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A revolução de independência dos EUA | Nerdologia

Nerdologia8:59

Transcription

[Música] Sejam bem-vindos à Organologia de História. Meu nome é Felipe Figueiredo, sou historiador, colunista, podcaster, professor, e descubra que retomar um rapper neste ano do Loge, sobre a Revolução de Independência dos Estados Unidos.

O primeiro país contemporâneo do continente americano que declarou independência de uma metrópole europeia, e os Estados Unidos, um processo concluído 230 anos atrás com a entrada em vigor da Constituição, é algo que vemos na escola, bastante na cultura pop, embora muitas vezes com uma perspectiva romantizada. A origem da independência dos Estados Unidos está no formato da colonização do país, o estabelecimento de 13 colônias costeiras que tinham um certo grau de autonomia, divididas entre três tipos. Essa autonomia não existe por causa de um modelo britânico, ou pelas autoridades de Londres serem legais, mas porque, por décadas, era um pouco interessante para a coroa britânica. Não tinham riquezas minerais, não produziam grandes quantidades de produtos tropicais ou exóticos. O parlamentar e filósofo britânico, Edmund Burke, chamou isso de "negligência salutar". Já a falta de interesse da coroa possibilitou a formação de governos locais com autonomia administrativa. Que isso fosse algo absoluto, já que o governo britânico interferia nas relações comerciais dos colonos, fazendo com que o comércio intercolonial entre as 13 colônias e o Caribe fosse realizado com contrabandos.

Essa política chega ao fim com a Guerra dos Sete Anos, uma guerra em escala global, que vibre os britânicos e seus aliados contra a França e seus aliados na América. Essas alianças incluíam tribos indígenas. Em outro nome pela qual a guerra é conhecida, muitos combates e mudanças territoriais foram na América do Norte, e a vitória britânica somente foi possível graças ao apoio militar das 13 colônias. Tudo isso significava custos para o governo, e diversos parlamentares defendiam a postura de que esses custos eram para a defesa das 13 colônias, então os colonos que deveriam pagar. Sem falar que a coroa britânica estava quebrada, necessitando de novas fontes de recursos. É o começo de uma série de leis e novos impostos sobre as colônias. Em 1765, é imposta a Lei do Selo, estabelecendo que todos os documentos em circulação na economia deveriam ser em papel timbrado e com pagamento de taxas. Esse ano é tido como o início do período revolucionário, já que os colonos articularam um congresso para protestar e responder à lei. Outro protesto colono nesse período que se tornou bastante conhecido foi a Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773. Colonos disfarçados de indígenas subiram em navios da Companhia Britânica das Índias Orientais e retiraram a carga de chá, contra a Lei do Chá. Esse protesto é importante, pois o motivo do boicote dos colonos ao chá era por eles contestarem a autoridade do Parlamento em taxar as colônias. Inicialmente, os movimentos colonos não queriam a independência, mas o direito à representação política. Os colonos argumentavam que o Parlamento era formado apenas por ingleses, então não teria o direito de taxar os colonos. Para que os impostos fossem legítimos, o Parlamento teria que aceitar a eleição de representantes dos colonos. Isso é sintetizado no lema "No taxation without representation", usado por Benjamin Franklin, um dos pais da independência dos Estados Unidos, quando ele defendeu os colonos ao Parlamento em Londres.

Em 1774, foi realizado o 1º Congresso Continental, na Filadélfia, que decidiu por enviar uma petição ao Rei, expondo que os impostos eram injustos. É possível que, se o Parlamento tivesse aceitado a eleição de representantes colonos, os Estados Unidos fariam parte do Império Britânico até hoje. Nos meses seguintes, o Congresso Continental passou a ser, na prática, o governo das colônias, e as tensões entre os colonos pró-independência e os britânicos começaram a subir. O primeiro confronto da guerra ocorre em 19 de abril de 1775, entre a milícia de Massachusetts e tropas inglesas. Um pouco mais de 100 mortos. Em maio, foi reunido o segundo Congresso Continental, que foi mais radical que o primeiro. Inspirados por autores iluministas, os delegados produziram um texto sobre a necessidade de se levantar contra um governo sem representatividade e autorizaram a criação de um exército continental, liderado por George Washington, oficial veterano da Guerra dos Sete Anos. Cerca de um ano depois, o Congresso vota pela Declaração de Independência, quando consideram que a guerra tornou-se um caminho sem volta.

