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O que é Projeto Político Pedagógico?

Prof. Justino16:21

Transcription

Saudações a todos e a todas. Espero que vocês estejam muito bem. Porque eu estou. Eu sou o Professor Justino. E hoje nós vamos tratar de um assunto que eu não sei qual é. Afinal de contas, não sou eu que decido. Quem decide o que nós vamos tratar é esse camarada aqui, ó.

Saudações, grande Justininha. Rapaz, tá batendo máquina já? Ouviu essa expressão? É o pessoal não sabe falar digitar, né? Na minha época era bater máquina, fazer datilografia. Justin, que que você tá fazendo? Hã? Estou escrevendo um projeto político pedagógico. Aí sim! Então, quer dizer, Justininha, que este é o tema que você trouxe para nós discutirmos no dia de hoje? Então, vamos embora. Se você tá escrevendo, eu vou te ajudar a discutir um pouquinho sobre o que é o PPP.

Logo de cara, eu já vou te falar o seguinte: nós, professores, escola, nós precisamos nos organizar. Dá uma assistida no meu vídeo sobre OTP, Organização do Trabalho Pedagógico. Existem uma série de documentos que organizam o nosso fazer pedagógico. O PPP, o Projeto Político Pedagógico, é um desses instrumentos que o organizam dentro da nossa escola, onde a gente dá aula. O PPP é o maior instrumento que nos regulamenta.

Eu costumo dizer aos meus estudantes que o PPP seria a filosofia da escola. Sabe aquele documento que nos dá o norte? Que diz assim: "Ah, eu não sei como será que eu vou avaliar os meus estudantes"? Tem que estar no PPP. "Ah, para que que será que serve a minha escola?" Tem que estar no PPP. Então, o Projeto Político Pedagógico é um instrumento dentro da organização do trabalho pedagógico que norteia de forma geral as nossas ações pedagógicas e os demais instrumentos construídos dentro da escola, como o plano de trabalho docente, como o Regimento escolar. Todos eles têm que estar, tem que estar de acordo com o PPP, que também deve responder às normativas mais gerais, como, por exemplo, BNCC, os currículos, ou melhor, né, o as normativas estatais, municipais, dependendo da rede que você estiver, federais.

Porque que que eu falei? Vamos corrigir melhor com a questão de currículo, porque no PPP não vai entrar esse aspecto. É claro que você pode tratar sobre o aspecto filosófico do currículo do ensino, mas não é no PPP que vai estar lá, por exemplo, as disciplinas, cargas horárias. Não é. Viu? O Projeto Político Pedagógico é um documento amplo, entendeu? Mais ou menos o que é isso? Afinal de contas, Justininha, para começar a escrever, a primeira coisa, você tem que saber o que que é esse Projeto Político Pedagógico, certo? Por isso que eu gosto desta figurinha da Alice no País das Maravilhas.

"Justin, quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve." Adivinha qual instrumento dentro da escola? Claro, em termos nacionais, é a LDB. Mas dentro da nossa escola, qual é o documento que vai nos dar um caminho para que nós possamos seguir? É justamente o Projeto Político Pedagógico. Obrigado, Alice. "Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve."

Cheguei em uma instituição, comecei a ministrar aulas. Eu vou chegar na diretora e vou dizer: "Bom dia, diretora." "Bom dia, diretor. Me dá o PPP." Porque o PPP vai dizer a você, docente, a você, estudante, a você, pai, mãe, é responsável, quais são os princípios filosóficos, éticos que vão guiar a instituição que você está entrando. Olha só que bacana.

