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CASO ANDREI: TIO TERIA FORJADO A CENA PARA PARECER SU1C1D10

THE EXPOSED BRASIL45:42

Transcription

Olá, família Red Rio! Tudo bem com vocês?

A matéria de hoje é um caso que aconteceu há seis anos atrás e que agora parece estar tendo um processo para que seja feita a justiça. Estamos falando do caso Andrei, um caso que repercutiu no Brasil inteiro em 2016. Um caso que chamou atenção, a princípio, emblemático, a princípio, uma situação. E por conta de uma mãe que não aceitava o desfecho, teve uma reviravolta. Uma mãe que nunca cansou de buscar a justiça. Estamos falando do caso Andrei, de sua mãe, que está aqui conosco hoje, a senhora Kátia Goulart.

Boa tarde, Dona Kátia. Como vai a senhora?

Boa tarde. Estou bem, na luta, tentando provar que o André foi assassinado.

Kátia, eu fiz uma matéria sobre o caso alguns dias atrás, porque me pediram muito para falar sobre esse caso, falar sobre o caso do seu filho e sobre toda a reviravolta que ocorreu. É um caso, a princípio, emblemático, que era uma situação. A polícia apontou que não teria sido um crime, teria sido um acidente ou algo do tipo. E que você nunca aceitou o que a polícia havia falado, por conhecer o seu filho e depois por questões ali que apareceram, no mínimo, estranhas a você. Apareceu um suspeito que agora, depois de quase seis anos, que o processo parece estar andando, é que ele pode ser levado ao banco dos réus. Eu vou te pedir, por mais doloroso que seja, mas sofrido que seja para você, que você me conte a história do seu filho, do Andrei. Quem era o Andrei e o que aconteceu no dia 30 de novembro de 2016, por favor.

Bom, eu digo, é bastante triste, bastante dolorido, mas a dor maior quem sentiu foi o Andrei, que acabou sendo assassinado, né? Eu, eu e meus filhos, a gente fala, nós somos sobreviventes e a gente segue essa luta para provar que foi o meu irmão que assassinou o André. Bom, o assassinato aconteceu dia 30 de novembro de 2016. Eu moro aqui em Porto Alegre, num apartamento pequeno de dois dormitórios. E meu irmão é um tenente da reserva da Brigada Militar aqui do Rio Grande do Sul. E ele morava no Rio de Janeiro. Depois que se aposentou, aí ele foi convidado para trabalhar aqui no Ministério Público aqui em Porto Alegre. E ele falou assim: "Problema nenhum, relacionamento". Ele perguntou se ele podia ficar aqui em casa alguns dias até fixar uma residência, né? Eu falei: "Tranquilo, o apartamento é pequeno, mas a gente é família, a gente se acomoda, se organiza, ficamos todos aqui".

E aí, no dia 30 de novembro de 2016, durante a tarde, eu fui num aniversário com a minha filha, aniversário de um familiar. E ele disse: "Mãe, não vou ficar em casa. Eu vou ficar em casa. Eu vou ficar esperando o padrinho", que meu irmão era padrinho dele, "para tomar chimarrão". André, uma criança alegre, uma criança faceira, uma criança feliz, uma criança com 12 anos, cheia de energia, cheio de planos, né? Que é um condomínio fechado, então tinha, tem quadra, tem... Ele tinha muitos amigos aqui. Me senti segura em casa, até porque ele estaria sob responsabilidade com um familiar, né? Ficou em casa o André. E fomos eu e a minha filha para esse aniversário. Nós voltamos em torno de umas 23:25, talvez. E o apartamento estava desligado. E os dois estavam deitados no quarto, é uma triliche, né? O Andrei dormia na cama de cima, meu irmão na cama de baixo. E tinha uma cama auxiliar que era para o meu outro filho mais velho. Só que, noite, meu filho mais velho trabalha à noite e estava de plantão. Então, nessa noite, por infelicidade, estamos só os dois no quarto. Eu dei boa noite, entrei, dei boa noite. O Andrei estava meio pálido, não estava muito, muito no normal dele. Só que, claro, naquele momento, eu não imaginei que seria isso. Imaginei que estava cansado e no outro dia teve aula pela manhã, ele tinha acordado cedo, né? Então, é cansado. Mas eu senti o Andrei meio diferente, não no normal dele, né? Eu e meu irmão só dizia assim: "Ah, eu tô com sono, Kátia. Eu quero dormir. Eu preciso dormir. Amanhã tenho que acordar cedo". Eu não tenho que me apresentar. Naquele momento ali, estava incomodando o meu irmão. O André não falava, ele só me olhava e fazia. Eu perguntei: "Tomou banho, filho?". Ele só falou assim: "Tomei banho". Era um corte com nós que ele tinha tomado banho, né? E ele estava tapadinho. Eu fui para o meu quarto, que é do lado.

