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TREMEMBÉ JUÍZA: "AUTOR SÓ VISITOU O PRESÍDIO UMA ÚNICA VEZ POR MEIA HORA"

THE EXPOSED BRASIL54:36

Transcription

E o Cristian Cravinhos, né, falou, falou que teve que provar. Que tipo de cuidados você tomou para sempre que alguém duvidar de você, você poder provar tudo que você escreveu? É no livro reportagem que dá base pra série, tudo que eu escrevi lá, principalmente as informações mais polêmicas, elas passam por um crivo jurídico e eu tenho que provar. As coisas são todas provadas, elas não entram. Eu mesmo não coloco informação no livro se eu não tiver provas. Então eu tava muito seguro de escrever não só sobre a calcinha, mas sobre o romance afetivo, porque eu tinha áudio, gravação e a foto da própria calcinha e das cartas de amor que foram fornecidas pela própria Duda.

E você já temeu pela sua segurança ao escrever sobre, eh, os personagens que você escreve?

Não, eu nunca recebi nenhum tipo de ameaça, nunca. Eu tenho minha preocupação com a segurança como todo mundo tem, mas não, não me procuro não chegar muito perto do perigo, fico preocupado com os riscos, mas não tenho essa preocupação além do necessário.

E, eh, escrever sobre essas histórias de alguma forma afeta sua saúde mental? Que tipo de impacto tem em você?

Eu acho que como eu já faço isso há muito tempo, eu já criei uma, uma espécie de proteção que eu não sei explicar nem como, mas eu não me envolvo emocionalmente com essas histórias. Às vezes uma história que extrapola tudo que eu já fiz me choca um pouco. Eu, por exemplo, no livro Tremembé, o presídio dos famosos, tem a história de uma mulher que matou a filha, uma filha criança, de fome. Então, eu fiquei chocado com a história, mas isso não chega a estragar meu dia.

Hã, e o que que você acha dessa glamorização que tem alguns, alguns criminosos e fãs e fã-clubes?

Eu acho que isso reflete um pouco do comportamento da sociedade, das pessoas, que eu acho que se não se tem gente que se torna fã da Suzane, se torna fã do Cristian Cravinhos, eh, não é o meu trabalho que faz essas pessoas ficarem fãs. Eu acho que o meu trabalho revela esse tipo de comportamento.

Será? Minha gente, boa noite. Segunda-feira chegando, semana começando. Como é que vocês estão? Hoje vamos de Tremembé. Tremembé na boca do povo, porque como escreveu Erasmo de Rotterdam, eh, às vezes é preciso ser louco para dizer o óbvio. A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato no mundo de doidos, não é mesmo? O que que vocês acham? Vocês assistiram Tremembé? Vamos chegando e deixando o like aqui para a plataforma entender que vocês gostam do Exposed Brasil, do Tab, né? E que o conteúdo é relevante para que a plataforma continue entregando e eu possa continuar fazendo o meu trabalho aqui, tá bom? Então, deixa o like de vocês, comentem e escrevam aí. Vocês assistiram Tremembé? O que que vocês acharam?

Eu não vejo sentido em gastar meu tempo vindo aqui para detonar um produto cultural, mesmo que esse produto seja uma série tão, tão, tão, tão ruim quanto o Tremembé. Por dois motivos. Primeiro, porque está cheio de livros, filmes e séries, né, para eu recomendar, como o novo livro da Adélia Prado, por exemplo. Aliás, vocês já leram? Em segundo lugar, porque sempre, ou quase sempre, é possível tirar algo de bom de um livro, filme, série, música ruim. Afinal, se nossos colegas da AC Prensa conseguiram encontrar qualidades admiráveis até mesmo na Branca de Neve W, mas duvido que encontrassem algo de bom para falar sobre Tremembé. É por isso que venho aqui hoje para que ninguém diga que não foi avisado, para que ninguém cometa o mesmo erro que cometi e perca cinco preciosas horas de sua vida. E para refletir rapidamente sobre a nossa indigência cultural, nosso imaginário miserável, nossa mediocridade estética, nosso analfabetismo narrativo. Ah, todo mundo gostou, é inveja. Eu definitivamente considero isso um elogio e agradeço antecipadamente para quem se atrever a escrever isso, pois vi tantos comentários em outras críticas sobre a série escrevendo esses comentários para quem criticava.

É curiosidade ou masoquismo? Como disse no sábado, perdi 5 horas da minha vida assistindo a Tremembé. E o pior, fica aí. Não, ninguém me mandou assistir aquilo. Vi porque eu quis, porque minha livre e espontânea vontade, né? Quis. E a princípio, como curiosidade, quero ver até onde vai esse caminhão desgovernado aí. Depois, com o inegável masoquismo. Por fim, com curiosidade de novo. Isso é me perguntando a cada cena como alguém teve coragem de escrever esse diálogo, de filmar a cena, de montar e de exibir essa aberração aqui. Só agora percebo que faltou explicar o que é Tremembé. Desculpe, me empolguei aqui. Tremembé é uma série em cinco episódios sobre um presídio do mesmo nome e que abriga ou abrigou bandidos celebridades como Suzane Von Ristofen, os irmãos Cravinhos, Elise Matsunaga, o casal Alexandre Nardoni e Carolina Jatobá, e o médico Roger Abdel Massife. Na teoria, os crimes dessas pessoas e o cotidiano delas na cadeia são os temas da série. E bota teoria nisso. Imaginação miserável.

