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Queridos irmãos, abramos nossas Bíblias no livro de Atos dos Apóstolos. Atos capítulo 20 verso 24. Atos 20:24.
"Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o Evangelho da graça de Deus." Amém.
Vamos à primeira epístola de Pedro. Primeira Pedro, capítulo 5. Vamos ler desde o verso 10. Primeira Pedro 5:10.
"Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A ele seja o domínio pelos séculos dos séculos." Amém.
Por meio de Silvano ou Silas, que para vós outros é fiel irmão, como também o considero. Vos escrevo resumidamente, exortando e testificando de novo que esta é a genuína graça de Deus. Nela estai firmes.
Ontem fizemos uma introdução nessa epístola aos Gálatas e sobretudo buscamos mostrar, amados irmãos, a importância de termos a verdade do evangelho fundamentada em nossos corações como casa de Deus e igreja de Deus. Duas vezes na epístola aos Gálatas. Ontem nós lemos apenas uma das menções. No capítulo um está uma, no capítulo dois está outra, exatamente na primeira sessão que tem como tema a graça. Nós vimos que Paulo menciona o termo "a verdade do evangelho". Ele o faz no capítulo um, ele o faz no capítulo dois. Duas vezes numa carta tão pequena, Paulo enfatiza essa questão da verdade do evangelho. Por quê? Porque as igrejas no plural, igrejas da Galácia, estavam sofrendo o assédio de judaisantes, então tendendo a voltar à observância de preceitos religiosos que têm a ver com sombras, com tipos e que não contêm então nenhuma realidade.
Quando ele escreve aos Colossenses, ontem também fizemos menção, a chamada heresia Colossense, como vários eruditos acham quando estudam esse livro, era uma combinação ainda mais danosa de judaísmo com filosofia oriental. Então, entram aquelas questões das emanações dos anjos, como é mencionado no capítulo 2, o pretexto de humildade e etc. e também as questões ligadas a preceitos cerimoniais. Então, quando Paulo trata esses assuntos, o zelo, o fogo ardente no seu coração está resumido nesta frase: "a verdade do evangelho".
No capítulo 2, quando ele menciona essa expressão "verdade do evangelho", algo inusitado ocorre. Pedro, na sua fragilidade, ele assume uma posição inadequada quando judeus vêm ao encontro daqueles que ali estavam. E ele, que até então comia com gentios, se aparta dos gentios por causa da chegada dos judeus. Então o apóstolo Paulo ousadamente ele repreende a Pedro publicamente. Ele diz que ele fez isso para que a verdade do evangelho não fosse afetada. Então, tão importante essas duas menções nessa pequenina carta.
Então, nós temos no meio de tantas vozes, meus amados irmãos, que já foram, já eram ouvidas no tempo do apóstolo Paulo e muitas assim no nosso. Nós nos lembramos das palavras do Senhor registradas em João 10, nas quais ele diz assim: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz. Eu as conheço, elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna. Jamais perecerão eternamente e ninguém as arrebatará da minha mão." Olha o que ele diz em seguida. "Aquilo que o meu Pai me deu é maior do que tudo." A que ele está se referindo claramente as ovelhas. "Aquilo que o meu Pai me deu é maior que tudo e das mãos do Pai ninguém pode arrebatá-las." E ele conclui assim: "Eu e o meu Pai somos um."
Então, meus amados irmãos, continuamos os nossos dias com esse imenso desafio. Reconhecermos em meio a tantas vozes, e algumas delas são muito sutis porque, como dissemos também ontem, não colocam Cristo de lado, associam algo a Cristo. Inevitavelmente, esse algo associado a Cristo, por causa de cobiças, paixões, vulnerabilidades, fragilidades dos nossos corações se tornam essas coisas maiores do que Cristo e assume um lugar de centralidade.
Então, é muito evidente para nós quando lemos todas as 13 epístolas de Paulo, especialmente quando fazemos cuidadosamente, nós vemos que esse era o foco, era o centro da carga do seu coração. Colossenses 1, você se lembra? Ele diz, quando ele escreve as glórias de Cristo ali, ele diz: "Para em todas as coisas ter a primazia."
Citando mais uma vez o irmão Alen Sparks, ele diz assim: "O teste, o teste de toda a obra chamada cristã, seja ela em que contexto esteja, é um só." Dois pontos. "Quanto de Cristo há nisto? Quanto de Cristo há nisto nessa palavra, nesse livro, nesse encontro, nessa conferência, nessas mensagens?" Podemos até ir além nesses relacionamentos. "Quanto de Cristo há?"
Meus irmãos, a sublime ocupação nossa como cristãos é Cristo mesmo, para o conhecer e o poder da sua ressurreição, a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte. Não que eu tenha já obtido a perfeição, mas prossigo para o alvo.
Irmãos, perguntas honestas, sinceras, precisam ser feitas por todos nós. E talvez essa seja, me parece claro que realmente é a mais essencial no nosso quarto secreto. Entra no teu quarto, fechada a porta, ore teu Pai que está em secreto e pergunte: "Senhor, tu és verdadeiramente o foco, o centro e o motivo do meu coração?" O Senhor nunca responde perguntas que não lhe foram feitas.
Então, que necessidade nós temos em dias tão desafiadores, de tantas vozes? Nenhum de nós poderia falar isso com sorriso nos lábios. O cristianismo tem sido afetado frontalmente por muitas vozes estranhas e nós somos responsáveis por discernir a voz do pastor em meio a tantas vozes.
Então, graças ao Senhor por essa eh bendita palavra e promessa que temos da parte dele, como já citamos em João capítulo 10. "Minhas ovelhas ouvem a minha voz, não seguem a voz dos estranhos."
Agora, meus irmãos, há uma condição, sem dúvida, uma condição prévia para que essa voz do Senhor seja discernida. Qual é? É desejarmos ouvir a voz do Senhor. Quando Eli, aquele profeta espiritualmente falando, além de naturalmente, desgastado, velho, com seus olhos já com poucas condições de enxergar claramente. Primeira Samuel 3 é um texto tão gráfico, tão impressionante. Diz que quando a lâmpada do Senhor estava para se apagar, Eli, Eli foi para o seu lugar, assim está na na versão em português. Ele foi se deitar no seu lugar costumado. Que interessante. Parece que realmente aquele sacerdote já não tinha mais nenhuma condição de exercer um serviço vivo, fresco, novo a Deus. Então ele estava lá no seu lugar costumeiro, deitado no seu canto e antes que a lâmpada de Deus se apagasse, meus amados irmãos, não fosse a fidelidade do Senhor, não só através dos chamados avivamentos ou despertamentos espirituais, através deles também. E bendito seja o Senhor por cada um deles. É por causa deles que nós estamos assentados aqui. Mas vai além disso. Pequenos movimentos do Espírito Santo.
Foi editada uma obra, falando nisso, me lembrei, inclusive foi disponibilizada aí pros irmãos, "A Igreja Peregrina". Essa obra de Bradband é a melhor obra sobre história da igreja no que concerne a manutenção da tocha do testemunho do Senhor através dos remanescentes nesses 20 séculos de história da igreja. Há muitas obras sobre a história da igreja e há obras muito boas, mas esta obra foca especialmente a manutenção do testemunho do Senhor nesses 20 séculos. Então, se vocês observarem, se puderem ler essa obra, vão ver que aqui e ali, em pequeninos grupos ocultos, tantas vezes, o Senhor obteve o que ele desejava para que a tocha do seu testemunho fosse preservada. E aqui estamos nós.
Mas meus irmãos, retomando aqui, a précondição para ouvirmos a voz do pastor é desejarmos ouvir a voz do pastor. Quantas vezes essa voz do pastor é contundente naquilo que concerne a nós, nos estremece, vai abalar fundamentos, vai dizer: "Deixe isso, você está equivocado." Ouvindo a voz do pastor, ouvir a voz do pastor é uma condição prévia para que nós tenhamos verdadeira sensibilidade espiritual. Paulo quando ora pelos Filipenses, ele diz assim: "Que o vosso, eu também faço esta oração, Filipenses capítulo 1, que o vosso amor aumente mais e mais em plena percepção." Uma versão alternativa desse versículo diz assim: "Para discernirdes o que tem realidade e o que não tem realidade". Outra tradução do mesmo texto vai dizer assim: "Percepção para discernirdes entre coisas que diferem". Paulo ora pelos filipenses para que eles tenham discernimento espiritual entre coisas que diferem. São parecidas, muitas vezes são imitações da realidade, muitas vezes.