Duas horas da manhã, meu irmão: "Antônio, aconteceu uma tragédia". Eu tinha entendido, né, que estava acontecendo. Estava um silêncio no apartamento. E aí eu abri a porta. Eu segui ele. Aqui, deixou a porta aberta. Ele só abriu a porta, me chamou e voltou. E aí eu levantei rápido. E aí eu entrei no quarto. Assim estava o Andrei com o rasgo na cabeça. O quarto é de são brancas, todas sujas de sangue. Assustadora. Assim, eu não consegui entender. O André morto em cima da cama. E aí, minha filha chegou também. E a gente não conseguiu entender. E meu irmão só gritava assim: "Não sei o que aconteceu! Não sei o que aconteceu! Aconteceu uma tragédia!". Eu vi um barulho de bateria de celular estourando. Mas meu celular, ele falava rápido assim, não me deixava pensar. E aí, onde ele estava tapado com cobertor, o Andrei, para entender que tinha acontecido. Meu filho tá morto numa cama. Duas horas ali, eu saí. Meu filho estava bem. E aí eu fui destapando o Andrei. Assim, meu irmão gritou: "Ah, não! Não mexe na cena do crime!". Aquilo ali, apesar de eu estar toda confusa, tentando entender o que está acontecendo, aquilo ali deu um estalo, né? E eu segui tentando entender o que que estava acontecendo, sabe? O Andrei. E nesse meu irmão gritou: "Minha arma! Minha arma está aqui!". E eu não lembrava dessa arma, porque meu irmão, quando foi trabalhar no Ministério Público, ele recebeu essa arma para trabalhar. E a princípio, sim, era para ser responsabilidade dele, né? E aí, tanto, tanto é que ele tenta induzir que o Andrei mexeu nessa mochila. Durante esse processo todo, a gente está tentando provar que não foi o André que mexeu, foi meu irmão que pegou essa arma dessa mochila e assassinou. Uma pistola Taurus. E hoje eu aprendi muito essas vocabulários e função dessa, nesse meu empenho, dessa medicação para provar, né? Coisas que, que eu, como uma mãe lutada, eu tive que aprender. Que teria que ter sido pedido o exame de conjunção carnal. Eu não sabia. E a polícia não pediu. Tem que ter pedido. Esses exames todos. A procedência é a parte da Polícia Civil, não eu, né? Eu tive que aprender essas coisas na luta, ali, na dor. Enfim, aí foi tudo conduzido. Meu irmão conduziu para que as coisas fossem induzidas para suicídio. Ele falava com as pessoas aqui que já tinha vindo o resultado da perícia, feliz que o corpo do André saiu do apartamento, que eles mandaram as fotos, devolveu, concluindo que foi suicídio e tal. Foi todo. E aí foi tratado como suicídio, né? Nos primeiros momentos. Só que aqui, eu estava, eu estava com dor no coração, né? Morto ali. Minha filha com 16 anos, na época, eu tentando proteger ela, porque o André está... Então, eu não tinha conseguido proteger, né? E, claro, ninguém chega para uma mãe que acabou de perder um filho: "Ah, o suspeito foi teu irmão, né?". Tem essa sensibilidade. As coisas foram indo. Só que, como passar o tempo, depois que deu uma baixada na adrenalina, eu comecei a dar conta de alguns fatos que não fechavam com suicídio. Primeiro item: o comportamento do André. Ele estava organizando uma festa de final de ano aqui no condomínio. E faziam sete, oito meses mudado para cá. E aí, já tinha amizade, fazendo, organizando festa. Ele estava organizando a viagem para as férias dele, programando as férias dele, que ele queria viajar. Por acaso, do meu outro irmão, que é padrinho dele também. Então, não tinha dito de uma criança depressiva, com um problema de relacionamento com escola, com pais, mãe, não, tranquilo. Assim, uma criança normal. Aí, vou juntando prova daqui, prova dali, juntando uma informação aqui, né? Levando muito, não, muito, não. Eu tenho, nessa minha luta, uma pessoa que é ímpar, que tem me ajudado muito, que é a Luciana Falavena. Que é que nós estávamos namorando. E ele se engajou. E nós, eu digo, nosso, que foi eu e ele, os líderes, né? Grande. Nós trabalhamos uma equipe. Ninguém mais importante que o outro, né? Nós chegamos onde chegamos hoje foi graças a, não entende, uma equipe muito grande, várias pessoas. Porque nós levamos muito não de pessoas que poderiam nos ajudar, de órgãos que poderiam nos entender, nos dar atenção. Quando a gente, lá no MGP, pedimos, negavam, dizendo que não estava pronta, que tinha que esperar laudo do celular do Andrei, que foi que ficou quase dois anos sumido. E nesse celular, que eu tinha vídeos, segundo meu irmão, que era o André, tinha pesquisado querendo saber como é que morria sem dor e como é que destravar uma pistola. Mas só que esses vídeos não existiam. Esses vídeos eram outros vídeos. E ele disse para nós que ele queria convencer a família que tinha sido só... Entender esse ponto.

