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Hoje nós estamos aqui para um bate-papo sobre crenças, visões de mundo, eventualmente alguns pensamentos que possam bloquear a sua, enfim, a sua evolução em termos de saúde mental e também tentar entender como que esses pensamentos ou essas crenças desembocam em comportamentos disfuncionais. Acho que o bate-papo vai ficar mais ou menos dentro desses temas, que já é bastante coisa. Acho que daria para fazer alguns doutorados nessa área. E eu tenho aqui como os meus convidados a Ju, que é minha cohost hoje, e o Kurt. Vou deixar você se apresentar. Começa pela Ju.
>> Então, para quem não conhece, conheça. Eu sou médica psiquiatra, eu sou sócia da BHALF e hoje eu vim aqui entrevistar junto com o Eslin o Kurt. Se apresenta aí, Kurt.
>> Olá, eu sou Kurt Heman, eu sou psicólogo clínico, eh, pesquisador. Eh, recentemente eu entrei no pós-doutorado e atuo basicamente com eh depressão e pesquiso muito essa área de psicoterapias para transtornos de humor. E é um prazer estar aqui mais uma vez.
>> Pós-doutorado agora.
>> Sim.
>> Que bom. Não tem bem tranquilo, né? O cara tá com a rotina tranquila. Fazer mais um pós-pós.
>> Pois é, eu gosto da da pesquisa, então isso é bacana.
>> Legal, legal. Pessoal, hoje nós temos o apoio aqui do Eslin Podcast da Liquids. Liquids é uma marca de eletrólitos em pó maravilhosa. Então, se você precisa aí reforçar sua hidratação, basta você entrar no site da Liquids e usar o cupom Eslin, que você ganha um desconto. É. Os sabores são incríveis. Particularmente, eu gosto bastante desse de morango. É tão gostoso que o meu pai rouba todos de mim. Então, Liquides, manda mais aí para nós, porque o coroa tá levando todos para ele. É zero açúcar, 600 mg de eletrólitos por sachê e tem uma água de coco no fundinho que dá um gosto maravilhoso e dá aquele gostinho um pouco mais adocicado, mesmo sendo zero açúcar. Então, caloria baixíssima para você introduzir aí na sua rotina de hidratação. Usando o cupom Eslin, você ganha desconto eh lá no site da Liquids. E eu sugiro que você compre este sabor de morango, porque é muito gostoso.
Muito bem. Eh, pessoal, vamos começar aqui. Kurt, o que que você é psicólogo clínico, né, e você atende sob o guarda-chuva das terapias cognitivo-comportamentais, que a gente já falou em outro episódio aqui, então não vamos, né, definir. Eh, uma pergunta, eu não sei se isso é possível ou foi rastreado em estudo, mas baseado na sua visão, como é que você, o que que você diria hoje que dentro de um consultório ou nos materiais que você teve acesso, qual seria a principal visão distorcida que as pessoas têm delas mesmas?
Bom, eh, qual a principal visão distorcida? As pessoas tendem a ter eh ideias, eh, primeiro, a gente meio que pensa errado sobre tudo. Se for para olhar descritivamente, né, a gente pode falar disso depois, mas o que é mais comum são pensamentos de catastróficos, de que as coisas vão dar errado, tudo vai dar errado. Então é a cabeça ansiosa. Se for para olhar pela maioria, >> não maioria grande >> é a maioria são eh são pensamentos de previsão do futuro e geralmente previsão do futuro catastrófica.
>> E aí isso aí, obviamente, vai para qualquer lado, né? A pessoa pensa isso nos estudos, no trabalho, no relacionamento. Imagino, né? Que >> guerra mundial, tudo aí. Aí cada cabeça é o mundo mesmo. >> A depender do que você tá de de sua construção histórica do que que pode dar errado na sua vida.
>> Como é que a psicologia chama isso? >> Em termos de >> eh técnicos mesmo? >> Distorção cognitiva. Então, essa previsão do futuro que todos nós temos, tá? E eu gosto de dizer assim, né? Eh, todos nós temos uma série de pensamentos durante o dia, uma série inúmeros, né? Muitos desses pensamentos são muito rápidos, automáticos, não são produtos da sua vontade. Você não tá pensando propositalmente, de forma complexa e profunda em determinado tema. Então, acaba que a maioria dos pensamentos são rápidos e muitos desses pensamentos são inacurados. E esses pensamentos nós chamamos de distorcidos. Alguns desses pensamentos distorcidos, quando eles acontecem em elevada frequência, eh, existem métricas para isso, essas pessoas geralmente são mais ansiosas e deprimidas quando eles acontecem em elevada frequência. Então, os mais comuns, como a gente tinha falado antes, são pensamentos de previsão do futuro. Eh, hoje eu acho que essa entrevista vai ser ruim. Como é que vai ser lá o meu desempenho? Será que eu vou falar bem? Será que eu vou gaguejar? Será que o trânsito vai estar certo? E se eu for para pro sul do país e tiver uma outra enchente? Geralmente, né, na nas médias, esses são os pensamentos mais frequentes.
>> Esse esse tipo de pensamento, você falou que pode estar associado ali a um paciente mais ansioso. Então, uma pessoa mais ansiosa, ela acaba tendo esse comportamento de prever o futuro de uma maneira negativa.
>> Exato.
>> Mas a gente sabe também que esses pensamentos podem ser derivados de crenças que nós temos em relação àquilo que a gente é. Então, "dia eu não vou dar conta", "eu não vou ter ninguém para me ajudar" ou, né, "não vou conseguir de alguma maneira assim". Como que a gente vê essas essas crenças assim nas pessoas?
>> Aí quando tá, então nós temos esses pensamentos mais eh que estão mais aqui na nossa consciência e são mais fáceis de observar. Vai dar tudo errado, vai acontecer o pior, ou "não vão gostar de mim". Se a gente pegar o segundo grupo desses pensamentos mais comuns, eh, "não vão gostar de mim", "eu fiz alguma coisa errada", "eu não tenho importância", "e ninguém me ama". E aí nós vamos a esses pensamentos se derivam, né? Pode não ser exatamente esse. "Ninguém gosta de mim". Pode ser "o Wesley não apertou minha mão". >> "Eu sou inferior", né? >> Aham. E aí a gente vai ver isso mais no consultório, que quando essas pessoas que têm esses pensamentos em elevada frequência, esses essas pessoas também terão crenças, afirmações, convicções sobre elas mesmas. Nós temos uma tendência a fazer autorreferências. Algumas teorias dizem que nós somos muito egoístas e egocêntricos. Essa é a nossa tendência. Tudo se relaciona a nós. E aí na nossa construção histórica, nas nossas aprendizagens, isso vai ficando mais dissolvido. Alguns ficam muito mais egocêntricos ou egoístas em suas visões de mundo e outros ficam, vamos chamar assim, normais, né? E aí algumas pessoas que têm essas, a maioria das pessoas que têm esses pensamentos automáticos distorcidos e que fazem uma ansiedade clínica ou uma depressão clínica ou outros quadros, elas também têm convicções sobre elas mesmas. Então, geralmente é isso que você falou. "Eu sou uma pessoa muito assustada. Qualquer coisa me impressiona. Parece que comigo tudo vai dar errado. Se acontecer algo errado, eu não vou dar conta. Eu sou incapaz." Isso é interessante. Essa essa crença é muito comum também. Eh, se se vou pegar um exemplo comum, né? Se eu viajar para Florianópolis e se acontecer alguma coisa, eh, se tiver uma chuva e paralisa e tudo, eu não vou dar conta. Eu não sei o que que vai acontecer. Isso é uma crença que a gente engloba como incapacidade.
>> "Eu não vou dar conta."
>> Uhum.
>> "O que vai acontecer é terrível e eu sou incapaz de suportar."
>> Nossa, mas viver sobre esse sob esse prisma deve ser adoecedor, né? Tanto que quem tem esses pensamentos são geralmente apresenta um transtorno mental que tem esse tipo de de crença ativada durante um período de tempos, né? Ah, de forma constante, atrapalha muito a vida.
>> E e por exemplo, pra pessoa que tá assistindo em casa, né? Às vezes ela se identificou com alguma dessas maneiras de pensar, de enxergar o mundo, né? Isso vai distorcendo a forma com que a pessoa constrói a realidade em torno dela. Então, às vezes, o mundo factual não aponta para aquela direção, mas ela tá com uma lente que faz com que ela enxergue aquilo daquela maneira, né? Eh, e essa construção dessa, vamos imaginar que a pessoa que tá assistindo, ela tá, ela tem um óculos que ela usa com uma lente que distorce o mundo e essa lente faz ela enxergar como como ela ela se como ela ela faz faz ela se enxergar como sendo incapaz. Como é que é a construção dessa lente? Quem que construiu ela?
>> É, é interessante.
>> Imagino que a família em volta influencie os amigos.
>> Uhum. Acho que é onde nasce essa crença, né? Essa crença central. Surge.
