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Muito bem, pessoal! Vamos dar sequência, então, na nossa aula sobre emoções. Lembrando que esta é a parte 2. Se você não viu a parte 1, eu vou deixar aqui embaixo no descritivo o link para você acessar, porque essa aula que nós estamos dando agora é sequência da parte 1.
Na parte 1, a gente faz todo um apanhado sobre o que que são as emoções, quais são os tipos de emoções, a função de cada uma das emoções. E agora, nós vamos, pela parte 2, falar um pouco mais da Inteligência Emocional, certo? Então, se você não viu a parte 1, corre lá, assiste e depois volta neste vídeo. Se você já assistiu, seja bem-vindo a mais uma aula. É um prazer estar aqui na comunidade.
E lembrando, antes da gente iniciar a aula, pessoal, esse é um projeto para a gente conseguir difundir um conhecimento de Psicologia de uma forma mais bacana, gratuita e com interações. Esse canal é para criar uma comunidade, troca entre estudantes, pessoas leigas que queiram aprender. Então, essas aulas que eu tô dando são aulas normalmente de pós-graduações, especializações, e custam dinheiro. Eu tô colocando aqui de uma forma gratuita para que todos consigam ter acesso e a gente consiga aí problematizar questões, estudar, enfim, até um avanço dentro desta área, tá?
Então, se você gostou desse vídeo, ajudaria muito se você desse um like, se você deixasse um comentário, porque isso faz o YouTube entender que esse vídeo ele tá sendo, enfim, útil de alguma forma, que as pessoas estão gostando, e ele expande aí o alcance para mais pessoas, tá? Se der para deixar aí no like, comentário, se inscrever no canal, eu super agradeço.
Dito isso, feito esse "displayer"zinho, vamos à parte 2 da aula, certo? Vamos compartilhar os slides. Vamos lá. Nós paramos aqui na parte 4, as funções das funções, a função das emoções, né, pessoal? Vamos lá. Nós estávamos falando, a última emoção que a gente viu foi desprezo. Nós falamos de alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa, desprezo. Falamos de todas essas emoções. E agora, nós vamos entrar na função das emoções. A gente já falou um pouco disso, mas como eu disse na aula anterior, a parte 1, a gente vai reforçar isso várias vezes para entrar por osmose na cabeça de vocês a função das emoções, tá?
Então, eu vou repetir o slide, que é o seguinte: a função das emoções é passar uma mensagem do nosso corpo, muitas vezes corpo inconsciente, para a nossa consciência, para o nosso eu. A função das emoções é passar uma mensagem. Assim, quando nós ficamos sem comer, um alimento, beber água, alguma coisa assim, a nossa barriga ronca. E roncar da barriga é um sinal para nossa cabeça entender, dizendo: "Olha, nosso corpo está com fome. Vamos convidar um comportamento. Vamos atrás de um alimento." Da mesma forma, uma dor ou uma emoção, ela vai se escutar, convidar a gente comportamentalmente ir atrás de uma necessidade emocional não atendida.
A gente viu no início das aulas passadas as necessidades emocionais, você se lembra? Tem a ver com conexão, autonomia e segurança, tá? Então, as emoções são um GPS interno. As emoções são mensageiros que nós temos que escutar. A nossa sociedade trabalha muito uma ideia de predomínio da razão sobre as emoções. "Não escute suas emoções. Raiva é feio, tristeza é feio." E a gente tem de recalcar, reprimir isso. Nós temos que escutar as emoções para conseguir ter, como a gente vai ver depois, inteligência emocional e saber lidar com elas, ok? Nós somos um ser animal, que a gente goste ou não goste. Então, aprender a lidar com esse ser e corpo animal é o melhor que a gente pode fazer aqui, beleza?
As emoções, para vocês verem o impacto que elas têm na nossa vida. A gente não percebe como seria uma vida totalmente sem emoções, porque a gente já nasce, né, com elas. Então, a gente não sente falta do que a gente não tem. Mas teve um caso, um operário americano chamado Phineas Gage, que eu comentei um pouquinho na aula anterior. Agora nós vamos desenvolver mais. Ele estava trabalhando em trilhos de trem, houve uma explosão, uma barra de ferro atravessou o crânio dele, bem naquela parte do cérebro de desenvolvimento emocional dos mamíferos, tá? Bem naquela parte, do sistema límbico, que se chama. Ele ficou com as emoções prejudicadas. Ele não conseguia mais sentir emoções, em resumo.
E o curioso, dentre outros efeitos colaterais que foram percebidos nele, é que ele não conseguia mais tomar qualquer tipo de decisão. Seja ela: "Eu fecho a pasta de dente ou deixo aberta? Eu vou comer feijão? Eu vou comer lentilha? Eu vou marcar uma consulta no dentista segunda ou terça? Eu quero ir para a direita ou eu quero para a esquerda?" Qualquer decisão simples, ele ficava remoendo por dias, semanas. Ele não conseguia chegar a uma conclusão.
Mas o que é que isso tem a ver? Tem a ver, pessoal, que nós achamos que temos o domínio sobre o nosso corpo, que nós tomamos decisões lógicas e racionais. "Ah, eu tomei essa decisão que é melhor para mim, blá, blá." Daí a gente justifica o porquê. Na verdade, quem toma as decisões é as nossas decisões são baseadas na nossa vontade, nas nossas emoções, nosso instinto, nosso "good feeling", que se chama em inglês. E nós só criamos uma narrativa de porque nós tomamos aquela decisão, porque que aquela decisão é a melhor para a gente, ficar satisfeito com a nossa própria decisão. Mas, na verdade, essas decisões são tomadas com o emocional, tá?
Olhem quem que interessante isso. É Nietzsche também, né? A gente já falava novamente: "Os nossos pensamentos são sombras das nossas emoções." Certo? Então, quando se tiraram as emoções, não teve mais a sombra. Ou seja, a pessoa não conseguiu mais decidir nada. Não havia um cérebro racional que predominava. Havia um cérebro emocional que fazia nós tomarmos determinados comportamentos, etc. E o cérebro racional, ele meio que conseguia ponderar algumas coisas, mas, via de regra, é na onda desse cérebro emocional.
Então, o ponto é: nós não somos seres racionais puramente. Longe disso. Nós tomamos decisões racionais baseado em nossa influência emocional, baseado no que sentimos e nos convencemos de que essa escolha foi racional. Olha só que coisa interessante. Nós vamos ver depois que um processo de psicoterapia, e aqui o próprio Schopenhauer, no livro dele, na obra-prima dele, "O Mundo como Vontade e Representação", ele traz a ideia de que o máximo que nós conseguimos fazer, e é o que nós vamos fazer em psicoterapia com o paciente, ou você pode tentar fazer com você mesmo, é usar a razão para entender e ler o que que tá acontecendo no ambiente. E com base nessa informação que você tem do ambiente, adaptar o seu comportamento, a sua estratégia do que você tá fazendo, do que não tá dando certo, para conseguir com que a sua vontade, a sua necessidade lá de fundo, seja suprida.
Então, a razão, ela vai operar como auxiliar para a gente conseguir aquilo que nosso corpo precisa. E esse é o processo de psicoterapia. Gravar uma aula chamada "Eu no Espelho", de um modelo integrativo, filosófico, experiencial, que eu vou trazer. Dá vontade de Schopenhauer, passando por Nietzsche, chegando até a sublimação freudiana, onde é justamente esse ponto que nós vamos trabalhar: a razão como auxiliar do nosso corpo, auxiliar de uma vontade, servindo as necessidades emocionais não supridas. De como o sujeito pode compreender tudo isso: primeiro, entender qual é a necessidade não suprida; entender quais as emoções que são mensageiros dessas necessidades não atendidas; escutar essas emoções; validar essas emoções; e, através da razão, calibrar esse algo, conseguir no ambiente uma forma de atender essa barriga roncando, essa demanda.
Também vou explicar isso nessa aula depois, que eu vou dar bastante calma. Convido todos a estarem presentes. Então, pasmem: não somos seres racionais. Nós tomamos decisões baseadas em processos emocionais. Quer ver como? Vou dar um exemplo para vocês. Olha que divertido. Vamos lá. É isso. Esses exemplos eu tirei do livro "Rápido e Devagar" do Kahneman, que é o vencedor do Prêmio Nobel da Psicologia. Da Psicologia não, ele ganhou um Prêmio Nobel em Economia, sendo um psicólogo, ao mostrar que as decisões econômicas não são racionais. Nós não compramos produtos ou tomamos decisões baseadas em um modelo racional, e sim no modelo emocional, tá? Um livro chamado "Rápido e Devagar". É um chato para caramba, mas bastante interessante tem conteúdo. Tem isso, né? Pessoas, às vezes os livros eles não são assim aqueles "turners", que se fala em inglês, aquela delícia de leitura que fica virando página sem conseguir parar. Mas se você fizer um esforço, vale a pena o conteúdo que tá ali. Bem, espero que não seja, espero que essa aula seja um "peixe" externa, que você esteja gostando, não seja dolorosa de ser digerida. O conteúdo daqui, eu acredito que seja interessante.
Vamos lá. Imagine, ó, para a gente fazer um testezinho aqui. Imagine que você vai fazer parte do comitê de crise, OK? Você faz parte do comitê de crise que tá avaliando quatro opções de tratamento para uma doença, uma doença que tá atingindo 600 mil pessoas no momento. E aí, o comitê apresenta, e você tem que tomar decisão. Seu chefe, o comitê, é o seguinte: apresenta a seguinte, a seguinte informação para você, tá? Ó:
O tratamento A prevê a sobrevivência de 200 mil pacientes de 600 mil. O tratamento A vai fazer com que 200 mil pessoas sejam salvas.
O tratamento B, outra opção, prevê 33% de chance de salvar todos e 66% de chance de não salvar ninguém.
O tratamento C prevê a morte de 400 mil pacientes. 400 mil pessoas vão morrer.
O tratamento D prevê 33% de chance de que ninguém vai morrer e 66% de que todos os 600 mil morrerão.
Apresentados com essa forma, qual que dá um ímpeto maior de escolher aqui? Ou qual que, na pesquisa, vocês acham que as pessoas mais marcaram como o caminho a ser seguido? Letra A: o tratamento A prevê sobrevivência de 200 mil pacientes. Todas essas alternativas que eu falei são a mesma coisa, só que colocadas de formas distintas. Mas prevê, mas mas vejam, percebam. Na letra A, mais agradável, mais harmônico, mais seguro. Tem a ver com alguma coisa interna nossa, sobre uma necessidade de segurança, de bem-estar, de comunidade. Quando diz assim: "vai haver a sobrevivência", é algo positivo de 200 mil pessoas. Num outro, não ser, por exemplo, "400 vão, 400 mil vão morrer", não são muito agradáveis.