Gente, interrompendo. Seu irmão, ele entra no seu quarto às duas da manhã e fala: "Aconteceu uma tragédia, aconteceu uma tragédia". Depois, quando você vai ver o que aconteceu com seu filho, ele fala: "Não mexe na cena do crime". Ele assume ali a frente para ver o que aconteceu. Ele fala com a polícia, ele dá todos os indícios que seriam já, fabulando, já por questão ali que seria o seu filho teria retirado a própria vida. E ele vai dando esses indícios ali. A gente, e a gente não pode esquecer que ele era da delegacia militar. Ele já tinha conhecimento de crime, já tinha conhecimento de armamento, e também de situações de cenas de crimes reais. Esse é o seu irmão. E ele não reconheceu o barulho do estopim da pistola dele? Ele confundiu como a bateria de celular. Até hoje, nesses seis anos, com quem eu converso, ninguém disse que ouviu, já viu uma bateria de celular estourando. A gente vê, não, né? Depois eu fui pesquisar até na internet. Sim, né? Não tem nada a ver com revólver. Mas um policial militar que está acostumado com som de tiro, não identificou. É isso. Ele tinha que, poderia ser um barulho de bateria celular estourando naquele momento. Tu poderia confundir. Tu reconhece um barulho de uma tampa de panela caindo, de um vidro quebrando, algum som que a tua memória tem regravado, né? Mas não de algo que tu nunca viu, nunca viu exatamente. Então, ele induziu para que tudo fosse para suicídio. E aí, para cada pessoa, ele contava um relato, né? Porque aconteceu assim, porque era quando ele estava descendo na cama, ele estava mexendo aqui, né? Então, para cada pessoa, ele contava uma história. E aí, com essa minha investigação, né? As pessoas viram que eu comecei a abordar as pessoas, muitos cuidados. E me contavam, me contava. E eu fui juntando as peças. E eles vão: "Agora eu tenho que provar". Como o advogado do processo, né? Que é o Dr. Marcos Barros, ele fala assim: "Kátia, nós temos que materializar as provas". E essa palavra "materializar as provas", por momentos, me irritava. E eu não entendia, porque não adiantava chegar lá no escritório dele e falar: "Aconteceu isso, isso". Kátia, nós vamos trazer a prova. Então, nós tivemos que materializar as provas. Nesse período todo, um senhor fez uma nova perícia, o Joel fez uma perícia. Ai, eu acho que não sei se o nome dele pode ser divulgado, acho que não. Mas ele acredita nessa parte aí. Teve uma perícia, eu já perícia particular para nós. E aí, ele, ele contou todas as, o resultado da perícia do IGP. Então, eu também contei com contribuição de pessoas muito boas, sensibilizaram com a minha dor, com a dor do Andrei, que foi a vítima maior dessa história toda. E em 2020, meu irmão se tornou réu, o assassinato e por estupro. E agora respondendo processo e audiência de instrução e custódia, né? A gente, instrução e julgamento, desculpe. Está acontecendo agora, né? Dia 10 de novembro de 2022, né? Estamos quase completando 6 anos dele. Nós tivemos a primeira audiência, tivemos a segunda audiência, agora dia 6 de dezembro. Estamos aguardando as próximas, né? É uma espera muito cansativa, muito dolorida, porque a gente não tem o nosso momento de luto. A gente não sabe o que que vai acontecer, né? Às vezes, a gente fica conversando aqui em casa. Depois disso concluído, porque o meu foco, no momento, é provar que foi meu irmão que matou o André. Que eu preciso abordar com você. Desculpe a falta, se por parecer uma falta de sensibilidade, mas é porque realmente tem que ser abordado. Que no dia, ele relata que poderia ser um barulho de uma bateria explodindo. Só que não bate os sons diferentes. E ele já vem com essa história pronta para você: "Ah, foi um barulho de uma ação de uma de uma bateria estourando". Só que ele já tinha ali visto o Andrei, porque ele entrou no seu quarto falando: "Aconteceu uma tragédia". Então, ele sabia que não era uma cena de um acidente. Ele sabia que era uma cena em que foi utilizado um armamento de fogo, uma arma de fogo. Ele sabia. Veio já com essa história pré-fabricada na cabeça, dizendo que poderia ser por conta do barulho, caso alguém do apartamento tivesse ouvido. E a gente tem que entender um outro ponto. Se disse que o seu apartamento é pequeno, correto? Um barulho, um barulho de disparo não é um barulho baixo. O quarto é do lado, né? E eu não ouvi. Eu não ouvi barulho nenhum. E é muito, esse eu não consigo entender. Eu, e a minha filha, né? No quarto do lado, nós não vimos barulho. Outro ponto que nós precisamos abordar também é que a arma utilizada não tinha nenhuma impressão digital, nem do André, nem do seu irmão. O que indica que a arma foi limpa. Outro ponto da inteligência da Brigada, desde que ele entrou na Brigada, ele entrou aos 19 anos na Brigada. Ele sempre foi um profissional muito bem qualificado, bem, é, bem quisto pela corporação dele. Isso ele entendia. E, claro, que ele sabia conduzir as coisas. Apareceu um suicídio. Só que ele deixou muitas falhas, né? O André estava com cobertor. O IGP, na hora da perícia, tanto eu, o meu irmão e a minha filha, que precisamos depoimentos, declaramos que o Andrei segurava o cano da pistola. O cano, ele estava assim, com as mãozinhas, como se estivesse rezando. E o cano estava aqui, entre os dedinhos dele. Alguém que se mata não segura o cano. E aí, nós três declaramos no depoimento: "Estava segurando o cano da pistola". E no IGP, o laudo diz que é um manusear o cadáver, encontramos aqui pistola tal do ponto 40 sobre o peito. Então, essas controvérsias. É isso aí. Até depois, eu passo o contato do Marcos, o advogado. E ele acha que ele consegue te explicar melhor, porque essas partes técnicas, assim, não sei muito bem. Enfim, com certeza, então, não fecha essas coisas, sabe? E meu irmão sabia. Ele sabia como conduzir. Então, o que que aconteceu? O André, meu irmão matou o André. O laudo da perícia constata que o óbito do André foi a 1:30 da manhã. O meu irmão entrou no meu quarto às duas da manhã. Então, ele teve 30 minutos, praticamente, para mexer o Andrei, para posicionar o Andrei, para que eu visse uma cena que como se fosse um suicídio. E quando a polícia e o IGP chegaram, chegaram, o André estava em outra posição, porque as fotos que eu tive acesso, o Andrei tem outra posição.

