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SÃO TOMÁS DE AQUINO PROVOU A EXISTÊNCIA DE DEUS? REFUTANDO SUAS CINCO VIAS | DAVID RIBEIRO

Prof. Daniel Gontijo3:15:35

Transcription

Pois é, pessoal, será que Deus existe? E existindo, já temos bons argumentos para poder demonstrar, corroborar esse ponto. São Tomás de Aquino desenvolveu suas cinco vias para a existência de Deus. Muitos cristãos apresentam esses argumentos aí numa tentativa de demonstrar que o ponto de vista deles é racional, é bem fundamentado. E estamos hoje aqui com o David Ribeiro para conhecer essas cinco vias e os problemas do ponto de vista filosófico. O que que os filósofos da religião têm discutido no que se refere a essas cinco vias de Tomás de Aquino? Existe força nesses argumentos? Eles são frágeis demais? Enfim, que história é essa aí? Quais são as repercussões das cinco vias? Como a comunidade acadêmica tem discutido esses argumentos hoje em dia? Então, esse que vai ser o papo de hoje.

Antes de o David se apresentar, eu queria só agradecer a todos que estão chegando aí aos pouquinhos. Ariel, Taana já estão na moderação. Obrigado demais. Valeu, Vinícius Dumon, Ricardo Carramilo e Xaulin, que são membros do canal e já tão por aí também. Deixa o like, se inscreva por aí se você gosta desse tema de filosofia da religião e outras reflexões sobre religião, pseudociências. Tô por aqui para fazer esse trabalho de divulgação científica e trazer especialistas pra gente conversar sobre essas coisas tão legais. Meu nome é Daniel Gontigo, sou professor de psicologia, doutor em neurociências e fundador do Instituto Ponto Azul. Aqui embaixo você encontra um link do IPACEF, nossa formação em ciência e filosofia do Instituto Ponto Azul, para você dar uma olhada nos cursos e clubes do livro sobre Ciência, filosofia e religião.

David, obrigado, cara, por estar por aqui. Depois de tanto tempo, hein? Você passou aqui no canal, talvez umas duas ou três vezes e é sempre bom te receber aqui para conversar sobre filosofia da religião e hoje, especificamente, sobre as cinco vias de Aquino. Então, seja bem-vindo e se apresente aí ao pessoal, cara.

Bom, agradeço aí o Gontijo, agradeço aí o pessoal que tá aqui acompanhando, nos acompanhando na live. Eh, bom, meu nome é David Ribeiro, eu tenho um canal focado em filosofia da religião, naturalismo e ativismo ateísta, e eu faço divulgação de conteúdos filosóficos acadêmicos, né, acerca desse assunto, né, principalmente alinhados com o que é denominado de filosofia analítica contemporânea, né? Eh, então, eh, apesar de eu não ser um acadêmico, né, eu não tenho nenhuma formação na área nem nada do gênero, eu sou uma pessoa entusiasta da área e sou uma pessoa que busca, né, estudar mais esses assuntos. Trago traduções, né, desses artigos, desses filósofos acadêmicos, h, eh, no nosso site da Pensar Naturalista, né, que eu vou divulgar mais detalhadamente depois. Eh, e eu resolvi vir aqui, né, enfim, aí pedido aí do nosso amigo Contijo, né, do meu amigo Gontio, para abordar esse assunto aí tão gera tanta polêmica, né, gera tanto, enfim, engajamento entre ateus e teístas, né, aqui no no YouTube, né, principalmente a galera aí mais católica que tem esse argumento, né, esse esse conjunto de argumentos aí em favor da razoabilidade da crença na existência de Deus, né, em favor da demonstração, né, de uma demonstração apodítica, supostamente, né, irrefutável, innegável da existência de Deus, né? H, mas é isso, né? Estou aqui para fazer esse papel aí de expor as vias, né, do da melhor da melhor forma possível, né, eh, que eu conseguir e expor algumas objeções ali, eh, de forma um pouco mais simplificada, tentando simplificar algumas coisas, mas ainda assim tentando manter o nível de tecnicidade demandada pelos argumentos. São argumentos que eles aparentemente, né, eh, eles podem parecer bobos, né, eh, podem parecer muito bobinhos, mas não são tão bobos assim, embora tenha pressupostos, inúmeros pressupostos implícitos nas premissas que, é claro, ateus e agnósticos estão, a meu ver, eh, em seu direito epistêmico, né, o seu direito ali de rejeitar esses pressupostos, enfim, esses pontos que são necessários para que o argumento funcione, né, para que o argumento ele saia do chão, ele seja o que os filósofos denominam, né, o que o OP, o GR op, que é um filósofo ateísta, denomina. né, dialeticamente eficaz, né, para convencer os ateus e os agnósticos, né, mas enfim, é isso.

Boa, meu caro. E aqui embaixo vocês vão encontrar o link do canal do David Ribeiro. Quem gosta de filosofia da religião, quem gosta desses debates mais acadêmicos, filosóficos, acompanha o trabalho do rapaz aqui, que embora ele não tenha formação superior no tema da filosofia, é uma pessoa muito importante no cenário desses debates intelectuais. É um cara muito estudado, me socorre de vez em quando, né, David? De vez em quando eu te peço ajuda ali com alguns argumentos, com algumas referências, o cara inclusive, inclusive eu eu inclusive até até comentei, né, a gente fez um react lá da sua discussão junto com o Chileno e o os dois rapazes lá calvinistas, o Guilherme e o Israel, né? E eu até falei que eu eu equipei o Gontio aí com a armadura intelectual, dei uma equipada nele de com algumas coisas aí para ele ir lá. Isso aí, de vez em quando eu aprendo aí uns argumentos novos com você e e muito bom, cara, poder contar com o seu repertório aí, com essas trocas. Você faz algumas críticas construtivas também. Eu acho que isso é é muito legal, muito útil. David, vamos começar então, bicho. Que história é essa de cinco vias? Onde falou sobre isso? Por Vamos começar aí dando uma introduzida nesse tema então ou você quer ir direto pros argumentos?

A gente pode dar uma um comentário breve sobre, no caso, ali a, enfim, a estrutura geral, acho os de algumas noções mínimas e de alguns intentos ali que geralmente os apologistas, né, os atomistas têm com relação a essas vias, né? Então, a primeira coisa que a gente tem que esclarecer é que a as cinco vias fazem parte de um empreendimento no âmbito da filosofia, né, principalmente filosofia da religião, chamada de teologia natural. Que que é a teologia natural? Teologia natural é justamente uma subárea da filosofia da religião que lida justamente com a articulação de argumentos em favor da existência de Deus, né? Então, ah, o Aquino ele é um teólogo natural por excelência. Eh, o que que os teólogos naturais eles visam fazer, né? Eles visam tentar ilustrar, justificar e justificações racionais ou pelo menos tentar evidenciar a existência de Deus, por exemplo, através da razão natural, né? Então, eles querem articular uma série de raciocínios, né? é o intento deles articular uma série de raciocínios ali que sejam, em princípio, aceitáveis, né, para todas as pessoas que não compartilham de uma fé religiosa particular, né, de um credulo religioso particular, de uma teologia revelada ou teologia confessional particular, né? Ah, então eles querem justamente trazer esse tipo de coisa para que seja efetivo contra ali as pessoas descrentes, né? Pessoas descrentes, não só os ateus e os agnósticos, mas também pessoas de outras religiões, né, de certo modo. E eles tentam justificar ali, né, eh, as concepções deles de deuses, né, de deuses principalmente, né, do deus teísta tradicional que é denominado. Então, a as cinco vias elas fazem parte desse grande empreendimento intelectual de tentar articular, né, demonstrações ali que sejam aceitáveis, pelo menos em princípio por qualquer pessoa, né, sem necessidade de uma fé, né, revelada ou qualquer coisa assim. Então, essa é a primeira coisa que a gente tem que esclarecer.

Uma outra coisa que é importante a gente esclarecer é que e segundo os próprios tomistas, existem no caso ali dois tipos de demonstrações que podem se ter, né, acerca de certas coisas, né, a certas causas ou certos efeitos, né, partindo de certas causas ou de certos efeitos. Você pode tentar demonstrar a existência de alguma coisa partindo ou da defeito, por assim dizer, partindo no caso da própria causa, né, do conhecimento da causa, né, e, portanto, tentar derivar, né, portanto, a questão dos efeitos através do conhecimento, da causa conhecida. Ah, essa via é denominada como via propter quid, ou seja, partir da causa, né? Eh, a partir da causa. Ou você pode tentar justificar, né, uma detada, a existência de uma determinada coisa ou evidenciar alguma outra coisa através, no caso, de uma outra via que eles denominam como via cuia, que é partindo dos efeitos para se tomar conhecimento da causa. As cinco vias elas basicamente é tipo, tipo, tipo, eu vejo fumaça ali, opa, deve ter fogo. Então, a fumaça é um efeito. A partir do efeito, eu infiro a causa que seria o fogo. A causa. A causa que seria, vamos tentar imaginar a existência de Deus a partir dos efeitos ou das consequências deixadas aqui no mundo de sua existência.

Perfeito. Perfeito. Exemplo didático. Perfeito. H, e é dessa forma que eles tentam proceder, né, os tomistas pelo menos, ah, para tentar ilustrar a existência de Deus, partindo da análise de certos efeitos, de certos fenômenos observados, que são os efeitos mais manifestos e dos quais, através deles tomarmos conhecimento da causa que ela é menos manifesta, entendeu? Eh, então quais seriam esses cinco fenômenos, né? Seria o movimento, a existência da mudança, né? Porque para eles movimento é sinônimo de mudança. Ah, ou pelo menos ah nas que aceitam uma distinção entre mudança e movimento, assumem que tem uma conexão ali muito bem atrelada entre os dois, né? Ah, a questão das causas eficientes, né? Ah, o fato de existirem coisas que têm eficiência causal, né? Que são capazes de produzir certos efeitos, por assim dizer, ou pelo menos ah são hierarquizadas de um determinado modo, envolve uma dependência de um membro em relação ao outro, causualmente. Eu vou explicar isso em mais detalhes depois, a questão da existência de seres contingentes, né, que eu vou explicar depois o que que são os seres contingentes na visão dos tomistas, que difere dos filósofos analíticos. É uma coisa importante que a gente tem que ter em mente. Eu vou explicar as distinções entre o que os filósofos analíticos consideram, né, como necessária contingente e o que os tomistas consideram como necessária contingente, né? Ah, no caso ali, a existência de gradações, de propriedades gradadas, ou seja, de uma série de características nas coisas que são vistas como sendo mais ou menos em relação a outras, né? Ah, e no caso, a existência de uma certa ordem, né, de um certo ordenamento ali, ã, que aparenta ter uma finalidade eh geral, né, que torna tudo inteligível. Eu vou detalhar exatamente o que que eles querem dizer com tornar inteligível as coisas, né, hã, de forma universal. E basicamente esses são os efeitos que eles consideram como mais manifestos e dos quais, através da observação deles e da reflexão acerca deles, nós conseguimos tomar conhecimento dessa causa que seria Deus. Eh, então a gente acho que é um bom começo aí para para nós esclarecermos esse plano de fundo aí, né, dessas coisas.

Maravilha. Eu acho que tá super claro e podemos tocar o barco. Só agradecer a todos que estão chegando por aí. Obrigado. Ó, David, você tá trazendo a galera boa, rapaz. Ó, tema de filosofia da religião, denso. Já temos mais de 400 ah 400 visualizações aqui, 200 e poucas pessoas. E que bacana, gente. Obrigado aí a todos. presentes. Bora aprender com David sobre esse tema cabeludo, mas que que certamente eh é bem inteligível para usar a palavra que ele trouxe aqui e importante pro debate em filosofia da religião. E aí, cara, eu acho que você introduziu bem que que a gente tem aí como um primeiro argumento. Você falou sobre o movimento, né? Que que o movimento tem a ver com a existência de Deus? Explica isso para nós.

Então, vamos lá. Antes de qualquer coisa, acho que é importante esclarecer o que que eles querem dizer por movimento, né? Movimento, usualmente, quando eles se referem a movimento, eles estão se tratando mais especificamente da mudança, né, usualmente. Ah, e o que que é mudança? Mudança é basicamente alteração em certas características de uma coisa ou até mesmo na transformação de alguma coisa particular, né? Ah, e isso envolve aquela aquela noção, né, da distinção entre ato e potência. Vocês já devem ter ouvido falar bastante sobre essa coisa de ato e potência, né? A distinção entre ato e potência. Se tem coisas que são atuais, né? Eh, que tem aspectos atuais, mas que também tem aspectos potenciais que a gente pode que pode ser atualizado, né? Vocês veem eles comentando esse jargão usualmente, né, os tomistas. E o que que isso quer dizer? Isso quer dizer basicamente o seguinte, que existem certas coisas, né, ah, por assim dizer, né, certas coisas que são ali informadas por uma certa forma. E aqui eu trago a noção do denominado ilorfismo, né, da metafísica aristotélica, que é basicamente aquela noção de que existem coisas que elas são compostas de matéria e forma, né? Ah, então você tem esse microfone, né? Por exemplo, que eu estou aqui na minha mão, eh, eu consigo inteligi-lo como sendo um microfone, justamente porque ele tem uma porque ele tem uma forma substancial de um microfone e que me permite, inclusive, eu distinguir ele de uma garrafa de água, né? Eh, de uma garrafa de água, por exemplo. Ah, então nós conseguimos eh ilustrar o seguinte, que essas duas coisas elas têm uma matéria, né, uma parcela de matéria, né, dos quais eles são compostos, mas eles também estão informados como uma determinada forma que torna inteligível a nós ou compreensível a nós ah que eles isso aqui seja um microfone e não uma garrafa. Isso aqui seja uma garrafa e não um microfone, certo? Então isso é o dualismo ilórfico ou ilorfismo, né, como a gente pode chamar, eh, que é diferente do dualismo de substância, né? Eh, o dualismo ilémórfico, ele ele é essa visão metafísica, né, eh, que trabalha com essa noção de uma forma ali quem forma matéria, né? E essa forma ela pode ser substancial e também ela pode englobar, no caso, as propriedades ou os aspectos, as características essenciais da coisa, ou seja, sem as quais essa coisa não será a mesma coisa, né? Ela deixará de ser o que ela é. Ah, então a gente tem, no caso ali as características de um microfone, né? Então ele serve, sei lá, para poder comunicar através do de uma live, enfim, ele tem uma certa função, né, ali, hã, que é lastrada na natureza dele enquanto microfone, né? Então, ele tem esse formato, ele tem uma série de componentes que permite, no caso, com que ah, com que a minha voz, né, no caso ali, ela favoreça essa transmissão da informação para vocês e coisa e tal, eh, e, e, e etc., né? Então, ela tem não só uma forma ali que torna ela inteligível como microfone, mas ela também tem ele tem uma operação que se segue dessa forma dele, ou seja, dessa essência dele. Ah, então a essência do microfone é operar para favorecer e contribuir com que eu transmita minha mensagem para vocês, né? Eu transmito aqui minha mensagem para vocês, eu converso, enfim, com outras pessoas através dessa live, por exemplo. OK? Então, desse modo, ah, existe uma série de características que caracterizam essa coisa como sendo um microfone que distingue ele de ser uma garrafa. Eu não posso usar uma garrafa para poder me comunicar com vocês, né? Porque no caso a operação dessa garrafa, né, as coisas pelas quais essa garrafa serve, né, não são as mesmas pelas quais esse microfone serve, né, não tem, eles não têm a mesma função lastada no seu ser, né? Ah, então esse é um aspecto interessante da gente ter em mente que é importante para prosseguirmos na avaliação das vias, principalmente da primeira que que acontece. Eh, existe além dessas propriedades ou características essenciais que caracterizam a coisa, né, de fato, como ela é substancialmente, eh, e essencialmente, existem as propriedades, né, os as características acidentais, ou seja, que são características que se a coisa se muda na coisa, ela não deixa de ser o, enfim, a coisa que ela é. Então, sei lá, se esse microfone, se eu pintar ele de vermelho, ele não vai deixar de ser o microfone. Ele vai continuar sendo o microfone, né? Ah, agora sei lá, se eu destruir os componentes dele, se eu acabar, no caso com, enfim, eh, com ele aqui, né? Se eu quebrar ele, tacar ele na parede ou qualquer coisa assim, ele vai quebrar e não vai mais funcionar, né? Não vai mais funcionar e vai deixar de ser um microfone, por assim dizer, ao longo do tempo, né? Ele vai deixar ali de ser um microfone, justamente por deixar também de ter essa função de favorecer a transmissão da da mensagem de alguém ou enfim, de de transmitir a voz, enfim, qualquer coisa assim, né? Hã, então o que que acontece? Eh, tendo em vista e eh essa distinção, nós temos que entender que as mudanças acidentais numa coisa, elas são o tipo de mudança que uma coisa pode passar, dos quais ela persiste. Tem uma coisa que persiste a ao longo dessa mudança. Essa coisa que persiste é a forma substancial da coisa. Então, eu posso pintar essa coisa de vermelho, né? Nesse caso, esse microfone de vermelho, mas ele vai continuar sendo o microfone, ou seja, através da mudança, através da atualização, olha só o linguajar, a atualização de determinado potencial de ser vermelho desse microfone. Ah, quando eu pinto ele, ah, ele não deixa de ser o microfone, entendeu? Então ele passa por uma mudança acidental nesse quesito, né? Então ele não deixa de ser um microfone, ele não deixa ter de ter a forma de microfone, ele não deixa de ter, enfim, de ser inteligido como microfone, né? Ah, então isso é importante justamente para entender a questão dos tipos de mudança e também para entender a noção de mudança que tá por trás. Essa mudança acidental, né, essas mudanças que ocorrem na coisa, tanto acidentais quanto essenciais, elas envolvem a atualização de certos potenciais, né, principalmente as mudanças acidentais, elas envolvem a atualização de certos potenciais reais presentes em uma certa coisa. Ou seja, em virtude dessa coisa ser um microfone, é que ela justamente pode ser pintada de vermelho, ela pode ser ter um formato modificado um pouco e ainda assim continuar sendo o microfone, né? Ah, mas ele pode também vir a sofrer outras mudanças que tornem ele uma outra coisa, que vai ser uma outra funcionalidade que não é exatamente a de um microfone. Quando esse tipo de coisa acontece, ocorre uma mudança que é denominada de mudança substancial. Então, ele muda substancialmente, né, na forma dele, de forma a se tornar uma outra coisa, né? Esse microfone. Ah, ele vai, que eu pegue para, ah, eu ia dar um exemplo, pegar ele para ser tipo o peso de porta. Eh, então, eh, para a porta não bater, eu vou colocar ele ali para ele ter esse tipo de função, sobretudo se ele parou de funcionar, não tem serventia para mim mais para eu me comunicar com ele. Seria um exemplo. É, o exemplo mais claro seria justamente de um conjunto de madeiras, né, que você utiliza para poder construir uma uma mesa. Então, aquelas coisas deixam de ser, sei lá, um toco de madeira e aí você molda ela, você informa ela de um certo modo ela se tornar uma mesa, tá? Ela perde a forma de um toco de madeira e ganha a forma de uma mesa, entendeu? Ah, então é isso. Mas o inverso também é verdadeiro. Eu posso desmontar a mesa ou o microfone de forma que deixa de ser uma mesa, perde essa característica substancial de ser um microfone. Sim, exatamente. Pois é. Aí ele perde essa forma substancial e ganha outra forma substancial, né? E aí essa uma é uma é uma mudança que é caracterizada como sendo uma alteração, né? Que que acontece? Mudança pro Tomás de Jaquino é a atualização de certas potências presentes na coisa, nas coisas. Então, uma coisa ela muda na medida que certas potencialidades reais presentes na coisa, ou seja, coisas que ela realmente pode vir a ser, são atualizadas, ou seja, elas se tornam atualmente efetivamente aquilo que ela poderia ser em virtude das restrições na natureza própria daquela coisa, entendeu? Então essa noção de mudança que os tomistas trabalham, que é relevante para que no caso o argumento das cinco vias, principalmente a primeira, segunda, terceira, etc. Funcionem, tá? Funcionem. Aí tendo em vista isso, eu acho que a gente já pode partir, né? Pra questão do do argumento em si. E eu já discuto sobre os tipos de mudança que a coisa pode ter de forma mais detalhada, né?

Só uma pergunta antes de a gente seguir. Esse é um pressuposto que as coisas possuem essas potências as quais vem a ser atualizadas? É um pressuposto, né? Porque eu poderia começar a questionar isso aí, por exemplo.

Exatamente. Você pegou um ponto crucial no argumento no porque que o argumento ele é problemático, né? A gente já vai chegar nisso daí. Vamos expor o argumento e premissas e aí conforme a gente for prosseguindo nas premissas nós começamos a problematizar isso daí, tá? Ou talvez a gente exponha o argumento inteiro e a gente passe para as premissas. Eu acho até mais, talvez até mais interessante.

Pode ser, pode ser. Uhum. Mas enfim, vamos lá. Eh, vamos lá. Então, a premissa, a premissa um do argumento da primeira via, né? A primeira do a via do primeiro motor imóvel, né? A via do movimento, né? Também denominado. Então, vamos lá. Primeira via é o seguinte. Primeira, a primeira premissa dela é o seguinte: há coisas em movimento no mundo. Então, isso daí eu acho que a gente consegue ver que tem coisas que estão em mudança e coisa e tal. Ninguém vai negar que as coisas mudam, né? Que as coisas mudam, né? Acho meio complicado negar isso. Premissa dois. Estar em movimento significa passar de um estado de potencialidade para um estado de atualidade. Passar de ser potencialmente efetivamente ou atualmente f. OK? Ah, premissa três. A mesma coisa não pode ser potencialmente e efetivamente f ao mesmo tempo da mesma maneira. Isso aqui é uma coisa que eu vou explicar depois, OK? Da mesma maneira. Não pode ser da mesma maneira. Do mesmo aspecto ser atualmente e e potencialmente no mesmo aspecto ao mesmo tempo, né? Vamos lá. Premissa quatro. Nada pode mover algo de um estado de potencialidade para um estado de atualidade, a menos que esteja em um estado de atualidade, né, de atualidade em um aspecto relevante para que ele possa atualizar aquele aspecto potencial na outra coisa, né? Mas enfim, é isso. Mover no sentido aí de produzir um efeito daquele objeto, mudar aquele objeto, de mudar, de mudar, de se de mudar, de mudar. Entendeu? De mudar. Então vamos lá. Cinco. Portanto, aqui derivando, né, das premissas anteriores, portanto, nada pode se mover sozinho aí. Seis. Portanto, né, a gente se segue justamente do cinco aqui, né? Portanto, tudo que está em movimento é posto em movimento por outro, tá? OK. Aí, premissa sete. Suponha que a cadeia de motores reais e potenciais continue até o infinito. Se sete, então não há o primeiro motor. Último. Oito. Se não há o primeiro motor, então nada se move. Eu vou entrar nesse detalhe aqui já já. Porque que nada se moveria segundo aqui? E quais são os problemas disso, né? Ah, ao contrário de um, né? Ou seja, contrariando a premissa um, se você assumir que, no caso há um regresso infinito de motores, então não há movimento no mundo, né? Não há coisa de movimento no mundo, segundo aqui, não. Ou seja, a negação da premissa um, né? Portanto, no caso é nove, ó. Portanto, sete é falso. Ou seja, é falso que há cadeias de motores reais e potenciais que continue até o infinito. OK? Ó, portanto, sete é falso. E há um primeiro motor ou último motor, né, você pode colocar. Ah, e eu vou explicar isso já já, né? Porque que é é o primeiro e o último, né? Eu vou chegar já nisso daí é o término que é chamado, ó, posto em movimento por nenhum outro, né? Este motor imóvel é o que chamamos de Deus, OK? Então, esse aqui é o argumento da primeira vida, OK? Essa formulação que eu articulei aqui, essa formulação em premissas e conclusão, é a formulação ilustrada por dois filósofos chamado Richard e Roger Hunt. Essa formulação está presente em um livro denominado Revisiting a coinas proofs for the existence of God, editado por um outro filósofo chamado, no caso ali Robert Harp, né? Robert Harp. OK?

