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GUERRAS DO BRASIL.DOC - Ep. 1: As guerras da conquista

MPA Brasil28:39

Transcription

E aí. [Música] E aí. E aí. [Música] [Música] [Música] No Brasil não existe o Brasil. Uma invenção. Oi. E a invenção do Brasil, ela, ela nasce exatamente da invasão, inicialmente feita pelos portugueses, depois continuada pelos holandeses, e depois continuada pelos franceses. Não, moto sem parar, onde as invasões nunca tiveram fim. Nós estamos sendo invadidos agora. E aí. E aí. E aí. E tinha gente aqui com história. Alguns desses povos com história de 2.000 anos. Os Guarani, hoje se atesta que tinha 4.000 anos, digamos assim, de compreensão desse como povos. E que se relacionava com os, os povos andinos. E que reivindicavam diante dos andinos uma territorialidade e um respeito pelos povos andinos. Desse território que é uma parábola dessa parte aqui, vem lá do que seria o Pantanal, passando por parte do que Mato Grosso, o noroeste paulista, atravessando o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, pegando uma parábola desses territórios que formam uma cosmogonia onde os Guarani circulam, é, caminhando em busca dessa tal de terra sem males. Uma coisa, uma visão Guarani que buscam um lugar que é um espelho da terra, mas que não tem todos os defeitos daqui da terra. Um lugar melhor do que a terra. Que a terra sem males. E hoje a gente, por exemplo, vai olhar em áreas que são de terra firme, que você longe dos grandes rios, e você encontra também um monte de evidências de populações. Preocupa. Andreza. Qualquer lugar na Amazônia que você cava um buraco, você encontra evidências de populações indígenas do passado. Ao longo do Rio Amazonas, tiram sociedades complexas. Sociedades criam certificado assim, exército, a camada de sacerdotes. Era mais o que se pode dizer é que essa população era de uma maneira homogênea. Ela era bastante diferenciada. Você tinha gente com, digamos assim, com elaboração de processos construtivos de uma identidade de uma cultura de dois mil anos, de três mil anos. Mas você tinha provas também que circulavam e que podiam ter vindo dos Andes nos últimos 200, 300 anos. Eles iam fazer uma adaptação. [Música] A paisagem da nova paisagem que ele se encontrar, que era do cerrado, da Mata Atlântica. Essa informação que a Mata Atlântica apresentou quando os europeus chegaram aqui, que os, que os viajantes naturalistas piraram com esta Mata Atlântica. Essa Mata Atlântica era o produto, o resultado de alguns milhares de anos de interação com seres humanos que fizeram esse jardim. E aí. E aí. [Música] E aí. E aí. [Música] E aí. E aí. E aí. E aí. [Música] E aí. [Música] E aí. Eu quero ser se rede um sistema bastante movimentado, né? E é uma, um pouco de sei, uma espécie segundo sim, o mundo é que poderia aparecer fica assim com o mundo europeu sem a sua Roma, né? No sentido que você não tinha uma capital, um lugar que centralizava em que todas as estradas, né, vão dar em Roma. Eu tinha, mas elas estavam conectadas. Que a gente encontra distrato, que a gente encontra hoje de geoglifos, o que a gente conta de canais, a gente encontra. Se pessoal estava, estava ocupando esse espaço. Esse pessoal que ela circulando. Esse pessoal estava em contato. Eles se relacionavam com os que te acusaram Mara, com os povos andinos, o império do Tarot antes ui, o que tinha em toda essa que ser essa espinha que eu dos Andes. Quando os brancos chegaram, eles foram admitidos como mais um. Há uma diferença. E se os blocos tivessem educação, eles podiam ter continuado vivendo aqui no meio daqueles povos e produzido outro tipo de experiência. Mas eles chegaram aqui com a mãe intenção de assaltar essa terra e escravizar o povo que vivia aqui. E foi o que deu errado. Então eu digo isso, qualquer uma pessoa que tiver me ouvindo falar, e se você se sente parte dessa continuidade colonialista que chegou aqui, você é um ladrão. O seu avô foi. Seu bisavô foi. E aí. [Música] E aí. [Música] E quando Humberto Mauro filmou a descoberta do Brasil aqui no Leo, era o que os brancos tiram dos portugueses, pensam que foi a descoberta do Brasil. Ao mito de origem do Brasil, é aquela descoberta, né, com as caravelas, aquela missa em Monte Pascoal. É um mito de origem, gente. Nós somos adulto. A gente não se, se ficar embalado com essa história, a gente pode buscar