Ontem nosso querido irmão nos lembrou ontem à noite sobre o candeiro no santuário. Você sabe que no livro de Êxodo há dois elementos de ouro que são muito destacados, além de outros, claro, mas que se contrapõem no mesmo livro Êxodo: candeieeiro de ouro e bezerro de ouro. Dois são de ouro. Porque a obra extra do inimigo é imitação. Ele não tem poder criativo. Somente o nosso Senhor tem poder criativo. Então, a obra mestra do inimigo é imitar a realidade. Como já nos foi lembrado, um talento de ouro ou um bloco de ouro, como dizia nosso irmão, foi usado para fazer tanto o candeiro quanto os apagadores e as espevitadeiras de um único talento de ouro, a unidade gloriosa dessa obra de Deus, da luz de Deus expressa no candeiro. Por obra de escultores, maçaneta por maçaneta e flor por flor. Seis hastes, uma obra de arte estupenda, porque o Espírito Santo encheu de sabedoria aos artífices para que realizasse essa obra. Essa é a história do candeiro. E o bezerro de ouro. Povo peregrinava no deserto. Êxodo 32. E Moisés se demorava no monte. Então o povo se desesperou. Será que aconteceu com esse Moisés? Ele sumiu, nos tirou do Egito. Nós estamos aqui no nada. Anteriormente já tinham dito que o seu apetite estava com saudade das coisas do Egito. Muito interessante que ele estava com saudades de tudo que é fedorento, não é? Alhos, cebolas, peixes. Não que isso não seja bom, são coisas muito boas, mas são fedorentas. Então eles estavam com saudades dessas coisas. Quando eles tiveram esse apetite por carne no início, o Senhor os atendeu e não os julgou. Êxodo 16. O Senhor fez soprar um forte vento oriental e lançou codornizes nos desertos e eles comeram. Tinham saído do Egito recentemente. O Senhor sabia que estava tratando com um povo bebê na bondade e atenção gentil da misericórdia do Senhor. Ele atendeu o desejo deles e eles comeram. Mas num evento posterior, houve uma segunda vez em que eles pediram carne novamente, mais à frente, isso desagradou o Senhor, porque eles já estavam comendo maná. Por um bom tempo. Então, o salmo quando reflete esse evento, narra esse evento, diz assim: "O Senhor concedeu a eles o que eles queriam, mas fez definhar-lhes a alma."
Meus irmãos, quando nós estivermos diante do nosso Senhor face a face, sem dúvida, um dos grandes motivos de sermos gratos a ele é que boa parte de nossas orações não foram respondidas. "Pedis e não recebereis, porque pedis mal para esbanjardes nos vossos próprios prazeres."
Então, o bezerro de ouro também era de ouro, mas como ele foi feito? Ele não foi talhado a golpes de martelo e de cinzel. Talvez hoje, ainda mais à frente iremos falar um pouco sobre o trabalho da cruz e o que ele significa. Nosso irmão mencionou um pouco pela manhã. Primeira sessão, o candeiro foi talhado a golpes de martelo e de cinzelo.
Meus irmãos, em meio a todas essas vozes que já citamos no início, que têm sido faladas no meio do povo de Deus, há um item, entre outros, mas há um item que nunca é mencionado por essas vozes. Sabe qual é? O trabalho da cruz na vida da alma. Nunca. Porque isso, na visão de muitos, é deprimente, porque eles não entendem o que é o trabalho da cruz. Eles não sabem que o trabalho da cruz e a cruz em si mesma tem um lado sombrio, mas tem um lado luminoso. Sem morte nunca haveria ressurreição.
A espada do espírito, que na linguagem de Hebreus 4:12 não é espada, na linguagem de Efésios 6 é espada. A espada do espírito, que é a palavra de Deus, um instrumento de eh ofensivo, né, de ofensiva na armadura de Deus, aliás, o único. Todos os outros são de proteção, a espada do espírito, palavra de Deus, o elemento de ataque. Mas essa espada em Hebreus 4, na nas versões da maioria de nós que temos na mão, aí lá está a palavra espada. "Palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante que qualquer espada de dois gumes." O termo ali não é espada, o termo ali é adaga. É uma faca curta de no máximo, 50 cm máximo, que o sacerdote usava, não o guerreiro, mas o sacerdote usava para destrinchar o sacrifício. E é essa relação que é feita em Hebreus, porque o tema de Hebreus não é batalha espiritual, o tema de Hebreus é a jornada cristã.
Então ele vai dizer que na linguagem de Paulo em Romanos 12, quando nós apresentamos os nossos corpos por sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, nós lemos tantas vezes esse texto de Romanos 12 de forma puramente romântica, porque certamente há muita beleza nele. O sacrifício é vivo porque Deus é vivo. O sacrifício é santo porque Deus é santo. E o sacrifício é agradável a Deus, porque é isso que ele requer de nós, porque somos dele, somos para ele. Ele nos comprou, não sois de vós mesmos. fostes comprados por preço. Glorificai, pois a Deus no vosso corpo. Então, quando oferecemos nossos corpos como esse sacrifício tão aceitável a Deus, então aí por um lado, o romantismo vai-se embora, porque aqui está o sacerdote com a sua adaga. E o que ele vai fazer? Ele vai abrir o sacrifício ao meio, como diz o manual do sacerdote Levítico. Ele vai rasgar aquele animal ao meio. Primeiro ato, depois da consagração. Por que ele vai fazer isso? Crueldade, não. Amor purificador. Porque depois de rasgar o animal ao meio, ele vai usar a faca e vai tirar a pele, tirar o couro, para que então aquilo que está dentro possa ser examinado. "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." É isso que o Supremo Sacerdote faz na vida de cada um daqueles que foram por ele comprados e que então voluntariamente, alegremente, decididamente oferecem seus corpos como um sacrifício vivo, santo, agradável a Deus.
Então, quando aquelas entranhas no animal aberto por essa daga são tiradas do corpo do animal, você se lembra o próximo passo? As vísceras são lavadas com água. Efésios capítulo 5. "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela para que a santificasse, tendo-a purificado pela lavagem de água pela palavra." Lavagem de água pela palavra, para que ele pudesse apresentá-la a si mesmo, uma igreja como ele é, gloriosa, porque ele é glorioso, uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.
Então, meus irmãos, é isso que o Espírito Santo está fazendo, porque veio habitar em nós para fazer nas nossas vidas. Um texto que foi usado ontem, nenhum dos irmãos que fez a abertura, Romanos 8:28 e 29 descrevem o propósito de Deus de maneira tão clara e tão necessário que nós o compreendamos. "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho, conformes ou conformados à imagem do seu Filho, Cristo, formado nos muitos filhos, nos seus irmãos mais novos, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos." Romanos 8:29. E o que diz o verso anterior, o 28? "Todas as coisas." E aí você não precisa consultar o grego não, porque todas as coisas significa todas as coisas, como está aí nas nossas Bíblias. "Todas as coisas cooperam, operam juntamente." Agora, um cuidado aqui. O texto diz apenas "para o bem daqueles que amam a Deus." Nunca coloque na frente desse bem um hífen e a palavra "estar". Porque muitas vezes o trabalhar do Senhor em nós vai implicar em mal-estar, até mesmo espiritual e também emocional e também psicológico e inclusive físico. Muitas vezes não quero, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porque foi acima das nossas forças. A ponto de nos desesperarmos da própria vida. Está escrito na sua Bíblia, irmão. Segunda Coríntios, capítulo 1, verso 8. E ele vai continuar assim: "Mas nós já recebemos uma sentença de morte." Mas que coisa macabra parece, não é? O apóstolo da graça, o apóstolo Paulo, aquele que diz "para mim o viver é Cristo". É esse mesmo que está dizendo o que nós estamos falando em segunda Coríntios, capítulo 1. "Já recebemos sobre nós uma sentença de morte." Agora, olha o propósito. "Para que não confiemos em nós mesmos." Aí está o nosso problema, irmão. Confiamos os nossos recursos. Confiamos em nossas capacidades, confiamos em nossa experiência. Irmãos, que coisa triste. Há anos atrás eu ouvi dois irmãos, dois irmãos mais do que simples irmãos entre os irmãos, assim digamos, dois irmãos que tinham tinham carga no governo da igreja, no presbitério. Eles estavam dialogando fortemente, para não dizer, contendendo um com o outro. E sabe qual era o tema da contenda? Qual deles tinha maior bagagem espiritual? Porque eu me converti no ano tal, na época daquele tal irmão, e fui a tantas conferências dele e mais daquele outro também. E também passei por esse movimento. Depois ele se complicou, aprendi tantas coisas lá. A minha bagagem espiritual é grande. Qual é a sua? Confiamos nos nossos próprios recursos, talentos, experiência, bagagem, conhecimento bíblico. Inclusive, se a palavra de Deus está estocada em nós, entesourada em nós, "acolhei com mansidão a palavra em vós implantada. Ela é poderosa para salvar vossas almas." Se essa palavra entesourada dentro de nós não for revitalizada pelo sopro do Espírito Santo, ela é só uma palavra. Compreendeu, irmão? Mesmo que seja a palavra da Bíblia inerrante, inspirada verbalmente pelo Senhor, palavra de Deus única, mas ainda assim, se ela não for revitalizada pelo Espírito Santo, é só logos, é só palavra. E vale também para ela o que Paulo disse em segunda aos Coríntios 3. "A letra em si mesma mata, mas o espírito vivifica." Como citamos ontem, os fariseus conheciam muito bem a palavra. "Examinareis as escrituras, julgais ter nelas eterna e são elas que testificam de mim." Como que dizendo: "Vocês fazem bem. É isso que tem que ser feito. É a palavra de Deus. Mas não quereis vir a mim para terdes?"