Então, a maioria das pessoas que participou desse estudo, no sentido não do estudo que eu tô lendo, do remédio, do estudo de marcar qual alternativa, marcou quando vocês veem um comercial na televisão de carro. Se nossas decisões fossem puramente, fossem puramente racionais, o comercial seria assim: "Aqui está o carro X. Ele faz Y, Z, e o preço é tanto. Bom comercial." Se a pessoa quer, compra. Você não quer, não compre. Não é assim que são os comerciais, né? Não são assim feitos. Como é que é um comercial de carro? Uma família feliz dirigindo dentro do carro, ou um cara com a mulher bonita dirigindo dentro do carro, né? Filhos atrás aprontando de uma forma alegre. Vende-se alegria, vende-se aventura. Um carro off-road no alto de um precipício. Não sei o que ele vai fazer no alto do precipício lá, mas ele tá lá no alto do precipício. Gaivotas ao redor, paisagem linda. Isso que se vende é o emocional, não é um produto em si. E as pessoas vão lá e compram.
Quando você compra, muitas vezes, um celular da Apple, vamos dizer assim, está dessa marca. Claro, tem muita qualidade envolvida. Se você é um designer gráfico, se você é um DJ, etc., uma coisa assim, se você trabalha com fotos, então. Mas muitas pessoas elas compram porque o lifestyle que a Apple vende, é o status relacionado ao produto, é com o "cool", um celular desta marca. Isto que vende, não o produto propriamente em si. Se ele só anunciassem o produto, até algumas pessoas que iam comprar por utilidade, mas muitas pessoas não iriam comprar. As decisões elas são emocionais. Elas pegam no nosso coraçãozinho assim. É todo tipo de publicidade. Muito bem.
Outro testezinho. Participantes ganharam ticket do Super Bowl. Super Bowl, tipo, final do campeonato de futebol americano lá nos Estados Unidos, que é o maior evento lá dos Estados Unidos, tá? Super prestigiado, super concorrido, super difícil de estar. Então, alguns participantes, o Super Bowl ele sorteia alguns ingressos para as pessoas que se inscrevem lá no sorteio. Alguns participantes ganharam. E aí, o pessoal da pesquisa que estava vendo essa questão das emoções, foi lá e ofertou para esse pessoal que ganhou o ticket, 10 mil dólares pelo ingresso. Pelo menos foi 10 ou 20. Oferta de 10 mil dólares. "Tu me dá outro ingresso que tu ganhou sorteado, eu te pago 10 mil dólares." A resposta das pessoas foi: "Não, é meu. Eu ganhei. Eu vou aproveitar. Esse evento é único. Isso foi uma oportunidade incrível. Eu vou." A maioria das pessoas que foi sorteada, ganhou de graça o ingresso, não quis vender por 10 mil dólares.
Aí os pesquisadores eles foram atrás de outras pessoas que tinham o ingresso, não que ganharam o ingresso. E aí, não, desculpa. Os pesquisadores eles foram atrás de pessoas que não tinham ingresso, pessoas avulsas quaisquer que queriam ir no jogo ou qualquer coisa do tipo, mas não tinham um ingresso. E perguntaram: "Você compraria um ingresso para o Super Bowl por 10 mil dólares?" E a resposta das pessoas foi: "Jamais! Eu pagaria isso para ver um jogo de futebol? Não, muito caro."
Ou seja, é a mesma coisa. Os dois cenários, você ganharia 10 mil. A diferença é que uma coisa, na primeira opção, na primeira pesquisa, você está tirando da pessoa o ir ao jogo, perde-se a expectativa já criada. Na segunda, não tem expectativa criada, e a pessoa não vai pagar. Ela que está tirando do bolso dela dinheiro para ter a sensação de ir ao jogo. Isso que muda. Não você tira. No outro, você tira o barato do que tu já tem. E no outro, não. E aí a resposta, mas o valor é o mesmo, a situação é a mesma. E as pessoas, via de regra, mudaram e muito a sua opinião. Num, eu disse: "Não, eu vou ir, custe o que custar, é um evento único." Na outra, eles disseram: "Eu jamais lhe pagaria isso para um jogo." Ou seja, a decisão emocional. Apenas dois exemplos. Se você, enfim, é só ligar a TV e ver propaganda, comercial, que vocês vão entender o que eu tô falando. Todo comercial, perceba, tem um cunho de te afetar emocionalmente, certo?
Boas emoções são importantes. Já falamos um pouco sobre isso. Vamos aprofundar. Para viver socialmente e manter a preservação da espécie, empatia. As emoções fazem com que nós nos conectemos com os outros, em grupo, em comunidade. Quando nós não sentimos emoções, então, a tristeza faz com que alguém venha me amparar, um pedido de ajuda. Até o próprio desprezo social que a gente viu faz com que as pessoas se mantenham, de certa forma, na linha. O afeto, a alegria que é gerada por estar em grupo, o vínculo. Tudo isso tem a ver. Um estar aberto a sentir emoções é como se fossem ondas invisíveis que conecta uma pessoa com a outra.
Tem um livro muito bonito de Dostoiévski, que se chama "Crime e Castigo", que fala assim, muito sobre a culpa, né? E a ideia do Super-Homem de Nietzsche, de que a gente não pode fazer o que, enfim, um certo niilismo de fazer o que a gente acha que pode fazer sem ter consequências emocionais. É um livro lindo. Mas o ponto que eu quero chegar no final é que é um personagem. Raskólnikov é um personagem, seguido na literatura, um personagem niilista, um personagem que não, não tem conexão com a vida, não tá nem aí para nada, meio que "tanto faz, tanto fez" as coisas. Spoiler: no fim, ele é condenado, enviado para a Sibéria, tá? E ele tá lá cumprindo a pena na Sibéria, não tá nem aí para nada. Mas tem uma personagem do livro que gosta muito dele, que se não me engano é a Sônia. E a Sônia vai atrás dele, fica ao redor dele, fica ali demonstrando carinho, empatia. E ele, fechado. Até que chega um ponto do livro, que é o ponto que Dostoiévski traz nas suas obras, uma narrativa muito bonita, que ele diz assim: "Algo faz com que o personagem não é ele que se ajoelha, algo, uma força faz com que ele seja ele perante e começa a chorar." E aí, Dostoiévski coloca essa frase linda, que é: "O coração de Sônia, ou o coração de um, começou a emanar infinitas fontes de vida para o coração do outro." E isso salvou os negócios. É bastante profunda, bastante bonito, né?
E talvez aí em outras aulas de filosofia, a gente vai falar sobre o que que vale a pena na vida. E as coisas que muitas coisas não valem a pena na vida. A vida é muita dor e sofrimento. Mas uma das coisas que valem a pena na vida é esse amor, essa coisa sublime que nós sentimos. E o amor cura, certo? Pessoas que vivem isoladas socialmente ou vivem sozinhas, morrem mais cedo, adoecem mais. Pessoas que têm mais amigos e vivem em comunidade, tendem a ter uma saúde maior, melhor, mas uma vida mais satisfatória e duram mais, certo?
Outro ponto: quando a gente tem algum tipo de distúrbio de transtorno mental, onde a gente não consegue sentir empatia, por exemplo, narcisistas, antissociais, antissociais... Psicopatas sociais é um termo técnico da psiquiatria e psicologia, não significa uma pessoa que tem vergonha de falar com os outros. Antissocial é alguém que não se relaciona, não tá nem aí, vê os outros como objeto. Essa pessoa, ela não tem o colorido da vida. Ela vê os outros como meros objetos a serem utilizados a seu favor. E com isso, não todos, tem uma pequena categoria, os psicopatas, eles podem cometer crimes, eles podem burlar a lei. Eles podem, ah, não gostei, adivinha? Lá vou enfiar uma faca, cortar a cabeça, picotar, botar em pedacinhos numa mala. Suas notícias malucas que a gente vê na TV. Normalmente, essas pessoas que fazem isso com os outros, têm uma severa psicopatia, por causa do ilustrado aqui pelo Hannibal, etc. Enfim.
Então, as emoções, elas nos mantêm humanos. Elas nos mantêm em comunidade. E a gente viu na primeira aula, e isso existe para nos manter em grupo e ser reforçado relações sociais de uma forma que a gente sobrevivesse lá atrás, porque nós não éramos os animais mais velozes, mais fortes, né? Então, a gente tinha que precisar de uma tribo para criar uma criança, uma tribo para conseguir caçar um tigre, por exemplo, né? Cheio de conta, uma pessoa não dá nem graça. Cheguei a sobressair, OK.
Emoções, então, elas dão o colorido da vida. Dostoiévski traz muito isso. É um review que eu também vou fazer do livro, obra-prima dele, "Os Irmãos Karamazov", que ele traz que alegria e tristeza são lados opostos da mesma moeda. Nietzsche também referenda isso, o "amor fati" de Nietzsche, né? É preciso amar a dor. A ideia é que você só vai sentir tudo que é bom na vida, tudo que vale a pena, uma relação, uma troca, tem o pico e assim também vai ter a queda. Essas relações terminam, sejam por terminar porque alguém termina com alguém, seja porque a morte bate à nossa porta. E quando eu perco, eu sofro. Isso me gera tristeza. Mas o ponto desses autores, como Dostoiévski, é que nós não devemos fugir da tristeza da vida e do sofrimento da vida, porque daí nós estamos fugindo da própria vida. Nós estamos fugindo dos momentos alegres e bons também. E segundo eles, a ideia é que isso tem que ser consumido. A vida tem que ser consumida em seu total, sentindo tudo que nós temos que sentir. Por isso, "amor fati", amar o meu destino, mesmo que traga sofrimento, que significa que você está no colorido da vida.
Dostoiévski tem uma frase bonita também, que ele diz que é: "Eu somente temo uma coisa: não ser digno do meu sofrimento." Tá? Então, as emoções dão colorido, dão sentido para a vida. Se você tirar isso, a vida fica algo a ser executado numa rotina monótona, sem o menor sentido. E aí a pessoa vai sofrer por causa disso também. A gente tem uma frase também, eu acho bonita, que é: "Quem tem um porquê, suporta o que é como." Então, quem tem um motivo, quem tem um sentido, suporta qualquer dor, certo?
Esquizoides são pessoas que não têm esse colorido. Esquizoides é um transtorno de personalidade onde a pessoa não tem, via de regra, não sente emoções. Até onde a gente sabe. Como que essas pessoas vivem? Elas se isolam e vivem no meio do mato sozinha por 20, 30, 40 anos. Procurem no YouTube, tem vários vídeos, reportagens sobre isso. Os "hermits", "hermits". Procurem vocês vão achar. São pessoas que não sentem falta de se conectar com os outros, mas também não têm nenhum tipo de colorido na vida. A vida delas é: tá ali, pega, dorme, deita aqui. A pessoa não tem nenhum tipo de ambição, não tem nenhum tipo de... dorme aqui no chão, acorda, pega, come umas frutinhas, volta, etc. Fica uma vida plana. Essas pessoas são exemplos de uma vida sem, sem emoções.
