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O Bolsonaro, ele vinha fazendo um ajuste fiscal em cima dos mais pobres, como sem reajustar o salário mínimo e sem reajustar a tabela do imposto de renda. Então, estava acontecendo um ajuste fiscal, mas isso estava acontecendo na base da pirâmide social.
E qual era a consequência? A consequência disso era baixo crescimento, porque o poder aquisitivo das pessoas foi caindo abruptamente ao longo de 7 anos, porque começou essa política neoliberal começou no governo Temer e se estendeu pro governo Bolsonaro. Esse ajuste fiscal tava acontecendo dessa maneira que eu tô dizendo, mas no último ano bateu um desespero por causa das pesquisas e aí eles resolveram abrir os cofres e estourar o orçamento de 2023, primeiro ano do governo seguinte.
Então, eles deram um reajuste não previsto no orçamento do Bolsa Família, baixaram o preço dos combustíveis às custas do ICMS dos governadores e deram um calote nos precatórios. Isso tudo aconteceu em 2022 e a bomba estourou no colo do presidente Lula.
Então, quando nós entramos, nós estávamos com um déficit fiscal de volta no patamar de 2% do PIB, que foi o déficit fiscal médio do período todo Temer-Bolsonaro, com exceção dos últimos anos em que houve o ajuste fiscal que eu relatei em cima dos trabalhadores, tanto do ponto de vista da tabela do IR, quanto do ponto de vista do não reajuste real do salário mínimo.
Como nós fizemos? Nós pagamos primeiro, nós pagamos o calote. Nós tivemos que pagar o calote aos governadores e aos precatórios no primeiro ano de governo. Deu coisa de R$ 30 bilhões de reais de calote que nós tivemos que pagar no primeiro ano.
Mas daí nós passamos a fazer um ajuste fiscal, não mais em cima dos pobres, que passaram a ter reajuste real do salário mínimo e a tabela do imposto de renda que atingiu a isenção. A faixa de isenção foi para R$ 5.000. Hoje, quem ganha R$ 5.000, não importa se é celetista, autônomo, o que quer que seja, não paga imposto de renda. Nós estamos falando de mais de 70% da população que deixou de pagar imposto de renda esse ano.
E como que foi feito o ajuste? Cortando o gasto tributário. Que que é o gasto tributário? São aqueles benefícios fiscais que uma vez colocados no orçamento nunca mais saíam, sabe? Ficava lá no orçamento, os amigos do rei, os lobbies, os grupos de interesse. Eu divulguei 100% desses benefícios fiscais na internet, CNPJ por CNPJ, e comecei a cortar esses benefícios fiscais que não faziam mais sentido, mantendo os que faziam sentido, sobretudo voltados pra agricultura e pra indústria. Mas aqueles outros que não faziam sentido, nós fomos cortando.
Entregamos as contas muito melhor do que recebemos, muito melhor. E os indicadores: inflação a menor da história em 4 anos, desemprego o menor da série histórica, dobramos a taxa média de crescimento, o melhor salário real médio da história e a maior massa salarial da história. Isso não adianta contestar, porque senão vira aquela coisa da terra plana, da vacina que produz doença e não cura, essas coisas que a gente fica ouvindo falar.
Agora, o que eu queria te dizer é o seguinte: o nível de desinformação nas redes sociais, que é por onde as pessoas hoje se informam, é gritante. Se você visitar as redes sociais hoje, você vai ver uma enxurrada de desinformação. Não é sobre economia, é sobre tudo. É sobre a vida das pessoas, é sobre a ética das pessoas, é sobre a economia, é sobre investimento. Então, hoje a guerra de narrativas, ela mudou de patamar para pior.
E não é um fenômeno brasileiro, é um fenômeno mundial, sobretudo no Ocidente, onde as redes sociais são absolutamente livres. Onde não é livre, no Oriente, nem toda rede social é livre para dizer o que quer. Então, e às vezes os governos não são democráticos também. Aí você tem uma outra realidade: governos mais autoritários e rede social controlada.
Aqui você tá numa democracia, ninguém quer calar ninguém, as pessoas têm o direito de dizer, mas ao mesmo tempo isso vem trazendo uma degradação do ambiente social muito grande pela desinformação. Eu tô aqui no ICL porque é uma forma de eu me comunicar informando. Todo mundo que tá nos assistindo pode lá colocar: "Ah, o Haddad não tá falando a verdade sobre isso". E aí você cria um contraditório que estabelece a verdade, que para nós o debate sempre vai interessar, desde que a resultante seja verdade. E a pessoa aí, o cidadão vai poder votar em A, B ou C, dado.
