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[Música] Basta olhar para arquivos e imagens antigas e vamos notar que antigamente as pessoas de fato eram mais magras.
[Música] Se a gente for comparar, eh, a média da circunferência abdominal das mulheres, né, da década de 60 até os anos 2000, a circunferência abdominal das mulheres era de mais ou menos 63 cm, né? Hoje em dia as americanas têm uma média de circunferência abdominal de 85 cm. Hoje carregamos 25, 30 ou até 90 kg a mais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade e o sobrepeso quase triplicaram desde 1975. Aqui no Brasil, de acordo com a pesquisa Vigitel feita pelo Ministério da Saúde, em 2017, quase 20% dos brasileiros estavam obesos e mais da metade da população das capitais brasileiras estava com excesso de peso.
Em séculos passados, a obesidade já foi considerada um símbolo de status e riqueza. No século X, por exemplo, alguns homens usavam roupas com enchimento e o objetivo era simular uma barriga maior. Não era tão fácil conquistar um sobrepeso. A escassez de alimentos foi um problema em várias épocas, mas mesmo em muitas civilizações com comida à vontade, a obesidade ainda era rara.
O que está acontecendo? Por que chegamos aonde chegamos? Por que será que a obesidade não era comum na década de 70 e hoje em dia é um fenômeno que não para de crescer? E nós claramente não estamos conseguindo combater a obesidade com a maneira tradicional de enxergar qual é o problema.
Se a gente for pensar, todo mundo que fala que vai entrar de dieta, a primeira coisa que comenta é: "Ah, eu vou na academia, vou me matricular na academia para fazer exercício, porque eu preciso fazer mais exercício, comer menos calorias, porque aí eu vou conseguir fazer provocar um déficit calórico, aí eu vou perder a minha gordura corporal." Esse é o raciocínio básico que médicos, nutricionistas e o senso comum, a mídia, todo mundo acha que sabe resolver o problema da da obesidade.
[Música] Então eu sempre brinco que as dietas pré-carnaval e pré-verão, né, dieta do verão, elas até funcionam a curto prazo, mas logo depois você volta a comer o que comia antes, até um pouco menos e reganha esse peso. Então a gente também sabe que enxergar esse déficit calórico como solução na prática não funciona.
Apesar de não funcionar, a gente continua insistindo em recomendações como essa de focar em calorias como a principal estratégia para emagrecer. Existe outro problema com essa abordagem focada em calorias. Quase sempre a culpa recai sobre nós. Infelizmente, muitas pessoas ainda associam obesidade com falta de força de vontade, preguiça ou fraqueza de caráter. E essa é uma associação injusta e equivocada, considerando que muitos desses alimentos modernos desequilibram o nosso corpo.
O Dr. David Ludvig diz que a grande maioria das pessoas se agarram a esse conceito baseado em calorias. E algumas frases equivocadas mais comuns são: "Não existe alimento ruim, todas as calorias são iguais. Para emagrecer basta comer menos e fazer mais atividade física." Eh, essa estratégia claramente não está dando certo. A gente tem 100 anos de estudo com dieta hipocalórica. A dieta hipocalórica tem vários efeitos colaterais, dentre os quais aumento da fome e queda do metabolismo.
Se você somar esses dois fatores só, ignorando todos os outros, a gente sabe que eh durante a duração da dieta, esse déficit déficit até pode acontecer, mas frente a hormônios a gente não consegue vencer. E quando você tem os seus hormônios da fome aumentados e a sua taxa metabólica, o seu gasto basal foi diminuído porque você está consumindo menos caloria, essa é a receita da falha total, porque com mais fome e gastando menos, qualquer coisa que você vai comer, você vai recuperar o seu peso.
Mas então, se contar caloria não pode ser a melhor estratégia para emagrecer a longo prazo, que que a gente pode fazer? Então, bom, existe uma forma de provocar esse déficit calórico, só que levando em consideração seus hormônios e o efeito que os alimentos têm nos seus hormônios. Dessa maneira fica fácil entender o que que aconteceu da década de 70 para cá para a gente ganhar tanto peso e fica fácil entender porque que a gente não consegue emagrecer.
Se a gente levar em conta o efeito da insulina, que é esse principal hormônio que decide se a gente vai queimar gordura ou se a gente vai armazenar gordura, a gente vai entender como os nossos hábitos modernos privilegiam o aumento da insulina e colocam a gente no modo armazenamento o tempo todo.
A epidemia de obesidade que a gente observa especialmente a partir dos anos 70, ela é obviamente multifatorial, mas a gente não pode deixar de considerar que uma das principais coisas que aconteceu dos anos 70 para cá foi a demonização da gordura. E na hora que você demoniza a gordura na dieta, você está demonizando uma série de alimentos que são alimentos naturais, não processados e que, na realidade, são alguns dos alimentos mais nutritivos que a gente encontra na natureza. Por exemplo, ovos, por exemplo, laticínios, por exemplo, as mais diversas carnes.
Então, o que houve foi o medo implantado a partir de diretrizes equivocadas no que diz respeito a alimentos naturais, nutritivos e que a humanidade sempre consumiu. Houve uma resposta por parte da indústria alimentícia no sentido de fornecer para as pessoas alternativas que fossem adequadas às novas diretrizes, alternativas pobres em gordura. Então, sai a manteiga, entra a margarina, que hoje nós sabemos é muito pior, é rica em gordura trans. Sai, como eu disse, os laticínios, as carnes e entram o quê? Os produtos de baixa gordura.
Então, nós vamos ter os cereais matinais a serem consumidos com leite desnatado, mas esses cereais frequentemente são cheios de açúcar e eles são basicamente puro amido. Eles são tão pobres do ponto de vista nutricional que todos os fabricantes fortificam eles com nutrientes e vitaminas sintéticas. Assim, um efeito não antecipado dessa mudança das diretrizes foi o medo da comida de verdade, o medo das gorduras naturais presentes nos alimentos e a adesão em massa da população ao consumo de alimentos altamente processados, feitos basicamente de amido e açúcar com gordura vegetal. E esses alimentos passam então a ser a base da alimentação.
Se vocês olharem a pirâmide alimentar, na base da pirâmide, nós temos o quê? 6 a 11 servidas de pães, massas, arroz, biscoitos. Então, não é de se espantar que se as pessoas realmente passam a seguir esse tipo de estratégia, haja sim um aumento na obesidade e nas doenças crônicas.
Outra coisa que contribuiu também foi o fato de que as pessoas começaram a consumir menos proteína. À medida que você consome mais alimentos processados, que tendem a ser baseados em farinha e açúcar, você passa a ter proporcionalmente menos proteína na dieta. Essa diluição da proteína na dieta das pessoas tem como efeito um aumento do consumo calórico. Por quê? Porque nós sabemos que a proteína ela é um inibidor natural do apetite. Quanto maior a proporção de proteína presente na nossa dieta, menos nós tendemos a comer. E pelo contrário, quando nós consumimos alimentos que são pobres em proteína, mas ricos em carboidratos, refinados em açúcares e farinhas, esses alimentos são muito gostosos, são hiperpalatáveis, eles despertam em nós a sensação de prazer, mas eles não matam a fome no médio e longo prazo. Você tem uma saciedade imediata e daqui a uma, duas ou três horas você precisa comer mais porque seus níveis de glicose no sangue já estão baixando.
Quando a gente come, a gente sempre come uma mistura entre carboidrato, proteína e gordura. Tem alguns alimentos que têm mais carboidrato e outros alimentos que têm mais gordura e outros que têm mais proteína. A comida processada, os alimentos processados, eles têm uma combinação muito grande entre carboidrato e gordura. Esse carboidrato refinado, ele aumenta e muito a nossa insulina. Então, ele coloca, ele nos coloca no modo armazenamento de energia. Tudo que você come com a comida processada entra como armazenamento. E aí tem um problema. Essa combinação de carboidrato com gordura é irresistível para o nosso cérebro. Não existe, não existem alimentos na natureza que tenham uma quantidade grande de carboidrato associada a uma quantidade grande de gordura. Então essa mistura irresistível faz com que a gente também coma mais calorias. Então não só a gente come mais, como a gente entra no modo armazenamento, armazenando mais.