>> Então, eh, nós também nascemos. E só para que as pessoas se identifiquem aí, depois vocês me puxem de novo para essa essa essa pergunta. Então, algumas nos seus momentos mais difíceis, mesmo que você não tenha um transtorno mental, às vezes você vai se identificar com alguma dessas dessas crenças. "Eu sou incapaz", "ninguém me ama", "eu não tenho valor". Eh, "e o mundo é totalmente sem esperança". Ou ou "o mundo é muito perigoso, eu sou muito fraco ou frágil". Então, mais ou menos essas seis >> crenças. Então, nos momentos mais delicados que todos nós temos, em algum momento nós pensaremos isso. Aí, indo pra sua colocação, como é que surge isso? Ninguém nega que a gente nasce hoje com temperamentos, com tendências de ver o mundo. Alguns de nós nascemos mais agitados, mais eh choramos mais, tínhamos mais dificuldade de dormir. Qualquer estímulo barulhento já nos deixava mais ansiosos. Então, se você já nasce com essa tendência de ser afetado, inclusive na naquela conversa do eh tem um temperamento, tem um domínio de personalidade chamado afetividade negativa, eh, que às vezes se mistura com neuroticismo, né? Então, alguns de nós nascemos com tendência ao neuroticismo, a sermos mais, respondermos mais emocionalmente a coisas negativas. E aí, então essa é a base. Aí quando você vai crescendo, né, pode ser que você tenha também um ambiente estressor que te colocou muitas demandas para você que você não foi capaz de resolver. Críticas, ofensas, abusos, eh críticas sociais na escola são muito eh eh fortes também. e você acaba desenvolvendo convicções, camadas de pensamento sobre você mesmo, sobre como as pessoas funcionam e sobre como é que é o mundo ou o futuro. Então, a gente vai organizando isso, tá? Então, um um adolescente pode pensar, eh, "eu não sei falar em público". Toda vez que eu falei em público no meu colégio, eu gaguejava, as pessoas riam de mim, era um desastre, eu só tirava zero, né? E aí essa pessoa já constrói esse primeiro, essa primeira camada de de crença, né? "Eu não eh ouço posições, eu não posso falar em público. Se eu falar em público, vai ser um desastre." E aí a pessoa vai evoluindo, eh, vai crescendo mais. Aí chega um momento que ela tem que trabalhar numa empresa, ela tem que, ela trabalha bem e agora ela líder de um grupo, de um, de líder de uma equipe e ela precisa falar em público. >> Uhum. Aí o que que essa pessoa já começa catastrofizar e aí ela pensa: "Nossa, não vou dar conta, eu sou incapaz". Às vezes esse pensamento "eu sou incapaz" ele não tá tão consciente, não. Às vezes durante na terapia, numa avaliação psiquiátrica, isso se torna mais evidente, né? Então é mais ou menos assim que essas crenças vão se formando. É mais como camadas, você vai construindo sua própria realidade.
>> porque e a pessoa que ela tem essa essa crença, mas ela não sabe, talvez ela vendo aqui no no podcast esteja pensando que ela possa ter o que que acontece n na vida dessa pessoa. Porque a partir do momento que que eu tenho uma verdade dentro de mim, né, que eu penso sobre sobre a minha capacidade, eu falo: "Eu não sou capaz, eu não vou dar conta", de alguma maneira eu ou eu vou parar de enfrentar situações por medo, ou eu vou me sabotar ali antes do enfrentamento para eu reafirmar a minha crença de alguma maneira. Então, se essa pessoa não tem subconsciente, ela pode começar a ter uma ter uma confirmação dessa crença por evitação, né, da dos processos ali da da vida, né?
>> Isso é muito interessante. Nós temos uma tendência eh quando a gente tem um pensamento quente, nós também chamamos dessa forma, né? O que que é um pensamento quente? Eh, um pensamento, uma ocorrência mental que desperta muita emoção. Isso é uma um pensamento quente. Um dos pensamentos que esse pensamento quente que você falou é: "Nossa, eu não consigo, eu sou incapaz, eu não consigo terminar meu TCC, eu não consigo terminar meu trabalho, eu tô enrolando os meus prazos, eu não consigo fazer minha programação, eu não consigo levantar da cama, eu não consigo paquerar, enfim, né?" Então, aí você volta só sua pergunta, eu acabei me perdendo.
>> Eu falei da da pessoa que ela acaba evitando ali a situação e confirma essa crença.
>> Aí. Essa crença, essas crenças que as pessoas têm, geralmente elas se confirmam automaticamente. A gente tende a confirmar essas convicções errôneas, porque fazem sentido. A pessoa não tem um outro parâmetro eh resolvido. Por exemplo, nossa, ah, gaguejei, né, numa numa entrevista. Só pode ser porque eu sou um fracasso, porque eu sou um desajeitado, porque comigo tudo dá errado, porque foi essa, essas foram as camadas de significado que eu aprendi a ter. Eu não tive outras que me dariam uma outra camada, um amortecedor cognitivo. Não, calma aí. Mesmo se você gaguejar, não necessariamente vai estar tudo perdido. E se gaguejar, o que que significa? Não, não tem tanta importância assim, né? E se você não entregar tudo perfeito, não for capaz de de de fazer o suas atribuições no seu trabalho, na sua empresa, não é o fim do mundo. Você pode conversar com seus chefes, né? O que acontece é que as pessoas não aprenderam essa outra camada cognitiva protetora, eh, ou estão em um momento em que o que tá mais em operação são essas camadas mais interpretativas, com vieses negativos. Então, tudo que acontece fica interpretado sob esta ótica. Então acaba se confirmando e aí por se confirmar é é desagradável, né? Você se ver incapaz de concluir o seu trabalho. As pessoas que procrastinam, talvez hoje seja uma das coisas que mais as pessoas concordam é que todos nós procrastinamos, né? Uma outra palavra da da modernidade, procrastinar, né? E é verdade, a gente procrastina muito e algumas pessoas muito mais. Então essa pessoa que tá procrastinando, ela também pensa: "Eu não consigo, eu não sou capaz, eu não vou dar conta". Ela evita, ela simplesmente evita iniciar a o trabalho. E quando ela evita, o que que faz sentido? Pergunte-se, né? Quando você evita fazer a tarefa que você precisa fazer, qualquer que seja, você sente que essa esse pensamento que você tem sobre si mesmo, de que você é incapaz, de que você não consegue, fica mais forte ou mais fraca? Fica mais forte.
>> E isso, só falar isso aqui também num contexto apropriado, já é uma pontinha. Quer dizer que se eu parar de evitar, eu posso testar de fato se eu sou incapaz.
>> Uhum.
>> Aí a pessoa vê que tem um um looping, né?
>> Uhum.
>> Um ciclo. Aí eu penso tais coisas, me comporto de determinadas maneiras, geralmente evitativas, e os resultados confirmam. É um paradoxo.
>> Uhum. É, talvez o senso comum chamasse isso de autossabotagem, né? A pessoa entra naquele ciclo de não fazer e confirma crença negativa e etc. E e as pessoas são muito criativas para justificar as crenças que desenvolveram, né? Eu eu lembro uma vez, isso deve fazer uns 7 anos já que eu atendi essa pessoa. Foi na clínica escola. era um paciente que tinha uma dessas crenças que a gente tá comentando aqui de que ele eh de que as pessoas e e é interessante que você comentou no início lá que os pacientes desenvolvem uma visão de que eles são muito centro do mundo, né? e todo mundo tá olhando para ele, todo mundo se preocupa com o que ele tá fazendo. E esse essa pessoa tava no supermercado e ela teve que embora do supermercado numa crise de ansiedade e tal e ela tinha certeza que ela chegou com essa queixa. Olha só, pessoal, vamos vamos detalhar isso daqui. Ela, a queixa foi, "eu tive aquele problema de ansiedade no supermercado" e aí ela, a frase que ela construiu, e essa eu lembro que foi num descrevi muito bem na época pra professora, a frase era "as pessoas do supermercado estavam me olhando e rindo de mim". Essa foi a frase. Aí eu comecei a debulhar a frase, falei: "Bom, quais as pessoas?" Aí eu descobri que não eram as pessoas, eram uma, eram duas pessoas. Eu perguntei, mas quem que são essas pessoas? Eram duas senhoras. Falei, mas que que que que que que que evidência que você tem para me trazer de que elas estavam olhando para você e rindo de você? Não, elas estavam, eu tava com elas, ela no mesmo corredor, elas estavam conversando e rindo. O paciente tinha certeza que era dele. O mundo na cabeça dele se construiu de uma forma que só podia ser aquela conclusão. Ele não conseguia, como você comentou, ter um escape cognitivo, um amortecedor cognitivo para quem sabe pensar, "talvez elas estejam vindo de outra coisa, não de mim". Era dele. Até que o momento eu fui fazendo, né, fui apertando ele ali naqueles questionamentos que a gente faz. Chegou, chegou no, no final da linha, eu perguntei: "Quais são as evidências que você tem que duas senhoras de cabelo branco estavam no supermercado terça-feira de manhã rindo de você do outro lado do corredor, longe?" Aí é aquele momento da terapia que acho que vocês já devem ter passado muitas vezes, que o paciente dá uma tela azul e pão, mas então elas não estavam rindo de mim. Aí abriu-se essa esse amortecedor cognitivo. Opa, talvez existe uma outra explicação pro mundo que não você e estavam rindo de você. Aí a gente foi fazendo experimentos de exposição e ele descobriu que o mundo não tava nem olhando para ele.
>> Uhum. É muito legal, né?
>> Interessantíssimo. Deixa-me comentar algumas coisas. Não sei se a Ju queria falar alguma coisa.
>> Não, pode, pode contar >> esse exemplo. Eh, olha, primeiro, primeiro a gente tende a ser egocêntrico. Então, e egocêntrico é assim, é uma tendência que a gente tem de achar que as coisas se se dirigem a nós. Isso é assim com nós e nossos primos eh primatas também, né? Nossos eh outros com outros animais. Por quê? Por autoproteção. Se eu tô vendo que você tá jog quer arrumar esse copo da minha cabeça aí que você levantou agora, eu vou sair rapidamente aqui porque isso me protege. Mas alguns de nós t isso muito aflorado. Então é essa essa esses essas visões autorreferentes, tá? Aí, nesse exemplo aí, foi e foi brilhante para você ver que ele tá autorreferente. Ele pensava alguma coisa sobre ele mesmo da ordem do "eu sou estranho". De alguma forma ele deve ter algum tipo de pensamento, algum tipo de crença sobre qualidades negativas dele mesmo. E isso o faz passível de ser criticado e que pessoas riam dele. Certamente isso vai fazer eco de alguma coisa da infância ou da adolescência desse dessa pessoa, né?