Um ponto importante falar disso. Eu falei de Dostoiévski, nessa linha de abraçar o sofrimento. Abrace a vida, abrace as alegrias, as tristezas. Nós vamos ver também, em outra aula, que Schopenhauer já é mais essa batida. Schopenhauer vai tentar provar mais que, no próprio "Mundo como Vontade e Representação", com "Vontade e Representação", é que a vida basicamente é sofrimento. O sofrimento positivo, né? As alegrias, muitas vezes, para eles, são alívios de uma necessidade. As alegrias são negativas. Eu disse, se resta dúvida que a vida é sofrimento, observe um animal comendo o outro na natureza e se pergunte: o animal que está comendo está mais alegre do que em dor? O animal que está sendo comido? A dor se sobressai muito do que as alegrias que a gente sente na vida. Segundo Schopenhauer, e eu vou explicar isso numa aula, tem a ideia do pêndulo, que nós estamos sempre desejantes, sempre atrás de algo.
Quando nós temos um desejo específico de alguma coisa, certo? Seja lá um relacionamento, um PlayStation novo, um carro, emprego, qualquer coisa. E nós sofremos porque não temos. E aí nós vamos atrás disso. E quando nós conquistamos, no momento que nós conquistamos esse desejo, por causa do hábito, esse desejo se torna um tédio e já não nos satisfaz mais, já não gera mais alegria. E aí, nossa vontade cria um novo desejo. Então, nós estamos sempre sofrendo, desejantes do que nós não temos. Esta ideia de Schopenhauer.
E aí, para Schopenhauer, e aqui que ele difere de Nietzsche: Nietzsche vai dizer: "Ame o sofrimento. A graça da vida tá nesse pêndulo, tá em ir atrás do que a gente quer, tá nessa busca." Esse é o barato, mas alegrias e nas tristezas da busca, não na recompensa em si. Já Schopenhauer vai dizer: "Não vale a pena, porque quando tem a recompensa, ela vira nada, ela se esfarela na mão. O hábito mata isso." Então, o melhor é se isolar e tentar, de certa forma, viver uma vida cética, sufocar a vontade, matar a vontade, congelar a vontade. Por isso que Schopenhauer é tido como o filósofo pessimista. E olha que para, para tu ser um filósofo dito como o mais pessimista de todos, tem que fazer bastante força, porque a filosofia em si já é pesada, né? Mas a filosofia de Schopenhauer é linda. Eu recomendo muito ler os textos deles. Eles escrevem brilhantemente bem, muito bem. Não é que nem outros filósofos, são difíceis de entender. Eles escrevem de uma maneira linda, muito bem mesmo.
E a base da filosofia dele, desse livro "Mundo como Vontade e Representação", ele simplesmente explica tudo que existe no mundo. É isso. Um livro que ele escreveu com 30 anos. Simples, né, pessoal? Simples. E você estava fazendo com 30 anos, né? Escrevendo uma obra-prima. Nós comparamos, olha o nível da generalidade. E tem uma pura e linda verdade na leitura de Schopenhauer. Vale muito a pena. A questão da saída que ele dá, resolução que ele traz, que aí é discutida por outros filósofos, é a saída dele: "Abdique da vida." E a saída vai ser a compaixão pelos seres humanos, vai ser a arte, vai ser a música, vai ser de alguma forma ficar ali no seu cantinho, contemplando esses fatores, contato com a natureza, a arte, tentar fazer o bem para os outros. Tudo isso são formas, são saídas schopenhauerianas, assim. Enfim, nós vamos ver depois nas outras aulas. Eu gosto de falar aqui porque eu adoro esses autores.
Então, veja, esquizoides não sentem emoções. E preto e branco. E esse ponto volta. Esse ponto Nietzsche versus Schopenhauer na forma como eles vão dizer: um vai dizer "abrace a dor", outro quer dizer "fuja da dor". Não, não tenha muitos estímulos. Schopenhauer, né? A gente vai dizer: "Olha, se joga no precipício, tem estímulos, aventuras." E o "pack god", né? Tem alegrias e tristezas. Isso a gente vai ver na clínica. Vai ser uma discussão que implicitamente nossos pacientes vão nos trazer a partir das suas dores. Por isso que eu achei importante a gente ter uma base filosófica interessante, entendendo que a vida é este pêndulo. É o Alakan já trazia: "Somos seres sempre desejantes, advindos de uma incompletude." É importante entender esses pontos para a gente ter uma base ontológica de que é o ser humano, tá? Então, isso vai ser explicado depois numa outra aula. Vocês estão convidados a assistir. Fechamos isso. Prometo que não vou mais entrar nessa seara.
Vamos ao emocional. Saúde emocional tem a ver com estar em contato com as emoções, escutar elas, saber o que que as emoções querem comunicar, qual a necessidade não está sendo suprida. Essa é a mensagem que nós estamos passando ao longo da aula, né, pessoal? Freud traz a ideia de que para onde que vão as emoções não expressas? Elas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde. Que Freud, a teoria dele chamou de recalcamento. A gente pega algo e tenta enterrar isso vivo dentro da gente. Isso não vai embora. Quando você sente uma tristeza, você ignora ela, ela não vai embora, ela se transforma. Quando você sente uma raiva, você não expressa, não elabora, ela ignora, ela não vai embora, ela se transforma. Que tensão elétrica dentro do seu corpo? Ou ela sai tipo: você está com raiva do seu chefe no trabalho porque ele foi injusto com você. Você vai lá e desconta no cachorro. Vai sair em outra pessoa, em outro objeto, em outro ser. Ou se não sair ninguém, vai atirar em você mesmo. Lembra dos canhões da primeira aula? Você vai ter uma úlcera, uma dor de cabeça, vai baixar sua imunidade, né? Por causa do nível de cortisol sempre presente e por diante.
Então, as emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde. É um convite aqui à elaboração dessas emoções. Processo de análise, muitas vezes. Freud chamava de uma limpeza de chaminé. A pessoa constantemente vai à terapia para dar uma limpada ali nos resíduos e tudo mais. É uma visão bem, bem bonita, certo?
Então, é isso, né? O sonho, muitas vezes, né, do recalcado é soltar alguém. Como diria Paulo Freire, o sonho do oprimido se tornar opressor. Então, chefe grita com o funcionário, o funcionário grita com a esposa, grita com o filho, filho grita com um gatinho. Bem, OK. Nós vemos, nós vemos então que nós temos essa, essa necessidades emocionais advindas de uma vontade. Essas necessidades emocionais elas têm que ser supridas. E as emoções são mensageiros aí de tudo isso. É como se fosse uma fonte que fica jorrando, né? Na natureza, os animais vão lá e fazem o que têm vontade, né? Os animais não domesticados, né? Eles vão lá e fazem o que têm vontade. Eles conseguem ser eles mesmos 100% em relação a essas vontades, essas necessidades e essas emoções que eles têm. Mas nós, seres humanos, somos seres domesticados por nós mesmos. E aí cria-se um problema. O choque do animal homem com a civilização. O que Freud chamou de Id versus Super-ego.
O que é o Id? De são as minhas pulsões, são as minhas vontades, são os meus desejos. O que eu quero me afirmar no mundo. Isso é o ego. São os meus pais. O primeiro momento, os meus pais que me castram, onde eu tenho que me adaptar às vontades dos meus pais para ser aceito, de certa forma, onde nem tudo eu posso. Mais tarde, a sociedade que me castra. Existem regras, existem leis. Quando eu vou para a escola, eu tenho que ficar lá quatro horas sentado, escutando um professor chato de matemática, falando alguma coisa que não me interessa. Eu quero brincar, mas eu não posso brincar naquele horário. Tudo isso é o choque do homem com a civilização, no momento que a gente tem. E aí Rousseau, o contrato social. O contrato social é: eu abro mão das minhas individualidades e dos meus desejos em parte, em prol de ter segurança, de um estado, em prol de seguir as normas. Todo mundo se diz normas, e aí nós temos proteção. Mas isso é uma domesticação, de novo. Eu não tô colocando caráter de bom ou ruim. Nós estamos analisando o efeito colateral que sugere, OK?
O efeito que isso gera é que nós não podemos, muitas vezes, elas não temos nosso desejo atendidos. Nós não temos, muitas vezes, nossas emoções escutadas e validadas. É uma sociedade que, né, sai gritando na rua de raiva para ver o que acontece. Você vai ser, vão chamar ambulância, vão te internar. Você sai vai achar a polícia. Sai chorando veementemente na raiva na rua. As pessoas veementemente vão vir para querer te amparar, mas não é um comportamento. Ou chore no seu trabalho constantemente para ver se você não vai ser demitido, lido como fraco, desregulado, né? Não é bem aceito a nossa expressão emocional, certo? Tanto que quando, quando a pessoa tem luto, morreu o pai, a mãe, alguma coisa assim, tira uns dias, vai para casa, fica lá sozinho chorando. Que a gente não quer ver esse tipo de coisa. Quando tu tiver melhor, tu volta. Essa mensagem.
Então, a sociedade tem esses porém. O choque do homem com a civilização, OK? Muitas vezes, também, nós temos que fingir certas emoções naquela reunião bacana de segunda-feira às 8 horas da manhã, ou sexta-feira às 17 horas, né, que ninguém tá mais a fim. Fingir que tá o máximo aquilo, né? Tudo isso é o choque do homem com a civilização. E o que que a gente faz com isso? Como que a gente lida com as nossas emoções, se elas não são completamente aceitas pelo outro ou pelo mundo e pelo outro também, né?
Pessoal, veja, se você tem um parceiro amoroso e a toda hora, daqui a pouco, você demanda emocionalmente dele, é uma relação egoísta. Tem que ter um equilíbrio para com o outro. Quando eu falo "castração", não é no sentido ruim. A teoria freudiana é necessária. Até a castração é necessária que nós nos tenhamos ao mundo para navegar a este mundo. Mas como que a gente faz isso? É o que nós chamamos no modelo mais cognitivista, que cunhado pelo Daniel Goleman, embora não seja puramente dele, não foi ele que criou, inventou isso, né? Ninguém inventou a roda depois de Platão, tudo é nota de rodapé. Mas ele cunhou comercialmente esse termo da Inteligência Emocional e também contribuiu muito com seus estudos em cima disso, né?
Então, nós vamos ver o que que é a Inteligência Emocional, parte 5. Inteligência Emocional. E, de certa forma, nós temos um equilíbrio entre o cérebro racional e emocional, tá? Qual que é o papel do cérebro emocional, esse mais mamífero? Nós vimos lá na primeira aula. Se você não se lembra, deu uma olhadinha no slide, volte lá na aula. O papel do cérebro emocional é de novo: mensageiro das nossas necessidades e gostos pela vida. Ele informa, quase como se fosse espécie de termômetro para febre, o que vai bem e o que não vai bem dentro do nosso corpo e do nosso corpo para com o mundo, em relação às necessidades emocionais, em relação ao bem-estar social de nós para com os outros. Esse é o cérebro emocional. Essa é a função dele, tá? Além de, como a gente falou, traz o colorido para a vida, etc., etc. Mas em termos evolutivos, da arminianos, essa é a função dele, tá?