E aí, como uma observação muito importante, o nosso comportamento alimentar não só mudou de alimentos que vinham direto da natureza para a comida processada, como a quantidade de vezes que a gente come também aumentou. Então, da década de 70 para três vezes por dia, uma família passou a comer seis, nove vezes por dia, agora na atualidade, né, até 2000, nos anos 2000. Então essa mudança na frequência associado ao tipo de comida rica em carboidrato, ela fez com que a gente entrasse no modo armazenamento a maior parte do dia. A gente perdeu a oportunidade, a gente não dá mais oportunidade de queimar os nossos estoques. E a gente tem que lembrar que a gordura corporal, ela serve justamente para isso. A gente tem um estoque rápido de energia para quando não tem alimentos disponíveis no nosso fígado. Nosso fígado é o principal órgão que libera a glicose assim que a gente precisa sob demanda. Só que o fígado ele tem um tamanho pequeno, ele consegue armazenar só 2.000 calorias em média. Acabaram essas 2.000 calorias, você tem o seu estoque de gordura corporal acumulado justamente para isso. Então, na ausência de glicose, a gente consegue queimar gordura como fonte de energia.
A alimentação moderna, ela trouxe uma série de vantagens no sentido de conforto, conveniência, etc. Porém, ela também trouxe a oportunidade da gente comer 24 horas por dia. Tem alguns estudos que mostram que a frequência alimentar ela começa a partir das 6 da manhã e vai até em média, eh, meia-noite, 1 da manhã. E os únicos períodos em que a frequência alimentar é baixíssima é da 1 da manhã até às 5 da manhã. Então, a gente passa num período de 24 horas a maior parte do tempo no estado alimentado. Que tipo de comida a gente come nesse estado alimentado? Comida processada, rica em carboidrato. Então, não só a gente desperta a insulina várias vezes por dia, como a gente repete isso há anos. Então, dessa maneira a gente provoca uma mudança no nosso metabolismo para armazenar sem parar e nunca usar os nossos estoques acumulados.
Então, justamente se a gente for pensar o que que o que que mudou da década de 70 para cá, muita coisa. A qualidade do que a gente come é muito pior. Quanto menos proteína no que você come, mais fome você tem. A gente tem menos saciedade. A proteína tem, ela é cara para o nosso metabolismo. A gente gasta para digerir e ela serve como bloquinhos de construção. Ela não é uma boa fonte de energia. Então, a gente come proteína, a gente tem o efeito térmico de queimar essa proteína e ela tem um efeito muito interessante na redução da nossa fome, do nosso apetite. A grelina diminui o consumo de proteína. Se a gente for ver a dieta eh processada de comida moderna, é muito mais barato comer um prato de macarrão do que comer um salmão.
Então esse é o grande ponto chave de enxergar a obesidade não como um problema matemático, sim como um problema hormonal. E controlando os hormônios, a gente controla a nossa fome e gera esse déficit calórico que sim, é necessário, mas a gente precisa primeiro controlar a nossa fome para que esse déficit calórico ocorra naturalmente.
Pessoal, a saciedade e a fome dependem de uma série de mecanismos. Alguns deles são mais básicos e fundamentais. Então, por exemplo, a grelina é uma substância produzida por células do estômago que vai aumentar a sua fome, porque está sinalizando, entre aspas, de forma simplista, que o estômago esteja vazio. Assim como a leptina, ela é produzida pelas células de gordura e estaria sinalizando: "Olha, você já está saciado? Olha, você não precisa comer mais." E esse sistema quando funciona bem, ótimo, está tudo muito bem. Tudo muito tranquilo. Esse sistema quando se corrompe, a gente simplesmente perde o controle.
Eh, basicamente o que promove a corrupção desse sistema é um desequilíbrio do sistema insulínico-glicêmico, que vai ser desregulado pelo excesso de consumo de açúcares, de alimentos de índice glicêmico elevado. Por um fato muito simples, pessoal. Nosso organismo não foi feito para consumi-los dessa maneira. Nós não temos sistema de contingência para isso. Observe que eu não estou aqui demonizando o uso de carboidratos. Eu estou aqui falando do uso inadequado. Por quê? Porque eu posso querer dizer que haja um uso adequado. De acordo com as finalidades que aquela pessoa tem com a sua alimentação, com os objetivos que ela tenha com o seu organismo e com sua saúde, ela vai poder usar alguns tipos de carboidratos de forma inteligente, de forma organizada. E quem vai saber fazer esse trabalho, organizar isso tudo direitinho para que não haja prejuízo é o profissional nutricionista.
Pesquisadores desse estudo descobriram a melhor maneira de engordar ratos. Uma alimentação cheia de biscoitos, cereais, batatas fritas e outros carboidratos de alto índice glicêmico. Só que os humanos são bem diferentes. Então temos que falar sobre humanos que querem acumular gordura. Por exemplo, os lutadores japoneses de sumô.
[Aplausos] [Música] Esses lutadores consomem grandes quantidades de comida, muitas vezes chegando a 15.000 calorias em um único dia, segundo o Instituto Suga Rara. Só que a maior parte dessas calorias são carboidratos. O consumo de carboidratos chega a ser o dobro em relação à proteína e à gordura.
Mas afinal, o que é carboidrato? O os carboidratos, né, dentro do universo nutricional nada mais é do que uma categorização, né? É um é uma tentativa de agrupar, de colocar todo mundo dentro de um de um de um lugar só e dá o nome de carboidratos, né? E colocar dentro desse lugar, dentro desse grupo, todos os açúcares, né, existentes na natureza ou açúcares processados, né, né? Então todos os todos os carboidratos que nós ingerimos, eles passam por um por um processo de metabolismo, de metabolização, né? Ele precisa ser modificado para poder ser utilizado. E da e aí é que as coisas começam a fazer sentido quando a gente observa os carboidratos complexos da maneira que a natureza criou versus os carboidratos que a gente tem disponível hoje em dia, principalmente quando se trata de alimentos ultraprocessados, alimentos artificiais, que aqueles que a gente acha nas prateleiras dos supermercados.
Queiram gostar de carboidrato ou não queiram gostar de carboidrato. Eu acho que é de senso comum e é de fácil compreensão que o nosso corpo como animal, como ser da natureza, ele tem uma predisposição e tem uma adaptação para identificar alimentos presentes na natureza. Então, que carboidrato nós consideramos ou que pode ser aquele que mais causa impacto negativo? Todo o carboidrato que é altamente processado, altamente manipulado pela indústria. Então, a partir do momento que temos um produto alimentício que não é um alimento, OK? Tenham isso em consciência de fazer essa diferenciação. Um produto alimentício que é super rico em carboidrato, altamente processado e manipulado, cheio de óleos vegetais hidrogenados, cheio de conservantes e corantes, entre outras coisas. Esses, sem dúvida nenhuma, que são os produtos alimentícios, maioritariamente sempre eles ricos em carboidratos e gorduras hidrogenadas e não só, sem dúvida que são aqueles que desempenham o papel mais fulcral no na criação do impacto negativo na nossa alimentação e de longe esses ganham o topo do lugar.
Na minha opinião, o carboidrato é um macronutriente que está na dieta humana há centenas de milhares de anos. Porém, o carboidrato sempre esteve presente em quantidades menores do que ele está hoje. E numa apresentação diferente, era carboidrato integral e não o carboidrato refinado, que hoje é onipresente na maioria das dietas por todo o mundo.
A nossa espécie na natureza existe há mais ou menos 250.000 anos. Antes da primeira revolução agrícola, que aconteceu há mais ou menos 10.000 anos, o homem vivia na natureza andando para lá e para cá. Nós éramos nômades. O que que significa ser nômade? Significa que você não tem uma moradia fixa. E por que os seres humanos eram nômades? Para facilitar a sua alimentação. Quando o ser humano era nômade, ele saía atrás dos grupos de animais, porque como ele era caçador e coletor, isso facilitava sua caça. Era muito mais fácil do que ele ficar parado no mesmo lugar, esperando que a caça resolvesse passar por perto. Então, dessa forma, durante mais de 200.000 anos, os humanos foram nômades e caçavam, pescavam, coletavam pequenos frutos na natureza.