Então vamos lá. Qual que é a qual que são os pontos aqui, né? Outros pontos que a gente precisa destacar aqui nesse argumento de começar a objetar ele. Gonti já trouxe uma objeção ali preliminar ele. Opa, por que que eu tenho que tomar essa noção de movimento aí, né? Por que que eu tenho que dançar essa noção aí? Por que eu não possoar outra, né? Já trouxe uma objeção interessante que eu vou tocar já, mas vamos lá, ó. Primeiramente, para Aquino existem alguns tipos diferentes de movimento, OK? Dentre eles existe um movimento de alteração, que envolve justamente aquelas mudança substancial que eu me referi, OK? Então é aquilo é denominado de alteração. Existe também o movimento que é o de aumento e diminuição. Então sei lá, quando uma coisa aumenta em tamanho, né? Eh, uma coisa aumenta em tamanho eh ou diminui, ela está sofrendo uma mudança no sentido tomista eh no aspecto da da do aumento e da diminuição, né? Então isso é um tipo de mudança, né? Eh, e no caso há também a mudança que é denominada de mudança local. A mudança local hoje em dia é problemática a luz da física contemporânea, OK? O que que é a mudança local? Mudança local é uma mudança que ela se dá em termos extrínsecos e aí a gente pode subdividir, né, essas mudanças em intrínsecas e extrínsecas. Que que são as mudanças intrínsecas? Mudanças intrínsecas são mudanças que ocorrem na própria coisa, OK? Na própria coisa, OK? As mudanças extrínsecas são mudanças que envolvem uma relação entre duas ou mais coisas, né? É uma mudança de uma coisa em relação a outra, em termos do da localização, enfim, da enfim, de um certo tempo, enfim, de uma localização particular e coisa e tal, entendeu? Eh, que a que aquela coisa se encontra. Então, eh dentro a mudança local está justamente o movimento que é denominado do movimento ali no âmbito da física mesmo, né? Eh, que envolve justamente ali, hã, a questão do movimento tal como referido por Newton, por exemplo, né? Ah, pro Isaac Newton. Então, ah, desse modo, esse movimento para Aquino demandava, né, na época da de Aquino, né, ele tinha essa noção, eh, demandava, no caso, algo que movesse a coisa, por assim dizer, tal como uma flecha, por exemplo, né, uma flecha que você atira, envolveria, no caso, com que para que a coisa continuasse se movimentando, precisaria de haver alguma causa, por assim dizer, alguma coisa movendo a coisa por trás, né, por assim dizer, né, favorecendo com que ela, enfim, se movesse, né, ao longo do espaço ali, né, ao longo do espaço e e tal, né, até chegar no alvo ali em questão. Eh, então esse movimento é um movimento que é problematizado pela física contemporânea, né, principalmente pela lei da inércia, né, que envolve justamente a noção de que no caso a um objeto que ele está em repouso ou em movimento retilíneo uniforme, ele continua em repouso ou em movimento retilíneo uniforme, a menos que uma força resultante, né, atue sobre ele e que essa força resultante seja não nula. OK? Então, o que que acontece? A luz da física contemporânea. Essa esse esse ponto já esse essa noção de mudança já tem um problema, né? Já tem um problema. OK? Ah, então o que que os tomistas fazem para lidar com essa objeção, que é uma objeção muito comum, né, do chamado MRU, movimento retilíneo uniforme, né, eh, que alguns ateus costumam utilizar contra a primeira via do Tomás de Aquino. Os ateus geralmente eles fazem o que o filósofo Donald eh Scott McDonald, né, ele ilustra um artigo dele, né, o argumento parasitário de Aquino, ah, quer restringir o princípio geral do movimento para abarcar somente o movimento extrínseco, somente a abundância extrínseca, a abundância intrínseca, aliás, né, somente o movimento intrínseco. Ã, dessa maneira eles conseguem se livrar desse tipo de objeção, né, no caso ali, que é a objeção em termos da física ah contemporânea. Tudo bem? Então é importante esclarecer isso porque eu vejo que muitos ateus utilizam essa objeção como as, mas eles já pensaram nisso, né? Já pensaram nisso, já favoreceram a restrição do princípio geral do movimento para abarcar só o movimento intrínseco em termos gerais, né? Ã, aí o que acontece, essa mudança intrínseca, ela envolve justamente esses dois aspectos: alteração, ah, alteração ou no caso aumento e diminuição, OK? E essa alteração e esse e ela envolve justamente coisas passando a ser, né, ou passando a existir através da composição, né, elas sendo geradas, ou seja, geração através da geração e no caso elas deixando de ser, né, elas deixando de existir através da corrupção, da corrupção ali, ou seja, a corrupção e, portanto, a decomposição, né? Hã, tendo em vista isso, temos já uma noção acerca do do que que é essa noção de movimento e os tipos de movimento relevantes, certo? Para a primeira via funcionar. Agora vamos aqui pra questão da do da impossibilidade do regresso infinito de motores, né, de de moventes e movidos, né, David, por que que no caso, né, ah, a série de motor, né, de motores não podem regredir ao infinito segundo a Aquino. Eu vou expor aqui um argumento que é interessante, né, que é basicamente a ideia de que eh é o seguinte, é importante vocês terem em mente que nas vias do Aquino existe uma distinção que também é importante entre os tipos de cadeias causais, né, ou de séries causais que Aquino tinha em mente ali, principalmente quando tá articulando essas vias, né, primeiro, principalmente na hora que você vai analisar a primeira e a segunda via, você tem que ter isso em mente, que a distinção entre séries, né, ou cadeias de causas essencialmente ordenadas e séries ou cadeias de causa eh acidentalmente ordenada, né? O que que isso significa? A acidentalmente ordenada envolve justamente uma série temporal de objetos ou de eventos ou de coisas eh causando, né, de objetos, mas especificamente ah eh causando uns aos outros ah diacronicamente, ou seja, ao longo do tempo. Então você tem o clássico exemplo do pai, né, aliás, do avô, né, ah, gerando o filho, né, através da relação sexual com a avó, né, gerando no caso ali o filho dele, que será o pai. e o pai, no caso, tendo relação sexual com a mãe, gerando, no caso, o outro filho, né, que seria o neto e assim por diante. Na onde o poder causal relevante, ou seja, que envolve a capacidade de gerar novos filhos, ele não é derivado dos dos membros anteriores para os posteriores. Que que isso quer dizer? Quer dizer que se o avô morrer e o pai morrer, o filho ainda vai conseguir gerar outros filhos. OK? Então, essa é a série acidentalmente ordenada. Tudo bem? A série essencialmente ordenada, ela trabalha com uma noção de dependência ontológica, né, de dependência em relação de uns membros em relação aos outros para ter o poder causal relevante. Então, o clássico exemplo que geralmente os tomistas, principalmente os filósofos analíticos que são tomistas também, tem alguns filósofos analíticos tomistas, como o Edward Feer, né, que é bem famoso na literatura acadêmica de filosofia analítica da religião. O que que ele diz, né? Ele dá o exemplo no caso da mesa, né? Da mesa. Ah, no caso, ali, aliás, do copo, né? Esse copo aqui, ele está em cima da mesa, né? Ele está ele está em pé, por assim dizer. Ele está nessa altura, por assim dizer, porque eu coloquei ele em cima da mesa e a mesa está sustentando o copo. Esse copo está sendo sustentado pela mesa, que está sendo sustentado pelo chão, que tá sendo sustentado pelas colunas da casa, que tá sendo sustentada pelo chão e assim até chegar no primeiro membro da série, dessa série essencialmente ordenada. Dos quais se não houvesse esse membro, esse copo não ficaria aqui, OK? Não ficaria aqui sustentado. Então é uma relação de dependência, né? Não tem como esse estar aí sem esses outros membros aí se relacionando. Se você tira um desses membros da cadeia, o copo não estará mais aí. No caso que você ilustrou com o filho, se o avô morre, o filho continua existindo. Ele não não deixa de existir porque o avô morreu, que seria o exemplo lá inicial, né? Uma série mais acidental. Uhum. É acidental, por isso que é acidental e a outra essencial, né? Porque tem as coisas que elas estão ordenadas e dependentes uma das outras essencialmente. De tal modo que se você tirar uma qualquer coisa ali, como essa coisa é essencial para que essa série tenha esse poder causal relevante ali derivado, esses membros posteriores têm esse poder causal relevante derivado, eles param de ter esse poder e portanto todos os outros membros deixa de ter esse poder, né? E e portanto a a série para de, enfim, funcionar e etc, né? Enfim. Ah, mas é isso. Eh, os membros param de ter aquele poder causal relevante, né, para sustentar os outros posteriores. Mas é isso, né? Então, essas são as noções relevantes que tem em mente. Por que que o Aquino então diz que é impossível ter um regresso infinito de moventes e movidos, né? Ou seja, de motores reais e potenciais, né? Eh, de forma regredir infinitamente, porque senão eh se não houvesse uma fonte eh desse poder, né, desse movimento, por assim dizer, a partir de uma coisa ali que ele favorece, ele ele prop ele propiciona esse movimento sem que ele seja movido, eh, e, portanto, seja a fonte de todo o movimento, então não teria da onde a aquelas membros intermediários derivar a o movimento, de tal modo que os últimos membros da série não teriam movimento. Se você tira o primeiro membro, a, os membros posteriores param de se mover e, portanto, o último também para de se mover. O último lá da série, o final, o final lá no, no que no âmbito terminal, né? Ah, no âmbito do término ali, mais alinhado com o âmbito concreto aqui, né? Que nós experienciamos. Ah, o exemplo, claro, é o da locomotiva, né, que é outro exemplo que os filósofos analíticos tomistas contemporâneos usam, né? Imagina uma locomotiva, né? Você tem uma locomotiva e você tem ali os vagões. Se você remove a locomotiva, então os vagões param de andar, porque não tem a locomotiva para movimentar os vagões, né? Os os vagões ali. Ah, então desse modo, o o a locomotiva, ela é a causa primeira, né? Ou ela é o primeiro motor imóvel, né? Nesse caso aqui da primeira via, ela o primeiro motor dos membros, né? Dessa série, né? Ela é o primeiro motor ali que deriva, poder causal relevante, que favorece o movimento dos vagões junto com ele, OK? Junto com ele. Então esse é um exemplo, né? Um exemplo ali de uma analogia com esse ponto, né? Com uma ilustração desse ponto, que é justamente para tornar eh mais claro o ponto que eles querem colocar acerca disso, do porque que é impossível, né? Tendo em vista que uma série essencialmente ordenada, ela envolve essa relação de dependência ontológica. Então se não tem o primeiro motor, simplesmente não tem movimento na série, né? Simplesmente tudo tudo para de se mover, né? Tudo para de se mover. Então é por isso que na visão dos tomistas isso que ocorre, né? Isso que ocorre é justamente eh uma coisa ali que é impossível, né? No caso é isso que é supostamente é advogado para alguns ateus é ser impossível, né? Uma regressão infinita nessa cadeia. Então acho que a gente já pode passar por algumas objeções, né? Eu acho.

Legal. Vamos lá. Por que não pode existir essa cadeia de eventos sem um primeiro evento que deu pontapé inicial ali, digamos, né, que seria Deus na conclusão de Aquino? Tem alguma objeção interessante sobre isso? Eh, isso de regresso infinito, acho que é expressão, não é? Ou uma recrição infinita, eh, não sei. É, é essa ideia de que olha, nós temos esse efeito aqui ou isso que tá em movimento, tem alguma coisa que colocou isso em movimento e isso aqui foi colocado em movimento por uma outra coisa e a gente vai regredindo assim até chegar nesse primeiro elo. Mas lembre-se, Gon, lembre-se, lembre-se, Gonti, que não é uma regressão infinita temporal, uma regressão infinita que é chamada na filosofia analítica contemporânea fundacional, um de fundamentação, né? Na filosofia analítica contemporânea, os filósofos analíticos distinguem causa, né, eh, a causalidade eficiente de fundamentação ou de grounding relation, né, relação de fundamentação, que é chamada. Ah, os tomistas não fazem essa distinção, tá? Para eles é causa eficiente também, só que uma é sustentadora e a outra é originária, né? Ah, então é o argumento do Tomá de Quino, ele é compatível com uma visão hinduísta, por exemplo, que assume o regresso infinito temporal, entendeu? Hum. Então, eh, o próprio Aquino, ele dizia, no caso, que através da primeira via, através das vias dele, não, não, não era possível você chegar na impossibilidade, no caso, de uma regressão infinita temporal, que ele acreditava que o universo, né, ele tinha uma causa inicial, por assim dizer, no âmbito temporal, por uma questão de fé católica, entendeu? Ele não não buscava justificar ali a impossibilidade de um regresso infinito temporal. Isso daí quem faz é o Willan Greg, é o, enfim, é o Andre Low, que é outros filósofos analíticos contemporâneos, né, que tenta fazer esse tipo de argumentação geralmente, né, e também os filósofos islâmicos, né, do passado ali, como Alkind e Algazali, né? Ah, mas enfim, chegando aqui, por que que no caso ah, esses esse argumento é problemático? Tem várias coisas que a gente pode comentar. Primeiro vamos pra segunda, vamos pra segunda premissa do argumento, né? Estar em movimento significa passar de um estado de potencialidade para um estado de atualidade. Em questão, né? Hã, passar de ser potencialmente f para ser efetivamente ou atualmente f. Isso aqui pressupõe uma noção de mudança que é justamente aqueles termos da distinção entre ato e potência que pressupõe no caso, que a mudança ela envolve justamente a atualização de um aspecto real presente atualmente na própria coisa. A a presente realmente na própria coisa, né? Então essa noção, ela pressupõe, no caso, eh essa noção de mudança que é claramente rejeitável para um ateu em um agnóstico. O filósofo Joe Schmid, né, Joseph Smid, que é um filósofo analítico, agnóstico, né, ah, que ele escreveu um livro com filósofo da física denominado, que é Danmord, denominado existential inertia and classical theistic proofs, né, ou seja, inércia existencial e provas teísticas clássicas, né, ele aborda, no caso, esse ponto em alguns textos dele, né, não só no livro, mas também em outro, enfim, em outros textos, né, outros artigos dele, inclusive, que eu traduzi na pensar naturalista, né? Então ele tem um um texto onde ele bate no argumento do Edward Fezer, que é exploso analítico acadêmico católico contemporâneo, ah, atomista, né, analítico, ah, que é justamente o argumento eh da mudança, né, para a noção em favor da noção de ato e potência. Então, para resolver um problema, né, que no caso foi trazido por Parmenes acerca da possibilidade da mudança, né, ah, o Edward Fezer trouxe justamente a distinção atopência para resolver esse problema. Mas será que no caso isso favorece uma resolução do problema, né, de que no caso a mudança envolveria alguma coisa saindo do não ser para o ser em um sentido problemático? H, parece que não, né? Aparece que o seguinte, há alternativas possíveis de noções de mudança que estão disponíveis para o ateu e agnóstico endossado. Por exemplo, se o ateu ele endossa no caso ali uma visão de filosofia do tempo que é chamada de eternalismo, né, que é algo que geralmente os físicos acadêmicos contemporâneos endossam, né, e os filósofos da física também, como o próprio Daniel Leford, geralmente dos. Ah, então isso já gera um problema aí pro argumento. David, o que que é esse negócio de eternalismo? Ah, qual que é a ação dele pr pra visão de filosofia

Do tempo do Aquino? Por que que isso é relevante aí pro argumento? Basicamente, a gente vai entrar aqui no terreno, e é por isso que eu disse pro Contídeo que eu acho que a gente não vai conseguir abordar todas as vias nessa live. Provavelmente, acho que vamos ficar só na primeira e na segunda, né? Talvez na terceira também.

Ã, é o seguinte, esse argumento, ele não pressupõe, né? Essa noção de mudança, ela não só ela é pressuposta ali, como ela depende de uma outra coisa que é chamada divisão temporal ali teórica a do tempo. Que que são as teorias A do tempo? As teorias A do tempo, na filosofia do tempo, né, inclusive na filosofia analítica acadêmica contemporânea, são, eh, basicamente teorias que envolvem a existência, né, que presumem, no caso, a existência de fatos verbotemporalizados.

Que que são esses fatos verbotemporalizados? São fatos do tipo, eh, estamos realizando essa live agora, né? Eh, estamos realizando essa live agora. Então, isso é um fato verbotemporalizado que envolve justamente o aspecto atual ocorrendo agora, né, de algo que está ah, que algo é como se fosse uma espécie de presente privilegiada, na onde esse evento, ele é mais real do que outros eventos, né? E ilustra um fato relevante sobre o porque que esse evento está ocorrendo agora ao invés de outro outros momentos do tempo, né?

Ah, essas visões que assumem uma espécie de presente privilegiado de alguma maneira, eh, como no caso chamado presentismo, eh, ele envolve justamente essa noção de mudança, né, de mudança ali, né? Ele ele é englobado por essa noção de mudança ali aristotélica, pressuposto para essa noção de mudança aristotélica ali tomista, de atualização de ato potência, né, ah, como sendo a caracterizadora da mudança.

Só que no caso, se você é uma pessoa que endossa a rejeição desse tipo de teoria do tempo, ah, como por exemplo os que endossam as chamadas teorias B do tempo, que descartam a existência desses fatos verbotemporalizados, ou pelo menos não assumem que há um presente privilegiado real, que é mais real do que o passado e o e o futuro. Ah, essas visões já geram problema para essa noção de mudança. Essas visões de teoria B já geram problema para essa visão de mudança.

Então, a gente pode pegar a questão da própria relatividade geraliniana, né? A própria relatividade geralana se atrela, se ela é interpretada realisticamente, ou seja, nos comprometendo com as entidades teóricas que são postuladas nessa teoria, né, ah, em termos de filosofia da ciência, ah, com realmo científico sobre essa teoria, ou seja, que essa teoria ela versa sobre a estrutura na nossa realidade de algum modo, ela acaba nos comprometendo com uma visão de tempo, né, e, eh, quadridimensional, né, ou seja, de que o tempo ele é uma dimensão ali, tal como as três dimensões do espaço.

Isso favorece o seguinte, que o passado, o presente e o futuro, ou seja, os tempos do passado, presente e futuro são igualmente reais e igualmente atuais. E não há nenhum presente privilegiado ali. Isso já gera um problema na noção de mudança deles, entendeu? Então, se você endossa uma teoria B do tempo, isso já gera um problema ah no na primeira via do Aquino, por exemplo, nesse argumento aqui, entendeu?

E aí, com base nessa visão que é chamada de eternalista, encontra a posição a outras visões como a presentista que eu havia denominado, né? Ah, que é uma das visões teóricas lá do tempo que são alinhadas com o que Aquino pensava sobre o tempo na época, né? Sobre o que que era o tempo na época, ele e Aristóteles, nesse caso.

Se você endossa essa visão, você pode trazer uma outra noção de mudança que no caso é endossada contemporaneamente, que é a mudança chamada de mudança at, ou seja, mudança aqui e ali, ah, que é chamada, né, noção de mudança aqui e ali. E o que que essa noção de mudança ela eh ilustra, né? Ela ilustrou, basicamente que a mudança ela é caracterizada não por uma atualização de potencialidades reais presentes na coisa, como se fosse tipo um uma uma potencial fantasma agórico presente na coisa que vai se atualizando ao longo do tempo, né, e vai favorecendo a mudança da coisa.

Não, a mudança pode ser interpretada como no caso variação de propriedades em uma coisa ao longo da dimensão temporal. E o que que isso quer dizer? Vamos imaginar, vamos pensar aqui nesse microfone, né? Vamos pensar nesse microfone. Esse microfone ele existe eh na visão quadrimensionalista acerca do tempo, né, do universo em bloco, ah, eternalista. Ele existe não só localizado espaço e espacialmente, né? Não tem só uma localização espacial, como tem uma localização temporal, né? No sentido ali de que e existem várias partes temporais estendidas ao longo do bloco do bloco ali, espaço temporal.

E isso significa o quê? Que a mudança ela pode ser caracterizada da seguinte maneira. A mudança envolve a variação de propriedades nessa coisa ao longo dessa dimensão temporal. Então esse microfone ele pode ser preto agora, posteriormente ele pode ser vermelho. Eu posso pintar ele e tornar vermelho, né, ao longo da dimensão temporal, né? Então pode ser que uma parte temporal minha pintou esse microfone eh ah, né, tenha pintado em algum momento, por assim dizer, do tempo, esse microfone no futuro e ele vem ele venha ganhar a propriedade de ser vermelho, né? Então, ou no caso, ele pode perder essa propriedade de ser vermelho e ganhar a propriedade de ser rosa, né? Sei lá, ser rosa ou ser azul, qualquer coisa assim.

Eh, então dessa maneira nós conseguimos tratar da noção de mudança sem pressupor a ideia de uma potencialidade real, né? E fantasmagórica, que é atualizada em momentos posteriores de forma privilegiada, né? Com com tempo privilegiado presente ali, ah, indexando, né? Se referindo no caso a esse a esse esse suposto fato verbo temporalizado, né, da coisa sendo atualmente de um certo modo e posteriormente, né, mas sendo potencialmente de um modo agora, né? Ah, e esse potencial agora não sendo tão real quanto a coisa atualizada depois, né? Não, simplesmente não tem isso, tá tudo atual, né? Tudo tá atualizado, né? Todas as as ganhos e perdas de propriedade ao longo da dimensão temporal já ocorreram, né? Já ocorreram basicamente no bloco, né? Já ocorreram no bloco, estão eh ocorreram ali no bloco já presente, né, estendido.

Eh, então, desse modo, a gente objeta a segunda premissa. A gente pode já negar essa premissa aqui. É uma forma de você negar essa premissa. OK. Agora tem uma outra maneira de você negar a premissa. Você quer que eu passe para ela ou você quer comentar alguma coisa?

Noticho? É, eu queria só comentar algo sobre essa noção de potência que para mim ainda é meio obscura, estranha, porque quando a gente pensa num mecanismo, e um mecanismo pode ser até um mecanismo biológico, como a mão que tem eh ossos, eh articulações, enfim, musculatura. Eh, por exemplo, eu posso estar fazendo esse gesto, eu posso estar fazendo esse gesto, vários tipos de gesto. Esses gestos não existem em potência na minha mão, eles não têm uma existência, pelo menos eu não consigo conceber esse tipo de coisa. Existem eh esse essa musculatura, os meus ossos que podem se modificar, se movimentar conforme certas causas, que são os impulsos elétricos emanados do meu cérebro para que isso mude a sua forma eh e esses movimentos ocorram. Mas não é que exista uma potência aqui dentro. Eu fico um pouco confuso com isso. Quando eles falam sobre potência, o que exatamente eles querem dizer por isso? Seria só uma possibilidade de de alguma coisa acontecer, porque, por exemplo, quando você fala, para eles é para eles é o Fezer diz, na verdade, que a potencialidade, né, a ela é ele é um aspecto real presente nas coisas e que ele é como se fosse um meio termo entre o puro nada e, no caso, um ser completo, né? Uma coisa totalmente completa, por assim dizer, né? Ah, então uma coisa completa e portanto totalmente perfeita, qualquer coisa assim, né? Ou algo mais ou menos assim. Eh, então é como se fosse um meio termo fantasmagórico, eh, entre o por o nada e o e o ser, né, por assim dizer. Ah, é isso aí, né? É isso que eles dizem. Tem outros pressupostos aí envolvidos nisso. A gente pode objetar depois isso daí eh quando a gente for falar sobre objeções gerais para cinco vias. Eu acho que eu consigo expor objeções que são mais gerais, né, que abarcam todas as vias e demolem todas as vias ao mesmo tempo.

Ó, legal. Vamos deixar isso pro final, então, se não der tempo explorar. com muitos detalhes, todas as cinco, pelo menos a gente encerra fazendo essas obrações, fazendo essa mais gerar, essas que pegam todas e já esmusam já. Mas bora seguir então.

Tá bom. Então vamos lá. A gente tem como objetar uma outra premissa que é justamente aquela, no caso, aquela no caso oito, ó, oito. A premissa oito que diz o seguinte: se não há um primeiro motor, então nada se move, ao contrário de um, né? que envolve justamente a ideia de que se você tivesse uma regressão infinita, como a ã como se no caso como ilustra no caso a premissa sete, né, por assim dizer, ã, então no caso ã todas essas coisas não se moveriam, né, porque não teria o primeiro motor derivando o movimento para todos os outros motores, eh, todos os outros moventes movidos, né, ali na série essencialmente ordenada em questão de de moventes movidos, né, hã, a gente pode objetar essa objeção, a gente pode habilitar, aliás, a gente pode habilitar essa premissa oito da seguinte maneira.

A gente pode ilustrar como um filósofo chamado Thomas Obt em um seu artigo chamado, no caso ali fundamentação, né, o grounding, ah, no caso ali regressão infinita, infinit regress e no caso ali o argumento cosmológico atomista aos eh, tom cosmológico armer. Ele ilustra contra sete filósofos ali, como filósofos tomistas acadêmicos contemporâneos, como o Caleb Cin, o John Halin e no caso o Gen Kier, né, que são três acadêmicos ali que trabalham com esse tipo de argumentação, que são tomistas, que trabalham na filosofia analítica também, né, que interagem com os filósofos analíticos e coisa e tal, né? E alguns deles não são exatamente filósofos analíticos, inclusive são críticos da filosofia analítica, como Gavi Kir, mas no caso ele interage com os analíticos, então ele interage em debate, tem livro publicado com ele argumentando e coisa e tal, né? Então ele não se recusa a interagir com os analíticos. contraponentes.

Hã, e aí o seguinte, o Thomas Alberle, ele objeta esse argumento ilustrando que, na verdade, existe uma desanalogia relevante entre aqueles exemplos que eu dei, né, como no caso da locomotiva, ah, no caso ali da, enfim, da mesa, né, da mesa aqui que é sustentada pelo chão, que é sustentada pela, enfim, pelas colunas da casa e coisa e tal, né? H, que é o seguinte, né? Eh, que é o seguinte, ô a quando nós observamos essas cadeias em questão, né, que tem num primeiro motor, né, essas cadeias, essas séries essencialmente ordenadas que tm um primeiro motor, nesse caso a lo a locomotiva ou o chão, né, ah, ou o planeta nem, né, com a questão da força de atração gravitacional dentro, dos corpos e coisa e tal, né, o centro gravitacional de massa ali do do planeta Terra ou qualquer coisa assim.