Um outro ponto que eu gostaria, infelizmente, de fazer sua memória, relembrar. É realmente, não consigo. Porque exatamente as pessoas não... Eu, é bem tranquilo. Eu respondo. Claro que você é um nervosismo normal. Então, pode ficar bem à vontade. É porque eu me coloco como pai, como mãe. Eu não consigo. É o meu jeito, a minha dor, o meu luto. Eles são guardados num estojo. Eu tenho que guardar ele lá e deixar para quando eu resolver isso aí. Meu instinto materno, o meu título de mãe, faz com que aquilo, né? Gosto de ser pai. A gente, quando vê um filho doente, tudo. A dor maior é ver eles daquele jeito, né? E a gente esquece a nossa dor e cuida deles. E é isso que eu faço. Eu guardo essa minha dor, esse meu luto, essa minha tristeza num estojo. E aí, que nem eu costumo dizer assim: "Eu não posso ficar me dando gosto de ficar chorando aqui numa cama". E eu tinha que correr atrás das provas. Eu tinha que correr atrás de uma coisa, de uma informação. Então, eu aprendi, não, contente com os sentimentos, né? Eu tenho os meus sentimentos, mas deixar eles mais de canto e focar nisso. Esse é o meu objetivo. Eu me coloco no local que me desperta empatia. Eu não gostaria de ter essa memória como você tem. Nunca na minha vida eu gostaria de passar por uma situação como essa. E nunca, quem gostaria que qualquer outra pessoa passasse por isso, entendeu? Eu não desejo isso para ninguém. É muito difícil.

Então, eu vou te perguntar: quando você entrou no quarto, você disse que seu irmão falou: "Não mexe na cena do crime". Você me disse, você me disse que você puxou o cobertor, correto? Quando você desenrolando o cobertor, como que as mãos dele estavam por baixo do cobertor? O cobertor estava tapando ele. E ele estava com a mãozinha assim, ó. Ele estava assim, ó. Vou fazer aqui na parede para te entender. Que a parede, né? Que o colchão. Ele estava assim, com a capinha, com o queixo próximo do peito. E o rasgo aqui, assim. Só que o tiro estava para cá. Então, claro, depois disso tudo, na hora, não me dei conta. Mas depois, analisando toda a situação, eu vi que o tiro, porque a bala ficou, como é que fala? E aí foi contar no chão. Essa parte aí, eu não sei muito bem como é que isso explica aí, tá? Mas assim, os indícios não fechavam com a cena, sabe? Do quarto. Na hora, eu acho que ele deve também ter se perdido para montar a cena toda, né? Porque também, claro, o tempo correndo. E aí, entrasse alguém no quarto, entrasse eu. Quando eu entrei no quarto, na cama de baixo, eu vi. E aí, o meu irmão já estava com esse sangue. Então, ele, eu acredito assim, que ele deve ter deitado ali, esperando algum eu entrar no quarto. Se eu tivesse ouvido o barulho, como eu não ouvi, sim. Então, claro, isso aí é uma dedução. Mas tinham que eu lembro que no dia, eu ainda falei para o policial militar, era que o policial da Civil, que eu já tinha morrão na cama. Tudo bem. Vamos para outro ponto bem forte. Você disse que o seu celular, que o celular do André ficou quase dois anos desaparecido. E que só depois de dois anos que veio a perícia. E na perícia, que eu tive acesso às informações, consta que tiveram arquivos apagados após o André perder a vida. Na verdade, esses arquivos foram, esses arquivos foram, como é que é? Não sei da palavra. Foi rebaixado. Esses arquivos foram acessados depois do óbito do André. Mas também tiveram arquivos que foram deletados. Tem a história do bilhete que foi encontrado na bolsa de uma calça do André. Esse bilhete está escrito assim, ó: "Mãe, eu te amo. Bem, enterre com a camisa do Grêmio". Aí está escrito: "A N D E", o risco, como se eu errei meu nome. E aí, do lado, está escrito. Só que eu gosto de fazer essa linha do tempo para te conseguir entender a importância desse bilhete. Esse bilhete foi, foi escrito num caderno, que, que na segunda de noite, que o André estava fazendo os temas com o Luciano, estava fazendo matemática nesse caderno. Esse caderno estava guardado. Ninguém usava aquele caderno. Esse aí, dentro. Aí o Andrei pegou aquele caderno na segunda de noite e estudou nesse caderno, tá? E esse caderno foi, como eu vou, ficou ali no meu quarto. E o Andrei, e esse bilhete, eu encontrei na calça que o Andrei usou na segunda de manhã. Então, segunda de manhã, a calça do André e esse caderno do André não se encontraram. Então, não faz sentido tu escrever um bilhete, me botar numa calça que tu já tinha usado. O Andreza dessa calça na segunda. Na terça, ele foi para a escola e foi com outra calça. E ele chega do colégio, chegado do colégio, trocava de calça. E você veria. Então, e na hora, quando eu li esse bilhete, emocionada e já com a informação que o meu irmão contigo na minha cabeça que tinha sido suicídio, eu estou chorando, emocionado. Ele é a letra do André. E aquilo ali, letra bastão, tudo identifica, tu acha que é, né? E letra de criança, né? Já era do Andrei. E aí me desesperei e tal. Só que depois, depois de tudo, eu peguei, fui ler o bilhete. Não, mas essa letra não. E aí, esse bilhete foi para a experiência. A perícia concluiu como não sendo, como é que é? Não concluiu que é do André. Ela não tem conclusão. Isso é isso aí. Não foi conclusivo que a letra seja do André. Então, a parte das experiências ficou tudo inconclusiva. Carta, a possibilidade de suicídio, né? A participação de terceiros. E então, tá. E aí, meu irmão, ele entendia muito disso. A vida toda dele profissional foi nessa área, assim, né? Então, ele, ele sabia articular as coisas.

