Transcription
Irmãos, como é nossa última sessão, nós vamos diretamente ao verso 10 do Capítulo 6 para falarmos um pouco, meditarmos, estudarmos um pouco sobre o assunto da Batalha Cristã. Vamos ler então esse texto, Efésios 6, a partir do verso 10:
"Quanto mais sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo. Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as hostes espirituais do mal nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mal e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai pois firmes, cingindo-vos com a verdade, e vestindo-vos da couraça da Justiça. Calçai os pés a preparação do Evangelho da Paz. Embraçando sempre o escudo da Fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do espírito, que é a palavra de Deus, com toda oração e súplica, orando em todo tempo no espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos, e também por mim, para que me seja dada no abrir da minha boca a palavra, para com intrepidez fazer conhecido o mistério do Evangelho, pelo qual sou Embaixador em cadeias, para que em Cristo eu seja usado para falar como me cumpre fazê-lo."
Vamos orar. Querido Pai, apresentamos a Ti esse último tempo que teremos nesse assunto, suplicando ao Senhor mais uma vez que seja conosco, Senhor. Lança luz na Tua palavra e aumenta a nossa compreensão espiritual desse assunto. Te pedimos, queremos realmente nos apresentar a Ti como revestidos dessa armadura de Deus. Ajuda-nos, Senhor, a compreender aos Teus pés o significado e a importância desse assunto. Te pedimos no Teu precioso nome. Amém.
Meus irmãos, dentre as sete metáforas da igreja nessa carta, é muito impressionante que as duas últimas façam um contraste tão relevante: uma noiva e um soldado, um guerreiro. O que um tem a ver com o outro? Basicamente nada, mas são duas metáforas tão profundas para expressar aspectos do que a igreja é. Ela é tanto uma doce noiva quanto ela é um robusto guerreiro. Por quê? Porque o aspecto do amor é certamente a ênfase ligada ao assunto noiva, mas o aspecto do poder é o aspecto ligado ao guerreiro ou ao soldado.
Então, se a palavra amor permeia todos os versos anteriores que nós lemos sobre o casamento (de 22 a 33), a palavra poder é a chave nesse assunto da armadura de Deus. O Senhor Jesus disse assim: "Recebereis poder, capacitação para serdes as minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como na Judéia, Samaria e até os confins da terra." Então, a ênfase para podermos compreender essa armadura de Deus é que, sim, quando Ele fez habitar em nós o Seu Espírito Santo, Ele fez habitar não apenas o espírito de amor. Romanos 5: "O amor de Deus é derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Não é? Mas Ele também fez habitar em nós esse mesmo espírito que é o espírito de poder.
Então, Paulo vai escrever assim a Timóteo: "Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor." Olha aí os dois polos, olha a noiva e o guerreiro. "De poder, de amor e de moderação ou de domínio próprio." Então, tudo isso, meus queridos irmãos, são virtudes que o Espírito Santo possui, baseado na pessoa e obra do Redentor na cruz. Então, sermos habitados pelo Espírito Santo significa que todas as riquezas, virtudes, graças, glórias de Cristo se tornaram disponíveis a nós. Então, Ele é o rico Espírito Santo, espírito de comunhão, como Ele é chamado no Novo Testamento. Vamos lembrar: "Espírito de sabedoria e de revelação, espírito de comunhão." Segunda Coríntios 13: "O amor de Deus, a graça do Senhor Jesus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós." Então, Ele é o espírito de comunhão, Ele é o espírito de amor, Ele é o espírito de poder, Ele é o espírito de sabedoria e revelação, né? Ele é o espírito de graça e de súplicas, então é o espírito de consolação. Todas as virtudes de Cristo e glórias de Cristo foram depositadas Nele e então Ele foi derramado sobre aqueles que creem. Por isso, Ele não é chamado em nenhum lugar no Novo Testamento de um dom, Ele é chamado de o Dom, porque é nesse Dom que nós recebemos tudo o que Cristo é e o que Cristo tem.
E dentro do foco, nós vamos meditar um pouco nessa sessão final. Nós estamos sendo alvo aqui nessa descrição da armadura de Deus, dessa virtude do Cristo vitorioso. Guarde isso: poder aqui significa isso. Por isso é que nós vamos ter a palavra, eh, uma palavra não de chamado para uma batalha. Preste atenção nessa nuance aí. Nós vamos ter aí, já vamos meditar nisso, um chamado para permanecermos firmes na batalha. Uma coisa diferente da outra, porque a vitória já foi obtida pelo único que poderia obtê-la, meus irmãos. Vitória sobre Lúcifer, que hoje é o adversário, Satanás. Seria algo absolutamente impossível para toda a humanidade reunida, porque na sua, no seu principado, como um arcanjo que foi criado por Deus, ele é descrito no livro do profeta como um querubim da guarda ungido. Sabe o que isso significa? Que ele tinha, de alguma maneira, já que esses assuntos são tão elevados, né? Querubim da guarda ungido significa que Lúcifer tinha, de alguma maneira, um acesso e uma proximidade direta ao Trono de Deus, ao trono da glória.
E se você perguntasse assim: "Por que ele foi julgado como foi? E porque o anjo de luz, ou Lúcifer, se tornou Satanás?" O que aconteceu? Então, até onde nós temos segurança para afirmar na palavra, é que também de algum modo, ele, sendo um ser livre como é, como foi criado Adão também livre, livre arbítrio, faça a sua escolha. E ele fez a sua escolha. O homem não era um robozinho, uma marionete, e nem os anjos. Então, Lúcifer fez uma escolha. Qual foi a escolha dele? Ele quis possuir a glória que somente o Logos, o Filho, tinha, tem e tinha e expressava. Ele é descrito em Hebreus como sendo "Resplendor da Glória". Lembra-se? Tudo da glória de Deus, o Pai, e da glória de Deus, o Espírito Santo, só podem ser conhecidas na pessoa do Logos. Aliás, por isso João aplicou a Ele o termo Logos, que não é um termo originário de João. Foi um termo usado por um filósofo grego chamado Heráclito, no século VI antes de Cristo, ano 500 e tanto antes de Cristo. Ele era de Éfeso, aliás, Heráclito. E ele era um filósofo, um pensador, claro, pagão, né? Ele está antes de Cristo, e nem era do povo da aliança, era um gentio. Mas ele era um pensador.
