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TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A ERA VARGAS: tá longo, mas vale a pena! (Débora Aladim)

Débora Aladim58:17

Transcription

♪ Oi, gente, tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais um resumo de história desse canal. O mais pedido, definitivamente, de 2020. É finalmente um resumo sobre a Era Vargas. Esse período que é muito longo, é complicado, mas eu vim trazer para vocês uma explicação bem simples, para que todos consigam entender. E vou fazer várias analogias também, para você conseguir memorizar alguns momentos que são muito importantes. E também para te facilitar, estou deixando na descrição do vídeo, gratuitamente, óbvio, um documento em PDF, o resumo dessa aula explicado em tópicos, bem simples. É um resumo longo, vou admitir para vocês, mas é bem completo, para você estudar em casa, revisar, antes da sua prova, do seu trabalho. Enfim, estou deixando um resumo, para vocês nem precisarem fazer anotação durante o vídeo. Mas se você quiser, pode fazer, tá? ♪

Pois bem, pessoal, Era Vargas foi um período que durou 15 anos na história do Brasil, mudou muita coisa, muitas coisas que tem até hoje foram criadas na era Vargas. Mas, ao mesmo tempo, foi um período de idas e vindas, né. A gente divide a Era Vargas em três fases, e eu vou explicar cada uma delas. E também antes mesmo de começar, já quero pedir que, se esse vídeo te ajudar, se você gostar desse vídeo, por favor, deixa um like e compartilhe esse vídeo, porque compartilhando, você me ajuda muito a crescer aqui no YouTube, tá, gente? Então, compartilhe o vídeo em agradecimento ao notão que você vai tirar na sua prova, tá?

Pessoal, a Era Vargas foi um período da história do Brasil entre 1930 e 1945. Primeiro, não achem que o fim da Era Vargas é o fim do Vargas na história do Brasil, porque depois que a Era Vargas terminar, ainda vai passar um tempo, né, cinco anos, e o Vargas vai voltar a ser presidente do país. Então, só deixando claro, porque muita gente já ouviu falar do suicídio do Vargas e de tudo o que aconteceu. Não vou falar tudo até o final agora, porque ainda vai ter muita treta até lá.

Antes de começar, gosto de falar um pouco sobre a figura do Vargas, porque quando eu falo um pouco sobre a personalidade dele, a gente faz uma caricatura na cabeça que eu acho mais fácil de memorizar. E também porque o Vargas é uma figura muito controversa, os historiadores não sabem se gostam ou se desgostam, se ele era de direita ou de esquerda... Ele era um homem de fases, tá, pessoal? Ele tinha os seus momentos, ele fez várias medidas positivas, várias coisas negativas, afinal, ele foi um ditador. Então, ele é uma figura bastante controversa. O que você precisa lembrar, que vai ajudar muito a entender esse resumo? Getúlio Vargas era uma pessoa muito esperta, muito calculista, que gostava muito de poder. Tudo o que o Vargas fez na carreira política foi pensado. Até o suicídio dele, quando ele tirou a própria vida, tinha uma estratégia por trás, tinha um objetivo por trás. Então, não achem que o Vargas fazia as coisas por acaso, que ele estava aí solto na política, que não tinha controle sobre nada. Ele tinha muito controle sobre as coisas e era muito apegado ao poder. Tanto que vocês vão perceber durante o resumo, toda vez que chegar perto da hora que o Vargas vai ter que largar o poder, acabou o mandato dele na presidência, pedem uma nova Constituição... Toda vez que chegar perto de um momento em que ele vai ter que largar o poder, ele vai meter um golpe de Estado para continuar no poder. Tanto que o cara vai ficar 15 anos governando o Brasil. Depois que acabar a Era Vargas ele ainda vai ser candidato, né, vai ser eleito como senador e depois ainda vai ser presidente de novo. Então, Vargas vai estar presente na política desde 1930 até a morte dele, em 54.

Antes vamos entender o que estava acontecendo no Brasil e no mundo, né, o que levou o Vargas a chegar no poder? ♪

A primeira parte do resumo é mais chatinha, porque a gente vai falar da questão política, como o Vargas chegou na presidência, como ele chegou no poder e como se manteve. Se você sobreviver à primeira parte, a gente vai chegar na parte mais tranquila, que a gente vai entender as medidas trabalhistas, as mudanças que ele fez na educação, enfim. A primeira parte é um pouco mais chatinha, tenha paciência, ela é muito importante. Vamos lá, pessoal. O que estava acontecendo no Brasil e no mundo nos anos 20, antes de Vargas chegar no poder? Primeiramente, a Primeira Guerra Mundial... "Primeiramente, a Primeira Guerra." A Primeira Guerra Mundial tinha acabado, a Europa estava em um cenário de destruição. Ainda por cima, teve a Crise de 1929, que foi a quebra da bolsa de Nova York, crise econômica que abalou o mundo inteiro. Além disso, no Brasil, o pau estava quebrando nos anos 1920. Por quê? Caso vocês não tenham assistido, eu vou deixar na descrição, o que estava acontecendo no Brasil? A República Oligárquica, que era aquele sistema político, que tinha um tanto de fraudes eleitorais e aquela coisa. Mas, basicamente, Minas Gerais e São Paulo estavam no café com leite revezando o poder. Vou falar bem simplista, só para não tomar muito tempo de vocês, mas se vocês tiverem dúvidas, tem videoaula sobre República Oligárquica aqui no canal. E isso não agradava todo mundo, porque as pessoas não tinham participação política. Então, houve revoltas no Brasil, muitos movimentos operários, dos operários, dos trabalhadores, pedindo direitos básicos. Teve também a Semana de Arte Moderna, em que muitos artistas estavam vendo, pensando o que era ser brasileiro de verdade. Teve a criação, também em 1922, do Partido Comunista aqui no Brasil. Também teve a Revolta dos Tenentes, né, o tenentismo, a Coluna Prestes, enfim. Vários movimentos de pessoas pedindo direitos, de pessoas insatisfeitas com a condição que o Brasil estava. E também, pessoal, a Primeira Guerra Mundial deixou a Europa bastante devastada, né. Os EUA até estavam investindo dinheiro para reerguer a Europa, só que houve uma mudança de valores, a gente estava passando pelo momento entre guerras, não sei se vocês se lembram, mas as pessoas estavam se desiludindo com o liberalismo e a democracia. E estava tendo a ascensão de ideologias totalitárias, o nazismo, o fascismo, todos estão nascendo nesse período. Também teve, em 1917, a Revolução Russa, e no mundo inteiro começava a pipocar ideias de socialismo, comunismo, anarquismo. As pessoas estavam discordando dos regimes políticos, democráticos, até porque esses regimes não impediram a guerra nem a Crise de 29. Então, eles estavam olhando para os extremos, para extrema-direita e extrema-esquerda. E deixando bem claro também que o que hoje, esse vídeo está sendo gravado em 2020, o que hoje se tem como direita e esquerda não é a mesma coisa que era há 90 anos. Então só para vocês não fazerem o que a gente chama de anacronismo, né. Então, o mundo estava confuso, perguntando no que que eles acreditavam, o que era melhor para os países. O Brasil também não estava em uma situação boa, as pessoas estavam passando necessidades, queriam participação política. As outras oligarquias, até as elites, estavam disputando pelo poder, porque os outros estados do Brasil não estavam felizes com só Minas Gerais e São Paulo disputando o poder, enfim, pessoal. A situação não estava boa, o pau já estava quebrando aqui no Brasil. E aí aconteceu o marco que fez com que acabasse a Primeira República, a República Oligárquica, que foi a Revolução de 1930. Em resumo, o presidente Washington Luís rompeu com a política do café com leite. Ele tinha sido eleito, ele era presidente pelos paulistas, então, depois que acabasse o mandato, ele deveria indicar alguém de Minas Gerais para se tornar o próximo presidente, porque eles revezavam. O Washington Luís, em vez de indicar o cara de Minas Gerais, indicou outro paulista, o Júlio Prestes, para sucedê-lo na presidência. E aí, Minas Gerais ficou pistola, falou: "ó, São Paulo, vocês não me querem? Eu também não preciso de vocês", e fez a aliança com o Rio Grande do Sul. E falou: "Ó, vocês aí estão querendo esse Júlio Prestes, vocês aí estão querendo só paulista? Pois bem. Eu e meu amigo Rio Grande do Sul vamos indicar para presidência o Getúlio Vargas, com um cara chamado João Pessoa como vice". E para fortalecer o Getúlio Vargas, para ele ter o apoio popular, ele basicamente prometeu que se ele fosse eleito presidente, ele ia fazer tudo o que todo mundo pedia. Ele ia conceder a anistia, ou seja, perdoar os tenentes e os militares que tinham se revoltado anos antes, ele ia dar direitos trabalhistas para as pessoas, ia fazer uma reforma eleitoral para mudar aquela situação de eleições fraudulentas. Só que mesmo prometendo metade do mundo, o Getúlio Vargas perdeu as eleições. Júlio Prestes, o candidato de São Paulo, acabou vencendo. E as eleições foram corruptas de ambos os lados, né. Até que, do nada, por um motivo pessoal da vida dele, o João Pessoa, que seria vice-presidente do Getúlio Vargas, foi assassinado. Ele foi assassinado por causa de uma disputa de terras, um motivo pessoal da vida dele, nada a ver com política. Mas o Getúlio Vargas e seus amiguinhos viram nisso uma oportunidade de falar que o assassinato do João Pessoa foi um crime político. E, assim, ter uma desculpa para dar um golpe de Estado. Então, a partir daí, o Getúlio Vargas falou: "mataram o João Pessoa, que absurdo! Indo contra a oposição, já chega de Oligarquia, não aguento mais". Juntou um tanto de gente e falou: "vou para o Rio de Janeiro tomar o poder". Saiu todo lindo do Rio Grande do Sul, subindo, subindo, junto com o apoio de várias pessoas que estavam querendo mudar aquela situação. E os militares, vendo aquela situação toda, tiveram medo de que houvesse guerra civil, porque estava tendo confronto, né, o pessoal estava brigando mesmo. Então, por medo de que ocorresse uma guerra generalizada, um conflito muito maior do que o que já estava havendo, o exército fez um golpe, tirou o presidente e colocou o Getúlio Vargas no lugar. Então, basicamente, essa foi a Revolução de 1930. Por conta dessa questão toda das eleições, do assassinato do João Pessoa, acabou que houve um golpe de Estado e Getúlio Vargas se tornou presidente, começou a governar o Brasil.