Mas também nós temos empatia pelo próximo e viver em sociedade. O conceito de empatia é o sentir a dor do outro, né? Mas a gente falou um pouco sobre neurônios espelhos na primeira parte. Eu só consigo sentir, me conectar com a dor do outro ou a alegria do outro, ficar feliz quando meu amigo ganha alguma coisa, ou quando qualquer coisa assim, né, ficar feliz pelo outro, se eu consigo sentir essas emoções em mim mesmo. Se isso está bloqueado em mim, eu não vou conseguir ter empatia, porque esses raizinhos das emoções do outro vão chegar, vão bater uma porta, um bloqueio, uma armadura, vão morrer. Eu não vou conseguir me conectar com o outro. Se eu não me conecto comigo mesmo primeiro, então eu tenho que estar aberto a sentir emoções. E aí sim, eu estou apto a sentir o que o outro sente, que é o conceito de empatia. Empatia faz com que nós não só gera bem-estar, mas faz a gente viver em sociedade, nos protege de ameaças e perigos.
Qual que é o papel do cérebro racional? É saber conversar com esse cérebro emocional. Às vezes, saber postergar desejos e gratificações imediatas quando necessário. Volta ao exemplo: se você está assistindo essa aula no final de semana, num dia bonito de sol, você pensa: "Puxa, poderia estar lá fora no parque me divertindo, não sei que meu amigo me chamou para sair. Eu tô aqui assistindo essa aula." Você está postergando, provavelmente, uma gratificação, dizendo: "Isso vai ser importante para mim." A informação. O cérebro emocional não tem essa capacidade. O racional, ele consegue ponderar isso. Mas, ó, que nem eu falei, Schopenhauer, a ideia de nós conseguimos ponderar, desde que uma calibração de alvo. O cérebro racional, ele vai se permitir a fazer isso, porque a gente vai entender que depois nós vamos ter uma recompensa maior. É como se dissesse: "Ó, a melhor maneira que nós temos de ter nossa necessidade emocional de autonomia satisfeita é assistindo essa aula e fazendo um curso, porque isso vai nos trazer uma gratificação depois, um dinheiro que vai nos dar liberdade." Então, a gente tá alinhado com um valor e uma necessidade. Se não tivesse propósito, por mais que vocês forçassem a barra, o cérebro racional não ia comprar, não ia dar certo.
Isso acontece, a gente vem psicoterapia. Daqui a pouco, é um jovem estudante que está fazendo um curso, né? Entrou na faculdade, não sabia qual curso escolher. Fez o curso lá e não está mais tendo sentido, não está mais gostando. Por mais que ele se force a ficar ali, não dá. Ele começa a faltar aula, ele começa a dormir na aula, ele começa mal nas provas. Não tem controle sobre isso, porque não está alinhado com uma necessidade dele. Da mesma forma, se você está num relacionamento, você sente que já deu, começa a pessoa se boicotar, começa a pessoa se esfriar no relacionamento. Os comportamentos começam a mostrar isso, porque não tem liga em relação às necessidades, os princípios, os valores que estão lá dentro, tá?
Então, o máximo que nós conseguimos fazer com o nosso racional é saber conversar com o emocional, desde que faça sentido às nossas necessidades emocionais, via de regra, nossos valores, OK? Então, veja, o cérebro racional, ele vai ter o papel de escutar as necessidades e gerenciar quando e como obtê-las. Às vezes, de forma momentânea. "Vamos nessa." Que bom. Às vezes, dizendo: "Segura a onda aí, porque vai ser melhor depois." É isso que nós conseguimos fazer com o racional, tá? Ele é condicionado, ele é preso, como se tivesse o cérebro racional aqui, certas correntes ou linhas, vai uma certas cordas amarrada ao emocional. Ele não consegue ter muita flexibilidade. Ele vai conseguir girar um pouquinho, né, para deixar a luz do sol entrar, iluminar que as necessidades, né, suprir o que nós precisamos. E essa é a função dele. Ajudar a nós termos as necessidades escutadas, mesmo que a gente não tenha noção quais são essas necessidades. O nosso comportamento vai ser em direção a elas. É a pessoa chega em terapia não sabendo porque que está agindo assim, porque está resignada, porque está evitando determinadas situações. Assunto para outra aula, mas a gente vai focar mais em processos psicoterapêuticos.
O experimento do Marshmallow é um experimento muito conhecido, divulgado na psicologia. Vocês podem colocar no YouTube também, vai aparecer vários videozinhos, várias versões sobre isso, que é o seguinte: via de regra, eles pegam crianças pequenas e colocam um marshmallow, ou uma coisa mais atrativa que o marshmallow, sei lá, uma bolacha Trakinas, um bombom, chocolatezinho, né? Na frente de um prato. Trakinas de morango vai bem, né? Gostava na minha infância. Morango, Nescau. Aí, aí não tem, não tem como postergar gratificação. Que que eles faziam? Botavam ali um marshmallow ou qualquer coisa gostosa na frente da criança e diziam assim: "Olha, pode comer agora e não tem problema. Mas eu vou sair da sala, fazer uma coisa aqui que eu tenho que fazer, enfim." A pessoa inventava, o adulto, né, que estava na sala com a criança, inventava que tinha que sair. "Quando eu voltar, tu não tiver comido esse marshmallow que está aqui na tua frente." Então, até a criança sentada na sala com o marshmallow e o adulto. O adulto disse que tem que sair. O adulto diz assim: "Se tu não comer na volta, tu ganha o dobro." Ou seja, se ele controlar o impulso de comer aquela comida, ele vai ganhar o dobro.
Algumas crianças iam lá, comiam. Outras crianças iam lá e não conseguiam comer. Eles fizeram uma espécie de estudo longitudinal e viram que as pessoas, as crianças que conseguiam ter um controle de impulso de não comer o marshmallow para ter a recompensa, via de regra, se deram melhor na vida. Claro, esses estudos são um pouco forçados na psicologia, porque não dá para inferir uma causalidade, né? Tem um trilhão de variáveis que podem ter influenciado para que o sujeito A se dê melhor na vida do que o B. Não foi isolada variável, dizer controle de impulso. Essa criança, por ter conseguido não comer o marshmallow, esperou a tia voltar e receber o dobro. Ou seja, ela tem controle de impulso, ela se deu muito melhor na vida por causa disso. Tem fatores econômicos, sociais, conjecturas aleatórias da vida, sei lá, teve pai, mãe, relação como é que era, afeto, não afeto, morreu alguém, não morreu alguém, oportunidades, enfim. Então, na psicologia, tem que se olhar com muita calma. Mas é interessante a ideia de que alguns conseguem postergar a gratificação, outros não, né?
Passo a passo para gerenciar nosso cérebro emocional: primeiro, nós temos que conhecer as próprias emoções. Nós temos que ter a capacidade de entender o que que a gente está sentindo. Normalmente, as pessoas referem a palavra "angústia", "aflição", essas palavras para o cognitivismo, né? A psicologia cognitiva é quando a pessoa não consegue discernir qual das seis ou sete emoções está sentindo: alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa, o desprezo. "Ai, eu tô angustiado." Parte do processo de psicoterapia é olhar para esse sentimento sem se desorganizar, se aproximar dele devagarinho e tentar entender quais as emoções que estão ali. Quais as emoções? Conhecer as próprias emoções, porque eu só consigo controlar depois de conhecer. Conhecer as próprias emoções, controlar as emoções, automotivação, reconhecimento das emoções nos...
Outros saber se relacionar interpessoalmente. Eu vou falar um por um agora desses, tá? Eu acredito, vamos ver. Não lembro os slides. É, acho que sim, tá? Conhecer as próprias emoções. Conhecer, como eu falei, conhecer e analisar suas emoções. Eu dei uma aceleradinha aqui, senão eu fico adiantando os slides, né, pessoal? Como faz tempo que eu montei eles, eu adianto aqui, depois vai ficar repetitivo. Então, vamos, vamos para conhecer as próprias emoções. Conhecer e analisar as emoções e as ações que você fazem em resposta aos estímulos, né? O que eu falei, entender o que que tá acontecendo em si. E aí entender que, ah, ok, aconteceu determinado tipo de situação, eu me senti com raiva e aí por isso que eu fui lá e gritei com a pessoa. Ah, ok, tá? Entendeu? É tu conseguir ter o ABC dos processos ali do que tá acontecendo. Que emoção ela convida um comportamento. Mas a gente, em psicoterapia, a gente vai se perguntar: "Ok, teve a situação, tu ficou com raiva e tu gritou com a pessoa. Que que passou na tua cabeça que te gerou raiva?" A gente vai analisar também a interpretação que a pessoa teve para sentir aquela emoção da raiva. Então, qual emoção estou sentindo? Alegria, tristeza, medo, nojo, raiva, surpresa, desprezo. Reconhecer. Qual a emoção? O primeiro passo: validação. Validação tem a ver com aceitar o que eu tô sentindo. Então, quando eu reconheço a emoção, eu poder dizer: "Ok, essa emoção está aqui. Não tem emoção feia, não tem emoção boa. Não tem algo é o que é. Estou sentindo raiva, tudo bem. Estou sentindo tristeza, tudo bem." Aceitar o que eu tô sentindo. A gente não escolhe o que que a gente vai sentir, tá? Então, não faz sentido lutar contra isso. É a mesma coisa que ficar com raiva porque eu tenho cinco dedos na mão. Falo menor sentido. Como controlar as emoções? Controlar é uma palavra meio forte. Eu trocaria ela, mas ok. Como lidar com as emoções, né? Como conviver com as emoções? Então, entender o porquê que eu estou sentindo o que eu estou sentindo. Isso também é um trabalho em psicoterapia. Ok, estou sentindo raiva, por que que eu estou sentindo raiva? Eu estou triste, por que que eu estou triste? Pergunta é: "Por quê? O que que está passando na minha cabeça? Qual o pensamento? Qual interpretação da situação? O que que está acontecendo ou como está, como estou interpretando o que está acontecendo que está fazendo com que eu sinta essa emoção?" Entender porque eu estou sentindo. Entendeu? Porque estou sentindo o que estou sentindo, tá? Vamos ver esse exemplo aqui, passo a passo, para iniciar nosso cérebro emocional.