Então, meus amados irmãos, o bezerro de ouro foi feito com o ouro retirado de anel, de pulseiras, de colares das mulheres que peregrinavam no deserto. E aquele ouro foi fundido e certamente foi colocado em um molde. Não há como se fundir o ouro e se fazer um bezerro sem o molde. E aquele ouro fundido, antigamente se fazia muito desse trabalho, né, nos laboratórios aí de prótese. E aquele ouro é injetado no molde, bezerro. Então, quando ele esfria, molde atirado, e lá está o bezerro e lá está Arão. "Esses são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram do Egito."
Meus irmãos, qual lição que tiramos aqui? Primeiro, o testemunho do Senhor, o testemunho do Senhor não pode ser transportado de uma cidade para outra cidade. A igreja do Senhor, o testemunho vivo do Senhor, só pode ser produzido por golpes do martelo e do cinzel, por obra do próprio Espírito Santo na vida de vasos que se oferecem. Por isso Paulo diz: "Eu de novo sofro as dores de parto." Ele poderia se eximir disso. Já fui na Galia, já preguei o evangelho de uma maneira tão viva e fresca que eles viram Cristo exposto como crucificado. Agora lavo as minhas mãos e eles que tomem a sua decisão. Mas não foi o que ele fez. "Eu de novo sofro as dores de parto até que..." E alguns irmãos especialistas no grego, vamos dizer que deveria haver mais uma palavrinha ali para ser exato no que Paulo diz. Sabe qual é a palavra? "Plenamente", meus filhinhos, "por quem de novo eu sofro as dores de parto, até que Cristo seja plenamente formado em vós." Não é que Cristo não estava neles. Cristo estava neles. Eles eram nascidos de novo, eram igreja de Deus. Mas eu sofro até que Cristo seja plenamente formado em vós.
Então, meus amados irmãos, especialmente nesse caso agora os irmãos mais velhos, quanto já vimos desse assunto? Moldes de vários tipos transportados de lugar para lugar. Faça assim, faça assim e faça assim. Se isso for feito, é garantia de que aí haverá igreja. A única garantia, irmãos, de que haverá igreja em uma cidade, seja ela onde esteja, não estou me referindo a um lugar de reunião específico, mas um povo específico. A única garantia de que ali haverá igreja ou que haverá testemunho do Senhor naquela cidade é se houver vidas que se oferecem como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. E que permitem que a daga do sacrifício opere na vida deles para usar a linguagem de Hebreus 4 e de Romanos 12. E para usar a linguagem eh que usamos agora a pouco de Êxodo, permitindo que o martelo e o cinzel trabalhe sobre o candeiro para que ele possa ser, veja bem, o candeiro não é a luz. O candeiro é o receptáculo da luz. O Senhor é a luz do mundo.
Então, meus amados irmãos, essa era a carga do apóstolo Paulo. Por isso, em Atos 20:24, vamos repetir o verso que lemos. Olha a maravilha desse verso. Ele chama mais uma vez ternando a profunda carga do seu coração. Ele está em Mileto e ele manda a a irmãos a Éfeso chamar os anciãos, os presbíteros da igreja. Então é uma conversa íntima. Só está registrado na palavra de Deus por causa da bondade do Espírito Santo. Paulo não está pensando assim: "Então, deixa eu fazer um bom discurso aqui para esses presbíteros, porque eu sei que isso aí vai estar registrado e daqui 2000 anos estarão lendo o que eu disse pros presbíteros de Éfeso." Isso não estava na mente dele, meus irmãos. É um encontro íntimo, afetivo, cheio de amor pastoral, cheio de carga espiritual. Ele vai dizer assim pros presbíteros: "Vocês são testemunhas da maneira como eu me comportei entre vocês." Mais à frente ele vai dizer: "Essas mãos serviram para minha subsistência e dos que estavam comigo. Agora eu sei que dentre vós mesmos se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar discípulos atrás deles." Meus irmãos, esse é o motivo. Vozes estranhas soam, não é porque, na verdade, querem proclamar uma doutrina como se declarando iluminados da nossa geração. Há uma motivação por trás disso. Sabe qual é? Está aí em Atos 20. "Arrastar discípulos atrás deles." Quanto mais Cristo mesmo é pregado, mais discípulos de Cristo são feitos. Quanto mais pregarmos a nós mesmos, Segunda Coríntios 4, o que que Paulo diz? "Nós não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus." Então, quanto mais Cristo é pregado, mais discípulos ele tem. Quanto mais pregamos a nós mesmos, mais discípulos nós temos. "Agora eu sei que no meio de vós, depois da minha partida, penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar discípulos atrás deles."
"Agora, pois, eu vos encomendo ao Senhor e a palavra da sua graça que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos que são santificados." De ninguém que obste prata, nem ouro e nem vestes. E ele diz que ele aprendeu do Senhor aquele mandamento: "Mais bem-aventurado é dar do que receber." E ele conclui assim: "Estou certo de que vocês nunca mais verão o meu rosto." Estamos falando um pouco dele porque ele é o autor de Gálatas. Ele é o autor de mais 12 epístolas no Novo Testamento. A metade, em termos de livros, a metade do Novo Testamento foi escrito por esse vaso que antes era um blasfemo, insolente e perseguidor da igreja. "Eu sei que agora não vereis mais o meu rosto e eu vos protesto que de agora em diante, veja isso, eu estou limpo do sangue de todos vós, porque eu jamais deixei de vos anunciar todo, todo o conselho de Deus."
E lemos esse texto de Atos 20 por todos esses motivos que já citei aqui. Mas veja o que falamos agora por último, "anunciar todo o conselho de Deus". Ontem quando quando nós falamos um pouco sobre aquele movimento Hypergrace, nós disemos daqueles dois perigos relacionados a ele, perigos imediatos, né? Além de outro, o antinomianismo, não há regras, não há lei, não há preceito, isso acabou. A graça cobre tudo, o sangue do Senhor já tudo perdoou, não é? Como eles dizem, antinomianismo. E também falamos sobre a licenciosidade ou a libertinagem, consequências imediatas de um ensino como esse. E enfatizamos um aspecto do lado positivo, ligado a equilíbrios fundamentais. E me lembro, aliás, me lembrei agora, que fiz uma referência a Isaías 28, mas não citei aos irmãos. Isaías 28 versos 10 e 13. Em ambos os versos, Isaías 28 versos 10 e 13 é dito assim: "A palavra do Senhor, a palavra do Senhor vos será, será pro seu povo o quê? Preceito e mais preceito. Regra sobre regra. E finalmente, veja, um pouco aqui, mas também um pouco ali." Equilíbrios fundamentais.
Meus irmãos, se o inimigo de Deus não obtém sucesso em arrancar uma verdade da igreja, a sua estratégia é bem mais sutil. Ele vai buscar empurrar o povo de Deus para apenas um lado da verdade. Você ouviu bem isso, irmão? E como temos sofrido dessa sutileza maligna no meio do povo de Deus nos nossos dias, empurrando o povo de Deus para uma determinada verdade que é verdade, mas se torna a verdade única, a verdade absoluta, desequilibrada de outras verdades. Então, ontem nós citamos cinco pelo menos equilíbrios fundamentais que não vou repetir. Mas então, a outra ênfase positiva nesse tema é exatamente a que está em Atos 20:27, quando Paulo diz: "Eu jamais deixei de vos anunciar o todo, todo o conselho de Deus." Como nós precisamos disso, meus amados irmãos. Como nós precisamos daquelas quatro epístolas chaves, dentre todas as do Novo Testamento, para que tenhamos uma visão clara do que Paulo quis dizer com "todo o conselho de Deus". Romanos, Efésios, Colossenses e Hebreus, como quatro pilares de uma mesa estável. Quando você vai comer numa mesa de três pernas, ela é até bonitinha, mas ela é muito ruim, né? Se você vai se levantar e apoia na borda, ela vai virar com você. Mesa de três pernas, mas a mesa de quatro pernas é estável. Efésios, Colossenses, Romanos e Hebreus são as quatro colunas dessa mesa estável dos propósitos eternos de Deus. Todo o conselho de Deus. Romanos, a glória do Evangelho, conteúdo do evangelho, o significado do evangelho, da graça à glória, como Pedro mencionou. Na sua epístola em Primeira Pedro 1:2, que nós lemos, "o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou a sua eterna glória." É isso que Paulo faz em Romanos, o conteúdo do evangelho. Romanos é chamado de o evangelho segundo o apóstolo Paulo, o quinto evangelho, o evangelho de Paulo. Romanos, glória do evangelho. Efésios, a glória da igreja. Colossenses, a glória de Cristo. Hebreus, a glória da jornada cristã. A glória do sumo sacerdote celestial, todo o conselho de Deus. Do contrário, meus irmãos, nós iremos nos derivar para caminhos desequilibrados. O Senhor nos ajude nisso também.
