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GUIA COMPLETO: TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER PRA INVESTIR EM ETFs

Finclass - Aprenda a investir do zero13:58

Transcription

Você sabe o que é um ETF? Muita gente já conhece, muita gente já utiliza. Mas eu sei também que existem muitos mitos envolvendo esse instrumento sofisticado. E no vídeo de hoje, eu vou te explicar tudo que você precisa saber para entender o que que é o ETF e quais vantagens ele pode trazer para sua carteira de investimentos. Vem comigo!

ETF é o acrônimo para Exchange Traded Fund, que é o nome chique aqui para explicar um instrumento feito para realizar operações bem simples e eficientes. Trazendo para o bom e velho português, significa Fundo Listado em Bolsa. É isso mesmo! Um ETF, no final das contas, é um Fundo de Investimento. Tem seu CNPJ próprio, tem uma gestora responsável pela gestão ali do patrimônio que está dentro do ETF.

Mas qual que é, então, a grande diferença entre um ETF e um fundo tradicional? Vou mostrar aqui de uma maneira gráfica. Imagine que um Fundo de Investimento seja aqui um balaio cheio de dinheiro, né? Um balaio de investimento coletivo. Então, talvez eu sozinho, ou o Gabriel, que tá aqui comigo atrás da câmera, talvez a gente não tenha ali dinheiro para acessar alguns tipos de operações. Então, a gente coloca dinheiro num balaio e delega para um gestor profissional tomar as decisões por nós, para ganhar dinheiro por nós. Então, tem aqui um balaio cheio de dinheiro, e o gestor usa esse dinheiro para comprar ativos de ações. O gestor vai pegar o dinheiro, vai comprar as ações que ele acredita terem o maior potencial de valorização, correto?

E aí existe um fluxo natural de entrada e saída. Por exemplo, eu e o Gabriel aqui investimos num fundo que já existia. Tem um fluxo novo de dinheiro entrando nesse fundo, que vai se acumular aqui dentro desse patrimônio do fundo, até que o gestor tome a decisão de usar esse caixa, que a gente chama, para comprar os ativos que ele deseja. Da mesma forma, também tem um fluxo de saída, porque todos os meses tem investidores que estão querendo resgatar a parte de seus recursos. Então, na mesma maneira que tem sempre um dinheirinho pingando, tem sempre um dinheirinho saindo. Às vezes é ruim para o gestor ter que ficar vendendo os ativos só porque tem uma quantidade de resgate. Então, ele acaba deixando um caixa residual. Ou, muitas vezes, esse dinheiro que tá entrando nem chega a ser investido, porque ele já vai ser usado para pagar o resgate de outros investidores. Na prática, a gente entende que nem todo patrimônio do fundo tá investido. Quanto mais investido, mais a gente pode ter expectativa de retorno, obviamente. Mas é natural, não é algo tão prejudicial assim ter esse carrego aqui de caixa. É inevitável, pessoal, sempre vai ter gente entrando, sempre vai ter gente saindo.

Agora, qual que é a grande diferença quando já falar dos ETFs? O ETF, ele faz a captação inicial dele através de uma oferta. Pensa que num processo semelhante a uma empresa abrindo capital na bolsa. Vai ter uma rodada de captação, investidores interessados em participar desse projeto, ou manifestar interesse. Vamos colocar um dinheiro inicial. E aí o ETF nasce com uma quantidade de dinheiro. Mas essa tampa é fechada. Não tem fluxo de dinheiro entrando e saindo no patrimônio desse ETF. Tudo bem? O patrimônio do ETF pode aumentar e diminuir ao longo do tempo, isso é uma questão talvez para um outro vídeo. Mas na prática, no dia a dia, a gente tá falando de uma carteira que não vai ter esse resíduo de caixa que eu falei, né? Esse branquinho que eu usei para representar o dinheiro novo que vai entrando e vai eventualmente também saindo.

Retornar aqui só e tirar essa área branca que eu coloquei. Se o gestor não tem que se preocupar com fluxo de saída de dinheiro, ele pode ter uma tranquilidade maior para montar uma estratégia. E é por isso que os ETFs se tornaram excelentes instrumentos para montar estratégias passivas, ou seja, para seguir índices de mercado. Por exemplo, pensa num ETF que vai seguir o índice S&P 500, que é um índice composto pelas 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Poxa, na prática, então, com esse dinheiro disponível aqui, o ETF vai ter que comprar as 500 maiores empresas dos Estados Unidos nas proporções que o índice propõe. Se esse ETF tem um pouquinho de dinheiro residual que vai entrando, saindo ao longo dos meses, isso vai afastando um pouquinho o ETF desse foco que ele tem. Então, quando a gente fecha a torneirinha aqui dessa captação e não tem esse dinheiro entrando, a gente consegue fazer com que um ETF fique de fato investido nos ativos que ele precisa, vai acompanhar ao longo do tempo.