Então, ele olhava para tudo isso aí, toda essa beleza, essa harmonia, como nós também já falamos em outra sessão, e a conclusão dele não foi a conclusão exatamente cristã, não é? Ou bíblica, chamemos assim, já que ele viveu antes de Cristo, porque ele era um pensador natural, pagão. Mas olha a conclusão que ele chegou: "Tem que haver por trás de toda essa harmonia, primeiro lugar, harmonia, segundo, beleza, beleza, terceiro, ordem dessas coisas criadas. Tem que haver por trás delas uma mente inteligente." Quer essa mente inteligente fosse pessoal, que é isso que a Bíblia ensina, o nosso Deus é um Deus pessoal, é claro, ou uma força, uma força superior, um poder impessoal. Então, ele deu o nome a essa força impessoal, a esse poder impessoal, de Logos. Foi ele que usou essa palavra pela primeira vez. Então, essa palavra foi colocada no caldeirão da filosofia, a partir de Heráclito. Aí outros filósofos também usaram a mesma palavra. E o que eles queriam dizer? "Isso nada pode ser por acaso, seria irracional." E veja, eles eram pagãos, lembre-se bem, eles estão, eles diziam: "Nós teríamos que ser irracionais para acharmos que tudo isso apareceu do nada, sem que haja uma mente por trás." E eles deram um nome a essa mente de Logos.
Então, 500 anos depois dele, mais que isso até, um pouco, quase 600 anos, vem João, o apóstolo. Aí ele toma essa palavra do caldeirão da filosofia e ele vai dizer assim: "No princípio era o Logos." Aí parece que ele está confirmando a filosofia, né? "Só um logos impessoal, como eles pensavam? Só uma mente, uma força por trás de tudo?" Aí João vai dizer: "No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus." Ele estava, Ele é pessoal. Ele estava no princípio com Deus, e todas as coisas foram feitas, criadas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez." Então, João explicou o Logos da filosofia e mostrou quem é Ele: Nosso Senhor Jesus, o Verbo, o Filho de Deus.
Então, Satanás, ou Lúcifer, nesse caso, ele concebe, já que era um ser livre, ele aspira possuir a glória que só o Filho, o único, tem, o Deus unigênito, como João vai descrevê-lo. Então, porque ele aspirou essa glória? Aliás, uma loucura que nós poderíamos chamar pela Bíblia de soberba, porque ele é um vaso limitado, certo? Ele é um ser criado. Como é que ele poderia possuir a glória do Criador? Pense, é como tentar colocar o mar em um dedal. Mas foi o que ele aspirou. Por isso ele é descrito na Bíblia aqui ou ali como sendo o soberbo. E nos ajudando a entender que toda soberba tem origem em Lúcifer. Abacu, texto de Abacu vai dizer assim: "Eis o soberbo, a sua alma não é reta nele, porém o meu justo viverá pela fé." Compreende? Então, essa foi esse foi o pecado de de Lúcifer, e por isso ele foi julgado, ele e um terço dos anjos.
Então, Paulo, quando entra nesse contexto da batalha espiritual, ele vai dizer para nós que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas sim contra principados e potestades. Primeira menção, primeira designação que ele faz aí. Mas olha o que mais ele diz: "Vai conferindo aí no seu texto, contra os dominadores deste mundo tenebroso." Segunda designação está aí. E tem uma terceira ainda: "Contra as hostes, no plural, espirituais do mal nas regiões celestes." Então, os irmãos estão vendo que são três designações da mesma coisa, se referindo à agudeza da nossa batalha espiritual. Então, a primeira coisa importante aí, meus irmãos, é sabermos o que já falamos até aqui: que a batalha final é contra ele mesmo, o arqui-inimigo, o arqui-adversário, por causa do homem ter pecado, baseado nas sugestões dele.
E aí, olha mais uma base aqui para afirmarmos o que eu comecei falando no início: Qual foi a sugestão desse arqui-inimigo para a mulher? "Sereis como Deus." Porque foi isso que ele sempre aspirou, mas que nunca poderia ser. Ele é um ser criado. Foi a loucura dele, né? Então, "Se vocês andarem aqui por esse caminho, tomando dessa árvore, vocês serão como deuses, conhecedores do bem e do mal." Então, porque essa sugestão foi aderida, então houve caminho pela desobediência. Romanos 5: "Pela desobediência de um só, muitos se tornaram, eh, todos se tornaram pecadores." Em Adão, todos morrem. Primeira Coríntios 15. Então, porque houve esse acesso no coração do homem, então houve um ponto de apoio para Satanás no coração do homem. Ele encontrou um quartel general no coração do homem.
Agora, vamos mais longe. O Senhor já havia chamado seus discípulos, então, já havia os santificado, certo? Eh, o Senhor Jesus os lavava com a sua palavra. Eles eram Dele, foram chamados por Ele, escolhidos por Ele, foram chamados para estar com Ele, como Marcos vai enfatizar aí. Chega um determinado momento, quando Ele fala pela primeira vez da cruz, dentre as três que Ele fala, que Ele teria que morrer, que era necessário que Ele fosse para Jerusalém para então efetuar a redenção. Como grão de trigo, o que Ele ouve de Pedro? "Tem compaixão de ti! Autopiedade! Espírito do inferno, tem compaixão de ti! Tem pena de ti! Isso jamais te acontecerá!" Foi o que Pedro disse.
Agora, as palavras do Senhor tornam o assunto ainda mais claro, porque o Senhor não diz assim: "Pedro, você não sabe o que está falando. Pedro, você não cogita das coisas de Deus. Você cogita das coisas dos homens." Não foi assim, bem assim que Ele disse. Ele disse: "Arreda de mim, Satanás!" Ele não está chamando Pedro de Satanás, certo? Mas Ele está dizendo que Satanás encontrou um caminho através da mente não regenerada de Pedro, a mente não iluminada de Pedro, que não compreendia as coisas segundo Deus, só compreendia segundo os homens. Então, o Senhor viu que Satanás encontrou um caminho ali nessa mente que cogita só como um homem natural, e através da mente de Pedro e da boca de Pedro procurou instilar isso na vida do Senhor: "Tem compaixão de ti! Cruz não! Jerusalém não! Tu és o Messias!" Pedro já tinha dito, não é? "Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo!" Não é isso? Foram poucos minutos antes desse evento que nós estamos citando. Foi na sequência. Eles estavam lá nas bandas de Cesareia de Filipe, e foi Pedro que falou com a mesma boca: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!" E agora ele diz: "Tem compaixão de ti!" E o Senhor tem que dizer: "Arreda de mim, Satanás!"