Mas agora, pessoal, questão importante que pode cair na sua prova. Igual eu mencionei, quando o Vargas estava se candidatando a presidente, ele prometeu meio mundo para todo mundo. Prometeu para os trabalhadores, prometeu para as pessoas o voto secreto, prometeu direitos trabalhistas, investir na indústria, enfim. Ele prometeu um tanto de coisas e, com isso, obteve o apoio da população, né. Inclusive, a gente vai ver ao longo da aula, o Vargas fez várias coisas, várias propagandas, várias estratégias, para ser bem quisto, amado e apoiado pela população. Mas, mesmo tendo prometido meio mundo, e mesmo tendo feito, durante todo o governo, essa propaganda de Vargas ama o povão, a chegada do Vargas no poder não significou que a população ganhou participação política. Muito pelo contrário, porque ele vai instaurar uma ditadura. Então essa é uma questão que pode sim cair na sua prova, tá? A Revolução de 1930 não significou a chegada do povo no poder, nem mudanças radicais nas estruturas sociais do país. Se você aí já estudou anteriormente um bocado da história do Brasil, vai ver que uma tendência que vai se manter durante toda a história do nosso país. Troca governo, sai governo, entra República, entra Monarquia, Império, Dom Pedro, tudo. Eles fazem de tudo para fazer mudanças políticas, mudanças econômicas, sem mudar a estrutura social do Brasil. A elite vai se manter no poder, tendo interferência na política, a estrutura social não vai se alterar. Os trabalhadores até vão ganhar direitos, até vão ganhar uns mimos do Getúlio Vargas, mas ele vai fazer todas as reformas, econômicas e sociais, sem mudar essa estrutura social. Essa é uma questão muito importante. ♪

A Era Vargas, igual eu mencionei, vai ser dividida em três fases. A primeira vai ser o Governo Provisório, que é entre 1930 e 1934... "Trinta e quatro". Ai, língua presa. A segunda vai ser o Governo Constitucional, que vai ser entre 1934 e 1937. A terceira vai ser a Ditadura do Estado Novo, que vai ser entre 1937 e 1945. Estou precisando ir na fonoaudióloga, né, meninas? ♪

Vamos lá, pessoal. Getúlio Vargas chegou no poder por meio de um golpe, então a situação ainda não está nas melhores para ele, né. Por mais que ele tivesse o apoio de várias pessoas, ele ainda precisava assegurar que se mantivesse no poder, porque a galera que ele tirou não estava feliz, estava querendo voltar. Vamos pensar, pessoal. Qual era o Brasil que estava lá quando o Vargas chegou no poder? Era um Brasil oligárquico, né? Era um Brasil onde cada estado tinha sua Oligarquia, família, grupo de pessoas, que comandava e que mandava, fazia o que bem entendia. E o governo central, o presidente, não tinha tanto poder comparado a isso. Uma frase que descreve isso perfeitamente é que eles diziam que: "faltava poder público e sobrava poder privado". Então, quando Getúlio Vargas chegou no poder, tratou logo de enfraquecer essas Oligarquias, para que a figura do presidente se tornasse uma figura mais importante do que era, para que ele tivesse poder para enfraquecer essa galera que mandava antes dele. E não era só ele que queria isso, as pessoas que apoiavam Getúlio Vargas contavam com que ele fizesse isso, né. Apoiaram o Vargas justamente para que ele fizesse isso, para que ele desse mais participação política para os outros e tirasse essas oligarquias do poder, deixasse esses folgados de fora, porque eles achavam que podiam fazer o que quisessem.

Vamos ao plano mirabolante de Getúlio Vargas para tirar o poder das Oligarquias. Vamos pensar, como que as Oligarquias conseguiram se manter no poder? Primeiramente, por meio de eleições fraudulentas, onde o voto era aberto, então, todo mundo sabia em quem todo mundo votava, você podia comprar voto, ameaçar as pessoas. Eles ainda colocavam gente morta como sendo eleitor, falsificavam as eleições todas, enfim, faziam o maior bafafá. Outra coisa, coronéis colocavam no governo, colocavam para trabalhar com eles, pessoas de confiança, parentes, amigos, o famigerado nepotismo. Assim, mantinham só pessoas que iam apoiá-los trabalhando no governo. E também, por meio dos governadores, né. Na época que Getúlio Vargas chegou no poder, os estados tinham uma certa autonomia. Então, os governadores tinham um poder considerável. Então, como que o Getúlio Vargas vai acabar com as Oligarquias? Acabando com esses três pés. Primeiramente, vamos acabar com as eleições fraudulentas. Ele instaurou o Código Eleitoral. Então, agora o voto é secreto, ninguém sabe em quem votou. Ele colocou também o voto feminino, então é muito importante isso. Em 1932, foi instituído na Constituição o voto feminino. E também tinha a justiça eleitoral, que era justamente para fiscalizar, para não acontecer nenhuma anormalidade, fraude ou corrupção nas eleições.

