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Sermão de Rodrigo Silva | COMO VIVER AS BÊNÇÃOS DE DEUS

Promessa e Bênção 1:03:49

Transcription

Uma boa noite a você que está acompanhando a Semana de oração sobre o Apocalipse aqui na igreja da UNASP São Paulo. É mais uma vez um prazer estar com você, ainda que de maneira virtual, mas que o Espírito Santo possa estar com a sua família, com a sua vida, em qualquer lugar do Brasil e do mundo. Eu estou feliz pelos números, não por numerolatria, mas também não quero ter uma numerofobia. Então, quando eu fico sabendo que há milhares de pessoas nos acompanhando ao vivo todas as noites, eu louvo a Deus por isso. Onde é que nós pregaríamos para um auditório de milhares e milhares de pessoas fora aqueles que estão assistindo à pregação depois que ela sobe lá no canal do YouTube? Você pode acompanhar no canal do YouTube da igreja UNASP ou também no Rodrigo Silva Arqueologia e também no Facebook, nos outros canais.

Mas aproveitando que eu estou falando de internet, eu gostaria de pedir ao pessoal se é possível colocar o QR Code aqui na tela para eles, tá certo? Se for possível, eles vão colocar, porque eu não tinha combinado antes com ele. Em algum momento, o QR Code aí, se você quiser usar esse QR Code, o que que você poderá ter através dele? Eu não sei para quantas e quais pessoas eu estou pregando, mas pode ser que, de repente, você gostaria de receber uma visita pastoral, gostaria de oração, gostaria de receber estudos bíblicos; ou quem sabe você já até tomou uma decisão ao lado de Cristo e só falta então selar essa decisão com o batismo. Então você pode entrar no QR Code. Daqui a pouquinho eles vão providenciar aí, e você vai poder acessar esses dados.

Falando em batismo, eu também gostaria de explicar alguma coisa para alguém que talvez possa não entender. Nós acreditamos, pela prática bíblica, que o batismo é por imersão nas águas e é um batismo que a pessoa já tem a consciência do que está fazendo. Então, por isso que nós entendemos que crianças que estão na fase dos seus 8, 9 anos em diante, uma vez que são preparadas, que os pais estão ali apoiando elas, podem sim ser batizadas na igreja. Você sabe que em Israel, na época de Cristo, aos 13 anos ou 12 anos – 12 anos completos ou 13 anos, segundo o Talmud – a criança já participava do juvenil, no caso do Bar Mitzvá, que é quando ele estava adulto para a religiosidade judaica. Então você vê que mesmo na Bíblia nós temos um pressuposto. Você pode dizer: Rodrigo, a Bíblia fala 12 anos ou 13 anos, segundo o Talmud; você está falando de crianças de 9 anos. Mas você sabe que isso varia de cultura para cultura, de época para época. Uma criança de 9 anos hoje tem muito mais conhecimento do que uma criança de 9 anos de 50 anos atrás. Você pode ver que elas não é uma coisa necessariamente tão de se comemorar, porque infelizmente as nossas crianças estão perdendo um pouco da infância delas porque estão amadurecendo muito mais rápido. Mas, de qualquer maneira, nós fazemos do limão uma limonada. Se uma criança com 9 anos fala: eu quero me batizar, eu acho que os pais deveriam incentivar.

Aliás, deixa-me contar uma coisa para vocês: quando eu me batizei na igreja adventista do sétimo dia, eu tinha 13 anos, mas havia alguns irmãos da igreja que não estavam concordando com o fato do pastor me batizar, porque achavam que eu era muito novo e que eu sairia da igreja logo depois daquilo. Mas aquele pastor arriscou, falou: não, se ele pede o batismo e se for para errar, eu prefiro errar pro lado da misericórdia. Ele me batizou, e eu nunca mais saí. Então pense nisso. E o próprio Jesus falou: vinde a mim, ó criancinhas, porque delas é o reino dos céus. Hoje nós gostaríamos de falar com vocês um pouco… Ah, já está o QR Code aparecendo ali na tela, você já pode ver. Então você pode entrar no QR Code ou acessar o site bit.ly/primaverabatisimo. Isto para aqueles que já estão preparados para o batismo. Mas não, não, minha questão não é ser batizado agora. Eu quero estudar a Bíblia, eu quero conhecer, eu quero ser batizado, eu quero ser visitado por um pastor, eu quero conhecer a palavra de Deus, eu quero oração. Entre naquele mesmo QR Code ali, você tem acesso a várias, vários oferecimentos espirituais da igreja para você e sua família. E repito: se você já tomou a decisão pelo batismo também, você deve entrar ali e receber todas as instruções. Tá bom? Vamos ao nosso primeiro slide de hoje. Eu vou colocar ali só um minutinho… Não sei se eu que apaguei aqui… Uma porta aberta no céu. Abram comigo a Bíblia, por favor, no livro de Apocalipse, capítulo 4. Apocalipse, capítulo 4. E se você se lembrar bem do estudo de ontem, nós terminamos falando que João, assim que ele terminou de redigir as sete cartas, ele terminou numa situação assim de preocupação com o estado da igreja; porque a história da igreja cristã não era a história mais bonitinha a ser contada. Embora durante a história do cristianismo você tem relatos de mártires, de pessoas fiéis a Deus que morreram, deram a vida pelo evangelho, que pregaram a palavra de Deus mesmo sobre o risco de vida, você também tem, infelizmente, situações de apostasia, de negação da fé, de infidelidade à aliança. E João estava preocupado. Aí no capítulo 4, que eu espero que você acompanhe na Bíblia na sua casa, e os que estão comigo que também acompanhe, é dito assim: depois dessas coisas, olhei e eis que havia uma porta aberta no céu; e a primeira voz que ouvi era como de trombeta ao falar comigo, dizendo: suba para aqui e eu lhe mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas. Imediatamente eu me achei em espírito, e eis que havia um trono armado no céu.