Por que isso é importante? Porque dentre os elementos da armadura de Deus, nós vamos encontrar o capacete da salvação. Compreendeu? Pedro não estava usando esse. Então, a nossa mente, meus irmãos, ela é a porta nesse campo de batalha. Isso é muito importante entender. Por isso que Paulo vai escrever em Segunda aos Coríntios 10: "Segunda aos Coríntios 10, versos 4 e 5: As armas de nossa batalha, milícia, que é o assunto aqui de Efésios também, não são da carne, não são naturais, não são recursos que nós possuímos por natureza." Queria que você entendesse bem a palavra "carnal" aí, para que você não ache que está falando de armas impuras, entende? Não, ele está falando de recursos da natureza. Ele está dizendo assim: "Nós aqui, na nossa estrutura, no que nós somos, não temos nenhuma arma para lutar nessa milícia. Já entramos perdidos. Não tem inteligência, não tem recurso, não tem esperteza, sagacidade, não tem nada."
"As armas de nossa milícia contra ele, Satanás, nada pode. As armas da nossa milícia não são carnais, não são recursos humanos, mas são poderosas em Deus, são poderosas em Deus para destruir fortalezas." Ô, irmãos, que maravilha termos esse pequenino texto aí, Segunda aos Coríntios 10. Você não acha? Porque há tantas fortalezas alojadas na mente nossa, mesmo dos cristãos, dos ímpios, a todas, como havia quando nós não éramos do Senhor, né? Mas quando recebemos o Senhor e recebemos o Espírito Santo, então a luz vai sendo lançada e nós vamos vendo as fortalezas. Fortalezas de preconceito, fortalezas contra os caminhos de Deus, obstinação, não é? Muitas fortalezas. E até coisas que achamos que são, eh, mais ou menos simples: ressentimento são fortalezas, ciúmes são fortalezas, contendas são fortalezas. Paulo diz assim: "Evita o homem faccioso, depois de exortá-lo uma e outra vez, não se envolva em contendas de palavras." Paulo orientando Timóteo, um jovem, seu filho, de certa maneira, né? Que ele amava tanto. "Amado filho Timóteo", então ele, ele o ajuda a ver que essas questões não são simplesmente aquelas, mas são fortalezas.
Então, continuando o verso lá: "As armas de nossa milícia não são carnais, mas são poderosas em Deus para destruir fortalezas." Que bom, meus irmãos! Que bênção, meus irmãos! E as armas, nós vamos ler daqui a pouco, quais são elas. Elas estão designadas aqui, e são elas que têm que ser usadas para destruir essas fortalezas. E aí ele segue lá o verso de Segunda aos Coríntios 10: "Anulando sofismas." Graças ao Senhor, mais uma vez, porque sofisma é muito perigoso. É uma coisa que, quando você ouve, soa como verdade, e então muitos abraçam, mas não tem o conteúdo da verdade. Irmãos, está cheio de sofisma por aí, nos púlpitos, nas redes sociais, nas plataformas de comunicação, muitos sofismas. Então, graças ao Senhor, essas armas são eficientes para anular sofismas. E aí tem um terceiro elemento. Então, depois pense, medite, ore sobre cada um deles.
O próximo é: "E toda altivez, altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus." Sabe, meus irmãos, muitos jovens cristãos passaram por experiências, principalmente jovens cristãos, por serem novos convertidos, não que isso não possa afligir irmãos mais velhos, pode sim, mas especialmente os mais jovens, experiências terríveis nesse assunto de pensamentos. Pensamentos contra Deus, pensamentos de blasfêmia contra Deus, inclusive. Muitos jovens, já ouvi bastante essa história, porque esses pensamentos, na linguagem de Efésios, se são dardos inflamados do maligno, e eles penetram muitas vezes essas mentes de tal forma a causar um desespero muito grande, porque são mentes cristãs. Entender isso é bastante importante. Se não fossem cristãs, esses pensamentos dificilmente estariam ali. É exatamente porque são mentes cristãs, então, de alguma maneira, o inimigo, buscando brechas para lançar manchas no caráter de Deus. Porque se ele consegue macular o caráter de Deus aos nossos olhos, mesmo que seja com aquela pequena mácula lá no assunto, por exemplo, retidão. Será que Deus é reto? Será que Ele é absolutamente reto? Será que quando nós olhamos esse mundo como ele está, nós continuamos confirmando e afirmando que Deus é reto? Que Deus é bom? Hum? Então, se ele consegue lançar uma mácula no caráter de Deus, ele destrói a nossa fé.
"Então, toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus." Aí ele conclui assim: "Levando todo pensamento cativo à obediência de Cristo." Muito, muito precioso, porque graças ao Senhor, é isso mesmo que Ele faz. Leva cativo os nossos pensamentos à obediência de Cristo, na medida em que usamos as armas da nossa milícia. Por isso, precisamos conhecê-las e precisamos usá-las. Então, essa é a primeira coisa importante. A segunda, quero reforçar, mas de alguma forma já falei. Todas elas estão disponíveis para nós na pessoa do Espírito Santo e da palavra de Deus. Então, se você ler essa armadura com cuidado, você vai ver que esses dois elementos são a base dessa armadura. Então, poderíamos dizer assim: "Toda a armadura de Deus se baseia em dois fundamentos: o Espírito e a Palavra." Voltamos, né, ao que falamos na reunião anterior: "Habite ricamente em vós a palavra de Cristo, enchei-vos do Espírito." Toda a armadura se baseia aí.