Ainda dentro do texto de Atos 20, o verso 24 que estávamos citando, voltemos a ele, diz então assim: "Porém em nada eu considero a vida preciosa para mim mesmo." Aí está mais uma frase que deve ser objeto nosso de intensa oração. Você não acha? Porque, meus irmãos, nós consideramos as nossas vidas preciosas para nós mesmos em muitos aspectos. E a questão mais sutil aí e mais perscrutadora para nós é que a grande maioria desses aspectos, se somos cristãos que amamos o Senhor, se somos cristãos que temos compromisso com o Senhor, como certamente pela bondade do Senhor, creio, é a realidade, talvez para todos nós aqui, a imensa maioria de nós. Então isso se torna mais sutil para nós, porque aí vão entrar as coisas lícitas. Lícitas e tão boas que o Senhor nos tem concedido. Bênçãos, dádivas. Nós temos mais próximos ou mais distantes eh caminhado com muitos irmãos que estão aqui há muitos anos, não é assim? Nós nos conhecemos, a grande maioria dos que estão aqui e alguns há muito tempo. Então vamos nos sondar diante do Senhor. Quão necessário é que nós possamos compreender nesse assunto da licitude, das bênçãos, das dádivas tão lindas que o Senhor, o galardoador dos que o buscam tem concedido a nós. Mas como elas são capazes de nos distrair daquele que é o centro? Alguns aqui, por exemplo, mais velhos, já são vovôs e vovós. Dizem que isso aí é a cereja do bolo. Não é assim? Eu já tenho seis cerejas. Sou um privilegiado, né? Mas vamos pensar, meus amados irmãos, que que Paulo quis dizer com isso? Escute, "Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." Nós vovôs, não vivemos pros nossos netos, nós os amamos. E como eles nos amam, né? Ouvi uma história de um irmão muito interessante, um vovô e uma vovó. E tem, tiveram o primeiro netinho. Então, um irmão observando a relação deles com esse netinho disse assim: "Esse menino, ele ama a vovó dele" e citou o nome dela. "Esse menino, ele ama a vovó dele, mas ele é louco pelo vovô dele." Coisa boa ouvir isso, né? Então, realmente é uma experiência maravilhosa e muitas outras, como o Senhor nos tem abençoado, não é? Todos nós temos muito mais do que nós precisaríamos ter. "Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes." Mas isso é um padrão para ele que ele viveu. Paulo para nós, ó, meus irmãos, são pares de sapatos que precisa de uma centopeia para conseguir usar, né? Muito mais do que nós precisamos, não é verdade? "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém." "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me edificam." Essa companhia, esse relacionamento, essa coisa, esse assunto não me edifica. "Todas as coisas me são lícitas." Finalmente, terceira vez que ele menciona isso, "mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas."
Nós apreciamos tanto o apóstolo da graça, irmãos, porque ele foi um vaso tão especialmente talhado pelo Senhor para ser um modelo. Se tivermos tempo, vamos seguir um pouquinho com isso também. Primeira Timóteo, um modelo para todos os que hão de crer nele pra vida eterna. Mas quando ele fala coisas assim, "sentença de morte sobre nós", quando ele fala sobre eh "levar sempre no corpo o morrer de Jesus", então parece que nós não queremos ouvi-lo, né? Deixamos isso mais de lado. Quando ele fala ainda mais assim, escute, "eu esmurro o meu corpo, eu reduzo a servidão." Palavras eruditas, né, do João Ferreira de Almeida. Você tá entendendo o que que ele quer dizer? Ele está dizendo: "Meu corpo não me governará. Nenhum dos seus desejos me governará. Minha fome não me governará. Meu sono não me governará. Meus apetites não me governarão. Eu esmurro meu corpo. Eu reduzo a servidão. Ele é meu servo. Porque se ele for o meu senhor, eu estou aniquilado." É o que ele fala. Porque ele segue assim: "Reduzo meu corpo, esmurro o meu corpo e eu reduzo a escravidão. Para quê? Tendo eu pregado para outros, eu mesmo não seja desqualificado." Palavra para desqualificado é reprovado. Então, meus amados irmãos, quanto nós precisamos de compreender essas coisas? Que o Senhor nos ajude.
Então, e na verdade tudo que falei aqui não estava programado, não. É uma introdução. Vamos fechar o parênteses. Introdução de meia hora. Vamos voltar pro nosso assunto, graça. O apóstolo da graça. Vamos ver o que mais que ele tem para nos dizer. Vamos abrir então esse texto de Primeira Timóteo, capítulo 1. Primeira Timóteo, capítulo 1, verso 12.
"Sou grato, né? Essas palavras saindo do lábio dele, você pode imaginar o significado, né? Quem está falando aqui? O Saulo. Sou grato para com aquele que me fortaleceu. A Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério. A mim, que noutro tempo era..." Olhe agora, três coisas que estão na memória santa de Saulo. Agora Paulo, olha lá, "eu que no outro tempo era blasfemo", essa é a palavra para difamador. A próxima é "perseguidor". É a palavra para molestador. E finalmente, "insolente". É a palavra para orgulhoso, difamador, molestador e orgulhoso. Mas já falamos ontem quantas vezes Paulo usa o seu "mas" nas suas epístolas, "mas obtive misericórdia. Pois o fiz na ignorância, na incredulidade." Verso 14. "Transbordou, porém, a graça." Aí está. Por isso, irmãos, ele foi tão austero e ao mesmo tempo também falamos ontem, tão doce, não é? "Meus filhinhos, por quem de novo estou sofrendo como uma parturiente para que Cristo seja plenamente formado em vocês." Quanta doçura, por outro lado, quanta austeridade combinadas na mesma pessoa. Somente o Espírito Santo pode fazer isso quanto a nós. Tantas vezes, meus irmãos, ou somos austeros ou somos doces. Não conseguimos ter as duas coisas juntas: sobriedade, contundência, ao mesmo tempo que doçura e leveza. É dito que quando nosso Senhor Jesus, Marcos capítulo 6, ele entra numa sinagoga, numa das vezes que ele entra na sinagoga, é dito que ele observa o que estava acontecendo ali e é dito assim. E ele estava indignado com o que ele via e condoído com a dureza dos seus corações. Nosso Senhor Jesus pode ficar indignado fortemente e condoído ao mesmo tempo. Por quê? Porque ele é o varão perfeito de Deus. E aqui nós estamos vendo um vaso que foi forjado pelas mãos dele e que está dizendo a mesma coisa. Graças a Deus por essa obra do Espírito Santo formando esse caráter em nós. Quando lidamos com os nossos filhos, não é a mesma coisa? Quantos de nós disciplinamos nossos filhos irados, mas irados contra eles, não com que eles fizeram. E uma ira desequilibrada de um amor que disciplina. Só o Espírito Santo pode conjugar essas duas coisas em nós. Isso é tão necessário, irmãos, tão necessário. Se não for assim, nos nossos próprios relacionamentos como igreja, nós seremos políticos. Nós seremos aqueles que põem panos quentes. Ou nós seremos aqueles que só têm vara na mão, ou seremos outros que são que só tem mel na boca. Mas isso é um desequilíbrio evidente de caráter. Senhor Jesus era cheio de graça e de verdade. Graça é a encarnação do amor de Deus. João vai dizer: "Deus é amor." Por isso nosso Senhor Jesus é cheio de graça. Graça é encarnação do amor de Deus. E verdade? Verdade é a encarnação da luz de Deus. Então, João, o mesmo João vai dizer: "Deus é luz e não há nele treva nenhuma." Por isso, nosso Senhor Jesus é cheio de verdade. Então, assim ele era. E é isso que o Espírito Santo quer forjar nos seus vasos.