Então, hoje, muita gente acha que ETF é sinônimo de gestão passiva. Um ETF necessariamente serve para seguir algum índice de mercado? Não é 100% verdade, tá? Existem sim ETFs de gestão ativa. Mas justamente por essa questão do fluxo de dinheiro não existir da mesma forma que um fundo tradicional, ele de fato acaba sendo muito utilizado para acompanhar de perto. Então, a gente já começa a entender aqui a resposta de uma pergunta que me fazem muito: vale a pena investir em ETFs? Poxa, se na maioria das vezes, como eu tô contando para vocês, o ETF foi montado para seguir algum índice, o nosso questionamento aqui tem que parar em torno se aquele índice é bom ou não.

Vou dar um exemplo. Pega um ETF que segue o índice de ações indianas. Nesse caso, nesse ETF, vai ser bom será acompanhar de perto, sem muitas distorções, o índice de ações indianas. Agora, se é um bom investimento é a gente colocar um pedaço de ações indianas na nossa carteira é uma outra discussão. A gente vai analisar o ETF pela eficiência dele, se ele tá cumprindo ou não o que ele deveria fazer. A gente pode ter um bom ETF que segue muito de perto o índice de referência, que tem uma taxa baixinha, que tem uma alta liquidez, só que segue um índice muito ruim. Acontece. Então, a gente já começa a sacar aqui. Para colocar ETFs na nossa carteira, a gente tem que fazer algumas camadas de análise. A gente começa analisando o índice, se aquele mercado, aquele índice pode compor bem a sua carteira. Depois, a gente vai analisar o operacional ali do ETF, se ele de fato não tem muita distorção, se ele segue ali de pertinho o índice que ele se propõe a seguir.

Então, de maneira resumida, um ETF é um fundo fechado onde não tem entrada e saída de capital e que, na maioria das vezes, tem o objetivo de seguir algum índice de mercado. Então, se não entra e sai dinheiro, como que as pessoas investem? Trocando cotas na Bolsa de Valores. Então, eu quero comprar uma cota de um ETF, tem que ter algum outro investidor disposto a vender essa cota para mim. E aqui que a gente começa a esbarrar num dos primeiros mitos que eu ouço sobre ETFs. Ele não vai conseguir acompanhar o índice de referência porque ele precisa respeitar a dinâmica de oferta e demanda que existe na Bolsa de Valores. Vou inclusive passar para a gente fazer alguns exemplos gráficos aqui, fica mais claro.

Muita gente questiona o seguinte: você tem uma porta de um ETF, e aí ele precisa acompanhar a valorização de algum índice de mercado. Então, vou desenhar aqui a performance de um índice de mercado. E aí muita gente questiona, e um argumento até lógico, que se houver uma demanda muito grande por parte dos investidores de comprar as cotas desse ETF, deveria haver uma pressão para que a cota desse ETF se valorizar na mesma maneira. Se houvesse uma pressão vendedora, muitos investidores se desfazendo a qualquer custo das suas cotas, deveria ver uma pressão para que o preço desse ETF desmorone, correto? Então, você tá ali, o ETF tá seguindo o que ele se propõe. Chega aqui, tem uma grande pressão vendedora liberada, que a gente observe o preço dessa cota caindo. Mas se o preço da cota sobe ou desce ao sabor da oferta e demanda momentânea do mercado, como que a gente consegue fazer esse danado acompanhar o índice de referência?

Vamos supor que o índice de referência esteja subindo, mas aqui no Brasil os investidores estão apavorados, saem vendendo a cota do ETF. Não pode cair, ela precisa subir porque o índice está se valorizando. Como que a gente garante que isso aconteça? Através dos formadores de mercado, Market Makers, né? Um termo que a gente comumente usa aqui. São empresas contratadas para dar e tirar liquidez do mercado. Então, eles estão ali monitorando. Poxa, o índice tá aqui, o ETF tá acompanhando. Chega nesse momento, começa a ter uma grande pressão vendedora que tende a derrubar a cota do ETF. O que que o formador de mercado vai ter que fazer nesse momento? Ele vai entrar na ponta contrária e vai começar a comprar cotas do ETF, contra-balanceando esse fluxo e garantindo que o preço da cota do ETF fique aderente ao índice que ele precisa seguir. Então, os formadores de mercados são essenciais no dia a dia para garantir que um ETF seja eficiente e cumpra a função dele.

E aí a gente entra num segundo mito. Muita gente já entende que existe ali o formador de mercado, mas ainda olha muito para liquidez daquele ETF. Poxa, esse ETF aqui é muito pouco negociado, então eu não vou comprar. E acaba ali favorecendo os ETFs maiores. Faz sentido. Quanto mais interesse houver por um ETF, mais negociações a gente vai ver na Bolsa de Valores, mais arbitragem de preço vai acontecer. Isso vai exigir menos do trabalho dos formadores de mercado, porque já tem muito volume, muitos investidores comprando e vendendo a todo momento, de certa forma corrigindo esse preço ali em tempo real. Mas não necessariamente um ETF menos líquido vai ser um mau investimento, porque se esses formadores de mercado, eles garantem uma certa estabilidade de preço, obviamente, se o formador de mercado for meio ruim, não for eficiente, e o ativo tiver realmente muito pouca liquidez, a gente pode ver alguns momentos de distorção.