Até a final, quando ele vai falar sobre oração, ele diz: "Orando em todo tempo no espírito." Por quê? Porque nós não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. Algumas vezes, nem nós compreendemos bem a natureza da batalha, mas Ele compreende, e Ele habita em nós. Ele conhece o curso dessa batalha, Ele sabe onde Ele vai, onde ela vai dar, Ele sabe as consequências. Então, Ele intercede por nós sobremaneira. Olha essa palavra: "sobremaneira", com gemidos inexprimíveis. E mais lá, Romanos 8, eu tô citando, 8:26: "Ele intercede segundo a vontade de Deus. Ele intercede pelos santos." Então, meus irmãos, o batalhador final se chama Espírito Santo, e a arma mestra que Ele usa se chama a palavra de Deus. Por isso que aqui a espada é chamada de "espada do Espírito, que é a palavra de Deus". Você está vendo? Então, esses são os dois fundamentos nessa batalha.
Então, vamos seguir um pouco. Verso 11: "Olha a nossa responsabilidade: Revesti-vos de toda a armadura de Deus." Nós já ouvimos nessa carta a palavra "revestir-se". Efésios 4:24: "Os revesti do novo homem, criado segundo Deus em justiça e retidão, que são da verdade." Então, revestir-se de toda, não de partes, mas de toda a armadura de Deus. Para quê? Para então entrarmos no terreno do inimigo e chamarmos a ele para o confronto? Não, não, não é o que está escrito. Está escrito para revestirmo-nos da armadura para podermos ficar firmes. Então, me lembro que nós falamos pros irmãos naquele estudo do irmão Ni sobre Efésios, ele usou três palavras, né, para resumir essa carta na sua sequência aí: a primeira palavra foi "paz". Lembra? A primeira ação, porque foca o andar, que nós também já enfatizamos. E a última palavra é "firmeza". Paz, ação e firmeza resumem a nossa vida cristã. Mas é interessante você começar com paz e terminar com batalha, né? Porque começou com paz e terminou com batalha.
Então, ficar firmes. Esse aqui é o objetivo da batalha. Porque ninguém precisa chamar o inimigo para batalha. O inimigo está ao nosso lado, batalhando todo o tempo. Por isso Pedro diz que ele ruge como um leão ao derredor, ao derredor de você, na sua casa, no seu trabalho, na sua vigília, no seu sono, na sua conversa com sua esposa, com seus filhos, com seus empregados, com seus patrões. Ruge ao derredor procurando alguém para devorar. Como que ele devora? Quando ele encontra espaço, como foi com Simão, em nossa mente não transformada. Então, ele encontra uma brecha para nos devorar, devorar convicções, devorar conduta, devorar pensamentos. Inclusive, "ficar firmes contra as ciladas do diabo".
Porque a nossa luta não é contra a carne e sangue, mas sim as três esferas ou os três ênfases que já mencionamos aí: primeira é principados e potestades, a segunda é dominadores deste mundo tenebroso, e a terceira é hostes espirituais do mal nas regiões celestes. Bastante enfático, né? Cada uma delas, é claro, destaca um aspecto específico. Principados e potestades fala exatamente do poder deles, a capacidade que eles têm. Para que nós não brinquemos com isso, não fiquemos chamando, chamando o inimigo por nome de animais. Não faça isso. Não fica zombando o inimigo. Essas coisas que são feitas aí em público, meus irmãos, minha convicção é que elas são feitas pelo poder do próprio inimigo. Esse gracejo que é feito com ele, esse exorcismo público, eh, midiático que é feito aí, essas pessoas ficam perguntando o nome do demônio que está na pessoa. Nosso Senhor Jesus nunca fez isso. Perguntou nome de demônio? Quando Ele pergunta para o endemoniado gadareno: "Qual é o teu nome?" Ele está perguntando o nome do do do sujeito, do indivíduo, não está perguntando o nome do demônio. Não. O Senhor nunca fez isso. Não interessa, compreende? E esse endemoniado com uma legião de demônios, então ele fala com a boca deles, e ele diz: "Legião, porque somos muitos." Está vendo? Somos plural. Ele não está falando o nome dele. Quem está falando através dele é a legião. "Somos muitos." Então, todas essas coisas são fraudulentas, meus irmãos, são enganosas, são capciosas. Nós temos que ter sobriedade nessa batalha, porque esse ser não é algum qualquer. Ele é o arqui-inimigo do Deus todo-poderoso, Satanás, o adversário sutil. Conhece tudo sobre a natureza humana. Ele estuda o homem em pecado e as vulnerabilidades, as facetas, as brechas, há pelo menos 6.000 anos. Então, ele conhece muito bem nossa estrutura. Ele sabe.
Há uma obra interessante, embora seja uma obra abordada em termos, digamos, fictícios, né, ou alegóricos, seria a melhor palavra, que é de C.S. Lewis. E vale ler. É bem interessante. Quando ela saiu há muitos anos atrás, há décadas atrás, ela saiu com título até engraçado. Era "Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz". Aliás, o primeiro título não era esse. Primeiro título era "Cartas do Coisa Ruim". Foi o nome que ele deu. Depois "Cartas do Diabo ao seu Aprendiz". Interessante a obra de C.S. Lewis, porque ele vai mostrando o caminho, diversos caminhos pelos quais o inimigo vai encontrando espaço nas nossas vidas, usando coisas que parecem as mais interessantes, mas ele está lá. É o anzol na minhoca, não é? O peixe só come porque ele não vê o anzol, óbvio, né? Minhoca é saborosíssima para ele, não é? Então, é bem interessante essa obra de C.S. Lewis. Por isso, não é apenas a questão de ele ser cristão, ele é, mas também a questão de ele ser sutil.
Então, Paulo vai dizer aos Coríntios: "O próprio Satanás se transfigura em anjo de luz para enganar os próprios eleitos e os seus ministros em ministros de justiça." Olha aí, sofismas. Então, a batalha não é simples, meus irmãos. Por isso, precisamos de toda armadura.