Depois, há mais ou menos 10.000 anos, o homem inventou a agricultura. Ele descobriu que se ele plantasse uma semente na terra, aquela semente se transformava em um uma planta onde ele podia se alimentar. Além disso, ele também aprendeu a criar animais. E foi nesse momento que ele começou a aperfeiçoar o uso das ferramentas e do fogo e também a melhorar a sua comunicação. Mas naquela época ainda a nossa alimentação era muito diferente do que é agora. Hoje a base do que nós comemos são produtos industrializados, altamente processados e com ingredientes que não têm alimentação com a qual a nossa espécie evoluiu na natureza. Então, pensando nisso, nós devemos refletir: será que isso está certo? Por que será que a espécie humana nunca esteve tão obesa e tão doente? Vamos pensar nisso.
O carboidrato, que antes era um carboidrato integral, que era absorvido de uma forma lenta pelo seu corpo, agora é, em sua maioria, um carboidrato refinado, que é rapidamente absorvido pelo seu corpo, causa um pico de glicemia e consequentemente um pico de insulina. Esse carboidrato refinado, que é absorvido rapidamente pelo seu corpo, ele está mantendo o tempo todo a insulina alta, principalmente quando esse carboidrato vem na forma líquida, como refrigerantes, sucos, café e outras bebidas adoçadas. E este excesso de insulina está na raiz das principais doenças do homem moderno. Antigamente, o que matava o ser humano era escassez, era falta de energia. E hoje o que mais mata a humanidade é o excesso. Nesse caso, o excesso se reflete em uma insulina o tempo todo alta, que a gente chama de hiperinsulinemia.
Carboidratos, vamos demonizar todos e vamos censurar o consumo de todos eles? Claro que não. Eu acredito que não. Por quê? Primeiro, nós temos que saber que todos os carboidratos têm caras diferentes, têm impacto diferente no nosso organismo e também diferentes organismos, diferentes metabolismos têm um impacto e uma recepção diferente ao consumo do carboidrato. Então, quando falamos de carboidrato manipulado, processado, tudo o que vem embalado em produto alimentício, então aí nem vale a pena falarmos agora sobre isso, porque já sabemos que isso é para manter fora do que nós chamamos uma dieta saudável.
Agora, quando falamos em produtos, alimentos presentes na natureza, o que é que são esses alimentos presentes na natureza e que têm carboidrato? São desde a batata, desde o arroz, desde o tudo o que é cultivado, todo o trigo e até aos legumes, até aos vegetais. Então nós não podemos comparar, por exemplo, um trigo com o vegetal, com brócolis, por exemplo, são carboidratos diferentes. O que é que eu acho que é interessante nós considerarmos quando analisamos um carboidrato? É preciso primeiro saber se esse carboidrato há muito tempo faz parte da nossa alimentação, se é, por exemplo, um carboidrato que já vem conosco, nó, quando eu digo conosco, seres humanos desde a era paleolítica, por exemplo, como é o caso do tubérculo, da batata doce, ou se estamos a falar de algo mais recente, como o trigo, por exemplo. Então são coisas completamente diferentes nós compararmos uma coisa à outra.
O Dr. William Davis conta em seu livro Barriga de Trigo, que visitou no Oriente Médio uma pequena fazenda orgânica que cultivava alimentos ancestrais e entre eles o trigo original conhecido como Einkorn. Davis comprou 1 kg desse trigo, moeu para fazer farinha e fez uma experiência interessante. Fez dois pães, um com a farinha do trigo original, sem modificação genética, e outro com a farinha do trigo atual. Davis queria comparar o nível de glicose no sangue após o consumo de cada tipo de pão. Após consumir o pão com o trigo original, o nível de glicose no sangue subiu para 110 mg/dL. No dia seguinte, após consumir o pão com o trigo convencional integral, o nível de glicose subiu para 167 mg/dL.
Então, se compararmos ainda mais a um a um alimento, por exemplo, com as folhas, as saladas, os vegetais, têm carboidratos, então não podemos pautar todos da mesma forma. É importante fazer a diferenciação, qual é o seu índice glicêmico, qual é o seu impacto na nossa insulina e também além de além de pensar nisso, quando escolhemos quais os alimentos a considerar, com que frequência nós vamos consumir esse alimento. Então, alimentos todos que provêm, por exemplo, de uma indústria de cultivo. Então, quando pensamos em carboidratos, temos que saber distinguir tudo isso.
Outra coisa que eu quero deixar aqui também, quanto mais sedentário o organismo é, menor é a capacidade de reter, absorver e de queimar aquela energia que vem do carboidrato e às vezes aquele açúcar, aquele mito que vem dali. Quando o atleta, quando a pessoa é desportista, é atleta, existe uma maior predisposição. Há queima energética, a maior facilidade a conseguir regular depois a glicose e começar e conseguir regular também o nível de insulina. Então, tenham sempre isso em consciência. Nem todos os carboidratos são iguais, nem todos se impactam da mesma forma e também que cada corpo tem uma forma diferente de eh ser impactado por cada alimento.
Tudo aquilo que a gente ingere manda uma mensagem para o nosso corpo e essa mensagem pode ser uma mensagem boa ou ruim. Quando se trata de excesso de carboidrato refinado, o predomínio das mensagens que a gente manda para o nosso corpo é o de mensagens ruins. E no longo prazo, isso está encaminhando todo mundo para doença. Hoje um em cada três idosos tem resistência insulínica e metade deles não sabem que têm esse problema.
De fato, é uma dúvida que ainda hoje é bem pertinente e ainda hoje é bastante levantada no dia-a-dia. O atleta precisa do consumo de carboidrato para ter o mesmo desempenho? É obrigatório ou é altamente dispensável o consumo de carboidrato? Então, para isto, nós temos também que falar às vezes sobre a prática, não só sobre a teoria. É verdade que na teoria o atleta não precisa de carboidrato na sua essência, apesar de algum tipo de esporte poder beneficiar com um pouco de ingesta de carboidrato para que para que otimize o seu resultado. Agora, em linhas gerais, de forma quase que transversal a todos os esportes, não é obrigatório, não é estritamente necessário a utilização do carboidrato.
Nós temos atletas como o André Burgos, temos atletas como o Alessandro Medeiros, que estamos a falar de pessoas que correm 100 km sem o consumo de carboidrato. O Alexandro Medeiros, por exemplo, fez 10 maratonas durante 10 dias sem qualquer consumo de carboidrato. Fez 160 km de corrida só em alimentação carnívora, sem qualquer consumo de carboidratos, sem qualquer reposição de gel. Todas as minhas competições, todos os meus trabalhos que eu participei, eu ganhei fazendo cetogênica, low carb e carb-loading, aliado ao jejum intermitente. Então, e hoje as pessoas elas ainda têm aquele mito de achar que eu preciso do carboidrato para poder gerar hipertrofia. E elas não entendem o princípio básico que o carboidrato é um é um é um macronutriente secundário em qualquer dieta, está entendendo? Principalmente a nível de ganho de hipertrofia. Então assim, se ela der o nutriente de forma correta, se ela der o nutriente que o corpo dela precisa, ela vai ter todos os benefícios da hipertrofia, do ganho de massa muscular, da diminuição da gordura corporal, porque ela está nutrindo o corpo de fato. A minha carreira foi toda voltada nesse sentido, nesse princípio e aonde eu ganhei títulos importantes, inclusive títulos internacionais, fazendo uma alimentação restrita em carboidrato.
Pode parecer loucura na cabeça da grande maioria das pessoas, mas de fato carboidrato é secundário. Músculos é danos que você precisa se causar, atividade física de alta intensidade e nutrientes que o corpo vai precisar de fato, que é proteína e gordura, gordura saturada. Então isto prova-nos também na prática que existe sim desempenho, existe sim um caminho a seguir sem o consumo de carboidrato, principalmente o excessivo consumo de carboidrato, essencialmente em açúcares, ainda mais, que sabemos que terá no longo prazo ou no médio prazo um impacto negativo na saúde do atleta.
Agora, é preciso também termos um pouco de paciência e um pouco de tempo para fazer essa adaptação. Podemos estar a falar de uma adaptação que a nível de desempenho, estamos a falar talvez de 6 meses a um ano quando falamos em alta performance, quando falamos em bons resultados no mundo desportista. Então, desde que a preparação seja bem feita, desde que a alimentação seja montada por um bom especialista, principalmente com foco em nutrição desportiva, e é sim possível ter um bom desempenho, mas sim com cuidado e com atenção sempre redobrada e sobre o período de adaptação que é necessário para igualar e até quem sabe superar os resultados já obtidos no passado na carreira.
