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03 Terapia Comportamental Dialética

Ane Vaz, PhD | @dra.anevaz2:09:45

Transcription

Olá, pessoal. Sejam bem-vindos, sejam bem-vindas. É um prazer estar com vocês na nossa penúltima aula, no nosso penúltimo dia. Já tô muito clima de despedida.

Bom, e antes da gente começar, tenho dois recados importantes, importantíssimos, pessoal. Primeiramente, algumas pessoas elas não estão recebendo os e-mails, né? É, e como eu comentei com vocês no comecinho do nosso evento, do nosso curso, é muito importante que vocês tenham e-mail devidamente cadastrado, tanto para receber o certificado quanto o bônus que a gente vai enviar posteriormente, como e-books, materiais, qualquer coisa assim que a equipe queira enviar e também para receberem os links das aulas, qualquer coisa atualizada, aula bônus, possivelmente teremos uma aula surpresa, bônus na semana que vem com conteúdo um pouco mais avançado. Ah, então assim, para quem tá inscrito, faça o seguinte, Anne, não tô recebendo e-mail de vocês, beleza? Então vamos lá.

Primeiro passo, entra no lixo eletrônico, na caixa de spam do e-mail e veja se tem alguma coisa nossa. Atendimento@doranivas.com.br. Caso você encontre um e-mail nosso lá dentro, coloque não é lixo eletrônico, certo? E já marca a estrelinha, já coloca o nosso contato como favorito, porque assim você garante o recebimento dos nossos e-mails, certo?

Bom, Anne, não encontrei o e-mail de vocês nem na minha caixa de entrada, nem no meu lixo eletrônico, não tem problema. Então, vamos pro segundo passo. No segundo passo, você vai entrar na aba de promoções do seu e-mail. Pode ser que seja lá dentro, principalmente o Gmail. Ele coloca e-mails assim institucionais, eh, de escolas, enfim, numa abinha separada. Então, tira esse e-mail de lá, senão você não vai ver, né? De fato, vai juntar com promoção, com coisa, compra da Xin, da Shopin, não sei o que, nã. Tira o e-mail da sua aba de promoções, coloca na tua caixa de entrada, move para lá, marca a estrelinha, coloca como favoritos, certo?

Anne não tá nem no lixo eletrônico, não tá nem na aba de promoções. Eh, e agora, bom, provavelmente você fez algum tipo de cometeu algum tipo de erro no seu cadastro. Pode ser que você tenha, de repente, trocado uma letra, escrito alguma coisa errado. Ah, então dessa forma, se você não achou nem o teu lixo eletrônico, nem na aba de promoções, entra de novo no site do evento, certo? Ã, cadastra de novo o seu e-mail, de preferência o mesmo e-mail. Olha, se você não tá trocando nenhuma letra, não tá faltando nada, se tem BR, se não tem BR, cadastra de novo, certo? Assim você garante o recebimento de todas as nossas comunicações, de bônus, de promoções, de certificados e tudo mais. Beleza?

Bom, e última consideração, não deixem de estar nos grupos de WhatsApp, como eu disse, a gente vai dar enviar materiais bônus e coisas que a gente também não vai mandar em nenhum outro lugar. Depois as pessoas vêm no atendimento, ai não receba, porque não tinha cadastrado e-mail. Poxa vida, a gente tá fazendo desde o primeiro dia, né? Agora a gente não consegue enviar. Ah, não recebi tal coisa porque eu não tô no grupo. Poxa vida, entrar no grupo, né? Então vamos aproveitar esse momento, tá bom? Eh, não quero que vocês fiquem chateados porque eventualmente a gente teve que recusar reenviar um material que foi enviado porque vocês tinham descadastrado, não estavam cadastrados, porque a gente tinha um prazo limite para fazer alguma coisa e vocês não enviaram. Tá bom? Então vamos manter tudo certinho, tudo funcionando, beleza?

Então tá bom. Então boa noite e mais um recado. Dois, dois em um. Bom, para quem tá presente aqui ao vivo hoje, eu tenho novamente um presente especial. Então, repetindo a dose de ontem, quem estiver presente em algum momento que eu não sei qual é, eu vou falar uma palavra-chave. E aí, o formulário já tá fixado? Já vai ser, >> tem um formulário que vai ser fixado aqui agora nos comentários. Então, somente preencha se você for psicólogo, estudante de psicologia ou psiquiatra. Sou terapeuta? Não. Sou de outra área? Não. Então, se você se enquadra e se você ficar do começo ao fim da nossa live para não ter o risco de eu te ligar e se você não atender, não ter visto a palavra-chave, preenche aqui, porque eu vou ligar para uma dessas pessoas. Eu vou sortear uma pessoa ao vivo, tá bom? E se você souber a palavra-chave, que eu falar um pouquinho antes, bom, aí você ganha um livro, como é o caso da Stephanie. Stephanie tá aí? Se sim, dá um oi aqui no chat. Então, a Stephanie já ganhou um livro, já mandou pra gente um comprovante de que ela era estudante de psicologia e logo mais o livro tá na casa dela, certo?

E amanhã, ó, vejam só, atenção, hein? Essa informação é ouro. Ontem foi um livro, hoje era um livro. E amanhã, para quem estiver presente, quem tiver a palavra-chave de amanhã, certo? Eu vou falar amanhã, evidentemente, vocês vão poder ganhar uma bolsa de 100% para formação completa em TCCs e psicopatologia. Então, para quem quer ser meu aluno, para quem tá aqui comprometido ao vivo 8 horas da noite no Brasil, meia-noite aqui na Inglaterra, é a oportunidade, estejam ao vivo. É uma forma de reforçar o comprometimento de vocês, né? Eh, e dar a oportunidade de quem deseja muito ser meu aluno, né? Eventualmente ganhar essa bolsa amanhã.

Amanhã também a gente vai abrir depois da nossa depois da nossa aula as inscrições pro curso de formação em TCCs e psicopatologia e pro curso de pós-graduação em TCCs e psicopatologia. Então é um curso completo que tem tanto formação em TCCs e quanto psicopatologias, tanto na modalidade de formação quanto pós, certo? Então, estejam presente também ao vivo para vocês saberem, porque quem tiver ao vivo e quiser ser meu aluno e não ganhar a bolsa, né, pode ser também que você tem uma outra possibilidade. Você tem algum desconto muito imediato assim para as pessoas mais comprometidas que ingressarem até amanhã. Ai, vi só no outro dia, perdeu, não tava ao vivo, não foi por falta de recado.

[limpando a garganta] E amanhã também lembrando que além dessa bolsa de 100% paraa formação completa, para quem atender minha ligação estiver na live, certo? A gente tem aquela outra bolsa e aqueles outros livros que é a premiação. Pessoal, não esqueçam de mandar o continuar ativamente chamando gente para evento até às 8:15 manhã, tá válido, certo? Assim, eu vejo que tem psicólogo, tem estudante de psicologia que dispara assim, que ele vai todos os dias postando, convidando, faz um convite, faz outro, posta num grupo, passa em outro, faz real, faz story todo dia e eles vão só disparando, né? E outros fazem um dia, depois esquecem. Então vocês ainda têm chance de ganhar a bolsa nessa outra modalidade, certo? São duas bolsas, uma de 100% para quem tá participando da premiação indicando para psicólogos. Essa de 100% você escolhe se após a formação. E a outra para quem estiver ao vivo na live, for sorteado, atender minha ligação, souber essa balachave de 100% para formação. Beleza?

Vamos começar então. [limpando a garganta] Certo? Então vamos lá pessoal, sejam muito bem-vindos, sejam muito bem-vindas à terapia comportamental dialética. Preparados e preparadas para fortes emoções? Olha, eu vou contar uma coisa para vocês. Duas aulas nesse treinamento que são mais queridinhas. Essa é uma delas e a de amanhã, então se preparem, certo? Muito bem, pessoal. Lembrando também que no final da aula eu vou soltar o post lá no meu Instagram depois de uns minutinhos, certo? para vocês pontuar, para vocês fazerem o chequin.

E recapitulando, aqui estamos então no nosso, no comecinho da nossa jornada, vocês heróis guerreiros que estiveram comigo todos os dias à noite começaram por aqui. Psicopatologia, a gente entendeu a importância do diagnóstico e o que que o diagnóstico tem a ver com a psicologia, né? Para que que eu preciso diagnosticar? A gente viu também quais são as funções psíquicas. A gente discutiu como é precário o ensino de psicopatologia no Brasil, que os cursos de formação e pós-graduação ficam lendo critérios pro psicólogo, em vez de ensinar realmente avaliar através do exame do estado mental pro depois e pro DSM. A gente viu o exame, a gente viu quais são as funções psíquicas e a gente também falou sobre PBE, como que eu sei qual é o melhor tratamento, né, aquele mais efetivo para aplicar pro meu paciente. Escolha de acordo com minhas preferências. Humum. De [limpando a garganta] acordo com a melhor evidência, com a ciência, certo? Bom, para quem e também, né, a gente a gente discutiu quais são os tratamentos baseados em evidências, TCC clássica, TBT, AT, TE e hoje a gente vai pra DBT, certo? [suspirando]

Então vamos lá, não esqueçam de seguir o canal, não esqueçam de clicar no joinha nesse vídeo, postem stories, já coloquem o stories de vocês, marca meu arro que eu adoro ver, eu entro mesmo, dou like nos stories de vocês e convidem os colegas também. Já deixa o link do evento, você já pontua para participar, se juntar à gente hoje, certo?

Então, pra gente começar bem pelo comecinho, eu gostaria de fazer uma pergunta para vocês. Psicólogos e psicólogas e futuros psicólogos e psicólogas, o que que é a desregulação emocional? Afinal de contas, o que que é isso? A gente muito fala sobre desregulação emocional na clínica, mas que raios é isso? E aí, comentem aqui no chat. Pega seu celular, entra na live, manda link, ver se funciona. >> Eu tô >> Mandou link? >> Sim, funcionou. >> Eu fixei um link no Instagram. Vamos ver se funciona. Agora eu tô naquele momento que eu fico no delay esperando as respostas do chat, que sempre tem um delayzinho. Mas e aí, o que que é desregulação emocional? Comentem aqui no chat. Ah, e um recado importante. Alguém falou assim: "Para quem não aparece aqui, tira print do comentário." Ah, super importante, pessoal, a confirmação não é a mensagenzinha que manda: "Ai, legal, olha seu direct. A confirmação o mais importante é o print. Se chegou a mensagem de confirmação, não, tudo bem, tá? O importante é o print. Então, nem se preocupem se não chegou para vocês a mensagenzinha. Agora sim, as respostas estão chegando. Então vamos lá. Segulação emocional é quando o corpo transbordam, emoções descontroladas, emoções muito intensas. É quando o paciente não consegue controlar ou lidar com as suas emoções. É o desequilíbrio das nossas emoções. Quando o indivíduo não consegue gerenciar as emoções, sensações e reações desproporcionais, tá? Então, quer dizer que se eu tô muito ansiosa, se eu tô muito brava, eu posso dizer que então eu tô com um problema de regulação emocional. Que que vocês acham? Porque eu tô com as emoções muito afloradas, sua com ansiedade muito aflorada, porque eu porque eu tô muito brava. E aí não ter controle das suas reações. Se for raiva, sim. Alguém respondeu. Alguém disse que não. O Mateus falou que eu tô errada. A Letícia também falou que não. Não, não significa sentir. Hum, muito bom. Não, não, não necessariamente. Tudo depende do comportamento. Perfeito, a gente já vai falar sobre isso.

Então, vejam só, né? Normalmente a gente usa desregulação emocional como sinônimo de sentir algo intensamente. Muitos e muitos psicólogos falam coisas como: "Olha, fulano não tem desregulação emocional, olha fulano tá com desregulação, está com desregulação emocional, mas a gente vai entender melhor sobre isso. Mas pra gente começar pelo comecinho, vamos falar então das emoções, né? Não tem como a gente falar de DBT e a gente não falar de regulação emocional. O que que são, afinal de contas, as emoções? Então, vejam só, elas existem por um por uma questão básica, né? Estão diretamente ligadas à nossa sobrevivência, aos nossos vínculos. Elas são, acima de tudo, marcadores somáticos das necessidades. Por exemplo, imaginem só, né? Vamos para um outro campo que antes da live eu cortei meu dedo, né, com uma faca, eu senti uma dor, olhei pro meu dedo, vi o sangue, né, por causa da dor e fiz o quê? Fui lá, desinfetei, coloquei um bandete e tudo mais, certo? Então, alguma coisa no meu corpo, a dor física me fez olhar, observar que eu tinha um problema, que eu precisava resolver aquilo, né? Eh, e tomar um determinado e ter um determinado comportamento, tomar uma medida. As emoções são muito semelhantes. Elas também são um tipo de marcador somático, uma coisa que acontece no meu corpo e que sinaliza alguma coisa importante e que sinaliza alguma necessidade, certo? Por exemplo, né? Vamos pensar aqui no medo, né? Para que que serve o medo? Qual que é a função dele, afinal de contas? Então, via de regra, né, o medo, todas elas, elas, todas as emoções, elas têm como finalidade garantir a nossa sobrevivência também. Por exemplo, o medo, qual que é a função biológica dele? Que que vocês acham? Comentem aqui no chat. Normalmente, né, o medo ele tem uma função de sobrevivência, de preservar a minha existência. Se eu não sinto medo de absolutamente nada, como é que eu me comporto, né? Bom, aqui é meia-noite, meia noite meia já. Como é que seria isso? Eu sair na rua, esse horário, caminhar por uma rua escura, totalmente deserta, e não sentir absolutamente medo nenhum. Ou eu pegar meu carro e não senti medo nenhum de, sei lá, e a 250, 280 por hora. Então o medo ele é uma forma de me proteger do perigo, da ameaça, certo? Porém, né, aí que tá o problema. Ao mesmo tempo que o medo tem uma função evolutiva importante para nós, seres humanos, paraa nossa espécie, se eu sinto medo demais, eu isso pode ser problemático. Eu posso me tornar uma pessoa excessivamente ansiosa, um indivíduo fóbico, certo? E se eu sinto medo de menos, eu não me protejo, eu não me engajo em comportamentos de autopreservação que visam a minha autopreservação, certo?