>> E outra coisa que é interessante também é que todas essas perguntas que você fez para ele, eh, a gente poderia colocar como reestruturação cognitiva, dá um trabalho no a pessoa, esse esse azul, essa tela azul que dá, >> a pessoa não tinha pensado naquilo, porque é muito mais fácil pro cérebro com ter a certeza de que a Ju tá rindo de mim, >> n? E funcionou outras vezes, né? ele vai embora, diminui a ansiedade dele, resolve o problema, >> confirma o ciclo. Confirma o ciclo. Então você emprestou o córtex para ele >> e a gente espera que ele use isso mais vezes.
>> É, >> porque você falou que alguns eventos ali na na infância, né, de colocar entre aspas ali de traumas, podem fazer com que as pessoas desenvolvam essas essas crenças centrais. E aí, às vezes a pessoa que tá assistindo aqui, né, que às vezes um adulto jovem que tá aqui assistindo fala que tem uma crença ali que vai ser que as pessoas vão abandonar, uma crença de abandono. Então, vamos pegar uma menina, com 5 anos os pais divorciaram, o pai foi embora, ficou só com a mãe, a mãe trabalhou muito, essa menina cresceu sozinha e a partir dos 22 anos começa a ter muito problema com os namorados porque acredita que todo namorado vai largar dela. Então, o namorado some um dia porque tá ali no trabalho, não deu tempo de pegar o WhatsApp, ele vai terminar comigo, ele não me ama mais, ele vai me abandonar. É uma crença de desamparo. E aí essa pessoa tá assistindo o podcast, mas eu falo: "E aí, né? Eu não consigo voltar lá na minha lá no meus 5 anos e e não desenvolver essa crença, né? Meu pai largou minha mãe, eu acabei ficando sozinha ali, cresci meio que sozinha. Que que essa pessoa faz para combater? Porque muitas vezes essa pessoa já tem consciente, às vezes não com esse nome que a gente tá dando, né, de crenças centrais, de desamparo, mas a pessoa tem consciência. Nossa, eu tenho muito medo das pessoas me deixarem, eu sou muito noiada com os com os namorados ou com amigas. Que que essa pessoa faz, já que ela já percebeu que ela tem alguma crença que seja disfuncional assim?
Essa pergunta é muito boa. Aí você só me lembra depois de dividir pro nosso público duas coisas. Você falou aquela palavra autossabotagem, tudo bem, a gente pode usar o termo. Claro, vocês sabem disso. E uma outra é crenças eh limitantes.
>> Crenças, a galera usa muito crenças limitantes.
>> Uhum.
>> Esses dois termos aí não são termos científicos. A gente acaba usando >> Uhum. >> Eh, >> para fins didáticos.
>> Para fins didáticos, assim, tá? Eh, e aí eu vou voltar esses dois termos, você me lembra para.
>> Então, não é a mesma coisa, só para só pra gente dizer isso. São construtos muito validados na ciência de que nós temos crenças sobre nós mesmos e sobre sobre as pessoas. Aí, o que que essa pessoa faz? Primeiro, eh, o primeiro ponto, essa pessoa pode ter uma crença de desamparo, né? As pessoas me abandonam ou as ou eu sou incapaz de manter um relacionamento e também uma crença de desamor. Esses nomes, pessoal, talvez não não apareça dessa forma na cabeça de vocês. "Eu tenho uma crença de desamor". O que vai aparecer é "ninguém me ama".
>> Uhum.
>> "Sempre dá errado comigo". "Nunca consigo ninguém como os outros". "Nunca consigo". E se a gente fizer uma pergunta a mais do tipo, o que que isso diz sobre você? Aí a pessoa olha mais para si mesma. No caso dessa pessoa, né? Nossa, sempre me abandona, eu acho. Porque vou vou dar um exemplo qualquer aqui, né? Porque na verdade ninguém gosta de mim. Aí você já começa a ter uma afirmação mais absoluta. "Ninguém gosta de mim". E o que que faz de uma pessoa não gostar de você? "Eu sou esquisita", "eu sou estranha", "eu sou maluca" ou qualquer qualquer adjetivo ou "eu sou incapaz de ser amada". "Eu não tenho atrativos pessoais nenhum", né? Ok? Então ela se dá conta disso. E aí uma coisa interessante pra teoria cognitiva, essa e eh isso é muito é uma uma viagem que esses os nossos pensamentos a maioria estão errados. Então, ainda mais nesses casos em que afloram emoções, esse pensamento vai estar mais errado ainda. E errado não que a pessoa esteja, não que seja uma invalidação de que o sentimento deve estar errado, mas essa convicção, essa estrutura, essa frase, ela, se a gente colocar ela em teste, ela vai abrir, ela vai flexibilizar.
>> Uhum.
>> Então, por exemplo, se a crença dessa pessoa for, "e eu sou eh inamável", uma vez uma paciente falou bem assim, "ninguém, eu sou inamável", eh, ou "eu sou eh, >> não sou digna de rece, >> não sou digna, eu não sou digna de receber amor", né?
>> Então, a gente vai procurar provas, né? E faz, pedir provas, igual você fez com o seu paciente, dá trabalho, né?
>> Aham.
>> E a princípio gera um pouco de emoção opositora. Não, ninguém me ama. Você tá desconfiando de mim, inclusive você também não tá me amando, não, terapeuta. Vai se generalizando. Então, mas quais são os indícios de que isso é verdade? Vamos avaliar esse pensamento. Então, colocar esse pensamento de forma profunda, procurar certos provas serão fundamentais, tá? E você vai ver que existem generalizações. Certamente, via de regra, a pessoa vai encontrar generalizações.
>> O própria frase "ninguém me ama" já é uma generalização.
>> Já. Isso aí é brilhante. Quando quando a pessoa e não é e é interessante que falar isso pra pessoa de graça não funciona. Se eu falar não, vamos supor que seja você, né?
>> É.
>> Ninguém te, rapaz, te ama assim, olha seus pais, olha a sua mãe, olha o seu não sei o quê. Não funciona. É,
>> você tá falando isso para me agradar.
>> Uhum.
>> Porque o que ela crê é esse sistema aqui, esse sistema de cognições, esses esse sistema de pensamentos que levaram uma vida para serem construídas e que fazem sentido. Isso é muito interessante. Fazem sentido. Então, a pessoa é estranho, ué. vocês, isso aqui, você que tá me dizendo é é café, mas o café não é assim, é outro, não funciona. Mas se você faz umas perguntas certas para que a pessoa construa a convicção, pera aí, então não é ninguém, minha mãe me ama, mas não é tudo isso, mas também já não é mais ninguém.
>> Uhum.
>> E as pessoas às vezes não gostam, mas quando o terapeuta pede porcentagem faz diferença. Porque se você sai de 100%, ninguém me ama 100% das vezes, aí se você cair para 90%, 95, já faz uma diferença emocional absurda.
>> É, e eu acho que essa diferença emocional nem se dá tanto pela porcentagem em si, mas pelo fato dela perceber que tava distorcendo o mundo.
>> Sim.
>> Acho que isso dá uma >> tipo, opa, tem coisas a mais que eu posso escavar aqui que quem sabe estão equivocadas.
>> E aí aparece aí, lembra do da camada cognitiva? essa pessoa não aprendeu essa esse amortecedor cognitivo e de repente ela começa, quer dizer que ela começa a ter outros tipos de.
>> Você já tinha criado esse termo amortecedor cognitivo ou foi agora?
>> Não, eu escutei isso de outros professores. É, é um Tanto que >> eu escutei inclusive de um psiquiatra que ele falou >> que me corrija se eu tiver errado, que alguns antidepressivos, foi o que ele falou assim falando num num num para um público, ele falou assim, algumas pessoas que usam antidepressivos, eles algumas, né, olha, eu tô melhor, mas parece que eu tô anestesiado.
>> Uhum.
>> Eu não consigo mais chorar.
>> É mais apático, né? Mais apático. Aí esse esse esse esse médico tá falando que ele que o antidepressivos, não vou saber explicar, deixam a amígdala amortecida. Então os eventos não te não te afetam tanto quanto afetavam.
>> Aí.
>> Você fica menos reativa ao estímulo ali, né? O que é ruim também, né? Então isso não é o não é o objetivo tratamento psiquiátrico, né? A gente gravou uma série aqui falando sobre isso, eu e o Wesley, mas >> que a gente precisa sentir emoção, só que eh adequadamente responsível aos estímulos ali, né? Então a gente, a nossa amígdala responde ao medo, mas ela precisa responder de fato aquilo que traz perigo, né? O problema que a gente trouxe dessa distorção cognitiva, né? Essa primária aí de de catastrofizar as coisas, é porque o medo que a pessoa tá sentindo é desproporcional ao evento, né? A pessoa ela tem uma reação que é muito maior do que aquilo que o evento pode causar. É essa distorção que a gente tá falando. Mas essa é um é um possível efeito do antidepressivo. Sim.
>> Aham. E claro, aí um outro contexto, aí você saberia explicar muito melhor, mas aí a pessoa que fez essa, ela reestruturou, então ela essa, esse amortecedor cognitivo, ela começa, ó, então quer dizer que tem coisas, quer dizer que eu não tô vendo direito as coisas, já começa essa camada de significado. Então às vezes eu não vejo as coisas direitinho, aí já começa outra. Então na verdade pessoas me amaram sim, não do jeito que eu gostaria. Talvez isso não dependa de um fator intrínseco a mim. Então ela vai construindo essa outra rede de significados. Os autores dizem que essa outra aqui não some, ela fica lá, né? Outros dizem que ressignifica, né? Eu gosto das teorias, porque eu vejo isso mais na prática de que a gente vai que essa aqui não some.