Uma alimentação baixa em carboidrato não é uma coisa nova. Só de 10.000 anos para cá, com o advento da agricultura que o ser humano começou a ter mais carboidrato na sua dieta. Isso se intensificou de uns 150 anos para cá, a partir da revolução industrial, mais ou menos, com o advento dos alimentos industrializados. Por quase 200 anos, foi muito comum a redução do carboidrato como estratégia para perda de peso. Vamos ver alguns exemplos.
No ano de 1797, o escocês cirurgião militar chamado John Rollo tratou com muito sucesso um paciente com diabetes. A estratégia foi uma alimentação baixa em carboidratos. No ano de 1825, Jean Anthelme Brillat-Savarin publicou um livro que na tradução chama-se Fisiologia do Gosto. No livro ele fala sobre a luta dos pacientes em reduzir coisas como farinha, açúcar e biscoitos. Em 1844, William Banting publicou um livro que na tradução chama-se Obesidade ou adiposidade excessiva. No livro, ele fala sobre a redução no consumo de carboidratos e a importância do consumo de boas fontes de proteínas, como por exemplo, carnes.
Existem dezenas de outros exemplos até o ano de 1900 que poderíamos falar, mas vamos resumir e pular para o ano de 1971. Foi o ano que Charlotte Jong divulgou um estudo que dizia o seguinte: "Com menos carboidratos e mais gorduras na dieta, era observado maior perda de peso nos pacientes." Até então, a obesidade estava relativamente sob controle. As pessoas sabiam o que fazer. Mas por volta de 1977 aconteceu algo interessante. Em qualquer gráfico sobre as tendências de obesidade, vamos notar uma mudança muito perceptível em torno desse ano. Esse gráfico, por exemplo, mostra um crescente aumento de peso, chegando até a nossa atual época com essa epidemia de obesidade. O interessante nisso é que em 1977 foi um ano em que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos lançou novas recomendações nutricionais e as recomendações basicamente eram: Evite gorduras, coma carboidrato.
The committee's original report urged Americans to reduce their risks of heart attacks by reducing their intake of cholesterol down to the equivalent of one egg a day.
[Aplausos] A base da pirâmide criada pelo USDA é basicamente carboidratos, né? Ou seja, e lá no topo da pirâmide você vai ver as gorduras, ou seja, use gorduras com muita moderação e abuse dos carboidratos assim, né? Eh, dava ideia a pirâmide alimentar criada pelo USDA. E o que que aconteceu de lá para cá? Houve uma verdadeira explosão de obesidade. O nosso organismo não está preparado para lidar com toda essa carga de carboidratos, com essa insulina alta o tempo todo.
[Música] O Homo Sapiens evoluiu moldado por uma dieta onde predominava gordura e proteína. E só um pouquinho de carboidrato, que no caso era um carboidrato integral. É só de 10.000 anos para cá e principalmente nos últimos dois séculos que a gente começou a ingerir bastante carboidrato refinado e o nosso corpo ainda não está preparado para lidar com todo esse excesso de carboidrato.
[Música] Será que um dia a gente vai se acostumar? Bem, talvez sim, é esse o caminho que a seleção natural segue, mas eu tenho duas ressalvas a fazer. Primeiro que o ser humano ele já não segue uma seleção natural porque ele consegue interferir nesse processo. E segundo, que talvez leve tanto tempo para essa seleção natural, para essa evolução acontecer, que é mais provável que esse excesso de carboidratos, os malefícios do excesso de carboidratos debilitem a humanidade antes que esse processo evolutivo aconteça.
Ok. We, the adults of the last four generations have blessed our children with the destiny of a shorter life span than their own parents. Your child will live a life 10 years younger than you because of the landscape of food that we've built around them. This this stuff goes through you and your family's body every week. And I need you to know that this is going to kill your children early. How you feeling?
Bem, obesidade muitas vezes é vista pelo ângulo do problema estético e muito embora a obesidade possa ser incômoda para algumas pessoas por esse motivo, mas a obesidade realmente é um problema maior do ponto de vista de saúde, porque ela é um fator de risco para uma série de doenças crônicas e degenerativas. Hoje a maioria das pessoas, graças aos tratamentos modernos, às vacinas, aos antibióticos, sobrevive ao tipo de doença que matava grande número de pessoas até o início do século XX, final do século XIX. Então, o que realmente sobrecarrega o sistema de saúde e produz grande mortalidade são justamente as doenças crônicas e degenerativas, como diabetes, pressão alta, gordura no fígado, Alzheimer, câncer e todas essas doenças estão ligadas ao sobrepeso e à obesidade.
O acúmulo de gordura não ocorre da mesma forma em todas as pessoas. Existem pessoas que estão geneticamente predispostas a acumular gordura na região do abdômen, a chamada gordura visceral. Não a gordura que fica embaixo da pele, mas a gordura que fica dentro da cavidade abdominal, envolvendo os órgãos e inclusive dentro dos órgãos, como é a gordura no fígado, a gordura no pâncreas. Esse tipo de gordura está associado com o desenvolvimento da resistência à insulina. Isso é, o corpo já não responde tão bem ao hormônio insulina. E isso, por sua vez, é o que vai levar à síndrome metabólica, que é a pressão alta, gordura no fígado, os triglicérides elevados, o colesterol bom, o HDL baixo, a diabetes, né? Então o diabetes está muito relacionado ao acúmulo de gordura visceral. E a gordura visceral, por sua vez, é aquela que está associada à maior incidência de doenças crônicas e degenerativas.
A Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada hoje pelo IBGE, revela que as doenças crônicas são um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil e do mundo. O açúcar, conforme esse gráfico mostra, o consumo de açúcar disparou. Hoje o Brasil é o quarto maior consumidor de açúcar no mundo.
Listen this angry. I volunteer at diabetes camps and um the so I see kids in what they eat um every day, every summer and the standard recommendations given to children diagnosed with type one diabetes today is that they can eat as much sugar as they want and just take more insulin for it. The blood sugar fluctuations that this way of eating causes to their precious growing bodies is it's a medical tragedy. are disease that we've never seen before.
Вот. [Música] [Música] [Música] [Música] We know too much sugar and too many bad for bad according to study scientist found link between glucose metabolism and disease.
E a pergunta que fica é: o açúcar é perigoso? Por que o açúcar é perigoso? Os caminhos são múltiplos. Para falar de neurologia de uma forma geral, a gente precisa olhar para os caminhos comuns a essas desordens, como a capacidade do cérebro de metabolizar, de utilizar a glicose como combustível, o estresse oxidativo e a inflamação cerebral, que são fatores comuns a diversas doenças que vão da epilepsia à depressão. Alzheimer, Parkinson. Epilepsia são doenças relacionadas ao chamado hipometabolismo da glicose no cérebro, resistência insulínica cerebral. O cérebro não é capaz de utilizar a glicose como combustível, como fonte energética eficiente. Aqui falar para o paciente viver com o carboidrato como um combustível, seria quase que condenar esse paciente a viver em um cérebro com deficiência energética, que é justamente uma das causas para a doença original.
No caso do estresse oxidativo e da inflamação, que andam juntos e e tocam não só em doenças neurológicas, mas como nas doenças crônicas também, evidências mostram como usar o açúcar como combustível gera mais estresse oxidativo do que utilizar corpos cetônicos, como é o caso da dieta cetogênica, que a meta é justamente essa troca de combustível no organismo. Ainda essa mudança energética é capaz de melhorar as defesas antioxidantes do organismo. Andadly over 4.9 million people die annually due to food and numberulpr unnearyck is sugar. So why does this matter so much to me? Because I had a sickness that was triggered by sugar.
[Música] Sempre que a gente fala de vícios, a gente pensa na dopamina. É ela que gera os picos de bem-estar, é ela que grava no cérebro os caminhos para voltar e obter mais. A dopamina te motiva, a dopamina te recompensa, ela te ensina e registra como conseguir. A relação entre dopamina e glicose tem sido estudada e me parece fundamental mesmo. Estudos recentes analisando a utilização de remédios de Parkinson e diabetes. Estão encontrando que esses remédios para Parkinson, os agonistas dopaminérgicos, atuam diretamente sobre insulina e glicose em diabéticos e em pacientes obesos, sem o diagnóstico do diabetes. Da mesma forma, a gente tem estudos mostrando como o consumo de carboidratos refinados gera picos de dopamina comparáveis a outras drogas muito mais pesadas e tudo que sobe desce e gera desregulação. E a necessidade de um consumo real cada vez maior, até que não tem mais o que fazer.
