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Tendo bem direto, e aí a gente destrinche esse assunto. Mas duas perguntas em uma. Primeiro, vai ter uma mudança de ciclo político? Vocês já colocam isso na conta? E segundo, o quanto o investidor de ações tem que olhar isso de fato na hora de tomar uma decisão?
É assim, do com relação ao segundo ponto, eh, se a gente olha, por exemplo, pro que aconteceu na Argentina, a mudança ali de um governo de esquerda para a direita, né, eh, foi um dos mercados que melhor performou, né, nessa janela. Quando a gente olha o que tá acontecendo neste ano no Chile, parece que vai acontecer um movimento semelhante, e os mercados de novo estão fazendo com que o Chile seja um dos principais mercados, das melhores performances, né, dentre esses mercados emergentes. Eh, e a eleição do Chile é final desse ano.
Uhum.
Né? E aí, obviamente o Brasil entra no radar de muito investidor como um país relevante, com valuation barato, um carrego bom e que existe uma possibilidade razoável, diria, de eh, de ter essa troca também. Eh, e aí eu, eu, assim como a gente viu na Argentina, talvez aqui seja um movimento expressivo, né, do patamar que a gente tá, que nem as métricas que a gente acabou de colocar, eu acho que a gente nem precisa sonhar que vai ter, pô, aquele time da, a melhor seleção ou Palmeiras jogando, né? Mas eh, parece que é pouca coisa. É só não fazer muita besteira que
Uhum.
Sim. Só de tirar alguma, alguns bola murcha ali do, do time, já, já tem uma possibilidade razoável da gente ver uma reprecificação dos ativos. Quando a gente fala de mudança de governo, é a mudança do, do governo como um todo, né? Não é o Lula não concorre, concorre um, um outro nome do PT. Até aqui dá para pensar numa, num movimento positivo.
Não, acho que é uma mudança de filosofia assim, de eh, a gente não tem uma agenda econômica, a gente não tem um plano, assim, eu acho que diz Brasil, o Brasil, esse governo, né, esse governo, ele, ele ganhou a eleição sem um plano, sem uma estratégia. O que se espera é que, dado alguns movimentos, unificações e, enfim, grupos, né, que estão se formando para concorrer o ano que vem, é de você ter um plano de governo, tenha reformas estruturantes, como a gente começou a fazer no passado, interrompeu agora e eventualmente pode voltar a ter. Então, acho que é isso, é trazer um plano de governo, como é que você coloca a economia de pé, o fiscal, né, de pé e dando espaço pra política monetária poder ser cada vez mais frouxa, né? Você tem que ter todos esses outros alicerces para de fato o BC cortar mais rápido e mais intenso. Então a gente acredita que a gente pode ter essa alterança de poder nesse sentido. Um governo que venha com um plano, um plano de crescimento, um plano de reformas e que abre espaço pra gente melhorar a economia e começar a cortar mais os juros. Se é fulano, se é ciclano, acho que não sei se vale a pena discutir assim, mas eu acho que é a mudança de postura. A gente não tem política, né? Assim, não tem. É o que eu, eh, acho que eu que ficou muito óbvio até nesse episódio recente, né, do, do anúncio que foi feito e na mesma noite já voltou, volta atrás. Eu acho que isso denota muito bem essa falta de plano, né? Porque, pô, é nobre você perceber que fez besteira e voltar atrás. É, mas fazer uma besteira dessa também mostra uma certa, uma falta de conhecimento, até falta de confiança. É conteúdo ruim e forma ruim. Foi assim a conclusão do evento, né?
E, e a gente vinha, tava até tentando assim, pô, eu achava porque assim, pessoas comuns à minha volta estavam discutindo a notícia do IOF na sexta-feira à noite. Eu falei: "Meu Deus, o negócio na quinta, né, quinta-feira à noite". Falei: "Sexta-feira vai ser um banho de sangue, porque realmente as pessoas estão muito decepcionadas, né? E tweets lá, todo mundo muito frustrado." E não foi, né? Foi uma sexta-feira OK, né? Dado, dado o tamanho da, do erro, né? Acho que muita gente queria que fosse um banho de sangue para entrar na bolsa, porque não aproveitaram o momento de entrar. Aquele dia era o playbook de uma realização razoável, né? Porque assim, é realização que começou grande lá fora até aqui, né? Com, acho que foi a taxação da União Europeia, né?
