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Essa informação de que nós estaríamos indo para lá, ela vazou para a polícia. E o delegado de polícia da cidade de Umuarama, utilizando-se aí de um canal específico para realizados para a polícia, ele emitiu uma nota. E nessa nota, uma nota extremamente obscura e sem fundamento nenhum, ele trouxe informações de possíveis antecedentes criminais das vítimas, datados ali de 10, 15 anos atrás, sem explicar o porquê ele fez aquilo, sem disponibilizar nenhum tipo de documento oficial que demonstrasse que essas pessoas elas cumpriram pena, se houve absolvição, extinção de punibilidade, o porquê daquilo que ele fez, né? E isso foi questionado não só por nós, mas por toda a sociedade.
Em posse dessa informação, nós nos dirigimos até Icaraíma e conversamos com o delegado que preside o inquérito policial, que é o delegado Dr. Thiago. E pasmem que o Dr. Thiago, delegado de Icaraíma, disse que não tinha ciência da nota e que ele tomou ciência dessa nota no mesmo momento que nós. Eu falei para ele: "O delegado de Icaraíma não tinha ciência da emissão da nota feita pelo delegado de polícia da cidade de Umuarama." Essa nota foi emitida pelo delegado, que não é o delegado que preside o inquérito policial relacionado à morte das quatro vítimas, sem o conhecimento, não só a autorização, foi emitido pela delegacia regional na pessoa do Dr. Gabriel. O delegado de Icaraíma falou: "Olha, foi emitido pela Polícia Civil, por quem exatamente?" Eu não sei. É o canal de comunicação que é emitido pela delegacia de Umuarama, representado pelo Dr. Gabriel. Certamente foi ele. E o Dr. Thiago falou: "Olha, eu não tenho conhecimento dessa nota, não, não fui eu, tomei conhecimento junto com vocês."
Isso me trouxe muita estranheza, porque por qual motivo que o Dr. Gabriel, por qual motivo que a delegacia de Umuarama estaria emitindo notas sem a anuência ou conhecimento do delegado que presidiu o inquérito de Icaraíma? É como se quisessem, tá, se o delegado da regional por algum motivo quisesse confundir a sociedade ou trazer a informação de algum tipo de contribuição das vítimas para as suas mortes.
E, e pior, Marconde, para indignar mais ainda, quando nós saímos sem informação, né, nós tivemos ali uma discussão muito acalorada com o delegado de polícia de Icaraíma em companhia de um delegado da Força Nacional, porque nós somos recebidas por dois delegados que falaram que são três delegados que estão exclusivamente para esse caso. Em nenhum momento citaram Dr. Gabriel, que é de Umuarama, eh, que foi o delegado que emitiu essa nota, e que eles não poderiam passar mais informações por conta do sigilo.
Houve alguma ramificação de toda essa apuração da polícia? Provavelmente descobriram outros crimes, nós não temos certeza. E que eles não poderiam trazer novas informações. Estranho é que assim que nós saímos da cidade de Icaraíma, estávamos nos dirigindo para a cidade de Maringá, fomos surpreendidas com uma outra nota da mesma origem, da delegacia de polícia civil da cidade de Umuarama. E essa pior ainda, afirmando que a cobrança poderia ter se originado de uma cobrança relacionado a uma organização criminosa, ao crime. E embaixo da nota, ele escreve o seguinte: "No entanto, não temos provas."
"Mas como é que ele coloca isso se não tem prova?" "Qual é o motivo de um delegado de polícia que representa uma região passar por cima do delegado que preside o inquérito policial, emitir uma nota tentando criminalizar as vítimas e depois trazendo uma informação de que pode ser relacionada ao crime, mas que não tem provas?" Se ele tem alguma informação que a cobrança originou-se, né, de algum tipo de crime, de algum tipo de organização, ele que emitisse o oráculo lá das pessoas relacionado à dívida, o crédito e o débito, mas não das pessoas que vieram para fazer a cobrança, porque essas pessoas não são daqui. Essas pessoas vieram de São Paulo, se dirigiram até o Paraná, contratadas para fazer a cobrança. Então, quando ele traz essas informações, Marconde, ele não só ofende a memória das vítimas, mas também ofende a família que teve acesso a essas informações. A filha do Rafael, as amigas da escola, ela mesma teve acesso a esse tipo de informação eh pela internet. Fatos ali que, se o pai praticou, praticou mesmo antes dela nascer, antes de se casar. E agora, nessa idade, eles têm que passar por tudo isso, né?
