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É a Origem, foi lançado em 2010 e, até hoje, gera debates a respeito do seu final. Toda essa discussão fez passar batido muitos Easter Eggs, detalhes sutis e reveladores que você pode nunca ter notado. Por isso, hoje você vai conhecer todos os detalhes que perdeu em A Origem.
Esse é um filme um pouco mais complexo, então é importante dar uma contextualizada antes de começar. Afinal, fazem mais de dez anos desde sua estreia. Porém, se o primeiro passo é refrescar sua memória rapidamente sobre o conceito do filme, depois mostrarei os detalhes, referências, efeitos especiais e, nessa jornada, vamos desvendar se o verdadeiro final… Você, fã de novo? Já deixe seu like, concluiu sua inscrição? E vamos lá! Existe uma tecnologia militar chamada “sonho compartilhado”, onde você conecta a pessoa a ser “roubada” a uma máquina para compartilharem um mesmo sonho. A tecnologia é utilizada pela equipe de Cobb para espionagem industrial, extraindo informações importantes de grandes corporações e vendendo para as concorrentes. Dentro dos sonhos, materializam um cofre, “how low”, e onde a vítima instintivamente tende a guardar seu segredo. Então, basta irem até o cofre e roubar os documentos. É possível navegar entre camadas de sonhos, ou seja, um sonho dentro de outro sonho. No filme, acompanhamos eles fazerem isso em várias camadas diferentes. O tempo funciona de forma distinta dentro de cada camada, sendo multiplicado a cada sonho. Com sedativo normal, cinco minutos viram uma hora no primeiro sonho e um mês no sonho dentro do sonho. Para acordar, é utilizado um “chute”, algo parecido com a sensação de acordar no ônibus após uma freada brusca. Para saber se você está dentro de um sonho, é utilizado um totem; isso é um objeto que só você conhece as especificações. Cobb quase utiliza um peão que, dentro dos sonhos, nunca para de girar. Ariadne usa uma festa de xadrez, um dado viciado, e por aí vai. Mas existe um lugar muito mais profundo chamado Limbo, que é para onde você vai caso morra dentro de um sonho e esteja muito sedado para acordar. O problema é que cada dia dentro do Limbo pode significar apenas minutos no mundo real.
Então, chegamos ao último tópico: a relação entre Cobb e sua esposa, Mal. Acreditando estar dentro de um sonho mau, tira a própria vida ao se jogar da janela do apartamento. Descobrimos, no final do filme, o tipo de Cobb. Quem seria? Uma ideia na cabeça dela. Após ficarem presos no Limbo por 50 anos, eles construíram um mundo a partir de suas lembranças, algo que faz você perder a noção do que é real. Mal passou a confundir sonhos com realidade. Dentro do Limbo, Cobb vai até o cofre onde Mal guardou seu totem, que simboliza a verdade sobre o mundo real – é um peão. Mal indicando para Cobb que o Limbo é um sonho. Assim, o casal se mata para acordar… mas a ideia que Cobb inseriu cresce dentro dela e continua questionando a realidade até se jogar pela janela. Cobb diz que, ao se jogar, ela nunca mais irá ver seus filhos, e ela responde que, se ele não fizer o mesmo, também não irá, já que deixou uma carta com o advogado incriminando Cobb por sua morte. Por isso, ele precisa deixar a América e não pode voltar para seus filhos. O enredo do filme gira em torno de Cobb realizar uma extração em um herdeiro de uma grande corporação para que seu concorrente, Limpo, limpe sua ficha e, finalmente, volte para sua família.
Com base nessas informações, dá para contextualizar bem as referências. Cobb e sua equipe utilizam a tecnologia para roubar os planos de expansão da Saito e vender para a concorrente. Dentro dos sonhos, sua falecida esposa, fruto de seu subconsciente, aparece. O quadro que ela observa no quarto é uma obra real do pintor Francis Bacon, cujo nome é “Grande Fã e Trata-se de George Dyer”, com quem o pintor teve um relacionamento e que tragicamente cometeu suicídio, assim como a esposa de Cobb. O seu rosto desfigurado não revelado; isso reflete a forma com que distorcemos algumas memórias, da mesma maneira que ocorre com Cobb e a memória de seus filhos e sua falecida esposa. Mas não consigo imaginar você em toda sua complexidade, sua perfeição. Para chegar até o cofre onde Saito guarda as informações, Cobb usa um silenciador na arma, a fim de não ser percebido. Um detalhe legal é que ele utiliza sua outra mão para pegar os cartuchos, não correndo o risco de ser descoberto. Ele é traído por sua esposa porque é fruto de seu subconsciente, devido à culpa que sente sobre sua morte. É por isso que ela está sempre aparecendo involuntariamente dentro dos sonhos e tentando sabotar suas missões. Não entendo… eu percebo aqui no cantinho o semblante de felicidade dela ao descobrir que Cobb conseguiu roubar as informações; afinal de contas, ela é fruto de seu subconsciente.