Então, se amanhã ficar demonstrado que os indicadores econômicos pioraram, ué, o cara vota na oposição. Agora, não é o que tá acontecendo no governo do presidente Lula. E nós vamos fazer um debate aqui de São Paulo para perguntar pro eleitor se ele tá a par do que está acontecendo com a saúde pública, com a educação, com a Sabesp privatizada, com a segurança pública, com os pedágios. Vamos fazer um debate, porque o bom da democracia é quando você tem um uma arena em que você faz o debate franco de alto nível e deixa o eleitor, né, a prerrogativa de escolher o seu destino. Aí que tá tudo bem. Todo mundo ganha. Até quem perde a eleição ganha porque teve a possibilidade de se apresentar e de fazer propostas de acordo com a sua consciência.
Miní, eu vou, Fernando, eu vou passar pro César que ele quer fazer a pergunta, mas só para não perder de vista, daqui a pouco a gente vai trazer mais esse tema, mas nós também aqui no fomos os primeiros a trazer as páginas de fofoca sendo usadas e patrocinadas por BETs também para fazer exatamente isso que o senhor traz aqui pra gente. O senhor foi uma das vítimas, então a gente tá separando inclusive um desses prints para trazer daqui a pouquinho, só para não perder aqui do radar que é importante a gente falar sobre isso. Quando tiver pronto, eu aviso aqui. Mas passando a bola agora pro meu colega aqui, o César.
AD, eu quero, primeiro, prazer te ter no estúdio. Obrigado por pela tua presença no N1. Eu quero trazer o debate para nossa dimensão da disputa do estado aqui de São Paulo, né? Me parece que uma das questões centrais da equação é o antipetismo que é muito forte no interior do estado, porque a gente sabe que na capital você tem muita força, foi prefeito inclusive da capital e tem muito capital político por aqui. O interior já é uma disputa mais difícil porque tem um antipetismo muito forte. Eu queria te perguntar como é que você pretende trabalhar essa questão para de fato superar o Tarcísio de Freitas na disputa?
Olha, se a gente for temer dialogar com quem pensa diferente, nem é bom disputar, entendeu? A verdade é que a política se faz da construção de consensos, de novas possibilidades, entendeu? Eu entendo que há um conservadorismo histórico, mas eu entendia também em São Paulo, antes da eleição da Erundina, as pessoas diziam que nunca um partido progressista ia ganhar São Paulo. E assim, muito francamente, as melhores administrações de São Paulo foram as administrações progressistas que deixaram legado, deixaram as finanças em ordem, deixaram uma visão de futuro pra cidade. Pega a minha administração, o plano diretor, as obras que foram licitadas no meu tempo. Se você pegar o grau de investimento que o São Paulo obteve, foi a primeira vez, foi na minha gestão, a renegociação da dívida da cidade foi na minha gestão, tudo isso aconteceu e São Paulo já teve três administrações progressistas, né? Em 2022 eu ganhei na região metropolitana, não só na capital, mas na região metropolitana por 55 a 45. E fica o desafio político de conversar com o público do interior.
Agora, o interior, você vê, nós estamos falar mais da escola pública do interior, que tá numa situação diferente hoje, né? Você tem que falar do fato do Comando Vermelho tá atuando no interior de São Paulo, que nunca aconteceu isso. E agora aconteceu de uma outra facção que nem era de São Paulo, vir para São Paulo para atuar no interior paulista. Você tem a questão do custo de vida no interior de São Paulo, seja pela água mais cara, seja pelos pedágios. Você tem uma série de questões que você vai poder discutir com o interior mostrando alternativas, porque não adianta, oposição não é para criticar, ele critica durante o governo. Oposição na eleição é para propor. Você tem que propor uma alternativa. E nós, no campo da segurança, no campo da infraestrutura, no campo da educação, teremos propostas alternativas ao que está aí. Escola cívico-militar que tá degradando a escola pública, desprestigiando o magistério, colocando, metendo os pés pelas mãos. Nós temos que colocar ordem no estado e sinalizar pra modernidade. Nós estamos perdendo várias oportunidades de investimento em São Paulo em relação às novas tecnologias. Isso tem que tá associado a uma política pública, tanto na saúde quanto na educação e na segurança. Como é que você vai usar utilizar inteligência artificial? Como é que nós vamos utilizar o processamento de dados? Tem toda uma um caminho pela frente que eu penso que como eu acho que o governador tava com a cabeça em Brasília, eu não falo isso por mal. Ele veio para São Paulo um pouco arrastado. Ele queria ser senador por Goiás. Aí o Bolsonaro inventou essa candidatura, já colocando ele como uma possibilidade pro governo federal. Aí a pessoa não cria vínculo, entendeu? E quando não cria vínculo, você não faz o trabalho, você tá sentado numa cadeira, mas a tua cabeça não tá ali. A tua cabeça tá em outro lugar, no centrão. Será que o centrão vai me apoiar? Será que o Ciro Nogueira vai me apoiar? Será que o Rueda vai me apoiar? Será? Você começa a desfocar do teu trabalho, entendeu? E aí não vem, porque sem a liderança do chefe do executivo, a máquina ela toca o serviço. Mas esperar que a máquina vai inovar sem a liderança do governador, isso não acontece. A máquina de São Paulo é espetacular, diga-se de passagem, mas ela precisa da liderança para inovar. E eu acho que faltou liderança em São Paulo.
