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Em março de 2026, o CNPq publicou uma nova portaria que institui a política de integridade da atividade científica. E nessa política, eles trazem considerações importantes sobre o uso da inteligência artificial na pesquisa científica que vale a pena a gente compreender. Então, bora lá.
E aí, minha gente, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal. Eu sou a Camila Mendes e, se você aí ainda não me segue, já vou te convidar para se inscrever aqui no canal, deixar o seu curtir e, se tiver um botãozinho de hype aí embaixo para você clicar, por favor, clique nesse botão para o YouTube entender que esse tipo de conteúdo é relevante e ajudar no nosso crescimento.
Então, gente, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, né, o famoso CNPq, que é uma entidade vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, é uma entidade extremamente relevante de fomento à pesquisa e é aquela, né, para quem ainda não entendeu quem é o CNPq, o CNPq é aquele que gerencia e organiza a plataforma Lattes, né, do nosso currículo Lattes, gente. Então, é um importante órgão de fomento à pesquisa e desenvolvimento científico tecnológico no nosso país.
E essa portaria que foi publicada, ela se destina principalmente, né, às pessoas que estão abarcadas por essa portaria, né, que estão desenvolvendo pesquisas científicas fomentadas pelo CNPq. Então, a gente tem bolsas de iniciação científica que são fomentadas, a gente tem bolsas de mestrado, doutorado, pós-doutorado, fomentos a pesquisas de uma forma geral. Então, todas as pessoas que estão recebendo essas bolsas estão abarcadas por essas diretrizes que são postas.
E, para além disso, a gente precisa considerar que, diante da relevância do CNPq no nosso país, essa instituição da portaria é, de fato, um marco nacional no âmbito de guia e de direcionamento sobre o uso da inteligência artificial na pesquisa científica, porque, até o momento, a gente não tinha nenhuma diretriz desse porte guiando o nosso uso, né, e deixando claro o que pode e o que não poderia fazer. A gente tem uma iniciativa das universidades brasileiras, né, algumas pontuais que estão publicando as suas diretrizes, o que é extremamente relevante para orientar os seus graduandos, mestrandos, doutorandos e docentes sobre o que pode e o que não pode no uso da IA. E agora, a gente tem uma diretriz no cenário nacional.
Então, essa política é bastante interessante porque ela não vai abarcar apenas o foco dela não é o uso da IA, tá, gente? Ela vai abarcar as boas práticas de integridade científica, práticas que são éticas, que promovem transparência, rigor metodológico, reduzem preconceitos no âmbito da pesquisa científica. Então, ela vai falar de diversos aspectos, como, por exemplo, práticas de plágio, autoplágio, prática de produção de trabalhos fraudulentas, compra de trabalhos e também vai falar sobre o uso da inteligência artificial.
Beleza, gente? O que que o CNPq fala sobre o uso da inteligência artificial? Dentro do artigo 9º, a gente tem as diretrizes de integridade na pesquisa apoiada pelo CNPq. Temos o inciso um na atividade científica e temos quatro alíneas específicas voltadas para o uso de IA, onde ele descreve, pelo menos de forma muito clara ali, explícita, o uso da IA generativa. E também tem outros casos que eu quero destacar aqui ao longo do vídeo para vocês, tá?
Gente, antes de falar, eu quero dar uma pausa, né, para pedir a sua ajuda e pedir para que você se inscreva aqui no canal, gente. Então, 90% das pessoas que assistem o meu canal não são inscritas. E eu quero te convidar a se inscrever e também a curtir esse vídeo, né, porque isso me ajuda no crescimento e me ajuda a entender que esse tipo de conteúdo é relevante para vocês. Quanto mais inscritos eu tenho, mais eu consigo me dedicar na produção de conteúdos de maior qualidade para vocês. E esse é o meu maior desejo. Se inscreva que eu prometo que você não vai se arrepender sobre o conteúdo que é produzido aqui.
Então, a alínea C, gente, ela está coerente com diversas outras diretrizes internacionais que a gente tem observado, principalmente no manto do comitê de ética em pesquisa internacional, assim como também no que as grandes editoras internacionais falam sobre o uso da IA. Eles falam que o uso da ferramenta de inteligência artificial generativa de qualquer espécie, em qualquer fase de desenvolvimento da pesquisa, na concepção, na redação, na análise de dados, na submissão, deve ser declarado. E a gente precisa especificar qual foi a ferramenta que a gente utilizou e qual a finalidade de uso dessa ferramenta, tá? Então, são dois aspectos muito importantes. Se você usou IA em qualquer fase da sua pesquisa, você tem que declarar qual IA você utilizou e para qual objetivo. Foi para quê? Para a revisão gramatical? Foi para aumentar a clareza? Foi para a tradução do texto? Qual foi a finalidade desse uso?