Mas uma questão importante que já caiu no ENEM. No governo Vargas, assim como em vários governos do Brasil, o voto para analfabetos não era permitido, os analfabetos não podiam votar. O que que já caiu no ENEM em anos anteriores? Na história do país, só duas Constituições permitiram com que os analfabetos votassem, que foram a primeira e a última. A primeira de todas e a última, que é a nossa constituição atual de 1988. Por que durante quase toda a história do país os analfabetos não podiam votar? Porque o Getúlio Vargas que vai instaurar a educação pública, então antes não tinha educação pública. Quem tinha acesso à educação era quem tinha dinheiro, dinheiro para conseguir contratar professores e tudo o mais, e, muitas vezes, dinheiro para sair do país para poder estudar. Então, falar que só pessoas alfabetizadas podiam votar, basicamente, era falar que só pessoas ricas poderiam votar. Porque só tinha acesso à educação quem tinha dinheiro. Então, tirar o voto dos analfabetos era, a curto e grosso modo, uma forma de impedir os pobres de votar, de participar na política, e fazer com que a elite só tivesse participação política, e aí, a elite votava nela mesma, e a elite mandava... Enfim, ficava essa ordem social que ninguém tinha coragem de mexer.

E agora, outra coisa que fazia com que as Oligarquias tivessem muito poder, os estados tinham uma certa autonomia, então os governadores eram importantes. E eles escolhiam quem fosse conveniente para fazer parte do governo. Então, o que o Getúlio Vargas vai fazer? Vai diminuir o poder dos estados, a autonomia dos estados. Então, os estados brasileiros vão ficar cada vez mais dependentes do governo, o governo vai ser centralizado. E Getúlio Vargas vai tirar essas pessoas do poder e colocar interventores, colocar, para governar os estados, pessoas da confiança de Getúlio Vargas, principalmente, militares. Foi uma forma do Getúlio compensar, agradecer os militares que fizeram o golpe que colocou o Getúlio Vargas no poder. E outra, anos depois, não vai ser agora, mas daqui a alguns anos, o Getúlio Vargas também vai instituir o concurso público, para definir os funcionários públicos. Porque agora, com o concurso público, pessoas capacitadas vão trabalhar no governo, pessoas que tiram nota boa na prova, que entram por mérito, e não por favoritismo, por nepotismo, por indicação. Então, em grande parte, isso vai ajudar as Oligarquias a perderem seu poder.

Como vocês devem imaginar, elas não estavam nada, nada, nada felizes com essa situação, porque eles estavam acostumados a mandar no que quisessem, fazer o que quisessem, e agora Getúlio chegou e falou: "não". Quem estava mais revoltado com essa situação era o estado de São Paulo, porque São Paulo era o centro da economia cafeeira, era o estado que, naquele momento, mais movimentava a economia do Brasil. E eles ficavam reclamando, né. Então, São Paulo tinha essa crítica, porque eles falavam que carregavam a economia do Brasil nas costas, que eles eram o estado economicamente mais importante, mas eles não tinham participação política. Então, eles mereciam ter participação política. Não estavam completamente certos na coisa de "carregar o Brasil nas costas", mas também não estavam errados, né. Com isso, São Paulo foi o auge desse conflito entre os estados e o governo Vargas, foi a Revolução Constitucionalista de 1932. Foi quando São Paulo fez um conflito armado mesmo, uma batalha, durou três meses de conflitos, pessoas morreram, pegaram em armas mesmo, para pedir que o Brasil tivesse uma Constituição. Porque, desde que o golpe ocorreu e Vargas chegou no poder, ele estava governando sem lei, literalmente, não tinha que dar satisfação para ninguém, ele podia fazer o que quisesse. Então, as oligarquias, os estados, e principalmente São Paulo, falaram: "hum-hum, queremos uma Constituição, a gente quer que você tenha regras, que você tenha que dar satisfação para alguém, especialmente para o povo".

Outro símbolo importante que pode cair na sua prova é o M.M.D.C., que virou grande símbolo de resistência na Revolução Constitucionalista. Por quê? Em um conflito com a polícia, houve quatro estudantes que foram mortos. Nesse conflito, foram mortos pelos policiais, e acabou que eles viraram mártires, a figura deles se tornou um símbolo de luta e tudo o mais. E eles foram elevados como um símbolo, estandarte da Revolução Constitucionalista. A sigla é M.M.D.C. porque era a inicial desses quatro jovens que morreram, que era Martins, Miragaia, Drausio e Camargo. Se vocês virem M.M.D.C. em algum lugar, a foto do velório do estudante, vocês já sabem do que se trata, né? É toda essa criação dos mártires, e também um incentivo para a população lutar. Tanto que, se você for em São Paulo, tem vários monumentos, várias homenagens às pessoas que lutaram em 1932. É motivo de muito orgulho de São Paulo ter feito parte dessa Revolução.

E outra coisa também, só para finalizar essa questão de São Paulo, é a questão do café. Igual eu mencionei para vocês, em 1929, teve a quebra da bolsa de Nova York, a crise econômica, e, alguns anos depois, essa crise foi sentida no Brasil, especialmente em relação ao café, porque o Brasil era um país que vivia, principalmente, da exportação de café, e o café foi muito desvalorizado. E, para resolver essa situação, o que o Getúlio Vargas fez, que foi uma medida que ficou muito famosa, ele estabeleceu que o governo ia comprar milhares, milhões de quilos de café, e queimou esse café, justamente para impedir que fosse mais desvalorizado no mercado. A lei da oferta e da procura. Então, basicamente, durante 10 anos, levou muito tempo, porque eles, literalmente, queimaram tipo 70 milhões de sacas de café. O governo queimou o equivalente a três anos de consumo mundial de café, justamente para valorizar o café brasileiro e impedir que os preços caíssem, e ajudar na economia do país.

Mas não contei para vocês qual foi o desfecho da Revolução Constitucionalista, né, pessoal? Acabou que depois de três meses de conflito, São Paulo foi vencida. Entretanto, mesmo que tenham vencido as batalhas, acabou que eles foram muito importantes para que a Constituição de fato ocorresse. Getúlio Vargas não queria caçar briga com São Paulo, ele percebeu que vários outros estados se juntaram a São Paulo, apoiaram São Paulo, então, ele falou: "ok, vou ceder um pouco para vocês, para vocês não encherem o saco". E também Getúlio Vargas chamou uma Assembleia Constituinte, para, enfim, fazer uma lei, uma Constituição para o Brasil, que foi a Constituição de 1934. Quais foram as principais características dessa Constituição? Primeiramente, a Constituição de 1934 definiu o Brasil como República Federativa, o que era uma grande mentira, porque República Federativa supõe que os estados têm uma certa autonomia, quando, na verdade, o que o Vargas estava fazendo era justamente o contrário, tirando a autonomia dos estados para dar mais importância para ele. É o que eu falei no início da aula, "muito poder privado e pouco poder público". Guardem isso, porque é importante. A Constituição também definiu que o Brasil seria presidencialista, e que cada presidente teria mandato de 4 anos e não poderia se reeleger. E outra, também definiu que as eleições seriam diretas, ou seja, as pessoas votariam diretamente no presidente. Ele também falou: "ok, vai ter eleição, mas, como exceção, a primeira não é direta. As pessoas não vão votar de primeira. A próxima eleição vai ser direta, mas essa agora vai ser indireta". E, adivinhem? Ele mesmo foi eleito presidente no dia seguinte. Muito conveniente, né, pessoal? Então, ó, vocês guardem, Getúlio Vargas... Você está olhando para cá, Getúlio Vargas já está lá, Ele é esperto, não larga o osso dele. A Constituição de 1934 também oficializou o Código Eleitoral, colocou o voto secreto, que era muito importante para quebrar o poder das Oligarquias. O voto feminino foi oficializado na Constituição, mas a primeira vez que as mulheres votaram foi alguns anos depois. Tirou o voto dos analfabetos, manteve os analfabetos sem direito de votar. instaurou a Justiça Eleitoral, tudo isso que já contei para vocês. Ele também instituiu o ensino primário e obrigatório, mas, sobre as medidas educativas do Vargas, a gente vai falar mais para frente, e também colocou alguns direitos trabalhistas, mas isso também a gente vai falar um pouco mais para frente. Agora a gente está matando a parte chata, para depois fazer a parte mais tranquila do resumo, tá? E agora, a gente acabou a primeira fase da Era Vargas, que foi a fase do Governo Provisório, porque agora, a partir de 1934, tem uma Constituição, então, vai ser o Governo Constitucional. Por quê? Getúlio Vargas tem que prestar contas para uma Constituição, tem uma lei que manda nele, ele não pode mais fazer o que quer. Mas, já vou dar um spoiler para vocês, isso não vai durar muito. Quando chegar a hora de novas eleições, a hora de o Vargas perder o poder dele, ele vai meter um golpe e não vai sair do poder. Estou falando para vocês, o bicho é esperto. ♪