E aí, eu já vou dar uma puxadinha de orelha no Justininha. Olha aqui, ó. Viu que o Justininha tá escrevendo PPP sozinho? Tá errado, Justininha. PPP jamais se escreve sozinho ou sozinha. PPP é um documento coletivo. E tem uma outra marca importante: PPP que foi feito e nunca foi mudado está condenado ao fracasso. Porque ele é um um documento em movimento. Olha a palavra bonita, hein? Dialético. E dialógico, hein? Ó, lembrei do Paulo Freire. Quer dizer que esse documento precisa conversar com a comunidade escolar. Que seriam docentes, eh, gestores, estudantes, pais, comunidade, vizinho. Gente, uma instituição escolar, quando é instalada numa região, ela impacta toda a sociedade. Escolas que levantam muros, a comunidade tem problemas. As instituições escolares precisam se relacionar. E o PPP tem que dizer inclusive como essa instituição pretende e também como ela se relaciona com essa comunidade.

Ué, se eu sentar sozinho para você, Justininha? Ah, tem que cumprir o prazo. Para Justininha falando aqui no meu ouvido. Eu sei que a gente tem prazo, Justinho. Mas sem discussão, o PPP não vai pra frente. Então, já aprendemos alguma coisinha. O que que é o PPP? Onde ele se orienta? A característica que ele tá dentro dessa organização do trabalho pedagógico. E mais um para você anotar aí. Anota aí. Nas suas, nas suas anotações. É, eu vou anotar onde? Na minha anotação, né? Ô, Justinho, difícil, hein? Então, Justininha, anota aí, hein? Anota aí.

Quando nós vamos elaborar ou reelaborar o PPP, ele é, é sempre coletivo. Nunca uma ação individual. Não é, Alice? Justininha, e olha só aqui, eu trouxe uma ideia muito interessante para nós. Isso, esse, esse negocinho aqui, ó, sei lá, essa organização aí, está, eh, em um livro que eu participei. Na verdade, um manual que eu participei, que você pode encontrar na internet. Vou deixar o link aqui para você sobre Organização do Trabalho Pedagógico na época do Pacto Nacional do Ensino Médio. Tá? Eu fui um dos autores. E nós falamos: Organização do Trabalho Pedagógico, PPP, Projeto Político Pedagógico. E lá nós dissemos o seguinte: o Projeto Político Pedagógico tem que girar nesses três marcos. Olha aqui, de novo, anota aí, hein? Tem que estar nesses três marcos.

Marcos situacional. O que que é isso? Você vai olhar, discutir, pensar a sua instituição e registrar. Lembra? Não pode ser sozinho, Justin. Vai escrevendo aí, vai batendo aí na sua máquina. Então, nós temos, temos que registrar, observar, pesquisar, conhecer. Olha o Paulo Freire de novo, hein? Conhecer os meus estudantes, conhecer a dinâmica regional. Pera aí, como que os meus estudantes chegam até a minha escola? Eles vão de transporte coletivo? Eles vão de bicicleta? Eles vão a pé? Eles moram na zona rural? E os meus docentes? Como que eles chegam? Quem são eles? Onde vivem? Onde comem? Então, quem são os pais dos meus estudantes? Eles participam ou não participam? Eu tenho quadra? Será que a minha comunidade usa e a infraestrutura esportiva da minha escola, se ela tiver? Será que os laboratórios de informática, internet, se eu tiver, estão disponíveis? Qual é a minha instituição? Eu tenho muita evasão? Eu tenho muita distorção idade-série? E aí, como é que tá essa minha escola? Eu tenho muita, eh, questão de violência escolar? Eu preciso conhecer. Preciso conhecer. Isso vai estar no meu marco situacional e tem que estar registrado no meu PPP, hein? Olha aí, historiadores, companheiros, tem que estar a história da nossa escola, hein? Sem história, eu não sei de onde vim. Se eu não sei de onde vim, eu não sei para onde vou. Tô poético, né? Bonito isso, hein, Justininha?