Não é o teu aplauso que eu almejo, nem a tua crítica insensível ou o teu elogio automático. Quando escrevo, o meu alvo é a minha loucura, disse Malu Medzomo. Aqui é que entra a nossa inteligência cultural. Porque Tremembé conta essas histórias sem nenhuma preocupação em acrescentar qualquer camada de reflexão à narrativa? Nada. Zero. Não tem busca por redenção, não tem um fiapo de arrependimento, não tem crise existencial, não tem nem explicação psicanalítica ou sociológica. Nada. Não tem nada, absolutamente nada. Os personagens são tão humanos quanto um tijolo. E esse nem é o maior defeito da série. Aguarde e confie, porque em sendo Tremembé uma expressão da nossa imaginação miserável, ela busca apenas reproduzir com máximo de fidelidade algumas cenas da TV ou dos autos do processo, dos processos, no caso, né? Só tão somente isso. Da direção de arte à atuação onomatopaica. Tudo em Tremembé é uma tentativa de imitar ou reproduzir a realidade. Não há nenhuma ambição estética, muito menos imaginação, nenhum momento que se pretenda icônico. Tudo é, na melhor das hipóteses, medíocre, de uma mediocridade preguiçosa. E ouso dizer, confortável.

E agora vem a hora daquela pergunta incômoda: Como é que é que chegamos até aqui? Como? Eu tenho algumas teorias. A melhor delas, a falta de ambição artística típica de uma geração criada na abundância, não só a abundância de recursos, mas principalmente a abundância de elogios. Tremembé jamais teria sido realizada se os recursos para audiovisual fossem escassos e se os envolvidos precisassem contar essas histórias. Primeiro, porque a escassez é o combustível da criatividade. Todo mundo sabe disso. Humberto Ecur já dizia isso, lembram? Esse foi adendo meu. Eu já vou explicar porque eu tô dizendo que esse é adendo meu. Todo mundo sabe disso. Depois, porque a necessidade o que alimenta a ambição. Não a ambição de dinheiro, e sim de reconhecimento e expressão. Não dá para falar de indigência cultural sem falar também no péssimo nível de público, entre o qual, infelizmente, eu me incluo. Um público que não exige mais. É porque não sabe e em não sabendo se contenta com qualquer coisa, como aconteceu com todos os livros do Campell. Mais um mega produto dos podcasts brasileiros, onde ele é ovacionado, levanta a audiência porque sabe o que o povo quer e a ele dá pão e circo mitomaniacamente. Aqui, porém, me falta espaço e vontade para entrar nesse assunto complexo que é a falta de educação cultural do brasileiro. Para constatar isso, basta pesquisar a trilha sonora de Tremembé, que me perdoe os fãs, tá? Mas, eh, ouvidos capazes de ouvir aquilo são ouvidos que há muito tempo se deixaram corromper pela estética da mediocridade. Dizer, porém, que falta ambição artística aos realizadores de Tremembé não é dizer que a eles falte ambição política. Pelo contrário, é dizer que a ambição artística foi substituída pela missão de expressar um ideário político. Não por acaso, e a semelhança do filme sobre Nei Mato Grosso e a série dedica um espaço excessivo ao sexo, principalmente o homossexual. É para chocar o espectador ou será que é para normalizar? Seja lá para o que for. Por fim, no quinto último episódio, provavelmente de uma forma nada intencional, Tremembé acaba revelando a que veio. Nele, o único com o mínimo de imaginação na série, o roteiro, sugere que a justiça, no caso de Suzane Von Ristofen, seria ela morrer como os pais. Eis pois o que a série faz, mesmo sem pretender, apela ao voyeurismo do espectador, a curiosidade de enxergar a vida do outro na intimidade para dar a ele a satisfação da vingança primitiva. Que a quem tem ouvidos para ouvir algo melhor do que Pablo Vitar, Grelo e Johnny Hooker é o mesmo que igualar a monstruosidade daqueles personagens, a monstruosidade inerente ao espectador. Mas quer saber? Até que faz sentido, porque tudo é de fato mal para quem não tem imaginação, não busca a verdade, nem sabe apreciar, quanto mais criar o belo.

Essas palavras não são minhas. Vocês estão achando que essas palavras são minhas, mas elas não são. Essas palavras. Eh, algumas sim, algumas sim, mas a maioria delas são do jornalista Paulo Pousonof Júnior, da Gazeta do Povo, do grande Paulo Pozonof Júnior sobre Tremembé, tá? Eu não usaria, eu não, eh, ousaria usurpar das suas palavras, eu só tentei um pouco aqui da minha forma, eh, representá-las e espero que tenha dado certo. Tá bom, gente? Eh, o formato de entrevista no Brasil, por exemplo, eu gostei muito desse texto dele. Eu procurei muito, eu já vi críticas sobre as escritas do Ulisses Scampel desde o primeiro livro dele, mas críticas de críticos literários, né? Eh, pessoas realmente não de galera do Instagram, da galera do YouTube ou da galera do TikTok, críticas de jornalistas cultos, digamos assim. Eles vão dizer pra gente se uma coisa é boa ou se é um lixo. E o Ulisses Scampel, eu vou falar um pouquinho sobre ele. A minha intenção, assim como do Pozonof, é detonar a pessoa, mas detonar um modus operandi, sabe? Eh, não importa se vão me dizer que eu sou aquilo, as mesmas coisas que foi dito, foram ditas aí. Eu não me importo. Eu sou a Fernanda e quem me conhece sabe que eu tô aqui, eh, há muito tempo e eu nunca liguei para não me deixei pautar.