Exemplo: Eu estou sentindo raiva porque meu chefe pediu, entre aspas, para eu trabalhar no feriado. Aquele pedido amigo dizendo assim: "Tu se importaria de vir aqui no sábado? Eu sei que amanhã é feriado, mas a gente tem que estar com agenda apertada para semana que vem. Seria ok para te enviar?" Pergunta assim, super, nem um pouco capciosa, onde a pessoa se disser que não, pega mal. Ela não quer ir, ela tem que dar aquele sorriso no rosto: "É claro, não tem problema nenhum, né? Já tinha marcado mil coisas para fazer no feriado." Não tinha nada programado. "Eu venho, adoro." E aí a pessoa sente raiva quando ele faz esse pedido. Então, a situação: meu chefe pediu para eu trabalhar no feriado. Emoção: raiva. Qual a interpretação do evento? "Eu me senti violado. Ele não me respeita. Ele acha que eu não tenho mais nada para fazer da vida, que minha vida é trabalhar, etc." Esses pensamentos, vejam, lembra da emoção raiva? "Me senti violado, me senti ignorado, me senti abusado." Essa interpretação do evento que gerou a emoção de raiva.
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Esse é um exemplo de como você pode entender porque você está sentindo o que está sentindo. Ok, sentir raiva porque eu me senti violado. Porque meu chefe foi lá e fez uma solicitação indevida ou chata, e eu senti raiva. Ok, como que a raiva se manifesta no meu corpo? Por que que eu senti ela? Beleza. Como que eu lido com a emoção agora que eu entendi o que que eu tô sentindo? Como que eu lido com essa emoção? Aí, no momento que eu me afasto, consigo ver o que eu senti raiva porque meu chefe fez um pedido, eu me senti violado, certo? É a raiva diretamente. Se a gente não faz essa análise, ela vai convidar um comportamento agressivo. Você não toma isso, não vou sair batendo porta ou qualquer coisa do tipo. Faz parte da inteligência emocional. Uma vez que a gente consegue reconhecer não só a emoção, mas a interpretação da situação que gerou a emoção, nós conseguimos conversar com essa interpretação, com esse, com esse pensamento automático que veio. Nós gerar um pensamento alternativo. Então, antes de mais nada, nós temos que validar a emoção. Ok, eu estar com raiva, dada essa situação onde eu fui violado pelo meu chefe. "Pô, na cabeça pode ser filha da..." Mesmo. Ok. E aí, inteligência emocional é eu me perguntar: "Qual o melhor momento para manifestar essa raiva?" Eu não vou reprimir ela, recalcar ela, já esquece, tá tudo bem. Que daí depois eu vou ter uma dor de cabeça, um problema intestinal. Eu vou descontar no meu cachorro, lá que nem na imagem, no meu gato. Mas no momento, no momento que eu tô ali com meu chefe, eu digo: "Ok, eu vou recalcar aqui um pouquinho." E depois, qual é a melhor momento para manifestar a raiva? No trabalho, ali, xingando o chefe? Talvez não seja. Eu falar mal do meu chefe para o meu companheiro, desabafar. Aquele "filha da..." Olha lá o que ele fez. Tá pensando? Pode ser que sim, se tu acha que o companheiro se conecta com isso. Ou no chuveiro, né? "A desgraçada, não sei o que ele fez." Para fora, ventila a emoção. Valida a emoção. Isso já foi uma regulação emocional. No momento que eu sei que eu vou poder manifestar essa raiva mais tarde, também torna-se mais fácil de não explodir na hora. E no momento que eu entendo o que que eu tô sentindo na hora, torna-se mais fácil também eu não explodir na hora, eu não agir como um animal que não tem esse cérebro racional. Ok? Então, isso é um processo que talvez da primeira vez seja difícil, a medida que o segundo um pouquinho menos, a terceira um pouquinho menos. É um músculo que nós vamos exercitando devagarinho. Que que eu tô sentindo? Por que que eu tô sentindo? Validar o que que eu tô sentindo. É o que eu tô sentindo essa emoção. Qual a melhor hora de manifestar isso? Como ele é o momento para manifestar isso? Ok.
Por exemplo, tá difícil não manifestar a raiva quando eu tô numa discussão amorosa com meu parceiro. Fernando, eu vou lá e xingo ele, agride ele. Que é muito comum uma discussão de casal. As pessoas tendem a ficar no modo ataque ou defesa, um tocando na ferida do outro, né? Então, quando alguém diz: "Ah, eu não gostei que fez aquilo." A pessoa, em vez de tentar dizer: "Puxa, eu vejo frustrado. Eu não quis te machucar, mas é que da minha perspectiva aconteceu assim, assado." Ou seja, simpatia, desconectar com a emoção do outro para acalmar o outro. O que não é muito simples, mas é o que nós temos que tentar fazer. A gente entende a se sentir atacado. Quando a gente sente atacado, que que vem? A raiva nos proteger. A gente agride o outro. A gente vai lá e pega na ferida do outro. "Ah, mas tudo também aquele outro dia fez assim, assado." Aí o outro sente atacado, nos ataca de volta. "Ah, mas tudo também não sei o que, não sei o que lá." E aí começa, ficou bem vicioso, ruim. Se a gente não consegue... Ah, não consigo controlar a raiva nesse instante. Fernando, pede um tempo dizendo: "Eu tô com raiva, vou me afastar um pouco." Vai no banheiro, joga água na cara, sai da cena. É isso. Isso corta o incêndio. Isso corta esse efeito em cadeia, tá? Isso também é regulação emocional. Não tô conseguindo lidar muito bem com essa emoção. Pausa e se afasta. Perde tempo.
Exemplo: Então, por exemplo, pode acontecer também. Coitado do chefe, né? Chefe disse que todos vão poder fazer um feriadão estendido. Ah, ok, vai dizer que o chefe tá de bom humor. Chega lá, tem um feriado na quinta-feira, Corpus Christi, na quinta-feira. Aí eu falei o Fred assim: "Ok, sexta-feira vocês não precisam vir trabalhar." Vai ser feriadão, quinta, sexta, sábado e domingo. Algumas pessoas vão se sentir alegres, vida, né? E aí você começa a se sentir triste. Imagina, começa a bater uma tristeza. Lembra, as emoções, elas não, elas não pedem assim: "Ai, pera aí, eu vou aparecer aqui e você não controla." Ela vem. Vem uma tristeza. Como você se sente triste? E aí o papel é: "Ok, por que que eu estou triste?" Primeiro, talvez seja o desafio conectar com a ideia do feriadão. Ah, porque eu vou ter um feriadão que ele tá solto daquela tristeza, né? Então, tu identifica a tristeza, aquela coisa mais apática, aqueles gatilhos, os marcadores que a gente falou lá na primeira aula de ombros retraídos, etc. Uma coisa no peito. Ok, tô triste. Por que que eu tô triste? E aí tenta fazer essa pergunta aqui: "Porque que eu estou triste?" Digamos que diga: "Ah, porque eu me sinto sozinho. Terminei recentemente com meu namorado e às vezes até melhor trabalhar para me ocupar, ocupar." Amém. "Eu vou ficar tantos dias sem ter o que fazer." Ou feriadão me remete quando eu saía com ele para a gente jantar. Então, tô triste pelo término. Entendeu? Vocês começam a navegar porque que eu estou triste. E triste com término ou triste porque eu estou sozinho? Tem a ver com a necessidade emocional de conexão. Isso é um início de regulação emocional. A identificando essa necessidade, vocês podem novamente sempre acalmar esse lado dizendo: "Ok, tu tá triste, tudo bem. A gente tá um pouco chateada e mal, que é natural quando tem um rompimento. A gente queria estar com alguém, mas lembra que a gente terminou porque não tava legal o relacionamento, né? Mas é natural a gente sentir falta de alguém. Tudo bem essa tristeza tá aí. Vamos ver como que a gente pode se distrair? Vamos ver se a gente pode chamar um amigo? Vamos ver se a gente pode fazer algo bacana aí no shopping, tomar um sorvete, no cinema, convidar alguém para dormir lá em casa." Ou seja, no momento que eu identifico porque da minha tristeza, da necessidade não suprida de conexão, eu posso tomar ações compromissadas para acalmar esse lado. E só de perceber o que que está doendo, isso por si só já acalma. Vai por mim.
Então, supondo que nada disso acontece, você não faz essa regulação emocional, você só fica triste, engole isso, não coloca um lugar nenhum, recalca, como diz o Freud. E aí você suprime essa noção. Recalque. Mais tarde, no trabalho, o colega pede um relatório para você, educadamente. E aí tu começa a chorar do nada, né? Desloca isso, coloca no objeto errado. Tem nada a ver com relatório ou colega. E o colega vendo chorar porque me interagiu com ele, começa a interpretar que tu não lida bem com pressão, que ele fez algo para machucar e começa a te evitar. Perceba, porque o outro não tem bola de cristal e não vai entender quais são as nossas necessidades, o porquê que a gente tá mal. Se a gente nem mesmo nós vamos entender, como é que o outro vai entender? Então, nesse caso, se a gente entender o que que a gente está passando e tivesse até uma assertividade de conversar com o colega dizendo: "Puxa, desculpa, a hora que eu tô um pouco triste porque causa do feriadão, enfim, eu terminei meu relacionamento. Tem nada a ver com relatório e tal, contigo. É porque eu tomei mais para baixo mesmo na minha vida pessoal." Inteligência emocional. Você expressou para o outro o que que estava acontecendo para não gerar um grau de confusão, né? Então, o que que você deveria fazer? Vamos lá. Aceitar a emoção de tristeza. Ok, essa tristeza tá aí. Eu já falei, entendeu porque que ela tá aí? É a época do feriadão, é porque eu vou me sentir sozinho, certo? Se for difícil eu não chorar na hora, assim com uma raiva que a gente falou, se retira para um local mais reservado. Isso também é inteligência emocional, né? É de novo, contrato social, o ID versus Super Ego. Não posso chorar ali na frente, no meio do escritório. Pessoas não vão lidar bem com isso. Então, vou que vou ali no banheiro, chora um pouquinho, desço, né? Contigo, desce para fumar um cigarro ou numa lanchonete ali do lado, alguma coisa, ou digo que não tô bem, dou uma saída estendida do almoço, qualquer coisa assim, né? Pede apoio para algum colega mais sensível que compreende o que você tem mais conexão. Liga para um amigo, familiar, manda um WhatsApp para alguém. Tudo isso são estratégias para lidar com aquela emoção no momento, né? Se necessário, dizer para o chefe que você tá triste. "Já não tô passando bem. Aconteceu uma situação tal, pessoal. Eu vou pedir para tirar o dia de hoje, se for ok." Comunicando ao outro, ok.