Mas durante o período Constitucional, houve muitas mudanças na estrutura política do Brasil, porque as Oligarquias estavam perdendo o poder, os militares também estavam perdendo o poder, e a população, em geral, estava encontrando formas de se ver representada, especialmente partidos políticos. E aí, nesse contexto, a gente vai ter que entender dois movimentos políticos que foram muito importantes, e contrastavam entre si, que foram a AIB e a ANL. Então vamos começar com a criação do integralismo brasileiro, que é um movimento que foi criado por um cara chamado Plínio Salgado, não precisa decorar o nome dele, tá? Eles eram de extrema-direita, bem extrema-direita, e eles tinham claras inspirações e exaltavam o fascismo e o nazismo, tanto que a saudação deles era igual a saudação dos nazistas, só que ao invés de falar "Heil, Hitler", eles falavam "Anauê", que, em Tupi, significa "você é meu irmão". A sigla que vocês vão precisar decorar é AIB, que é a Ação Integralista Brasileira. Como que você vai decorar isso, você me pergunta? Gente, macete besta, mas que eu, pelo menos, nunca mais esqueci. AIB é "BIA" ao contrário, e todo mundo conhece uma Beatriz. Então, pensa nisso para decorar a sigla, tá? Mas, basicamente, AIB foi Ação Integralista Brasileira, que foi esse movimento político de extrema-direita, inspirada no fascismo e também no nazismo, até porque vários dos integralistas eram abertamente antissemitas, escreveriam livros sobre como os judeus queriam dominar o Brasil, e acabar com o Brasil, com a política... Enfim, essas coisas, né, gente. A AIB era anticomunista, antissocialista, antiliberal, anticapitalista. Eles achavam que o Estado tinha que ser forte, e que o poder tinha que estar todo nas mãos de um único líder, e que esse líder ia unir o país. Os integralistas tinham pavor de pessoas que pensam diferente. Achavam que as pessoas tinham que ser criadas para que todos pensassem da mesma forma, e, assim, o país fosse unido e conseguisse fazer tudo o que precisava. Então, eles acreditavam nisso, queriam que todos pensassem da mesma forma. O lema deles era "Deus, pátria e família", eram as bandeiras que eles levantavam, e o símbolo deles era sigma, uma letra grega que, na matemática, significa soma. E quem que eram os integralistas? A AIB chegou a ter mais de 100 mil afiliados, isso é muita coisa. Geralmente, os integralistas eram funcionários públicos, membros da igreja, empresários, e tinha alguns militares, mas eram pessoas extremistas, era um movimento de extrema-direita, igual eu já mencionei.

E aí, alguns anos depois da formação da AIB, foi fundada a ANL, que é a Aliança Nacional Libertadora, que é uma organização antifascista. Mas por quê? Esse pessoal da ANL via que, não só no Brasil mas no mundo, estava tendo esse radicalismo de ideias, que o pessoal estava entrando na onda de ideologias totalitárias. Então, eles tinham muito medo de que ocorresse uma guerra, o que de fato aconteceu, a gente sabe. E, por isso, eles fizeram a ANL, que é um movimento político antifascista. Eles criticavam, obviamente, o fascismo e o imperialismo, especialmente dos EUA. Eles defendiam reforma agrária, divisão das terras que não são utilizadas. Defendiam também que o Brasil não pagasse dívida externa, para conseguir investir mais na sua economia, para nacionalizar as empresas estrangeiras que estavam aqui no Brasil. Eles também queriam que o governo atendesse aos pedidos dos trabalhadores, desse mais direito para os trabalhadores. Queriam que o governo fosse mais popular, que mais pessoas participassem do poder, que o poder fosse menos limitado, menos elitista, enfim. E quem que eram os aliancistas, quem que estava fazendo parte da ANL? Uma grande parte da população, tanto os militares, os estudantes, a classe média, os trabalhadores, e também as esquerdas. Depois, até o partido Comunista, né, ele fez com que a ANL fosse proibida, depois de um tempo que já existia a ANL, o partido Comunista também manifestou seu apoio e as esquerdas do Brasil, lembrando que a esquerda naquela época não é a mesma coisa que a de hoje, mas as esquerdas também manifestaram apoio à ANL. E o Getúlio Vargas morria de medo da ANL. A AIB, Ação Integralista Brasileira, apoiou o Getúlio Vargas, esteve ao lado dele, ajudou Getúlio Vargas a dar o golpe, a estar no poder. Mas a Aliança Nacional Libertadora, a ANL, dava um nervosinho aí no Vargas, né, porque eles queriam participação do pessoal no governo, queriam reforma agrária, enfim... Queriam um tanto de medidas que o Vargas não estava afim de dar, não. Quando o Partido Comunista apoiou a ANL, Vargas teve uma desculpa para fechar, para declarar que a ANL estava ilegal, para acabar com aquilo tudo.

Já que estamos falando de Partido Comunista, vamos falar da Intentona Comunista, tendo em vista que esse é o nome pejorativo que foi dado posteriormente para o movimento. O que que foi a Intentona Comunista? Foi uma série de revoltas, de movimentos, que aconteceu em 1935, em vários lugares do país, começou em Natal, e várias outras cidades tiveram movimentos, insurreições comunistas, para instaurar um novo regime no Brasil. Só que não rolou, não deu certo. E uma liderança muito importante da Intentona Comunista, esse nome não precisa decorar, mas se você ler, precisa se lembrar quem é, que foi o Luís Carlos Prestes. O Luís Carlos Prestes já era uma figura muito importante para os brasileiros, ele era uma pessoa muito bem quista, muito bem vista. Por quê? Ele fez parte da Coluna Prestes, que foi um dos movimentos do tenentismo, que pedia melhores condições de vida e de trabalho para as pessoas, então, ele já era muito respeitado. Só que aí, ao longo dos anos, ele foi aderindo ao comunismo. Então, ele fez parte do Partido Comunista, inclusive, como uma forma de homenagem, ele foi chamado para presidir a ANL. E a ANL foi proibida quando Prestes declarou que apoiava ela. Ele fez parte, foi uma das lideranças para esses movimentos, para essas insurreições que ocorreram pelo Brasil. E uma coisa, inclusive, que ficou muito famosa na cultura popular, principalmente por conta do filme, foi a questão da esposa dele, a Olga. A Olga Benário, que era uma alemã enviada pela Rússia aqui para o Brasil, para ajudar a fazer esses movimentos. Eles acabaram se apaixonando, ela engravidou. Só que, quando o movimento foi descoberto e o Vargas começou a perseguir sua oposição, o Luís Carlos Prestes foi preso e a Olga foi deportada para a Alemanha. A Olga Benário era não só uma comunista, mas também uma judia, então, o caso dela ficou muito famoso, porque Vargas sabia o que ia acontecer, e escolheu deportá-la para a Alemanha, justamente porque ela foi mandada a um campo de concentração, teve o filho... Estava grávida, teve o filho sozinha em um campo de concentração, e morreu numa câmara de gás, uma situação bem tensa. E a mãe do Luís Carlos Prestes conseguiu resgatar a bebezinha lá da Alemanha e trazer ela, para que fosse criada pela família. Mas a Intentona Comunista foi duramente reprimida, a maior parte das pessoas que participou foi presa, torturada, muitos foram deportados, alguns conseguiram fugir. Mas o movimento foi duramente reprimido, e aí vai começar o que já tinha antes, né, mas vai fortalecer o medo do comunismo, que vai ser algo muito utilizado pelo Vargas e que vai "traumatizar", de certa forma, que vai fazer com que o exército tivesse um pé atrás com o comunismo.