Mas não é só dopamina. Quando a gente fala de adições, a gente olha para diversos outros sistemas. O gabaérgico, que é relaxante, o glutaminérgico excitatório, serotoninérgico, opioidérgico e outros sistemas relacionados ao consumo de açúcar e de outras drogas capazes de gerar desregulações complexas no cérebro. Não é só açúcar. A quantidade de elementos da vida cotidiana que gera altos e baixos nesses sistemas é imensa. Telas, trabalho excessivo, estresse, remédios para emagrecer, além de padrões de sono ruins que têm sido estudado por um nome que vale a pena a gente sempre mencionar, que é a psiquiatra Nora Volkov, que é diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas nos Estados Unidos, NIDA. A Nora Volkov tem estudado a utilização de dieta cetogênica como tratamento para alcoolismo, por exemplo, e tem descoberto que até doses bem pequenas de álcool gera hipometabolismo da glicose no cérebro, abrindo novos caminhos para as relações entre terapias nutricionais e adições.
Enquanto doenças crônicas, neurológicas, psiquiátricas, as autoimunes, seguirem com diagnósticos tão difíceis, os próprios pacientes vão se julgar como fracos ou como se estivessem criando coisas na cabeça. Imagina o que que os outros não estão falando. Então, e esse sentimento de não acolhimento, essa angústia pela falta de respostas, pela falta de exames e de tratamentos, é de uma crueldade sem fim. E é justamente por isso que a comunidade se mobiliza e se reúne em documentários como esses ou nas mídias ou com sites em pesquisas para dizer que existem sim outros caminhos.
Hoje a gente observa que talvez o maior causador eh deste processo de acúmulo de gordura no fígado seja o abuso dos açúcares simples. Então, no caso, a frutose e a glicose, que estão presentes, por exemplo, na sacarose com açúcar de mesa, que é a combinação de frutose com glicose, eh, em excesso, elas acabam promovendo esse processo. Então assim, isso faz parte muito da nossa alimentação contemporânea, que infelizmente tem uma carga de carboidratos simples muito grande, carboidratos simples e alimentos à base de carboidratos com índice glicêmico elevado, ou seja, que promovem o aumento da glicemia muito rápido. Eh, essa glicose sobra, entre aspas, muito rápido, você não tem como processá-la tão rápido, parte dela vai acabar sendo transformada em gordura. E se isso acontecer de uma forma muito veloz e você não tiver como dar destino a isso eh tão rapidamente, você pode acabar tendo esse acúmulo no seu fígado. Então, eh, esse acúmulo de gordura no fígado, ele é um indicativo de um certo impedimento metabólico, de uma certa dificuldade, né, metabólica. E é alguma coisa que a gente precisa tomar como um sinal de que, provavelmente, a alimentação daquele paciente não está adequada. É uma causa clássica para essa esteatose sempre foi o abuso do álcool, mas hoje em dia a gente tem muitos, mas muitos pacientes que sofrem disso por abusos alimentares e que, volto a dizer, não tem relação direta com o consumo de gorduras, mas sim com o consumo de eh carboidratos simples, tá? Consumo de açúcares em abuso, em volume e em má qualidade.
Alimentos processados, ultraprocessados, que também vão trazer problemas por outras vias, como a inflamatória. Esse fígado também pode ficar assim por uma questão inflamatória e que pode começar e também acontece demais no intestino. Então, a disbiose intestinal com excesso de produção de lipopolissacarídeos, tá, das paredes, dos gram-negativos, tipos de microrganismo que se proliferam também nesse processo disbiótico, eh, ele, esse excesso de LPS, esses lipopolissacarídeos também promove, tá, essa esteatose hepática, esse esse fígado gorduroso. Então, tudo isso precisa ser visto quando a gente está falando em acúmulo de gordura hepática, tá? Então a gente vai ter que pensar na alimentação, tanto no sentido do que você come em termos de índice glicêmico e nível de processamento até o quanto isso é pró-inflamatório e o quanto isso promove ou não a disbiose intestinal. Tudo isso precisa ser visto. Há mais fatores, mas esses talvez sejam os principais.
Disease is the nation's number one killer. You make me feel so an estimated 100 million Americans have high serum cholesterol.
[Música] [Música] A gordura saturada não é essa vilã. Não é essa vilã e não é ela responsável pelas doenças cardiovasculares. A gordura alimentar, gordura normal presente no alimento, as evidências hoje demonstram, não tem relação direta com essa formação das placas de gordura. Essas formações das placas de gordura que tanto tememos aqui na cardiologia, com medo do infarto, medo do derrame, as placas de gordura elas não são definidas pela gordura que eu como, não são definidas nem pelo colesterol circulante. Mais de 50% das pessoas que infartam têm um colesterol circulante normal.
E essa bagunça toda aconteceu desde lá da década de 50, quando foi atribuído que as doenças cardiovasculares estariam relacionadas a este consumo de gordura que aumentaria o colesterol circulante, colesterol do sangue e esse colesterol depositaria aqui nas paredes dos vasos. Essa história começou com Ancel Keys, um médico que na época evidenciou através de uma pesquisa científica que depois foi bastante questionada e foi visto bastante falhas, ele observou que os países que consumiam mais gordura tinham mais mortes por doenças cardiovasculares. Tinham várias falhas, inclusive com dados de outros países que quando colocava e planilhava todos os países, esse resultado não se replicava. Isso na época já foi observado e já foi visto essas falhas metodológicas. Mas acontece que em 1961 a Associação Americana de Cardiologia aceita essa teoria, essa teoria de que a gordura alimentar estaria diretamente ligada à formação dessas placas de gordura e a partir daquele momento passa-se uma orientação formal para se diminuir o consumo de gordura, gordura saturada, principalmente ali vinda de origem animal e aumento dos óleos vegetais.
O que que nós observamos nos anos seguintes até nos anos de hoje? Aumento das doenças cardiovasculares, mas não só. Aumento das doenças neurodegenerativas, aumento explosivo de diabetes, aumento das doenças como câncer, doenças autoimunes e todas vinculadas não ao consumo de gordura. O foco foi na gordura e omitiu-se a exatamente o que causa todas essas doenças, que seriam o açúcar, os carboidratos refinados, alimentos industrializados, processados e ultraprocessados. Esses alimentos têm um papel importantíssimo na indução de resistência à insulina. A resistência à insulina, ela é reflexo, é reflexo de um aumento de um estímulo do pâncreas o tempo todo. Essa alimentação estimula o nosso pâncreas a produzir insulina de forma recorrente a todo momento, porque toda hora nós estamos comendo de três em três horas alimentos que entregam açúcar prontamente para o organismo e esse açúcar estimula o pâncreas a produzir insulina. Então nós fazemos isso ao longo do
Dia todo, aumento da insulina de forma recorrente, insistentemente elevada. E essa insulina elevada chega um ponto que ela passa a não ter ação. Insulina, ela tem a função de pegar o açúcar, jogar para dentro da célula, mas à medida que passa com esse padrão de estímulo, de forma recorrente, que não dá sossego, não dá descanso pro organismo, cria-se uma dificuldade de colocar esse açúcar para dentro da célula. Tá aí a origem. A insulina é pró-inflamatória. A resistência insulina e inflamação é a base de todas essas doenças crônicodegenerativas e a insulina tem relação, inclusive com vários tipos de câncer.
Ora, de novo, erramos. Erramos feio. Falamos que a gordura saturada era responsável pelas doenças cardiovasculares. Omitimos o papel do açúcar e desses carboidratos refinados, alimentos processados e ultraprocessados. Culpamos o sal de forma errada e tudo isso refletiu na saúde ou falta dela, falta de saúde que hoje nós temos a nível populacional. Uma população onde mais de 60% das pessoas estão acima do peso, uma população onde 1/6, mas muito subestimado, provavelmente muito mais que isso, estão lá com pré-diabetes e diabetes. Uma população onde 25% das pessoas estão hipertensas. Uma população onde uma em cada seis, nas melhores estatísticas estão sofrendo com doença autoimune. Uma população que até tem vivido mais por recursos médicos, recursos terapêuticos, porém tem vivido mais com uma qualidade de saúde pobre, qualidade de saúde ruim, muitas vezes até acamado nos últimos anos de vida. Reflexo dessas escolhas, essas orientações de redução de sal, de redução de gordura, tiveram um impacto direto na nossa saúde. Ou seja, essas orientações e diretrizes nutricionais nos fizeram mais doentes.