Muito bem. Eu tenho o print que eu prometi trazer, queria colocar aqui no telão para ouvir o seu comentário também. Então, tá aí nessa página, a Babadeira, a gente fez e vem fazendo um levantamento, mostrando, né, como é que funcionam, eh, como é que funciona esse trabalho nessas redes que são patrocinadas por BETs, inclusive. E aí tem uma das fake news: "Haddad deixará o cargo com rombo de 100 bilhões aos cofres públicos, o pior ministro da Fazenda que já tivemos". E a gente trouxe uma reportagem também em de fevereiro falando de conteúdos pró-Tarcísio e contra o Banco Central em perfis de fofoca, que foi negociado por colaboradores de agência. Depois a gente também trouxe aqui o Demori, fez uma abertura pra gente trazendo também uma planilha de quanto custam esses posts. Eu queria que o senhor comentasse pra gente esse tipo de ação.
Bom, mas isso tem uma razão de ser. Eu queria explicar para quem tá nos ouvindo. A suspeita que tá sendo investigada, eu acho que há comprovações já, é de que as BETs estão financiando sites de desinformação para promover políticos uns e para prejudicar outros. Por que que a BET tá fazendo isso? Vamos nos lembrar, as BETs ficaram os 4 anos do governo Bolsonaro sem pagar imposto. Esse, essas BETs que aliciaram inclusive crianças para o jogo, essas BETs ficaram 4 anos. Ao contrário de uma farmácia, de uma padaria, de uma loja, de uma indústria, de um serviço, de um cabeleireiro, de um padeiro, elas ficaram sem pagar imposto nenhum, nem imposto de renda, nada, nem imposto sobre o lucro, nada, nada, nada. 4 anos sem pagar imposto. Aí eles fizeram uma campanha contra mim, me apelidando de "taxado", porque eu resolvi cobrar imposto de BET. Agora, eu fico me perguntando: se um empresário que gera emprego, se um empresário que paga aluguel, paga luz, paga condomínio, paga imposto, como todos nós que fomos trabalhadores e pagamos impostos, por que que uma BET vai ser tratada como a Santa Casa de Misericórdia? Se ela produz doença e não saúde, a BET adoece as pessoas. 1% dos apostadores, isso é estimativa mundial, adoece as pessoas. Se a gente não tiver dinheiro sequer para cuidar das pessoas que a BET adoece, por que que nós vamos deixar isso aqui funcionando? O presidente Lula inclusive tá estudando se mantém essa autorização que o Bolsonaro deu para as BETs funcionarem. Agora, enquanto funcionam, tem que pagar imposto. Como elas se revoltaram contra pagar impostos, elas começaram essa campanha contra mim. Então, eles inventaram um apelido e começaram a disseminar desinformação para me atacar. Agora, eu não vou deixar de cumprir a minha obrigação funcional com medo de um bando de canalhas que ficaram 4 anos na ilegalidade sem pagar imposto. Agora, existe gente séria nesse setor? Eu acho que até existe, não tô dizendo que todas são assim, mas é um setor novo que não gera emprego, que não gera bem-estar, na minha opinião. Enquanto a pessoa tá se entretendo ali, uma coisinha ou outra, um entretenimento, OK, mas a partir do momento que você não tem compromisso com a saúde mental, a partir do momento que você não tem compromisso com a Receita Federal, a partir do momento que você faz publicidade enganosa de que uma pessoa pode enriquecer apostando em jogo de azar, como o próprio nome diz, ninguém vai ganhar dinheiro em jogo de azar. A partir do momento que essas pessoas agem dessa maneira e financiam o site de fofoca, eu tenho todas as razões do mundo para não sentir nenhuma simpatia por esse setor, entendeu?