Arthur e Cobb acordam no primeiro nível do sonho, onde tentam obter o restante das informações de Saito quando o jogam no chão. Saito descobre que é um sonho devido ao material do tapete; esse, enquanto deveria ser lã, o que significa que não está deitado em seu apartamento. Esse é um sintoma. Um detalhe interessante, se você lembrar que cada um da equipe possui um totem. Da mesma forma, Saito utilizou o tapete como totem, identificando aquela realidade como um sonho. A música tocada para avisar a equipe que o tempo está acabando é “Non, je ne regrette rien”, da cantora Edith Piaf. Se prestar atenção, a música diz, acelerada, de forma considerável quando a vida dentro dos sonhos se inicia. E já que a cada camada o tempo fica algumas vezes mais lento, a letra da canção fala sobre deixar o passado para trás, simbolizando a necessidade de Cobb de seguir em frente. Essa música ainda possui outra relação com o filme: a versão original tem dois minutos e 28 segundos de duração, enquanto o filme possui 2:28. Após acordarem, Cobb termina seu trabalho o mais rápido possível e diz: “Eu não gosto de trair”. Ele odeia três, pois faz parte da lembrança da inserção que fez em sua esposa. Temos Cobb utilizando um peão como totem. Basicamente, se o peão não parar de girar, ele está dentro de um sonho. Uma das maiores dúvidas do público ao assistir a Origem é sobre seu final. Cobb corrige o peão e sai ao encontro de seus filhos, terminando antes de vermos se o peão para de girar. Mas, se você já assistiu ao filme, perceberá que Cobb utiliza uma aliança em todas as cenas de sonho, enquanto não a possui no mundo real. A aliança simboliza que sua esposa está viva nos sonhos. Esse detalhe foi notado há alguns anos por um usuário do Reddit e parece ter sido deixado propositalmente como uma afirmação de que o final feliz é real. Mas eu percebi outros pequenos detalhes que reforçam isso, como o fato de Cobb não conseguir ver o rosto de seus filhos durante os sonhos, e é por esse motivo que, após ver o rosto deles no final do filme, ele dá as costas ao peão, pois sabe que se trata da realidade. Veja que Cobb afirmou anteriormente: “Se eu quiser ver o rosto deles de novo, eu tenho que voltar para casa, no mundo real”, confirmando essa tese. Michael Caine revelou em entrevistas que, ao questionar Nolan sobre o que são sonhos e o que é real, o diretor simplificou dizendo: “Sempre que você aparece, não é um sonho”. Mal, nele, o ator aparece junto às crianças. E não para por aí, pois em todas as memórias de Cobb as crianças são menores do que quando as vemos no final, indicando que elas cresceram; nos encontros nas memórias, permanecem do mesmo tamanho. Cobb, obcecado pela realidade, o fato de não olhar para trás para ver o resultado do totem, a dica que ele sabe que esse é o mundo real. Falei do fato de sabermos exatamente como ele chegou até aí. Afinal, vemos ele no aeroporto e tudo mais. Você nunca lembra do começo de um sonho, lembra? Você só se dá conta quando está bem no meio dele, não é?
