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E a gente tá falando da redemocratização corintiana. Queria que assim, eh, eu sou eu tenho a camisa do do da democracia corintiana, né? Quando eu fui lá no, comprei lá no estádio.
Então, explica para pra galera mais jovem primeiro o que era democracia corintiana e por a necessidade da redemocratização. Sua é você que chamou de Ulisses Guimarães da red democratização. Vai ser o chefe da constituinte corintiana. Deixa contar. Nem roupa para tá do lado de Juca e ligação de Juca não é convite, é convocação. Eu falei para ele, deixa eu contar para vocês, porque e contar o que foi a democracia corintiana e o que que o como é que nasce essa ideia da redemocracia e da constituinte corintiana.
A democracia corintiana é um movimento que nasce dentro do Corinthians para fora, né? Quer dizer, um belo dia, o Vicente Mateus e não podia se reeleger, faz o o sucessor Valdemar Pires, certo de que o Valdemar Pires seria um laranja que o Mateus continuaria. Vicente Mateus, uma figura, tá na história do Corinthians, folclórica, maravilhosa, maravilhosa. Era um cara que punha dinheiro no Corinthians, não tirava isso. Espesário, dono de uma pedreira, Betão, de uma pedreira. Fez fortuna.
Agora eh eh praticamente é um analfabeto, porque ficou órfão muito cedo e foi, teve que trabalhar com 8, 9 anos de idade, não pudde estudar. Então tinha aquela coisa da da simporedade da né. Eh, agradeço as a Bramas Antártica que mandou. O Sócrates é invendável, imprestável. Tá na chuva para se queimar. Isso. O lero lerro não vendo por nada. Era o birubiro. Enfim, todas essas coisas do Isso. Perdeu um sapato no dia em que o Cristo foi campeão em 77. Só foi descobrir que tinha perdido o sapato 3 horas depois no restaurante Gigeto, onde ele foi jantar. Quando eu falei para ele, senor Vicente, senhor tá com pé descalço? Ele olhou pra mulher dele e falou: "Marlene, cadê meu sapato? Tinha perdido o sapato, não tinha percebido." Esse sapato apareceu 20 anos depois, quando ele morreu, uma senhora que tinha achado o sapato manteve o sapato limpinho e entregou pra dona Marlene. Isso. O sapato. Isso é verdade. Dona Marlene Matus que foi presidente também, né? Foi a primeira mulher. Isso. As pessoas acham que foi a Patrícia Mor, não é? Foi a Marlene Mateus. Em matéria de primazia. Tá bom. Depois a gente conversa. Pioneiri pioneiri.
Bom, agora é importante entender isso. Esse movimento nasce no Corinthians porque chegar à conclusão que não se sabia explicar porque que o Corinthians tava na situação em que estava e e o Flamengo, por exemplo, mandando sendo campeão do mundo de Abaqu e o Corinthians era essa época dos anos anos 80, né? E aí começa esse movimento que junta com a campanha das diretas no Brasil. Então tinha um ambiente no país que não tinha uma constituição democrática, um ambiente de querermos liberdade, uma ditadura. Vivíamos uma ditadura. Tá certo?
Bom, então que que foi esse movimento? Esse movimento votava até se o ônibus vindo de Araquara de noite parava no restaurante no beira da estrada para jantar ou ia direto pro Parque São Jorge, cada um para casa. E o Dr. Sócrates sempre dizia isso. Eu perco todas as eleições que eu quero ir para casa e os caras querem comer a custa do Corinthians e parar no restaurante. E assim foi. E para não sorte, mas como resultado disso, o Corinthians vira bicampeão paulista num tempo que o campeonato estadual tinha uma importância que não é gigantesco, né? E o que que o Dr. Sócrates dizia? Bruno, sabe qual sabe o que que a gente ganhou do São Paulo duas vezes? Aliás, quatro vezes ficaram dois jogos nos dois campeonatos. Porque pro são paulino, jogador do São Paulo, quando ele olha pro domingo, desde a segunda-feira que ele tá concentrado, o domingo é o dia que depois do jogo ele tá livre. Nós que não concentramos, vamos nos encontrar no domingo no hotel, almoçamos juntos e vamos fazer aquilo que a gente mais gosta, que é jogar futebol. Ao contrário. Isso. Entendeu? E aí a alegria do trabalho tararó, taró taró redunda no time bicampeão paulista.