Quando nós imaginamos essas coisas, por assim dizer, hã, como tendo o primeiro motor e a gente removendo eles ali em questão eles perdendo o poder causal, eh, e a gente tenta utilizar essa analia para versar, eh, para versar sobre a nossa realidade como um todo, o nosso universo como um todo, a gente tá encorrendo num probleminha, porque assim, eh, o tomista ele tá basicamente raciocinando o seguinte, né, que quando uma pessoa defende a visão infinitista de fundamentação, né, que é chamada de infinitismo metafísico na literatura acadêmica, hã, que é esse regresso infinito de fundamentadores, né, e de fundamentados, né, hã, que são dependem ontologicamente infinitamente, regredindo infinitamente, coisa e tal.

Eles estão pensando que essas pessoas estão defendendo que essas cadeias se tornam infinitas via remoção de uma causa primeira. E esse é o problema do do dos exemplos que são ilustrados contra o infinitismo nessa cadeia ou nessa série. Porque geralmente eles estão pensando que quando uma pessoa tá defendendo infinitismo, nesse ponto, ele tá pensando em uma cadeia que ela era finita e no caso ela se torna infinita, ela passa a regredir infinitamente quando você remove o primeiro motor. Mas isso não há nenhuma razão pra gente pensar que a gente que essa seja a forma correta de pensar sobre esse caso, né, do infinitismo acerca de fundamentador e de fundamentados. Eh, porque no caso pode ser muito bem a questão de que esse poder causal relevante ou esse poder ali relevante que é derivado pros membros posteriores e coisas e tal, ele é derivado desde toda a eternidade e nunca teve uma única fonte desse poder relevante.

Desse modo, a gente ilustra que há uma desanalogia relevante entre a nossa realidade e no caso esses exemplos, porque esses exemplos envolvem uma inferência que a gente faz, né, que o tomista faz com base em um conhecimento de fundo dele, ah, que não permite ele inferir pra realidade como um todo, né? O conhecimento de fundo dele é o seguinte, que ah, todos os motores que eu observei, né, para se dizer, todas as séries essencialmente ordenadas que eu observei, tinha um primeiro motor e quando eu tirava esse primeiro motor, ele parava de ter eficiência causal. Logo, no caso, ah, a nossa realidade, né, é algo similar, né? Nossa realidade é similar a esse tipo de coisa. Logo, no caso, ela tem que ter uma causa primeira, né? Senão não teria movimento nas coisas. É basicamente esse raciocínio que tá fazendo.

Uhum. Então, o mundo persiste se movimentando, tudo está acontecendo, toda essa série, esse conjunto de acontecimentos que a gente descreve como realidade, graças a esse motor primevo que ainda está operante. Por isso que você diferenciou aquela hora como série temporal, né? É algo que tá sustentando, não é uma cena temporal, é, tá sustentando a cada momento do tempo. Eu momento é, eu, eu estou aqui sendo sustentado por Deus agora. O Gontio, você está nessa live sendo sustentado por Deus agora. Se Deus fizer assim, Gontio deixa de ser. Se Deus fizer assim, eu deixo de ser. Entendeu? É basicamente isso. Caia no mundo sem o desejo de Deus, sem o desgnio de Deus. Então assim, tem alguma coisa assim que Deus está movendo tudo. Tudo está movendo. Ah, tá sendo movido por ele. Entendi. Então não daria, não seria aquela ideia de nele, nele sem nele somos, cremos e nos movemos. Já ouviu falar disso, né?

Tá bom. Sim. Então, se a gente fosse só para ilustrar assim, né? Eu tô trazendo um pouquinho pro concreto também porque é é um tema muito abstrato. Eu já vi gente aqui falando, não tô entendendo nada, é complexo mesmo, tá gente? Filosofia não é brincadeira. eu tô tentando ser o mais simplificado possível. É, e já é complexo. Tô sendo até mais didático do que na outra live, né? Na outra live que a gente teve aqui foi a live mais complexa do canal aqui do Gontijo. Vocês podem pesquisar aí, joga na de pesquisa. É verdade. Ah, que que entrou até o Dionísio, né? O Luquinhas Queiroz, né? O Lucas Queiroz, que é tomista, inclusive. Aquela lá de fato a gente foi um pouco mais acelerado do que aqui. Mas enfim.

Então assim, né, só para trazer esse exemplo da locomotiva novamente, que tem ali então o motor que tá puxando todos os vagões e tudo. Então é como se tudo que existe, o que a gente entende por realidade, fossem os vagões sendo puxados ou postos em movimento por Deus. E se Deus para de, entre aspas operar, tudo deixa de existir. As coisas não vão mais. Tudo de existir. Deix, as coisas deixam de ser, entendeu? E aí você tá dizendo então que não dá pra gente fazer esse salto assim de a partir dessas observações.

Eu estou dizendo, ó, eu estou expondo um ponto de um filósofo chamado Thomas Roberto de que as analogias com essas séries que eles tomam como exemplo para poder versar sobre a realidade como um todo, elas não procedem. Porque todas essas séries nós conseguimos observar, né, e esse é um conhecimento de fundo relevante que a gente tem, nós conseguimos conseguimos observar que nessas séries em particular quando há situações onde você de fato tem o a locomotiva parada e ou removida, né, a ou tem os vagões removidos ah da conexão com a locomotiva e eles não se movem por si, só se movem com a locomotiva. Mas a partir disso você não consegue inferir pra realidade como todo, porque a realidade como todo já está em movimento desde tempo, desde sempre, né? A gente não conseguiu visualizar uma situação onde a realidade, sei lá, teve um momento que ela não tava em movimento e do nada tudo passou a se mover, entendeu? Ah, teve um momento que tudo não tava mudando e passou a se a se mudar. Não, inclusive nas nossas melhores científicas teorias científicas contemporâneas, como a a teoria científica ali do Big Bang, por exemplo, no modelo ali a lambda CDM, né, o modelo ali que trada sobre a expansão do universo a partir de um estado ali singular. Eh, esse movimento já envolve uma de certas coisas que estão em processo de mudança ali já, entendeu? Nessa nessa visão.

Então, é até meio difícil o tomista usar esses essas analogias, essas coisas para tentar versar pro universo como um todo. Isso é uma inferência inapropriada, entendeu? Parece um pouco um tipo de falácia mereológica, de olhar partes aqui, querer aplicar isso pro todo. Outro dia eu tava até refletindo sobre uma reflexão bonita do Carl Seagan, de que somos uma forma de universo enxergar a si mesmo. Tem umas colocações dele assim bem existenciais, bem interessantes, porque somos parte do universo e tal. Aí outro dia eu fiquei assim, pera lá, por exemplo, ah, quando uma molécula do meu corpo faz mitose ou meiose, é aquela molécula, é aquela célula que tá se dividindo, não sou eu. Não é muito adequado eu aplicar esse processo celular a mim. Eu não posso falar que eu estou fazendo meiose. Eu, Daniel, fazendo meiose. Não tem uma célula no meu corpo se dividindo. Da mesma maneira, eh, às vezes a gente vê algumas generalizações meio impertinentes, inadequadas, né? Não é porque, mas tem uma outra, ó, tem uma outra interpretação que você não precisa visualizar que é uma parte de você que está fazendo esse e esse tipo de processo, mas se o seu organismo no todo funcionando, no no todo funcional, ah, contribuindo para que esse tipo de funcionalidade ou esse tipo de eh de processo, né, como de eh meiose, né, eh ocorre, ocorra, né? Uhum. Mas enfim, eh, você pode pensar, eu só é, eu só identifiquei assim, talvez um paralelo com, eh, esse tipo de raciocínio. As pessoas às vezes partem, eu acho que a expressão que você usou foi de um conhecimento de fundo, de observações corriqueiras e querem generalizar pro universo de uma forma meio apressada e muitas vezes inapropriada, né?

Inapropriada, uma referência inapropriada, entendeu? É. É. Então, esse é um é um dos pontos aí que o Obert ilustra. Ah, e eu acho que a gente já pode partir para uma outra via, né? A segunda via.

Segunda via, ela é um pouco parecida, né? Então vamos lá. É um pouco parecida. Objeções similares se aplicam ela, mas eu vou trazer uma noção adicional aqui, tá? Eu vou buscar mais uma água ali, mas tô te ouvindo, tá? Pode, pode ser. Beleza. Uhum. Vamos lá, então. Vamos lá.

Essa exposição aqui que eu vou trazer, né? Essa articulação da segunda via, eu extraio ela do do filósofo ateísta, né? bem famoso na filosofia analítica, que fez algumas objeções interessantes paraa segunda via do Tomás Jaquino, que é o Jordan Hobbel, OK? Ã, Jordan Hobbel, é o nome desse filósofo, é um filósofo atísta aí que ele escreveu um livro de Logic and the Arguments for and I guess Believe in God, OK? Ah, nesse livro aí. OK? Então eu vou trazer aqui a formulação dele, tá? Então vamos lá.

Premissa um. Se existem coisas sensíveis, ah, existem, ó, existem coisas sensíveis e toda coisa sensível tem uma causa eficiente. Existe uma articulação um pouco mais modesta desse tipo de premissa que o Jordan Hard sobre ilustra no nesse livro, só que ele mostra no caso que e a premissa mais modesta não serve aos propósitos do que é intentado se inferir, né, qual do intento do tomista a inferir, né? Então, nesse caso, uma premissa mais promissora seria essa, OK? Seria essa para poder chegar na conclusão de que existe alguma coisa como um Deus. Mas se quiser, eu posso expor a premissa mais modesta também, se vocês quiserem, OK? Então, vamos lá. Então, a premissa um é essa daqui, OK? Mas existe uma versão mais modesta dessa premissão.

Premissa dois. Se uma coisa tem uma causa eficiente, ela tem exatamente uma causa eficiente, OK? E aqui é importante a gente ter a noção do que que ele quer dizer por causa eficiente. Lembra que eu disse que no caso os filósofos analíticos contemporâneos, eles fazem a distinção entre relação de fundamentação ou grounding relation e causa eficiente, né, dos quais eles vinculam com causa originadora, meramente originadora, né, ali contemporaneamente. Então o tomajequino, tomajaquino, não, tomajaquino, causa eficiente, pode ser tanto originadora quanto sustentadora, tá? Eh, e aí a causalidade eficiente sustentadora seria o que os filósofos analíticos contemporâos chamam de fundamentação, de relação de fundamentação, o grounding relation, que é aquela relação de dependência ontológica que eu falei na primeira via, OK? Então, a segunda via trabalha com uma noção basicamente eh similar, se não idêntica, né? É referente aí a esse tipo de coisa.

Então, vamos lá, ó. As causas eficientes, as causas eficientes sustentadoras, né, que seria essas causas fundadoras, né, em termos de fundamentação, de relação de fundamentação, ah, das coisas são anteriores a elas. Aqui anteriores não é temporalmente, é fundacionalmente, OK? De fundamentação.

Quatro. A relação de prioridade é irreflexiva. Que que termo é esse, ó? Nada é anterior a si mesmo. Ou seja, não é que a é que x é posterior a a ou causado por a e x causa a e é anterior a A, entendeu? Eh, ou seja, não há uma circularidade ali nesse tipo de relação de prioridade. Não há uma circularidade de dependência, onde uma coisa produz fumaça, mas a fumaça não produz o fogo. Exatamente. Perfeito. Ó, exemplo didático aí perfeito do Gontio para exemplificar esse bom.

Premissa cinco. A relação de prioridade é transitiva. Ó, CX é anterior a Y e Y é anterior a Z. Então, X é anterior a Z. Que que isso quer dizer? Quer dizer o seguinte: se o fogo produz a fumaça e no caso a fumaça produz, no caso, intoxicação, né? Ah, intoxicação em pessoas que inalam a aquele aquela fumaça, né? Assim dizer, situação. Hã, então no caso ali a inalação, por assim dizer, a enfim, a intoxicação, né? ah, daquela fumaça por parte das pessoas que estão ali a sujeitas à aquelas chamas, né, e, portanto, aquela fumaça, elas são essa coisa causada pelo fogo, é transitivo. Então, a causa ela transita do fogo pra fumaça, da fumaça para intoxicação das pessoas que inalaram essa fumaça, entendeu? Então é basicamente isso, essa é a transitividade causal que tem aqui, segundo a visão do OK, que na visão da da filosofia analítica contemporânea é uma derivação de aspectos aí fundadores para outras coisas, né? Seria esse tipo de coisa, né? Mas enfim, legal. Onde uma coisa depende da outra, depende da outra que vai se transicionando esse poder relevante para as outras coisas, né?

Posterior na minha área, um exemplo eh eh relativamente comum eh que você carrega variantes genéticas que vão influenciar o desenvolvimento do seu cérebro e o funcionamento desses neurônios vai produzir um comportamento no mundo. Então, em alguma medida, a gente pode atribuir causalidade aos genes. Então, estaria aí essa transitividade, né? Os genes produzem um cérebro que e um cérebro produz um comportamento. Então, eh, e a gente poderia até exemplo é a gente poderia ter voltado exemplo didático, é, eh, de onde vieram esses genes e por aí vai. Mas então existe essa, o termo é transitividade, isso, transitividade causal ou fundacional, né, de fundamentação, onde uma coisa depende da outra, que depende da outra e etc, né? E se você remover a primeira, você remove a última, né? Ah, você remove o poder causar relevante da óptica. Mas é isso.

Vamos lá, ó lá. Vamos lá.

Agora premissa seis. Todo ser sensível, que é causa eficiente de algum ser sensível tem em si mesmo uma causa eficiente. Missa seis, porque missa sete, em causas eficientes não é possível ir ao infinito. OK? Inclusive o Jordan Howard Sak esse filósofo ateísta, né, que abordar a segunda via, ele dá algumas citações da da suma, tá, para indicar onde que o defende tal coisa, né? Ele faz, ele tem esse cuidado. Aí, premissa oito. Há uma primeira causa entre as causas eficientes. Mais completamente, há para todos os seres sensíveis que têm causas eficientes, uma primeira causa que não tem uma causa eficiente e não é em si um ser sensível. Isso é oito. Nove. Aquele a quem todos corretamente dão o nome de Deus, né, que é o que se segue de nove, de oito. E a 10. Deus existe, né? Deus existe, né? Então é basicamente isso, essa articulação que o Jordan Hu faz em forma de premissas e conclusão do argumento. Vamos para objeções. Acho que dá pra gente ir para objeções. Bora lá.

Vamos lá, então. Então, vamos começar aqui pela pela ideia da primeira premissa, né, que é essa aqui é a versão mais ambiciosa. Eu disse que tem duas versões dessa primeira premissa, né? Ó, essa daqui é uma mais ambiciosa. Dizer o seguinte, ó. Eu não sei se o Conti pegou, ele tava fora. Existem coisas sensíveis e toda coisa sensível tem uma causa eficiente. Nota, nota, note que é uma premissa ambiciosa para caramba, mas tem uma versão um pouco mais modesta, se quiser eu trago ela, mas não coloquei ela aqui. Exatamente. Posso pegar o livro rapidinho e trazer ela aqui. Mas enfim, vamos abordar essa daqui porque eu acho que eh essa daqui vai servir justamente para prosseguir a na cadeia do raciocínio, porque o Jordan H sabe ilustra que a outra premissa mais modesta sequer favorece a coisa andar muito, entendeu? Mas enfim, vamos lá.

A gente já pode começar objetando isso aqui. Primeiramente, a gente já pode objetar a própria noção da existência de causalidade, né, como o Jordan Hard sobe o mesmo faço, da existência de uma causalidade eficiente sustentadora, OK? A ideia de que existe de fato essa sustentação de fato, né? Essa coisa de uma coisa sustentando a outra, que sustentando a outra e etc, né? Por quê? Porque na verdade o Aquino ele é ambicioso no sentido de que ele quer que a demonstração dele chegue na causa que seria Deus, através de efeitos que são mais manifestos do que a causa. E não parece ser tão manifesto assim que as coisas têm uma causa sustentadora genuinamente.

O J Hard Soel, ele ilustra que os exemplos em questão do aqui no de outros tomistas como Edward Fezer, são exemplos ali são exemplos ali que no caso ah, eles não ilustram diretamente a existência de uma causa sustentadora genuinamente, mas se de uma causa que ele denomina, né, o Jordan H denomina como perpetuadora. Perpetuadora.

Qual que é a distinção de uma causa eficiente sustentadora, segundo o que aqui não pretendia, e no caso, uma causa eficiente perpetuadora, né, do de certos efeitos. Basicamente o seguinte, uma causa sustentadora seria uma causa do cujo qual? Se você remove um membro da série ou qualquer coisa assim, um membro mais fundamental, por exemplo, que seria o primeiro da série, então os efeitos imediatamente se cessam. Imediatamente tirou o primeiro membro da série, cessou. Então, sei lá, tirei o primeiro membro aqui da série de sustentação desse copo, ele imediatamente já cai e já quebam na hora ele cai, ele não tem um delay de queda, ele não tem um delay de queda ou qualquer coisa assim, né? H, ele cai imediatamente com tudo, acabou.

Só que isso não é muito bem o que parece, esse é o caso que acontece. O que acontece é que parece ter um delay da queda, tem um pequeno delay da queda, né? Um pequeno atraso na queda do copo, entendeu? Se eu remover tudo isso aqui, né? Se eu demolir a casa e o copo tiver aqui em cima da mesa e tudo cair e a mesa cair, etc., né? Tudo for derrubado, ah, o copo ele vai ter meio que delayzinho para cair. Ele vai ter um delayzinho ali para cair. Ele não vai cair imediatamente, vai se quebrar imediatamente, já era. Não, não vai ser assim.

Isso o seguinte, que parece ser o caso que a a ideia de uma causa sustentadora, a eficiente sustentadora, não é bem suportada, evidencialmente pelo que a gente observa no mundo, mas sim de uma causa de causas perpetuadoras. Ou seja, ah, se eu deixo, no caso, o copo aqui em cima da mesa e eu removo a mesa ou qualquer coisa assim, né? Rapidamente, o copo ele vai cair, obviamente, porque ele dependia da mesa para permanecer aqui em pé desse modo, mas ele vai cair com delayzinho, ele não vai deixar, ele não vai cair na mesma hora e exatamente vai se quebrar na mesma hora. Não vai ter algum delayzinho, vai ter uns segundos até ele atingir o chão, como se fosse assim, qualquer superfície que esteja lá embaixo, né? Exatamente.

E se você e se o Aquino ele pretendia advogar toda a existência de um Deus que confere a existência para todas as coisas como caus eficiente, né, ou algo assim, então ele tá com problema. Ele tá com problema porque se de fato isso é o caso. Se não existem exemplos claros de uma causa eficiente sustentadora no nosso mundo, somente de causas eficientes originadoras, ou seja, sei lá, o Jornal Rob ele dar o exemplo da galinha botando ovo, né? Ah, então a gente consegue ver que tem uma causa eficiente originadora aí, né? A galinha ela originou o ovo, né, nessa nessa circunstância. Ah, mas a gente não tem o exemplo de uma hierarquia, a gente não tem exemplo de causas eficientes sustentadoras, quanto mais uma hierarquia de causas eficientes sustentadoras. a gente não tem exatamente genuinamente esse tipo de exemplo.

Então, a objeção do Jordan Hord Sobel e há essa prima, premissas, né, a essa noção de causa eficiente aqui do do Aquino é essa, que o que existem são causas meramente perpetuadoras ah, dos quais ali se você remove, né, a causa primeira ali ou a causa que favorece ali a perpetuação de uma certa coisa, a aquela coisa ela vai tender a deixar de ter aquele poder causal relevante, mas com delays, né, não vai na mesma hora, né? E Deus seria o ser que sustenta tudo na existência cada momento do tempo. E se você e se ele fizesse assim, você deixaria de ser, segundo a visão dos tomistas, né? O que eles pretende que Deus seja. Ah, e o que é necessário para que eles atinjam essa essa ideia, né? Para eles cheguem nessa ideia. Então, se não existe esse exemplo caso, pô, a primeira premissa já é rejeitável, tá? Já é rejeitável ali por um agnóstico. OK? Ah, então a gente já começa aí as objeções. Vamos para outra premissa, né? Vamos fazer uma premissa. Bora lá.

Vamos lá. Vamos para prça dois. Se uma coisa tem uma causa eficiente, ela tem exatamente uma causa eficiente. Vamos supor que de fato a gente tem uma série de causas eficientes, sustentadoras. Vamos supor aqui, né? Vamos supor que a primeira objeção do Jordan H sobra, ela não procede. Tom, ele consegue ilustrar que sim, tais cadeias são exemplos claros de cadeias eficientes, sustentadoras e blá blá blá blá blá blá blá. Ainda assim surge a objeção do Thomas Oberta, que é aquela lá que a gente fez, OK? Aquela lá que a gente fez pra primeira via se aplica igualmente para essa premissa dois da segunda via, OK? Porque pode haver uma regressão claramente infinita de causas eficientes, dos quais ali o poder causal relevante de um membro posterior, né, é derivado de outros membros anteriores, né, prévios ali naquela série, mas isso regride infinitamente, OK? So infinitamente existe essa possibilidade.

Note, a gente não precisa se comprometer com a ideia de que isso de fato é o caso. Só que é possível. Exato. Só que é possível que o tomista ele não descartou essa alternativa. Ele não conseguiu demonstrar que essa não existe essa alternativa de forma adequada, né? Tem outros argumentos que o Aquino traz na literatura dele. Eu sei que os tomistas vão assistir aqui. Não, mas ele traz outros argumentos, ele traz não sei o quê. Eu sei, eu conheço todos os argumentos, amigo. Mas não vai dar tempo de abordar nessa live. Entendeu? Então, só para deixar aqui. Ah, eu acho que essa, inclusive eu já falei pro Contio, se prepara porque vai ter reacts infinitos de tomistas ao seu vídeo. Vai, vai ter vi para caramba de tomista, se prepara. Mas enfim, vai ter uma regressão infinita de tomistas fazendo react. Mas enfim, é isso. Hã, e o que que acontece? Ah, que acontece? Então, essa objeção, ela se aplica igualmente, né? O ponto do se aplica igualmente contra a segunda via, né? contra essa segunda premissa eh do da segunda via, né?

Aí a gente vai aqui com a ideia de que a relação de prioridade é irreflexiva, nada é anterior a si mesmo. Isso aqui envolve a irreflexividade da da noção de explicação metafísica envolvendo aquela relação que eu denominei como relação de de fundamentação, grounding relation, né? Eh, então é isso, né? H, então é eh essa questão, né? is envolve a ideia de que no caso os seres, né, ali, ah, por assim dizer que são causados eficientemente, né, que são seres sensíveis, em virtude deles serem, por exemplo, mesclados de matéria e forma, de terem ali a distinção entre substância e acidentes, ah, exclados ali no caso, ã, de essência e ato de ser, né? E aqui é uma terminologia atomista relevante termo, né? Ah, onde a essência é o que caracteriza uma pessoa, né? Uma coisa, aliás, a acerca do que ela é, né? Como eh acerca do que ela é, ou seja, é a forma substancial, a essência e a acuididade da coisa, né, que é denominada.

Hã, essa e essa coisa, né, que caracteriza, que informa, né, permite, no caso, a gente inteligas coisas como informadas por essa forma específica como esse microfone, né, ah, como essa matéria que espeda de matéria serem informado pela forma do microfone, né, e a gente intelig esse microfone, né, como sendo um microfone ali, né, da da classe ou do gênero da espécie do microfone. O que que acontece? Eh, essa essa noção, ela envolve a ideia de que, no caso, eh, existem as coisas sensíveis, elas são compostas de matéria em forma de aspectos que favoreça que elas não são a as coisas mais fundamentais que há e que permitem a explicação das outras coisas, né? Porque no caso essas coisas, por assim dizer, elas dependem da atividade causal eficiente de uma outra coisa que tenha todos esses aspectos reais e que favoreça a atualização dessas potencialidades reais por exemp, ou seja, que seja puramente atual, seja ato puro, que é chamado, né? Vocês já ouviram falar esse termo ato puro.

Ato puro por quê? Porque esse ser teria todas as potencialidades, por assim dizer, atualizadas nele, ou seja, ele seria puramente real, puramente atual. E, portanto, ele teria todo o poder causar relevante, eficiente para poder derivar para todos os outros membros, né? Tipo o ovo da galinha, a galinha teria as propriedades atualizadas que permitiriam que o ovo surgisse. Algo mais, exatamente, algo mais simples não produziria algo mais complexo que si mesmo com outras propriedades e tal? Na realidade, não. É o contrário pro tomista. na real, na realidade protomista, né? Na proMista, eh, as coisas que são compostas, elas demandam eh de uma explicação ulterior do porque que elas estão compostas dessa maneira que estão. Ah, então ah, aí chega a noção de distinção entre essência e existência ou essência e ato de ser, o essência e existência, né, que é denominado, né? O termo existência, ele pode ser intercambiado com ato de ser ou s, né, que é denominada. A noção mais técnica dos tomistas é esse, é o S tomista, né, que é chamado. O S é basicamente a existência que é mesclada com a essência das coisas e que favorece a atualização delas na realidade. favorece com que as coisas ideais, né, as coisas ali presentes no intelecto divino, né, de Deus, por assim dizer, sejam atualizados e tornados reais, né, atualmente reais, né, genuinamente reais, né, ah, através da mesclagem disso, né, da mesclagem da essência, né, com a existência que Deus impui, né, embute nessas coisas, entendeu? Deus embute nessas coisas.