O formato de entrevista no Brasil passou por uma transformação, né? A gente sabe, a gente acompanhou aí a galerinha da minha idade, galerinha jovem, mas não necessariamente para um cenário mais democrático. Antigamente, a televisão, através de programas como do Jo Soares, por exemplo, era a principal porta para consumo de entrevistas. Apesar de rotulada como ditadora e tirânica, a televisão, nesse caso, ela promovia um leque de entrevistados, mesclando celebridades com pessoas comuns, revelando que todos, de fato, têm histórias e brilho a oferecer. Paradoxalmente, a internet, que prometeu diversidade, estabeleceu um novo e mais sutil monopólio de vozes. A monotonia dos gurus nos grandes podcasts de sucesso, com apresentadores carismáticos e bom timing, assistimos a uma repetição cansativa: os mesmos convidados como Lices Campbel, guru do True Crime, Dra. Ana Beatriz Barbosa, guru da psiquiatria, o Pablo Marçal, guru do marketing digital, e etc., circulando incansavelmente. Ai, o J Soares que trazia a tiazinha lá não sei da onde e fazia aquilo se tornar tão interessante porque o nível cultural dele era imenso, né? E isso faz falta. Circulando incansavelmente esses mesmos personagens dizendo as mesmas coisas em diferentes canais. Essa falta de imaginação e opção resulta em um ciclo vicioso, monopólio de convidados. A repetição cria uma falta de diversidade de perspectivas, referência induzida. A presença constante nessas plataformas faz com que esses indivíduos se tornem a referência instantânea de vendas e conhecimento em suas áreas. E aí que mora o perigo. E a verdade é que ninguém sabe, gente, de onde eles saíram. Só o que eles contam.

O meu objetivo aqui não é detonar essas pessoas, não. É só fazer uma reflexão, como sempre é. É um canal que coloca o dedinho na ferida, que dá aquele É esse o canal, é esse o objetivo do canal. Não é a audiência massiva e entregar para vocês o que vocês querem ouvir. É, é entregar aquilo que eu acredito. O discernimento, os instruídos conversam e debatem, né? Discussão nem sempre é grito. Nós estamos discutindo uma pauta aqui. Uma desses desses aí, é desses gurus é condenada por plágio de livros internacionais e o outro usa o chat GPT para escrever livros, segundo fontes. Esses são os produtos amados pelos podcasts. Eles têm um carisma maravilhoso. Como que o Pablo Marçal fez tanto dinheiro assim, gente? Como? Eu vou ver, porque o cara é um gênio. Ele é um gênio da trufa, mas ao mesmo tempo ele é um gênio porque ele fez milhões, não é? Então essa confusão de valor ronda hoje a internet e ela tá carregando tudo. O público é levado a confundir ser visto com ser referência. A gente não vê o Leandro Carnal ou sei lá quem por aí falando o tempo inteiro nos podcasts. A gente vê a Ana Beatriz Barbosa, Luís Scampel, o Pablo Marçal, o Thiago Negro e tantas outras pessoas. A gente vê engajamento com conteúdo de valor e coerência, quase nada. Basta uma única aparição para que essas figuras se transformem em gurus onipresentes. As plataformas são inundadas por cortes, criando um zeitgeist. Zeitgeist. Vocês sabem que a Zeitgeist é um espírito do tempo? Como se fosse que todo mundo quisesse ver aquilo, um pensamento, eh, inconsciente coletivo, que nós estivéssemos pensando pela pra mesma direção, só que inconscientemente. Eles vêm nos entregam. Ana Beatriz Barbosa e vários cortes no Instagram. Ulisses Camp, o guru do do true crime, e tantos outros que eu não tô lembrando aqui, vocês podem escrever, tá? Forçado que exige nossa atenção. O resultado é um consenso em massa ditado pela preguiça de procurar o novo, onde é mais fácil concordar com a maioria do que desafiar a bolha.

Nessa chave sensacionalista, Tremembé funciona muito bem. Obrigada, né? Muito bem. Dirige com o pé no acelerador e o ouvido atento para os ritmos pop do texto, selecionando um leque eclético de canções licenciadas para usar da forma mais espertinha possível. E é claro que fica difícil levar a série, uma série criminal em que perigosa das frenéticas embala manipulações da protagonista Suzane Volstofen em busca de uma transferência de presídio. Quando a Marina Rui Barbosa, intérprete com a mesmíssima afetação de uma vilã patricinha de novela das sete, fica mais difícil ainda de engolir. Mas esse é o ponto. O fim das contas, Tremembé é tr em sua forma mais rasa, mais despreocupada da responsabilidade que pode carregar com narrativa inspirada em fatos reais e para muita gente traumáticos. Não vou me elevar aqui, não vou me envaidecer aqui porque não cabe, não seria bom de bom tom, né? Nós que fazemos canais técnicos, temos canais técnicos. Diante desse desapego desavergonhado, resta ao espectador decidir se abraça a série como entretenimento ou a condena como empreendimento insensato. Já esse trecho é do renomado site Omelette. Vocês conhecem? Também não é meu. Não podem me julgar pelas minhas palavras porque não são minhas.

Grande parte desse realismo vem da base jornalística da série. Tremembé é inspirada nas investigações de Ulisses Campel, autor de livros sobre os casos, né? E Matsunaga. E também Nardoni. O jornalista teve acesso direto. Nardone, ele fez o caso Nardone, agora eu não tô me lembrando não. Ele fez Suzane, Elise, Flor de Lis, o Maníaco do Parque e Tremembé. Teve acesso, eh, jornalista disse que teve acesso direto à penitenciária e documentou o dia a dia dos presos. E muitos dos diálogos e situações da série foram retirados de suas anotações. É o que ele sempre disse em cada podcast, sempre disse frequentar o presídio. Ele já dizia isso na época que escreveu Elise. Eu me lembro que ele conversou com outras presidiárias, mas eu já havia alertado sobre essa inverdade e agora ela vem documentada. Se não existem registros de sua entrada no presídio, você não entrou. Mesmo que você tenha tomado o remédio da Joyce Hasselman, você não entrou. Eu sinto muito, mas eu sei que esses gurus da internet da se saem daqui, eles vão estar falando uma coisa para vocês e vão dar uma desculpa qualquer e a galera acredita de novo e nunca consegue sair desse transe e a sociedade não avança para lugar nenhum. A gente fica entre Ulisses, a Ana Beatriz e o Pablo Marçal. O algoritmo só consegue entregar pra gente Ulisses, a Ana Beatriz Barbosa e o Pablo Marçal. Se não existem registros da sua entrada no Tremembé, você não entrou. E isso não é perseguição, inveja ou medo que a história apareça na tela, como alguns comentaram sobre o vídeo da juíza responsável pelo Tremembé. Se não há registro dele lá, ele não esteve lá, meus senhores. Sim, meus amigos, ele não entrou. O que isso quer dizer? Quer dizer que é algo errado que não está certo. Quer dizer que ele tem uma boa imaginação, inteligência. Quer dizer que ele pode ter conversado com pessoas próximas, com ex-detentos, com funcionários. Catou uma coisa dali e outra coisa daqui, remexeu no acervo de imagem do presídio. Daí sua imaginação conhecida foi costurando a história como ele sempre fez e faz. Sinto muito aos fãs, mas é matemática basiquinha, basiquinha. Se eu fosse falar do caso Flor de Lis, eu posso explicar para vocês desenhando com a maior tranquilidade do mundo como que ele escreveu o livro, mas os outros eu já não sei porque eu não tenho propriedade, eu não li. Tá?