O que João quis dizer com isso? Alguns comentaristas pensam que o fato de João dizer: e eis que me achei em espírito, dá entender que ele teve essa visão num dia diferente da visão das sete cartas. Porque lá ele fala: arrebatado fui em espírito no dia do Senhor e ouvi uma voz por detrás de mim que dizia: o que vires escreve, manda às igrejas que estão na Ásia. Agora o que acontece? João vê uma porta aberta no céu e a mesma voz que falara outra hora, no outro momento, dizia para ele: suba para cá e eu vou te mostrar o que vai acontecer depois dessas coisas. E João é arrebatado em espírito. Ele passa a estar num estado de espírito… Fica sem sentido se ele já estivesse em espírito, voltar a estar. Então alguns pensam que essa visão foi dada numa outra época, mas esse é apenas um detalhe histórico ou teológico. Vamos ver agora qual foi a cena que João, diante dos seus olhos, assim que ele foi ao céu. A Bíblia diz que ele viu um trono armado no céu, evidentemente o trono de Deus. Como seria o trono de Deus? Vamos ler na Bíblia comigo. Acompanhe a leitura aqui, Apocalipse, capítulo 4. Eu continuarei lendo aqui a partir do verso 3 em diante. Vou ler o verso 2 novamente: imediatamente eu me achei no espírito e eis que havia um trono armado no céu; e alguém estava sentado no trono; e esse que estava sentado no trono era semelhante no aspecto à pedra de jaspe e ao sardônio; e ao redor do trono havia um arco-íris semelhante ao aspecto de esmeralda. Ao redor do trono havia também 24 tronos, e nele estavam sentados 24 anciãos vestidos de branco com coroas de ouro na cabeça. Do trono saíam relâmpagos, vozes, trovões; e diante do trono estavam acesas sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. Diante do trono havia também algo como um mar de vidro semelhante ao cristal. No meio do trono, à volta do trono, havia também quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O primeiro ser vivente era semelhante a um leão; o segundo semelhante a um novilho; o terceiro semelhante ao rosto de um homem; e o quarto ser vivente era semelhante a águia quando está voando. E os quatro seres viventes, cada um deles respectivamente tendo seis asas, estavam cheios de olhos ao redor e por dentro; e não tinha descanso algum, nem de dia nem de noite, clamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir. Sempre que esses seres viventes davam glória, honra e ações de graças ao que está sentado no trono, ao que vive para todo o sempre, os 24 anciãos se prostravam.