Mas o que rolou foi que os comunistas fizeram uma série de movimentos, e Vargas viu nisso uma oportunidade incrível de fortalecer o poder dele, visto que, em breve, ele teria que largar a presidência. Então, quando houve a Intentona Comunista, Vargas colocou o Brasil em estado de sítio. O que é estado de sítio? É uma medida extrema, em casos de extrema necessidade, em que o Governo Federal controla o Legislativo e o Judiciário. Ou seja, os três Poderes ficam na mão do presidente. O Governo Federal já é o Executivo, e agora ele também controla o Legislativo e o Judiciário. Então, em um estado de extrema necessidade, guerra, revolta, invasão, desastre natural, o Estado pode declarar estado de sítio, e aí o governo vai controlar todos os Poderes e também pode controlar a liberdade individual das pessoas. Então, Vargas se aproveitou dessa situação para declarar estado de sítio, e vai manter o estado de sítio por anos, por anos, mesmo depois de ter passado qualquer espécie de ameaça comunista, porque isso deu para ele muito poder. Agora ele não precisa mais prestar contas à Constituição. E por conta desse medo, dessa ameaça comunista, o exército, que antes estava com um leve pé atrás com Vargas, voltou a apoiar o Vargas e inclusive ajudou a dar um golpe, daqui a pouquinho a gente vai ver, que é o golpe do Estado Novo.

Então, Vargas precisava de uma desculpa para se manter no poder, e também precisava que o pessoal apoiasse que ele se mantivesse no poder, né, porque ele já estava lá há um bom tempo. Então, o que ele fez? Ele inventou, hoje a gente sabe que é mentira, ele inventou o famoso Plano Cohen. Cohen é um sobrenome judeu, então essa treta ainda teve um negócio antissemita no fundo. Basicamente, foi inventado, né, hoje a gente sabe que era mentira, foi fraudado um plano, escrito por um judeu chamado Cohen, que falava que ia ter uma revolta comunista, que comunistas iam tomar o poder no Brasil. E aí, Vargas divulgou isso, falou: "gente, vejam bem! Os comunistas querem tomar o poder no Brasil, a gente não pode deixar isso acontecer. Para isso não acontecer, vou ficar mais no poder, tá? Vou tomar todo o poder, não vou deixar para ninguém fazer nada, a gente vai entrar em estado de ditadura, para que os comunistas não entrem no poder". Essas manobras políticas de falar "por medo do comunismo instaurar a ditadura" não foram os militares que inventaram em 64, tá, gente? Isso é bem anterior. E aí, basicamente, Vargas anunciou o golpe, anunciou literalmente, na rádio, em 1937. O Vargas criou o programa "Hora do Brasil", que hoje se chama "Voz do Brasil", passa todos os dias na rádio, todas as rádios são obrigadas a passar. "O discurso do presidente Getúlio Vargas, pronunciado no Palácio Guanabara, às 20 horas do dia 10 de novembro de 1937." Então, basicamente, esse foi o golpe do Estado Novo. O Boris Fausto, autor desse livro, fala que "o Estado Novo concentrou a maior soma de poderes até aquele momento da história do Brasil independente". Então, desde a independência do Brasil, foi o momento em que mais teve poder na mão de um governante. Gente, mais do que na época do Império, Dom Pedro I e Dom Pedro II. Isso é algo muito intenso de a gente pensar, o tanto de poder que estava na mão de Vargas. Para concretizar a ditadura, para concretizar que ele ia ficar no poder e ninguém ia tirar o Vargas do poder, ele outorgou uma nova Constituição, conhecida como Constituição "Polaca". A Constituição Polaca teve esse apelido por dois motivos. Primeiramente, porque foi inspirada na Constituição da Polônia e de outros países fascistas da Europa. Em segundo lugar, porque "polacas" é como eram chamadas as prostitutas do Brasil, porque a maior parte das prostitutas vinha do Leste Europeu naquela época. Então, era uma forma pejorativa de se referir à Constituição. Com essa Constituição, a gente entra na parte final da Era Vargas, que vai ser a ditadura do Estado Novo. ♪

Observação muito importante, pessoal, vamos começar com essa reflexão. Por que vocês acham que o período anterior, da República da Espada, da Oligarquia, ficou conhecido como "República Velha"? Foi uma nomenclatura feita para contrastar pejorativamente com o Estado Novo, para exaltar a ditadura do Vargas. "Ó, tudo o que foi antes, Oligarquia, essas tretas todas, tudo é República Velha. Agora, começa o Estado Novo, o Brasil novo." Então, a própria nomenclatura já é uma propaganda política, tá? Essa questão de nomenclatura, de República Velha e Estado Novo, caiu algo semelhante no ENEM, se referindo à questão da Idade Média ser conhecida como "Idade das Trevas", em oposição ao Iluminismo, né, luz e trevas. Vocês estão entendendo? Então, essa questão da nomenclatura é muito importante, prestem atenção.

Quais poderes a Constituição Polaca, de 1937, deu ao presidente Getúlio Vargas? Primeiramente, Vargas podia impor leis ao país, ele também podia nomear interventores para cada estado, podia fechar as Assembleias, as Câmaras Municipais, ele podia ordenar invasão de domicílios, ordenar a prisão de pessoas, isso é importante também. Ele podia censurar os meios de comunicação e extinguir partidos políticos. Essas são, basicamente, as características de uma ditadura, né? A ausência de oposição, uma pessoa ou grupo que está no poder, monopolizando todos os três Poderes, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Além disso, obviamente, as próximas eleições foram suspensas, o Vargas não tinha a menor intenção de dar o poder para outra pessoa. E os sindicatos passaram a ser controlados pelo governo, mas a gente vai falar disso um pouco depois.