>> É, eu também acho.
>> E, né? Po, >> até a luz do que a gente sabe de neuro. Tá muito difícil desaparecer. Como é que vai sumir o grupamento de neurônio? Vai desaparecer o grupamento de neurônio? Muito difícil. Talvez o que faça é assumir a a manifestação enquanto a pessoa tiver aquele ali amortecendo ou sufocando, né?
>> Essa aqui vai contrabalancear.
>> Sim. ou consegue fazer a racionalização mais automática ali. Então vem o pensamento, mas logo a pessoa já faz essa essa esse questionamento socrático interno, né, sem o terapeuta externo >> e já consegue meio que resolver essa distorção. E assim, todo mundo tem crença assim, Kurt? Tem alguém assim na face da Terra que não vai ter nenhum tipo de crença?
>> Bom, a todo mundo tem.
>> Todo mundo tem.
>> Todo mundo tem. Então, mesmo que a pessoa que tá assistindo nunca foi no psicólogo, nunca foi no psiquiatra, gosta do conteúdo aqui do podcast, mas nem tá com um problema sério, essa pessoa também tem uma crença negativa sobre si.
>> Tem, mas ela pode não estar com a valência, uma força tão grande, vamos chamar assim. Os os eh os 55%, pelo menos a última estimativa que eu vi, das pessoas do mundo que não tem transtorno mental. Você já viu? Então, a a porcentagem de pessoas com transtornos mentais é juntando todos é muito alta, né? Enfim, aquelas pessoas que não tem, que pelo que eu vi deu 55%, mas aí muda.
>> Eh, eu tem vários várias métricas, né? Então vou pegar uma mais conservadora de de de 70%, já muda bastante, não tem que >> não tem, mas muda, né? Se você juntar todos >> todos os transtornos mesmo.
>> É que se você coloca fobia específica, todo mundo vai ter, né, alguma coisa que que ali, né, eu tenho fobia específica de cobra. Se eu ver uma foto de cobra ali, eu já já saí de perto. Então é uma coisa que não é disfuncional, até porque eu não vivo no na selva ali, eu não vejo cobra no meu dia a dia, mas é uma fobia, é um transtorno, né? Então, >> por isso que >> Mas tem várias métricas, né? Mas pegando aquelas pessoas normais, não t transtorno mental, não tem disfunção psicológica, essas pessoas também têm crenças, mas são adaptativas, funcionam, nos funcionam, produzem maestria, domínio e resolução de problemas, busca de resultado, funciona perfeitamente. Tanto que todos nós conhecemos pessoas que você fala: "Rapaz, essa pessoa tem a cabeça dela, né? Essa pessoa aí é um sei lá, um um paciente uma vez fala: "Ah, meu pai é doido". O pai pode ser completamente normal, mas o pai tinha um jeito de fazer as coisas que funcionava muito bem para ele. Então, essa pessoa tem suas crenças, vou vou chutar, tá? Eh, "eu eh as pessoas só querem se dar bem", então esse pai fazia tudo para se dar bem também, mas tava funcionando. Não não era necessariamente um sinal de problema, não havia disfunção, não havia sofrimento nem para ele, nem outras pessoas. Então, todo mundo tem essas crenças. Agora, quando a gente enfrenta problemas, essas crenças elas explodem, elas emergem, elas se consolidam, elas se ativam. E às vezes acontece aqueles aquelas coisas, aqueles momentos de eh de desencadear, né? A a as as pesquisas mostram o seguinte, então você tem quanto mais eventos negativos você passou na sua vida, maior a chance de você ter depressão. Então isso é quantificado. Então você na infância você teve que mudar de cidade várias vezes, mas ok, você passou numa boa. Na adolescência seu primeiro namoro deu, não foi? Deu errado. Ah, se por motivos você também reprovou um ano. Então, vamos contar aqui uns quatro eventos negativos.
>> Aí a pessoa reformando pensamentos, ela ainda não tá doente, ela não tá deprimida, mas ela pode ser mais melancólica, ela pode ser mais pessimista, mas ela ainda tá funcionando muito bem. Mas chega no emprego, né? Faculdade, formou na faculdade. Eh, até vou colocar uma coisa mais adaptada. Então, tá ali na começando a faculdade, fala: "Nossa, não sei se era isso que eu queria mesmo, não. Comecei mal nas provas." Aí esse evento último, né, mais próximo assim, meio que junta todos os outros eventos negativos e cria uma espécie de coerência interna. Boa.
>> "Tudo dá errado comigo."
>> Boa.
>> Como se fosse uma massa que abraçasse tudo e transformasse num bolo gigante assim.
>> Assim, na linha do tempo dessa pessoa, teve vários marcos que mostravam para ela, assim, deu deu deu provas para ter essa afirmação interna dessa crença, né?
>> Aí chega um momento ativador que essa rede de crenças aí, né? Esse conjunto de formas de ver o mundo, é uma uma linha se forma, uma conclusão se forma. Tá vendo como eu realmente sou? Tá me vindo palavras aqui agora? Tá vendo como realmente >> é? Eu sou sou.
>> "Não consigo fazer."
>> "Não consigo fazer as coisas."
>> "Todo mundo é melhor que eu."
>> Aí vem aquela frase, né, do pai ou da mãe falando, o pai lá tá vendo? "Você acorda pra vida."
>> Hã,
>> "Você não brinca em serviço, você não quer nada com o Brasil."
>> Aí a namorada que saiu, o namorado que >> tudo vai se confirmando, aí a pessoa deprime, né? E aí, se ela não for tratada rapidamente, essa crença vai se junta aí o viés negativo, porque tudo começa a confirmar, né? A a crença, tá? Tô tô mal, nada dá certo para mim. Olha aí minha minha nota. Até passei de ano, mas eu passei arrastado. Aí confirma mais uma vez que a pessoa não tem jeito, que a pessoa é errada, estranha ou que não tem jeito para as coisas.
>> Uhum. O que não sabe o que quer da vida, vai confirmando isso. E quanto mais tempo se passa sob a ativação de uma crença central dessa negativa, maior a chance de que essa pessoa perdure na depressão.
>> Ã, só acho que exemplo, >> beleza. Antes da gente ir para um para um próximo momento, que eu eu gostaria de explorar mais a parte comportamental do negócio, você falou que iria elucidar dois termos, que é a >> autossabotagem. e crenças limitantes. Só para o pessoal entender que que isso que a gente tá falando aqui não é >> sim >> nos nomes técnicos, né?
>> Se vocês estiverem ouvindo esse isso não é igual a crença limitante, que é um outro conceito que algumas pessoas usam para dizer que são barreiras, eh, são crenças limitantes que me impedem de ter sucesso. Geralmente tem relacionado a sucesso. Então, não é a mesma coisa. esses treinamentos mais ligados a essa parte do coach, né, que usa esse termo de crenças limitantes. A gente tá falando de da TCC de crenças centrais ou crenças nucleares, né, que são esses que são conceitos muito técnicos e sólidos, tá? Então, algumas pessoas ficam avessas ao termo, né? Eh, e o outro é autossabotagem. Geralmente nós da área psi a gente não gosta desse nome autossabotagem, que é como se você de propósito fizesse coisas contra >> contra você mesmo. Então meio que é um é um paradoxo. A gente usa isso na na linguagem, né? Mas o que existe, na verdade, não é autossabotagem, é eh eh é você ficar mais controlado. Deixa eu de uma forma bem bem simples, não há problema usar o termo autossabotagem, mas o que acontece é que você se esquiva e isso confirma >> Uhum >> seus pensamentos mais negativos.
>> E, e Kurt, como é que, beleza, a gente compreendeu a parte cognitiva da coisa, né? Acho que tudo que a gente falou aqui, para quem aí eh tá ouvindo e já se deparou com o termo terapia cognitiva comportamental, veja que tem dois dois termos, né? Cognitiva comportamental. Até agora, o que a gente falou aqui basicamente compreende, engloba sem esgotar o tema, a parte cognitiva, né? E a parte comportamental. Então, pegamos um paciente que tá com depressão, eh, construiu todo esse repertório de pensamentos, crenças e ideias sobre si mesma e sobre os outros e sobre o futuro, que faz com que ela fique nesse quadro de descrença mesmo, esse monte de pensamento ruim sobre ela mesma. Como que a parte comportamental pode ajudar e qual que é a lógica por trás?
Na concepção das terapias cognitivo-comportamentais, está tudo junto, né? Não é não é separada a cognição do comportamento. E tem outra palavra aí que deveria aparecer, mas não cabe tanta palavra assim, que é a emoção, né? Eh, terapia, cognitiva, emocional, com não cabe tudo. Então, em termos >> eh de de de eficiência linguística, a gente fala TCC, né? Mas essa pessoa, vamos que que tá eh paralisada, por que que ela, uma pessoa que tá paralisada na vida e triste, o que que ela geralmente pensa?
>> Ela não tem esperança, né? As coisas não vão melhorar.
>> Esperança, não vão melhorar. As pessoas pensam aí, as coisas não vão melhorar. Nada que eu não tenho saída. Não tem jeito para mim. Essas são as cognições. Não tem jeito para mim. A minha vida perdeu sentido. A minha vida não tem sentido. Eh, eh, tudo dá errado para mim. Eu não tenho valor nenhum. Eu sou inferior. Eu não sou realizado. São todas essas frases que as pessoas pensam. São todos esses são pensamentos que as pessoas têm. Quando a pessoa sente, pensa isso, faz sentido de que elas se sintam de formas compatíveis, né? Bem, eu sou inferior, você fica até para baixo, assim, você fica derrotado, né? Abatido. O abatimento gera comportamentos também alinhados, passividade, inatividade. Eh,
>> então assim, já que eu não vou melhorar mesmo, já que eu não tenho esperança, eu não vou sair para correr.