"Sim." "E o delegado em nenhum momento explicou o porquê ele fez isso." "Doutora, doutora, eu eu entendi o que o delegado fez. Ele quis mostrar que o Robsley, o Rafael, o Diego e o Alencar são os responsáveis por perderem as vidas. Eles são os próprios responsáveis. É isso que ele quis dizer. Eu acredito até que daqui a pouco vai vir uma uma ramificação da investigação dizendo que foi um confronto entre os quatro. Os quatro se balearam e balearam o carro. Imperícia criminal dentro daquele veículo."
A primeira coisa que eu olhei, mesmo tendo ciência de que já existia, já existiam informações de que eles não estavam armados, e isso quem disse foram os moradores de Icaraíma, testemunhas ouvidas e compromissadas com a lei para dizer a verdade. Essas pessoas disseram que eles não estavam armados. E eu fiz questão de analisar o veículo Touro para saber se havia algum disparo de dentro para fora. E não existe. Existia um disparo que foi um que transfixou e pegou a porta traseira do passageiro lá do lado esquerdo, se eu não me engano nesse momento, do lado direito, perdão. Mas não existe um disparo de arma de fogo, né, que tenha ocorrido de dentro do veículo para fora. Quero ver como que ele vai trazer esse tipo de informação sem prova nenhuma.
Doutora, o caso Icaraíma, ele demonstrou uma criminalidade e uma alta periculosidade tanto na fronteira Brasil-Paraguai, quanto no noroeste do Paraná e São Paulo. Isso já foi devidamente demonstrado de uma organização criminosa altamente qualificada, orquestrada, com uma hierarquia direta, quando se falam ali em crimes relacionados a contrabando, armas ou drogas ou mesmo cigarros ou outros derivados. Existia uma qualificação direta para a colocação de logística, né? Uma logística altamente definida, utilizando ali rios, estradas e os próprios propriedades particulares ali que eram impedidas em sua grande maioria, segundo as informações, de até fechar as porteiras. Inclusive no local próximo às vítimas foram encontradas centenas, centenas, mais de uma centena de "bunkers" ali, dentre eles alguns desativados, outros com mercadorias, não se fala tanto, mas se aproxima o valor de R$ 10 milhões em apreensões ali realizadas. E se mostra ali que essa rota utilizada não era uma vertente de investigação, porque só veio à tona com a morte dos quatro. E essa ramificação, a gente sabe, né, não querem que esse tipo de investigação ele seja falado para a sociedade. Foi vazada a informação do roubo do carro, de um carro ali, que uma pessoa teria pedido ajuda de um policial vindo de outro estado e que a partir desse outro policial, que ele ficou muito assustado, porque quando do encontro do carro, pessoas, inclusive o Paulo Ricardo estava próximo, além de outra pessoa que foi presa, estavam ali e testemunharam a levada do carro, mas não foram sequer à delegacia. Então, tem outros outros fatores ali. E as terras utilizadas pelos Buscariolo ali, sabe-se que tinham "bunkers" e esconderijos, mas a senhora tem a prova de que eles não estavam envolvidos nisso, que é que é a mensagem do Rafael para esposa, ou tô enganado?
"Sim, do Diego, né? Da Fabrícia também tem. Eles não eles não tinham envolvimento de nada. Eles saíram de lá contratados para fazer uma cobrança e, infelizmente, quem os contratou não descreveu qual era a situação na região, né?" O problema tá que essas pessoas que o que contrataram os as pessoas que eu represento, as famílias que eu represento, eles sabiam de tudo isso, eles sabiam de todas essas informações e eles omitiram porque certamente com base a a esposa de uma das vítimas já disse, com base no valor que eles ganhariam, era muito pequeno para correr o risco de morte, ir para uma região desconhecida e correr risco de morte. Então eles vieram ali achando que seria uma cobrança muito fácil, foram fazer a cobrança e acabaram perdendo ali a vida de forma extremamente cruel e pode ser que ainda tenham sido torturados. Tá aguardando aí ansiosamente o laudo de necropsia, que também tá demorando um monte. Foi questionado pro delegado de polícia como que vai finalizar um um fazer um relatório final de uma investigação sem o mínimo, que é o laudo de necropsia, pra gente saber quais são as qualificadoras que ele vai colocar, né? Nós sabemos que a criminalidade ela reinava ali, né? E que certamente com a anuência, porque lá Marconde, como você sabe, muitos sabem, eu estive lá durante muitos dias, né? Eu fui no local, eu estive durante a madrugada acompanhando a polícia, delegado e tudo mais, fiz todo o trabalho de campo e eu vi os "bunkers", não era nada escondido não, Marco, porque aquilo ali era extremamente visível.