Continuando aqui o texto, então diz assim: "Transbordou, porém, a graça do nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Fiel é a palavra e digna de aceitação que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o chefe." É o termo aqui principal ou príncipe também seria uma tradução adequada. Você acha que Paulo tá sendo hipócrita? Você acha que com isso ele tá desejando chamar atenção para ele mesmo? Olha o que ele disse antes. Eu era um difamador, um molestador e um orgulhoso. Então agora pela obra dele, verso 16, por isso então ele se descreveu como chefe dos pecadores. No verso 16 ele ele conclui, aí vamos concluir, ele diz assim: "Mas por esta mesma razão, qual razão? A razão é que ele era o chefe dos pecadores. Por esta razão me foi concedida a misericórdia." Qual o propósito dessa misericórdia? Ananias já tinha dito para ele lá no início da jornada dele com o Senhor, quando ele foi batizado por Ananias. "Este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome." Então aqui ele está dizendo que o Senhor colocou as mãos nele para que ele fosse um vaso de misericórdia para que em mim o principal, olha, "evidenciasse Jesus a sua completa longanimidade." E mais que isso, não apenas um vaso da misericórdia de Deus, mas um vaso forjado por Deus de tal forma que fosse um modelo. Palavra no original é "tipos". Os mais, só os mais velhinhos aqui vão se lembrar que as gráficas antigas tinham o nome de tipografia. Os mais novos nem sabem o que é isso, né? Quando então rodavam aqueles jornais lá e cada letra é um tipo. Hoje se chama no no nos computadores aí de um carácter, né? Uma letra lá no na sua tela digitada. Antigamente os as matrizezinhas, as letras, os tipos. Então, se você tem lá uma matriz A, é claro que quando aquilo for impresso, a letra que vai sair ali é o A, óbvio, não é? Então Paulo está dizendo, "Eu sou um tipo como sendo uma matriz. Porque o supremo oleiro colocou a mão num barro inútil e fez dele um vaso. Mas não fez isso apenas para que esse vaso fosse útil, mas fez isso para que esse vaso fosse um modelo para todos quantos hão de crer nele."
Meus irmãos, estamos falando isso porque quando estudamos epístolas aos Gálatas e quaisquer epístolas de Paulo, nós precisamos ir além do que é ensinado ali e vermos o homem por trás da carta. Por que que o apóstolo Paulo, com todas as condições que tinha, espirituais e intelectuais, porque ele não escreveu tratados e compêndios teológicos? Manual de teologia sistemática do apóstolo Paulo? Quem não gostaria de ter isso na sua estante? Mas ele não escreveu nenhum. Ele escreveu cartas, porque as cartas são muito mais do que manuais de teologia. As cartas refletem o trabalho do Espírito Santo no vaso. Graças a Deus por suas cartas. FF Bruce, famoso teólogo anglicano, seria bom indicar para você. Ele tem uma obra sobre Paulo muito especial chamado "Paulo, sua vida, cartas e teologia" de FF Bruce, uma das melhores obras sobre a vida do apóstolo Paulo. Então esse foi esse vaso para que o Senhor evidenciasse nele, completando o versículo, "sua completa longanimidade e servisse ele de modelo para quantos hão de crer nele, no Senhor, para a vida eterna."
Meus amados irmãos, há três relatos no livro de Atos sobre a conversão de Paulo. Um é o relato de Lucas. Então, ali não há palavra dita eh no relato em si pelo próprio Paulo, mas Lucas está narrando como foi a conversão de Saulo na estrada de Damasco. É claro que pelo testemunho do próprio Paulo, mas é uma narrativa de Lucas em Atos 9, está lá. Mas depois nós temos dois testemunhos de Paulo que então ele mesmo está falando porque ele está diante de duas situações diferentes. Uma delas ele foi a Jerusalém, entrou no templo, alguns o viram lá, houve uma rebelião tremenda. O comandante da guarda teve que assumir a situação. Paulo foi preso. Eles iam, eles já estavam espancando a Paulo, eles iriam provavelmente matar a Paulo. Então, o comandante da guarda viu aquela rebelião eh e responsável, chamou centuriões para lidar com aquela rebelião. Tiraram Paulo dessa turba que estava já espancando a ele. Então, depois que tudo se acalmou, silêncio, ele foi dar o seu testemunho. Então ele registra o seu testemunho, que foi que ocorreu com ele. Atos 22. E depois em Atos 26 ele está diante do rei Agripa e ele também está dando o seu testemunho. Estou citando os dois textos porque eles são simplesmente maravilhosos e é importante que você leia o homem que escreveu essas cartas. Mas um destaque apenas vou fazer para podermos prosseguir. Quando ele registra essa aparição do Senhor, essa revelação do Senhor a ele na estrada de Damasco, ele diz que fez ao Senhor duas perguntas. Quando lemos a narrativa de Lucas em Atos 9, nós só temos uma pergunta. Quando ele diz: "Quem és tu, Senhor?" Não é? Mas quando ele registra, quando ele dá o seu testemunho diante de Agripa, e lá está registrado então por Lucas esse testemunho, ele faz duas perguntas. E essas duas perguntas, meus amados irmãos, determinaram, ouça isso, o o a sequência, o processo do trabalhar de Deus nesse vaso chamado Saulo. A primeira pergunta foi: "Quem és tu, Senhor? Quem és?" Já citamos quando
Ele escreve a epístola aos Filipenses. Ele tinha mais ou menos 25 anos, já jornadiando com o Senhor, em torno de 25 anos. E o que que ele escreve nessa epístola? Que a gana, a gana do seu coração, seu maior desejo era o conhecer. Para o conhecer, não é isso?
Então, essa foi a primeira pergunta: Quem és tu, Senhor? Conhecimento espiritual de Deus. Meus irmãos, enquanto estivermos nessa terra, a obra singular do Espírito Santo é fazer-nos crescer no conhecimento de Deus. Pergunta número um que Paulo fez. Isso dominou toda a sua vida por toda a sua jornada com o Senhor. Esteja certo. Paulo manteve essa pergunta diante do Senhor: Quem és tu? Quem és tu? Quem és tu? Então ele foi transformado de glória em glória na imagem daquele que ele amou.
Mas há uma segunda pergunta registrada. Então, e a pergunta é: "Farei, Senhor? Quem és tu, Senhor? Que farei, Senhor?" Aquele que sabia tudo de tudo. Ninguém dava ordem para Saulo de Tarso. Ninguém dizia para ele o que fazer. Quanto aos jovens da minha idade, quando fui instruído aos pés do Gamaliel, eu me avantajava a todos da minha idade, mas agora derrubado na estrada, cego, impotente, levando aqueles golpes que citamos, 11 anos de silêncio, como também já mencionamos, diante do Senhor.
Então agora as perguntas estão com ele e serão mantidas em toda a sua jornada, e assim deve ser conosco. Quem és tu, Senhor? Sabe, meus irmãos, essa pergunta será mantida, na verdade, me ouça aqui com cuidado, por toda a eternidade, porque nós nunca esgotaremos quem é o nosso Senhor Jesus por toda a eternidade. Nós estaremos com ele face a face, sempre assombrados com a beleza, com a riqueza da glória.
Efésios é uma epístola chamada de superlativos. Paulo não tem mais como amontoar palavras, inspirado pelo Espírito Santo. Então ele faz o que pode, porque o autor da Bíblia não é apenas o Espírito Santo, né? É o Espírito Santo através de vasos humanos e de linguagem humana. Então, quando ele quer falar da graça, ele tem que dizer "riqueza da graça", mas não é pouco. Então ele tem que dizer "suprema riqueza da sua graça". Quando ele vai falar da glória, também é pouco. Então ele tem que dizer "riqueza da glória". Mas ainda é pouco. Então ele tem que dizer "a suprema riqueza da sua glória". A epístola dos superlativos.
E quando nós estivermos diante do Senhor, o que que nós falaremos? Acho que não falaremos nada. Não terá palavras, porque nós estaremos deslumbrados com aquele rosto, com essa pessoa que aqui nós temos conhecido, mesmo que a contagotas, não é assim? Quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado. Hoje conhecemos em parte, profetizamos em parte e aguardamos a vinda do que é perfeito.
Então, meus amados irmãos, essas duas perguntas dominaram a vida dele. Que farei? Que farei? Que farei? Como é que nós nos movemos? Como é que nós decidimos? Como é que escolhemos? Isso vai determinar o ritmo do nosso avanço no Senhor. Quem és tu, Senhor? Que farei, Senhor?
As coisas mais simples da vida, irmãos. Acho que os irmãos conhecem um dos lindos relatos que há sobre o irmão Ni, ótimo, Ni, é que quando ele tinha que trocar os seus sapatos e ia numa loja que vendia sapatos, ele parava diante daquela exposição de sapatos e orava e dizia: "Senhor, esse par de sapatos é adequado para mim? Ou será que ele vai chamar mais atenção pros meus pés do que pro Senhor mesmo em mim?" Que farei, Senhor?