Com esse marco situacional, eu não faço só um diagnóstico. Aí o PPP começa a avançar. Ó, eu vou para o marco conceitual. Eu preciso estudar. Senão, é opinião. Opinião é no boteco, não é num documento escolar. Aí eu vou para um marco conceitual. Gente, tem nada melhor do que fazer também em teoria. No boteco, mas vamos lá. O marco conceitual são as pessoas que estudaram sobre os temas. Eu, eu encontrei lá no meu marco situacional a questão da violência. Vamos aos atores que discutem. Eu tenho um alto índice de evasão. Vamos aos autores que discutem evasão escolar. Ah, eu tenho uma formação docente que encontramos insuficiente. Quais são os autores que me falam sobre formação continuada? Então, olha que bacana, hein? O marco situacional é o que eu encontrei. O marco conceitual seria o meu horizonte, a minha utopia, aquilo que eu quero. O que a dinâmica conceitual teórica vai me dizer.

E o marco operacional é o que que eu vou fazer? Não adianta só eu encontrar situacional, nem só discutir o conceitual, mas eu também quero saber o que que eu vou fazer. Quais são as minhas estratégias? Quais são as minhas implementações? Quais são as orientações? Tudo isso feito só pelo Justini, igual ele estava fazendo? Não, né, Justinho? Vamos chamar mais gente para discutir esse negócio. Ah, então eu encontrei o marco situacional, marco conceitual e o marco operacional. Fiz meu PPP? Não. Esses três precisam dialogar constantemente, se fazendo e se refazendo. Olha o princípio da dialética, da dialogicidade. Nó, palavra bonita. Pena que não existe. Mas olha, existe sim. Então, nós precisamos fazer esses documentos dialogar, porque um vai alimentar o outro e se transformar. Lembra? Tá nas suas anotações. Vai lá, hein? PPP é estático? Nunca é dinâmico. Precisa ser constantemente revisitado, dialogado.

Já pensou aí na sua instituição? Você pegar aquele negócio do PPP encadernado? Por que que a gente não faz um movimento com os estudantes para divulgar o nosso PPP usando as redes sociais? Vamos criar vídeos? Vamos criar e projetos "instagramáveis"? Para facilitar. Outra dica, anota aí no rodapé. Linguagem de PPP, gente. Vamos tentar fazer uma linguagem mais acessível, menos academicista. Aquele negócio que ninguém entende nada do que tá falando. Gente, tem uns títulos de umas teses que eu leio aí, né, que eu vou avaliar. Seban, que eu leio, termino, falo: "Meu Deus, eu não entendi nem o título." O PPP é para a comunidade. Será que nós não podemos fazê-lo escritinho, bonitinho, o documento? E depois criarmos dinâmicas para alizar, para divulgar, que falem a língua da meninada, que falem a língua dos pais, da comunidade. Olha a ideia, hein? Tá anotado.

Seguindo alguns pontos importantes. Nossa, hoje eu tô animado, hein? Vamos lá. Então, o nosso PPP vai falar: registrar realidade escolar. Voltamos sempre aqui, hein? Marco situacional. Planejamento estratégico. Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Planejamento estratégico para onde nós? Olha o plural. Nós queremos ir. Qualidade de ensino. Ah, qualidade de ensino tem que tirar 10, ser aprovado, tirar, não passar todo mundo no ENEM, tirar 1000 na redação. Bom, isso também é bom, eu gosto. Não tirei, mas eu gosto. Mas a qualidade no ensino precisa ser pensada sobre outros marcos, como, por exemplo, a questão da qualidade social. O PPP, como um instrumento filosófico que guia a instituição, precisa se preocupar com a qualidade social.

E o que que é falar em qualidade social? Por exemplo, adianta eu ensinar pro meu estudante tudo? Vou falar da minha disciplina. Decora aí para mim: quem descobriu o Brasil? Quem foi? Eu vi hoje, inclusive, quando eu tava, eh, vendo uns Reels no Instagram. Quem foi o primeiro governador-geral do Brasil? Quais, para mim, quatro nações, eh, de povos originários do Brasil? Aí o cara vai lá e fala isso tudo, mas ele sequer consegue pensar, discutir e avançar. Ou mais, essa semana vou dar exemplo na minha disciplina. Eu fui falar sobre a América Espanhola, descobri que meus estudantes não sabiam onde era a América. Se eu abrisse o mapa, adianta? Então, eu avançar? Não adianta.