O seu irmão, ele pediu de recordação peças de roupa do André. Que peças foram essas? Ele pediu. E aí ele falou: "Ah, serve em mim, Kátia. Se tu não vai guardar, eu quero elas para mim. Que segue em mim". E aí, naquele momento, eu nem me dei por conta que era um pertence estranho, tu pedir para alguém que faleceu, as cuecas, né? E eu disse: "Então, tá, leva as placas do André". Mas, é claro, depois disso, também foi um fator que pesou bastante, né? E aí, eu fiquei pensando, ninguém pede uma cueca. Colegas dele, amigos, a gente deu algumas recordações, parece toalha, bermuda, mas santinho, Santo Antônio. Mas ninguém pede uma cueca. E aí, fazia poucos dias quando ele tinha sido assassinado.

Vou te perguntar. Depois de quanto tempo que o André perdeu a vida, o seu irmão pediu as cuecas? Consigo? Sete dias. Foi, eu acho que foi no dia que a gente voltou. Foi antes do bilhete. O bilhete foi na quinta. O André faleceu na terça para quarta. E esse bilhete eu encontrei na quinta seguinte, né? E o pedido das cuecas, eu não tenho. Se eu não estou muito enganada, foi no dia ainda que foi no dia que o André estava arrumando o corpinho dele. Porque eu entrei no quarto e o pessoal, eu não quero que ninguém leve as roupas do Andrei. Aqui, eu vou voltar do velório e aí eu vou definir o que que eu vou fazer. Porque muitas pessoas, para amenizar a dor, né? Você colhe as roupas, pertence, tal, enfim. E aí, eu abri as portas do Roberto. Não quero que ninguém mexa aqui. Que eu vou ver o que que destino vai dar para as roupas do André. Porque naquela hora, não era aquilo que eu tinha superioridade. Eu decidi que eu ia fazer. E depois, eu até acabei doando para o Lar Santo Antônio, aqui de Porto Alegre. Porque como o Andrea era devoto de Santo Antônio, eu achei assim: "Bom, eu vou dar uma instituição". E juntei todas as roupas dele e deixo, menos as cuecas. Naquelas cuecas do meu irmão ficou com elas.

Deixa eu te perguntar outra coisa. O Andrei, ele tinha 12 anos. Ele tinha um corpo mais para uma criança ou mais para um adulto? Inclusive, ele havíamos feito uns exames dele ali, lá por abril, que ele era menor da turma dele. E aí eu fiz o exame e tal. Daí o médico disse que ele vai dar o esticão dele ainda. Ele é pequenininho. Ele era menor. Eu tenho 1,54. Ele era bem menor.

Vou ser bem direto agora. Por que que ele falaria isso? As roupas íntimas, coisas confortáveis. E aí, claro, que não serviria nele. Elas eram parecidas, porque elas eram detalhes da cueca, que elas eram aquelas box, com aquelas listrinhas. E elas eram parecidas, modelo das cuecas dele. Mas que serviu no meu irmão.