Ao escrever biografias criminais, antes disso, eu quero colocar o vídeo da própria juíza do Tremembé falando para vocês, tá bom? Eles não tiveram, embora o ingresso, inclusive eu tive até o cuidado de autorização judicial que eles não tiveram, embora o autor do livro afirme que ele ingressou. Inclusive, eu tive até o cuidado de trazer isso aqui por escrito. Aqui a resposta. O jornalista Ulisses Campeb esteve em visita junto à P2 de Tremembé no dia 13/03 de 2025, às 9:15 às 9:52. Esclareço que o referido jornalista conheceu parte das dependências estruturais da unidade prisional, chegando até a igreja, sem contato aos pavilhões habitacionais e sem qualquer contato com os privados de liberdade. Ou seja, ele ficou lá um pouco mais de meia hora, não chegou a uma hora. Então, como que ele pode afirmar que ele retirou pessoalmente em visita no interior da unidade prisional o conteúdo que ele usou para essa obra? E ainda além disso dizer que é tudo verdade, né, que ele colheu esse material no interior da unidade, não foi na carceragem, não teve contato com o preso, não entrevistou nenhum dos sentenciados que ele cita na obra. Eu fico me perguntando da onde que ele tirou o conteúdo de veracidade.

E aí, gente, a galera tão doidona, gente. A galera é tão loucona hoje, tão loucona hoje, que se vocês virem embaixo dos comentários de dessa desse corte que eu vi, desse podcast aí, ó, ela tá falando tudo lá nesse podcast que tá aí na tela. Modo verde, eu acho que modo vale, será que é o nome do podcast? Eu não sei. Embaixo dos comentários desse desse corte que eu vi no Instagram, as pessoas falam assim: "Ah, você está com inveja, juíza, gente". Ah, você não quer que as histórias vazem. As pessoas elas querem o ópio delas e não querem que toquem no ópio delas. Gente, não pode tocar no meu ópio, senhora. Eu quero acreditar. Me deixa acreditar, por favor. As pessoas enlouqueceram completamente. Ulisses Camp virou o rei do true crime no Brasil. Meu Deus do céu, a que ponto a gente chegou, minha gente?

Ao escrever biografias criminais, a premissa fundamental é a fidelidade máxima à história e à coerência narrativa. Mesmo a construção literária deve ser ancorada em fatos inquestionáveis e em um diálogo estabelecido com a realidade. O esforço central na narrativa deve ser a humanização do protagonista. Esse processo não busca justificar o ato, mas sim oferecer ao leitor uma compreensão real das nuances da alma humana e do caminho que leva à transgressão. Humanizar é tentar entender o que ou qual momento transformou o indivíduo. Contudo, reconhecemos que a humanização pode ser um desafio insuperável em casos de protagonistas que demonstram desde a infância uma apatia crônica, por exemplo, a ausência de apego ético ou empatia e uma desconexão profunda com o mundo. O esforço pode não ser plenamente alcançado. É, no entanto, o caminho ético a ser persistentemente tentado. Humanizar um personagem de true crime é buscar a origem dele e a origem dos sentimentos e dos atos dele. Não justificar, buscar a origem, se houver origem ou o que aconteceu para que a partir de determinado momento ele se tornasse aquilo, como nos casos da Flor de Daniel Mastral, não aconteceu nada. Eles nasceram assim. Esses eu posso falar para vocês, os outros eu não sei.

O abismo entre humanizar e romantizar é vital estabelecer um limite claro. Humanizar é diferente de romantizar ou celebrizar. Romantizar manipula o sentido da humanização para anestesiar o pudor do leitor. Esse desvio de caráter ético permite que o foco recaia sobre a fofoca e os detalhes sensacionalistas da vida pessoal de indivíduos perversos em detrimento do que realmente importa: a trajetória de vida até o cometimento do crime. E é nessa trajetória que reside o verdadeiro valor investigativo e social. Ali a gente encontra o estudo do comportamento, as falhas do sistema jurídico judicial. É para isso que serve escrever sobre um crime, sobre um criminoso e o mergulho no abismo da alma humana para posterior, para estudos psiquiátricos, periciais, investigativos, jurídicos. Quando a narrativa prioriza o sensacionalismo em vez da análise profunda, qual é o objetivo? O foco na fofoca não apenas desvia a atenção da história de valor, como também pode inadvertidamente libertar a consciência do leitor do peso ético de consumir tragédias alheias falsas. A biografia criminal deve ser um estudo social e comportamental e não um veículo para banalização da maldade.