Ancel Kis foi um americano, né, um fisiologista, um cientista americano que logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, que terminou lá em 1945, ele voltou, né, toda a sua curiosidade científica, digamos assim, para a nova praga americana, como ele assim dizia, que eram as doenças cardiovasculares, né, naquela época, ataques cardíacos, né, os problemas coronarianos, eles já eram um mal que assolava os Estados Unidos, né? Então, e isso foi um foco de estudo, né, do Ancel Kiss. Ele conduziu um estudo muito famoso até hoje em dia, chamado estudo dos sete países, né? E foi a primeira vez em que um estudo desse tipo foi conduzido, né, envolvendo tantas comunidades, né, envolvendo, eh, eh, conduzido internacionalmente, né, em múltiplos países, em comunidades distintas, né? O que ele observou, né, nos estudos dele, que eram estudos observacionais, foi que o tabagismo era uma coisa muito presente na vida daquelas pessoas que estavam mais que morriam, né, mais de ataque cardíaco. E também observou que a dieta dessas pessoas eram altas em gordura, né? Então, eh, ele fez esses estudos, esse acompanhamento, só que não satisfeito, obviamente, ele começou a trazer esse estudo para um outro nível. E o que que ele observou? Que países que tinham menos incidência de doenças cardíacas eram aqueles que consumiam menos gorduras saturadas, né? Como Japão, por exemplo. O Japão estava como um país que tinha menos, eh, incidência de doenças coronarianas. Como foi um estudo muito grande, com muita visibilidade, tanto na comunidade científica quanto para o mundo afora, começou-se a associar as gorduras como a grande vilã.
[Música] Buttery light has 85% less saturated fat and no cholesterol. [Música]
Foi de lá para cá que os produtos light, de baixa gordura, de baixo teor de gordura, foram tão disseminados, né? E os carboidratos foram bastante incentivados. Essa é a minha família. Meu marido adora Cornflakes. Vovô e vovó estão sempre juntos. Renata é louca por troquinhos. Laura sempre mistura alguma fruta no sucrilho. Tenista. Um garotão Ricardinho, o nosso grato. Ele precisa de vitaminas e ferro. E a Soninha nada como um peixe.
É um homem da mesma época do Ancel Kiss, né, que defendeu uma dieta rica em carboidratos e baixa em gordura. Também havia um outro professor, um outro cientista, dessa vez um cientista britânico chamado John Yudkins. Ele em 1972 ele lançou um livro, é, e chamado em inglês Pure White and Deadly, que quer dizer puro, branco e mortal, né? Alertando para os perigos do açúcar na dieta das pessoas. E o John Mudkin, ele foi incrivelmente ridicularizado por essa teoria na época, né? Porque justamente ele estava se opondo a um estudo massivo que foi conduzido em múltiplos países, né, que estava já sendo reconhecido pela comunidade científica. O Ansel Kiss, ele estava, eh, sendo premiado, reconhecido, já tinha se tornado uma autoridade em apontar, né, causas para com relação a doenças cardíacas, né, associando hábitos alimentares a doenças cardíacas. [Aplausos] E havia um homem chamado John Yudkin, que foi um cara que lutou quase que sozinho, né? Eh, falando o contrário de que o açúcar que era o vilão. E ele foi extremamente execrado por conta disso nessa época, né? O livro dele, apesar de ter sido lançado na época e esse livro ele, ele você pode encontrá-lo até hoje, ele foi um alvo de pesadas críticas.
O sal não é esse vilão, não é esse vilão para hipertensão arterial. Na verdade, nos últimos 40 anos, as entidades médicas, orientações nutricionais oficiais fizeram-nos acreditar que o sal estaria relacionado e responsável pela hipertensão arterial, né, que nós vimos com muita frequência, mas não é ele. Nós erramos, erramos o cristal. Na verdade, o cristal era o açúcar. E por que que aconteceu isso? Quando comemos sal, nós temos sede. A sede faz com que a gente beba mais água. E na teoria do sal elevando a pressão arterial, essa água seria retida e com isso a pressão arterial estaria aumentada. É uma teoria até legal, porém a história não está completa. Quando vai se estudar o efeito do sal, quando se pega população que não é hipertensa, 80% delas não são sensíveis ao sal. Ou seja, consome-se uma quantidade maior de sal e não vai ter reflexo na elevação da pressão arterial. Já dos pacientes pré-hipertensos, 75% não são sensíveis e dos hipertensos, 55% não são sensíveis. Isso mesmo. Dos pacientes hipertensos, mais da metade não tem sensibilidade ao sal. Ou seja, se tiver uma quantidade maior de sal, você não vai ter reflexo em elevação da pressão arterial. As diretrizes que orientaram a redução do sal para a população geral trabalharam pela minoria, tentaram estender, né, o que a minoria, que o sal fazia para uma minoria, para a população como um todo. Ao invés de termos estendido essa orientação de redução do sal para a população como um todo, uma população onde a minoria responderia a essa redução do sal, deveríamos ter feito a pergunta correta, perguntado por que as pessoas são sensíveis ao sal. Porque aquela minoria quando consome uma quantidade maior de sal tem reflexo no aumento da pressão? Se nós tivéssemos feito essa pergunta e buscado a resposta, nós teríamos encontrado a resistência insulina.
Resistência insulina que é relacionada a uma alimentação com alta quantidade de açúcar e carboidratos refinados. Nessa alimentação padrão, onde nós temos uma quantidade alta de açúcar e carboidratos refinados, nós estimulamos o pâncreas desde a hora que acordamos até na hora de dormir, de forma recorrente, de forma excessiva. E essa elevação de insulina a todo momento, a todo momento está trabalhando com insulina alta, cria-se uma resistência à insulina e a insulina tem as suas efeitos, os efeitos sobre, por exemplo, aqui reter mais água, reter sal, promovendo edema, inchaços e elevação da pressão arterial. Ou seja, focamos no cristal errado. O cristal que estaria respondendo a essa elevação da pressão na população é o açúcar. É essa alimentação com carboidratos refinados, com excesso de açúcar, alimentos processados e ultraprocessados. Tudo bem, erramos nas diretrizes e orientamos a população a consumir menos sal. Ah, mas será que isso faria diferença para o nosso organismo? Sim. Inclusive, a redução do sal pode aumentar resistência insulina. Isso mesmo, a resistência insulina, que é responsável pela hipertensão, né? Nós podemos, pela restrição do sal, contribuir para esse padrão de resistência insulina. E resistência insulina, ela tem impacto direto nos fatores de risco cardiovascular. Por quê? Com a resistência insulina, eu bloqueio, por exemplo, o acesso aos estoques de energia. E aí eu tenho como uma condição como se fosse uma fome interna. Eu tenho um estoque de gordura, um estoque de energia, mas eu não tenho como acessá-lo e aí eu contribuo para a obesidade. Estudos mostram que essa diminuição da ingestão de sódio faz com que nós aumentamos a produção de alguns hormônios que são produzidos, por exemplo, no rim, alguns hormônios de estresse, aumentamos a taxa de triglicérides do sangue, que são todos relacionados a fatores de risco cardiovascular. O estudo PI, que analisou mais de 100.000 pessoas em 17 países, evidenciou que quando se consome muito pouco sal, aumenta-se a mortalidade. E esses níveis ficaram em torno de 2300 mg, ou seja, menos que 2300 mg de sódio, aumenta-se os eventos cardiovasculares e a mortalidade. Ora, as diretrizes nutricionais todas estão colocando e orientando para que consumamos até menos que 2.000 mg de sódio. Esse estudo apontou que provavelmente a ingesta adequada de sódio geraria em torno de 3.000 a 6.000 mg de sódio. Hoje está muito claro que nós erramos o cristal. O cristal que ocasionaria a hipertensão arterial era o açúcar, é os carboidratos refinados e não o sal. O sal ele é importante, importante para o nosso organismo. Ele faz parte do nosso organismo, da comunicação das nossas células, do funcionamento do nosso sistema cardiovascular. E ele é essencial. É essencial que tenhamos quantidade boa de sal para que o organismo funcione de forma adequada.
