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Está nos altos. Ele fala do local da perícia, ele fala dos vestígios de sangue, ele fala que não há indício de que o que ocorreu foi suicídio. Ele fala que a perícia não poderia sequer concluir pela hipótese do suicídio, porque a perita do IGP não fez nenhuma menção sobre o posicionamento da arma, sobre a simulação de como isso teria acontecido.
O que ele faz aqui já foi muito bem explicado pela doutora. Então, me encerrando, porque o tempo é breve, eu me recordo de uma frase entre tantas conversas com a Cátia que o Andrei dizia: "Deus é bom, né, mãe? Deus é bom". E eu peço a vossas excelências que esse julgamento não seja em vão, porque nenhuma máscara de nenhum predador resiste ao poder judiciário e a justiça que vossas excelências podem fazer no dia de hoje. Peço a vossas excelências, com a convicção de quem nunca pôs os pés na posição que está hoje, condenem Jeverson, prendam-no. Por muitos anos é o que se espera que a magistrada faça ao final, porque em dois dias nós conhecemos três vítimas dele. Duas, por muita sorte, ainda estão vivas para contar e fazer a narrativa. Muito obrigado, excelência.
Esse advogado, para quem já assistiu a série Criminalistas, a playlist aqui no canal, eu fiz uma entrevista com o Dr. Amorinha, esse que vai entrar agora, e aí ele deu uma esculachada nesse advogado num júri e foi bem complexa, mas depois ele disse que ficaram amigos e tal. Ele é desse desse dessa situação. Então, conta a história que certa noite Albert Schweiter, médico alemão radicado no Congo, no Gabão, pretendia atravessar um rio para sair de uma aldeia e ir até a outra com remadores. Quando lhe veio à mente a seguinte pergunta: "Qual é o princípio ético fundamental?" De imediato, como se rolasse um trovão no espaço, a resposta também veio. O princípio ético fundamental é a reverência pela vida. Tudo que é vivo deseja viver. Tudo que é vivo tem o direito de viver.
Saudando o Andrei e a mais ninguém porque não tem o tempo. E quem disse que o Andrei está morto? No pouco tempo que tenho, nem o meu relógio está mais funcionando. Eu vou tentar falar alguma coisa. E começo dizendo que o mais importante do julgamento se resume em duas palavras. A primeira dela é lógica. Lógica, muito mais do que depoimentos. Lógica, lógica que se extrai fundamentalmente de alguns depoimentos, mas das perícias.
>> Ele tá falando projunto.
E a segunda, prestem bem atenção, olhem nos meus olhos, pais e mães da sociedade portoalegrense, irmãos, filhos, empatia. Nós temos que ter empatia. A dor das pessoas não pode passar desapercebida pelos nossos corações, por nossas almas, por nossos sentidos. Cartas suicidas têm um padrão. Todo suicida, Dra. Lucelena, se desculpa. Todo suicida se desculpa quando ama alguém. Perdão, mãe. Perdão, pai. E a tal carta suicida falsa não tem este perdão. A perícia diz que algumas letras estavam conformes, não todas. E essa carta pode perfeitamente ter sido manipulada por um psicopata. E sim, um psicopata. E espero que ele esteja me ouvindo.
>> Ele está ouvindo. Ele está.
Os psicopatas, a propósito, têm vida dupla. Eles vêm aqui e dizem: "Eu sou primário, não tenho antecedente". Sim, ele Nardone, ele o goleiro Bruno, ele e tantos outros. Eles fazem as coisas escondidas. Eles predam as pessoas ao longo de uma vida como nós vimos aqui hoje, crianças e quantos tantos outros que nós não sabemos. Dr. Marcos Vinícius, lógica. A mãe não teria por que apagar mensagens. A mãe não quereria incriminar falsamente o irmão. Lógica. As pessoas não contam os abusos, guardam ao longo de sua vida inteira, muitas vezes por vergonha. Não é só lógica, há estudos sobre isso. Talvez nós tenhamos coisas que passamos na nossa infância que não tenhamos contado até hoje. Talvez não um abuso, mas outras coisas das quais talvez tenhamos vergonha.