entender a nossa história com as diferentes, digamos, matizes que ela tem. E ser capaz de entender que não teve um evento fundador do Brasil. Quando os europeus chegaram aqui, eles podiam ter todos morridos de inanição e escorbuto, ou qualquer uma outra pereba nesse litoral, se essa gente não tivesse acolhido eles, ensinado eles andar aqui e dado comida para eles. Porque os caras não sabiam nem pegar um caju. Ele não sabia olhar as que caju era uma come. E eles chegaram aqui famélicos, doentes. E o Darcy Ribeiro diz que eles pediam, quer dizer, baixou uma turma na nossa praia que estava simplesmente podre. A gente podia ter matado os, eles afogado. Durante muito mais do que cem anos, o que os índios fizeram foi socorrer brancos flagelados chegando na nossa praia. Queria configurar isso como uma conquista nos termos de uma guerra de conquista do que aconteceu no México, no Peru, em algumas outras regiões, seria ignorar a extensão dessa costa atlântica. Se preocupar para chegar ao mesmo tempo em todas essas bacias que desembocam no Atlântico, você não tinha que ter uma canoa com 37 portugueses. Você tinha que ter 300 canoas com pelo menos uns 3.000 tantos portugueses para chegar na nossa praia. Você tinha que fazer um desembarque aqui. Não teve um desembarque. E os primeiros registros dos contatos, um desejo de estabelecer trocas, meu desejo de encontrar mercadorias e metal, ouro. Logo isso não se realiza. Então é o pau-brasil, são papagaios, são macacos. Mas não só. Já os portugueses também é captura um escravos. Então são trocas, mas já são trocas também, eu acho, desde o início, marcadas por uma atenção de uma de uma de uma sociedade que a sociedade portuguesa de comerciantes que estão nesses navios da monarquia portuguesa, interessada já na conquista, na dominação, de impor o seu, o seu ponto de vista. De visto nos mostrou isso muito bem nos estudos. E essa grande diferença de mentalidade entre os europeus e os povos americanos, os indígenas americanos, é ao contrário dos europeus. Os indígenas muito abertos à alteridade, a incorporar o outro, adversidade, né? O parte sempre integrante do seu, do seu, do seu, da sua visão de mundo. Enquanto os europeus não. Eles não vem no outro. Ele sempre quando vem a algo, eles projetam sobre o outro que ou que eles querem, ou que eles não querem. No caso, por exemplo, demônio, o padrão, o infiel. Enquanto os índios estavam querendo saber que tipo de corpo é esse pessoal que chegou, tem, né? Se eles são mortais, eles apodrecem, eles morrem, eles pagam fedido, né? Os espanhóis estavam discutindo, os espanhóis e os portugueses estavam discutindo se esses caras tinham alma ou não, se podiam não ser escravizadas. Me enganaram de muitas formas com agrados, com afagos, né, com presentes. Então, né, foi um, foi um roubo. E foi também essa questão da Volvo da própria consciência, né? Também porque acho que a gente quando percebeu que não era, talvez um metade das coisas já tinha ido. E em Portugal resolve ocupar o território, é claro que um dia do maneira muito treino, mas compartilhando com particulares, estabelece doação de vastos territórios no Brasil ao longo do do litoral e promove então, portanto, a ocupação desse território. A ocupação significa a fixação de portugueses, a fixação de colonizadores, tendo em vista a implantação de um sistema produtivo. Produzir exige trabalhadores. Ver se trabalhadores serão escravos. Se trata de implantar o sistema de produção do açúcar. Capitania de Pernambuco, São Vicente, São as que inicialmente têm algum sucesso, é já escravizando indígenas. Quem vai trabalhar são escravos que você capturar. É esse da, eh, também na manipulação das guerras indígenas. Os portugueses logo que a febre que o modo a organização social Tupinambá é pressupõe a guerra. São sociedades guerreiras, são tribos que lutam entre si, mas a uma dimensão ritual, a uma dimensão construtiva, digamos assim, dessas guerras. Os portugueses manipulam é isso para utilizar alguns indígenas contra o outro, algumas tribos contra o outro, com objetivo de conquistar escravos, conquistar esse trabalhador. E o entendimento que os portugueses estavam tendo de que podia escravizar os índios foi um dos principais motivos dos índios começarem a queimar os engenhos, queimar as novas sítios coloniais e entender que os brancos eram invasores. Quer dizer, demorou