Ao mesmo tempo, né, nós temos aqui também outras emoções. A gente tem, por exemplo, a tristeza. Para que que serve essa esse diast? Meu Deus, quem gosta de ficar triste? Também tem uma emoção, também é uma emoção importante. A tristeza, ela tem como finalidade me sinalizar que olha, temos um problema, Houston, certo? Algo não está errado. Algo de certo não está errado. Alguma coisa tá errada. Então, se eu deito na cama, se eu deito no sofá, se eu tô em algum lugar e eu me sinto triste, isso é uma sinalização de que algum problema está acontecendo, algo está acontecendo e eu também preciso uma medida reparadora. Ah, eu tô triste porque eu briguei com o meu melhor amigo, eh, acho que eu fui indelicada, acho que eu fui injusta, né? E diante disso, eu faço o quê? Eu posso então conversar com essa pessoa, reparar aquela situação. Então, a tristeza também é um sinalizador muito importante, certo?

A gente também tem, por outro lado, a raiva. A raiva também é uma emoção essencial para nós, né? Para que que ela serve? Então, se eu sinto raiva, isso é um sinalizador de que eventualmente eu tô sendo lesada, prejudicada de que alguma coisa também não tá certo e que eu preciso reparar. Por exemplo, se eu tô numa fila, né, aguardando a horas no banco, todo mundo adora fila de banco, né? Eh, tô há horas aguardando uma pessoa passa na minha frente injustamente, né? Uma pessoa que não teria direito de furar essa fila. Poxa, né? Se eu não sinto raiva minimamente, qual que é a probabilidade de eu tentar defender os meus direitos, me autoafirmar, né? Então, a raiva, ela [limpando a garganta] tem uma função essencial que é a autoafirmação dos direitos, que também também tá ligada à autopreservação, que é tentar reparar também, certo?

Bom, além disso, nós também temos o nojo. E o nojo a gente pode pensar nele em duas instâncias. Vejam só. Primeiramente, né, quando eu sinto o nojo, vamos pensar numa comida estragada. Que que isso faz? Bom, se a comida está estragada, eu não vou comer. Eu sinto nojo, eu me afasto. Certo? E também existe um tipo de nojo numa perspectiva um pouco mais social, né? H, cognitivo, emocional. Por exemplo, se eu sinto nojo talvez de uma pessoa que faça coisas ã socialmente inadequadas, que maltrate idosos, animais, né? Eu posso também olhar para aquilo, sentir repulsa e me afastar. Eu não vou me misturar com essa pessoa. Essa pessoa é cruel também, tá intimamente ligada ao nujo. Tá fazendo sentido para vocês?

Bom, e nós temos também duas emoções, né? sendo a alegria e o amor. Existe uma controvérsia sobre o amor. Alguns autores vão falar que ela não é uma emoção, certo? Vão associar o amor muito mais a questões como dopamina, outras reações ah neurobiológicas do que colocá-la nessa classificação. Mas a gente vai seguir com essa teoria aqui, certo? E a gente também tem alegria. Então, imaginem só para que que serve alegria se eu não me sinto feliz com absolutamente nada, como é que eventualmente alguma coisa positiva, favorável, que me gera ganhos, vai voltar a se repetir na minha vida? Olha, eu tô muito feliz porque quando eu estudei, eu tirei 10 na prova, eu passei na prova, tá? Então, a alegria é uma coisa extremamente reforçadora que vai me ajudar novamente a estudar mais vezes, passar na prova. Isso serve para qualquer emoção na minha vida. Então, ela tem uma função muito importante, né? Ela me ajuda a reforçar. Se eu não sentisse alegria em algumas coisas, qual a probabilidade de eu voltar a fazer aquelas coisas, certo? E a gente também tem o amor. E o amor, por outro lado, ele é essencial pra nossa espécie. Ele é o que permite que nós, né, sejamos seres ah que se conectam a outros seres, né, pros mamíferos, principalmente que precisam de cuidado no muito cuidado no primeiro momento, né? Pensem, por exemplo, nos animais que não são mamíferos, né? O quanto eles têm uma independência maior no nascimento. Então eles saem do ovo e vão embora, talvez, né? Ou conseguem se desenvolver de uma forma mais autônoma. Mas nós mamíferos não. A gente nasce e a gente depende muito da nossa mãe para alimentar, para cuidar, né, na ausência da mãe de um outro cuidador. Eh, enfim. Então, o amor ele seria responsável, segundo alguns autores, pela nossa vinculação, pelo sentimento de proteção, né? Ah, pelo sentimento de pertencimento da nossa espécie, pelo nosso gregarismo, pela nossa filiação. Então, ele seria essencial também pra nossa sobrevivência, certo?

Mas vamos lá, né? Todas as emoções são importantes, certo? Mas vejam só, como que então tem um problema? Quando quando é que a porca torce o rabo? Vejam só, a grande questão não é eu sentir uma emoção. Não tá tudo bem eu ficar sentindo de tristeza? Tá tudo bem eu sentir medo, raiva, nojo. Tá tudo bem eu sentir amor, alegria. O grande problema e que faz com que nossos pacientes nos procurem é o excesso ou a falta dessas emoções. Ele tá, elas estarem em grande quantidade ou faltando um pouquinho. Por exemplo, pensem no medo, né? Uma pessoa totalmente desprovida de medo. Onde que a gente vê muito isso? Pacientes com dificuldade de controle de impulsos, certo? Pacientes que têm uma grande dificuldade de controlar os seus impulsos. Por outro lado, né, o excesso de medo, onde a gente vê isso? Pacientes fóbicos, pacientes com medo, né, desadaptativo, que não se aplica aquele contexto. Tristeza, excesso de tristeza. Onde a gente vê? Comentem aqui no chat. Depressão, certo? E a falta de tristeza, vamos falar assim, onde que a gente poderia pensar? Talvez em pacientes numa fase de mania, de hipomonia, pacientes que perderam um pouco a a noção da realidade momentaneamente, né? Ah, e a gente também tem a raiva. Se a gente pensar na raiva, o excesso dela leva a gente o quê? A fúria. Também tá relacionado, talvez, a dificuldade de controlar impulsos. A gente vê muito alguns transtornos mentais como antissocial, em alguns casos de personalidade borderline. E a falta da raiva, por sua vez, também extremamente problemática. Eu me torno uma pessoa extremamente passiva, não ajo em defesa dos meus direitos, me torno totalmente submissa. Permito com que os outros me subjulguem, certo?

Bom, ao mesmo tempo, então, e alegria e amor? Será que a falta de alegria e amor? A falta sim, a gente já sabe que é ruim, né? Não sejamos tão óbvios, mas o excesso de amor e o excesso de alegria, será que é ruim? Comentem aqui que que vocês acham. E aí, bom, se eu sou uma pessoa que sinto alegria intensa, né? Claro que tudo isso dito de uma forma muito simples, mas a alegria intensa ela pode ser também associada à mania ou hipomonia, certo? Eu tô tão eufórica, eu tô tão inebriada pela alegria, digamos assim, que eu tô no estado de euforia, talvez de mania, certo? E o amor, talvez em excesso, ele leva a gente para uma perspectiva de dependência, certo?

Então, todas as emoções, todas, invariavelmente elas são boas. Lembram do que eu falei no comecinho? Porque elas garantem a minha sobrevivência, porque elas garantem que eu tome medidas reparadoras, que eu faça coisas importantes para que eu sobreviva, para que eu faça coisas também relacionadas à minha sobrevivência, para que eu trabalhe, para que eu funcione em sociedade, para que eu me conecte com outros indivíduos, para que eu corrija questões, para que eu resolva problemas. Então, toda a emoção é importante, certo? E é por isso que eu sempre digo pros meus pacientes, quando eu faço uma psicotocação de emoção, não existe emoção boa e ruim. Se elas me mantém viva, se elas me mantém funcionando na sociedade, todas são boas, mesmo aquelas que eu não gosto de sentir. O que eu tenho, na verdade, é são algumas emoções que, OK, não são gostosas de sentir. Ninguém gosta de ficar triste, ansioso, com medo, com raiva, mas ainda assim elas são boas porque elas me protegem, certo? Então, o grande problema é de fato quando elas estão em excesso ou faltando um pouquinho, dito de uma forma simples. Então, as emoções elas sinalizam no meu corpo que alguma coisa não tá legal e que alguma coisa precisa ser feita, certo? Muitas delas também vão ser ligadas ao comportamento de luta, eu vou reagir, certo? De fuga, eu vou me esquivar, eu vou evitar. Permitem também a defesa dos direitos, a solução de problemas, conexão com os indivíduos. Então, na verdade, é isso que a gente sempre precisa ensinar pro paciente, né? Você não veio na terapia para eliminar essa emoção. Ainda que fosse possível, se a gente conseguisse eliminar a existência de uma emoção, nossa, não vou mais sentir raiva, não vou mais ficar triste, tá até à vontade, né, lá no fundinho. Mas aí que tá, ainda que a gente conseguisse fazer isso, imagine como seria caótica a vida. Então, toda emoção é ruim. É, perdão. Então, toda emoção é boa, certo? Algumas são gostosas de sentir, outras não. E é isso que a gente precisa ensinar pro paciente.

E aí, voltando, psicólogos e psicólogas, eu escutei essa frase uma vez que eu tava dando uma aula, uma aluna de um curso me disse: "Ah, a gente tava fazendo um estudo de caso e eu lembro até hoje, não era no meu curso, ah, mas essa paciente do estudo de caso, ela não tem regulação emocional. Por quê?" "Ah, porque [limpando a garganta] ela tá triste, porque ela chorou, ela ficou meio ansiosa." Tá, mas por quê? Então, será, né, ã que todo paciente que sente alguma emoção de uma forma um pouco mais intensa, ele não tem regulação emocional? E o que que significa essa frase? Meu paciente não tem regulação emocional. O que que é um paciente sem regulação emocional? Vocês concordam com isso? Então, pra gente nunca mais errar, vocês vão sair dessa aula, vocês nunca mais vão falar que paciente não tem regulação emocional. Não importa o quanto desregulados sejam seus pensamentos, comportamentos e emoções, mas a grande verdade é que isso é completamente errado. Psicólogo que diz que o paciente não tem regulação emocional, tá errando, certo? Porque todos os indivíduos possuem capacidade de modular suas respostas emocionais. Todos os pacientes, todo mundo em algum momento consegue regular essas emoções. O que a gente tem, na verdade, são indivíduos com uma dificuldade maior do que outros para regulação emocional. São indivíduos com funcionamento menos saudável, mas ainda assim esses pacientes com dificuldade de regulação emocional, eles têm regulação emocional. Todo mundo tem capacidade, todo mundo tem regulação emocional. Por exemplo, pacientes com transtorno de personalidade de borderline, estriônico, paciente narcisista, paciente antissocial, eles também têm capacidade de modular suas respostas emocionais, certo? O que eles têm é uma dificuldade maior.

E aí, o que que seria então a desregulação emocional? Vejam só, conceito essencial, hein, pessoal. Pode grifar aí, passa grifa texto. A desregulação emocional, então, na visão da Marsha Linehan, essa autora que vai guiar a nossa aula de hoje, né? Como hoje nós falaremos sobre pacientes com grande dificuldade de regulação emocional, então ela vai trazer pra gente três perspectivas muito importantes. E vejam só, eu posso me identificar com as três, eu posso me identificar com as duas ou só com uma ou com uma combinação de duas aí, certo? Então, pacientes que t uma grande dificuldade de regular suas emoções são aqueles indivíduos que diante de uma situação ativadora, ó, aconteceu um problema, certo? Essas pessoas vão ter uma elas vão ter uma maior sensibilidade. Imaginem só que vocês têm dois pacientes, esse que tem desregulação, esses que tem uma maior dificuldade de regular emoção e esse que não tem. Aconteceu o mesmo fato, o mesmo evento com esses dois. Esse aqui tem uma dificuldade maior, ele ativa muito mais facilmente aquela emoção, certo? Olha, eh, eu tive uma notícia ruim. Talvez esse daqui vai ficar ali muito sensibilizado, vai ficar muito, ã, mobilizado, ao contrário desse. Então, os dois se ativam. Os dois vão ter uma ativação emocional em diversos contextos, mas um deles vai ser mais sensível, vai ter uma ativação mais frequente e mais fácil da emoção, certo?

A segunda característica é dificuldade. Gente, o zoom soltou balões quando eu fiz assim. Perdão, não sabia disso. Na verdade, eu sabia, me lembrei agora. Considerem os balões. A segunda característica, né, são aqueles indivíduos que tm uma dificuldade ã que na verdade quando a emoção se ativa, aqui eu sou mais sensível, ativo muito fácil minha emoção. Ah, já o segundo grupo de indivíduos são aqueles que quando a emoção se ativa, ela vai muito, ela vai no pico, ela cresce muito, ela é muito intensa. Então, novamente, pensa em dois indivíduos, indivíduo A e indivíduo B, Maria e Mariana, certo? A Maria, que é o indivíduo, um paciente de vocês que tem dificuldade de regulação emocional, quando ela sente raiva, a raiva vai lá em cima. Quando ela sente tristeza, a tristeza vai lá em cima. Ansiedade, qualquer coisa. Já Mariana, que não é uma paciente que você atende, que tem dificuldade de regulação emocional, ok, eu sinto raiva, eu sinto tristeza, eu até choro, eu sinto ansiedade, eu até rouo unhas, mas não é igual ela. É muito, eu até chego naquele pico, mas é muito difícil. Então o pico, a intensidade de pacientes que t uma dificuldade de regulação emocional, né, ele tende a ser muito mais alto e se limear, né? OK. Então ele sai da linha de base e vai muito para cima.