"Ali nós temos vários tipos," "Nós temos vários tipos de polícia naquela região, né? Vários. Eh, eh, infelizmente a gente sabe que aquilo ali só tomou a proporção que tomou porque pessoas ou envolvidas ou porque ganhavam ali de alguma forma alguma coisa, fizeram vistas grossas. E esse crime ele trouxe à tona tudo isso. E isso envolve muita gente. O pessoal fala, envolve gente grande, certamente para utilizar-se para que eles tenham, né, feito todos aqueles "bunkers". Nós estamos falando de muita mercadoria, muita coisa, muita droga, muito contrabando para tudo aquilo ali, né? A gente precisa ter demanda para ter oferta. Então, para tudo aquilo ali e as pessoas e o porquê, autoridade policial em nenhum momento, eu digo com relação à autoridade policial regional também, que é essa que emitiu a essa essa autoridade policial, ela está há muito tempo ali, né? Bastante tempo na região."
"Sim, com certeza." "E é muito estranho que não se saibam nada com relação à aquilo, não tenham feito nada com relação ao conhecimento, não tenham investigado, haviam policiais envolvidos. Se haviam, por que que nunca investigaram?" "Exato." "Ah, haviam pessoas realmente importantes envolvidas. Por que que nunca teve uma investigação?" Lá no começo, a Meira, esposa do Rafael, ela conversou com esse delegado de polícia porque o pessoal falava assim: "Ah, isso aí é cobrador perigoso, eles vieram ameaçando, certamente vieram armados." Esse delegado falou: "Não, para ali, nós temos certeza, são vítimas. Não importa. Mesmo se eles tivessem praticado crime em algum momento da vida ou eles tivessem vindo armados, eles são vítimas. Eles são vítimas, nós temos certeza, não importa." E daí do nada, Marconde, quando a sociedade começa a cobrar o resultado da investigação, quando a família se dispõe a vir novamente, tá, a ir até a delegacia de polícia e cobrar pessoalmente o delegado de polícia, começam essas notas tendenciosas e ninguém fala nada.
Emitir nota, Marconde, escrever ali e soltar como "release" para a imprensa é muito simples. O difícil é dar a cara, colocar a cara lá na imprensa, fazer uma coletiva e explicar agora o porquê ele fez. Por que que ele não fez isso? Por que que ele não dá entrevista e não explica qual foi o motivo dele fazer isso? Qual era a pertinência do que ele fez? Por que que ele não veio falar agora o porquê ele disse que fazia a cobrança era relacionada ao maior crime? Por que que agora ele não vem dando nomes?
"É qual?" "E pior, por que que ele disse, nós sabemos que várias pessoas são envolvidas e o delegado que presidiu o inquérito sabe, esses nomes foram repassados. A investigação já mostrou o porquê o nome dessas pessoas é mantido em sigilo até hoje, por que que não tem novos mandados de prisão?" Eh, a minha pergunta, nós sabemos que essa organização da família Buscariolo, se nós colocássemos assim numa hierarquia do exército, família Buscariolo estaria ali como cabo, nem como sargento, estaria como cabo, né, o Tonhão. E a para eles fazerem esse crime, eles como cabo, eles tiveram que pegar a autorização com o sargento e o sargento teve que pegar com o capitão e o capitão teve que pegar com o coronel. Minha pergunta, a senhora acha que pelo menos o sargento vai ser preso? Porque o coronel já sei que não.
"Marconde, nós estamos em luta para isso. No entanto, eh, é um é muito difícil o que nós estamos vivendo. É muito difícil porque nós estamos lutando contra o sistema, né? Nós estamos lutando contra algo que já tá ramificado há muito tempo. E eu questionei isso porque nós sabemos que existem vários nomes e várias pessoas, se nós formos falar ali de uma hierarquia média, né? Nós sabemos que uma máquina retroescavadeira grande, que são poucas na cidade," "duas" "que ela esteve lá," "são duas marcas, duas marcas," "colocar o veículo naquele local, abrir o "bunker", porque o "bunker" ele é uma estrutura de cimento, tijolos, não é um buraco como alguns pensavam, é um "bunker", aquilo ali é uma estrutura. E eles utilizaram essa máquina retroescavadeira para abrir esse buraco. Nós temos poucas e uma inclusive pertence à prefeitura da cidade de Icaraíma. E nós sabemos a pessoa que estava utilizando essa máquina nesse dia. Pergunto eu, por que que essa pessoa não tá presa? Por que que essa pessoa não foi conduzida até a delegacia? Por que que não foi ouvida?" "Por que que o nome não foi divulgado?" "Por que que o prefeito nunca se manifestou? Por que que o governador não se manifesta? Secretário de segurança só se manifesta quando encontra corpo, quando encontra carro. Por que que todo mundo se omite? Por que que quando foi falado que nós íamos entrar em contato com o secretário de segurança da cidade de São Paulo causou estranheza, porque todo mundo é amigo de todo mundo."