Então, aqui, vou fazer até com outra linha, pegar linha vermelha para representar o ETF. Ele tá aqui acompanhando o índice. Aí tem um momento que tem uma pressão compradora, ele sobe, ele se normaliza, aí descola um pouco para baixo, retorna. Mas ele deve ter um comportamento ao longo do tempo parecido, de fato, com o índice que ele tá seguindo. A gente quer procurar, obviamente, os ETFs mais eficientes, que a gente não quer tomar esses sustinhos no meio do caminho. Mas até vou deixar então uma dica de ouro aqui para você, que costuma funcionar na maior parte dos ETFs aqui do mercado brasileiro. É uma dica que eu coletei aqui com gestores de ETFs no mercado e juntando um pouco da minha experiência ali comprando e vendendo esses ativos. E a dica de ouro é: compre o seu ETF no final do pregão.

Por exemplo, no momento que eu gravo esse vídeo, as negociações da bolsa brasileira, elas estão encerrando às cinco da tarde. Então, ali uns 20, 15 minutinhos antes desse fechamento de mercado, vai lá e coloca a sua ordem. Porque isso? Porque no final do pregão é o momento onde a gestora do ETF e o formador de mercado conversam e equalizam ali seus balanços. Porque esse formador de mercado, ele também pode solicitar a criação de novas cotas. Ele pode comprar uma cesta de ativos e transformar isso em cota. Então, ele conversa ali com o gestor, eles equalizam esse balanço, e aí a fotografia do preço dessa cota acaba ficando mais ajustada ao preço do índice. Então, a gente comprar esse ETF no final do pregão nos traz uma maior chance de comprar o ETF num preço correto.

Outra boa prática que você pode utilizar. Quando você abrir o seu home broker, você vai ver ali o preço mais baixo que tem algum investidor disposto a pagar por uma cota desse ETF no mercado, e o preço mais alto que um vendedor está disposto a vender a cota naquele ETF, que é o livro de compra e venda, o famoso Bid and Ask Spread, que é a diferença entre o cara que vende mais caro e o outro que compra mais barato. Se houver uma grande distorção entre compra e venda, você pode ali tentar colocar valores intermediários, né? Você vê que no mercado tem alguém disposto a comprar a cota a 100, mas o vendedor tá querendo vender a 95. Pô, você vai tentando comprar a 97, a 98, você vai tentando ali equalizar. Muito provavelmente, se você comprar no final do pregão, aproveitando a dica de ouro que eu trouxe, talvez não tenha que se preocupar tanto com isso, tá bom?

Mas quando que é bom eu usar gestão passiva na minha carteira, né? E utilizar, eventualmente, esses ETFs para compor a minha carteira? Aí, como eu sinalizei no começo do vídeo, tudo depende do índice de mercado que a gente quer seguir. E essa análise muda de mercado para mercado. Por exemplo, se a gente estiver falando de ações brasileiras, a gente tem como representante do nosso mercado o Ibovespa. E eu não acho que o Ibovespa é um bom índice. Inclusive, o Ibovespa, ao longo do tempo, ele não se provou um bom investimento para os brasileiros, para quem carrega no longo prazo, né? Ele tem momentos de forte alta, fortes quedas, mas no acumulado de longo prazo, ele tem muita dificuldade de bater o CDI, até de vencer a inflação em alguns momentos.

Isso já não acontece, por exemplo, quando a gente vai falar da bolsa norte-americana. Lá, o índice que representa o mercado, que é pequeno, ele é extremamente eficiente. Ao longo do tempo, ele foi capaz de bater de longe a inflação norte-americana. E mais, é um mercado tão competitivo lá fora que a maioria das pessoas que tentam selecionar suas próprias ações acabam tendo uma performance menor do que a do índice ao longo do tempo. Ou seja, para investir em bolsa brasileira, eu acho que tem um apelo grande para a gente fazer gestão ativa, comprar nossas próprias ações, né, preferencialmente sendo guiados por um profissional, ou investir num bom Fundo de Investimento em Ações para que o gestor nos entregue ali um resultado acima do índice. Agora, quando a gente vai falar de bolsa internacional, bolsa norte-americana, talvez o melhor caminho seja apenas acompanhar a média de mercado, porque a própria média de mercado, o índice, é sempre oferece excelentes retornos e quase ninguém consegue entregar um retorno maior em consistência no longo prazo.

Então, caso a caso, a gente vai analisar. Para classes muito eficientes, onde há dificuldade da gente conseguir gerar retorno superior, o geral, o famoso alfa, o ETF é uma solução barata e eficiente para completar sua carteira. Mas aí, pessoal, ficou claro para você o que que é um ETF? Ficou interessado? Quer saber um pouco mais? Segue a gente!