A Guerra de Independência, ou Guerra Revolucionária, durou mais de seis anos no continente americano e oito anos no geral. Ela é dividida em duas fases. A primeira foi focada no Norte, marcada pela derrota dos continentais em tentar invadir o Canadá e na tomada de Nova York pelos ingleses, que também empregavam muitos soldados alemães como mercenários. O terreno surge dos britânicos. A maior parte das tropas continentais nesse período era formada por colonos que já tinham passado pelo exército e recebiam suprimentos da França. Os colonos conseguiram derrotar uma expedição britânica e tiveram importante vitória em outubro de 1777, e a guerra ficou num impasse. Isso abre a segunda fase do conflito. Os franceses, que já apoiavam os colonos, decidem intervir diretamente, assim uma aliança com o Congresso Continental. O objetivo francês com a guerra revolucionária era dar o troco nos britânicos pela Guerra dos Sete Anos. A Espanha também fez uma aliança com os franceses e entrou na guerra, que agora terá combates na Europa e na África. Ao contrário da visão romantizada dos filmes, a Revolução dos Estados Unidos não foi um bando de colonos fazendo um terrier contra um exército muito maior, mas uma guerra que envolveu as três maiores potências do mundo na época.

A segunda fase foi combatida especialmente no Sul, com apoio de ruralistas. Os colonos que lutavam, procura outra visão romântica, é de que a maioria dos colonos lutou pela independência. Não. Apenas cerca de um terço dos colonos desejava separação, e a maioria se absteve o máximo possível do conflito. O general inglês Charles Cornwallis foi derrotado pelas tropas combinadas de continentais e francesas e foi congelado contra o mar, esperando uma evacuação pela Marinha Real. A Marinha Francesa, entretanto, cercou os britânicos, e as tropas franco-americanas cercaram o exército britânico, que se rendeu em outubro de 1781. A guerra só chegou ao fim oficialmente em 3 de setembro de 1783. Os britânicos foram obrigados a reconhecer a independência dos Estados Unidos, perderam a Flórida e a ilha de Minorca para a Espanha, e Tobago e o Senegal para a França, que saiu da guerra endividada.

A Guerra de Independência dos Estados Unidos teve muitos aspectos importantes: uma guerra entre franceses e ingleses, dezenas de milhares de uniformes e mosquetes usados pelos continentais, tais por fornecidos pela França, assim como virtualmente todos os seus desertos, e 90% de toda a pólvora usada pelos continentais. Além disso, oficiais franceses servindo como consultores treinando as tropas locais. Ao final do conflito, os britânicos estavam em profunda crise política sobre o modelo colonial, além de dezenas de milhares de refugiados que fugiram para o Canadá, tanto colonos realistas quanto afro-americanos fugindo da escravidão. Já os Estados Unidos, após uma revolução que criou um novo país, um modelo inédito de estado e de governo, agora tinha que se concentrar no processo de formação do país e dívidas. A Constituição demorou a entrar em vigor, e a escravidão de pessoas foi mantida, mesmo com milhares de afro-americanos lutando contra os britânicos. Continuavam problemas de desigualdade e disputas políticas. Já a França estava economicamente quebrada e com uma legião de soldados veteranos que tiveram contato com uma luta por maiores liberdades, o que vai fazer parte da sua própria revolução. E claro, como sempre em temas mais complexos, um breve comentário, um recorte, e que fundos, sugestões estão aqui na descrição do vídeo, nos comentários.

12 sobre a Marinha dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Perguntaram o que acontece com um navio quando ele se aposenta: ele pode virar um museu, pode ser vendido para outro país, pode ser usado para testes, alguns são até fundados para virarem recifes artificiais. A maioria, entretanto, é vendida para ser desmontada, com a reciclagem dos materiais. Perguntaram se não seria possível fazer um Canal do Panamá com água e uma ponte por cima. Aí teremos dois problemas, e não dá uma área muito grande, já que a antiga área do Canal tinha 1.400 quilômetros quadrados, e escavar a rocha para criar a profundidade necessária... Citar novamente a lenda de que a Marinha do Brasil, no período da Monarquia, era uma das maiores do mundo. Repetindo: isso é uma lenda, e foi melhor explicado nos comentários de outro vídeo. Finalmente, sim, a Enterprise de Star Trek foi batizada assim especificamente por causa do porta-aviões da Segunda Guerra Mundial. Não se esqueça de curtir e compartilhar o vídeo, e se inscrever no nosso canal para conhecer mais sobre revoluções. Até a próxima! [Música]