"Tem outro, eh, tenho só um pontinho só para complementar. A outra máquina estava em uso no aterro sanitário, que é do que é de parente de alguém que foi preso. Vamos colocar assim. Eu eu não posso ficar falando muito não, porque eu já tive alguns problemas aqui e eu aviso para a senhora. Doutor, eu já tive alguns avisos, tá? Alguns avisos tivemos. Então, eh, eu já tive alguns avisos aqui para tirar o pé. Para a investigação ali, para continuar, tem que pegar autorização de de segunda instância, tá? Só para vocês saberem, é, se alguém quiser pesquisar porque a segunda instância, vocês vejam quem são as pessoas que para fazer investigações tem que ir para a segunda instância. Segunda instância são desembargadores estaduais ali do mesmo nível ali deputados." "Uhum." "Esferas estaduais, tá? Vamos colocar dessa forma."
Outro ponto, doutora, é que por que ainda não federalizou esse caso? Por que ainda não federalizou? É, é um dos nossos novos requerimentos. Até então, Marconde, a a Meira até falou com o delegado, Dr. Thiago, ele havia nos nos pedido, tá, que nós eh tivéssemos calma, que nós nos mantivéssemos em silêncio ou falássemos pouco durante um período, porque tudo seria resolvido, que eles estavam trabalhando, três delegados. Marcante. Estranho é que inclusive foi designado um delegado da Força Nacional, né? Isso são pouquíssimos casos que acontecem. Vem um delegado de Brasília para ajudar nesse caso e existem vários policiais da Força Nacional que estão naquele município até hoje atuando nesse caso. Intervenção da Polícia Federal. E a gente, infelizmente, a gente não pode manter a Polícia Civil da forma que está. Mantendo esse processo, eles juntaram, Marconde, alguns laudos dentro do inquérito. Eu, como eu disse, eu estou habilitado.
"Uhum." "Eh, alguns laudos que não são nada relevantes para aquilo que a gente precisa. Nós precisávamos do quê? Do confronto do material biológico, do DNA, se havia se, né, em quais locais haviam sangue das vítimas. Nós precisávamos da perícia das armas, nós precisávamos do laudo de necropsia, herb do telefone, quebra de sigilo bancário de todos os envolvidos e investigados. Nós precisávamos de várias coisas até para que a gente fizesse requerimento de provas, né? E tudo que é pertinente para a acusação não é anexado. Se nós nos calarmos, nós, não só nós que somos partes, mas a imprensa, a sociedade se calar, amanhã ou depois pode ser um de nós numa situação, aí o estado vai fazer a mesma coisa que está fazendo com essas famílias. E por isso eu não me calo, tá? E por isso eu não me calo. Se a gente tem receio, que pode acontecer alguma coisa, isso a gente sabe, né, que a gente está propício para acontecer alguma coisa, porque são pessoas extremamente perigosas. Olha a forma que eles tiraram a vida desses homens." "Mas," "né, olha, olha o modus operandi que eles utilizaram para tirar a vida dessas pessoas. Então, acredito que eu que agora com o nosso requerimento de intervenção, caso não ocorra essa intervenção, tá? Eh, daí é mais estranho ainda, porque em crimes como esse que envolve eh até crime internacional, porque o contrabando, tráfico internacional, a gente já sente quem é a responsabilidade." "E é muito estranho que eles não tenham passado a competência para outra para a polícia competente fazer essa identificação. Como se eles quisessem segurar, dificultar a fiscalização por parte da acusação, dificultar para que a gente não consiga eh ter acesso àquilo que foi produzido ou aquilo que eles não produziram. Só que eles imaginavam, Marcondes, que assim como vários crimes que aconteceram na região, o o dos filhos do Antônio Buscariolo, ele foi preso por vários crimes, ficou pouquíssimo tempo, estava solto." "Sim," "né? E estava solto. Eh, eu acredito que eles estejam fazendo isso para ver se a gente desiste, tá? Porque em vários outros crimes que aconteceram não tinha essa repercussão, porque as pessoas não corriam atrás, não advogavam, esqueciam, confiavam na autoridade policial, mas infelizmente de nossa parte não tem mais essa confiança. E eu falei pro delegado de polícia, Marconde, a as minhas clientes estavam juntas, estavam dois delegados, estão aqui, inclusive a Fabrícia, a Meira, eu só não vi a Denise, mas a Fabrícia