Mas, irmãos, quantas vezes perguntamos isso ao Senhor no nosso dia? Quanto será que farei? Desde as grandes até as pequenas decisões da vida. Porque, na verdade, irmãos, a vida cristã é um ministério de pequenas coisas, assim como lavar os pés, pequenas escolhas, pequenas decisões, pequenos pensamentos, pequenas atitudes, pequenos gestos.
Marcos capítulo 1 registra nosso Senhor Jesus em um dia extremamente atarefado. Marcos 1, um capítulo maravilhoso. Nosso Senhor vai de manhã para uma sinagoga e enfrenta uma situação de um endemoniado ali. Termina o assunto na sinagoga, ele vai pra casa de Pedro, encontra a sogra de Pedro com febre, a toma pela mão e a cura. Terminando isso, na porta da casa de Pedro em Cafarnaum, Marcos 1, há uma multidão de doentes. E naquele caso é dito que o Senhor curou a todos, um dia extremamente extenuante. E nosso Senhor vai dormir e se recolhe ali na casa de Pedro com alguns seus discípulos. E quando ele acorda pela madrugada, ninguém o vê acordar. Ele não é daqueles que acorda batendo porta, fazendo barulho, abrindo as cortinas. Ele acorda da maneira como ele é, discreto, gentil, que não chama atenção para si. Então ele sai sorrateiramente daquela casa, ninguém vê.
Quando os outros acordam, eles vão procurar o Senhor, porque afinal de contas, que dia que eles tiveram, não é? E vão buscar o Senhor. E eles demoram para encontrá-lo, porque quando ele é encontrado, Pedro tem algo a dizer pro Senhor. Pedro sempre tem algo a dizer pro Senhor. Então, Pedro diz assim pro Senhor: "Mestre, todos estão à tua procura." Como que dizendo, o Senhor ontem foi tão maravilhoso, agora o Senhor vem se esconder aqui. Todos estão à tua procura.
Sabe qual foi a resposta do Senhor? "Vamos às pequeninas aldeias, porque foi para isso que eu vim. Eu não vim para ser um atraidor de multidões, nem um milagreiro, nem um curador de enfermos. Vamos às pequeninas aldeias, porque é para isso que eu vim." Essa frase "é para isso que eu vim" é tão preciosa, porque quem está dizendo isso é o Senhor da glória.
Então, meus amados irmãos, essas foram as perguntas que dominaram a vida de Saulo de Tarso, o Paulo, que quem és tu? Vamos guardar isso nos nossos corações. Que farei, Senhor?
Seguindo no livro de Gálatas, vamos voltar a ele, por favor. Seguindo, não, começando, né? Não conseguimos começar até agora. Gálatas, capítulo 4. Vamos lá. Na verdade, irmãos, falamos eh muito sobre o conteúdo dos capítulos 1 e 2, que é exatamente graça. Graça. E lendo os textos que lemos, então fica evidente o que era graça para esse homem, para esse apóstolo chamado apóstolo da graça, o apóstolo Paulo. Então, isso é graça para ele. Tudo que desviasse a atenção dos cristãos desse foco, ele se inflamaria. Ele fala isso escrevendo aos Coríntios. Você se lembra? "Quem há que se que tropece a palavra escandalize? Quem há que se escandalize, que tropece, que eu não me inflame?" Nós nos inflamamos pelos que tropeçam ou nós falamos: "Bem feito, ele é cabeça dura." Então, graça, isso é graça pro apóstolo Paulo.
Vamos falar um pouco sobre liberdade. Capítulo 4 do livro de Gálatas, versos 4 a 6, diz assim: "Ontem nosso querido irmão também nos lembrou desse texto pela noite. Gálatas 4, capítulos 4 a 6. Vamos ver a partir do verso 4 é suficiente. Vindo, porém, a plenitude do tempo, tempo de Deus, *kairos* de Deus, inclusive politicamente, inclusive em termos da civilização em si romana, não é? No tempo da Pax Romana, como é chamada, ah, naturalmente falando, aqueles caminhos todos que Roma abriu para todas as suas províncias, não é? Arranjo de Deus, usando mãos de ímpios, assim como ele usou Ciro para libertar o seu povo. Então, tudo estava preparado em todos os sentidos. Então, vindo à plenitude do tempo, Deus enviou."
Agora, dos versos 4 a 6, está aí diante de você. Gostaria de chamar atenção para dois envios e duas obras. Quais são os dois envios? Primeiro, Deus enviou o seu Filho. Qual é a obra? Enviou o seu Filho para resgatar os que estavam debaixo da lei. Aí vai dizer: "E por que vós sois filhos?" Segundo envio. Deus enviou aos vossos corações o espírito do seu Filho que clama: "Aba, Pai." Qual é a obra agora para a qual o Espírito Santo foi enviado? Também já nos foi lembrado aqui. *Ruiotesia*, adoção de filhos, como está aí. Ou seja, o Espírito Santo é enviado baseado na obra do Calvário. Calvário e Pentecostes. Filho no Calvário, Espírito no Pentecostes. Filho para resgatar, Espírito para adotar.
A obra do Pentecostes, ela é tão santa quanto a obra do Calvário. Nós nunca podemos colocar a obra do Calvário, a obra do Pentecostes assim. Nunca. Meus amados irmãos, isto é um erro. A obra do Calvário e do Pentecostes são no mesmo nível nos eternos propósitos de Deus. Por quê? Embora a obra do Calvário seja o fundamento para a obra do Pentecostes, não haveria derramamento do Espírito Santo sem a expiação da cruz. Mas não haveria nada do que foi obtido na cruz, na vida dos santos, se não fosse pelo derramamento do Espírito Santo. Ou seja, a obra de que Cristo realizou na cruz seria gloriosa, valiosa, satisfatória ao coração do Pai em si mesmo, mas não realizaria os propósitos eternos de Deus. Porque nos propósitos eternos de Deus está a igreja que é o corpo dele, a noiva dele, do seu Filho. E para isso é necessário o derramamento do Espírito Santo. Então, a obra do Calvário e a obra do Espírito Santo são obras santas e têm que estar no mesmo nível porque elas são interdependentes.
Então aí nós temos essas duas obras nesse pequeno texto tão lindo: "vindo à plenitude do tempo", repetindo, "Deus enviou seu Filho nascido de mulher", cumprindo a profecia mais importante do Velho Testamento, Isaías 7:14: "E a virgem conceberá, a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele se chamará Emanuel, que quer dizer Deus está conosco." Deus enviou o seu Filho nascido de mulher, nascido sob a lei. Para qual obra? Para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos adoção de filhos. E por que sois filhos? Repetindo, então, segundo envio. Deus enviou. Graças a Deus por esses dois "Deus enviou". Deus enviou aos nossos corações o espírito do seu Filho que clama: "Aba, Pai." Então aí estão essas duas obras preciosas.
Gálatas 4:19, nós já avaliamos um tanto dele, o *teknion*, filhinhos, que Paulo usa aqui a única vez em todas as suas epístolas. As demais oito menções são apenas de João. Nós buscamos diferenciar do *teknion*. Segundo Strong, o grande erudito, autor da famosa concordância de Strong, ele cita que ele nos dá o relato de que a palavra *teknon* aparece 99 vezes no Novo Testamento. Veja que é uma palavra muito mais comum e a ideia é criança mesmo, *teknon*. Mas a ideia de *teknion* que aparece aí e depois as oito vezes, uma no evangelho de João e sete vezes na epístola de João, traduzida como filhinhos. Então nós poderíamos dizer que são criancinhas, coloquemos assim o *teknion*, filhinhos, *teknon*, crianças. E há ainda uma outra palavra que aparece 14 vezes em todo o Novo Testamento, é a palavra *nepios*. E essa é interessante também, também traz a mesma ideia, mas tem distinção também. Então o *teknion* é filhinhos, o *teknon* é crianças e o *nepios* é imaturo. Aparece o *nepios* aqui, por exemplo, em Gálatas 4, quando Paulo fala assim: "Quando, enquanto um herdeiro é menor, em nada difere de escravo." A palavra para menor aí é *nepios*. Está dizendo, enquanto um herdeiro é imaturo, ele não precisa ser necessariamente um bebezinho, nem uma criancinha, certo? Ele é ainda imaturo. Então, enquanto ele é imaturo, ele é como um escravo, mesmo sendo ele senhor de tudo. Gálatas capítulo 4, também é usado em Hebreus 5, quando é dito assim: "Aquele que se alimenta de leite é inexperiente, olha isso, inexperiente na palavra da justiça porque é criança." Palavra, ela não é *teknon*, não é *tekn*, é *nepios*, imaturo. Então isso para constar aí pros irmãos.