Outro problema com nossa dieta moderna é o fato de que, infelizmente, muitas pessoas associam peso corporal ou quantidade de comida com nutrição, quando muitas vezes temos abundância de alimentos e baixa oferta nutricional. E esse é o paradoxo de uma sociedade superalimentada e subnutrida. A humanidade veio de períodos crônicos de desnutrição calórica e proteica, né? Ou seja, não havia comida suficiente para grande quantidade da população. Com advento da agricultura em massa, da chamada revolução verde e também dos subsídios agrícolas, nós passamos a ter um superávit de produção de grãos, uma grande quantidade de produção de grãos que são ricos em amido, mas são muito pobres em outros nutrientes. E os produtos feitos a partir desses grãos passam a fazer parte dos alimentos industrializados que são oferecidos a baixo custo para a população e além disso são hiperpalatáveis, são muito saborosos, né? Então, nós passamos a ter, especialmente na população de mais baixa renda, pessoas que estão super alimentadas do ponto de vista calórico. E nós vemos isso em todos os lugares do mundo e no Brasil, não é exceção. Os níveis mais baixos de renda estão associados com os níveis mais elevados de obesidade e diabetes. E a maioria das pessoas poderia imaginar, deveria ser o contrário, porque se a pessoa tem menos dinheiro, ela vai poder comprar menos comida, não, ela vai poder comprar menos nutrição de qualidade, mas as calorias oriundas dos alimentos processados feitos basicamente com amido, farináceos e açúcar são as mais baratas. E aí nós temos o paradoxo de uma população que tem uma superalimentação do ponto de vista calórico, mas é subnutrida do ponto de vista proteico e de nutrientes essenciais. Porque os bons alimentos, aqueles que são ricos em proteína e nutrientes, que são, portanto, nutricionalmente densos, esses alimentos acabam tendo um custo um pouco mais elevado e muitas vezes requerem um preparo, né? Você precisa preparar uma carne, um peixe, os legumes, mas é muito fácil abrir um pacote e aquele pacote tem dentro de si um produto que foi desenvolvido através da engenharia de alimentos para ser irresistível, para estimular justamente os centros do prazer no cérebro através da quantidade certa e no caso exagerada de açúcar, de sal, de gordura para produzir uma sensação irresistível de eu preciso mais um, eu preciso mais uma mordida. Mas ali você não tá consumindo os principais nutrientes. Ali você não tá consumindo uma quantidade adequada de proteína, de modo que você se enche de calorias baratas, mas com pouca nutrição.
Olá, meu nome é Janaína Knen, sou médica, sou endocrinologista, formei na UFMG aqui em Minas Gerais em 2003, tenho residência em clínica médica e endocrinologia e metabologia. Sou titulada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Tenho mestrado pela UFMG. Fui professora durante 5 anos no Hospital Risoleta Tolentino Neves, que é um hospital universitário aqui em Belo Horizonte, tratando pacientes com pé diabético em amputação. Antes depois de amputar, fui preceptora também do internato de clínica médica da UFMG. Fui preceptora do ambulatório de diabetes tipo 1 no Hospital das Clínicas da UFMG durante 2 anos. Sou coordenadora, uma das coordenadoras e professora na pós-graduação da estratégia, eh, nutricional de baixo carboidrato no PUC Minas. Sou apaixonada por medicina baseada em evidências e estou cansada de como a ciência é deturpada em favor de crendices e como isso tem impactado o nosso Brasil.
[Música]
Temos informação de que 72% das mortes no Brasil são causadas por doenças crônicas não transmissíveis. Você sabe o que é uma doença crônica não transmissível? Fica mais fácil você entender o que é transmissível. Então, a gripe é uma doença transmissível. Pega, né? Então, se eu tô gripado, você pode pegar a gripe de mim. O sarampo, né? A poliomielite, essas diarreias infecciosas, né? A tuberculose, uma doença crônica, uma doença transmissível. O que que não é transmissível, né? Obesidade. Alguém pega obesidade de alguém? Não pega. Pressão alta não pega, né? Então, as doenças crônicas em geral são essas doenças que não são, que ninguém pega de ninguém, tá? Tipo diabetes, pressão alta, obesidade, gota, esteatose hepática, que é gordura no fígado, Alzheimer, câncer, doenças autoimunes, como hipotiroidismo, o próprio diabetes tipo 1, que é autoimune, lúpus. OK? São doenças que não são transmissíveis. Então, o que que causa essas doenças? Genética, alimentação errada, eh, exposição a fatores externos, agrotóxicos, várias coisas. E por que que no Brasil 70% das mortes são causadas por essas doenças? Porque não tem jeito de evitar? Será, pessoal? A maior parte dessas doenças crônicas não transmissíveis, principalmente essas relacionadas à síndrome metabólica, que em resumo é causado pela resistência à insulina. Então, nossa, falei vários conceitos agora, né? Como seria isso? Então, primeiro você tem a obesidade ou a resistência insulínica. Você nem precisa estar gordo, não, mas se você tem gordura visceral entre os órgãos, essa gordura é inflamatória, ela aumenta a resistência insulínica. A sua insulina não faz efeito direito, então você precisa produzir mais insulina para utilizar o açúcar no seu sangue como fonte de energia, tá bom? Então você produz muita insulina, ela não faz efeito direito e você ainda se entope de carboidrato, porque não é essa orientação. A orientação da Organização Mundial de Saúde, orientação e aqui no Brasil, no Ministério da Saúde, é comer 55 a 60% das calorias em forma de carboidrato. Qual é a questão? Que carboidrato vai desde a abobrinha até o seu pãozinho de sal sagrado de cada dia. Então é muito confuso isso. As pessoas acham que todo carboidrato é igual e não é. As farinhas, né, de grãos, as farinhas refinadas de trigo, de arroz, são extremamente prejudiciais à sua saúde. Extremamente prejudiciais. Elas aumentam a insulina em graus absurdos cronicamente. E se você já tem uma resistência ou se você exagera nesse tipo de alimento, faz pouca atividade física e começa a acumular gordura aqui na barriga, aí vira uma bola de neve. E aí o que acontece? Você desenvolve hipertensão, você desenvolve diabetes, você desenvolve gota. Sim, gota não é uma questão de comer carne. Gota é muito mais uma questão de comer frutose, que é açúcar e álcool em excesso, do que a própria carne, tá? Então, gota é uma manifestação da síndrome metabólica, da resistência insulínica, inflamação. A aterosclerose é causada por inflamação, não pelo colesterol. Colesterol está ali, mas uma pessoa para desenvolver aterosclerose, ela tem que ter uma inflamação crônica e a gente não sente essa inflamação, não dá febre. Isso é causado por estilo de vida ruim, por comida processada, por açúcar, por carboidratos refinados, aquela coisa de desembalar, não é? Croque, croque, croque, croque, croque o dia inteiro. A necessidade de mastigar alguma coisa o tempo inteiro. E aí você acha que se você fizer exercício não tem problema, você vai gastar aquilo ali. Mas não é bem assim. Os alimentos têm efeitos hormonais em nós e eles são diferentes. 100 calorias de brócolis são diferentes do que 100 calorias de leite condensado nos seus hormônios. É bem diferente o efeito. E quem não entende isso realmente não tem o conhecimento profundo de metabolismo. E a gente precisa mudar isso porque apareceram outras doenças decorrentes dessa síndrome metabólica, decorrentes dessa resistência insulínica como Alzheimer, como câncer. Vocês sabiam que câncer está aumentando exponencialmente no mundo inteiro? Ah, mas tem tumores que a gente tá morrendo menos. Tá morrendo menos porque faz mais exame, diagnostica precoce e trata, opera, mas se der metástase aí já complica, aí morre mais. Então, países que não têm exame, eles estão fadados a morrer mais. Será, gente, que a gente não consegue prevenir câncer? Será que o câncer é uma doença genética? Só saibam vocês que a genética explica 5% dos tumores só. A maioria das mutações ocorre depois que já apareceu o câncer. Então a gente enxerga que deve ter alguma coisa por trás disso, já que não é só genética, né? Por que que o câncer é mais comum em pessoas com mais gordura na barriga? A cada centímetro a mais de circunferência abdominal, a gente tem um aumento na incidência de câncer. Por que que as pessoas que têm glicose alta durante o tratamento do câncer ou no pós-operatório tem mais recidiva? O câncer volta mais. Vocês sabiam disso? Não. Pois é. Então, ter glicose alta durante o tratamento é péssimo. E a gente usa várias drogas que fazem isso com corticóide, que ele é necessário às vezes, mas ele aumenta a glicose, a obesidade, tudo isso contribui para um ambiente de inflamação. E câncer adora isso, inflamação. Câncer adora quando a gente não consegue fortalecer o nosso sistema imunológico, porque a gente come porcaria demais, porque a gente não dorme, porque a gente é sedentário. Fora, fora o agrotóxico, o cigarro, né? Fora essas coisas. Então, que que eu tô querendo mostrar para vocês? Que as doenças crônicas não transmissíveis são perfeitamente evitáveis em sua maioria com uma mudança de estilo de vida, comendo comida de verdade, tirando a comida de prateleira de supermercado, tirando farinha refinada, açúcar, tranqueira, comendo a granel e sacolão, fazendo o seu exercício, dormindo bem e fazendo um manejo de estresse emocional. Se vocês conseguirem entender isso, se o mundo conseguir enxergar isso, a gente não precisa mais que 70% das mortes sejam por doenças crônicas não transmissíveis. A gente não precisa mais um aumento de 60% na obesidade nos últimos 10 anos aqui no Brasil. Realmente a gente tá enxugando o sol com a peneira, enxugando gelo. Eu falei tampando o sol com a peneira, enxugando gelo. Realmente, e é uma pena que as recomendações não contemplem todos esses aspectos que eu falei.
