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Somos mais de 8 bilhões de pessoas no mundo. Chegaremos a 9 bilhões em 2050, segundo a ONU. Vivemos momentos desafiadores: aquecimento global, poluição, mudanças climáticas severas, crise hídrica, consumo acelerado. Produzimos 2 bilhões de toneladas de lixo por ano, reciclamos pouco. Temos um grande desafio.
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River, cerca de 90% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que exige mais moradias, escolas, ruas pavimentadas, mais veículos e emissões de gases no ambiente, mais produção de lixo, esgoto, maior consumo de água. Será que estamos preparados para esse crescimento urbano e qual a nossa responsabilidade nesse processo? Porque, no fim, nós temos que viver com os resultados das escolhas que fazemos hoje.
Eu acho que sustentabilidade está muito associado a como você se relaciona com o meio ambiente, como você se relaciona com as pessoas ao seu redor, e como isso afeta o meio, né? De acordo com a Constituição, cabe, né, o dever de promover e proteger e de recuperar as questões ambientais e se apresentem, e que isso seja feito de forma a garantir que as gerações futuras consigam se beneficiar dos recursos que a nação tem.
26% da população global não tem acesso à água potável. 2 bilhões de pessoas, é o que mostram o novo relatório divulgado pela Unesco, na abertura da Conferência da ONU sobre a água. No Brasil, 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável. Os dados são recentes, de 2021, e representam um atraso histórico que compromete a sobrevivência de milhões de famílias no país.
Existe um bem maior que a água. Você vive sem alimento, mas sem água, a gente não vive por muito tempo. Em Uberlândia, 100% da população tem acesso à água tratada, que garante saúde e dignidade a mais de 800 mil pessoas. E com o programa Tarifa Social do Departamento Municipal de Água e Esgoto, outras famílias em vulnerabilidade social não pagam por esse item essencial. Empresas e indústrias também têm a segurança de abastecimento com água de qualidade, criando um diferencial competitivo estratégico para Uberlândia, que atrai mais investimentos, gera empregos e oportunidades para a população.
Com certeza foi um dos fatores contribuintes para a tomada de decisão. A água sendo nosso principal insumo de matéria-prima, ele foi fundamental para a tomada de decisão. Em 2015, a falta de chuvas levou várias regiões do país a uma crise hídrica severa, com falta de abastecimento e reservatórios operando no volume morto, como da Cantareira em São Paulo. Em Uberlândia, a realidade é muito diferente. Agindo de forma planejada e investindo para antecipar demandas, a prefeitura e o DEMAE já construíram uma terceira estação de tratamento de água, a Capim Branco, uma das maiores obras de saneamento do Brasil. Com tecnologia de ponta e soluções sustentáveis, ela é capaz de atender uma cidade com 3 milhões de pessoas, até 2060, mais de três vezes a população atual.
Um diferencial da Estação de Tratamento de Água Capim Branco, em relação à maioria das unidades de tratamento no Brasil, é que a Capim Branco implementou uma unidade de tratamento de resíduos. Porque nos processos convencionais de tratamento de água, você tem ali um grande consumo de água na lavagem de filtros, descargas de decantadores, e nesses processos acaba que você elimina muita matéria orgânica, que é o material que chega de dados da água. Você retira ele no processo de tratamento e depois você tem que fazer a limpeza do sistema. No Capim Branco, toda essa água da lavagem de filtros, limpeza dos decantadores, ela é direcionada para a unidade de tratamento de resíduos. Ele retorna para o início do tratamento, então é sustentável, onde a gente reaproveita essa água que é utilizada no tratamento e gera uma quantidade de resíduos bem inferior.
Para garantir o abastecimento de água, não basta investir em estações de tratamento, é preciso preservar as fontes primárias de água, os rios. Estamos há quase 60 km de Uberlândia, e o que você vê aqui é uma fazenda que produz água, resultado do trabalho do Programa Buriti, criado pelo DEMAE em 2008 para proteger e recuperar nascentes e áreas de preservação das bacias dos rios que abastecem a cidade.
Vê que fazenda sem água, na realidade, não tem valor. E graças a essa recuperação, a água da fazenda aumentou. Graças a Deus, mais de 300 produtores já aderiram ao Programa Buriti de forma voluntária e sem qualquer custo. Meio milhão de árvores nativas foram plantadas.