para os índios interpretar em que os brancos estavam aqui para ficar e para tomar a terra e, se possível, escravizar os donos da terra. A indignação reagir. Eles vão reagir. Eles vão ver as estamos aí no início de um conflito que é essencial da colonização. A história da colonização é a história da conquista contínua da guerra contínua para ocupar o território e dominar os povos. Isso tem um início lá nos anos de 1530. Ó, e vai percorrer toda a nossa história. Nós estamos em guerra. Eu não sei porque você está me olhando com essa cara tão simpática. E nós estamos em guerra. O seu mundo e o meu mundo estão em guerra. Os nossos muros estão todos em guerra. A falsificação ideológica que sugere que nós temos paz é para gente continuar mantendo a coisa funcionando. E não tem paz em lugar nenhum. E a guerra em todos os lugares, o tempo todo. E ao contrário do que muita gente diz, de que os, os empreendimentos portugueses tiveram que trazer negros da África para cá porque os índios não quiseram ser escravos. Isso é uma tremenda de uma mentira. Os índios foram escravizados à exaustão. Foram mortos aos milhares sendo explorado pelo trabalho escravo. Os escravos indígenas foram utilizados durante todo o período da colonização. E legalmente, a legislação estabelecida pela monarquia, já em 1570, criava condições jurídicas para legitimar a escalização dos indígenas. E essa escravização se deu com o fundamento da guerra justa. Grosso modo, se os indígenas se recusam a fé, são contrários à fé, portanto, é justo guerreados como justo de realizar. Então significa que é justo matar luz, é justo culpar os seus territórios e as e eu escravizo indígena para salvar a alma dele. É para tua igreja católica mesmo tentou é evangelizar e muitos que não aceitavam era morto, né? Muito de nós era proibido de falar a língua, era proibido de assumir um nome indígena, por exemplo, né? Tinha que negar para poder ser aceito. Então muito, muita gente negou a sua própria identidade, né, para poder evitar o preconceito ou mesmo que evitasse morto. Foi só no início do século 17, ou seja, por volta de 1620, 1630, que os escravos africanos começaram a ser a maioria nos engenhos de açúcar. Até então, a maioria dos trabalhadores escravos eram indígenas. E [Música] E os portugueses no sertão um gado com essas fazendas estão encontrado indígenas. São os mesmos indígenas, alguns que recuaram do litoral fugindo do contato da guerra, ou indígenas que lá viviam de áreas de anos. Irresistível começam a bocado uma fazenda de gado. Os indígenas como eu lado. E isso é interpretado pelos portugueses. Os povos indígenas estão atacando as fazendas de gado, estão impedindo a expansão da nossa economia, impedir o, portanto, o avanço do império cristão. Tanto é que logo nos anos 60 começa a surgir uma imagem e depois é reiterada de que a expansão portuguesa no sertão está sendo parada por um muro que o demônio criou no sertão, um muro de índios bárbaros, o índio selvagem que resistem a presença portuguesa. E aí. E essa guerra se define como total, efetivamente, numa reunião que ocorre na Bahia em 1669. E nessa mesa grande, como ele chama, uma grande reunião, se estabelece que então, a partir de agora, as guerras contra todos os índios do sertão são todas as guerras justas, porque os índios do sertão são bárbaros que resistem em expansão da fé. Então agora é como que se dedicaram uma guerra total. Nesse processo, né, é a uma certa altura, você não tem mais volta. Eu acho que o ponto de vista assim, é um momento que você não tem mais volta nisso. É, é um momento em que de um lado as epidemias estão gastando de maneira. E se você imagina o seguinte, uma cheta fala de 30 mil mortos indígenas, né, mortos por varíola no Recôncavo Baiano, não dá nem para enterrar todo mundo. Você tem que ter essa ideia que de repente o mundo com essa acabar e tu não começa a morrer. É uma série de surtos de doenças enfraquecer enormemente essa humanidade indígena que não estava preparada para isso. Quer dizer, a ideia de utilizar essa fragilidade biológica, essa ausência de anticorpos e contaminar os indígenas e levar essas doenças a eles está o tempo todo dado. Então, num certo sentido, a uma guerra biológica que se passou aqui, durante o processo colonial. É da, se você colocar demografia, alguns estudos sugerem na ordem de 80 milhões para as Américas, isso em 