A próxima linha vai destacar aqui a responsabilidade autoral sobre o conteúdo que é submetido. Então, todo conteúdo, né, entregue pelos autores é de responsabilidade deles. Seja o conteúdo que eles mesmos produziram, seja o conteúdo gerado por IA. Não importa, gente. A inteligência artificial, ela é uma ferramenta, então, ela é como este celular aqui. Não tem como eu colocar a culpa neste celular por qualquer conteúdo que eu tenha submetido ali na revista científica ou que eu tenha entregue no relatório final em âmbito do CNPq, certo? Todo conteúdo produzido por IA é de responsabilidade dos autores. Os autores é que assumem essa integralidade, né, de todas as informações que são postadas ali. Isso significa dizer que, se a IA cometeu plágio, se a IA inventou qualquer informação, colocou alucinações, teve manipulação de dados ali no meio que talvez os autores nem tenham percebido, né, utilizar a IA de forma inadequada na etapa de análise de dados. Então, qualquer coisa, erro que a IA cometeu, a responsabilidade são dos autores do trabalho.
Na alínea F, eles ressaltam novamente essa questão da responsabilidade autoral. Então, eles destacam que os autores devem se responsabilizar integralmente pelo conteúdo final da pesquisa, inclusive por eventuais plágios ou imprecisões geradas pelas ferramentas de inteligência artificial. Então, aqui não há dúvida. Se você usou IA, você deve fazer a declaração de forma transparente, qual IA foi gerada para qual finalidade. E você precisa, gente, fazer o processo de curadoria das informações que são geradas pela inteligência artificial. Então, aqui está um aspecto muito importante sobre a integração da IA na pesquisa científica, que é você não confiar 100% totalmente nas informações que são recuperadas por ela, né? Porque é isso, ela é uma ferramenta e ela foi criada para agradar a nossa leitura, agradar o que a gente vê. E muitas vezes o que ela traz pra gente parece uma verdade absoluta, né? É um texto muito atrativo que as pessoas às vezes pegam ali e confiam totalmente. Então, a gente precisa exercer a curadoria ativa das informações que são geradas pela inteligência artificial para aplicar na nossa pesquisa científica.
E na alínea E, eles trouxeram uma diretriz maravilhosa, uma orientação ótima que estava faltando aqui no Brasil, porque muitas pessoas estão realizando essa prática sem compreender de verdade a seriedade da mesma, que é o seguinte: é vedada, é proibido a inserção de projetos de pesquisa de terceiros em ferramentas de inteligência artificial para a elaboração de pareceres científicos. Então, gente, nós não podemos pegar uma pesquisa científica que foi elaborada por outros autores e jogar dentro da inteligência artificial. A gente não pode pegar um manuscrito que ainda não foi colocado, postado publicamente e jogar numa ferramenta de inteligência artificial. A gente está ferindo o ineditismo daquela produção e está ferindo diretamente os direitos autorais do caso da revista, né, que pode aceitar ou não aquela publicação e ferindo os princípios de autoria humana dos autores, né? Está desrespeitando os autores, basicamente pegando aquele trabalho e disponibilizando aí numa plataforma pública que essas informações podem ser replicadas de N formas para pessoas totalmente diferentes ao redor do Brasil e do mundo.
E no inciso dois, gente, eles não falam diretamente de inteligência artificial, mas eles tratam sobre aspectos que pegam bastante quando a gente faz o uso da inteligência artificial na pesquisa científica, sem o devido conhecimento de como ela funciona e como a gente pode aplicá-la na pesquisa científica da melhor forma. Então, e nesse inciso, eles tratam sobre a atividade de publicação científica no registro de produtos tecnológicos e inovadores e na divulgação científica.
Na alínea H, eles trazem que nós precisamos garantir a exatidão e correspondência entre citações, referências bibliográficas e menção aos autores originais da ideia ou da descoberta. Então, quem aí nunca ouviu falar de alguém ou até mesmo você talvez tenha feito isso sem o devido conhecimento, que você usou o ChatGPT para referências, para eh pedir referências, ou você escutou de um aluno que pediu para ele gerar uma introdução com citações e referências, esse aluno gerou isso e simplesmente copiou aquelas referências sem checá-las devidamente. Gente, ChatGPT não serve para geração de referências, né? Ele melhorou muito nesse sentido. Eu tenho que falar para vocês que atualmente ele está bem melhor nessa perspectiva, mas ainda há muitas falhas. A gente não pode confiar totalmente nessas referências que são recuperadas. Às vezes ele acerta no título, aí bagunça qual é a revista, inventa os autores, coloca um link que não tem nada a ver. Então, ele faz uma salada naquelas referências e principalmente no que essas referências estão dizendo, estão argumentando. Às vezes ele fala que a referência trouxe um argumento que, na verdade, ela não trouxe. Ela não falou nada sobre aquilo. Então, a gente precisa tomar muito cuidado ao utilizar ChatGPT para revisão de literatura e para busca de citações e referências, tá? A gente tem outras ferramentas que são muito úteis nesse sentido. Já gravei vídeos aqui no canal a respeito, né? Eu indico muito Consensus, SciSpace, Semantic Scholar, Google Scholar Labs são ferramentas de IA bem qualificadas que vão te ajudar de fato a encontrar artigos científicos para te apoiar em algumas argumentações que você precisa descrever.