Coisa importante pra gente analisar. Na verdade até eu fechei minha Bíblia, mas gostaria que você ficasse com a sua aberta. Qual é o sentido prático disso para nós hoje? Uma vez um amigo me falou: olha, é importante o conteúdo, mas se você não trouxer aquilo para a realidade das pessoas, o coração não fala. O coração… E eu concordo com essa observação. Então vamos pegar essa visão do trono e vamos transformar em duas situações práticas para você que está hoje… Se eu estivesse lendo a Bíblia numa época de problemas, esse talvez não seria o melhor texto para eu ler. Os seres ali clamando glória a Deus, digno és, e comemorando… Eu não gostaria de ouvir de comemoração. Estou triste. Aliás, era essa situação psicológica que João estava… Raciocine comigo: João estava preso na Ilha de Patmos contra a sua vontade, cercado de água por todos os lados, o templo da deusa Ártemis… Sentindo preocupação sobre-humana com a igreja que ele deixara em Éfeso e na Ásia Menor, sabendo que a igreja estava sendo atacada por muitos dissidentes, por gnósticos, por grupos separatistas; sabendo que a sua vida estava com o risco de acabar a qualquer momento, porque Domiciano poderia mandar matá-lo na Ilha de Patmos; sabendo que Jesus parecia nunca mais voltar, tão demorada a promessa da volta dele… João, certamente, não estava nos seus melhores dias. E para piorar esse quadro de João, ele termina a primeira parte da visão ainda mais preocupado com a igreja. Como eu disse ontem, as sete cartas não revelavam a melhor história. Começa até bem com a cidade de Éfeso sendo elogiada, mas ali já há uma advertência de Cristo: eu tenho porém contra você que você deixou o seu primeiro amor. Depois ele vai passando por todas as cartas até Laodicéia, e o quadro só vai piorando, piorando, piorando, até que chega em Laodicéia e fala: você é miserável, pobre, cego e nu. João não estava definitivamente no seu melhor dia. E agora, quando ele vê o céu, vê todo mundo feliz dando louvores a Deus, parece uma cena sádica de alguém rasgando dinheiro na frente de um pobre. João deveria ter questionado: poxa vida, nós estamos sofrendo aqui e vocês comemorando? Não há o que comemorar, eu estou preocupado. É assim que você muitas vezes se sente diante de uma cena como esta. Você está angustiado, triste, e de repente alguém fala assim: dê louvores a Deus, louvor a Deus! Uma vez uma jovem viúva, que era muito amiga minha desde a infância, o marido dela faleceu num acidente, e eu estava na igreja na época… É, na época era aquela comemoração de fim de ano, então tinha uma ceia ao pôr do sol. Muitas igrejas ainda têm essa boa prática, e as pessoas levam uma oferta. E durante determinado momento começam a agradecer pelas bênçãos durante o ano. Ela estava tocando o piano, depois ela começou a chorar no canto e falou comigo assim: eu não tenho o que agradecer esse ano, meu marido morreu num acidente, que que eu vou agradecer? Eu não estou nem com vontade de tomar a ceia. No primeiro momento eu concordei com ela, e digo que ainda respeito a dor dela, mas depois de alguma reflexão eu comecei a pensar: será que nós devemos dar louvores a Deus somente nos momentos bons da vida? Ou será que mesmo a situação ruim pode me mostrar o motivo pelo qual eu seja grato? Por exemplo: a pilha de roupas na minha máquina de lavar pode ser um problema, mas um problema que me mostra que eu tenho roupas. Aquele som de uma música horrível pode ser um problema, mas um problema que me revela que eu tenho audição. Perceberam? Aquela comida com gosto meio ruim pode ser um problema, mas um problema que me mostra que eu tenho paladar. E há muitas coisas que nós temos na vida diariamente, e você que está em casa preste atenção nisso que eu vou falar. Eu não quero que desdenhe a sua dor de maneira nenhuma, não interprete assim; mas saiba que há muitas coisas que você tem diariamente na sua vida que são o ardente desejo e oração de pessoas ao redor do mundo. Você está assistindo essa mensagem enquanto janta aí na sala e colocou o celular e tá me escutando e jantando. Sabe quantas pessoas hoje não têm o que comer? Aqui em São Paulo, de onde eu estou pregando, tá um pouco frio. Desde anteontem a temperatura caiu, ontem fez 18º, mas você tem um cobertor para dormir, você tem um colchão esperando você logo depois que você terminar de assistir essa mensagem. Milhões de pessoas não têm um colchão. Você já parou para pensar que o que você tem normalmente na sua vida é o desejo ardente de milhões de pessoas ao redor do mundo? Talvez se você olhasse isto, você reclamaria um pouco menos da vida. É isto que João entendeu. Ele estava em Patmos, triste, mas ainda estava vivo. Ele estava clamando a Deus por uma libertação. Isso significa que ele tinha um Deus para clamar. Ele estava ali por causa do testemunho de Jesus, então ele tinha o motivo de participar do agradecimento celestial. Esta é uma questão que nós devemos colocar. Eu vou contar uma ilustração bem chocante para você. É uma história real. Eu gostaria de saber como é que você reagiria a essa história que eu vou contar. Uma vez um pai da igreja, ancião, fiel… Ele e a sua esposa tinham um único filho que era líder de desbravadores. E para quem não sabe, desbravadores é como se fossem um clube de escoteiros adventistas. Não é bem um escotismo, mas é muito similar. E há milhões, milhares de desbravadores no, ao redor do mundo. Eu fui desbravador. É um trabalho fantástico. Se você tem um filho juvenil, pré-adolescente, procure um clube de desbravadores. Ah, pode entrar mesmo não sendo adventista, claro, todos são bem-vindos. Ensina valores, primeiros socorros, acampamento… É coisa muito boa, desbravador. O filho único, firme na igreja, estava namorando uma moça, pronto para casar, e de repente ele perdeu a vida por causa de um celular, num assalto. Aquele irmão ficou arrasado. Poucos dias depois da morte do seu filho, num culto de quarta-feira na igreja, onde as pessoas levantam para fazer pedidos de oração e agradecimentos, aquele irmão levantou e falou: meus queridos que estão aqui, meus irmãos… E com a voz trêmula que só um pai que perde o filho sabe fazer, ele disse: eu quero agradecer muito a Deus e louvar a Deus pela morte do meu filho. E algumas pessoas ficaram tão assustadas, como alguns rostos que eu estou vendo aqui que até arregalaram os olhos. E ele, percebendo o desconforto diante do agradecimento que ele fez, tão inusitado, tão estranho, falou: eu sei que vocês estão assustados, mas eu quero agradecer a Deus pela morte do meu filho. Eu quero agradecer porque o meu filho nunca me deu trabalho. Eu nunca tive que buscar o meu filho numa sarjeta porque ele estava sob o efeito de drogas ou de álcool. Eu nunca tive alguém trazendo uma reclamação em minha casa porque o meu filho bateu em alguém ou fez violência contra alguém. A namorada do meu filho nunca teve que procurar a delegacia de mulheres porque sofreu uma violência doméstica vinda dele, uma violência contra mulher, uma tentativa de feminicídio. Eu tive meu filho durante a vida dele me dando muito prazer, então eu agradeço a Deus pela vida que antecedeu a essa morte. E com relação à morte, eu agradeço porque meu filho foi o que tomou o tiro e não o que apertou o gatilho. Percebeu? Não é questão de masoquismo, mas é questão de mostrar para o diabo que, pela ação do Espírito Santo em nossa vida e pela graça de Deus, mesmo em meio à dor nós podemos unir o nosso cântico e o nosso louvor ao céu e louvar a Deus, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que é, que era e que há de vir, porque Jesus está voltando, e nós temos o motivo de ser os mais felizes de todos os seres humanos, mesmo em meio à dor, mesmo em meio à dor. Está doendo? Cante, louve a Deus! Não é masoquismo. Assim você está entendendo na prática a hermenêutica do Apocalipse. Não é apenas uma questão de mostrar o texto, mas o que que eu faço com isso? O que que eu faço com isso? Aprenda que Deus não colocou aquela mensagem do louvor ali apenas por um enfeite teológico. É para mostrar a você que a sua vida tem que ser um uníssono de louvor a Deus. Louvor a Deus não significa que a dor vai passar, ela vai diminuir e você vai ter mais força para enfrentá-la, mas você ainda vai enfrentá-la, porque é a dinâmica do grande conflito. Se sofrermos demais, nós não suportamos; mas se sofrermos de menos, não sabemos o que é mal, e não desejamos a volta de Jesus.