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Do Ministério do Meio Ambiente, uma ação de sucesso que agora também ganhou uma versão urbana, o Buriti Cidade. As mudanças climáticas e o adensamento dos centros urbanos criaram um novo desafio global: como escoar o grande volume de chuvas com cada vez menos áreas verdes e mais prédios, ruas asfaltadas, pisos de concreto? A solução é complexa e passa por um novo conceito urbanista que está sendo implantado em grandes metrópoles: as Cidades Esponja. Além do sistema tradicional de coleta de água de chuva em bocas de lobo e encanamentos, as Cidades Esponja criam diversos meios para dar espaço e tempo para a água ser absorvida pelo solo, como parques alagáveis, verdes, calçamentos e praças.
A reconstrução da barragem do Córrego Lagoinha, aqui no Parque Camaru, é uma das primeiras ações do Buriti Cidade e que traz uma nova solução de drenagem dentro do conceito de Cidade Esponja. Além de recuperação ambiental e preservação da área verde, esse conjunto de obras respeita o ecossistema do rio, com área de alagamento segura e natural, permitindo que a água da chuva chegue de forma gradual até as galerias da Avenida Rondon Pacheco, o que diminui os riscos de inundação.
Um universo de aumento de temperatura, você tem cada vez mais chuvas mais intensas, ou seja, uma alta quantidade de água num curto espaço de tempo. Esse é o desafio maior do sistema de drenagem atualmente.
Devolver ao meio ambiente, de forma saudável, aquilo que dele utilizamos é princípio básico para um mundo sustentável. A água que bebemos, usamos em casa, nos banheiros, ou utilizada na atividade comercial, é descartada como esgoto, tratada, volta limpa para o rio, reabastece o ciclo e preserva a vida. Em Uberlândia, saneamento é universal e 100% do esgoto coletado é tratado. Mas essa não é a realidade da maior parte do Brasil, em que quase a metade da população, 46%, não tem serviço de tratamento de esgoto. Um atraso que compromete a saúde de milhões de pessoas, sobretudo em áreas onde o esgoto corre a céu aberto, com graves consequências humanitárias e ambientais.
Mais uma vez, Uberlândia se destaca como referência nacional em saneamento. Segundo ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado em 2023, ficamos com o terceiro melhor saneamento do país, à frente de várias capitais, e o primeiro de Minas, posição que ocupa desde que o índice foi criado. A cidade recebeu nota máxima em 11 dos 12 indicadores avaliados. Isso traz uma série de benefícios para a população, tanto em relação à saúde, né, a diminuição de doenças de veiculação hídrica, quanto em relação ao desenvolvimento econômico e social da própria cidade.
Desde 2017, a cidade de Uberlândia já investiu cerca de meio bilhão em saneamento básico, com revitalização, ampliação e construção de redes de água e esgoto. E depois de construir uma nova estação de tratamento de água, capaz de abastecer a cidade até 2060, o município já prepara o estudo para ampliação do sistema de tratamento de esgoto, equiparando com a produção de água. Isso é agir de forma responsável e planejada.
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Caminhando lado a lado com o baixo percentual de esgoto tratado na maior parte do país, a má gestão dos resíduos sólidos gera a poluição do ar, dos rios, do lençol freático, do solo e poluição visual, podendo causar doenças. Um problema global que começa dentro de casa. A gente só coloca ele em um lugar, a gente afasta ele da gente, mas ele tá, a gente vive no meio do lixo. É bom a gente ter consciência. Nessa, nessa mesma rua que tem quatro pontos, quatro pontos que as pessoas jogam entulho, lixo, lixo doméstico. As pessoas têm que se conscientizar que é que o nosso bairro que tem que ter um lugar limpo para a gente viver, mas não é isso que acontece, infelizmente.
Nós temos inúmeros malefícios que podemos elencar aqui, desencadeados pelo descarte irregular de lixo nesses pontos críticos. Um deles é a proliferação de animais peçonhentos, transmissores de doença. Nós temos também o tipo de poluição visual, que esteticamente deixa feio, né, o bairro. Nós temos um problema de poluição e contaminação do solo, a depender do tipo de resíduo que eles descartam, que podem ser resíduos perigosos.