>> Exatamente.
>> Eu não vou comer certo.
>> Para quê?
>> Para que que eu vou fazer se não tem esperança, né?
>> Em níveis extremos, toma banho, higiene?
>> Não, tomar banho. Sim, isso a gente tá falando num quadro, a gente pode falar que a gente tá falando de um quadro paciente com depressão já assim, né?
>> Sim.
>> E e bem grave, né? Esses de parar de tomar banho, etc. Vamos pegar aquela aquelas depressões que a maioria das pessoas têm, que pessoas estão trabalhando, que estão rindo e estão fazendo suas coisas, mas pensam: "Nossa, a vida é uma >> Aham. >> uma merda."
>> Tem uma nossa vida as pessoas aí as começam a pensar também sobre o mundo, né? Tudo da que mundo ruim. As pessoas só querem, são muito egoístas. Aquele pessimismo, se você for muito, muito, muito pessimista e amargo, provavelmente você precisa de uma ajudinha.
>> Uhum.
>> Quando está exagerado.
>> Até porque se você não tá dentro de um diagnóstico agora, nesse estilo de encarar o mundo, a chance de isso
Escalar para um diagnóstico é enorme, né? Porque as suas relações vão ficar sustentáveis a médio prazo, né?
Sim. Então, do que que adianta fazer? Não adianta nada, eu vou tentar. E na internet, no naqueles marcadores, tem pesquisas sobre conteúdo de fóruns, daquelas plataformas. Então, eh, na época do, eu acho que pode falar o nome da Facebook, Instagram, o Redit, aí tem as pesquisas que que medem a quantidade de palavras e de frases que as pessoas colocam no nesses nesses fóruns, né, nessas mídias sociais.
Primeiro, muit é muito, tem muito jovem, é absurdo a quantidade de jovem sofrendo. É muito doloroso isso. Pessoas que estão no mundo de trabalho, mas que, ah, hoje quando eu cheguei do trabalho, eu só chorei. E fazem memes com isso. Isso é um reflexo. Claro, existe, é legal porque é engraçado, mas também reflete uma realidade que tá aí, né, que que as pessoas não estão gostando muito das próprias vidas.
Uhum. Eu não gosto da minha vida, a minha vida é ruim. Então tudo isso para para ir pra sua pergunta, não? Todas essas frases, esses pensamentos geram eh comportamentos também. Se eu penso que que a vida é ruim, para que que eu vou sair no final de semana? Para que que eu vou mudar de emprego? Para que que eu vou estudar?
Ã, então essa é a são as esquivas que a gente chama, né? Ó, sabe de uma eh, isso aqui não leva nada. Hoje de noite eu vou beber até cai os dentes, ou então vou realmente fazer essa loucura aqui. Só se vi de uma vez, a vida já não tá tão boa mesmo. Você vai acumular e mais eventos negativos, vão confirmar suas seus pensamentos ruins sobre o mundo. E a gente não tá dizendo que o mundo é maravilhoso, não, né? Mas você pode se adaptar ao mundo. Isso e eh vamos dizer assim, isso seria um realismo, talvez vocês diriam assim dessa forma.
Acho que sim. É, acho que sim. Um realismo. Então, dá para se adaptar ao mundo, dá para viver bem no mundo. Felicidade é um outro, uma outra área aí, né? Dá para você se adaptar ao mundo. Essa é uma mensagem de otimismo realista.
E qual que é a lógica de a gente fazer uma intervenção no comportamento dessa galera? A lógica é que se as pessoas não mudarem o que elas fazem, elas continuarão sentindo o que elas sentem e pensando o que elas pensam.
Então, então você diria que o comportamento dentro dessa lógica, ele necessariamente e foco no necessariamente, agora a gente vai fazer um pequeno parênteses na parte eh leiga do assunto e vamos vou fazer uma pergunta um pouco mais técnica. Ah, tá certo. Você acha que o comportamento dentro da TCC, a parte comportamental precede a cognitiva? Isto é, se você tira isso, não mexe no cognitivo?
Ó, essa é uma pergunta maravilhosa. Os estudos mostram que como é que eu posso responder as do o que eu tenho estudado ultimamente é que é interligado, não é nem um nem outro que ganha, né? Digamos assim. Tem intervenções só para cognição e tem intervenções só para comportamento. Quando se dá isolado, quando se dá isolado. Isso já foi testado e tem muita tem metanálises mostrando pra depressão, no caso, né? Dá igual o resultado. Agora, uma coisa que é interessante, ou seja, você pode começar por um ou por outro. Então, a primazia cognitiva é questionável, não, você não precisa diretamente atuar só na cognição, você pode partir direto pro comportamento, né? Tem estudos consolidando isso.
Então, mas o que que os dados mostram aí? Nesse nessas pessoas aqui, no grupo que fez só intervenção cognitiva, aí eles medem, além dos sintomas da depressão, por exemplo, eles medem também o quanto de distorção você faz e o quanto você tá ativo. Então, a intervenção cognitiva melhora os dois, seus pensamentos e seus comportamentos. E a intervenção comportamental mexe nos dois também, no comportamento e na cognição, sem ter lidado diretamente com ela. Aí, nessa hora aí, o que a gente pode pensar é que sim, a cognição tem um papel muito central, porque não é não era para mudar, em tese, né, sem intervenção comportamental, não era para mudar o cognitivo, mas muda sem eu atuar diretamente sobre ela. Então assim, parece que tá muito interligado e o que você faz com seu comportamento muda o que você pensa.
Ô Curte, a gente vê muito na clínica, ainda mais você que é referência em na parte de humor, eh esses pacientes que passam por longos períodos em episódios depressivos que duram, na verdade não é um episódio ali, né, que que duram anos ali, aquela depressão não tratada ou maltratada. E esse paciente ele vai cristalizando esses pensamentos. Então essa cognição ela vai se tornando uma massinha cada vez mais difícil da gente modelar, porque essa crença das coisas não vão melhorar durante 20 anos sendo reafirmadas, elas ficam muito difíceis dentro da da dessa dessa questão da gente trabalhar só o cognitivo do paciente, né? Então, a gente vai por essa via da ativação comportamental, assim, o que que seria esse esse modelo de tratamento, como que a gente trata através do comportamento?
Então, esse é o tema do meu pós-doutorado, inclusive essas pessoas que têm depressão resistente ao tratamento ou depressões difíceis de tratar, né? Então, eh, que realmente é um desafio, não é a maioria das pessoas, então uma porcentagem aí de 30% são essas pessoas cristos deprimidos. dos deprimidos não respondem a medicação. Nossa, mas é bastante, né? É bastante, né? É, eu acho pelo menos bastante, considerando que o 30% resistente ao tratamento é um número, é, e a gente fala resistência quando a pessoa já tomou no mínimo dois antidepressivos em dose máxima. Pois é, ou seja, paciente tá um ano de tratamento sem melhor. Por isso que eu acho que é bastante número alto, né? Não melhoram com tratamento. Aí junto junto com isso aí pode ser que tenha medicamento que faça essa pessoa eh melhorar. tem intervenções psicológicas que se mostram eh efetivas para esses casos de depressões resistentes, mas existem aquelas ainda que são difíceis de tratar, que aí entra uma série de comorbidades e dificuldades de vida, entre problemas de personalidade, contexto de vida, presença crônica de estressor, igual desemprego, pessoas de 40 anos que são dependentes dos pais, né, sem nenhum eh demérito, faz parte. eh acontece, eh, mas que ainda tão com depressão, ainda tem ali uma dependência de substância, são muito ansiosas e não trabalham. Então, é um estressor crônico, não muda. Essa pessoa tá pensando o que? Não tem remédio, que vai mudar esse contexto inteiro, né? E aí, voltando pro que você disse, aí tem aí tem as fases, vamos chamar assim, tem um estadiamento dessa da gravidade, vamos dizer. da cronicidade. É melhor falar de cronicidade do que da gravidade. Às vezes nós temos uma uma depressão ou uma ansiedade também, né, muito intensa, mas que se resolve facilmente. As mais difíceis são aquelas que são medianas, mais crônicas, né? Mais crônicas, 6 meses, 1 ano, 15 anos, seja de ansiedade ou de depressão ou de outros transtornos, né, Ju? e pra gente englobar eh outras outras outros termos. Então, se foi pouco tempo, as terapias cognitivo comportamentais ajudam muito. Tem que ter o remédio, tem que ter para depressão, tem que ter o remédio. Não tem a melhor escolha assim para para ainda ainda mais se for muito muito tempo, né? Aí nós podemos mudar o planejando, pedir para que essa pessoa reengage da vida, reenga gradualmente.
Esse aí é o princípio da ativação comportamental. O princípio. Hoje em dia a gente começa geralmente com essa intervenção. Eu posso escolher, claro, começar com explorar temas do passado, posso. Mas de forma geral, reenajar na vida é o primeiro passo.
O que que seria reengajar na vida? voltar a fazer o que você parou de fazer, o que você gostava. O que você gostava ou eh de forma geral, é isso.
Vamos voltar à vida, vamos ressurgir, vamos renascer, vamos metáforas, né? Eh, vamos eh renascer, vamos começar de novo. Aí você vai ver que essa pessoa foi parando de fazer uma série de coisas, como você falou, tomar banho, né? Mas mas que é uma coisa mais simples de ver os amigos. A primeira coisa que vai embora é a socialização de uma pessoa que tá mal. Ela vai ficando, cada vez ela vai perdendo as a as como é que eu chamo? Os pontos de contato. Os pontos de contato, ela vai se fechando.
