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OS ABSURDOS DO CASO ALTAMIRA E SERIAL KILLER DO MARANHÃO: CONECTADOS?

Ju Cassini53:33

Transcription

O Brasil tem muitos casos bizarros. Mas, falar para vocês que, depois que eu comecei a ler sobre os emasculados de Altamira, eu não sei nem em que buraco que a gente entrou. Bem-vindos a mais um vídeo no canal. Se você gosta de conteúdo assustador, bizarro e misterioso, você está no lugar certo. Toda semana tem pelo menos três vídeos longos, todo dia tem vídeo curto. Então, tem muito conteúdo para vocês. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não esquece de deixar seu like, se inscrever no canal, comentar outros temas que vocês querem ver aqui. As fontes e os créditos estão sempre na descrição do vídeo.

Mas, antes da gente começar o vídeo de hoje, eu nem sei quanto tempo faz desde a última vez que eu falei da Babbel aqui no canal. E até hoje tem gente me mandando: "Cadê o link? Cadê o link do aplicativo?". Não sei o quê. Então, eu vim trazer esse conteúdo de novo, principalmente depois que saiu a minha entrevista do Nosfer. Tá todo mundo perguntando aonde eu aprendi o inglês, onde eu fiz curso. Então, eu vim contar um pouquinho para vocês. Eu já tenho feito inglês há muitos anos na minha vida, mas algo que tem me ajudado muito nos dias de hoje para poder manter o que eu falo é o aplicativo da Babbel. A Babbel é, de fato, o primeiro aplicativo de idiomas que nasceu e também o mais usado em todo o mundo. E lá você consegue aprender diversos idiomas diferentes, como inglês, espanhol, francês, italiano, alemão. A última vez que eu falei sobre a Babbel aqui, eu estava fazendo curso de francês e agora, como eu mencionei, eu tô reforçando o meu inglês, tentando aprender algumas palavras novas e também praticando conversação. Ó, vou mostrar um exercício para vocês aqui. Eu tô no meu tablet, mas também funciona no celular, no notebook, aonde vocês quiserem estudar. Então, aqui tem, ó, o meu curso, qual que tá a lição que eu tenho que fazer. Tem algumas conversas guiadas que eu posso escolher. Então, ó, cumprimentar um vizinho. Aí você escuta o diálogo e depois você fala sua parte. Você vai participando da conversa. "Happy Friday." "Happy Friday." Então, vocês estão vendo como funciona? Você tanto aprende a pronúncia com eles falando e depois você repete para treinar a sua. Os exercícios têm vários formatos diferentes, como jogos, podcasts, tem aulas para aprender novo vocabulário, gramática, pronúncia, práticas de leitura. E todas essas aulas são criadas por mais de 200 especialistas no mundo todo. Ou seja, assim, você aprende a ter conversas mais práticas e também mais reais. Mas me conta aqui, vocês têm algum idioma que vocês gostariam de aprender mais? E o link que tá todo mundo falando tá aqui também na descrição. Se vocês baixarem o aplicativo com esse link, vocês ganham descontos exclusivos na assinatura de vocês da Babbel.

E vim trazer mais um caso brasileiro. Eu sei que sempre bomba quando eu trago casos brasileiros aqui no canal, mas eu gosto de trazer casos brasileiros com fontes muito, muito, muito confiáveis. E isso aconteceu porque o Ivan mandou o livro dele para mim, do caso Altamira, aqui para casa. E aí, simplesmente, devorei o livro, li tudo. E vocês vão me odiar porque eu fui grifando, sabe? Umas coisas do livro, porque, ai, gente, para mim é meio que de pesquisa para eu poder escrever o roteiro com as partes mais importantes. Então, assim, também fico com dó de grifar livro, mas em alguns casos é necessário para mim. E aí, decidi montar esse roteiro 100% baseado no livro do Ivan. Tá muito bom e muito completo. Então, se vocês quiserem uma análise mais completa desse caso, eu recomendo muito vocês lerem o livro ou então ouvirem o podcast dele. Ele tem o Projeto Humanos lá, que já falou do caso do Evandro, do Leandro Boss, dos emasculados de Altamira. Isso tá até parecendo uma publi, né? Mas não é publi, gente. É assim, eu realmente acho o trabalho dele muito bom. Então, eu fiquei muito feliz de receber esse livro, li rapidão, elaborei o roteiro. E eu acho que vai ficar um roteiro zão, um vídeo bem grande. Então, eu já peço muita atenção de vocês, porque a gente vai falar de vários nomes diferentes. Esse caso tem diversas reviravoltas que eu não sabia e que eu não estava conseguindo acreditar. Então, vamos com calma que vai dar tudo certo. Então, sem mais enrolação, bora pra história.

Como eu mencionei aqui na introdução do vídeo, a gente teve dois casos ali em Guaratuba, que era o caso Evandro e o caso do Leandro Boss. E por mais que sejam muito distantes, têm relação com os casos de Altamira. Isso por quê? Um outro dia a gente pode falar mais sobre o caso Evandro. Mas na cidade de Guaratuba, tinha um outro garoto que também desapareceu, o Leandro Boss. E as suspeitas do desaparecimento do Leandro recaíam em uma mulher chamada Valentina de Andrade e também o marido dela, que era argentino, o José Terui. Os dois seriam líderes de uma suposta seita chamada Licenciamento Universal Superior, ou Luz. Por que que a Valentina e o marido dela começaram a ser suspeitos do caso do Leandro? Porque na época em que o Leandro desapareceu, um grupo de argentinos que eram filiados a essa suposta seita estavam hospedados em um hotel em Guaratuba, onde a mãe do Leandro trabalhava. E a suspeita era que a Valentina e o marido eram líderes de uma seita satânica que estava sacrificando crianças. Eu já vou deixar aqui o alerta de sempre, porque em alguns momentos eu vou descrever algumas cenas bem explícitas. Então, se você é sensível a esse tipo de conteúdo, eu não recomendo que você assista esse vídeo.

Nessa mesma época do caso do Leandro, o Jornal Nacional lançou uma reportagem dizendo que cinco crianças, entre 10 e 13 anos, tinham sido sacrificadas em São Luís do Maranhão, entre novembro de 91 e fevereiro de 92, em rituais de magia. A reportagem também dizia que esses garotos eram encontrados nus, de bruços, com os braços para trás e sem os órgãos genitais. Como estava em alta o caso que ficou conhecido como "As Bruxas de Guaratuba", a polícia do Maranhão acreditava que os casos que estavam acontecendo lá poderiam ser similares ao do Evandro. E em algumas outras reportagens, também foram citados outros estados onde esses casos estavam acontecendo. E um dos locais era Altamira. A gente vai falar do Maranhão também, mas primeiro vamos falar de Altamira.

Altamira é uma cidade que é cortada pelo Rio Xingu. O Pará era muito visto como um local de extração de matérias-primas. Então, o foco do interesse lá no estado era pelo potencial de extração de látex dos seringais e também a produção de borracha. Altamira também virou palco de um projeto nacional, a construção da Transamazônica. Em 1970, a cidade tinha só 15.000 habitantes, mas ela cresceu muito. A população era formada por descendentes de colonizadores europeus, de negros e quilombolas, além de migrantes de várias regiões do país que estavam indo para lá para trabalhar. Altamira também é o município mais extenso do Brasil, apesar de 99% da população estar concentrada no canto superior direito. Hoje, infelizmente, também é um dos locais mais violentos do Brasil.