Eu sou Dr. Neto, sou clínico geral e nefrologista aqui na cidade de Belo Horizonte e tô aqui para contar um pouquinho para vocês da minha trajetória aí com tanto individualmente quanto na minha linha de atuação profissional com a dieta de baixo teor de carboidrato. É dieta de baixo carboidrato, conhecida como low carb, né, que mudou literalmente a assim transformou minha vida, a de pessoas próximas a mim, dos meus pacientes, eh, e, e, e mais, né, transformou o meu mindset, a forma como eu enxergo medicina, saúde mudou. Não que ela, ela por si só tenha feito isso, mas ela foi à porta de entrada para eu entender uma série de coisas que remetem ao básico, ao alicerce, aquela coisa de fugir de tratar doença e sim valorizar, tentar e, eh, valorizar a saúde, né? Óbvio que em muitas pessoas a gente vai ter que resgatá-los da doença, mas isso não significa necessariamente ficar enchendo aquela pessoa de remédios, nada contra remédios, mas de um modo geral a medicina atual, ela tende a protagonizar a intervenção pela ponta do galho, né? Então a pessoa fica doente e muitas vezes a gente não consegue intervir quando se fala, principalmente em doença crônica, na raiz do problema. Muitas vezes tem a ver com hábitos de vida e aí a nutrição acaba sendo um grande protagonista. Eh, como é que eu conheci a dieta low carb? Lá em 2014, eu estava em um evento em São Paulo de nefrologia e sentei para tomar café da manhã com um grande amigo, hoje sócio, né, na Nefroclínicas, que é o Dr. Fernando Lucas. E Fernando comendo lá ovos, bacon, presunto de Parma e eu na frutinha, suco de laranja, pão integral com ricota. E de repente ele me apresentou uma série de conceitos que baseado em mudanças que ele tinha conseguido, eh, perdendo 26 kg, sentindo-se muito melhor, revertendo uma hipertensão que ele tinha. E aquilo me chamou atenção. Eu passei a estudar. Eu tenho desde 2003 um lastro forte em saúde baseada em evidência. Eu digo que até 2014 eu fui refém da saúde baseada em evidência. Eu usava a ciência muito como fim, não como meio para melhorar a vida dos nossos clientes, que é como eu gosto de chamar os pacientes. E a dieta de baixo carboidrato tirou muito da minha soberba, me deu muito mais humildade de perceber de que coisas que aparentemente estão certas e que você faz com a melhor das intenções, elas podem estar completamente erradas. E era o que eu acreditava, até porque muito pouco eu tinha estudado até então sobre nutrição, eh, e aquela coisa de comer de três em três horas, comer pouca gordura, tudo isso, eh, fazer atividade física para conseguir emagrecer, tudo isso eu fazia. E definitivamente eu não tinha o melhor dos resultados. Com 30 e poucos anos eu estava com sobrepeso, diabético, deslipidêmico, eh, e eu consegui em coisa de menos de seis meses reverter isso tudo e venho mantendo isso aí nesses últimos 7 anos. Muito bem, entendendo que dieta tem data para começar e data para terminar, que a gente tem que transformar isso em hábito e cada um dentro do daquilo que tolera, dentro da sua individualidade, dentro dos seus valores, das suas preferências, dos seus gostos. Eh, isso é possível de ser feito. Obviamente alguns vão ter que, para conseguir determinados resultados, ter um esforço um pouco maior do que outras pessoas. Mas dando um exemplo, né, eu era aquele cara que sempre fiz atividade física, mas eu corria não porque eu gostava, eu corria porque eu queria emagrecer. E nada contra quem corre, atividade física aeróbica é algo legal para a saúde, mas é mais ou menos a pessoa que tem uma caixa de ferramentas, ele pode ter lá um serrote, uma chave de fenda, um martelo e de repente ele precisa serrar uma árvore e pega o martelo. E não é que o martelo é uma ferramenta ruim, mas ele não é adequado. Você pode até conseguir derrubar a árvore, mas definitivamente não é a melhor ferramenta. Pois é, a atividade física não é a melhor ferramenta para emagrecimento. Ela pode ajudar, ela pode ser um coadjuvante, ela ajuda na questão da saúde, mas é mais ou menos a pessoa que quer ficar forte tomando proteína. Não, tem que fazer força, né? Então, eh, emagrecimento é na cozinha e força é dentro da atividade física, dentro da academia, em qualquer ambiente onde você possa fazer força. Então, de modo geral, isso é uma breve visão daquilo que eu enxergo como sendo o potencial da dieta de baixo carboidrato. Lembrando que ela não é um fim em si mesmo, ela é simplesmente mais uma estratégia. A gente não precisa virar grandes carbofóbicos, eh, mas infelizmente algumas pessoas dentro de um padrão que eu considero adequado para o ser humano de modo geral, que é aquele baseado em comida de verdade, onde você vai priorizar as coisas que vêm da natureza, que estão no sacolão, na feira, no açougue e não na padaria, no supermercado, isso vai ser o seu alicerce com eventuais restrições maiores ou menores de acordo com cada indivíduo.
Em 2016, eu pesava 98 kg e tinha uma série de problemas de saúde, como depressão, obesidade. Eu era pré-diabético e hipertenso, tomava uma série de remédios. E numa determinada manhã, ao tomar esse monte de remédios, a minha filha me alertou, dizendo que era uma quantidade muito grande de remédio que eu estava tomando. E nesse momento, luz amarela acendeu em mim. Eu sabia que eu precisava de uma mudança. Sem essa mudança, não conheceria nem os meus netos. E nesse período, eu comecei a fazer uma alimentação completamente diferente. Eu mudei completamente o meu estilo de vida alimentar. Eu troquei o industrializado, refinado, processado por comida de verdade. E eu emagreci. No primeiro mês foram 10 kg e depois de um período maior, consegui perder 30 kg. E com a perda de peso, aliado com a atividade física, eu parei de tomar todos os remédios. A minha pressão normalizou, minha glicemia ficou perfeita, eu não tive mais problema com relação à depressão e fui parando de tomar os antidepressivos. E hoje eu peso quase 30 kg a menos. Hoje eu me sinto muito melhor do que quando eu tinha 40 anos. Hoje eu estou com 58 e isso transformou minha vida. E eu acredito que é possível essa mudança, porque eu sou uma testemunha clara disso. Aos 70 anos, depois de uma longa vida de emagrecer e engordar novamente, eu finalmente entendi a fórmula mágica não é a dieta. Fórmula mágica é o estilo de vida, é adotar essa nova forma de viver. Comer comida de verdade, eh, alimentos com alta densidade nutricional que me deixaram mais forte e mais saudável. Os amigos dizem que eu rejuveneci, na verdade eu renasci. Essa é a verdade. A minha neta caçula de 9 anos, aprendeu na escola que obesidade era uma doença e ela muito perspicaz chegou para mim, falou: "Vó, se a obesidade é uma doença e você tá muito obesa e você é muito idosa, você vai morrer logo?" E eu não queria que você.