar mais graça em minha vida. Jesus dá um exemplo sobre isso quando ele fala lá daquela mulher, quando ele conta a parábola da, se eu não me engano, dos trabalhadores da vinha, que vão trabalhar. Um começa a trabalhar de manhã, outro começa a trabalhar meio-dia, e outro começa a trabalhar, eh, no final do expediente. E aí Jesus, o, o lavrador, o dono da vinha, vem e paga igual para todo mundo. E aí eles vão ficar e reclamando, né? Tipo: "Ué, por que que ele recebeu, trabalhou menos e recebeu mais?". Aí Jesus vai dizer assim: "Pera aí, o que é que o, o dono da vinha combinou com você? Não foi pagar o valor X de um dia? Foi. Ele não lhe pagou esse valor? Pagou. Você está reclamando de quê? Ele não foi injusto com você". Mas ele amou. E quem é que sentiu mais amor? O que trabalhou o dia inteiro ou o que trabalhou uma hora? Então, é, pense, a gente sempre olha essa parábola de trás para frente. Eu sempre olho essa parábola, né, pensando no mérito. Mas ao invés de você pegar esse trabalho do dia inteiro como mérito, pense nesse trabalho como pecado. Um pecou o dia inteiro, o outro pecou, né, ou um começou a pecar, eh, e se arrependeu e aí viveu ali, ó, a vida inteira só na cruz. E outro só redimiu na cruz. E aí, como é? Pera aí. Aí a gente diz assim: "Não, pera aí, ele está sendo injusto, porque as pessoas dizem isso, né? Então, é fácil ser crente. O cara faz tudo de errado, aí na hora de morrer, diz: 'Eu me arrependo', aí vai pro céu. E eu que estou aqui a vida inteira caminhando com Cristo?". Mas perceba, você teve mais graça. Porque aquele cara que começou a trabalhar no começo da manhã, ele não teve angústia de saber como é que ia ser o fim do dia. Percebe como é que vai ser o final do meu dia? Não, eu já sei que no final do dia eu tenho meu sustento. Então, agora eu só vou trabalhar. E pela graça desse que me chamou para trabalhar, que me deu o emprego, eu vou então chegar no final do dia e ter o sustento da minha família. Então, eu estou vivendo feliz o dia inteiro, embora eu esteja trabalhando o dia inteiro, mas eu estou tranquilo. Humanamente falando, a gente pode entender dessa forma. Aquele que ficou me, já imaginou que angústia? 10 horas da manhã, nada. Meio-dia, nada. Aí a mulher manda o recado: "Ó, depois do almoço não tem mais jantar, não acabou a comida. O aluguel está atrasado, as contas estão aí para pagar e não aparece nada". Ele vive aquela angústia o tempo inteiro. No final do dia, aparece: "Não, vem aqui trabalhar comigo". Ele vai trabalhar achando que ele vai ganhar o quê? Porque o cara não prometeu, não acertou o salário no começo. Vai trabalhar. Chega no final, está aqui. Percebe que a angústia dele ao longo do dia foi maior? Pense naquele ladrão da cruz. Agora, pense naquelas pessoas que se convertem hoje e que vão por aí, pregando o evangelho, aí vão fazer aqueles testemunhos: "Eu, eu, eu matei, eu roubei, eu fiz isso, fiz aquilo. O carro capotou comigo 200 vezes e aí eu estava lá para morrer e aí eu me converti, Deus me salvou, eu estou aqui pregando o evangelho". Aí o povo diz: "Aleluia! Maravilha! Como Deus faz grandes coisas!". Aí eu digo: "Pois é, se for assim, se for por essa medida, Deus ama mais a mim, porque eu nunca roubei, nunca matei, nunca passei por esses negócios, nada disso. Nunca fui preso, nunca tive uma vida de, eh, eh, pecaminosa no aspecto humano, falando assim". Então, eu sou como aquele cara que começou a trabalhar de manhã, que já sabia da certeza do céu desde pequeno. Quem está sendo, quem teve mais graça? Percebe? Se eu for fazer isso, se eu for começar a comparar essas coisas, eu vou chegar nessas conclusões humanas. Mas não é assim que Jesus Cristo trata a gente. Quem, quanto mais você tem a magnitude e a gravidade do seu pecado no coração, quanto você entende o tamanho do seu pecado, mais você ama Jesus Cristo, porque você ama, conhece mais a graça dele, conhece mais o amor dele, e sabe que esse Deus eterno salvou você antes de criar o mundo por mera graça, porque onde ele estava sem você, ele era tão feliz e alegre quanto ele é agora no céu.
[Música]