Agora, um outro elemento que nós ainda não mencionamos com detalhes nesse verso tão maravilhoso, Gálatas 4:19, é o termo "dores de parto". Dores de parto. Meus irmãos, abra sua Bíblia, por favor, enquanto vamos fazendo a citação. Gostaria que você visse na sua Bíblia, Gálatas 1:24. Paulo diz assim: "Agora eu me regozijo por vós." Eh, perdão. Colossenses 1:24. Colossenses 1:24. "Agora eu me regozijo por vós e preencho, preencho o que resta das aflições de Cristo na minha carne a favor da igreja que é o seu corpo." É um verso muito impressionante. Vamos olhar com atenção. Eu vou dizer qual é o motivo dele ser tão impressionante. São as palavras que estão aí. Olha o que Paulo está dizendo, repetindo: "Agora eu me regozijo por vocês e eu supro. Suplemento é a palavra na língua original, suplemento." O que que Paulo tá dizendo que ele suplementa? Ele suplementa o déficit. A coisa tá ficando mais difícil, não acha? Paulo está dizendo que ele suplementa o déficit das aflições de Cristo na carne dele, na minha carne. Ele diz que faz isso em favor da igreja, que é o seu corpo. Se não formos com cuidado, nós vamos ter muitas dificuldades aí.
Então, como é que nós podemos explicar isso que ele está dizendo? O que que ele quer dizer aí? Estude o versículo com cuidado. E já vou te adiantar a conclusão que você vai chegar. Primeiro, Paulo obviamente não está falando das aflições que Cristo sofreu na cruz do Calvário, porque a obra da cruz do Calvário, as aflições de Cristo na cruz estão consumadas, foram completas. Não há nada para ser suplementado, porque não há nada deficiente na cruz do Calvário. Deus ficou satisfeito com o sangue do Calvário. Então, o que que ele quer dizer com suplementar o déficit das aflições de Cristo?
Então, meus irmãos, nós temos que separar duas coisas aqui. As aflições de Cristo para a redenção da igreja estão plenamente cumpridas. Mas as aflições de Cristo para a edificação da igreja estão em curso. Mas estão em curso não exatamente em Cristo, mas estão em curso através da vida dos vasos de Cristo. Ficou claro, irmãos? Então Paulo está dizendo, esse noivo celestial que cumpriu cabalmente a obra do Calvário, redimindo seu povo, ele ainda aguarda algo. Ele aguarda que os redimidos sejam adornados. E para que os redimidos sejam adornados, as aflições de Cristo para a edificação da igreja, não para a redenção dela, cuidado. Mas as aflições de Cristo para que a noiva seja ataviada. Para que o número do povo de Deus seja completado, para que a igreja possa ser gloriosa, adornada, virgem pura para um só esposo que é Cristo. "Eu vos tenho preparado para vos apresentar", você está vendo, "como uma virgem pura para um só esposo que é Cristo." Por isso eu receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, sejam corrompidas vossas mentes e se apartem da simplicidade, da pureza que são de Cristo. Você vê, essas são as aflições de Cristo que ele disse, eu a suplemento na minha carne, porque ele me chamou para cooperar com as cargas do seu coração. E as cargas do coração do Senhor não estão ligadas apenas à redenção. As cargas do coração do Senhor estão ligadas à edificação do seu povo. Redimir é uma coisa, edificar é outra coisa. Então aí o verso fica claro para nós e tão precioso.
Porque, irmãos, é claro na medida de cada um de nós. E cada um de nós tem uma medida, a medida da fé e a medida da graça. Romanos 12, que Deus concedeu, que Deus repartiu a cada um. Cada um tem uma medida, mas todos têm uma medida de cooperação nesse processo de edificação. Então, em princípio, esse verso vale para todos nós e isso são dores de parto. Preencho na minha carne. Vamos lembrar o que ele disse em Atos 20:24. Quando eu olho para a minha vida, buscando parafrasear Paulo, então, quando eu olho para a minha vida, eu não considero que minha vida é preciosa para mim, pros meus interesses, pros meus caminhos, pro meu deleite, pro meu prazer, pra minha satisfação, pro meu bem-estar. Não considero minha vida preciosa para mim. Considero preciosa para completar a carreira e para cumprir o ministério. Foi o que ele falou lá de testemunhar o evangelho da graça de Deus. É assim.
Então, queridos irmãos e irmãs, creio que assim podemos nos aproximar do que ele quis dizer com dores de parto. Agora vamos fazer a pergunta para nós, porque conhecer não basta, né? Nós experimentamos algo dessas dores de parto. Quantas vezes aqueles que tiveram a oportunidade de ouvir nosso querido irmão hoje com o Senhor, depois de tantos e tantos anos servindo o nosso Senhor Steven Kong, mais uma vez ouvimos falar sobre *travail*. O que é *travail*? Dores de parto. A igreja não pode ser edificada sem dores de parto. Ontem nós também citamos uma uma expressão de Sparks, não é? Uma igreja que não sofre pela sua vida, ela é fraca e ineficiente.
Agora, já que estamos falando sobre essa questão de dores de parto, de aflições de Cristo e já estamos quase concluindo, queria ler com os irmãos, o texto é mais longo um pouco, dois parágrafos, mas por favor concentre-se aí. Se tiver dormindo, dá um jeito, porque você vai ouvir um texto de Sparks, especificamente sobre dores de parto, especificamente. Olha o que ele disse. Olha a profundidade desse texto, a importância dele e que ele seja objeto de oração para nós e de realidade espiritual para nós. Antes de lê-lo, quero reforçar isso. Tem dores de parto, sem nos oferecermos para que seja cumprido, suplementado em nós as aflições do nosso Senhor pro adorno, pra edificação da sua noiva. A sua noiva, sem esses vasos ficará deficiente. Você pergunta: "Mas como?" E eu te respondo, se o Senhor quisesse fazer essa obra sozinho, ele já teria feito há muito tempo e a igreja não estaria nessa terra. Ele foi quem decidiu. Se você tiver qualquer conflito, resolva com ele. Paulo vai dizer assim: "De Deus, nós somos cooperadores." Foi ele quem decidiu. Ele quis fazer assim. Todos nós temos que admitir, não é? Se de alguma forma nós pudesse ficar de lado, quem sabe anjos vindo do céu e pregar um evangelho puro aqui na terra, poderia ser um caminho, mas não seria o caminho. Porque anjos não compreendem nada de redenção. Os caídos estão julgados, os que não caíram são anjos eleitos. O Senhor decidiu salvar pecadores para que a sua imensa longanimidade, bondade, misericórdia redentora, amor de paixão, fosse revelado a eles o espírito eterno de amor e de comunhão, da Trindade unicamente, não de anjos. Anjos não têm a natureza de Deus, anjos não participam disso, nada. Esse espírito de Deus fosse enviado para morar em vasos humanos, terrenos para que esses vasos pudessem ser forjados e cooperarem com a obra de Deus na terra, que tem a ver com o eterno propósito de Deus em Cristo Jesus. Irmão, há algo maior do que isso para ocupar os nossos corações, amados irmãos e irmãs, tudo para o que dedicamos tempo e energia nessa terra, por mais precioso que possa ser. Seria muita coisa preciosa para a qual dedicamos tempo. Sim, há, mas são efêmeras, temporárias. Nós que fomos chamados pelo Senhor, redimidos por Ele, habitados pelo Espírito Santo, fomos chamados para cooperar com uma obra eterna, uma cidade nupcial na qual Deus habitará para sempre com seus, na qual o cordeiro será a lâmpada dela, uma cidade que não precisará de sol, nem de lua para lhe dar claridade. Nós somos chamados para cooperar aí com isso, cada um na medida de graça e na medida de fé que o Senhor tem concedido a cada um de nós. Isso não é um privilégio imenso, irmão? Aquela mamãezinha, aquela mãezinha que cria, quem sabe sua única filhinha ou seu único filhinho para Deus, ela está fazendo parte na cooperação do eterno propósito de Deus em Cristo Jesus. Ela será galardoada pela sua dedicação àquela filhinha que ela recebeu do Senhor. Pequenas obras, pequenas vocações ou grandes vocações. Todos nós somos chamados para sermos cooperadores. E então, para que sejamos cooperadores, precisamos experimentar o significado das aflições de Cristo, das dores de parto. Nossos irmãos não são descartáveis para nós, meus irmãos. O apelo sonoro e terrível dessa nossa geração. O apelo, estamos singularizando aqui, é o hedonismo. Viva para você mesmo. Não permita que ninguém se intrometa nos teus planos, na tua felicidade. Vá à reunião, cante os cânticos, participe da mesa do Senhor. Mas terminou. Você, sua esposa, seus filhos, os mais próximos. E ponto final, individualismo, que é fruto do hedonismo, culto ao prazer, viver para si mesmo. Irmãos amados, cada uma das assembleias do Senhor precisa se sondar nisso. Cada uma das assembleias do Senhor. Vínculos, vínculos de amor, vínculos de serviço, vínculos de cuidado, vínculos de atenção, vínculos de socorro, dores de parto para que Cristo seja formado em vós.