Um dos principais pontos críticos está na forma como a série humaniza criminosos reais, abrindo espaço para empatia, mas também para possíveis leituras de glamorização. Especialistas em saúde mental alertam quando figuras responsáveis por crimes graves recebem uma estética mais televisiva, reforçada por atores carismáticos e populares, existe o risco de tornar a violência aceitável, suavizando a percepção do público. Ainda mais em um país tão precário, cognitivamente falando, essa crítica ganhou ainda mais força após um posicionamento público de Ana Carolina Oliveira, a mãe da Isabela Nardoni. Em suas redes sociais, ela expressou preocupação com o risco de idolatria desses criminosos. O que me preocupa é trazer criminosos para os holofotes e tratá-los como celebridades e não com a seriedade que cada caso exige. Ela também afirmou que não pretende assistir a produção, destacando a importância de proteger sua saúde mental ao evitar reviver traumas já tão expostos. Vamos ver o vídeo. Vamos ver o vídeo dela aqui falando agora.

Trem, eu sei que muitos de vocês têm me perguntado sobre o tema. E eu preciso falar, eh, não vou assistir a série. Optei por isso. É algo que conta a minha história, mas uma coisa sou eu falar sobre a minha filha, sobre a minha história, sobre o que eu vivi. Outra coisa é como se eu vivenciasse a cena do crime. Então, existe uma grande distância e um cuidado que eu quero ter com a minha saúde mental. Eh, o que me preocupa nessas questões é trazer criminosos pros holofotes e tratar como se eles fossem celebridades e não com a seriedade de cada caso. Nós que ficamos somos vítimas secundárias. Isso faz parte da nossa vida e a gente tem que ser respeitado, a gente tem que ser cuidado. Nesta série conta sobre vários casos, não só o meu. E essas vítimas ficaram e elas precisam ser lembradas e tratadas com respeito. A gente sabe que as leis do nosso país, elas ainda são muito brandas e elas precisam ser endurecidas em relação a isso. Vê muitos desses criminosos, eu acredito que até a maioria hoje já soltos, é o que me preocupa, é o que a gente tá tratando como normalidade e é isso que eu realmente não quero. Então eu peço responsabilidade para que a gente não trate esses criminosos como celebridades, que a gente distancie o que é real do que é ficção e que vocês não encaixem isso para que eles não se tornem pessoas públicas e até virem aí os seus extremos de terem, como a gente já viu, eh pessoas idolatrando. Então essa é a minha única preocupação, querida portinha, para você, eu dedico essa.

Entenda, entenda a narrativa do vídeo para você não me pautar. Ninguém tá falando que o Uliss Câber não falou com essa galera quando saiu do presídio. A gente tá falando do Tremembé dentro. Ame, seja idólatra de quem você quiser, mas dá um tempo com a sua burrice. Dá um tempo com a sua idolatria, por favor. Vá lá ser um tijolo onde você quiser, tá bom? Obrigada. Vim aqui, tenho a responsabilidade de falar com vocês e eu espero que vocês também tenham essa responsabilidade ao assistirem essa série.

Aí, galera, além disso, o público chamou atenção para alguns elementos específicos da série que intensificam esse debate, tá? A romantização da vida na cadeia, com cenas estilizadas, atmosferas que suavizam o ambiente do presídio. Trilha sonora, como dois, três jornalistas já falaram aqui nos textos que eu li. Marcante até animada, distanciando o realismo dos crimes retratados, impacto emocional nas vítimas e suas famílias, cujas dores permanecem e se reacendem ao ver suas histórias dramatizadas. Eu adoro quando vem os idólatras desse pessoal. Eu adoro quando vem esses robôs que alimentam essa indústria desses caras em todos os lugares, porque eu sei que eu toquei na ferida deles. Um amigo querido que é de uma humanidade absurda, tem uma coluna no IG, onde escreve sobre temas relacionados às celebridades e faz reflexões incríveis sociais também. Ele é advogado, jornalista, trabalhou na Globo, além de trabalhar no Atar Tarde a Sua hoje com a Sônia Abrão, o Alessandro Lobianco se posicionou e vamos ver. Eu achei muito bonito, como o Lobianco falou também. Vamos ver aqui.

Doente quando os assassinos de crimes hediondos passam a ter milhares de seguidores se comportando como críticos de suas versões dramatizadas. Gente, a estreia da série Tremembé trouxe à tona, na minha opinião, não apenas histórias de crime e castigo, mas um espetáculo paralelo, repugnante. Os próprios assassinos, como por exemplo, os irmãos Cravinho, hoje em liberdade, comentando nas redes sociais, avaliando os atores e o roteiro que seus gestos hediondos deram origem. Eles estão agindo como se não fossem verdadeiros monstros, mas personagens da ficção, como se o que eles tivessem feito fosse apenas um roteiro, não sangue real. É a transformação do crime hediondo em entretenimento e do assassinato, do assassino espectador da própria atrade. O que eu tô testemunhando para mim também é uma falência moral de uma sociedade que confunde o direito à liberdade com o direito da memória das vítimas. A liberdade não é palco para quem ceifou vidas com requintes de crueldade. Gente, pousando de comentarista cultural. É um trage civilizatório. Vê criminoso hediondo condenado por assassinato, transitando impune pelas redes, como se fossem celebridades redimidas, quando o que deveriam carregar é silêncio, arrependimento e o dever ético de desaparecer da esfera pública. A internet não é um confessionário.