Vamos seguir. Verso 13: "Tomai toda a armadura de Deus." Ele já falou isso e está enfatizando: "Toda a armadura de Deus." E também ele já falou aqui o que vai seguir, e está enfatizando: "Para que possais resistir ou ficar firmes no dia mal." Uma expressão curiosa, né? Será que o dia mal é um dia vindouro? Acho que temos liberdade de interpretar isso aqui mais em um sentido. Sem dúvida, haverá um dia mal vindouro. Nós estamos aí entrando nele, né? E não é um dia de 24 horas. Creio que esse dia se refere a mais, se refere a essa era, essa época, esse "kairos" tempo, que nós estamos entrando. Esse dia mal, estamos nele. Assim como também, creio, podemos, de maneira simples, aplicá-lo a dias de provas especiais e particulares, dias maus. "Basta o dia o seu próprio mal", disse o Senhor. E "depois de terdes vencido tudo". Terceira vez que ele vai dizer isso: "permanecer inabaláveis." Né? Por quê? Porque primeiro, a batalha não é nossa. Segundo, a vitória não é nossa. Terceiro, a posição a ser ganha já foi ganha, já estamos nela, nesse terreno conquistado pelo nosso Senhor. Então, a exortação para nós é: "Permaneçam firmes no terreno conquistado." Porque se vocês permanecerem firmes, resistindo no dia mal, revestidos da armadura de Deus, vocês serão as minhas testemunhas, e o inimigo, meu inimigo, será envergonhado na vida de vocês. Basta que vocês façam isso.
"Estai pois firmes." Verso 14. Mais uma vez enfatizando a firmeza. Tá vendo quantas vezes? Inabalável, permanecer inabalável, fica firmes, estai pois firmes. Aí vem então o primeiro elemento: "cingindo-vos com a verdade." Que que o Senhor disse mesmo em João 17:17? "Santifica-os na verdade, a Tua palavra é a verdade." Agora, vamos explorar um pouco mais a ideia do "cingir". Literalmente, no termo bíblico, significa todos os varões, naquela época, usavam suas túnicas até o pé, e quando eles teriam que ter um caminhar mais desenvolto, todos usavam cinto também, porque aquela túnica poderia ficar uma vantagem, né? Então, usavam cinto. Então, quando eles tinham que caminhar de uma maneira mais desenvolta, eles tomavam a barra dessa túnica, traziam até a cintura e punham o cinto. Então, aquela túnica que era até o pé se tornava uma túnica até o joelho. Essa é a ideia de cingir, ou seja, amarrar.
Aí Pedro vai aplicar essa ideia na sua epístola, que nos interessa muito. Primeira Pedro 1:13. Pro seu registro aí, é um texto importante. Ele fala assim: "Cingindo o vosso entendimento." Olha o cingir aí, amarrando. Cingindo o quê? O nosso, o vosso entendimento. Mente, não permitir pensamentos zôo, vem para lá, vem para cá, vem para trás, vai para frente. Mente vagabunda é o termo que se usa, né? Ou mente vagante. Irmãos, um cristão não pode ter mente vagabunda, porque o nosso inimigo não tem mente vagabunda. Ele tem mente focada em quê? Matar, roubar e destruir. Ele não tem outro propósito. Ele é aficcionado nesse propósito. E nós? Então, Pedro vai nos orientar exatamente aí, cingindo. Aliás, o termo específico, se fôssemos entender bem o que que ele está querendo dizer nesse versículo, sabe o que é? "Cingindo os lombos do vosso entendimento." Pedro está comparando nossa mente a um animal indomado que vai para lá, que vai para cá, e que faz o trabalho do jeito que ele quer, não tem ninguém sobre ele, ele não é submisso em si mesmo. Então, Pedro diz: "Amarre, cinge o teu entendimento e sede sóbrios." Tá aí no versículo. Primeira Pedro 1:13. Ele diz assim: "E esperai em inteiramente, inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo."
Então, irmãos, é de muita importância que a armadura de Deus comece aí, cingindo o nosso entendimento. Então, não permita, seja cuidadoso. Isso não vai lançar você em uma introspecção que seria até doentia. Imagine isso, né? Você ficar tirando sua temperatura espiritual o dia inteiro. Não é para isso que nós fomos chamados. Nós fomos chamados para olharmos firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé, fé, vida de união com Ele, né? Então, é com esse foco Nele que a nossa fé é mantida, nossa vida de união com Ele é mantida. Mas junto com isso, observe esse elemento que é o primeiro da armadura. Observe, não seja desatento para onde sua mente está indo, porque ela corre para lá e ela corre para cá o tempo todo. Então, na medida que vamos aprendendo a amarrá-la e focá-la, eu me lembro que numa das nossas estadas juntas, nós lemos aquele texto de Tozer sobre "Cultivo da Vida Interior". Acho que muitos aqui devem ter esse texto, não é? Então, você lembra lá o que ele fala? Ele diz assim: "Chame para casa os seus pensamentos errantes." Lembra? Olha aí, pensamentos errantes. Ele, como um homem amadurecido no Senhor, entendeu que nós temos essa esfera aí na nossa batalha, muito séria para resolver. Amarrar o nosso entendimento e chamar para casa os pensamentos vagantes.
Então, cingindo, voltando lá, "cingindo-vos com a verdade." Tua palavra é a verdade. A maneira de amarrarmos a nossa mente e impedirmos que ela seja vagante é amarrarmos com a palavra, essa palavra, enchendo nosso coração. Se a palavra do Senhor, por causa do Senhor, Ele e Sua palavra se confundem, né? Se o Senhor e a palavra do Senhor for nossa pão, religião verdadeira é o que fazemos com nosso tempo livre. Então, "cingindo-vos com a verdade" realmente é um assunto sério. E lembra no texto de Tozer de novo, esse texto sobre cultivo da vida interior, ele diz assim: "Que aprenda a orar interiormente a todo momento." Está se lembrando aí a frase dele? "Aprenda." Ou seja, o cristão não nasce sabendo no dia que ele foi regenerado. "Aprenda, exercite orar interiormente a todo momento." Com o passar do tempo, ele diz: "Você aprenderá a fazer isso enquanto trabalha." Que lindo, irmãos! Aí nós aprenderemos, teremos aprendido a permanecer no Santíssimo, no Santo dos Santos.