A gente vai começar essa história em outubro de 92, quando Altamira tinha cerca de 70.000 habitantes. Juares, o pai de um garoto chamado Jaenes, chegou em casa ao meio-dia e notou que o filho dele não estava lá. Ninguém tinha ouvido falar dele. As buscas foram feitas durante todo o dia e também no dia seguinte, sem encontrar nada. O dia seguinte era um sábado, iam acontecer eleições. Então, a polícia falou que não poderia ajudar, porque a única viatura disponível estava cuidando das urnas. O Juares, o pai, prestou depoimento na polícia, dizendo que um vizinho dele alegou ter ouvido três gritos do Jaenes por volta da hora do almoço. Depois de alguns dias, alguns militares foram cedidos para fazer buscas nos matagais e o corpo do Jaenes foi encontrado morto, deitado, meio curvado, com os pés cruzados e as mãos meio espalmadas e um pouco levantadas. Isso de acordo com o pai dele. Ele também estava com um corte no pulso esquerdo, o pescoço dele estava bem inchado, ele estava sem o globo ocular esquerdo e também tinha sido emasculado. O velório foi feito no mesmo dia e, durante esse velório, surgiu um boato de que o assassino estaria presente. Por conta daquela crença brasileira de que se o cadáver sangrar enquanto o velório está acontecendo, é porque o assassino está ali. Isso é meio que uma crença popular. Tem muita gente que trabalha com essa preparação do corpo para o velório e fala que é praticamente impossível disso acontecer. Eu não sei se é possível ou não. É, muitas pessoas acreditaram que o assassino estava lá por conta disso. E o pai do Jaenes achou mais estranho ainda, porque o corpo teria sido encontrado quase sem sangue. Então, como que ele estava sangrando no velório?

Infelizmente, o Jaenes não foi o único garoto encontrado morto e emasculado. A população, mais uma vez, saiu às ruas pedindo justiça para as crianças de Altamira. Mas os casos já remontavam há alguns anos atrás. A gente teve, por exemplo, um sobrevivente que foi emasculado em 89. Ele ficou conhecido como "Segundo Sobrevivente". A gente também teve uma das vítimas, a quinta, que era membro da etnia indígena. E isso ajudou o caso, porque chamou atenção da FUNAI. Ou seja, aumentou a visibilidade do que estava acontecendo ali. Para vocês terem noção, no ano de 96, as vítimas já tinham subido para 26 garotos. E aí elas se dividiam em quatro grupos principais: a gente tinha nove que sofreram tentativas de sequestro, cinco desapareceram, oito foram mortas e quatro sobreviveram às emasculações. Só que muitos desses casos, algumas pessoas dizem que era só boato. Com certeza absoluta que a gente tinha de sobreviventes eram três: o José Sidney, o Segundo Sobrevivente e o Vandercley.

Quando os casos começaram a se intensificar, foi chamado um delegado de Belém para assumir as investigações. E o nome dele era Brivaldo Soares Filho. Quando ele chegou, ele tinha poucas informações disponíveis e ele se concentrou mais no caso do Jaenes. O caso do José Sidney, mesmo o primeiro, nem foi divulgado na imprensa. Já o Segundo Sobrevivente era filho de um cara chamado Amadeu. Ele trabalhava como caseiro na Associação Atlética Banco do Brasil, onde frequentava a alta sociedade de Altamira. Então, muita gente acreditava que o caso do Segundo Sobrevivente foi para a imprensa justamente porque estava mais em contato com a alta sociedade. Já o José Sidney não tinha tantas condições financeiras. E o Segundo Sobrevivente sobreviveu a ponto de conseguir falar algumas coisas que ele se lembrava do dia. Conforme foi tendo mais movimentação da sociedade civil, os casos foram aumentando e ficando cada vez mais brutais. Agora, os garotos eram encontrados com muitas violências, às vezes sexuais, a unha arrancada, os olhos furados.

O inquérito do Jaenes foi aberto pelo Brivaldo no dia seguinte ao velório. A população estava com muito medo de falar qualquer coisa, então tiveram muitas histórias que foram sendo abafadas. O Brivaldo passou a desenhar um perfil de um suposto assassino que teria o prazer de abusar de meninos e com muita crueldade. Ele também acreditava que ele não atuava sozinho e que ele tinha algum tipo de prestígio social. Então, talvez ele fosse de uma camada mais favorecida da sociedade. E aí, a gente teve um dos depoentes, um homem de 22 anos chamado Josivaldo Aranha. Ele disse que passou uma situação meio esquisita enquanto ele estava catando lenha em uma estrada que ficava na zona rural de Altamira. E essa situação aconteceu no mesmo dia em que o corpo de um dos garotos, o Dirley, foi encontrado. Ele disse que enquanto estava ali naquela estrada, ele viu uma picap cor de vinho que estava debaixo das árvores. Tinham dois homens dentro dela e um homem do lado de fora, que era loiro. Esse homem do lado de fora teria apontado uma arma para ele e falado que iria matá-lo. Pelo depoimento dele, deu a entender que aqueles homens não queriam que ele falasse o que ele tinha visto ali. E aí, ele falou que dois meses depois, esses mesmos homens encontraram ele enquanto ele estava andando de bicicleta. Fizeram a bicicleta dele parar e perguntaram o que ele lembrava de ter visto naquele dia. Eles também alertaram com uma arma para que ele não falasse nada. Esse depoente se lembrava que aquele homem loiro, ele tinha uma granja e uma horta perto do Posto do Gomes. Esse posto vai ser bem importante, porque o Posto Gomes era de um cara chamado Amadeu, que era primo do pai do Jaenes, que foi uma das vítimas. Eu vou tentar sempre explicar para vocês essas relações, porque são muitos nomes mesmo. A gente tem um depoimento alegando que viu alguns homens dentro de um carro e um deles ele reconheceu como tendo ali uma propriedade perto do Posto Gomes, que aparentemente era um posto bem conhecido ali da cidade, que era de uma família muito rica de lá de Altamira, a família Gomes, que tinha como patriarca o Amadeu. E o Amadeu tinha ali um relacionamento familiar com o pai do Jaenes, que desapareceu e foi encontrado morto. Então, vamos segurar esse depoimento e deixar para depois.

A gente também teve o terceiro sobrevivente, o Vandercley. Ele foi atacado em setembro de 90. Ele disse que ele estava brincando com o primo dele quando ele foi agarrado por um desconhecido que estava portando uma faca. E aí, esse desconhecido colocou ele na garupa da bicicleta e levou ele para o meio do mato. O Vandercley foi vendado nesse processo, mas ele disse que ainda conseguia perceber quando eles chegaram em uma clareira. Tinha outro homem ali e depois mais dois se juntaram. Nos documentos, também tinha um retrato falado que parece ter sido feito como um quebra-cabeça de diversos rostos. O pai do Vandercley disse que mostrou esse retrato falado para ele e ele teria reconhecido a pessoa. Essa pessoa seria um homem que morava ali na região chamado Luiz Capitão. Ele disse que era parecido com ele. Esse Luiz era um pistoleiro que morava sozinho. Ele tinha um reconhecimento local como advogado. E o Brivaldo, o delegado, nessa época, ele já estava desconfiando da família Gomes. Então, o que que ele pensou com esse depoimento do Vandercley falando do Luiz? Será que o Luiz foi um pistoleiro contratado pelo Amadeu Gomes para cometer o crime por ele, já que ele era de uma família poderosa? Então, vamos segurar essa informação também.