Vou te perguntar uma pergunta muito delicada agora. Você sentiu falta de alguma roupa íntima dele usada que desapareceu? Você, por um acaso, em algum momento, pensou nisso? As roupas, naquele dia ali, tinham todas lavadas. Estava tudo guardado. Então, o Andressa estava com a cueca que estava no corpo, que foi que foi levado com ele, dispensado lá. E aqui, as cuecas estavam todas dentro do roteiro. Então, e aí, na hora, eu também não contei assim, para ver quantas. Realmente, essa pergunta bem, eu não contei. Mas eu juntei todas as cuecas do Andrei, entreguei para ele.

Deixa eu fazer uma outra pergunta aqui. 2016, em 2017, nós tivemos uma reviravolta no caso com o aparecimento de uma testemunha que disse que, numa idade próxima a do André, teria sido abusada pelo seu irmão. Essa testemunha procurou você. Você pode contar pra gente esse episódio, por favor?

Não foi em 2017, foi em 2020. Em 2020, quando foi, quando a gente, até então, nós fazemos tudo sigiloso, assim, né? Não tínhamos a divulgação. Nós não podíamos divulgar, porque inclusive o meu receio, naquela época, que meu irmão me processasse por eu estar fazendo uma calúnia, né? Porque até então, ele não era réu. Nós vamos fazer tudo discretamente. Isso, hoje em dia, o meu irmão está me processando por calúnia e danos morais. Só que ele está lá, respondendo processo, né? Tudo bem, vocabulário dos advogados, mas ele quer dinheiro. Ele quer dinheiro porque eu estou falando mal dele. Se Deus quiser, Deus é justo, ele vai ser preso. Em 2020, quando repercutiu, estourou, que se tornou réu, né? Então, eu pedi numa reportagem que eu fiz, que as pessoas me procurassem, procurassem na delegacia, quem tivesse sido vítima dele, ou se pessoas que foram vítimas em outras situações, porque a gente vê que eu não sou a única mãe que passa por isso, infelizmente. Não, você é a última, né? Continua. Vocês são um crime que continua, infelizmente. E eu fiz um apelo. E nesse meu apelo, pessoas me procuraram, que foram vítimas. E aí, a pessoa foi, prestou depoimento. E aí, teve um peso muito importante no processo e deu mais uma reviravolta, né? Então, por isso que eu digo, eu contei com o apoio de muitas pessoas do bem, que cada um fazendo um pouquinho. Hoje em dia, estamos preste até a terceira audiência para que ele seja preso, que ele seja punido.

Quando essa pessoa procurou você, que testemunhou, ele? Essa testemunha, ela deu uma reviravolta no caso, porque ela disse que foi abusada com uma idade muito próxima, acusando o seu irmão. E essa testemunha é que foi responsável como prova ali apresentada, que seu irmão poderia ser responsabilizado pelo que aconteceu com o André. Você sabe ali, como que o Ministério Público, foi uma promotora que assumiu o caso, né? Enxergou essa testemunha. Você deve ter começado com o motor. Mas eu não sei falar essa parte, assim, porque eu sou muito falava as técnicas. E aí, como eu fico às vezes muito emocionada, eu às vezes tem palavras que eles usam que eu não consigo nem entender o significado. Eu tenho que perguntar. Ah, então, essa parte eu não posso te responder. O Dr. Marcos, com certeza, te responde. A promotora é a Lucilena Calegari. Ah, uma pessoa que me amparou no momento de desespero. Porque quando eu me dei conta, assim, do tamanho do desafio que era para provar, eu só não serve de enfermagem, né? Meu irmão não tem nem te dar brigada, super requisitado, sempre bem quisto, durante os quartéis, por onde ele andava. Quem é que vai acreditar? Vão pensar que eu estou tentando achar uma justificativa para o suicídio do meu filho. E a Doutora Lucelena Callegari, ela me olhou e disse assim: "Kátia, tem um filho de 10 anos, na época, em 2017. E eu não acredito no suicídio. E nós vamos provar que foi teu irmão". E aquilo ali me deu um gás, sabe? Que eu pensei assim: "Alguém importante, alguém está me olhando com outros olhos, não com olhar de pena, nem me julgando". Então, ela foi clara. Ela é fundamental, né? Mas eu tenho, é que eu misturo, às vezes, eu digo que o pessoal, eu misturo a parte profissional com a parte emocional. Eu, como mãe, eu sou muito grata. Eu mereço muito grata. Eu sou muito grata. Doutor Marcos Vinícius Barros, que é o advogado, como é que fala? [Música] Então, eu sou muito grata ao Dr. Marcos, muito grata à Doutora Luciana Calegari, porque são pessoas que eu vejo, eu, eu vejo, eu não vejo eles como profissionais. Eu, como mãe, vejo como seres humanos, me dando esse suporte, essa ajuda, né?

Vou te perguntar. Você escutou o depoimento dessa testemunha, né? Vou te perguntar, então, você sentiu que a história dessa testemunha era uma história verdadeira? Você viu a emoção nessa pessoa?