Desaparecer. Essa galera tinha que pegar e desaparecer. Ninguém tem que puni-las. Eles já foram punidos pelo sistema. Ninguém tem que punir. A gente precisa entender os crimes, entender a parte jurídica. Isso já foi mais que dito aqui. Eu tô há 33 minutos só falando disso, né? Só fazendo a contextualização, só trazendo aqui o arcabouço, eh, narrativo e teórico para esse ponto onde a gente tá chegando agora. Tem gente discutindo o que foi dito porque simplesmente não entendeu nada da narrativa. Esse, isso é grave no Brasil, gente. É sobre isso que eu tô falando. E a gente vê isso materializar, né? A gente vê, está vendo isso se materializar. Isso é muito triste, é muito complicado. Eles deveriam pegar a vida deles e sumirem das redes sociais, sumirem da nossa vista. É uma afronta. É uma afronta aos familiares das vítimas. É uma afronta àquele que a dor nunca mais vai cessar. Nem uma tribuna de vaidade para quem destruiu famílias, destroçou futuro. E o problema não é jurídico, é moral, é simbólico, é ético. É, é muito simbólico, gente. É muito simbólico. O que tá acontecendo. É o novo triunfo da barbárie. Quando um assassino ganha voz e aplauso, a vítima é calada de novo. A morte foi em vão. O criminoso comentando uma própria encenação, vai reescrevendo a história, tenta se humanizar, já que a justiça declarou que ele é um monstro e o pior, ainda vira manchete toda vez que fala. E a gente espectador distraído, principalmente a gente parte da imprensa tá colaborando com esse horror ao dar voz de compartilhar essas pessoas sem perceber a gente tá alimentando algo. É preciso dizer, gente, pelo amor de Deus, em meio a true crime do Brasil, assassinos e hediondos não merecem espaço, apenas os atores que estão interpretando eles. Nenhum espaço, nenhuma chamada, nenhuma notícia, nenhuma conta de rede social desse pessoal deve ser vitrine para quem cometer o crime hediondo. É necessário que essas contas sejam banidas, extirpadas da convivência digital, quando o palco é oferecido para quem matou. Isso deixa de ser arte, passa a ser apologia, gente. A liberdade de expressão não pode ser usada agora como um escudo, como uma degradação para essas pessoas ficarem comentando, tentando reescrever a própria história. O Brasil precisa reencontrar sentido na palavra vergonha, distinguir o que é humano do que é inaceitável. Que Tremembé sirva de reflexão, não de um revival para fama. A gente precisa entender que dar espaço para assassino é reabrir o túmulo dessas pessoas. Cada curtida, cada comentário, cada compartilhamento dado a esses criminosos, cada matéria que reproduz a voz desses assassinos na imprensa do entretenimento, é simbolicamente um novo crime hediondo diferido contra a memória de quem morreu. Não há nada, na minha opinião, mais obsceno do que ver o horror pedir aplausos e tá recebendo por parte de telespectador e por parte da própria imprensa. É isso que me dói ainda mais, hein? Fico indignada.

Parabéns. Por isso que eu amo você muito. E o Cristian Carinhos, né? Falou que você é humano.

Galera, eh, olha aqui, os Estados Unidos sempre faz isso, povo chato. É, meu amor, os Estados Unidos realmente é um modelo maravilhoso cultural, né? Um dos países mais antigos da humanidade, com uma vasta, com uma vasta história de contribuição na humanidade milenar, né? Então, realmente, se os Estados Unidos fazem, a gente tem que fazer. Realmente, você tá totalmente certa, ninguém vai contrariar você.

Um outro colega, né? Este eu não conheço, mas escreveu brilhantemente o Mateus Goto em sua coluna na Veja. Boa parte da minha opinião sobre os cinco episódios de Tremembé, produção brasileira da Prime Vídeo, vem ao impacto causado pelo primeiro capítulo. A experiência foi tão confusa que precisei de dois dias para continuar e confirmar as minhas suspeitas iniciais. As pessoas estão falando bem. Quem são as pessoas? Quais são os veículos que você segue no Instagram? Sim, era tudo aquilo mesmo. A minissérie ambientada na famosa penitenciária paulista parece pouco interessada em qualquer abordagem profunda. Pelo contrário, se comporta com uma como uma novela disfarçada de drama, drama criminal, lembrando um Orange is the new black genérico, só que sem o carisma. O foco maior está na pegação entre os detentos, não nas consequências de seus crimes.

Você, eu interrompo aqui um pouco as palavras do meu colega da Veja, você tem que assumir o que você gosta. Você tem que assumir o que você é, porque se você não consegue assumir que você é um lixo que gosta de lixo, vai ficar difícil. Você vai ficar atazanando as pessoas na internet e chamando isso de opinião, chamando esse fascínio cruel e perverso de opinião. Você vai querer saber fofoca de psicopata e vai chamar isso de opinião. Nos primeiros minutos tentam imitar o ritmo das produções de true crime sérias, mas o roteiro desiste rápido. Falta coragem, densidade e impacto. Tudo é muito light, o que até poderia funcionar se houvesse sensibilidade. O problema é que o roteiro se esquece que aqueles personagens são assassinos reais, responsáveis por tragédias profundamente marcantes no imaginário brasileiro. Acho que o brasileiro tá esquecendo disso. Assinado por um quinteto de roteiristas. Sim, cinco pessoas escreveram isso, incluindo o autor de livros criminais, Ulisses Scampell. O texto adota uma estética caótica. Letreiros jogados na tela apresentam os criminosos como com trilhas poponexas, o que traz má recordações de Esquadrão Suicida de 2016. Festinhas, intrigas e cenas de sexo dentro da prisão substituem ou de narrativa consistente. É quase um Big Brother Tremembé. Só faltou o confessionário. Os flashbacks dos crimes surgem em segundos, como se a produção tivesse medo do próprio tema. Não se trata de pedir cenas violentas, mas de exigir responsabilidade. Ao suavizar tudo, Tremenembros reais em personagens caricatos. O tom é tão leve que os presos parecem estar em uma colônia de férias.