Outro depoimento foi da Lúcia, a irmã do Jirley, que desapareceu. Ela disse que o desaparecimento aconteceu quando o irmão dela saiu para ir no igarapé junto com outras pessoas, por volta de 1:30 da tarde. Eles perceberam que ele tinha desaparecido no fim da tarde daquele dia, às 5 horas. E eles acreditavam que ele só tinha ido na fazenda vizinha. Só que o corpo dele foi encontrado já em decomposição e com algumas lesões que poderiam ser de bala. Mas como o corpo já estava muito decomposto, não tinha como ter certeza. Só que nesse caso, também diziam ter visto perto daquele igarapé uma picape vinho, a mesma picape que aquele outro depoente dizia ter visto perto do matagal. E foi aí que começou a suspeita do filho do Amadeu. O filho dele se chamava Amailton e ele era visto como um playboy, usuário de drogas na cidade. O bizarro é que pouco, poucos dias depois da morte do Jirley, o Amailton saiu de Altamira e aí ele ficou meses fora. Ele tinha uma picape cor de vinho e ele frequentava o posto do pai dele. O único problema é que o Amailton não era loiro como o depoente teria falado. E o Amailton também já era um cara bem controverso. Tinham diversos relatos de garotos que diziam que ele tinha se forçado sexualmente contra eles. Nessa época, algo que aconteceu muito também foi o preconceito com homossexuais. E aí, o nome do Amailton passou a circular por toda a cidade como responsável pelos crimes. Teve até uma testemunha que disse que ele teria chegado em casa no dia seguinte ao desaparecimento de um dos garotos com a camiseta toda ensanguentada. Só que essa história foi repassada por muita gente, quem depois falando isso disse que ouviu uma mulher de uma lanchonete que tinha ouvido de uma funcionária da casa do Amailton que teria dito isso. Teve também um outro senhor chamado Gilberto, que procurou a delegacia dizendo que toda vez que um crime desses acontecia, o Amailton saía da cidade e ficava de dois a três meses fora. Depois foi descoberto que esse Gilberto era um amigo de infância do Amailton, então ele o conheceria bem. Ele também disse que às 11:30 da noite, no dia em que o Jaenes desapareceu, o Amailton teria dito que ia para a Argentina, porque a coisa estava ficando feia por ali.

Nesse ponto, como vocês devem imaginar, o delegado já estava mais do que convencido de que o Amailton era o culpado. Ele requereu um mandado de prisão tanto contra ele quanto contra o Josivaldo Aranha, que era o homem que tinha afirmado ter sido ameaçado por três homens. E aí, vocês devem estar pensando: "Tá, mas o que que esse depoente que estava sendo ameaçado tem a ver para ser preso também?". Então, como o Amailton não era loiro, o Brivaldo falou: "Você deve estar mentindo". Então, ele queria manter ele em prisão temporária para checar essas informações. O Brivaldo, depois de algum tempo, disse que teria se deparado com uma mulher que falou que ali por 92, o Amailton estava com o cabelo pintado. E isso parece ter convencido ele de que o Amailton era ainda mais culpado. Só que o depoimento dessa mulher não está em nenhuma parte do processo. O Amadeu também deu depoimento. Ele confirmou que o filho dele dirigia uma picape vermelha e que também estava com esse veículo em 92, quando os crimes ocorreram. Só que ele disse que, por mais que ele convivesse com o filho, ele não o conhecia de verdade.

No dia 13 de novembro, mais uma criança desapareceu. E aí que o caso ficou mais bizarro. Porque se o Amailton é o culpado e ele está em prisão preventiva, como que mais uma criança desapareceu? Essa vítima era um garoto chamado Clébson Ferreira Caldas, de 12 anos. Ele teria saído dizendo que ia pegar manga com alguns colegas. Pro Brivaldo, essa nova vítima indicava que o Amailton não estava agindo sozinho. E no caso do Clébson, o corpo dele foi encontrado quando ele já estava em um estágio maior de decomposição. Mas tinham algumas coisas a mais. Parecia que o rosto dele tinha sido cortado e o couro cabeludo também, como se ele tivesse sido escalpelado. E aí começou ainda mais aquelas crenças de estar rolando um ritual satânico. Depois de algum tempo e algumas análises, eles descobriram que, na verdade, o corpo poderia estar daquela forma justamente pelo estado de decomposição e não que alguém teria provocado aquilo. Mas o local onde ele foi encontrado também era próximo daquele posto de gasolina.

A juíza, na época, autorizou uma busca e apreensão na casa do Amailton. Foram encontradas algumas coisas que, a princípio, foram consideradas suspeitas. Tinha uma foto, por exemplo, com várias crianças ali. Tinha um vídeo também que foi considerado suspeito. Mas todas essas coisinhas que foram encontradas depois tiveram alguma explicação futura. Por exemplo, a foto das crianças era de um flyer que estava sendo distribuído na cidade. O Amailton também negava qualquer participação. Ele inclusive ofereceu um álibi para o dia em que o Jaenes desapareceu, só que o álibi nunca apareceu para confirmar. Ele também precisou passar por alguns exames físicos, a pedido dos advogados dele, quando ele estava preso, por alegar que ele estava sendo espancado lá dentro. Em muitos jornais, o Amailton era apontado como "Monstro de Altamira". E esse também foi o nome da operação da Polícia Federal lá no local.

O Brivaldo, depois que ele acreditou ter encontrado o culpado pelo caso do Jaenes, afinal, era o caso que ele estava investigando, mesmo ele deu o caso como concluído, a parte dele, pelo menos, e ele voltou para Belém. Nesse meio tempo, também foi feito um pedido de ação penal contra o Amailton, porque vocês sabem que quando termina as investigações do delegado e do inquérito, aí é responsabilidade do Ministério Público oferecer acusação com as provas que eles têm. Até o momento de falar para vocês que eu costumava saber isso em tantos detalhes jurídicos depois que eu me formei em Direito. E agora, eu tô parecendo uma criança de 5 anos depois de ficar tão fora do mundo do direito. Às vezes, eu sei lá, falo como se eu não tivesse estudado isso por tanto tempo. Bom, enfim, depois que foi ali instaurado o processo criminal contra o Amailton, tiveram algumas testemunhas. Primeiro, a gente tinha aquela tal moça da lanchonete que fofocou que a funcionária do Amailton na casa encontrou ele com a camiseta suja de sangue. Primeiro que ela falou que ela não sabia de nada. A própria funcionária que supostamente trabalhava na casa do Amailton também nunca apareceu. O nome dela era para ser Fátima. Mas aí o Amailton falou que nunca teve uma Fátima que trabalhou na casa deles. A gente nunca conseguiu o depoimento dessa mulher, e isso está bem explicado com detalhes no livro do Ivan. É que são muitos, muitos detalhes mesmo, gente. Não tem como falar em um vídeo de, sei lá, 7 horas. Mas tiveram alguns nomes de outras funcionárias que teriam aparecido ali. Talvez essa outra fosse a Fátima, mas ela nunca foi depor e confirmar isso. Até mesmo Gilberto, aquele amigo de infância do Amailton, agora no processo negou tudo que ele tinha falado. Ele mudou o depoimento. Ele falou que aquilo que ele falou era viagem, tudo mentira. E enquanto ele estava preso, o Amailton passou por alguns testes psiquiátricos e ele foi diagnosticado com transtorno esquizoide de personalidade.