Agora vamos voltar ao texto, que eu ainda quero chamar a sua atenção para outro detalhe aqui. Aqui diz que João viu o trono de Deus ali, e o quadro é um pouco misturado aqui. Vamos ver no quadro quais foram as cenas que João viu. Seria mais ou menos esse o desenho artístico da visão de João. Ele viu o trono de Deus lá no meio; em torno do trono de Deus, ele vê quatro criaturas viventes: uma com a semelhança de ser humano, outra de águia, outra de novilho e outra de leão. Depois ele vê sete chamas de fogo; e depois das sete chamas de fogo, como se fossem círculos concêntricos, 24 tronos com homens de idade, todos vestidos de branco com coroas na cabeça; e depois uma multidão inumerável de anjos. Trocando isso em forma de esquema, nós vamos ver aqui o quadro do que João viu da corte celestial. Perceba os círculos: os anjos no círculo interno; os 24 anciãos vestidos de branco, que quase certamente eu posso dizer eram seres humanos que ressuscitaram e estavam com Cristo no céu, porque nós já temos a presença de seres humanos ressurretos no céu numa ressurreição especial; depois à frente deles, você tem como se fosse um mar de vidro, o altar, os, os seres viventes diante do trono; e entre os seres viventes e os anciãos, você teria também as sete chamas que representam o Espírito Santo. Agora você pode perguntar: tá bom, Rodrigo, mas o que significa tudo isso? O trono, os quatro seres viventes; depois você tem o, o Espírito Santo ali, que são as sete chamas de fogo, representação do Espírito Santo; depois dos 24 tronos, você já falou que são seres vivos no céu, humanos; depois você tem os anjos. Mas por que essa disposição celestial? Vamos ver o porquê. Olha essa imagem que vai aparecer para você na sua tela agora. Aqui nós temos um quadro da disposição do povo de Israel quando eles estavam no deserto. Deus era muito organizado. E cada vez que o povo de Israel caminhava pelo deserto, eles deveriam caminhar de maneira organizada. As tribos eram separadas dessa forma: você havia três tribos de um lado, três do outro, três do outro e três do outro. No centro, naquela fumaça, você tinha o santuário, o tabernáculo, que nós já fizemos menção aqui. Em frente ao tabernáculo, aquele ponto um pouquinho menor seriam Moisés, Arão e seus filhos. Depois os três, é, pontos próximos seriam as tribos dos levitas que cuidavam do santuário. Depois você tinha na primeira coluna três, é, tribos, é, lideradas pela tribo de Efraim, que ficava à frente; depois mais três tribos aqui lideradas pela tribo de Dã; depois mais três tribos lideradas pela tribo de Judá; e mais três tribos lideradas pela, pela tribo de Rúben. Agora você pode perguntar: espera um pouquinho, Rodrigo, antes de você continuar, se eu contar ali tem 13 tribos de Israel. 3, 3, 3 dá 12, com mais a dos levitas, 13. São 12 ou 13 tribos de Israel? Como é que a gente explica isso? Isso aqui é simples de explicar. Jacó, na verdade, 12 filhos, não 13 filhos, mas um dos filhos de Jacó chamava-se José; e quando Jacó foi para o Egito, Jacó adotou os filhos de José, Manassés e Efraim, para si. Ele adotou os filhos de José. E eu vou explicar porque que Jacó fez isso. Então Jacó agora tinha 12 filhos mais dois adotivos, que são os filhos de José. Então ele fica com quantos? 14 filhos de Jacó: 12 de sangue e dois que eram netos. Rodrigo, é verdade, ele adotou os dois filhos de José. E por que que ele adotou os filhos de José? É simples. José era o filho amado de Jacó, e Jacó queria fazer de José o seu primogênito; e o primogênito sempre ganhava o dobro da herança em relação aos seus irmãos. Então uma forma legal que Jacó encontrou de dar o dobro da herança para José foi adotando os seus dois filhos, Efraim e Manassés, porque assim enquanto cada um filho ganharia uma porção, José, através dos seus dois filhos, ganharia o dobro. Só que na divisão das terras em Israel, a tribo dos levitas não ganhou porção de terra, porque eles viviam em torno do santuário, tendo que trabalhar para o santuário. O seu sustento seria o dízimo tirado das outras tribos. Então a tribo de Levi não tinha herança, apenas em cada tribo eles tinham uma cidade para eles, só isso. E como José estava representado pelos seus dois filhos, Efraim e Manassés, você volta a ter então 12 tribos, mas mais a tribo de Levi. Ficou claro agora que isso está esclarecido para você? Eu gostaria de mostrar mais um detalhe. Abro a Bíblia comigo em Números, capítulo 1, versículo 52. Números, capítulo 1, versículo 52. Se depois em sua casa você ler o livro de Números, no capítulo 2, você vai ver que lá descreve justamente aquela disposição do povo de Israel no deserto que eu mencionei para vocês. Agora eu gostaria de ler o capítulo 1, versículo 52 de Números. Assim diz na minha Bíblia: os filhos de Israel acamparão cada um no seu arraial, e cada um junto ao seu estandarte, segundo as suas turmas. Veja: estandarte é uma bandeira. Então a Bíblia fala que cada um dos filhos de Israel tinha um estandarte. Nós não sabemos o que que estava nesses estandartes, mas a tradição judaica nos diz que em cada estandarte havia um animal ou um ser representando aquela, aquela tribo, um animal ou um ser humano. E pelo menos nós sabemos a tribo de Judá tinha como seu escudo, como sua representação, um leão. Tanto é que Jesus é chamado na Bíblia de o Leão da tribo de Judá. Então nós sabemos que um dos estandartes tinha a forma de um leão. Agora olha de novo na tela aí a imagem do acampamento do povo. Você está vendo ali Judá bem à frente. Então Judá tinha uma bandeira com um leão; e no centro ficava o santuário. Lembre-se disso. Quando nós vamos à tradição judaica, nós descobrimos que, segundo a tradição dos judeus, aquela mais antiga representada tanto de forma oral como por escrito no Talmud e também na tradição rabínica, os judeus dizem que quando Deus apareceu no Sinai ele estava cercado por 22.000 anjos, divididos em grupos, e cada grupo representado por um anjo superior diferente. Assim foi desejo de Israel também estar dividido em grupos à semelhança do esquema celestial no céu. O trono de Deus, segundo essa tradição, ocupava o centro da multidão angelical e tinha quatro anjos em redor: Gabriel, Uriel e Rafael. Esses quatro seres viventes correspondiam às quatro tribos representativas de todo o povo que ficavam ao redor do santuário, a saber: Rúben, Judá, Dã e Efraim, todas com seus respectivos estandartes. Um leão estampava o estandarte de Judá; uma águia, o de Dã; um novilho, o de Efraim; e o de um homem, o de Rúben. Você percebeu? O que que isso aqui está nos mostrando? Que o acampamento dos hebreus no deserto ecoava em sombra, em simbologia, a maneira como eles imaginavam que era a disposição do trono de Deus no céu. No céu você tinha o trono de Deus ao centro com quatro seres viventes; aqui você tinha o santuário ao centro com quatro tribos representando homem, leão, águia e novilho; e depois a multidão com a multidão dos anjos e também dos 24, dos anjos e dos 24 anciãos. Noutras palavras, o céu e a terra estão sempre em sintonia. Que que nós aprendemos disso? Muito simples, meu irmão: quando eu canto, eu nunca canto sozinho, anjos de Deus cantam comigo; quando eu choro e sofro, eu nunca sofro sozinho, os anjos de Deus sofrem comigo; o próprio Deus se compadece de mim. É interessante que quando a gente vai ler a Bíblia, é, no livro de Atos, capítulo 9, em que Saulo estava perseguindo a igreja, querendo matar os cristãos, Deus aparece para ele naquele momento e fala assim: Saulo, Saulo, por que me persegues? Saulo pensava que estava perseguindo a igreja, mas estava perseguindo o próprio Jesus. Noutra feita, Jesus, ao falar do Juízo Final, dirá para muitos: vinde, benditos do meu Pai, benditos do meu Pai, porque eu tive fome e você me deu de comer, eu tive sede e você me deu de beber, eu estive nu e você me deu vestes, eu estive preso e você foi me visitar. E as pessoas perguntarão: Senhor, quando é que eu fiz essas coisas? Toda vez que você fez a um dos menores, você faz a mim. Eu não quero aqui ser judaizante, não é esse o meu interesse, mas eu gosto de aprender muito com culturas diferentes. E vocês já perceberam que os judeus religiosos gostam sempre de usar um kipá na cabeça, que é aquele chapeuzinho? Sabe por que o judeu usa aquele chapéu na cabeça? É uma forma de mostrar, primeiro, que ele é limitado, ele não é eterno, ele tem o seu limite; segundo, uma forma de lembrar que ele está sempre na presença de Deus, quer esteja numa sinagoga, quer esteja numa feira; e em terceiro lugar, a palavra kipá, em hebraico, chapéu, cobertura, vem da mesma raiz da palavra que, que significa perdão, propiciatório. Eu estou constantemente sob o perdão de Deus, mesmo que eu não use um kipá na cabeça, porque eu não sou judeu, a não ser quando eu vou a Israel. Às vezes a gente usa na sinagoga, mas eu gosto sempre de lembrar que eu estou na presença de Deus. Você não está na presença de Deus somente quando você está na igreja. Quando você está no ônibus, você está na presença de Deus; quando você está na feira, você está na presença de Deus; e tudo que você faz, Deus está vendo e acompanhando. Será que a sua vida é uma forma de glorificar a Deus? Agora olha que linda essa parte do santuário na época do Antigo Testamento. Sabe porque Deus mandou o povo de Israel construir aquela tenda móvel? Deus, a princípio, apareceu pro povo do alto do Monte Sinai. Você se lembra? E a Bíblia fala que o monte fumegava e tremia, e havia raios, trovões e sar, e o povo estava morrendo de medo, porque até um animal que encostasse no sopé da montanha morria fulminado. Então Deus olhou lá de cima, viu o povo apavorado no meio de um monte de barracas, parecendo até um acampamento de desbravadores, e Deus falou assim: Moisés, o povo está com medo de mim, faz o seguinte: faz um santuário lá no meio, uma tenda, porque eu vou morar no meio do povo. Senhor, meu povo vai ficar apavorado, não, Moisés. Eu vou diminuir a minha glória e vou morar no meio dele, e me farão um santuário para que eu possa morar no meio dele. Sabe o que isso significa? A primeira coisa que eu aprendi como um pregador: Deus, com a sua glória, causou medo, temor no povo; mas quando Deus ocultou a sua glória numa barraca semelhante às outras barracas, semelhante que eu falo de design, era uma tenda, tinha um lugar santo e santíssimo, é claro, tinha todo um ritual do santuário, mas em termos arquitetônicos era uma tenda. O povo dormia em tendas, Deus também ia dormir em tendas. Aí o povo começou a aproximar mais de Deus e a falar com ele. Eu já percebi que muitas vezes o grande desafio pra gente, quer você seja um pregador, alguém conhecido, um líder religioso, é ter a coragem que o, o próprio Criador teve de descer do Sinai, apagar a sua glória e viver no meio do povo. Porque foi isso que Deus fez. E no evangelho, na época do Novo Testamento, isto se tornou mais claro ainda, porque o evangelho de João diz: e o Verbo, que é Cristo, se fez carne e habitou no meio de nós. E a expressão que aparece ali no grego para habitou, *esenō*, significa: ele armou a sua tenda no meio de nós. Cristo, quando se tornou um de nós, repetiu de uma maneira muito mais ampla o que o Pai havia feito no Antigo Testamento quando mandou Moisés armar uma tenda para que a divindade pudesse habitar no meio do povo. Agora novamente a divindade habita no meio do povo numa nova tenda, num novo santuário, que era o próprio corpo de Cristo. Por isso que no Evangelho de João, quando Jesus falou: destruam esse santuário e em três dias o reedificarei, pensavam que ele estava falando do templo, quando ele estava falando do seu próprio corpo. Deus habitando no meio de nós. Agora vamos continuar a ver isso aqui. Outra coisa que me chama atenção naquela imagem ali é a presença dos querubins…