E a gente tem um terceiro grupo. Esse terceiro grupo são os indivíduos que t uma dificuldade, tem um retorno lento ao estágio basal. Que que é isso? Então, eu sou um indivíduo com dificuldade de regulação emocional. Eh, eu alguma emoção se ativou aqui, certo? E ao contrário de um outro indivíduo que tá do meu lado, que não tem uma dificuldade de regulação emocional, eu vou ficar sob o efeito dessa emoção por muito mais tempo. Talvez o outra pessoa, a outra pessoa, minha amiga, olha, ela já ficou de boa, né? Ai, nossa, que coisa chata, ai que rai, vai isso, aquilo. E ok, né? Passou um certo tempo e ela seguiu a vida. Às vezes quando ela lembra, ela até fica: "Ai, que chato". Mas eu não, eu fico presa naquele limar, naquela intensidade por muito mais tempo. Pacientes borderline, por exemplo, alguns casos eles podem ficar presos dias e dias, né? Mais de um dia na emoção intensa. Então, quando eu falo de desregulação emocional, eu tô falando de uma da presença de uma ou duas ou três essas características. E claro, né, quanto mais essas características estão presentes, maior é a dificuldade desses indivíduos, de lidar com as emoções, de ter respostas adaptativas, certo?

Então, quando eu falo de não existe isso de fulano, não tem regulação emocional, vocês não saiam daqui, eu proíbo vocês de saem da minha aula falando isso. Então, todo mundo tem, todo mundo tem regulação emocional. O que existem são pessoas com mais ou menos dificuldade de modular suas respostas. emocionais. Além disso, né, o que que é importante? A gente entende a regulação emocional como se ela fosse o termostato do ar condicionado, da geladeira, né? Quando eu morava em Ribeirão Preto, a gente deixava o ar condicionado em 16, em 14, né? A gente rezava para ele ficar bem gelado, cidade quente. Quem mora lá, tem alguém de Ribeirão Preto aqui já sabe. Então o que que acontece quando você programa um determinado aparelho na sua casa, um ar condicionado, uma geladeira, né, você determina uma temperatura. Olha, eu quero que meu ar condicionado funcione a 14, 16º. E quando a sua sala chega naquela temperatura, o que que acontece com o ar? Ele para de trabalhar tão intensamente ou ele desliga. E a mesma coisa a geladeira, certo? Olha, eu quero que ela funcione funcione na temperatura X, sei lá, dois, um, né? Então, quando a sua geladeira trabalha, trabalha, trabalha, quando ela chega naquela temperatura, ela dá uma desligada. Se ela desligou e ela começou a esquentar, tá saindo da temperatura que você que terminou, ela liga de novo, assim como o ar. Então, todo mundo tem esse termostato, certo? Todo mundo em algum momento vai voltar essa linha de base. Mas como eu disse para vocês, para algumas pessoas vai ser mais desafiador. Para algumas pessoas antes de voltar ao estágio basal vai ser muito mais intensa a ativação e ela vai talvez ativar isso muitas vezes em muitos contextos, várias vezes ao dia, certo?

E aí que tá pergunta, comentem aqui no chat. A desregulação emocional, ela é definida então pela intensidade excessiva? É isso que então eu posso concluir. Comentem aqui. Alguém diz que sim. Sim. Alguém falou que não. Sim, pode ser. Acho que sim. Inteligente. Não. Sim. Não. Não. Ai, meu Deus. Nsio, não. Ainda tá em base segurança clínica. Que feliz que eu fiquei agora com coração quentinho aqui no meio da live. Vind na investida para ganhar uma um elogio desse. Que feliz que eu fico de saber que eu tô te dando mais segurança para vocês, para atuação na clínica. Podem contar comigo. Bom, vocês continuam divididos. Não, não, não. Sim, sim, sim.

Então, vamos lá, né? Vamos tentar entender desregulação emocional. A grande verdade é que a maioria das pessoas acredita que desregulação emocional é quando eu tô com muita raiva, quando eu tô muito ansiosa, quando eu tô muito triste, né? Mas aí que tá, a desregulação emocional não é sua intensidade excessiva. Vejam só, ela também pode ser uma desativação excessiva. Então, claro, em uma instância, se eu sou um indivíduo com dificuldade de regular minha emoção, eu vou sentir aquilo lá crescendo dentro de mim. De uma forma intrusiva, opressora, difícil de lidar. Ela vai me fazer ter assim uma série de atitudes, sabe? Eu não consigo tolerar, não tô aguentando a minha angústia, a minha tristeza, a minha raiva, a minha ansiedade me gera terror, desespero, senso de urgência, catastrofização. Então, é a intensidade excessiva, certo? Mas ao mesmo tempo, a desregulação emocional, ela também pode ser caracterizada pela desativação excessiva, por exemplo, né? E e isso também tá ligado a uma questão evolutiva. Imaginem só uma pessoa que acabou de sofrer um acidente no trânsito. Deus me livre, né? Beleza, a pessoa acabou de ter um acidente. Então, talvez num primeiro momento ela esteja meio assim entorpecida, né? Tá meio mareada, como dizia uma paciente minha, olha, eh, por, né? Talvez se ela tiver uma emoção muito intensa naquele momento, ela não consiga lidar com as circunstâncias, ela não consiga se concentrar no que ela precisa para resolver, tirar o carro dali, fazer isso, fazer aquilo, certo? Então, em algumas circunstâncias, a gente experimenta também um certo entorpecimento emocional devido a uma questão evolutiva. Eu preciso reparar aquilo naquele momento. Sei lá, quem é mãe, criancinha machucou, você vê ela machucada, né? Eh, poxa, meu filho cortou o joelho, machucou o joelhinho, né? Minha filha machucou. Eh, tá, né? [limpando a garganta] Talvez muitas pessoas ao invés de gritar, desesperar, ficam: "Tá, né? É muito ruim ver uma criança machucada, tá sangrando, dá uma desativada na emoção, resolve o negócio e depois sente de uma vez, né? Então também existe um processo de desativação. Nem sempre é disfuncional. Deu o exemplo do acidente, deu exemplo do corte da criança. Mas às vezes a gente também tem perspectiva catastrófica disso. Se por um lado eu posso ter uma intensidade muito excessiva, sensação de terror, urgência, pavor, por outro, a gente também vê pacientes como borderline passar por coisas como dissociação, desrealização, até despersonalização, talvez com menos frequência. Então são pacientes que se desconectam, né, da emoção, da realidade, do senso do self por alguns instantes, mesmo quando aquilo não é favorável, mesmo quando aquilo não é funcional para ele, certo?

Então, né? Ahã. A, mas de qualquer forma, o que importa pra gente é entender isso, que a desregulação emocional, ela vai envolver uma ou mais daquelas três características e não é somente intensidade excessiva. Eu posso também ter pacientes que passam por uma desativação, no caso do transtorno de pânico, pacientes muito ansiosos que às vezes desrealizam, né, pacientes borderline. Então, essencialmente, a regulação emocional, como eu falei pra vocês, ela vai ser como um termostato do meu ar condicionado, da minha geladeira. Ela vai ser uma estratégia que o meu corpo tem já embutido dentro dele, ah, para fazer com que a emoção volte para um nível tolerável para mim, para buscar reduzir aquilo. Claro que pode funcionar melhor ou de uma forma mais desafiadora meu termostato, certo? Então, não tem como, né? Uma das coisas que a gente ensina para pacientes que têm transtorno de pânico ou que sofrem ataques de pânico sem ter o transtorno é: olha, a sua emoção, ela não vai subir, subir, subir, subir, subir seu pânico no nível que vai te matar. O seu próprio corpo tem uma chavinha, né, eh, que vai desativá-lo em algum momento, né? Então, se você tem um sistema nervoso simpático que se ativa numa numa crise de ansiedade, né? Por outro lado, você também tem um sistema, você tem um sistema nervoso parassimpático, que é antagônico, que vai desativar isso em algum momento. Então, todo mundo vai conseguir regular, modular em algum momento. A questão é o intervalo, o que que acontece entre um espaço e outro, certo?

E além disso, né, nós, seres humanos, embora nosso corpo também tenha já essa chavinha embutida, né, que desliga o disjuntor, olha, subiu demais, vamos desligar o disjuntor, daqui a pouco volta, né, ou dá um control. Hã, nós, seres humanos, também temos formas de regular nossas emoções. Claro que vocês eu, sendo psicólogos, que que a gente quer? Que o paciente faça isso de uma forma saudável, certo? E é isso que a gente vai estar na terapia. Mas às vezes nós, seres humanos, não fazemos isso de uma forma saudável. A gente busca estratégias mal adaptativas ou disfuncionais para lidar com as emoções, por exemplo, né? Ah, nem toda estratégia de regulação emocional ela é saudável. Algumas pessoas, como pacientes borderline, pacientes em alguns casos deprimidos, né? Ou pacientes que talvez não tenham um diagnóstico, mas tenha esse especificador, eles vão se lesionar, se cortar como uma forma de aliviador. Eles podem se intoxicar também. Tem pessoas que vão beber muito para pagar, para esquecer, para lidar com alguma emoção. [roncando] Tem pessoas que fazem uso excessivo de comida também, vão comer muito, certo? Então, nenhuma estratégia de regulação por si só, ela é necessariamente positiva. Depende do contexto, depende da situação. E, claro, nós também temos muit muitas estratégias que são negativas. Então, quando nós recebemos pacientes com dificuldade de regulação emocional, às vezes isso acontece. A gente se depara com casos de pessoas tem a desregulação e a gente também vai ter que lidar com esses comportamentos. Lembram do triângulo de back, pensamento, emoção e comportamento? Então, eu tenho uma emoção muito intensa que impacta nos meus pensamentos, certo? É multi multinível. Um pensamento pode gerar uma emoção e uma emoção pode gerar um pensamento e ao mesmo tempo isso vai ter uma, eu vou ter uma desregulação comportamental. Eu tô desesperada para falar com o meu namorado, ele não me atendeu, comecei a entrar em pânico, comecei a ficar desesperada, saí correndo sem nenhuma evidência de que tem algum problema, fui no trabalho dele, comecei a gritar, fiquei brava, arrisquei ao carro dele. Percebem? Então é uma forma que eu também tenho disfuncional de lidar com aquilo que eu não tô sabendo no momento, certo?

Dúvidas até aqui? Tranquilo. Comentem aqui. Sim. Ariana perguntou a resposta para era sim ou não. A resposta era não. Desregulação emocional não é só intensa. Pode ser uma desativação. Ah, o replay tá ficando para vocês disponíveis. Vocês estão recebendo os e-mails com os replays, vai ficar lá para vocês até sábado, tá bom? Aproveitem para ver o replay.

Muito bem, pessoal. Então, vamos falar um pouquinho mais sobre a DBT. E para nós falarmos sobre a DBT, eu gosto muito de contar uma história. Deixa eu só encontrar essa história aqui. Bem, vocês já ouviram falar da Marinehan? Ela é a criadora da terapia comportamental dialética da DBT. Hoje eu mandei um pedacinho para vocês. Perdão, mandei um pedacinho para vocês da história dela. Agora eu vou contar um pouquinho mais. Vamos lá então. Enquanto isso, fiquem à vontade. Caso vocês tenham dúvidas podem mandar aqui. Certo? Vamos lá, então. Então, muita atenção. Ã, vou contar para vocês então sobre essa criadora dessa teoria. Marsha estava sentada no sofá da sala de estar ao lado da capela, no centro de reabilitação. As mãos nos joelhos, os olhos fixos no chão. O silêncio parecia gritar dentro de Marcha Linhan. Eu senti um completo e total desespero. Era 1967. Marha tinha pouco mais de 20 anos e ali, naquele instante acreditava que ninguém no mundo poderia salvá-la. Uma freira apareceu. Ela olhou para Marcha com ternura e perguntou: "Existe algo que eu posso fazer para te ajudar?" E Mar respondeu com uma educação devastadora. Não, obrigada. A Freira sorriu e foi embora. Macha então se levantou, caminhou até a capela, se ajoelhou e ficou ali. Ela não disse uma palavra, ela só olhava a cruz sobre o altar, como se esperasse por algo. Então, inesperadamente, né, ela sentiu com uma clareza abavaçaladora. Deus me ama. Ma foi pro seu quarto, sentou-se na cama e falou em voz alta: "Eu me amo, sou capaz de me amar". E foi a primeira vez que Márcia falou consigo mesma em primeira pessoa. E naquele instante alguma coisa fez sentido. Mas para entender esse momento, a gente precisa voltar no templo. Marinehan nasceu em 1943 no Oklahoma. Ela era a terceira de seis filhos de uma família tradicional norte-americana. Mara tocava piano, tirava boas notas. Por fora parecia perfeita. Por dentro, ela se sentia muito mal, quebrada. Eu sempre tive a sensação de ser o problema da família. Sempre que eu tinha algum problema, minha mãe não me acolhia. Na verdade, ela queria me consertar. E Mar cresceu acreditando que tinha alguma coisa de muito errado com quem ela era. Aos 17 anos, a ruína interna, a dor se tornaram insuportáveis. Marha foi internada em uma clínica psiquiátrica. E ela recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. Ela então foi submetida a eletrochoques, medicações, longas sessões de análise fradiana. Marcha piorou. Ficava isolada por dias, batiam-se as portas, apagavam-se nomes e Marse: "Eu estava no inferno e eu fiz uma promessa. Quando eu saísse de lá, eu voltaria para tirar os outros também. Seu prontuário dizia que durante dois anos ela foi uma das pacientes mais perturbadas do hospital psiquiátrico. Ela se cortava, ela se queimava com cigarros. Ela se sentia tão

Indesejada, que passou a acreditar que o mundo também tinha rejeitado, que o mundo não gostava dela. E realmente o mundo não soube o que fazer com a Marsha. Era os anos 60. Ninguém falava em saúde mental. Os tratamentos não funcionavam e os médicos nem sabiam como nomear seu sofrimento.

Mas Marsha sobreviveu. Ela saiu. Ela conseguiu um emprego simples. Matriculou na universidade à noite e pouco a pouco foi retomando a vida. Aquela experiência no hospital psiquiátrico foi o ponto de virada. Marsha, anos depois, se formou em psicologia, fez doutorado e depois começou a trabalhar com pacientes, mulheres cronicamente suicidas. Em muitas delas, uma versão de si mesma.

