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COMO O CLEARANCE RENAL DA INULINA E DA CREATININA PODE SER USADO PARA MEDIR A TFG? | MK Fisiologia

MK Fisiologia12:28

Transcription

E aí, pessoal, tudo bem com vocês? Nesse vídeo, a gente vai explicar como a depuração ou depuração renal de uma substância pode ser usada para medir a taxa de filtração glomerular ou TFG.

Bom, para você que está chegando agora, eu sou Miram Caut, professora, mestre, doutora e criadora do canal MK Fisiologia, um canal que tem como principal objetivo descomplicar a fisiologia humana. Porque, como eu sempre digo, fisiologia não precisa ser difícil. Então, se você está precisando entender de verdade a fisiologia, já se inscreve no canal e ative as notificações para você não perder os próximos vídeos que a gente postar por aqui.

Mas agora, para entender como a depuração renal de uma substância pode ser usada para medir a TFG, no vídeo anterior a gente viu que, para uma substância que é livremente filtrada, mas que não é nem reabsorvida e nem secretada, a depuração renal equivale à TFG. Assim, apenas a depuração renal de substâncias com essas características é que pode ser utilizada como uma forma de medir a TFG. E uma substância que tem essas características é a inulina. Preste atenção: inulina e não insulina! Insulina é um hormônio produzido e secretado pelo pâncreas endócrino. Já a inulina é um polissacarídeo, ou seja, um polímero de sacarídeos ou de carboidratos, no caso, um polímero de frutose de origem vegetal. Portanto, o nosso organismo não produz a inulina. Então, para medir a depuração renal da inulina e assim medir a TFG, é preciso administrar inulina na veia, ou seja, é preciso fazer uma infusão intravenosa para atingir uma concentração plasmática estável de inulina.

E aí, como a inulina é filtrada livremente nos glomérulos e não é nem reabsorvida e nem secretada nos túbulos dos néfrons, a sua depuração equivale à TFG. Por exemplo, imagine que a inulina foi infundida via intravenosa em um indivíduo e a sua concentração plasmática se tornou estável em quatro inulinas para cada 125 ml de plasma. E imagine também que a cada minuto 125 ml de plasma é filtrado nos glomérulos, ou seja, a TFG é igual a 125 ml por minuto. Como a inulina é filtrada livremente nos glomérulos, junto com esses 125 ml de plasma, também são filtradas as quatro inulinas contidas nesse volume. Conforme o que foi filtrado vai passando pelos túbulos dos néfrons, praticamente todo o volume filtrado é reabsorvido, ou seja, volta para a circulação sanguínea, enquanto as moléculas de inulina filtradas permanecem nos túbulos para serem excretadas na urina. Portanto, é como se, dentro de um minuto, 125 ml de plasma ficassem totalmente livres de inulina depois de passar pelos rins, ou seja, a depuração renal da inulina é praticamente 125 ml por minuto, o que equivale à TFG.

Então, pegando a equação, a fórmula da depuração renal que a gente explicou no vídeo anterior: se você souber a concentração na urina e a concentração plasmática da inulina e o fluxo urinário, você consegue calcular a depuração renal da inulina e, assim, a TFG.

Tá, professora, mas para que é importante eu saber a TFG? Calcular a TFG é um jeito de saber como está a função dos rins. Qualquer diminuição dessa taxa de filtração glomerular pode indicar uma doença renal. Além disso, se a gente conhecer a TFG calculada a partir da depuração da inulina e comparar com a depuração renal de qualquer outra substância, é possível saber se essa outra substância sofre reabsorção ou secreção efetiva nos túbulos dos néfrons.

Por exemplo, a ureia é uma molécula pequena, hidrofílica, sendo, portanto, filtrada livremente. Porém, ao contrário da inulina, parte da ureia filtrada nos glomérulos pode ser reabsorvida nos túbulos dos néfrons. Portanto, nesse exemplo, como apenas metade da ureia voltou para a circulação junto com praticamente todo o volume de plasma filtrado, apenas metade do plasma filtrado por minuto ficou livre da ureia, ou seja, a depuração renal da ureia é igual à metade de 125, é igual a 62,5 ml por minuto.

Ou seja, quando a depuração renal de uma substância é menor que a depuração renal da inulina, ou seja, quando é menor que a TFG, podemos dizer que a substância sofre reabsorção efetiva nos túbulos dos néfrons.

Por outro lado, quando a depuração renal de uma substância é maior que a TFG, podemos dizer que ela sofre secreção efetiva nos túbulos dos néfrons. Como assim? Por exemplo, a penicilina, o primeiro antibiótico descoberto, é uma molécula pequena, hidrofílica, sendo, portanto, livremente filtrada nos glomérulos. Porém, ela não pode ser reabsorvida, mas ela pode ser secretada nos túbulos dos néfrons. Portanto, além dos 125 ml de plasma filtrados que voltaram totalmente livres da penicilina, mais 62,5 ml de plasma também ficam livres da penicilina por causa da secreção de mais duas penicilinas ao longo dos túbulos dos néfrons. Então, 125 mais 62,5, a gente tem 187,5 ml de plasma que ficam totalmente livres de penicilina depois de passar pelos rins, ou seja, a depuração renal da penicilina é igual a 187,5 ml por minuto, o que é maior que a TFG, indicando assim uma secreção efetiva da penicilina nos túbulos dos néfrons.