Foi.
É.
É. E lambança local, eh, depois de uma super alta. Então, e mesmo naquele dia performou super bem. Tudo bem que o governo voltou atrás relativamente rápido, né, eh, de algumas coisas, mas, eh, em geral, quando mostra-se as garras, o pessoal tira risco da mesa no dia seguinte.
Uhum.
Eh, então assim, mostra um pouco da história do fluxo, do posicionamento, eh, que a gente mencionou anteriormente, né? É, é que eh, tu, a gente no mercado tem um, um, um problema, eu digo problema porque as, nos faz às vezes ter um diagnóstico errado, né? A gente vê o que aconteceu, o que foi anunciado, aí vê a reação para entender como o mercado reagiu. Talvez vê a reação do mercado ao que foi noticiado na quinta-feira, foi um pouco de, pô, talvez tá quase que na cara que essas atrapalhadas vão atrapalhar. Essas trapalhadas vão atrapalhar. Ficou bom, né? Mas o governo vai ter dificuldade de ser reeleito.
Sim.
E então uma alternância de poder fica cada vez mais evidente e acaba compensando qualquer desarranjo que vai ter. Porque não, por mais que o Marcos Lisboa sempre fala, né, que o que a gente faz no Brasil é um trabalho de profissional, né, de, da crise, de todos os problemas econômicos que a gente passa, mas talvez não dê tempo de piorar tanto a economia até a próxima eleição. É, eu acho que a leitura foi um pouco essa, assim do tipo, tá nos 45 do segundo tempo, o lateral já joga de atacante, o zagueiro vai de atacante, assim, tenta qualquer coisa. Então, tem um pouco de conotação de fim, né? Tá no fim, tá se esgotando o modelo.
É, eh, até quando a gente aí pegando o lado da direita se articulando, né? A gente entrevistou aqui o, o governador Zema de Minas Gerais. E até o Felipe Miranda mencionou na última newsletter dele, eu perguntei pro Zema, pô, mas agora que a gente tá chegando no fim do jogo e o dono da bola tá vendo que vai perder, não pode abrir a caixa de ferramentas e começar a anunciar um monte de maldade e tudo mais. E o Zema rebateu, ele falou: "Olha, pode, mas também podem começar a surgir vários escândalos que mostram que esse governo de fato não vai conseguir se reeleger, né?" E quarta cena, a gente tá vendo, né? O que a gente viu do INSS e tudo mais. Então também tem esse lado. A gente acaba vendo a o que pode ter de surpresa negativa, pode ter de surpresa positiva nisso. E tem uma coisa assim, quando a gente pensa na última eleição, foi 50.2 a 49.8. Assim, não é que a maioria da população apoiou esse governo, assim, a mensagem que as urnas deram era: "Eu não quero nem você, nem você", né? Eh, então já foi uma eleição ganha assim. E a popularidade dele tão ruim, acho que índice de reprovação, 54 ou 55%, eh, acho que mostra um pouco disso, assim, de fato, um cansaço. Eh, não era, não era esse o mandato, né? A população não deu esse mandato a ele de fazer, enfim, o, o que a gente tá vivendo hoje. Então, você junta, né, um pouco da, do como foi o resultado da eleição, popularidade dele, eh, assim, a reação das pessoas, né, a essas políticas de 50 anos atrás e ninguém aguenta mais. As pessoas querem uma mudança, né? É, o IOF chegou na ponta final, né? E hoje tem o, o microempreendedor que vende lá seu, sua pipoca na porta do cinema e vai ter antecipação do recebível ali e vai ser impactado pelo IOF. Então tudo assim, você tá achar poupança, né, do, de previdência assim, não, assim, enquanto mundo tá discutindo, né, tecnologia, Aiai, foguete que volta de guerré, a gente tá taxando o cartão de crédito, assim, umas coisas que é uma agenda muito antiga isso, ninguém quer mais.