Deixa-me citar um exemplo muito rápido para você. Nosso Senhor Jesus podia ser interrompido, mas Ele nunca podia ser perturbado. Marcos, capítulo 1. Ele se levanta depois de um dia exaustivo na sinagoga pela manhã, cura o endemoninhado, fala com aqueles fariseus, sai dali, a sogra de Pedro com febre, cura a sogra de Pedro, terminou de curar a sogra de Pedro, uma multidão de, eh, necessitados, doentes, postos na porta da casa de Pedro em Cafarnaum, onde Ele estava, e é dito naquele texto, né, especificamente, que Ele curou a todos. Olha o dia que o Senhor teve: manhã, tarde e noite. Aí Ele vai dormir na casa de Pedro em Cafarnaum. Aí Ele acorda alta madrugada, o dia nem tinha raiado, e Ele acorda e sai da casa, e ninguém vê. Diferente de nós, muitas vezes, né? Não abriu cortina, bateu panela, bateu louça, tirou ninguém da cama com ele. Para mim, isso também fala muito.
Então, o Senhor acordou, se vestiu e saiu. Ninguém viu. Aí acorda a tribo dos discípulos. Aí Pedro vai procurá-lo, como que ele fala assim: "Nossa, afinal de contas, achamos! Senhor! Ó, Senhor, todos te buscam! Todos te buscam!" E o texto diz que o Senhor estava lá, acordou cedinho e foi para esse lugar, porque Ele foi se retirar para um lugar solitário para orar. E Pedro chegou com tarefa pro Senhor: "Mestre, todos te buscam." Mas o Senhor não repreende Pedro. Ele só diz assim: "Ou as multidões te buscam?" "Todos te buscam." Aí Ele fala assim: "Vamos para as aldeiazinhas pequeninas, porque para isso é que eu vim." Que precioso, né? Ele não foi de encontro ao que Pedro buscou. "Todos te buscam." Assim, o Senhor não curou ontem aquela multidão de paralíticos? Tem mais um tanto lá esperando o Senhor. Ele diz: "Vamos para as aldeias pequeninas, porque para isso é que eu vim." Mas o ponto que eu quero destacar aqui: nosso Senhor estava orando e chegou Pedro lá falando isso. Ele foi interrompido na sua oração, mas Ele não foi perturbado, porque Ele nunca foi perturbado por ninguém. Ele sempre manteve o seu recinto sagrado na sua relação com Seu Pai. Nunca perdeu.
Nunca, às vezes, meus irmãos, uma lagartixa que passa na parede nos faz perder a nossa condição de foco Nele, não é? Nós só podemos fazer com isso levar isso a Ele em confissão e em arrependimento, dizendo: "Senhor, prossegue em mim. Eu não quero ser essa pessoa. Eu quero atender o que é permanecer no Santíssimo. Eu quero compreender o que significa não permitir que nada me separe da face do Senhor. Nada, nem pessoas, nem circunstâncias, nem pecado, nem sugestões. Nada." Mantendo o recinto sagrado da vida interior. Guarde isso, irmão, e ore sobre isso, porque o caminho aberto está, Hebreus 10, que já estudamos, o novo e vivo caminho, pelo qual nós temos ousadia para entrar. Mas a questão é permanecer, não é entrar somente. Entrar. Então, isso é cingir. Cingir os lombos do entendimento com a verdade.
Verso 14: "E vestindo-vos da couraça da Justiça." Também penso que aqui tem dois elementos. O primeiro elemento é o objetivo: a couraça que nos protege. E olha o que que ela protege: o órgão vital, né? Peito, coração. Essa couraça, em primeiro lugar, tem a ver com a justiça de Deus em Cristo, ou a justificação. Nunca estaríamos protegidos se nós não estivéssemos justificados pela graça, por meio da fé. Nós sempre teríamos brechas para acusação. "Você é injusto!" E somos mesmo, não é? "Você é um pecador!" Somos mesmo, não é? Então, Ele se nos tornou, da parte de Deus, em número um, justiça. Não é em sabedoria. Sabedoria. O primeiro item aí diz: "Justiça, Santificação e Redenção." Então, vestir com a couraça de Justiça significa estar firme nessa posição de que nós estamos absolutamente justificados, e por isso nós temos paz com Deus. Não há nada que possa alterar essa nossa posição, porque ela foi adquirida às custas do Justo, com J maiúsculo, ter tomado a nossa dívida e ter pago integralmente na cruz do Calvário. "Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?" Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus. Ouça bem: para que Deus nos justificasse de modo justo. Ele não justificou de modo injusto, ou de modo imoral, ou de modo ilegal. Ele nos justificou de modo moral e legal, porque toda justiça de Deus que deveria ser aplicada para julgar o pecado foi aplicada. Só que não foi aplicada em nós, foi aplicada na pessoa do Seu amado, Santo, Justo Filho, com o qual nós estamos unidos pela graça e pela fé. Por isso, Ele é a nossa.
Então, essa é a couraça da Justiça. Mas me parece que, sem dúvida, ela tem um outro sentido. Já, irmãos, se pensarmos bem, apenas essa justificação objetiva não nos bastaria nessa batalha espiritual. Sabe por quê? Porque nós precisamos entrar no aspecto da retidão, ou da justiça, ou da santidade, se você quiser. Em vários textos da Bíblia, a justiça, essa palavra "justiça", traz a conotação de santidade. Por exemplo, quando a Bíblia diz "andar em justiça", o que que ela quer dizer? Só que você seja uma pessoa justa? Não, ela está dizendo para andarmos em santidade. Muitas vezes, ela tem essa conotação. Outro exemplo: "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas Justiça." Olha aí, santidade, justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Romanos 14. Então, essa Justiça, meus irmãos, ela também traz a ideia de retidão. Significa que não apenas estamos justificados, mas a nossa vida reta em Deus, ou reta diante de Deus, é parte de nossa armadura, porque as vestes estão limpas. Muito importante. Por isso que esse aspecto da consciência é tão importante: "mantendo fé e boa consciência, porque alguns rejeitaram a boa consciência e vieram a naufragar na fé." Eh, Paulo a Timóteo. Hebreus 13:18: "Orai por nós, pois estamos persuadidos de termos uma boa consciência, desejando em todas as coisas viver." Olha a conduta aí. "Vivermos condignamente." Então, justificação por um lado, mas retidão por outro lado. Precisamos ser pessoas retas, irmãos, com relação ao nosso testemunho.