está aqui. As clientes, a Fabrícia e a Meira, elas estavam, nós estávamos juntas sentadas no mesmo sofá e o delegado de polícia começou a falar que sentia muito, mas que não podia passar mais nada, né? E trazendo aquela conversa ali e eu em silêncio. Eu esperei ele terminar de falar. Meira muito emocionada, Fabrícia também, porque imagina você sair, andar a noite inteira, dirigir a noite inteira e você chegar num local e você não tem resposta nenhuma. E eu olhei pro delegado de polícia e falei pro delegado o seguinte, eu falei: "Doutor, o senhor deu entrevistas algumas vezes e deixou muito claro que nenhuma hipótese estaria descartada com relação a esse caso." E hoje eu digo a mesma coisa, de minha parte, de nossa parte, com relação à polícia, Marconde, falo hoje sem medo nenhum, tá? Inclusive de representação do problema de foro. Falo sem medo nenhum. Assim como o delegado de polícia titular que preside aquele inquérito policial disse que nenhuma hipótese relacionada ao crime eh descartada. Hoje eu digo que nenhuma hipótese com relação à investigação, com relação à idoneidade do que está sendo feito, está sendo descartada de nossa parte. Seja para dificultar a fiscalização, seja para acobertar alguém. Hoje, Marconde, nenhuma hipótese está sendo descartada de nossa parte."
"Então, temos aqui um ponto que é de para um caso de federalização para ser apurado pela Polícia Federal, que é de competência hoje do do ministro da Justiça, o Dr. Lewandowski. Vocês já pensaram em procurá-lo diretamente? Porque eu tenho certeza, eu tenho certeza que vocês serão muito bem recebidas por ele. Agora, ah, antes da delas irem embora, nós conversamos sobre isso, que nós estávamos pensando em nos dirigirmos até Brasília, né, e conversar pessoalmente aí com os responsáveis, né, que possam intervir, porque senão a criminalidade, a gente nem fala em acabar com a criminalidade, mas senão aquela cidade vai continuar tomada pelo crime. E hoje o crime ficou escancarado. Isso não é feio só pro estado do Paraná, isso é feio para todo o país quando se escancara uma criminalidade da forma que foi escancarada e a gente não vê nossas autoridades fazendo nada. E não é só aqui, Marconde, eu falo para você também com relação a São Paulo. Ah, a polícia não pode intervir no estado do Paraná por questão de competência. Isso eu sei, mas eu já vi em outros casos onde secretário de Justiça, prefeito, aonde pessoas se manifestaram de outros estados, pelo menos dando a sua opinião e falando: "Vou fazer requerimento, vou fazer requerimento, vou pedir prestação de de informações com relação a isso." Mas nesse caso, o silêncio, reina, ele prevalece sobretudo."
Só para você entender, como o negócio é é sério, no dia que nós fomos para lá, eu queria conversar com o promotor de justiça responsável aí, que é o titular da ação, que é a pessoa mais importante, Ministério Público. Toda a investigação, ela é feita única e exclusivamente para formar a opinião do Ministério Público, não é? Sim. "Para ver se ele denuncia, se ele não denuncia, é ele o titular da ação." Eu já havia conversado com esse promotor de justiça algumas vezes e eu queria conversar nesse momento porque a gente já estava engasgado juridicamente falando, tecnicamente falando, mas psicologicamente por conta da família também engasgados. Um representante da sociedade, não é a voz da sociedade. "Não é o fiscal da lei. É para isso que serve o Ministério Público." Nesse momento me foi informado de que o promotor ali da responsável pela Vara Criminal da cidade de Icaraíma, ele estaria de férias. Eu questionei: "Mas de férias de novo? Mês passado ele estava de férias." Então eu quero falar com o promotor substituto, porque o promotor substituto precisa nos atender. Nem que nós tenhamos que esperar, mas nós vamos ficar aí, o promotor vai nos atender. Daí me chegou resolução, ofício, enviaram falando que o promotor substituto estaria em Curitiba fazendo curso. Falei: "Pronto, agora o negócio ficou feio. Por quê? Se o titular está de férias, o substituto está fazendo o curso, a lei orgânica do Ministério Público e a nossa lei não permite que uma comarca fique sem um promotor de justiça responsável por aquela comarca, por aquele local. Não existe isso."
