Transcription
[Música] Ative o sino das notificações. Imagine a seguinte cena: Você entra em uma igreja no exato momento da celebração, da ceia, da eucaristia. Logo, você percebe sangue. Você vê um pão consagrado nas mãos do padre, do pastor, do líder religioso. Um cálice elevado. Você é levado a crer que está diante de um ritual exclusivamente cristão, algo que teria sido instruído, segundo os evangelhos, por Jesus na véspera de sua morte.
Mas a história, quando cuidadosamente revirada, nos conta outra versão. Uma versão surpreendente e, por muitas vezes, incômoda. Uma história que nos convida a sair do conforto das tradições e investigar com honestidade intelectual aquilo que, por séculos, se revestiu de mistério e sacralidade e, no cristianismo, com um certo quesito de originalidade. Estamos falando da ceia, da Eucaristia.
Olá, meus ilustres amigos e amigas. Bem-vindos a mais um vídeo no meu canal, no seu canal, no nosso canal de estudos, Verdades Ocultas da Bíblia. Como vocês estão? Espero que estejam bem. No nosso vídeo de hoje, a nossa aula, ela será baseada nos estudos dos professores Christopher Ruget e também o professor Roger Screens. Eles têm obras que falam sobre a origem histórica da Eucaristia, o que você conhece como ceia, o pão e o vinho. Neste vídeo excepcional, eu estarei trazendo para vocês o que há de melhor sobre este tema com aprofundamento histórico, porque, além, é claro, de ler estes dois professores, eu também fiz as pesquisas aqui no Verdades Ocultas da Bíblia. Então, prepare-se para a melhor aula sobre o tema que você terá na sua vida. Vamos ao vídeo.
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É certo que os Evangelhos sinópticos, Mateus, Marcos e Lucas, situam a última ceia durante o período pascal, um jantar com os discípulos, o gesto simbólico do pão e do vinho, a frase emblemática: “fazei isto em memória de mim”. No entanto, essa narrativa surge décadas depois da suposta morte de Jesus. E mais, ela difere em detalhes essenciais quando comparada ao evangelho de João, que sequer coloca o evento durante a Páscoa. A divergência por si só já levanta suspeitas. Nós sabemos que o Evangelho de João segue o calendário da Páscoa e Cênia. O que também é digno de menção é que muito antes dos escribas que geraram os evangelhos, o escriba paulino já mencionava uma refeição ritual em honra ao Cristo e o fazia sem qualquer referência ao evento do Cenáculo. Na primeira carta aos Coríntios, este Paulo descreve algo que, para um leitor moderno, poderia passar por um banquete comum. E, de fato, era [Música] isso.
Essa ceia paulina, que aparentemente segue o modelo da ceia do evangelho, segundo escreveu Lucas, na verdade pode ser o primeiro registro deste acontecimento. Então, na verdade, o que teríamos no escrito paulino é que foi incorporado ao evangelho de Lucas e não ao contrário. Este escriba, ele utiliza o termo grego de um jantar, um banquete noturno. Não há nenhuma sugestão de liturgia solene com vestes sacerdotais e incenso. Estamos falando de uma refeição comunitária que envolvia pão de verdade, vinho de verdade e pessoas reais, algumas inclusive saindo embriagadas da celebração, como o próprio escriba paulino relata com desgosto. Este banquete também é conhecido na tradição cristã como festa do amor.
Depn é uma palavra carregada de sentido no mundo greco-romano. Os banquetes, tanto religiosos quanto cívicos, ocupavam um papel central na vida cotidiana. Textos como O Banquete de Platão ou os registros deixados por Ateneu de Náucratis no Deipnosophistai são provas disso, em muitos casos. Essas reuniões envolviam duas etapas: a refeição principal e, posteriormente, o simpósio, momento de bebida, conversas filosóficas, músicas, cânticos, às vezes até sacrifícios simbólicos. Em inúmeras inscrições arqueológicas, como as recuperadas em Pompeia, Éfeso e Dura Europos, encontramos associações religiosas celebrando exatamente esse tipo de banquete em honra às suas divindades patronais.
E aqui entra um dado crucial: As comunidades cristãs primitivas não viviam à parte desse mundo. Pelo contrário, elas nascem dentro dele. Seus membros participavam dessas práticas sociais, mesmo que reinterpretando os elementos à luz de uma nova fé. O pão e o vinho oferecidos em memória de Jesus, portanto, não era novidade nem inovação. Eles representavam uma ressignificação dos símbolos antigos ou, como diriam alguns, uma apropriação cultual.