Bíblia diversas vezes fala dos querubins. Eles estavam estacionados ao leste do Jardim do Éden para guardar o caminho da Árvore da Vida. Eles parecem carregar o firmamento com o Trono de Deus. Você vê isso em Ezequiel 11:22 e 10:1 e 2. Em Ezequiel 11:22, ainda o Rei de Tiro é, de maneira zombeteira, comparado a um desses querubins, provavelmente Lúcifer, que era designado como tendo residência no Éden, na montanha de Deus. E aqui chama minha atenção que esse Querubim, ele é chamado de Querubim da Guarda, mas o hebraico pode ser Querubim cobridor. O que significa isso? Olha que lindo! Porque que tinham aqueles querubins em torno do Trono de Deus? E talvez o próprio Lúcifer teria essa função no céu antes da sua rebelião, antes da sua queda. Ele era um querubim cobridor. O que significa isso? A glória de Deus era tão grandiosa, tão majestosa, que até os anjos no céu precisam ter essa glória filtrada para não serem cegados por ela.

Quando Deus se manifesta no seu trono, no meio, os anjos abrem as asas para receber o fulgor da Glória de Deus, e com outras asas eles cobrem o próprio rosto e os pés em reverência. Agora, raciocine comigo: se até os anjos que não têm pecado, que estão na glória, têm toda essa reverência perante Deus, por que eu vou tratar Deus como uma coisa qualquer? Reverência pelo nome do Senhor é isso que nós precisamos ter. Vamos continuar aqui a nossa, o nosso passeio pelo Antigo Testamento. Você está vendo como é que tudo encaixa com a disposição do céu e na terra? Agora vamos falar dos serafins. Os serafins são outra classe de anjos que parece ter a mesma função dos querubins. Olha o que diz Isaías 6:1 a 3: “No ano em que faleceu o rei Osias, eu vi o Eterno sentado sobre um trono alto e exaltado; a aba do seu manto preenchia todo o templo. Em torno dele posicionam-se serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, com duas voavam; e ao mesmo tempo clamavam uns aos outros: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; eis que toda a terra está plena da glória do Senhor”. Agora, como a terra pode estar plena da Glória de Deus? Simples: quando a igreja, o povo de Deus, se posiciona para imitar o céu.