"Nossa Senhora." "E daí eu fico pensando, não tinha promotor na comarca? E daí os os processos, os flagrantes, os processos, as cautelares de urgência, quem que estava quem que estava se manifestando, para quem estava indo com vista, mas para nós não foi informado. Inclusive mandei, falei com relação à lei orgânica do próprio Ministério Público que não permite. Eu falei: 'Olha, está muito estranho, não tem ninguém e o silêncio prevaleceu mais uma vez.' Então isso para nós, nós estamos falando não só da polícia investigativa, mas nós estamos falando agora de questões relacionadas ao nosso próprio judiciário."
"Sim, com certeza. Questões relacionadas ao próprio judiciário que coaduna com o entendimento do delegado de polícia e mantém esse inquérito mais durante mais tempo em sigilo absoluto. Então, Marconde, realmente, enquanto nós não tivermos intervenção, seja da Polícia Federal, né, dos nossos ali eh governantes, né, de de outras autoridades, eu falo para você que cada vez mais nós iremos continuar correndo o risco, porque nós não nos calamos, mesmo diante de tudo isso, nós não nos calamos, né? Não, não é cara feia, ligação, ameaça que vai fazer com que a gente pare de falar. Está ficando muito feio. Vai chegar um momento que vai ficar insustentável para o próprio estado, para a Secretaria de Segurança e para o nosso país, porque é um caso que tomou repercussão nacional, né?"
Engraçado, o que eu mais fico assim pensativo, é porque nós não vemos qualquer fala do próprio governador, né, do Paraná, com relação a esse caso, porque foi um caso que chocou o Brasil inteiro e nós não temos a fala dele. Com relação ao Dr. Ricardo Lewandowski, eu acredito que eu acredito que eu tenho um amigo que possa facilitar o seu contato com ele. Vou depois.
"Eu agradeço, toda ajuda, muito bem-vinda. Agradeço em nome da família também, não só da família Marconde, mas eu agradeço em nome da sociedade. E esse tipo de crime ele não interfere somente com relação à família, mas ele interfere em toda a sociedade. A injustiça contra um é injustiça contra todos. E a gente precisa aprender isso. Eu agradeço em nome de todos aí, todo, toda a ajuda é muito bem-vinda e certamente nós iremos utilizar todos esses canais, todos esses caminhos aí para que a gente consiga que realmente a justiça seja feita. A gente quer justiça, que cada um pague exatamente pelo crime que cometeu."
"Perfeito." "Exato. Perfeito. Eu agradeço a participação por hoje. Acho que foi perfeito a a informação. Acredito que todos hoje aqui tenham entendido que não estamos falando em pés de chinelo. Não estamos falando pura e simplesmente deste bárbaro homicídio qualificado. Estamos falando muito além disso, porque se fosse uma disputa, uma guerrinha ou mesmo somente um assassinato, que já é coisa seríssima, já teria andado, já teriam prisões. Ou vocês acham que 12 pessoas saem de uma casa e ninguém acha? Fica aí a pergunta que vocês podem conjecturar a resposta. As viúvas, nossos sentimentos e que nós vamos continuar de todas as formas aqui acompanhando o caso. Queria agradecer a doutora por esse empenho, um empenho que para mim é maravilhoso na defesa dos interesses dessas famílias. Muito obrigada, Marconde. Muito obrigada a todos que, que cobram da sociedade, que nos cobram nas redes sociais, né, que entram em contato, muitas pessoas inclusive pelo telefone mandando mensagem, cobrando, pedindo informações. Porque nós, por mais que nós tenhamos o respaldo jurídico, né, nós nós tenhamos o conhecimento técnico e jurídico, nós sabemos que outras coisas permeiam a essa situação, a esse crime. Então, enquanto nós tivermos o auxílio da sociedade e o auxílio da imprensa não pedindo vingança, mas pedindo justiça, certamente o caso não será esquecido. E se Deus permitir, e a justiça do homem também, né, permitir, em breve, eh, nós teremos aí os culpados atrás das grades, pagando pelo que cometeu." "Família." É isso, né? Informações aqui que chocam e que são necessárias e que precisamos da ajuda de vocês para esse caso não ser esquecido e ser compartilhado ao máximo para chegar em Brasília.