E e essa história da rejeição do incumbente, na verdade, foi o tema das duas últimas eleições, né, assim, o Bolsonaro, quando eleito, foi quem conseguiu, eh, capitalizar a rejeição dos então incumbentes, né? Eh, assim como depois foi a rejeição dele que, que o tirou do governo. E parece que de novo esse é o principal tópico, né? Assim, não é quem que vem, é quem que sai, né? E é o que você falou assim, se, pô, depois do, eh, do evento Pix, né, INSS, a história do IOF, a inflação do jeito que tá já, né? Porque e, e não é só a inflação, né? Ao patamar de preço também, que se os preços ficarem onde tá, pô, o pessoal já tá reclamando do preço do café, né? Eh, já tem o aroma café aí, né? O sabor chocolate e etc, né? Sempre as embalagens seduzindo de tamanho, etc. Eh, então parece ser uma situação assim complicada, e aí ao mesmo tempo você começa a juntar a popularidade eh que o Tarcísio tá aqui em São Paulo, começa a imaginar qual que vai ser a influência dele, independente se assim ele for ou não candidato, que que deve ter de delta só aqui em São Paulo, eh, de votos, né, delta de votos versus a eleição anterior. Eh, foi tão apertada a eleição anterior que eu diria que só esse efeito São Paulo já teria virado
Uhum.
o resultado da eleição anterior. Eh, só para fechar o assunto eleições política, né? Já que vocês falaram que é acaba sendo algo importante, tendo uma visão bem pragmática das coisas. Por mais impopular que o Lula seja, se ele sair candidato, ele vai est, vai ter lá seus, seus seguidores, 30% ali e vai para um segundo turno. Então, o quão importante é a direita ter um nome de fato ou mesmo assim dá para ter uma fragmentação de candidatos e o melhor vai pro segundo turno com o Lula, sendo um pouco mais claro, né? Corre-se o risco de não havendo uma, uma união ali da direita, a gente ter um Lula contra um outsider ou talvez um nome que não seria o mais preparado e enfim, e toda essa, todo esse arranjo aqui de uma mudança de governo pode não acontecer. Eh, qual que é o fator de risco aí dessa se possível mudança de ciclo político? É difícil responder assim, mas é minha opinião pessoal assim, independente da, da Dália. Eh, mas eu acho que se o Lula se candidata, eu acho que isso dá força para a direita se unir, porque ele de fato é o nome forte do atual governo. Assim, eu não consigo pensar num substituto tão forte quanto o Lula. Se ele decide não ir pela idade, pela saúde e bota, sei lá, um dos ministros dele, a Janja, não sei, aí eu acho que você pode ter a direita falando: "Não, eu acho que contra esse eu tenho chance. O outro também vai achar que tem chance contra esse." Aí você pode ter dois, três, sei lá, representantes da direita, mas acho que num cenário eh do Lula se, se candidatar, eu acho que a direita se une, que aí precisa ter força, né? Que de fato ele é um líder, assim, ele é, né, ele tem, ele tem votos, né? Não sei se você concorda.
Não, eu, eu concordo, sim. Eh, agora, por outro lado, eu acho que como no final do dia vai ser uma eleição da rejeição, é, eh, eu até tenho, vai, seria uma eleição mais difícil com a direita dividido, mas no final quem passar leva. Concordo com o que o Zema colocou lá, né? Eh, e no final do dia, assim, o próprio Bolsonaro já mostrou o, o playbook, né? Por mais que você seja também um outsider, eh, depois que você chega ali na cadeira, eh, eu acho que todo mundo, até porque para chegar lá você tem que ter diversos skills, a pessoa vai se cercar, espero assim, pelo menos, né? E acho que é bem razoável de gente competente que saiba o que tá fazendo.
Uhum.
né? Eh, então eu acho que o mais provável de fato ser a direita se unir, mas também assim esse cenário de uma eleição mais difícil ou mais complexa, eh, eu de novo, do patamar de preços que a gente tá, eu acho que a simetria continua sendo positiva. Se você gostou desse corte, certamente vai gostar do episódio completo. Então, ó, clica aqui que você pode assistir ele na íntegra ou então você pode clicar nesse vídeo e ver mais um corte desse episódio. Até a próxima.