E aí, em 93, enquanto Amailton ainda estava detido, mais um garoto desapareceu. Esse garoto se chamava Flávio Lopes da Silva, de 10 anos. Infelizmente, o corpo dele também foi encontrado algum tempo depois. Só que tinha uma diferença nesse caso: ele estava vestindo shorts e ele não estava totalmente emasculado, não foi retirado todo o órgão genital. As bordas dos cortes também dava para ver que elas eram imprecisas e irregulares. A causa da morte oficial foi uma forte pancada na cabeça.

Agora, voltando só um pouquinho, antes do Amailton, teve um outro suspeito que a polícia considerou. E o nome desse homem era Rotílio. Ele era um andarilho e ele se tornou suspeito porque ele já tinha cometido um crime. Ele estuprou uma garota de 19 anos e aí ele foi preso. Ele confessou o crime em relação à garota, mas ele disse que ele não tinha nada a ver com os garotos. Depois de algum tempo, ele morreu na prisão e disseram que a causa da morte foi coceira, mas a gente tem muita coisa para acreditar, tá? Que na verdade, ele faleceu por ter sido torturado na prisão.

Vocês lembram do Jirley, que a gente já comentou aqui? Foi a partir do caso dele que começou um boato dos cortes da emasculação serem cirúrgicos. Só que essa parte dos cortes cirúrgicos não é bem assim. O médico que analisou os corpos disse que a pessoa que cometeu aquele crime tinha habilidade suficiente para produzir uma lesão linear e não contusa. Isso é diferente de a pessoa ter habilidade cirúrgica. Pode significar que ela só estava com um objeto muito afiado. Só que com essas informações, a população começou a pensar se não tinha algum médico envolvido. E nesse meio tempo, apareceu uma nova pista. Um padre local chamado Bruno recebeu uma carta de uma conselheira tutelar chamada Sueli. Nessa carta, ela estava narrando um encontro que ela teve com um ex-policial militar chamado Carlos Alberto dos Santos. Nesse encontro, o Carlos Alberto teria assumido alguns crimes muito horríveis, não relacionados com os garotos, mas ele também falou coisas sobre isso. Ele disse que um tal de Tadeu era o mandante dos crimes, mas que ele mandava médicos fazerem a emasculação. De acordo com a polícia e o Ministério Público, o tal do Tadeu seria o Amadeu Gomes, também conhecido como pai do Amailton. E nessa época, a gente já estava com um novo delegado, o Edder. Agora, esse delegado estava com quatro nomes em mente de criminosos que estavam cometendo aqueles crimes: o Amadeu, o filho dele, o Amailton, o Carlos Alberto e um outro ex-policial militar chamado Aldenor. Mas ainda faltava uma peça nesse quebra-cabeça: quem era o médico ou os médicos que estavam cometendo o crime?

É aí que entra um novo depoente, um lavrador chamado Agostinho. Ele disse que estava andando por uma ruazinha bem rural ali da região também, quando se deparou com uma pessoa saindo do mato. Essa pessoa estaria com uma bicicleta, segurando um facão cheio de sangue e também com uma sacolinha com alguma coisa dentro. Ele continuou andando, seguiu a vida e disse que um quilômetro depois, ele encontrou outra pessoa. Estava segurando um cavalo na beira da estrada. Ele disse que essa pessoa com o cavalo era o Amailton, porque ele conhecia ele. No dia seguinte, ele disse que estava na chácara em que ele morava, quando chegou um cabo e dois soldados perguntando o que ele tinha visto. Ele também afirmou que a pessoa que estava com um facão era com certeza um médico da cidade. E de acordo com ele, esse médico era um cara chamado César Flávio Caldas Brandão. Antes do César aparecer como médico apontado de estar participando dos crimes lá com o Brivaldo, eles já estavam falando de um outro médico ali chamado Anísio Ferreira de Souza. O Anísio ele era um médico polêmico, tinha muito, muita fofoca, muito bafafá contra ele também. Ele tinha algumas questões que poderiam trazer um certo preconceito em relação a ele, mas também umas atitudes que indicavam que poderiam ser criminosas também. Daqui a pouco a gente vai falar mais sobre isso. O César, que o Agostinho identificou como sendo a pessoa com o facão, ele era diretor-presidente do Hospital da Funasa. E aí o Edder falou: "Vamos decretar a prisão preventiva do Anísio, do César, do Aldenor".

Agora, só imaginem comigo o tanto que estava sendo pressionada a polícia para solucionar esse caso. A cada dia, cada mês, estavam sumindo garotos. As famílias desesperadas não sabiam onde estavam os filhos, ou as que sabiam, não sabiam o que tinha acontecido, quem tinha sido responsável. Estava todo mundo clamando por justiça e todo mundo queria capturar as pessoas responsáveis logo para que elas fossem punidas e parassem de cometer crimes. Ao mesmo tempo em que foi decretada a prisão preventiva deles, cada uma das casas também sofreu busca e apreensão. Na casa do César foram encontradas seringas de anestesia raquidiana, que vocês sabem que serve para anestesiar o corpo da cintura para baixo. E alguns dos sobreviventes tinham relatado que eles não estavam sentindo dor depois que eles acordaram pós serem emasculados, o que não faria sentido, né? Então, a suspeita era de que, além de ser um médico que estava fazendo os cortes, eles também estavam dando anestesia para que a criança não sentisse tanta dor. Só que essa anestesia que foi encontrada na casa do César não estava escondida. E ele era médico. Assim, não acho, na minha opinião, que seria algo tão fora do comum ele ter anestesia em casa.

O Amailton, quando ficou sabendo da prisão dessa outra galera, falou que ele não conhecia nenhum desses caras. Ele também falou que ele nunca participou de nenhum tipo de seita, que inclusive ele era católico. O César também negou a participação. Ele disse que ele era evangélico presbiteriano. E os únicos que se conheciam mais era o César e o Anísio. Afinal, eles eram médicos, talvez tivessem encontros ali no hospital. Foi a partir de quando o César foi dar depoimento que apareceram três nomes que não tinham aparecido no processo até agora: o nome da Valentina, que a gente falou no começo do vídeo, e do Terui e do Duílio. O César, no depoimento, falou que não conhecia nenhum dos três. Também foi em julho de 92 que a Valentina se tornou suspeita pelo que a gente já comentou. Alguns argumentavam que o motivo do Amailton ter saído de Altamira para ir para a Argentina foi para encontrar a Valentina. Então, parece que estava rolando ali uma forma de colocar todo mundo junto, relacionar todo mundo junto no caso.