Automotivação. Deixou meu slide tá para ver como apresentar. Ah, ok. Aqui, aqui esses marcadores são do Goleman, tá? Por isso que normalmente eles têm outras palavras. Eu queria ver o que ele quis dizer com isso aqui. Automotivação do Daniel Goleman, que quando eu dei esta aula na pós-graduação, eu dei junto com o Daniel Goleman. Então, tinha que seguir o roteiro do passo a passo lá. Na dele, eu usaria outras palavras. Por isso que tudo bem, dá para dá para traduzindo a coisa aqui. O ponto é lembrar que ao entrar em contato com as nossas emoções, eu consegui validar elas, né? Aceitar elas e ver como colocar elas no mundo, ok? Não vou manifestar agora, manifesto depois. Vou requer coragem. Sentir tudo isso, né? Coragem de sentir, vulnerável, muitas vezes. E aí o Daniel Goleman, ele coloca um ponto de "outros motivação", que é: "Lembre-se que fazendo isso vai dar bom. Fazendo isso, você vai conseguir se aproximar dos seus valores, dos seus objetivos. Você vai se tornar mais equilibrado. Você vai sentir as coisas com menos intensidade, porque você vai aprender a como sentir." No momento que a gente aceita o que a gente está sentindo, isso diminui por si só. É o esse efeito é o efeito. Quanto é uma criança fazendo birra? Olhem para mim, né?
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Você ignora a criança, só aumenta. Se você chega junto da criança e diz: "Ok, eu tô te vendo. Eu sei que tá chateado. Pera aí, mas agora não vai dar para a gente fazer assim, mas eu tô aqui." Criança vai murchando, vai acalmando o narizinho, olhinho. E aí, ok, acalma. É a mesma lógica, tá? Então, a saber lidar com as nossas emoções, ao adquirir inteligência emocional, embora seja um pouco desconfortável, porque requer a gente sentir coisas e sentir, muitas vezes, tristeza não é algo puramente agradável, ele coloca: "Lembre-se que eu, saber utilizar as emoções, você chegará seus objetivos." A gente não tem medo de sentir as emoções, ok? É uma oportunidade para a gente em direção aos nossos valores e necessidades. A gente só vai entender claramente os valores e as necessidades se a gente escutar o mensageiro. Se a gente matar o mensageiro, a gente fica divorciado do verdadeiro self do falso self, ok?
Exemplo: Me sinto triste constantemente no meu trabalho. Eu vou lá, abatido, chateado. Ao reconhecer essa emoção, é uma oportunidade de me perguntar: "Porque? Porque que sempre quando eu venho trabalho eu tô triste? Porque que eu tô sentindo essa tristeza? O que que ela quer comunicar? O que que eu tô sentindo falta?" Tem a ver com a situação atual do trabalho em si? Ele tá conectado com algum valor? Tem alguém me machucando aqui? Ou tá desconectado de algum valor, né? Tem alguém me machucando aqui? Ou foi só um gatilho? Gatilho, a gente chama assim, algo que aconteceu que fez com que ativasse em mim essa emoção de tristeza, que na verdade esse algo que aconteceu não tem a ver com a situação em si, mas tem a ver, na verdade, com a minha história, com a minha vida, com meu passado. Por exemplo, um gatilho que a gente trabalha. Por exemplo, o chefe, um colega, numa reunião, falou de forma mais firme com uma outra colega, e você assistiu isso e começou a se sentir incomodado e não sabe por quê. E você tenta analisar a situação, diz: "Não, tudo bem. Essa situação cabia. Foi uma discussão mais firme, mas todo mundo foi educado e tal, mas o tom de voz dele pegou em você." Em terapia, a gente pode ver que, na verdade, era assim que seu pai, quando estava chateado e bravo, se impunha em relação a você. Mais firme. E você não quer decepcionar o pai. Lembra da primeira aula? A questão do vínculo importante da ideia de que eu tenho que ser amado pelos meus cuidadores para ser aceito. Então, isso é um gatilho, entendeu? De uma situação passada. Não tem a ver com a atual. Tem a ver com marcas minhas, com feridas que eu tenho dentro de mim, com crenças e esquemas que eu tenho dentro de mim. Isso também a gente trabalha em psicoterapia, né? A pessoa identificar no seu histórico de vida quais são as suas crenças, quais são seus esquemas, quais são suas feridas de guerra da sua infância, para que não fiquem ela sendo ativadas atores de direito também em situações presentes, tá? É claro que aqui tem a ver com uma situação atual por um gatilho. Ter esse alguém em um processo de análise, psicoterapia, para conseguir ter essa leitura, né? A pessoa tem que se conhecer. E feridas vão ter um adequado, porque todos nós, independente de quão bons pais sejam, vamos ter falhas na nossa infância. A gente vai ver isso numa aula de terapia do esquema. Todos vão ter. Todos nós vamos ter passar por uma infância, é uma certa guerra, onde a gente vai ter que sobreviver. Vão ter falhas. A gente tem que se adaptar aos nossos cuidadores. Nossos cuidadores, lembram, precisa de uma tribo para criar uma criança. Aqui é só pai e mãe, às vezes sua mãe, às vezes só pai, às vezes só avô. Esse pai e mãe tem que trabalhar, então vamos ter ausências, vão ter faltas. O pai, às vezes, vai ser mais ríspido porque tá cansado, porque veio do trabalho, porque vai te contar na gente, etc. Tudo isso vão criando pequenas marcas, pequenas feridas, pequenas que é pequenos esquemas. Nós vamos ter que aprender a lidar na vida adulta, tá? Todos nós, lá do texto, somos sobreviventes de uma infância. Todos nós vamos ter cicatrizes e marcas de guerra. E aí, processo da psicoterapia, também a gente muitas vezes revisitar esse passado, entender quais são essas marcas, essas cicatrizes, passar um paninho, funcionar, limpar, cuidar disso, para que quando gatilhos acontecerem no presente, doa menos, tá? Fechar esse parênteses gigantesco que eu falei aqui, mas só para não ficar solta a mensagem, tá bem?
Voltando: automotivação do Goleman. Entenda que esse processo é um processo que vai fazer com que você tenha mais controle sobre si mesmo, dentro do que dá para ter, mas entendimento sobre si mesmo. E aí você vai poder ir mais em direção aos seus valores, seus princípios e, principalmente, as suas necessidades que estão ali dentro. Quanto menos a gente lutar contra a gente mesmo ou ignorar a gente mesmo, mais congruência a gente vai viver, ok? Sei que as coisas estão difíceis agora, mas é uma oportunidade para melhorar no que eu realmente preciso. Reconhecimento das emoções nos outros é o conceito de empatia, que a gente já falou um pouquinho aqui, né? A empatia é aprender a se colocar no lugar do outro, reconhecer as emoções dos outros e entender os seus comportamentos. Isso nos torna, eu diria, compreensíveis. Nos torna ser humanos. Mas, de novo, para ter empatia, eu tenho que estar conectado às minhas próprias emoções, senão eu não vou estar apto a receber a do outro, certo? E o inteligente, também, que o interessante é o seguinte: no momento que a gente consegue entender a gente mesmo, a gente também começa a ter uma certa empatia e compaixão com o outro. Quando o outro se desregula um pouco emocionalmente, o outro também é uma, e vão participar também, não faz psicoterapia. Análise e super domina assim mesmo. A maioria das pessoas, elas agem sem conhecer a si mesmo, mas elas são marionetes do próprio eu. Fora de quem estuda psicologia ou filosofia, as pessoas nem têm ideia do que que elas estão sentindo, tipo que elas estão agindo. Então, tem um pouco de compaixão em relação a isso, de entender que o outro não fez por mal, de que o outro não tem a consciência do que que tá acontecendo, né? A reação do outro, talvez, não diga respeito a mim, mas é uma reação que tem algo a ver da pessoa com ela mesma. Então, quando alguém te agride, pode ter certeza que não diz respeito a ti, diz respeito a alguma falta que aquela pessoa tem com ela mesmo, alguma insegurança que aquela pessoa tem com ela mesmo. E isso é compaixão. Fica bem Hauer vai trazer como uma das maiores virtudes, eu acho que todo a linha de filosofia, de filosofia, né? Os estoicos também, com Marco Aurélio, num livrinho que ele tem chamado Meditações, que era um diário que ele tinha, e falava: "Lentes, que eu acordar hoje, você vai lidar com pessoas piratas, as pessoas que vão me agredir, pessoas que vão querer fazer coisas para te atingir." E dizer: "Eu perdoo essas pessoas. Eu tenho compaixão por essas pessoas, porque elas não sabem o que fazem." Então, é nessa linha, mais ou menos, a ideia de aceitação. Albert Ellis, né? Comportamental, junto com falava, né? Aceitação condicional de se educar. Nesse sentido, claro que chegar nesse nível é o supra sumo, né? Aí nós nos tornamos Buda. Nós não precisamos, mas exercitando a inteligência emocional um pouco na gente, a gente também consegue ter um pouco mais de compaixão. Não faço a menor ideia porque eu coloquei essas fotinhos, tá? Mas a mensagem tá passada. Deveria ser uma história que eu ia contar. Enfim, não lembro da história.
Saber se relacionarem interpessoalmente. Óbvio, né, gente? É tudo isso é saber se relacionar interpessoalmente, né? Saber conseguir ter uma boa relação com as pessoas é a consequência a gente conseguir ter uma boa relação com a gente mesmo. E ter uma boa relação com a gente mesmo tem a ver com escutar as nossas emoções, saber lidar com elas. É isso. Então, muitas pessoas chamam de habilidades sociais. Ponto chave para o sucesso. E aí, sucesso também empresarial é a gente ter habilidades sociais, a gente saber postergar gratificações, não explodir numa hora que não pode explodir, acalmar o nosso eu, mas também manifestar quando a gente quer manifestar depois, em casa, no pessoal, no privado. Saber ler do outro qual emoção que ele tá sentindo, até para jogar isso ao nosso favor, se a gente quer alguma questão empresarial, política. Mas para saber ler a emoção do outro, a gente tem que saber identificar na gente, senão essa frequência vai passar totalmente despercebida. Então, inclusive, no sentido mais, entre aspas, perverso, mas que existe nas empresas de manipulação política, propaganda, a inteligência emocional ajuda no sentido da gente conseguir compreender o cenário e saber jogar nesse cenário. Ambiente positivo ao seu redor. Com certeza. Devo me lembrar que nem sempre vou ter minhas necessidades atendidas o tempo inteiro. Isso é importante. Um dos erros de muitos terapeutas iniciantes, e que às vezes os prevencionam, é que o paciente deles traz que está privado emocionalmente, que não tá tendo uma necessidade atendida. Identificando a necessidade e que o outro parceiro do paciente não dá, então relacionamento é ruim, então não presta, não pega. A gente vamos com calma. Lembra do choque do homem com a civilização? Na vida adulta é ok. Nós temos privações. Nós não vamos ter tudo que a gente quer e tudo que a gente precisa o tempo inteiro. E o parceiro não tem que nos dar isso. Ninguém tem que ser nosso pai, nossa mãe, né? E nem nosso pai, nossa mãe conseguiram que são parceiro é um peso muito grande. Nós temos que aprender a lidar com uma certa privação, seja de momento, seja da vida, seja das circunstâncias. E ver formas de acalmar isso e trabalhar com as ferramentas que a gente tem. Ok? Isso é maturidade, tá? Então, lembrar que nem sempre vou ter minhas necessidades atingidas o tempo todo. Sabendo abrir mão de ganhos de curto prazo para médio e longo prazo de forma equilibrada. Que tem pessoas também que passam do ponto, né? Não se recompensam em nada no presente e só investem seu futuro. Essa pessoa morre de sede, certo? É como se tivesse atravessando um deserto, ela não para às vezes para beber uma aguinha. Nós precisamos ter descanso, lazer e boas relações no presente. Sem isso, o cara não consegue correr essa maratona. Você não consegue pausar toda sua vida e jogar ela para o futuro, porque daí você some. Então, sabe fazer isso de uma maneira equilibrada também é inteligência emocional. Mas como é que eu sei o isso? Tem a ver com escutar minhas necessidades. E todo esse processo que a gente está falando, né? Como é que eu sei onde que eu quero chegar? Escutando as emoções, indo até as necessidades emocionais e vendo o que que me falta. Sabendo os meus limites e dizer não de forma assertiva. Eu vou gravar um vídeo no futuro sobre isso com maneiras de dizer não de forma assertiva, que é um grande desafio da sociedade hoje em dia. Hoje nós vivemos na sociedade de inúmeras possibilidades, não diria oportunidade, de possibilidades. Então, saber dizer não para nosso próprio investimento de tempo em algumas dessas possibilidades ou até convites, eventualmente, de oportunidades, é também uma habilidade, né? Porque se a gente se coloca a todo na agenda dos outros, de novo, a gente some. A gente precisa saber dizer não e frustrar o outro de uma determinada forma, às vezes, para dizer um sim para gente, para se proteger. Quando algo. E como é que eu sei o que quando que eu digo não ou quando que eu digo sim? Quando eu tô conectado aos meus valores. Que que tá conectar os seus valores? A pessoa aberta à experiência emocional, porque as emoções, de novo, elas vão ajudar na escolha. Lembra do fim das Gate? Elas vão ajudar a guiar no que que tá ali de necessidade, o que que eu quero para minha vida, o que que eu busco para a vida. E aí vai ser mais fácil direcionar um sim ou não, tá bem? Mas muitas vezes, no mundo de hoje, dizer um não para o outro é um sim para gente, pelo excesso de demanda. Sabe esse relacionamento?