E aí o que que acontece, né? Hã, essa noção é vinculada com a próprio outro argumento chamado dente. A gente não não sei se vai dar tempo da gente entrar nesse argumento, mas que é um argumento que geralmente ele é recorrido para poder se fundamentar, inclusive algumas das premissas da primeira e da segunda via. Então, às vezes tem isso daí implícito no raciocínio da da segunda via, noções desse outro argumento implícitas tanto na primeira quanto na segunda via. E é por isso que eu tô explicando isso agora, entendeu? Então é importante ter esse tipo de noção em mente.

Então, pros tomistas, a o esse ou a existência, ela é uma propriedade de primeira ordem, né? Uma característica de primeira ordem de substâncias ou essências, né? Então, ah, e é por isso que, no caso, as coisas que são compostas eh de essências e existências, elas demandam uma explicação de uma coisa mais simples dos quais ah doos quais ali ela não demande uma outra explicação anterior, entendeu? Então, para eles, ah, na verdade, Deus ele é absolutamente simples, principalmente pustomistas. Deus é absolutamente simples, né? Ele não é composto de partes metafísicas, né? para existe uma eh para entender essa visão, né, dos tomistas, né, o por que eles assumem que Deus ele é absolutamente simples, né? Ah, então no caso ali, por que que para eles a onisciência, a onipotência, a onipresença são numericamente idênticas umas às outras e numericamente idênticas ao próprio Deus, portanto, né? Ah, ou seja, Deus não é composto, ele não é tem o atributo da onipotência, ele é onipotência, ele não tem o atributo da onisciência, ele é onisciência, ele não tem o atributo ali da imutabilidade, ele é imutável. Absolutamente mutável. Ele não tem o atributo da temporalidade, ele é absolutamente atemporal, né? Não é sujeito ao tempo. Ah, para entender essa visão, a gente tem que entender a concepção de partud dos tomistas, ou seja, de teorias de de partes, né, de composição ali, coisa e tal, né? Como é que se dá essa noção de de partud, né, da filosofia atomista? Basicamente, a noção de partad envolve a ideia de que qualquer coisa, dos quais as suas características intrínsecas, né, envolvam itens ontológicos positivos. Ah, e itens ontológicos positivos é qualquer coisa que exista, tá? Ah, então qualquer coisa que exista dentro de uma coisa e que não seja numericamente idêntica a ela, ou seja, que seja ter uma mesmice completa de identidade com aquela coisa, né? Ou seja, seja mesmissimamente igual à aquela coisa, ah, essa coisa é composta de partes, tá OK? Partes metafísicas, físicas, temporais, etc., né? Eh, qualquer coisa assim, meu dente, sei lá, alguma coisa assim, ó. Dá um exemplo concreto aí pra gente visualizar.

Então, sei lá, eh, eu, David, né, sei lá, esse microfone aqui, esse microfone, ele é composto de vários componentes ali, de várias coisas, né? H, por assim dizer, eh, vários elementos ali dele, né, que fazem parte dele, eh, dos quais são numericamente distintos do microfone, né? O, sei lá, uma peça do do microfone não é idêntica ao microfone em si, né? Uma peça que o microfone tem dentro dele não é idêntica ao microfone, né? Você não vai dizer que uma peça do microfone é um microfone, né? Não, microfone, ele é um composto de várias partes, de vários componentes que propiciam, no caso, inclusive, com que ele funcione apropriadamente para poder exercer a função nele. Deus, não, não, não seria dessa maneira. Eu não entendi. Então, por não, porque tudo é porque tudo aquilo que é composto demanda uma explicação anterior acerca de como elas, as peças, né, os componentes vieram a ser combinados, por quem, por exemplo, essas peças foi, foram, vieram a ser combinadas. Ah, sim, sim. Entendeu? E mas aí é só um pressuposto, então é só uma Sim. Só assim, é um pressuposto, não tem, não tem um um argumento forte que viabilize esse tipo de ideia, não.

Ó, eu tô só supondo. Isso, tem, ó, tem um, tem um argumento que é justamente o que eu mencionei agora, o argumento chamado Dente, que geralmente os tomistas não mencionam ele muito, mas ele é um argumento crucial pro tomismo sair do chão, né, para os argumentos tomistas saírem do chão como demonstrações. E mesmo assim, é um argumento totalmente ruim, muito ruim assim, quando a qualidade é pior até do que as vias. Mas enfim, eh, mas vamos lá. Eh, quem ilustra isso de forma brilhante, né, os defeitos desse argumento é o Joy Schmid, né, o Joseph Smid e o Daniel Limford, né, o filósofo da física Daniel Limford no livro Existential Inerti and Classical theic proofs, né? Mas enfim, eh, é isso.

Então, vamos lá. Tendo essa visão de parte em mente, a gente consegue ver o porquê, no caso ali [Música] a demanda, no caso, porque que haja uma única causa eficiente para todas as outras coisas. E no caso, há essa demanda que essa causa eficiente, por assim dizer, ela seja ah absolutamente simples, por assim dizer, né? Ela seja ali ah um candidato apropriado para que, no caso ali, ah se derive, né, o poder causar relevante para todas as outras coisas, né? Hã, então, só que aí é que tá, beleza. A gente tem essa noção de tomista, essa noção de que, no caso, as coisas elas passam a existir na medida em que elas são mescladas com a existência com o ser, né, que é imbuído por esse Deus, né, ah, como uma causa eficiente que eficientemente ali existência nessas coisas e coisas e tal, né? Eh, e que, portanto, dependem constantemente dele, imbuindo essas coisas de existência para que elas persistam ali ao longo do tempo, né, eficientemente, né, de forma extrínseca. Só que tá, tem dois tipos de argumentações contra isso, né? Primeiro, existe uma argumentação através da noção de uma noção que o George Media articula e o Daniel Limford que é chamada de inércia existencial. Não sei se vocês já ouviram falar isso. Acho que o Benites, o Mateus Benit já comentou isso inclusive no debate com Cogos, né? Ah, o que que é a inércia existencial? A inércia existencial é uma tese que foi desenvolvida pelo Schmid, né, de forma mais detalhada, mas já havia sido desenvolvido por outros filósofos anteriores analíticos, né, como o John Badhein, né, o John Badhe e e outros, né, o Robert Paul e aliás, Paul Paul, né, e outros, ah, para poder lidar com a questão do fenômeno da persistência das coisas, né, dos objetos concretos temporais. O que que são os objetos concretos temporais? Então, basicamente sou eu, Contijo, esse microfone, enfim, essa garrafa aqui, enfim, essas coisas, né? Nós somos objetos concretos temporais, ah, porque estamos sujeitos ao tempo, podemos entrar em relações causais, né, uns com os outros. Ah, e nós persistimos ao longo do tempo, né, nós nós persistimos ali ao longo do tempo, hã, ali, né, segundo essa visão, né, para assim dizer, e de causalidade eficiente e sustentadora dos tomistas. Ah, isso vindicaria a ideia de que nós devemos, né, nós precisamos ser sustentados por Deus a cada momento do tempo para que a gente persista na existência ao longo do tempo, diacronicamente. OK? Ah, só que o timid ele desenvolve essa tese de forma mais detalhada, né, que foi desenvolvido as outras fós anteriores primariamente, né, mais primitivamente, mas foi trabalhada de forma mais detalhada por ele, que é a noção de inércia existencial. O que que é inérciaal? É basicamente a tese de que eh para qualquer objeto temporal ou ou algum subconjunto próprio do de objetos concretos temporais, né? Ã, esses objetos eh concris, né? Persistem esses objetos concretados temporais ou persistem, no caso ali, hã, ao longo do tempo, ou seja, de um tempo T1 e T2, né? eh, na ausência de fatores causais ou, enfim, sustentadores, enfim, fatores causais ou, enfim, fatores destrutivos em termos gerais, não precisa ser exatamente causal, né? Ah, fatores destrutivos ali, ah, que favoreçam com que essa coisa deixe de ser ali em um momento anterior, né? Ah, é bem a lógica da inércia do movimento. Exatamente. Tem um paralelo, tem um paralelo com a inércia. Um objeto permanece em repouso ou em movimento, a não ser que alguma força anule esse movimento. Mas nesse caso, um ente continua existindo a não ser que algum objeto, alguma outra força destrua ou degenere, sei lá, esse esse é ou degenere ou atue sobre ele de forma fora com que ele deixe de existir, né, nesse caso aqui da inércia existencial. Mas você notou um paralelo importante, porque o que inspirou em alguma medida a o desenvolvimento da tese da inércia existencial como do John Bhe foi algumas analogias com a inércia mecânica, com a inércia, entendeu? Isso que inspirou esse filósofo, né, o John Badhe e outros, né, por assim dizer, a trabalhar nisso, tá, a trabalhar nessa tese, né? Ah, e aí o que acontece? Existem várias noções diferentes, né, desenvolvidas acerca dessa tese, né? Então tem várias versões dessa tese diferentes, mas essa é uma visão mais simplificada que eu ilustrei aqui, né? É uma mais geral assim que a gente pode tomar que é mais didática. Ah, e o que acontece para que o tomista ele motive, no caso ali a o ponto dele, ele tem que de alguma forma justificar o porque que no caso ah é necessário que de fato exista uma causa eficiente extrínseca, por assim dizer sustentadora, para que aquela coisa persista na existência e não que essa existência, né, que as coisas elas tendam a persistir por si mesmas, entre aspas, né, se persistir por si mesmas em virtude da inércia existencial, né, eh, seu caso, né, até metafísica da inércia existência seu caso. Note, não somos nós que temos o ônus da prova de demonstrar que a tese da inércia existencial é é verdadeira. São eles que tem que demonstrar que ela é falsa, que qualquer articulação da inércia existencial possível é falsa. Por quê? Porque os argumentos tomistas, eles não são argumentos probabilísticos, eles são argumentos metafísicos apodíticos que eles visam ilustrar se ilustrar como demonstrações metafísicas apodíticas, inegáveis, irrefutáveis, né, supostamente, eh, que no caso não podem ser negadas razoavelmente por um ateu agnóstico. E a gente não tá colocando, ou você especificamente não tá colocando a inércia existencial como algo que é a realidade. É naquele sentido de é uma possibilidade. Como vocês lidam com isso, tomistas? Exatamente. Como que vocês ligam lidam com isso, caros tomistas? vocês t que motivar de forma apropriada a a tese da sustentação existencial de da tese da sustentação teísta clássica, né, ou conservação divina ah de vocês, que as coisas no caso que são contingentes, né, que são compostas de matéria e forma, elas têm essa tendência de deixarem a existir, ou seja, de se corromperem ao longo tempo, eh, no caso, na ausência de fatores eh causais eficientes sustentadores. Nesse caso, Deus, pode ser o contrário, pode ser que as coisas, na verdade, elas tenha tendência a persistirem inercialmente, a menos que outros fatores destrutivos ali, né, em virtude, sei lá, do ambiente, por exemplo, ah, enfim, as condições, né, a ali enfim, a forma como no caso certas moléculas estão interagindo nos corpos, qualquer coisa assim, e estão favorecendo ali, né, com que no caso a gente, sei lá, se degrade ao longo do tempo, né? Ou seja, são fatores causais destrutivos, né? Outros fatores destrutivos que estão atuando sobre o nosso corpo que tá fazendo ele se degradar ou ele se corrompendo. Não é que ele tá se corrompendo por si mesmo, entendeu? Eh, e ele precisa de uma causa eficiente sustentadora pra gente continuar eh persistindo qualquer coisa assim, né? Não é isso, né? É o contrário, né? Na realidade a gente não tem a tendência a a deixar de ser, né? A gente tem uma tendência a continuar sendo até que, no caso, esses fatores atuem sobre nós, né? De forma a destruir o nosso corpo, degenerar a gente, coisa e tal, né? Ah, então vocês t que justificar o porque que essa visão não é possível, porque que esse tipo de visão alternativa não é possível. Legal, legal. Entendeu? Boa. Tem mais objeções. Tava formulando aqui uma objeção, mas eu vou vou amadurecê-la mais um pouquinho. Já já eu compartilho, talvez. Mas e aí? Pode pode seguir.