Agora a gente vai ver a questão do golpe integralista. Lembra da AIB? A "BIA" ao contrário? Que apoiou o Vargas, ajudou com o golpe, extrema-direita, que fazia saudação igual aos fascistas? Então, eles não ficaram felizes com a situação do Estado Novo, até porque todos os partidos políticos foram extintos, inclusive eles. Eles ficaram "uai, Getúlio, a gente te ajudou em tudo, nunca te negamos nada, e você proíbe a gente de existir?". Então, o pessoal da AIB tentou fazer um atentado e matar Getúlio Vargas. Foi um negócio violentíssimo, o governo fuzilou todo mundo que fez parte desse atentado. A partir daí, Getúlio Vargas percebeu que não podia confiar em ninguém, e passou a perseguir qualquer tipo de oposição. Antes, Getúlio Vargas perseguia a ANL, os comunistas, mas agora vai passar a perseguir qualquer pessoa que fosse contra o regime. Então, vai começar um período muito grande de censura, perseguição, presos políticos, pessoas que vão ser exiladas, torturas... Aquela coisa toda de ditadura que a gente já ouviu falar tantas vezes, tá? ♪

Ó, pessoal, vamos começar com a economia. Como foi a economia durante a Era Vargas, especialmente durante o Estado Novo. Vou ler para vocês um trecho desse livro do Boris Fausto, porque esse autor, igual eu mencionei, é muito utilizado para fazer prova de vestibular e de concurso. Vou ler vários trechos dele, alguns até caíram em concurso público. Então, vou ler, porque tem chance de cair na sua prova, tá? Boris Fausto fala, no livro dele, que "a gente pode sintetizar o Estado Novo sob o aspecto socioeconômico, falando que o Estado Novo representou uma aliança da burocracia civil, militar e da burguesia industrial, que o objetivo comum deles era promover a industrialização sem grandes abalos sociais". É o que já falei duas vezes para vocês, eles queriam fazer reforma, mas não queriam mudar a estrutura de poder e a estrutura da sociedade.

O Boris Fausto explica qual era o objetivo, o que cada um queria, o que os militares, a burocracia civil e os industriais queriam. Primeiramente, a burocracia civil queria a industrialização, porque consideravam que era o caminho para a verdadeira independência do país. Então, se o Brasil fosse industrializado, eles não iam mais depender economicamente de outros países. Agora, os militares queriam a industrialização, porque achavam que, com a indústria forte e de base, a economia ia ficar melhor e, com isso, a segurança pública ia melhorar. Por quê? Com uma economia melhor, as pessoas têm mais qualidade de vida. Com qualidade de vida, ninguém se revolta, ninguém gera barraco e nem faz caô. Então, os militares queriam a industrialização por conta disso. E os industriais queriam porque foram convencidos de que o incentivo à industrialização precisava de intervenção do Estado. Por quê, pessoal? A gente está vivendo aí, depois da Primeira Guerra Mundial, um cenário de crise do liberalismo, né, as pessoas não estavam mais acreditando no liberalismo econômico. Tanto que, nos EUA, por exemplo, solucionaram grande parte dos problemas da Crise de 29 com a intervenção do Estado na economia. Então, os industriais, que antes acreditavam no liberalismo, acabaram sendo convencidos de que, para fortalecer a indústria, eles poderiam contar com a ajuda e com a intervenção do Estado. Então, a industrialização, o que Boris Fausto quis dizer nesse trecho, é que a industrialização agradava a todos. Agradava a população civil, a burocracia civil, que achava que com a industrialização o Brasil ia ser independente. Agradava os militares, que achavam que com a economia boa ia ter menos revolta, então, ia ter segurança nacional. E os próprios industriais, que perceberam que a intervenção do Estado na economia naquele momento estava ok. Então, basicamente, um dos grandes destaques economicamente do Getúlio Vargas, vai ser a industrialização, porque o Brasil era um país basicamente monocultor, né, vivia muito do café na época em que Vargas chegou no poder. E o Brasil, vocês têm que se lembrar dessa palavra, tá, gente? O Brasil viveu uma industrialização por substituição de importações. Por quê, pessoal? Teve tanto a Primeira Guerra Mundial quanto

A Crise de 29, então, os parceiros comerciais do Brasil, porque antes o Brasil importava tudo, né, o Brasil não tinha tanta indústria aqui. Então, os parceiros comerciais que o Brasil comprava ou estavam em crise por causa da Crise de 29 ou estavam quebrados por causa da Primeira Guerra Mundial. Então, o Brasil foi forçado a se industrializar para substituir as importações que fazia desses outros países, entendeu? Por isso que é industrialização por substituição de importações.

A política econômica do Estado Novo ficou conhecida como Nacional-desenvolvimentista. Nacional-desenvolvimentista, quase um trava-línguas, tá, gente? Isso é importante vocês lembrarem também. Vargas queria desenvolver a base da industrialização brasileira, queria fazer intervenção estatal, empréstimos para desenvolver a indústria... Tanto que, pessoal, nos anos 40, anos 50, 70% das indústrias do Brasil tinham sido fundadas a partir do governo Vargas. Ele realmente promoveu, em grandiosa escala, a industrialização no Brasil. Ele focou em quatro elementos principais: petróleo, mineração, siderurgia e energia elétrica. Então, ele criou, por exemplo, indústrias petrolíferas, para explorar o petróleo que tinha no Brasil. Criou, por exemplo, a Vale do Rio Doce, outras empresas de mineração. Criou a CSN, Companhia Siderúrgica Nacional, que mexe com siderurgia. E também criou outra empresa hidrelétrica para cuidar da questão da energia elétrica.

Então, Vargas começou a desenvolver esses fatores e setores da industrialização, e sempre estatal. Ele fazia essas empresas para serem estatais, então, estava tudo nas mãos do Estado, era tudo do governo, todas essas empresas eram do governo. Algumas dessas que eu citei hoje não são mais do governo, mas elas foram privatizadas, foram vendidas. Mas originalmente, CSN, Vale, era tudo estatal, tudo do governo. Então, gerido pelo governo, lucro do governo. Para o Vargas, isso era "canavial de top", porque Vargas queria centralizar. Vargas fez toda essa questão da industrialização para incentivar o Brasil a depender cada vez menos do café, para que o Brasil fosse um país menos dependente da agricultura.

Outras medidas que Vargas fez, não precisa memorizar todas, mas outras medidas que ele fez para incentivar a industrialização, foram políticas de proteção tarifária. Aumentou as tarifas de produtos importados para os brasileiros serem mais baratos e para o pessoal comprar os brasileiros. Ele também diminuiu tarifas sobre equipamentos industriais, para ser mais barato montar indústria e tudo o mais. Ele fundou juros e empréstimos favoráveis à indústria, para estimular a circulação de dinheiro e tudo o mais. E ele também fixou o salário mínimo, mas, já que estamos falando de salário mínimo, vamos falar de uma das partes mais importantes da Era Vargas. Essa parte, com certeza absoluta, vai cair na sua prova, então, presta atenção, que é o trabalhismo, as políticas trabalhistas do governo Vargas.

♪ Vou começar com um trecho desse mesmo livro do Boris Fausto, que já caiu em concurso público, que fala: "um dos aspectos mais coerentes, mais concisos do governo Vargas, foi a política trabalhista", que teve seus momentos, seus altos e baixos, teve várias fases, mas, desde o início, a política trabalhista de Vargas se apresentou como sendo algo diferente, que ia mudar tudo o que já tinha sido feito. Mas a parte mais importante dessa citação, que eu quero que vocês prestem atenção, é que ele fala que a política trabalhista "teve por objetivo principal reprimir os esforços organizatórios da classe trabalhadora urbana fora do controle do Estado e atraí-la para o apoio difuso ao governo".

Vou traduzir aqui o que ele falou. O que ele quis dizer com isso? Que um dos principais objetivos das políticas trabalhistas do Vargas não era ser bonzinho, não era ser filantropo, não era simplesmente ajudar a população. Um dos objetivos das políticas trabalhistas do Getúlio Vargas era justamente impedir a organização dos trabalhadores, dos movimentos operários, e colocar todos embaixo da asa do governo, sob fiscalização do governo, para impedir de ter motim, paralisação, greve, esse tipo de coisa. Ele fez isso porque percebeu, o que muito depois das Oligarquias custaram a perceber, né, pessoal, ele percebeu logo antes que os trabalhadores eram uma classe, que, se eles se juntassem, iam conseguir fazer grandes mudanças e reivindicações. Então, o Estado tinha que ter controle dos trabalhadores, senão ia dar ruim para ele.