Eu quero mostrar uma cena para vocês do Santuário aqui da Terra, para vocês terem uma noção do que João viu no céu de maneira superior, baseado, é claro, na cena do Santuário e do povo de Israel, eh, disposto em redor do Santuário. Coloca esse vídeo, por gentileza, para todo mundo que está em casa poder assistir. Assim seria o Santuário que havia no deserto na época de Moisés. Tem que apertar o, o play. Uhum. Será que travou ali enquanto ele vai acertando ali esse vídeo que eu quero mostrar para vocês? É um vídeo que mostra um 3D de como seria o Tabernáculo aqui na terra, e a partir dele você vai ter uma noção. Mas vamos recapitular até agora, eh, o que nós vimos. Nós entendemos que o Trono de Deus no centro, com os quatro seres viventes, e a partir dali os anciãos refletiam o que está na terra. Você está vendo aí na sua casa as tendas onde o povo morava. Estão vendo? Essas eram as tendas, e Deus mandou também fazer uma tenda para Ele morar, um Tabernáculo. Aqui fora era o pátio. Nós já mostramos na vigília o sacerdote preparando lá o incenso, a carne dos animais, cortando para jogar no altar de holocausto. Esse altar aí do meio. Além desse altar, você tinha a pia com a água onde o sacerdote se banhava. No céu você tem um mar de vidro. Você tem também a primeira parte do Santuário que é coberto com vários tipos de tecidos diferentes. Ele é dividido em dois cômodos: o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo. E é mais ou menos essa cena que João vê de maneira muito superior, aludindo ao céu. No lugar da pia, ele tem o mar de vidro; e quando a voz diz: “Entra para cá”, ele vai até o Lugar Santo. Ao invés de ver o candelabro comum daqui da terra, ele viu sete tochas de fogo. Ao invés dele ver os pães da presença, ele vê o próprio Jesus Cristo. E ele vê no céu também o altar de Deus de incenso com a oração dos santos. E, na terra, existe uma cortina separada do Lugar Santo do Santíssimo, mas no céu não há necessidade disso, porque tudo é sagrado. E ali você tem a Arca da Aliança. Ao invés de ter querubins fundidos de ouro, você tem seres angelicais de verdade diante do Senhor. Percebeu que João viu? Esta é a contemplação da Visão Celestial. Vamos ver uma próxima imagem aqui, só voltar ali, ele vai ajustar para mim.

Além disso, João viu aqueles 24 seres viventes, aqueles 24 anciãos. Eu falei que eram seres humanos que ressuscitaram com Jesus e foram para a Glória. Você se lembra disso? Por que 24? Porque esse número... Ora, se você olhar na Bíblia, em Segundo, Primeiro Crônicas, capítulo 24, você vai ver que havia 24 turnos de sacerdotes que revezavam no serviço do templo. E Jesus também promete no Apocalipse que aquele que vencer será feito sacerdote com Ele diante do Pai. Então, aqueles ali são uma amostra da humanidade que Jesus já está salvando dia após dia por sua graça. Agora, além de todo esse cenário, o mar de vidro também chama atenção. O mar de vidro era o céu; era concebido pelos antigos como sendo uma grande cúpula que se estendia sobre a terra; e por debaixo dessa cúpula estava a terra, acima dela o céu. Na história da criação, você tem as águas que estão debaixo do firmamento e as águas que estão acima do firmamento. O salmista chama as águas que estão acima do firmamento para que louvem a Deus (Salmo 148, verso 4). Sobre esse mar que está acima do firmamento, João vê o Trono de Deus. Afinal, o salmista diz que Deus apoia as vigas de sua morada sobre o mar do firmamento. Agora, apesar de toda essa visão majestosa, João ainda estava um pouco aflito com relação à igreja. Lembra que eu falei que o ato de louvar a Deus, de participar da adoração, não significa que a dor vai desaparecer, ela vai diminuir e Deus vai lhe dar forças para enfrentá-la, mas não promete a você um mar de rosas. João viu a glória, talvez por um momento até ficou extasiado com tudo aquilo, mas logo ele se lembrou da igreja. E quando essa visão acabar... Se eu pudesse ficar aqui no céu e nunca mais voltar... Mas, Senhor, eu também não gostaria de ficar aqui no céu tendo os meus irmãos lá na terra em situação tão caótica. Eu tenho que cuidar da igreja que o Senhor mandou eu cuidar. Lembra que Paulo uma vez disse que o grande desejo da alma dele era partir e estar com Cristo, mas que por amor da igreja ele ainda ficava na carne? João deve ter tido o mesmo sentimento: “Como eu gostaria de ficar aqui, mas eu sei que essa visão vai terminar, e a Igreja...” Será que ela vai poder subir aqui e receber a recompensa? Aí, quando nós vamos à Bíblia, nós vemos uma cena que novamente me chama bastante atenção. Abram comigo a Bíblia, dessa vez em Apocalipse, capítulo 5.