Então, vamos lá. Eh, eu acho que vai ser bom a gente já para a terceira via. Eu acho que a gente já deu umas palinhas nessa segunda. Boa, boa. Vai que a gente consegue chegar até a quinta em alguma medida. Seria legal a gente conseguir passar por todas. pessoal, acho que o pessoal tá, apesar de ter algumas pessoas não tão entendendo, o pessoal tá gostando. É, é um assunto complexo e, e, e talvez quem teve algum contato com esse tema em outro momento, já leu alguma coisa, já assistiu alguns vídeos, consiga acompanhar melhor. Então, isso pode acontecer. Teve alguém até pedindo indicação de materiais complementares para é deix no finalzinho o David vai deixar algumas indicações aí para quem quiser. Vou indicar inclusive um vídeo que eu legendei muito bom, um vídeo que eu legendei muito bom lá no meu canal. Vou colocar aí na tela porque lá nesse vídeo eu deixei no comentário fixado todos os artigos que a gente traduziu na pensão naturalista referente à vias do aquino e outros argumentos texistas clássicos. Não só as vias, mas outros argumentos texistas clássicos também se aplicam. Nossa. OK. Vamos lá. Bora pra terceira, então. Terceira via, via da contingência, né, que também não é nomeada, ou da do ser necessário do ser possível, né, ou do ser ah necessário do ser contingente, etc. Mas enfim, vamos lá. Essa daqui tem bastante premissa, tá? Então vamos lá. É, essa formulação, essa articulação aqui em premissas e conclusão, eu tirei de um filósofo chamado Edward Mode, né, Edward Mode, que também é um crítico aí da via, da terceira via. Eu tirei de um do mesmo livro que eu tirei lá do Richard Jan e o Roger Hunt, tá? Então, quem tiver interesse é o Revisiting Aquinas Proes for the existence of God, editado pelo Robert Arp, tá? Então vamos lá. E tirei da parte três do livro. Então vamos lá. Premissa um. Algumas coisas foram geradas e corrompidas, OK? Ah, ou seja, algumas coisas ali elas foram geradas através da composição e outras foram corrompidas através da decomposição, né? Aquelas noções ali dos tomistas. Premissa dois. Tudo que é gerado e corrompido é possível tanto existir como não existir. Premissa implícita que aqui o remode ele torne explícita, tá? Essa é uma premissa aqui que geralmente fica implícita, mas tá explícita. Hã, portanto, aí consequência, né, de conjunção de premição um e dois, né? Ah, portanto, há coisas que são possíveis existir e não existir. OK? Ah, premissa quatro. O que é possível não existir em algum momento e eh o que é possível não existir em algum momento não existe. OK? Cinco. Portanto, se todas as coisas não fossem capazes de não existir, em algum momento nada existiria de premissa quatro, né? Derivação ali de premissa quatro, né? Ah, vamos lá. Seis. O que não existe não começa a existir, exceto por meio de outra coisa que existe. OK? Seis. Sete. Por conseguinte, se nada existisse, seria impossível que alguma coisa começasse a existir. Derivado de seis, OK? Decorrente de seis. Aí oito, premissa oito. Portanto, se em algum momento nada existisse, então nada existiria agora de sete, OK? Premissa sete. Nove. Portanto, se tudo fosse capaz de não existir, então nada existiria agora, né? de conjunção de premissa cinco e oito, né? Derivada ali 10. Mas algo existe agora, OK? 11. Portanto, nem todos os seres são capazes de não existir, ou seja, contingentes ou possíveis de conjunção de premissa 9 e 10, né? Derivação da conjunção de premissa 9 e 10. 12. Portanto, existe algo que é necessário, ou seja, não é capaz de não existir. Ó, derivado de 11, premissa 11. 13. Todo ser necessário tem uma causa de sua necessidade de outro lugar ou não tem. OK? A gente vai entrar nesse ponto já, né? Por que o o aqui no até os seres necessário, até um ser necessário tem causa, né? Teria causa, enfim, ou algo assim. Vamos lá. 14. Mas não é possível proceder a de infinito, ou seja, ao infinito em séries de necessários, né? em seres necessários que tem uma causa para sua necessidade. Como já foi provado em relação às causas eficientes. Olha a causa eficiente aqui, ó. O que que tá aparecendo aqui? Causa eficiente, prestem atenção. Isso ilustra o quê? Uma dependência em certa medida do quê? Da segunda via, né? De uma noção alinhada com a segunda via. 15. Portanto, é necessário postular algo que é necessário por si mesmo, não tendo a causa de sua necessidade de outro lugar, mas é a causa da necessidade de outras coisas, que é o que todos chamam de Deus. OK, Deus. Então vamos lá. Vamos agora começar com as objeções desse argumento, né? Ou pelo menos as explicações primeiro dos pontos referentes a argumento. Tem mais alguns detalhes aqui que é importante saberem. Vamos lá. A primeira coisa é que a noção de possibilidade e necessidade aqui e, portanto, de contingência e necessidade aqui não é a mesma dos filósofos analíticos contemporâneos. A primeira coisa que a gente tem que ter em mente, OK? Ah, o que que os filósofos analíticos acadêmicos tem em mente quando eles vão falar de necessidade, de possibilidade, de contingência? Eles estão pensando no que é do denominado de semântica dos mundos possíveis. Não sei se o já ouviu falar, semântica de mundos possíveis, né? St é vem do Stuner e do David Lewis, né, que trouxe a questão do realismo modal e coisa e tal, né? Ah, esse filósofo aí, né, que é o David Lewis, ele foi o que mais martelou nessa questão, mas outros filósofos também, dentre aqueles filósofos cristãos como o Alvin Plantiga, né, Alvin Planter, eh, o que que acontece? Essa noção de mundos possíveis, ela envolve justamente a ideia de você imaginar, não ou de você pensar, de você conceber, por assim dizer, né, usualmente, né, nação concebilista, cenários de mundos possíveis na onde certas verdades, né, ah, certas verdades ali, elas, certas proposições, né, sobre certos domínios, ah poderiam ser verdadeiras ou falsas. Por exemplo, se proposições matemáticas, né, ou alegações matemáticas ali que expressam proposições matemáticas, ah, se referindo no caso a proposições ali, ah, matemáticas ali verdadeiras, por assim dizer, essas verdades matemáticas, né, ah, por elas não poderem ah não poderem ser falsas em nenhum mundo possível, né, por assim dizer, por elas serem verdadeiras necessariamente, né, através de uma demonstração eh matemática, ah, que um matemático ilustra ou algo assim, né, hã, elas são consideradas verdades necessárias, porque em qualquer mundo possível aquelas alegações matemáticas que expressam proposições matemáticas, elas são verdadeiras, OK? Porque foram demonstradas matematicamente que elas são um caso e não poderia ser diferente, ok? H, então verdades necessárias são aquelas que são verdadeiras, né? São verdades em todos os mundos possíveis, né? Porque elas não poderiam ser falsas, né? Pode dizer. Simplesmente por uma questão de lógica, David, do tipo, eh, em qualquer mundo imaginável. Um solteiro não pode ser uma pessoa casada. É, você um exemplo mais didático, né? Boa. Uhum. Se a gente vai, seria uma verdade por definição. É porque seria uma verdade por definição. Ou seja, necessariamente pelo próprio conceito ah do que que seria um casado, ele não poderia ser solteiro, né? Por assim dizer, né? Ele não poderia não ser casado, né? Eh, que daí envolveria a coisa, ela ser uma coisa e não ser ao mesmo tempo. Ali sobre o mesmo aspecto, né? Entendi. Eu fiz uma afirmação, eh, eu dei um exemplo mais que que depende da definição do que é ser solteiro ou ser casado. No caso da matemática já não seria bem isso, né? A gente já teria uma operação de adição. 2 + 2 sempre resultará em quatro, em qualquer mundo imaginável. Sim. De acordo com certas regras da aritmética, né? De operações ali matemáticas ali. Mas enfim, aí o que que acontece? Tendo em vista isso, ah, o as verdades contingentes são aquelas que poderiam ser falsas em algum mundo possível. Então, sei lá, ah, agora é o caso que, sei lá, ah, o Gontijo ele é dono do Instituto Ponto Azul, né? Enfim, ele é um dos fundadores ali do Instituto Ponto Azul, né? Ou o fundador do Instituto Ponto Azul, mas há um mundo possível em que Daniel Gontio não é o fundador do Instituto Ponto Azul, né? Ah, ou seja, nesse mundo atual, né? é mundo atual aqui, né? Ah, Gontijo de fato ali, enfim, ele é o doutor em neurociência. Ah, e ele trabalha com psicologia da religião, mas em um mundo possível, né? Há um mundo possível em que Gonti não é doutor em neurociências e não é não trabalha com fsicologia da religião, entendeu? É basicamente isso que os filósofos analíticos querem se referir. Ele essa semântica chamada de semântica de mundos possíveis, né? O David Shalomers fez o seu experimento com zumbis. imaginar o mundo onde há seres que têm comportamentos complexos como nós, desprovidos de consciência. Então ele faz todo consciência fenomênica, né, que ele chama que é qualha, que é o qualha. Exato. Exato. Então eu acho que ele trabalha em cima dessa noção de um mundo possível, né, para trabalhar esse argumento dele, tá? Sim. É um argumento concebibilista que é chamado o argumento é de zumbis filosóficos, né, na filosofia da mente. Ah, então é isso, né? Ah, então essa noção que os filósofos analíticos tm, mas a Aquino não tem essa noção. Aino não tem essa noção. Quando ele tá desenvolvendo a terceira via, tá? Ah, quando tá des na terceira via, o que ele tem em mente por seres necessários, seres contingentes, é basicamente seres, no caso ali contingentes, seriam aqueles que são compostos de matéria e forma e, portanto, são passíveis de serem gerados e corrompidos, né? Serem passíveis de geração, eles são passíveis de geração de corrupção, né? Hã, então esses seres eles são seres chamados de também de seres possíveis, né? Ah, pelo aquino. Já os seres necessários são aqueles que não são compostos de matéria e forma. Então, sei lá, ah, como o aquino ele rejeita a ideia de uma ideia chamada de ilumorfismo universal, ou seja, a ideia de que tudo é composto de matéria e forma, inclusive os anjos para aquilo eh os anjos eles são pura forma, eles não são compostos de matéria, então eles são pura forma. Eh, e há outras entidades, né, outros seres ali celestiais ou qualquer coisa assim, não são compostos de matéria, né, eh, de matéria e forma, né, eles são compostos de essência e existência, mas não de matéria e forma, entendeu? H, e os seres contingentes pro Aquino são os que são compostos de matéria forme e são passíveis de serem gerados e colompidos. OK? Ah, tendo em vista isso, que que aconteceu? Eu entendi do ponto de vista, digamos, técnico, lógico, o que você tá descrevendo, mas para mim é inconcebível o que seria, entende? Assim, eu não consigo imaginar o que seria um ser que não tenha forma, não tenha matéria. Um pouco estranho isso para mim. É porque o Gonti ele é quase um fisicalista ali ferrenha, aí é meio difícil para ele conceber essas coisas. Mas enfim, vamos lá. Eh, mas vamos prosseguir aqui, né? Essa noção que eles têm, né? Essa noção que eles têm ali de o que que é um ser necessário, o que que é um ser contingente, né? E o que acontece, né? Aí é assim que o argumento roda com essa noção em mente. Agora acho que a gente pode prosseguir paraa avaliação da plausibilidade das premissas, correto? Vamos lá, ó. Tudo que é gerado, ó, tudo que é gerado e corrompido é possível tanto existir como não existir. OK? Eh, isso aqui envolve essa noção de que, no caso, as as coisas que são compostas de matéria e forma, elas são contingentes, por assim dizer, e que o fato delas serem contingentes implica que um dia elas não vão existir, que elas têm essa denência a deixar de existir, né? Hã, então vamos prosseguir aqui. Portanto, há coisas que são possíveis existir e não existir. O que é possível? Agora vamos paraa quatro, que essa é uma problemática. O que é possível não existir em algum momento não existe, né? Isso aqui eh é meio complicado, porque aqui tá falando exatamente da ideia de que o que é possível não existir em algum momento do tempo, ah, um dia não existiu, né? Ah, um dia não, eh, em algum não existe, né? Ah, portanto, se todas as coisas, ó, se todas as coisas fossem capazes de não existir, em algum momento, nada existiria. H, então vamos lá. Isso aqui é meio complicado porque é o seguinte, há certas coisas, né? Há uma um filósofo chamado Felipon, que no caso ele trabalha com com uma argumentação em favor de uma visão que é chamada de ah ceticismo modal mitigado, OK? Ceticismo modal mitigado. Que que é isso, David? Que é esse negócio de ceticismo modal mitigado? Eh, basicamente é um ceticismo acerca da nossa do nosso conhecimento, na nossa capacidade de obter conhecimento modal acerca de possibilidades, necessidades, contingências, etc., né? Ah, então esse filósofo, ele argumenta, né, em um contexto de argumentação contra outro filósofo panenteísta cristão chamado Joshua Rasming, né? Ah, Joshua Rasming, né? eh em um livro, né, livro de debate entre ele e e esse filósofo, né, denominado is God the best explanation of things, né, ou seja, é Deus a melhor explicação das coisas, um diálogo. Em um dos capítulos, ele trata justamente sobre essa questão do ah da dessa problemática envolvendo noções modais, né? Primeiramente, é é objetável que qualquer coisa composta de matéria e forma de fato, a poderia eh é possível, né? É possível de não existir ah eh em algum momento, né? Se todas essas coisas é possível de não existir em algum momento, ou seja, não existe nada que seja composto de matéria e forma, né, por assim dizer, e que não seja passivo de destruição, né? Eh, portanto, no caso, a premissa dois e a premissa quatro, né? Ambas são controvérsias nesse quesito, porque é controvérs que a gente deva aceitar essa noção de modalidade ali, que é vinculada com uma epistemologia denominada como essencialista, né? Que que é epistomologia essencialista, né? A, basicamente, a epistemologia essencialista, né, assim como a epistemologia racionalista, atribui um papel muito relevante pra nossa concebilidade ali, né? Pra nossa capacidade de concebilidade como uma forma de obter conhecimento acerca das possibilidades reais no mundo, ou seja, de coisas que são realmente possíveis no nosso mundo, né? ah, de se obterem no nosso mundo. H, então, eh, esse filósofo, ele ilustra problematizações para essa noção de que o nosso, a capacidade de ter conhecimento modal, ela é tão ampla assim, que é meramente eu sentar aqui da minha poltrona, né, eu sentar aqui na minha cadeira gamer aqui, eu vou conseguir refletindo, raciocinando sobre, no caso, a essência das coisas, a forma das coisas, etc., eu vou conseguir obter o conhecimento acerca de do que que aquela coisa é possível de ser ou não é, se casar necessária, né, de ser daquele jeito que não é e coisa e tal, né? Então esse filósofo, né, o Filipe Lima, ele traz um argumento chamado de argumento em favor do da posição do ceticismo modal mitigado, né? Eh, e depois ele motiva inclusive o empirismo modal a partir do cicismo modal mitigado. Então ele vai dizer o seguinte: basicamente as nossas capacidades de obter esse conhecimento, elas são meio falhas, né? Elas são meio falhas, né? Ah, e no caso, a forma da gente obter conhecimento usualmente envolve o conhecimento de necessidades a posteriore, né? Eh, e não necessariamente e não propriamente a priori, né? ali. Ah, e essas necessidades a posterior que a gente toma conhecimento, né? H, elas favorecem uma restrição acerca das possibilidades reais que uma coisa pode ser na medida que a gente obtém esse conhecimento empírico relevante. Então, por exemplo, antes, né, no caso ali do descobrimento que a água ah ela é H2O, né? Ou seja, ela duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. Ah, a gente não sabia exatamente qual que era a natureza essencial dela, né? Mas havia, enfim, sugestões do que que ela era necessariamente ou não, né? Coisa e tal. hã, essencialmente ou algo assim. Só que a gente foi descobrindo, né, no caso ali que no caso a água é H2O, né, que a água ali ela é composto, né, ali é um composto ali, né, é de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. E esse conhecimento foi obtido empiricamente através da investigação empírica. Isso ilustra o quê? Que existe um papel relevante do âmbito empírico para a limitação, né, do conhecimento empírico para a limitação acerca das possibilidades reais do que que certas coisas podem ser na realidade, né? Eh, e que no caso a reflexão meramente pura, né, ali do raciocínio, né, no âmbito da nossa cadeira, né, no Armshare Philosophy, né, a gente fazendo nossa armher philosophy, né, filosofia de cadeira, de poltrona, a gente não é razoável a gente pensar que a gente vai conseguir obter, né, esse tipo de conhecimento assim desse modo, né, e que no caso a nossa capacidade de obter esse conhecimento é tão ampliada assim. Para motivar ainda mais isso daí, o que que o Leon traz? Ele traz o exemplo de certas verdades matemáticas ali, né? Ele traz noções do âmbito da matemática para ilustrar como que uma noção de modalidade, de conhecimento modal liberal demais gera problemas, né? Gera problemas e assim ele tenta motivar esse ceticismo modalmentigado. Eh, vamos pensar aqui, por exemplo, na conjectura de Goba, né? Na conjectura de GOBA ali na no âmbito da da matemática, né? Ou seja, de que no caso ah, todo número par maior do que dois ah, pode ser representado pela soma de dois números primos, né? Ã, que é a conjectura de Gobar, né? Essa conjectura de Goba, ela não foi demonstrada matematicamente ainda, né? E a gente sabe, a gente tem uma noção, principalmente os filósofos da matemática têm essa noção de que verdades matemáticas, quando elas são verdadeiras, elas são verdadeiras necessariamente, ou seja, é necessário que ela seja verdadeira em todos os mundos possíveis, né? Pegando aqui a semântica dos mundos possíveis novamente, né? trazendo aqui da filosofia analítica contribar, só que no caso, eh, se no caso a gente tem um conhecimento modal, por assim dizer, a capacidade de obter conhecimento modal ali eh ilimitado, por assim dizer, eh então a gente tem um problema, como que a gente explica, no caso, a questão da possibilidade, inclusive, da falsidade da conjetura de Globa? Porque assim, eh, pode ser muito bem o caso que a conjetoria de Goba ela seja impossível e, portanto, ela seja necessariamente falsa, né, em todos os mundos possíveis. E é possível também que ela seja necessariamente verdadeira em todos os mundos possíveis, mas a gente não tem esse conhecimento ali meramente da reflexão do de Armshare, né, de Armshare ali, ali agora, né, a gente tem como ter esse conhecimento agora de Armshare. Ah, dessa maneira. Eh, e é ir razoável você pensar que na sua capacidade de conceber uma coisa, né, de conceber, no caso que a conjectura de Goba, ela é necessariamente verdadeira, que ela vai ser necessariamente verdadeira e, portanto, ela não pode ser falhada ali em ser demonstrada como verdadeira através de uma demonstração de matemática futura. Se alguém conseguir demonstrar isso matematicamente. Então, tem um problema aí de uma epistemologia modal, ou seja, uma epistemologia acerca da forma que a gente obter conhecimento sobre as possibilidades reais da coisa ser muito liberal. a gente não consegue explicar a a própria abertura que existe para que no caso as verdades matemáticas, certas alegações matemáticas ou proposições matemáticas ou conjecturas matemáticas sejam falsas ou verdadeiras, né? Que é a situação que a gente se encontra agora com, por exemplo, a conjitura de Goba, né? Outra coisa que ele traz, né? E aí já entra mais no terreno de evidências empíricas, né? Ele traz alguns alguns ensaiófo ah analítico, né? O Timothy Willon, chamado Timothy Willerson, né? Acho que o Gon já deve ter ouvido falar do Timothy Williamson. Alguns alguns algumas pessoas do Instituto Ponto Azul, talvez da filosofia da ciência tenha comentado sobre ele. Tem um filósofo bem conhecido. Talvez o Víor tenha. Se eu ouvi alguma coisa sobre ele, eu confesso que eu não me lembro. David, Víor Andrade deve ter comentado sobre ele, porque ele é um filósofo bem bem conhecido. Mas enfim, o que que acontece? Ory Willson, ele traz uma série de estudos empíricos que trata justamente da ilustração do papel do raciocínio, né, em termos de cenários contrafactuais. E aqui é um termo técnico, né? Ah, cenários contrafactuais, basicamente são cenários acerca de você imaginar ou de você pensar a o que se decorreria através da suposição de que certos eventos do passado não ocorreram, alguma coisa assim. Ah, se eu tivesse, no caso, ao invés de pegado uma a minha chave aqui, eh, e corrido lá para abrir a porta, ah, que tava trancada, será que eu teria conseguido abrir a porta ou algo assim? Eh, ou será que não, né? Eh, esse tipo de raciocínios envolvendo cenários eh contrafactuais sobre o que poderia ter acontecido a partir de certos atos, né, cenários alternativos. Esse isso é um raciocínio contrafactual, tá? Vou vendo cenários possíveis ali, alternativos e coisas tal, que eh que o nosso conhecimento eh modal, por assim dizer, né, acerca de possibilidades reais vinculadas com o raciocínio contrafactual, né, ah, de certas circunstâncias ali foram importantes paraa nossa sobrevivência em certos contextos ali e no âmbito evolutivo, né? Ou seja, teve um papel evolutivo no raciocínio contrafual ali pro âmbito da nossa sobrevivência, né? Eh, ali contextualmente, né? Então, eh eh o Felip Leon traz esse tipo de evidência para motivar a ideia de que, no caso as nossas capacidades, né, de raciocinar sobre sinais possíveis e alternativos e coisas e tal, né, contractualmente importante de obter conhecimento modal, seja de possibilidades reais, ele tá muito mais vinculado com âmbito de vivência próximo nosso do que simplesmente com coisas tão distantes e abstratas no âmbito geral, entendeu? H, ele utiliza isso justamente para motivar o Cicismo modal mitigado, ilustrar que é razoável a gente pensar que o nosso conhecimento ali sobre possibilidades reais, ah, eh, o nosso conhecimento modal, né, ele é muito mais confiável no âmbito do nosso cenário ah próximo, né, do que simplesmente no âmbito tão distante da nossa vivência, né, eh, da nossa vivência ordinária, né, eh, e, e, portanto, alinhado com o papel da sobrevivência que o raciocínio contrafactual exerceu para nós, né, favoreceu com que nós sobrevivêssemos e não sei produzíssemos e coisa e tal, né, no âmbito evolutivo e coisa e tal. Então, esse tipo de coisa é utilizada ali para motivar esse ceticismo, né? Eh, e aí você pode dizer: "Ah, David, então significa que a gente não pode pensar sobre coisas abstratas ah ali segundo o Felipe Lino, não. Através do ceticismo modal, ele motiva o que ele chama de empirismo modal." Que que é o empirismo modal? É basicamente a ideia de que a forma da gente obter conhecimento modal, até mesmo para coisas muito distantes do nosso, né? pra gente pensar sobre cenários ah diferentes, né, distintos no âmbito distante, né, a da nossa vivência cotidiana, ah, nós precisamos recorrer a formas de raciocínio que são usualmente alinhadas com âmbito empírico, dentre elas inferências indutivas, inferências abdutivas e argumentos por analogia. Então, é assim que ele fundamenta a possibilidade, inclusive, até de uma filosofia de poltrona, né, soft, através do empirismo modal, né? Eh, porque essas noções ah mais abstratas e distantes, elas são fundamentadas em noções mais próximas do âmbito empírico. Então, é assim que a gente consegue pensar sobre cenários ah de forma ali razoável, segundo a visão do Philip Lon, né? Ah, acerca disso, né? Mas sempre levando em consideração a um âmbito empírico como restringidor relevante para as nossas reflexões modais, né, acerca das possibilidades e coisas tal, análises possíveis e coisa e tal, até mesmo metafisicamente mais no âmbito distante da nossa vivência cotidiana, né? Ah, e é claro que o nosso conhecimento modal sobre coisas distantes é muito menos seguro do que sobre coisas próximas, entendeu? Cara, eu já compartilhei essa ideia rapidamente com você uma vez e eu não sei se você na época, eu posso eu não sei como eu me expressei na época, mas eu já fiz uma live também desenvolvendo um argumento que vai um pouco nessa direção. Mas olha só como eu parti de uma leitura do Seigan que reflete como a maior parte das hipóteses levantadas pelos cientistas fracassa. O erro é muito mais comum do que o acerto. Quando ele discute isso, adivinha quem fala isso, Gil? É um filósofo intuicionista chamado Michael Hummer também fala isso, que é um epistemólogo, né? Eu acho que você comentou sobre isso e aí eu comecei, ele fala inclusive ele, ó, ele fala inclusive pra gente tomar cuidado, pra gente ser cético com teorias abstratas demais, tanto científicas quanto metafísicas, justamente a maioria das outras das ideias metafísicas, até mesmo quem endossa uma ideia metafísica como se fosse a a verdade apodídica, etc., admite que a todas as outras visões estão erradas. Então, é irrazoel você pensar que a sua também está certa e você ter essa convicção de que a sua está certa, né, de uma forma muito forte. Por isso que é razoável a gente ter uma modéstia nossas convicções metafísicas e até científicas, né? A gente ter uma certo nível de modestidade nas nossas crenças, porque a maioria das teorias, tanto filosóficas quanto científicas, são falsas. Exatamente. A chance de erro é tão grande e quanto mais a gente se afasta de questões concretas, cotidianas, palpáveis,imais, maior a probabilidade de a gente se enganar nas nossas conjecturas. Então daí a importância dessa humildade intelectual e aí alguém chegar com essas formulações teóricas para explicar a origem de tudo e como a existência se sustenta. E caraca, mano, a chance de isso ser equivocado é tão tão grande. Legal, cara. Depois você me apresenta esse autor aí que você mencionou, acho que é o Timoth, né? Que que discute isso, que Timoty Willenson, o Timothy Williamson e o Philip Leon também. É, ele discute trazendo os pontos do Timothy Willon na discussão contra o Joshua Rasmus, né, que esse paneteísta cristão, ah, idealista metafísica e coisa tal que ele debate, né, nesse livro que eu mencionei. Ah, e ele traz isso justamente para problematizar um argumento da contingência que o o Rasm ele traz durante o os capítulos do livro, né? Aí ele traz esses pontos para motivar isso. E muito bom o exemplo que você deu de a descoberta da água como H2O ilustrar como não dá pra gente sentado na nossa poltrona com a reflexão, com esses raciocínios apriorísticos, simplesmente pela lógica e tudo, chegar a essas respostas definitivas e corretas sobre questões minimamente complexas. A gente precisa desse conhecimento empírico, de uma investigação, de exato. de um outro caminho para ter mais solidez. Isso não significa isso não se isso não significa que a gente não possa confiar em algum nível, pelo menos para questões mais próximas da nossa vivência, nas nossas intuições ou nas nossas inferências ali próximas. E não significa que a gente não possa tentar extrapolar essas coisas também, mas a gente tem que ter ciência de que as nossas extrapolações elas provavelmente são erradas, né? Eh, então elas têm um grau de probabilidade maior de serem erradas do que corretas, né? Então a gente tem que ter um grau de convicção mais reduzido, entendeu? Um pouco mais reduzido, entendeu? Eh, o OP também ilustra esse ponto em resposta ao alvin Plantiga, né? O argumento evolucionário contra o naturalismo do alvin Plantiga. Ah, justamente tr esses pontos, né, que no caso, ah, a maioria das crenças metafísicas, né, da maioria das pessoas estão erradas, né? E mas não é não é razão você pensar que todo mundo, até mesmo os especialistas nesses assuntos, né? Ah, alguns até seistas cristãos, como o próprio golpe se refere, eh, que eles estão errados porque eles, enfim, forem responsáveis no raciocínio, qualquer coisa assim. Não é simplesmente que é a nossa limitação mesmo. E isso é mais esperado à luz da veracidade do naturalismo do que simplesmente do teísmo, entendeu? Isso mesmo. Isso mesmo. Já corbora com com o naturalismo do que com teísmo. Isso mesmo. Enquanto uma teoria, a gente pode fazer uma live sobre isso e é um tema muito legal, acho muito, muito massa. Se você quiser, mais pra frente, quando você puder, a gente combina esse papo aí. Bem massa também. Mas prossigamos então. Prossigamos então com as objeções da terceira via. Mas segura um pouquinho aí que eu preciso agora eu preciso ir no banheiro rapidinho, rapidinho. Seg. Boa, boa. Vai lá, vai lá. Valeu aí, Tai que tá na moderação ainda. Obrigado a todos que estão mandando mensagens por aqui. Quem quiser mandar um super chat pro David responder no final, fica à vontade. Eu agradeço também que é uma maneira de contribuir com o meu trabalho por aqui. Deixa eu passar o olho aqui se teve alguma pergunta legal. Ei Cris Guidoriz que é membro do canal, valeu pela presença. Cheguei agora. Vou assistir a live do começo. Atrasei uma ó ótima semana para todos. Obrigado, Cris. para você também. Deixa eu ver se teve mais algum membro mandando algum comentário, alguma pergunta por aqui. Solin esteve por aí dizendo top demais. O Daniel Dard ou de Nardi disse que o David é um ótimo professor. Muito bom, né? David traz um conhecimento muito legal para nós. Fala professor Ricardo Oliveira. Ah, que legal você tá por aqui, cara. Depois conheçam o trabalho do professor Ricardo Oliveira. sobre ateísmo, faz um trabalho muito importante com a perspectiva da história do ateísmo. Ricardo, vamos combinar uma live também depois, hein, cara. Faz tempo que a gente não combina uma colab por aqui. A Hana dizendo que esse chat me mata de rir. Kak Que mais que chegou por aqui? Teve alguém perguntando qual deus vocês estão falando. Marcelo Henrique, cheguei agora. Bom, hã, o Deus em que os cristãos acreditam, uma vez que Tomás Jaquino era cristão. Mas alguns desses argumentos podem ser utilizados paraa defesa de uma divindade mais genérica. Então, dá pra gente pensar por aí também, até porque no final das contas, eu quero ver isso do David depois, mas mesmo que os argumentos de Tomás de Aquino fossem fortes e caramba, precisa mesmo existir esse motor imóvel ou algo que sustente toda a existência, que tenha sido o pontapé inicial, isso não implica que a divindade supostamente existente seja aquela cultuada pelos cristãos. Nada do que a gente tá vendo nesses argumentos, pelo menos até o momento, mas eu acho que a gente pode retomar isso no final da live, significa que existindo Deus, logo seria o Deus judaico cristão, aquele cultuado pelos Não é Não, não, não, não. Ah, inclusive não era o intento do Aquino demonstrar a existência do Deus cristão. Ah, aí, ó. Aí, Eh, o intento dele era, na verdade, refutar os descrentes.

Só refutar os descrentes. Ah, e aí o resto do trabalho, pelo menos pro Aquino, pelo menos, é, é uma questão da fé católica mesmo. É uma questão da fé, porque para pros católicos a fé é uma virtude teologal que ela é concedida por Deus pela graça e que move, nos move pela graça para que a gente venha a sentir as proposições, né, ou as alegações que são alegações de fé ou reveladas, né?

Então, é como se fosse um passo posterior, né? É como se fosse passe posterior. Primeiro você se convence pela razão natural e aí depois o sobrenatural age sobre você, entendeu? Na visão dele, ele pode agir sobre você. É o caminho exatamente oposto do que é vivenciado pela maioria das pessoas. Primeiro, a gente aprende a acreditar por uma espécie de condicionamento ou de doutrinação, não sentido pejorativo. Aqui a gente é condicionado a se tornar cristão, por exemplo, se você nasce no Brasil. E depois você vai tentando trazer um verniz de racionalidade para a sua fé, né?

Então, eh, pode acontecer esse processo inverso. Eles não são contra a existência do tipo de processo inverso, tá? Inclusive, ele pode, acredito que Deus pode mover certas pessoas pela graça, né, divina, considerar ali a fé pela graça, pela graça de Deus, né, por assim dizer, ah, essa virtude teologal, mesmo que no caso essa pessoa não tenha conhecimento de teologia natural, exatamente, né? Não seja uma pessoa super intelectual, coisa tal.

Então, sei lá, sua vozinha que vai na igreja ali católica, né, na na paróquia da esquina, ela não precisa saber assim com vias ser, sei lá, mestre, doutor ali, padre não sei do quê e teóloga de não sei que lá, entendeu? Não precisa para ela ter a fé dela, mas é bom que o católico tem, é bom que ele esteja preparado para defender sua fé. Eles têm muito apreço pela apologética, entendeu? Esquisito. Legal.

Inclusive, ó, eu gravei hoje, teve gente me pedindo aí numa live que eu fiz esses dias, então eu gravei hoje um vídeo descrevendo condições ou cenários aí, ó, mundos eh possíveis que os mundos possíveis que me convenceriam de que o cristianismo é a verdade. Então, ó, semana que vem, sem ser essa terça agora, depois de amanhã, na da outra semana deve sair esse vídeo meu. Então, fiquem ligados aí o que que deveria acontecer para eu me converter ou para eu me reconverter. Então, coloquei aí algumas possibilidades, eu acho que vai ser muito legal.

David, vamos seguir então. Agora eu vou dar um pulinho no banheiro, mas eu tô com fone e vou te ouvindo enquanto. Beleza, então vamos lá. Vai lá. Vamos, vamos continuar nessa, nessa quarta premissa. o que é possível não existir, em algum momento não existe. Isso se alinha com uma ideia que certas tendências ou disposições, como a a tendência ou disposição de corrupção, de uma coisa se corromper em virtude dela ser contingente, hã, que essa coisa, né, por assim dizer, ela vai manifestar efetivamente essa tendência a sua disposição. É isso que tá tá implícito nessa premissa quatro do argumento da contingência, né, a terceira via do aquilo, né?

Esse ponto quem esse ponto quem aponta, olha só, esse ponto quem aponta é o filósofo agnóstico Joy Schmid, né? Ele tem um trexto, ele tem um texto, aliás, chamado Contra a terceira via, Against the Third Way, né? H, que é basicamente o seguinte, ele ilustra que essa premissa, ela é altamente controvção que é a suporte também, porque pode ser muito bem um caso ah que uma coisa ela tem uma tendência, uma disposição, mas essa tendência de disposição, ela não se manifeste em nenhum momento, ok? Em nenhum momento ela pode não se manifestar.

Então não é o caso que me ver fato de que é possível não existir, né, uma coisa ali não existir, que isso se manifesta de fato efetivamente alguma coisa não existindo de fato em algum momento posterior, né? Ah, o bid ele usa o exemplo do fósforo, né, da caixa de fósforo do fósforo ah ali e das condições que há, né, que precisam existir para que esse fósforo ele pegue fogo, né? Ah, do fato, no caso ali desse fósforo, ele tem essa tendência de disposição, né? Eh, de pegar foco, por assim dizer, principalmente quando riscado ali e como tendo com certas condições, certos aspectos condicionantes apropriados, como oxigênio e coisa e tal, né? A uma série de fatores ali que permitem, no caso, com que o fósforo a ser riscado ali na caixa de fósforo, ele pegue fogo, não significa que essa tendência de pegar fogo vai se manifestar efetivamente somente se essas condições forem preenchidas, né? Se no caso tiver oxigênio, se tiver ali no local apropriado, né? H eh, bem ventilado, qualquer coisa assim. E que no caso eh você risque ou alguém risque esse fósforo na caixa para que ele pegue fogo. Se isso não acontecer, se todas as condições não estiverem presentes, ele pode até ter essa tendência presente nele, mas ela não vai se manifestar genuinamente, né? Não vai se manifestar genuinamente, né? Então, se isso é o caso, então essa premissa quatro é falsa, OK? Essa premissa quatro é falsa, certo? Ah, não sei se o contíjo pegou o ponto.

Sim, tipo os nossos gametas e masculinos ou femininos, né? porque temos espermatozóides e óvulos que eh haverá uma fecundação ou que eles eh seguirão todo esse curso. Então, eh a maior parte dos gametas não tem esse tipo de processo, digamos assim, de fecundação e tudo. Então, super super inteligível e bacana. Eu tô petiscando aqui. Vamos embora. Vamos embora. Eu tô petiscando aqui. Vocês não reparem, tá gente, que a fome bateu. Eu jantei muito cedo hoje. Era por volta de 6:30, então eu preciso dar uma beliscadinha aqui. Bora pra quarta. Boa. Beleza. Calma aí.

Ã, então vamos lá. A dá para talvez dê para abordar todas, hein? Não sei. Vai. Vamos lá. Vamos. Vamos que vamos. Vamos que vamos. H. Vamos lá. Aqui agora a gente vai pra quarta via, a via dos graus de perfeição, famosa via dos graus de perfeição. Também outra que é quase não entendida por nenhum atu, tá? Quase por nenhum atu, mas também porque tomista geralmente não explica direito. Pelo menos os os do YouTube geralmente não explica direito também. Ah, mas enfim, vamos lá.

Então, a primeira via ela trabalha com a noção de perfeições, né? Eh, e perfeições, basicamente são características ali, eh, que conferem, no caso, mais completude alguma coisa, né? Mais completude alguma coisa, né? Se a gente for tratar de termos gerais. Então, que que ocorre, né? Que que ocorre aí? Eh, quando o Tomquin não tá falando de perfeição e principalmente perfeição na quarta via, ele não tá falando de qualquer perfeição, de qualquer característica que favoreça a completude de alguma coisa, qualquer coisa assim, né? E que, portanto, a há, no caso, um parâmetro maximal para toda e qualquer perfeição, toda característica que vai completando uma outra coisa ali, né? Não, ele tá se referindo a as denominadas perfeições puras simples, que se distingue das perfeições impuras ou compostas. Ah, então é uma coisa que eu vou ter que explicar em detalhes, né? Mas eu acho que é melhor primeiro eu expor a formulação do argumento, aí eu vou explicando em detalhes essas coisas. Essa daqui é mais curtinha.