O Carlos Alberto, um dos ex-militares que estava sendo acusado, trabalhou na casa do Amailton por um tempo. Ele até disse que um dos filhos do Amadeu tinha proposto para ele matar uma pessoa e ele teria recusado. Ele também alegou que ouviu a mãe do Amailton falando algo tipo: "Ai, por mais que o Amailton está envolvido nesses casos, a coisa não vai ficar assim, não. Ele vai sair, nada vai acontecer". Isso, claro, tudo nas palavras dele. Quanto ao Anísio, o outro médico, tinham relatos de mulheres sofrendo violência na mão dele. Teve até um garoto que teria ido na clínica do Anísio que alegou ter ficado com medo quando estava na clínica dele, porque o Anísio ficava falando que se ele não se comportasse, ele ia capar ele, se ele queria virar mulherzinha. Até uma ex-funcionária do Anísio teria falado que ele tinha um tipo de quarto secreto no escritório e que ela já teria visto um tipo de isopor com órgãos masculinos dentro. Ela teria se demitido e aí ela foi conversar com uma amiga falando que ela estava com medo de morrer. E aí foi essa amiga que prestou depoimento contando essa história, porque ela disse que algum tempo depois, teve um garoto que encontrou um braço decepado no meio do mato. E ela acredita que aquele braço seja dessa ex-funcionária do Anísio. Ela falou que até o esmalte e a unha dela estavam iguais. Essa depoente, apesar de ter falado tudo isso, ela também sumiu e nunca mais falou sobre o assunto. Isso é muito comum nesse caso. Tem vários depoentes que vão lá, falam coisas, depois somem. A polícia não consegue encontrar mais. Mudam de endereço. Acho que estava rolando muito medo, aquela coisa de não saber o que vai acontecer.

Também tiveram pessoas que alegavam que na chácara do Anísio rolavam alguns cultos. E aí que surgiu uma das testemunhas principais, um cara chamado Edmilson da Silva Frazão. Ele teria sido uma das pessoas que frequentou o culto em algum dia. Ele disse que quem estava comandando aquela missa era a Valentina e que ela tinha um grupo de argentinos que ficava venerando ela. Ele também disse que acreditava que esse grupo tinha a polícia nas mãos. Só que essa história do Edmilson, ela tinha muitos furos. E algo importante de mencionar é com relação ao César, o outro médico. Ele tinha vários álibis, tá? Pro dia que aconteceu os crimes. E assim, tem vários pormenores ali, tá? Teve um momento, depois de pegar todas essas testemunhas, esses depoimentos das pessoas, que o juiz falou: "Não, esse caso está sendo baseado só em boatos. A gente não tem nenhuma evidência concreta. Vamos pronunciar todos os réus, com exceção da Valentina". Então, agora parecia que a culpa estava sendo só da Valentina, que era comandante de uma suposta seita satânica que estava matando garotos para algum tipo de ritual. Só que três meses depois, essa decisão foi alterada e aí decidiram de novo que todo mundo deveria ir para júri. Se eu não me engano, o único que não estava mais no júri agora era aquele outro ex-policial militar, o Aldenor.

E aí, quando os réus foram acusados de novo para julgamento, a gente teve um outro depoimento muito forte contra o César, que era de uma garota chamada Eudilene, de 13 anos. Ela teria dito que a esposa do tio dela, chamada Socorro, levou ela para uma consulta com o Dr. César. Ele teria pedido para ela tirar a roupa, depois deu uma injeção nela. E antes dela pagar, ela viu ele tirando a roupa. Quando ela acordou, ela estava sangrando. Depois, a Socorro teria levado a Eudilene para uma chácara, onde elas teriam visto os rituais acontecendo. De acordo com a Socorro, tinham dois garotos que estavam amarrados pelos pulsos e tornozelos dentro de uma casinha. E aí, um homem estaria fazendo sexo com um deles. Ela também disse ter visto um garoto sendo arrastado enquanto estava despido, sem os órgãos genitais e os olhos furados. O César estaria segurando um facão e um saco. E a Socorro também disse que viu pessoas fazendo uma espécie de oração em uma língua que ela não entendia. Mas o estranho é que essa história da Socorro e da Eudilene nunca foi de fato investigada.

E aí, o Edmilson, que estava com o depoimento cheio de furos, ele também mudou a versão dele. Falou que era tudo mentira, que ele não estava na chácara, que ele não viu ritual, nada. Falou que toda a história foi inventada por conta de ameaças que ele estava sofrendo. E aí, esse caso é muito assim, gente. Tipo, os documentos são muito estranhos, as memórias das pessoas são contraditórias. O caso foi demorando para ser solucionado, as testemunhas já não se lembravam mais o que elas tinham visto, o que elas não tinham visto. Tinha toda aquela pressão da sociedade de "o que está acontecendo?". A investigação da polícia também não foi boa. E aí, a gente chegou no momento em que a Valentina foi finalmente interrogada.

Vamos falar um pouquinho sobre a Valentina. A Valentina nasceu fruto de um relacionamento rápido da mãe dela com um homem já casado e com filho. Esse cara nunca assumiu a Valentina. Ela também não tinha irmãos. O segundo marido dela foi um cara chamado Duílio Nolasco e com ele ela teve a primeira experiência dela no que ela chamava de um mundo místico. Ela se tornou assistente de um médium bem popular na cidade de Londrina. Ela começou a chamar bastante atenção na cidade e o Duílio não gostou disso. Depois de algum tempo, ele foi chamado para trabalhar em Altamira. Eles estavam construindo um hotel ali. E em determinado momento, a Valentina foi encontrar ele lá. Por isso, essa conexão que ela tinha tanto no Sul quanto em Altamira. E aí, quando ela estava em Altamira, ela conheceu um outro cara nesse hotel, um cara chamado Roberto Oliveira, que era argentino. Os dois conversavam muito. O relacionamento da Valentina com o Duílio não estava indo muito bem e aí eles se separaram. Depois que eles se separaram, a Valentina assumiu um relacionamento com o Roberto. Os dois se casaram e voltaram a morar em Londrina. Só que aí, quando ela estava em Londrina, de acordo com a Valentina, ela começou a ouvir a voz de uma entidade que ela chama de "Individualidade". E aí, depois que ela começou a ouvir essa voz, ela disse que o marido dela, o Roberto, começou a receber a Individualidade no corpo, ou seja, incorporar essa entidade/individualidade. E aí, cada vez que ele incorporava, segundo a Valentina, ele falava as chamadas "verdades", que seriam conhecimentos universais. E aí, a Valentina achava aquilo muito interessante. Às vezes, ela gravava essas incorporações, às vezes, ela escrevia o que essa Individualidade estaria falando. E depois de algum tempo, ela começou a pensar que ela queria compartilhar esse conhecimento com outras pessoas. Então, ela teria perguntado para a Individualidade se tudo bem ela compartilhar isso. A Individualidade falou: "Ok". E ela e o marido começaram a escrever livros e dar palestras para outras pessoas que estariam interessadas. Esses primeiros livros seriam a base da suposta seita, depois, a Luz. Por um tempo, eles moraram na Argentina. Lá na Argentina, eles deram várias palestras. Foi aí que a Valentina conseguiu esses seguidores. Só que depois de algum tempo, de acordo com ela, o Roberto começou a seduzir as mulheres que iam atrás dele para ouvir a palavra dele. A gente sabe que isso tem algumas raízes aí em cultos em seitas que têm líderes religiosos que começam a abusar das pessoas que estão servindo ali. Mas ela disse que depois que ele começou a fazer isso, ela não queria ter mais nada a ver com ele e os dois se separaram. Mas a Valentina não ficou solteira por muito tempo. Logo ela se casou com um outro cara chamado José Terui. E aí, vocês devem estar se perguntando: "Tá, mas se essas verdades universais eram passadas pelo Roberto, que incorporava, agora que ela não estava mais com ele, como que ela ia ouvir essas verdades?". Ela disse que ela foi testar com o novo marido dela, o José, e que ele conseguia incorporar também. Ela disse que ele era um dos maridos dela mais sensitivos, mais sensíveis a esse tipo de coisa. O que aconteceu com o José Terui, eu não sei exatamente. Eu não sei se ele faleceu. O fato é que a Valentina não ficou com ele também até o resto da vida e ela casou com um outro cara ainda, o Christian. Mas dizem que ela sofreu muito com a morte do José, porque ele era o mais sensitivo mesmo. E o Christian, apesar de fazer essas incorporações, não era a mesma coisa. Então, essa mais ou menos era a história da Valentina.