Então, só que também é o mais difícil de reativar, né? Então, você tem que tente ver uma pessoa que seja que você sabe que vai te receber com sorriso. Ah, mas eu não tenho ninguém. Outra, outra outro outra suposição, outra crença central. Eu não tenho ninguém. Aí vamos escrever aqui as pessoas, vamos fazer uma um círculo aqui daqueles mais aí tem sempre tem uma pessoazinha, mas tem pessoa que tá muito isolada mesmo, você não conhece nem quem são os pais e você tem que ligar meio que para pro SAMU, aí você pode eh falar melhor disso, que são casos de emergências, né, de pessoas completamente solitárias que só manda a mensagem a Deus. Aí esses casos fogem a qualquer protocolo. A gente tem que ter.
Então começamos por esse engajamento. E uma outra coisa que a gente começa também é trabalhar pequenos objetivos. Que que essa pessoa quer da vida? Qualquer coisa. Primeiro pensamento que vem nessas pessoas, el não quero nada, não tenho o que desejar, não tenho o querer. Mas aí você começa a ver. E é interessante, né? Umas vezes eu peço para que as pessoas olhem para essa mesa aqui, né? O que que te dá vontade? Você tem vontade de fazer alguma coisa aí com essa mesa? Qualquer coisa vai me contando. Ah, o fio tá embolado. Você queria desembolar o fio? Aí a pessoa é que já porque faz parte da biologia da gente fechar essa tampa, quer resolver problemas, quer resolver problemas, faz parte da nossa biologia. Exente. Então você já reinicia assim dessa forma. Isso aqui não vai mudar a vida da pessoa, né? Mas tá vendo? Então você fez e aí quando você faz isso, se você prestar atenção, você vai ter um pequeno segundo de gratificação que é gostoso de sentir, dá para fazer mais, podemos. Então, às vezes, é pessoas muito graves, juntar o sapato. Uma vez eu ajudei um paciente a colocar a meia dentro do sapato que ele tirou, deixava lá largado, ele botou, pronto, já dá uma dignidade para ele.
Será que eu respondi a pergunta? Sim, sim, sim, sim. Interess e o legal, acho que nesse ponto é porque são realmente pequenas coisas, né? Não é você correr uma maratona, né, ou fazer um Iron Man, é você começar com pequenos objetivos que aquilo vai te dando recompensas e talvez alterando aquela forma de pensar que você tem sobre você mesmo, né? Isso é, tem um outra, um outro dado, um outro dado de pesquisa, então vamos pensar que existem dois grupos de pessoas. Aí de novo aquela conversa que a gente teve da personalidade, de personalidade, né? Tem várias formas de classificar, não é, Ju? Não é? A o nossas personalidades, né? Aí tem uma até antiga que é tem dois tipos de pessoas. Tem pessoas sociórópicas, não sei se vocês já viram esse nome, e autônomas. De novo, toda descrição de personalidade tem várias limitações. Ninguém é uma coisa só, às vezes não é bem aquilo. Mas isso é interessante que marcou a a a terapia cognitiva para depressão. As pessoas sociotrópicas, elas precisam de relacionamentos muito. Então, eu vou pensar sempre se eu tô sendo querido, se eu tô sendo desejado, se eu tô sendo gostado, se eu tô agradando. Tem pessoas que precisam muito disso, dessa aprovação, né? Dessa aprovação. Isso não é doença, não é doença necessariamente. É uma característica, é um traço da pessoa. Nossa, será que a pessoa gostou? Eu preciso ver pessoas, eu preciso ir fazer uma coisa com alguém, eu preciso da validação de fulano, de fulana, eh, eu quero pessoas. Então, tem gente que é muito focado em relações, não apenas amorosas. Eu preciso de gente. Maravilha. E tem pessoas que são mais voltadas a objetivos, conquistas pessoais. Então, eu preciso encher essa essa garrafa de água, eu preciso ir ali e cortar aquela árvore. Eu preciso ir ali e construir minha casa. Eu preciso ir ali e consertar o pneu do carro. Eu preciso ir ali. Eh, eu preciso ser mãe. Eu preciso n coisas que t a ver menos com a socialização e mais com realizações. Essas pessoas deprimem menos. É um dado e aí é por isso que a gente fala, então se você o o nosso o nosso operador de áudio que lançou um caraca, não significa que tá dando para entender o a gente tá atingindo nosso objetivo. Olha, então legal. Desculpa, curte. Não, que bom então que teve esse esse esse reforço, né, da eh, então tem de novo, gente, toda classificação tem limitações. Ah, não sei, mas será que essa pessoa também, esse esse grupo aqui também não tem essas metas? ação antiga que a gente tinha do extrovertido pro introvertido, porque a gente não tá falando dessa característica de Pois é, mas poderia ser, né? Poderia ser isso aí. Então, de novo, isso aqui tem hoje em dia é eh essas classificações se atualizaram, não é mais só essas duas, mas de fato aquelas pessoas mais voltadas para objetivos tendem a deprimir menos. É porque objetivos e recompensa mantém você ativo e com humor estável.
Bem, e eu acho que até fazendo um paralelo com a Big Five, que é acho que uma das formas mais completas, cientificamente falando que a gente tem hoje de descrever a personalidade, isso seria uma pessoa conscienciosa, né? uma pessoa movida por objetivos, uma pessoa voltada pro objetivo que consegue falar assim: "Bom, daqui 40 dias a gente vai fazer uma call e curte para falar sobre um assunto tal e às 8 da noite." Aí a pessoa conscienciosa, ela não, você não precisa mais falar para ela, ela vai est lá daqui 40 dias, às 8 horas da noite e você não precisa lembrar, você não precisa falar, ela não vai atrasar porque ela vai organizar a vida para tá lá. E isso ela faz em outras áreas. O que os estudos mostram hoje longitudinais e tem excelentes com cortes de normes que acompanham por um monte tempo. Essas pessoas com esse traço de conscienciosidade aumentado, elas tendem a ter muito mais não só sucesso profissional e mas também sucesso pessoal. Elas se divorciam menos, elas têm são mais protegidas contra desenvolvimento de transtornos mentais. Eh, e um ponto legal que parece que os estudos estão mostrando, apesar de ser um traço de personalidade, que teoricamente é estável, né, por ser um traço da personalidade, eh o que os estudos têm mostrado, os longitudinais, é que esse traço de conscienciosidade tende a aumentar um pouco com a idade, porque principalmente depois de uns 20 anos. E a hipótese é por conta dos papéis sociais que você começa a assumir, você começa a trabalhar, você começa a ter relacionamentos mais duradouros, você tem que ser um pouco mais responsável. E esses papéis sociais induzem a sua mudança nesse traço. Então não é que a sua genética muda o traço e faz você é o ovo e a galinha, né? Primeiro vem você assumir papéis sociais e depois vem a mudança no traço, porque você se colocou num sistema de contingências que força você, senão você vai ser punido. Você não pode ficar chegar atrasado no trabalho, você não pode deixar de trabalhar porque senão você vai ter uma punição. Você não pode um relacionamento trair, senão você vai ter uma punição. Então é muito legal porque mesmo esses traços que são constantes e claro que uma pessoa que nasce com uma influência genética maior na conscienciosidade, quando chegar a vida adulta, ela já, digamos, vai dar um salto maior que a média que nasceu. Mas todo mundo comparando com o seu basal aumenta um pouco esse traço de conscienciosidade, principalmente quando consegue se submeter a essas a esses universos que forçam isso a acontecer, né? O neuroticismo tende de abaixar um pouco com a idade, porque a pessoa ser muito preocupada, né, com responsível afetos negativos, eh, acho que no senso comum seria aquela criar casca, né? Você você já não fica mais inflamado com qualquer coisa, né? Você começa a ter outras prioridades.
É, é bem interessante esses estudos sobre personalidade que parece que tem essas mudanças.
Sim. E e de certa forma acho que o terapeuta ele no final do dia tenta aumentar a conscienciosidade do paciente, né? Tenta fazer com que ele se engaje em metas. A própria terapia acho que é uma configuração, aumenta o nível de consciência em relação a essas evitações, esses comportamentos, né? Eu acho que a essa questão, eles colocam no fator idade, mas eu entendo que talvez seja mais a questão do contexto do que a idade numérica ali em si, porque a gente percebe que, por exemplo, homens que são casados, aí convivem mais com amigos que também são casados ou famílias que têm filhos, vão conviver mais com famílias que têm filhos. Isso vai forçando uma responsabilidade que talvez nem era inata do cidadão, nem era um desejo o não gastar dinheiro. Às vezes a pessoa até mais impossível para gastar dinheiro, mas ela vê ali que ela tem uma necessidade, já tem um filho, já tem uma filha, eu preciso eh eu tenho que cuidar de mais pessoas além de mim. Então eu acho que nessa questão da personalidade tem uma questão de maturidade mesmo, de idade, de crescimento, de evolução, mas é uma questão da do ambiente. Você muda o ambiente que você convive e você começa a pensar mais parecido com as pessoas que você tá convivendo mais, né? Acho que tem esse fator também que é importante, né?