Outra frase que eu acho sensacional, a cara de cair no ENEM essa citação, pessoal: "a política trabalhista do Estado Novo pode ser vista sob dois aspectos". Primeiramente, as iniciativas materiais, que foram as novidades, as leis, a CLT, enfim, as coisas que de fato foram feitas, as coisas concretas que foram feitas. E o outro aspecto que a gente pode analisar as leis trabalhistas foi a criação da imagem de Getúlio Vargas como protetor dos trabalhadores. As leis trabalhistas, toda essa questão do trabalhismo, não foi feita simplesmente como filantropia, uma boa vontade do Getúlio Vargas. Ele fez isso, tanto que fez cerimônias, fazia toda uma pompa, justamente para criar essa imagem dele de pai dos pobres, pai dos trabalhadores, para ser bem quisto pela população.

O que Getúlio Vargas percebeu que as Oligarquias não percebiam, é que ter o apoio dos trabalhadores era ter tudo. Tanto que Vargas é considerado um governador populista, e, depois dele, outros presidentes vão tentar seguir os passos, porque vão perceber que ter o apoio da população e dos trabalhadores é ter o apoio de grande parte do Brasil, e que eles seriam definitivos em decisão de eleição e tudo o mais. Então, Getúlio Vargas fez todas essas políticas também para ter essa boa imagem e para ter o apoio das pessoas.

Ele também começou a criar símbolos nacionais, ele criou o DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda, muito importante, que cuidava não só da censura dos meios de comunicação, mas também de fazer uma propaganda fortíssima da imagem do Vargas. Apresentava Vargas como amigo das crianças, pai dos pobres, pai dos trabalhadores... Vocês estão entendendo? Amigo dos patrões, enfim... Toda essa propaganda de endeusar a figura do Vargas foi feita pelo Departamento de Imprensa e Propaganda. E Vargas, de fato, concedeu direitos aos trabalhadores. Quando ele ia conceder algum direito para os trabalhadores, fazer alguma lei, enfim, alguma coisa que beneficiasse trabalhadores, ele fazia uma grande pompa, fazia uma cerimônia... Ele instaurou também o Dia do Trabalho, no dia 1º de maio, que era um feriado nacional para exaltar os trabalhadores. Ele sempre fazia uma grande cerimônia, para que todo mundo percebesse que aquelas medidas só estavam sendo feitas porque Vargas queria, e exaltassem a figura do Vargas.

Então, pessoal, quais foram as medidas que Vargas fez pelos trabalhadores? São as famigeradas CLT. Por isso que estou falando para vocês, vejam a carteira de trabalho de vocês, que até hoje na capa está escrito que isso foi feito pelo Vargas. Por quê, pessoal? Não sei você trabalha, você que está vendo esse vídeo, mas você, com certeza, conhece alguém que trabalha. Eu, pelo menos, não consigo imaginar a vida sem os direitos trabalhistas. O que são os direitos trabalhistas? São o direito a férias, seguro desemprego, jornada de trabalho, gente, jornada de trabalho máxima de 8 horas por dia, regulamentação do trabalho infantil, do trabalho feminino... Porque, pessoal, antes das leis trabalhistas, as pessoas simplesmente trabalhavam... Literalmente, as pessoas trabalhavam 20 horas por dia, em fábricas, recebendo mixaria, sem direito nenhum. Crianças de 5 anos trabalhavam em fábricas, mulheres também trabalhavam, recebiam 10% do salário dos homens, eram abusadas, estupradas nos locais de trabalho. As pessoas não tinham nenhum direito, gente, não tinham nenhum direito, não tinha nenhuma garantia de nada, nada. Então, os direitos trabalhistas foram muito, muito, muito importantes. A Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, foi justamente a "consolidação". Colocou no papel bonitinho. E Vargas também criou a Justiça do Trabalho justamente para fiscalizar, né, porque não adianta colocar um tanto de regra, tem que garantir que os patrões vão cumprir essas regras. Então, Vargas instaurou aí os direitos trabalhistas.

Mas, ao mesmo tempo, Vargas fez várias medidas controladoras em relação aos sindicatos, né. Igual eu li para vocês o trecho no início, quando comecei a falar de trabalhismo, que falei que o Vargas também queria controlar o movimento sindical e impedir que os trabalhadores se organizassem... Como ele fez isso? Controlando o movimento sindical, controlando os sindicatos. Por quê? O sindicato meio que existe para bater de frente com o governo, o sindicato existe para representar uma classe trabalhadora. Então, por exemplo, tem o sindicato dos professores. O sindicato dos professores está lá para representar os professores e lutar pelas vontades dos professores, lutar para melhorar as condições de trabalho, enfim, está lá para bater de frente com o governo, e garantir que os professores vão ter seus direitos respeitados. Só que, quando Vargas foi legalizar, porque os sindicatos eram criminalizados... Tanto que governadores e presidentes anteriores falavam que casos trabalhistas eram "casos de polícia", porque, literalmente, os trabalhadores faziam greves falando "não aguento mais trabalhar 20 horas por dia", eles mandavam a polícia descer o cacete nesses caras. Então, agora que o sindicato está legalizado, Vargas definiu o sindicato como "órgão consultivo e de colaboração com o poder público". Ou seja, o sindicato não está aí para bater de frente com o governo e assegurar as vontades dos trabalhadores. Ele está aí, literalmente, para colaborar com o poder público. Vargas proibiu, por exemplo, as greves. Ele até se inspirou no fascismo para fazer todas essas leis. Vargas também obrigou que os sindicatos fossem vinculados ao Ministério do Trabalho, e também só podia ter um sindicato por profissão.

Quais são as vantagens e as desvantagens disso? Primeiramente, quais são as vantagens? Primeiro, que é o monopólio da representação. Já que só pode ter um sindicato por categoria profissional, os sindicatos não precisam ficar brigando entre si, já que só tem um sindicato oficial. E outro ponto positivo é que, como os sindicatos não são mais ilegais, como agora eles não são mais criminosos, os sindicalistas estavam protegidos da repressão policial, a polícia não podia mais descer o cacete neles igual fazia antes. Mas agora os contras. Primeiramente, tornar os sindicatos dependentes do Estado. Até porque o governo podia fiscalizar as assembleias, as reuniões, as eleições, podia fiscalizar a contabilidade de todos os sindicatos... E também, gente, só tinha um sindicato oficial por profissão, e o Estado, o governo que escolhia qual seria o sindicato oficial. Então, eles escolhiam o sindicato que convinha, que não estava batendo de frente com eles. Assim, a política sindicalista do Vargas foi chamada de "sindicalismo pelego". O que é um pelego? Pelego é o paninho que você coloca nas costas do cavalo quando vai cavalgar, que faz com que não machuque tanto as costas dele quando a sela está batendo na coluna do cavalo. E por que o sindicalismo foi comparado com o pelego? Porque, da mesma forma que o pelego parece que está lá para ser bonzinho com o cavalo, mas, na real, é só para o cavalo aguentar carregar mais peso, aguentar mais perrengue, da mesma forma, esse sindicalismo parece que é bom para os trabalhadores, mas ele servia mais o Estado do que os trabalhadores, estão entendendo? Outra coisa também é que foi criado, anos depois, o imposto sindical. Cada trabalhador pagava um imposto relativo a um dia de trabalho por ano. Esse dinheiro ia para o sindicato, né, só que uma parte dele, secretamente, era usada para financiar ministério, financiar campanha política... Então, isso tudo fez com que tivesse essa imagem de sindicalismo pelego, vocês entenderam?