A perícia que nos diz do local do fato, ela não conclui, mas ela nos diz aqui, a Dra. Lúcia mostrou dois furos de bala, um na TV, outro na parede, mostrou as fotos, nós fazemos as contas, cabem 16 na pistola, encontraram 14 intactos e só um no chão e uma janela aberta. O réu disse que a janela não foi aberta. O réu disse que não sujou as mãos de sangue. Eu tenho uma marca de sangue perto da janela e a janela aberta e um barulho ouvido de alguém que foi jogado algo de dentro para fora. Lógica. E o que diz a perícia? Mais para cima. Na parede posterior do quarto e principalmente na porção do teto, havia manchas de sangue originadas.
>> Aqui observamos uma marca de impacto na parede posterior do quarto, correto?
Depois ela vai falar a perícia e eu me perco pelo tempo, que há uma marca de impacto na TV. A própria perícia admite que temos duas marcas de impacto. Atenção comigo, uma na parede, outra na TV. Não é o mesmo tiro que fez esses dois furos. E depois a perícia narra como se tivesse ocorrido apenas um tiro. Então há um erro pericial. A perícia, a perícia sim é que é suicida nesse aspecto, mas ela nos permite concluir que foram dois tiros e não há suicídio com dois tiros, meus amigos. O que nós temos é um quarto escuro e um réu que no escuro erra o primeiro tiro e depois aproxima a arma, encosta e mata a vítima com segundo tiro. Eu quero ver a defesa fazer esse contracionismo. Não com a caneta, Dra. Lúcia, com a arma é melhor. Eu não consigo fazer. Eu tô tentando, eu não consigo fazer. Olha aqui, ó. Como é que eu boto isso aqui da esquerda para a direita? Façam no banheiro. Impossível. Eu faço com a arma. Impossível. Posso fazer isso aqui? Da direita para a esquerda. Da esquerda para a direita. Eu teria que fazer assim e atirar com o dedão, mas aí exigiria demais. E aí o recuo seria maior porque não teria a empunhadura com tamanha força de manter a arma. E essa arma saltaria para baixo do beliche e não embaixo do corpo onde ela parou. Lógica. Nós não podemos negar a lógica.
Quantos minutos eu tenho? Porque o meu relógio pifou. Sete. E ele tá funcionando. Eu descobri que ele tá funcionando. Olha só. É, é que eu confio sempre no meu. Eu não sei se a Dra. Lucielana fez uma observação. Temos as fotos do local do fato. Além das manchas de projeção, se a senhora fez, eu estava distraído. Minha colega Lucia Helena, nós vamos verificar as fotos do chão. As fotos do chão do local, as fotos do sangue no chão. As fotos onde constam pingos no chão. Nós analisamos essas fotos hoje. Ontem vocês vão verificar que há pingos de sangue. Sangue. Olha aqui, ó. Pingos de sangue no chão, no trajeto entre a cama e a janela, ó. E a vítima não saiu caminhando para abrir a janela porque estava morta. De onde esses pingos? Das mãos de quem quis abrir a janela para colocar fora a prova de que foram dois disparos. Cena de filme. O psicopata faz isso. Ele pensa nos mínimos detalhes, mas o diabo ele faz a panela, mas não faz a tampa. O crime não é perfeito.
Eu, ao encerrar, fico pensando, ouvir atentamente. Vou confessar, doutores, com máximo respeito, que em 34 anos de carreira nunca vi um réu tão chato, mas esse sujeito pediu para ser chato e mentiroso e entrou na fila 500.000 vezes. Ele tem um aficcionamento pelo Luciano. O Luciano tirou essas fotos. O Luciano deu o segundo tiro. Por que que abriu o gás? Ora, alguém sabotou o gás. Um perito, um técnico, digamos assim, que disse isso para quem perguntou. E quem é que teria interesse de explodir aquela casa onde havia vestígios? Quem é que teria interesse de explodir aquela casa onde o Luciano frequentava? Quem é que odeia o Luciano? Espero ter respondido. A única possibilidade é essa, não há outra. Mas ele acusa o Luciano de tudo. A outra é apaixonada, a outra é louca, bem-vindo ao clube, o outro é mentiroso, o outro pediu dinheiro. Acho interessante. Se o camarada pede dinheiro para mentir, ele mente. Ele pede dinheiro para não revelar que foi violentado e revela não cumpriu o contrato. Qual é a lógica disso? Mas a cereja do bolo eu quero que realizem. Vocês devem ter filhos. Todos nós falamos dos nossos filhos e nós devemos estar com saudades dos nossos meninos e das nossas meninas que são sempre nossos meninos e nossas meninas. Tenham 3 anos ou tenham 20 anos. Eu deixei dois lá em casa ontem, pequenotes e a outros. Quer dizer, então, que o menino se suicidou porque era proibido de acessar o celular, castigado por notas baixas? É muita subestimação da inteligência do jurado. É como que colar na testa do jurado, otário, burro, débil mental. Qual é a criança que vai se suicidar por ter sido castigada, por não ter ido bem na escola? Nós estaríamos todos mortos. Eu teria morrido na primeira série do segundo grau na matemática. Não estava mais aqui. Então pensem nisso.