Mais um item. Vamos lá: "Calçai os pés com a preparação do Evangelho da Paz." Bonita essa armadura, porque está dizendo que nós, que pertencemos ao Senhor, devemos sempre estar prontos para sermos aqueles cujos pés anunciam as boas novas. Como disse Isaías, não tenho dúvida que Paulo extraiu pelo Espírito essa ideia aqui de Isaías: "Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas." Então, "calçai os pés com a preparação do Evangelho da Paz." Sabe outra coisa bonita aqui? Os pés calçados significa aquilo que está entre nós e o mundo, entre nós e a poeira do mundo, entre nós e os caminhos do mundo. O Evangelho da Paz foi o evangelho que fez essa maravilhosa separação entre nós e o mundo. "Eles não são do mundo", disse nosso Senhor. Só Ele podia dizer isso, né? Imagine olhar para os Seus discípulos, aquela condição, e orar por eles assim: "Não são, não são do mundo, como também eu não sou." Ah, meus irmãos, o inimigo Dele não tinha nada para se alimentar na vida Dele. Ele falou isso aí: "Vem o príncipe do mundo, e nada tem em mim." E Ele está nos colocando na mesma posição Dele, quando Ele diz: "Eles não são do mundo, como também eu não sou." É maravilhoso. É uma palavra para meditarmos horas e horas e horas, não é? Tudo do mundo, os conceitos do mundo, as ideias do mundo, as palavras do mundo, os prazeres do mundo, os apelos do mundo, as coisas do mundo. Não somos do mundo, porque "do mundo eu vos escolhi", Ele disse também assim: "Eu vos escolhi do mundo." Então, essas são as sandálias que nos separam do mundo, ao mesmo tempo que nos enviam ao mundo. Não é? De novo, na oração de João 17, o Senhor vai dizer que Ele ficou com eles do mundo e os enviou ao mundo. "Assim como Tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo." Separados pelo Evangelho, mas enviados, porque o nosso Senhor é o Salvador do mundo, e nós somos as Suas testemunhas para essa miséria toda. Então, esse é um lindo elemento dessa armadura.
Verso 16: "Embraçando, já que o escudo tinha aquela alça interior, né, e o braço enfiado lá, ele era vestido assim, né, aquela alça e segurava o escudo assim. E o escudo romano, que nos parece que, sem dúvida, Paulo está usando a figura da armadura romana, sem dúvida. O escudo romano era diferenciado. Ele não era um escudo que protegia apenas o peito. Ele era um escudo que protegia desde o pescoço, desde essa altura, até o tornozelo. Por isso que aquela, aquela posição de guarda que as, as legiões romanas faziam em batalha era basicamente invencível. Foi invencível por séculos. Os irmãos conhecem a história, porque eles tomavam aquele escudo e se colocavam um do lado do outro, e o escudo ia do tornozelo até o pescoço. Então, eles se alinhavam quando vinham aqueles, aquelas setas, né? Ele se alinhava, e um escudo do lado do outro, e fechavam assim, punham o escudo. Ponto final. Ninguém era atingido. Era uma barreira de ferro contra os inimigos, não é? E se você estuda a história, você vê o poder desse exército, como é impressionante, né? Eram homens muito preparados, eram homens muito fortes, eram guerreiros. Então, esse exército simplesmente conquistou o mundo, né?
Então, Paulo usa essa figura desse escudo aí, diz: "Embraçando esse escudo é o escudo da Fé." E ele diz: "Com o qual, exatamente como era na batalha, podereis apagar as flechas, né, aquela chuva de flechas, os dardos inflamados do maligno." Agora, o que é fé? Vida de união com Cristo. Isso é fé. O verbo grego original significa literalmente aderir-se a. Implica também confiar em, mas fala de adesão a. Então, essas duas coisas: "toda confiança em adesão à união com." Isso é fé. "Escudo da Fé, com o qual podereis." Graças a Deus por isso. "Podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno." Aquela lista de Paulo em Gálatas 5 nos ajuda a...
ver um tanto desses dardos, né? São chamados lá de obras da Carne. Você se lembra? Todos aqueles são setas inflamadas: a impureza, né? A lascívia, a cobiça, a avareza. Tudo está ali.
Verso 17: "Tomai também o capacete da salvação." Já tínhamos falado um pouquinho sobre ele. Aquilo que vai guardar também esse outro órgão vital aqui, não é? Que, na verdade, comanda tudo, né? O cérebro, a mente, os pensamentos. Cobertos com o capacete da salvação. Isso significa, certamente, a nossa necessidade de sermos transformados pela renovação da nossa mente. Significa um desejo ardente de que os nossos pensamentos, eles sejam não só agradáveis ao Senhor, mas eles sejam coerentes com a santidade do Senhor. Então, é o capacete da salvação.
E a espada do Espírito. É uma arma bastante notável, porque é a única arma de ataque, certo? Todas as outras são de defesa. Então, tá muito claro que a arma que nós temos contra o nosso inimigo é a palavra de Deus. Qual foi a arma que o Senhor usou no deserto quando foi tentado pelo diabo? Não por um demônio, nem por uma legião de demônios, mas pelo próprio Satanás. A palavra de Deus. Então, é com ela que nós podemos, eh, ferir, ir contra o inimigo, né? Na sua investida contra nós.
Verso 18: Não esqueça que essa aqui é outra arma. A armadura não terminou na espada. A armadura continua com, com toda oração e súplica. Aí, também, num pequeno grupo aqui ontem de conversa, nós lembramos uma frase de Clemente de Alexandria, da época dos Pais da Igreja. Ele disse assim: "Orar é manter companhia com Deus." É certo que é importante retirar tempos para oração. Nosso Senhor retirava tempos para oração. Não temos um modelo maior, né? Mas nosso Senhor viveu uma vida de oração no sentido de que Ele viveu no ambiente sagrado, na sua relação com Deus, né? Nunca perdeu essa companhia. Então, "orando em todo tempo no Espírito."
Verso 18: "Toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito." Porque é só Ele que sabe orar como convém. É só Ele que pode comunicar as demandas do Senhor para nós, para a Assembleia, onde nós nos reunimos, para a obra de Deus na Terra. Não é só Ele que pode comunicar, lançar luz sobre as nossas necessidades mais íntimas, que às vezes nem nós mesmos vemos. Então, "orando em todo tempo no Espírito, oração e súplica."