1500, 1492. Você verá que o que desapareceu boa parte da humanidade em 100 anos. Então a gente normalmente não tem esse, essa dimensão do fato. Talvez tenha sido proporcionalmente na história da humanidade uns maiores holocaustos populacionais que a gente tem notícia. Os próprios portugueses vão ler essas guerras promovidas na segunda metade do século 17 e vão lamentar o fato de que foram guerras de extermínio. Dizer bem no final, nós conquistamos esse territórios, mas desse povo vamos esse território porque o extermínio dos grupos indígenas também nos deixou o Vasco, os territórios em povos para ocupá-los. Com essa articulação entre contágio matando por doença, né, e assalto aos lugares onde os índios viviam, a gente chegou a o século 20 e com uma política do estado brasileiro já na República, né, que era de parar de matar aqueles índios. Eu que o Marechal Rondon fez, né, quando ele criou o serviço de proteção ao índio, que precisava de ter um contingente de nativos vivos para constituir nacionalidade. E aí. [Música] E aí. [Música] E aí. [Música] E puxando não vou ter um carro por minuto. A senhora não tem não como ficar alheio ao mais velhos acreditam movida pelo poder econômico, pela garganta e é perto de palha. Então não deve ser identificado de jeito nenhum como o povo que o inimigo dos interesses do Brasil. Ele vivo como o interesse da nação. Tem que colar vendido em qualquer desenvolvimento e tem agarrado por fã. Acabei de idade que foi milhões de quilômetros quadrados no Brasil. O senhor faz muito disso. Essa guerra continua. Ela não foi o fato histórico acabou no século 16. Ela fez parte toda expansão do Brasil por outras regiões além da costa atlântica. Ela fez parte da entrada no sertão em São Francisco. Ela fez parte da entrada na Amazônia. Ela fez parte depois da própria ação do Brasil na região fronteira do Chaco, né? Faz parte da guerra com Paraguai também, integra esse episódio. Ela faz parte da expansão cafeeira, da borracha, depois do cacau na Bahia. Todos os grandes ciclos econômicos desenvolvimento, os índios sempre foram atingidos pesadamente. E não quero mais morreram em choque com garimpeiros. Só estamos defronte de um múltiplo homicídio que eu não posso deixar de caracterizar. E aí. E os índios alegam que essas são suas terras originárias, onde viveram seus antepassados e de onde eles teriam sido expulsos. Já os produtores rurais dizem que eles são os verdadeiros donos. E essa proposta de emenda constitucional defendida pela bancada ruralista passa para o congresso a decisão de demarcação de terras. Relatório também proíbe a ampliação de terras indígenas já demarcadas, poluindo invadir uma reação do produtor. Assim passe a morte, mas a morte de um lado e morte do outro. De erradicação que vive, né, para ter os direitos garantidos, né? É a guerra que a gente enfrenta para manter nossa cultura. É a guerra que a gente enfrenta contra os madeireiros, né? Então a gente diz guerreiro porque é uma palavra que vem de guerra mesmo. E a gente vive numa guerra constante, né? Todo dia é um dia após o outro, né, sem saber quem é que vai mais ser vivo, quem é que vai nascer morto. A guerra é um estado permanente, né, da relação entre e os povos originários daqui, que foram chamados de os índios. E sem nenhuma trégua até hoje, até agora. Segunda-feira de manhã, quando nós estamos aqui conversando, os indígenas atearam fogo no caminhão e numa colheitadeira que custam mais de 500 mil reais. Indígenas tomaram três armas dos militares e atearam fogo na viatura e ainda agrediram os policistos. Impasse sobre quem realmente tem direito sobre a terra já dura décadas aqui no Mato Grosso do Sul. A lista também avançam para o outro objetivo, que é o de invadir e explorar as terras que estão na posse e sendo preservadas pelos poros. Nós não temos mais esperança que o governo brasileiro vai resolver para nós. De 2012, mais de mil índios foram vítimas de violência no Mato Grosso do Sul, sendo 95 assassinatos e 13 casos de violência sexual. Uma emboscada para recuperar uma espingarda que os índios haviam roubado. Dois garimpeiros e cinco ianomâmis morreram. Precisem que o problema não aparece nos jornais locais, enquanto o poder público não toma uma decisão abrisse e para violência. E aí. E aí. [Música] E aí. E aí. [Música] E aí. [Música] E aí. E aí. E aí. [Música] E aí. [Música] [Música]