Então, vamos pensar numa qualidade dessa educação que também precisa avançar para outros aspectos. Será que o meu estudante entende sobre direitos humanos? Será que o meu estudante entende sobre violência doméstica? Entende sobre abusos psicológicos? Eu preciso pensar em uma educação que seja socialmente referenciada. O PPP tem que discutir isso. Ah, eu só quero estudantes que tiram 10. Eu posso tirar 10 e ser um péssimo ser humano? Então, contrato também é verdadeiro. Mas isso é se referenciar socialmente. Ah, então eu esqueço os conteúdos? Não. Nós vamos trabalhar os conteúdos. Nós somos uma instituição educacional. Mas vamos também avançar para outros aspectos.

A criação, gente. Nossos estudantes precisam criar. A criação transforma o jeito. Brincar, sabe? O tal americanizado, cultura Maker. Mas o que que é a cultura Maker? É essa relação, é a interação, é a construção. Todo ser humano poderia ter direito, uma vez na vida, a criar algo novo. Bonito, hein? Se anotou isso aí também? Hoje eu tô muito filosófico, gente. Então, isso é falar sobre uma qualidade social. Coerência pedagógica. Precisamos ter no nosso PPP os nossos marcos pedagógicos. O que que nos guia? Avaliação institucional. O que que, que nós, como instituição, pensamos sobre nós? Será que a gente consegue elaborar um instrumento de avaliação? Uma reunião? Uma avaliação em assembleia? Bacana, hein? Tem que estar no PPP. Resposta às demandas sociais. Ah, não, aqui eu gosto de formar só cientista. E a minha sociedade, o lugar onde eu estou, não pede isso. Eu preciso ouvir a minha sociedade para respondê-la. Não unicamente, mas a ela também.

E tem um professor meu que disse uma vez assim: "Ai, então quer dizer que o Paulo Freire se reduz ao..." Ah, horrível, né? Então, ele chega ao nível do estudante? Não. Ele parte dali. Então, nós precisamos partir do que a sociedade espera de uma instituição. Vou dar um exemplo prático. Eu tenho uma instituição que forma técnicos em informática, mas toda a sociedade quer técnicos em agropecuária. Adianta o que eu quero? Não. Eu preciso responder ao local onde eu estou. Gestão democrática. Difícil, gente, dificílimo. Às vezes, a gente vem no í, fala: "Não." Aí você tem que parar. A gestão democrática não se constrói só com documento. Tem um curso, hein, de gestão democrática. Assiste aí no meu canal. Vou deixar o link para você também. A gestão democrática, a construção da democracia, ela é diária, ela é cotidiana. A gente vacila, a gente volta atrás, a gente avança, a gente pensa. Eu aprendo todos os dias. Escorrego, mas é algo que eu busco. Assim como a formação continuada, que tem que estar no nosso PPP para construirmos e valorizarmos a formação docente decente e de todo o quadro de pessoas que trabalham dentro de uma instituição educacional.

Compreendeu, Justininha, o que que é um PPP? São algumas ideias, alguns pontos interessantes. Não se esqueçam daquele quadrozinho que nós colocamos para vocês, em que nós precisamos pensar sobre o que temos, os marcos que é para os marcos teóricos, que é para onde nós vamos, e as ações, que é como, eh, seriam as estratégias para diminuir as distâncias entre o marco situacional e o marco conceitual. O marco operacional tende a diminuir a distância entre esses dois.

Justinho, espero que eu tenha te ajudado. É sempre um prazer quando você traz o tema. É mais fácil. Saudações a todos e a todas. Você já sabe, a gente se vê. Hoje eu tô filosófico, hein?