Sabe o que é livro bom? Sabe o que é série boa? É aquela que você termina sabendo que aquilo ali é perverso, que aquilo ali é um cretino, que aquilo ali é um psicopata narcisista e não glamorizando ele por nada nessa vida. Como podemos chamar isso de drama criminal? A decupagem é confusa, o ritmo desorientado e o roteiro não leva a lugar nenhum. Nem os trechos baseados nas anotações reais de Campbell escapam. Tudo sou artificial e previsível. Sabe quando você escuta uma música do Zé Felipe que não te leva a lugar nenhum, não te acrescenta absolutamente nada? Mas é fofoca. É a fofoca do canal do Beto Ribeiro, a fofoca criminal. Uh, eu quero saber da fofoca criminal. Só que nesse caso é pior, porque estamos falando de Brasil, de um país que possui vulnerabilidades intelectuais e educacionais. Isso na mão de brasileiros é a mesma coisa que o tigrinho da Virgínia. Joga quem quer, né? Assistir quem quer, né? Você deixa o seu filho assistir o que ele quiser com 5 anos. Então é por isso que a sociedade não deveria deixar você assistir também, porque você nem sabe, nem tem cognição para isso. Infelizmente eu posso oferecer isso pro povo, mas será que eu deveria oferecer? Será que esta minha covardia em dialogar com a mediocridade vai me levar a algum lugar que não seja a um hype, a uma cadeira mais confortável? Vale a pena viver e pensar: "Eu sou um medíocre". Tudo que é pop demais é medíocre. O Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com os bons sentimentos, infelizmente. Frase também do Nelson Rodriges. Foi ele também quem disse que nem toda unanimidade é que toda a unanimidade é burra. Quem pensa com unanimidade não precisa pensar, não precisa, só ir. Você vai indo assim, ó, eles vão te levando, vai batendo um tamborzinho e vai indo.

O jornalista Gabriel Miranda da Folha de Vitória começa seu texto assim: Atores com carinha de mal. A caracterização física dos atores talvez seja o principal ponto positivo, especialmente o intérprete de Alexandre Nardoni, que ao menos lembra o real. Já as atrizes que vivem, Elise Matsunaga e Ana Carolina Jatobá, se esforçam para entregar atuações com camadas, mas são engolidas pela superficialidade geral. São vários jornalistas incríveis falando aqui. O arco de Jatobá e Nardô, inclusive, é o melhor desenvolvido. Não que isso signifique muito, é apenas o único que parece ter algum peso dramático, enquanto o restante da minissérie falha em tratar com seriedade temas tão pesados, transmitindo a incômoda sensação de glamorização de criminosos. Mas precisamos falar da Suzane Von Ristofen, de Marina Rui Barbosa, que se aproxima mais de uma vilã de novela das sete do que de um criminoso real, com caras e bocas e um tom afetado que chega a distrair do peso da história. Parte significativa dos episódios se dedica ao triângulo amoroso entre ela, Elise e Sandrão. Ai, que lindo, gente. Tem até um triângulo amoroso na novela. Então, que coisa linda, né, gente? Nossa, ó, realmente, qual o problema de assistir isso? Nenhum. Que coisa maravilho. E quando me perguntam sobre os livros do Lice Scamb, eu falo: "Aham, legal. É o que eu posso dizer para eu não me prejudicar comigo mesmo, porque meu maior comprometimento é comigo mesmo. Eu dou a minha verdade aqui. Quem quiser, que legal. Quem não quiser, tem muita coisa aí. Vai no Instagram, vai consumir Records do Pablo Marçal, da Ana Beatriz Barros e do Guru do True Crime, que é Ulis Campbell. Vai lá no canal do Beto Ribeiro ver fofoca de de crime. Então, esse negócio que teria acontecido ali, esse esse triângulo amoroso, realmente aconteceu na prisão. Porém, a forma como a narrativa é conduzida faz com que ela seja pouco interessante. A direção não consegue transformar os elementos em tensão ou drama envolvente. Nossa, nem envolvente é, então como o povo gosta de qualquer coisa, né? Eu até poderia dizer que seria um bom trabalho se houvesse profundidade nas relações e complexidade entre as figuras abordadas, ao mesmo tempo que mantém o público preso à tela. Eu não vou ia falar dos meus livros aqui hoje para não, mas nossa, o que tem no meu livro da Flor de Lis, por exemplo, é intensidade de cada história. É um respeito por cada história, um respeito imenso, mas não é o caso. Aqui na base, é na base dos estereótipos mais rasos, continua ele dizendo.

No final, Tremembé representa o True Crime em sua forma mais rasa e descompromissada. O roteiro é pobre, as atuações carecem de verdade e há uma clara tentativa de copiar o estilo de Ryan Murphy, criador de monstro, mas sem a ironia, a crítica ou talento. O resultado é uma colagem de cena sem nexo e um roteiro que se perde no sensacionalismo.

Os problemas e o fascínio pelo true crime. O audiovisual brasileiro parece preso a um ciclo problemático quando o assunto é true crime. O interesse em adaptar casos reais é compreensível, mas as execuções raramente funcionam. Obras como A menina que matou os pais, Maníaco do Parque, ambas dirigidas por Maurício Essa, compartilham os mesmos vícios: direção irregular, narrativas mornas e receio de encarar o horror com honestidade. O horror é o horror. Você não tem que romantizar horror. Encare o horror como ele é. Você vai ler o meu livro da Flor de Lis. Você vai ver a Flor de Lis desde a infância. Desde que o formato virou produto de massa, o debate gira em torno da mesma questão: como contar histórias reais sem transformar tragédias em entretenimento barato? A antologia norte-americana monstro se tornou um sucesso, mas também reascendeu essa polêmica. De um lado, há quem veja genialidade nas atuações e na construção emocional, de outro, quem critique a espetacularização da violência e o apagamento das vítimas. Apesar da densidade psicológica, suas temporadas de monstros tá falando, tá? Não tá falando do se perderam em exageros que se distanciaram da realidade. Dahmer foi elogiada pela fidelidade aos fatos, mas gerou debates sobre o risco de glorificar o assassino, ainda que traga reflexões sobre falhas sistêmicas. A já os irmãos Menendes, assassinos dos pais, tentou explorar as ambiguidades do caso, mas perdeu força com a inserção de elementos fictícios e reacendeu discussões éticas sobre o impacto de entretenimento na vida real.