Eh, ó, basicamente o seguinte, ó. Premissa um. Existem seres que são mais bons, verdadeiros, nobres e etc. Em suma, mais perfeitos do que outros. Premissa dois. Se termos comparativos como mais ou menos são verdadeiramente predicados de seres, então eles descrevem vários graus de aproximação e relação a, ou seja, a o máximo existente de perfeição. Premissa três. De acordo com Aristóteles, o máximo existente de perfeição ou máximo de verdade é também o máximo de ser. OK? Presa quatro. O máximo em qualquer gênero, ó, isso aqui é importante. O máximo em qualquer gênero é a causa de tudo naquele gênero. Isto é, o máximo de perfeição e ser é a causa de todas as coisas em relação à perfeição e ser. Conclusão, existe uma coisa que é a causa de todas as coisas em relação à perfeição e ser. E aí a gente pode chegar na seis, a isto denominamos, chamamos de Deus, OK? Portanto, Deus existe, né? Se a gente fosse acrescentar mais umas prências aí para completar, que que acontece? Vamos lá.

Essa via aqui é uma das mais complexas, tá? Uma das mais complexas. Aí tem muitas coisas aí. Eh, então vamos lá. Primeiro, que que são essas perfeições? Como eu me referi, são características ali que aperfeiçoam o ser de alguma coisa e favorecem que ela se complete cada vez mais, que ela vai se tornando ali ah completo ali a cada agregação que se ocorre. Essa noção de completude, né? Eh, e de coisas que são mais ou menos ali em relação a outras, né? Eh, envolve a ideia de existência de propriedades gradadas, como se refere ali o o filósofo Benjamin Double Row, né? Eh, que é um dos críticos da quarta via, que eu vou expor alguns pontos.

Ã, essa formulação que eu trouxe aqui é de um filósofo chamado David Asbeck, tá? É um filósofo tomista ali chamado David Asbeck. também tá presente essa formulação no livro Revisiting Acinas, Five Proofs, né, ou Proofs for the existence of God, OK? of God. E aí o que acontece? Então vamos lá. Perfeições impuras compeições compostas são imperfeições ah são a linha ah com perfeições que elas importam uma limitação, aliás, ela imponha, no caso, uma um defeito, né? H, enfim, uma eh uma incompletude naquela coisa em virtude da própria natureza da coisa em questão.

Vamos pegar aqui figuras eh geométricas, né? Eh, figuras geométricas. As figuras geométricas, elas não podem ser ter graus de perfeição, elas não podem ser gradadas, porque no caso elas têm uma noção que importa ah uma imperfeição, entre aspas, nelas, né, no sentido de não ter ali a possibilidade de gradação nelas, né, de aperfeiçoamento ali nessa visão. Ah, porque no caso não tem como você pegar um triângulo ou um triângulo ou sei lá, um losângulo perfeito ou qualquer coisa assim, né? Ah, e você, hã, dizer que, enfim, eh, essa coisa tem como ser gradada, tem como ter um um triângulo mais ou menos triângulo, um quadrado mais ou menos quadrado, não tem como você ter isso, entendeu? A própria noção do quadrado e do triângulo importa ali uma delimitação na coisa de tal modo que não permite com que ela seja gradada, com ela seja tenha graus ali. É por isso que existem coisas, né, que não são gradadas, tem perfeições que não são gradadas, né, eh, que não tem mais ou menos ali em relação a qualquer coisa.

pra gente imaginar em uma forma quase perfeitamente circular, mas um pouco deformada, tipo a Terra. A Terra não é perfeitamente redonda, seria aí não seria. É, mas aí seria tem um formato específico que eu me esqueci agora, não sei se é geoide ou esferoblatoide, alguma coisa assim, eu acho. Aí ter uma forma específica para isso, entendeu? Ah, as formas geométricas, por assim dizer, elas são aquilo que são e simplesmente não tem como gradar, não tem como ter gradação, não tem que ser um mais ou menos um quadrado mais ou menos é meio que um garrancho, né? Se a gente for ser sincero, um um garrancho, um garrancho ali, aquele negócio tá desenhado. É exato. O artista vai fazer um quadrado, mas às vezes ele erra um pouquinho na mão, não fica perfeitamente um quadrado. Sim, não fica perfeitamente quadrado no sentido de não no sentido de não ter os a, enfim, os quatro lados ou qualquer coisa assim, mas no sentido de não tá totalmente ali alinhado e coisa e tal, né? Ah, agora se ele não tiver ali, ã, mas a gente reconhece ele como sendo um quadrado em virtude de ter as características que caracterizam aquilo como sendo um quadrado, ainda assim, mesmo que não totalmente corretinho e coisa tal, né? Ah, em virtude de uma falta de manuseio ali do do artista ou qualquer coisa assim, mas a a gente intelig aquela coisa como sendo quadrado. E aí não tem como a gente imaginar alguma coisa que é mais ou menos quadrada, simplesmente ela quadrada em ponto. Não tem como ser mais ou menos quadrada. Ah, entendeu? Eh, então é isso aí. Eu acho isso discutível, mas tudo bem. Vamos seguir.

Eu eu acho que é essa visão é é eh eu acho assim que isso puxa um pouco daquele essencialismo que você comentou antes. Ou talvez se a gente partir de, olha, partindo dessa definição aqui do geométrica aqui, né, do que é um quadrado, um triângulo, eh é isso aqui. Tem que ter ângulos perfeitos e tal. Aí tudo bem, né? A gente partiu dessa definição. Aí o certos ângulos não dá, enfim. É. Uhum. Tá. No caso ali o triângulo ali tem tem os ângulos ali ah iguais ali de 180 e os grângulos de 180º, né? O ângulos internos, a soma dos ângulos internos é 180º, né? Alguma coisa assim. H esse tipo de coisa, né? Então é é isso, né? Isso quer dizer o quê? Que o triângulo, né? Ali, principalmente em termos de geometria euclidiana, por exemplo, ele tem que ter aquela aquele ângulo, né? Não pode ser ter um ângulo distinto, senão já não é um triângulo, mais ou menos tal, já não é um triângulo genuíno, né? Né? Enfim, é alguma coisa ali que eh se assemelha ao triângulo, mas não é o triângulo, entendeu? Exatamente. Então é é isso. Então eh eh pelo simples fato de algumas perfeições não serem passíveis de gradações, é que elas são chamadas de perfeições impuras. Já as perfeições puras simples, são aquelas perfeições que elas são capazes de ser gradadas, né, pelo menos em princípio, né, é o que aparenta sera, né, pelo menos. Elas podem ser mais ou menos em relação a alguma outra coisa que favesse a medição dessas perfeições. Serve como parâmetro maximal, as quais aquelas coisas são caracterizadas como aquelas coisas ah na medida que elas se assemelham à aquele parâmetro maximal, aquela coisa que é máxima. Ah, e no caso ali eles apresentam aqueles graus de similaridade ali que se aproximam cada vez mais ao parâmetro máximo, né? Ah, então essas perfeições podem ser gradis chamada de perfeições puras simples. E quais são essas perfeições puras simples? é no caso, a verdade, é a bondade, é a nobreza, é a beleza. Tudo isso são propriedades gradadas, né? Podem ser alinhados com propriedades gradadas ou características, né? Ou enfim, noções ali que abarcam gradações, né? Pelo menos segundo os tomistas. Ah, e é justamente isso que favorece, no caso, a questão da possibilidade de medição delas, entendeu? A possibilidade de medição delas.

Ah, e é interessante porque, segundo uma doutrina, né, que os teístas clássicos endossam, a as perfeições, né, a pura simples, elas são conversíveis umas às outras e todas elas são conversíveis ao ser. Isso se alinha com a doutrina, que é chamada de doutrina da convertibilidade ah do bem, por exemplo, ou do belo ou do nobre ou do verdadeiro, ao ser. E o que que é o ser? Isso ser está naf do quê? Do âmbito ontológico, entendeu? noontológico. Então, tudo aquilo é mais ou menos verdadeiro na medida que é mais ou menos real. Tudo aquilo é mais ou menos bom na medida que é mais ou menos realmente bom. Tudo aquilo que é mais ou menos nobre é mais ou menos nobre em relação à aquilo que é realmente nobre, né? Ah, e tudo aquilo que é mais ou menos eh, enfim, ah, grado, é mais ou menos em relação à aquilo que tem o grau máximo, entendeu? Então é basicamente essa noção que eles trabalham, é as perfeições de coisas simples que vigoram na quarta vida do Tomquin. É por isso que, por exemplo, a objeção do fedor do do Shadwins, não serve muito para rebater a quarta via, pelo menos não de acordo com a argumentação que ele articulou. Embora o Benjam por MRA, ele articule uma outra argumento partindo de uma assassino similar da objetar, né? Eu não me lembro não qual de desse é a objeção do fedor, né? Que tem se teria o máximo, né? Né? Se a gente se tudo que tem é gradado, por assim dizer, né? Ali ah envolve um parâmetro máximo, né? De de gradação e de de perfeição. Então a gente poderia imaginar, sei lá, uma coisa que é massimamente fedorenta, né? Ou coisa assim, né? Era um negócio mais ou menos assim a versão do Richard Dawkins. A, mas é porque não pode? Eu não sei se eu entendi então porque não poderia.

Porque no caso a o peido, né, por assim dizer ou algo assim, ele envolve uma perfeição, né, aliás, uma noção de de uma imperfeição, uma imperfeição, né, ela uma privação de algum bem ou de algum ser, né? Aí entra a doutrina ou a visão, né, de mal como privação de certos bens, né? Bens esses que são ontológicos, né? são ontológicos. E aqui entra uma distinção que eu acho relevante de fazer entre bens morais ou bens axiológicos, né, que envolve os valores e bens ontológicos, né? Os bens ontológicos se tem alinha justamente com o aspecto da natureza das coisas e o aspecto funcional daquelas coisas, né? Ah, então ah, um bem ontológico é basicamente uma coisa que é a coisa eh que que se alinha com o ser, né? Então, sei lá, a um bem ontológico de uma pessoa, por exemplo, que um ser humano saudável é ele ter olhos que permitem ele enxergar, né? pessoas que são cegas, que não conseguem enxergar, eles têm uma privação de um certo bem ontológico, né? Eh, ou seja, eles não têm ali os olhos que permitiriam exercer a função apropriada para poder visualizar coisas no mundo. Ele veio com defeito, né? Eh, no ser dele, entendeu? Eh, então isso é um é uma ausência de um bem autológico. E o ausência de um bem autológico é uma privação, é o mal na visão deles, entendeu? Ele não tem ser, não tem substância e etc. E o fedor é uma privação, né? O fedor é uma privação, então ele não é alguma coisa, né, genuinamente, ele é só uma privação, então ele não pode ser gravar. Privação de um cheiro bom. É, exatamente. E eu vou entrar nessa, eu vou, vou ver se eu entro nessa objeção já, já. Tá. Então, tem cheiros que são horríveis, tem cheiros que são, né? Vai aumentando aqui, vai ficando cada vez melhor até aquele cheiro perfeito, talvez. Vamos chegar nessa objeção já já, cara, porque e é uma objeção que o Benjam ah articula, se ancorando inclusive no Dawkins em certa medida, mas ele desenvolve isso contra a quarta via de forma mais apropriada, tá? Ah, ele aborda isso num texto chamado não tão superlativo, né? Ah, aliás, não tô superlativo, não, na resposta que ele dá o back, né? Que é uma segunda resposta que ele dá no livro, né? Porque tem dois capítulos dele. Ah, o outro capítulo é uma resposta ao David Beck, né? Ah, que é esse rapaz aqui que articulou as vias desse modo, né? Essas premícias nessa conclusão. Mas enfim, vamos lá.

Que que acontece? Como que a gente pode objetar esse argumento, né? Esse argumento aí, basicamente tem três rotas da gente tentar objetar esse argumento. Ah, pelo menos ou pelo menos objetar a identificação daquilo que é concluído como sendo Deus, né? O parâmetro maximal, medidor, etc., como sendo Deus. Então, vamos lá. Eh, a primeira via é a gente pegar a própria ideia de gradação e negar a existência de gradações. A gente pode assumir que, na verdade, não existem propriedades gradadas, não existem. Simplesmente as coisas são, não são e ponto final ou qualquer coisa assim. Então, pode ser razoável se defender uma coisa que é chamada de monismo ontológico acerca do ser. Esse tipo de visão, ela é defendida por alguns filósofos, como por exemplo o próprio Peter Vanagen, que é o filósofo teísta. Inclusive teísta cristão. Ah, e outros filósofos também, teístas também, mas ali que não sendo uma linha tradicional. Exatamente. Ah, especialmente testa clássica, né, que é a do Aquim coisa e tal, que é o Trentom Meric, né? O Trenton Marics, ele é um filósofo que ele escreveu um artigo chamado The Only Way to Be, o único modo de ser. Nesse artigo, ele articula uma espécie de dilema pros denominados pluralistas ontológicos acerca do ser ou da existência.

David, o que que é esse negócio de pluralismo ontológico acerca da existência do ser ou monismo ontológico acerca da existência do ser? Basicamente é o seguinte. Os pluralistas eh ontológicos dizem que as coisas existem de dois ou mais modos, ou seja, não é que elas existem ou não e ponto final. As coisas elas podem existir de um certo modo e existir de um outro modo, né? Elas têm dois ou mais modos de ser, né? Então, sei lá, alguma coisa pode existir enquanto abstrata, né? Por assim dizer, e existir enquanto concreta, né? Então essa é uma forma de pluralismo ontológico, né? Que essas duas coisas não é que elas são distintas em propriedades ou em naturezas, elas são distintas até mesmo em modos de existir. Elas existem, mas não exato mesmo sentido. Elas existem de dois em dois sentidos diferentes. Um pluralista ontológico, ele defende justamente isso. Adivinha quem era pluralista ontológico? Bertrussell. Bet Russell era pluralista ontológico e era ateu, né? Ele defende o pluralismatológico. Existem filósofos ateistas que defendem o pluralismatológico, mas muito poucos, né, principalmente no da filosofia analítica. H, a visão predominante é monistológica, né? Ah, dá um exemplo porque eu tava pensando na água, por exemplo, eh, sólida ou enquanto vapor, não deve ser por aí, não, né? Dá, dá um exemplo pra gente entender.

Não, isso aí, isso aí é uma coisa complicada, porque assim, vamos tentar imaginar o número dois, né? Vamos imaginar que você é um realista matemático, né? Que você, sei lá, para explicar certos certas questões, como a indispensabilidade da matemática ali da no da atividade científica ou qualquer coisa assim, você tem que pressupor que existem números, por exemplo. Ah, esses números eles não interagem causalmente com nada, né? Ah, mas no caso a gente tem uma relação de explicação, de distancia com as coisas, né? Que é chamada na filosofia analítica. Hã, então sei lá, o número dois ele é instanciado nesse copo. Ah, aliás, ele é distanciado, sei lá, vamos supor que eu tenho dois microfones aqui. Eu tenho esse microfone e tenho outro. Então o número dois ele é instanciado ou exemplificado nessas duas coisas. E por isso que a gente consegue explicar porque que tem duas coisas. Isso dois fontes. O número dois tá sendo distanciado aqui concretamente, eh, é uma entidade abstrata sendo distanciada concretamente, permite a gente explicar o porque que tem duas coisas aqui, né? Vamos supor que seja a gente seja um realista matemático, assim, né? Que é uma posição um pouco controversa, mas tudo bem. Eh, um dos números, será que eles existem no mesmo sentido que, no caso, esse microfone? Se você tem uma intuiçãozinha, né? Se você, a pessoa tem uma intuiçãozinha ali de que, na verdade, ele não é que eles são distintos em propriedades ou em características ou em naturezas, é que no caso eles existem de modos diferentes, né? O número existe de um modo abstrato e no caso o microfone existe de um modo concreto. Se você raciocínio desse jeito, você é um pladeógica, entendeu? Você é um pladeógica, ok? Agora, se você diz que não, eles existem no exato mesmo sentido, né? Eh, eles existem no exato mesmo sentido, só que eles são coisas diferentes, né? De natureza diferentes. A, no caso dos objetos abstratos, eles existem tal como no caso esse microfone, só que no caso eles não entram em relações causais. É só isso que distingue eles do da dos objetos concretos. Os objetos concretos se relacionam causalmente uns com os outros, né? Ah, e coisa e tal. Então, se você pensa assim, você é um humanista ontológico, você assume que, no caso existe só um modo de um modo de ser ou um modo de existir, ok? E ponto final, ou ele ou uma coisa é é de um modo ou não é de nenhum, entendeu? Ou é de nenhum. Ah, e aí, o que que o que que o que que eu por que que eu tô traz dizendo isso? Porque isso é relevante para todas as vias, não só paraa quarta, mas para todas as vias. É uma objeção que serve para geral, para todas as vias. Todas as vias envolvem alguma noção de uma coisa existindo de um certo modo. Ah, uma coisa existe enquanto em ato, outra coisa existe enquanto potência. Ou certas características existem em ato e certas características existem potência na coisa, né? E esses dois, esses dois modos de existir ou de ser, por assim dizer, o potencial e o atual são modos distintos. Entendeu?

O que o Trenton Marics faz no artigo dele, né? Ah, o único modo de ser, ele articula um dilema pros teistas clássicos. Vamos articular um dilema da seguinte maneira. Ou teistas clássicos, ou vocês assumem a noção de uma existência genérica, ou seja, de um modo de ser genérico que abarca tanto as coisas que existem de um modo sub1 e as coisas que existem de um modo sub dois. Ah, e portanto você consegue afirmar a sua posição plural estontológica de dois modos de ser ou você dispensa a noção. Ah, e só que isso daí entra em conflito com intuições que motivam a distinção dos dois modos de ser. Em primeiro lugar, ah, dos dois modos de de ser ali, de existir, né? Ou seja, o existir sub um e o existir sub dois, ou ser sub um e o ser sub dois, né? Eh, ou no caso você eh ali abandona no caso, a essas intuições, né? Você deixa de se guiar por ela e você perde a motivação, no caso, para ter essas distinções em primeiro lugar. Ah, ou você entra em conflito, né? Eh, ou você entra em conflito também, né? Rejeitando a noção de aceitando a noção de estinga, que você entra em conflito com teistas da tradição, eh, da do âmbito tradicional, né? Que é afirmar os dois modos de ser, como o próprio Tomás Aquino, Aristóteles, etc., né? Eh, ou você fica, no caso ali, você dispensa a noção de existência genérica e você não pode afirmar os dois modos de ser, que as coisas só existem de dois modos, ou de três modos ou enfim, de de um modo específico, né, de da quantidade específica de modos de ser que você tá ligando que elas existem, entendeu? Ah, esse é o dilema. Ou você fica com a noção de genérica e você entra em conflito com um monte de coisa que tá pressuposto, inclusive a doutrina da simplicidade divina absoluta que eu me referi no que é fundamental para pros argumentos tomistas ali. Ã, ou no caso você dispensa a noção de existência genérica, ah, e, portanto, você consegue afirmar o pluralismo ontológico dos dois modos de ser. Mas isso daí não permite você afirmar que só existe esses dois modos de ser e não mais. Não infinit os modos de ser regredindo, enfim, infinitamente ou qualquer coisa assim. Poderia haver bem mais modos de ser do que esses dois. Isso, exatamente. Exatamente.

Ah, e aí o que que acontece, né? Que que acontece? Eh, no caso, se você assume que só existe um eh se você não assume que existe um um modo de ser genérico ou de existir genérico, você não consegue afirmar nem que certas coisas não existem em ponto final ou existem em ponto final. Então você não consegue nem afirmar que o pé grande não existe, que sei lá, um alienígena em Júpiter não existe, que sei lá, eh, enfim, eh, não sei que Sherlock Holmes não existe. Por quê? Você não consegue afirmar. Você não consegue afirmar sem sem a existência genérica, se não de existência genérica mínima que abarque tudo, que ou uma coisa é ou ela tem essa existência genérica, ou ela não tem, não, né? Ou ela existe genericamente, ou ela não existe. Sem essa noção, você não consegue afirmar e distinguir coisas que são ficcionais de coisas reais, entendeu? Então esse é um problema. É um problema para quem quer negar a ideia de existência genérica que o Turt Merx coloca. Só que se o texto da classe firmência, ele entra naqueles conflitos que eu que eu ilustrei, inclusive com a doutrina da simplicidade divina absoluta.