"Honestamente, quando eu comecei, eu não percebi que eu estava desenvolvendo uma terapia para mim mesma naquela época, mas eu acredito que eu criei aquilo que eu precisei por tantos anos e eu nunca tive." E foi assim que nasceu a Terapia Comportamental Dialética. Uma abordagem para quem vive no limite, para quem sente demais, para quem sofre demais, baseada em dois pilares: aceitação e mudança.

E a terapia não trabalha com pessoas que estão mortas. Por isso, antes de qualquer coisa, Marsha determinou: "A gente precisa fazer um compromisso. Escolha viver". Em troca, a gente vai te oferecer ferramentas de regulação emocional, ação oposta, enfrentamento e um olhar que diz: "Eu entendo, eu já estive onde você está".

Pacientes muitas vezes olharam cicatrizes visíveis nos meus braços, causadas pelas autoagressões, pelos cortes, pelas queimaduras de cigarro, e perguntaram: "Marsha, você é uma de nós?" Ela respondia: "Você quer saber se eu sofri?" "Eu sofri."

Então, nos anos 80, a DBT foi generalizada para pacientes também com Transtorno da Personalidade Borderline e testada em diversos estudos científicos. E os resultados foram marcantes: menos tentativas de autoextermínio, menos internações psiquiátricas, mais adesão e mais esperança.

Mas o momento mais simbólico de sua história aconteceu em 2011. Aos 68 anos de idade, Marsha voltou no mesmo hospital psiquiátrico, onde décadas antes ela foi chamada de uma das pacientes mais perturbadas, mais sem solução. Agora, ela já era professora da Universidade de Washington, pesquisadora respeitada, referência mundial.

Marsha caminhou pelos corredores, entrou na sala onde ela ficava horas em isolamento como punição. Agora, as janelas eram maiores, o ambiente tinha mudado. Ela sorriu. "Bom, eles mudaram as janelas, agora tem muito mais luz." E naquele momento, a promessa foi cumprida. O ciclo se fechou. Não como uma história de superação rasa, mas como um testemunho real de alguém que foi até o fundo do sofrimento humano e voltou com o mapa.

"Eu decidi trabalhar com as pessoas mais miseráveis do mundo, porque elas acreditam que são ruins e eu sei que não são. Eu estive no inferno e eu voltei para resgatá-las."

E aí, como é que vocês se sentem? Como é que é para vocês conhecer a senhora da linha? Talita mandou uma carinha chorando. Eu também fico arrepiada toda vez que eu ouço essa história, toda vez que... Quem quiser ler a biografia dela é muito legal. E aí, como isso ressoa em vocês?

"É uma história incrível. Eu estava no inferno e fiz uma promessa. Um dia eu ia voltar lá e salvar as outras pessoas." Então, bem-vindos, bem-vindas à Terapia Comportamental Dialética. Eu falei para vocês se prepararem, certo?

Bom, pessoal, então a Terapia Comportamental Dialética, como eu comentei no comecinho desse texto para vocês, ela se chama Marsha Linehan. Alguém perguntou. Ela foi desenvolvida inicialmente para mulheres que tinham desregulação emocional, que eram tinham comportamentos de autolesão recorrente, né? E com o tempo, também ela foi direcionada para pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline. Dizem, esse transtorno ele é mais prevalente em mulheres, mais prevalente em mulheres, principalmente do que homens, certo? Então, estava buscando uma forma de tratar essas mulheres. E aí, então, Marsha, ela trouxe essa contribuição pra gente.

Deixa eu voltar os meus slides aqui. Então, ela propôs um tratamento para mulheres com desregulação emocional crônica e generalizada. Ela percebeu uma coisa, que essas mulheres, né, que tinham de fato uma desregulação emocional muito intensa, crônica, generalizada, e mulheres com Transtorno da Personalidade Borderline, assim como homens, eles simplesmente não adoeciam, assim dizendo, porque "olha, eu tenho transtorno mental". Claro, como todo transtorno mental, existe uma vulnerabilidade biológica. Isso está claro para vocês? Não tem como você ter um transtorno mental sem que você tenha uma dotação biológica para isso. Então, todo transtorno mental tem uma base biológica, certo? E essas mulheres, elas de fato, essas pessoas, né, elas tinham essa vulnerabilidade, certo? Uma maior propensão a desenvolver esse transtorno mental, mas tinha mais algumas características. Ela notou, [limpando a garganta] né, uma combinação do que ela chamou mais tarde de teoria biossocial.

Então, para eu me tornar um paciente borderline, eu precisava nascer com essa dotação biológica, mas também, né, me desenvolver no ambiente invalidante. E o que que é um ambiente invalidante? É um ambiente que não me ensina a me regular, a regular minhas emoções. É um ambiente onde as regras são ambíguas. Hoje vale, amanhã não vale. Agora pode, amanhã não pode. Ora os meus cuidadores são muito punitivos, ora eles são negligentes, certo? Me deixam igual um mofo crescendo no quarto, né? E aí que está. Então, a combinação disso, em grande medida, né, ajudaria com que as pessoas desenvolvessem o transtorno, tivessem, né, puxassem o gatilho do Transtorno da Personalidade Borderline.

Veja só, né? Imaginem, como eu falei para vocês em uma das aulas, quando a gente observa crianças muito pequenininhas, a gente vê que já existe um substrato ali. A gente observa que tem crianças que são mais chorosas, que choram muito, que são irritadiças, outras são muito medrosas, outras são mais tranquilas. Então, imaginem só, por outro lado, que algumas crianças elas nascem com uma vulnerabilidade biológica muito significativa, que elas já nascem com uma dificuldade muito grande de regular suas emoções. Olha, algo está diferente nessa criança. Olha a diferença dela para os irmãos. Ela é muito irritada, ela fica brava à toa, ela faz birra, ela chora muito, né? Então, eu nasço uma criança muito mais sensível. Eu já nasço uma criança com dificuldade de regulação emocional, com uma ou duas ou três daquelas características. Lembram que eu falei para vocês no comecinho da aula? E aí os meus pais olham para mim, eles são pais e não sabem lidar com isso. Então, eu sou uma criança com uma vulnerabilidade emocional muito grande, muito, muito grande, que preciso muito de ajuda. Eu não consigo regular minhas emoções sozinha e nem corretamente. Além disso, eu sou uma criança. Se crianças já não sabem se regular, precisam de adultos, imagina eu que nasci com desregulação emocional severa, intensa, e os meus pais olham para aquilo e eles não têm ferramentas para me ajudar. Eles não sabem como me ajudar. Talvez eles até olhem os meus irmãos e falem: "Olha, como assim? Com muito menos esse que parava de chorar, com muito menos esse aqui não dava birra, não tinha crises de raiva". E aí o ambiente onde eu estou, ele não olha para mim como alguém necessitado e não me acolhe. Ele olha para mim como um indivíduo normal, né? Sem nenhuma grande vulnerabilidade emocional, sem nenhuma demanda intensa para ajuda para regular minhas emoções.

E aí que está, o que que o ambiente faz com essa criança? Ou ele olha para ela e vai superestimar a sua capacidade de resolver problemas. "Ah, você dá conta. Para que você está chorando por causa disso? Seus irmãos dão conta." Ou ele pode até mesmo subestimar as capacidades dessa criança. Ele pode olhar e não dar recursos para ela resolver problemas, tentar resolver sempre por elas. Então, o paciente borderline, ele é ensinado desde criança que aquelas emoções que ele já nasceu, que são muito intensas, que são muito afloradas, é biológico, elas são erradas porque ele não tem recursos para lidar. Imaginem só vocês se a maior raiva de vocês fosse sem, se a raiva de vocês fosse sempre devastadora, sempre virasse fúria e você não consegue controlar, enquanto você não tem uma destrói objetos, grita, extravasa, não sai de você. Imaginem só você se você tivesse nascido com uma tristeza que quando vem é uma angústia muito forte, muito opressora, e você não sabe lidar, só não quer sentir aquilo, tira isso de mim. E qualquer outra emoção é muito intensa e você não tem recurso para lidar.

Então, o paciente borderline, com o tempo, ele se torna emocionalmente fóbico, porque suas emoções são assustadoras, elas vêm, derrubam, são muito intensas e eu não tenho ferramenta para lidar. E aí que muitos e muitos pacientes buscam recursos mais nos mais diversos comportamentos para tentar atenuar o volume da emoção. Podem ser estratégias mal adaptativas. É comum, né? É frequente que esses pacientes se autolesionem, que eles se que eles se autolesionem. Não é incomum que esses pacientes façam abuso de álcool para tentar atenuar o volume das emoções, dentro de uma série de coisas, certo? Então, de fato, quando eles crescem nesse ambiente, a gente tem uma via de mão dupla. Eu nasci assim, com uma grande dificuldade. Eu não aprendi a regular essa emoção. Eu já nasci dessa forma. E o ambiente, além de não me dar ferramentas para lidar com isso que eu sinto, com isso que acontece embaixo da minha pele, ele me coloca numa situação por falta de recursos, certo? Que piora essa situação. OK?

Então, pessoal, quando eu olho para as estratégias de enfrentamento, eu quero trabalhar com esse paciente para que ele se torne consciente, no controle voluntário dessas emoções, dessas respostas comportamentais, algo que ele não teve no passado, algo que ele não teve no início da vida dele. Então, a Marsha Linehan, ela propôs pra gente uma terapia, né, que ajudasse a gente lidar com esses indivíduos, com esses pacientes, certo? E o que que é essa história de dialética? Vocês sabem? Comentem aqui no chat que vocês acham.

Exato. Alguém falou: "A pessoa não tem recurso para enfrentar os desafios. Tá, são pessoas difíceis de conviver." Sim e não. Vamos, a gente vai falar um pouquinho sobre isso. A família está adoecida? Às vezes sim. Às vezes é uma família muito adoecida e às vezes não. São só pais normais sendo pais. Mas se nós psicólogos estamos aqui precisando fazer um curso para ajudar essas pessoas, imagina quem só tem o diploma de pai e mãe, quem não sabe lidar com uma pessoa com uma desregulação muito intensa.

Bom, então alguém disse dialética para se expressar. Que mais? Que que é dialética? Mais algum palpite? Vem de dialético, [inaudível] emocional. Ah, Maria Clara falou uma coisa importante. Perfeito, Maria Clara. Olha, uma pessoa falou: "Percebo nitidamente que essas abordagens prediletas." Eu não falei isso. Você que está falando, amigo. Falei nada. Estejam preparados para hoje e para amanhã. Dialética faz parte da linguagem. Linguagem. Confronto. Vamos lá, então. O que que é a dialética?

Bom, e se eu dissesse para vocês que a verdade não é relativa? A vida inteira a gente aprendeu, né? Nós psicólogos, a gente sempre, nós sempre falamos: "Ah, a verdade é relativa, depende do contexto, depende de quem vê". Mas e se eu falasse que está totalmente errado, que na visão da dialética a verdade não é relativa, só existe uma verdade. Só existe apenas uma verdade no mundo, na vida. Que que vocês acham disso? E aí, a Anne está doida? Que que a Anne está falando?

Então, eu vou contar para vocês uma história. Eu queria que vocês... Vou contar a história de um homem e eu queria que vocês me dessem a opinião sobre ele. Existe um homem, né, que ele sofreu muito na vida, ele é negro, sofreu preconceito racial, ele é nordestino, sofreu xenofobia, ele era extremamente pobre, ele tem um transtorno mental muito grave que faz com que às vezes ele não tenha comportamentos adequados, né? Então, ele tem um transtorno mental, ele tem, de certa forma, um pouco controle de alguns comportamentos, né? Ele não teve nem recurso para tratar esse transtorno mental. Ah, então vejam só que visão que vocês têm dele. Negro, nordestino, pobre, maltratado pela vida, não teve oportunidade de estudar e tem um transtorno mental muito grave que faz com que ele não seja totalmente esteja totalmente no controle dos seus comportamentos. Que que vocês acham? Que rótulo que vocês dariam para esse homem? Comentem aqui no chat. Que visão que vocês têm dele?

E aí alguém falou: "Caramba, é um homem invisível para a sociedade." Que mais que vocês acham dele? Muito bem. Que rótulo que vocês colocariam? O que que vocês pensariam nele? Que que que emoção que gera em vocês desse homem? E aí uma pessoa desamparada, abandonada. Que mais? A gente, a psicologia também é social, a gente tem que levar isso em consideração. Alguém falou um sofredor, uma pessoa ferida, uma pessoa sofrida, invisível, um homem em sofrimento, um homem em abandono, coitado, um sofredor, um excluído da sociedade normativa. A Ruth, obrigada. >> [risadas] >> Não vou responder, depois faz seu curso. Obrigada, Ruth. O excluído no mundo. Tristeza, sofrimento. Coitado, sofrimento. Então, todo mundo, exceto quem faz meu curso com a Rute, concorda, né? Uma pessoa desamparada, negligenciada, né? Tá? Então, essa é uma verdade sobre esse homem. Vocês concordam, certo?

E se eu falasse para você, para vocês, que esse mesmo homem, ele também é esse aqui? Vocês conhecem ele? Vocês conhecem esse rosto? Quem lembra dele? E aí? "Falha-me, Deus." Aí que a Laara falou: "Socorro! Meu Deus, misericórdia. Vixe, a Daione lembra dele." É o Lázaro. A Cris também, tá? Então, se em uma mão vocês falaram: "Coitado, vulnerável, vítima, sofredor, desamparado", por um outro lado, quem que é esse homem? É o Lázaro? É um assassino, fez coisas terríveis com outros seres humanos. Não teve compaixão, cometeu violência sexual, matou pessoas inocentes, cometeu as coisas mais terríveis. Lembram? Pois é.