Após a estreia de Tremembé, o perfil de Suzane Ristof nas redes sociais, na rede vizinha, foi de 26.000 seguidores para 156.000 e não para de crescer. Parabéns. Assim como os fã-clubes da mulher, condenada por organizar o assassinato brutal dos próprios pais por dinheiro e destruir a vida e a sanidade mental do irmão. Gratidão imensa a todos os os que estão mandando mensagem no WhatsApp. Com carinho e a procura tem sido tão grande que eu ainda não consegui responder todo mundo. Mas podem ter certeza, todas as mensagens serão respondidas", escreveu Suzane nos stories do perfil do Instagram. Suzane resolveu reativar a conta da loja de chinelos dias após o lançamento da série Tremembé, que tem tido grande repercussão nas redes. Ah, que fofinha, gente. Beijo, Suzane. Parabéns aos envolvidos por essa inversão de valores. Desde dezembro do

Ano passado, o Instagram da loja já não postava nada nas redes sociais. Porém, na última semana, após o sucesso da série Tremembé, um vídeo foi publicado.

"Joga quem quer no tigrinho, né, gente? Assiste quem quer até ser normalizado."

UICE se defende dizendo que esse tipo de série não é sobre a glamorização de criminosos, mas declarações anteriores o desmentem mais uma vez. Em 18/09/2024, por exemplo, eu vi que ele disse à CNN Brasil, vocês podem dar um Google, que o público brasileiro trata criminosos como celebridades, com especial fascínio por Suzane Von Roren. Campbell explicou: "Suzane, eu acho que o brasileiro tem um verdadeiro fetiche por ela. Eles querem saber se ela está namorando, se ela está grávida, se o filho é menino ou menina, se passou na faculdade. As pessoas acompanham a vida da Suzane. Isso eu acho impressionante."

O escritor também mencionou outros casos emblemáticos, como o da Flor de Lis e do goleiro Bruno, que já eram figuras públicas antes de cometerem crimes. Ele ressaltou que esse interesse não se limita a pessoas brancas e ricas, criando o exemplo, eh, citando o exemplo da Flor de Lis, que é negra e cresceu na favela, mas também desperta curiosidade.

Campbell abordou ainda a questão da empatia que alguns criminosos despertam no público. Ele destacou o caso de Elise Matsunaga como um exemplo particularmente complexo. "As pessoas têm empatia pela Elise Matsunaga. Quando eu a vi saindo da cadeia pela primeira vez, havia muitas pessoas na porta. Ela foi ovacionada como uma, com uma salva de palmas."

Essa dinâmica complexa entre crime, mídia e opinião pública levanta questões sobre como a sociedade lida com casos criminais de alta visibilidade e a linha tênue entre a condenação e o fascínio pelo trágico. Ou seja, o Campbell, ele sabia muito bem o que faz, o que ele sabe muito bem o que ele faz e o que ele escreve para quem. Ele tinha percebido esse fascínio e foi além da biografia de um crime ou criminoso. Ele foi no gospe da vida privada deles. Ele fez o Tremembé baseado no gospe da vida privada deles e essa declaração antiga dele entregou ele. Era esse mesmo o objetivo.

Ulisses tem uma página na rede vizinha chamada Mulheres Assassinas, salvo engano. Esse é esse o nome? Não tenho bem certeza. Onde ele se dedica a contar fofoca sobre a vida dessas criminosas. Exatamente por perceber isso que o público quer celebrizar esses psicopatas. Todos os seus livros, na verdade, são o compilado daquilo o público queria ler e como eles queriam essas pessoas e não do que de fato aconteceu ou que eles são. Do Flor de Lis, eu posso dizer isso para vocês com propriedade. Há trechos de processos e laudos apenas para confundir ou um pouco mais esclarecidos, mas basicamente, eh, há trechos de laudos, né? Ele coloca um trechos de laudo, trechos do processo, apenas para dar uma confundida nos mais esclarecidos aí para tentar ver se consegue pegar essa galera, mas mesmo assim não funciona.

Basicamente tudo que ele faz vende porque sua imaginação é sem limites. Seu empreendedorismo literário é visionário do ponto de vista negativo. Ele consegue dialogar com tais loucuras na internet e os podcasts o colocam em pedestais devido à audiência que ele dá. E assim sempre será. Pessoas serão alçadas a postos que jamais estariam se a população tivesse de fato senso crítico, expertise e poder de discernimento. Ah, eu gosto do Lício, cara, mas a maioria da população mundial hoje vive de dopamina barata e irresponsável. E o que cabe é as famílias das vítimas aprenderem o que fazer com mais essa dor alimentada pelo público de ver esses monstros refazendo suas vidas e sendo tratados como celebridades. E por isso, daqui a pouquíssimo tempo, todos esses homicidas serão tão noticiados como qualquer outra subcelebridade ou celebridade, a ponto de, em um futuro, mal lembrarmos o que eles fizeram ou de onde eles vieram.

Tremembé focou no Carandiru e errou muito. Saudade do tempo em que um documentário sobre um presídio era intenso, real, respeitoso, íntegro e acrescentava. "Eu não assisti Tremembé. Todas as palavras que eu disse aqui não são minhas, então fica difícil e contraditório o julgamento à minha pessoa." Eu não assisti Tremembé. Quem assistiu foi o meu colega inicial com quem eu comecei a matéria. Eu não assisti, não assisti Elise, nunca li um livro do Ulisses, mas li críticas especializadas que gosto e confio. E jamais perderia 5 horas da minha vida com isso, com o Menendes, com o documentário da Elise Matsunaga. Portanto, eu agradeço aos colegas que se esforçaram para ver e produziram essas resenhas maravilhosas que eu trouxe aqui hoje.

Mais uma vez, a biografia de um crime ou criminoso, ela deve servir para algo: um alerta, um estudo psicossocial, um estudo jurídico humano. Tremembé é de pegar e jogar no lixo. Faz tempo que eu não fazia um exposed assim, não é? Eu sei que vocês estavam com saudade. Eu volto amanhã às 20:30 com muito mais. Obrigada. Yeah.