Voltando às referências, Saito vai até Cobb e Arthur e pede para eles fazerem uma extração, ou seja, implantar uma ideia na cabeça de alguém. Logo, o artigo explica o porquê isso seria impossível: “Se eu colocar uma ideia na sua mente, eu digo a você: ‘Não pense em elefante’. No que você está pensando? Elefante.” Essa é uma referência ao livro “Não Pense em Elefantes”, de George Lakoff, que descreve o conceito sobre o uso de certas palavras que podem inserir uma ideia sobre um assunto na mente do ouvinte. Em troca do trabalho, Saito oferece a Cobb a chance de voltar para casa e ver seus filhos: “Não gostaria de ir para casa, limpando sua barra?” Cobb aceita a proposta e vai em busca de uma equipe, procurando seu sogro a fim de encontrar um arquiteto. “É seguro para você estar aqui na estrada? São entre a França e os Estados Unidos. É a maior burocracia, sabe disso. Bom dia. Seu papel em ‘Prenda-me se for capaz’, onde o personagem de Leonardo DiCaprio é preso na França, está ditado para os Estados Unidos. Não se preocupe, Frank.” No teste, a viagem, Cobb pede para Ariadne desenhar um labirinto: “Você tem dois minutos para desenhar um labirinto que eu terei um minuto para resolver. Isso não é algo aleatório, já que, na mitologia grega, Ariadne foi quem ajudou Teseu a sair do labirinto do Minotauro”. Até mesmo o labirinto que ela desenha é muito similar às representações visuais. Depois, Cobb vai atrás do falsificador e o leva a um químico que será responsável pelo sedativo. Seu nome é Yusuf. Em árabe, “Yusuf” é conhecido pelo dom de interpretar sonhos, bastante apropriado. O objetivo de Dom Cobb é voltar para casa. Convenientemente, “Dom”, em muitas línguas, significa “casa”. Falando nisso, ao juntar as iniciais dos personagens principais, forma a palavra “SONHOS”. Tem quantos? Saito explica a natureza do trabalho para Cobb, dizendo que o objetivo é evitar o monopólio de uma empresa de energia concorrente; atrás dele, são Thomson Luz e Total Direct Energy, uma empresa de energia do mundo real. Ariadne surpreende Cobb em seu sonho; nós temos que ele criou uma realidade inteira de arrependimento, onde consegue passear por esses momentos através de um elevador. No último andar está o apartamento onde sua mulher tirou a própria vida, simbolizando o fundo do poço ou seu inferno pessoal. Durante a missão, assim que entram no primeiro nível de sonho, é dito que está chovendo, pois Yusuf tomou muito champanhe: “Aterrorizado. Acho que já foi mal muito champanhe grátis antes da decolagem”. Não tem como rebobinar um pouco? Ele a vê ele tomando champanhe antes de dormir, quando o Cobb continua sua explicação sobre o ocorrido com sua esposa: “Assim que vivemos, ele construiu… é difícil de areia… nós que eu destruímos neles”. É possível ver o edifício em ruínas da mesma maneira, bem atrás. Ficou claro para mim que Cobb é o melhor arquiteto, já que passou 50 anos treinando junto a Mal dentro do Limbo e parou de ocupar essa função à medida que a culpa sobre a morte dela aumentava e dominava cada vez mais seu subconsciente. É o sobrenome… Concert. “Não posso controlar”, durante a missão. No primeiro nível de sonho, é visto um trem na rua, resultado do subconsciente de Cobb. Jake é o mesmo trem passado por cima dele e sua esposa. O interessante é reparar o número 3502, que também é o número do quarto de hotel onde Mal tirou a própria vida. A junção de dois momentos dolorosos de Cobb: o trem e o quarto de hotel. O número também aparece em vestidos, no táxi que eles pegam dentro desse sonho. As placas dos carros possuem o lema do estado alternativo, muito apropriado para o sonho. Ainda no primeiro nível, eles pedem a senha do cofre para Fischer, o herdeiro sequestrado, e ele passa o número circulado: 2849. Veremos esse número nos quartos de hotel; um deles, 528, e o do andar de baixo, 491. Esse quarto é logo abaixo do 528. O número é visto também no telefone que a garota deixa no guardanapo e no Cobb. Mas este também é um hexadecimal da cor utilizada no pôster do filme. Na carteira de Fischer, há uma foto dele e seu pai que vimos anteriormente. O curioso é que o próprio ator que interpreta seu pai é apenas colocou um bigode no sonho dentro de um sonho. No guardanapo do hotel está escrito “Hotel Valfierno”, referenciando o vigarista argentino Eduardo de Valfierno, que supostamente planejou o roubo da Mona Lisa em 1911. O interessante é que Cobb disse anteriormente que pensa em fugir para a Argentina: “Aonde você quer ir? Buenos Aires. Posso…”. As cenas do terceiro nível do sonho são inspiradas no filme 007, A Serviço Secreto de Sua Majestade, de 1969, provando o cuidado do diretor com sua obra. Na maior parte da luta de artes marciais no corredor do hotel, fica em evidência o número 5. Esse