Na alínea I, eles afirmam que nós precisamos consultar sempre que possível a obra original ao descrever estudos de terceiros, evitando a reprodução à crítica de resumos ou revisões secundárias. Gente, isso daqui é extremamente relevante porque, nesse mundo de IA, a gente está sintetizando tudo, a gente está elaborando diversos resumos e a gente está confiando nas informações que a IA está trazendo pra gente sem fazer, de novo, curadoria ativa, sem checar aquelas informações com a fonte que ela está recuperando. Então, sempre que usar a IA, ela trouxer um argumento, ela trouxer uma citação, né? Tem várias que fazem esse movimento. Vamos checar a fonte e verificar se o artigo realmente está afirmando aquilo que a IA diz que ele afirma. Muitas vezes elas acabam forçando um pouquinho a barra, sabe? Ficam dizendo que algo é efetivo quando o artigo afirmou que pode ser efetivo. Então, a gente precisa tomar um certo cuidado e sempre checar a informação na fonte original.
E eles tratam também de duas questões da pesquisa científica, desse universo acadêmico que acontece muito aqui no Brasil, que eu acho que vale super a pena eu destacar aqui, que é o seguinte: primeira coisa, vedar a participação em práticas fraudulentas, como compra e venda de autoria em artigos, monografias, redações ou teses. Gente, por favor, não vamos fazer isso. Você está acabando com a sua carreira profissional. Se você compra ou paga para alguém produzir o seu TCC, o seu mestrado, o seu doutorado. Não, como é que você assume um título de doutor ou doutora, sendo que você pagou para alguém produzir o trabalho por você? Não façam isso, nem coloquem isso no seu Lattes. Peçam ajuda, tá? Tentem se capacitar. Eu sei que o processo é difícil. Eu sei que o processo de escrita científica não é fácil, muitas vezes a gente não tem apoio. Tem diversas questões aqui que a gente poderia problematizar, tá, sobre esse universo da pós-graduação, questões de saúde mental, mas isso não justifica a realização de um crime e de manchar o seu currículo profissional para o resto da sua vida, tá? Então, procure por ajuda e procure por capacitação.
E a outra linha se refere a abster-se de submeter trabalhos a periódicos, eventos ou editais reconhecidamente predatórios ou participar de práticas editoriais fraudulentas. Eu sempre fiz conteúdos aqui no meu YouTube e também lá no meu Instagram, esclarecendo para as pessoas o que que são essas revistas predatórias, esses eventos científicos predatórios, qual a finalidade primária deles, que não é nos ajudar na publicação do nosso artigo, não é o avançar científico, não é resguardar o rigor, não é contribuir com a sociedade. A finalidade primária deles é arrecadar dinheiro, pegar do seu dinheiro, tá? As custas de uma publicação que você se dedicou tanto tempo para escrever. Então, eu, na minha inocência, sempre fiz conteúdos, né, falando: "Tome cuidado, olhem essas características, né, se atentem a isso." Até que algumas pessoas vieram me relatar que mestrandos, doutorandos ou candidatos a editais de mestrado e doutorado intencionalmente escolhem revistas predatórias para publicar um artigo científico qualquer e ter essa pontuação no currículo deles. Gente, meu queixo caiu quando eu soube dessa informação. Eu não fazia ideia de que realmente as pessoas estavam atrás disso. Então, acho super válido esse destaque. E, pelo amor de Deus, não vamos fazer isso. De novo, você está manchando o seu currículo profissional. Se você é capaz de fazer uma prática como essa, que não é algo justificável, não é uma bobagem, não é uma besteira, então a gente precisa tomar muito cuidado com isso, tá, gente? Vou convidar vocês a assistir alguns vídeos aqui no canal sobre revistas predatórias, principalmente, e a resguardar tanto o seu currículo profissional e acadêmico, como também resguardar a sociedade. Gente, é um artigo que foi jogado no lixo, basicamente.
E, claro, o descumprimento dessas diretrizes relacionados à inteligência artificial e qualquer uma das outras infrações podem ser questões de retorno financeiro de toda a bolsa, por exemplo, que a pessoa recebeu. Ela vai ter que devolver todo o valor. Pode, pode ser um banimento do ecossistema do CNPq, pode ser suspensão do seu currículo Lattes. Então, tem várias especificidades que eles trazem ali, né? Quais são as funções que estão cabíveis para quem ferir qualquer uma dessas diretrizes?
Então, minha gente, me digam o que vocês acharam das diretrizes do CNPq sobre o uso de IA na pesquisa científica. Coloca aqui nos comentários. Também vou te convidar para curtir esse vídeo e também se inscrever aqui no canal para receber notificações sempre que eu postar um vídeo novo. E muito obrigada por assistir. Até mais.