Tem muito, muito verdadeiro. E aí mexeu muito comigo. Mexeu muito, porque não tem como eu não imaginar o Andrei passando por uma situação parecida com que essa pessoa passou, né? E, claro, que toca muito, me doeu muito. Mas ele, o Andrei não teve a sorte que essa pessoa teve, né? Então, me doía mais ainda. E eu não é que eu desejar, se fosse um verso, não tem nada, inveja, é outra pessoa, entende? Mas eu ficava pensando assim: "O André não teve essa oportunidade". E aí, e o meu irmão matou o André justamente por isso, que ele sabia que no outro dia, o André me contaria, ali, levantaria, que teria acontecido o que aconteceu entre eles ali. Então, a única maneira de ele calar o André, e não seria com dinheiro, não seria com chantagem, ameaças, sabe? Porque o Andrei tinha 12 anos, já tinha personalidade muito bem definida. Ele era uma criança despachada, falante, comunicativo. Ele sabia se resolver. E então, sabia que o Andrei me contaria no outro dia. E a única maneira que ele teve foi assassinado.

Agora, Kátia, a gente está num mais próximo da justiça, porque nós estamos agora na audiência de instrução e julgamento, no qual estão sendo produzidas as provas que podem fazer com que o seu irmão sente no banco dos réus. E a partir desse momento, parece ser desenhada a justiça. Mas a gente não está acompanhando o julgamento em si, por conta do tipo de julgamento. São julgamentos mais sigilosos, informações são mais reservadas. Mas o que diz a promotora? Ela falou que é provável que o seu irmão sente no banco dos réus. Ou eu acredito. Eu não conversei bem com ela sobre isso, porque eu, como eu fico muito emocionada, e aí eu meio que me atrapalho, assim. Então, eu não conversei com ela sobre isso, nem com o Dr. Marcos. Mas a gente, eles aqui, na nossa conversa informal, a gente acredita que sim, ele vai ser preso, né? E não é justo, né? Ele já fez uma criança. Claro, a gente vê muita injustiça, né? Mas nós, empenho, nossa dedicação é para que realmente ele seja preso. Eu digo assim, eu não sei, eu não entendo muito da lei. Quanto tempo ele ficaria preso? Eu peço a Deus que fique bastante tempo. E eu sei que mudou a lei, né? Eu acho até que foi por causa, agora, 30 anos, alguma coisa assim, de pedofilia, né? Infelizmente, a lei, ela só retroage quando é beneficiário ao réu, quando é posterior. Infelizmente, não. Ele vai ser julgado pela pela antiga lei. Infelizmente. O meu desespero é tanto para que ele seja preso, que eu penso assim: "Ó, que tem que ele pode recorrer essas coisas, assim". Mas o fato de eu saber que ele, que ele vai ouvir a palavra que tu está sendo processado, a gente está sendo condenado. Isso, só o fato de eu saber que ele vai ouvir a frase: "Você é condenado". Isso me dá um conforto. E não é vingança. Não é vingança. É instinto de vingança. Tem chances. Exatamente. Quanto tempo? Quanto mais ele ficar preso, melhor para mim, melhor para a sociedade. Porque ele tem um bom comportamento profissional, sim. Ele não trabalhava com crianças, né? Ele trabalhava com adultos, com mulheres adultas, com homens adultos. Então, ele não foi risco aos colegas de serviço dele. Ele põe em risco as crianças que conviveram com ele. Então, ele fica preso para mim, quanto mais tempo, melhor. Mas se ele ficar preso um dia, dois, três, me conforta.

Dessa testemunha que ela falou que tinha na época 12 para 13 anos, ela falou o local onde foi, proximidade, localidade. Você sabe dizer se o seu irmão, nessa época, estava naquela localidade?

São os fatos. Os fatos são, como é que fala? Fecham todos, sabe? Todas as informações têm sentido. Assim, agora, nós estamos ali na audiência de instrução e julgamento. Foram ouvidas agora as testemunhas de acusação. E vão ver agora testemunhas de defesa. E o réu indiciado, né? Que é o seu irmão. Possivelmente em janeiro, agora, fevereiro, nós vamos já ter a confirmação ou não, se o seu irmão vai para o banco dos réus. Possivelmente sim, já que a história, ela tem indícios.

Além dessa testemunha, outras pessoas vieram te procurar ou não? Ou pessoas que vieram assim: "Eu quero, eu quero". "Eu tenho essa notícia, mas eu não vou testemunhar porque eu tenho medo do seu irmão". Algumas pessoas vieram falar isso com você?