Mas é importante deixar isso claro. É um movimento que nasce dentro do clube com o beneplácito do clube para fora e ganha o Brasil. Ali o Corinthians vira um clube nacional, entre outras coisas, porque o seu José Bonifácio, o Boni, o Boni inventou um personagem de uma novela das oito que era um jogador de futebol do Corinthians. Uhum. Que era o eh era o Mário Gomes, Gomes mesmo. Gomes gravava capítulo na beira do do gramado do Morumbi. Isso. Tá. Ok. Bom, então isso virou uma. Isso aí, né? Aí cultura nacional, né? Faixa. Eh, eh, ganhar ou perder, mas sempre com democracia. Eh, e a figura do Sócrates também, do Casão, né? Enfim, na isso. Vamos pro palanque da.
Eu sempre digo isso, Bruno. Dr. Sócrates, um agro, foi o único de todos nós que participamos daquele movimento, foi o único que pôs alguma coisa a perder. Ele ele colocou a ida dele a Fiorentina, né? Ele dis: "Não vou pra Itália se a emenda de Oliveira passar". Que eu não sei te dizer quantos milhões ele tava pondo em risco ali, mas eram alguns. Todos os demais que estavam ali. E eu não tô fazendo nenhuma crítica aos demais, OK? Quer dizer, eu queria votar, era o meu, era o meu prêmio. O Dr. Ulisses, o Lula, o Franco Montoro, o Fernando Henrique, o Dr. Brisola, queriam ser presidentes e a legítima era a vida deles, era polític. Exatamente. O Magrão não, o Magrão tinha a perder. E e tava disposto a perder dinheiro. Exatamente. Aquela pátria, né, F?
Então foi isso. Até hoje, acreditem vocês, eu sou procurado por estudantes de pós-graduação do mundo para falar da democracia corintiana. Acho que umas 15, pelo menos. É uma, é, pode se dizer que é um movimento único na bola no mundo. Então, eu acho que sim, nesse aspecto. Sim. Eu eu eu sempre digo o seguinte, independentemente de de avaliações pessoais que cada um possa fazer, entenda a coisa com o simbolismo eh do romantismo, o magro virou uma espécie de cheguevara do futebol. Uhum. Entendeu? Eh, e você encontra figurinhas dele, ã, coladas em postes em tudo quant cidade do mundo. Aquela tipografia parecida com a do que a gente eu já vi também. Já vi. Viajou já. É isso. E a FIFA tem um prêmio, prêmio Sócrates, né? Não é isso? Tá no gala dela. Exatamente. Pro cara que tiver a melhor ação social do ano e tal, não sei o quê, né? Salá já recebeu. O Mané, né?
O Corinthians vai a campo com uma camisa escrito dia 15 vote, eleições para governador. O Corinthians estava convidando as pessoas a votarem. E qual era a malícia que tinha nisso? É claro que você não podia dizer dia 15 vote na oposição, você não podia fazer campanha explícita, mas o que o que que existia no Brasil naquele momento? Existia uma ala da esquerda que achava que não tinha que votar, tinha que anular o voto, porque eram eleições concedidas pela ditadura. É, não eram diretas. Não, né? Bom, e havia uma outra ala, digamos, mais sensata, que dizia: "Não, vamos votar e vamos derrotar a ditadura na una". Que foi o que aconteceu? Foi eleito governador de oposição em São Paulo, no Rio, em Minas, né? Dr. Tancredo é eleito ali, Franco Motor eleito ali, Brisola eleito ali, Marcos Freire em Pernambuco, eh, Valdemar, Valdemar Pires não, como é que é o Pires da da Bahia? Eh, que agora é o sobrenome é Pires, tá me fugindo o primeiro nome, mas não importa. Bom, estabelece isso aí.