Então, vejam só, a verdade não é relativa, porque ele, por mais que ele cometa coisas terríveis, né, que Deus me livre, né, um ser humano fazer tudo isso, ao mesmo tempo ele também é aquela outra coisa. Enquanto em uma mão a gente carrega uma verdade sobre ele, assassino, violento, cruel, maldoso, na outra mão, vítima, vulnerável, fez o que fez porque tem um transtorno mental, transtorno de personalidade antissocial. Então, a verdade é que ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Isso é a dialética. Percebem? Não existe isso ou aquilo. Ele é vítima ou ele é terrível, assassino, cruel, as duas coisas. A verdade não é relativa. A verdade é só uma. A verdade é a soma dessas duas coisas. Ele é as duas coisas ao mesmo tempo. Faz sentido para vocês? Alguém falou: "Pesou o clima." Pesou mesmo. Eu falei para vocês prepararem para essa aula. [roncando]

Então, vejam só, a verdade é essa. Não existe "sim, mas". Na DBT, a gente não fala "mas". Não existe "mas". Ele é um assassino, mas ah, ele é uma vítima. Hum, hum. Não existe. Ele é uma vítima da sociedade. Ele tem um transtorno mental grave que não faz com que ele tenha controle de certos comportamentos, mas ele é uma vítima, ele é um assassino, ele é cruel. Não existe "mas", existe a soma, é o "e". A gente troca o "mas", uma conjunção adversativa, por um "e" e a gente soma. Então, a gente soma duas verdades. A verdade, então, ela é a soma de dois opostos. Ela é a soma de duas coisas extremamente contraditórias e não necessariamente uma verdade em oposição à outra. Faz sentido isso para vocês? Muito bem.

Então, vejam só, né, Linehan, ela buscava um modo de consolidar, né, se... Ela foi lá baseada na filosofia histórica, né, a dialética. Ela foi baseada numa visão de mundo, né, a DBT, na visão dialética. Linehan, então, ela buscava uma forma de consolidar com seus colegas um tratamento para pacientes para suicidas, para pacientes suicidas e tentou no começo pela TCCiana, que foi da nossa aula de ontem, certo? No entanto, quando a Marsha tentou tratar essas pacientes com a TCC clássica, ela viu que uma terapia baseada em mudança, boa parte das nossas terapias são baseadas em mudança. A gente quer mudar o paciente, mudar o comportamento, mudar o pensamento. Ela viu que com essas pacientes não rolava, porque pacientes borderline, né, era um recurso quase que inútil. Quando eu tentava propor uma terapia baseada em mudança, elas se sentiam frustradas, irritadas, com raiva e desistiam do tratamento. Então, a clássica falhou. E a Linehan notou, né, que recursos de terapias paradoxais, terapia paradoxal, começaram a fazer sentido.

Então, o que que a Linehan percebeu, né, que eu incentivar a aceitação, ao invés de apenas a mudança, ajudava em grande medida esses pacientes. Então, a Linehan, ela baseou essa terapia numa visão dialética de opostos. Uma terapia apenas baseada em mudar fazia com que as pacientes não se sentissem compreendidas. Como assim? Você está me dizendo que eu preciso mudar? Você está me dizendo que a minha vida... Olha, você não está entendendo. A minha vida é muito complexa, é muito difícil. Gente, imaginem, lembra o que eu falei para vocês? Vamos entrar então com os dois pés no DBT. Vamos sentir a DBT. Pensem na pior raiva de vocês. Pensem nela com frequência quase todos os dias. Pensem na pior tristeza de vocês. Imagina ativando isso todo dia quase. Então, imagina alguém que vive no inferno, que tem um inferno embaixo da pele, o sofrimento intenso. Quando você fala: "Você precisa mudar", não dava certo. O paciente se sentia invalidado, desistia. E foi quando então Linehan percebeu que a DBT passou a fazer sentido, não que foi tão rápido e mágico, estou pulando uma boa parte do processo histórico desenvolvendo essa terapia. Mas Linehan notou que a DBT, então, ela faria sentido para essas pacientes quando equilibrassem dois opostos: aceitação e mudança ao mesmo tempo.

Então, a DBT, ao contrário da TCC clássica, por exemplo, ela propõe a integração de opostos. Ao mesmo tempo que eu vou ser um terapeuta que age com firmeza e vou falar: "Ei, vamos lá, a gente vai seguir o protocolo", eu também vou dar licença, eu vou ser flexível, eu preciso ser firme e flexível e falar: "Pera aí, é momento de ceder e deixar o paciente passar". Ao mesmo tempo que eu quero promover a mudança, eu vou trabalhar a aceitação. Ao mesmo tempo que eu vou validar aquela pessoa: "Você está sofrendo para caramba, hein? Você foi lá, ei, deu na cara do seu namorado, deu na cara de não sei quem, porque estava desregulada emocionalmente." Eu vou validar a emoção, eu vou propor mudança do comportamento, eu vou sempre fazer a a integração, a soma desses opostos. Está fazendo sentido para vocês?

Então, acima de tudo, a DBT, ela foi baseada no método, na visão dialética que eu trouxe para vocês quando a gente fez a dinâmica do Lázaro, certo? E a dialética é um ponto de vista, é uma maneira filosófica, é uma maneira de ver o mundo, mas também um método de persuasão. E assim, né, na medida em que a dialética é uma visão de mundo, ela fornece pra gente uma maneira de ver os problemas que os pacientes trazem para nós, pro mundo em geral. Se eu quiser trabalhar com a DBT, eu vou ter que entrar na visão de mundo dialética, eu vou ter que vestir o manto da dialética, essa visão, certo? Porque isso também vai influenciar a forma com que a gente se move através do tratamento o tempo todo.

Então, a dificuldade que às vezes muitos terapeutas têm para tratar pacientes borderline, um paciente suicida, é que a gente está sempre numa gangorra, certo? Marsha Linehan traz essa analogia, a gente está ou a gente está andando como uma vara de bambu, sabe? Equilibrista do circo, né? Quando ele está com uma vara de bambu, andando ali, né, numa numa linha, num fio, como que funciona? Imagine você, você está andando com uma vara de bambu, tentando precariamente se equilibrar num fio esticado num precipício. Você sente que seu corpo começou a cair para cá. Qual que é a lógica? Eu jogo meu peso pro lado oposto. Então, desse modo, né, quando a gente atende um paciente com esse nível de gravidade, com esse nível de severidade, que se machuca, que pensa em se autoestimar, que tem emoções muito intensas, a gente também tem que aprender andar num fio esticado segurando uma vara. Se eu andar muito para um lado, se o paciente puxa muito para cá, eu vou pro outro lado para recuperar o equilíbrio. Se o paciente jogou muito para cá, eu vou pro outro. E assim eu equilibro o tempo inteiro: aceitação e mudança. Então, a nossa tarefa como terapeuta é manter o equilíbrio de uma forma que eu e o paciente a gente sempre ande ande pro meio, certo? De modo que eu sempre tenho um movimento, um contramovimento. Isso é a parte central do tratamento. Dialeticamente, né? O que que isso significa? Dois extremos. Lembram do Lázaro? Ele é vítima extrema. Falar isso. Ele é só assassino extremo. Falar isso. Então, a gangorra na DBT, ela vai apresentar os opostos. Vejam só, né? Por exemplo, quando a gente estava falando lá dele, né? O que que a gente concluiu? Bom, a verdade é a soma de duas coisas. Em uma mão eu carrego uma verdade, que é vítima, coitado, tem um transtorno mental. OK. Em outra mão, assassino, impiedoso, cruel, maldoso, maldoso. Certo? Então, quando eu tenho uma tese na DBT, eu tenho uma antítese, o oposto dela, certo? E quando eu faço a integração, eu compreendo que não é uma coisa ou outra, mas as duas que elas se somam. Eu tenho então a tese, então eu tenho eu tenho então a síntese, certo? Então é isso que a gente faz na DBT o tempo inteiro. A gangorra, ela vai representar isso. A gente tem uma tese, uma antítese, o que se opõe a ela e a síntese, que é a soma, a integração desses opostos e que imediatamente vão deixar de existir. Porque para cada vez que eu fizer essa integração, eu tenho uma ideia, eu tenho uma tese, eu tenho uma coisa contrária a ela, elas se somam e a soma disso gera um resultado final. Ah, ele é violento e assassino e ao mesmo tempo ele é uma vítima. Ao mesmo tempo que eu falar isso para vocês, vocês vão ter uma outra coisa que se opõe a isso. E essa outra coisa vai ser uma nova tese que gera uma nova antítese e uma nova síntese e assim a de infinito. Está fazendo sentido para vocês? Sim.

Bom, vamos entrar também então numa outro conceito que é essencial para DBT. O que que é aceitação? Comentem aqui no chat. Alguém me conta. Bom, a Ju falou: "Faz sentido sim, geralmente a gente só vê por uma perspectiva." Sim, tudo bem. Aen falou: "Integração de opostos." Perfeito. Ah, a Luigi falou: "O tempo passou voando, estava tão cansado, mas as aulas me prendem." Que bom. Perfeito. Alguém falou que aceitação, aceitação é condicional, compreensão. Que mais? Autoconhecimento, compreensão do outro. Que mais? Enxergar que tem um problema, uma dificuldade? O que que é aceitação?

Vejam só, aceitação é eu aceitar a realidade como ela é, em vez de como eu gostaria que ela fosse. Eu ver a realidade como ela é, em vez de como eu gostaria que fosse. Mas eu aceitar a realidade como ela é e não como eu gostaria que fosse, não é um estado de passividade, não é "aceita que dói menos". Vejam só, aceitação vai muito além disso. Que que vocês já tiveram um contato com aceitação em arte? Sim. Não. Bom, a ideia de aceitação, ela surge nas terapias de terceira onda, falando pra gente que boa parte do nosso sofrimento vem da tentativa de controlar, de não aceitar o nosso sofrimento. Então, imaginem, por exemplo, que eu estou sofrendo porque, eh, enfim, eu preciso fazer uma determinada coisa na minha vida. Poxa, eu quero, eu tô, eu sofro porque eu não tenho os resultados que eu gostaria no meu trabalho. Você acho que é um péssimo exemplo. Eh, eu sofro, na verdade, porque eu sou uma pessoa ansiosa. Então, quando eu estou sofrendo, quando eu tenho uma ansiedade, né, muito frequente na minha vida e eu sofro porque eu me sinto ansiosa, né? Eu tenho dois tipos de sofrimento. Primeiro, quando alguma coisa me causa ansiedade, eu começo a sofrer. E segundo, eu sofro porque eu sou ansiosa. Em terceiro lugar, eu tento controlar essa ansiedade. E nem sempre, como a gente falou, eu vou tentar fazer isso de um modo mais saudável. Muitas e muitas vezes vou fazer uso de substâncias para controlar minha ansiedade, eu vou ter as mais diversas artimanhas, né? Então, eu também sofro nesse processo de tentar controlar o meu sofrimento. Então, boa parte do nosso sofrimento vem daquilo que a gente faz para tentar não sofrer. Mas se alguma coisa não está sob controle na minha vida e eu aceito, certo? Como as coisas são, olha, eh, eu deixo de sofrer.

Tem uma história, eu não deveria contar essa história, mas vou contar, eh, que eu sempre gosto de contar, na verdade, pros meus alunos, né? Eu toda, né, ensino DBT, ensino sobre aceitação pros meus alunos, pro meu... meus pacientes. Bom, eh, há alguns anos, antes de mudar pra Inglaterra, eu morava num outro país, né, ah, que se chamava Malta. E Malta é um país de língua inglesa também. Eh, e Malta, né? E antes de mudar para cá, pro Reino Unido, para tirar o visto para cá, para residência, eu precisava fazer uma prova de inglês, né? Né? Eu precisava ter proficiência em inglês. Eh, e aí, né, eu fiquei um pouco ansiosa no dia, porque por mais que eu tivesse estudado inglês por anos, por mais que eu morasse já há anos num país de língua inglesa, era uma avaliação. A gente tinha um prazo muito pequeno, né? Tipo, teria uma chance de fazer essa prova de proficiência. Eh, e a gente tinha que ter o visto muito rápido, muito pronto, tudo mais. Meu namorado, ele ia começar a trabalhar aqui, enfim, a gente tinha um prazo muito pequeno para aquilo dar certo. Se não desse certo, ia ter que remarcar a prova, ia demorar muito. Então, pera aí, né? Eu preciso fazer com que isso dê certo e rápido. Então, lá fui eu fazer essa prova de proficiência para ter o meu visto aprovado. Se eu não fosse aprovada, não teria visto. Só que eu cheguei nessa sala de exame, né, e não estava legal o ambiente, porque eu sentei para fazer minha prova, já estava um pouco preocupada, né? E quando eu estava lá, tinham várias pessoas ao meu redor. E essas pessoas ao meu redor, né, elas estavam fazendo a prova também. Umas um nível para trás, outro para frente, outras fazendo outra prova, outro tipo de exame, que era um centro de aplicação. E eu pensei: "Poxa vida, eu estou sentada aqui para fazer uma prova que eu preciso ouvir inglês, responder inglês, escrever inglês, saber que que eu provar que eu sei inglês e como que eu vou conseguir me concentrar. Eu estou numa parte da prova, vai estar respondendo uma outra questão da prova, né, e tudo assim, né? [suspirando] Aí eu falei: "Bom, eu vou lá reclamar, né?" Então fui lá com toda a delicadeza na secretaria, né? Não reclamar, mas falar: "Olha, eh, eu preciso fazer a prova de proficiência, eu preciso fazer esse exame". E está muito difícil, porque enquanto eu estou tentando ouvir, tem pessoas em volta de mim que estão dando a resposta oral, estão falando, estão fazendo outra coisa, estão dando play no áudio, né? E aí o cara olhou para mim e falou: "É o que é. É assim para você? É assim para eles, é a opção que você tem." E aí, quando ele falou isso para mim: "É o que é", eu me dei conta, né? Eu lembrei de tudo aquilo que às vezes a gente fala pros pacientes que a gente, que eu ensino nas aulas e pensei: "É o que é? Eu não tenho outra opção." Duas, uma: eu poderia entrar em aceitação, né? OK, eu vou fazer com as condições que eu tenho, eh, e parar, né, tipo, de dar tanta vazão a essa angústia, ansiedade e tudo mais, OK, vou fazer, tá? É o que é. Ou eu poderia realmente ficar: "Meu Deus, eu não vou conseguir, não vai dar certo, e agora que que eu faço? Não sei o quê, porque está injusto, porque não está certo." Brigar com o cara, ser grosseira, ser mal educada, né? A Isabela falou que vai até na Inglaterra. Claro que eu marco um café com vocês, sempre me avisem, quem sabe a gente não se encontra. Adoro encontrar vocês quando vocês vêm para cá, meus alunos. E aí que está, né, voltando à prova, das duas uma, né, ou eu entrava em aceitação e ficava brigando, ou eu ficaria brigando, batendo boca com o cara. E enquanto eu estava lá conversando com ele, meu tempo estava correndo, né? OK, né? Respirei fundo, voltei para a prova. É o que é? Fiz a prova. Bom, moro na Inglaterra já tem 4 anos, aproximadamente, né? Quase quase 5 anos, na verdade. 5 anos. OK, fiz a prova.