E por isso que geralmente quando a pessoa consegue se enquadrar, você tem uma série de outros fatores protetores, né? como os próprios relacionamentos. relacionamentos são, acho que hoje uma das coisas que que é mais protetora contra o desenvolvimento de é de todos os estudos que falam, né, sobre felicidade, a gente não tem uma eh happen, né, a gente de felicidade assim, de bem-estar, eu acho que eh eu acho que talvez essa seja a melhor palavra para definir, esse bem-estar geral que a gente chama de de saúde, o relacionamento é é muito protetor, né, cultivar boas relações. E aqui, né, acho que todas as vezes que falo de relacionamento, às vezes a gente se remete a família ali de origem, mas são os relacionamentos que a gente cultiva, né? Então se você, essa pessoa não tem irmão, os irmãos da vida ali, os amigos ou relacionamento amoroso, então cultivar boas relações como como proteção da saúde aí no geral. E, né, isso é curioso porque aí dois pontos, né, você a gente tem um transtorno da personalidade dependente. Então, olha como a como são as coisas, mas a gente não tem um transtorno da personalidade independente, seja, ou seja, o que é mais valorizado é a independência, né, de eh só que o que mais produz disrupção são as dependências excessivas, assim. Então, eu só queria pontuar interessante e esse essa questão eh e que dentro das nossas próprias tendências de personalidade existem os nossos limites. Então eu acho que às vezes a gente escuta, uma as pessoas com quem a gente trabalha escutam, quer dizer que eu preciso fazer mais relações sociais, mas eu não gosto, não é meu estilo. E é verdade, essa pessoa tá certa, não é seu estilo, você não vai forçar um outro padrão, mas você vai e cultivar o que você tem às vezes. Às vezes é tudo, tá? o pessoal naquela rede, tem umas redes de de eh Discord, eu acho, né? Tem tem muitos, uma pessoa aqui, outro lá na China são pessoas que conversam. A mais calorosa é as são as presenciais, realmente, mas dentro desse mundo complexo, essas relações também à distância elas elas ajudam.
E não é numerosa, né? Se tiver uma pessoa que, meu Deus, sua relação é muito boa, já é fantástico, não é um, você não precisa ter 30 amigos, né?
E e eles se empatizam, sabia? Porque às vezes eles tão eles têm o mesmo, tão lá dentro do quarto jogando videogame, eh, infelizes com a vida, encontra outra pessoa que tá ali no mesmo grupo, que empati sábia, eles se preocupam uns com os outros. Agora é uma pena que às vezes eles não quebram isso para buscar ajuda de fora, né? ficam muito presos nesse mundo e não você não tem o suporte de de ir no médico presencial para por exemplo. Eu adoro pedir para que as pessoas que estão muito isoladas marquem uma consulta que já vê ali o dentista, o médico, qualquer pessoa, você vê aí você já muda um pouquinho da da digamos assim da da socialização. Já é um parâmetro o cabeleireiro, né? Você, você conversou com seu cabeleireiro, com seu barbeiro, tá na hora de ir, já faz três meses que você não vai. Eu eu lembrei de uma paciente agora que que ela faz terapia comigo e ela fazia dois meses que ela não sai de casa e eu falei: "Qual que é o lugar que você mais gosta de ir?" Qualquer lugar no mundo. Ela falou: "O lugar que eu mais gosto, que eu mais sinto bem é um spa que eu vou, que tem uma massagista que é ótima. Eu não sei nem o nome dela, mas eu sei que na hora que ela solta minha coluninha, eu me sinto bem". Falei assim: "Então isso vai marcar". E aí fazia dois meses que ela não saiu de casa, não tinha esse estímulo. Ela falou que na hora que a massagista colocou a mão nela, teve uma crise de choro assim, que ela pediu desculpa pra moça, teve que sair, que ela falou assim: "Juliano, meu, eu eu tive a convicção ali que fazia 3 anos que ninguém me tocava." Olha só. e não num sentido de uma conotação sexual, não de ninguém pôr a mão nela, de abraço do mais, porque trabalha em home office, eh, não é casada, mora numa cidade onde ela não tem amigos e fazia anos que ela não ia fazer essa essa massagem. Fazia dois meses que eu não saí nem de casa, só pedia coisas pelo iFood ali para de mercado. Então, a gente sente falta desse desse toque. Não precisa ser de de inúmeras pessoas. às vezes é um amigo, às vezes é um filho, um primo, um tio, uma pessoa que seja significativa na sua vida, mas que vai estar ali com você, né? Então acho que que principalmente para quem para quem não precisa sair de casa para trabalhar, né? Cultivar esses momentos, mesmo que de forma forçada ali toda quinta-feira ir no vôlei, toda quinta-feira ir no futebol, é uma forma de se manter ativo socialmente. Um paciente meu que é padre falou: "Eu estou inativo socialmente". A pessoa estar ativa socialmente, né, de de estar se fazendo esse movimento prósocial, né? E e algumas pessoas, né, eh vão olhar para essas frases eh e vão pensar de forma de compatível com as crenças negativas. Ah, isso aí é uma bobagem. É que é mesmo, deve ter um monte de gente pensando nisso agora. Então, se você pensou nisso então olha como funciona. Não é só uma massagem, né? você tem uma ativação poderosa de uma série de de circuitos. Você muda, faz a diferença. É um dado, né? Sua mente tá dizendo que não serve, porque quer confirmar o que suas convicções, né? Mas quando você faz, a chance de dar certo é muito grande. de de de produzir uma melhora, ali na hora. Não é tão ruim quanto sua mente tá dizendo. Aham.
E sabe uma coisa que eu lembrei que essa essa semana teve teve uma uma ação do do RD falando de relacionamento, né? E e vendo o conteúdo, eu fiquei pensando do quanto que tá difícil se relacionar, né? Tá eh de de forma geral e de forma amorosa. E aí a gente tá falando, já que todo mundo tem crença, a gente tá falando de duas pessoas que nasceram de dois pais diferentes, de duas mães diferentes, com crenças diferentes que se unem ali por desejo, por atração ou por terem um objetivo em comum. E aí, como que faz assim, curto? A gente tá falando de duas pessoas completamente diferentes, com crenças diferentes quando se juntam assim, como que qual que por que dá esse choque assim? O qual que é o que que você vê de maior problema assim nessa questão de conflitos de crenças ali?
Bom, eh, é um conflito de, o que eu mais vejo é conflito de expectativa. O que que as nós entramos em relacionamentos conscientemente ou conscientemente ou não, esperando coisas? A gente espera, a gente espera coisas desse podcast. Eu espero alguma coisa quando vou beber essa água. Espero uma coisa ali do nosso colega Sidney que tá ali no no nos bastidores, da laí, enfim, a gente espera coisas e tudo bem. Agora, num relacionamento, eh, esse choque, parece que as pessoas têm muito mais liberdade hoje. Então, em algum momento a relação vai, o outro não vai te dar o que você espera. Então, isso em termos de frequência é o que eu mais vejo. São expectativas não correspondidas.
Ô, mas no mundo de hoje isso deve, porque por internet todo mundo é bonito, todo mundo não sei o quê, né? Aí, junto com isso, tem um outro fenômeno da modernidade que é uma sensação de que você pode trocar facilmente, que não é tão verdade assim, né? Então, bom, então essa pessoa já quebrou minha expectativa, então não serve para mim de jeito nenhum. Aí a pessoa ou fica infeliz porque fica com medo de de tentar novamente ou não se flexibiliza para poder construir uma relação, porque é uma construção, né? Na verdade, quem vê uma, quem estuda relacionamentos, tem a parte do sentimento, mas também tem a parte do da quantidade de coisas que as pessoas fazem pelo bem da relação em si. Não sei se eu se se responde.
Sim, sim, sim, sim. É, eu vocês enxergam muito isso hoje no consultório, o pessoal tendo dificuldade de cultivar um relacionamento.
Nossa, muito. Mas eu acho que é que a a questão principal que que eu concordo com você que é essa questão de de expectativa é de alinhamentos básicos assim, que quase que se faz num primeiro encontro assim de objetivos que que a pessoa espera da vida, que senão a gente pega uma pessoa com perfil ali mais de de, né, de muitas metas ali, mais workahólica assim, né, de metas trabalho. E outra pessoa que assim é mais acomodada e essa pessoa não tá errada de ser acomodada. O problema é quando você pega uma pessoa extremamente acomodada, um extremamente incomodado e quer que dê certo dentro do mesmo casal ali, sem uma sem uma convergência de objetivo, de quero casar ou não, quero ter filho ou não, quero morar na praia ou não, quero o que que eu quero paraa minha vida. Porque se o casal tem objetivos maiores ali no final da linha, pode ser que algumas coisas podem mudar. Por exemplo, ah, o casal que não queria ter filho passa a querer ter filho. Ou o casal que morava no campo e depois muda praia. Algumas pequenas coisas podem mudar, mas eu acho que eh o grosso assim tem que bater. Eu vejo muito conflito em relação a esse tipo de decisão importante, casamento e filhos, né? Imagina um cara que absolutamente não quer ter filho e e a menina que o sonho dela é ser mãe. É uma incompatibilidade, por mais que bata tudo, todo o resto é bom, mas existe uma decisão ali que é importante. Alguém vai ficar infeliz nessa história, né? E outras coisas que são muito relevantes, né? Eu vejo um um dos grandes pontos de conflito também é a questão de religião, né? Quando há um há religiões diferentes, o que não seria um problema, mas quando há uma tentativa de conversão dentro do casal, né? Então, eu eu fico com com essa pessoa na expectativa que ela se converta a minha religião. Isso também é um problema. Então acho que eh a pessoa ela tem que traçar ali, né, objetivos, eh estilo de vida, gente. de vida é muito importante, né? se essa pessoa se exercita ou não, como que essa pessoa come, que horas que essa pessoa dorme, porque isso paraa pessoa que tá assistindo pode até parecer bobeira, mas a menina que vai dormir às 9 e o cidadão que vai dormir 1 hora da manhã, vai chegar um momento que vocês vão brigar pela hora que um tá dormindo, que um fica jogando videogame até até tarde e ela quer dormir mais cedo e aí começa a se queixar que não tá tendo muita relação sexual porque não tá batendo nem o horário que vai pra cama junto. Então, tem várias coisas que eu vejo que são conflitos que são ou evitáveis do ponto de vista de organização, que dá para um se organizar pelo outro, ou conflitos que poderiam ter sido resolvidos no primeiro encontro, que são assim objetivos centrais ali eh da vida, né? Mas assim, eu acho que essa questão do descarte tá sendo ainda mais, é, isso tá bastante comum por conta dessa questão do aplicativo que é muito rápido. Então, o mínimo defeito que eu acho em você, Curt, amanhã eu já não vou querer sair com você, eu vou pegar o aplicativo e vou escolher outra pessoa que não tem esse defeitinho que eu não gostei do do desse encontro de hoje. Então, eu acho que vai gerando. E aí, qual que é o problema desse descarte rápido, né? Eu saio hoje com uma pessoa duplicativa, amanhã eu já saio com outro, já teve esse microdefeito, eu já passo para outra pessoa que a gente vai acumulando ali. Outra expressão que eu herdei de um paciente que eu tô copiando vocês e os pacientes me trazem expressões e eu copio aqui. São os microtérminos. Então é aquele relacionamento que eu tenho de quatro c dias que eu fico conversando com você, conta a minha vida, a gente sai e aí você dá o gosting ali, né? Você some e nunca mais aparece. Aí eu fico mais cinco dias conversando com outra pessoa e essa pessoa me bloqueia ou para de responder, nem teve nem teve nem teve não, já teve um encontro, já teve, às vezes já teve algum tipo de de trocas a mais e essa pessoa termina de novo, ou seja, vai, a pessoa vai acumulando esses microtérminos e aí reforça a crença o quê? Não sou amada, eu não tenho qualidade suficiente, eu nunca vou encontrar ninguém, ninguém presta. Aí eu entro no, aí eu entro no Instagram, aí eu vejo com o Eslin tá super feliz que vai nascer a tá fazendo o quartinho dela, aí eu vejo você e você tá num relacionamento, poxa, eu vejo a Ju, nossa, a Ju mudou aqui, tá com a esposa dela e aí eu vou reforçando o quanto que eu sou inadequada. Eu não consigo ninguém porque eu não sou amável ou eu não tenho nenhuma característica que faça alguém ficar. E aí o pior, eu posso tentar compensar. No próximo encontro eu vou ser exatamente aquilo que a pessoa precisa que eu seja, pro outro não ir embora. Eu viro uma persona para não ter jeito dessa pessoa não me desejar.