O que que acontece agora? Agora você tem um clube com a pujança do Corinthians. E aí, Beto, não tô fazendo nenhuma provocação. Tô falando sério. Eu concordo. Tô falando que é o seguinte, o Corinthians, é claro que o Flamengo tem mais torcida no Brasil que o Corinthians. É indiscutível isso. Discutão. É uma bobagem. É uma bobagem. E e não é a coisa de dizer torcida terceirizada. Não, não, não, não. Porque o Flamengo vai a Recife e meio estádio e vai a Salvador e meio estádio e vai a Cuiabá e é o estádio inteiro e vai Manaus. Exatamente. Bom, mata em Minas. Exato. Agora o Corinthians tem muito mais torcida na sua sede, sim, do que o Flamengo tem na dele e no maior mercado e no maior mercado do Brasil. E não é capaz de explorar isso. E hoje deve R 3 bilhões deais. E os tem seus três ex últimos presidentes, dois já viraram réus caminho de virar investigado na justiça, que é o do Willam Monteiro Alves, tá? Quer dizer, é um pouco o panorama quando você olha paraa CBF, quais são os últimos presidentes da CBF? O que aconteceu com eles? Ricardo Teixeira, Marim, Marco Paulo Deonero, Cabôclo, tudo complicado, tudo governadores do Rio. Do Rio. Os últimos vamos brincar só na só no futebol aqui. Hoje sem governador, né, Beton? Sem governador. Cadê o Bom? Sem governador, sem vice, sem o presidente Al.
E aí agora veja uma coisa. Você sabe como é que nasce a marca democracia corintiana? Nós assim, eu eh fizemos um, eu fui eu era diretor placar, tá? Fui convidado a mediar um debate para apresentar o que estava acontecendo no Corinthians, que não tinha nome, pelo Oliveto, que era o vice-presidente de marketing do Corinthians e era meu amigão. E, né, sou padrinho do filho dele, do Té, padrinho de batismo, Dom Paulo Evaristo Arnes que batizou. O o me telefona perguntando se eu toparia ser o o mestre de cerimônia desse debate. Falei: "Tudo bem, vamos lá". E no meio do debate eu digo, olha, parodiando Milô Fernandes, que em 64, logo depois do golpe, tinha escrito uma frase que era mais ou menos o seguinte: se o Congresso Nacional continuar aberto, se a imprensa continuar publicando tudo e os estudantes continuarem nas ruas protestando, nós vamos acabar caindo numa democracia. Ironias de Milor Fernandes. E eu falei assim, o Corinthians tá mais ou menos igual, é uma democracia. Se o jogador continuar votando para escolher o técnico, para parar no restaurante, para comprar jogador, nós vamos acabar caindo numa democracia, numa democracia corintiana, mas numa democracia. Mas falei por falar e eu senti do lado Washington tomaron. Quando acabou o debate, ele virou-se para mim e falou assim: "Já temos o nome do movimento democracia corintiana e pediu e pediu pro Peti, que era o baita de um publicitário, artista gráfico, da DPZ, famosa DPZ do Alibe Peti, Saragosa, da qual Washington era era funcionário mais brilhante, né? Isso. Fazer a marca com o quê? Com com a logotipia da Coca-Cola e de um movimento que existia recém, existia na Polônia do Solidar agnostó, que vocês são muito meninos, talvez não conheçam, que era um líder sindical polonês chamado L Valessa, que na na na demolição da União Soviética aparece como um líder eh democrata na Polônia e ganha a eleição e vira presidente. Então essa é a marca da democracia corintiana. Muito bem. Assim foi que nasceu a democracia corintiana. Vejam vocês. O nome, tudo. Exatamente. Marca, meu parceiro, curtiu esse corte que você acabou de ver? Então se inscreva no Charla para dar uma moral pro melhor podcast de esporte do Brasil. Estamos junto.