Os júris de todo mundo que estava sendo acusado ali aconteceram só em 2003. Então, já faziam vários anos. Imagina, primeiro caso ali, 89, 91. A gente está falando de quase, né, mais de 10 anos depois. Então, a teoria da acusação era: existia uma seita em Altamira que emasculava e matava os garotos, que era liderada pela Valentina, e que os poderosos locais também faziam parte da seita. No primeiro dia, foram julgados o ex-militar Carlos Alberto e o Amailton. A acusação chegou com o testemunho do Segundo Sobrevivente, que disse ter identificado o Carlos Alberto como a pessoa que o sequestrou. E ele também falou que o Rotílio, aquele que faleceu na prisão, tinha sido o cara que retirou seus órgãos genitais. Tanto Amailton quanto Carlos Alberto foram condenados. O Amailton pegou 57 anos de prisão e o Carlos, 35. O Anísio foi condenado a 77 anos, mas não tinha nenhum material contra ele. Já o César foi condenado a 56.

Agora que entra a história do Maranhão. Na década de 90, foram descobertos casos muito parecidos com os de Altamira no Maranhão. Os casos teriam começado em 91, sendo que o auge dos casos em Altamira foram em 92, 93. E no Maranhão, eles continuaram durante toda aquela década, pelo menos até 99. Isso foi usado pela defesa da Valentina. Isso porque a Valentina não estava sendo acusada de nada no Maranhão. Então, como que ela seria responsável pelo que estava acontecendo no Pará? A grande expectativa que a acusação tinha era o depoimento do Edmilson. Só que o Edmilson, de novo, caiu em contradição. A defesa tinha álibis sólidos para cada uma das alegações contra ela. Eles indicavam a presença dela em diferentes lugares em momentos em que os crimes estavam acontecendo. E o julgamento dela, em comparação aos outros acusados, foi o mais longo. Por fim, ela acabou sendo absolvida, o que gerou grande revolta na população. Mais de 5.000 pessoas foram às ruas de Altamira para protestar. Também tinha uma desconfiança em relação ao julgamento dela, de uma quebra da incomunicabilidade dos jurados. Como vocês sabem, quando os jurados estão participando de um júri, eles têm que ficar incomunicáveis. Eles ficam confinados em quartos de hotel, sem televisão, sem aparelhos celulares, sem poder falar lá com o mundo de fora, para que isso não enviesse essa palavra existe, para que eles não tenham nenhuma opinião de fora que possa atrapalhar ali o julgamento. Tudo que eles podem usar para julgar as pessoas, os réus, é o que está sendo apresentado dentro do tribunal. Então, eles não podem ter informações de fora. Só que aí começou um boato de que tinha sido quebrada essa incomunicabilidade. E isso era verdade. A Justiça paraense teria dado uma ordem para colocar de volta os telefones e as televisões nos quartos dos jurados. Inclusive, um dos jurados teria feito 65 telefonemas. E aí, já a população começou a pensar: "Nossa, será que a seita começou a comprar o voto dos...".

Jurados, e é por isso que ela foi inocentada. Não foi encontrado nada que mostrasse que a seita, entre aspas, teria corrompido ninguém. Aí o certo, por conta dessa incomunicabilidade, teria sido fazer um novo julgamento para Valentina. Só que o crime acabou prescrevendo, passou muito tempo, então ela foi absolvida. Mas a vida dela não teve paz, mesmo depois da absolvição. No próprio livro, o Ivan fez uma entrevista com ela quando ela já estava com 90 anos de idade. Hoje ela faleceu. Mas ela fala que ela estava muito cansada de tudo. Quando chegou na hora dela falar do caso de Altamira, ela meio que falou que estava cansada, que não queria falar mais sobre isso, que ela ficava muito mal quando lembrava do assunto, que ela tinha pesadelos. E logo depois dessa entrevista, ela acabou falecendo. Até um dos filhos dela assumiu e continua conversando com o Ivan, mas ela não falou nada muito específico sobre isso.

E aí, um dia depois da absolvição da Valentina, gente, sério, não consigo acreditar nas reviravoltas que esse caso tem. Um garoto de 15 anos no Maranhão, chamado Jonathan Silvas Vieira, ele saiu de casa cerca de 7:30 da manhã para apanhar Jusara. Chegou no fim da tarde, ele não estava de volta. De 91 a 2003, 29 garotos com o perfil dele tinham desaparecido na região, ou seja, homens e também menores de idade. Os corpos de quatro nunca foram encontrados. Dez foram descobertos semanas ou meses depois, o que dificultou saber o que aconteceu com eles. E 15 foram encontrados pouco depois de terem desaparecido. Todos, sem exceção, estavam mortos e tinham sido emasculados.

E aí, a irmã do Jonathan, a Regiane, ela tinha uma pista. As datas das mortes no estado, ali em Altamira e em São Luís do Maranhão, elas não se sobrepunham. Ou seja, em 94, quando os desaparecimentos e as mortes de Altamira cessaram, elas voltaram a acontecer no Maranhão. Isso significava que a mesma pessoa que cometeu crimes em Altamira poderia ter cometido crimes no Maranhão. Não estava acontecendo ao mesmo tempo. Só que, como a gente já vê em vários casos gringos também, quando se tratam de serial killers, é difícil quando os estados se comunicam para saber se tem alguém com um modus operandi parecido. Vocês lembram, vários serial killers muito famosos na década de 60, 70, escapavam impunes porque não tinha essa comunicação. Foi meio que isso que aconteceu aqui no Brasil também. Apesar da gente ter casos muito parecidos, os casos nunca foram conectados ali na investigação. Cada um caminhou com a sua própria delegacia. E nessa época, a gente também não tinha, principalmente aqui no Brasil, o conceito de um serial killer. Ninguém sabia que isso poderia existir, então a gente não estava pensando que poderia ser uma pessoa responsável por todos esses casos.