Aí dá tudo errado. Aí dá tudo errado, porque aí no primeiro encontro eu vejo que a pessoa não quer ter filho, eu já falo que eu não quero ter. A pessoa fala que gosto de praia e eu já falo que eu gosto de praia também sem gostar. E aí começa a confusão aí, porque aí já as expectativas vão ser frustradas porque elas nascem de uma mentira. E não é mentira que a pessoa quer mentir, não é por maldade, mas é porque a pessoa ela vai tentando encaixar onde não cabe mais, né?
Tem algum autor que fala que hoje os relacionamentos estão terminando antes de começarem. Exatamente. Alguém é alguém alguma e pessoa eh algum divulgador que fala isso. Isso, isso que você falou não vai dar certo. Ó como é que a pessoa é, já vem de determinada forma. É, não tem pessoas que marcam dois, três encontros pro mesmo dia, porque aí se um cancelar o outro, entendeu? É uma é uma coisa muito assim, olha a o tanto de energia que você tá pondo no numa expectativa ou num futuro relacionamento, você já coloca uma energia dividida. Por isso que o paciente quando vem falar assim, vai não, mas assim, cara, você tem que saber o que que você quer, né? Você vai sair com várias pessoas, você tá desperdiçando energia ali com várias pessoas. Ou talvez você não queira um relacionamento, talvez você queira só sair para curtir sem compromisso, isso não tem problema, desde que as pessoas estejam cientes dessa dessa questão. Então eu acho que relacionamento é um dos grandes temas assim de terapia e é um dos grandes reforçadores dessas crenças centrais de que não sou bom suficiente ou não sou amado ou eu vão me abandonar de qualquer forma, eu tenho que fazer muito esforço pro outro querer ficar comigo, né? Então, acho que relacionamento amoroso aí deve est no top três. Ah, sim. Eh, gatilhos aí de reforçadores de crenças.
É, tem um livro muito bom do Balman, quem quiser ler sobre isso, chama Amor Líquido. E um sociedade líquida e um amor líquido, que é maravilhoso. Ele diz que tá acontecendo isso, né? Tá ficando muito muito líquido.
E eu acho que esse livro vai ser atual daqui 50 anos. Sociedade líquido. Vai. É que, infelizmente, muitos livros de previsões com tão boas pro futuro estão ficando mais atualmente. Tomara que o meu, eu não vou falar sobre o que o meu é em nas câmeras, depois eu falo para vocês. Tomara que o meu romance não se não se não se não se conc não fique concreto lá na frente. Eh, curte, deixa suas redes aí pra galera. Onde é que o pessoal te encontra? Se precisar de terapia, se precisar, como é que te acha aí?
Basicamente vocês podem me procurar no Instagram, curte. É facinho de encontrar. Estarei por lá. Eh, me sigam para agendar link da B lá. ADM da B. Tá tudo lá no Instagram. É a minha principal rede.
Você produz alguma coisa lá, conteúdo lá?
Produz, eu parei de produzir um pouco por causa do tempo, né? Mas quiser pósdutorado não dá tempo de fazer um post Instagram. Entende para caramba. Que que você tá pesquisando? Depressão resistente a tratamento.
Exatamente. Mas você tá fazendo ensaio clínico?
Sim. a gente vai conduzir e eu e a equipe de de pesquisadores lá da UFBA, vamos comparar se ter se TCC mais eetamina, que é um um tratamento eh relativamente novo. Eh, é melhor do que terapia de do que acetamina mais terapia de apoio, que é uma terapia pouco diretiva.
A gente quer saber, existe essa dúvida se a terapia ajuda os quadros de depressão resistente que estão em uso de cetamina.
Você usa muito cetamina, Ju?
Ah, isso eu preferei bastante, principalmente o nasal agora, né? Segura, né? Mas daí como é que é o paciente se ele não se aplica não? Ele é o frasco parece um frasco de de de medicação que a gente põe no nariz mesmo, nas onex da vida assim, só que precisa tá no hospital monitorizado, é enfermeira que aplica, até porque causa dissociação, então tem um risco de dependência assim e o paciente ele pode aplicar errado. É uma medicação caríssima, né? assim, cada aplicação R$ 2.000, R$ 3.000 cada aplicação. Então a gente não deixa o paciente errar, tem a posição certinha no hospital, mas dá resultado assim, tem paciente com ideação suicida, que em duas aplicações já não tem ideiação suicida mais. Então, para um para um tratamento assim de um tratamento muito de de urgência assim para tirar o paciente da crise sem ter que internar, né? O paciente vai de manhã, faz, volta para casa. É, é incrível.
Os pacientes que já estavam em uma depressão.
Exato. É assim a última linha de tratamento, né? igual e assim não. E a gente e e só que o problema é que muitos pacientes recaem depois da cetamina, então é uma doença realmente crônica. Então a gente quer saber se acrescentar a terapia.
A gente acha que sim, mas a evidência robusta a gente não sabe.
Legal. Não sabemos ainda. Então a gente quer ajudar a preencher essa lacuna. A gente supõe que ajude as pessoas a recaírem menos, mas não temos evidência disso no momento para esse tipo de paciente.
Legal. Eh, quando você sa quando sair a pesquisa, manda pra gente aí que a gente vai querer ler.
É, exato. Bem legal. Você tem mais ou menos já tá rodando ainda? Não. Isso tá na fase de submissão do comitê de ética de fazer eh vai voltar mais umas três vezes aí. É, pois é, falar o bom aqui. Orientado pelo professor Lucas Quarantini, que é o psiquiatra lá da Universidade Federal da Bahia. Que legal. E uma das referências nesse tema de publica muito emetamina. Então é fantástico. O professor Irism também tá novamente legal e vai deve começar esse ano se tudo der certo. Assim, o Irisma é da processual, ele tá a gente tá construindo um protocolo de TCC. Ah, que legal. Muito bom. para paraa depressão resistente a tratamento. Ah, legal, legal. E o mais interessante é a terapia de apoio, que o que que é uma terapia oca, que é uma, aliás, é um absurdo falar isso, porque a terapia de apoio é um suporte emocional muito bom, mas tem terapias que são esvaziadas de componentes ativos, então a gente tá esvaziando esse grupo para ficar meio placebo, entendeu? para saber se tem uma diferença. Então depois eu eu daqui dois anos, né, se tudo der certo, a gente tem os resultados.
Legal. Pessoal, se vocês tiverem interesse em saber mais, principalmente sobre essa essa parte farmacológica e de atuação psiquiátrica, a gente tem uma minisérie com a Ju aqui no canal. Então, olha aí, tem vários episódios, já tá numa lista bonitinho, já saíram todos os episódios, eu acho. Tá lá. É, acho que é uma tamb amarelinha. Todos os episódios tem aquela tamb amarelada significa que são os episódios da trilha dela. A gente fez vários episódios, quase um miniurso aqui de psiquiatria gratuito pra galera. Tem também outras trilhas de finança, tem trilhas de movimento, enfim, quero trazer mais trilhas aqui pra frente também. Obrigado, galera, pelo bate-papo.
bate-papo legal, né? Deu para entender aí, Sid? Boa. A gente a gente mirou aqui, falou assim, ó: "A gente quer atingir um público um pouco mais leigo na área". né, para a gente tá já tem muito episódio aqui aprofundando lá embaixo na terapia. Falei, bom abrir um pouco. Então, se você é um profissional da da psicologia ou da psiquiatria aí e ouviu alguns termos mais frouxos conceitualmente falando, nos desculpe que o público alvo não era você.
Valeu. Valeu. Demais. Agradeço demais a ambos. Foi maravilhoso. Valeu, Ju. Obrigado. Obrigado. Até a próxima. Deixa o like aí, galera. Obrigadão.