Mas uma pessoa depoimento, né? Mas uma outra vítima dele. E teria aproximado a qualidade parecida do Andrei na época. Hoje em dia, são duas pessoas adultas. E nós tivemos outras pessoas que, que também foram assediadas por ele, pedindo fotos de biquíni, pedindo, insistindo que a pessoa mandasse foto para ele, tá? Então, a pessoa, eu sou uma informação de uma pessoa que se negou, que ela disse que não iria, porque ela não queria se comprometer. E se ele fez aquilo com uma criança, então ela não queria se envolver. Eu não posso fazer nada, né? A pessoa me falar e falar no inglês é muito diferente, né? E aí entra aquilo que o Dr. Marcos dizendo: "Materializar a prova". Você chega lá dizendo assim: "Ah, Fulano me procurou, disse que aconteceu isso". Mas não tem coragem de prestar o depoimento, não tem valor. Deve ter outras pessoas também que não tinham coragem de falar. E eu vou te falar, é muito difícil, porque tu tem que insistir para provar uma coisa que, que é um direito, é um direito teu, proteção dentro da tua casa. Olha, são seis anos que eu venho nessa luta. E eu não, em nenhum momento, eu pensei em desistir. Mas que é cansativo, é dolorido, porque tu enfrentar, não quando tu pensa que tu vai ser alguém, vai te puxar e vai te abraçar e vai te acolher, eles vão dizer: "Não, nós vamos provar que isso não". Porque ou então, "Vamos provar o que aconteceu, né?". Então, você não quer isso, não tá concordando com isso, que para mim é tão óbvio, então, que pelo menos não, não bote barreiras. Nós encontramos muitas barreiras, muitos, muitos barreiras difíceis mesmo. E eu sempre, eu tenho, eu tenho o meu recarga, meu carregador de energia de força, é o título lá na igreja do nascimento do André. Diz: "Mãe". E isso me dá toda essa carga. E a luta de correr, não importa se eu recebi um não de uma pessoa mais humilde, uma pessoa que tem um poder aquisitivo maior, um cargo maior. Eu digo: "Bom, os nãos, eu vou empurrando e vou provando que foi meu irmão". E cada não que eu recebia, por momentos, me dava um desespero. Eu ficava desorientada, pensando: "Meu Deus, eu cada vez mais difícil". Mas aquele não, por trás daquele não, parecia que era ele que me funcionava para provar que aquele não não ia me parar. Eu vou provar que foi meu irmão. Então, quando ele se tornou réu, para mim, foi, eu já tivemos uma grande vitória. Grande vitória diante da dificuldade que foi. Nós chegamos até ali. E agora, ele ficar preso é uma vitória maior. Aí, e aí eu digo, é uma vitória sem o título, tem uma medalha. Queria ter o Andrei. Então, é dolorido. Uma vitória de volta. Isso não vai acontecer. Aí, por isso que eu te falo, às vezes, quando eu digo assim, a justiça, a palavra justiça para mim, não sou tão bem, porque para mim, é justo ser uma coisa pela outra, né? Uma troca. Meu irmão vai preso, André volta. E a gente sabe que isso não. Mas falta ele ficar preso. Isso me conforta, sabe?

Obrigado por você vir aqui. Obrigado por você compartilhar essa história. A gente vai acompanhar os rolar dela agora, a partir de hoje, junto com você. A gente vai pegar esse julgamento, vai acompanhar, saber o desfecho dele. E vamos pedir aqui a todos que partilhem, que falem aqui, que exista justiça, e que esse caso ali da justiça, porque já são seis anos de dor. Foi uma mãe que busca, mas busca que o seu filho, seu próprio irmão, pague pelo que ele fez. Segundo o Ministério Público, é isso. Kate, muito obrigado mesmo, tá? E que você precisar, a gente está aqui, tá bom?

Eu agradeço. Te agradeço. Agradeço a todos, porque essa vitória não vai ser só minha, não é só minha. É de todas nós, mães, todas nós que temos filhos, todos nós que conhecemos uma criança. Então, é uma vitória minha. Quem perdeu o filho fui eu. Eu sou a mãe do Andrei. Mas a vitória, a vitória de todas as pessoas, de vocês, no teu canal, das pessoas que dão esse suporte. E que isso sirva de exemplo, para que outros casos não venham acontecer. Para as pessoas verem que se acontece, a pessoa vai ser punida. Às vezes, as coisas ficam tão banalizadas. E aí, as pessoas não se importam de fazer a denúncia, porque pensa: "Eu vou fazer e eu não vou conseguir ter o resultado". Né? Como eu te falei, há pouco, foi muito não, muito difícil chegar até aqui. Você tem que ter uma persistência muito forte. E ao mesmo tempo, tu tem que guardar esse produto num canto, né? Então, quando eu digo difícil, é realmente, ele dá com emoções e perder o foco, não perder a razão, né? Fica com Deus. E a gente vai se falando, tá bom?

E é isso, gente. Tivemos a história do Andrei, contada por sua mãe. Uma história que poderia ter um desfecho diferente, caso o Andrei não tivesse naquela noite no seu apartamento, no seu quarto. Mas teve. Então, que a justiça seja feita. Hoje, estou apresentando sozinho, porque estamos aqui em ritmo de final de ano. Então, o que seria hoje a matéria com a Fernanda, história sozinho. Mas na próxima, na próxima live, estaremos juntos, tá bom? Muito obrigado a todos. Fiquem com Deus e até a próxima.