Agora imaginem só, né? Um outro exemplo que eu sempre gosto de dar. Imagina que você fazer uma viagem, você vem aqui pra Inglaterra me encontrar pra gente tomar um café e aí você vira e fala para alguém, né, pro seu parceiro, pra sua parceira: "Olha, eh, pega os passaportes, os passaportes estão em tal lugar, em tal gaveta." E aí seu namorado, sua namorada, seu esposo, sua esposa vira e fala: "Não, não está aqui não." Como assim? A gente está atrasado pro aeroporto, o passaporte não está lá na gaveta? Como assim? E aí você começa a ficar nervosa. "Não, mas espera aí, gente, eu coloquei o passaporte na gaveta. Como assim? Que coisa, que bagunça que está essa casa? Que falta de responsabilidade, que não sei o quê, que isso e aquilo. Era para estar aqui porque eu coloquei no dia tal." Você se engalfinha com aquele pensamento, você pega aquele pensamento e começa a lutar com ele porque deveria estar aqui. O tempo está passando, você vai perder o voo. Você não está em aceitação, você está simplesmente cedendo ao pensamento, cedendo à emoção. Quem está de controle é a emoção daquele momento. Ou você pode dar um passo para trás, respirar fundo e falar: "OK, não está onde deveria estar. Que droga, né? As coisas nem sempre estão no lugar que a gente quer. Então, agora eu posso respirar fundo, pensar e com clareza procurar isso, imaginar onde pode estar." Percebem?

Então, aceitação não significa que eu sou uma pessoa passiva. "Aceita que dói menos, aguenta qualquer coisa." Não. Mas significa que eu vou olhar para a realidade como ela realmente é, aceitar as coisas como elas são e não como eu gostaria que fossem. E a Anne gostaria que o exame de proficiência em inglês fosse numa sala sem barulho, sem interferência externa, sozinha, mas não era. Adianta eu ficar falando: "Ai, mas eu gostaria que fosse assim, ah, mas eu queria que fosse assim"? Não, eu fui lá e fiz. A partir do momento que eu aceito que são as condições que eu tenho, eu vou lá, faço minha cidade diminuir. A partir do momento que eu aceito que o documento não está onde deveria, eu paro de ficar de "Meu Deus, ele deveria estar ali, não sei o quê, mas eu coloquei, mas não sei o quê". Respiro fundo, aceito e vou e penso onde ele realmente posso estar, onde eu posso encontrá-lo. Eu posso ter ações propositivas. Então, eu aceito, eu aceito como as coisas são, é o que é, certo? Tem coisas que eu não posso mudar. Então, por exemplo, né, existe aquela frase, a prece da serenidade: "Aceitação para aceitar aquilo que eu não posso mudar e coragem para mudar as que eu posso." Certo?

E aí eu pergunto para vocês, psicólogos e psicólogas, vocês estão, vocês sentem que vocês estão dispostos a aceitar a realidade como ela é depois de tudo que a gente conversou e não como vocês gostariam que fosse? Comentem aqui. Depois de tudo isso que eu falei para vocês. Vocês se sentem prontos a trabalhar a aceitação radical? Vocês se sentem preparados para ver o mundo, para aceitar as coisas como elas são e não como você gostaria que fosse? Vocês fazem esse compromisso? Alguém falou: "Sim, com certeza." A Gabi falou, a Isa também falou que sim, a Rosângela também falou que sim. Posso, posso repetir? Eu perguntei se depois de tudo isso que a gente conversou aqui, vocês estão prontos para tentarem para tentar de repente começar começar a trabalhar a aceitação radical de vocês. Se vocês já estão dispostos a tentar trabalhar a aceitação, a ver a realidade como ela é, em vez de como você gostaria que fosse. Sim, é um processo difícil, mas vou tentar. Sim, sim. Vou tentar. Pronto, estou pronto. Vou começar com certeza. Então, tá bom. É um compromisso.

Então, vamos fazer um teste. Vamos ver se vocês estão prontos para trabalhar a aceitação desde já para aceitar a realidade como ela é, não como você gostaria que ela fosse. E se eu dissesse para vocês, esse é um dos princípios da DBT, meus queridos e queridas alunas, que o mundo é perfeito como ele é. E se eu dissesse para vocês que o mundo é perfeito como ele é? E se eu dissesse para vocês que o mundo é perfeito do jeito que ele é? O mundo é perfeito como ele é. E aí, como isso ressoa?

Bom, então quando a gente fala sobre aceitação radical, evidentemente ela não é um estado de passividade, mas ela ensina a gente, desculpa, Rio está pegando pesado, eu sei. DBT, eu falei para vocês se prepararem, eu avisei. Venham preparados para amanhã também. Certo? Desafiador, extremamente, com certeza. Então, né, quando a gente fala sobre o conceito de aceitação radical, eu olhar como as coisas são, né, não como eu gostaria que fossem, eventualmente, mas não estado de passividade. Então, a aceitação radical, ela traz pra gente algumas perspectivas. Eu não posso me aproximar da vida que eu quero ter e me tornar a pessoa que eu quero ser sem aceitar aceitar radicalmente meu passado e sem aceitar radicalmente meu presente. E sim, a gente vai receber pacientes borderline extremamente traumatizados e não só eles. Mas vamos lá, pensem vocês na vida de vocês. Dá para mudar o passado? [limpando a garganta] Aceitação, mudança. Sim, eu lamento muito que cada um de vocês que está aqui hoje vendo essa aula ao vivo tenha passado por alguma coisa ruim na vida, traumática, desafiadora. Tenho certeza que muitas pessoas aqui passaram pelas coisas mais terríveis que talvez não tenha contato para ninguém. Eu sinto muito, muito mesmo, de verdade. Mas ao mesmo tempo, quando a gente olha para as coisas ruins que a gente viveu no passado, ou você aceita radicalmente o seu passado ou você não consegue se mover na... você não consegue ter seu momento, aceitação no presente. Você não pode se tornar quem você quer ser, porque seu passado te controla. Olha, eu ainda vou viver, eu ainda vivo com uma pessoa que sofreu X coisa. Eu entendo que seja muito doloroso. Eu entendo que seja muito difícil ter vivido X coisa, mas se você não aceita que, infelizmente, que droga que isso te aconteceu, você não vai ter comportamentos no presente, talvez, que te ajudem a se tornar a pessoa que você gostaria de ser.

Além disso, quando a gente trabalha a noção de aceitação radical, não tem como você se tornar aproximar da vida que você quer ter sem aceitar o presente, certo? Que que isso quer dizer? Muitas pessoas estão aqui agora, mas estão pensando no futuro. Então, poxa, eu tenho que fazer isso, a faculdade, aquilo, meu relacionamento, isso, minha ansiedade, aquilo. E a gente já sofre muito no presente. Então, a gente já é ter uma boa dose de sofrimento no momento atual. Então, a gente deveria estar aqui. Quando eu sofro pelo futuro, eu sofro duas vezes e o presente eu tenho sofrimento bastante suficiente. Certo? Além disso, eu não posso construir a vida que eu quero construir se eu não aceitar a dor. Evitar a dor causa mais sofrimento, certo? Então, se eu tenho uma dor muito intensa, eu trago alguma coisa muito dolorida para minha vida, tenho algo que me incomoda, que me aflige muito, o que que eu tenho feito para lidar com essa dor? As estratégias, como diz Reis, que a gente vai estar amanhã, as estratégias que a gente tem para lidar com a dor, em grande medida são apenas responsáveis por causar mais dor, certo? E também, né, eu preciso aceitar que as coisas são perfeitas como elas são e que desejos muito intensos causam mais sofrimento.

E aí isso nos leva então para fechar nossa aula daqui a pouco já ao Transtorno da Personalidade Borderline. Bom, pra gente fechar, que que você já ouviu sobre o paciente borderline? Quais rótulos? Comentem brevemente aqui no chat. E aí, que que vocês já ouviram falar sobre eles? Instáveis. Que mais? Podem podem falar. Maluco, manipulador, difícil. É incrível, impactante. Que bom, fico feliz. Problemático, intenso, destemperado, agressivo, instável, manipulador, mentiroso, dramático, que ama demais, descontrolados, complicados, problemáticos, tá?

Então, vou fazer uma pergunta para vocês. Então, olhem só, foquem aqui comigo. Ahã. Vamos voltar na nossa primeira pergunta, uma das primeiras perguntas que eu fiz para vocês. A gente já tem quase uma relação, né? Já é uma [limpando a garganta] relação. Mas lembrem uma das primeiras perguntas que eu fiz? Quem é uma das pessoas no mundo que você mais ama, com quem você mais se importa? Pensem nessa pessoa, pensem nesse rostinho aí, tá? >> [roncando] >> Se essa pessoa que você ama muito e com quem você se importa muito tivesse uma doença física, eh, uma doença muito grave que causa muita dor, né? Eh, poxa, essa pessoa está se tratando de um problema, né? E, nossa, está sofrendo demais agora, está causando muita dor. E ela te pedisse ajuda para ir no hospital, olha, eu estou com muita dor, não está dando. Você sabe que ela está doente, você sabe que está num estágio terrível. Ã, que que você faria? Você levaria essa pessoa no hospital? Você ajudaria ela? Sim ou não? Comentem aqui no chat. Sim, né? E você acharia, consideraria que essa pessoa que você ama é manipuladora, é controladora, é ardilosa? Porque ela está te pedindo ajuda para levá-la no hospital, porque ela está sentindo muita dor física. Imagine uma pessoa com câncer em algum lugar, num estágio muito avançado, que sei lá, precisa ir no hospital tomar um medicamento forte para dor, ajudaria, certo? Mas vocês pensariam que ela é manipuladora?

Então, quando eu ensino sobre DBT para os meus alunos nos meus cursos, na pós e na formação, eu sempre faço a pergunta: "Quais rótulos vocês já ouviram sobre o paciente borderline?" "Manipulador, mentiroso." Já fui professora de PBE falando que borderline é o transtorno da mentira, que eles são mentirosos. E aí que está, hoje os meus alunos, eles têm esse julgamento crítico. Eles eles que estão aqui vão concordar, né? Então, vejam só, manipulação significa aqui no dicionário, vou ler agora, hein? Não é minha definição, influenciar o comportamento de alguém de forma ardilosa, fraudulenta, implícita, sem que o outro perceba para obter uma vantagem. E o equívoco está aqui. Segundo a DBT, quando eu olho para um paciente com borderline que está em

Sofrimento intenso. Um paciente que talvez não seja borderline, mas está com uma desregulação emocional intensa. Primeiramente, o borderline ele não tenta influenciar ninguém de forma implícita, sutil. Pelo contrário, o paciente borderline, ele não tem muita habilidade em manipular e enganar. Pelo contrário, ele é impetuoso, ele é claro no que ele quer. Te fala aqui agora, certo?

Segundo lugar, o borderline não é ardiloso. Se alguém que você ama tem uma doença física e grave e no momento de desespero intenso e de dor intensa, essa pessoa te pede ajuda, você vai falar: "O quê? Ah, quer me quer me manipular? Tá me pedindo ajuda para quê?" Então, vejam só, comunicar o sofrimento tá doendo muito embaixo da minha pele. Não é uma doença física, mas tá doendo embaixo da minha pele. Talvez é uma forma de pedir ajuda. Ele tá comunicando o sofrimento porque ele não consegue lidar com ele. Lembra que é muito intenso? Lembra que é uma vulnerabilidade biológica? Uma pessoa que cresceu sem saber como lidar com essa vulnerabilidade. Então, como que pedir ajuda para alguém é manipulador?

Mas Anne, o borderline, ele ameaça se matar, ele tem gestos para suicidas. Para suicidas são aqueles comportamentos, eh, que não colocam, que não, que têm um risco eventualmente de eliminar a própria vida, certo? Mas sem que necessariamente tenha essa intenção. Então eu pego o meu carro, tô muito emotiva, tô muito desregulada emocionalmente, bebo muito, saio dirigindo para ir atrás de alguém, bato num poste, tá? Isso tinha o potencial de me exterminar, mas não necessariamente. Foi um comportamento com a intenção de suicídio, certo?

Então, vejam só, de fato, esses pacientes muitas vezes atentam contra a própria vida, eles se autolesionam, eles comunicam o desejo de morrer. Mas dois pontos cabem aqui. Primeiro, nem todo mundo tem no seu repertório ferramentas apropriadas de resolver problemas. Inclusive, essa terapeuta, essa tarefa de vocês, terapeutas, psicólogos e psicólogas, ensinaram o paciente a resolver problemas. E esses pacientes, certo, eles acabam não sabendo como resolver problemas de outras formas. Por isso eles se cortam, por isso eles falam sobre eliminar a própria vida. A tarefa de vocês que aceitaram esse diploma, ensiná-los a desenvolver novas respostas comportamentais.