é o número visível quando Arthur mostra o totem para Ariadne. Falando nessa cena, é resultado de efeitos práticos. Aqui você pode ver seu projeto. Ao lado está a escada de Penrose que vimos Arthur demonstrar para Ariadne. A construção se deu a partir de uma estrutura de anéis de nove metros de altura em um motor elétrico que fazia-os girar. Dentro desse esqueleto foi fabricado o quarto de hotel, a câmera pixel no chão e outra que se mantinha no mesmo eixo. Esse é um take do treinamento da coreografia da luta. E agora olha essa gravação incrível, né? Aqui também está uma mostra da gravidade zero gravada em espécie de torre. O filme também carrega semelhanças incríveis com o anime Paprika, de 2006, além de trazer elementos de Matrix. Uma mulher loira que distrai Fischer. Para realizar a cena de explosão do terceiro nível de sonho, foi construído um modelo em menor escala, mas ainda bastante grande. Então essa explosão foi real, e até mesmo a avalanche que vemos foi realizada numa montanha através de explosões controladas. A cena das ruínas entrando em colapso, obviamente, foi feita com computação gráfica. Aqui está ela sem a renderização final. E nessa cena de bastidores está Leonardo DiCaprio e Ellen Page filmando no Marrocos; posteriormente substituíram no computador os prédios por ruínas, mas não usam mínimos defeitos computacionais possíveis, por isso até as ondas eram produzidas por máquinas. Nos créditos finais aparece o título do filme 3 vezes, simbolizando os três níveis de sonho. O tempo entre as telas ocorre da primeira para a segunda em um minuto exato e da segunda para a terceira em sete minutos, representando o tempo dentro de cada sonho que funciona de maneira diferente. E pare! Que é tocada a música de Edith Piaf, e o que no filme avisa a equipe que irá acontecer o “chute”. Assim o filme acabou, o espectador retorna à sua vida normal, comparando um filme a um sonho.
Assistir esse filme exaustivamente esse mês, em minha cabeça não parou de criar teorias a respeito de alguns detalhes. Vou compartilhar uma delas com vocês. Lembra que Cobb disse para Ariadne que foi Mal quem criou o conceito de totem? A ideia foi da Mal. Acredito que Mal nunca teve um totem físico, e o peão que vemos foi criado por Cobb após a morte de sua esposa. Ela apenas criou o conceito de totem. Quando vemos Cobb no Limbo, ele vai até o cofre e gira o peão, parecendo ser tudo metafórico. Veja que Cobb afirma que o cofre é onde efetivamente escondemos algo valioso, criando algo seguro, como um cofre de banco, uma prisão… a mente é automaticamente confrontada com a informação que está tentando proteger. Mal escondeu a verdade sobre o mundo real, que é simbolizado através do peão. Ela quer acreditar que o Limbo não é um sonho, enquanto Cobb quer provar que não se trata de um e que eles precisam acordar. Quando Cobb abre o cofre e se depara com o peão, ele leva um tempo para entender e depois o gira. E essa é justamente a ideia que ele implantou em sua esposa, que agora passa a ter dúvidas sobre o que é real e o que é um sonho. O peão de Mal é uma alegoria, uma forma materializada do que ela deseja esconder. Afinal, os sonhos são simbólicos. Então, quando ele diz que foi Mal quem inventou o totem, não quer dizer que ela possui um peão até esse momento, mas sim que criou o conceito dele. Postando isso, as cenas que mostram eles acordando do Limbo possuem uma cor característica; Cobb está com sua aliança e eles não deveriam acordar do Limbo diretamente na realidade. Da mesma forma que uma faca capaz de cortar a pele de um tomate também deveria cortar a pele do dedo facilmente, se você já cozinhou deve saber disso. Essas cenas, ao meu ver, são de um nível superior ao Limbo, mas anterior à realidade. Desse nível, ele não está com o totem em suas mãos, mas ele apenas simboliza sua dúvida, e a ideia é implantada em sua mente. Após acordar no mundo real, não consegue diferenciar a realidade dos sonhos e nem ao menos pode usar um totem para tirar a prova real, porque eles não existiam até esse momento. Apenas era uma ideia. Isso foi incorporado por hobby, baseando-se nessa experiência, mas o filme é aberto a interpretações e teorias. Pois, se o totem de Mal fosse físico, Cobb reconheceria suas propriedades após tocar nele e conseguiria enganar sua esposa. Mas isso não se encaixa com outros fatos do filme. Mas o filme é aberto a interpretações e teorias. Alguns desses passos são velhos conhecidos dos fãs, mas espero ter trazido algo novo para você. Se tiver algo a acrescentar, é só comentar e aproveita agora que o filme está muito fresco na minha memória. Então, se você comentar daqui alguns meses, talvez eu não consiga dar uma resposta tão boa quanto por aqui. Um grande abraço e até a próxima.