O meu tempo se esvai. Eu quero encerrar. Com 3 minutos eu tenho tempo para encerrar, dizendo que naturalmente nós temos que falar sobre quesitos. Quando forem perguntados sobre as perguntas, quando forem perguntados sobre os fatos, os senhores respondam sim a todas as perguntas. A vítima morreu, o réu assassinou a vítima com disparos de arma de fogo. As qualificadoras estão presentes, né? O motivo, a impossibilidade de a dificuldade de defesa. Positivem também o abuso sexual que a Dra. Lúcia já expôs. A defesa não vai ter como explicar aquela unhada na barriga. Perguntem para eles também como é que explicam aqui. E quando perguntado se absolvem o réu, digam não. Digam não à impunidade. Digam não à violência. E digam não, fundamentalmente, digam não ao abuso das nossas crianças, digam não aos predadores sexuais. Mas o tarado conseguiu casar com a menina que ele trocava as fraldas, mas vai ser tarado assim no inferno. Sem vergonha. Não merece o mínimo de dó dos senhores. Quem merece dó? Quem merece empatia, quem merece toda a empatia do mundo, era alguém cheio de sonhos, era alguém que queria estar gritando agora, domingo. Os gols do Carlos Vinícius, os três gols do Carlos Vinícius. Ele queria estar lá gritando, ele queria estar lá contigo, ele queria estar mateando contigo, ele não queria o que eu não queria e que ninguém queria. Ouvi hoje uma mãe dizer o que disse aqui, não hoje, mas disse ontem. O chimarrão tem o gosto do Andrei. O chimarrão tem gosto de saudade, lógica e empatia e temor a Deus. Já sobrou 40 segundos.
>> Certo. Encerramos então a acusação. Vamos parar uns 10 minutinhos, pessoal. Depois daqui a pouco a gente volta.
>> Tá aí, gente. Dr. Eugênio Pais Amorimbro. Isso que eu falei para vocês é um dos grandes gigantes do júri aqui no país, no Brasil. Ele, a Dra. Lucelena, ela é bem técnica, ele também é técnico, mas com o tempo que ele tinha hoje ele foi mais incisivo, pragmático, como sempre e pontual, né? Ele é muito incisivo, pragmático e pontual sempre, mas ele também traz muitas questões técnicas, como em alguns júris. Aí tem uma playlist aqui no canal que eu coloquei aí fixada no chat, nos comentários, dos criminalistas do Brasil, que eu entrevisto os melhores criminalistas do Brasil até então, que eu não fiz mais, não continuei a série, mas ali nessa série que havia começado tem entrevistas épicas. É uma homenagem, na verdade, é uma entrevista homenagem à carreira de grandes criminalistas, como Dr. Eugênio Pais Amorim, que está ali, a Dra. Lucelena Calegari, um grande teatro, sim. As provas técnicas precisam ser apresentadas, porque a gente viu que ontem as perguntas dos jurados deram entender, não mostraram, demonstraram claramente que é um júri popular, são leigos, mas ao mesmo tempo inteligentíssimos, né, parecem estudantes de engenharia, porque as perguntas foram muito técnicas, eles não deixaram passar nada do depoimento do réu, eles devem ter estudado muito para poder trazer bastante persuasão, né, para poder e não responder, não quero usar a palavra responder as perguntas porque não tem resposta, contra fatos, não há argumentos, mas enfim, persuadir bastante o júri aí conseguir uma votação mais equilibrada, digamos assim.