Em Uberlândia, a gestão de resíduos não para. Trabalha 365 dias por ano, com serviços desde a varrição de ruas, a poda de árvores, a coleta de lixo doméstico, de lixo hospitalar, coleta seletiva, gestão de ecopontos, coleta de resíduos da construção civil, passando pelo aterro sanitário e aterro industrial. Tudo é pensado para manter nossa cidade limpa, saudável e segura. Mas o desafio é que a cada dia produzimos mais lixo, ou melhor, mais resíduos sólidos, porque nem tudo é lixo. 220 mil toneladas de lixo são geradas por ano, média de 311 kg por habitante. 600 toneladas de lixo chegam todos os dias no aterro sanitário: lixo doméstico, materiais que não foram reciclados e resíduos da varrição das vias públicas.
Diferente dos antigos [Música] criar uma obra complexa que ela é, vamos dizer assim, ela, ela tem vida própria, porque o resíduo ele nunca deixa de ser destinado. Então chega numa terça-feira, o resíduo 24 horas, coleta de urna e noturna. Aqui, parte do trabalho também é de transformação. Os gases gerados na decomposição do lixo ajudam a gerar energia. Vem pela tubulação até essa central, vira combustível para esses motores que geram energia elétrica. Então, hoje, o nosso gás, ele é transformado, 100% nosso gás é transformado em energia. Seria suficiente para abastecer e iluminar 40 mil casas. Quase 2 milhões de metros cúbicos de biogás, que tem em sua base o metano, gás 28 vezes mais poluente que o gás carbônico do efeito estufa. Transformado em energia, o metano deixa de ser lançado na atmosfera e preserva o meio ambiente.
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Desde 2011, Uberlândia conta com a coleta seletiva porta a porta, um ganho ambiental que atende 85% da população e que até o final de 2023 chegará a 100% da cidade, com a participação cada vez maior dos moradores.
Eu ouvia, falava, não tinha consciência. Depois é que eu fui aprendendo que era importante para saúde, para cidade, para a limpeza da cidade, né? Fico muito brava quando as pessoas jogam na rua.
Os ecopontos são locais de entrega voluntária mantidos pela prefeitura, que recebem gratuitamente até um metro cúbico de resíduos gerados pela população e da destinação ambientalmente correta.
Trabalho na região aqui, agiliza bastante, que está perto de casa. É só chover e já descarrega e agiliza bastante, não tem que andar muito para poder descarregar o lixo.
Cada tipo de resíduo tem seu lugar separado em caçambas, facilita o recolhimento feito por empresas licenciadas, responsáveis pelo controle ambiental e a destinação correta. Materiais recicláveis vão para coleta seletiva. O destino dos restos de construção é o aterro industrial, onde uma parte é reciclada nesse triturador e utilizada.
Reutilizar e reciclar: o poder dos três R's na sustentabilidade do planeta, da nossa cidade. O que produzimos de lixo e o que fazemos com ele, a gente tem que pensar numa ordem de prioridade. E a gente trabalha essa questão dos três R's, ensinando a população da importância de ter essa consciência em relação ao resíduo que a gente gera. Primeiro, que o resíduo tem valor. Então, esse resto tem valor. A gente dá o devido valor para ele. A gente reutiliza ele várias vezes para depois a gente entregar para reciclagem, para ele se transformar em novos produtos novamente.
Os efeitos da mudança climática e da ausência de política ambiental comprometem a qualidade de vida hoje e das futuras gerações. Por isso, é natural que cada vez mais jovens participem do debate e das ações de transformação que vão determinar o futuro do planeta. Em 2022, Uberlândia instituiu a Política e o Sistema Municipal de Educação Ambiental, mais um passo importante para ampliar a conscientização sobre os cuidados com o meio ambiente. A educação ambiental passou a ser conteúdo obrigatório para alunos de todas as escolas municipais, em todas as etapas do Ensino Infantil, Fundamental e Educação de Jovens e Adultos.