Então, vamos ouvir esse texto com atenção. Olha o que o irmão Sparks diz. "Embora Deus aja soberanamente com a sua mão, quando a demanda, a tragédia e o desvio são intensos e evidentes." Essa história dos avivamentos. Deus agindo soberanamente com a sua mão, quando a demanda, a tragédia e o desvio são intensos e evidentes, ele não seguirá adiante até que encontre um vaso, seja ele pessoal, seja ele coletivo ou vasos, se quisermos também, né, no plural, até que ele encontre, ele não seguirá adiante, até que encontre um vaso que compartilhe com ele três coisas." Escute: "Primeiro, os sentimentos e cargas do coração dele. Segundo, que entre em profunda cooperação com os seus desejos. Terceiro, e que haja uma agonia, agonia real por aquilo que é dele." Quero repetir isso, meus irmãos. Três coisas. Um vaso que compartilhe com Deus, número um, os sentimentos e cargas do seu coração. Vamos perguntar para nós se isso tem sido verdade crescente para nós. Segundo, compartilhe com ele, com o Senhor, ou entre, entre com o Senhor em profunda cooperação com os seus desejos, desejos do Senhor. E terceiro, haja uma agonia real por aquilo que é do Senhor. Nós temos agonia pelo que é do Senhor, temos agonia pelos que se escandalizam, temos agonia pelos que se desviam, temos agonia pelas necessidades, demandas do povo de Deus entre nós. O que que nós somos no meio do povo de Deus? Qual é o nosso tipo de relacionamento?
E ele continua. Mais impressionante ainda o próximo parágrafo. "Estas dores de parto, se for compartilhada pelo vaso, essas dores de parto tratam primeiramente com o próprio vaso." Não gostaria de interromper aqui o nosso irmão no texto dele, mas preciso fazê-lo. Vou te dizer por quê, irmão. Olha isso. As dores de parto tratam primeiramente com o próprio vaso. Ou seja, se o Senhor irá compartilhar conosco as cargas do coração dele, nós iremos ser tratados por essas cargas compartilhadas. Se ele vai compartilhar os interesses dele conosco, isso vai nos tratar e nós vamos ver em quais aspectos. Então, seguindo, ele diz assim: "Essas dores de parto tratam primeiramente com o próprio vaso." Dois pontos. Como então essas dores de parto tratarão comigo e com você? Número um, com a ambição de realizar algo para o Senhor. Número um, ambição de realizar algo para o Senhor, ou seja, fazer o seu próprio nome. Eu não quero entrar em detalhes sobre o que vou falar aqui, não. Quero seguir o texto do irmão. Mas ouça aqui, vou só mencionar para você pensar nas nuances disso. Nós somos responsáveis como redimidos do Senhor, filhos de Deus, responsabilizados pelo Espírito Santo de mantermos comunhão, comunhão com todos que professam sinceramente o nome do Senhor. Você concorda? É isso que a palavra ensina. Mas agora há uma diferenciação aqui. Olha, nós temos que ter discernimento para saber com o que nós vamos cooperar na obra do Senhor. Porque não queremos cooperar com nada que seja edificação de nomes particulares ou de impérios particulares ou de coisas particulares ou de doutrinas particulares, interpretações particulares de doutrinas, ou seja lá o que for, nós queremos nos envolver com aquilo que definitivamente Cristo está envolvido. Então, uma diferença grande, irmãos, não podemos enganar, entre comunhão e cooperação, as duas coisas são distintas.
Então, essas dores de parto tratam com o vaso, repetindo, primeiro, com a ambição de realizar algo para o Senhor. Segundo, olha isso, estar em evidência numa determinada posição de serviço. Nós servimos para quê? Para estar em evidência. Terceiro, ou ainda na sequência aqui, estar em evidência numa determinada posição de serviço, sendo gratificado, sendo honrado e sendo apreciado. Qual a motivação do nosso serviço? E por último, concluindo aqui o texto do nosso irmão, essas dores de parto filtram, esquadrinham, provam e examinam profundamente o vaso. Você lembra de Jeremias escrevendo Ezequiel na mesma linha, basicamente igual, quando a palavra do Senhor foi dada a eles, era como mel na sua boca, mas quando ela desceu, seu ventre era amarga, compartilhando com o Senhor as demandas, os sentimentos e as cargas do coração dele. O Senhor pede coisas para Ezequiel que são inusitadas. Ele dormiu 180 dias, se não me engano, de um mesmo lado do corpo. Depois teve que dormir um outro número de dias do outro lado do corpo. Depois foi dito a ele pelo Senhor que ele cozinhasse a comida dele usando como combustível fezes de homem. Ezequiel achou tão estranho aquilo. Que será que o Senhor tá fazendo, irmão? Que significa essas coisas? O Senhor está comunicando pro profeta as dores, os sentimentos do coração dele ligado ao povo dele que o tinha colocado de lado por ídolos. E Ezequiel seria o quê? Ezequiel seria um porta-voz de Deus apenas ou Ezequiel seria um profeta de Deus que compartilharia com o Senhor as cargas e demandas e sentimentos do coração dele? Então, essas dores de parto filtram, esquadrinham, provam, examinam profundamente o vaso. E a última frase é: "purificando-o de interesses pessoais naquilo que pertence exclusivamente a Deus." Que texto precioso, irmão. É texto para levarmos para casa e gastarmos muito tempo diante do Senhor nos vendo no espelho.
Nós temos só mais 5 minutos disponíveis. Vamos terminar aqui então. Não sei se amanhã entraremos na terceira sessão sobre santidade. Certamente há muita coisa importante ali, mas há um sentimento também particular no meu coração. Eu vou usar esses 5 minutos para externá-lo e talvez sigamos por aí. Vamos esperar no Senhor uma direção mais clara. Há alguns versos no Novo Testamento que dizem que nós fomos chamados para sermos imitadores de Cristo. Paulo diz assim: João diz na sua epístola que aqueles que permanecem nele devem andar assim como ele andou. Pedro escreve na sua epístola, primeira Pedro 2, que a quando olhamos para a vida do nosso Senhor Jesus, ele nos deixou uma cartilha, é a palavra usada lá, eh, exemplo. Ele nos deixou o exemplo. O termo ali se refere como uma cartilha onde criança vai eh escrever as letras naquelas eh naquelas letrazinhas pontilhadas, onde ela vai aprender a fazer a letra preenchendo os pontos. Uma cartilha. O Senhor Jesus nos deixou uma cartilha, um exemplo para seguirmos os seus passos, posto que não cometeu pecado e nem dolo algum se achou na sua boca.
Então, talvez, meus irmãos, amanhã pela manhã, o último tempo, no que concerne a minha responsabilidade, nós vamos ver um pouco dessa história humana do nosso Senhor, até onde pudermos ir, o significado da sua encarnação, o seu batismo. Claro que brevemente, depois a sua tentação e a sua transfiguração, um pouco sobre o Getsêmane. Nosso irmão irá introduzir esse assunto do Getsêmane hoje à noite e irmos até onde for possível. São oito aspectos: a encarnação, o batismo, a tentação, a transfiguração, o Getsêmane, a morte, a ressurreição e, finalmente, a ascensão e a entronização juntas. Oito aspectos. Aquele que diz que permanece nele, esse deve andar como ele andou. E Paulo ainda diz assim, escrevendo aos Romanos: "Aquele que não tem o espírito de Cristo, espírito de Cristo, esse tal não é dele." Realmente entendemos que aquilo que o Espírito Santo quer forjar em nós é aquilo que concerne ao caráter de Cristo. E como nós vamos conhecer o caráter de Cristo? Os evangelhos. Para que nós sejamos como ele andou, como ele é. Então, se for assim, que o Senhor então nos ajude a fazer isso amanhã pela manhã.
Vamos orar. Então, concluímos aqui. Senhor, te confiamos o que foi compartilhado nessa manhã por ambos de nós, pedindo ao Senhor que tome nas tuas mãos a tua própria palavra e que o Senhor a use de modo útil, eficaz nos nossos corações, porque realmente queremos, Senhor, tu sabes, sermos transformados de glória em glória na tua própria imagem. Reconhecemos, Senhor, que para nós o grande peso e o grande fardo é aquilo que nós somos em nós mesmos. Queremos ser transformados naquilo que o Senhor é. Por isso, te pedimos que o Senhor não se incomode com as nossas fragilidades, vulnerabilidades, trejeitos, mas pela tua imensa longanimidade, Senhor, mantenha as tuas mãos nos teus vasos e complete aquilo que o Senhor, por tua graça, iniciou nas nossas vidas. Assim te agradecemos, Senhor, e te pedimos essas coisas confiados exclusivamente no teu precioso nome. Amém.