Então, um exemplo. Vamos ver que que eu coloquei aqui. Na quinta, o chefe pede um relatório para sexta, que será apresentado na reunião. E você já tá com cronograma lotado de atividades e reuniões. E aí vai ter que separar para fazer tudo que você tá fazendo, atrasar tudo que você tá fazendo, se ralar depois, porque ele pediu esse relatório. Aí eu identifico uma emoção na hora, né? Raiva. Começa a sentir raiva. E tá passando na minha cabeça: "Ah, meus limites estão sendo violados." Eu entendo racionalmente que eu que não posso dizer não naquela hora para o meu chefe, da daquela circunstância. Vamos supor que nesse exemplo, não dá para dizer não para o chefe, porque pega mal. Eu manifesto a raiva por ele? "Desgraçado!" Não, né? Só traria prejuízo. Então, eu deixo para responder o e-mail do chefe após a respirar fundo, lavar o rosto no banheiro, um tempo para refletir. Eu escrevo o e-mail no momento em que a emoção veio como aonde já baixou um pouco. Baixou porque eu reconheci ela dizendo que eu tô com raiva por uma situação injusta. Válido tá sentindo isso. Confia em mim. Isso vai fazer com que a emoção, aquela criança, diminui. A mensagem já foi passado. O propósito da raiva já foi comunicada. E você escutou. Se você não escutar, ela fica batendo para você escutar, batendo em você, né? Top, top, top. Mande você escuta, ela dissolve um pouco. E aí você vai escrever o e-mail quando você não tiver nesse estado. Vai colocar lá no corretor português, é perguntar para um amigo, olha o que que você não colega, que você acha dessa resposta. Responde de uma maneira assertiva. Isso é inteligência emocional. Dizendo para si: "Aceito que foi injustiçado. Tenho direito de me sentir mal com isso." Mas aí eu deixo para manifestar senso de dizer, sem raiva, desabafar com meu amigo, como a esposa, com meu esposo, uma pessoa mais próxima onde vai me escutar, da minha colher um ambiente que eu possa manifestar e falar mal disso, ok? Supondo que eu possa dizer um certo não para o chefe, uma maneira assertiva. Por exemplo, ah, não seguindo a mesma ideia. Eu não posso dizer não para este relatório específico, mas olha que legal como se você pode escrever: "Puxa, vejo que esse relatório é muito importante. Você pode contar comigo. Entretanto, eu já havia designado para outras atividades que me encheriam tempo até amanhã." Entretanto, eu já havia sido designado para outras atividades que me encher o tempo até amanhã. Uma vez que a gente está sem tempo hábil para execução de todas essas tarefas propostas, qual dessas atividades a seguir você prefere que eu deixe para executar depois para dar preferência a esse relatório?" Veja que assertividade. Você tá dizendo: "Ok, eu vou fazer esse relatório." Você não disse não para o relatório, porque não dava para dizer não. Mas você disse: "E que que eu faço com esse resto aqui?" Só de uma maneira assertiva, dizendo: "Tá bem, eu vou fazer esse relatório, mas eu tava fazendo esses outros projetos aqui em ordem. A gente conseguir fazer esse relatório que é importante, mesmo que que tu acha que eu abro mão aqui ou postergo, deixo para depois?" Veja que elegante. Se você tivesse agido com a raiva naquele momento que ela veio, dizer "Desgraçado, olha aqui, não sei o que é..." Eu tô evitando falar palavrão, que eu li que o YouTube não gosta de palavrão, então eu tô falando "desgraçado", "seu boboca". Às vezes sai. Eu adoro palavrão, acho que é uma forma de a gente se expressar de uma maneira natural, entende, né? Já recebi uma vez o feedback de uma senhora lá: "Adorei tua aula, muito didático, muito bacana, tá aula, e aí explica super bem. Ah, mas tem muito desbocado." Eu gosto, porque palavrão, como se fosse um ponto de exclamação, ele pontua. E eu acho que toli isso, de certa forma, também é a gente domesticar em excesso um pouco animal, né? Tudo bem, fala palavrão, mas enfim, YouTube não gosta, então a gente vai controlar aqui. Palavrão significa xingar os outros, né? Só para deixar claro aqui. Mesmo, enfim, acho que deu para entender. Palavrão em relação ao assunto para pontuar, ele clamar, ele tá bem volta. Olha que assertivo, que bonito isso, né? Que elegante o ponto que a gente traz para o chefe aqui, certo?
Vantagens da inteligência emocional. Espero que já tenha dado para compreender, né? Quais que são? Mas vamos lá. Além de manter boas relações, além da gente conseguir ter um equilíbrio com a gente mesmo, além do efeito colateral da gente manter boas relações é o nosso bem-estar. Aprendendo a lidar melhor com as emoções difíceis como raiva e tristeza. Mais sucesso profissional, porque a gente troca uma pessoa mais equilibrada. É menor nível de stress e ansiedade significativamente. Hoje, a palavra estresse é muito presente no mundo contemporâneo. Estresse, laser, lace, cortisol ativado o tempo inteiro. Cortisol, hormônio de estresse, que ele faz com que a gente consiga lidar. Ele é feito para a gente lidar com situações pontuais de stress agudo. Tipo, aquela eu tô na savana, vem um tigre. Eu me estresso, resolva a situação, ou tigre me comeu, eu venci o tio, ou eu fugi. Em dois minutos, tá tudo resolvido. Que o cortisol baixa, tá? A gente vai ver isso quando falar da aula de TEPT, transtorno de estresse pós-traumático. É uma aula que vai ter que pega muito essa questão do estresse crônico. Mas como a gente, no presente, fica criando leões e tigres imaginários na nossa cabeça, né? Nos projetos no futuro, lá que eu falei do medo, ansiedade, o cortisol fica sempre ali presente. E quando eu não lido bem com as emoções, não reconheço elas, não acalmam elas, essa criança fica chorando, o cortisol fica ali presente. E o cortisol presente em excesso, ele começa a ser danoso, tóxico para o nosso corpo. A gente vai ver isso melhor na aula de TEPT. Afeta nosso sistema imunológico, faz nós termos mais predisposição ao corpo se auto se atacar, né? Ter doenças autoimunes, predisposição a câncer, porque isso mina as nossas células, ter as células que protegem ali, que fazem a limpeza celular de células cancerígenas, enfim, todo um processo, tá? Com inteligência emocional, sabendo aceitar as nossas emoções, validar as nossas emoções, a gente diminui nervos de ansiedade e estresse. Diminuição das discussões nos relacionamentos por motivos óbvios, né? A gente consegue escutar mais o outro, a gente consegue se posicionar com mais assertividade, expressando como a gente se sente, não atacando o outro. É o relacionamento, ele não tem que ser uma partida de tênis. É uma partida de tênis é: manda uma bola difícil, o outro rebate uma mais difícil ainda, porque o objetivo é um vencedor. Normalmente, casais querem um vencedor. Um relacionamento tem que ser um jogo de frescobol. Frescobol, aquele esporte que é um ficar jogando com raquete, bolinha para o outro, mas a bolinha não pode cair. É dupla, tem o mesmo propósito. Ninguém quer vencer de ninguém. Então, se alguém joga uma bola difícil, você tem que tentar se esforçar para jogar uma bola na mão da pessoa e ajudar um grupo. Mas a gente consegue fazer isso com mais clareza, tendo inteligência emocional, tendo essa abertura para sentir as nossas emoções, para saber manifestar daí para o outro qual necessidade não está sendo suprida que está nos chateando. E também abertura em prática de escutar qual a necessidade do outro que não está sendo escutada. Mais clareza nos objetivos e ações baseadas nas suas necessidades. Então, é isso. Eu consigo saber para onde que eu quero ir, qual que é o meu propósito, porque eu consigo escutar as minhas necessidades. E com isso, construir o que a gente chama dos meus valores, tá? Qual caminho que eu tô tomando? Eu tô gostando disso? Eu não tô gostando disso? O que que tá me faltando? No momento que eu consigo escutar o que tá me faltando, porque a gente já falou na aula, a tristeza é um marcador de realidade. A dor é um marcador de realidade. Que que eu quero dizer com isso? Quando dói, significa que desviou de alguma forma da rota. Dói de uma forma crônica, né? Que às vezes a gente faz coisas boas. Existe uma dor boa, né? Quando eu vou na atividade física, no início me dói, mas é uma dor boa. Agora, eu digo quando dói de forma crônica, quando a tristeza fica ali sempre presente, significa que talvez aquele caminho tem alguma coisa de Espinosa que não tá sendo boa para nós. Então, quando eu consigo me sintonizar com isso, escutar a tristeza, que essas partes da inteligência emocional, eu consigo mais claramente tomar caminhos que sejam melhores para mim. Facilita a minha tomada de decisão. Melhorar a administração do tempo e produtividade. Então, passo a passo. Percebeu o que que eu tô sentindo? Compreender o que que eu tô sentindo. Tá relacionado à situação atual? O que que quer me comunicar? O que que eu tô sentindo quer me comunicar? Qual que é a mensagem? E aí eu vou para o gerenciamento. Qual e quando é a melhor maneira de manifestar o que que eu tô sentindo? Os exemplos que a gente deu ali com o chefe, né? Que que eu tô sentindo raiva? Que que eu tô sentindo? Tá relacionado à situação atual? Sim. Eu me senti invalidado pelo chefe, me sentir agredido pelo chefe. Ele gritou comigo. Ele, sei lá, ele disse para eu trabalhar no sábado. Me sentindo que que essa raiva quer me comunicar? Ah, que eu me senti invadido. Ok, tá valendo, né? Ok, eu senti essa raiva. Sim, eu fui invadido aqui. Ok, tudo bem. Agora, qual é a melhor maneira? Qual e quando é melhor maneira