E para isso, mais uma palavrinha da arma da armadura: "Vigiando." Meus irmãos, o que seria de um soldado com tudo isso que nós falamos, dormindo? Não é? Ele poderia ser morto, como foi morto Israel, lá na tenda, na estaca da tenda, lá no livro de Juízes. O indivíduo chegou calmamente, entrou na tenda dele, pôs a estaca assim na testa dele, fez tum. Então, não basta que nós estejamos revestidos de toda armadura. Nós temos que estar vigilantes.
"Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda ao derredor, rugindo como leão, para devorar." Então, vigilância. Não vamos perder essa nota aí. "Não com toda perseverança." Que bom! Mais uma palavra extremamente importante: perseverança. Não dá para um soldado em serviço se envolver com os negócios dessa vida. Ele tem que ser perseverante, porque ele compreende o chamado dele, compreende a batalha, né? É um soldado. Então, perseverança.
"E súplica por todos os santos." Oh, meus irmãos, todos nós precisamos crescer nesse elemento aí também, por causa do egocentrismo que toma conta dos nossos corações, até mesmo quando pensamos na vida cristã, né? Minhas bênçãos, ó, como Deus tem sido bom! Ó, minha família! Ó, meus filhos! Ó, meus netos! Ó, meus bisnetos, né? Ó, meus bens. E o Senhor está nos ensinando aí, pela boca de Paulo, a suplicar pelos santos. "Senhor, esse irmão, quão resistente ele tem sido. Senhor, quanta necessidade de rever os caminhos para esse irmão, para aquele irmão. O Senhor tem convencido a mim, tem convencido a outros. Tão difícil essa situação, Senhor. Precisamos tanto que o Senhor seja a vanguarda nesse assunto, porque são fortalezas, são altivez que se levantam. Quem vai demolir isso?" Então, súplica por todos os santos.
Um irmão também já disse que orar é trabalhar com Deus. Ele tem poder para fazer tudo como Ele quer, com quem quer e quando quer. Mas ele disse que nós precisaríamos orar para ligar na Terra aquilo que tenha sido ligado no céu. Então, orar é trabalhar com Deus.
E aí ele termina: "E também por mim." Apreciável expressão também, né? Que nós podíamos pensar: "Esse guerreiro aí sabe tudo sobre a batalha, não precisa ninguém orar por ele, né? Se há um soldado que nós temos que pôr na frente é esse aí." Mas, irmãos, ele sabe muito bem como que isso funciona. Ele sabe que ele é um pequenino diante do tamanho dessa batalha. Ele sabe que ele é um pequenino diante do mundo pagão, porque essa história dele, né, ele está falando dele. Então, vamos pensar nele. Ele diz: "E também por mim."
Ele sabe a batalha de entrar naquelas cidades pagãs e idólatras. E o que isso significava? Ele sabe que sobre aquela idolatria, sobre aquela confusão, sobre aquela imoralidade, estavam principados e potestades. Ele sabe, então, ele sabe que a batalha contra as hostes espirituais do mal, os dominadores deste mundo tenebroso. Então, ele diz: "Orai por mim para que, então, na minha entrada no exercício do meu serviço, me seja dada a palavra." Porque o que eu vou fazer? Eu vou levar estudo bíblico lá para a cidade tal. Ah, Paulo, não era isso, meus irmãos. Aliás, ele não tinha nem nenhuma palavra preparada, não tinha nenhum sermão feito. Ele entrava na cidade e ele, então, esperava no Senhor, discernia o ambiente, recebia a palavra e falava a palavra em todas as ocasiões. Então, ele diz: "Orem por mim para que me seja dada." Olha aí, ele não diz: "Não está preparado aqui, ó, tem aqui pelo menos uns 10 sermões." "Para que me seja dada a palavra no abrir da minha boca, para com intrepidez fazer conhecido o mistério do Evangelho, pelo qual eu sou embaixador em cadeias, para que em Cristo eu seja usado para falar como me cumpre fazê-lo."
Aqui terminamos, então, meus amados irmãos, eh, nessa batalha nós estamos imersos. Mas como somos agradecidos ao Senhor, porque todas as armas de nossa milícia já nos foram dadas, centradas nesses dois elementos: o Espírito de Deus e a palavra de Deus. Palavra de Deus, o Espírito de Deus. Então, que a nossa responsabilidade seja estarmos sendo cheios do Espírito e fazer morada nos nossos corações para a palavra de Deus. Uma coisa é um passarinho visitar uma árvore. Outra coisa é, na avaliação dos instintos dele, olha como que um João de Barro faz o ninho, né? É na avaliação dos instintos dele, ele encontrar aquele lugar e saber que vai ser um ótimo lugar com relação a vento, com relação a sol, com relação à chuva, não é assim? Então, uma coisa é a palavra de Deus visitar os nossos corações. Outra coisa é a palavra de Deus encontrar ninho nos nossos corações. E essa é a nossa maior necessidade: que haja esse, esse ninho para ela, para que ela possa ali frutificar, para louvor da glória dessa graça. Paulo que usa expressão que Paulo usa de uma maneira tão doce nessa epístola, né? O louvor da glória dessa graça que nos foi derramada. Amém.
Vamos orar. Amado Senhor, entregamos nas Tuas mãos todo esse tempo que passamos juntos, todos esses dias, todas essas reuniões, todo intercâmbio, que todas as reuniões menores, as conversas, o compartilhar. E pedimos ao Senhor que tudo isso frutifique realmente para Ti. Senhor, também Te pedimos que os irmãos nessa Assembleia, aqui nessa cidade em especial, que o Senhor os inflame de desejo de estarem juntos, partilhando aquilo que o Senhor tem falado aos seus corações, em uma vida de companheirismo espiritual, de ajuda mútua, de mutualidade. Que o Senhor realmente os encoraje, Senhor, para que haja avanço coletivo no Teu corpo, no Teu testemunho nessa cidade. Amém.
As questões, Senhor, que precisam ser resolvidas, tratadas, alinhadas, ajustadas, Senhor, pela Tua misericórdia, que o Senhor seja vanguarda, Senhor, e realize aquilo que é o namente mais do que podemos pedir ou pensar, conforme o Teu poder que opera. Assim Te pedimos também, Senhor, esse Teu auxílio para que o Teu testemunho se fortaleça entre os amados irmãos nessa cidade. E louvado seja o Teu nome por tudo isso. É Nele que nós oramos. Amém.