Apocalipse, capítulo 5: “Vi na mão direita daquele que estava sentado no trono um livro em forma de rolo, escrito por dentro e por fora, e selado com sete selos. Vi um anjo forte que proclamava com grande voz: ‘Quem é digno de quebrar os selos e abrir o livro?’ Ora, ninguém no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro, nem mesmo olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo olhar para ele.” Por que que esse livro causou tanta consternação em João? As pessoas do antigo Oriente Médio, aliás até hoje no Oriente Médio, elas demonstram as suas emoções de maneira muito passional. Quando eles estão alegres, todo mundo sabe: ele pula, ele grita, ele começa a, a, a, a dançar. Esta é, é o quadro de um judeu muito feliz. Mas quando ele está triste, ele de fato fica triste; ele pega terra, ele joga na cabeça, ele rasga a própria roupa. Tanto é que os judeus, quando estão em situação de luto, é comum até hoje eles pegarem uma camisa e rasgarem e ficar com aquela camisa rasgada durante todos os dias do luto. Pastor Gilson já esteve em Israel, ele sabe no trânsito como é que eles buzinam, como é que eles demonstram as emoções, e até quando estão falando em árabe ou hebraico eles falam sempre gesticulando com as mãos. Sendo João alguém do Oriente Médio, quando ele diz que chorava e chorava muito... Pastor Dilson, imagino o João como aquelas pessoas que você viu tantas vezes lá em Jerusalém. João não ficou chorando só assim; ele chorava de gritar. Eu imagino até, e não estou cometendo nenhum sacrilégio em imaginar isso, que João até gritava junto com os outros: “Escuta, por favor, gente, alguém abre o livro!” Mas eu pergunto a você: João já tinha visto o Trono de Deus, mas o livro ninguém podia olhar. O que havia de tão sério nesse livro que ninguém podia nem olhar para ele? E mais: o que havia de tão sério nesse livro que provocou lágrimas compulsivas de João? Será que esse livro tem alguma relação com o destino da igreja? Portanto, se você quer saber a continuação disso, se você quer saber qual é o futuro da Igreja segundo Apocalipse, e se você é um daqueles que já não acreditam mais na instituição chamada igreja, o sermão de amanhã é um sermão que você não pode perder. Qual é o mistério do Livro Selado com sete selos? Por que esse livro causou tanto choro em João? Por que ninguém podia abri-lo, nem olhar para ele?

Mas para não terminar o sermão de hoje de outra forma senão espiritual, eu quero falar com você de uma palavra muito interessante que eu aprendi em Israel. O hebraico hoje incorporou essa palavra, mas originalmente ela era do Iídiche. Iídiche é um dialeto que os judeus falavam na Europa, especialmente na época da Segunda Guerra Mundial. A palavra é “chutzpah”. “Chutzpah”. Essa é uma palavra muito marcante, e dificilmente temos uma tradução para “chutzpah” em português. Como algumas palavras de outros idiomas não têm tradução, é melhor tentar explicá-la a partir do sentimento daquele grupo. Lembra que eu falei com vocês que o judeu, ele sente tudo com muita força? Quando ele está alegre, ele está alegre mesmo; ele canta, ele, ele, ele assobia, ele pula. E quando ele está triste, ele tá triste mesmo; quando ele briga, ele briga mesmo. Pois bem, esse povo é um povo muito audacioso; eles, eles vão adiante, eles vão adiante, eles vão à luta; e quando eles querem uma coisa, querem mesmo. Então acabaram chamando esse sentimento de querer algo acima de tudo de “chutzpah”. Em outras palavras: quem quer dá um jeito, quem não quer dá uma desculpa. Os próprios judeus reconhecendo a dificuldade de traduzir “chutzpah” para outros idiomas. Essa palavra não está na Bíblia; ela aparece na mechin dos judeus. Mas os próprios judeus reconhecendo a dificuldade de traduzir “chutzpah” para outras línguas, eles até contam numa piadinha: quando você pergunta para eles o que que é “chutzpah”, eles falam o seguinte: “Chutzpah é como... é o caso daquele advogado que matou os próprios pais, e no dia do juízo ele, ele pediu para não ser preso porque ele era órfão”. Chutzpah: audacioso. A palavra, então, da piadinha judaica para a realidade, ela pode ter dois sentidos: um positivo, um negativo. O chutzpah negativo é aquela audácia, aquela arrogância de alguém que é inoportuno, que ele pede coisa que ele não tem direito de pedir; ele é chato. Mas existe um outro lado do “chutzpah”, que é aquela pessoa que quer um ideal, e ele luta por esse ideal, e ele vai até as últimas consequências. E aí, nesse sentido positivo, os judeus dizem que Deus valoriza a atitude de “chutzpah”, a atitude de audácia. Tá aí: audácia. Seria uma boa palavra, não para traduzir ao pé da letra, mas para dar uma ideia do que é “chutzpah”. Você tá entendendo em casa o sentido dessa palavra? Audácia, intrepidez. E os judeus dizem que Deus valoriza essas atitudes de intrepidez. E quando eu olho na Bíblia, não é que eles estão certos? Uma vez Deus viu um homem matando um egípcio, que ele queria fazer justiça. Deus olhou de cima e falou: “Hum, esse camarada tá errado. Ele tá metendo as mãos pelos pés; eu preciso domar o espírito desse homem, mas ele tem energia, ele tem garra. Eu acho que eu posso usá-lo para tirar o povo do Egito.” Eu estou falando da história de Moisés. Moisés demonstrou um outro “chutzpah” quando ele falou com Deus: “Senhor, perdoa esse povo, Senhor; senão risca o meu nome do livro que o Senhor escreveu”. Não era ali uma blasfêmia contra Deus? Era um amor pelo povo que Deus falou: “Você teve audácia!” Outro exemplo: Jacó lutando com o Anjo, lutando, lutando e falando: “Eu não te soltarei enquanto você não me abençoar”. Deus deslocou a coxa de Jacó, mas mudou o nome dele para Israel. Mais um exemplo do Novo Testamento: aquela mulher que vinha clamando atrás de Jesus: “Senhor, cura minha filha, cura minha filha!” Ela nem era judia; ela era cananeia, fenícia. Jesus não respondeu palavra; os discípulos mandaram que ela se calasse, mandaram Jesus despedi-la. Jesus a comparou a um cachorrinho, e mesmo assim ela se, se prostrou e o adorou, dizendo: “Senhor, eu como as migalhas da tua mesa”, mas como de bom grado, porque as tuas migalhas são um banquete. Chutzpah! Audácia! Percebeu? Agora abra comigo a Bíblia no livro de Hebreus, capítulo 10, versículo 19. Mesmo que aqui não esteja a palavra “chutzpah”, mas o conceito de “chutzpah” está aqui, quando o autor de Hebreus diz: “Portanto, meus irmãos, tendo ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água pura”. Em outras palavras: por Cristo eu posso entrar no santuário. A palavra “santuário” aqui em Hebreus é “hagios”, está no plural. Eu posso entrar nos dois compartimentos pela fé. Eu posso clamar pela “chutzpah”. Eu tenho direito de comparecer diante do Trono de Deus, e o Diabo não pode impedir você disso. E é com esse pensamento que eu quero terminar o sermão de hoje. Olha para mim nesse momento. Talvez o que está faltando em sua vida é um pouco de “chutzpah”, ousadia, em nome de Jesus. Não se trata de humanismo, não se trata de dizer que o poder está dentro de você, não é autoajuda com “u”, é autoajuda com “l”, ajuda que vem do alto, a ajuda que vem de Deus. Você precisa da ajuda de Deus, e essa ajuda está à sua disposição, meu irmão, minha irmã. Viu o estudo de hoje? Você percebeu como a cena de Apocalipse, capítulo 4, é apenas uma forma de mostrar como o céu está semelhante à terra? O povo de Israel estava no deserto; o deserto é um lugar hostil, mas eles estavam de certa forma espelhando o céu mesmo no calor do deserto. O que eu conclamo você nesta noite é: na sua vida, espelhar o céu mesmo no deserto da provação. Uma vez um menino deixou cair um carrinho atrás do armário, e quando o pai passou pela porta viu o menininho puxando com força o armário, fazendo força, e o pai ficou encostado na porta, com aquela sabedoria de pai irônico, falou assim: “Que que você tá tentando fazer, filhão? Puxa esse armário pesado aqui”. “Papai, meu carrinho caiu lá atrás”. Aí o pai falou: “Força? Eu tô usando força”. “Tá mesmo? Tô. Você já usou toda a força que você tem?” “Já, não, não usei não”. “Você não pediu ainda para eu te ajudar”. “É verdade, ajuda, papai”. Ajudou. Aí, com a força do pai, o armário foi erguido. Você já usou toda a força que você tem para vencer esse problema? Você já pediu a ajuda Dele? Chutzpah! Intrepidez! Entre agora pela fé no santuário celestial, atravesse a cortina, o véu que Cristo abriu, vá aos santos, os santos e Deus ouvirá a sua voz. Tenha certeza disso. Aconteceu na minha vida. Que Deus abençoe você. [Música]