Para finalizar, sobre a educação e a saúde, o Vargas também fez várias medidas, né? Criou o Ministério da Educação e da Saúde, fez várias medidas para combater o analfabetismo, o governo também montou um sistema de saúde pública, para investir na saúde das gestantes, na saúde das crianças, tentar combater doenças endêmicas, malária, febre amarela, tifo, lepra etc. Também foi criada a previdência social, então, seguro para doenças, seguro invalidez, seguro maternidade, morte, contra acidentes de trabalho, enfim. Também foi criado um sistema público de educação básica, que era uma escola gratuita, laica, universal e obrigatória. Então, a partir daí, era obrigatório que as crianças frequentassem a escola. O governo começou a fundar o que se tornou o sistema universitário federal, as universidades federais do Brasil. Também foi criado o SENAI, o SENAC, e escolas para formação dos professores.

♪ Então, vamos lá, pessoal. O golpe do Estado Novo foi em 1937 e a Segunda Guerra começou em 1939. O Getúlio Vargas, igual eu falei desde o início do resumo, era um homem de fases, era uma pessoa extremamente dual, que estava cada hora de um lado, do lado que mais convinha, né, pessoal? Então, ao mesmo tempo que Getúlio Vargas estava recebendo dinheiro dos EUA, por conta da política de boa vizinhança, a CSN foi fundada com recurso dos EUA, por exemplo. Ao mesmo tempo que tinha isso, o Brasil também... Ele já tinha feito vários elogios à Alemanha Nazista, ao fascismo italiano, porque dizia ele que admirava esses Estados fortes, que obrigavam a população a respeitar a autoridade... Enfim, gente, ele tinha uma inclinação aí, principalmente antes da ascensão do Hitler, ele já tinha uma inclinação fascista muito grande, já tinha elogiado várias e várias vezes, a própria AIB, ele era parceiro da AIB.

Então, Vargas era uma pessoa extremamente dual, mas em relação à política externa ele tentava ficar neutro, tentava não se meter nos conflitos de outros países. Só que teve a Segunda Guerra Mundial. E aí, ao mesmo tempo que o Brasil, que tinha várias relações comerciais com a Alemanha, o Japão, a Itália, com esses países aí do Eixo, os EUA vieram cobrar do Brasil que ajudasse os EUA na Segunda Guerra. O Brasil acabou entrando na Segunda Guerra do lado dos Aliados, né. Então, ele entrou junto com os EUA, até mandou soldados para lutar na Itália, a FEB, os pracinhas, aquela coisa de "a cobra vai fumar"... Então, o Brasil participou da Segunda Guerra do lado dos Aliados, só que aí o resumo de como acabou a Era Vargas é aquele meme do cachorro escrito "enfim a hipocrisia". Basicamente, a Era Vargas vai acabar não só porque estava esgotado o sistema político, mas porque, qual o tamanho da hipocrisia de um ditador, que, muitas vezes, teve atitudes de extrema-direita, estar declarando guerra contra ditaduras de extrema-direita? A entrada do Brasil na Segunda Guerra do lado dos EUA, fez com que o pessoal começasse a questionar qual que era a da cabeça do Vargas, que era um ditador autoritário, que estava declarando guerra pela democracia, sendo que o Brasil não tinha uma democracia. E muitas pessoas, que já não estavam contentes com o governo, os estudantes, os jornalistas começaram a se manifestar... O pessoal estava pedindo a redemocratização do Brasil. Porque, gente, olha a contradição que é a ditadura Vargas lutando pela democracia. Isso não faz sentido nenhum.

Vargas percebeu que realmente não ia ter saída, que ele ia ter que abrir o governo, que não ia dar mais para governar de forma ditatorial. Então, ele marcou eleições para o final do ano de 1945, permitiu com que tivesse outros partidos políticos de novo, então, foram formados outros partidos políticos. Ele anistiou, perdoou, os presos políticos, fechou o DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda, então, foi acabando com a censura, prometendo que ia voltar, marcou a eleição e tudo o mais. Mas o que vai mudar tudo vai ser um movimento conhecido como "queremismo". Por quê, pessoal? Falei que vocês iam entender mais para o final, agora é a hora. O Getúlio Vargas passou anos fazendo propaganda gigantesca em cima dele mesmo, para ele ser o protetor de todo mundo, o pai dos pobres, o pai dos trabalhadores, enfim, para associar a imagem dele a tudo de bom que ele fez como presidente. Então, quando chegou a hora de eleições e Vargas não ia se candidatar a presidente, os trabalhadores começaram a ficar apavorados. Por quê? Eles relacionavam os direitos que tinham conquistado com a figura, a pessoa do presidente. Então, eles achavam que, se Vargas saísse, eles iam perder tudo que tinham conquistado. Então, isso fez com que houvesse esse movimento chamado de queremismo, justamente porque eles falavam que queriam o Vargas no poder, queriam que o Vargas continuasse no poder, por medo de perder os direitos que tinham conquistado.

Só que, aos poucos, essas lideranças dos trabalhadores começaram a perceber que, para manter os direitos conquistados, não precisava necessariamente do Vargas estar no poder. Para manter os direitos de verdade, eles precisavam que os direitos trabalhistas estivessem assegurados na Constituição. Então, o movimento queremista acabou aderindo à Constituição. Muitos falavam que queriam Vargas e uma Constituinte. Houve esse pedido, esse movimento queremista, e isso apavorou a oposição. Por quê, pessoal? Vargas tem um histórico, a gente já percebeu ao longo dessa aula, de que, quando chega a hora de largar a presidência, ele mete um golpe. E aí, e agora? Imagina, pessoal. Você está lá concorrendo à presidência contra Getúlio Vargas, Getúlio Vargas esse que já deu três golpes? Três golpes de Estado para se manter no poder, e aí, a população toda está pedindo para ele continuar no poder. Todo mundo ficou apavorado, achando que Vargas ia dar outro golpe para ficar no poder. Assim, até hoje a gente não sabe se ia dar mesmo ou se não. E forçaram Vargas a renunciar, justamente com medo de que ele fizesse mais um golpe de Estado, e que a Era Vargas não acabasse nunca.

Então, com isso, em 1945, pouco antes das eleições, Vargas foi forçado a renunciar, largar o poder. E aí, houve as eleições. Quem venceu foi um militar chamado Eurico Gaspar Dutra, que foi o próximo presidente do Brasil. Mas, igual eu mencionei para vocês, gente, não se enganem, Vargas vai permanecer na política até ele morrer, porque nessas eleições ele foi eleito como senador, e, cinco anos depois, ele voltou e foi presidente de novo, tá? Mas isso é assunto para outro vídeo, outro role. Basicamente, foi dessa forma que acabou a Era Vargas. Ele foi obrigado a renunciar, porque estava todo mundo com medo de ele fazer outro golpe e não sair do poder de jeito nenhum. E, sinceramente, capaz, né, gente? Se tem um homem que gosta de estar no poder, esse homem é Getúlio Vargas. Assim, terminou a Era Vargas. Começou com golpe, se manteve com golpe, e terminou com outro golpe, né, pessoal?

De qualquer forma, pessoal, só tenho a agradecer, tá? Muito obrigada para você que viu o vídeo até aqui. Obrigada pela paciência. Por favor, se o vídeo te ajudou, deixa um like, se inscreve no canal e compartilha, porque isso me ajuda muito, muito, muito a crescer aqui no YouTube, tá, pessoal? Muito obrigada pela paciência. Espero ver você no próximo vídeo. Um beijo! ♪