Mas há algo a mais. Entre os manuscritos do Mar Morto descobertos em Qumran, há um documento conhecido como 1QS, o famoso documento “Regra da Comunidade”. Nesse texto, um grupo essênio descreve uma ceia messiânica futura, onde os justos comeriam pão e beberiam vinho diante da presença do Messias. Os participantes deveriam se purificar antes da refeição, entoar hinos e louvores e manter a ordem estabelecida conforme demanda o documento. Era um ritual de comunhão marcado pela expectativa escatológica e pela pureza. Não era uma invenção cristã, era uma prática judaica, marginal, sectária, anterior aos evangelhos e, possivelmente, a própria tradição oral cristã, que mais está imersa no paganismo do seu tempo do que nas suas raízes judaicas. A presença do pão e do vinho como elementos simbólicos, portanto, tem raízes profundas em diversos contextos.
Mas o elemento mais surpreendente deste vídeo está por vir agora. O pesquisador Aleter, em seus estudos etnográficos e históricos, relata uma prática litúrgica que existia há milênios na Etiópia, antes da era cristã. Segundo ele, um pontífice consagrava pão e vinho em honra ao Deus supremo, o todo-poderoso, a quem também se referiam como criador ou protetor da lavoura. Essa hóstia, segundo o relato, tinha a forma circular com o sol gravado de um lado e um cordeiro do outro lado. O ritual, chamado de hav pudja, incluía elevação do cálice denominado suagata, também continha a consagração da hóstia, denominada arquia. Havia um momento de comunhão que era chamado de madarca, inserção no contexto do cenário de um altar que era chamado de dupa, a ablução das mãos, bênçãos e aspersão de água. Não havia sacrifício sangrento, apenas gratidão pelas colheitas. Se isso soa familiar, não é por acaso. A liturgia cristã, segundo Aleter, foi moldada a partir dessas matrizes ancestrais. Foi Amônio Sacas, mestre de Orígenes e fundador da escola Neoplatônica de Alexandria, quem teria sistematizado este culto e introduzido suas formas aos pensadores cristãos, que por sua vez adaptaram-no com os elementos cristológicos após o século I.
Ora, isso lança a luz sobre uma hipótese desconcertante: de que o culto católico da Eucaristia, a missa como a conhecemos hoje, o culto protestante da ceia, como nós o conhecemos hoje, nada mais são do que a continuidade de um rito agrário solar sintetizado com a teologia cristã nascente no passado. O pão, uma oferenda dos campos; o vinho, as primícias da videira; um altar, um símbolo do templo e da mesa; o sacerdote, o elo entre o céu e a terra. Não por acaso essa missa etíope, esse culto etíope, essa celebração etíope, esse rito etíope ancestral, era também chamado de festa da presença real de Deus. O mesmo conceito que mais tarde será canonizado na teologia católica, sob o nome de transubstanciação.
Portanto, quando falamos da Eucaristia, quando falamos da ceia, seja em suas formas mais solenes, seja nos ritos simples dos primeiros cristãos, precisamos ir além da superfície dogmática; precisamos ver a liturgia não como uma criação ex nihilo, mas como uma tapeçaria tecida com fios de várias tradições: judaicas, greco-romanas, africanas, solares, agrárias. E talvez seja exatamente isso que a torna tão poderosa, sua capacidade de reunir em um único gesto milênios de devoção humana, camponesa, filosófica e de tentativa de união com o sagrado. O que chamamos de espiritual, de reunir em um fragmento de pão a memória de um Cristo, o sol da justiça e o eco das colheitas sagradas oferecidas a um todo-poderoso.
Que cada eucaristia seja então mais do que um ritual, que ela seja o reencontro silencioso com tudo aquilo que fomos e com tudo aquilo que ainda seremos. Este é o verdadeiro significado iniciático da Eucaristia, através de seus poderosos arquétipos e da força que ela exerce no inconsciente coletivo de unir homens, comunidades para um propósito. A pergunta é: quem dirá qual é este propósito? A eucaristia está gravada na nossa evolução cultural.
Gostaram do vídeo? Com certeza. Obviamente que gostaram. Não se esqueça, meu livro “O inferno não existe”, está à venda no Clube de Autores, além dos ebooks que já produzimos aqui também no canal, OK? O “Deus da guerra, ordens de extermínio na Bíblia”, “Os muitos Jesuses da história” e “Jesus e Dionísio, o milagre de transformar água em vinho” e muitos outros conteúdos estão vindo por aí. Que o verdadeiro Deus abençoe a todos.
Calma, meu amigo ateu, meu amigo agnóstico. Se você não crê, não acredita em um Deus, para mim está tudo certo. Desejo então, do fundo do meu coração, que a sorte e a fortuna lhe acompanhem. [Música] Monster out of my head under my bed thinking something out of my right there. But if I lay down and I play dead and I dead then you get kill never really notice what you want with you. I don't feel