Só ilustra isso um pouco mais para nós, que eu acho que não acompanhei tão bem no final das contas. Essa existência genérica quando se afirma é importante. É que o negócio mais abstrato, essa objeção ela mais abstrata, então é um pouco mais difícil de exemplificar concretamente algum exemplo mais concreto. Ah, tá. Vou tentar, vamos tentar repetir algumas coisas aqui. Uhum. A gente não tem costume de falar que, ah, certas coisas existem, certas coisas não existem, né? A gente existe. Ah, o pé grande não existe. Ah, o, enfim, o marciano lá do do Perna Longa não existe. Ah, não sei o que não existe, né? Eh, e coisa e tal, a gente não tem mania de falar esse tipo de vocabulário, de utilizar esse tipo de vocabulário. Uhum. Na nossa linguagem ordinária. Então, isso envolve a noção de existência genérica por pressuposto aí que ou uma coisa existe ou uma coisa não existe. Uma coisa é ou não é. Na realidade, essa noção é a noção que a gente chama aqui, né, que o filosof analítico chama de existência genérica, né, de existência genérica. E que que acontece quando o pluralista de dois ou mais modos de ser, ele diz que as coisas existem de dois ou mais modos diferentes, ele começa a gerar problema com isso daí. Porque daí você vai dizer o seguinte, que as coisas elas existem de um certo modo e existe de outro modo, entendeu? Se você dispensar noção de existência genérica, como abarcando essas duas, como é que você vai afirmar que só existe esses dois modos C e não infinitos modos C? E como é que você vai dizer que de significativamente que o pé grande não existe, que o marciano, né, do perna longa não existe? Você você seria seria eh só porque eu me lembrei de um argumento sobre a existência de Deus do tipo, quem que vocês estão negando que existe Deus? Tá vendo? Vocês negarem Deus, então vocês estão admitindo que Deus existe. Daria para entrar um modo de existência enquanto algo imaginário, por exemplo, existe enquanto uma ideia abstra abstrato, uma ideia abstrata. É, existe o seu pensamento sobre a coisa. Sim, o seu pensamento sobre o objeto. Que tem um estado intencional ativo, que é chamado na filosofia analítica, né? É estado intencional. Por quê? Porque ele se refere a alguma coisa, mas a coisa referida não existe, tá? Você se refere a uma coisa, mas essa coisa não está lá. Então não seria um exemplo o que eu estava. É uma coisa imaginada, projetada. É uma coisa imaginada, projetada, né? É o estado intencional ativo. Ativo por quê? Porque é a sua mente que está fabricando isso. Sim. Ativamente. Sim. Entendeu? Eh, e ele está fabricando isso ativamente enquanto imaginado, mas não tem nada que corresponda a isso na realidade, entendeu? Sim, sim. É, é. É exatamente o tipo de objeção que que eu apresento quando chega esse tipo de de pergunta por aqui. Uma coisa Sim, mas aí o que existe é o seu pensamento sobre a coisa, não é a coisa da qual você está pensando. A coisa que você está pensando não existe, mas você está fazendo uma referência dela através de uma representação mental que se visa se referir a ela, mesmo que não se refira genuinamente a nada. Seria então voltando a isso é compatível, isso é compatível, ó, isso é compatível com o modo com o único modo de ser um a confusão monistológica. Boa, boa. Ah, mas aí o que os tomistas defendem então seria essa diaade de ou esse dualismo de ato e potência de ou de ser e existência ou no caso ali de enfim enfim, de substâncias, exidentes, essas formas, né? As formas, as maneiras pelas quais as coisas podem ser, né? Ah, elas são englobadas ali nessa dualidade de a essência, existência, atência, etc., né? Eh, essa visão é chamada de eh pluralismo ontológico acerca de dois modos de ser, porque todos esses são vinculados com menos dois modos de ser, né, de forma restritiva, né? Não tem mais modos de ser do que esses, né? Ah, então tem uma quantidade delimitada de modos de ser, né? No mínimo dois, né? Ah, no mínimo dois ali geralmente tomado como máximo também, dois. Ah, então é isso, né? Então eles tem uma visão pluralista ontológica. Então as coisas elas existem de vários modos. É como alguém bem alinhado a uma perspectiva fisicalista, embora eu tenha várias questões metafísicas sobre o fisicalismo, o materialismo. Eu acho muito difícil, cara, conceber esses modos de existência dessa maneira assim, de potência e ato e tal. O mais próximo disso que eu consigo visualizar, eu até discuti isso no no encontro nosso do clube do livro lá do IPACF, tem link embaixo, tá gente? Quem quiser participar, a gente leu e discutiu só o primeiro capítulo, racionalidade para entender os erros de raciocínio com Steven Pinker. Exato. Tá muito bacana. Quinta-feira agora a gente vai discutir o capítulo dois. Ele comenta sobre disposição, não sentido probabilístico, eh eh como uma tendência, ah, esse organismo tem a disposição a não no sentido de probabilidade de apresentar certos comportamentos, mas de uma característica real presente na coisa, mas que no caso se desdobre ali e um efeito a partir de um certo input, né? Por exemplo, o ele ele tem no caso a propriedade da fragilidade, né? Ele é ele é frágil. Então, através de um em virtude dele ser frágil, se eu fazer um input, né, com uma força assim, né, se eu dar um murro nele, né, com uma determinada força nele ou sei lá, se eu jogar no chão com uma determinada força, ele vai se quebrar porque ele é frágil. Essa disposição frágil dele, né, essa esse estado disposicional oriundo da fragilidade dele vai se vai se concretizar, por assim dizer, através de um resultado ali de um output com um input específico da força, né, como determinado da força ali, uma pancada com determinada força vai fazer com que o cobo que já tem essa fragilidade nele se quebre em virtude dele ser frágil, né? Justamente tem essa disposição a se quebrar em virtude de ser frágil, né? Constituição dele, como ele é estruturado, permite que isso é uma forma ele se transforme, né, digamos assim, ele essa visão, essa visão é uma forma de realismo causal aristotélico, neoaristotélico disposicional. Hum. OK. Que é diferente dessa ideia de potência. Sim, é diferente, mas é inspirado em Aristóteles. É inspirado em Aristóteles, mas é diferente, tá? Tem um filósofo chamado Stephan Mford. Ele defende isso no inclusive da caracterização da metafísica da lei da natureza. Ele reduz a lei da natureza as disposições que as coisas possuem, né? A estados disposicionais que as coisas possuem, né, de certo modo. Ah, e essa é uma visão, inclusive compatível com o naturalismo, eh, com o fiscalismo. Sim, total. Exato. Que é diferente realista é neo é neoaristotélica porque é inspirada em Aristóteles também, de certo modo, igual igual a visão dos tomistas, né? Mas ela difere algumas coisas, entendeu? Sim, sim. Eh, acho que meu fone acabou a bateria. Eu vou colocar aqui, eh, e vou passar para eu te ouvir aqui do computador. Deixa eu só ver. Diz algum Ah, beleza. Eu vou fechar a porta ali para não incomodar. Qu, Nati? Não. Ah, então tá bom. Eu achei que incomodar aqui o som agora, mas a Nati falou que tá tudo bem deixar a porta aberta para não dar eco. Então tá. Então a a a noção de potência tá dando um pouquinho de eco, mas eu não sei se vai trabalhar muito. Eu acho que não vai trabalhar muito não. Tá um eco bem baixo. Ah, começou a dar eco. Tá bem baixo. É, tá um ecozinho, mas bem baixo. Tá tipo um retorno. É um retorno, né? Um retorno, mas bem baixo. Ah, um retorno. Mas tá muito baixinho. Tá muito baixinho por enquanto. Então acho que não tá atrapalhando. Tá, Nati. Confere aí como é que tá esse retorno. Eh, só para ver se qualquer coisa eu eu pego, eu consigo arrumar outro fone aqui. Qualquer coisa se tiver bem desconfortável, tá, David? Mas então essa noção de potência aristotélica tomista, não é nesse sentido da disposição de um mecanismo que vai se desdobrar ou de uma reconstru, é uma coisa real, é uma coisa real presente na coisa. Sim, igual a disposição, mas é como se fosse o meio termo entre o ser ali, e o puro nada. É uma coisa fantasmagórica ali no meio ser. Já nas exposições, não. As exposições elas podem ser vistas como propriedades instanciadas ou instanciáveis em virtude da natureza daquela coisa, né? Eh, isso não precisa pressupor que as coisas existem de dois modos, mas sim que as propriedades são instanciáveis ah uma vez que no caso aquele input é realizado no copo, por exemplo, que ele é ele tem a fragilidade, uma vez que o input é realizado com a força, uma determinada a força ali, né, imprimida nele, ah, impedida nele, ele vai se quebrar, né, dessa disposição nele. Sim. Perfeito. O eco que você estava ouvindo é quando eu falo ou quando você diz? Quando eu falo. Ah, quando quando eu falo. Mas já parou. Mas já parou. Já parou. Acho. Eu não sei o que você fez aí. Regularizou. Regularizou. Pelo menos para mim deve ter sido eh uma potência se atualizando aqui do uma potência se atualizando aí se tornou atualidade. Houve uma causa extrínseca aí. Houve uma causa extrínseca aí que que fez a coisa se atualizar. Boa. Mas enfim. H, mas enfim, voltando para isso. Aham. Eh, uma coisa que é interessante é que a doutrina da simplicidade divina absoluta, né? Ah, e portanto, a noção do Deus deles, né, do do dos tomistas, depende no caso de Deus ser existir de um certo modo e as coisas existirem de outro modo, nomeadamente as coisas existirem enquanto participadas no ser de Deus e Deus existir enquanto por si mesmo, existir por si mesmo de forma independente. Esse esse essa caracterização já envolve uma um pluralismo, né, ontológico de dois modos de ser. Então, para Deus ser, no caso, o grau máximo do ser, né, eh, ele tem que ser ali e por dizer, as coisas tem que ser distintas dele, né, e tem que ser dependentes dele, participadas nele, entendeu? Ah, as coisas que estão gradadas, as propriedades ou as características que estão gradadas. Só que se você assumir uma visão monistológica acerca do ser, principalmente que traz esse tipo de dilemas para problematizar, você motiva no caso, uma uma perspectiva metafísica que favorece acerca da noção de existência, né? Uma perspectiva metaontológica acerca da noção de existência que é rejeitável, ah, que favorece a rejeição das premissas desse argumento, né? Eh, principalmente a ideia de gradação, né? Hã, então essa uma forma de você rebater esse argumento. Uma outra forma de se rebater esse argumento é justamente assumindo que existem propriedades gradadas, mas que essas propriedades gradadas elas não têm o máximo, um parâmetro maximal, entendeu? Parâmetro maximal. Como é que o Benjamin Dumble MR ele motiva isso, né? E aí é o filósofo do Benjamin Dumble Mgow que motiva esse tipo de coisa. Ele traz desse dessa visão. Tô gostando. Sim. Ele traz uma visão fazendo uma traz uma noção acerca de extensibilidade indefinida. Então ele ele traz a noção eh de um autor chamado Einwenger Bond, né? Einerwenger Bond. E ele traz ali a questão da teoria dos conjuntos matemáticos, né? Especialmente a questão dos números ordinais e números cardinais, né? E ele traz a analogia que é o seguinte: a gente pode imaginar, pode pensar na extensão, né? H, do das perfeições como sendo indefinida, como não tendo um limite máximo, né? Um limite maximal, um parâmetro maximal ali dos quais eh chegou naquilo, já era, né? Tem aquele tamanho definido, né? Tem aquele tamanho definido ali. A gente pode imaginar que a a as gradações

São como os números ordinais, que podem haver infinitos infinitos ordenamentos ali de números ordinais, né, por assim dizer, né?

Ah, e isso ele utiliza inclusive em sites do próprio Alvin Plantiga, né? Eh, e do Robert Adams, que são dois filósofos cristãos analíticos, né? Nesse caso não são tomistas, tá? Eles criticam inclusive o tomismo, eh, esses filósofos protestantes, né, analíticos.

Eh, e ele utiliza o a objeção do Planta, ah, contra a existência de um o melhor mundo possível, né, que nem o Leidnes defendia, eh, da existência de um melhor possível e que Deus cria o melhor mundo possível, né, por assim dizer. Ah, assumindo no caso que a as propriedades ou as características de bondade, elas são gradativas e aditivas. Aditivas, né? Então você vai se adicionando.

Eh, cada coisa em cada mundo possível que você imaginar, há um outro mundo possível que tem mais bondade do que aquele ali, daqu aquele que você imaginou. E aí você imagina outro mundo possível. Você vai imaginar que tem mais bondade ainda se você adicionar mais coisas, mais mais coisas ali na na existência, que tal, né? Ah, coisas específicas, bens específicos, né? Ah, bens axiológicos, ontológicos ali específicos, você vai tornar nessa essa esse outro mundo possível melhor, né? E aí você consegue imaginar indefiníveis, né? Eh, eh, graus indefiníveis ali de eh de mundos possíveis, né? Eh, uma quantidade indefinível ali de mundo de mundos possíveis ali na onde você consegue ilustrar que aquele é melhor do que o outro, né? Eh, e, portanto, não há o melhor do mundo dos mundos possíveis, né?

Ele utiliza esses insights para motivar, no caso, a ideia de que talvez as gradações que são recorridas, né, as perfeições simples, pura simples, também são gradadas desse modo, de forma a ser eh indefinidamente extensível e, portanto, não tem um parâmetro maximal que favorece a medição delas e, portanto, é a causa de todas elas, né? Legal.

Ah, então é só uma objeção. Tem também legal eh tem uma teoria bem interessante na psicologia comportamental ou análise do comportamento, a qual eu não domino. Então assim, eu não vou me aprofundar muito, mas ela, a teoria da das molduras relacionais estuda justamente como nós criamos esses conceitos de maior e menor, melhor e pior. Então, tem toda uma ciência psicológica para entender como esses conceitos são formados. E basicamente a partir de comparações que a gente faz, eu tenho uma experiência com algo gelado. Nossa, é tão gelado isso aqui. Daqui a pouco eu tenho uma outra experiência, nossa, é mais gelado ainda. Então, a gente começa a fazer essas equiparações, essas comparações e esses conceitos vão sendo formados.

E mesmo quando a gente vai para fisiologia, saindo um pouquinho dessa teoria, mas eh a gente entende que existem neurônios disparando, quando a gente tem uma experiência com o belo, algo que a gente considera bonito, por exemplo, ou o sabor, algo muito saboroso, gostoso, algo que é bom, que me dá prazer. E isso é determinado conforme o disparo desses neurônios, por exemplo, que liberam dopamina ou serotonina. outros tipos de neurotransmissor, de forma que a gente tá dizendo sobre eh níveis de disparo e de redes que estão sendo acionadas ali. E por que isso precisaria ter um limite? Talvez o limite fosse até biológico, ou seja, o que esse cérebro é capaz de proporcionar em termos de prazer? Será que eu posso maximizar? Então, haveria essas restrições até biológicas também. Então, não sei, talvez trazer um pouquinho da ciência, não sei se ajudaria um pouco nesse raciocínio, mas explicar de onde vem isso talvez também seja uma problematização válida, né, para para essas noções. Sim, sim.

Eh, uma outra coisa que a gente pode questionar é a própria ideia de da noção da gradatividade, né, ou da gradação não se aplicar também a outras perfeições que não são as perfeições puras simples. Exatamente. Você mesmo sugeriu a questão do cheiro, né, a do enfim, do perfume, né, enfim, do do perfume ali do enfim, do perfume, né, do cheiro ali cheiroso, né, e coisa e tal, né?

Eh, beleza. Não pode ter agradação, no caso ali de coisas que são melhor entendidas como privações, como a questão do fedor, né? Eh, são características ali ontológicas negativas, né? Eh, ou seja, que se alinham com uma privação de certos bens, hã, e que, portanto, no caso, estanciam ali, não estanciam nenhuma propriedade ou nenhuma qualidade, nenhum aspecto axiológico positivo vinculado à aqueles estados, né, aqueles estados de coisa, já que no caso são ausência de certos de certas coisas ali, né, e não presença de certo ser ou qualquer coisa assim.

Só que, só que aí aqui tá o Benjamin da Grow, ele ele diz o seguinte, né, em resposta David, o David Asbeck, né, diz o seguinte, beleza, a gente pode até aceitar que no caso ali a gradação não seja não seja extensível ao fedor, né, como dizia Richard Dawkins. Mas ainda assim, se você assume, se você interpreta a quarta via como importando uma noção de causalidade eficiente envolvida nela e não só de causalidade formal, e aí é importante a gente ter uma distinção aqui entre as quatro causas aristotélicas, né? Ah, é uma algo que eu demorei para trazer aqui, mas que agora vai ser relevante de eu trazer.

Eh, vamos lá. Antes de eu prosseguir aqui, é bom explicar essa questão das quatro causas. Que que são as quatro causas, pessoal? A noção de causalidade do Aristóteles envolve quatro tipos de causas. a causalidade formal que envolve a forma que informa as coisas, né, as formas, para assim dizer ou essências ou substâncias, formas substanciais. Você tem, no caso, a causalidade deficiente, ou seja, aquilo que favorece a produção de outra coisa como efeito, seja originador ou sustentador, né? Ah, e você tem, no caso, ali a causa, ah, você tem ali a a causa material, ou seja, a coisa pela qual aquela outra é composta. Então, os componentes aqui desse microfone são compostos de um certo material, né? Eh, o material que no caso informa é informado por uma forma específica eh através de uma causa eficiente que sou eu, né, ou uma pessoa que construiu o microfone. E tem uma finalidade, isto é, servir para comunicação, para transmitir informações, enfim, favorecer a comunicação entre pessoas, né, através da internet, qualquer coisa assim, né? Então, essa finalidade, a causa final do microfone. Então, essas quatro causas são concomitantes e atuantes, né? e presentes, copresentes, por assim dizer, nas coisas, né?

Eh, só que o seguinte, se você interpreta a quarta via como assumindo que ela trata não só de causalidade formal, mas de causalidade eficiente, você gera um problema. Porque daí as gradações as gradações passam a versar não somente para as perfeições, puras simples, mas também são possíveis de serem transportadas para as perfeições, para certas imperfeições ali que não são transcendentais. certas perfeições que não são transcendentais, como a questão do cheiro, do perfume. Então, se isso é o caso, a gente gera um problema, né? A gente gera um problema, porque a gente teria que concluir que Deus é o ser maximamente perfumado. Você tá entendendo? Deus é um ser maximamente perfumado, maximamente cheiroso. Olha que coisa bizarra. fofinho, maximamente performado.

Agora, se você elimina a causalidade eficiente, aí se você trata com causalidade formal, você evita isso. Meramente formal, você evita isso, OK? No âmbito formal. Porque daí você trata da, enfim, da da beleza, enfim, da verdade, da nobreza, coisas que são mais abstratas, né? Coisas que são mais abstratas ali e que se liam com âmbito da da forma e coisa e tal, né? Pode ser ali com âmbito da da formalidade, coisa e tal. Agora da eficiência, meu amigo, se você assume que a a quarta via trata de eficiência causal também, não somente formalidade, causalidade formal, você acaba que abre margem para que, no caso, a o parâmetro maximal, ele não só sirva para medir as perfeições puras simples, ah, de modo gradado, mas também outras perfeições que o teísta não vai querer que seja medíveis por Deus, né, pelo ser de Deus. Eh, não quer que Deus seja máximamente cheiroso, né? Maximamente perfumado, né? Maximamente fu. Pois é.

E o que estabelece? Se a gente tá discutindo perfeição A ou B, esqueci os termos que você utilizou aí, se se são perfeições puras simples e perfeições impuras ou compostas, né? Tá. É exatamente porque em alguma medida as perfeições por simples são mais alinhadas com âmbito abstrato, né? Com coisas como verdade, nobreza, beleza e coisa tal, entendeu? Uhum. Coisa mais alinhado com as propriedades axiológicas que é chamadas, né, que são propriedades valorativas ou características valorativas que importam valor nelas. Sim.

Deixa eu ver se tá aqui perto. Ah, tá. Na mente moralista que a gente estudou no último clube do livro do Jonathan Heide, a gente eh aprendeu bastante com psicologia evolucionista, psicologia moral e neurociências, como o cérebro instancia nossos juízos de valores mais variados. Então, até lealdade, talvez algumas coisas abstratas que você tá mencionando aí. Eh, no final das contas, talvez eu eu eu tenha, como é que chama aquela aquela postura generalista, né? Não não seja um pluralista, né? Eu tô vendo o cérebro o cérebro instancia tudo isso, né? O belo, o bom. Ah, o que eu quero dizer com isso é que qual o critério para diferenciar, entende? A discussão sobre essa perfeição ali? Não, a gente não tá falando desse tipo de perfeição aqui, da fofura de Deus ou então se ele é cheiroso. A gente tá falando desse tipo de perfeição, mas eu vejo como sendo coisas que fazem parte ou que tem raízes muito similares no final das contas no nosso cérebro, na nossa natureza.

Aí você tá aí, você tá tá tentando articular um argumento que é chamado, inclusive eu traduzi um artigo recente que trata sobre esses argumentos, né, que são chamados de argumentos etiológicos, né, que tenta desqualificar certas noções vinculadas a à religião, livre arbítrio, ah, enfim, a beleza, cor, né? Realismo sobre cor, realismo sobre moralidade, realismo sobre beleza, realismo sobre livre arbítrio, realismo sobre várias coisas assim, sabe? eh com base em considerações, por exemplo, ou da neurociência ou da sociologia ou da evolução ou qualquer coisa assim, né? Eh, esses argumentos são chamados de argumentos etiológicos ou argumentos de origem, argumentos genéticos, etc. Até mesmo o que é sagrado, o que é puro e talvez, não sei se entra aí no que é perfeito, mas figuras que usam, ó, figuras que usaram famosamente na história argumentos etiológicos para tentar desqualificar certas noções, né? Ou pelo menos raciocínios que tem um lastro em âmbito de de um âmbito etiológico é o Carl Marx, né? o Carl Marx, o próprio BF Skinner, eh, enfim, você tem figuras como o próprio Freud, né? Eh, todos eles são, eh, pensadores, né, para assim dizer, em áreas distintas, né? Ah, outros da sociologia, outros da filosofia, outros da psicologia, outros da da psicanálise, etc. Que tiveram desenvolveram um raciocínio assim que é chamado de raciocínio desmascarador, que é chamado, desmascarar as noções, né, e coisa e tal. Mas tem várias estratégias, como um filósofo chama Daniel Corman. Corman, ele ilustra para se lidar com esse tipo de argumentos, né, na literatura da filosofia analítica, né, para tentar evitar essas conclusões de argumentos etiológicos. Tem como é você neutralizar eles de algum modo, tá?

É, tá bom. Eh, inclusive, tem um alicerce aqui que a gente discute que é o da pureza, que tem muito a ver com religião. Eh, a partir de mecanismos que foram modelados pela seleção natural pra gente ter a experiência do nojo, para que a gente se proteja contra intoxicações, pra gente não comer comida podre, nem, enfim, eh, nem merdas por aí que a gente encontra pelo mundo. a gente desenvolve essa noção do que é sujo, do que é tóxico, do que é aversivo e aquilo que é puro, aquilo que é limpo, aquilo que não tem contaminação. E as noções de sagrado e profano, vários conceitos religiosos bebem desse mecanismo, dessa maquinaria de separar puro e impuro. Logo, essas noções estão refutadas, né? estariam, pelo menos, você removeria o suporte epistêmico para você acreditar que essas crenças estão eh rastreando alguma verdade acerca dessas questões, né? Questões de beleza, questões de ah questões ali de moralidade, talvez, né, em alguns cenários ou questões de livre arbítrio ou qualquer coisa assim ou religião. E até mesmo Pluta, ele o argumento evolucionário contra o naturalismo é uma é uma forma de argumento etológico também. Goto. É um argumento nessas linhas. É um argumento evolucionário, refutador, só que do naturalismo, não da religião, né? Ele tenta desenvolver isso. Ah, então tem vários argumentos dessa linha. Isso daí que você tá expondo é um argumento teológico. Tá, tá. Quero fortificar esse argumento. Hã, eu traduzi um artigo, inclusive te marquei no grupo sobre isso. Ah, legal. Vou vou tentar ver lá depois. Legal, legal. Mas sigamos, né? Eu acho que vai dar tempo. Se a gente acelerar um pouquinho aqui.

Vamos pegar quinta via. Quinta via. Estamos, estamos no final já. Essa daqui tem duas premissas e uma conclusão muito simples, ah, pelo menos de acordo com a exposição do Michael He, né, do filósofo Michael Heise no Revising Aquinas Proof for God, que é basicamente o seguinte, né? Então, esse argumento ele, apesar de ser simples, né, na na exposição aqui que eu vou colocar, ele também tem alguns traços de complexidade, não são tão eh são geralmente mal compreendidos por ateus, tá? Ah, e diagnósticos, né? Compreendido de forma errônea por ateus diagnósticos. Então, vamos lá. Primeira premissa. Se a causalidade final não existe, então o universo é ininteligível. Premissa dois, o universo é inteligível. Conclusão, portanto, a causalidade final existe. Muito simples, né? Muito simples, mas vamos desempacotar o que que é a causalidade final aqui. A causalidade final, ela é caracterizada justamente em conexão com a causalidade eficiente e também com a causalidade formal. Então é o seguinte, para aqui essas coisas estão conectadas, OK? Então, a finalidade de uma coisa, né, por assim dizer, uma casa está conectada com a forma da casa que está conectada com a eficiência, né, ali, causal vinculada a vinculada à casa. Ã, ah, pelo menos a eficiência eh eficiência causal de quem construiu a casa, ou seja, do construtor da casa.

Então, uma analogia para tornar isso melhor, mais compreensível é o seguinte, né? Eh, vamos imaginar a certos construtores, né, ou certos projetistas ali, né, projetando uma casa e indo ali, no caso, para planejar, no caso a construção da casa, né? Eh, essa casa, por assim dizer, para ela ser construída, ela tem que ser pensada pelo construtor, eh, pelo projetista, né? O projetista ele vai pensar, vai elaborar o projeto da casa, né? A planta da casa e coisa e tal. E isso vai formar uma ideia no intelecto dele, ou seja, na mente dele vai formar, ele vai ter uma ideia de uma casa ali, uma forma de uma casa na cabeça dele, no intelecto dele, certo? Para poder colocar isso em prática, ele vai ter que junto com outros construtores, né, tendo esse essa ideia da da casa em mente, né, do intelecto dele, ele vai agir de forma a favorecer a construção dessa casa, certo? Essa casa, ao construir essa casa, ele vai se utilizar o quê? De vários materiais, etc., para moldar a casa, para construir a casa ali, né? Ele e os as pessoas ali da construção. A finalidade da casa será qual? Ser morada, ou seja, ser passível de ser morada por alguém. Essa é a finalidade da casa que é vinculada com a forma, com a ideia da casa que tá na cabeça, na no intelecto da pessoa ali que formulou a planta da casa e coisa e tal, né? E das pessoas que estão contribuindo com ela para construir essa casa efetivamente, para vir atualizar esse potencial dessa casa ah de se tornar algo real, né? Algo atual, né? efetivo, né? Que que acontece? Essas coisas conjuntas tornam a casa inteligível como casa, entendeu? Inteligida como sendo uma casa e não como sendo outra coisa. Sem essas coisas confluentes, principalmente a causalidade final, sem o objetivo de ser morada por alguém, ah, sem o direcionamento para a produção desse tipo de coisa, simplesmente não é compreensível o porque que aquela coisa existe ali. OK? Porque que aquela coisa existe em primeiro lugar ali.

A primeira a quinta via, ela não trata, no caso, de um design biológico, igual muitos erroneamente associam. Sim, é o argumento do design. É um argumento de design. A quinta via é um argumento de design inteligente, mas não é um argumento de design inteligente convencional que os criacionistas geralmente usam. Ele não trata sobre organismos biológicos, ele trata, no caso, sobre corpos naturais em geral, porque todo corpo natural é inteligível como sendo alguma coisa, OK? Eh, e portanto isso é capaz de figurar nas nossas explicações e nos auxiliar, inclusive a formular explicações científicas. E aqui eu utilizo científica no sentido da ciência contemporânea, né, que geralmente se vincula mais quanto das ciências naturais e coisas e tal. Então, pro Michael Heise, que é um dos expositores da Quinta Via, né, eh, e que realiza essa explicação, o argumento da quinta via é um argumento de inteligibilidade e que propicia a possibilidade até mesmo da ciência contemporânea. Sem que o nosso universo seja inteligível, completamente inteligível, simplesmente não tem como a gente sequer começar a investigação. Segundo a visão do Heise, o nosso universo, ele tem que ser perfeitamente inteligível, portanto ordenado no sentido de ser compreensível, OK? De ser compreensível. Caso contrário, não faz sentido nós eh continuarmos com a investigação científica, OK? Isso se alinha com uma coisa que o Alan tá comentando ali nos comentários, princípio da razão suficiente. Então, todas as coisas têm uma razão suficiente de serem assim, não de outro modo, né? De certo modo. E isso favorece, no caso, com que a gente torne as coisas inteligíveis de tal modo com que seja razoável a gente continuar investigando e não simplesmente parar de investigar a nossa realidade, principalmente cientificamente. Esse é o argumento da quinta vida, entendeu? É basicamente isso que ele quer argumentar com relação a isso. OK.