Eu vi um novo céu e uma nova terra, porém não vi o mar, nem este nosso céu, mas eu vi uma cidade que descia lá do alto, e ouvi uma grande voz que enchia toda a terra, e cheia de esperança, a terra então ficou... Os salvos, os redimidos subiam com Jesus. Nem a morte, nem o luto, e nem mesmo a doença, nem o pranto, nem a dor moravam nesse lar de amor. Eis que Jesus surge no céu, vem com seus anjos, vem nos buscar, lá no céu vamos morar. De Deus provém a voz que enchia toda a terra, deixando os corações repletos de tremor. Eu não posso descrever ou meu simples falar o que Cristo me mostrou, mas quero apenas ir e anunciar: Eis que Jesus surge no céu, vem com seus anjos, vem nos buscar, lá no céu vamos morar. Eis que Jesus surge no céu, vem com seus anjos, vem nos buscar, lá no céu vamos [Música] morar. Lá no céu vamos morar, lá no céu vamos morar, morar. Amém. Em breve, muito em breve nós vamos ver esse novo céu e essa nova terra, e que esse cântico que vocês ouviram hoje seja apenas um ensaio, quando todos nós cantarmos com os anjos. Mas eu adianto para você que, com os olhos e os ouvidos da fé, eu posso ver e ouvir que anjos também estão cantando conosco nessa noite. O que aparentou ser um solo, na verdade era um coral, tá bem? Pense nisso: se você hoje caminhar pela tempestade, não tenha medo da escuridão, continue rumo à frente, mantenha o amor no seu coração, e você não andará só; você e Jesus serão sempre a maioria, a maioria esmagadora, porque o céu estará com você. Eu vou orar nesse momento, e eu vou incluir dois pedidos especiais de oração: pelo querido Professor Narciso, que vai fazer um, um exame médico entre hoje e amanhã; e o senhor Francisco, pai do pastor Michelson Borges, amigo nosso, que o pai também está internado numa UTI com estado de saúde delicado. Colocando esses dois pedidos, eu represento simbolicamente todos os pedidos que estão no coração de cada um de vocês, e suplico a Deus para em breve não precisar mais orar por casos como este, porque estaremos, como foi cantado, no Novo Céu e nova terra, onde não haverá morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Amém. Vamos ficar em pé e falarmos com o nosso Deus amado.

Senhor, eu te louvo em nome de Jesus, porque o Senhor me deu o privilégio e a oportunidade de mais uma vez abrir a tua palavra para milhares de pessoas, poder falar com elas das coisas que o Senhor tem me ensinado. Digo, Senhor, sem nenhuma arrogância, mas colocando-me como o teu servo diante do teu altar. Enquanto eu tiver vida, Senhor, usa-me para honra e glória de Ti. Dá-me a unção do teu Santo Espírito, não apenas a mim, mas a todos quantos amam a tua palavra. Nesse momento eu estou orando por pessoas que estão desanimadas, talvez de repente. Eu estou orando por alguém que está ouvindo essa mensagem do leito de um hospital, alguém que está desempregado, alguém que está angustiado, alguém que está querendo sair da igreja. Ai, Senhor, são tantos problemas! Eu coloco o pastor Narciso e o senhor Francisco, pai do pastor Michelson, no teu altar nesse momento. Que ao mesmo tempo que eu peço que o Senhor esteja com eles, Senhor, com os médicos que vão examiná-los, eu não posso deixar, Senhor, de suplicar que traga logo o conforto definitivo às nossas preces; que chegue logo o dia em que não precisaremos mais orar por ninguém que vai se submeter a uma cirurgia, a uma intervenção médica. Traga o dia, Senhor, em que poderemos ouvir os anjos, não apenas pela fé, mas pelos nossos ouvidos glorificados. Mas enquanto esse dia não chega, enquanto estamos aqui nas tendas do deserto, que possamos olhar para o Santuário no nosso meio e saber que tudo isto representa a disposição do próprio Trono de Deus. Afinal, tudo isso é um símbolo daquela realidade prometida por Cristo, que depois do milênio a Nova Jerusalém vai descer aqui nesse mundo, e nela não haverá Santuário, porque o próprio Cordeiro habitará no nosso meio. Traga logo esse dia, Senhor, e dá-nos a tua paz em nome de Jesus. Amém. [Música]