Segundo lugar, a vida desses pacientes. Vamos lá. Ah, mas é manipulador. Fica falando de a própria vida. A vida dessas pessoas que tiveram azar na loteria genética tem uma questão biológica nisso. Eles sofreram diversos traumas. Eles vivem em constante estado de luto por diversas perdas na vida. Quantos relacionamentos eu perdi pelo meu estado emocional, pela minha desregulação, pelos meus comportamentos desregulados. Quantas vezes eu sofro de regulação emocional? Então, a vida dessas pessoas elas estão no inferno, certo? Então, de fato, eles têm uma vida muito sofrida e muitos deles não é uma ameaça, eles tiram sim sua própria vida. E talvez a pessoa que falou que é mentiroso, manipulador, que não sei o quê, que quer fazer chantagem, que vai tirar a própria vida, é que tenha distorcido isso. O sofrimento deles, o desejo deles, segundo Marilham, de se autoexterminar, não é uma ameaça, é real.

E por fim, né, se vocês estão comigo na prática baseada em evidências, é essencial que vocês se lembrem de uma coisa. Na TCC, na terapia cognitivo comportamental, eu não trabalho com interpretação, eu não adivinho o que a outra pessoa está pensando. Então, na TCC, a gente não interpreta a fala de ninguém, o comportamento de ninguém. A intenção comportamental na prática baseada em evidências, ela só pode ser medida ou constatada por autorrelato. Ou seja, você não pode inferir, interpretar que, ah, a Anne fez isso por causa daquilo, o fulano fez isso por causa daquilo, porque a intenção dele era não sei o quê. Não, gente, não tá na Disney. Eu só posso realmente tomar como referência a fala do paciente. Eu não, eu não sou psicanalista, não interpreto a fala de ninguém. Eu não interpreto a intenção de ninguém, certo? Então, a intenção comportamental só pode ser medida se o paciente falar: "Fiz mesmo para manipular". E até hoje, segundo Linham, nenhum desses pacientes falaram que foi para manipular ninguém, mas porque eles estavam extremamente necessitados. Então, borderline não é manipulador, ele não é mau. Vocês concordam? Comentem aqui. Exato. Exatamente. É o que a Dani, Daniel falou, levar eles a usar ferramentas que eles não sabem como manusear. Exato, né? Então eu preciso estar preparada para ter um paciente borderline, certo? Eu preciso entender tudo isso. E Lineran tem a seguinte frase: "As dificuldades em tratar esses indivíduos tornam particularmente fácil culpar a vítima e, consequentemente, não gostar delas." O que que isso quer dizer? Que quando o tratamento falha, quando o tratamento emperra, quando eu não sou, não tenho habilidade, eu vou culpar a vítima. E por que culpar a vítima de novo? É uma pessoa que nasceu com uma vulnerabilidade emocional intensa, que não foi ensinada como ser regular. Então, muitas vezes, quando o tratamento falha com esses pacientes, o terapeuta, ah, a resistência, ah, não sei o quê. E realmente é muito fácil culpar a vítima. Mas são pessoas que de fato têm uma grande vulnerabilidade emocional e não só isso, certo? Só que ao mesmo tempo, lembram que a dialética? Sim. São pessoas com uma grande vulnerabilidade emocional e que não têm culpa de nada que elas passaram, de nada que elas viveram, mas ao mesmo tempo elas têm que fazer mais e melhor. Se em uma mão eu carrego a tese, o paciente borderline já está fazendo tudo que ele pode, em outra, ao mesmo tempo é verdade que ainda sim, se ele quiser melhorar, ele precisa fazer mais e melhor.

Então, o paciente borderline é aquele indivíduo que, na perspectiva da DBT, tem uma desregulação emocional intensa, uma desregulação interpessoal, suas relações são afetadas por sua desregulação. Ele tem uma desregulação comportamental, cognitiva dos pensamentos e do próprio self. Então, muitas e muitas vezes é um paciente que não tem noção da própria identidade, certo? Ah, ao mesmo tempo também a desregulação do self, ele é um paciente que não tem nenhum senso de si, que sente o sentimento, tem os sentimentos crônicos de vazio, não sabe quem é. Às vezes ele é um camaleão, ele adota a personalidade de outras pessoas, de outras pessoas, certo? Ele também tem regulação cognitiva. Formas não breves psicóticas podem aparecer, seus pensamentos se alteram, despersonalização, até delírios. A gente também tem desregulação emocional, as respostas muito reativas ou a desativação intensa e desregulação comportamental, comportamentos impulsivos, extremos, problemáticos, suicidas, vontade de se ferir, se autolesionar, se autoexterminar. Então a gente tem que estar preparado para lidar com eles, certo? E o DSM também vai ter sua definição própria, né? Que é um padrão difuso de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem, no que eu sinto, uma impulsividade acentuada que surge no início da idade adulta, está presente em vários contextos, certo? Também ao encontro da teoria da teoria biossocial. Eu nasci com a sensibilidade biológica, cresci no ambiente invalidante, né? E diante disso juntei duas coisas, fiz uma receita, certo?

Bom, então o paciente borderline não é manipulador e a gente vai se deparar com diversos pacientes borderline na clínica. E não só isso. Ah, muitas vezes também vou me deparar com pacientes que têm regulação emocional crônica sem fechar os critérios do DSM, certo? E não só isso, também a gente também tem ele como a gente tem várias comorbidades relacionadas: transtorno depressivo, são pacientes que também de forma não menos também de uma forma relativamente frequente, né? Também têm traços ou características como comorbidade de transtorno bipolar, uso de substâncias, transtornos alimentares, transtornos de estresse pós-traumático, TDAH, outros transtornos de personalidade. Lembram que eu falei para vocês que eu preciso dominar mais de uma abordagem baseada em evidências? Olha só, né? Então, quando eu vou atender um paciente, quantas comorbidades esse tipo de transtorno mental pode envolver? Várias. Eu não conseguiria, por exemplo, trabalhar somente DBT com esse paciente, depressão, transtorno bipolar, de substâncias, certo?

E como funciona a DBT? Então, para a gente fechar a nossa aula? Bem, ela é um tratamento baseado em protocolo e princípios. Que que isso significa, né? Ahã. Márcia Line Han, ela tem a seguinte frase: "Domine o manual com a palma da sua mão. Conheça ele como a palma da sua mão. Você precisa saber a teoria, você precisa saber as técnicas, você precisa saber como validar, você precisa saber como confrontar, mas ao entrar no consultório, deixa ele na porta." Então, a gente tem protocolo, a gente tem um passo a passo, um roteirinho para seguir, mas também é um tratamento baseado em princípios. Às vezes o protocolo não vai ser utilizado, às vezes você vai seguir apenas o princípio geral, certo, da DBT. Então, para esse tipo de paciente, né, com grande vulnerabilidade emocional, com uma dor emocional intensa, a gente vai falhar se a gente der um tratamento tradicional, a gente só vai ter mais um insucesso terapêutico na vida dele, certo? E a DBT o tempo inteiro vai equilibrar esses opostos. Para isso, nós temos as estilísticas de comunicação. Em alguns momentos, eu vou ter o que a gente chama de comunicação recíproca. Eu vou ser calorosa, recíproca, responsiva, vou fazer autorrevelação, contar de algumas das minhas experiências relevantes para aquele contexto, né, dentro dos limites de autorrevelação. Você vulnerável. Aqui eu tô trabalhando a aceitação. E em outros momentos a DBT ela não é só aceitação. Eu tenho o que a gente chama de comunicação irreverente. Eu vou ser confrontativa, desigual, impertinente, incongruente, confrontativa. Isso tem a ver com mudança. Então são opostos, certo? Aceitação e mudança. Qual que é a síntese, né? As duas coisas.

Então, né? Por exemplo, eh as estratégias de comunicação irreverente, elas servem às vezes para desequilibrar o paciente. Vejam só, um dos maiores erros dos psicólogos é acreditar que uma terapia baseada em validação, ai terapia acolher, terapia validar. Não, terapia não é só isso. Um terapeuta que apenas acolhe ou que mais acolhe ou que mais valida é um terapeuta falho. É um terapeuta que na verdade é ineficiente, que diz respeito ao paciente. Um, prestem [limpando a garganta] atenção nessa frase, hein? Decorem ela. Um terapeuta que mais valida é o terapeuta invalidante. Por quê? Eu tô no inferno, eu tô vivendo um tanto de problema, perdi o trabalho, perdi meu relacionamento com os meus amigos. Perdi isso, perdi aquilo, tô brigando com o meu cônjuge, isso e isso e tô sentindo aquele tanto de emoção. Aí eu vou na terapia, bato na sua porta e você fica me acolhendo e validando. Poxa vida, que desrespeito. [roncando] Validar, ficar acolhendo é praticamente dizer: "Seus problemas não são importantes. Eu vou ficar aqui te ouvindo, você vai ficar desabafando, eu vou ficar te falando que pena". E a gente não sai disso. Então, um terapeuta que mais valida ou que apenas valida, ele é invalidante. E um terapeuta que não valida, que não acolhe, que só empurra a mudança, vamos mudar, vamos fazer isso, né? Sem reconhecer toda a situação. Ele é um carrasco, ele é um tirano, ele é cruel.

Então, o que que eu preciso? Lembra da corda bamba? Vocês estão em cima do precipício segurando uma vara de bambu. Se eu tô indo muito para a aceitação, eu jogo para mudança. Se a terapia tá chamando muito para mudança, eu volto na aceitação. Faz sentido para vocês? Imaginem só, né? Ã, o paciente de vocês vira e fala o seguinte: você tá atendendo esse paciente, né? Deixa eu só localizar meu slide aqui de novo. Você tá atendendo esse paciente e aí em algum momento você teve uma fala que foi mal interpretada por ele na sessão. Ele sai bravo da sala, batendo a porta. Passou alguns minutos, ele te liga. Olha, fulano, eu realmente não gostei do que você me falou. Eh, mais do que nunca me sinto incompreendido e eu tô aqui. Eu vou tirar minha própria vida. E essa pessoa tá tão mobilizada por essa emoção que ela nem consegue te ouvir, né? Ã, um exemplo, então que que você falaria nesse momento? Você pode validar, você pode acolher ou você pode tentar mudança. As duas coisas são perigosas, gente. Eu tô dando um exemplo sem contexto. Então, não façam isso sem treinamento e não façam isso em qualquer confronto, em qualquer situação, OK? Não façam isso. É um exemplo fora de contexto. Aí imaginem só que nessa situação com esse paciente, né, eh, eu tô tentando, não, olha, eh, eu sinto muito que seja esse sentido assim, não foi isso, não tá funcionando. Eu posso então, é só um exemplo, hein? Não façam isso em treinamento no conta certo. Eu posso então usar comunicação irreverente. Você não tá me ouvindo? Você tá correndo um risco e eu tenho dinheiro na conta. Dinheiro na conta, eu sempre uso essa analogia para falar, eu tenho uma relação terapêutica que me permite fazer isso, então eu tô rica, eu tenho bastante dinheiro no banco, você sabe quem eu sou, você sabe que eu me importo com você, eu tenho dinheiro na conta para gastar. Eu viro para você e falo assim: "Olha, fulano, eh, eu entendo, você tá me dizendo que você tá querendo tirar sua vida? Você tá no topo de um prédio querendo fazer isso?" É, [limpando a garganta] eu entendo, né? Eh, realmente você deve estar se sentindo muito mal, mas olha só, você já parou para pensar que talvez se você cair do topo desse prédio, eh, você não vai morrer? Então, faz o seguinte, antes de você fazer isso, ficar desacordado, ficar tetraplégico, eh, me diz onde você tá, porque pelo menos você vai ser resgatado num hospital aí nessa região e eu posso te mandar flores, porque talvez você só fique tetraplégico, sua vida fique pior. Que que vocês acham disso de novo, gente? É um exemplo num contexto onde não existe um paciente real. Não repliquem isso em treinamento. Que que que isso gera? Eu tô usando comunicação irreverente, eu tô te gerando uma desestabilização. Era tudo que você não esperava ouvir de mim, certo? Era tudo que você não queria. Tipo, como assim? Meu terapeuta tá falando: "Ah, você vai se jogar, então tá bom. Me fala onde é o bairro que eu te mando flores no hospital. Você vai ficar sem andar, talvez, talvez você não morra." Nesse momento que eu gero essa instabilidade, é onde talvez eu tenha como fazer uma intervenção, onde gerar um pouco de validação, propor algum tipo de mudança. Então eu desequilibro para reequilibrar. Tava tentando te validar, não funcionou certo.

Olha, eh, terapeuta aí vira, sei lá, tô numa sessão, aí meu namorado não atendeu minha ligação. Como assim ele não atendeu minha ligação? De primeira, fui pra porta do prédio dele, risquei o carro dele. Nossa, sério? E aí a pessoa tá mobilizada, tá gritando na sessão, tá chorando. N n olha, vamos chamar os bombeiros, vamos chamar a polícia. Como assim? O terapeuta tá falando que porque el uma ligação minha para eu chamar a polícia. Tô, né? Então, existem técnicas específicas para gerar essa desestabilização, né? Seja porque eu quero colocá-lo luz no fato de que aquilo é tão fora, né, eh, do razoável, seja porque eu quero desestabilizar esse ouvida naquele momento para poder fazer um tipo de intervenção. Então, existem muitas formas. Em alguns momentos, né, eu não vou fazer essa, não vou ser impertinente de colocar uma informação, uma comunicação irreverente, eu vou ser calorosa, recíproca. Eu sinto muito que você passou por isso. A DBT tem níveis de validação, né? Eh, às vezes você fala: "Poxa vida, né? Eh, mas você precisa ser genuíno. Paciente tá te contando uma coisa terrível e às vezes você usar uma frase como todo mundo se sentiria assim no seu lugar ou poxa vida, eu imagino como tá se sentindo. Eu me sentiria assim no seu lugar." Isso é uma comunicação recíproca, isso é uma validação, certo?