Quer que eu já comece a objeção? Problemas. Vamos lá. Quais são os problemas desse argumento? Existem coisas, a teoria da evolução tá. Existe um filósofo chamado Kevin Asdecker, que é um dos que também argumenta contra o Michael Heise aí nesse livro, né? O Revisiting Aquinas Pro the existence. of God, OK? Revisitando as cinco vias ali de Aquino em favor da existência de Deus, né, editado pelo Robert Harp. Na parte cinco do livro, o Michael Heise expõe, né, a argumentação. O Kevin S Decker, ele não entende esse argumento, né, de primeira, ou seja, e tem dois capítulos do Kevin S Decker, um em que ele basicamente interpreta o argumento da forma do design, do DI em termos do organismo biológico, né, ah, que é um convencional, né, e ele utiliza várias objeções ali, cita até o Richard Dawkins, cita um monte de autor ali, da biologia. Mas na segunda etapa, onde o Michael Heise esclarece os equívocos, né, por assim dizer, no raciocínio, nos raciocínios dele, na segunda parte, ele se engaja de fato com argumento tal como articulado pelo Michael Heise, né, o Kevin Asdecker, e traz insights da filosofia e da ciência contemporânea, inclusive analítica. Então ele traz alguns autores como Alex Rosenberg e no caso ali o Nicholas Rescher para tentar ilustrar o seguinte, que a concepção de ciência contemporânea, ela não depende da ideia de uma inteligibilidade absoluta de um ordenamento absoluto, não. OK? ela trabalha muito mais com o ideal de você construir pontes entre teorias ou enfim ou hipóteses no caso que são ilustram uma contradição entre si ou uma aparente contradição entre si, pelo menos uma aparente incompatibilidade entre si. Ele cita como exemplo a relatividade geral com a mecânica quântica, né? para ilustrar esse ponto, é muito mais uma tarefa de você tentar reconciliar, né, ou construir pontes entre essas teorias que aparentam serem eh contraditórias entre si e você tentar se aproximar de uma inteligibilidade, não total, para que no caso a atividade científica ela prossiga. Não é necessário que tudo seja absolutamente inteligível para que no caso a investigação ela prossiga, né, segundo essa visão. E ele tenta essa, ele traz algumas citações do Nicholas Rescher, né, para motivar esse tipo de coisa, OK? Acerca da do papel da ciência, OK? Então é mais ou menos por aí que ele responde, né, a a argumentação em questão. Então é isso.

É, e alguém tem uma outra resposta que eu posso ilustrar, mas eu vou deixar você comentar primeiro algumas coisas. É, eu acho que a gente pode compreender as coisas de forma equivocada também. Às vezes alguém produz um objeto, você deu o exemplo da casa e uma pessoa interpreta de uma outra maneira, então a gente pode simplesmente compreender as coisas eh de forma equivocada. Então eu não vejo como a compreensão de algo. Eh inclusive a gente pode ter compreensões sobre coisas do mundo que não foram planejadas.

Eu eu não consigo entender, eu posso ter perdido algum elo aí do do argumento, como a compreensão de algo implica em aquilo ter sido planejado, em ter tido uma intenção porque é porque é porque no caso a o direcionamento para produção de efeitos específicos é vinculado com a forma substancial de uma coisa, a essência de uma coisa ah que caracteriza aquela coisa em virtude do que ela é e não das relações que ela tem com outras coisas. E isso permite a gente conhecer e entender porque que aquela coisa, em virtude dela ser aquela coisa específica, ela tende, ela tende a gerar aqueles efeitos específicos, entendeu? Ah, e isso só pode ser feito de sentido, segundo essa visão, através de uma vinculação com uma finalidade ali, né, e com uma eficiência ali, ah, que favoreceu com que aquilo fosse daquela maneira, né? Ah, então isso entra nas noções das quatro causas, enfim, e da noção do do hilemorfismo envolvido, né, que torna, no caso, as coisas inteligíveis, né, e não simplesmente matéria ali desordenada. H, sem, no caso estará informada por uma forma específica, entendeu? É basicamente isso. É como se no caso sem as formas as coisas fossem monte de matéria batendo e etc, sem informar nada coerente. Entendeu? Uhum. Você entendeu? E como se isso só fosse explicável em termos de um intelecto divino que pensa essas formas, né? Isso entra no conceitualismo divino que é chamado, entendeu? Eh, tá.

É aquilo que eu te falei antes. Eu eu entendo, entendi que tão conectando isso com uma intenção divina, mas eu não entendo porque a gente não conseguiria explicar isso de uma outra maneira. Então, mas aí que tá um ponto. Aí que tá um ponto. É o seguinte, eh a gente tem uma outra rota de resposta a isso. A gente não precisa rejeitar princípio de razão suficiente e a gente não precisa rejeitar a noção de causalidade final. A gente pode endossar uma noção de causalidade final. Isso é naturalista. Isso que ilustra é o Felipe Leon. Tem um texto aqui, né? Eu tô até com ele aberto aqui, que é justamente o que eu traduzi também do livro do que o Philip Leon discute com o Joshua Rismen, né, que é o parenteísta cristão, né? Ah, e aqui, né, o texto em questão tá até trazendo a pensar naturalista, é como o naturalismo poderia explicar a moralidade, a racionalidade, o ajuste fino e a intencionalidade, né? E aí o Felipe Leon ele traz a distinção entre quatro tipos de noções de causalidade final que o Aquino mesmo trazia, né? Então ele traz aqui, ó, a questão comumente atribuída a Tomás de Aquino, que é amplamente considerado por ter argumentado que as causas finais exigem que um agente age em prol de algum fim. No entanto, não está claro que o naturalismo seja incompatível com causas finais que são mais fundamentais do que aquelas produzidas por pessoas humanas.

Ó, para entender isso, vamos distinguir entre quatro noções de causa final que aparecem ser sugeridas nos escritos de Aquino. Então, vamos lá. Quais são essas noções, ó? Vamos lá. Primeira noção. Noção A, a tendência a produzir um tipo de efeito em vez de outro. B, a tendência em direção a algum ponto final ou término. C, a tendência em direção a a algum ponto final ou término que seja bom em algum sentido importante, né? Principalmente outro sentido ontológico, né? E não exatamente axiológico, valoroso, né? E D. Agir em prol de algum fim, né? Agir em prol de algum fim. Agora, olha o que o Felipe Leon diz, ó. Agora, se existem causas finais terrenas no sentido de D, então isso parece ser incompatível com o naturalismo, né? Essa noção de D, ou seja, de que agir em prol de um fim, de algum fim, é justamente por ser pessoal, né? Eh, que direciona, né? Que intenciona ali um um finalidade específica. Então, vamos lá. Se esse último envolver deliberação consciente, ó, se é incompatível com natureza só se ela envolver deliberação consciente, certos estados intencionais, né? Ah, ou certos estados cognitivos, etc., conativos, tipicamente de pessoas, né? Então, sei lá, desejos, vontades, ah, intenções no sentido mais humano do termo, né? Não no sentido da intencionalidade, né? Da capaz de se referir a alguma coisa, né? de produzir ou direcionar algum efeito, alguma coisa assim, eh, em específico em virtude de outra, mas sim, de ali, eh, sim, de intenções e deliberações mesmo conscientes, né? Ah, no entanto, ó, não está de todo claro que qualquer um dos três sentidos, ou seja, o sentido A, B e C, ah, de uma causa final, seja incompatível com o naturalismo ou de outra forma especialmente problemática para ele, pois ah, requer apenas regularidade na natureza. Essa regularidade pode se dar em termos de leis na natureza governantes, platônicas ou aristotélicas ali, que permite a gente inteligir as coisas como sendo ordenadas da forma como são. E essas leis na natureza não precisam ser um deus, né? Elas podem ser algo real, distinto das coisas ali meramente ah ou ocasionais, né? Os objetos concretos ali específicos, né? Ah, pode ser relações que favorecem a governança entre uma coisa e outra, né? Ah, e as estabelecendo relações entre uma coisa e outra, mas enfim, não é um deus. Pode ser isso também.

Ó, o que é prima faixa é compatível com o naturalismo. Sobre este ponto também vale a pena notar que parece ser o único sentido de de uma causa final que a Tomás de Aquino não considerou estritamente necessário para causas eficientes. Se isso for, então para que haja causas eficientes, como tem uma conexão com causas finais, se a conexão com causas finais envolver só a causa eficiente nesse no sentido aliás para causa eficiente envolver só uma causa final nesse sentido, nesse sentido mais modesto, A, B e C, então o naturalista pode ser isso e não tem problema. E portanto o ateu, agnóstico pode ser isso também, pode ter a causa final nesse sentido, ó. Além disso, B e C não parecem mais problemáticos para o naturalismo do que para o teísmo, pois considere o Deus do teísmo em prima faixa, seja a primeira vista. Deus tem pelo menos um intelecto e uma vontade. E estes trabalham juntos de forma confiável, de tal forma que tendem a uma série de fins, por exemplo, projetar e criar coisas. Além disso, esses fins parecem ser bons em algum sentido importante, no mínimo bem ontológico, né, de completude, coisa tal, ah, de funcionamento apropriado, né, de acordo com a sua própria natureza e coisa assim. no mínimo são bons para o bem-estar, o florescimento ou a função adequada de Deus, né, que é justamente isso. A primeira vista, então, as causas finais nos sentidos A e B e C são construídas na natureza de Deus sem uma causa prévia a forte, sem uma causa inteligente. Mas se isso estiver correto, então o teísmo clássico implica a existência de tais causas finais no nível metafísico básico que Deus não pode e, portanto, não criou. Ou seja, a a finalidade nesse quesito ah não agencial é mais fundamental até mesmo se Deus existir do que simplesmente a finalidade estabelecida por Deus, o ordenamento estabelecido por Deus. Deus é ordenado. Deus em si mesmo é inteligível, entendeu? Então, portanto, se isso demanda uma causa inteligente, que favorece a ordenação de tudo e torna aquilo inteligível, então Deus demanda uma causa também para ele. Volta um pouquinho aí. Interessante isso aí.

Eh, mas eu eu confesso que eu não peguei o raciocínio para chegar à conclusão de que Deus é ordenável. Ele é ordenado. Deus é ordenado. Isso. Ele tem certas características nele que favorecem com que ele tenda a agir de formas específicas, a produzir efeitos específicos e não outros. Hum. Sim. Entendeu? Se isso é o caso e ele não demanda uma causa posterior ou alguma coisa que explique essa ordenação dele, então no caso o universo também pode ser o isso ou alguma entidade natural, inicial ou qualquer coisa assim pode ser isso. Interessante. É isso. Entendeu?

Às vezes, quando eh eu trago a ciência para discutir essas questões teológicas de crença, por exemplo, pesquisas que testaram a eficácia de orações ou pesquisas que testam a acurácia de médiuns ao psicografar, etc., o pessoal diz que não dá para testar o sobrenatural, porque não existem leis regendo o mundo sobrenatural. Eh, mas se não existe, é um tiro no pé. Isso é tiro no pé do teísta, cara, que eu vou te falar. Sabe aquele texto que eu falei para você ler, inclusive para você ir pro debate com o Guilherme e com Israel? Se você tivesse lido o texto de Stanley Kane sobre isso daí, você teria demolido eles no debate, você teria deixado eles sem resposta sobre isso daí. Essa ideia de que Deus é totalmente outro, de que Deus não é passível de ser previsto, certas ações de Deus não são previsíveis e coisa e tal. Isso gera um problema pro próprio teísta, porque esse Deus ele não é bom, né, de um sentido mesmo que mesmo que análogo ao sentido de bondade nossa, se ele não tem certas características que são inteligíveis a nós minimamente, né, mesmo que através de analogia e etc, se ninguém conhecer nenhuma característica relevante de Deus significativamente, então pode ser que no caso os atos de adoração dessa pessoa com relação a esse Deus esteja sendo um ato de adoração, algo que é totalmente antitético ao aquilo que ela tá imaginando que Deus é. Sim. Sim. Vira uma fé irracional. Não se justifica qualquer afirmação sobre Deus. Qualquer afirmação. É exatamente. Então, Deus tem que ser previsível em algum sentido relevante, minimamente. Ser inteligível para você argumentar qualquer coisa. Exatamente. E se ele é inteligível, ele não teria uma natureza similar à nossa? Obedece a lei de causa e efeito? Não sei.

Ó lá, já tem o Rafael Ginaro ali dizendo, o cara claramente não entende os conceitos de essência, substância, movimento, metafísica e outros conceitos. Antes de refutar, tem que entender os conceitos do autor. Então, exponha aí quais são os conceitos, então, de forma correta no comentário. Desafio aí antes da gente finalizar a live. Hum. E o que que eu errei aqui? Mostra os erros aqui na live, por favor. Se eu não consigo te listar referência sobre isso.

Eu não sei se chega a ser um problema também para para as vias de Aquino, mas eu me lembrei algumas vezes do Hume. Comentando agora mais principalmente sobre como a gente forma crenças pelo hábito de observar as regularidades da natureza e nada garante que as coisas não funcionem de outro jeito daqui a pouco. É, mas o argumento do Hume é um argumento cético, não exatamente contra causalidade por si, mas sim na nossa capacidade de conhecer as causas em si, né? eh envolvendo justamente o estado de relações também pode ser interpretado como uma espécie de argumento em favor do regularismo causal, né? Do regularismo ali das leis da natureza. Ou seja, que as leis da natureza elas são redutíveis, né? Elas não existem de fato, elas são redutíveis às regularidades entre os fenômenos, entre os eventos ou entre a relação entre as coisas, né? Ou qualquer coisa assim, né? Uma regularidade entre os fenômenos. Ah, e que não tem nada mais fundamental que explique ou alguma coisa assim que explique ah, porque as coisas têm essas relações que têm, né, causalmente. Eh, só que tem várias respostas a isso, né? tem respostas ali em termos da da própria teorema de Bayes e coisa e tal, entendeu? Para responder o problema do ceticismo ali indutivo do Hume e também o problema da causalidade, né? Por consequência, né? Tem a resposta do Kant também, né? Para quem conhece também tem é possível ter uma resposta kantiana aí também eh em termos das categorias a priori do entendimento, né, por assim dizer, eh, que são envolvem a noção da categoria da causalidade como sendo impingida, eh, e favorecendo a ordenação dos fenômenos, né, ali da nossa percepção, né, e coisa e tal. tem várias respostas pro problema que o Hume coloca. Humm, assim, ele tem importância inclusive pra articulação de alguns argumentos filosóficos mais da filosofia analítica contemporânea, inclusive contra a existência de Deus. Mas ele persiste tá meio ultrapassadinho em algumas coisas.

Massa, David, eh, deixa aí para nós recomendações de de três, dois, três livros, alguma coisa assim. Ah, para a gente finalizar. Hoje vocês estão vendo que a live foi mais comprida do que de costume, mas porque o tema exigia. Eu peço desculpa que é 3 horas, né, Amanda? É, a gente empolgou hoje aqui. Eh, eu eu tô bem cansado e tudo, mas me esforcei aí para acompanhar os raciocínios complexos de filosofia da religião. Eu acho que deu para pegar muita coisa legal, assim, ficou com vontade de me aprofundar para aprender mais, para trazer mais esses temas pro canal que são tão interessantes, né, pessoal? Tanta gente vem aqui e comenta, questionando, trazendo argumentos, provocando de diversas maneiras. E a filosofia tá sempre aqui, querendo ou não, o tempo inteiro aparecem esses argumentos filosóficos e é legal a gente conhecê-los e saber que tem tanta gente por aí desenvolvendo, avançando a partir do que esses grandes pensadores propuseram. E dá pra gente aprender sempre um pouquinho mais. Por mais difíceis que sejam esses argumentos e as objeções, dá pra gente ir aprendendo. E eu gostei hoje, David, que você trouxe eh muitos exemplos concretos também. Eu acho que você foi bem cuidadoso assim, fazendo as analogias e tudo para quem não tem familiaridade conseguir acompanhar. Eu também, né? Eu não sou da filosofia. Eu eu não tenho quase nada, assim, pouquíssima leitura em filosofia da religião e acho sempre muito bacana entrar em contato com esses temas e aprender um pouquinho mais. Então, obrigado demais. Deixa aí a recomendação de alguns livros sobre filosofia da religião para quem quiser entender mais sobre o tópico e faz a propaganda do seu trabalho aí, do seu canal, eh, da pensar naturalista, etc.

Bom, vou fazer sim. Bom, pessoal, sobre esse assunto, eu recomendo vocês lerem o livro do filósofo analítico tomista, inclusive, é um dos é um dos que é considerado referência aí, pelo menos, que não tenta, que não distorce aquilo de forma brutal ou qualquer coisa assim, né? Que é o John Wippel. né? Ele tem um livro chamado The Metaphysical Thought of Thomas Aquinas, né? O pensamento metafísico de Tomás de Aquino. Eh, e esse é considerado aí inclusive algumas figuras aí mais pop aqui do do Brasil, né? Que são mais familiarizados com a escolástica ou com filósofos ali medievais e coisa e tal, né? Ou até alguns renascentistas, né? Ah, que é o o enfim, o o nosso amigo, o nosso colega aí, o Carlos Alberto, né? que é um dos uma das figuras aí que é do meio mais teísta clássico, ah, que no caso ele traz, né, alguns pontos ali interessantes e ele reconhece como ter, enfim, uma certa credibilidade esse autor, né, no caso o John Whippel, né, o John Wipel. Então eu recomendo aí para entender o pensamento tomista o livro do John Whippel. Recomendo também no caso ali para vocês entenderem pelo menos algumas tentativas de articulação contemporânea ali da da das vias. O Revisiting Aquinas Five Proofs of the Existence of God, que foi um livro que eu me basei bastante aqui, ã, para poder ilustrar os as formulações, né, as formulações em premissas, conclusão e coisa e tal, né? Vocês podem encontrar eh justamente esse livro editado pelo Robert Harp, né, que ele apresenta uma discussão. É interessante que esse livro ele é formato de debate. Então você tem cada parte do livro tem parte um, parte dois, parte três, parte quatro e parte cinco. Cada parte é uma via diferente. E você tem um ou dois proponentes da via e um ou dois críticos da via. Então cada é legal, tem os capítulos que eles vão rebatendo um ao outro, entendeu? Ilustrando os argumentos, os contraargumentos e coisas e tal, né? Aí você vê o o raciocínio sendo desenvolvido, né? Tem alguns autores ali que são ruins, que são ruins que distorcem totalmente a via, né? eh o do primeiro capítulo, é do dos primeiros capítulos ali, o primeiro esse, aliás, a Header, a Header, no caso, McCrea e o John McCrea, eles transformam o argumento da da primeira via em um argumento Kant, e um o outro Adam Parkman, né, também da um que oponente da terceira via transforma o argumento do Aquino em uma coisa nada a ver também e o Edward Mold aponta isso, transforma em uma coisa nada a ver, mas os outros autores eles abordam de uma forma razoável, tá? De uma forma minimamente razoável, né? Então é só tomar esse cuidadinho aí para para vocês eh quando for lerem nesse livro, tá? H enfim. Eh, tirando isso vocês podem ler também no caso ali a o livro eh referente referente ao a à discussão do Philip Leon contra o Joshua Rismen, né? Que é o Is God the Best Explanation of Things, né? Ou seja, é Deus a melhor explicação das coisas, um diálogo. E também no caso ali a o livro, ah, o livro no caso ali do Joy Schmid, né, do Joseph S. ID e do Daniel Lefard, né, com o filósofo da física Daniel Limford, hã, da Union University, né, e o Joy Made da Purdue University, que são filósofos aí que trabalham brilhantemente em na tese da inércia existencial e também outras objeções, né, não só inércia existencial, mas outras objeções contra a primeira via, o argumento de enter, que é algo que a gente não abordou aqui, né, porque enfim, não ia dar tempo, que é um argumento ali que tá meio que pressuposto na linha de raciocínio ali de algumas vias, pelo que parece, pelo que tudo indica, hã, e pelo que geralmente se recorrem, né, os tomistas. Eh, e enfim, e é isso, né? Ele aborda também as cinco provas da existência de Deus, do Edward Fiser, né, que é o filósofo católico aí favorito do Paulo Cogos, né, filósofo analítico favorito do Paulo Cogos, que ele vive citando, citou inclusive no debate contra o Benitz. Ah, e é isso, né? Ah, então acho que de livros é isso que eu tenho para indicar no no momento, né, para vocês entenderem melhor essa questão das vias. E eu tenho o site para indicar. Eu tenho o site aqui da, enfim, eu não sei se eu vou conseguir compartilhar, não sei se dá para compartilhar aqui. Eu acho que não vai dar.

Pode, você pode me mandar e eu coloco aqui embaixo, ó, pro pessoal na na descrição do vídeo que tá assistindo assim que acabar a live. Certo? Mas tem o site, é, tem o site da pensar naturalista, né? É pensarnaturalista.com.br. Lá vocês vão encontrar vários artigos desses, né? Inclusive pedaços dos capítulos desses livros que eu mencionei. Ou me manda aqui no chat manda aqui no para eles também ao vivo. Dá para fazer isso também? Sim, sim. Vou vou mandar aqui. Deixa eu mandar o chat aqui. Você já manda aí agora. Deixa eu ver chat. Aí vocês podem mandar aí. Aí, só jogar. E tem também um vídeo que eu legendei, tá? eh, de um canal gringo, um canal do estrangeiro, que é o canal Reality Rules do Stephan Woodford, eh, onde ele fez uma série, ah, aliás, ele fez uma, a série não, né, sobre esse argumento do F, mas ele fez, no caso, um vídeo, né, por assim dizer, junto com

Joy Schmid, né, com esse filósofo agnóstico, né, que trabalha na, enfim, na existencial, é um crítico proeminente do teismo clássico contemporâneo na academia, na filosofia analítica contemporâneo, que é justamente o Joy Smith, né. Ele fez um vídeo chamado "Ben Shapiro Refutado por Acadêmico: O Argumento da Mudança", aonde eles refutam o Ben Shapiro na exposição que ele faz do argumento da mudança.

Ah, no, enfim, eh, justamente numa espécie de documentário que ele montou, né, chamado, ah, chamado "A Desilusão dos Ateus" (The Atheist Delusion), onde ele usou argumentos do Feser e do Tomás de Aquino ali para tentar, enfim, desbancar o ateísmo, né, e foi refutado aí pelo Jade e pelo Woodford, né? Então recomendo vocês irem lá no meu canal, na parte de vídeos, vocês vão encontrar lá "Ben Shapiro Refutado por Acadêmico: O Argumento da Mudança", né? Stephen Woodford e Joe Smith.

No comentário fixado desse vídeo vai ter inúmeros textos que a gente traduziu na "Pensar Naturalista" referente à refutação das vias, das cinco vias e outros argumentos textos clássicos, tá? Vai ter inúmeros, números e números e inúmeros. Então é isso, só isso que eu tenho para dedicar.

Ah, e tem outra coisa que eu queria falar, até falei comigo da gente anunciar a justamente o, enfim, o aplicativo da PCE, né? Eu não sei se vocês estão sabendo, mas a Associação Ateísta do Planalto Central, da nossa querida Glorinha, a fundadora aí da associação, hã, eh, ela vai ter um aplicativo, né, que está sendo desenvolvido aí principalmente pelo nosso colega aí, o nosso amigo Wagner Menk, né, do Men's Channel, ah, que está favorecendo ali, né, por trás das coisas ali o, enfim, a elaboração do aplicativo e coisa e tal, né? E, enfim, eu convido vocês a darem uma olhadinha no canal da PCE, né, Associação Ateísta do Planalto Central, para vocês visualizarem lá. Lá tem um videozinho anunciando o aplicativo, né? Se inscrevam no aplicativo porque vai ser um aplicativo para ateus, né? Em grande parte, né? Ah, e é isso.

Boa, David. Depois me manda, eh, sites e coisas assim. Às vezes me manda também os títulos dos livros que eu vou colocar, senão hoje, que já está um pouquinho tarde, eu já tenho que me ajeitar aqui, mas amanhã pela manhã eu já coloco os demais links aqui embaixo, inclusive, eh, do canal da PCE, pro pessoal poder acompanhar e ficar por dentro de todas as novidades.

Então, é, inclusive seria um dos autores, né, da da revista ateísta lá da PCE que eles vão lançar. E o professor Ricardo Oliveira, que estava aqui também, ele vai ser um dos autores. E chamaram inclusive o nosso amigo aqui, o Daniel Gontijo, para ser um dos autores também. Estou aí. Vamos escrever uns textos bacanas sobre ateísmo, eh, em diferentes perspectivas, né? Tem, temos vários colegas legais da filosofia, como o David Ribeiro, colegas bacanas da história, como o Ricardo. Não sei se a Juliana Cavalcante também de repente vai contribuir com algum texto. Vou, vou levar um cadinho de de psicologia, que é a minha área, neurociências. Eu acho que, eh, é muito importante a gente reunir pessoas com essas diferentes bagagens para a gente discutir temas tão relevantes como ateísmo e religião aqui no Brasil.

E David, obrigado, cara, mais uma vez aí pelo bate-papo. Foi muito massa. Que a gente combine mais temas interessantes aí em breve. E agradeço a todos que ficaram até aqui, quase 11 da noite, ó, tem uma galerinha ainda assistindo. Obrigado, Hana, pela moderação. Não sei se o Oriel está por aqui ainda. Acho que o pessoal foi dormir já, mas obrigada. A Hana ficou até o final aqui na moderação. Obrigado a todos vocês. Deixem um joinha, se inscrevam no canal, acompanhem o canal do David também, ó. Você que gosta desses assuntos de filosofia da religião, o canal do David é muito bom e o link está aqui embaixo, beleza? Valeu, gente.

Quem puder se tornar membro para apoiar meu trabalho por aqui, agradeço demais. São vários os benefícios, incluindo 25% de desconto lá na formação em ciência e filosofia do Instituto Ponto Azul. O link está aqui embaixo para quem não conhece os cursos e clubes do livro que temos desenvolvido por lá. Obrigado a todos, um abraço. Valeu, David. Tchau.