Bom dia, ministro. É um prazer receber você aqui no estúdio. Eu queria aproveitar para ligar esse tema que a gente estava falando, porque são notícias falsas. Talvez o senhor tenha sido a primeira vítima conhecida desse esquema de fake news lá atrás, 2011, com o kit de combate à homofobia, que acabou virando o "kit gay" nas mãos do Jair Bolsonaro em 2011. E 15 anos depois, o senhor é vítima de outra fake news, o seu ministério, a taxação do Pix. Eu queria saber como é que o senhor tem visto esses movimentos crescentes de ataques com notícias falsas, com desinformação. E como é que o senhor tá se preparando para a disputa desse ano e como é que o PT tá se preparando para isso também?
A extrema direita nasceu das redes sociais. Nasceu por quê? Porque como não há controle nenhum, é diferente de uma emissora numa concessão de rádio e TV, começa a ter ação judicial, começa a ter uma série de coisas. Então, uma concessionária de um serviço de radiodifusão tem determinadas obrigações contratuais que ela é obrigada a observar. Nas redes sociais não existe isso. Então, qual é? Aí fica vai censurar. Não, ninguém quer censurar. Mas como preservar a integridade moral de uma pessoa que tá sendo atacada por meio de calúnia, difamação? Como é que você faz isso? Então, hoje o a gente tá começando a saber lidar melhor com isso. O judiciário tá mais atento, a justiça eleitoral tá mais atenta, o impulsionamento às vezes dá na cara que ele tá sendo direcionado, como essa reportagem que vocês apresentaram aqui agora, de site de fofoca patrocinado por BET para difamar pessoas. Então, isso vai mudar, mas não vai mudar na velocidade que nós gostaríamos. Hoje nós estamos numa situação melhor do que nós estávamos em 22. 22 o presidente Lula só ganhou porque nós não estávamos na situação de 2018. Então, em 2018 foi o vale tudo que vocês conhecem, né? Um vale tudo total. Algumas Big Techs sentiram que isso era um caminho perigoso, tomaram algumas medidas para que 2018 não se repetisse. Em 2022 foi possível uma campanha mais ou menos equilibrada, mas a extrema direita, desde que perdeu, voltou com carga total nas redes sociais. Então, nós temos que primeiro acender a militância. A militância não é progressista, qualquer militância é decente. Uma pessoa pode ser de direita e decente. Ninguém é obrigado a ser indecente por ser de direita. Pô, eu tenho uma visão do Estado que não é a mesma de um progressista. OK. Agora, defende honestamente as suas ideias. Ninguém tá impedido de defender as suas ideias honestamente. Agora, não é o que tá acontecendo hoje nas redes sociais. Então, você tem aí um problema grave de comunicação. É até a comunicação do governo é muito criticada por isso, mas ela também tem limites. Tá certo que a gente pode melhorar a comunicação, mas precisa reconhecer os limites da comunicação governamental no combate à desinformação, porque é muito precário o combate à desinformação. A mentira, ela é um lastro numa velocidade.
Você viu, você citou o caso do Pix. Aquela medida da Receita Federal era para combater o crime organizado. A Receita Federal desbaratou o esquema da REAG, ajudou a desbaratar o Master que tava pendurado na REAG, desbaratou a máfia dos combustíveis, tudo por meio de inteligência. Não disparou um tiro, não fez uma operação, não precisou de um fuzil, nada. Desbaratou com inteligência, inteligência artificial, inclusive desbaratou três esquemas de corrupção no Brasil. Eu aqui na prefeitura de São Paulo não tinha inteligência artificial e nós desbaratamos a máfia do ISS, a máfia do Túnel Roberto Marinho, a máfia da feira da madrugada, tudo isso aí, né? A máfia da inspeção veicular, a gente desbaratou. Quer dizer, é possível você desbaratar também essas máfias que atuam nas redes sociais? Não, porque a gente não tem compromisso com a verdade, não tem compromisso com o debate público. Agora, é um desafio que tá colocado. Eu acredito bem sinceramente que nós evoluímos. Nós não estamos na situação de 2018. Você pegar de 2018 para cá, houve uma evolução no combate a esse tipo de prática, mas nós estamos longe do ideal, porque ainda escapa muita coisa.