de manifestar o que eu tô sentindo? A mão posso esperar para chegar em casa e contar para o meu marido? Ia falar uma palavra, o "desgraçado", meu chefe foi isso. Já ajuda. Eu vou ter uma válvula de escape. Depois, eu não vou gritar aqui com o chefe, seu "desgraçado", para ele. Importantíssimo. Espero que vocês tenham entendido até aqui esse ponto da aula. Se não entendeu, tem que rever toda a aula. Brincadeira. Inteligência emocional é diferente de não sentir. Muito diferente. Porque numa linguagem popular, as pessoas que não sentem, se sentem, né? "Ah, ele tem muita inteligência emocional, ele é uma rocha, ele é frio." Isso não é inteligência emocional. Inteligência emocional é sentir, entender o sentimento, qual a necessidade por detrás e saber quando manifestar comportamento, né, de alívio sobre aquele sentimento. E também daí tem uma leitura de como agir naquele presente momento. Isso é inteligência emocional. Não sentir não tem nada a ver com inteligência emocional. Então, quatro resumo: eu sinto uma emoção. Essa emoção, ela convida a ação. A emoção é o motor do comportamento. A raiva convida o gritar com alguém. A tristeza convida eu chorar, eu buscar ajuda, ligar para um amigo, sei lá, né? O nojo faz com que eu tire um alimento de perto. É a barriga que ronca que me dá fome. Eu sinto uma emoção. Essa emoção convida a ação, comportamento. Antes da gente fazer emoção, comportamento, como se fosse um animal, entra no nosso cérebro. Um animal assim que não pensa. Entra o nosso cérebro racional. Aqui são os animais. Os animais são assim: sempre uma emoção, age. Nós vamos ter o nosso cérebro racional que vai tentar escutar mensagem dessa emoção. Por que que eu estou? Qualquer emoção? Por que que eu estou sentindo essa emoção? Isso vai ter a ver com uma necessidade não suprida: conexão, autonomia, segurança. Aí eu tenho que distinguir essa necessidade não suprida. Se tem a ver com a situação atual mesmo, ou você tem uma situação específica do passado que é uma ferida aberta que não foi muito bem resolvida, que tá me doendo ali. Quer ver um outro exemplo disso? Isso a gente vem psicoterapia, tá? Infelizmente, é difícil de fazer sozinho, mas vocês podem sempre se perguntar: "A situação atual tem a ver com que eu tô sentindo, né?" Por exemplo, chefe que gritou comigo, senti raiva. Ok. Ah, o meu vestido, a camisa social que eu tô ali no trabalho, rasgou e eu começo a chorar desenfreadamente. Provavelmente vai ter uma situação do passado que tem a ver com isso, né? Não uma situação atual. Coisas desse tipo. Tiver um exemplo de uma situação passada em breve. Parentes, só para não ficar muito solto isso. Uma paciente que daqui a pouco teve uma infância instável em relação à necessidade de conexão. Pais que davam carinho, daqui a pouco não dava, daqui a pouco não dava. O pai disse que quer comprar cigarros, nunca mais voltou, abandonou essa paciente. Então, paciente tem essa ferida aberta em relação à necessidade de conexão. Ela lê a ideia de que os vínculos não são seguros, que o outro tá ali, mas pode a qualquer hora não estar. E essa paciente, daqui a pouco, tá namorando e o namorado vai no shopping, sei lá, shopping, e ela fica em casa. E aí começa a dar uma angústia nela, começa a dar um medo nela muito grande, e ela começa a ligar 45 vezes.
Por namorada, até o namorado atender o telefone, porque ela tem medo que o namorado não volte. Acontecer algo trágico com ele, o que ele encontra outra pessoa, e ela começa a sentir muito sozinha. Veja, isso não tem a ver com uma situação atual. Namorado foi no shopping, disse: "Eu já volto, tá?". E ele nunca deu sinais de ambiguidade. Isso tem a ver com uma situação passada. Essa situação atual é um gatilho de uma situação passada, de um passado onde ela aprendeu que os vínculos não são seguros. É isso que eu quero dizer. Isso, isso é trabalhar na psicoterapia, tá?
Mas, na maioria das vezes, muitas vezes, vai ter a ver com uma situação atual. E aí vocês vão conseguir regular. Então, eu sinto uma emoção. Qual que é a mensagem que essa emoção tá passando? "Eu te escuto." Tristeza. Por que que eu tô triste? Qual necessidade não tá suprida? Raiva. A mesma coisa. E aí eu consigo, com isso, entender o que tá acontecendo e buscar maneiras assertivas de lidar, que é o que a gente falou nos exemplos. No momento que eu faço esse movimento, é muito que eu busco maneiras assertivas de lidar. Por exemplo, vamos pegar o exemplo dessa paciente, né? Que o namorado foi no shopping, ela começou a se sentir muito triste. Ela viu que a necessidade de conexão não tava atendida. Tem a ver com o passado. "Nossa, eu vim terapia, que isso tem a ver com esses vínculos inseguros que meu pai vinha?" "Nossa, é por isso que eu sinto esse medo." Medo, na verdade, medo, medo muito grande que meu namorado não vai voltar do shopping.
Ela entendendo essa situação, ela pode dizer: "Ok, sentir esse medo. Isso tem a ver com a minha história de vida. Tudo bem. Tu tá aí. Eu entendo que não tem a ver com meu namorado. Meu namorado sempre passou segurança. Mas, igual, eu sinto isso." Convida uma ação. No momento que ela tem esse esclarecimento, mas são mais assertivas ações compromissadas em direção aos meus valores e objetivos. Em vez dela pegar e ligar 45 vezes para o namorado desesperado e quando ele atender: "Meu Deus, onde é que está? Demorando. Não sei o quê." Isso tende a ele encher o saco, daqui a pouco ir embora da relação. A profissão realizarem. Mas, no momento que ela entende que isso tem a ver com ela, ela pode mandar uma mensagem assertiva para o namorado dizendo assim: "Puxa, amor, eu sei que foi no shopping e eu confio, gosto muito de ti, mas eu tô me sentindo um pouco com medo, sozinha, porque tem a ver com aquela questão dos meus pais que eram muito instáveis. Tu te incomodaria mandar uma mensagem dizendo que tá tudo bem?" Veja, muda completamente o cenário.
No momento que eu não tenho nada desse entendimento, convida uma ação automática, uma ação animal, que nem a gente falou, né? Bicho, sinto minha emoção e ajo. Não sei nem porque que eu tô agindo. Qual a mensagem? Qual necessidade não tá suprida? Nosso corpo vai igual pegar uma certa daqui, ó, a necessidade não suprida e enfiar numa ação. Ele vai querer curar. Mais B dos convidar comportamentos para ter o que a gente precisa. Só que a forma que a gente vai fazer isso, talvez não seja melhor nos afaste de ter essa necessidade suprida. É isso que a gente trabalha em terapia. E é isso que eu quis dizer quando o cérebro racional, ele vai ajudar o cérebro emocional a ter as suas necessidades supridas. Este é o papel do cérebro racional, buscar melhores caminhos através dos nossos comportamentos para ter as necessidades supridas. Mas, para isso, a gente vai ter que escutar a mensagem entre o inconsciente e inconsciente. E quem faz essa ponte é as emoções, tá?
Então, imagina nesse exemplo que eu dei da moça que liga 40 e tantas vezes. Se ela não tem essa compreensão dela mesma, ela tomar ações automáticas sem pensar. Ou o cara que vai lá e grita com chefe, né, baseado no calor do momento. Isso pode me afastar dos meus objetivos e valores. Eu quero tanto um vínculo seguro e eu mino a relação que eu tenho com meu namorado. Eu quero tanto ter autonomia e ao gritar com meu chefe, eu me afasto de poder ter um bom salário, um bom cargo na empresa. Percebe? Muito bem. Então, a inteligência emocional é ter a coragem de sentir, escutar a mensagem e saber como lidar com essa emoção. Ter a coragem de sentir, escutar a mensagem, saber como lidar com essa emoção. Peguem esse slide, tirem um print, imprimam, recortem, coloque no cartão de Natal para toda a família e mandei na cartinha e diga: "Assistam a aula do Fernando lá no YouTube, vai fazer bem para vocês." Aqui mete de novo, né? A primeira parte, os familiares assistindo essa aula, vai fazer bem para vocês que estão assistindo, né? É uma ação egoísta, porque assim vai. Sabe aquele tio chato? Tomara que o chato assista a aula. É pegar menos perto de vocês.
Vida bem sucedida tem a ver com estar em contato com as nossas emoções para saber as nossas necessidades. Bom, eu só falei isso umas 77 vezes, né? Então, acho que deu para entender. Saber quais são nossas necessidades nos dá um propósito de vida. O que eu quero e o que eu preciso. Dar o colorido da vida, ok? Não agir no impulso da emoção, buscando sempre uma gratificação espontânea. Isso é inteligência emocional. Aprendemos a tolerar algumas privações reais da vida. Nem sempre tudo que eu quero, eu posso. Froid, aqui, choque do homem com a civilização, como diria Nietzsche. Mais razão no teu corpo, no quinto, a melhor sabedoria. O corpo fala. Nós temos que saber escutá-lo. Essa é a nossa missão. Nós, com a nossa razão, o que a gente consegue fazer é usar nossa razão para escutar o nosso corpo emocional e ver melhores formas de suprir o que ele está nos pedindo. Isso é viver em congruência, ok?
Aqui estão as referências da aula. Espero que vocês tenham gostado. Vou pausar aqui o slide para falar grandinho com vocês. Espero que vocês tenham gostado, tá bem? Se você gostou, deixa o like, deixa um comentário aqui. Ajuda bastante a divulgar esse vídeo e o canal, tá bem? Se você tem alguma dúvida, coloque nos comentários que eu também respondo, ok? E é isso, gente. Bem-vindos à comunidade, certo? Espero vocês aí nas próximas aulas e até a próxima. Se cuidem. Eu vou pausar agora aqui a gravação.