Então, a DBT sempre vai equilibrar esses opostos. Mudança e aceitação. Ela vai trazer a visão dialética, ela vai trabalhar com flexibilidade e firmeza. Eu preciso ser um terapeuta que trabalha com firmeza. Eu trabalho com os meus pés fincados no chão. Eu trabalho, com essa teoria, com uma palma da minha mão. Eu sei cada técnica, mas com flexibilidade para falar, pode passar. Se o paciente precisar passar, deixa uma análise. Certo?

Além disso, né, a DBT vai ter algumas modalidades no seu tratamento. Ela não é um tratamento comum, ela vai prover terapia individual, eu e o meu paciente, um a um, como a gente já faz. Ela também vai ter no seu na sua estrutura um treino de habilidades. Não é treino de habilidades sociais, tem gente que confunde. São quatro habilidades: efetividade interpessoal, que é o que mais parece com treino de habilidades sociais. A gente tem habilidade de mindfulness, habilidade de tolerância ao mal-estar e de regulação emocional. Duas são habilidades de aceitação, duas são habilidades de mudança, certo? Além disso, né? Então ele vai participar de um grupo terapêutico, eu vou tentar localizar um grupo para ele. Caso eu não consiga encontrar um grupo pro meu paciente, o ideal é que não seja eu, tá? Mas caso eu não encontre um encontre um grupo terapêutico pro meu paciente participar, eu mesma posso ministrar. Então eu posso propor duas vezes por semana ou 1 hora e meia de tratamento, mas eu nunca fico trocando, né? Toda semana tem que ter o tratamento individual e também treino de habilidades. Também tem o coaching telefônico, né? Porque são pacientes muito desafiadores e às vezes assim eles vão precisar de ajuda minha, do meu apoio ao longo da semana para se lembrar daquelas ferramentas, né? Para se lembrar de generalizar aquilo que eles aprenderam no treino de habilidades, né? Então, a gente também faz coaching telefônico com eles ao longo da semana, como encorajamento, como lembrete. Mas existe uma regra, vejam só, se você, lembram que eu falei para vocês, paciente morto não faz terapia, certo? Então, eu preciso primeiro fazer um pacto. Na fase, tem os estágios, na fase de pré-tratamento, a gente faz um acordo que esse paciente vai tentar se manter vivo. Vou te pedir uma chance. Você pode não se tirar sua própria vida pelo menos por seis meses? A gente pode fazer esse pacto e depois a gente vai renovando. E a gente também faz um pacto em um certo momento do tratamento. Quando a gente trabalhou os comportamentos que ameaçam a vida, interferem na qualidade de vida, deixa de ser de certa forma aceitável que o paciente continue se machucando. E então se esse paciente ele quer me telefonar no coaching telefônico para me dizer: "Olha, eu não tô sabendo lidar com a emoção, vou me machucar". OK, aceitável. Claro que nem sempre vou poder atender. A gente coloca limites também, a gente tem combinados, como que vai fazer nesse caso? Mas se o paciente nesse [limpando a garganta] estágio da terapia ele me liga depois de ter se machucado, a gente não vai se falar. Se isso é reincidente, a gente pode até pular a sessão da semana. Então, a gente trabalha o tempo inteiro com controle de contingências, certo?

Bom, além disso também a gente tem um time de consultoria. Eu como terapeuta preciso estar num time de terapeutas DBT, formados em DBT. Isso porque, né, é muito fácil a gente, o tratamento não dá dá certo, eu culpar a vítima. É muito fácil eu me esquecer dos pressupostos da DBT. Então, o time ele ele tem como finalidade ajudar a gente a manter a visão dialética, manter tudo, né? Por exemplo, eu comentei com vocês que eu me formei em terapia comportamental dialética por Seatol nos Estados Unidos, no Instituto da Própria Marineram, né? Eh, e uma das coisas que o meu grupo de DBT fazia, né, que o instituto fez, colocou pra gente fazer, era discutir isso. Então, no meu grupo, por exemplo, a gente fazia um pacto, isso é um pacto padrão da DBT. Eh, por exemplo, nesse pacto, a gente acordava o seguinte: todos nós somos responsáveis pelos pacientes uns dos outros. Se alguma coisa fez com que o grupo não ficasse saudável, tipo a fulana ficou com vergonha de trazer, eu sou culpada pelo resultado ruim do paciente dela. Então, todo mundo é responsável por manter o grupo saudável, a visão dialética, os preceitos CDBT. E, né, se o paciente de alguém do grupo tirar a própria vida e algum dia alguém me perguntar, olha, você já teve algum paciente que tirou a vida? Eu vou dizer que sim, eu também era responsável por aquele paciente. Então, esses são pressupostos básicos do time de consultoria, manter a visão dialética, a responsabilidade pelo estado do grupo, certo? Por manter todos os fenômenos ali, né, se manifestando adequadamente, endereçá-los.

Além disso, né, na DBT, ah, a gente também pode ter que encaminhar o paciente para outros tratamentos, se aplicável, talvez para um grupo de para um tratamento para dependência química, talvez para alguma para alguma, sei lá, algum nutricionista, talvez para alguém trabalhar a questão de algum transtorno alimentar, né, eh, e assim sucessivamente. Então, né, o tratamento da DBT, se a gente parar para pensar, ele é complexo e também simples. As duas coisas. O terapeuta, ele cria um contexto de validação mais do que culpar o paciente ao longo tratamento e o terapeuta também busca mudar os maus comportamentos, certo?

E aí, então, a gente tem quatro, cinco grandes estágios, né? Eh, o primeiro grande estágio, eu vou tentar reduzir os comportamentos suicidas que interferem na terapia, na qualidade de vida, promover habilidades comportamentais novas. Já no segundo estágio, eu vou trabalhar o estresse pós-traumático. Muitos desses pacientes, eles vêm com traumas, né? Até pacientes que sofreram abusos, né? Físico, sexual. No terceiro estágio, eu vou tentar já esse paciente a promover o autorrespeito por si, pelo self, né? Lembra que eu falei sobre a questão da identidade do borderline e também alcançar objetivos individuais. Existe também mais um outro estágio, né, que ele não é muito comentado, eh, no Lineran inclusive escreveu muito pouco sobre ele, que seria um estágio de completude e tudo mais, certo?

Então pessoal, para nossa aula de hoje, para quem tá aqui, a nossa palavra chave pro sorteio de hoje, que eu vou telefonar agora para vocês. Deixa eu já preparar minha planilha aqui, só um minutinho. Peço que vocês falem dois números aqui no chat, as duas primeiras pessoas que falarem, o primeiro número vai ser o número principal e o segundo número vai ser o número de caso a primeira pessoa não atenda. Então vamos lá. Os dois primeiros números que aparecerem aqui no chat vai ser, comentem aí, ó. Então, a Gabi Carvalho falou 10. Beleza, então eu vou ligar pro número 10 da planilha. Lembrando que tirando o cabeçalho vai ser então número 11. E a Michele falou 54. Se a pessoa do número 10 não me atender, eu vou ligar pro 54. OK? Deixa eu abrir então minha planilha. Deixa eu só ocultar os telefones aqui dela, pegar o link e ocultar. E aí, a palavra de hoje é dialética. Vai ser a senha da aula de hoje e também vai ser a senha da ligação. Se você atender falar dialética, você vai ganhar o meu livro, esse livro aqui, terapia cognitivo comportamental na síndrome de Barnud. Vamos lá, então. Preparados e preparadas? Vamos ver quem é o número 10, no caso o número 11. Se tirar o cabeçalho. Enquanto isso, vão me contando como é que foi a aula de hoje para vocês. Lembrando 10:54, hein? E amanhã vai ser a bolsa. Gente, quem atender minha ligação amanhã? Eu tava conversando com o pessoal da equipe, falei assim: "Nossa, isso é tão eh programa de auditório dos anos 90, né? Tipo, atendendo a minha ligação e falha a senha". Muito bem, tô esperando a planilha ficar pronta. Envia o link. >> Já tô. >> Vou abrir com vocês aqui na hora. E aí, pessoal? Enquanto isso, alguma dúvida, perguntas sobre a DBT, como é que tá, como é que foi a aula para vocês? Foi, >> acabei de receber a planilha. Vamos lá então. Só um minuto. Não chegou ainda não. Chegou a planilha. Então vamos lá. Eu vou abrir ela na frente de vocês do jeitinho que ela chegou para mim aqui agora. Deixa eu só ocultar os números dela aqui, né? Beleza. Você me mandou a resposta. A pergunta não, a planilha de respostas. Só um minuto, gente. Deixa eu ver nos comentários de vocês. É necessário acompanha junto com psiquiatra 99% das vezes. Você sente que algum local para fazer o o treinamento em DBT? Sim. Na quinta-feira eu vou abrir o meu curso. Vocês podem se tornar alunos da formação completa que tem TCC clássica, psicopatologia, DBT, TE, ACT ou também IPBE ou da pós-graduação. Então, se vocês quiserem estar DBT comigo as outras abordagens, quinta-feira é oportunidade, certo? Muito bem. Deixa eu procurar aqui, gente. Tô só guardando essa planilha chegar. Que mais? Vocês estão animados e animadas pro curso? Sim. Não, lembrando que amanhã tem a bolsa para ele, hein, gente. Deu certo. >> Só consigo ver participante. >> Você tem que clicar em resposta, gerar uma planilha. E aí você pega o link da planilha. Gente, só um minutinho. A gente tá aguardando a planilha aqui. Chegou >> agora. Tá indo. E aí, pessoal? Vamos mandando as dúvidas aqui. Vamos conversando enquanto eu não pego o número do vencedor. Até me lembrem o número 10, certo? Deu certo agora. Acho que vai, gente. Então, vamos ver quem vai ganhar o livro hoje. Agora sim. Link da planilha, finalmente. Ai, vamos lá, ó. Tô só deletando os telefones e pronto. OK. Então, vou compartilhar com vocês agora. Só deletei os telefones e vamos lá. Então, então o número 10, que vai ser o número 11, porque o número um é o cabeçalho, é a Luana Soares dos Santos. Certo? É o número 10 mesmo, né, que a gente tinha combinado. Comentem aqui no chat. Era isso mesmo, 10:54. Caso a Luana não atenda, vai ser o 54. Obrigada. Então, vou ligar para ela agora. Luana, eu espero que você esteja aí, senão eu vou ligar pro número 54. Tá bom? Vamos lá, então. Deixa eu pegar o número dela aqui. Número da Luana. Ai, gente, perdão. Eu falei para vocês que seria o número 11, na verdade, porque o número 11, o número um era o cabeçalho, certo? Então, deixa eu me retratar aqui, Luana. Perdão. Na verdade, a ligação vai ser pro número 11, que é a Thaísa. E caso a Thaísa não me atende, vai ser o número 55, que é a Patrícia Cordeiro. Tá bom? Então, vou ligar agora pra Thaísa Ferreira, beleza? Então, vamos lá ver se ela me atende. Thaísa Ferreira, DDD 81. E vamos lá, então. Espero que ela esteja aí. Thaísa, dá um oi se tiver por aí. Então vamos lá. Já tô adicionando o número da Thaísa aqui. Preciso colocar sempre mais 55 fora do Brasil. Beleza, então vamos lá. Tá chamando. >> Alô. >> Oi. >> Oi. >> Qual que é a senha? >> Dialética. >> Ah, tudo bom, Thaísa? >> Tudo. >> Ah, parabéns. Prazer falar com você. [risadas] >> Que satisfação. Então, muito bem. Você ganhou, você tu palavrachave. Muito bem. Bom, Thaísa, então obrigada. Que coisa boa. Então, ó, a partir de agora você pode mandar uma mensagem pra gente, chama o pessoal do atendimento, tá bom? Que eles vão te orientar direitinho. Então, parabéns, você acabou de ganhar o livro. Parabéns pela dedicação, por estar aqui firme e forte, super dedicada, estudiosa esse horário >> e é um prazer falar com você. >> Prazer. >> Prazer. >> Aí, enviou mensagem aonde? Pode clicar lá no meu Instagram, tem um destaque de contato. Se você não souber onde quais são os números, aí você pode clicar e falar diretamente no WhatsApp, tá bom? Se você não encontra lá no rodapé da página do treinamento tem os números e a gente também mandou alguns e-mails falando quais são os números de segurança nossos. Aí qualquer um desses você pode chamar, tá bom? Ou você pode ligar nesse número amanhã, tá bom? Então a gente fica no teu quarto. Imagina. Foi um prazer e parabéns. >> Obrigada. Parabéns, prazer. Boa noite e até mais. Muito bem, pessoal. Então, ela ganhou o livro. Fico muito feliz por ela. E torço amanhã que vocês torçam amanhã que vocês podem ganhar também. Lembrando que amanhã é uma bolsa de estudos de 100% para a formação completa. Certo? Muito bem, pessoal. Foi um prazer estar com vocês aqui hoje. Aguardo vocês aqui ao vivo amanhã. Lembrando que amanhã a gente tem tanto a bolsa de 100% que vocês podem escolher. Quero entrar na pós ou na formação. Para quem ganhar a premiação das indicações, desde que não tenha cometido nenhuma fraude. A gente vai apurar no detalhe. E a gente também vai ter um sorteio ao vivo, como foi hoje, certo? Ahã. Ah, e amanhã também tem os livros. Então, amanhã são três classificados. Primeiro lugar, bolsa de 100% para a premiação. Segundo lugar, não, perdão, eh, primeiro lugar, escolhe o que que prefere dos três prêmios. O segundo lugar escolhe o que quer dos quais os dois prêmios quer. E o terceiro vai ter o terceiro prêmio que não foi selecionado anteriormente. Certo? [suspirando] Bom, além disso, oi. >> Senha da aula de hoje, >> a senha da aula de hoje é a mesma do telefone, tá bom? Que é dialética. Não comentem as senhas, não passem as senhas nos comentários dos posts de chequin e daqui a pouquinho eu solto o post do chequin, tá bom? Beleza, gente. Foi um prazer estar com vocês. Aguardo vocês amanhã e olha, não digam que eu não avisei. Venham preparados também para fortes emoções amanhã. Se DBT balançou vocês hoje, se preparem também para amanhã, tá bom? Foi um prazer. Beijo grande, um ótimo descanso e até amanhã.