Portanto, a partir da TFG obtida por meio da depuração renal da inulina, é possível conhecer o manejo renal de uma substância, ou seja, se ela é reabsorvida ou se ela é secretada. Isso pode ser muito importante para estabelecer a dose de administração dos fármacos, por exemplo, pois se um fármaco é reabsorvido, ele pode manter uma concentração mais elevada na circulação por mais tempo, ou seja, o tempo de meia-vida pode ser maior, aumentando a sua biodisponibilidade. Mas se ele é secretado, a concentração na circulação pode diminuir rapidamente, ou seja, o seu tempo de meia-vida pode ser menor, diminuindo a sua biodisponibilidade.

Bom, então, resumindo tudo que a gente viu até aqui, lembre-se que a TFG pode ser obtida por meio do cálculo da depuração renal de uma substância com uma concentração plasmática constante e que é livremente filtrada, mas que não sofra nem reabsorção e nem secreção nos túbulos dos néfrons, como, por exemplo, a inulina. Portanto, a depuração renal da inulina pode ser usada para obter a TFG que, como vimos, é um importante marcador da função renal. E, além disso, pode ser utilizado para saber se uma substância, como, por exemplo, um fármaco, sofre reabsorção ou secreção nos túbulos dos néfrons.

Agora, antes de finalizar esse vídeo, preste bastante atenção: embora o cálculo da depuração renal da inulina seja a maneira mais precisa de medir a TFG, ela não é muito utilizada na clínica porque dá muito trabalho. Tem que ficar infundindo a inulina na veia para atingir uma concentração constante. E, além disso, o método de dosagem da inulina não é muito simples. Então, para substituir a inulina, a gente precisa de uma substância que não precisa ser infundida, ou seja, uma substância que o nosso próprio organismo produza e que a sua concentração plasmática se mantenha estável ao longo do tempo. Além disso, essa substância ainda precisa ser filtrada livremente nos glomérulos e não pode ser nem reabsorvida e nem secretada nos túbulos dos néfrons. E a pergunta que fica é: existe uma substância? Sim, infelizmente não existe uma substância com todas essas características perfeitas, mas existe uma substância com quase todas essas características, e essa substância é a creatinina.

A creatinina é o produto final do metabolismo da creatina e ela é liberada em uma taxa relativamente constante na circulação sanguínea pelos músculos esqueléticos e é removida dessa circulação em uma taxa relativamente constante pelos rins. Por isso, a sua concentração plasmática é relativamente constante ao longo do tempo.

Como a creatinina é uma molécula pequena, hidrofílica, ela passa livremente pelas barreiras de filtração que a gente falou em um vídeo anterior, ou seja, ela é livremente filtrada nos glomérulos. Além disso, ela não é reabsorvida. Porém, uma pequena quantidade de creatinina é secretada e, por isso, a sua depuração renal pode ser um pouco maior que a TFG, cerca de 10 a 20%, um erro relativamente pequeno que pode ser aceito para medir a TFG na maioria dos indivíduos. Além disso, você pode encontrar em alguns livros que os métodos de dosagem da creatinina acabam subestimando a depuração renal da creatinina em 10 a 20% também, o que acaba compensando a pequena secreção da creatinina que acontece nos túbulos dos néfrons.

Bom, mas então, como faz para medir a depuração renal da creatinina? Para medir a depuração renal da creatinina, basta saber a concentração da creatinina na urina e no sangue através de exames de urina e de sangue e saber o fluxo urinário, ou seja, saber a quantidade de urina produzida dentro de um minuto, o que dá para saber coletando toda a urina produzida dentro de 24 horas para depois fazer uma média de urina produzida por minuto. Mas só de pensar em ter que ficar 24 horas coletando todo o xixi, já dá para imaginar que não é uma coisa tão simples assim, né?

Então, para ser mais simples ainda, é possível estimar a TFG fazendo apenas um exame de sangue para dosar a concentração de creatinina no plasma, usando o seguinte raciocínio: se a depuração renal da creatinina é igual à TFG, a TFG é inversamente proporcional à concentração plasmática da creatinina, ou seja, se a concentração plasmática dessa substância aumentar, a TFG diminui. Nesse caso, a gente consegue uma TFG estimada ou eTFG, que pode ser muito útil para detectar alterações no funcionamento dos rins.

Porém, como a TFG pode variar conforme o sexo, a idade, o peso, a altura e até mesmo a raça das pessoas, é comum utilizar algumas equações ou fórmulas que levam em consideração algumas dessas variáveis para calcular de forma mais precisa a depuração renal da creatinina e a TFG em pessoas diferentes. Mas sobre essas fórmulas, a gente pode falar em outro vídeo.

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Bom, a gente vai ficando por aqui. Qualquer dúvida, pode deixar aí nos comentários que a gente tenta responder. Beleza? A gente se vê num próximo vídeo. Abraço!