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A questão ambiental como um conjunto de conhecimentos e de ensinamentos que precisam estar incorporados na formação das crianças. Despertar novas atitudes em crianças, jovens e adultos vai muito além das salas de aula. O programa Escola Água Cidadã, criado pelo DEMAE, promove ações sustentáveis e conscientização por meio de visitas guiadas a instalações de tratamento, atividades pedagógicas, palestras educativas, cinema e oficinas. Mais de 400 mil pessoas já passaram pelo programa.
Escolas, empresas e comunidade têm a chance de conhecer e participar das ações de sustentabilidade do DEMAE. E as crianças aprendem brincando, na interação com animais, sobre energias renováveis, a importância da água e o respeito à natureza.
Rios em cidades cada vez mais populosas e produção de resíduos sólidos crescente. É preciso uma mudança de consciência social sobre a responsabilidade compartilhada entre todos os moradores para evitar um colapso ambiental no futuro. E reconhecer a importância dos catadores de recicláveis faz parte do início desse processo de transformação.
O índice de reciclagem em Uberlândia vem crescendo a cada ano. Hoje é de 6,7%, maior que a média no Brasil, que não passa de 4%. Mas muito pouco se comparado a nações como Alemanha, Áustria ou Coreia do Sul, que reciclam mais da metade dos resíduos sólidos urbanos que geram. Temos um longo caminho a percorrer e muitas oportunidades.
Sobretudo porque em Uberlândia, o percentual de aproveitamento dos recicláveis recolhidos e vendidos pelas associações de catadores já é de mais de 92%. Ou seja, quase tudo que chega para as associações de catadores se transforma em fonte de renda e inclusão social, preservando o meio ambiente. A estimativa é de que as mais de 5.000 toneladas de materiais reciclados em 2022 em Uberlândia representaram economia de 256 milhões de litros de água, quase 5 mil toneladas de gás carbônico a menos no ambiente, o que já é reciclado em Uberlândia também contribui para a preservação de matéria-prima natural que correspondem a 34 mil árvores, mais de duas mil toneladas de areia e quase 500 toneladas de minério de ferro.
Sem a reciclagem, tudo que está nos galpões das associações de catadores e recicladores estaria no aterro. Plástico, papel, papelão, embalagens PET, vidro. Reciclados se transformam em trabalho, salário e dignidade. Isso mudou a vida da Rosemary, que separa no quintal o material recolhido em um único condomínio e coloca nas bags que serão levadas para a ARCA, uma das associações de catadores de Uberlândia.
Mudou muito, mudou muita coisa, porque na ARCA é como se você estivesse vendendo direto com a fábrica, entendeu? Paga melhor, a gente tem mil e uma facilidades. Principal ganho da coleta seletiva é o ganho social, com a inclusão de catadores no processo, gerando trabalho, gerando renda e também a questão ambiental, com a preservação dos recursos naturais a partir do aproveitamento desse material reciclável, que se torna uma matéria-prima para ser utilizado novamente pela indústria.
Cinco associações e uma cooperativa de recicladores e catadores recebem o que é recolhido na coleta seletiva, mais de 330 toneladas de recicláveis por mês. A maior parte do material que processam e revendem. A outra parte é recolhida diretamente por eles. Em 2022, foram mais de 5 mil toneladas comercializadas. 97 pessoas que saíram da informalidade, têm o trabalho mais valorizado e tiram daqui, e a gente consegue, né, sobreviver dignamente. Aqui a gente trabalha pelo, pelo sistema de produção e todo mundo aqui, o que ele produz, ele recebe. E graças a Deus, ninguém que recebe menos do que salário mínimo. É trabalho, é profissão, hoje, graças a Deus, que nos ajuda a população da nossa cidade, como a nossa flora, o nosso meio ambiente, tudo isso aí nós estamos trabalhando para ajudar.
Sustentabilidade é um desafio global, um desafio de todos nós. Envolve governos, organizações sociais e o comprometimento de toda a sociedade. Uberlândia está trilhando esse caminho com muita responsabilidade, sempre à frente do seu tempo, com ações práticas que tornam a cidade hoje uma referência em sustentabilidade. Mas ainda não é o suficiente, ainda há muitos desafios a serem enfrentados. Não há uma receita pronta, mas sim um aprendizado diário. Então, voltamos à pergunta que precisamos fazer todos os dias: o que podemos fazer hoje pela sustentabilidade do planeta?
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