E aí, em 98, foi preso um cara chamado Robério, que ele era padrasto de um menino que desapareceu. Ele foi condenado sem nenhuma prova e ele confessou supostamente sob tortura. E a prisão dele não fez com que os crimes parassem. Parecia muito que estava sendo aquela caça às bruxas, de tipo, a gente precisa condenar alguém. No caso do Maranhão, quem se envolveu foi a Organização dos Estados Americanos, também conhecida como OEA. Um pleito foi aberto lá por uma ONG chamada Justiça Global. Em 2001, o próprio Brasil virou réu. E aí a Polícia Federal foi acionada para agir no Maranhão.

No dia 10 de dezembro de 2003, foi decretada a prisão preventiva de um homem chamado Francisco das Chagas. De acordo com a irmã do Jonathan, ele teria saído com o Chagas para pegar essa Jusara. Os dois teriam se encontrado na tal Oficina do Beto, que ficava na rua de trás da casa do Jonathan. O bizarro é que o Chagas, ele era um exemplo para a comunidade. Ele até tinha participado das comitivas de levar cartazes de crianças desaparecidas nas casas dos vizinhos para saber se alguém tinha encontrado. E se vocês já assistiram vários outros casos aqui no canal, vocês sabem que normalmente o serial killer ou o psicopata que está por trás desses casos é o primeiro a ajudar, o primeiro a estar nos enterros, a se mostrar prestativo, e o cara que até frequenta a igreja, e a gente nem desconfia.

Quando Francisco foi interrogado pela polícia, ele disse que ele não conhecia Jonathan, não sabia quem ele era, nunca tinha saído para pegar Jusara. Como não tinha nenhuma evidência contra ele, ele foi liberado. Mas dois dias depois, teve um outro relato que o incriminou, que era de um garotinho de 8 anos chamado Mateus. O Mateus disse ter visto o Chagas na Oficina do Beto, e aí ele estaria junto com o Jonathan. A partir disso, o Chagas foi preso de fato. Quando ele foi interrogado de novo, ele disse que ele morava em Altamira antes de se estabelecer no Maranhão. Então ele teria morado de 77 a 94 em Altamira, e em 94 ele foi pro Maranhão, exatamente nas épocas em que os crimes estavam acontecendo. E ele falou: "Mas imagina, não saí com esse Jonathan, eu estava lá com o Beto, a gente estava assentando uns portões ali." E aí o Beto foi depor, falou: "Não, nunca tive com ele fazendo isso."

Teve também um menino de 15 anos chamado Nailson Cruz. Ele prestou um depoimento falando que três ou quatro dias antes do Jonathan desaparecer, ele teria sido abordado pelo Chagas para ir pegar Jusara, e ele falou que não. E aí o Chagas ficou bravo e ficou insistindo. No dia 19 de dezembro, a bicicleta do Jonathan também foi apreendida pela polícia. Quem estava com a bicicleta era um outro garoto chamado Juan Vitor. O depoimento dele também foi muito importante. Ele diz que ele encontrou a bicicleta em um matagal e ele também falou para a mãe dele que ele tinha visto um homem tendo relações sexuais com um menino nesse matagal, só que o menino já estava sem vida.

A ossada do Jonathan foi encontrada 40 dias depois do desaparecimento dele. E era uma ossada que mostrava que era de um garoto de 14 a 15 anos. Ele estava com traumatismo craniano como causa da morte e estava em um matagal. Também foi encontrada camisa, bermuda e um chinelo em um buraco a cerca de 5 metros de distância do local onde a ossada estava. Os familiares do Jonathan reconheceram aquelas roupas. Agora, então, eles tinham o suficiente para indiciar o Chagas por homicídio e ocultação de cadáver. Só que o Chagas continuava negando a autoria do crime. No corpo do Jonathan também dava para ver que ele tinha sinais sim de abuso sexual.

O delegado encarregado pelos casos do Maranhão era o delegado Dinis. E aí ele pegou um grande mapa de tudo e ele começou a demarcar todos os locais onde os garotos estavam sendo encontrados. Com a suspeita do Francisco, ele também colocou no mapa onde era a casa dele para verificar quais desses casos estavam acontecendo próximos da região onde ele morava ou onde ele trabalhava. E com isso, ele notou que tinham vários locais semelhantes e próximos. Mais ou menos três meses depois do Francisco ter sido preso, foi feita uma busca e apreensão na casa dele, que ele não se opôs. Na casa foi encontrado um estilingue. Tinha um garoto que desapareceu em 2000, o apelido dele era Ciba, e ele tinha saído com um estilingue para caçar passarinhos. O corpo dele foi encontrado em um matagal a 300 metros da casa do Chagas. Também foi encontrado sob o solo, ali perto da casa, na casa, uma cartilagem ressecada que era de uma traqueia e mais duas ossadas.

No mesmo dia em que as ossadas foram encontradas, o Chagas confessou ter cometido três assassinatos no Maranhão. Ele também confessou que ele estava sim com o Jonathan naquele jussaral. E aí teria acontecido um acidente quando o garoto estava em cima de uma das árvores, ele caiu, bateu a cabeça e faleceu. E aí ele teve que ocultar o cadáver. Nesse caso, eu, eu acho óbvio, o Chagas é culpado de vários desses crimes. Essa história não acho tão viajada assim. Pode ser que nesse caso em específico tenha acontecido um acidente. Mas mesmo que tenha acontecido um acidente e o Jonathan faleceu, tem provas de que ele foi abusado sexualmente depois. Na verdade, essa, esse detalhe, eu não sei. Eu não sei se as provas mostram que ele teria sido abusado sexualmente depois de morto ou antes. Confesso que esse detalhe aí é uma coisa específica que eu não, não pesquisei.

E aí, no fim de março de 2004, aí que o Chagas começou a falar. Ele confessou 29 assassinatos só no estado do Maranhão. No processo tem muitas páginas onde ele confessa com todos os detalhes, tudo que ele fez. Ele se lembra bem das roupas que os garotos estavam usando, das idades que eles tinham. E o modus operandi dele era muito parecido com os casos de Altamira. Basicamente, ele atraía garotos mais pobres, moradores das comunidades em que ele vivia. E aí convencia eles a fazer uma atividade corriqueira e que seria atraente para eles, como caça passarinho, como pegar manga. E aí, depois que eles estavam nesse local ermo, ele os atacava, matava e emasculava. De acordo com o Chagas, ele nunca teria cometido violência sexual, apesar de ter vários casos em que a gente não consegue confirmar se houve violência sexual ou não. Tem uns que a gente confirma que sim. Ele também afirmou que ele tinha alguns esquecimentos temporários que impediam que ele lembrasse tudo que ele tinha feito, e que isso teria começado depois dele ter pego malária. Mas ele concordou em ser levado para Altamira para ver se ele lembrava de alguma coisa que ele poderia ter cometido lá.

Não demorou muito para ele admitir os primeiros crimes que teriam sim acontecido em Altamira. Apesar dessas confissões, também era necessário provas para corroborar todas as alegações dele. E aí a população de Altamira começou a discutir se, na verdade, o Chagas não era só um laranja que estava sendo usado para assumir os crimes e tirar das prisões aquelas pessoas mais poderosas que já tinham sido presas, ou talvez o Chagas fosse até mesmo membro de uma seita satânica.

O Chagas, quando estava preso, foi avaliado por psicólogos também. Ele foi diagnosticado com uma forte insensibilidade afetiva, personalidade psicopática, homoerotismo fixado no infantil e psicose esquizoparanoide latente. Ele assumia a autoria dos crimes, mas não assumia a responsabilidade. Ele sempre falava tipo: "Ah, o garoto foi porque ele quis." Ele também não tinha nenhum tipo de empatia pelas vítimas ou pelos familiares. E uma justificativa que ele usou para cortar o pênis dos garotos é que ele dizia que se a criança fosse pro céu sem sexo, então ela viraria um anjo. Ele chegou a citar 14 vítimas em Altamira. E aí a polícia foi fazendo buscas nos locais onde ele apontou para confirmar os crimes. Eles conseguiram encontrar algumas ossadas, inclusive as ossadas batiam com a idade e com o nome do garoto que ele tinha falado que tinha matado. Ele foi condenado a 20 anos e 8 meses de prisão, acusado de matar 29 meninos no Maranhão. No total, ele teria matado pelo menos 43 pessoas. Só que ele nunca foi acusado pelos casos de Altamira, só pelos do Maranhão. Se eu não me engano, ele está preso até hoje.

E aí, vocês devem estar se perguntando: "Tá, mas depois que descobriram que ele pode ter sido responsável pelos crimes em Altamira também, que ele poderia ser esse serial killer, o que que foi da galera que já estava presa?" O Sésio, o Amaílton e o Anísio conseguiram habeas corpus. Ah, uma coisa que eu esqueci de mencionar é que o Amadeu, o pai do Amaílton, que também estava sendo acusado, ele foi liberado muito antes de todos eles. Não conseguiram nenhuma evidência contra ele, ele foi solto logo. Mas, apesar deles conseguirem o habeas corpus logo, eles foram presos de novo. Eles puderam responder em liberdade até o esgotamento dos recursos. Isso aconteceu em 2009. Quando o Anísio e o Sésio voltaram para a prisão, o Amaílton não se apresentou de novo e ele nunca foi encontrado. A família dele diz que ele já faleceu, mas ele é foragido da polícia até hoje. O único que nunca foi solto depois da prisão foi o Carlos Alberto. E aí dizem que é porque ou ele não tinha dinheiro suficiente para contratar bons advogados, ou porque ele já tinha sido condenado por outros crimes antes. O Carlos Alberto faleceu de câncer em 2010.

E aí, nesse meio período, saiu uma reportagem com o Chagas negando todos os crimes. E aí todo mundo ficou sem entender o que estava acontecendo. De acordo com a Ilana Kazo, chegou uma hora que ele simplesmente parou de colaborar por um tipo de remorso. A irmã dele teria ido visitar ele na prisão e falado que ela estava sendo linchada, que eles estavam sofrendo diversas ameaças, e que era para ele parar de falar de Altamira. Então, a partir desse momento, o Chagas começou a falar: "Altamira? Não sei o que é Altamira, do que que vocês estão falando?" Mas isso não adiantou, porque nos últimos dois anos ele estava confessando tudo de forma muito livre, com muitos detalhes. Somando todas as penas, ele teve 600 anos de prisão decretados. Ele também chegou a tentar passar por um exame de insanidade mental, mas foi descartado. A conclusão era de que ele entendia a gravidade dos atos. Só que aqui no Brasil, vocês sabem, né? Na época que ele foi condenado, a pena máxima era de 30 anos de prisão. Todos os inquéritos que consideravam o Chagas como culpado no Pará foram arquivados. Então, como eu mencionei, ele nunca foi acusado pelo que aconteceu em Altamira. E aí o caso prescreveu também.

Agora, todos os sobreviventes de Altamira diziam que o sequestrador tinha uma bicicleta vermelha, e o Chagas tinha uma bicicleta vermelha. O Sésio ficou preso até 2018. E aí ele foi transferido pro Espírito Santo para ficar mais próximo da família. Hoje ele já está solto em casa. O alvará de soltura aconteceu agora em 2022. O Anísio teve três AVCs enquanto ele estava na prisão. Ele sofreu de diversos problemas de saúde, aí ele foi internado no hospital em estado grave em 2020. Durante a pandemia, a perna dele, onde ele usava a tornozeleira eletrônica, começou a necrosar. E aí a justiça não autorizou que ele tirasse a tornozeleira. Mesmo assim, só autorizaram depois de um pedido médico. E aí ele faleceu em casa no mesmo ano, de 2020.

Com relação às famílias, né, das vítimas de Altamira, elas recebem uma pensão vitalícia de um salário mínimo como um tipo de compensação pelo que aconteceu. De acordo com o livro do Ivan, nenhum familiar acredita na culpa do Chagas, ou não acreditam que ele fez tudo sozinho. O Ivan, no livro, acredita que o Chagas é o culpado. E ele também até menciona que ele fez uma entrevista com o Edmilson, aquele que deu o depoimento que depois falou que era outra coisa. E aí o Edmilson admitiu que tinham pedido para ele montar aquela história sobre o culto e colocar Valentina no meio, talvez uma forma de incriminar as pessoas, ou então de mostrar serviço, mostrar que estava conseguindo fazer alguma coisa.

De fato, esse caso é muito, muito complexo. Eu, eu não sei. Eu tenho muitas dúvidas de se o Chagas fez aquilo sozinho, se não. Eu não sei, gente, buga muito a minha mente. Eu recomendo a todos vocês lerem o livro, porque está muito mais detalhado do que o vídeo que eu estou fazendo aqui. A gente consegue ver todas as contradições, tudo que aconteceu, todos os problemas das investigações, coisas que poderiam ter sido analisadas e não foram. É muito frustrante. E é mais frustrante ainda saber que já passou muito tempo e que muitas dessas coisas já prescreveram, foram arquivadas, não vão ser mexidas, e que acaba ficando por isso mesmo. Então, eu sinto muito por todas as famílias do Maranhão, de Altamira, que sofreram extremamente durante todos esses anos, já passando por um trauma muito grande com essa impunidade, com essa questão de não saber, de não ter explicações. Não consigo imaginar o desespero de cada uma delas. Então, eu acho sempre importante trazer visibilidade para esses casos, para que a gente possa falar sobre isso e talvez ter algum desdobramento. Teve até o projeto Humanos, que o Ivan fez sobre o caso Evandro, que foi muito importante para que os culpados, né, saíssem da cadeia, os inocentes, né? O caso dos inocentes. Então, é importante sim trazer visibilidade para os casos. Quero saber a opinião de vocês, se vocês já conheciam, comentem aí. E até a próxima.